sexta-feira, 3 de outubro de 2025

“MAESTRO(S)” (O mesmo título no original), 2022, coprodução França/Bélgica, 1h27m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Bruno Bauer Chiche, que também assina o roteiro com Yaël Langmann, Clément Peny e Joseph Cedar. O longa é uma adaptação da comédia dramática israelense “Notas de Rodapé” (2011), sobre a rivalidade entre pai e filho que lecionam estudos talmúdicos em uma universidade de Jerusalém. Adaptado para o mundo da música clássica, “Maestro(s)” é mais um daqueles filmes escondidos no catálogo de um streaming que merece ser visto por quem curte cinema de qualidade. Na verdade, “Maestro(s)” é uma pequena joia. Mais enciumado do que orgulhoso, o veterano maestro François Dumar (Pierre Arditi) assiste pela TV o filho, também maestro, Denis Dumar (Yvan Attal), receber o importante prêmio “Victoires de La Music Classique”. Dias depois, durante o ensaio com a orquestra que dirige, François recebe o telefonema de um representante do famoso Teatro La Scala, de Milão, convidando-o para assumir a regência da sua orquestra. Regente conceituado internacionalmente, François se empolgou com o convite, considerando-o uma verdadeira e justa consagração de sua longa carreira. Só que havia um problema: o convite foi feito por engano, pois o Dumar escolhido não é ele, e sim o seu filho Denis. Essa reviravolta desencadeia uma montanha-russa de emoções entre pai e filho, envolvendo também seus familiares e amigos. O drama da situação só seria resolvido no desfecho, um gran finale repleto de emoção. Também estão no elenco Miou-Miou, Caroline Anglade, Caterina Murino, Pascale Arbillot e Vandelina Vandelli, André Marcon e Benoït Moret. Sem falar na primorosa e envolvente trilha sonora, “Maestro(s)” é um filme para assistir de smoking e vestido de gala. IMPERDÍVEL, assim mesmo, em letras maiúsculas.

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

“CÓDIGO PRETO” (“BLACK BAG”), 2025, Inglaterra, 1h33m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do cineasta norte-americano Steven Soderbergh (“Onze Homens e um Segredo”, “Traffic”, “Magic Mike”), seguindo roteiro assinado por David Koepp. Trata-se de um suspense psicológico de espionagem envolvendo uma equipe de agentes do serviço secreto inglês. O chefe da equipe é o experiente agente George Noodhouse (Michael Fassbender). A ele é revelado que um dos membros do grupo vazou informações confidenciais ligadas ao programa de software chamado “Severus”. Pior: tudo indica que sua esposa, a também agente Kathryn (Cate Blanchett) é a principal suspeita pela traição. Na tentativa de descobrir a verdade, George primeiro convida outros dois casais de agentes para um jantar, durante o qual ocorrem verdadeiros embates verbais, num jogo mental em que a desconfiança geral acaba com qualquer apetite. Para o espectador, o jantar faz parecer um reality show. E assim continua a história, George travando um jogo psicológico em várias frentes. Talvez tenha faltado ao roteiro alguma ação, tipo perseguição, tiros etc., mas ficou tudo na base dos diálogos. Completam o elenco Pierce Brosnan, Regé-Jean Page, Naomie Harris, Marisa Abela e Tom Burke. Mesmo com todos os defeitos, “Código Preto” é um filme inteligente, interessante, foge do padrão reinante. Recomendo.      

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

"BAILARINA" ("BALLERINA"), 2025, Estados Unidos, 2h05m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Len Wiseman (“Anjos da Noite”, “Total Recall”), seguindo roteiro escrito por Shay Hatten e Derek Kolstad. Baseado no universo de John Wick, filme foi feito especialmente para o público que curte filmes de ação. E este não economiza em tiros, pancadarias, explosões, sangue jorrando etc. E tem mais o trunfo de um elenco de primeira. Eve (Ana de Armas) era ainda uma menina quando testemunhou a morte do pai por uma turma da pesada. Ela acabou adotada por uma organização secreta denominada Ruska Roma, cujo comando é exercido por uma mulher misteriosa, papel de Angelica Huston. A fachada da organização é uma academia de balé, mas o real e clandestino treinamento era dado para formar jovens mercenários e assassinos. Eve tornou-se uma das principais assassinas, especialista em artes marciais, armas e explosivos. Depois de algumas ações bem sucedidas, Eve resolve desobedecer sua chefe e ir atrás dos assassinos de sua família, cujo chefão reside na cidade austríaca de Halstatt, onde Eve nasceu. É aqui que a coisa vai pegar de vez, ainda mais que surge no pedaço o próprio John Wick (Keanu Reeves). Haja munição! Completam o elenco Gabriel Byrne, Anne Parillaud, Ian McShane, Catarina Sandino Moreno, Juliet Doherty, Norman Reedus, Lance Reddick e Sharon Duncan-Brewster. Apesar de franzina, a atriz cubana Ana de Armas dá conta do recado quando é obrigada a enfrentar dezenas de adversários, o que acontece deste o início do filme até o explosivo final.       

domingo, 28 de setembro de 2025

“POBRES CRIATURAS” (“POOR THINGS”), 2023, coprodução EUA/Irlanda/Inglaterra, 2h21m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do cineasta grego Yorgos Lanthimos, seguindo roteiro assinado por Tony McNamara. A história é baseada no livro homônimo do escritor escocês Alasdair Gray (1934/2019). O filme, considerado pela crítica como uma visão contemporânea do dr. Frankenstein, foi a grande sensação de 2023, um dos mais premiados do ano (veja no final do comentário). Difícil incluí-lo num gênero específico. Seus ingredientes incluem ficção científica, comédia de humor negro, personagens bizarros, horror comedido e situações surreais. Há que se elogiar a primorosa fotografia, a direção de arte e a recriação de época – a história é ambientada durante a era vitoriana (século XIX). O visual realmente é deslumbrante. Resumo da história: grávida de 8 meses, Victoria Bessington (Emma Stone) comete suicídio atirando-se nas águas do Rio Tâmisa (Londres) e seu corpo é resgatado, sem vida, pelo médico Godwin Baxter (Willem Defoe). Cientista renomado, Godwin resolve fazer uma experiência um tanto mórbida: transplanta o cérebro do bebê para Victoria, que renasce como criança e passa a se chamar Bella Baxter, filha adotiva do médico. Não demora muito e ela descobre os prazeres do sexo e começa a atrair a atenção masculina. O primeiro a pedi-la em casamento é o estudante de medicina Max McCandles (Ramy Youssef), assistente de Godwin. Depois surge em cena Duncan Wedderburn (Mark Ruffalo), que se encanta com a moça e a leva para conhecer algumas cidades da Europa. Devidamente emancipada, Bella acaba trabalhando como prostituta, sendo o grande sucesso da casa comandada pela cafetina Swiney (Kathryn Hunter). O filme usa e abusa da nudez, tanto feminina como masculina, mais um motivo para tirar as crianças da sala. Completam o elenco Margaret Qualley, Christopher Abbott e a atriz alemã Hanna Schygulla. Enfim, um filme que causou grande polêmica, assim como outros filmes fora dos padrões normais do diretor grego que tive a oportunidade de assistir, entre os quais “A Lagosta”, “Attrenberg”, “Dente Canino” e “O Sacrifício do Cervo Sagrado”. Admito: são muito criativos, mas difíceis de digerir. De qualquer maneira, “Pobres Criaturas” foi indicado para o Oscar 2024 em 11 categorias, vencendo em quatro: Melhor Atriz (Emma Stone), Melhor Direção de Arte, Melhor Maquiagem e Penteados e Melhor Figurino. Também ganhou outros prêmios importantes no Festival de Cinema de Veneza, no BAFTA (o Oscar inglês) e no Globo de Ouro, entre outros festivais mundo afora, além de ter sido eleito um dos 10 melhores filmes de 2023 pelo American Film Institute e pelo National Board of Review.     

quarta-feira, 24 de setembro de 2025

“ENTRE MENTIRAS E SEGREDOS” (“JEDINI IZLAZ”), 2021, Sérvia, 1h50m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Darko Nikolic (“The Last Shooter”), seguindo roteiro assinado por Marko Popovic. Fiquei curioso pelo fato do filme ser da Sérvia, cujo cinema é pouco conhecido por aqui. Trata-se de um suspense sem muita ação, ritmo lento, um roteiro confuso, algumas (poucas) reviravoltas e um elenco pouco convincente. Começa com um incêndio numa boate em que morreram 17 pessoas e deixaram dezenas de outras feridas. Uma das vítimas fatais foi Sasa Kolar (Janko Popovic Volaric). A razão do incêndio seria conhecida apenas seis anos depois e, no filme, apenas no desfecho. Isso aconteceu porque a viúva de Sasa, Anna Kolar (Andjelka Prpic, a melhor do elenco) recebe um e-mail misterioso colocando em foco o falecido. Quando você pensa que o enredo seria desenvolvido tendo como ponto de partida o incêndio, muitas outras situações se desenrolam na história, como o passado traumático de Anna, a infidelidade do marido morto, a irmã problemática de Anna, a sogra autoritária e o cunhado metido em encrenca, além de um inspetor de polícia envolvido numa trama paralela que o levaria a um final trágico. Desde o início, tudo muito confuso, personagens aleatórios que confundem a cabeça do espectador. Certamente não é um bom exemplar do cinema sérvio, berço de muitos filmes e diretores aclamados internacionalmente, Emir Kusturica o mais conhecido, além dos atores Brad Dexter e Darko Tresnjak e das atrizes Milla Jovovich, Stana Katic e Lolita Davidovich, só para citar os mais famosos.   

terça-feira, 23 de setembro de 2025



TEERÃ (TEHRAN), 2025, Índia, 1h56m, em cartaz na Netflix,  direção de Arun Gopalan (“Tariq”), seguindo roteiro assinado por Ritesh Shah, Ashish P. Verma e Bindni Karia. Embora a história seja ficcional, o pano de fundo reúne fatos verdadeiros. Em 2012, atentados terroristas contra diplomatas israelenses ocorreram em vários países, entre eles a Índia. Os roteiristas de “Teerã” aproveitaram esse fato específico para criar a história. O atentado ocorrido em Nova Deli, capital do país, matou autoridades israelenses, mas no filme uma menina indiana, vendedora de flores, também morreu. Encarregado de investigar o atentado, Rajjev Kumar (John Abraham, o astro dos filmes de ação de Bollywood), oficial da polícia de Nova Deli, fica comovido pela morte da menina, uma cidadã indiana, e resolve partir para a vingança. Ele e sua equipe chegam à conclusão que o mentor dos atentados é o terrorista Afshar Hosseini (Hadi Khan Janpour), cuja base está localizada em Teerã, capital do Irã. Contrariando as ordens do governo indiano, que teme afetar o relacionamento entre Índia e Irã às vésperas de um acordo para o fornecimento de gás, Kumar ingressa clandestinamente no Irã para caçar o terrorista. O filme reserva muita ação até o desfecho, com cenas muito bem produzidas. Para quem curte o gênero, um prato cheio.

domingo, 21 de setembro de 2025

“A VERDADE SOBRE O CASO DEVENTER” (“DE VEROORDELING”), 2021, Holanda, 2h10m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Sander Burger, que também assina o roteiro ao lado de Bert Bouma. A história é baseada num caso real ocorrido na cidade holandesa de Deventer, na região de Overijssel. Em 1999, a viúva Jaqueline Wittenberg foi assassinada a golpes de faca em sua residência, um caso que teve enorme repercussão naquele país. De acordo com a polícia, Ernest Louwes (Mark Kraan) é considerado o principal suspeito, sendo julgado e preso. O caso seria reaberto mais duas vezes, colocando em cena o encanador Michael De Jong (Yorick van Wageningen) como outro suspeito. Desde o início do caso, o jornalista investigativo Bas Haan (Feoja Van Huêt), de uma emissora de tv local, acompanhou de perto o trabalho da polícia, ao mesmo tempo em que apontou circunstâncias que podiam alterar o julgamento de Louwes. Mais do que os bastidores das investigações policiais, o filme destaca o trabalho incessante do jornalista e sua equipe para solucionar de vez o caso, que somente seria encerrado dez anos depois do crime, esclarecido graças à ajuda do jornalista. Completam o elenco Ortál Vriend, Lies Visschedijk e Marike Mingelen. O roteiro foi baseado no livro escrito pelo próprio jornalista Bas Haan. Confesso que nunca tinha ouvido falar no Caso Deventer e, por isso mesmo, achei o filme muito interessante. Recomendo.    

sábado, 20 de setembro de 2025

“VIDAS EM JOGO” (“A JÁTSZMA”), 2023, Hungria, 1h52m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Péter Fazakas (“Ma Este Gyilkolunk”), seguindo roteiro assinado por Norbert Köbli. O cenário é Budapeste, capital da Hungria, na segunda metade dos anos 50 do século passado, em pleno auge da Guerra Fria. O clima instaurado pelo regime comunista era sufocante. Ninguém confiava em ninguém, nem na própria família, na vizinhança ou mesmo nos amigos. Jung András (Zsolt Nagy) e sua esposa Gáti Éva (Gabriella Hámori), ambos agentes secretos do governo comunista de Jásnus Kádar, recebem a notícia de que um antigo colega, Markó Pál (Jánus Kulka) estava para voltar à ativa depois de sofrer um derrame. O casal havia traído Markó, causando o seu afastamento, e agora temia que ele aprontasse alguma vingança. Por isso, resolveram vigiá-lo de perto. Eles descobrem que Markó escrevera uma carta para um parente com o objetivo de enviar alguém para ajudá-lo no seu dia a dia. Dias depois chega a jovem Mondri Abigél (Viktória Staub) dizendo ser sua sobrinha. Para confirmar, apresenta-lhe a carta que ele enviou à sua mãe. Ao mesmo tempo, Jung e Gátia recrutam a moça, através de vantagens financeiras, para contar tudo o que ouvir de interessante por parte do velho agente. Até o desfecho, muita coisa irá acontecer, inclusive um caso entre Jung e Abigél. Além de uma primorosa direção de arte, destacando-se a excelente fotografia e a recriação de época, o filme ainda reserva muitas reviravoltas na história, valorizando ainda mais este suspense húngaro que está meio escondido no catálogo da Prime. Não perca!  

quarta-feira, 17 de setembro de 2025

“DISFARCE DIVINO” (“MAGNIFICAT”), 2023, França, 1h38m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Virginie Sauveur, que também assina o roteiro juntamente com Nicolas Silhol. A história é adaptada do livro “Des Femmes En Noir”, escrito por Anne-Isabelle Lacassagne. Começa o filme com a notícia da morte do padre Foucher, líder de uma paróquia em um bairro de Paris e muito querido na comunidade. Charlotte Rivière (Karin Viard), chanceler da diocese parisiense, é chamada ao local para tratar das providências acerca da morte do padre e providenciar o carro funerário. Na hora da preparação do corpo, o agente funerário chega com uma notícia terrível: o padre é uma mulher. Diante da situação, Charlotte corre para relatar o fato ao monsenhor Mével (François Berléand), que fica evidentemente abalado. Ele diz a Charlotte: “Se o Vaticano souber que o seminário está infiltrado por mulheres será o Apocalipse”. De imediato, Mével acha melhor esconder o fato, mas a chanceler insiste que haja uma investigação rigorosa para saber quem foi o responsável pela ordenação de Foucher e se há outros casos semelhantes na sua jurisdição. Destaco os diálogos saborosos entre Charlotte, o monsenhor e seu adjunto (Patrick Catalifo) com a finalidade de encontrar uma solução para o problema. Fora essa questão, Charlotte ainda tem que lidar com o filho adolescente problemático, que insiste em saber quem é seu pai biológico. Enfim “Disfarce Divino” tem muita qualidade e um trunfo muito especial: o desempenho primoroso da veterana atriz Karin Viard. Completam o elenco Maxime Bergeron, Nicolas Cazalé e Anaïde Rosam. Não perca!                  

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

“DESCONHECIDOS” (“STRANGE DARLING”), 2024, Estados Unidos, 1h36m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de JT Mollner (“Criminosos e Anjos”). Se você estiver a fim de assistir a um filme leve, com humor e romance, passe longe deste “Desconhecidos”. Quem assistiu pode ter gostado ou não, mas uma coisa não se pode negar. É um filme bastante criativo, um tanto distante da realidade cinematográfica vigente. A começar pelo fato de ser apresentado em 6 capítulos fora de ordem cronológica, sempre mudando a sequência dos acontecimentos e embaralhando a cabeça do espectador. Somente perto do desfecho é que a ficha vai cair, depois de muitas reviravoltas. Começa com uma mulher ferida correndo pela floresta fugindo de um suposto serial killer, um homem armado com uma espingarda. Um corte rápido e a cena muda para o quarto de um motel, onde a mesma mulher, uma garota de programa, mantém um diálogo esquisito e sem sentido com um cliente - o mesmo homem que a está perseguindo na floresta. Outro corte e a moça chega a uma casa onde residem um casal de idosos. Daí para a frente as situações vão acontecendo de maneira trágica, muita violência e pouca explicação. Estão no elenco Willa Fitzgerald, Kyle Gallner, Barbara Hershey e Ed Begley Jr., só para citar os mais conhecidos.  O filme alcançou a impressionante marca de 95% de aprovação dos críticos associados ao rigoroso site Totten Tomatoes, uma façanha e tanto. O escritor Stephen King também elogiou: “Trata-se de uma obra-prima inteligente. Eu, como simples mortal e cinéfilo amador, também gostei, mas advirto: não é um filme fácil de digerir.           

sábado, 13 de setembro de 2025

“A PIOR PESSOA DO MUNDO” (“VERDENS VERSTE MENNESKE”), 2021, Noruega, 2h08m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Joachim Trier (“Oslo, 31 de Agosto”, “Thelma), que também assina o roteiro com a colaboração de Eskil Vogt. O que me levou a buscar este filme de 2021 no catálogo da Prime foi a notícia de que um filme do mesmo diretor, “Sentimental Value”, foi o vencedor do "Grand Prix" do Festival de Cannes 2025. “A Pior Pessoa do Mundo” foi uma ótima descoberta, pois o filme é muito bom,  com um excelente elenco, tendo à frente a maravilhosa Renate Reinsve. Além de outros prêmios pelos festivais de cinema mundo afora, o filme foi o representante da Noruega na disputa de duas categorias no Oscar 2022: “Melhor Roteiro Original” e “Melhor Filme Internacional”. No Festival de Cannes, conquistou a Palma de Ouro de Melhor Atriz (Renate Reinsve). O filme é dividido em um prólogo, 12 capítulos e um epílogo. A história é centrada em Julie (Reinsve), uma mulher que à beira dos 30 anos ainda não se resolveu no campo sentimental nem no profissional. Entrou para a faculdade de medicina, pois queria ser médica, não gostou e logo partiu para a psicologia, mas durante o curso resolveu que sua melhor opção é a fotografia, assim como a literatura. Dessa forma inconstante ela é também nos seus relacionamentos amorosos, no início com muito sexo casual. Namoro sério ela teve com Aksel (Anders Danielsen Lie), quinze anos mais velho, e depois com Eivind (Herbert Nordrum). Renate Reinsve é uma atriz maravilhosa, o roteiro é primoroso e cabe aqui registrar alguns aspectos que também valorizam “A Pior Pessoa do Mundo”. O primeiro deles é a criatividade do diretor, cujo estilo lembra muito o de Woody Allen, a começar pelo formato das letras dos créditos, diálogos inteligentes e trilha sonora com jazz tradicional (Billie Holiday e Ahmad Jamal) e músicas de Harry Nilsson, para culminar com a cereja do bolo: “Waters of March (“Águas de Março”), na voz de Art Garfunkel. Mais Woody Allen: Trier recria aquela cena inconfundível de “Manhattan”, quando um casal está sentado num banco de frente para a ponte do Brooklyn. Uma informação importante: Joachim Trier não tem nenhum parentesco com o grande diretor dinamarquês Lars Von Trier. Trocando em miúdos, “A Pior Pessoa do Mundo” é mais uma obra-prima do cinema europeu. Não perca!    

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

“O CLUBE DO CRIME DAS QUINTAS-FEIRAS” (“THE THURSDAY MURDER CLUB”), 2025, Inglaterra, 1h58m, em cartaz na Netflix, direção de Chris Columbus (“Harry Potter e a Pedra Filosofal”, “Harry Potter e a Câmara Secreta”, “Esqueceram de Mim”). O roteiro, assinado por Katy Brand e Suzanne Heathcote, foi inspirado no livro homônimo escrito por Richard Osman em 2020. Na casa de repouso Coopers Chase, no interior da Inglaterra, quatro velhinhos fundaram o clube do título. Todas as quintas-feiras eles se reúnem para brincar de detetives, tentando desvendar assassinatos divulgados pela mídia e arquivados pela polícia. Até que um dia ocorre um crime na própria casa de repouso, levando-os a bancar detetives verdadeiros, com a ajuda de uma policial da cidade. São eles, os "detetives", Ibrahim (Ben Kingsley), ex-psiquiatra, Elizabeth (Helen Mirren), antiga espiã do M16 – Serviço Secreto Inglês -, Ron (Pierce Brosnan, ex-dirigente sindical, e Joyce (Celia Imrie), uma enfermeira aposentada. Completam o elenco Jonathan Price, Tom Ellis, Naomie Ackie, Daniel Mays e Richard Grant. O filme é bastante simpático, agradável de assistir, pois tem humor e algumas boas piadas, mas o resultado final não faz jus ao excelente elenco. De qualquer modo, não ofende a nossa inteligência e pode servir para uma sessão da tarde com pipoca.

domingo, 7 de setembro de 2025

 

“O NASCIMENTO DO MAL” (“BED REST”), 2022, Estados Unidos, 1h30m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Lori Evans Taylor (“A Porta do Porão”, “Premonição 6”). Trata-se de um terror psicológico, ou seja, sem monstros, dráculas, decapitações ou efeitos especiais. Começa com um dos clichês mais utilizados em filmes do gênero. Casal vai morar numa casa longe de tudo e logo vai descobrir que a dita cuja é mal assombrada. Julie Rivers (Melissa Barrero) está grávida novamente – o primeiro ela perdeu no parto. A tal casa passa por uma reforma geral, com pedreiros andando pra lá e pra cá, mas o casal resolve mudar assim mesmo. O marido, Daniel Rivers (Guy Burnet), é professor e passa praticamente o dia inteiro dando aulas. Depois de um exame pré-natal, o médico chega à conclusão que a gestação é de alto risco e, por isso, recomenda repouso total. Sozinha em casa, Julie começa a ter alucinações, e o marido, preocupado, contrata uma enfermeira para cuidar da esposa. Teimosa, Julie rejeita os calmantes e remédios para dormir, eliminando-os no vaso sanitário. O transtorno mental continua e Julie acredita que a enfermeira quer roubar o bebê. É claro que não vou contar o que acontece dali para a frente, mas posso garantir que você tomará muitos sustos, valorizando ainda mais a qualidade do suspense. Destaco a performance da atriz mexicana Melissa Barrero (“Pânico 5”, “Pânico 6"), que além de carregar o bebê na frente, carrega o filme nas costas. Recomendo.  

sábado, 6 de setembro de 2025

“A CHAMADA” (“RETRIBUTION”), 2023, Estados Unidos, 1h31m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do cineasta húngaro radicado nos EUA Nimród Antal ("Assalto ao Carro Blindado”, “Predadores”), seguindo roteiro assinado por Christopher Salmanpour. Trata-se de mais um remake do espanhol “El Desconocido”, de 2015. Outro foi o sul-coreano “Ligação Explosiva”, de 2021. Com alguns pequenos ajustes, a história é exatamente a mesma: um pai de família com os filhos dentro do carro e bombas embaixo dos bancos. Se alguém levantar as bombas explodem. O alerta é dado por um psicopata que, com voz distorcida, entra em contato pelo celular, fazendo exigências e ameaçando ativar a explosão se não for atendido. No caso de “A Chamada”, o maluco quer uma quantia absurda que deve ser transferida para sua conta. Os momentos são de muita tensão, pois qualquer movimento em falso pode desencadear uma tragédia. Matt Turner (Liam Neeson) é executivo de um grande banco de investimentos e, aparentemente, tem culpa no cartório, assim como seu sócio Andrews Muller (Matthew Modine). O motivo: desvio do dinheiro dos investidores. O psicopata sabe disso e vai aproveitar para tentar ganhar uma fortuna. Turner, com seus filhos a bordo, Emily (Lilly Aspell) e Zach (Jack Champion), vai passar um grande sufoco até o final. E o espectador também, louco para saber como Turner sairá dessa enorme enrascada. A ação não para nunca. Completam o elenco Embeth Davidtz, Emily Kusche e Noma Dumezweni.

quarta-feira, 3 de setembro de 2025

  

“CÚPULA DO CAOS” (“RUMOURS”), 2024, coprodução Alemanha/Canadá, 1h58m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro de Evan Johnson e direção de Guy Maddin e Galen Johnson. O filme é um verdadeiro exemplar do nonsense – sem sentido, disparate, besteira ou algo sem coerência. Enfim, um filme maluco. Concordo plenamente e, para amenizar um pouco esse contexto, acrescento que se trata de uma sátira política, uma paródia, uma comédia de humor negro. Reunidos para mais uma cúpula anual do G7 (Alemanha, Estados Unidos, Inglaterra, Canadá, Itália, França e Japão), desta vez na Alemanha, os representantes desses países prometem discutir a crise global e elaborar um documento conjunto com propostas para resolver os problemas mundiais. Depois de fotos para a imprensa, eles se isolam num bosque para discutir os grandes problemas da humanidade. É aqui que surgem as situações mais bizarras, verdadeiramente surreais. Não vou relatá-las para não estragar as inúmeras surpresas que acontecem. O elenco é de primeira: Cate Blanchett, Denis Menochet, Roy Dupuis, Charles Dance, Takehiro Hira, Nikki Amuka-Bird, Rolando Ravello, Zlatko Buric e Alicia Vikander. Trocando em miúdos, o filme não tem pé nem cabeça, tronco e membros, concebido para causar polêmica e irritar o espectador. Por incrível que pareça, eu até dei algumas risadas, mas a sensação foi a de que mentes insanas foram responsáveis pelo filme.    

terça-feira, 2 de setembro de 2025

“NÃO SE MEXA” (“DON’T MOVE”), 2024, Estados Unidos, 1h32m, em cartaz na Netflix, direção de Adam Schindler e Brian Netto, seguindo roteiro assinado por T. J. Cimfel e David White, produzido por Sam Raimi, diretor de “Uma Noite Alucinante”. Fazia algum tempo que eu não via um suspense tão bom, apesar de ser uma produção enxuta e claramente independente. Praticamente o filme inteiro apenas dois personagens participam da trama, vivendo situações angustiantes de muita tensão. Começa o filme e vemos uma jovem mulher visitando o local onde seu filho morreu, num canto de floresta da Califórnia. Um  homem entra em cena e, conversa vai conversa vem, acaba convencendo a moça a desistir de um ato trágico. O que aparentemente possa parecer o início de uma amizade, pelo contrário, é o começo de uma série de demonstrações da mais alta psicopatia. Isso mesmo, o sujeito é um psicopata. Resumindo a história: o cara injeta uma substância paralisante que fará efeito dali a 20 minutos, o que deixará a moça sem ação por um longo período. Ela precisa fugir antes que comece os efeitos. O que ela vai sofrer até o final do filme deixará o espectador grudado na poltrona, o que tem tudo a ver com o título. A vítima é a atriz Kelsey Asbille, de “Terra Selvagem” e da série “Yellowstone”. O vilão é o ator Finn Wittrock, de “Uma Garota de Muita Sorte”. Trocando em miúdos, “Não se Mexa” é um suspense de primeira. Não perca. ,

domingo, 31 de agosto de 2025

“O BRUTALISTA” (“THE BRUTALIST”), 2024, coprodução Estados Unidos/Hungria/Inglaterra, 3h36m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Brady Corbet (de “Vox Lux”, “Violência Gratuita” e da série “Entre Estranhos”), que também assina o roteiro com Mona Fastvold. Vencedor de três estatuetas do Oscar 2025, além dos principais prêmios no Festival de Veneza, no BAFTA (o Oscar inglês), e no Globo de Ouro, o filme é uma verdadeira obra de arte cinematográfica, um épico deslumbrante. Tudo bem que não é um filme para qualquer público. A história começa nos anos 40, quando o arquiteto visionário húngaro judeu László Toth (Adrien Brody) consegue fugir de um campo de concentração nazista e viaja para os Estados Unidos, onde o espera seu primo Attila (Alessandro Nivola). Estabelecido na Pensilvânia, László logo cai nas graças do rico industrial Harrison Van Buren (Guy Pearce), para quem passa a trabalhar num grande projeto: um centro comunitário com biblioteca, teatro, ginásio e uma capela. Enquanto isso, aguarda a chegada da esposa Erzsébet (Felicity Jones) e a sobrinha Zsófia (Raffey Cassidy), ambas resgatadas de um campo de concentração nazista. Ou seja, gente que sofreu muito durante o conflito mundial e que não encontraria muita facilidade no Tio Sam. Completam o excelente elenco Emma Laird, Joe Alwyn, Stacy Martin, Mark Rylance, Isaach de Bankolé, Johathan Hyde e Salvatore Sansone. Das dez indicações que recebeu ao Oscar 2025, o filme ganhou apenas três: Melhor Ator (Brody), Melhor Trilha Sonora Original (Daniel Blumberg) e Melhor Fotografia (Lol Crawley). Pouco para um grande filme, na minha opinião, o melhor de 2024. Perder para “Anora” foi uma injustiça. Só para acrescentar uma informação, Brutalista refere-se ao arquiteto que adota o Brutalismo, estilo arquitetônico que utiliza o concreto como principal componente. Também importante destacar que o personagem fictício László Toth foi inspirado na trajetória do arquiteto judeu Marcel Lajos Breue, adepto do estilo nos anos 40. “O Brutalista” é imperdível para quem curte cinema de altíssima qualidade.  

terça-feira, 26 de agosto de 2025

“HISTÓRIA DE AMOR EM COPENHAGUE” (“SULT”), 2025, em cartaz na Netflix, 1h45m, Dinamarca, roteiro e direção de Louise Mieritz e Ditte Hansen. Não entendi e continuei não entendendo o que quis dizer o título original, pois a tradução literal de “Sult” é “Fome”, o que não quer dizer nada com relação à história. Essa questão fica em segundo plano considerando que o filme é muito bom. Trata-se de um drama romântico baseado no livro da escritora dinamarquesa Tine Høeg. Mia (Rosalinde Mynster), tal qual Tine, é uma escritora de sucesso. Solteirona, ela adora curtir as baladas noturnas com as amigas e não rejeita um sexo casual. Tudo mudaria quando ela conhece o simpático Emil (Joachim Fjelstrup), divorciado e com dois filhos. Na base de feitos um para o outro, os dois vivem um romance que nada parece abalar. Até que ela convence o parceiro a ajudá-la a concretizar o sonho de ser mãe. Eles tentam pela via natural, mas não dá certo. E aí decidem procurar tratamentos alternativos de fertilidade. No meio do caminho, o relacionamento entre o casal entra em crise. A atriz Rosalinde Mynster carrega o filme nas costas, com uma atuação digna de prêmios. Rosalinde é uma atriz muito interessante, um misto de Demi Moore piorada com Barbra Streisand melhorada. Enfim, uma bonita/feia, mas muito charmosa e simpática. Trocando em miúdos, “História de Amor em Copenhague” dá um sinal de inteligência no gênero drama romântico. Um filme que merece ser conferido. 

sábado, 23 de agosto de 2025

“BOGOTÁ: A CIDADE DOS SONHOS PERDIDOS” (BOGOTA: CITY OF THE LOST”), 2024, Coreia do Sul, 1h48m, em cartaz na Netflix, direção de Kim Seong-je, que também assina o roteiro com Hwang Seong-gu.  Nos materiais de divulgação não há referência sobre a história ser fictícia ou baseada em fatos reais. Eu acredito na segunda hipótese. Em 1997, o jovem sul-coreano Guk-Hee (Song Joong Ki) chega à Colômbia com seus pais em busca de uma vida melhor, já que seu país enfrentava uma grave crise econômica. Ao chegar em Bogotá, eles logo sofrem um choque de realidade: o pai de Guk-Hee é assaltado por uma dupla de moto. A família se integra à comunidade sul-coreana, que vive do comércio nas ruas da capital colombiana. Assim como a nossa 25 de Março, lá também a maioria das mercadorias é proveniente de contrabando. Mediante suborno, a polícia local finge que tudo está nos conformes. Até o dia em que um mafioso colombiano resolve acabar com a concorrência, passando a perseguir os sul-coreanos. Ao mesmo tempo, o jovem Guk-kee cai nas graças de Park (Kwon Hae-hyo), chefe dos contrabandistas sul-coreanos, e sobe na hierarquia até chegar ao topo. A história apresenta várias reviravoltas, traições e muita intriga, com uma tensão constante mantida pelo excelente roteiro. Achei o filme muito bom.  

sexta-feira, 22 de agosto de 2025

“A NOITE SEMPRE CHEGA” (“NIGHT ALWAYS COMES”), 2025, Estados Unidos, 1h48m, em cartaz na Netflix, roteiro de Sarah Conradt e direção do cineasta inglês Benjamin Caron. A história é baseada no livro homônimo escrito em 2021 por Willy Vlautin. A personagem principal é Lynette (Vanessa Kirby), uma mulher desajustada que já fez de tudo na vida, desde garçonete até garota de programa, para sustentar a família, ou seja, sua mãe Doreen (Jennifer Jason Leith) e seu irmão mais velho Kenny (Zachary Gottsagen), que tem Síndrome de Down. Prestes a perder a casa onde mora desde criança, Lynette tem apenas algumas horas para pagar um empréstimo ao banco, devendo depositar 25 mil dólares. Como conseguir todo esse dinheiro em tão pouco tempo? A resposta a esta pergunta é o mote do filme, pois exigirá de Lynette uma verdadeira jornada de desafios  durante a noite e madrugada, quando embarca no submundo criminal de Portland. É um filme bastante movimentado, combinando situações inusitadas de grande perigo, o que alimenta o suspense do começo ao fim. Completam o elenco Julia Fox, Stephan James e Michael Kelly. É claro que o destaque maior é a inglesa Vanessa Kirby, uma bela atriz e muito competente, como já comprovou em filmes como “Pieces of Woman”, pelo qual foi indicada ao Oscar, “Napoleão” e “Missão Impossível: Acerto de Contas”, entre outros. Vanessa arrasa mais uma vez em “A Noite Sempre Chega”.   

terça-feira, 19 de agosto de 2025

“CONFINADO” (“LOCKED”), 2025, Estados Unidos, 1h35m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de David Yarovesky, seguindo roteiro assinado por Michael Arlen Ross. Eddie Barrish (o ator sueco Bill Skarsgard), um marginal “pé de chinelo” que sustenta a família praticando furtos e traficando drogas, assim como as consome, percorre as ruas de Los Angeles procurando novas vítimas. Quando vê um SUV de luxo – na verdade um Land Rover Defender – em um estacionamento, resolve arrombar uma porta para furtar possíveis objetos de valor do seu interior. Para sua surpresa, a porta do motorista estava aberta. Ele entrou... e não saiu mais. O veículo foi adaptado para trancar quem ousasse entrar. Resultado: Eddie caiu numa armadilha sofisticada e mortal, sofrendo torturas inimagináveis. O dono do carro, saberíamos depois, é um sujeito misterioso que assume o papel de justiceiro, um senhor chamado William (Anthony Hopkins). O espectador terá a oportunidade de acompanhar praticamente dentro do veículo o sufocante martírio do marginal até o desfecho. Essa história foi inspirada em um caso real ocorrido na cidade de Córdoba, na Argentina, em 2016, que também serviu de base para outros dois filmes antes deste, o argentino “4x4”, de 2019, e o brasileiro “A Jaula”, de 2016. Segundo a crítica, “Confinado” é muito melhor, pois conta com dois atores de ponta. O sueco Bill Skarsgard conquistou Hollywood depois de atuar em filmes como “O Corvo”, “IT – A Coisa” e “Nosferatu”. Anthony Hopkins dispensa apresentações. Enfim, um suspense da melhor qualidade.       

domingo, 17 de agosto de 2025

“O FALSIFICADOR” (“DER PASSFÄLSCHER”), 2022, Alemanha, 1h57m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Maggie Peren (“Um Dia para Sempre”). O filme, baseado em fatos reais, conta a história do artista gráfico judeu Cioma Schönhaus (1922/2015), cujas memórias serviram de base para o roteiro. Em 1942, Cioma, aos 21 anos, falsificou seu documento de identidade para não ser preso e enviado para algum campo de concentração. Ele passou a ser um oficial da marinha alemã. Não demorou muito para ser procurado por uma organização de ajuda humanitária para falsificar documentos de judeus. Com esse trabalho, ele salvou centenas de pessoas durante a Segunda Guerra Mundial. Claro, passou muito perigo, pois era “visitado” constantemente por um agente da Gestapo, a polícia do regime de Hitler, além de ser vigiado de perto pela síndica nazista do prédio onde morava com um amigo. Em meio a essa turbulência, Cioma ainda teve tempo de viver um romance com a jovem Gerda, cujo namorado lutava no front. Cioma foi interpretado brilhantemente pelo ator Louis Hofmann, da série “Dark”. Completam o elenco Jonathan Berlin, Luna Wedler e Nina Gummichj. O filme é um tanto arrastado e filmado, na maioria das cenas, em ambientes escuros. Vale pela história, mais uma da fonte inesgotável de histórias ambientadas durante a Segunda Grande Guerra.