quarta-feira, 11 de dezembro de 2024


“A INFORMANTE” (“WINNER”), 2024, coprodução Canadá/EUA, 1h52m, em cartaz na HBO Max, direção de Susanna Fogel, que também assina o roteiro juntamente com Kerry Howley. Grata surpresa este drama baseado em fatos reais. Depois de ter sido militar na Força Aérea dos Estados Unidos, a jovem Reality Winner (Emilia Jones, ótima) foi trabalhar como analista no Serviço de Inteligência da Agência de Segurança Nacional. Em 1916 ela foi acusada de vazar informações sobre a interferência russa nas eleições presidenciais norte-americanas naquele ano, sendo presa pelo crime de traição à pátria. Quem conviveu com a família da moça certamente adivinhou esse desfecho, pois Reality, a exemplo do pai Ron (Zach Galifianakis), cresceu como ativista e defensora do meio ambiente, dos direitos humanos, da justiça social e da democracia. Ou seja, uma mulher politicamente correta. Também estão no elenco Connie Britton, Danny Ramirez e Kathryn Newton. O roteiro não deixou o filme descambar para um drama, pois adotou um tom mais leve e bem humorado, diluindo a gravidade dos eventos retratados, tornando o filme mais acessível e menos impactante. Talvez este seja o único defeito do filme, já que a história merecia um tratamento mais sério como drama político. De qualquer forma, “A Informante” consegue captar a atenção do espectador do começo ao fim. Não perca.   

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

 

“ECOS DO PASSADO” (“KALÁVRYTA 1943”), 2021, Grécia, 1h39m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Nicholas Dimitropoulos, que também assina o roteiro com Dimitrios Katsantonis. Dois motivos especiais me motivaram a assistir a este filme grego. Primeiro, o fato histórico retratado, baseado em fatos reais, ou seja, o massacre, por parte dos soldados nazistas, contra a população do vilarejo de Kalávryta, em 1943. Segundo motivo é relativo à presença no elenco do grande ator sueco Max Von Sydow neste que foi seu último filme de uma longa carreira vitoriosa. Ele faleceu pouco depois do término das filmagens. “Ecos do Passado” é filmado em flashbacks, contando com grande realismo o que aconteceu no pequeno vilarejo grego. Em retaliação à morte de soldados nazistas, o comandante do exército alemão que ocupava a Grécia ordenou que a população local fosse totalmente dizimada. Ao final, centenas de pessoas foram mortas. No tempo presente, o filme é centrado na advogada Caroline Martin (Astrid Roos), que representa o governo alemão contra as reivindicações gregas por indenização pelo massacre de Kalávrita. Caroline viaja à Grécia para investigar o caso e encontra o único sobrevivente masculino daquela tragédia, o escritor Nikolaos Andreou (Max Von Sydow). É o próprio Nikolaos que narra a história, relembrando o que aconteceu. Caroline não tinha ideia das atrocidades praticadas pelos soldados alemães e se emociona com o relato. Sob o ponto de vista histórico, o filme é ótimo, pois revela um caso pouco conhecido pelo grande público. Trata-se de uma superprodução do cinema grego, considerado o filme mais caro dos últimos anos. Trocando em miúdos, “Ecos do Passado” é obrigatório, poderoso e realista como poucos. Imperdível!   

         

               

                     

terça-feira, 3 de dezembro de 2024

 

“JOY”, 2024, Inglaterra, 1h55m, em cartaz na Netflix, direção de Ben Taylor (“Sex Education”), seguindo roteiro assinado por Jack Thorne, Rachel Mason e Emma Gordon. O filme é baseado em fatos reais que culminaram no nascimento do primeiro bebê in vitro, que depois ficaria conhecido popularmente, no mundo inteiro, como bebê de proveta.  A história começa em 1968, em Cambridge e depois em Bristol, quando o cientista Robert Edwards (James Norton), a enfermeira e embriologista Jean Purdy (Thomasin McKenzie) e o ginecologista Patrick Steptoe (Bill Nighy) começaram a pesquisar um processo envolvendo a combinação de óvulos e espermatozóides em um ambiente laboratorial, fora do corpo da mulher. O filme acompanha passo a passo todas etapas do trabalho do trio, as pesquisas com mulheres inférteis, a violenta oposição dos religiosos, que chamavam Edwards de “Dr. Frankestein”, e a perseguição incessante da imprensa inglesa. O primeiro bebê de proveta somente nasceria em 1978, fato alardeado no mundo inteiro como um grande avanço da ciência. Louise Joy Brown, o bebê, hoje aos 46 anos, continua viva e saudável. Embora o filme seja muito interessante como registro histórico, o espectador comum talvez tenha dificuldade de entender a linguagem técnica utilizada em muitos diálogos. Eu passei batido em vários. Certamente o pessoal da área médica terá mais facilidade de acompanhar os acontecimentos, principalmente no que se refere às pesquisas. Para as novas gerações, que talvez não imaginem como nasceu a fertilização in vitro, “Joy” é bastante esclarecedor.     

domingo, 1 de dezembro de 2024

“TIGRES E HIENAS” (“TIGRES Y HIÈNES”), 2024, França, 1h49m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Jérémie Guez, que também assina o roteiro com a colaboração de Louis Lagayette. Não é de hoje que o cinema francês tem nos ofertado ótimos filmes de ação, alguns deles do próprio Jérémie Guez, como “Asfalto de Sangue” e “Ligados pelo Sangue”, entre outros. O cineasta francês volta ao submundo do crime em Paris para desenvolver a história de “Tigres e Hienas”. Quando soube que seu padrasto Serge (Vincent Pérez), um conhecido assaltante de bancos, foi preso novamente, o jovem Malik (Waël Sersoub) retorna da Espanha para Paris para saber o que aconteceu e também para dar apoio para a mãe. Serge foi preso juntamente com outros três assaltantes, um deles Chérif Zhaoui (Omar Salim). Durante o julgamento da quadrilha, a advogada Irís (Géraldine Nakache), defensora de Chérif, faz uma proposta maluca e improvável para Malik: em troca da liberdade de seu padrasto, ele terá que planejar e praticar um audacioso assalto e ainda participar de um plano para libertar os presos que estão sendo julgados. Como deve sua vida ao padrasto, quando este o livrou da morte quando era apenas um adolescente, Malik topa a empreitada, devendo recrutar, para isso, alguns marginais indicados pela advogada. Completam o elenco Olivier Martinez, Evelyne El Garby Klaï, Samir Guesmi, Cassandra Cano e Sofiane Zermani.  Recomendo que você não ligue tanto para o conteúdo um tanto inverossímil da história, mas sim para as sequências de ação, algumas delas de tirar o fôlego. Importante destacar que a maioria dos personagens – como também os atores que os interpretam – são de origem árabe e africana. Ou seja, a participação de imigrantes na vida francesa, para bem e para o mal, está cada vez maior.

 

“SUBMISSÃO” (“ALICE: SUBSERVIENCE”), 2024, Estados Unidos, 1h46m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de S.K. Dale (Scott Dale), seguindo roteiro assinado por Will Honley e April Maguire. O filme explora, com muita competência, um tema da maior atualidade: a Inteligência Artificial. O roteiro mistura ficção científica, suspense, terror e erotismo. A história acontece num futuro difícil de afirmar se é próximo ou longínquo - mas sabemos que vai chegar. Enquanto sua esposa Maggie (Madeline Zima) permanece internada num hospital à espera de um transplante de coração, seu marido Nick (Michele Morrone) resolve adquirir uma androide (Megan Fox) para executar os serviços domésticos e de babá dos filhos do casal. Aliás, foi Isla (Mathilde Firth), a filha mais velha, que escolheu o nome da sua babá robô: Alice. A partir da chegada de Alice na casa o espectador mais atento logo percebe que a androide e seu dono vão acabar tendo um caso. Mas como, se ela é um robô, que imaginamos sem sentimentos? Nada é impossível para Hollywood. Quando Maggie volta para casa, depois do transplante, a harmonia da família acaba indo (literalmente) escada abaixo. Nick terá que administrar a confusão para salvar a família de uma tragédia. O filme garante um bom suspense e muitas cenas eróticas. Pelo desfecho já dá para prever que vem uma sequência logo logo. A bela Megan Fox, é claro, arrasa como a robô erótica, num de seus papeis mais difíceis. O ator italiano Michele Morrone, o garanhão de “365 Dias”, também não destoa, neste que é seu primeiro filme nos States. Trocando em miúdos, “Submissão” é um entretenimento de primeira, mas é bom dar um alerta: tirem as crianças da sala.                       

terça-feira, 26 de novembro de 2024

“TRANSMITZVAH”, 2024, Argentina, 1h42m, em cartaz na Netflix, direção de Daniel Burman (“Ninho Vazio”, “O Décimo Homem”), que também assina o roteiro com Ariel Gurevich. Divulgado como uma comédia, longe disso, “Transmitzvah” é um drama com muita música que tem como pano de fundo a tradição judaica. Se tivesse partido para a comédia, o filme certamente seria muito melhor e não tão decepcionante. Começa o filme e temos uma família de judeus ortodoxos sentada para jantar e anunciar que o seu filho Rubén (Milo Burgess-Webb), de 12 anos, participará em breve do seu Bar Mitzvah, cerimônia de passagem para a vida adulta. Só que a passagem foi outra. Rubén anunciou que dali em diante seria Mumy, ou seja, uma menina. E, portanto, sem Bar Mitzvah. A história dá um salto de vinte anos e agora Mumy é a cantora trans Mumy Singer (Penélope Guerrero, de “Sky Rojo”, “Nacho” e “Vestidas de Azul”), que faz enorme sucesso pelo mundo afora cantando músicas pop em iídiche, língua falada pelos judeus no mundo inteiro. Ao retornar à Argentina - ela estava morando na Itália -, para  fazer shows e rever os pais e o irmão mais velho Eduardo (Juan Minujín, de “Golpe Duplo” e “Dois Papas”), Mumy resolve procurar um rabino que concorde em fazer o seu Bar Mitzvah. No fim, os irmãos viajam para a Espanha em busca de um guru - e aí o filme descamba realmente para o desastre. Recheado de números musicais e coreografias com bailarinos – o que me fez lembrar dos filmes indianos que abusam daquelas irritantes danças coletivas – e uma história um tanto mirabolante e pouco convidativa, “Transmitzvah” se arrasta em ritmo lento, o que faz com que a 1h42m pareça muito mais. O consagrado diretor Daniel Borman desta vez pisou em la pelota.                        

domingo, 24 de novembro de 2024

 

“VENCER OU MORRER” (“VENCER O MORIR”), 2024, Chile, minissérie baseada em fatos reais de 8 episódios em cartaz na Prime Vídeo, direção de Rodrigo Sepúlveda e Gabriel Díaz, com roteiro de Josefina Fernández, Mauricio Dupuis e Francesca Bernardi. Dez anos após o golpe militar desfechado contra o presidente Salvador Allende, um grupo de jovens resolve fundar a Frente Patriótico Manuel Rodríguez (FPMR) para lutar contra a ditadura do General Augusto Pinochet. A FPMR atuava sob a orientação do partido comunista chileno, que indicava os atentados que deveriam ser efetuados contra a ditadura, mas o planejamento e a execução eram de responsabilidade dos jovens. A minissérie destaca a atuação no grupo guerrilheiro da professora de sociologia Cecília Magni Camino (a ótima Mariana Di Girolamo), que ingressou na FPMR como soldado e logo atingiu o posto de comandante, sob o pseudônimo de Tamara. Acima dela estava o comandante Rodrigo (o ator uruguaio Nicolás Furtado), guerrilheiro mais experiente por ter lutado pela causa comunista em outros países. O grupo terrorista era perseguido pelos agentes da Central Nacional de Informações (CNI), comandados pelo violento comissário Bareta (Gabriel Urzúa). Depois de vários atentados, incluindo o sequestro de um general de alta patente, o FPMR resolveu planejar o assassinato do próprio Pinochet. Quem conhece um pouco essa história saberá o seu final, mas deixo a surpresa para quem não conhece. Não tenho dúvida em apontar a minissérie chilena como uma das melhores do ano, bastante movimentada, roteiro bem elaborado e uma primorosa ambientação de época, na qual se destacam os cenários, os figurinos e a trilha sonora. “Vencer ou Morrer” – o grito de guerra da FPMR – é um registro histórico da melhor qualidade. Imperdível!                    

         

quinta-feira, 21 de novembro de 2024

“APENAS CORRA” (“RUN RABBIT RUN”), 2023, Austrália, 1h40m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Daina Reid (das séries “Iluminadas” e “O Conto da Aia”), seguindo roteiro assinado por Hannah Kent. A tradução literal do título original é “Foge Coelho Foge”, que também vi em outro material de divulgação. Trata-se de um misto de suspense e terror sobrenatural, com a vantagem de não ter efeitos especiais, o que garante maior credibilidade. A história é centrada na médica Sarah (Sarah Snook), uma mulher divorciada mãe da pequena Mia (Lily Latorre). Aos poucos, a menina começa a apresentar um comportamento estranho, dizendo ser alguém que jamais conheceu. Em vez de consultar algum psiquiatra ou psicólogo para diagnosticar o que se passa com sua filha, Sarah mostra uma atitude muito passiva, mesmo depois que Mia começa a sangrar pelo nariz. Ora, qualquer mãe teria levado a filha para ser examinada, fazer uma tomografia. Sarah, porém, começa a apresentar um comportamento também estranho, que, logo o espectador irá saber, tem tudo a ver com seu passado. Até que o filme mantém um clima de tensão bastante acentuado, garantindo o suspense necessário para levar o espectador a esperar alguma revelação bombástica, o que realmente acontece perto do desfecho. A atriz australiana Sarah Snook se destaca no elenco, comprovando sua competência consagrada na série “Succession”, pela qual ganhou 2 Globos de Ouro e também um Emmy. Outro destaque no elenco é a presença de Greta Scacchi, que já foi uma das atrizes mais bonitas do cinema – e uma das minhas divas. Em respeito justamente à antiga beleza da atriz, hoje com 64 anos, a diretora mostrou Greta entre sombras. Trocando em miúdos, “Apenas Corra” garante uns bons sustos, não muito mais que isso.                              

terça-feira, 19 de novembro de 2024

“O HOMEM QUE AMAVA OS DISCOS VOADORES” (“EL HOMBRE QUE AMABA A LOS PLATOS VOLADORES”), 2024, Argentina, 1h47m, em cartaz na Netflix, direção de Diego Lerman, seguindo roteiro assinado por Adrián Biniez. Na base da sátira bem-humorada, o filme relembra os fatos reais que envolveram, em 1986, o jornalista e apresentador de TV José Bernardo Kerzer, cujo nome artístico era José de Zer. Interpretado pelo ator Leonardo Sbaraglia, o jornalista ficou famoso na Argentina depois que seu programa alcançou picos de audiência ao explorar o tema “Não Estamos Sozinhos”. Tudo começa quando José de Zer recebe uma dica de pauta nos pampas argentinos, próximo ao vilarejo La Candelaria, na província de Córdoba. Aqui, os habitantes descobrem um círculo perfeito desenhado na mata que mobilizou toda a população do vilarejo. Enquanto cobre o evento misterioso, o jornalista tem a ideia de explorar a hipótese de uma aeronave alienígena ter pousado naquele local, lançando a teoria de que os alienígenas teriam visitado a Argentina. Com entrevistas forjadas e encenações bizarras, o jornalista exibe várias reportagens que alavancam a audiência de seu programa, transformando-o numa celebridade nacional. Audiência que aumentaria ainda mais após um acidente envolvendo o jornalista. Depois de assistir ao filme fiquei em dúvida se tudo isso aconteceu mesmo ou o roteiro aumentou a dose. Em todo caso, vale a pena assistir, pois trata-se de mais um ótimo e interessante filme argentino. Ainda mais pela presença impecável de Leonardo Sbaraglia, ator de filmes como “Relatos Selvagens”, “Puan”, “No Fim do Túnel” e “Plata Quemada”, entre outros clássicos.                            

         

domingo, 17 de novembro de 2024



 

"BACK TO BLACK", 2024, Inglaterra, 2h02m, em cartaz na Prime Vídeo, direção da cineasta inglesa Sam Taylor-Johnson (“O Garoto de Liverpool”, “Cinquenta Tons de Cinza”), seguindo roteiro assinado por Matt Greenhalgh. Cinebiografia da cantora e compositora Amy Winehouse (Marisa Abela), que se notabilizou não apenas como artista, mas por causa da sua vida particular tumultuada, principalmente com relação ao consumo de álcool e drogas pesadas, além do seu gênio explosivo. Resultado: morreu jovem, em 2011, aos 27 anos, no auge do sucesso. Era considerada uma cantora de jazz, no que discordo. Era mais do soul e R & B, embora tenha tido uma grande influência das grandes cantoras de jazz, como, por exemplo, Sarah Vaughan, além da avó Cynthia (Lesley Manville), uma antiga cantora de jazz. O filme relembra sua adolescência e o início da fase adulta, quando começa a fazer sucesso. Destaca ainda a influência musical da família judia, seu polêmico casamento com Blake (Jack O’Connell), um notório viciado em drogas, e a relação conflituosa com os paparazzi, que não a deixavam em paz um minuto sequer. O foco principal, porém, é a série de músicas que fizeram sucesso e que a levaram a conquistar vários prêmios Grammy, interpretadas pela atriz Marisa Abela, cuja ótima atuação é um dos trunfos do filme. A crítica especializada não gostou muito, mas eu gostei e recomendo.                    

 

“BANCO CENTRAL SOB ATAQUE” (“ASALTO AL BANCO CENTRAL”), 2024, Espanha, minissérie da Netflix em cinco episódios, direção de Daniel Calparsoro, seguindo roteiro assinado por Patxi Amezcua. O pano de fundo dessa excelente minissérie, baseada em fatos reais, é a situação política caótica da Espanha no início dos anos 80. Três meses após a tentativa de golpe de Estado no congresso espanhol, em fevereiro de 1981, onze homens encapuzados invadem o Banco Central de Barcelona fazendo 300 reféns, entre funcionários e clientes. Eles exigiam do governo espanhol que libertasse o tenente-coronel Antonio Tejero Molina, que comandou a tentativa de golpe contra o congresso.  Enquanto isso, arrombaram o cofre para roubar o dinheiro. Durante 37 horas, os assaltantes e os reféns mantiveram-se trancados no banco, enquanto o líder da quadrilha negociava com as autoridades. A jornalista novata Maider (María Pedraza), que cobria o assalto juntamente com o fotógrafo Berni (Hovik Keuchkerian), desconfiou que havia algo mais por trás do assalto. E começou a investigar, contando com informações sigilosas do comissário Paco (Isac Férriz), da polícia de Barcelona, estranhamente afastado do caso. Atuam também com destaque no elenco Miguel Herrán, como José Juan Martinez Gómez, o chefe da quadrilha, e Patrícia Vigo, esposa do diretor na vida real, como a editora-chefe do jornal. Graças a um roteiro bem elaborado, o clima da minissérie é de tensão do começo ao fim, prendendo a atenção do espectador para o que acontecerá no desfecho. Minissérie para não perder.                

         

sexta-feira, 15 de novembro de 2024

 

"LIVRE: ENCANTO CRIMINAL” (“LIBRE”), 2024, França, 1h50m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Mélanie Laurent – mais conhecida como atriz, é seu oitavo filme como diretora -, que também assina o roteiro com Christophe Deslandes. Baseado em fatos reais, o filme conta a história de Bruno Sulak (Lucas Bravo), que no início dos anos 80 ficou famoso como ladrão de supermercados e joalherias. Sem nunca ter disparado um tiro ou cometido nenhum tipo de violência em suas ações, Bruno chegou a ser chamado de Arsène Lupin dos anos 80, Robin Hood francês e Inimigo nº 1 da França. Bruno também ficou famoso pelas suas fugas espetaculares das prisões. O filme ressalta também sua fama de galã, aqui demonstrada pelo charmoso ator e modelo Lucas Bravo, que fez sucesso na série “Emily in Paris” como chef de cozinha e par romântico da personagem principal. Em “Livre”, seu par romântico é Annie (Léa Luce Busato), cúmplice em seus assaltos como motorista nas fugas. Outro personagem de destaque na história é o comissário de polícia George Moréas (Yvan Attal), que prendeu o ladrão várias vezes e no final acabou ficando seu amigo. Completam o elenco Radivoje Bukvic, David Murgia, Steve Tientcheu e Slimane Dazy. Como entretenimento, o filme é ótimo, pois tem ação, romance, humor e uma deliciosa trilha sonora, com vários sucessos da época.

 


quarta-feira, 13 de novembro de 2024

“O CANDIDATO INDEPENDENTE” (“THE INDEPENDENT”), 2023, Estados Unidos, 1h48m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Amy Rice, seguindo roteiro assinado por Evan Parter. Acabamos de acompanhar a eleição de Donald Trump, do partido Republicano, contra Kamala Harris, do Democrata. Essa disputa tornou o filme ainda mais interessante, pois na história entra como favorito um candidato independente, Nate Sterling (John Cena), um ex-atleta de renome que ingressou recentemente na política. O filme explora os bastidores das campanhas dos três presidenciáveis, Sterling, Patricia Turnbull (Ann Dowd), do Democrata, e o presidente Archer (Victor Slezak), candidato republicano à reeleição. No jornal The Washington Chronicle, a jornalista novata Elisha “Eli” James (Jodie Turner-Smith) é designada para assessorar o experiente Nick Bocker (Brian Cox), principal colunista político do jornal. O filme dá oportunidade ao espectador de acompanhar tudo o que acontece por trás do noticiário, inclusive aquelas sujeiras que fazem parte das campanhas políticas de eleições em qualquer país do mundo. Elisha descobre que um dos candidatos está envolvido em corrupção. Mas conseguir a aprovação da direção do jornal para publicar a grande notícia é um enorme desafio, mesmo que tenha o aval de seu mentor Nick Bocker. E, pior, um dos principais assessores do candidato é seu namorado. Situação bem complicada. E que atuação da atriz inglesa Jodie Turner-Smith (Queen & Slim”, “Sem Remorso”), sem dúvida um dos maiores trunfos desse ótimo suspense político. Não perca!              

segunda-feira, 11 de novembro de 2024

“PRISCILLA”, 2023, Estados Unidos, 1h53m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Sofia Coppola. Ao contrário da cinebiografia “Elvis”, de 2022, onde o rei do rock é o personagem principal, em “Priscilla” o foco central é a ex-mulher do astro. O roteiro foi inspirado no livro “Elvis and Me”, escrito pela própria Priscilla em 1985. A história começa em 1958, quando Elvis, já famoso aos 24 anos, servia como soldado numa base militar norte-americana na Alemanha. Aqui ele conhece a adolescente de 14 anos Priscilla Ann Beaulieu, cujo padrasto era oficial do exército dos EUA. Priscilla se apaixonou pelo astro e este por ela. Entre idas e vindas, eles se casaram em 1962 e ficaram juntos durante 10 anos. A relação tumultuada é vista sob a ótica de Priscilla, que sofreu um bocado nas mãos de Elvis. O filme mostra as desavenças do casal, a solidão de Priscilla na mansão Graceland enquanto Elvis saía em turnês ou participava de filmes, as fofocas nos jornais sobre os supostos romances de Elvis com Ursula Andress, Ann-Margareth e Nancy Sinatra, entre outras, o vício do marido em remédios e em livros esotéricos, além da submissão às ordens do astro, que inclusive exigia as roupas que ela deveria usar, a maquiagem e o cabelo. Estão no elenco Caille Spaeny como Priscilla, Jacob Elordi como Elvis, a atriz polonesa Dagmara Dominczyk como Anna Beaulieu, mãe de Priscilla, Ari Cohen como o pai e Tim Post como o pai de Elvis. O filme teve sua primeira exibição em setembro de 2023 no Festival de Veneza, com sucesso de público e crítica. Aos 53 anos, Sofia, filha do também diretor Francis Ford Coppola, firma-se cada vez mais como uma cineasta de respeito, responsável por outros bons filmes como “As Virgens Suicidas”, “Encontros e Desencontros”, “O Poderoso Chefão III”, “O estranho que nós Amamos” e “Maria Antonieta”, entre outros. Sofia foi a primeira mulher a ganhar o “Leão de Ouro” no Festival de Veneza, em 2010, por “Somewhere”. Também foi a terceira mulher indicada para o Oscar de Melhor Diretor”. Com relação a “Priscilla”, Sofia também fez um excelente trabalho. Nem mesmo a altura exagerada do ator Jacob Elordi e o tipo mignon da atriz Caille Spaeny, que evidenciam um enorme contraste, prejudicaram o resultado final. Vale a pena conhecer a história sob o ponto de vista da ex-mulher do astro.      

domingo, 10 de novembro de 2024

“ARMAGEDDON TIME” (o título original permaneceu quando chegou ao catálogo da Prime Vídeo), 2022, Estados Unidos, 1h55m, roteiro e direção de James Gray (“AD Astra: Rumo às Estrelas”, “Era uma Vez em Nova York”). Trata-se de um drama familiar inspirado nas lembranças da infância e adolescência do diretor no início dos anos 80, tendo como pano de fundo as eleições que colocaram Ronald Reagan na presidência dos EUA. O diretor aparece na figura de Paul Graff (Banks Repeta), um garoto de 13 anos muito inteligente e esperto, mas que causa constantes problemas de comportamento na escola. Seus pais, Esther (Anne Hathaway) e Irving Graff (Jeremy Strong), não conseguem controlar o gênio intempestivo e rebelde de Paul, cuja atenção é dedicada quase que exclusivamente à arte de desenhar. As únicas pessoas em que ele confia e com os quais consegue se comunicar são o avô Aron Rabinowitz (Anthony Hopkins) e o colega de escola Johnny Davis (Jaylin Webb), um garoto negro que mora com a avó. “Armageddon Time” é uma crônica familiar bastante sensível e tocante, à medida que explora temas como a amizade, o racismo e o amadurecimento. Destaque para a aparição rápida da atriz Jessica Chastain como a magistrada Maryanne Trump, irmã do presidente norte-americano recentemente eleito. Enfim, “Armageddon Time” é um belo filme que merece ser visto.                

sábado, 9 de novembro de 2024

“O DUBLÊ” (“THE FALL GUY”), 2024, Estados Unidos, 2h6m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de David Leitch, seguindo roteiro assinado por Drew Pearce. Comédia com muita ação, romance e aventura, onde a temática gira em torno dos profissionais que se colocam no lugar dos atores e atrizes principais nas cenas de maior perigo. Em Hollywood, eles são chamados de “Stuntman” ou “Stuntwoman”. O cinema nunca os valorizou o tanto que merecem por arriscar suas vidas. Baseado na série de TV “Duro na Queda”, que fez grande sucesso nos anos 80 com Lee Majors, “O Dublê” faz uma bela homenagem a esses corajosos trabalhadores. Vamos à história. Colt Seavers (Ryan Gosling) trabalha como dublê do astro Tom Ryder (Aaron Taylor-Johnson) num filme de ação. Durante as filmagens, ele sofre uma queda e fratura alguns ossos, sendo obrigado a ficar fora de cena durante um ano. Quando se recuperou, ele recebe o convite para voltar ao trabalho no primeiro filme dirigido por sua ex-namorada Jody Moreno (Emily Blunt). As filmagens complicam a partir da morte de um dos dublês do filme, pela qual acusam Colt Seavers. Para tentar provar sua inocência, ele precisa descobrir o verdadeiro assassino e aí parte para a ação. Completam o elenco Hannah Waddingham, Teresa Palmer, Winston Duke, Stephanie Hsu, Zara Michales, David Collins e as participações especiais de Lee Majors e Jason Momoa. Não há dúvida de que a experiência do diretor David Leitch como dublê e depois como coordenador de dublês contribuiu muito para as sensacionais cenas de ação. Depois que virou diretor, Leitch fez "Velozes e Furiosos: Hobbs & Shaw", "Trem-Bala", "Atômica" e "Deadpool 2", entre outros ótimos filmes de ação. Além disso, "O Dublê" conta ainda como trunfo o carisma dos astros Ryan Gosling e a bela Emily Blunt. Trocando em miúdos, trata-se de uma superprodução com cenas de tirar o fôlego. “O Dublê” é, portanto, um excelente entretenimento, mesmo que o conteúdo dispense algum esforço dos nossos neurônios. Hollywood na veia! (Ah, não desliguem antes dos créditos finais, pois ainda tem mais ação).                 

quinta-feira, 7 de novembro de 2024

“O REI PERDIDO” (“THE LOST KING”), 2022, coprodução Inglaterra/França, 1h49m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do veterano Stephen Frears (“Ligações Perigosas”, “Philomena”, “A Rainha”), seguindo roteiro assinado por Steve Coogan (ator do filme) e Jeff Pope. Assim como o rei, este filme encontra-se perdido no catálogo da Prime. Infelizmente, pois é ótimo, um dos melhores que tive a oportunidade de assistir este ano. É baseado em fatos reais (sem trocadilho), ou seja, no incrível trabalho da historiadora amadora Philippa Langley (Sally Hawkins), que em 2012 enfrentou historiadores, arqueólogos e autoridades governamentais para uma missão considerada impossível: descobrir os restos mortais de Ricardo III (1452-1485), último rei da Dinastia Plantageneta. O projeto foi chamado “Procurando por Richard” e teve uma ampla divulgação por parte da mídia inglesa. Richard foi um dos reis mais controversos da Inglaterra, acusado, por exemplo, de ter assassinado dois sobrinhos. Durante 500 anos, os restos mortais de Ricardo III ficaram perdidos, intrigando especialistas em arqueologia do mundo inteiro. Utilizando apenas sua intuição, Philippa apostou que os restos mortais estavam escondidos no subsolo de Leicerster, cidade localizada a 159 km de Londres. Ela mobilizou Deus e o mundo para conseguir escavar o solo de um estacionamento. Por incrível que pareça, ela tinha razão. Completam o elenco Steve Coogan, Harry Lloyd e Mark Addy. O filme é ótimo, não apenas pela história em si, mas também pelo desempenho maravilhoso da atriz Sally Hawkins, indicada como Melhor Atriz ao Oscar pelo filme The Shape of Water” (2017) e como Melhor Atriz Coadjuvante por “Blue Jasmine” (2013), além de premiada como Melhor Atriz no Globo de Ouro e no Festival de Berlim por “Happy-Go-Lucky” (2009). Para concluir, insisto em afirmar que o “O Rei Perdido” é um filmaço imperdível.                 

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

 

“A SUBSTÂNCIA” (“THE SUBSTANCE”), 2024, coprodução Estados Unidos/Inglaterra, 2h20m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção da cineasta francesa Coralie Fargeat (“Revenge”). Polêmico (literalmente) até a medula, filme trouxe de volta ao estrelato a atriz Demi Moore, cuja carreira tem muito a ver com a personagem que interpreta, Elisabeth Sparkle, que depois de alcançar um grande sucesso em Hollywood, acabou fazendo um programa televisivo de fitness nos mesmos moldes do que fez, há anos, a atriz Jane Fonda. Mesmo com a grande audiência do programa, Elisabeth foi afastada pelo diretor da emissora, o insuportável Harvey (Dennis Quaid), que exigia uma atriz mais nova. Abalada com a situação, Elizabeth recorreu a uma droga anunciada como “A Substância”, cuja mensagem de divulgação dizia: “Já sonhou com uma versão melhor de si mesmo? Você. Só que melhor em todos os sentidos. Você precisa experimentar esse produto. Mudou a minha vida”. Elisabeth não teve medo de ingressar no projeto, do qual originou uma cópia – ou um clone - bem mais jovem (Margaret Qualley). Só que tinha um detalhe importante: cada uma teria uma vida alternada por semana, devendo aplicar-se um coquetel de remédios. Claro que chega o momento em que uma começa a sentir inveja da outra e as consequências serão bastante trágicas. Impossível não comparar a história com a própria experiência de Demi Moore, uma atriz que ficou famosa na juventude mas que acabou meio que esquecida por Hollywood. Hoje, aos 61 anos, ela retoma sua carreira com uma grande atuação. Não duvido que seja indicada ao Oscar 2025. Também merece destaque a atuação de Margaret Qualley, uma jovem atriz – filha da também atriz Andie McDowell – que alcançou o estrelato ao atuar em filmes como “Era uma Vez em Hollywood”, “Garotas em Fuga” e “Maid”. Trocando em miúdos, “A Substância” é um filme muito interessante e criativo, explorando o gênero “Body Horror”, com cenas corporais explícitas e grotescas. Aliás, também acrescento uma categoria do Oscar que o filme pode disputar, a de maquiagem. Não deixe de assistir.                                   

         

segunda-feira, 4 de novembro de 2024

 

“TRAIDORA AMERICANA: O JULGAMENTO DE AXIS SALLY” (“AMERICAN TRAITOR: THE TRIAL OF AXIS SALLY”), 2021, Estados Unidos, 1h48m, em cartaz na HBO Max, roteiro e direção de Michael Polish. Por mais que tenha lido livros e assistido a filmes sobre fatos relativos à Segunda Guerra Mundial, confesso que nunca ouvi falar sobre esse caso. Na década de 30, sem espaço em Hollywood, a atriz norte-americana Mildred Gillars (Meadow Williams) foi para a Alemanha tentar um lugar ao sol. Conheceu o empresário Max Otto Koischwitz (Carsten Norgaard), que depois viria a ser seu marido, e conseguiu um certo destaque cantando em bares e teatros. No início da guerra, com o nome artístico de Axis Sally, ela foi contratada por Joseph Goebbels, ministro da Propaganda de Hitler, para apresentar um programa de rádio onde cantava e fazia locução de mensagens antissemitas e contra os Estados Unidos e Inglaterra. Axis exaltava o poderio militar alemão e aconselhava os norte-americanos a não entrarem na guerra. Tudo sob a orientação de Goebbels. Depois do final do conflito, Axis foi presa e enviada de volta para os Estados Unidos, onde seria julgada em 1948 por traição. Para defendê-la, entra em cena o advogado James Laughlin (Al Pacino), famoso no mundo jurídico por suas estratégias inusitadas e seu comportamento pouco protocolar. Completam o elenco Thomas Kretschmann, como Goebbels, e Swen Femmel como Billy Owen, estagiário do advogado Laughlin. Para quem também não conhece essa história, prefiro não contar o que aconteceu durante e após o julgamento para não estragar as surpresas. Não só pelos fatos reais da história, vale a pena assistir pelo desempenho do grande Al Pacino, cuja presença em cena vale uma visita ao filme.                                  

domingo, 3 de novembro de 2024

“OBSERVADOR” (“WATCHER”), 2022, coprodução Estados Unidos/Romênia, 1h36m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção da cineasta Chloe Okuno (da série “Deixa Ela Entrar”). A história começa com o casal Julia (Maika Monroe) e Francis (Karl Glusman) chegando a Bucareste, capital da Romênia. Ele foi transferido da empresa em que trabalhava em Nova York para a filial daquele país. Julia foi obrigada a abandonar a carreira de atriz de teatro para acompanhar o marido. Sem conhecer nenhuma pessoa, sem falar o romeno e sem ter o que fazer durante o dia, ela começa a ficar entediada. Ela consegue fazer apenas uma amizade com a vizinha Irina (Madalina Anea), que fala inglês e a socorre de vez em quando na comunicação com os outros vizinhos. O único passatempo de Júlia é passar o tempo olhando pela janela, até que um dia começa a cismar que um morador do prédio vizinho fica olhando o tempo todo para ela. Quando uma mulher é assassinada no mesmo bairro, Julia começa a se apavorar e fica obcecada e paranoica pela possibilidade daquele vizinho ser o assassino. Ela comenta essa suspeita com o marido, que chama a polícia, mas nada fica provado contra o vizinho, um tal de Daniel Weber (Burn Gorman), um homem solitário que cuida do pai doente. E por esse caminho segue a trama, para terminar com um desfecho dos mais surpreendentes e impactantes, a cereja do bolo desse ótimo suspense. Não perca!

sexta-feira, 1 de novembro de 2024

“CANÁRIO NEGRO” (“CANARY BLACK”), 2024, Inglaterra, 1h43m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do cineasta francês Pierre Morel (“Busca Implacável”, “O Franco Atirador", “A Justiceira”), seguindo roteiro assinado por Matthew Kennedy. A atriz Kate Beckinsale mostra, aos 51 anos, que continua bonita e em plena forma física. Neste filme de ação, ela é Avery Graves, uma agente especial da CIA bem sucedida em missões pelo mundo afora. Sua missão agora será das mais perigosas, pois terá de lutar em duas frentes. Um terrorista russo sequestra o seu marido Davi (Rupert Friend) e, para não matá-lo, exige que Avery roube um dispositivo contendo informações sobre o tal de “Canary Black”, um projeto criado e desenvolvido pelo governo norte-americano capaz de interferir e dominar os sistemas de comunicação de todos os países do mundo. Ou seja, para salvar o seu marido, Avery terá de trair o seu próprio governo. A situação é complicada demais e Avery conta somente com a ajuda do amigo Jarvis (Ray Stevenson, ator inglês que morreu logo depois das filmagens) e de sua colega Sorina (Romina Tonkovic), especialista em informática. Como filme de ação, “Canário Negro” deve agradar aos fãs do gênero, pois não economiza nas cenas de pancadaria, perseguições e tiros. Completam o elenco Goran Kostic, Arben Bajraktaraj, Jaz Hutchins e Saffrow Burrows. Pelo que dá a entender no desfecho, o filme deverá ter uma sequência, que,  espero, tenha uma história mais criativa.     

                              

quarta-feira, 30 de outubro de 2024

 

“PEQUENAS CARTAS OBSCENAS” (“WICKED LITTLE LETTERS”), 2023, coprodução Inglaterra/França/Estados Unidos, em cartaz na HBO Max, direção de Thea Sharrock (”Como Eu Era Antes de Você”), seguindo roteiro assinado por Jonny Sweet. Mais uma pequena joia do cinema atual, uma comédia inteligente, com um elenco afinado com algumas atuações primorosas. E, melhor: a história é baseada em fatos reais, o que dá um sabor especial ao que veremos na telinha. Estamos em 1920 na pequena cidade inglesa de Littlehampton. Moradoras de um bairro começam a receber cartas anônimas obscenas, escandalosas e maldosas. Uma das vítimas é Edith Swan (Olivia Colman), que, além de solteirona, é conhecida fanática religiosa. Ela mora com os pais, Edward (Timothy Spall) e Victoria Swan (Gemma Jones), que a tratam como criança e empregada da casa. Edith vai à polícia e acusa sua vizinha Rose Gooding (Jessie Buckley), como a perversa missivista. Para o conservadorismo machista da época, Rose realmente era a principal suspeita. Imigrante irlandesa, Rose era conhecida como uma moça desbocada, beberrona, briguenta e, ainda por cima, mãe solteira da pequena Nancy (Alisha Weir). Rose é presa e tentará provar que é inocente. Para isso, contará com a ajuda da policial Gladys (Anjana Vasan) e de três integrantes do Clube das Cartas. Graças a um roteiro elaborado com inteligência, as situações cômicas vão se acumulando ao longo da história, tornando o filme agradável de assistir, com um desfecho que é a cereja do bolo. O elenco valoriza ainda mais o resultado final, começando pela maravilhosa Olivia Colman (Oscar de Melhor Atriz em 2022 por “A Filha Perdida”), a irlandesa Jessie Buckley (indicada ao Oscar de Atriz Coadjuvante também por “A Filha Perdida”) e os veteranos Timothy Spall e Gemma Jones. Trocando em miúdos, “Pequenas Cartas Obscenas” é simplesmente imperdível.