“Frauensee” (“Womans
Lake”) é um drama alemão de 2012, dirigido por Zoltan Paul, que conta a
história do romance de duas quarentonas, Rosa (Nele Rosetz), uma pescadora na
zona campestre ao norte de Berlim, e Kirsten (Therese Hämer), uma arquiteta de
sucesso que passa os finais de semana em sua bela casa à beira do lago onde
Rosa pesca. O caso das duas, que já dura um ano e meio, vai bem até a chegada
de duas jovens berlinenses que também formam um casal. Elas são convidadas a se
hospedar na casa de Kirsten. Uma delas, Evi (Lea Draeger), joga seu charme pra
cima de Rosa, que não rejeita o assédio. Aí a coisa se complica e vai deixar o
ambiente pesado. As poucas cenas de sexo são feitas com bom gosto, sem
apelação. A fotografia, baseada em imagens do lago, é muito bonita, mas não
salva o filme. sábado, 8 de fevereiro de 2014
“Frauensee” (“Womans
Lake”) é um drama alemão de 2012, dirigido por Zoltan Paul, que conta a
história do romance de duas quarentonas, Rosa (Nele Rosetz), uma pescadora na
zona campestre ao norte de Berlim, e Kirsten (Therese Hämer), uma arquiteta de
sucesso que passa os finais de semana em sua bela casa à beira do lago onde
Rosa pesca. O caso das duas, que já dura um ano e meio, vai bem até a chegada
de duas jovens berlinenses que também formam um casal. Elas são convidadas a se
hospedar na casa de Kirsten. Uma delas, Evi (Lea Draeger), joga seu charme pra
cima de Rosa, que não rejeita o assédio. Aí a coisa se complica e vai deixar o
ambiente pesado. As poucas cenas de sexo são feitas com bom gosto, sem
apelação. A fotografia, baseada em imagens do lago, é muito bonita, mas não
salva o filme.
“Não se pode viver sem
amor” é um drama nacional de 2010 dirigido por Jorge Durán. Foi lançado no
Festival de Gramado, onde recebeu os prêmios de Melhor Atriz (Simone
Spoladore), Melhor Roteiro e Melhor Fotografia. De tanto seu filho Gabriel (Victor
Navega Motta) insistir em conhecer o pai, que os abandonou uns anos antes, Roseli
(Spoladore) o leva para o Rio de Janeiro a fim de ambos tentar encontrá-lo. Enquanto isso, João
(Cauã Raymond), um advogado fracassado e falido, tenta reconquistar Gilda
(Fabíula Nascimento), uma prostituta, e parte para o crime. Em paralelo, corre
a história do professor Pedro (Ângelo Antonio), cujo pai sofre um infarto e
morre. Num determinado momento, esses personagens vão se cruzar, o que vai provocar uma mudança radical em suas vidas. Mesmo
com um elenco de bons atores, incluindo ainda Maria Ribeiro e Rogério Fróes, o
filme não consegue engrenar e é prejudicado ainda mais pelas demonstrações meio
forçadas de paranormalidade do menino Gabriel. O happy end é constrangedor.
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
Tudo em “Trapaça” (“American Hustle”), EUA, 2013, dirigido por David O.
Russell, funciona às mil maravilhas. A história, o roteiro bem elaborado, o
elenco em estado de graça, humor na medida certa, suspense e uma trilha sonora deliciosa,
que vai de Duke Ellington a Paul McCartney, passando por Elton John e Bee Gees –
numa das cenas mais saborosas, a idem Jennifer Lawrence arrasa cantando e
dançando “Live and Let Die”. A história é baseada em fatos reais acontecidos no
final dos anos 70. Os trambiqueiros Irving Rosenfeld (Cristian Bale) e Sydney
Prosser (Amy Adams) são presos pelo FBI e obrigados, em troca de uma prometida futura
liberdade, a participar de um esquema para mandar alguns figurões – políticos e
mafiosos – para a cadeia. Para isso, contam com a assessoria direta do agente
Richie Dimaso (Bradley Cooper). Mas nem tudo vai sair como o esperado. Algumas
reviravoltas no final incrementam ainda mais o enredo. Para fazer o personagem do trambiqueiro Irving, Bale engordou 18 quilos. Robert De Niro, quase
irreconhecível, aparece numa ponta como um chefão mafioso, papel que adora
fazer e com grande competência. Mais uma curiosidade: em Portugal, o
filme foi lançado como “Golpada Americana”... Enfim, um filme imperdível!
“As Vidas de
Arthur” (“Arthur
Newman”), EUA, 2012, é uma comédia dramática dirigida por Dante Ariola em seu primeiro longa. Divorciado,
rejeitado pelo filho adolescente, sem amigos e entediado com o trabalho e com a
própria vida, Avery Wallace (Colin Firth) simula a própria morte e sai por aí
com outra identidade, a de Arthur Newman. Numa das suas andanças, acaba
conhecendo a maluquete Michaela “Mike” Fitzgerald (Emily Blunt). Os dois fazem
amizade e saem pelo interior dos EUA de cidade em cidade, invadindo casas para
transar, comer e tomar banho. É claro que, no meio do caminho, acabam se
apaixonando. De conversa em conversa, acabam se revelando e chegando à
conclusão que deveriam voltar à vida que levavam. O filme é conduzido em 1ª
marcha e termina como começou: sem qualquer emoção. Não sei por quê rotularam o
filme de “comédia dramática”, pois nem um leve sorriso é capaz de arrancar. E o
drama quem sofre é o espectador. Dois ótimos e consagrados atores como os
ingleses Firth e Blunt poderiam ter escolhido melhor.
“Bonitinha, mas
Ordinária” teve esta terceira adaptação para o cinema do livro de Nelson
Rodrigues. O filme foi produzido em 2008, mas lançado apenas em 2013. Esta nova
versão, dirigida por Moacyr Góes, tem no elenco os atores João Miguel, Leandra
Leal, Letícia Colin, Gracindo Júnior, Giselle Lima, Ligia Cortez, Ângela Leal e
André Valli. A bonitinha do título é Maria Cecília (Letícia Colin),
filha de um grande empresário, Dr. Werneck (Gracindo Júnior). Ela carrega o
trauma de ter sido violentada por cinco marginais durante um baile funk numa
favela. Para limpar sua barra, o pai “contrata” um funcionário subalterno de
sua empresa, Edgard (João Miguel), para casar com a filha. Só que Edgar ama de
verdade outra mulher, sua vizinha Ritinha (Leandra Leal). Esse dilema vai
acompanhar Edgard durante toda a história. Para modernizar a história, Moacyr
Góes adaptou ao filme a linguagem e o cenário do Rio de Janeiro dos dias
atuais. Embora tenha conseguido um bom resultado, principalmente pelo desempenho do elenco, a segunda adaptação para o cinema, de 1981, com Lucélia Santos, ainda é a
melhor. Porém, há de se reconhecer que a atriz Letícia Colin é muito mais bonitinha e ordinária. O filme foi dedicado ao ator André Valli – o Visconde de Sabugosa do
Sítio do Pica-Pau Amarelo -, falecido logo após as filmagens. quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
“A Grande Beleza” (“La Grande Bellezza”),
2013, dirigido por Paolo Sorrentino, é um verdadeiro exemplo do que se
convencionou chamar “Cinema de Arte”. Como tal, desperta reações e sentimentos
variados. Uns gostam, outros detestam. Sorrentino fez uma crônica da Roma
atual, revelando a face mundana da alta sociedade romana e sua decadência moral
e intelectual. O cronista que nos levará a esta viagem é o personagem Gep
Gambardelli (Toni Servillo, sensacional), um escritor de 65 anos que escreveu apenas um
livro e que agora vive a maior parte do seu tempo frequentando as mais badaladas
festas da capital italiana. Tal como Fellini fez em “A Doce Vida” e em “Roma”,
a arquitetura da capital italiana, com seus mais representativos monumentos e
locais turísticos, aparece como cenário de quase todas as cenas. O contraste
com a modernidade é mostrado em várias situações, como na festa de aniversário
de Gep, no início do filme. Enquanto os convidados dançam ao som de música techno,
aparece ao fundo o Coliseu. “A Grande Beleza” é um filme, sem dúvida, instigante, e, por isso mesmo, merece ser visto. Grande parte da crítica especializada o colocou
no pedestal das grandes obras-primas do cinema. Eu gostei, mas não chegaria a tanto.
Assista e tire suas próprias conclusões.
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
Antes de ficar mundialmente famoso pela
transmissão radiofônica de “A Guerra dos Mundos”, em 1938, que narrava de forma
realista a invasão da terra por alienígenas, levando pânico à população de Nova
Iorque e dos EUA, e por ter dirigido “Cidadão Kane”, em 1941, seu primeiro
longa e talvez o filme mais cultuado até hoje, Orson Welles era diretor de
teatro. Em 1937, lançou a ideia de encenar as obras de William Shakespeare no
Mercury Theater, em Nova Iorque. A primeira peça foi “Júlio César”. “Eu e Orson Welles” (“Me and Orson Welles”),
filme inglês de 2008 dirigido por Richard Linklater, mostra os bastidores dessa
produção teatral, mas com a inclusão de um personagem fictício, o jovem Richard
Samuels (Zac Efron), de 17 anos, que conhece Orson acidentalmente na porta do
Mercury Theater e acaba participando da peça. O filme enfoca com destaque como
Orson era egocêntrico, megalomaníaco e prepotente, mas, sem dúvida, um gênio da
arte. Quem o interpreta é o ator inglês Christian McKay, que impressiona não só
pela atuação como também pela incrível semelhança com Orson. O elenco ainda
conta com a charmosa Claire Danes e Ben Chaplin. A trilha sonora, basicamente com
músicas de George Gershwin, é uma delícia. Só para lembrar: a peça “Júlio César”
foi um grande sucesso da Broadway, com 157 apresentações sempre com casa cheia, o que alavancou ainda mais a competência de Orson. segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
Europa Report”,
suspense
de ficção científica de 2013, tem em sua produção uma salada de nacionalidades.
O filme é norte-americano, o diretor (Sebastián Cordero) é equatoriano e o
elenco tem uma polonesa (Karolina Widra), uma romena (Ana Maria Marinca), um
sueco (Michael Niqvist), um norte-americano (Christian Camargo), os
sul-africanos Embeth Davidtz e Sharlto Copley, além do chinês Daniel Wu. A
história: alguns estudos científicos realizados pela Europa Ventures, uma
empresa privada de exploração espacial, aventaram a possibilidade de haver vida
na Europa, uma das luas de Júpiter. Para confirmar essa teoria, um grupo dos
melhores astronautas do mundo é treinado e enviado para a tal lua, numa viagem
cuja distância será a maior percorrida no espaço pelo ser humano até aquele
momento. Quando chegam lá, porém, as coisas não saem como o esperado e o
resultado... Bom, você vai ver. O filme até que consegue manter um certo clima
de tensão e suspense até o final, mas a sensação claustrofóbica pode incomodar.
domingo, 2 de fevereiro de 2014
A comédia romântica “À Procura do Amor” (“Enough Said”), de
2013, dirigida por Nicole Holofcener, é muito agradável de assistir. É leve,
divertida, com diálogos afiados e humor na medida certa. Conta a história do
relacionamento amoroso da massagista Eva (Júlia Louis-Dreyfus, de “Seinfeld”) com
Albert (James Gandolfini). Os dois são separados, têm filhos e mais uma
característica em comum: são bem-humorados. Daí tantos diálogos engraçados. Eva
arranja uma cliente, Marianne (Catherine Keener), que desabafa sobre o
ex-marido, contando seus principais defeitos e manias, enfim, seus podres e até
segredos de alcova. Por uma coincidência daquelas, esse ex-marido é justamente
Albert. Eva fica na moita e se aproveita das confidências de Marianne para descobrir
a personalidade do namorado e se aproveitar desse trunfo. Vai ter uma hora,
óbvio, que o estratagema de Eva será descoberto e sua relação com Albert acaba
na corda bamba. Essa comédia é uma boa pedida
para quem deseja relaxar e se divertir. Foi um dos últimos filmes de
Gandolfini, falecido em junho de 2013. Fica a lembrança alegre e simpática desse competente ator. 
A comédia dramática chilena “Gloria”, de 2013, dirigida por
Sebastián Lelo, conta a história de uma mulher (a ótima
atriz Paulina Garcia) com 58 anos, separada há 12 e dois filhos adultos que não
moram mais com ela há tempos. Ela trabalha, mas fora do escritório é uma mulher
solitária. Para afugentar a solidão, ela frequenta bailes destinados ao pessoal
da terceira idade. Adora dançar. Não tem um parceiro fixo: dança com vários.
Até que conhece Rodolfo (Sérgio Hernández), um setentão também separado. Os
dois começam a namorar, passeiam, jantam juntos e, claro, acabam indo para a
cama. As cenas de sexo, várias, são bastante fortes em se tratando de pessoas
mais velhas, o que poucos filmes têm a coragem de mostrar. O relacionamento vai
se desgastar por culpa de Rodolfo, que não desgruda das duas filhas e da
ex-mulher. O filme é muito bom e tem momentos deliciosos, como a turma que, num
aniversário, canta “Águas de Março”. A cena em que Gloria se vinga de Rodolfo é
hilariante. Pelo papel de Gloria, Paulina Garcia conquistou o prêmio "Urso de Prata" de melhor
atriz no Festival de Berlim 2013.
sábado, 1 de fevereiro de 2014
Nos créditos de “O Conselheiro do Crime” (“The Couselor”), EUA - 2013, estão lá o consagrado diretor Ridley Scott, o roteirista e escritor Cormac
McCarthy, autor do livro “Onde os Fracos não têm Vez”, e os nomes que formam o
quinteto principal do elenco: Michael Fassbender, Penélope Cruz, Brad Pitt,
Javier Bardem e Cameron Diaz. Ou seja, tinha tudo para ser um grande filme. Não é.
Advogado (Fassbender) vai casar e quer ganhar dinheiro rápido. Para alcançar
esse objetivo, envolve-se num plano para trazer do México para os EUA um grande
volume de drogas no valor de 20 milhões de dólares. O plano dá errado, as
drogas somem e a barra vai pesar para o advogado e dois de seus clientes (Bardem
e Pitt), que acabam sendo caçados pelo pessoal de um poderoso cartel mexicano.
Até começar a ação tem muito papo furado, diálogos sem nexo e o espectador acaba se confundindo um
pouco sobre o enredo. Nem a reviravolta inesperada no final salva o filme, que
o diretor Ridley dedicou à memória do irmão Toni Scott, falecido em 2012. Analisando-se
os prós e os contras do filme, os contras ganham longe. Mas um pró tem que ser
destacado: o charme e a beleza de Cameron Diaz, ainda em grande forma.
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
Embora o início seja levado em tom de comédia, “A Centelha da Vida” (“La Chispa de la
Vida”) aos poucos vai se transformando num poderoso drama que culmina numa
impactante mensagem. O filme aborda o desemprego na Espanha, o poder maléfico da
mídia sobre as pessoas e a banalização da vida humana diante de alguns
benefícios, principalmente políticos e financeiros. O filme é uma produção
espanhola de 2011 dirigida por Álex de la Iglesia e traz no elenco a mexicana
Salma Hayek, José Mota, Antonio Garrido e Carolina Bang, entre outros. A
história começa com o publicitário Roberto Gómez (José Mota) saindo de casa
para entrevistas de emprego. Antes considerado um gênio da publicidade por ter
criado um slogan para a Coca-Cola (“Coca-Cola, a Centelha da Vida”), Gómez está
desempregado há tempos e em dificuldades financeiras. Depois de ser rejeitado
numa entrevista de modo humilhante, ele vai até o Hotel Paraíso, onde passou a
sua lua-de-mel, tentar reservar um quarto para comemorar com a mulher (Salma
Hayek) seu aniversário de casamento. Só que no lugar do hotel ele encontra um canteiro
de obras, onde acaba se acidentando. Aliás, de modo bastante bizarro. Ao mesmo
tempo, bem ao lado, o prefeito está recepcionando a imprensa para apresentar o
projeto do museu com o teatro. É claro que o acidente com Gómez vai se transformar
na atração principal, inclusive no noticiário nacional. Mais não conto para não
dar pistas do final. É mais um grande filme espanhol que merece ser descoberto
por quem gosta de cinema de qualidade.
Nos destroços do automóvel que matou o escritor
Albert Camus num acidente, em 1960, foi encontrado o manuscrito inacabado de um
romance. O caderno, em péssimo estado, foi recuperado pela filha de Camus,
Catherine, e lançado como livro em 1994 com o nome de “O Primeiro Homem”.
Trata-se de uma narração autobiográfica de Camus, adaptado para o cinema pelo
diretor Gianni Amelio em 2011, numa co-produção Itália/França. “O Primeiro Homem” (“Il Primo Uomo” / “Le
premier Homme”) foi lançado no Festival de Toronto, ganhando o Prêmio da
Crítica. A história mostra o retorno do consagrado escritor Jacquer Cormey (Jacques
Gamblin) à sua Argélia natal em 1956 para visitar sua mãe, resgatar algumas recordações
de infância e tentar levantar algumas informações sobre seu pai, morto durante
a 1ª Guerra Mundial e que ele não chegou a conhecer. O enredo revela muitos
fatos que contribuíram para a formação de Camus como escritor. Os encontros com o tio internado num sanatório e com um antigo professor são bastante comoventes. O filme tem como
pano de fundo a situação política da Argélia, na época em que a Frente de
Libertação Nacional intensificava a luta pela independência do país e promovia atentados à
bomba. Não é um filme que vá agradar a todos os tipos de plateia. Mas é muito
bem feito e interessante, principalmente para quem quiser conhecer um pouco mais
da vida de Camus e da história política da Argélia. terça-feira, 28 de janeiro de 2014
“Clube de Compras
Dallas” (“Dallas Buyers Clube”), 2013, dirigido por Jan-Marc Vallée (“A
Jovem Rainha Vitória” e “Café de Flores”) conta a história real e incrível do
eletricista Ron Woodroof, diagnosticado como portador do vírus da AIDS em 1986 e
de sua luta para se manter vivo e a batalha que travou contra a indústria farmacêutica
dos EUA. Inconformado pelo fato de ser heterossexual (na época, todo mundo
achava que só os gays e viciados em drogas eram infectados) e também pelo
diagnóstico médico que lhe dava apenas 30 dias de vida, Ron passou a estudar a
doença e descobriu tratamentos alternativos com um médico mexicano. Passou a
contrabandear remédios para os EUA, inclusive de outros países, e começou a vendê-los
no tal “Clube de Compras Dallas”, onde os “associados” pagavam uma taxa mensal
de 400 dólares. É impressionante o trabalho do ator Matthew McConaughey na pele
– e osso - do eletricista. Ele emagreceu mais de 20 quilos para fazer o
personagem (pode esquecer aquele galã que você está acostumado a ver). É
espetacular também o trabalho do ator Jared Leto como o transexual Rayon. Os
dois carregam o filme nas costas (ops!). Este é o famoso filmaço super bonder: você não vai conseguir
desgrudar da poltrona. Imperdível!
Javier Bardem comanda um elenco de ótimos atores
no drama espanhol “Segunda-feira ao Sol”
(“Los Lunes ao Sol”), que aborda o tema do desemprego e a falta de perspectivas
para trabalhadores na meia idade. O filme é dirigido por Fernando Leon de
Aranoa e, mesmo tendo sido feito em 2002, continua atual como nunca. Cinco trabalhadores
cinquentões estão desempregados há três anos e vivem do seguro-desemprego.
Apenas um montou um bar com a indenização. E é justamente neste bar, o Naval,
que eles passam as horas ociosas, bebendo, conversando sobre suas frustrações,
discutindo a situação econômica da Espanha e desabafando sobre seus problemas
pessoais. Um ampara o outro do jeito que dá. É um filme bastante triste, principalmente
quando mostra um deles indo a entrevistas para tentar arranjar um emprego. Pra
contrabalançar, tem também seus momentos comoventes e alguns até engraçados,
principalmente com o histriônico Santa (Bardem). Além de ter sido premiado em
vários festivais internacionais, inclusive em Gramado, o filme concorreu ao
prêmio de melhor filme estrangeiro no Oscar de 2003.
domingo, 26 de janeiro de 2014
“Música da
Alma” (“The
Sapphires”), de 2012, dirigido por Wayne Bair (seu primeiro longa), é um ótimo
filme australiano cuja história é baseada em fatos reais. Em 1968, Dave (Chris
O’Dowd), um músico irlandês, trabalhava como tecladista num programa de
calouros acompanhando os candidatos. Num
dos programas, ele descobre quatro jovens aborígenes que arrasavam como
vocalistas – na época, só para lembrar, os aborígenes australianos sofriam o
mesmo tipo de discriminação racial que os negros nos EUA. Dave faz amizade com
as moças e logo se torna não apenas o arranjador do grupo, como também seu
empresário. Ele consegue convencer as jovens a mudar de gênero musical: do country
para o soul. Elas começam a fazer sucesso e, como “The Sapphires”, embarcam
para uma turnê no Vietnã para se apresentar em shows para os soldados. Além da
história incrível, a trilha sonora é uma delícia - você não vai conseguir ficar
parado (a) na poltrona. Se você estiver na dúvida se assiste ou não, acrescento que o filme foi apresentado, fora de competição, no Festival de Cannes 2012. Ao final, foi aplaudido de pé durante 10 minutos.
Um ringue. Ou talvez um octógono. Qualquer um seria
mais apropriado para servir de cenário ao drama “Álbum de Família” (“August: Osage County”),
de 2013, dirigido por John Wells. Afinal, o filme inteiro mostra os conflitos
da família Weston e seus agregados, todos reunidos para o funeral do patriarca
(Sam Shepard). A guerra verbal, com diálogos ríspidos, agressivos e ofensivos, prevalece
o tempo inteiro, principalmente durante o jantar em que o morto é homenageado. Algumas
tiradas bem-humoradas amenizam o clima bélico e tornam o filme um pouco menos
pesado. Uma revelação bombástica no final vai esquentar ainda mais e estragar
de vez o ambiente. Meryl Streep, como a matriarca viúva viciada em remédios e
com câncer na boca, dá mais um show de interpretação (Que novidade!), assim como Júlia Roberts,
que faz uma de suas filhas mais histéricas. O restante do elenco também é ótimo:
Chris Cooper, Juliette Lewis, Ewan McGregor, Dermot Mulroney, Margo Martindale,
Julianne Nicholson, Abigail Breslin, Misty Upham e Benedict Cumberbatch. A história é baseada no livro e na peça teatral "August: Osage County", de Tracy Lett. Não apenas pelo excelente elenco e a qualidade do texto e dos diálogos ferinos, como também pela ótima adaptação cinematográfica, o filme merece estar na categoria de Imperdível! sábado, 25 de janeiro de 2014

Uma das tarefas mais difíceis é explicar o
inexplicável. Ainda mais quando o inexplicável é um filme, o francês “Holy Motors”, de 2012, dirigido por Leos
Carax. Inexplicável que alguém tenha elaborado tamanha maluquice, e, pior,
encontrado alguém para bancar sua produção. Mais do que um ato heroico, assistí-lo
é masoquismo puro. Chegar ao final, então, aí já é autoflagelação. Oscar (Denis
Lavant) passeia por Paris dentro de uma limusine branca. Em seu interior existe
um tipo de camarim onde ele se disfarça para representar um papel: uma velha mendiga,
um sujeito asqueroso que anda no esgoto e outros tipos aberrantes. Ele desce da
limusine, faz alguma estripulia e depois volta. São 115 minutos de puro
surrealismo, sem pé nem cabeça. O elenco ainda traz Eva Mendes, Kylie Minogue,
Michel Piccoli, Edith Scob e Elise Lhomeau. Alguns críticos profissionais
adoraram. E, para explicar o inexplicável, escreveram verdadeiros tratados sociológicos,
filosóficos e estéticos. Chegaram a dizer até que o diretor fez uma homenagem ao cinema. Se você gosta de filmes esquisitos, vai adorar. Se for
o caso, assista também “Attenberg”, um filme grego pra lá de maluco.
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
O inglês Ben Kingsley, hoje com 70 anos, sempre
foi um ótimo ator. Conquistou fama e grande destaque depois que ganhou o Oscar
de Melhor Ator por “Gandhi”, em 1983. Nos anos seguintes, fez inúmeros filmes bons
(“Hugo Cabret”, “A Ilha do Medo”, “A Lista de Schindler” etc), mas em papéis
menores do que sua competência. Alguns até como vilão, o que ele também faz
muito bem. É o caso desta co-produção EUA/Sri Lanka de 2012, “Um Homem Comum” (“A Common Man”), sob a
direção do cingalês Chandran Rutnam. Kingsley faz o personagem do título, um
cara misterioso que instala cinco bombas em locais diferentes da cidade de Colombo,
no Sri Lanka. Depois, liga para a polícia local exigindo a libertação de 4
terroristas. Pela importância da exigência, o governo de Sri Lanka é mobilizado
e, a partir daí, começa a caçada ao tal homem misterioso. O filme tem pouca ação,
mas consegue manter um clima de suspense até o final, quando acontece uma
reviravolta interessante na história. Estão ainda no elenco Ben Cross e Patrick
Rutmam.quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
De vez em quando
aparece um filme para reviver alguma história envolvendo o grupo terrorista IRA
(Exército Republicano Irlandês). Um dos mais recentes (2012) é “Agente C –
Dupla Identidade” (“Shadow Dancer”), filme
irlandês dirigido por James Marsh. No início dos anos 90, Colette McVeigh (Andrea Riseborough) foi presa pelo M15
(Serviço Secreto Inglês) por ter participado de um atentado a bomba em Londres.
Para não ser presa e perder a guarda do filho, ela passa a ser informante do
M15, o que vai obrigá-la a enfrentar um grande dilema, pois seus irmãos e
amigos são terroristas do IRA. O clima de suspense é mais psicológico do que de
ação, o que deixa o filme um pouco monótono. Mas o enredo é bem elaborado e o
elenco ótimo. Além de Riseborough, trabalham Clive Owen, Gillian Anderson (Arquivo
X) e Aidan Gillen. O filme é baseado no
livro escrito por Tom Bradby e foi lançado no Festival de Sundance. Depois,
saiu direto em DVD.
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
Nos anos 60 e 70, o casal Elizabeth Taylor e
Richard Burton protagonizou um dos mais tumultuados casos de amor entre
celebridades do cinema. O relacionamento desses dois grandes astros começou nas
filmagens de Cleópatra, em 1961/62, quando ambos eram casados (Liz pela quarta
ou quinta vez) com outros parceiros e durou, entre trancos e barrancos, muitos
anos mais. “Liz & Dick”,
de 2012, filme feito para o Canal Lifetime, mostra os bastidores da vida
amorosa do casal, incluindo cenas nos sets de filmagem, crises de estrelismo, bebedeiras e brigas
homéricas em hotéis e restaurantes, sem falar no quesito dinheiro, que ambos
torravam em quantidades estratosféricas. Liz é interpretada pela polêmica Lindsay
Lohan (Megan Fox e Olivia Wilde foram cogitadas para o papel). Dizem que Lindsay, com seu jeito maluco de ser, deu muito trabalho durante as filmagens (como Liz dava também). O ator neozelandês
Grant Bowler faz Burton. Mais do que o bom desempenho dos dois, sua semelhança
com os verdadeiros é um dos trunfos do filme. Triste foi ver a atriz Theresa
Russel, antes um monumento de mulher, bastante envelhecida, fazendo a mãe de
Liz. terça-feira, 21 de janeiro de 2014
A atriz Greta Gerwig
está se especializando em interpretar garotas frustradas, infelizes e, acima de
tudo, abobadas. Foi assim no chatérrimo “Frances Ha” e agora em “Lola contra o
Mundo” (“Lola
versus”), uma comédia romântica produzida em 2012 e dirigida por Daryl Wein.
Assim como Frances, a Lola vive tentando arrumar namorados e acaba sempre sozinha.
O filme começa com Lola sendo abandonada pelo noivo, Luke, três semanas antes
do casamento. Lola desabafa seus problemas com a amiga Alice (Zoe Lister
Jones), que consegue ser mais chata e irritante do que a própria Lola. Os diálogos
beiram o ridículo, girando em torno de relacionamentos amorosos, transas e
futilidades em geral. O filme todo atinge a profundidade de uma xícara de café
(curto). Talvez a frase mais inteligente, dita por Alice, seja “Eu não troco a
calcinha há três dias”. Pelo menos foi bom rever Debra Winger, como a mãe de
Lola. Dizem que Greta Gerwig é uma ótima comediante. Realmente, faz-me rir.
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