“PEQUENOS ACIDENTES” (“Little Accidents”), 2014, EUA, é um drama independente
ambientado numa pequena cidade americana cuja economia gira em torno de uma
mina de carvão. A história envolve dois acontecimentos trágicos: um acidente na
mina que matou 10 operários e a morte acidental de um garoto, justamente o
filho do gerente da mina. De um lado, o processo investigativo do acidente que
matou os mineiros, no qual a principal testemunha é Amos Jenkins (Boyd Holbrook),
único sobrevivente da tragédia. Do outro lado, a investigação da polícia sobre
o desaparecimento do garoto, vitimado por um acidente envolvendo Owen (Jacob
Lofland), cujo pai era uma das vítimas fatais na mina. Bill Doyle (Josh Lucas),
gerente da mina, está sendo investigado e, para piorar, não vive um bom momento
em seu casamento com Diane (Elizabeth Banks), o que vai resultar em traição por
uma das partes. As tramas caminham em paralelo até o final, sem muitas
reviravoltas ou surpresas. O filme é praticamente a adaptação de um curta, com
o mesmo nome e temática, realizado em 2010 pela jovem diretora Sara Colangelo,
que também dirige o longa. Não deixa de ser uma produção interessante, principalmente
pela oportunidade de rever a atriz Chloë Sevigny, há um tempo sumida, como a viúva
mãe de Owen.
sexta-feira, 3 de abril de 2015
Em “ADEUS
À LINGUAGEM” (“Adieu au Langage”), 2013,
do diretor francês Jean-Luc Godard, um personagem prevê que um dia teremos de
contratar intérpretes para explicar o que dizemos uns aos outros, pois hoje
ninguém está se entendendo. O mesmo vale para mais esse atentado cometido por
Godard contra a arte cinematográfica, cuja premissa principal é oferecer
entretenimento, diversão. Godard talvez seja o mais indecifrável dos cineastas
indecifráveis. Pior que Terrence Malick (”A Árvore da Vida”) e outros diretores
que se acham gênios, aclamados por
críticos afetados. Nesse filme, como é de seu estilo, Godard monta um mosaico
de imagens desconexas, acrescentando citações filosóficas, políticas e
históricas. Não há uma história. Em meio à parafernália visual e verborrágica, um
casal anda pelado pela casa dizendo frases sem sentido um para o outro e um
cachorro é filmado em várias situações. Numa delas, uma voz em off comenta que os bichos não estão
pelados, pois estão pelados. Inteligente, não? E por aí vai Godard, que, para
fazer esse filme, deve ter tido um tipo de surto criativo à base de algum
alucinógeno. O pior de tudo é que “Adie au langage” foi eleito o melhor filme de 2014 por alguns críticos norte-americanos
e, no mesmo ano, venceu o Prêmio do Júri do Festival de Cannes. Em resumo, Godard é um chato de galocha, ou galoche, em francês. Repetindo o que
me disse Rubem Ewald Filho, “Crítico adora filme que não entende”. Em todo
caso, assista e tire suas conclusões.quarta-feira, 1 de abril de 2015
“ACIMA DAS NUVENS” (“Clouds of Sils Maria”), 2014, é mais um grande filme com a
assinatura do diretor francês Olivier Assayas (de “Depois de Maio”). A história
é centrada na atriz Maria Enders (Juliette Binoche), que, beirando os 50 anos,
é convidada para reencenar a mesma peça que a catapultou ao estrelato quando
tinha apenas 18 anos. Ela interpretava a jovem Sigrid, que na peça tem um caso
amoroso com Helena, sua chefe e vinte anos mais velha. É claro que, agora,
Enders interpretará Helena. Para ensaiar o texto, ela se isola numa cabana nos
Alpes Suíços com sua assistente Valentine
(Kristen Stewart). Enders não vive um bom momento em sua vida pessoal.
Recém-saída de um divórcio e abalada pela súbita morte do amigo e dramaturgo
Wilhelm Melchior (autor da peça), ela ainda tem que lidar com o fato de estar
ficando mais velha, sentimento reforçado pelo convite para interpretar Helena. É um
filme feito de diálogos – aliás, muito inteligentes -, a maioria deles
relacionados com a psicologia dos personagens da peça. Os diálogos também colocam
em discussão a amizade e a convivência entre a atriz fragilizada e sua
assistente, uma relação que dá a entender que existe algo mais do que apenas o
vínculo profissional. Não é, definitivamente, um filme para o grande público.
Mas é muito bom e tem no elenco seu maior trunfo, com ótimos desempenhos de
Binoche (como se fosse novidade) e Kristen Stewart, além de Chloë Grace Moretz,
como a jovem atriz Jo-Ann Ellis. O cenário, nada menos do que deslumbrante dos Alpes
Suíços, é outro destaque desse filme que consagra Assayas como um dos melhores
diretores do cinema europeu atual. domingo, 29 de março de 2015
O
drama “FORÇA MAIOR” (“Force Majeure”) foi o candidato oficial da Suécia na disputa pela estatueta do Oscar
de Melhor Filme Estrangeiro/2015. Não ficou entre os cinco finalistas, mas
ganhou rasgados elogios dos críticos. Realmente, é muito bom, mas um tanto inacessível
para o grande público. Trata-se de um drama bastante pesado, um verdadeiro
tratado psicológico do comportamento humano, sua instabilidade, fragilidade e desequilíbrio.
Não duvido que esteja sendo exibido durante as aulas nas faculdades de
Psiquiatria e Psicologia pelo mundo afora. Tomas (Johannes Bah Kuhnke), sua
esposa Ebba (Lisa Loven Kongsli) e os dois filhos Vera (Clara Wettergreen) e
Harry (Vicent Wettergreen) – irmãos também na vida real – vão passar as férias e
esquiar nos Alpes Franceses. Tudo vai às mil maravilhas quando, de repente,
durante almoço no terraço do hotel, a família e os outros hóspedes são
surpreendidos pelo que parecia ser uma avalanche destruidora. Não passou de um
susto, mas o fato de Tomas ter fugido correndo sem pensar na mulher e nos
filhos desencadeará uma grande crise familiar e conjugal. A partir desse
episódio, o filme, através dos diálogos íntimos entre o casal e mais as
conversas que terão com amigos discutindo o que ocorreu, transforma-se em algo como uma longa sessão de terapia, o
que não deixa de ser interessante. Em seu quarto longa, o diretor sueco Ruben
Östlund realizou um filme de grande impacto. quarta-feira, 25 de março de 2015
O
drama norueguês “UMA NOITE EM OSLO” (“Natt Til 17” no original e “One
Night in Oslo” no inglês), 2014, direção de Eirik Svensson, é como
se fosse um episódio de longa duração de “Malhação”. Claro que muito mais bem
elaborado, mas o enfoque é o mesmo: os problemas, os amores e as
inconsequências de jovens na faixa dos 14/17 anos. A história envolve um grupo
de jovens amigos de escola, entre os quais os inseparáveis Sam (Samakab Omar) e Amir
(Mohammed Alghoul). Em comum, eles têm o fato de pertencerem a famílias de refugiados e de gostarem
da mesma garota, Thea (Thea Sofia Loch Naess). É claro que a disputa por Thea
afetará a amizade dos dois. O retrato da juventude norueguesa não é muito
diferente da do resto do mundo. Eles também são revoltados, curtem festas com
muita bebedeira, maconha, “pegação” livre e desenfreada, brigas de gangues, enfim,
a irresponsabilidade universal que caracteriza essa faixa etária. Fica difícil
para os mais velhos acreditar que esses jovens tomarão um rumo na vida. De
qualquer forma, o filme é muito bom e esclarecedor, podendo ser visto por
jovens e adultos. Seja num país de primeiro mundo como a Noruega, ou do
terceiro como o nosso e outros tantos, a verdade é uma só: a juventude anda mais perdida como
nunca foi. Tristes tempos. sexta-feira, 20 de março de 2015
A
bela e competente atriz francesa Mélanie Laurent prova que é talentosa também
atrás das câmeras. Em sua estreia como diretora no drama francês “RESPIRA”
(“Respire”), 2014, Mélanie encontrou a receita
certa para fazer um suspense psicológico de primeira. A história é baseada no
livro “A Minha Melhor Amiga”, de Anne Sophie Brasme. A jovem Charlie (Joséphine
Japy), de 17 anos, faz amizade com a recém-chegada colega de colégio Sarah (Lou
de Laage). Charlie é retraída, solitária, introvertida e, além de tudo isso, asmática (condição que resultou no título do filme). Sarah, pelo contrário,
é expansiva, ousada, faz e diz o que bem entende. Enfim, personalidades
totalmente diferentes. A amizade entre as duas redundará num clima de alta
tensão a partir do momento em que a relação começa a se tornar obsessiva. A
trama se desenrola num suspense que leva o espectador a acreditar que algo de
ruim vai acontecer. O suspense também gera a expectativa das duas acabarem
entre os lençóis, como aconteceu com as principais personagens do ótimo “La Vie
D’Adèle”. Mélanie encontrou as atrizes certas para protagonizar as duas amigas.
Joséphine e Lou de Laage estão fenomenais. O filme estreou no Festival de
Cannes 2014, com excelentes críticas. Muito merecidas, aliás. Aproveito para indicar - novamente - um filme maravilhoso estrelado por Mélanie Laurent: "Le Concert". Se puder, não perca!
“TWO MEN IN TOWN" (no original francês, "LA VOTE DE L’ENNEMI” - ainda sem tradução por aqui), 2014, é uma co-produção França/EUA que tem como um de seus destaques o elenco
de veteranos: Forest Whitaker, Brenda Blethyn, Harvey Keitel, Ellen Burstyn e
Luis Guzman. A história é toda ambientada numa pequena e árida cidade no meio
do deserto do Novo México. William Garnet (Whitaker) sai em condicional após
cumprir 18 anos de prisão pelo assassinato do auxiliar do xerife Bill Agati
(Keitel). A policial Emily Smith (Blethyn) é indicada como agente da
condicional de Garnet, ou seja, vai fiscalizar suas andanças. Na prisão, Garnet
se converteu ao islamismo e adotou um comportamento exemplar. Quando sai da
prisão e tenta se recuperar trabalhando numa fazenda de gado, ele começa a ser
pressionado de todos os lados. De um, o xerife Agati, que não se conforma de
ver o assassino de seu ajudante em liberdade. De outro, a vigilância implacável
da sua agente condicional. Como se não bastasse, ainda surge Terrence (Guzman),
um sujeito envolvido com o tráfico de drogas que insiste para que Garnet trabalhe
com ele. E ainda aparece sua mãe adotiva, Mère (Burstyn), a qual não perdoa por
nunca tê-lo visitado na cadeia. Será que o ex-presidiário aguentará tanta
pressão? Para aliviar, ainda bem que aparece Teresa (Dolores Heredia), com a
qual Garnet pretende casar e viver feliz para sempre. Além do ótimo elenco, outro
trunfo do filme é o diretor francês Rachid Bouchareb, que tem em seu currículo excelentes
produções europeias como “London River”, “O Pecado de Hadewijch” e “O Atentado”.
Não dá para não mencionar também o desempenho de Whitaker, surpreendentemente
mais magro, e da maravilhosa atriz inglesa Brenda Blethyn, num papel que comprova toda a
sua versatilidade. Entretenimento com qualidade.
quinta-feira, 19 de março de 2015
“MARCELLO, UMA VIDA DOCE” (“Marcello, una Vita Dolce”) é um documentário sobre o grande ator italiano Marcello Mastroianni.
Ele foi produzido em 2006 e exibido no mesmo ano no Festival de Cannes como uma
homenagem aos 10 anos da morte de Mastroianni. O título do documentário,
dirigido por Mario Canale e AnnaRosa Morri, está associado, claro, ao grande
clássico “La Dolce Vita”, que Federico Fellini dirigiu em 1960 e que catapultou
Mastroianni ao estrelato. O documentário tem depoimentos de Barbara e Chiara,
filhas do ator, das atrizes Sofia Loren, Anouk Aimee e Claudia Cardinale, dos
atores e amigos Jean Sorel e Philippe Noiret e ainda de grandes diretores como
Ettore Scola, Pietro Germi e Lina Wertmüller, além de outras personalidades que
conviveram e trabalharam com o ator que melhor representou o amante latino. Causa
certa estranheza a ausência da atriz francesa Catherine Deneuve, mãe de Chiara.
O documentário também reproduz cenas de alguns dos mais importantes filmes de
que ator participou. O talento de Mastroianni era indiscutível, realçado ainda
mais pela facilidade com que representava em comédias, em dramas ou qualquer
outro gênero. Um ator completo, que numa carreira de quase 49 anos participou
de 150 filmes, em sua grande maioria como protagonista principal. Para quem nunca
ouviu falar no ator, este documentário oferece uma ótima oportunidade para conhecê-lo
e, para os fãs como eu, uma chance e tanto para reverenciá-lo. Quem curte
cinema não deve perder. terça-feira, 17 de março de 2015
O
drama “AS HORAS MORTAS” (“Las Horas Muertas”), co-produção México/Espanha, 2013, é um
filme bastante simples, não apenas pelo seu enredo como também pela sua produção,
mas não deixa de ser interessante. A história é quase toda ambientada num motel
à beira-mar, no litoral de Veracruz (México). O estabelecimento está sendo
administrado, provisoriamente, pelo jovem Sebastián (Kristyan Ferrer), de 17
anos, enquanto o proprietário, seu tio, estiver de licença médica. Miranda logo
percebe que a rotina do lugar é tediosa, feita de muitas "horas mortas". Ele recebe os – raros – clientes, encaminha-os
para os quartos e depois fica à espera da saída deles para então providenciar a
limpeza. Miranda (Adriana Paz), uma corretora de imóveis de 35 anos, é cliente
habitual do motel, junto com o amante casado. Miranda muitas vezes fica
esperando o amante por horas, até que ele começa a não aparecer mais. No tempo ocioso em que passam conversando, juntando suas solidões, o jovem Sebastián e Miranda acabam ficando amigos. E
é justamente essa amizade que o diretor Aarón Fernandez fará com que seja o fio
condutor de toda a história. O filme foi selecionado para exibição nos
festivais de Locarno, Zurique, Biarritz, San Sebastian e Tóquio, além da 37º
Mostra Internacional de São Paulo (2013). Não é pouco para uma produção tão
simples. segunda-feira, 16 de março de 2015
Se
você está entrosado com o mundo da arte e curte a pintura e, principalmente, quadros
acadêmicos, o drama inglês “MR. TURNER”
pode ser um programão. Literalmente um programão, pois o filme tem duas horas e
meia de duração. Trata-se da história biográfica dos últimos 15 anos do pintor
inglês impressionista J.M.W. Turner (Timothy Spall), um artista excêntrico que
pintava quadros que realçavam os efeitos da luz sobre as paisagens. Em seu
leito de morte, olhando para a claridade que vinha da janela, o pintor
exclamou: “Deus é luz”. Foram suas últimas palavras. Suas marinhas (cenas
marítimas) ficaram famosas e eram objeto de grande admiração pelos membros da Royal
Academy of Arts, onde o pintor expunha os seus trabalhos. O filme, ambientado na primeira metade do
Século 19, também coloca em exposição a vida pessoal de Turner, sua forte ligação com
o pai, sua estranha relação com a empregada, seu casamento e a doença que o
levou à morte. O diretor Mike Leigh (de “Segredos e Mentiras” e “O Segredo de
Vera Drake”) caprichou na qualidade estética do filme. Houve uma grande preocupação em
destacar as cenas como se cada uma fosse um quadro. O filme é visualmente muito
bonito. E até didático, quando cada tela de Turner é mostrada logo depois dele
manifestar a ideia para concebê-la. O filme concorreu a quatro categorias no Oscar
2015 (Fotografia, Design, Figurino e Trilha Sonora). Não ganhou nenhuma. Timothy
Spall, porém, conquistou o Prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes 2014. Não
é filme para o grande público. É indicado especialmente para os amantes da pintura,
estudantes de arte e fotografia.domingo, 15 de março de 2015
O
argentino “RELATOS SELVAGENS” (“Relatos Salvajes”) era apontado pelos críticos como o maior
favorito a conquistar o Oscar 2015 de Melhor Filme Estrangeiro. O filme é
ótimo, mas longe da qualidade do drama polonês “IDA”, vencedor do prêmio com
toda justiça. O filme argentino é constituído por seis episódios, cada um
independente do outro, mostrando situações estressantes ao limite, perto do
trágico, mas com muito bom humor. Entre as histórias, tem aquela que se passa
dentro de um avião, onde todo mundo conhece um personagem citado por um dos
passageiros; tem o sujeito que tenta chegar em casa com um bolo para o
aniversário da filha e tem o carro guinchado; a história de um jovem milionário
que atropela e mata uma mulher grávida e seu filho; motoristas que entram em
guerra na estrada; a noiva que descobre a infidelidade do noivo durante a festa
de casamento. Enfim, pequenas histórias cujos personagens estão sempre à beira
de um ataque de nervos. Um retrato cruel e
realista dos nossos dias atuais. Dirigido por Damián Szifron, o filme foi
exibido e aclamado em vários festivais pelo mundo afora em 2014, sendo
aplaudido de pé no Festival de Cannes. No elenco, os nomes mais conhecidos são
Ricardo Darín, Oscar Martinez, Érica Rivas e Leonardo Sbaraglia. Imperdível!
No
final dos anos 50, até grande parte da década de 60, os quadros da pintora
norte-americana Margaret Ulbrich agitaram o mercado de arte nos EUA, fazendo
com que ela e o marido, Walter Keane, ficassem milionários. Só que era Walter
quem assinava a autoria dos trabalhos e aparecia para o mundo das artes como um
grande artista. Até que um dia Margaret resolveu dar um basta e contar toda a
verdade, desmascarando o pilantra. Tudo isso está contado no drama “GRANDES
OLHOS” (“Big Eyes”), 2014, dirigido por
Tim Burton. Margaret retratava crianças com os olhos arregalados, que
expressavam tristeza. Esses olhares incomodavam e emocionavam as pessoas que
iam às exposições, ainda mais quando Keane dizia, na maior cara de pau, que
eram inspiradas em crianças famintas na Europa durante a Segunda Guerra
Mundial. O estilo e a qualidade artística dos quadros conseguiram grande
divulgação na mídia e consagraram Walter Keane. Como o dinheiro entrava em
cascatas, Margaret permaneceu quieta e concordou com a trapaça. Quando se
separaram e Margaret foi morar com a filha no Havaí, a verdade viria à tona por
intermédio de um processo judicial que acabou no Tribunal local. O elenco é
ótimo: Amy Adams como a pintora está excelente, assim como o ator austríaco
Christoph Waltz interpretando Walter Keane. Também estão no filme Danny Huston
(filho de John Huston e, portanto, irmão de Angelica) e Terence Stamp, como
sempre dando show. A cena do julgamento talvez tenha ficado cômica demais. Duvido
que tenha sido assim na realidade. Em todo caso, o filme é muito bom,
valorizado pelo ótimo desempenho de Amy Adams e, principalmente, Christoph
Waltz. sexta-feira, 13 de março de 2015
O
suspense norte-americano “FREQUÊNCIA MORTAL” (“Dead in a Heartbeat”), de 2002, garante momentos de muita tensão
e aflição. Nem pense em assistir se você tem instalado um marca-passo. A
história é realmente sinistra. A fim de se vingar da renomada cirurgiã dra.
Gillian Hayes (Penelope Ann Miller), a quem acusa de ser a responsável pela
morte do filho alguns anos atrás, um especialista em explosivos começa a colocar
microbombas nos aparelhos de marca-passo que a médica implanta em seus
pacientes. Um dia, é claro, eles começam a explodir – talvez implodir fosse o
termo mais adequado. Para investigar as mortes e tentar pegar o psicopata,
entra em ação o tenente Tom Royko (o sumido Judge Reinhold), chefe do Esquadrão
Antibombas de Seattle. Antes das vítimas irem para os ares, o maníaco avisa a
polícia, que corre contra o relógio para tentar salvá-las. É nessa correria toda,
SWAT no meio, que está o melhor do suspense. O psicopata (Timothy Busfield) não
sossega enquanto não colocar as mãos na própria médica e aí também vai sobrar
para o filho do tenente. Dirigido por Paul Antier, o filme, na verdade um
telefilme, não nega ação do começa ao fim. Um bom programa para quem gosta de
sofrer em frente à telinha. Um verdadeiro teste para cardíacos. quinta-feira, 12 de março de 2015
“COLT 45”,
2014, prova que o cinema francês achou a fórmula certa para fazer bons filmes
policiais. Desta vez, a história envolve o jovem agente Vincent Milès (Ymanol
Perset), encarregado do almoxarifado e da manutenção das armas do pelotão de
polícia. Ele também é um exímio atirador. Tanto que vence todas as competições
de tiro do seu esquadrão, incluindo aquelas provas de ação simulada. Embora
convidado para ser um verdadeiro policial de rua, ele sempre preferiu ficar no
posto em que está. Na oficina de sua casa, nas horas vagas, ele cria armas e
munições especiais, como um cartucho que penetra no mais seguro colete à prova
de balas. As habilidades de Milès chamam a atenção do misterioso policial Milo
Cardena (Joey Starr). Depois de cometer um crime em legítima defesa, Milès será
chantageado por Cardena, que na verdade é um policial corrupto e envolvido com
uma gangue de traficantes e assaltantes.
Para não denunciá-lo, Cardena exige que Milès forneça a ele e seu bando os seus
poderosos cartuchos. A coisa toda foge ao controle e começam os assassinatos,
inclusive de policiais. Com a ajuda do comandante Christian Chavez (Gérard
Lanvin), a quem confessa sua ligação com Cardena, o jovem policial deixa a passividade
de lado e parte para a ação. O filme tem a direção do belga Fabrice Du Welz e
conta ainda no elenco com a bela Alice Taglioni (de “Paris-Manhattan”). O filme tem
muita ação e suspense, além dos habituais clichês do gênero. Para quem curte
filmes policiais, um programão. Sem dúvida, um filme de alto calibre. terça-feira, 10 de março de 2015
Sinistro,
esquisito e perturbador. Não há maneira mais precisa para definir “QUANDO
OS ANIMAIS SONHAM” (“Når Dyrene Drømmer”), Dinamarca, 2014. Trata-se de um drama de
suspense e terror fantástico. Numa pequena comunidade costeira, a jovem Marie
(Sonia Suhl) é discriminada por causa do que falam sobre a doença misteriosa da
mãe, Mor (Sonja Richter), entrevada há anos numa cadeira de rodas. O pessoal da
comunidade tem um pouco de medo dela. Marie trabalha numa pequena indústria de
pescados e quase que diariamente é vítima de algum bullying violento por parte dos seus “colegas”. Com o tempo, Marie
começa a sentir os mesmos sintomas da doença de sua mãe, como, por exemplo, crescimento
de pelos em várias partes do corpo e sangue saindo pelas unhas das mãos. Claro que boa coisa não
vai sair daí. Far (Lars Mikkelsen), o pai de Marie, sabe exatamente o que vai
acontecer, pois viveu o dilema que sua esposa enfrentou durante muitos anos. O filme
marca a estreia em longas do diretor Jonas Alexander Arnby, que já trabalhou
como assistente de Lars Von Trier. Estreou na Semana da Crítica do
Festival de Cannes/2014 e também foi exibido na 38ª Mostra Internacional de São
Paulo, sendo bem recebido tanto pela crítica como pelo público. Não deixa de ser um filme interessante. segunda-feira, 9 de março de 2015

Quando
a gente menos espera de um filme, aí é que ele surpreende. É o caso de “JULHO SANGRENTO” (“Cold in July”), EUA, 2014, direção de Jim Mickle. Com
exceção de alguns atores conhecidos e a informação de que a história é baseada
num livro escrito por Joe Lansdale, não há muitas referências. E não é que foi
exibido na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes 2014? O filme começa
num suspense eletrizante, quando um homem desconhecido invade a casa de Richard
Dane (Michael C. Hall) de madrugada. Dane apaga o bandido com um tiro, a
polícia chega e encerra o caso como legítima defesa. Russel (Sam Sheppard), o
pai do morto, sai da prisão em regime condicional e vai atrás da vingança pelo
filho morto, ameaçando a família de Dane. Quando o chefe da polícia local Ray
Price (Nick Damici) prende Russel, o filme dá uma reviravolta surpreendente,
acrescentando ao suspense um pouco de policial noir e humor negro, com muita ação
e violência. Não dá para entrar em detalhes para não estragar a surpresa. Só dá
para dizer que a história vai envolver a máfia, policiais desonestos e até uma
produtora de filmes pornográficos. Também só dá pra dizer que Dane, até então
um pacato cidadão do bem e pai de família dedicado, acaba gostando da
adrenalina de enfrentar bandidos e vai se divertir dando tiros. O filme também
tem a presença do veterano ator Don Johnson, ótimo como Jim Bob, um
investigador particular excêntrico. Entretenimento garantido!
domingo, 8 de março de 2015
“THE BETTER ANGELS” (ainda sem tradução), 2014, é daqueles filmes que, aos 20 minutos do
primeiro tempo, já tem gente abandonando a plateia. O primeiro sinal de que vem
um filme esquisito está na menção, nos créditos, do nome do diretor Terrence Malick,
que desta vez atuou como produtor. Mas dá na mesma, pois o diretor A. J.
Edwards é tão pretensioso quanto. Na verdade, um discípulo do estilo de Malick (dos abomináveis “A Árvore da Vida” e “Amor Pleno”). Em "Amor Pleno", aliás,
Malick contou com a ajuda de Edwards. “The Better Angels” é ambientado no
início do século 19 no interior de Indiana e narra um período da infância de
Abraham Lincoln. Apresenta Thomas Lincoln (Jason Clarke), o pai, como um homem
severo e muitas vezes violento. O filme também aborda a doença e o falecimento
da mãe biológica, Nancy Lincoln (Brit Marling), e o surgimento de Sarah Bush
(Diane Kruger) como a segunda mãe de Ben (Braydon Denney). O filme é todo em
P/B, tem poucos diálogos e a história é narrada in off por um primo que conviveu com Abraham Lincoln até este completar
21 anos de idade, quando saiu de casa e entrou para a história dos EUA. O filme
é muito chato. Eu não marquei no relógio, mas a duração do filme é bem maior do que a 1h35 que vem nos créditos. A sensação, então, é que dura umas dez horas. Uma
verdadeira bomba atômica. Perto desta, a de Hiroshima é um estalinho. De qualquer forma, os críticos mais afetados vão gostar e os estudantes de Cinema vão achar obra-prima. Nesse mundo, tem gosto pra tudo.
“O MELHOR DE MIM” (“The Best of Me”), 2014, é mais um drama romântico adaptado
de um livro do escritor Nicholas Sparks. Apesar da dosagem altíssima de água
com açúcar, como todos os livros do glicêmico Spars, a história até que é bem
elaborada e não tem lances muito fantasiosos. Quando eram jovens, Amanda
Collier (Liana Liberato) e Dawson Cole (Luke Bracey) viveram uma intensa
paixão, com direito à primeira vez dela. Vinte e um anos depois, os dois se
reencontram na antiga cidade, Amanda vivida agora por Michelle Monaghan e
Dawson por James Marsden. Entre idas e ao passado e vindas ao presente, o filme
vai contar o drama de Dawson, criado por um pai violento e depois acolhido na
casa de um senhor bonachão dono de uma oficina mecânica, Tuck (Gerald McRaney).
Dawson tinha planos de casar com Amanda, cujo pai, um ricaço, foi totalmente
contra e fez de tudo para impedir o relacionamento. Um acontecimento trágico,
porém, levará Dawson a cumprir pena na prisão, o que o afastará de Amanda por
um longo tempo. Com relação aos atores, o diretor Michael Hoffman pisou na bola
ao escalar o ator australiano Luke Bracey para viver o jovem Dawson e James
Marsden para o Dawson mais velho. Os traços de um e do outro são completamente
diferentes. Nem uma plástica os tornaria parecidos. O ator Luke Bracey, aliás,
parece muito mais velho do que Liana. Mas a escolha das duas atrizes foi um gol
de placa: a bela e competente Michelle Monaghan realmente parece Liana mais
velha. Um filme ideal para espectadores românticos crônicos.
sexta-feira, 6 de março de 2015
O
drama francês “A PEQUENA JERUSALÉM” (“La Petite Jérusalem”) é bastante esclarecedor com relação à condição da mulher diante dos preceitos da religião judaica ortodoxa. Para isso, coloca em discussão
temas como religião, claro, e também filosofia
e sexo. Produzido em 2005 e dirigido pela então estreante diretora francesa
Karin Albou, o filme centra a história na família de Laura (Fanny Valette), de
18 anos, estudante de Filosofia. Ela vive com a irmã Mathilde (Elsa Zylberstein),
o cunhado Ariel (Bruno Todeschini), os filhos do casal e a mãe. A família mora no
bairro chamado “A Pequena Jerusalém”, em virtude da presença de um grande
número de judeus, na periferia de Paris. Laura gosta de um colega de trabalho,
Djamel (Hédi Tillette de Clermont-Tonnerre), um imigrante ilegal argelino
muçulmano. Na verdade, uma paixão proibida. Sua irmã, Mathilde, descobre que Ariel,
um fervoroso judeu ortodoxo, estava tendo um caso e então coloca em xeque sua
condição de amante recatada, à qual atribui a traição do marido. Ela, então,
vai procurar aconselhamento para reverter a situação. O filme é bastante
interessante justamente por abordar esses aspectos que cercam o cotidiano das
mulheres pertencentes a famílias judaicas ortodoxas. Um filme adulto, sério,
que merece ser visto. quarta-feira, 4 de março de 2015
“GET ON UP”
(ainda sem tradução por aqui), EUA, 2014, é o filme biográfico do cantor James Brown, um
dos maiores fenômenos da música norte-americana e mundial, o “Rei do Soul” e o
inventor do Funk. Para se ter uma ideia de quem foi James Brown (1933-2006) , basta dizer
que vendeu, em sua carreira, mais de 500 milhões de discos. Outro sinal de sua
importância musical: Mike Jagger é um dos produtores do filme e um de seus maiores admiradores. Brown viveu uma
infância pobre, quase miserável, na Carolina do Sul. Abandonado pela mãe ainda pequeno, viveu um
tempo com o pai violento, que depois foi para o exército e o deixou aos
cuidados de uma tia. Brown começou a cantar na cadeia, onde cumpriu pena por
roubo. Saiu e fundou o grupo “The Famous Flames”. Aí foi um sucesso atrás do
outro, até se transformar num dos maiores cantores do século XX. O filme é
ótimo, apesar da longa duração (139 minutos). O elenco é excelente, tendo à
frente Chadwick Boseman (Brown), Viola Davis (Susie Brown, a mãe), Octavia
Spencer (tia Honey), Dan Aykroyd (o empresário Ben Bart) e Nelson Ellis (Bobby
Byrd, o melhor amigo). A direção é de Tate Taylor (“Histórias Cruzadas”). Os números
musicais são um primor, mostrando como Brown, além de ótimo cantor e
compositor, era um showman espetacular. O filme mostra que Brown tinha um ego
maior até do que o seu talento, que já era enorme. Prepare-se para balançar na
poltrona e conhecer um dos maiores gênios da música pop. Imperdível!
A
comédia nacional “MADE IN CHINA”, 2014, é simpática e divertida. O apelo é bem
popular, como a maioria das comédias feitas por aqui, mas esta, pelo menos, não
parte para a baixaria. A história é ambientada no Saara, o maior centro
comercial do Rio de Janeiro, uma espécia de Rua 25 de Março carioca. A Casa São
Jorge, do libanês Nazir (Otávio Augusto), enfrenta a forte concorrência dos
recém-chegados chineses, que abriram a Casa do Dragão bem em frente. Os artigos
da Casa São Jorge, em sua maioria, vêm do Paraguai, e da concorrente, claro, da
China, muito mais baratos. Francis (Regina Casé) e Andressa (Juliana Alves),
vendedoras da São Jorge, tentam descobrir por que os chineses vendem suas
mercadorias muito mais barato. Elas atravessam a rua e tentam dialogar com Chao
(Tony Lee), sua mulher e sua filha, que não falam nossa língua. A dificuldade
de comunicação gera alguns momentos bastante engraçados, ainda mais quando
entra em cena Carlos Eduardo (Xande de Pilares), um malandro que namora Francis
e não pode ver rabo de saia. Apesar do título, o filme é bem carioca, utilizando
linguagem típica da periferia de lá,
repleta de gírias e de termos utilizados pela malandragem. O filme tem a
direção de Estevão Ciavatta, marido de Regina Casé. Esta, por sinal, está
bastante engraçada e menos chata do que o habitual. Otávio Augusto, como
sempre, está ótimo. Mas os destaques mesmo são a morenaça Juliana Alves e Xande de Pilares como o típico malandro carioca. Enfim, um filme para quem quiser se divertir sem exigir
muito. terça-feira, 3 de março de 2015
Deborah
Secco já provou – tanto em novelas, em filmes e em peças de teatro – que é uma
boa atriz. No cinema, sua melhor atuação foi, sem dúvida, em “Bruna Surfistinha”.
No drama “BOA SORTE”, 2014, ela faz o papel de Judite, uma ex-drogada
com HIV e graves problemas hepáticos Ela está internada numa clínica
psiquiátrica e não tem muito tempo de vida. Enfim, uma paciente em estado terminal,
que se mantém viva no automático e graças às doses de maconha levadas pela avó
Célia (a sempre ótima Fernanda Montenegro). Recém-chegado à clínica, com
problemas de depressão, o jovem João (João Pedro Zappa) logo faz amizade com
Judite. Os dois não se desgrudam e João, sexo depois, acaba se apaixonando. Só que Judite,
sabendo do histórico depressivo do rapaz, decide não alimentar essa paixão.
Como não tem muito tempo de vida, ela teme que João faça alguma besteira após sua
morte. O filme até comove, mas não deixa de ser arrastado, um tanto lento.
Embora tenha emagrecido 11 quilos para o papel, Deborah não está assim tão
convincente. Sua atuação chega a ser forçada em algumas cenas. O filme marca a
estreia de Carolina Jabor (filha do próprio, Arnaldo) na ficção. Complementando
as informações, a história foi baseada no conto “Frontal com Fanta”, de Jorge
Furtado, que também assina o roteiro. Também estão no elenco Cassia Kis Magro
(a antiga Kiss), Felipe Camargo e Gisele Fróes.
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