sexta-feira, 7 de novembro de 2014
quinta-feira, 6 de novembro de 2014
“AMADOR”, 2010,
é um drama espanhol dirigido por Fernando León de Aranoa (de “Segunda-feira ao
Sol”, com Javier Bardem). Conta a história do casal de imigrantes peruanos Marcela
e Nelson, que enfrenta um período de grande dificuldade financeira na Espanha. Nelson
(Pietro Sibille) vende nas ruas flores que rouba de um entreposto. Marcela (Magaly
Solier) ajuda o marido. Como o negócio não vai bem, Marcela decide procurar
emprego. Em meio a essa situação difícil, Marcela ainda descobre que está grávida,
mas tem medo de contar para o marido. Ela aceita o emprego para cuidar de um
idoso doente, Amador (Celso Bugallo), até que a filha dele, Yolanda (Sonia Almarcha),
volte da viagem de férias. Marcela vai encontrar em Amador um bom ouvinte e
conselheiro. Esse convívio acaba gerando uma grande amizade entre os dois, até
que um fato inesperado acontece e deixa Marcela numa situação alarmante. Ela vai tentar superar o problema com a ajuda de Puri (Fanny de
Castro), uma prostituta sessentona que “visitava” Amador uma vez por semana.
Puri é responsável por alguns bons momentos de humor, suavizando o clima triste
que ronda a trajetória de Marcela e do próprio filme. O diretor utiliza o jogo
de quebra-cabeças como representação da complexidade da vida. É montando um
quebra-cabeças com pedaços de uma foto, por exemplo, que Marcela descobrirá um segredo
nada agradável sobre o marido. Um filme mais interessante do que bom, mas que
merece ser visto não apenas pela história um tanto inusitada, mas também pela ótima atriz
peruana Magaly Solier, do premiado “A Teta Assustada”.terça-feira, 4 de novembro de 2014
“O SEGREDO DAS ÁGUAS” (“Futatsume no Mado” ou, no inglês, “Still the Water”), 2013, é
um drama japonês sensível que merece ser visto por quem curte discussões filosóficas e conversas
sobre os vários aspectos da nossa vida. O filme é ambientado na ilha Amami
Oshima, ao Sul do Japão, e centra o desenvolvimento do enredo nos jovens Kioko
(Jun Yoshinaga) e Kaito (Nigirô Murakami). Os fatos que se desenrolam em torno
deles é que dão margem às discussões filosóficas já mencionadas. A doença
terminal da mãe de Kioko e o aparecimento de um cadáver na praia, por exemplo, resultam
em reflexões sobre a vida e a morte. A separação dos pais de Kaito leva os
protagonistas a refletir sobre o amor, casamento e paternidade. O mesmo
acontece com relação a temas como o destino, a Natureza, religião etc. Quem
tiver paciência – e tempo – poderá até mesmo copiar os diálogos e depois
refletir sobre o que foi dito. Num deles, o viúvo pai de Kioko compara a morte
de Isa, sua esposa, ao fim de uma onda na praia, atribuindo ambos os fatos à
energia que se esvai, mas que já tiveram sua força e o seu esplendor. Há também
muitas cenas comoventes, como aquela em que a família e os amigos se despedem
de Isa nos seus últimos momentos de vida. As cenas de mar - aéreas, submarinas e das ondas - são belíssimas e dizem muito sobre a força da Natureza. O filme, dirigido pela cineasta japonesa
Namomi Kawase, disputou a Palma de Ouro do Festival de Cannes/2014 e foi
exibido, aqui no Brasil, durante o 38º Festival Internacional de Cinema de São
Paulo. Mais um belo filme que merece ser visto.
“CARIBE – A TRAJETÓRIA DE
WORRICKER” (“Turks & Caicos”), telefilme produzido e exibido pela BBC em 2013,
é o segundo filme de uma trilogia que tem como protagonista principal Johnny
Worricker (Bill Nighy), agente do MI-5, Serviço Secreto da Inglaterra (o
primeiro filme da trilogia é “Page 8”, de 2010). Trata-se de um suspense
político ambientado num luxuoso hotel das ilhas Turcas e Caicos, nas Antilhas, na
verdade um paraíso fiscal. Lá se reúnem algums empresários americanos, a
relações-públicas deles Melanie Fall (Winona Ryder), Curtis Pelissier
(Christopher Walken), agente da CIA, e o próprio Worricker, além de uma
contadora anã que aparece lá pelo meio do filme. Pelo que o enredo muito
complicado dá a entender, ninguém sabe da verdadeira identidade de Worricker
nem de Pelissier. O filme é repleto de diálogos, a maioria deles
incompreensíveis e tediosos, num blá blá
blá interminável dos mais irritantes. Não há ação e muito menos suspense. O
elenco ainda conta com Helena Bonhan Carter e Ralph Fiennes, ou seja, um
desperdício de talentos. Se o filme já é ruim, pior mesmo é o ator Bill Nighy,
que faz o protagonista principal. Tem mais cara de agente funerário do que
agente secreto. Feio, cara de fuinha, expressão de abobado, nenhum carisma e
muito menos charme. Resumindo: o filme é uma bomba de proporções atômicas.
domingo, 2 de novembro de 2014
“A BICICLETA DO MEU PAI” (“Mój Rower”), 2012, Polônia, direção de Peter Trzaskalski, é daqueles
filmes sensíveis e comoventes que, ao mesmo tempo, divertem. Depois de uma vida juntos, a
mulher de Wlodek (Michal Urbaniak) o abandona por um novo amor. Ela tem, veja
só, 75 anos. Wlodek deve ter a mesma idade,
talvez um pouco mais velho. Depois
de ler a carta de despedida da esposa, ele bebe umas a mais e acaba sendo
internado num hospital, pois é diabético. Seu filho Paul (Artur Zmijewski), um pianista
muito famoso, chega às pressas da Alemanha para visitá-lo. O mesmo faz o jovem Maciec
(Krzysztof Chodorowski), neto de Wlodec e filho de Paul, que vem de Londres
para ficar ao lado do avô. O reencontro dos três, que não se viam a alguns
anos, vai trazer à tona antigos desentendimentos. Paul decide buscar a mãe onde
ela estiver e exige que seja acompanhado por Wlodek e Maciec. Nesse road movie, os três vão se conhecer
melhor e tentar amenizar o relacionamento conflituoso que sempre tiveram. Os
ásperos diálogos entre Paul e Maciec são hilariantes. Choque de gerações em
estado puro. Há também muitos momentos comoventes, como aquele em que Wlodek e
Paul tocam juntos no aniversário de uma menina, ou quando os três estão nadando
juntos num rio. Mas o nó na garganta está reservado mesmo para o desfecho, quando Paul
se apresenta ao lado da Orquestra
Sinfônica de Berlim. A trilha sonora é outro ponto alto do filme, do jazz de Benny Goodman à música clássica de Mozart. Um
filme para ver, ouvir, rir e se comover. E recomendar para os amigos. Simplesmente imperdível!
“EXUBERANTE DESERTO” (“Adama Meshuga’at”), 2006, dirigido por Dror Shaul, é um belo e
sensível drama israelense que tem como pano de fundo a vida num kibutz
tradicional. A história é ambientada em 1974 e tem como principais
protagonistas Dvir (Tomer Steinhof), um menino de 12 anos, e sua mãe Miri
(Ronit Yudkvitz), uma mulher que sofre de depressão a nível psiquiátrico, além
de alcoólatra e viciada em remédios.
Dvir tem um irmão mais velho, Eyal (Pini Tavger), que não liga muito para a
mãe. Quem cuida dela é mesmo Dvir. O filme mostra as normas rígidas que regem
um kibutz, naquela época uma comunidade bastante fechada e tradicional. Interessante
que os filhos, depois que nasciam, eram encaminhados para uma creche intitulada
“Casa das Crianças” e lá moravam até os 13 anos, quando faziam o Bar Mitzvah. Dessa
maneira, os pais, de acordo com a norma dos kibutz, ficavam livres para o
trabalho comunitário. O filme tem momentos tocantes e bastante comoventes, principalmente
quando envolve a relação afetuosa entre Dvir e a mãe, interpretada por esta
estupenda atriz Ronit Yudikvitz. A qualidade desse filme foi reconhecida no
Festival de Sundance/2007, onde conquistou o “Grande Prêmio do Júri”, e, no
mesmo ano, no Festival de Berlim, onde ganhou o Urso de Vidro de Melhor Filme. Um
filme sensível que merece ser visto e revisto.
“A GAROTA DO 14 DE JULHO” (“La Fille du 14 Juillet”) é uma comédia francesa de 2013. Trata-se do
primeiro longa dirigido por Antonin Peretjavko. É um filme que abusa do humor nonsense, com situações absurdas e sem
nexo, piadas infames sem a menor graça e personagens caricatos cujos nomes
incluem, por exemplo, Dr. Placenta, Sr. Guilhotin etc. Algumas cenas fazem
referência a filmes franceses da década de 60, da chamada Nouvelle Vague, mas o
estilo de paródia adotado pelo diretor Peretjavko passou longe de configurar
uma homenagem. A personagem principal é Truquette (Vimala Pons), uma moça que
transita pra cá e pra lá de vestido curto e biquíni com sua amiga Charlotte
(Marie-Lorna Vaconsin). As duas conhecem Hector (Grégoire Tachnakian) e Pator
(Vincent Macaigne) e com eles irão viajar para a praia no início das férias de
verão. No meio do caminho, eles ficam sabendo que as férias de verão foram
canceladas em toda a França pelo governo devido à recessão. Todo mundo deve
voltar a trabalhar. E por aí vai esse filme repleto de bobagens, um nonsense generalizado. Quem quiser
arriscar e assistir, pelo menos vai curtir a atriz de origem indiana Vimala
Pons, que, mesmo fazendo papel de abobada, mantém um charme irresistível,
complementado por uma bela silhueta. Aqui no Brasil, o filme foi exibido
durante a 37ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. sexta-feira, 31 de outubro de 2014
Depois
de mudar da telinha (“Friends”) para a telona, a atriz Jennifer Aniston participou
de alguns filmes razoáveis e de outros medíocres. Em nenhum deles, ela
conseguiu um papel à altura do seu indiscutível talento. Na recém-lançada comédia
“VIDA
DE CRIME” (“Life of Crime”), de 2013, ela
interpreta Mickey, esposa de Frank Dawson (Tim Robbins), um empresário
milionário arrogante, embusteiro e mulherengo. Além de tratar a esposa como
lixo, ele esconde dela uma conta secreta num paraíso fiscal. Milhões de dólares
desviados em falcatruas diversas. Habituado a ostentar, Mickey atrai a atenção
de dois marginais, Louis (John Hawkes) e Ordel Robbie (Mos Def), que acabam
sequestrando Mickey e pedem a Frank, como resgate, nada menos do que 1 milhão
de dólares. Só que a negociação não dá certo, primeiro porque, dois dias antes,
Frank havia assinado os papéis do divórcio. Segundo, ao negociar com os
sequestradores, Frank estava ao lado de sua amante Melanie (Isla Fisher), à
qual havia prometido casamento. A confusão está armada, com direito a uma
reviravolta inesperada e surpreendente no final. O roteiro foi baseado em romance
de Elmore Leonard, um dos melhores escritores de livros policiais da
atualidade. Sem dúvida, um ótimo entretenimento. quinta-feira, 30 de outubro de 2014
“THE HOMESMAN”
(ainda sem tradução por aqui) é o terceiro filme dirigido pelo ator Tommy Lee
Jones. Estreou no Festival de Cannes 2014, concorrendo à Palma de Ouro. Talvez seja indicado para disputar algumas categorias do Oscar 2015. Não que seja um grande
filme. Quem sabe concorra aos prêmios de Melhor Atriz (Hilary Swank) e Melhor Ator
(Tommy Lee Jones), no máximo. A história, baseada no livro “The Chariot of the
Damned”, de Glendon Swarthout, é ambientada em 1854, portanto, no tempo das
diligências. Numa comunidade de fazendeiros no interior do Nebraska, três
mulheres casadas perdem a sanidade de uma hora para outra, tornando-se um
estorvo para seus maridos fazendeiros. Como não havia hospitais psiquiátricos naquela
época, o trio tem de ser levado para Iowa, onde Altha Carter (Meryl Streep),
esposa do pastor local, aceitou acolhê-las e tratá-las. Como não tem marido ou
filhos, a solteirona Mary Bee Cuddy (Hilary Swank) é escolhida pela comunidade
para conduzir as mulheres até Iowa, numa viagem de pelo menos seis semanas de
duração. Durante os preparativos, Mary conhece George Biggs (Tommy
Lee Jones), um bêbado desertor do exército que topa acompanhá-la. O filme quase
inteiro é dedicado a mostrar essa viagem cheia de dificuldades e perigos, entre
os quais os índios e o rigoroso inverno, além, claro, do sufoco que é cuidar de
três mulheres completamente fora de sintonia. O elenco conta ainda com John
Lithgow, James Spader, Sonja Richter, Hailee Steinfeld, Miranda Otto e Graça
Gummer. quarta-feira, 29 de outubro de 2014
“O DISCÍPULO” (“Lärjungen”),
2013, é um ótimo drama finlandês. A história é inteiramente ambientada na Ilha Lagskär, no
Mar Báltico. Hasselbond (Nicklas Groudstroem) é o responsável pelo farol existente
na ilha. Ele mora com a mulher Dorrit (Amanda Ooms) e um casal de filhos, Emma
e Gustav. Hasselbond é bastante rígido – e muitas vezes violento – com a
família. A rotina é quebrada quando chega à ilha o jovem Karl Berg (Erik
Lönngren), enviado do continente para cumprir o papel de assistente do
faroleiro e aprender o ofício. Criado num orfanato, Karl vê em Hasselbond o pai
que nunca teve e se esforça ao máximo para agradá-lo. O faroleiro titular acaba
adotando Karl como se fosse seu próprio filho, atraindo o ciúme de Gustav
(Patrik Kumpulainen). Aliás, a família guarda a sete chaves um segredo
envolvendo um filho que já morreu e que era o xodó de Hasselbond. Apesar dos
conflitos familiares, a diretora Ulrika Bengts soube amenizar o clima pesado
com alguma sensibilidade, principalmente no que se refere ao relacionamento de Karl com a sofrida e submissa Dorrit. Ulrika também soube explorar, com uma excelente fotografia, o cenário esplendoroso da ilha. O filme estreou em agosto de 2013 no Montreal World
Film Festival e representou a Finlândia no Oscar 2014 de Melhor Filme
Estrangeiro. Um filme que merece ser conferido. terça-feira, 28 de outubro de 2014
“KAREN CHORA NO ÔNIBUS” (“Karen
Llora em un Bus”), 2010, é um drama colombiano que conta a história de Karen
(Ángela Carriozosa Aparício), que tenta organizar sua nova vida depois de um
casamento de 10 anos com Mário (Edgar Alexen). Ela decidiu se separar e agora quer
seguir o seu próprio caminho, sem depender mais do dinheiro do marido e começando por tentar arrumar um emprego. Só que tem um
problema: ela nunca trabalhou e não tem nenhuma qualificação profissional. Fica
ainda mais difícil pelo fato de ter passado dos 30. Mesmo morando num pardieiro
cheio de baratas e sem água quente no chuveiro coletivo, além de não ter
dinheiro nem para comer, ela recusa o convite da mãe para voltar a morar em sua
antiga casa. O ex-marido ainda tenta uma reaproximação, mas Karen também
recusa. São as únicas atitudes que ainda lhe restam do seu orgulho. Para conseguir dinheiro para comer, ela adota certas atitudes humilhantes. Com a ajuda de sua nova amiga Patrícia (María Angélica
Sánchez) e de um namorado, Karen tentará dar a volta por cima e recomeçar. Apesar
do título estranho (refere-se à cena inicial do filme, quando Karen aparece
chorando num ônibus), o filme é bastante interessante, valorizado pelo surpreendente
desempenho da atriz estreante Ángela Carriozosa no papel principal. Dirigido
pelo também estreante Gabriel Rojas, o filme foi lançado no Festival de Cinema
de Berlim/2011 e exibido em vários festivais pelo mundo afora. A crítica ficou
dividida: uns elogiaram, outros não gostaram. Em casos como esse, é melhor
assistir e tirar suas próprias conclusões.
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
“FUGA PELA VIDA”
(“La Proie”), 2011, dirigido por Eric Valette, é mais um bom policial francês,
embora exageradamente trágico e com um final sentimentalóide demais, mas conta com
todos os clichês do gênero: tem muita ação, pancadaria, tiros e perseguições.
Trata-se da história de Franck Adrien (Albert Dupontel, de “Uma Juíza sem Juízo”),
que assaltou um banco e agora está preso. Só ele e sua mulher Anna (Caterina
Murino) sabem onde está escondido o dinheiro roubado. Seu companheiro de cela é
Jean-Louis Maurel (Stéphane Debac), preso por ter estuprado uma adolescente. Quando
outros presos tentam matar Jean-Louis, Franck sai em sua defesa e, depois da
briga, pega mais seis meses de cana. Jean-Louis é solto por causa de um
depoimento comprado, e, em liberdade, vai voltar à ativa. Logo depois, Franck consegue fugir aproveitando-se de uma confusão.
A detetive Claire Linné (Alice Taglioni, de “Paris-Manhattan”) é encarregada de
chefiar a caçada ao fugitivo, que, para piorar, agora é acusado de assassinatos
que não cometeu. No fim, é claro, a verdade prevalecerá. Mas até lá o
personagem de Franck vai sofrer na pele – e nos ossos – todo tipo de dor. Durante
o filme inteiro, ele é espancado, torturado (o tímpano direito é perfurado com
uma chave de fenda) e baleado várias vezes. Como John McClane, personagem de
Bruce Willis, Franck também é “Duro de Matar”.
“O DESPERTAR DOS DEUSES” (“Prisioners of the Sun”), EUA, 2013, é um filme de aventura e ação dirigido
por Roger Christian. A história é mirabolante: grupo de arqueólogos está no deserto
do Egito à procura da pirâmide da princesa Amanphur. Por um incrível golpe de
sorte, uma violenta tempestade de areia simplesmente faz emergir a pirâmide.
Apesar de toda lenda de perigos e maldições, é formada uma expedição, chefiada
pelo Professor Hayden Masterton (John Rhys Davies), para explorar o interior da
pirâmide. Em determinado dia e hora, segundo os hieróglifos, uma conjunção de
estrelas fará com que uma luz penetre a pirâmide para revelar os seus segredos.
O filme tem todos os clichês dos filmes do gênero: superstições, lendas
egípcias, tesouros escondidos, armadilhas, sustos, romance, vilões, múmias que
revivem etc. Lançado no Brasil diretamente em DVD, o filme tem no elenco, além de
John Rhys, David Charvet, Emily Holmes, Carmen Chaplin (neta do gênio), Nick
Moran e Joss Ackland. Bom programa para uma sessão da tarde. domingo, 26 de outubro de 2014
“ELDORADO - EM BUSCA DA CIDADE
DO OURO” (“Eldorado - City of the Gold”), 2010, EUA, direção de Terry Cunninghan, é
um filme de aventuras na linha Indiana Jones e outros do gênero. Não tão bom, mas
é bem produzido, a história é legal e, o que é mais importante
nesses filmes, tem bastante ação. Enfim, um bom programa para uma sessão da
tarde. Aqui, o herói é o arqueólogo Jack Wilder (Shane West), que, juntamente
com os parceiros aventureiros Maria (Natalie Martinez) e Gordon (Elson Henson),
segue algumas evidências arqueológicas que dão conta da existência da cidade lendária
de Eldorado, no Peru, conhecida também como a “Cidade do Ouro”. Só que eles não
estão sozinhos nessa busca. O time de bandidos conta com um mercenário sádico contratado
por gente de Wall Street, um general do exército peruano corrupto e ainda um
poderoso traficante de drogas, todos a fim de roubar o ouro dos peruanos. O filme
é bastante movimentado do começo ao fim. O aspecto negativo é o ator Shane West, excessivamente
canastrão e péssimo ator, muito longe – a anos-luz – de Harrison Ford, por
exemplo. Em compensação, a atriz Natalie Martinez, descendente de cubanos, esbanja
beleza, charme e gostosura. Certamente, logo estará na fila para ser a nova
Jennifer Lopez ou Salma Hayek de Hollywood. Importante salientar que o filme é
o segundo episódio da série “Eldorado”, sendo que o primeiro é “Eldorado - Em
Busca do Templo Perdido”, ambos produzidos em 2010. Dá pra ver os dois, um após
o outro, sem dar sono.
“JIMMY P.”,
2013, co-produção França/EUA, é o primeiro filme dirigido pelo francês Arnaud
Desplechin em língua inglesa. A história é baseada no livro “Reality and Dream:
Psychotherapy of a Plains Indian”, escrito em 1951 pelo psicólogo e antropólogo
húngaro Georges Devereux. (seu verdadeiro nome era György Dobó, mas ele mudou por
admirar a cultura francesa). A história é baseada nos fatos reais que
envolveram o índio norte-americano Jimmy “Blackfoot” Picardi e Devereux. Ambientado em 1948, o
filme começa com Jimmy (Benício Del Toro) se queixando de fortes dores de
cabeça, perda de audição e cegueira temporária. Ele é internado num hospital
militar no Kansas e uma junta médica, após rigorosos e detalhados exames, não
encontra nenhum problema fisiológico. Os médicos acreditam que ele deve estar
sofrendo algum trauma psicológico por ter sido ferido na cabeça durante a 2ª Grande
Guerra. Até aventam a hipótese de esquizofrenia. O psicólogo Devereux (Mathieu
Amalric), que também é especialista em culturas indígenas, é contratado para acompanhar
o caso de Jimmy. A partir da chegada de Deveraux ao hospital, o filme se
arrasta nas intermináveis – e muitas vezes enfadonhas - conversas entre ele e
Jimmy. O forte sotaque dos dois também pode causar irritação: de um lado, o indígena de Jimmy e, do outro, o húngaro de Deveraux (dá pra imaginar como se comunicavam...). O psicólogo
chegará à conclusão de que os problemas de Jimmy remontam a um período bem anterior à 2ª Guerra. O filme é mais interessante do que bom e deve interessar
principalmente aos estudantes de Psicologia. sexta-feira, 24 de outubro de 2014
“SOB O DOMÍNIO DO MAL” (“The Manchurian Candidate”), 2004, é um suspense baseado no livro
homônimo escrito em 1959 por Richard Condon. O enredo é meio fantasioso, meio
ficção científica. Meio complicado também. Nesta segunda adaptação para o
cinema – a primeira foi em 1962 – a história tem como protagonista principal o
capitão Ben Marco (Denzel Wahington), que comandava um pelotão no Iraque durante
a Guerra do Golfo. Um dos integrantes do grupo era o soldado Raymond Shaw (Liv
Schreiber), aclamado e condecorado como herói de guerra por ter salvo o pelotão
de um massacre. Treze anos se passam e um dos soldados do grupo entra em
contato com o capitão Ben Marco afirmando que está tendo alguns pesadelos nos quais aparecem imagens e situações que
contrariam a versão oficial sobre o ato de coragem do soldado Shaw, que é filho
da poderosa senadora Prentiss Shaw (Meryl Streep) e candidato à vice-presidência
dos EUA. O capitão também tem os mesmos pesadelos. Depois de achar um microchip implantado em suas costas, o capitão Ben Marco
passa a acreditar que ele e seus soldados sofreram um tipo de lavagem cerebral.
Aí a confusão se estabelece, inclusive na cabeça do espectador, graças à
complexidade do roteiro. Além da câmera nervosa, todos os personagens se comportam no limite do
histerismo e da neurose, o que incrementa ainda mais o clima de um verdadeiro thriller. O diretor é Jonathan Demme (“O Silêncio dos Inocentes”, “Filadélfia”)
e o elenco ainda conta com John Voight (o pai de Angelina Jolie), Vera Farmiga
e Bruno Ganz. Não deixa de ser um filme bastante interessante, mas, repito, um tanto
confuso. quinta-feira, 23 de outubro de 2014
“CURVAS” (“Bends”),
2012, é um filme de Hong Kong dirigido por Flora Lau. Ganhou destaque por ter
sido selecionado para a Mostra “Um Certain Regard” do Festival de Cannes 2013. A
começar pelo fato de ser asiático, é o tipo de filme que os críticos
profissionais adoram: é lento, tem poucos diálogos e não explica muito. A
história é centrada no jovem Fai (Kun Chen), motorista particular de uma madame
da alta sociedade de Hong Kong, Anna (a ótima Carina Lau). Ao mesmo tempo em
que acompanha, silenciosamente, a decadência da patroa, Fai vive o dilema de
conseguir uma vaga num hospital em Hong Kong para sua esposa ter o segundo
filho e fugir da multa imposta, nesses casos, pela China – Fai e a esposa moram
em Shenzhen, na China, próximo à fronteira com a ex-colônia inglesa. O grande
destaque do filme é, sem dúvida, a atriz Carina Lau, estupenda no papel da
madame falida. Sua interpretação é soberba quando tem de manter a pose de
madame sem transparecer que está totalmente falida, pois seu marido, ao sumir
do mapa, cortou seus cartões de crédito. Anna é obrigada a vender suas valiosas
obras de arte. Nega-se, porém, a deixar de lado o status de seu luxuoso veículo
e o motorista particular (Fai), única pessoa, aliás, à qual Anna mostra um
pouco de humildade e seu verdadeiro sentimento de derrota. Não deixa de ser um
filme interessante, principalmente para aqueles que curtem o gênero “Cinema de
Arte”.
quarta-feira, 22 de outubro de 2014
“QUANDO EU TE VI” (“Lamma Shoftak”), 2012, foi o candidato oficial da Palestina na
disputa do Oscar 2013 de Melhor Filme Estrangeiro. Trata-se de um drama
bastante tocante, principalmente porque o protagonista principal é um garoto de
11 anos de idade, Tarek (Mahmoud Asfa). Ele mora com a mãe Guaydaa (Ruba Blal)
no campo de refugiados palestinos de Harir, na Jordânia. Ambientado em 1967,
durante o conflito entre árabes e israelenses, o filme mostra o dia-a-dia de
Tarek e de sua mãe, ao mesmo tempo em que retrata, de forma quase documental, as condições enfrentadas por quem vive confinado num campo de refugiados. Tarek
diz toda hora à mãe que se sente “sufocado” e quer ter a liberdade de retornar
à Palestina para reencontrar o pai, que provavelmente está na zona de combate.
Não dá outra: para desespero da mãe, o garoto foge do acampamento. No meio do caminho,
encontra um campo de treinamento militar dos “fedayins” (guerrilheiros ou, para
Israel, terroristas). Tarek ganha a simpatia do pessoal e acaba participando
também dos treinamentos. Embora plenamente integrado ao grupo, Tarek continua desejando
voltar à Palestina. E não descansará até alcançar esse objetivo. O filme é dirigido
pela palestina Annemarie Jacir (do elogiado “Sal deste Mar”), que conseguiu
transformar um enredo potencialmente dramático e pesado, num filme bastante
sensível e agradável. Grande parte desse mérito cabe, sem dúvida, à irreverência
e simpatia do garoto. domingo, 19 de outubro de 2014
“JERSEY BOYS”,
2014. O novo filme dirigido por Clint Eastwood conta a história de um dos grupos
vocais de maior sucesso nos EUA, e no mundo, nas décadas de 50 e 60: “The Four
Seasons”. O grupo, inicialmente um trio (The Variety Trio), fundado em 1951 por
Tommy DeVitto (Vincent Piazza), tocava e cantava em espeluncas. Nas horas vagas,
seus integrantes praticavam assaltos em New Jersey, fato que originou o título
do filme. Com a entrada de Frankie Valli (John Lloyd Young), um talento vocal
incomum, a banda passou a se chamar “The Four Lovers” e, logo depois, “The Four
Seasons”. As músicas eram compostas por Bob Gaudio (Erich Bergen), o mais novo
integrante da banda. A trajetória do grupo, como mostra o filme de Eastwood, é
repleta de desentendimentos, traições, egos inflados, ligações com a Máfia, conflitos
conjugais e muitas atitudes irresponsáveis, principalmente por parte de Tommy
DeVitto. Eastwood recheia o filme de números musicais, com o grupo sempre no
palco ou em estúdio cantando hits como “Sherry”, “Big Girls Don’t Cry”, “Walk Like a Man”, "Can't Take my Eyes off You" e tantos
outros. Com exceção de Christopher Walken (ótimo como sempre), que faz o papel do mafioso Angelo
“Gip” DeCarlo, todos os atores principais são os mesmos que participaram do
musical homônimo que ficou em cartaz durante anos na Broadway e no qual se baseou o filme. Se a trilha
musical dos “The Four Seasons” já é uma delícia, principalmente para quem tem
mais de 60, o desfecho reservou uma cena que é a verdadeira cereja no bolo: todo o elenco cantando e
dançando na rua o hit “Eapon of Choice”, de Fatboy Slim. Quem sabe uma
homenagem de Eastwood aos musicais de Hollywood. sábado, 18 de outubro de 2014
“RIO SEX COMEDY”,
2010, é uma co-produção França/Brasil idealizada pelo diretor Jonathan Nossiter
com o objetivo de retratar a cidade do Rio de Janeiro por três ângulos
diferentes: a obsessão dos cariocas pelo corpo (cirurgias plásticas), a vida
nas favelas (criminalidade) e a relação entre domésticas e patrões
(desigualdade social). A ideia poderia originar um filme interessante, mas
resultou num retrato politicamente incorreto da Cidade Maravilhosa, que virou
uma casa da Maria Joana, com muita nudez e baixaria generalizada, incluindo
índios, traficantes e prostitutas como se fizessem parte obrigatória do cotidiano
da cidade. Não deixa de ser também um chamariz para o turismo sexual. O filme,
na verdade, parece uma pornochanchada multinacional do mais baixo nível. Custa acreditar
que atores do nível de Bill Pullman, Charlotte Rampling e Irène Jacob, entre
outros, tenham participado dessa verdadeira bomba a nível atômico. Provavelmente
tenham ficado bastante constrangidos com o resultado final. O diretor
norte-americano Jonathan Nossiter é casado com uma brasileira e mora no Rio de
Janeiro há vários anos. Merecia ser extraditado...
“THE SILENT MOUNTAIN” (ainda sem tradução por aqui), é uma co-produção EUA/Áustria/Itália de
2013, direção de Ernst Gossner. Trata-se de um drama romântico que tem como
pano de fundo a 1ª Guerra Mundial e, em particular, o conflito entre Itália e
Áustria. O ano é 1915. Andreas (William Mosely) e Francesca (Eugenia
Constantini) se conhecem e se apaixonam durante a festa de casamento dos respectivos
irmãos. Do lado da noiva e de Andreas, a família Gruber, austríaca. Do lado do
noivo, a família italiana Calzolari. O cenário da festa é um hotel de luxo
pertencente à família Gruber, localizado nas proximidades da fronteira com a
Itália. Durante as comemorações, alguém interrompe a música e anuncia que a Itália
declarou guerra à Áustria. Pronto, acabou a festa. Os italianos (chamados de woich pelos austríacos) são praticamente
expulsos do casamento, incluindo o noivo, e fogem apressadamente de volta à
Itália. Francesca decide ficar, pois em seu país seria enviada para um severo
colégio de freiras. Andreas a esconde num quarto isolado do hotel com a
promessa de ficarem juntos para sempre. Só que Andreas é convocado para a
guerra e o casal se separa. A partir daí, o filme se concentra nos combates
ocorridos nas Montanhas Dolomitas (Alpes), na região fronteiriça com a Itália,
onde está o batalhão de Andreas. Enquanto espera pela volta de Andreas,
Francesca é descoberta e sofrerá nas mãos dos austríacos. Sua salvação depende
do retorno de Andreas. O filme inteiro é levado em clima de novelão e nem mesmo
as cenas de guerra conseguem deixá-lo interessante. Como curiosidade, vale
citar a (pequena) participação da musa Cláudia Cardinale (quem diria!) no papel
de avó. sexta-feira, 17 de outubro de 2014
O
drama espanhol “ESCORPIÃO APAIXONADO” (“Alacrán Enamorado”), 2013, direção de Santiago A. Zannou, conta a
história do jovem Julián López (Álex Gonzalez), um lutador de boxe amador que integra,
nas horas vagas, um grupo de neonazistas. Ele sai à noite com seus companheiros
espancando imigrantes e destruindo suas
lojas. O grupo tem como mentor um grande e poderoso empresário chamado Solís
(Javier Bardem). Ao saber das atividades criminosas de Julián, seu treinador,
Carlo Monte (Carlos Bardem, irmão de Javier), o expulsa da academia. Mas Julián tem o sonho de ser um boxeador
profissional e, para isso, deixa de lado o grupo de neonazistas, ganhando a
confiança de Carlo Monte. Em sua volta aos treinos, Julián se apaixona por Alyssa
(Judith Diakhate), imigrante latina que trabalha como recepcionista na academia,
o que vai deixar seus amigos racistas ainda mais raivosos, pois ela é negra. O
filme é bastante violento e não economiza porrada, dentro e fora do ringue. As
agressões aos imigrantes são um tanto realistas demais e podem chocar quem tem
o estómago fraco. Apesar disso, o filme conta uma boa história com ação e
romance, conta com um bom elenco e ainda com o aval da presença de Javier Bardem, ator que não faria qualquer porcaria. Funciona muito bem como entretenimento e também como filme-denúncia de como certos países europeus tratam os imigrantes. Enfim, uma boa surpresa espanhola.
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