segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

“A CHAVE DO PROBLEMA” (“THE LOCKSMITH”), 2023, Estados Unidos, 1h32m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Nicolas Harvard, seguindo roteiro assinado por John Glosser, Chris Lamont, Ben Kabialis e Joe Russo. A história é centrada no ladrão Miller Graham (Ryan Phillippe), preso no começo do filme quanto praticava um roubo, colocando em prática sua especialidade de chaveiro. Dez anos depois ele sai em liberdade condicional disposto a reconstruir sua vida ao lado de Beth Fisher (Kate Bosworth), sua antiga namorada, e de Lindsay (Madeleine Guilbot), filha de ambos. Só que Miller terá que enfrentar um problema: April Reyes (Gabriela Quezada), irmã do parceiro de Miller no roubo, está precisando de dinheiro e exige que ele resolva seu problema. Afinal, o irmão de April foi assassinado durante o roubo com Miller. A situação acaba se complicando ainda mais depois que a polícia começa a perseguir Miller acusando-o de um novo assalto. Se não bastasse tudo isso, Beth Fisher, sua antiga namorada, é uma destacada detetive da polícia local. Embora tenha algum suspense, o filme é de pouca ação, acentuando o ritmo lento e uma história pouco interessante. O roteiro tem alguns furos – não são de bala -, e a trama não deslancha em nenhum momento. Vale destacar no elenco a presença de Ryan Phillippe e Kate Bosworth, que, apesar de bons atores, nunca deslancharam em Hollywood. De qualquer forma, dá para assistir "A Chave do Problema" (o título em português é horrível) sem compromisso com a inteligência.  

domingo, 2 de fevereiro de 2025

“DE SOMBRA E SILÊNCIO” (“NE M Á TAJEMSTVI”), 2023, República Tcheca, 1h41m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Tomas Masin (“Brothers", “3 Seasons In Hell”), que também assina o roteiro com Alice Nellis. Drama familiar, suspense, policial, tudo junto e misturado, uma história com algumas reviravoltas e um desfecho inesperado. O filme é centrado no veterinário Martin (Marian Mitas), que sofre um grave acidente de trabalho – um coice de cavalo na cabeça, tem lesão cerebral que o faz perder a habilidade de falar, prejudica os movimentos e a compreensão do que os outros falam. O acidente terá consequências no seu casamento com Erika (Jana Plodková) e no relacionamento desta com Dana (Milena Steinmasslová), mãe de Martin. Em meio a este conflito familiar ainda surge em cena Jana (Magdaléna Borová), dona da fazenda onde ocorreu o acidente. Aos poucos, alguns segredos começam a ser revelados, tumultuando a fase de recuperação de Martin, que tenta duas vezes o suicídio e finalmente morre sob circunstâncias bastante misteriosas. O primoroso roteiro alterna cenas em flashbacks com a polícia interrogando as três mulheres da vida de Martin, além de médicos e enfermeiras do hospital onde ele é encontrado morto. A situação prende a atenção do espectador até o incrível e surpreendente desfecho. Premiado em vários festivais europeus, “De Sombra e Silêncio” é, sem dúvida, um dos melhores filmes já produzidos na República Tcheca. Imperdível!

sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

 

“ALERTA! TEMPORADA DE TUBARÕES” (“L’ANNÉE DU REQUIN”), 2022, França, 1h27m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção dos irmãos gêmeos cineastas Zoran e Ludovic Boukherma (“Teddy”, “O Homem de Argila”). Numa pequena cidade costeira no sul da França, as férias de verão têm início trágico: um surfista aparece morto, estraçalhado por um tubarão. Para não estragar as férias do vilarejo e o risco para os milhares de turistas que chegam nessa época, uma equipe de policiais marítimos é encarregada de encontrar e matar o tubarão. A chefe dessa equipe é a experiente policial Maja Bordenave (Marina Foïs), também ativista em prol da preservação marinha e meio ambiente. Auxiliada pelos policiais assistentes Engénie (Christine Gautier) e Blaise (Jean-Pascal Zadi), Maja parte para o alto mar em busca do predador. E o encontra, mas, ao invés de matá-lo, o atinge com um dardo sedativo, aprisionando-o numa piscina adaptada. Diante desse fato, Maja se transforma em celebridade em seus últimos dias de trabalho, pois logo depois se aposenta. O tubarão volta ao mar e logo aparece outra vítima fatal. Maja passa a ser chamada de assassina e resolve voltar ao batente decidida a matar o animal. O resultado final do filme francês não é dos melhores, mas serve para uma sessão sem compromisso numa tarde chuvosa. Outro filme francês sobre tubarões é "Sob As Águas do Sena", na Netflix, produção de 2024.  

terça-feira, 28 de janeiro de 2025

“ELENA SABE” (“ELENA SABE”), 2023, Argentina, 1h44m, em cartaz na Netflix, direção de Anahí Berneri (“Alanis”, “Um Año Sin Amor”), seguindo roteiro assinado por Gabriela Larralde. Trata-se de um drama baseado no romance homônimo de 2007 da consagrada escritora, roteirista e dramaturga argentina Claudia Piñero. O livro foi um grande sucesso de vendas, o que o levou a esta adaptação cinematográfica. Elena (Mercedes Morán) e Rita (Erica Rivas), respectivamente mãe e filha, vivem uma relação conflituosa. Elena sempre foi uma mãe dominadora, amargurada e intransigente. Rita (Miranda de la Serna quando jovem) não tinha vida própria, suas ações sempre comandadas pela mãe autoritária. A situação de Rita piorou ainda mais quando Elena começou a ficar doente, sofrendo de um Mal de Parkinson progressivo. Na verdade, Rita virou a cuidadora da mãe, sem tempo para a vida pessoal. O drama familiar iria complicar ainda mais quando Rita é encontrada morta, enforcada, no campanário da igreja que costumava frequentar. Tudo leva a crer que foi suicídio, mas Elena não acredita. Ela acha que a filha foi assassinada. E por aí vai a história até o desfecho, Elena, mesmo doente, tentando encontrar pistas que levem a um suposto assassino. Completam o elenco Susana Pamín, Marcos Montes, Marcos Ferrante, Agostina Muñoz e Mónica Gonzaga. Embora em ritmo lento e um tanto arrastado, o filme tem alguns trunfos para agradar a plateia, o maior deles o sensacional desempenho da veterana atriz Mercedes Morán, conhecida por atuar em alguns dos melhores filmes argentinos, como “Um Amor Inesperado”, “O Pântano”, “Norma” e “O Anjo”, entre outros. Em “Elena Sabe” ela mostra mais uma vez seu enorme talento.

 

“A GRANDE DESCOBERTA” (“GENOMBROTTET”), 2025, Suécia, minissérie de 4 episódios em cartaz na Netflix, direção de Lisa Siwe, que também assina o roteiro com a colaboração da jornalista Anna Bodin e do genealogista Peter Sjölund, autores do livro “Genombrottet: Sà Löste Släktforskaren Dubbelmordet i Linköping”. A história descrita no livro é baseada em fatos reais ocorridos a partir de 2004, quando ocorreu um duplo homicídio na pequena cidade de Linköping, localizada ao sul da Suécia. Mohamad Ammori, de 8 anos, e Anna-Lena, de 56 anos, foram esfaqueados e mortos numa praça, em plena luz do dia. O detetive John Sundin (Peter Eggers) ficou responsável pela investigação e, por 16 anos, o assassino ficou livre, leve e solto. Até que, em 2020, Sundin tomou conhecimento de um trabalho inovador do genealogista Per Skogkvist (Mattias Nordkvist). Segundo ele, ao pesquisar parentes distantes utilizando bancos de dados genéticos públicos, a polícia poderia identificar um assassino. Confesso que tentei entender essa teoria, explicada no filme, mas minha inteligência limitada não permitiu. De qualquer forma, foi a primeira vez que uma pesquisa genealógica conseguiu desvendar um crime na Europa. Ao contrário da maioria das séries com 8 episódios ou mais, “A Grande Descoberta” não precisa “encher linguiça”. Os quatro episódios preenchem todas as lacunas da história, sem precisar se alongar em tramas paralelas. Termino afirmando que esta é uma minissérie que vale a pena assistir, principalmente por explorar um fato real.   

sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

“MEU PAI, O ASSASSINO” (“LA FILLE DE L’ASSASSIN”), 2023, coprodução França/Bélgica, 1h46m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Carole Kornmann (das séries “A Legista” e “Les Dames”), seguindo roteiro assinado por Natalie Carter e Ève de Castro. A história é baseada no romance “The Girl Without a Face”, de Patricia MacDonald, lançado em 2005. Feito para ser exibido nas emissoras França Télévisions e RTBF (belga), o filme é um drama familiar recheado de suspense e reviravoltas. Depois de 15 anos preso, acusado de assassinar a esposa, Pierre Adelin (Bruno Wolkowitch) é libertado em condicional. Apoiado pela filha Nina (Chloé Chaudoye), que sempre acreditou na sua inocência, ao contrário dos seus dois irmãos, Pierre decide sair atrás do verdadeiro assassino e provar que não é culpado. O roteiro de “Meu Pai, O Assassino” prevê muitas surpresas e reviravoltas, mantendo a tensão do começo ao fim. Mérito para os roteiristas. Também estão no elenco Nicolas Gob, Barbara Probst, Emmanuel Bordier, Ann-Gisel Glass e Samir Boitard. Trocando em miúdos, o filme é muito interessante e merece ser visto por quem gosta de filmes de qualidade. Uma ótima surpresa meio escondida no catálogo da Prime Vídeo.

 

“PACTO DE REDENÇÃO” (“KNOX GOES AWAY”), 2024, Estados Unidos, 1h54m, em cartaz na Prime Vídeo, segundo filme na direção do ator Michael Keaton (o primeiro foi “Má Companhia”, de 2008), seguindo roteiro assinado por Gregory Poirier. Como ator, Keaton já comprovou muita competência, tanto que é um dos astros consagrados de Hollywood. Neste seu segundo filme como diretor, Keaton é responsável por um filme acima da média, principalmente quando falamos do gênero suspense policial. Keaton é John Knox, um assassino de aluguel que trabalha há anos para o mafioso Xavier Crane (Al Pacino, cada vez mais canastrão). Em sua mais recente missão, ele assassina um traficante e a amante, mas também mata por engano um colega de trabalho, mais um indício de que sua cabeça não anda muito bem. Ao consultar um neurologista e fazer alguns exames, ele descobre que está sofrendo de uma demência rara e agressiva. Para piorar, surge em cena seu filho Miles Knox (James Marsden), que não o vê há anos, pedindo sua ajuda para “limpar” uma cena de crime. Miles assassinou um sujeito que estuprou sua filha. Diante de tantos crimes, uma dupla de detetives fica perdida diante de tantas evidências contraditórias. Não dá para comentar muito mais para não estragar as reviravoltas que acontecem até o desfecho. Completam o elenco a atriz alemã Joanna Kulig, Ray McKinnon, Lela Loren, Marcia Gay Harden, Morgan E. Bastin, Suzy Nakamura e John Hoogenakker. Como escrevi no início deste comentário, “Pacto de Redenção” é um filme acima de média que merece ser visto.   

terça-feira, 21 de janeiro de 2025

“DESCANSE EM PAZ” (“DESCANSAR EN PAZ”), 2024, Argentina, 1h45m, em cartaz na Netflix, direção de Sebastián Borensztein, que também assina o roteiro com Marcos Osorio Vidal. A história é baseada no livro “Descansar En Paz: Nunca Soñaste Com Dejar Todo Y Empezar de Nuevo”, escrito em 2018 por Martín Baintrub. Estamos no ano de 1994. O empresário Sergio Dayán (Joaquín Furriel) está quebrado, devendo para agiotas, bancos, fornecedores e até para familiares, sem falar das mensalidades em atraso da escola dos filhos. O desespero toma conta, pois ele não tem mais a quem recorrer e a gota d’água é a greve dos funcionários de sua empresa por não receberem salário há meses. Exatamente no dia 18 de julho de 1994 – e aqui a história se aproveita de um fato real de repercussão mundial -, Dayán está nas proximidades da Asociación Mutual Israelita Argentina (AMIA), quando acontece um atentado à bomba, matando dezenas de vítimas. Ferido sem gravidade, o empresário tem a ideia de sumir do mapa, como se tivesse sido morto no atentado e, assim, beneficiando sua família com o seguro de vida. Dayan se refugia no Paraguai e começa uma nova vida. Enquanto isso, Estela Dayán, com o dinheiro do seguro em mãos, começa a pagar as dívidas do marido. Quinze anos depois, Dayán começa a sentir falta da família, vê vídeos dos filhos nas redes sociais e resolve tentar uma volta ao passado, o que será muito difícil diante das circunstâncias, entre as quais o novo casamento de Estela. A trama é bem conduzida pelo diretor Borensztein, levando o espectador a especular o que poderá acontecer no desfecho. Mais um bom filme do cinema argentino. Não deixe de assistir.     

 

 

 

 

 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

 

“DE VOLTA À AÇÃO” (“BACK IN ACTION”), 2024, Estados Unidos, 1h52m, em cartaz na Netflix, direção de Seth Gordon (“Cry Wolf: O Jogo da Mentira”, “Cidade Perdida), que também assina o roteiro juntamente com Brendan O’Brien. Comédia de ação que marca o retorno às telas da atriz Cameron Diaz, depois de dez anos afastada - seu último filme foi “Annie”, de 2014. Cameron é Emily, uma ex-espiã da CIA que abandonou o trabalho quando ficou grávida e escapou da morte durante uma missão. Seu colega de trabalho e marido Matt (Jamie Foxx) também escapou por milagre na mesma missão e ambos resolveram se casar, se aposentar e constituir uma família. Mudaram de identidade e se esconderam do mundo, principalmente porque mafiosos russos acreditavam que eles mantinham em seu poder uma chave especial. Quinze anos depois, já com dois filhos adolescentes, eles são filmados durante uma briga de bar. O filme viralizou nas redes sociais e os mafiosos russos, ao identificar os antigos inimigos, partem para o ataque. Só resta à família fugir e, até desfecho, muitas perseguições e pancadarias vão acontecer. Completam o elenco Glenn Glose, Tom Brittney, Kyle Chandler, Andrew Scott e Leela Owen. Com exceção de algumas ótimas cenas de ação, nada mais interessante podemos destacar nesse filme, nem mesmo o retorno da bela Cameron Diaz ao trabalho. Os diálogos são um caso à parte, de uma mediocridade ofensiva a quem possui algum neurônio. Trocando em miúdos, “De Volta à Ação” é decepcionante. Cameron Diaz não merecia voltar em um filme tão ruim.     

sábado, 18 de janeiro de 2025

“MAXXXINE”, 2024, Estados Unidos, 1h44, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Ti West. Misto de terror, suspense e policial noir, trata-se do terceiro filme de uma trilogia que conduziu a atriz inglesa Mia Goth ao estrelato. Os dois primeiros são “X – A Marca da Morte” e “Pearl”, ambos de 2022 e dirigidos pelo mesmo Ti West. Mesmo que você não tenha visto os dois primeiros, dá para assistir este numa boa. Em “MaXXXine”, a garota do interior Maxine Minx (Goth) chega a Los Angeles para trabalhar como atriz de filmes pornô. Seu objetivo, porém, sempre foi chegar a Hollywood, atuar em filmes sérios e se tornar uma atriz reconhecida mundialmente. Depois de muito esforço e alguns testes, ela consegue um papel em um filme de terror dirigido por Elizabeth Bender (Elizabeth Debicki) que promete ser um sucesso de bilheteria. Enquanto isso, uma série de assassinatos amedronta Los Angeles. As vítimas são mulheres que trabalham em filmes pornôs e o serial killer está sendo chamado de “Night Stalker”. Como Maxine poderá ser a próxima vítima, ela é seguida de perto por dois detetives, papéis de Michelle Monaghan e Bobby Carnevale. A tensão aumenta a cada cena, pois o assassino pode estar em qualquer lugar. Completam o ótimo elenco Lily Collins, Kevin Bacon, Sophie Tatcher, Giancarlo Esposito e Moses Sumney. Vale a pena aqui lembrar que a atriz Mia Goth (Mia Gypsy Mello da Silva Goth), 31 anos, é filha de mãe brasileira e pai canadense. Sua avó materna é a atriz brasileira Maria Gladys, com a qual Mia Goth morou aqui no Brasil até se mudar para a Inglaterra. Sua estreia no cinema aconteceu em 2013 no polêmico “Nymphomaniac”. Atualmente, Mia está casada com o ator Shia Labeouf. Para encerrar, “MaXXXine” é um filme muito interessante que vale a pena assistir.  

sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

“TUDO PELO DIVÓRCIO” (“ROZWODNICY”), 2024, Polônia, 1h31m, em cartaz na Netflix (produção original), direção de Michal Chacinski (“Planeta Singli”, “Juliusz”), que também assina o roteiro com a colaboração de Lukasz Swiatowiec. Simpática comédia, agradável de assistir, roteiro leve e ótimo elenco. Malgosia (Magdalena Poplawska) e Jacek (Wojciech Mecwaldowski) se casaram há vinte anos, mas logo se separaram. Agora, tantos anos depois, eles precisam anular o casamento, pois Jacek pretende se casar com Monika (Michalina Labacz), que tem o sonho de entrar na igreja toda de branco. Eles precisam obter, por parte da igreja polonesa, uma declaração oficial de nulidade. Só que os padres poloneses obedecem rigorosamente aos regulamentos do Vaticano, colocando empecilhos no objetivo do casal. Algumas cenas onde Jacek e Malgosia tentam convencer os padres geram diálogos hilariantes. Jacek chega a afirmar que estava bêbado no dia do casamento e que, por isso, não sabia o que estava fazendo. Não bastasse essa situação, Malgosia também se vê às voltas com os ensaios de uma pequena orquestra juvenil da qual é regente e que se prepara para uma importante apresentação musical durante a inauguração de uma ferrovia do governo. Resumo da ópera, “Tudo pelo Divórcio” é um ótimo entretenimento. Não perca!  

 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

“JURADO Nº 2” (“JUROR #2”), 2024, Estados Unidos, 1h54m, em cartaz na HBO Max, direção de Clint Eastwood, seguindo roteiro de Jonathan A. Abrams. Quase impossível determinar se Clint Eastwood é melhor ator do que diretor. O que é possível afirmar é que o astro – hoje aos 94 anos - deu uma grande contribuição ao cinema, tanto na frente como atrás das câmeras. Neste “Jurado Nº 2”, que provavelmente será o seu último filme antes de se aposentar, Eastwood nos brinda com um ótimo suspense. O personagem central é Justin Kemp (Nicholas Hoult), casado e prestes a ser pai. Numa noite de chuva torrencial, ele está voltando para casa quando na estrada seu carro sofre um impacto, causado provavelmente por um cervo que atravessava a pista. Ele parou o carro e desceu, mas, como estava muito escuro e chovendo, não viu o que seu carro atingiu. Até aí tudo normal. Mas daqui a pouco ele será confrontado com uma situação que ninguém gostaria de enfrentar. Começa quando ele recebe uma convocação judicial para participar de um júri que irá julgar um homem acusado de ter assassinado a namorada. Quando os detalhes do crime começam a ser detalhados no tribunal, Justin fica sabendo que a vítima foi encontrada no mesmo local em que supostamente atropelou um cervo. A partir daí ele começa a viver um enorme dilema ético e moral, pois, considerando os fatos expostos e as testemunhas ouvidas, tudo leva a crer que a vítima morreu depois de atropelada por Justin. Diante da situação, ele tentará convencer os demais jurados a inocentar o acusado. Até o desfecho, o espectador acompanhará a crise de consciência de Justin, pois, prestes a ser pai, evitará ao máximo contar a verdade. Também estão no elenco Toni Collette, Kiefer Sutherland, J. K. Simmons, Zoey Deutch, Chris Messina, Gabriel Basso, Leslie Bibb e Francesca Eastwood, filha do diretor. Trocando em miúdos, “Jurado Nº 2” é um ótimo suspense, conduzido com muita segurança por Eastwood. Se realmente for este seu último filme, o experiente ator e diretor sairá de cena pela porta da frente.  

 

 

 

“AD VITAM”, 2024, coprodução França/Bélgica, 1h38m, em cartaz na Netflix, direção de Rodolphe Lauga, que também assina o roteiro com o ator Guillaume Canet, que atua no filme. O filme chegou com o título original em latim, que em português significa “para a vida”, o que achei um tanto estranho, já que pouco tem a ver com a história. Trata-se de um filme de ação centrado no personagem de Franck Lazareff (Canet), agente de elite das Forças Especiais. Depois de uma missão mal sucedida no Trianon Hotel, provocando a morte de algumas pessoas e culminando num incidente político internacional, Franck é afastado de suas funções. Quando sua esposa Leo (Stéphane Caillard), grávida prestes a parir, é sequestrada, ele descobre que os responsáveis são alguns dos seus próprios colegas, que acreditam estar de posse de Franck algo que os incrimine. Confesso que não entendi essa parte, como talvez tantos outros espectadores não entenderão. Mas nada que prejudique o resultado final desse bom filme de ação – algumas cenas são espetaculares. Achei, porém, que o filme demora a engrenar, priorizando a convivência entre os agentes, seu período de treinamento, questão familiares etc. Pura encheção de linguiça. Completam o elenco Alexis Manenti, Johan Heldengergh, Nassim Lyes e Zita Nanrot. Trocando em miúdos, ”AD VITAM” não entusiasma, mas também não decepciona. De 0 a 10, dou 6. Ou seja, dá para ver...    

segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

“NÚMERO 24” (“NR.24”), 2024, Noruega, 1h51m, em cartaz na Netflix, direção de John Andreas Andersen (“Mar do Norte”, “Terremoto”), seguindo roteiro assinado por Vibeke Idsøe e Erlend Loe. Trata-se da cinebiografia de Gunnar Sønsteby (1918-2012), o maior e mais condecorado herói norueguês da 2ª Guerra Mundial. Por ocasião da invasão da Noruega pelo exército alemão, Gunnar (Sjur Vatne Brean) foi recrutado e treinado pela unidade militar secreta britânica Special Operations Executive (SOE). Ao regressar a Oslo, meses depois, sob o codinome “Número 24”, Gunnar liderou o grupo de resistência denominado “Gangue de Oslo”, responsável por vários atentados contra os alemães, incluindo fábricas de armamentos, de produtos químicos e de aeronaves.  O grupo também foi responsável pela perseguição e morte dos principais oficiais nazistas e colaboracionistas noruegueses. Utilizando várias identidades falsas, Gunnar jamais foi preso, mesmo integrando a lista dos mais procurados pela Gestapo. Depois da guerra, Gunnar ministrou inúmeras palestras para jovens estudantes sobre sua participação no conflito. Uma delas, com Gunnar já bastante idoso, interpretado por Erik Hivju, serviu como condutor da narrativa, alternando a história com flashbacks dos tempos de guerra. Enfim, posso afirmar que este é um dos melhores filmes já feitos sobre os heróis da resistência na Europa contra os nazistas. História pura. Imperdível!      

 

 

 

domingo, 12 de janeiro de 2025

“ARMADILHA” (“TRAP”), 2024, Estados Unidos, 1h47m, em cartaz na HBO Max, roteiro e direção do cineasta indiano naturalizado norte-americano M. Night Shyamalan. A história é mirabolante, mas convence como suspense, como tantos outros filmes dirigidos por Shyamalan, a começar pelo estrondoso sucesso de 1999, “O Sexto Sentido”. Podemos acrescentar ao currículo do indiano outros bons suspenses, tais como “Fragmentado”, “Sinais” e “Corpo Fechado”. Ou seja, falou em suspense, Shyamalan está no topo dos diretores. Em, “Armadilha”, ele conta a história de um pai de família que leva a filha adolescente a um show da cantora teen Lady Raven (Saleka Night, filha do diretor). Aparentemente, Cooper (Josh Hartnett) é aquele pai amoroso que se sente feliz em levar Riley (Ariel Donoghue) ao show de sua cantora preferida. De repente você percebe que Cooper começa a ficar incomodado com a presença de muitos policiais na plateia. Ele fica sabendo que os policiais estão atrás de um serial killer chamado “O Açougueiro” que estaria no meio do público. Bingo! Cooper é o próprio assassino. Como o local está totalmente cercado pela polícia, ele vai tentar encontrar uma saída criativa, o que só faz aumentar a tensão. Para escrever o roteiro, Shyamalan disse numa entrevista que se baseou na Operação Flagship, em 1985, planejada e executada pelo Serviço de Delegados dos Estados Unidos, que convenceram mais de 3 mil fugitivos da justiça a comparecer a uma falsa cerimônia de premiação com o pretexto de ganhar ingressos para um importante jogo de futebol americano, no que resultou em dezenas de prisões. “Armadilha” seguiu esse roteiro e no desfecho você fica sabendo que tudo foi uma armação para prender “O Açougueiro”. A história continua depois do show e termina com a certeza de que haverá uma sequência. Mesmo que não tenha sido um sucesso de bilheteria quando foi lançado nos cinemas dos EUA, “Armadilha” garante um bom suspense do começo até o desfecho, comprovando, mais uma vez, que o diretor indiano é craque no gênero.      

sábado, 11 de janeiro de 2025


“ALÉM DA ESCURIDÃO” (“DE FORBANDEDE AR 2”), 2022, Dinamarca, 1h52m, em cartaz na Prime Vídeo,direção de Anders Refn, seguindo roteiro escrito por Flemming Quist Møller. Esta é a sequência de “Tempos de Escuridão”, de 2020. Em ambos, a história é centrada na família Skov, cujo patriarca, Karl Skov (Jesper Christensen), é um poderoso empresário de Copenhague, dono de uma fábrica de eletrônicos. Quando os alemães invadiram a Dinamarca, em abril de 1940, Karl foi obrigado a fornecer equipamentos para a Alemanha. O primeiro filme vai até 1943. O segundo a partir daí, quando os filhos de Karl ingressam na resistência contra os nazistas, o que complica a situação do empresário perante os invasores. Não bastasse isso, o fato de fornecer equipamentos para os nazistas tornou Karl e sua família traidores da pátria. Completam o elenco Luestøvel Baek, Sara Viktoria, Gustav Dyekjaer Giese, Mads Reuther e Bodil Jørgensen. Os dois filmes têm a produção caprichada, com uma primorosa ambientação de época, além de uma história emocionante, que não descobri se aconteceu mesmo ou foi fruto da imaginação dos roteiristas. De qualquer formar, tanto o primeiro quanto sua sequência são excelentes. Aliás, recomendo que assistam o primeiro e depois o segundo. Imperdíveis!    



sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

 

“MEU VIZINHO ADOLF” (“MY NEIGHBOR, ADOLF”), 2022, coprodução Israel/Alemanha/Polônia, 1h36m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Leonid Prudovsky, que também assina o roteiro ao lado de Dmitri Malinsky. Descobri essa pequena pérola do cinema meio escondida no catálogo da Prime Vídeo. E que descoberta! Estamos em 1960 em alguma cidade da América do Sul. O judeu polonês Marek Polski (David Hayman) mora numa casa meio isolada, com apenas uma outra ao lado. Sobrevivente do Holocausto da Segunda Guerra Mundial, quando perdeu toda a sua família, Polski é um sujeito muito mal-humorado. Vive isolado, sem vontade de fazer qualquer tipo de amizade. Até que um dia chega um novo vizinho, um senhor misterioso com uma barba branca imensa. Aos poucos Polski descobre que o sujeito é alemão – o que já é motivo de ódio -, gosta de pintar e de jogar xadrez. O homem se identifica como Herzog (Udo Kier), mas Polski começa a acreditar que ele, na verdade, é Adolf Hitler. O polonês leva sua desconfiança para a Embaixada de Israel, que simplesmente ignora sua denúncia. Afinal, segundo a história, Hitler se suicidou em 1945. Para tentar encontrar outras evidências, Polski acaba se aproximando de Herzog e cada vez mais se convence de que ele é realmente Hitler. O filme é bem leve, bem-humorado, e tem alguns momentos bastante comoventes. A dupla principal de atores é o grande destaque. O escocês David Hayman já havia feito o papel de uma vítima do Holocausto em “O Menino do Pijama Listrado”, de 2008. Por seu lado, o ator alemão Udo Kier, que já trabalhou no filme brasileiro “Bacurau”, de 2019, coincidentemente viveu o papel de Hitler na série televisiva “Hunters” (2020-2023). Trocando em miúdos, “Meu Vizinho, Adolf” é recomendado para quem curte filmes inteligentes, não comerciais. Um achado e tanto. Não perca!       

quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

“NÃO FALE O MAL” (“SPEAK NO EVIL”), 2024, Estados Unidos, 1h50m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de James Watkins. Trata-se de um suspense bem movimentado, daqueles que a gente assiste apertando as mãos nos braços da poltrona. Enfim um bom suspense. Louise Dalton (Mackenzie Davis), seu marido Ben (Scot McNairy) e a filha Agnes (Alix West Lefler), uma família norte-americana, vão passar as férias na Itália. Aqui, conhecem e fazem amizade com uma família inglesa, formada por Paddy (James McAvoy), sua esposa Ciara (Aisling Franciosa) e o filho Ant (Dan Hough). Com o tempo, a amizade adquire uma certa intimidade, quando Paddy convida a família de Ben para passar um final de semana em sua casa de campo no interior da Inglaterra. Já na Itália deu para perceber que o comportamento de Paddy não inspirava confiança. Ele trata mal o filho deficiente – é mudo -, é grosso com a mulher e fala muitos palavrões. Ou seja, um sujeito bastante desagradável, que não proporciona uma convivência normal. Algo de muito errado ocorre com Paddy e sua família, como logo descobrirão os visitantes. O clima de tensão é bastante intenso, do começo ao fim, tornando “Não Fale o Mal” um excelente suspense. Não há dúvidas que o trunfo maior do filme é a atuação do ator James McAvoy, que já mostrou qualidades para atuar em papéis de psicopata, como já ocorreu no ótimo “Fragmentado”, do diretor M. Night Shyamalan. Informação adicional: o filme é um remake de umaprodução dinamarquesa de 2022 com o mesmo título.        

terça-feira, 7 de janeiro de 2025

“CHARLIE EM AÇÃO” (“FAST CHARLIE”), 2024, Estados Unidos, 1h30m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do cineasta australiano Phillip Noyce ("Salt", "O Colecionador de Ossos", "O Doador de Memórias"), seguindo roteiro assinado por Richard Wenk, sendo que a história é baseada no livro homônimo escrito por Victor Gischler e lançado em 2023. Trata-se de um filme de ação centrado no assassino profissional Charlie Swift (Pierce Brosnan), que há mais de duas décadas é o braço direito do chefão mafioso Stan Mullen (James Caan), que domina a cidade costeira de Biloxi, no Mississipi. Por causa de uma desavença causada por disputa de território, toda a gangue de Stan acaba assassinada por mafiosos de Nova Orleans. Só sobrou Charlie, que resolve partir para a vingança. O ator irlandês Pierce Brosnan, que já foi o agente James Bond em quatro filmes, continua com seu charme inalterado, mas agora, aos 71 anos, não tem a mesma mobilidade para atuar em filmes de ação. Em todo caso, não decepciona com o dedo no gatilho. Outro destaque do elenco é a atriz brasileira Morena Baccarin. Nascida no Rio, filha da também atriz Vera Setta e do jornalista Fernando Baccarin, Morena já participou de vários filmes de Hollywood, entre os quais os três da franquia "Deadpool", além de "Destruição Final: O Último Refúgio" e "Serenity: A Luta pelo Amanhã". A nota triste fica por conta da morte do veterano ator James Caan, ocorrida logo após as filmagens, sendo este o seu último filme. Também estão no elenco Toby Huss, Gbenga Akinnagbe, Sharon Glass, Susan Gallagher, Fredric Lehne e David Chattam. Trocando em miúdos, “Charlie em Ação” é apenas um bom entretenimento, com humor e algumas boas cenas de ação. Ou seja, não espere muito.   

domingo, 5 de janeiro de 2025

 

“FERRY 2”, 2024, coprodução Holanda/Bélgica, 1h34m, em cartaz na Netflix, direção do cineasta belga Wannes Destoop, seguindo roteiro assinado por Geerard Van De Walle e Tibbe Van Hoof. O primeiro “Ferry”, de 2021, fez um tremendo sucesso, um filme de ação da melhor qualidade, contando a história de um gangster violento, Ferry Bouman (Frank Lammers), que chegou a liderar um verdadeiro império das drogas. Depois de perder tudo, Ferry volta nessa segunda parte como um pacato morador de um camping de trailers longe do submundo da província de Brabant. Mas seu sossego tem um prazo de validade. Sua sobrinha Jezebel (Aiko Beemsterboer) e o namorado Jeremy (Tobias Kersloot) aparecem para pedir sua ajuda, pois estão fugindo de uma quadrilha de traficantes para a qual devem uma grande quantia de dinheiro. Resumindo, terão de fabricar uma quantidade enorme de ecstasy para pagar a dívida. Caso contrário, acabarão enterrados numa vala qualquer. Ferry, muito a contragosto, resolve ajudar o jovem casal na base de muita pancadaria e tiros. Eu gostei muito do primeiro “Ferry” – que assisti e comentei no blog - principalmente do ator Frank Lammers, que parece aquele sujeito bonachão, mas que na verdade é um cara bem violento. Também gostei do “Ferry 2”, mas sugiro que, antes de vê-lo, assista o primeiro.   

“UMA MULHER CONTRA HITLER” (“SOPHIE SCHOLL – DIE LETZTEN TAGE”), 2005, Alemanha, 1h58m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Marc Rothemund. Desde moço sempre gostei de ler livros ou ver filmes sobre a Segunda Guerra Mundial, em sua grande maioria baseados em fatos reais. Não sei como deixei passar este excelente drama alemão que concorreu ao Oscar 2006 de Melhor Filme Estrangeiro e venceu o Festival de Cinema de Berlim nas categorias Melhor Atriz (Julia Jentsch) e Melhor Diretor. Ainda bem que o encontrei no catálogo da Prime Vídeo e agora pude assisti-lo. Conta a história da jovem Sophie Magdalena Scholl (Julia Jentsch), militante do Grupo Rosa Branca, que reunia universitários de Munique para protestar contra a guerra e denunciar Hitler como genocida. Em 1943, quando distribuíam panfletos na Universidade, Sophie, seu irmão Hans Scholl (Fabian Hinrichs) e Christoph Probst (Florian Stetter) foram presos pela Gestapo, interrogados e condenados à morte por guilhotina. Um dos trunfos do filme é o interrogatório ao qual Sophie foi submetida por Robert Mohr (Alexander Held). Inicialmente, a jovem dizia que era inocente, mas confirmou tudo depois que o irmão, segundo Mohr, confessou tudo. O embate de ideias entre Sophie e seu interrogador é bastante elucidativo e contêm diálogos primorosos com relação ao pensamento reinante entre a população civil da Alemanha e, por outro lado, o fanatismo radical do oficial que a interrogava. Embora firme e até agressiva, a postura do interrogador da Gestapo parece se entregar aos argumentos expostos por Sophie. Nesse contexto, é justo destacar o desempenho dos dois atores. E por falar em performance, também deve ser destacada a impressionante atuação do ator André Hennicke como o Juiz Roland Freisler, responsável por comandar o julgamento dos três jovens. Ele parece ter incorporado o espírito de Hitler quando grita enfurecido contestando as respostas dos réus. Uma atuação marcante. Resumo da ópera, “Uma Mulher Contra Hitler” é um dos melhores filmes alemães deste século, um filmaço! Não deixe de ver.   

quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

“ROB PEACE”, 2024, Estados Unidos, 1h59m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Chiwetel Ejiofor. A história de Robert Peace não havia sido contada até 2014, quando seu antigo colega de quarto Jeff Hobbs, na Universidade de Yale, resolveu escrever um livro sobre o amigo ("A Curta e Trágica Vida de Robert Peace"). Robert Peace era um aluno excepcional, com um QI elevado, e nem o fato de ser negro e pobre o impediu de realizar inúmeras conquistas. Sem contar que seu pai, papel do ator e diretor Ciwetel Ejiofor (de “12 Anos de Escravidão”), cumpria pena na prisão acusado de assassinar duas mulheres, embora nunca tenha confessado o crime. Mesmo diante dessas circunstâncias adversas, Peace foi à luta nos estudos, além de ajudar, como empreiteiro autônomo, a investir em melhorias para a sua comunidade, na periferia de New Jersey. Para arrecadar dinheiro, ele e sua turma resolveram fabricar e vender drogas. Esse lado obscuro seria o caminho do fim para o garoto que queria ser bioquímico para inventar algum remédio que curasse o câncer. Peace não merecia o fim que teve. Mas, sem dúvida, sua história merecia ser contada, primeiro num livro e agora num filme. O excelente elenco conta com Jay Will (Rob Peace), Mary J. Blige, Mare Winningham, Benjamin Papac, Michael Kelly e a atriz cubana Camila Cabello como a namorada brasileira de Peace. Lançado no Festival do Cinema Independente de Sundance 2024, “Rob Peace” foi bastante elogiado, mas não o suficiente para alavancá-lo à condição de obra-prima. Apenas um bom filme.