“A INFORMANTE” (“WINNER”),
2024, coprodução Canadá/EUA, 1h52m, em cartaz na HBO Max, direção de Susanna
Fogel, que também assina o roteiro juntamente com Kerry Howley. Grata surpresa
este drama baseado em fatos reais. Depois de ter sido militar na Força Aérea
dos Estados Unidos, a jovem Reality Winner (Emilia Jones, ótima) foi trabalhar
como analista no Serviço de Inteligência da Agência de Segurança Nacional. Em 1916
ela foi acusada de vazar informações sobre a interferência russa nas eleições presidenciais
norte-americanas naquele ano, sendo presa pelo crime de traição à pátria. Quem
conviveu com a família da moça certamente adivinhou esse desfecho, pois Reality,
a exemplo do pai Ron (Zach Galifianakis), cresceu como ativista e defensora do
meio ambiente, dos direitos humanos, da justiça social e da democracia. Ou
seja, uma mulher politicamente correta. Também estão no elenco Connie Britton, Danny Ramirez e Kathryn Newton. O roteiro não deixou o filme descambar
para um drama, pois adotou um tom mais leve e bem humorado, diluindo a
gravidade dos eventos retratados, tornando o filme mais acessível e menos
impactante. Talvez este seja o único defeito do filme, já que a história
merecia um tratamento mais sério como drama político. De qualquer forma, “A Informante” consegue captar
a atenção do espectador do começo ao fim. Não perca.
quarta-feira, 11 de dezembro de 2024
terça-feira, 10 de dezembro de 2024
“ECOS DO PASSADO” (“KALÁVRYTA 1943”), 2021,
Grécia, 1h39m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Nicholas Dimitropoulos, que
também assina o roteiro com Dimitrios Katsantonis. Dois motivos especiais me
motivaram a assistir a este filme grego. Primeiro, o fato histórico retratado,
baseado em fatos reais, ou seja, o massacre, por parte dos soldados nazistas,
contra a população do vilarejo de Kalávryta, em 1943. Segundo motivo é relativo
à presença no elenco do grande ator sueco Max Von Sydow neste que foi seu
último filme de uma longa carreira vitoriosa. Ele faleceu pouco depois do término das
filmagens. “Ecos do Passado” é filmado em flashbacks, contando com grande
realismo o que aconteceu no pequeno vilarejo grego. Em retaliação à morte de
soldados nazistas, o comandante do exército alemão que ocupava a Grécia ordenou
que a população local fosse totalmente dizimada. Ao final, centenas de pessoas
foram mortas. No tempo presente, o filme é centrado na advogada Caroline Martin
(Astrid Roos), que representa o governo alemão contra as reivindicações gregas
por indenização pelo massacre de Kalávrita. Caroline viaja à Grécia para
investigar o caso e encontra o único sobrevivente masculino daquela tragédia, o
escritor Nikolaos Andreou (Max Von Sydow). É o próprio Nikolaos que narra a
história, relembrando o que aconteceu. Caroline não tinha ideia das atrocidades
praticadas pelos soldados alemães e se emociona com o relato. Sob o ponto de vista histórico, o filme é
ótimo, pois revela um caso pouco conhecido pelo grande público. Trata-se de uma superprodução do cinema grego, considerado o filme mais caro dos últimos anos. Trocando em miúdos,
“Ecos do Passado” é obrigatório, poderoso e realista como poucos.
Imperdível!
terça-feira, 3 de dezembro de 2024
“JOY”, 2024,
Inglaterra, 1h55m, em cartaz na Netflix, direção de Ben Taylor (“Sex Education”),
seguindo roteiro assinado por Jack Thorne, Rachel Mason e Emma Gordon. O filme
é baseado em fatos reais que culminaram no nascimento do primeiro bebê in
vitro, que depois ficaria conhecido popularmente, no mundo inteiro, como bebê de proveta. A história começa em 1968, em Cambridge e
depois em Bristol, quando o cientista Robert Edwards (James Norton), a
enfermeira e embriologista Jean Purdy (Thomasin McKenzie) e o ginecologista Patrick
Steptoe (Bill Nighy) começaram a pesquisar um processo envolvendo a combinação
de óvulos e espermatozóides em um ambiente laboratorial, fora do corpo da
mulher. O filme acompanha passo a passo todas etapas do trabalho do trio, as
pesquisas com mulheres inférteis, a violenta oposição dos religiosos, que
chamavam Edwards de “Dr. Frankestein”, e a perseguição incessante da imprensa
inglesa. O primeiro bebê de proveta somente nasceria em 1978, fato alardeado no mundo inteiro como um grande avanço da
ciência. Louise Joy Brown, o bebê, hoje aos 46 anos, continua viva e saudável. Embora
o filme seja muito interessante como registro histórico, o espectador comum talvez
tenha dificuldade de entender a linguagem técnica utilizada em muitos diálogos.
Eu passei batido em vários. Certamente o pessoal da área médica terá mais
facilidade de acompanhar os acontecimentos, principalmente no que se refere às
pesquisas. Para as novas gerações, que talvez não imaginem como nasceu a
fertilização in vitro, “Joy” é bastante esclarecedor.
domingo, 1 de dezembro de 2024
“TIGRES E HIENAS” (“TIGRES Y HIÈNES”),
2024,
França, 1h49m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Jérémie Guez, que também
assina o roteiro com a colaboração de Louis Lagayette. Não é de hoje que o
cinema francês tem nos ofertado ótimos filmes de ação, alguns deles do próprio Jérémie
Guez, como “Asfalto de Sangue” e “Ligados pelo Sangue”, entre outros. O cineasta francês
volta ao submundo do crime em Paris para desenvolver a história de “Tigres e
Hienas”. Quando soube que seu padrasto Serge (Vincent Pérez), um conhecido
assaltante de bancos, foi preso novamente, o jovem Malik (Waël Sersoub) retorna
da Espanha para Paris para saber o que aconteceu e também para dar apoio para a
mãe. Serge foi preso juntamente com outros três assaltantes, um deles Chérif
Zhaoui (Omar Salim). Durante o julgamento da quadrilha, a advogada Irís
(Géraldine Nakache), defensora de Chérif, faz uma proposta maluca e improvável
para Malik: em troca da liberdade de seu padrasto, ele terá que planejar e praticar
um audacioso assalto e ainda participar de um plano para libertar os presos que
estão sendo julgados. Como deve sua vida ao padrasto, quando este o livrou da
morte quando era apenas um adolescente, Malik topa a empreitada, devendo recrutar,
para isso, alguns marginais indicados pela advogada. Completam o elenco Olivier Martinez, Evelyne El Garby Klaï, Samir Guesmi, Cassandra Cano e Sofiane Zermani. Recomendo que você não ligue tanto para o conteúdo um tanto inverossímil da história, mas sim para as sequências de
ação, algumas delas de tirar o fôlego. Importante destacar que a maioria dos
personagens – como também os atores que os interpretam – são de origem árabe e
africana. Ou seja, a participação de imigrantes na vida francesa, para bem e
para o mal, está cada vez maior.
“SUBMISSÃO” (“ALICE:
SUBSERVIENCE”), 2024, Estados Unidos, 1h46m, em cartaz na
Prime Vídeo, direção de S.K. Dale (Scott Dale), seguindo roteiro assinado por
Will Honley e April Maguire. O filme explora, com muita competência, um tema da
maior atualidade: a Inteligência Artificial. O roteiro mistura ficção científica,
suspense, terror e erotismo. A história acontece num futuro difícil de afirmar se
é próximo ou longínquo - mas sabemos que vai chegar. Enquanto sua esposa Maggie
(Madeline Zima) permanece internada num hospital à espera de um transplante de
coração, seu marido Nick (Michele Morrone) resolve adquirir uma androide (Megan
Fox) para executar os serviços domésticos e de babá dos filhos do casal. Aliás,
foi Isla (Mathilde Firth), a filha mais velha, que escolheu o nome da sua babá
robô: Alice. A partir da chegada de Alice na casa o espectador mais atento logo
percebe que a androide e seu dono vão acabar tendo um caso. Mas como, se ela é
um robô, que imaginamos sem sentimentos? Nada é impossível para Hollywood. Quando Maggie volta para casa,
depois do transplante, a harmonia da família acaba indo (literalmente) escada
abaixo. Nick terá que administrar a confusão para salvar a família de uma tragédia.
O filme garante um bom suspense e muitas cenas eróticas. Pelo desfecho já dá para prever que vem uma sequência logo logo. A bela Megan Fox, é
claro, arrasa como a robô erótica, num de seus papeis mais difíceis. O ator
italiano Michele Morrone, o garanhão de “365 Dias”, também não destoa, neste
que é seu primeiro filme nos States. Trocando em miúdos, “Submissão” é um
entretenimento de primeira, mas é bom dar um alerta: tirem as crianças da sala.
terça-feira, 26 de novembro de 2024
“TRANSMITZVAH”, 2024,
Argentina, 1h42m, em cartaz na Netflix, direção de Daniel Burman (“Ninho Vazio”,
“O Décimo Homem”), que também assina o roteiro com Ariel Gurevich. Divulgado
como uma comédia, longe disso, “Transmitzvah” é um drama com muita música que tem
como pano de fundo a tradição judaica. Se tivesse partido para a comédia, o
filme certamente seria muito melhor e não tão decepcionante. Começa o filme e temos uma
família de judeus ortodoxos sentada para jantar e anunciar que o seu filho
Rubén (Milo Burgess-Webb), de 12 anos, participará em breve do seu Bar Mitzvah,
cerimônia de passagem para a vida adulta. Só que a passagem foi outra. Rubén
anunciou que dali em diante seria Mumy, ou seja, uma menina. E, portanto, sem
Bar Mitzvah. A história dá um salto de vinte anos e agora Mumy é a cantora
trans Mumy Singer (Penélope Guerrero, de “Sky Rojo”, “Nacho” e “Vestidas de
Azul”), que faz enorme sucesso pelo mundo afora cantando músicas pop em
iídiche, língua falada pelos judeus no mundo inteiro. Ao retornar à Argentina -
ela estava morando na Itália -, para
fazer shows e rever os pais e o irmão mais velho Eduardo (Juan Minujín,
de “Golpe Duplo” e “Dois Papas”), Mumy resolve procurar um rabino que
concorde em fazer o seu Bar Mitzvah. No fim, os irmãos viajam para a Espanha em busca de um guru - e aí o filme descamba realmente para o desastre. Recheado de números musicais e coreografias
com bailarinos – o que me fez lembrar dos filmes indianos que abusam daquelas
irritantes danças coletivas – e uma história um tanto mirabolante e pouco
convidativa, “Transmitzvah” se arrasta em ritmo lento, o que faz com que a
1h42m pareça muito mais. O consagrado diretor Daniel Borman desta vez pisou em la pelota.
domingo, 24 de novembro de 2024
“VENCER OU MORRER” (“VENCER O
MORIR”), 2024, Chile, minissérie baseada em fatos reais de 8 episódios em cartaz na Prime
Vídeo, direção de Rodrigo Sepúlveda e Gabriel Díaz, com roteiro de Josefina
Fernández, Mauricio Dupuis e Francesca Bernardi. Dez anos após o golpe militar
desfechado contra o presidente Salvador Allende, um grupo de jovens resolve
fundar a Frente Patriótico Manuel Rodríguez (FPMR) para lutar contra a ditadura
do General Augusto Pinochet. A FPMR atuava sob a orientação do partido
comunista chileno, que indicava os atentados que deveriam ser efetuados contra a
ditadura, mas o planejamento e a execução eram de responsabilidade dos jovens.
A minissérie destaca a atuação no grupo guerrilheiro da professora de
sociologia Cecília Magni Camino (a ótima Mariana Di Girolamo), que ingressou na
FPMR como soldado e logo atingiu o posto de comandante, sob o pseudônimo de
Tamara. Acima dela estava o comandante Rodrigo (o ator uruguaio Nicolás
Furtado), guerrilheiro mais experiente por ter lutado pela causa comunista em
outros países. O grupo terrorista era perseguido pelos agentes da Central
Nacional de Informações (CNI), comandados pelo violento comissário Bareta
(Gabriel Urzúa). Depois de vários atentados, incluindo o sequestro de um
general de alta patente, o FPMR resolveu planejar o assassinato do próprio Pinochet.
Quem conhece um pouco essa história saberá o seu final, mas deixo a surpresa
para quem não conhece. Não tenho dúvida em apontar a minissérie chilena como uma das melhores do
ano, bastante movimentada, roteiro bem elaborado e uma primorosa ambientação de
época, na qual se destacam os cenários, os figurinos e a trilha sonora. “Vencer
ou Morrer” – o grito de guerra da FPMR – é um registro histórico da melhor
qualidade. Imperdível!
quinta-feira, 21 de novembro de 2024
“APENAS CORRA” (“RUN RABBIT
RUN”), 2023, Austrália, 1h40m, em cartaz na Prime Vídeo, direção
de Daina Reid (das séries “Iluminadas” e “O Conto da Aia”), seguindo roteiro
assinado por Hannah Kent. A tradução literal do título original é “Foge Coelho
Foge”, que também vi em outro material de divulgação. Trata-se de um misto de
suspense e terror sobrenatural, com a vantagem de não ter efeitos especiais, o que garante maior credibilidade. A
história é centrada na médica Sarah (Sarah Snook), uma mulher divorciada mãe da
pequena Mia (Lily Latorre). Aos poucos, a menina começa a apresentar um
comportamento estranho, dizendo ser alguém que jamais conheceu. Em vez de
consultar algum psiquiatra ou psicólogo para diagnosticar o que se passa com sua filha, Sarah mostra
uma atitude muito passiva, mesmo depois que Mia começa a sangrar pelo nariz.
Ora, qualquer mãe teria levado a filha para ser examinada, fazer uma tomografia.
Sarah, porém, começa a apresentar um comportamento também estranho, que, logo o
espectador irá saber, tem tudo a ver com seu passado. Até que o filme mantém um
clima de tensão bastante acentuado, garantindo o suspense necessário para levar
o espectador a esperar alguma revelação bombástica, o que realmente acontece
perto do desfecho. A atriz australiana Sarah Snook se destaca no elenco,
comprovando sua competência consagrada na série “Succession”, pela qual ganhou
2 Globos de Ouro e também um Emmy. Outro destaque no elenco é a presença de
Greta Scacchi, que já foi uma das atrizes mais bonitas do cinema – e uma das
minhas divas. Em respeito justamente à antiga beleza da atriz, hoje com 64 anos, a diretora mostrou Greta entre sombras. Trocando em miúdos, “Apenas Corra” garante uns bons sustos, não
muito mais que isso.
terça-feira, 19 de novembro de 2024
“O HOMEM QUE AMAVA OS DISCOS
VOADORES” (“EL HOMBRE QUE AMABA A LOS PLATOS VOLADORES”), 2024,
Argentina, 1h47m, em cartaz na Netflix, direção de Diego Lerman, seguindo
roteiro assinado por Adrián Biniez. Na base da sátira bem-humorada, o filme
relembra os fatos reais que envolveram, em 1986, o jornalista e apresentador de
TV José Bernardo Kerzer, cujo nome artístico era José de Zer. Interpretado pelo
ator Leonardo Sbaraglia, o jornalista ficou famoso na Argentina depois que seu
programa alcançou picos de audiência ao explorar o tema “Não Estamos Sozinhos”.
Tudo começa quando José de Zer recebe uma dica de pauta nos pampas argentinos,
próximo ao vilarejo La Candelaria, na província de Córdoba. Aqui, os habitantes
descobrem um círculo perfeito desenhado na mata que mobilizou toda a população
do vilarejo. Enquanto cobre o evento misterioso, o jornalista tem a ideia de
explorar a hipótese de uma aeronave alienígena ter pousado naquele local,
lançando a teoria de que os alienígenas teriam visitado a Argentina. Com
entrevistas forjadas e encenações bizarras, o jornalista exibe várias
reportagens que alavancam a audiência de seu programa, transformando-o numa
celebridade nacional. Audiência que aumentaria ainda mais após um acidente
envolvendo o jornalista. Depois de assistir ao filme fiquei em dúvida se tudo
isso aconteceu mesmo ou o roteiro aumentou a dose. Em todo caso, vale a pena
assistir, pois trata-se de mais um ótimo e interessante filme argentino. Ainda
mais pela presença impecável de Leonardo Sbaraglia, ator de filmes como “Relatos
Selvagens”, “Puan”, “No Fim do Túnel” e “Plata Quemada”, entre outros clássicos.
domingo, 17 de novembro de 2024
"BACK TO BLACK", 2024,
Inglaterra, 2h02m, em cartaz na Prime Vídeo, direção da cineasta inglesa Sam
Taylor-Johnson (“O Garoto de Liverpool”, “Cinquenta Tons de Cinza”), seguindo
roteiro assinado por Matt Greenhalgh. Cinebiografia da cantora e compositora
Amy Winehouse (Marisa Abela), que se notabilizou não apenas como artista, mas por
causa da sua vida particular tumultuada, principalmente com relação ao consumo
de álcool e drogas pesadas, além do seu gênio explosivo. Resultado: morreu jovem, em 2011, aos 27 anos, no
auge do sucesso. Era considerada uma cantora de jazz, no que discordo. Era mais
do soul e R & B, embora tenha tido uma grande influência das grandes
cantoras de jazz, como, por exemplo, Sarah Vaughan, além da avó Cynthia (Lesley
Manville), uma antiga cantora de jazz. O filme relembra sua adolescência e o
início da fase adulta, quando começa a fazer sucesso. Destaca ainda a influência
musical da família judia, seu polêmico casamento com Blake (Jack O’Connell), um
notório viciado em drogas, e a relação conflituosa com os paparazzi, que
não a deixavam em paz um minuto sequer. O foco principal, porém, é a série de
músicas que fizeram sucesso e que a levaram a conquistar vários prêmios Grammy,
interpretadas pela atriz Marisa Abela, cuja ótima atuação é um dos trunfos do
filme. A crítica especializada não gostou muito, mas eu gostei e recomendo.
“BANCO CENTRAL SOB ATAQUE” (“ASALTO
AL BANCO CENTRAL”), 2024, Espanha, minissérie da Netflix em
cinco episódios, direção de Daniel Calparsoro, seguindo roteiro assinado por
Patxi Amezcua. O pano de fundo dessa excelente minissérie, baseada em fatos reais, é a situação política
caótica da Espanha no início dos anos 80. Três meses após a tentativa de golpe de
Estado no congresso espanhol, em fevereiro de 1981, onze homens encapuzados invadem o Banco Central de Barcelona
fazendo 300 reféns, entre funcionários e clientes. Eles exigiam do governo
espanhol que libertasse o tenente-coronel Antonio Tejero Molina, que comandou
a tentativa de golpe contra o congresso. Enquanto isso, arrombaram o cofre para roubar o dinheiro.
Durante 37 horas, os assaltantes e os reféns mantiveram-se trancados no banco, enquanto
o líder da quadrilha negociava com as autoridades. A jornalista novata Maider
(María Pedraza), que cobria o assalto juntamente com o fotógrafo Berni (Hovik
Keuchkerian), desconfiou que havia algo mais por trás do assalto. E começou a
investigar, contando com informações sigilosas do comissário Paco (Isac Férriz),
da polícia de Barcelona, estranhamente afastado do caso. Atuam também com
destaque no elenco Miguel Herrán, como José Juan Martinez Gómez, o chefe da
quadrilha, e Patrícia Vigo, esposa do diretor na vida real, como a
editora-chefe do jornal. Graças a um roteiro bem elaborado, o clima da
minissérie é de tensão do começo ao fim, prendendo a atenção do espectador para
o que acontecerá no desfecho. Minissérie para não perder.
sexta-feira, 15 de novembro de 2024
"LIVRE: ENCANTO CRIMINAL” (“LIBRE”), 2024,
França, 1h50m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Mélanie Laurent – mais
conhecida como atriz, é seu oitavo filme como diretora -, que também assina o
roteiro com Christophe Deslandes. Baseado em fatos reais, o filme conta a
história de Bruno Sulak (Lucas Bravo), que no início dos anos 80 ficou famoso
como ladrão de supermercados e joalherias. Sem nunca ter disparado um tiro ou
cometido nenhum tipo de violência em suas ações, Bruno chegou a ser chamado de
Arsène Lupin dos anos 80, Robin Hood francês e Inimigo nº 1 da França. Bruno também
ficou famoso pelas suas fugas espetaculares das prisões. O filme ressalta também
sua fama de galã, aqui demonstrada pelo charmoso ator e modelo Lucas Bravo, que
fez sucesso na série “Emily in Paris” como chef de cozinha e par romântico da personagem
principal. Em “Livre”, seu par romântico é Annie (Léa Luce Busato), cúmplice em
seus assaltos como motorista nas fugas. Outro personagem de destaque na
história é o comissário de polícia George Moréas (Yvan Attal), que prendeu o
ladrão várias vezes e no final acabou ficando seu amigo. Completam o elenco
Radivoje Bukvic, David Murgia, Steve Tientcheu e Slimane Dazy. Como entretenimento, o filme é
ótimo, pois tem ação, romance, humor e uma deliciosa trilha sonora, com vários
sucessos da época.
quarta-feira, 13 de novembro de 2024
“O CANDIDATO INDEPENDENTE” (“THE
INDEPENDENT”), 2023, Estados Unidos, 1h48m, em cartaz na
Prime Vídeo, direção de Amy Rice, seguindo roteiro assinado por Evan Parter.
Acabamos de acompanhar a eleição de Donald Trump, do partido Republicano,
contra Kamala Harris, do Democrata. Essa disputa tornou o filme ainda mais
interessante, pois na história entra como favorito um candidato independente,
Nate Sterling (John Cena), um ex-atleta de renome que ingressou recentemente na política. O filme explora os bastidores das campanhas dos três
presidenciáveis, Sterling, Patricia Turnbull (Ann Dowd), do Democrata, e o
presidente Archer (Victor Slezak), candidato republicano à reeleição. No
jornal The Washington Chronicle, a jornalista novata Elisha “Eli” James (Jodie
Turner-Smith) é designada para assessorar o experiente Nick Bocker (Brian Cox),
principal colunista político do jornal. O filme dá oportunidade ao espectador
de acompanhar tudo o que acontece por trás do noticiário, inclusive aquelas sujeiras
que fazem parte das campanhas políticas de eleições em qualquer país do mundo. Elisha
descobre que um dos candidatos está envolvido em corrupção. Mas conseguir a
aprovação da direção do jornal para publicar a grande notícia é um enorme
desafio, mesmo que tenha o aval de seu mentor Nick Bocker. E, pior, um dos principais assessores do candidato é seu namorado. Situação bem complicada. E que atuação
da atriz inglesa Jodie Turner-Smith (Queen & Slim”, “Sem Remorso”), sem
dúvida um dos maiores trunfos desse ótimo suspense político. Não perca!
segunda-feira, 11 de novembro de 2024
“PRISCILLA”, 2023, Estados
Unidos, 1h53m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Sofia Coppola. Ao
contrário da cinebiografia “Elvis”, de 2022, onde o rei do rock é o personagem
principal, em “Priscilla” o foco central é a ex-mulher do astro. O roteiro foi
inspirado no livro “Elvis and Me”, escrito pela própria Priscilla em 1985. A
história começa em 1958, quando Elvis, já famoso aos 24 anos, servia como soldado
numa base militar norte-americana na Alemanha. Aqui ele conhece a adolescente
de 14 anos Priscilla Ann Beaulieu, cujo padrasto era oficial do exército dos
EUA. Priscilla se apaixonou pelo astro e este por ela. Entre idas e vindas,
eles se casaram em 1962 e ficaram juntos durante 10 anos. A relação tumultuada é
vista sob a ótica de Priscilla, que sofreu um bocado nas mãos de Elvis. O filme
mostra as desavenças do casal, a solidão de Priscilla na mansão Graceland
enquanto Elvis saía em turnês ou participava de filmes, as fofocas nos jornais
sobre os supostos romances de Elvis com Ursula Andress, Ann-Margareth e Nancy
Sinatra, entre outras, o vício do marido em remédios e em livros esotéricos, além da submissão às ordens do
astro, que inclusive exigia as roupas que ela deveria usar, a maquiagem e o cabelo.
Estão no elenco Caille Spaeny como Priscilla, Jacob Elordi como Elvis, a atriz
polonesa Dagmara Dominczyk como Anna Beaulieu, mãe de Priscilla, Ari Cohen como
o pai e Tim Post como o pai de Elvis. O filme teve sua primeira exibição em
setembro de 2023 no Festival de Veneza, com sucesso de público e crítica. Aos 53 anos, Sofia, filha do também diretor Francis Ford Coppola, firma-se cada vez mais
como uma cineasta de respeito, responsável por outros bons filmes como “As
Virgens Suicidas”, “Encontros e Desencontros”, “O Poderoso Chefão III”, “O
estranho que nós Amamos” e “Maria Antonieta”, entre outros. Sofia foi a
primeira mulher a ganhar o “Leão de Ouro” no Festival de Veneza, em 2010, por “Somewhere”.
Também foi a terceira mulher indicada para o Oscar de Melhor Diretor”. Com
relação a “Priscilla”, Sofia também fez um excelente trabalho. Nem mesmo a
altura exagerada do ator Jacob Elordi e o tipo mignon da atriz Caille Spaeny,
que evidenciam um enorme contraste, prejudicaram o resultado final. Vale a pena
conhecer a história sob o ponto de vista da ex-mulher do astro.
domingo, 10 de novembro de 2024
“ARMAGEDDON TIME” (o título original permaneceu quando chegou ao catálogo da Prime Vídeo), 2022, Estados Unidos,
1h55m, roteiro e direção de James Gray (“AD Astra: Rumo às Estrelas”, “Era uma
Vez em Nova York”). Trata-se de um drama familiar inspirado nas lembranças da infância
e adolescência do diretor no início dos anos 80, tendo como pano de fundo as
eleições que colocaram Ronald Reagan na presidência dos EUA. O diretor aparece
na figura de Paul Graff (Banks Repeta), um garoto de 13 anos muito inteligente
e esperto, mas que causa constantes problemas de comportamento na escola. Seus
pais, Esther (Anne Hathaway) e Irving Graff (Jeremy Strong), não conseguem
controlar o gênio intempestivo e rebelde de Paul, cuja atenção é dedicada quase
que exclusivamente à arte de desenhar. As únicas pessoas em que ele confia e
com os quais consegue se comunicar são o avô Aron Rabinowitz (Anthony Hopkins)
e o colega de escola Johnny Davis (Jaylin Webb), um garoto negro que mora com a
avó. “Armageddon Time” é uma crônica familiar bastante sensível e tocante, à
medida que explora temas como a amizade, o racismo e o amadurecimento. Destaque
para a aparição rápida da atriz Jessica Chastain como a magistrada Maryanne
Trump, irmã do presidente norte-americano recentemente eleito. Enfim, “Armageddon
Time” é um belo filme que merece ser visto.
sábado, 9 de novembro de 2024
“O DUBLÊ” (“THE FALL GUY”), 2024, Estados Unidos, 2h6m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de David Leitch, seguindo roteiro assinado por Drew Pearce. Comédia com muita ação, romance e aventura, onde a temática gira em torno dos profissionais que se colocam no lugar dos atores e atrizes principais nas cenas de maior perigo. Em Hollywood, eles são chamados de “Stuntman” ou “Stuntwoman”. O cinema nunca os valorizou o tanto que merecem por arriscar suas vidas. Baseado na série de TV “Duro na Queda”, que fez grande sucesso nos anos 80 com Lee Majors, “O Dublê” faz uma bela homenagem a esses corajosos trabalhadores. Vamos à história. Colt Seavers (Ryan Gosling) trabalha como dublê do astro Tom Ryder (Aaron Taylor-Johnson) num filme de ação. Durante as filmagens, ele sofre uma queda e fratura alguns ossos, sendo obrigado a ficar fora de cena durante um ano. Quando se recuperou, ele recebe o convite para voltar ao trabalho no primeiro filme dirigido por sua ex-namorada Jody Moreno (Emily Blunt). As filmagens complicam a partir da morte de um dos dublês do filme, pela qual acusam Colt Seavers. Para tentar provar sua inocência, ele precisa descobrir o verdadeiro assassino e aí parte para a ação. Completam o elenco Hannah Waddingham, Teresa Palmer, Winston Duke, Stephanie Hsu, Zara Michales, David Collins e as participações especiais de Lee Majors e Jason Momoa. Não há dúvida de que a experiência do diretor David Leitch como dublê e depois como coordenador de dublês contribuiu muito para as sensacionais cenas de ação. Depois que virou diretor, Leitch fez "Velozes e Furiosos: Hobbs & Shaw", "Trem-Bala", "Atômica" e "Deadpool 2", entre outros ótimos filmes de ação. Além disso, "O Dublê" conta ainda como trunfo o carisma dos astros Ryan Gosling e a bela Emily Blunt. Trocando em miúdos, trata-se de uma superprodução com cenas de tirar o fôlego. “O Dublê” é, portanto, um excelente entretenimento, mesmo que o conteúdo dispense algum esforço dos nossos neurônios. Hollywood na veia! (Ah, não desliguem antes dos créditos finais, pois ainda tem mais ação).
quinta-feira, 7 de novembro de 2024
“O REI PERDIDO” (“THE LOST
KING”), 2022, coprodução Inglaterra/França, 1h49m, em cartaz na
Prime Vídeo, direção do veterano Stephen Frears (“Ligações Perigosas”, “Philomena”,
“A Rainha”), seguindo roteiro assinado por Steve Coogan (ator do filme) e Jeff
Pope. Assim como o rei, este filme encontra-se perdido no catálogo da Prime.
Infelizmente, pois é ótimo, um dos melhores que tive a oportunidade de assistir
este ano. É baseado em fatos reais (sem trocadilho), ou seja, no incrível
trabalho da historiadora amadora Philippa Langley (Sally Hawkins), que em 2012
enfrentou historiadores, arqueólogos e autoridades governamentais para uma
missão considerada impossível: descobrir os restos mortais de Ricardo III (1452-1485),
último rei da Dinastia Plantageneta. O projeto foi chamado “Procurando por
Richard” e teve uma ampla divulgação por parte da mídia inglesa. Richard foi um
dos reis mais controversos da Inglaterra, acusado, por exemplo, de ter
assassinado dois sobrinhos. Durante 500 anos, os restos mortais de Ricardo III
ficaram perdidos, intrigando especialistas em arqueologia do mundo inteiro. Utilizando
apenas sua intuição, Philippa apostou que os restos mortais estavam escondidos
no subsolo de Leicerster, cidade localizada a 159 km de Londres. Ela mobilizou
Deus e o mundo para conseguir escavar o solo de um estacionamento. Por incrível
que pareça, ela tinha razão. Completam o elenco Steve Coogan, Harry Lloyd e
Mark Addy. O filme é ótimo, não apenas pela história em si, mas também pelo
desempenho maravilhoso da atriz Sally Hawkins, indicada como Melhor Atriz ao
Oscar pelo filme The Shape of Water” (2017) e como Melhor Atriz Coadjuvante por
“Blue Jasmine” (2013), além de premiada como Melhor Atriz no Globo de Ouro e no
Festival de Berlim por “Happy-Go-Lucky” (2009). Para concluir, insisto em
afirmar que o “O Rei Perdido” é um filmaço imperdível.
quarta-feira, 6 de novembro de 2024
“A SUBSTÂNCIA” (“THE SUBSTANCE”), 2024,
coprodução Estados Unidos/Inglaterra, 2h20m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro
e direção da cineasta francesa Coralie Fargeat (“Revenge”). Polêmico
(literalmente) até a medula, filme trouxe de volta ao estrelato a atriz Demi
Moore, cuja carreira tem muito a ver com a personagem que interpreta, Elisabeth
Sparkle, que depois de alcançar um grande sucesso em Hollywood, acabou fazendo
um programa televisivo de fitness nos mesmos moldes do que fez, há
anos, a atriz Jane Fonda. Mesmo com a grande audiência do programa, Elisabeth
foi afastada pelo diretor da emissora, o insuportável Harvey (Dennis Quaid),
que exigia uma atriz mais nova. Abalada com a situação, Elizabeth recorreu a uma
droga anunciada como “A Substância”, cuja mensagem de divulgação dizia: “Já
sonhou com uma versão melhor de si mesmo? Você. Só que melhor em todos os
sentidos. Você precisa experimentar esse produto. Mudou a minha vida”. Elisabeth
não teve medo de ingressar no projeto, do qual originou uma cópia – ou um clone
- bem mais jovem (Margaret Qualley). Só que tinha um detalhe importante: cada
uma teria uma vida alternada por semana, devendo aplicar-se um coquetel de remédios.
Claro que chega o momento em que uma começa a sentir inveja da outra e as
consequências serão bastante trágicas. Impossível não comparar a história com a
própria experiência de Demi Moore, uma atriz que ficou famosa na juventude mas
que acabou meio que esquecida por Hollywood. Hoje, aos 61 anos, ela retoma sua
carreira com uma grande atuação. Não duvido que seja indicada ao Oscar 2025.
Também merece destaque a atuação de Margaret Qualley, uma jovem atriz – filha da
também atriz Andie McDowell – que alcançou o estrelato ao atuar em filmes como “Era
uma Vez em Hollywood”, “Garotas em Fuga” e “Maid”. Trocando em miúdos, “A
Substância” é um filme muito interessante e criativo, explorando o gênero “Body
Horror”, com cenas corporais explícitas e grotescas. Aliás, também acrescento
uma categoria do Oscar que o filme pode disputar, a de maquiagem. Não deixe de
assistir.
segunda-feira, 4 de novembro de 2024
“TRAIDORA AMERICANA: O
JULGAMENTO DE AXIS SALLY” (“AMERICAN TRAITOR: THE TRIAL OF AXIS
SALLY”), 2021, Estados Unidos, 1h48m, em cartaz na HBO Max, roteiro e
direção de Michael Polish. Por mais que tenha lido livros e assistido a filmes
sobre fatos relativos à Segunda Guerra Mundial, confesso que nunca ouvi falar
sobre esse caso. Na década de 30, sem espaço em Hollywood, a atriz
norte-americana Mildred Gillars (Meadow Williams) foi para a Alemanha tentar um
lugar ao sol. Conheceu o empresário Max Otto Koischwitz (Carsten Norgaard), que
depois viria a ser seu marido, e conseguiu um certo destaque cantando em bares
e teatros. No início da guerra, com o nome artístico de Axis Sally, ela foi contratada por Joseph Goebbels, ministro da Propaganda de Hitler, para apresentar um
programa de rádio onde cantava e fazia locução de mensagens antissemitas e
contra os Estados Unidos e Inglaterra. Axis exaltava o poderio militar alemão e
aconselhava os norte-americanos a não entrarem na guerra. Tudo sob a orientação de Goebbels. Depois do final do
conflito, Axis foi presa e enviada de volta para os Estados Unidos, onde seria
julgada em 1948 por traição. Para defendê-la, entra em cena o advogado James
Laughlin (Al Pacino), famoso no mundo jurídico por suas estratégias inusitadas
e seu comportamento pouco protocolar. Completam o elenco Thomas Kretschmann, como Goebbels, e Swen Femmel como Billy Owen, estagiário do advogado Laughlin. Para quem também não conhece essa
história, prefiro não contar o que aconteceu durante e após o julgamento para não estragar as surpresas. Não
só pelos fatos reais da história, vale a pena assistir pelo desempenho do grande
Al Pacino, cuja presença em cena vale uma visita ao filme.
domingo, 3 de novembro de 2024
“OBSERVADOR” (“WATCHER”), 2022,
coprodução Estados Unidos/Romênia, 1h36m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e
direção da cineasta Chloe Okuno (da série “Deixa Ela Entrar”). A história
começa com o casal Julia (Maika Monroe) e Francis (Karl Glusman) chegando a
Bucareste, capital da Romênia. Ele foi transferido da empresa em que trabalhava em Nova York para a filial daquele país. Julia foi obrigada a abandonar a
carreira de atriz de teatro para acompanhar o marido. Sem conhecer nenhuma
pessoa, sem falar o romeno e sem ter o que fazer durante o dia, ela começa a
ficar entediada. Ela consegue fazer apenas uma amizade com a vizinha Irina
(Madalina Anea), que fala inglês e a socorre de vez em quando na comunicação
com os outros vizinhos. O único passatempo de Júlia é passar o tempo olhando
pela janela, até que um dia começa a cismar que um morador do prédio vizinho fica
olhando o tempo todo para ela. Quando uma mulher é assassinada no mesmo bairro,
Julia começa a se apavorar e fica obcecada e paranoica pela possibilidade daquele vizinho
ser o assassino. Ela comenta essa suspeita com o marido, que chama a polícia, mas
nada fica provado contra o vizinho, um tal de Daniel Weber (Burn Gorman), um
homem solitário que cuida do pai doente. E por esse caminho segue a trama, para
terminar com um desfecho dos mais surpreendentes e impactantes, a cereja do
bolo desse ótimo suspense. Não perca!
sexta-feira, 1 de novembro de 2024
“CANÁRIO NEGRO” (“CANARY BLACK”), 2024,
Inglaterra, 1h43m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do cineasta francês Pierre
Morel (“Busca Implacável”, “O Franco Atirador", “A Justiceira”), seguindo
roteiro assinado por Matthew Kennedy. A atriz Kate Beckinsale mostra, aos 51
anos, que continua bonita e em plena forma física. Neste filme de ação, ela é Avery
Graves, uma agente especial da CIA bem sucedida em missões pelo mundo afora.
Sua missão agora será das mais perigosas, pois terá de lutar em duas frentes.
Um terrorista russo sequestra o seu marido Davi (Rupert Friend) e, para não matá-lo,
exige que Avery roube um dispositivo contendo informações sobre o tal de “Canary Black”,
um projeto criado e desenvolvido pelo governo norte-americano capaz de interferir
e dominar os sistemas de comunicação de todos os países do mundo. Ou seja, para
salvar o seu marido, Avery terá de trair o seu próprio governo. A situação é
complicada demais e Avery conta somente com a ajuda do amigo Jarvis (Ray
Stevenson, ator inglês que morreu logo depois das filmagens) e de sua colega
Sorina (Romina Tonkovic), especialista em informática. Como filme de ação, “Canário
Negro” deve agradar aos fãs do gênero, pois não economiza nas cenas de pancadaria,
perseguições e tiros. Completam o elenco Goran Kostic, Arben Bajraktaraj, Jaz
Hutchins e Saffrow Burrows. Pelo que dá a entender no desfecho, o filme deverá ter
uma sequência, que, espero, tenha uma história mais criativa.
quarta-feira, 30 de outubro de 2024
“PEQUENAS CARTAS OBSCENAS” (“WICKED
LITTLE LETTERS”), 2023, coprodução Inglaterra/França/Estados
Unidos, em cartaz na HBO Max, direção de Thea Sharrock (”Como Eu Era Antes de
Você”), seguindo roteiro assinado por Jonny Sweet. Mais uma pequena joia do
cinema atual, uma comédia inteligente, com um elenco afinado com algumas
atuações primorosas. E, melhor: a história é baseada em fatos reais, o que dá
um sabor especial ao que veremos na telinha. Estamos em 1920 na pequena cidade inglesa de Littlehampton. Moradoras de um bairro começam a receber cartas anônimas
obscenas, escandalosas e maldosas. Uma das vítimas é Edith Swan (Olivia Colman),
que, além de solteirona, é conhecida fanática religiosa. Ela mora com os pais,
Edward (Timothy Spall) e Victoria Swan (Gemma Jones), que a tratam como criança
e empregada da casa. Edith vai à polícia e acusa sua vizinha Rose Gooding (Jessie
Buckley), como a perversa missivista. Para o conservadorismo machista da época,
Rose realmente era a principal suspeita. Imigrante irlandesa, Rose era conhecida como uma moça desbocada, beberrona, briguenta e, ainda por cima, mãe solteira da
pequena Nancy (Alisha Weir). Rose é presa e tentará provar que é inocente. Para
isso, contará com a ajuda da policial Gladys (Anjana Vasan) e de três
integrantes do Clube das Cartas. Graças a um roteiro elaborado com
inteligência, as situações cômicas vão se acumulando ao longo da história, tornando
o filme agradável de assistir, com um desfecho que é a cereja do bolo. O elenco
valoriza ainda mais o resultado final, começando pela maravilhosa Olivia Colman
(Oscar de Melhor Atriz em 2022 por “A Filha Perdida”), a irlandesa Jessie
Buckley (indicada ao Oscar de Atriz Coadjuvante também por “A Filha Perdida”) e
os veteranos Timothy Spall e Gemma Jones. Trocando em miúdos, “Pequenas Cartas
Obscenas” é simplesmente imperdível.





















