“DISFARCE DIVINO” (“MAGNIFICAT”),
2023,
França, 1h38m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Virginie Sauveur, que também
assina o roteiro juntamente com Nicolas Silhol. A história é adaptada do livro “Des
Femmes En Noir”, escrito por Anne-Isabelle Lacassagne. Começa o filme com a
notícia da morte do padre Foucher, líder de uma paróquia em um bairro de Paris
e muito querido na comunidade. Charlotte Rivière (Karin Viard), chanceler da
diocese parisiense, é chamada ao local para tratar das providências acerca da
morte do padre e providenciar o carro funerário. Na hora da preparação do
corpo, o agente funerário chega com uma notícia terrível: o padre é uma mulher.
Diante da situação, Charlotte corre para relatar o fato ao monsenhor Mével
(François Berléand), que fica evidentemente abalado. Ele diz a Charlotte: “Se o
Vaticano souber que o seminário está infiltrado por mulheres será o Apocalipse”.
De imediato, Mével acha melhor esconder o fato, mas a chanceler insiste que
haja uma investigação rigorosa para saber quem foi o responsável pela ordenação
de Foucher e se há outros casos semelhantes na sua jurisdição. Destaco os diálogos saborosos entre Charlotte, o monsenhor e seu adjunto
(Patrick Catalifo) com a finalidade de encontrar uma solução para o problema.
Fora essa questão, Charlotte ainda tem que lidar com o filho adolescente
problemático, que insiste em saber quem é seu pai biológico. Enfim “Disfarce
Divino” tem muita qualidade e um trunfo muito especial: o desempenho primoroso
da veterana atriz Karin Viard. Completam o elenco Maxime Bergeron, Nicolas Cazalé
e Anaïde Rosam. Não perca!
quarta-feira, 17 de setembro de 2025
segunda-feira, 15 de setembro de 2025
“DESCONHECIDOS” (“STRANGE
DARLING”), 2024, Estados Unidos, 1h36m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro
e direção de JT Mollner (“Criminosos e Anjos”). Se você estiver a fim de
assistir a um filme leve, com humor e romance, passe longe deste “Desconhecidos”.
Quem assistiu pode ter gostado ou não, mas uma coisa não se pode negar. É um
filme bastante criativo, um tanto distante da realidade cinematográfica vigente. A começar
pelo fato de ser apresentado em 6 capítulos fora de ordem cronológica, sempre mudando
a sequência dos acontecimentos e embaralhando a cabeça do espectador. Somente
perto do desfecho é que a ficha vai cair, depois de muitas reviravoltas. Começa
com uma mulher ferida correndo pela floresta fugindo de um suposto serial killer, um homem armado com uma
espingarda. Um corte rápido e a cena muda para o quarto de um motel, onde a
mesma mulher, uma garota de programa, mantém um diálogo esquisito e sem sentido
com um cliente - o mesmo homem que a está perseguindo na floresta. Outro corte
e a moça chega a uma casa onde residem um casal de idosos. Daí para a frente as
situações vão acontecendo de maneira trágica, muita violência e pouca
explicação. Estão no elenco Willa Fitzgerald, Kyle Gallner, Barbara Hershey e
Ed Begley Jr., só para citar os mais conhecidos. O filme alcançou a impressionante marca de 95%
de aprovação dos críticos associados ao rigoroso site Totten Tomatoes, uma façanha
e tanto. O escritor Stephen King também elogiou: “Trata-se de uma obra-prima
inteligente. Eu, como simples mortal e cinéfilo amador, também gostei, mas
advirto: não é um filme fácil de digerir.
sábado, 13 de setembro de 2025
“A PIOR PESSOA DO MUNDO” (“VERDENS
VERSTE MENNESKE”), 2021, Noruega, 2h08m, em cartaz na
Prime Vídeo, direção de Joachim Trier (“Oslo, 31 de Agosto”, “Thelma), que também
assina o roteiro com a colaboração de Eskil Vogt. O que me levou a buscar este
filme de 2021 no catálogo da Prime foi a notícia de que um filme do mesmo
diretor, “Sentimental Value”, foi o vencedor do "Grand Prix" do Festival de
Cannes 2025. “A Pior Pessoa do Mundo” foi uma ótima descoberta, pois o filme é muito bom, com um excelente elenco, tendo à frente a maravilhosa Renate
Reinsve. Além de outros prêmios pelos festivais de cinema mundo afora, o filme
foi o representante da Noruega na disputa de duas categorias no Oscar 2022: “Melhor
Roteiro Original” e “Melhor Filme Internacional”. No Festival de Cannes,
conquistou a Palma de Ouro de Melhor Atriz (Renate Reinsve). O filme é dividido
em um prólogo, 12 capítulos e um epílogo. A história é centrada em Julie
(Reinsve), uma mulher que à beira dos 30 anos ainda não se resolveu no campo
sentimental nem no profissional. Entrou para a faculdade de medicina, pois
queria ser médica, não gostou e logo partiu para a psicologia, mas durante o
curso resolveu que sua melhor opção é a fotografia, assim como a literatura. Dessa
forma inconstante ela é também nos seus relacionamentos amorosos, no
início com muito sexo casual. Namoro sério ela teve com Aksel (Anders Danielsen
Lie), quinze anos mais velho, e depois com Eivind (Herbert Nordrum). Renate
Reinsve é uma atriz maravilhosa, o roteiro é primoroso e cabe aqui registrar
alguns aspectos que também valorizam “A Pior Pessoa do Mundo”. O primeiro deles
é a criatividade do diretor, cujo estilo lembra muito o de Woody Allen, a
começar pelo formato das letras dos créditos, diálogos inteligentes e trilha sonora com jazz tradicional
(Billie Holiday e Ahmad Jamal) e músicas de Harry Nilsson, para culminar com a
cereja do bolo: “Waters of March (“Águas de Março”), na voz de Art Garfunkel.
Mais Woody Allen: Trier recria aquela cena inconfundível de “Manhattan”, quando
um casal está sentado num banco de frente para a ponte do Brooklyn. Uma informação importante: Joachim Trier não tem nenhum parentesco com o grande diretor dinamarquês Lars Von Trier. Trocando em
miúdos, “A Pior Pessoa do Mundo” é mais uma obra-prima do cinema europeu. Não perca!
quinta-feira, 11 de setembro de 2025
“O CLUBE DO CRIME DAS
QUINTAS-FEIRAS” (“THE THURSDAY MURDER CLUB”), 2025, Inglaterra, 1h58m, em
cartaz na Netflix, direção de Chris Columbus (“Harry Potter e a Pedra Filosofal”,
“Harry Potter e a Câmara Secreta”, “Esqueceram de Mim”). O roteiro, assinado
por Katy Brand e Suzanne Heathcote, foi inspirado no livro homônimo escrito por
Richard Osman em 2020. Na casa de repouso Coopers Chase, no interior da
Inglaterra, quatro velhinhos fundaram o clube do título. Todas as
quintas-feiras eles se reúnem para brincar de detetives, tentando desvendar
assassinatos divulgados pela mídia e arquivados pela polícia. Até que um dia
ocorre um crime na própria casa de repouso, levando-os a bancar detetives
verdadeiros, com a ajuda de uma policial da cidade. São eles, os "detetives", Ibrahim (Ben Kingsley), ex-psiquiatra, Elizabeth (Helen
Mirren), antiga espiã do M16 – Serviço Secreto Inglês -, Ron (Pierce Brosnan,
ex-dirigente sindical, e Joyce (Celia Imrie), uma enfermeira aposentada.
Completam o elenco Jonathan Price, Tom Ellis, Naomie Ackie, Daniel Mays e
Richard Grant. O filme é bastante simpático, agradável de assistir, pois tem
humor e algumas boas piadas, mas o resultado final não faz jus ao excelente
elenco. De qualquer modo, não ofende a nossa inteligência e pode servir para
uma sessão da tarde com pipoca.
domingo, 7 de setembro de 2025
“O NASCIMENTO DO MAL” (“BED
REST”), 2022, Estados Unidos, 1h30m, em cartaz na Prime Vídeo,
roteiro e direção de Lori Evans Taylor (“A Porta do Porão”, “Premonição 6”).
Trata-se de um terror psicológico, ou seja, sem monstros, dráculas, decapitações ou efeitos
especiais. Começa com um dos clichês mais utilizados em filmes do gênero. Casal
vai morar numa casa longe de tudo e logo vai descobrir que a dita cuja é mal
assombrada. Julie Rivers (Melissa Barrero) está grávida novamente – o primeiro
ela perdeu no parto. A tal casa passa por uma reforma geral, com pedreiros
andando pra lá e pra cá, mas o casal resolve mudar assim mesmo. O marido, Daniel
Rivers (Guy Burnet), é professor e passa praticamente o dia inteiro dando
aulas. Depois de um exame pré-natal, o médico chega à conclusão que a gestação
é de alto risco e, por isso, recomenda repouso total. Sozinha em casa, Julie
começa a ter alucinações, e o marido, preocupado, contrata uma enfermeira para
cuidar da esposa. Teimosa, Julie rejeita os calmantes e remédios para dormir,
eliminando-os no vaso sanitário. O transtorno mental continua e Julie acredita que
a enfermeira quer roubar o bebê. É claro que não vou contar o que acontece dali
para a frente, mas posso garantir que você tomará muitos sustos, valorizando ainda mais a qualidade do suspense. Destaco a performance da atriz mexicana
Melissa Barrero (“Pânico 5”, “Pânico 6"), que além de carregar o bebê na frente,
carrega o filme nas costas. Recomendo.
sábado, 6 de setembro de 2025
“A CHAMADA” (“RETRIBUTION”), 2023,
Estados Unidos, 1h31m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do cineasta húngaro
radicado nos EUA Nimród Antal ("Assalto ao Carro Blindado”, “Predadores”),
seguindo roteiro assinado por Christopher Salmanpour. Trata-se de mais um remake
do espanhol “El Desconocido”, de 2015. Outro foi o sul-coreano “Ligação
Explosiva”, de 2021. Com alguns pequenos ajustes, a história é exatamente a
mesma: um pai de família com os filhos dentro do carro e bombas embaixo dos
bancos. Se alguém levantar as bombas explodem. O alerta é dado por um psicopata
que, com voz distorcida, entra em contato pelo celular, fazendo exigências e
ameaçando ativar a explosão se não for atendido. No caso de “A Chamada”, o
maluco quer uma quantia absurda que deve ser transferida para sua conta. Os
momentos são de muita tensão, pois qualquer movimento em falso pode desencadear
uma tragédia. Matt Turner (Liam Neeson) é executivo de um grande banco de
investimentos e, aparentemente, tem culpa no cartório, assim como seu sócio Andrews
Muller (Matthew Modine). O motivo: desvio do dinheiro dos investidores. O psicopata sabe disso e vai aproveitar para tentar ganhar
uma fortuna. Turner, com seus filhos a bordo, Emily (Lilly Aspell) e Zach (Jack
Champion), vai passar um grande sufoco até o final. E o espectador também,
louco para saber como Turner sairá dessa enorme enrascada. A ação não para nunca.
Completam o elenco Embeth Davidtz, Emily Kusche e Noma Dumezweni.
quarta-feira, 3 de setembro de 2025
“CÚPULA DO CAOS” (“RUMOURS”), 2024,
coprodução Alemanha/Canadá, 1h58m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro de Evan
Johnson e direção de Guy Maddin e Galen Johnson. O filme é um verdadeiro
exemplar do nonsense – sem sentido, disparate, besteira ou algo sem coerência.
Enfim, um filme maluco. Concordo plenamente e, para amenizar um pouco esse contexto, acrescento que se trata de
uma sátira política, uma paródia, uma comédia de humor negro. Reunidos para mais
uma cúpula anual do G7 (Alemanha, Estados Unidos, Inglaterra, Canadá, Itália,
França e Japão), desta vez na Alemanha, os representantes desses países prometem
discutir a crise global e elaborar um documento conjunto com propostas para
resolver os problemas mundiais. Depois de fotos para a imprensa, eles se isolam num bosque
para discutir os grandes problemas da humanidade. É aqui que surgem as
situações mais bizarras, verdadeiramente surreais. Não vou relatá-las para não
estragar as inúmeras surpresas que acontecem. O elenco é de primeira: Cate
Blanchett, Denis Menochet, Roy Dupuis, Charles Dance, Takehiro Hira, Nikki
Amuka-Bird, Rolando Ravello, Zlatko Buric e Alicia Vikander. Trocando em
miúdos, o filme não tem pé nem cabeça, tronco e membros, concebido para causar
polêmica e irritar o espectador. Por incrível que pareça, eu até dei algumas
risadas, mas a sensação foi a de que mentes insanas foram responsáveis pelo
filme.
terça-feira, 2 de setembro de 2025
“NÃO SE MEXA” (“DON’T MOVE”), 2024,
Estados Unidos, 1h32m, em cartaz na Netflix, direção de Adam Schindler e Brian
Netto, seguindo roteiro assinado por T. J. Cimfel e David White, produzido por
Sam Raimi, diretor de “Uma Noite Alucinante”. Fazia algum tempo que eu não via
um suspense tão bom, apesar de ser uma produção enxuta e claramente independente.
Praticamente o filme inteiro apenas dois personagens participam da trama,
vivendo situações angustiantes de muita tensão. Começa o filme e vemos uma
jovem mulher visitando o local onde seu filho morreu, num canto de floresta da
Califórnia. Um homem entra em cena e,
conversa vai conversa vem, acaba convencendo a moça a desistir de um ato trágico. O que
aparentemente possa parecer o início de uma amizade, pelo contrário, é o começo
de uma série de demonstrações da mais alta psicopatia. Isso mesmo, o sujeito é
um psicopata. Resumindo a história: o cara injeta uma substância paralisante que
fará efeito dali a 20 minutos, o que deixará a moça sem ação por um longo
período. Ela precisa fugir antes que comece os efeitos. O que ela vai sofrer
até o final do filme deixará o espectador grudado na poltrona, o que tem tudo a ver com o título. A vítima é a
atriz Kelsey Asbille, de “Terra Selvagem” e da série “Yellowstone”. O vilão é o
ator Finn Wittrock, de “Uma Garota de Muita Sorte”. Trocando em miúdos, “Não se
Mexa” é um suspense de primeira. Não perca. ,
domingo, 31 de agosto de 2025
“O BRUTALISTA” (“THE
BRUTALIST”), 2024, coprodução Estados
Unidos/Hungria/Inglaterra, 3h36m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Brady
Corbet (de “Vox Lux”, “Violência Gratuita” e da série “Entre Estranhos”), que
também assina o roteiro com Mona Fastvold. Vencedor de três estatuetas do
Oscar 2025, além dos principais prêmios no Festival de Veneza, no BAFTA (o
Oscar inglês), e no Globo de Ouro, o filme é uma verdadeira obra de arte cinematográfica, um épico deslumbrante. Tudo bem que não é um
filme para qualquer público. A história começa nos anos 40, quando o arquiteto visionário
húngaro judeu László Toth (Adrien Brody) consegue fugir de um campo de
concentração nazista e viaja para os Estados Unidos, onde o espera seu primo
Attila (Alessandro Nivola). Estabelecido na Pensilvânia, László logo cai nas
graças do rico industrial Harrison Van Buren (Guy Pearce), para quem passa a
trabalhar num grande projeto: um centro comunitário com biblioteca, teatro,
ginásio e uma capela. Enquanto isso, aguarda a chegada da esposa Erzsébet (Felicity
Jones) e a sobrinha Zsófia (Raffey Cassidy), ambas resgatadas de um campo de
concentração nazista. Ou seja, gente que sofreu muito durante o conflito
mundial e que não encontraria muita facilidade no Tio Sam.
Completam o excelente elenco Emma Laird, Joe Alwyn, Stacy Martin, Mark Rylance,
Isaach de Bankolé, Johathan Hyde e Salvatore Sansone. Das dez indicações que
recebeu ao Oscar 2025, o filme ganhou apenas três: Melhor Ator (Brody), Melhor
Trilha Sonora Original (Daniel Blumberg) e Melhor Fotografia (Lol Crawley).
Pouco para um grande filme, na minha opinião, o melhor de 2024. Perder para “Anora”
foi uma injustiça. Só para acrescentar uma informação, Brutalista refere-se ao
arquiteto que adota o Brutalismo, estilo arquitetônico que utiliza o concreto como
principal componente. Também importante destacar que o personagem fictício László
Toth foi inspirado na trajetória do arquiteto judeu Marcel Lajos Breue, adepto
do estilo nos anos 40. “O Brutalista” é imperdível para quem curte cinema de
altíssima qualidade.
terça-feira, 26 de agosto de 2025
“HISTÓRIA DE AMOR EM COPENHAGUE” (“SULT”), 2025, em cartaz na Netflix, 1h45m, Dinamarca, roteiro e direção de Louise Mieritz e Ditte Hansen. Não entendi e continuei não entendendo o que quis dizer o título original, pois a tradução literal de “Sult” é “Fome”, o que não quer dizer nada com relação à história. Essa questão fica em segundo plano considerando que o filme é muito bom. Trata-se de um drama romântico baseado no livro da escritora dinamarquesa Tine Høeg. Mia (Rosalinde Mynster), tal qual Tine, é uma escritora de sucesso. Solteirona, ela adora curtir as baladas noturnas com as amigas e não rejeita um sexo casual. Tudo mudaria quando ela conhece o simpático Emil (Joachim Fjelstrup), divorciado e com dois filhos. Na base de feitos um para o outro, os dois vivem um romance que nada parece abalar. Até que ela convence o parceiro a ajudá-la a concretizar o sonho de ser mãe. Eles tentam pela via natural, mas não dá certo. E aí decidem procurar tratamentos alternativos de fertilidade. No meio do caminho, o relacionamento entre o casal entra em crise. A atriz Rosalinde Mynster carrega o filme nas costas, com uma atuação digna de prêmios. Rosalinde é uma atriz muito interessante, um misto de Demi Moore piorada com Barbra Streisand melhorada. Enfim, uma bonita/feia, mas muito charmosa e simpática. Trocando em miúdos, “História de Amor em Copenhague” dá um sinal de inteligência no gênero drama romântico. Um filme que merece ser conferido.
sábado, 23 de agosto de 2025
“BOGOTÁ: A CIDADE DOS SONHOS
PERDIDOS” (BOGOTA: CITY OF THE LOST”), 2024, Coreia do
Sul, 1h48m, em cartaz na Netflix, direção de Kim Seong-je, que também assina o
roteiro com Hwang Seong-gu. Nos
materiais de divulgação não há referência sobre a história ser fictícia ou
baseada em fatos reais. Eu acredito na segunda hipótese. Em 1997, o jovem sul-coreano
Guk-Hee (Song Joong Ki) chega à Colômbia com seus pais em busca de uma vida
melhor, já que seu país enfrentava uma grave crise econômica. Ao chegar em
Bogotá, eles logo sofrem um choque de realidade: o pai de Guk-Hee é assaltado
por uma dupla de moto. A família se integra à comunidade sul-coreana, que vive
do comércio nas ruas da capital colombiana. Assim como a nossa 25 de Março, lá
também a maioria das mercadorias é proveniente de contrabando. Mediante suborno, a polícia local
finge que tudo está nos conformes. Até o dia em que um mafioso colombiano
resolve acabar com a concorrência, passando a perseguir os sul-coreanos. Ao
mesmo tempo, o jovem Guk-kee cai nas graças de Park (Kwon Hae-hyo), chefe dos
contrabandistas sul-coreanos, e sobe na hierarquia até chegar ao topo. A
história apresenta várias reviravoltas, traições e muita intriga, com uma
tensão constante mantida pelo excelente roteiro. Achei o filme muito bom.
sexta-feira, 22 de agosto de 2025
“A NOITE SEMPRE CHEGA” (“NIGHT
ALWAYS COMES”), 2025, Estados Unidos, 1h48m, em cartaz na
Netflix, roteiro de Sarah Conradt e direção do cineasta inglês Benjamin Caron.
A história é baseada no livro homônimo escrito em 2021 por Willy Vlautin. A
personagem principal é Lynette (Vanessa Kirby), uma mulher desajustada que já
fez de tudo na vida, desde garçonete até garota de programa, para sustentar a
família, ou seja, sua mãe Doreen (Jennifer Jason Leith) e seu irmão mais velho
Kenny (Zachary Gottsagen), que tem Síndrome de Down. Prestes a perder a casa
onde mora desde criança, Lynette tem apenas algumas horas para pagar um
empréstimo ao banco, devendo depositar 25 mil dólares. Como conseguir todo esse
dinheiro em tão pouco tempo? A resposta a esta pergunta é o mote do filme, pois
exigirá de Lynette uma verdadeira jornada de desafios durante a noite e
madrugada, quando embarca no submundo criminal de Portland. É um filme bastante movimentado, combinando situações inusitadas de
grande perigo, o que alimenta o suspense do começo ao fim. Completam o elenco
Julia Fox, Stephan James e Michael Kelly. É claro que o destaque maior é a inglesa
Vanessa Kirby, uma bela atriz e muito competente, como já comprovou em filmes
como “Pieces of Woman”, pelo qual foi indicada ao Oscar, “Napoleão” e “Missão
Impossível: Acerto de Contas”, entre outros. Vanessa arrasa mais uma vez em “A
Noite Sempre Chega”.
terça-feira, 19 de agosto de 2025
“CONFINADO” (“LOCKED”), 2025,
Estados Unidos, 1h35m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de David Yarovesky,
seguindo roteiro assinado por Michael Arlen Ross. Eddie Barrish (o ator sueco Bill
Skarsgard), um marginal “pé de chinelo” que sustenta a família praticando
furtos e traficando drogas, assim como as consome, percorre as ruas de Los
Angeles procurando novas vítimas. Quando vê um SUV de luxo – na verdade um Land
Rover Defender – em um estacionamento, resolve arrombar uma porta para furtar possíveis
objetos de valor do seu interior. Para sua surpresa, a porta do motorista
estava aberta. Ele entrou... e não saiu mais. O veículo foi adaptado para
trancar quem ousasse entrar. Resultado: Eddie caiu numa armadilha sofisticada e
mortal, sofrendo torturas inimagináveis. O dono do carro, saberíamos depois, é um sujeito
misterioso que assume o papel de justiceiro, um senhor chamado William (Anthony
Hopkins). O espectador terá a oportunidade de acompanhar praticamente dentro do
veículo o sufocante martírio do marginal até o desfecho. Essa história foi
inspirada em um caso real ocorrido na cidade de Córdoba, na Argentina, em 2016,
que também serviu de base para outros dois filmes antes deste, o argentino “4x4”,
de 2019, e o brasileiro “A Jaula”, de 2016. Segundo a crítica, “Confinado” é
muito melhor, pois conta com dois atores de ponta. O sueco Bill Skarsgard conquistou
Hollywood depois de atuar em filmes como “O Corvo”, “IT – A Coisa” e “Nosferatu”.
Anthony Hopkins dispensa apresentações. Enfim, um suspense da melhor qualidade.
domingo, 17 de agosto de 2025
“O FALSIFICADOR” (“DER
PASSFÄLSCHER”), 2022, Alemanha, 1h57m, em cartaz na Prime
Vídeo, roteiro e direção de Maggie Peren (“Um Dia para Sempre”). O filme,
baseado em fatos reais, conta a história do artista gráfico judeu Cioma
Schönhaus (1922/2015), cujas memórias serviram de base para o roteiro. Em 1942,
Cioma, aos 21 anos, falsificou seu documento de identidade para não ser preso e
enviado para algum campo de concentração. Ele passou a ser um oficial da marinha
alemã. Não demorou muito para ser procurado por uma organização de ajuda
humanitária para falsificar documentos de judeus. Com esse trabalho, ele salvou
centenas de pessoas durante a Segunda Guerra Mundial. Claro, passou muito perigo, pois era “visitado”
constantemente por um agente da Gestapo, a polícia do regime de Hitler, além de
ser vigiado de perto pela síndica nazista do prédio onde morava com um amigo. Em meio a
essa turbulência, Cioma ainda teve tempo de viver um romance com a jovem Gerda,
cujo namorado lutava no front. Cioma foi interpretado brilhantemente pelo ator Louis Hofmann,
da série “Dark”. Completam o elenco Jonathan Berlin, Luna Wedler e Nina
Gummichj. O filme é um tanto arrastado e filmado, na maioria das cenas, em
ambientes escuros. Vale pela história, mais uma da fonte inesgotável de
histórias ambientadas durante a Segunda Grande Guerra.
quinta-feira, 14 de agosto de 2025
“AMEAÇA NO AR” (“FLIGHT RISK”), 2025, Estados Unidos, 1h31m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro de Jared Rosenberg e direção de Mel Gibson. Este suspense de ação é o sexto longa-metragem dirigido pelo ator e cineasta Mel Gibson, que não está no elenco, reduzido praticamente a apenas três protagonistas: Mark Wahlberg, Michelle Dockery e Topher Grace. A agente federal dos EUA, Madolyn Harris (Dockery) vai para o Alasca com a missão de deter Winston (Topher), uma testemunha importante contra um chefão da Máfia. Um pequeno avião é requisitado para transportar a agente e o passageiro importante. O piloto é Daryl Booth (Wahlberg). A situação irá se complicar durante o voo, e não será por nenhuma tempestade, turbulências ou mesmo um problema mecânico. É melhor deixar o espectador assistir e não estragar as surpresas reservadas pelo roteiro. Gostaria de destacar, em primeiro lugar, a presença da atriz inglesa Michelle Dockery, que ficou conhecida por interpretar o papel de Lady Mary Crawley na série “Downton Abbey”. O filme garante muito suspense até o desfecho. Méritos ao diretor Mel Gibson, que já havia provado sua qualidade como cineasta desde o seu primeiro filme, “O Homem sem Face” (1993), e depois em “Coração Valente” (1995), “Apocalypto” (2006), “A Paixão de Cristo” (2007) e “Até o Último Homem” (2016). Seu mérito em “Ameaça no Ar” foi segurar a tensão desde o começo, colocando o espectador preso na poltrona e aflito para chegar ao desfecho.
terça-feira, 12 de agosto de 2025
“VÊNUS” (“VENUS”), 2022,
Espanha, 1h40m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Jaume Balagueró (“REC”, “Enquanto
Você Dorme”), que também assina o roteiro com a colaboração de Fernando
Navarro. A história é baseada no conto “The Dreams in the Witch House” escrito
pelo romancista norte-americano H.P. Lovecraft (1890-1937). O filme é meio
maluco e conta com vários ingredientes, tudo junto e misturado: suspense, terror trash,
sobrenatural, bruxaria, humor negro, drama familiar e muito sangue jorrando na
telinha. O conjunto da obra não é ruim, pois prende a atenção do começo ao fim.
Começa com a dançarina Lúcia (Ester Expósito, da série “Elite”) roubando uma
carga de drogas do clube noturno, cujo proprietário é um violento mafioso.
Lúcia se esconde no apartamento da irmã Rocío (Ángela Cremonte), que mora com a
filha Alba (Inés Fernández) no Edifício Venus, localizado no distrito de
Villaverde, em Madrid. Não demora muito para Lúcia descobrir que o edifício
esconde forças ocultas, vizinhos esquisitos e um apartamento mal-assombrado.
Além de estar no meio dessa confusão, Lúcia terá que lidar com os capangas do
mafioso, encarregados de recuperar a droga roubada. O filme não agradou grande parte
da crítica e muitos espectadores. Mas eu curti muito, tomei alguns sustos e
me diverti bastante. Recomendo.
domingo, 10 de agosto de 2025
A GESTORA (LA JEFA), 2022,
Espanha, 1h49m, em cartaz na Netflix, roteiro de Laura Sarmiento Pallarés e
direção de Fran Torres. Desde que a vi pela primeira vez no cinema, fazendo par
romântico com Keanu Reeves em “Caminhando nas Nuvens”, de 1995, fiquei fã
incondicional da atriz espanhola Aitana Sánchez-Gijón, principalmente por sua
beleza. Foi ao ler seu nome nos créditos de “A Gestora” que me levou a assistir
a este drama de suspense espanhol e constatar que ela, agora aos 56 anos,
continua maravilhosa. Mas o filme... Aitana faz o papel de Beatriz, uma
importante empresária do mundo da moda. É uma mulher chique, arrogante e nada
simpática no trato com seus funcionários. Até que contrata uma nova assistente,
a jovem imigrante argentina Sofia (Cumelen Sanz), que logo se mostra inteligente
e cai nas graças de Beatriz. Prestes a ser promovida na empresa, Sofia anuncia
que está grávida do seu namorado, o também imigrante colombiano Nacho (Álex
Pastrana). Beatriz vê na situação uma oportunidade de contornar uma das suas
frustações: não conseguir engravidar. Ela propõe a Sofía que cuidará dela em
sua gravidez e adotará a criança. Tudo na base de um contrato. Sofía é colocada
em isolamento na mansão de Beatriz e, para a namorado, diz que vai trabalhar em
Londres por um tempo. Aos poucos, porém, todo esse contexto dramático acaba em alguns
imprevistos e é aqui que começa o suspense que traz a expectativa de uma tragédia
no desfecho. O filme até que vai bem até perto do final, quando desanda numa
série de situações pouco convincentes, inclusive no desfecho abrupto. Difícil
recomendar.
sábado, 9 de agosto de 2025
“UMA VIDA HONESTA” (“ETT ÄRLIGT
LIV”), 2025, Suécia, 2h2m, em cartaz na Netflix, direção de
Mikael Marcimain, seguindo roteiro assinado por Linn Gottfridsson. A história é
baseada no romance homônimo escrito por Joakim Zander. O jovem Simon (Simon
Lööf) chega à cidade de Lund para concretizar o sonho de se formar em Direito
na faculdade local, uma das mais prestigiosas do país. Em seu primeiro dia,
acaba se envolvendo numa manifestação estudantil, onde conhece Max (Nora Rios),
uma ativista ligada ao movimento anarquista, cena que lembra o emblemático ano
de 1968. Simon se instala num quarto alugado em uma casa onde vivem outros dois
jovens universitários certamente de famílias ricas. Ele tenta se integrar ao
ambiente da casa, mas fica incomodado com os luxos de seus vizinhos. Outro
incômodo ele encontra nas aulas de Direito, um tanto pedantes e conservadoras,
acabando por iludi-lo em suas expectativas. Quando reencontra Max, o caminho
está aberto para uma transição. Ela o leva para conhecer a república underground
onde mora com outros estudantes, numa casa pertencente a um veterano
professor adepto do anarquismo. Simon se identifica com o pensamento do grupo,
conhecido como “Bandits”. Para ingressar nele, Simon é obrigado a passar por um
teste: roubar relógios de uma relojoaria de luxo. Manipulado por Max, por quem
se apaixona, Simon começa a esquecer “a vida honesta” que pretendia seguir. O
filme é muito interessante por explorar um pano de fundo social e político num
país de primeiro mundo. Recomendo.
segunda-feira, 4 de agosto de 2025
“ANJOS DO DESERTO” (“DIRTY ANGELS”), 2024, Estados Unidos, 1h44m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do veterano cineasta neozeland|ês Martin Campbell (“A Lenda do Zorro”, “A Marca do Zorro”, “007 Contra Golden Eye”, “007 - Cassino Royale”), que também assina o roteiro com Alissa Sullivan Haggis e Jonas McCord. Soldados de uma unidade de comando internacional composta apenas por mulheres se passam por membros de uma organização de ajuda humanitária para tentar resgatar jovens missionárias sequestradas no Afeganistão por Amir (George Iskandar), líder de um grupo terrorista islâmico. Amir pede uma quantia absurda para liberar as moças. Liderado pela experiente Jake (Eva Green), o grupo de soldados parte para o Afeganistão, onde enfrentarão muitos desafios para chegar até as moças sequestradas. Além de Eva Green, irreconhecível, e Iskandar, estão no elenco Maria Balakova, Ruby Rose, Emily Bruni, Rona-Lee Shimon, Laëtitia Eido e Christopher Backus. Embora o roteiro não ajude, pelo menos as cenas de ação são bem feitas, mas o resultado final deixa muito a desejar.
quinta-feira, 31 de julho de 2025
“OS RADLEY” (“THE RADLEYS”), 2024,
Inglaterra, 1h51m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro assinado por Talitha
Stevenson e direção do cineasta galês Euros Lyn (“Armadilha Mortal”, “Dream
Horse”). A história é baseada no livro homônimo escrito por Matt Haig em 2010. Misto
de comédia e terror, o filme é centrado na família Radley, um casal com dois
filhos adolescentes. Uma família aparentemente normal de um bairro classe média
em Londres. O segredo que cerca a família não é nada normal: eles são descendentes
de vampiros. Só o pai, o médico Peter Radley (Damian Lewis), e a mãe, Helen
(Kelly MacDonald), sabem disso. O casal segura o instinto vampirístico num trabalho
psicológico tipo “Alcoólicos Anônimos”, que transformou ambos em vampiros “abstêmios”.
Somente depois que a filha Clara (Bo Bragason) morde o primeiro pescoço é que o
segredo familiar vem à tona, obrigando o casal a contar a trágica verdade. A situação piora muito mais quando surge no
pedaço o irmão de Peter, Will (interpretado também por Damian Lewis), este sim
um vampiro assumido. Um vizinho da família, o policial aposentado Jared
Copleigh (Shaun Parkes), coincidentemente obcecado por vampiros (haja
coincidência!), começa a desconfiar do entra e sai da casa dos vizinhos. Até
que seu filho, o também adolescente Evan (Jay Lycurgo) acaba sendo vítima do “sanguinário”
Will. Apesar do bom elenco, o filme não engrena, pois perde o ritmo a partir da
sua metade, culminando com um desfecho pouco convincente e desconexo. Trocando em
miúdos, o resultado final é decepcionante.
quarta-feira, 30 de julho de 2025
“QUANDO A GUERRA ACABAR” (“NAR
BEFRIELSEN KOMMER”), 2023, Dinamarca, 1h40m, em cartaz na Prime
Vídeo, direção de Anders Walter, que também assina o roteiro com a colaboração
de Miriam Nørgaard. Baseada em fatos reais, a história acontece na Dinamarca no
final da Segunda Guerra Mundial. O exército alemão, prestes a sair daquele país
depois de ocupá-lo desde o início do conflito, obriga um diretor de escola a
acolher cerca de 500 refugiados alemães, entre idosos, mulheres e crianças.
Pressionado pela população local – infelizmente não é nomeada a cidade, um
defeito do filme -, o diretor Jakob (Pilou Asbaek) se recusa a dar alimentos e
remédios aos refugiados para não ser chamado de colaboracionista. Instalados no
ginásio da escola, os recém-chegados começam a morrer de doenças e de fome.
Sensibilizado com a situação, porém, Jakob, com a ajuda da esposa Lis (Katrine
Greis-Rosenthal), começa a ajudar os alemães, arriscando-se a ser preso e até
morto pelo pessoal da resistência dinamarquesa. Enfim, mais um drama de guerra recordando
uma história trágica e ao mesmo tempo comovente. É o cinema dinamarquês tentando cicatrizar
as feridas da Segunda Guerra Mundial.
domingo, 27 de julho de 2025
“A MISTAKE” (a
Prime Vídeo manteve o título original, cuja tradução literal é “Um Erro”), 2024,
coprodução Nova Zelândia/Inglaterra, 1h41m, roteiro e direção da cineasta neozelandesa
Chistine Jeffs. Baseada no livro homônimo de Carl Shuker, a história é centrada
na médica-cirurgiã Elizabeth Taylor (Elizabeth Banks). Durante uma cirurgia de
rotina, aparentemente a retirada do apêndice, Taylor transfere um procedimento para o seu
médico-residente Richard (Richard Croughley), que comete um erro. A paciente
vai para a UTI, mas morre logo depois. A direção do hospital abre uma
investigação sobre o caso, o que resulta numa série de consequências nada
agradáveis para a médica, incluindo uma tragédia. Taylor bate de frente com a
direção do hospital, assumindo a responsabilidade pelo ocorrido e isentando seu
assistente pelo erro. Uma confusão danada. Não bastasse essa situação, Taylor
ainda enfrentaria um problemaço ao aceitar cuidar do cachorro de uma amiga.
Completam o elenco Simon McBurney, Mickey Sumner e Acacia O’Connor. O destaque
é, sem dúvida, a atriz norte-americana Elizabeth Banks, que aos 51 anos
continua bonita e ótima atriz, como já demonstrou em inúmeros outros filmes. Enfim,
“A Mistake” é um drama bastante eficiente. Recomendo.





















