“O SILÊNCIO DA VINGANÇA” (“SILENT
NIGHT”), 2023, Estados Unidos, 1h44m, em cartaz na Prime Vídeo,
direção de John Woo, seguindo roteiro assinado por Robert Archer Lynn. Filme
mudo em pleno século XXI? Pois é, o filme não tem diálogos, apenas gritarias, barulho de
tiros, pancadarias, derrapagens,
perseguições. Estamos em Los Angeles, onde a violência urbana e a guerra entre
gangues levam pânico à população – não lembra uma tal de cidade maravilhosa? Num
desses tiroteios, uma bala perdida atinge e mata um garoto de 7 anos que
brincava com o pai e mãe no jardim da casa. Brian Godlook (Joel Kinnaman), o
pai, leva um tiro no pescoço e perde a voz. Ele se recupera do ferimento e jura
vingança. Passa o ano inteiro treinando artes marciais, tiro ao alvo e derrapagens
no Mustang usado que acabara de comprar. O filme segue um longo caminho sem
qualquer ação e ficamos sentados na poltrona assistindo Brian se exercitando, o
que exige muito da nossa paciência. Além de Kinnaman, o elenco de “mudos” conta com
Catalina Sandino Moreno, Harold Torres, Valeria Santaella, Kidi Cudi e Anthony
Giulietti. Só no desfecho é que a ação toma conta, com boas cenas executadas
com maestria pelo cineasta chinês John Woo. O resultado final, porém, é
decepcionante. “O Silêncio da Vingança” foi considerado pela crítica
especializada como o pior filme de Woo em Hollywood - seu último filme na terra de Trump foi "O Pagamento", em 2003. E olha que o cineasta chinês
tinha o crédito de ter dirigido ótimos filmes de ação nos States, tais
como “O Alvo” – seu primeiro nos Estados Unidos, em 1990, com Jean-Claude Van
Damme -, além de “A Outra Face”, “O Alvo”, “Fervura Máxima” e “Missão
Impossível 2”, entre outros. Não à toa que “O Silêncio da Vingança” foi um
grande fracasso de bilheteria nos Estados Unidos e no Canadá. Realmente, muito
fraco.
sábado, 15 de março de 2025
quinta-feira, 13 de março de 2025
“DELICIOUS” (a
Netflix manteve o título original), 2025, Alemanha, 1h42m, roteiro e direção de
Nele Mueller-Stöfen (é o seu primeiro longa). Suspense na linha de “Parasita” e
“O Menu”, explorando a questão da luta de classes. Neste filme alemão, falado
em francês, alemão e inglês, uma família rica vai passar as férias de verão em
sua luxuosa vila francesa na Provença. Numa noite, voltando de um restaurante,
o carro da família atropela uma jovem. O desespero toma conta de John (Fahri
Yardim), o pai, que dirigia o veículo e tinha bebido um pouco a mais. Sua
esposa, Esther (Valerie Pachner), resolve cuidar da moça pessoalmente, evitando
levá-la para um hospital e também uma eventual comunicação à polícia, já que o
marido havia bebido. A vítima, Theodora (Cara Días), de origem espanhola, acaba
se aproximando da família até ser contratada como empregada da casa. Theodora,
porém, tem planos sórdidos para a família, começando por influenciar Esther a
se aventurar fora do casamento. Aos poucos, a gente percebe que a família alemã
é bastante desajustada e que a história não acabará bem. E, pior, de uma forma
bastante trágica e inusitada, justificando o título do filme. “Delicious” é um
suspense muito interessante, que prende a atenção do começo ao desfecho. Enfim,
um filme do gênero suspense acima da média.
quarta-feira, 12 de março de 2025
“O APRENDIZ” (“THE APPRENTICE”), 2024,
coprodução Canadá/Dinamarca/Irlanda/Estados Unidos, em cartaz na Prime Vídeo, direção do cineasta iraniano Ali Abbai (“Holy Spider”, “Border”), seguindo
roteiro assinado por Gabriel Sherman. Com primorosa recriação de época – anos 70
e 80 -, o filme mostra a ascensão vertiginosa do jovem Donald Trump (Sebastian
Stan) no mercado imobiliário de Nova Iorque, desde a construção do Grand Hyatt
Hotel de Manhatan, em 1978, seu primeiro grande empreendimento. O roteiro destaca não
apenas o lado empresarial do futuro presidente dos Estados Unidos, como também
a relação conflituosa com sua família, o casamento com a modelo tcheca Ivana (Maria
Bakalova) e, principalmente, sua relação com o advogado Roy Cohn (Jeremy
Strong), responsável por ensinar Trump as artimanhas, truques e como negociar –
nem sempre de forma honesta - e sair sempre ganhando. O lema que Cohn
aconselhou Trump a adotar: atacar, negar todas as acusações e nunca aceitar a
derrota. Entre os demais atores mais conhecidos do ótimo elenco estão Martin
Donovan, Catherine McNally e Charlie Carrick. O destaque maior fica, sem dúvida, por conta
do ator romeno Sebastian Stan, que também está nas telas com os filmes “Um
Homem Diferente” e “Capitão América: Admirável Mundo Novo”. A impressionante
interpretação de Stan como Trump o levou a ser indicado ao Oscar 2025 como
Melhor Ator – “O Aprendiz” também disputou o Oscar 2025 na categoria Melhor
Filme. Não venceu, como era esperado, em nenhuma das duas, já que os membros votantes
da Academia nos EUA, em sua maioria, são ativistas do partido democrata e nunca
gostaram de Trump. Aliás, o próprio Donald Trump não gostou do filme, achando que atrapalharia sua campanha. Eu achei um filmaço.
sábado, 8 de março de 2025
“OS ASSASSINATOS DE BUCKINGHAM”
(“THE BUCKINGHAM MURDERS”), 2024, Índia, 1h47m, em
cartaz na Netflix, direção de Hansal Mehta (“Omertá”, "Quando Bangladesh Chorou”),
seguindo roteiro de Aseem Arrora, Raghav Raj Kakker e Kashyap Kakker. Embora
seja indiano, ou seja, produzido por Bollywood, o filme é todo ambientado na
Inglaterra, falado em inglês e hindi, assim como o elenco e equipe técnica é formada por indianos e ingleses. A personagem principal é a detetive Jass
Bhamra (Kareena Kapoor, uma das atrizes mais conhecidas do cinema indiano), da
polícia de Londres. Quando ocorre o assassinato de um adolescente na cidade de
Buckinghamshire, Jass é designada para ajudar o detetive local, Hardik Patel
(Ash Tandon), a encontrar os responsáveis pela morte do garoto. Uma
investigação dolorida para Jass, que pouco tempo antes viu seu filho ser
assassinado e arrasta esse trauma até agora. A vítima de Buckinghamshire é filho
adotivo de uma família de indianos, cuja comunidade é grande na cidade. O
roteiro coloca à frente do espectador vários suspeitos, mas o verdadeiro
somente será revelado no final. Aliás, um desfecho surpreendente. Só como
informação adicional, a criação da detetive Jass Bhamra foi inspirada na
personagem de Kate Winslet na minissérie “Mare of Easttown”, de 2021.
Resumindo, “Os Assassinatos de Buckingham” é um bom suspense, mas não oferece nenhum grande motivo para merecer uma indicação entusiasmada.
quinta-feira, 6 de março de 2025
“O REFORMATÓRIO NICKEL” (“NICKEL
BOYS”), 2024, Estados Unidos, 2h20m, em cartaz na Prime Vídeo,
roteiro e direção de Ramell Ross. A história é baseada no livro “The Nickel
Boys”, escrito por Colson Whitehead, lançado em 2019 e premiado com o Pulitzer.
Indicado ao Oscar 2025 em duas categorias, Melhor Filme e Melhor Roteiro
Adaptado, o filme não é muito fácil de digerir, principalmente pela forma com
que o cineasta resolveu adotar para filmar a história. Segundo o material de
divulgação, o romance foi inspirado em fatos reais ocorridos nos anos 60 do
século passado no Dozier School for Boys, localizado na Flórida. Não sei se o
diretor Ramell Ross teve um surto de criatividade psicodélica ou resolveu
incorporar o estilo maluco do intragável cineasta Terrence Malick, outro autor
de filmes sem pé nem cabeça. De forma surreal, com enquadramentos esquisitos,
personagens que dialogam com a câmera e reprodução de fotos e vídeos da época,
o filme coloca em discussão temas como o racismo e a violência que imperavam
nos Estados Unidos naquela década efervescente. Os personagens principais da história
são os adolescentes Elwood (Ethan Herisse) e Turner (Brandon Wilson), que ficam
amigos e confidentes no reformatório. Se o diretor Ramell Ross tivesse o bom
senso de contar a história de forma normal, o filme certamente seria bem melhor
de assistir. Mas ele preferiu arriscar em uma maneira de filmar totalmente
foram dos padrões, pensando que é um gênio. No meu entender, fracassou redondamente,
pois o filme é muito chato, arrastado, insuportável. Alguns críticos
profissionais afetados elogiaram, mas nem suas indicações ao Oscar foram
capazes de me sensibilizar. Uma coisa é certa: é preciso muita paciência para
chegar até o final.
segunda-feira, 3 de março de 2025
“BASTION 36”, 2025,
França, 2h4m, em cartaz na Netflix (que manteve o título original), direção de Olivier
Marchal, que também escreveu o roteiro inspirado no livro “Flic Requiem”, de
Michel Tourscher. A assinatura do cineasta Olivier Marchal é aval garantido
para um bom filme policial de ação (leia no fim do comentário alguns filmes dirigidos
por ele). Este “Bastion 36” não é dos seus melhores, mas mantém alguns aspectos
do seu estilo, como muita pancadaria, violência extrema, perseguições
eletrizantes e, principalmente, corrupção policial. A história é centrada no
capitão Antoine Cerda (Victor Belmondo, neto do falecido ator Jean-Paul Belmondo),
comandante da Brigada de Investigações de Paris. Perito em artes marciais, ele
complementa seu salário participando de lutas clandestinas. Depois de uma
delas, ele entra numa briga de rua e nocauteia dois homens. O caso chega ao
conhecimento dos seus superiores, que resolvem transferi-lo para outra
delegacia. Logo depois, dois de seus ex-colegas são assassinados, um outro
ex-colega desaparece e sua namorada também policial sofre um atentado e fica em
estado crítico. Por conta própria, Antoine começa a investigar para tentar
descobrir quem são os responsáveis por tudo isso. Será que foi o crime
organizado ou gente da própria polícia? Tudo será esclarecido no desfecho, mantendo
o suspense e a atenção do espectador. Como disse no começo, não é o melhor de
Marchal, nem muito menos o pior. Do diretor recomendo filmes como “36”, “Bronx”,
“Pacto de Sangue”, “Carbono”, “MR-73”, “Overdose” e a série “Marselha em Perigo”.
domingo, 2 de março de 2025
“INVASÃO DE LUA DE MEL” (“LUNE
DE MIEL AVEC MA MÈRE”), 2025, França, 1h33m, em cartaz na Netflix,
direção de Nicolas Cuche, que também assina o roteiro com Laurent Turner e
Laure Hennequart. Trata-se de uma comédia francesa, remake do filme espanhol
“Lua de Mel com a Minha Mãe”, de 2022, que também está na Netflix. Como não
assisti a comédia espanhola, fico isento de fazer uma comparação, mas posso
afirmar que a versão francesa é bem divertida, mas irregular no ritmo. Tudo
começa quando Lucas (Julien Frison) é abandonado pela noiva Élodie (Camille
Aguilar) em pleno altar. A viagem de lua de mel para as paradisíacas ilhas
Maurício já estavam pagas. Como não conseguiu o reembolso, Lucas aceitou ir com
a própria mãe Lily (Michèle Laroque). Os valores acertados com o resort
compreendiam uma série de mordomias, somente concedidas a casais em lua de mel.
Dessa forma, Lucas e a mãe se registram como um casal. Claro que a diferença
de idade é logo percebida pelos funcionários do resort como também pelos demais hóspedes, gerando algumas situações bem
engraçadas. Do meio para o fim, porém, o filme perde o ritmo inicial, mas sem
prejudicar o resultado final. Também estão no elenco Kad Merad, Margot Bancilhon,
Gilbert Melki e Rossy De Palma. Programa ideal para dar um período de descanso aos neurônios.
sábado, 1 de março de 2025
“PRESSÃO MÁXIMA” (“CESTA DO
TMY”), 2023, República Tcheca, 1h20m, em cartaz na Prime Vídeo,
roteiro e direção de Jirí Svoboda. A história é baseada no livro “The Little
Girl”, de Martin Goffa. Começa quando um homem invade um banco de arma na mão e
faz vários reféns, entre eles duas crianças e o ministro das Relações
Exteriores do país. Aparentemente sua intenção é assaltar o banco. Mas aos poucos
o espectador ficará sabendo quem é ele e os motivos que o levaram a esta atitude tresloucada. A polícia
e a tropa de elite logo chegam e cercam o quarteirão. Enquanto o suspense rola
solto dentro do banco, o sujeito ameaçando matar um e outro, o roteiro dá
espaço para vários flashbacks que explicam o seu surto de violência. O
espectador fica sabendo que o homem é um renomado cientista, cuja filha
adolescente acabara de morrer de overdose de drogas. Vladimir (Matej Hádek) culpa
o sistema judiciário do país por abrandar as penas dos traficantes – como
acontece com a maioria dos países ocidentais (aqui, nem se fala). Resumindo,
Vladimir, com sua atitude, quer chamar a atenção das autoridades e dos
legisladores. A polícia tenta negociar a soltura dos reféns e, para isso,
recruta uma ex-namorada de Vladimir. O clima de tensão segue firme até o
desfecho, consagrando um filme acima da média. Concluindo, é impossível não se
sensibilizar com a situação de Vladimir, principalmente quem é pai nos dias de
hoje.
terça-feira, 25 de fevereiro de 2025
“O LUTADOR DE AUSCHWITZ” (“MISTRZ”), 2022,
Polônia, 1h31m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Maciej Barczewski.
A história é baseada em fatos reais. O personagem principal é Tadeusz
Pietrzykowski (1917-1991), soldado polonês preso pelos alemães na invasão da
Polônia. Em 1940, ele e outros prisioneiros, em sua maioria judeus, foram os
primeiros a chegar ao recém-inaugurado campo de concentração de Auschwitz, em
1940. Antes de ingressar no exército, Pietrzykowski era um campeão de boxe da
categoria peso-galo (entre 57 e 61 quilos). Para entreter os soldados alemães
no campo de concentração e conseguir rações alimentares adicionais, as quais
dividia com os outros presos, “Teddy” começou a participar de algumas lutas,
primeiro contra prisioneiros, depois contra soldados alemães. Não perdeu nenhuma,
embora tenha lutado com oponentes de maior peso, como foi o caso do peso-pesado
alemão Schally Hottenbach, ”O Martelada”, também nocauteado pelo polonês. O
filme não se concentra apenas no boxeador e nas suas lutas. As cenas de maior
impacto são aquelas que mostram o tratamento cruel dado aos prisioneiros, as
torturas às quais eram submetidos e os assassinatos a sangue frio. As mais
chocantes são aquelas que mostram as filas formadas por homens, mulheres e
crianças para ingressarem nos chamados “recintos de banho”, quando na verdade caminhavam
para a morte por gás. Enfim, “O Lutador de Auschwitz” é um filme obrigatório,
embora muito triste e impactante. Mas faz parte de um capítulo negro da
história mundial e que, por isso mesmo, deve ser visto.
domingo, 23 de fevereiro de 2025
“PISCINA INFINITA” (“INFINITY
POOL”), 2023, coprodução Canadá/Hungria/França, 1h58m, em cartaz
na Netflix, roteiro e direção de Brandon Cronenberg (filho do renomado e
polêmico cineasta canadense David Cronenberg). Alerto de cara, trata-se de um
filme de terror maluco, indigesto, sem pé e cabeça, tronco e membros. Um casal viaja de
férias para uma ilha (fictícia) chamada La Tolqa. Ele é James Foster (Alexander
Skarsgard), um escritor em crise de criatividade com apenas um livro publicado.
Ela é Ern Foster (Cleopatra Coleman), de família rica e, aparentemente, a fonte
de dinheiro que sustenta o casal. Eles se hospedam num resort e conhecem outro
casal, Gabi Bauer (Mia Goth) e Alban Bauer (Jalil Lespert). Segundo as regras
estabelecidas pelo governo da ilha, os turistas hospedados no resort não podem
sair de suas imediações. Os dois casais, porém, alugam um carro e resolvem sair
escondidos para conhecer melhor os lugares naturais da ilha. Na volta, à noite,
o veículo atropela um homem na estrada. Como Foster é quem dirigia, ele é preso
e condenado à morte, a não ser que pague para que seja criado um clone para
morrer no seu lugar. Aí começa toda a loucura na telinha, todo mundo cheirando a
fumaça de uma erva alucinógena. O diretor deve ter cheirado também, pois o
filme se transforma num caleidoscópio psicodélico, com imagens de entortar os
olhos. Ou seja, nada compreensíveis. Como curiosidade, descobri que as
filmagens foram realizadas no resort Amadria Park, em Sibenik, Croácia, e em
locações da Hungria. Para resumir o que é esse filme separei dois comentários
de críticos profissionais. Michael O’Sullivan, do The Washington Post: “Um
enredo de revirar os olhos. Brandon, o diretor, herdou alguns dos piores
excessos do pai: violência fetichista e sexualização gratuita”. David Rooney,
do The Hollywood Reporter: “Filme carece de substância e tem enredo bobo,
superficial, frio e úmido”. Modestamente, como cinéfilo amador, também resolvi
colocar minha colher nesse angu: “O filme é ridículo, realizado única e
exclusivamente para causar polêmica. Enfim, um filme totalmente dispensável”.
sábado, 22 de fevereiro de 2025
“MORTE ANTES DO CASAMENTO” (“ZGON
PRZED WESELEM”), 2025, Polônia, 1h46m, direção de Tomasz Konecki
e Iwona Ogonowska-Konecka, seguindo roteiro escrito por Hanna Wesierska e
Karolina Szymczyk-Majchrzak. Comédia leve, simpática e agradável de assistir.
Numa pequena cidade do interior, o gerente de uma fábrica de laticínios é
encontrado morto e a dúvida é quem o substituirá, gerando uma acirrada disputa
entre os funcionários, um deles Mirek (Tomasz Kapolak), o mais antigo e, portanto, o mais indicado. Só tem um problema: a situação financeira da
empresa é preocupante. Como se não bastasse, Maja (Natalia
Iwanska), filha de Mirek, chega à cidade para apresentar seu noivo, o holandês
Milosz (Gamou Fall), que por ser negro de início não agrada a família, mas Maja
anuncia que vai se casar com ele nos próximos dias. Graças ao roteiro esperto,
todas essas situações rendem bons momentos de humor. Alguns deles, porém,
dispensáveis, como a cena em que as mulheres descem um morro virando cambalhotas.
Dispensável e sem graça. Entretanto, o filme como um todo agrada como comédia, proporcionando
um entretenimento leve e divertido. Completam o elenco Agnieszka Suchora,
Paulina Garazka, Waleria Gorobets, Natalia Sitarska e Antoni Pauwlicki, só para citar os mais conhecidos.
terça-feira, 18 de fevereiro de 2025
“FORÇA DA NATUREZA – THE DRY 2”
(“FORCE OF NATURE: THE DRY 2”), 2024, Austrália, 1h52m, em
cartaz na Prime Vídeo, direção de Robert Connolly (“Segredos do Passado”). A
história é baseada no livro “Force Of Nature”, de Jane Harper, também autora do roteiro juntamente com o diretor. Trata-se de um suspense policial com pouca ação, sem tiros, sem
pancadarias, sem perseguições. Começa com um grupo de cinco mulheres
participando de um ridículo roteiro corporativo, ou seja, funcionárias de uma
empresa tentando se integrar e trabalhar em equipe. A missão delas é fazer uma
longa caminhada no meio de uma floresta, enfrentando subidas e descidas íngremes,
mosquitos, aranhas, noites frias etc. Sem experiência em enfrentar tal tipo de desafio, as
moças acabam perdidas. Quando conseguem voltar da caminhada, uma delas simplesmente sumiu. O
desaparecimento da moça é comunicado à polícia, que envia os agentes Aaron Falk
(Eric Bana) e Carmen Cooper (Jacqueline McKenzie) para investigar o caso. Entre
inúmeros flashbacks mostrando as cinco mulheres na floresta, o filme
destaca os interrogatórios dos policiais com as quatro sobreviventes. Muito blá
blá blá e pouco conteúdo. Aparece até a possibilidade da moça desaparecida ser uma informante da polícia sobre um esquema de lavagem de dinheiro. E finalmente
chega o desfecho, que todo espectador ficou torcendo para chegar logo, pois o
filme é muito fraco. Participam também do elenco Anna Torv, Sisi Stringer, Debora-Lee
Furness, Richard Roxburg, Jeremy Lindsay
Taylor, Ash Ricardo, Robin McLeavy e Lucy Ansell.
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025
“CONTRATO PERIGOSO” (“THE
CONTRACTOR”), 2022, Estados Unidos, 1h44m, em cartaz na
Prime Vídeo, direção do cineasta sueco Tarik Saleh (“Metropia”, “O Garoto dos
Céus”, “Tommy”), seguindo roteiro de J.P. Davis. Filme de ação trazendo o ator
Chris Pine como James Harper, fuzileiro naval dispensado das Forças Especiais
dos EUA depois de um exame de sangue. Atolado em dívidas e preocupado em
sustentar a mulher e o filho, ele concorda em participar de uma missão para uma
organização secreta paramilitar comandada por Rusty Jennings (Kiefer
Sutherland). Juntamente com o ex-companheiro de exército Mike (Ben Foster) e
outros dois mercenários, Harper vai para Berlim com o objetivo de se apoderar de
uma fórmula secreta referente supostamente a uma arma química que seria
utilizada por terroristas islâmicos. Depois de concluída a missão, o grupo de
Harper é cercado pela polícia berlinense, e apenas ele e Mike conseguem
escapar, se escondendo no que parece ser um túnel de esgoto. Depois de ficar
perambulando por Berlim, Harper consegue retornar aos Estados Unidos, quando
descobrirá uma trama das mais sórdidas que o levará a uma vingança. Ou seja, uma reviravolta no enredo que
colocará tudo nos seus devidos eixos. O filme conta com ainda no elenco com a atriz
alemã Nina Hoss numa participação especial, Fares Fares e Eddie Marsan. Como
filme de ação, “Contrato Perigoso” até que funciona, mesmo que a história não
seja muito convincente.
sábado, 15 de fevereiro de 2025
“O ASSASSINO DO CALENDÁRIO” (“DER
HEIMWEG”), 2024, Alemanha, 1h37m, em cartaz na Prime Vídeo, direção
de Adolfo J. Kolmerer, seguindo roteiro assinado por Susanne Schneider. A
história é baseada no livro “Walk Me Home”, best-seller escrito por
Sebastian Fitzek. Jules (Sabin Tambrea), atendente de um serviço telefônico de
apoio à segurança de mulheres solitárias a caminho de suas casas à noite e de madrugada, recebe a
ligação de uma mulher desesperada que diz estar sendo seguida pelo Assassino do
Calendário. Ela se identifica como Klara (Luise Heyer) que, depois ficaremos
sabendo, é esposa de Martin (Friedrich Mücke), um funcionário do alto escalão
do governo alemão prestes a ser nomeado secretário. Martin costuma agredir
Klara, além de colocá-la frequentemente em situações constrangedoras, como numa
ida a um clube exclusivo, onde ela é agredida e estuprada. Enquanto conversa
com Jules, Klara é perseguida por um homem misterioso cuja identidade só será
revelada ao espectador no desfecho. Confesso que não entendi grande parte da
história e a motivação dos personagens com relação às suas atitudes. A
fotografia, sombria e escura o tempo todo, também dificulta o entendimento e
torna o filme ainda mais desagradável. Isso mesmo, desagradável, angustiante e
incompreensível. Faço uma exceção à ótima atuação da jovem atriz Luise Heyer,
talvez o único ponto positivo desse suspense alemão. Não vou recomendar, ressaltando, porém, que
a democracia também faz parte do cinema: assiste quem quiser.
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025
“BOA SORTE, LEO GRANDE” (“GOOD
LUCK TO YOU, LEO GRANDE”), 2022, Inglaterra, 1h37m, em cartaz
na Netflix, direção da cineasta australiana Sophie Hyde, seguindo roteiro assinado
por Katy Brand. Imagine um filme com apenas dois protagonistas em cena. O cenário
é um quarto de hotel. A professora aposentada Nancy Stokes (Emma Thompson) contrata
o garoto de programa Leo Grande (Daryl McCormack). O primeiro encontro serve
mais para os dois se conhecerem melhor através de muita conversa, confidências
e desabafos, quase uma sessão de terapia. O sexo é o tema principal, já que ela
relembra a falta dele num casamento morno, sem nenhuma emoção e nenhum orgasmo.
Ele responde lembrando o relacionamento com a mãe, que até hoje não sabe que o
filho é um garoto de programa. O sexo entre Nancy e Leo fica para o fim. No
segundo encontro, no mesmo quarto de hotel, o papo rola com mais desenvoltura, mas
o encontro não acaba bem. No terceiro encontro, depois de muita conversa, eles,
principalmente ela, se entrega totalmente e é aqui que a veterana atriz inglesa
mostra todo o seu enorme talento em algumas cenas que também exigiram muita
coragem – cenas de nudez e sexo. Embora o filme mostre apenas um casal em cena
do começo ao fim, em nenhum momento o espectador terá sono. Os diálogos são
espertos, bem humorados, e os dois atores parecem estar bem à vontade. É um
filme direcionado para um público adulto e, certamente, será melhor absorvido
pelas mulheres de meia idade, que se colocarão na pele de Nancy. O filme
recebeu indicações aos prêmios de Melhor Atriz e Melhor Ator no British Academy
Film Awards. Emma Thompson também disputou o Globo de Ouro de Melhor Atriz.
Resumo da ópera, trata-se de um filme no mínimo interessante que deve ser
visto.
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025
“CONSENTIMENTO” (“APRÈS LE
SILENCE”), 2022, França, 1h30m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de
Jérôme Cornuau (“Chic!”, “Brigadas do Tigre”, “Dissonances”), seguindo roteiro
assinado por Raphaëlle Roudaut. A temática do filme é das mais atuais: o
assédio sexual, o sexo sem consentimento, ou seja, o estupro. A história é
baseada em fatos reais. A professora Marina (Caroline Anglade) vai à polícia
denunciar o ex-marido Gregory (Clovis Cornillac), com o qual teve o filho Tom,
por violência sexual. Sem apresentar testemunhas, o caso acaba virando “Minha
palavra contra a dele”, e o caso é arquivado. Mas Marina segue em frente, ainda
mais depois que Gregory ameaça entrar na Justiça com pedido de guarda total de
Tom, alegando insanidade mental da ex-mulher e também o fato dela estar
desempregada e, portanto, sem conseguir sustentar o filho. Marina tentará de
todas as maneiras comprovar sua denúncia, nem que para isso recorra a uma
ex-namorada de Gregory, Samia (Samira Laccab) e a atual dele, Chloe (Alice
David). O espectador, e, principalmente, a espectadora, aguarda com ansiedade o
desfecho do caso. Será que Marina está mentindo? Antes dos créditos finais é
apresentado um balanço dos casos de assédio sexual e estupro na França. O filme
foi produzido e exibido pela France Télévisions. Não confundir com outro filme
francês, este de 2023, também intitulado “Consentimento” (“Le Consentement”).
terça-feira, 11 de fevereiro de 2025
“REALITY”, 2023,
Estados Unidos, 1h23m, em cartaz na Netflix, direção de Tina Satter, que também
assina o roteiro com a colaboração de James Paul Dallas. Baseada em fatos
reais, trata-se de uma adaptação para o cinema da peça de teatro “In This a
Room”, escrita por Tina Satter e encenada, com grande sucesso, na Broadway. É
quase um documentário, restrito à sala de uma casa, onde os agentes Garrick
(Josh Hamilton) e Taylor (Marchánt Davis), do FBI, em 2017, interrogam Reality
Winner (Sydney Sweeney), suspeita de fornecer informações confidenciais do
governo dos EUA para o site de notícias “The Intercept”. O interrogatório foi
gravado e sua transcrição integral serviu como base para o texto da peça e do
filme. Os diálogos do interrogatório exigem muita paciência do espectador.
Chegam a ser enfadonhos na medida em que os agentes não vão direto ao ponto, ficam
rodeando com perguntas aleatórias, tentando minar as defesas de Reality.
Verdadeiro manual de persuasão psicológica do FBI. Ainda sobre a história de Reality Winner,
presa por espionagem e traição, foi feito um filme em 2024 intitulado “A
Informante” (“Winner), em cartaz na HBO Max, muito melhor e mais esclarecedor
do que “Reality”. Na dúvida, vá de “A Informante”.
domingo, 9 de fevereiro de 2025
“A ORDEM” (“THE ORDER”), 2024,
coprodução EUA/Canadá, 1h56m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Justin
Kurzel (“Nitram”, “Snowtown”), seguindo roteiro assinado por Zach Baylin. A
história é baseada em fatos reais ocorridos no início da década de 80 narrados
no livro “The Silent Brotherhood”, de Kevin Flynn e Gary Gerhardt. Encarregado
de investigar uma série de assaltos a bancos, carros-fortes, falsificação de
dinheiro e atentados à bomba na pequena cidade de Coeur D’Alene (Idaho) e outras
cidades da região, o experiente agente do FBI Terry Husk (Judy Law) chega à conclusão
de que os crimes estão sendo cometidos por supremacistas brancos integrantes de
uma célula neonazista intitulada “A Ordem”. Auxiliado pelo detetive Jamie Bowen
(Tye Sheridan) e sua equipe da polícia local, Husk tentará conter os criminosos,
cujo principal objetivo é continuar promovendo assaltos e atentados mais violentos e até derrubar o
governo federal. O grupo racista é chefiado por Bob Mathews (Nicholas Hoult, de
“O Jurado nº 2”), um extremista fanático e violento. “A Ordem” é um filme com
muita tensão e violência, conduzido de forma magistral pelo cineasta
australiano Justin Kurzel. Garanto: é o melhor lançamento do ano, até agora, da
Prime Vídeo. Não perca!
sábado, 8 de fevereiro de 2025
“DESAPARECIDOS” (“VANISHING”),
em
cartaz na Prime Vídeo, 2022, coprodução França/Coreia do Sul, 1h28m, direção de
Denis Dercourt, que também assina o roteiro com Marion Dessout. A história é
baseada no livro “The Killing Room, escrito por Peter May. Famosa por ter
inventado uma técnica revolucionária no campo da restauração e identificação de
cadáveres danificados, a médica cientista forense francesa Alice Launey (Olga
Kurylenko) viaja para Seul (Coreia do Sul) para proferir palestras sobre sua descoberta. Durante esse trabalho ela é procurada pelo detetive Park Jin-Ho
(Yoo Yeon-Seok) para ajudá-lo a identificar uma mulher encontrada morta à beira
de um rio. As investigações prosseguem e a polícia de Seul, graças à ajuda da
médica francesa, chegam à conclusão de que o caso envolve o tráfico de órgãos
humanos. Muito suspense até o desfecho, o que prende a atenção do espectador. Além
da história em si, desenvolvida por um primoroso roteiro, a presença sempre marcante da atriz
ucraniana Olga Kurylenko é o grande trunfo do filme. As imagens de Seul,
principalmente as aéreas, são outro destaque. Outro detalhe interessante: o filme é falado em inglês, francês, coreano, mandarim e até em português. Resumo da ópera: trata-se de
um ótimo suspense, muito acima da média. Não perca!
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025
“HEREGE” (“HERETIC”), 2024, Estados Unidos, 1h51m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Scott Beck e Brian Woods (“A Casa do Terror”, “Um Lugar Silencioso”). Terror psicológico cuja história é toda ambientada num cenário único. Reúne três personagens principais: as jovens missionárias sister Barnes (Sophie Tatcher) e sister Paxton (Chloe East), além de Mr. Reed (Hugh Grant), um sujeito solitário e excêntrico. São eles que participarão de toda a trama. Começa com as missionárias chegando num casarão isolado, propriedade de Mr. Reed, aparentemente um homem bastante simpático e receptivo, mas que logo mostrará sua face tenebrosa. Tenebrosa também é a casa, que lembra muito o Bates Motel, de “Psicose”, clássico de 1960 dirigido por Hitchcock. Reparem: o plano que mostra a fachada da casa é praticamente o mesmo, tudo envolto em neblina. Dentro da casa, as missionárias e Mr. Reed conversarão muito sobre religião e questões existenciais. Essas discussões são enfadonhas e chegam a irritar o espectador. A história toda é sem pé nem cabeça, tronco e membros. Não há uma explicação plausível para o que está acontecendo. O resultado final é decepcionante. Não sei se é o caso, mas o ator inglês Hugh Grant, de tantos filmes muito bons, desta vez errou feio na escolha ou está muito precisando de grana. Mais uma vez vou contra a corrente dos comentaristas profissionais, que gostaram do filme. Eu achei muito fraco.
“A CHAVE DO PROBLEMA” (“THE
LOCKSMITH”), 2023, Estados Unidos, 1h32m, em cartaz na
Prime Vídeo, direção de Nicolas Harvard, seguindo roteiro assinado por John
Glosser, Chris Lamont, Ben Kabialis e Joe Russo. A história é centrada no
ladrão Miller Graham (Ryan Phillippe), preso no começo do filme quanto
praticava um roubo, colocando em prática sua especialidade de chaveiro. Dez
anos depois ele sai em liberdade condicional disposto a reconstruir sua vida ao
lado de Beth Fisher (Kate Bosworth), sua antiga namorada, e de Lindsay
(Madeleine Guilbot), filha de ambos. Só que Miller terá que enfrentar um problema:
April Reyes (Gabriela Quezada), irmã do parceiro de Miller no roubo, está
precisando de dinheiro e exige que ele resolva seu problema. Afinal, o irmão de
April foi assassinado durante o roubo com Miller. A situação acaba se
complicando ainda mais depois que a polícia começa a perseguir Miller acusando-o
de um novo assalto. Se não bastasse tudo isso, Beth Fisher, sua antiga namorada,
é uma destacada detetive da polícia local. Embora tenha algum suspense, o filme é de pouca ação,
acentuando o ritmo lento e uma história pouco interessante. O roteiro tem
alguns furos – não são de bala -, e a trama não deslancha em nenhum momento. Vale destacar no elenco a presença de Ryan Phillippe e Kate Bosworth, que, apesar de bons atores, nunca deslancharam em Hollywood. De
qualquer forma, dá para assistir "A Chave do Problema" (o título em português é horrível) sem compromisso com a inteligência.
domingo, 2 de fevereiro de 2025
“DE SOMBRA E SILÊNCIO” (“NE M Á
TAJEMSTVI”), 2023, República Tcheca, 1h41m, em cartaz na
Prime Vídeo, direção de Tomas Masin (“Brothers", “3 Seasons In Hell”), que
também assina o roteiro com Alice Nellis. Drama familiar, suspense, policial,
tudo junto e misturado, uma história com algumas reviravoltas e um desfecho
inesperado. O filme é centrado no veterinário Martin (Marian Mitas), que sofre
um grave acidente de trabalho – um coice de cavalo na cabeça, tem lesão cerebral
que o faz perder a habilidade de falar, prejudica os movimentos e a compreensão
do que os outros falam. O acidente terá consequências no seu casamento com
Erika (Jana Plodková) e no relacionamento desta com Dana (Milena Steinmasslová),
mãe de Martin. Em meio a este conflito familiar ainda surge em cena Jana
(Magdaléna Borová), dona da fazenda onde ocorreu o acidente. Aos poucos, alguns
segredos começam a ser revelados, tumultuando a fase de recuperação de Martin,
que tenta duas vezes o suicídio e finalmente morre sob circunstâncias bastante
misteriosas. O primoroso roteiro alterna cenas em flashbacks com a polícia
interrogando as três mulheres da vida de Martin, além de médicos e enfermeiras
do hospital onde ele é encontrado morto. A situação prende a atenção do espectador
até o incrível e surpreendente desfecho. Premiado em vários festivais europeus,
“De Sombra e Silêncio” é, sem dúvida, um dos melhores filmes já produzidos na
República Tcheca. Imperdível!





















