sexta-feira, 12 de novembro de 2021

 

“CRIME EM BUDAPESTE” (“BUDAPEST NOIR”), 2017, Hungria, 1h35m, distribuição Amazon Prime Video, direção de Éva Gardos. Trata-se da adaptação para o cinema do livro homônimo escrito por Vilmos Kondor, o primeiro de sete romances policiais com as aventuras do jornalista investigativo Zsigmond Gordon, publicados entre os anos 1930 e 1950, que fizeram grande sucesso na Hungria. Kondor, que também assina o roteiro, é considerado o criador da ficção policial húngara. “Crime em Budapeste” é ambientado em 1936. A história começa com o encontro de um corpo estendido no chão com sinais claros de espancamento. A vítima é uma jovem prostituta e o local onde foi encontrada é uma rua barra-pesada. Como a polícia não se esforça para encontrar o assassino, o jornalista Zsigmond Gordon (Krisztián Kolovratnik) resolve investigar o caso por conta própria, mesmo porque identificou a moça como a mesma que lhe pediu para acender seu cigarro na noite anterior. Não demora muito para o jornalista perceber que aquela morte pode envolver gente importante de Budapeste. Ele tem a certeza disso depois que sofre uma violenta agressão por parte de dois homens misteriosos, que deixam a mensagem de que ele não deve mais investigar o caso. Além dele, também correrá perigo sua amante Krisztina (Réka Tenki), uma fotógrafa amadora que ajuda Gordon em sua investigação. “Crime em Budapeste” apresenta todos os ingredientes daqueles filmes noir de Hollywood nos anos 30/40/50, a começar da figura do jornalista, de chapéu quase cobrindo os olhos, capote com a gola levantada e sempre com um cigarro na mão. Ajudada pela própria fisionomia do ator, ficou parecendo Dick Tracy, aquele famoso detetive das histórias em quadrinhos. A semelhança é impressionante. Há outros tantos clichês do gênero policial noir. Só faltou ser preto e branco. Gostei da caprichada recriação de época, principalmente os figurinos. Não é um filmaço, mas garanto que, com certeza, agradará muito àqueles que curtem o gênero noir.           

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

 

“A SOMBRA DE STALIN” (“MR. JONES”), 2019, disponível na plataforma Netflix, 1h59m, coprodução Polônia/Ucrânia/Inglaterra, direção da veterana cineasta Agnieszka Holland, seguindo roteiro assinado por Andrea Chalupa, com base no livro “More Than a Grain of Truth”, escrito por Margaret Siriol Colley, sobrinha do jornalista que dá nome ao personagem principal do filme. “Mr. Jones” é um drama baseado em fatos reais e centrado no jornalista galês Gareth Jones (James Norton), que em 1934 revelou ao mundo aquele que ficou chamado de “Holodomor”, o holocausto da fome promovido pelo ditador Josef Stalin que levou à morte milhões de russos, principalmente na Ucrânia, Cazaquistão e região de Kuban. Explico: em nome da revolução, o governo stalinista confiscava os suprimentos de grãos da população dessas regiões – sua maior fonte de alimentos -, enquanto divulgava que a União Soviética vivia um momento de grande desenvolvimento social, econômico e industrial. Jones não apenas desmentiu essa grande mentira como também desmascarou o famoso jornalista norte-americano Walter Duranty (Peter Sarsgaard), que durante 14 anos foi correspondente em Moscou do jornal New York Times. Vencedor do Prêmio Pulitzer em 1932, Duranty ganhava propina do governo soviético para noticiar, de forma mentirosa, os supostos avanços do país comunista, escondendo o genocídio praticado por Stalin. O trabalho de Gareth Jones começou com a autorização para viajar para Moscou e tentar uma entrevista com Stalin – Jones já era um nome respeitado no jornalismo depois de ter entrevistado Hitler. Além de jornalista, Jones também trabalhava como assessor de assuntos internacionais do governo inglês, respondendo diretamente ao primeiro-ministro Lloyd George (Kenneth Granham). Hospedado no Hotel Metropol, Jones recebeu ordem das autoridades soviéticas de não sair de Moscou, assim como os demais correspondentes internacionais hospedados no Metropol. Ao visitar Walter Duranty no escritório do New York Times na capital russa, Jones terá a oportunidade de conhecer a jornalista Ada Brooks (Vanessa Kirby, indicada ao Oscar 2021 por sua atuação em “Pices of a Woman”), que tenta alertá-lo sobre o perigo que correrá se sair de Moscou. Jones não se intimida e consegue burlar a vigilância, embarcando em um trem de passageiros com destino à Ucrânia – além da reportagem em si, ele também gostaria de conhecer a casa onde morou sua mãe em num pequeno vilarejo. Durante essa viagem, Jones presenciou cenas chocantes de pessoas passando fome e frio e cadáveres abandonados nas ruas, muitos deles servindo de comida. Um triste cenário que estava escondido do mundo. A história contada por Jones serviu de inspiração para o escritor George Orwell (Joseph Mawle) criar sua famosa fábula “O Triunfo dos Porcos”. Trocando em miúdos, “Mr. Jones” é dos filmes mais impactantes e reveladores sobre o sofrimento da população soviética sob a ditatura do genocida Josef Stalin. Imperdível!       

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

 

“PACTO DE FUGA” (“PACTO DE FUGA”), nos países de língua inglesa chegou como “Jailbreak Pact”, 2020, Chile, distribuição Amazon Prime Video, 2h18m, direção de David Albala, que também assina o roteiro juntamente com Loreto Caro-Valdes e Susana Quiroz-Saavedra. Incrível e de certa forma lamentável que um filme tão bom tenha sido pouco divulgado e esteja meio escondido no catálogo da Amazon Prime. Espero que este comentário motive as pessoas a descobri-lo e assisti-lo. A história, ambientada nos dois últimos anos da ditadura do general Augusto Pinochet, é inspirada em fatos reais, ou seja, aqueles que envolveram a fuga de presos políticos de uma penitenciária de segurança máxima em Santiago. Entre os presos estavam os sete que praticaram um atentado contra Pinochet em 1986. Havia, portanto, uma grande possibilidade de um julgamento e uma quase certa condenação à pena de morte. Diante desse quadro desanimador, alguns presos resolveram planejar uma fuga. A liderança ficou a cargo de Rafael Jiménez (Roberto Farías), Eusebio Arenas (Patricio Velásquez) e León Vargas (Benjamín Vicuña), este último engenheiro. Vargas elaborou todo o projeto, desde o planejamento e a execução de um túnel de cerca de 80 metros de uma cela até a rua. A obra demorou 18 meses para ser concluída, com os presos se revezando a cavar com poucos recursos, calor insuportável e o perigo iminente de desabamento, o que quase ocorreu durante um terremoto que atingiu Santiago. O espectador terá a oportunidade de acompanhar todo esse árduo processo, do começo ao fim, como também o dia a dia dos prisioneiros, além de muito papo sobre política. Sem contar, é claro, com os espancamentos que faziam parte da diversão dos sádicos policiais de plantão. Também fazem parte do elenco, entre outros, Francisca Gavilán, Paz Bascuñán, Victor Montero, Amparo Noguera, Diego Ruiz e Eusébio Arenas. Filmaço é pouco para definir este drama chileno. Imperdível!  

terça-feira, 9 de novembro de 2021

 

“O VETERANO” (“THE VETERAN”), 2011, Inglaterra, 1h38m, distribuição Amazon Prime Video, roteiro e direção de Matthew Hope. A história é centrada no ex-soldado do exército Robert Miller (Toby Kebell). Veterano de guerra, ele cumpriu várias missões como paraquedista no Iraque e Afeganistão. Depois de dar baixa no exército, ele volta para a Inglaterra e tenta arranjar um emprego. Enquanto não consegue, Miller aceita o convite de um ex-colega do exército para ingressar numa organização governamental encarregada de descobrir células suspeitas de terrorismo em Londres. Ele recebe ordens diretas de dois membros importantes da organização, Gerry Langdon (Brian Cox) e Chris Turner (Tony Currran), que logo dá para perceber não são pessoas muito confiáveis. Durante esse trabalho, Miller recebe a incumbência de seguir Alayna (Adi Bielski), envolvida com uma das células terroristas e que mais tarde se revelaria informante da organização governamental inglesa. Ao mesmo tempo, Miller terá de lidar com uma gangue de traficantes que aterroriza o bairro onde mora, na periferia da capital inglesa. Diante de todo esse contexto, você, espectador, espera que ocorra muitas cenas de ação. Mas não é o que acontece. O filme segue monótono e arrastado até próximo ao desfecho, quando então a ação toma conta, para culminar com uma decepcionante cena final. Com muitos furos e reviravoltas, o roteiro não facilita muito o entendimento do que está acontecendo na tela. O resultado final, entre prós e contras, não é dos melhores, ficando difícil encontrar motivos para recomendá-lo.                               

segunda-feira, 8 de novembro de 2021

 

“YARA”, 2021, Itália, 1h36m, produção original Netflix, direção de Marco Tullio Giordana, seguindo roteiro de Graziano Diana. A história é baseada em fatos reais de um caso que comoveu a Itália, em especial a população da pequena cidade de Brembate Di Sopra, na comuna de Bérgamo. Às vésperas do Natal de 2010, a adolescente Yara Gambirasio (Chiara Bono), de 13 anos, desaparece misteriosamente depois de sair da academia de ginástica rítmica. A investigação ficou a cargo da promotora Letizia Rugeri (Isabella Ragonese). O corpo da menina somente seria encontrado três meses depois, jogado em um terreno baldio a 10 km da academia. A autópsia revelou que a garota foi espancada e, provavelmente, tenha morrido por hipotermia. Sem qualquer pista que possa ajudar, a promotora e sua equipe trabalharam duro nas investigações, que duraram três anos. Prestes a ter o caso encerrado sem solução, a equipe da promotora finalmente chegaria, por intermédio de pesquisas de DNA, a um forte suspeito, o pedreiro Massimo Bossetti (Roberto Zibette), que desde o início negou o crime. Bossetti continuou preso e somente em 2016 seria julgado e finalmente condenado à prisão perpétua, graças às evidências conseguidas pela promotora Rugeri. O filme todo é de grande tensão, culminando com as ótimas cenas de tribunal durante as quais a promotora consegue provar a culpa de Bossetti. Também estão no elenco Mario Pirrello, Sandra Toffolati, Andrea Bruschi, Miro Landoni, Thomas Trabacchi, Alessio Boni, Rodolfo Carsato e Elena Cotta. O maior destaque do elenco é, sem dúvida, a atriz Isabella Ragonese no papel da promotora em seu angustiante trabalho para chegar ao assassino e provar sua culpa. Para tornar o filme ainda mais realista, o diretor Marco Tullio Giordana acrescentou vídeos captados dos noticiários de TV da época, que comprovam de forma evidente a grande comoção que o crime causou em toda a Itália. Trocando em miúdos, o filme é excelente, um programão.                          

sábado, 6 de novembro de 2021

 

“EM GUERRA COM O VOVÔ” (“THE WAR WITH GRANDPA”), 2020, Estados Unidos, 1h38m, distribuição Amazon Prime Video, direção de Tim Hill, seguindo roteiro assinado por Tom J. Astle e Matt Ember, que se inspiraram no livro homônimo escrito por Robert Kimmel Smit. Trata-se de uma boa comédia com um elenco de peso, incluindo os veteranos Robert De Niro, Uma Thurman, Christopher Walken, Jane Seymor e Cheech Marin, além de alguns atores infantis de futuro, como o esperto Dakes Fegley. As confusões começam quando Sally (Uma Thurman) resolve levar o pai problemático e recém-viúvo Ed (De Niro) para sua casa. Peter (Fegley) é obrigado, muito a contragosto, a ceder o seu quarto para o avô e vai morar no sótão. Para o garoto, essa mudança merece uma declaração de guerra. Claro, contra o avô. Peter começa a implantar várias armadilhas contra o avô inimigo, incluindo colocar uma enorme cobra na cama dele, entre outras travessuras. Ed contra-ataca, aprontando algumas surpresas desagradáveis para o neto. Evidente que não há intenção, de nenhuma das partes, de machucar a outra, mas os aprontos são hilariantes, culminando na festa de aniversário da irmã de Peter, durante a qual a bagunça chega ao clímax. Se há momentos muito engraçados – como as cenas em que Sally se defronta com um policial de moto -, há alguns que merecem apenas um riso amarelo, como a ridícula disputa de um jogo de “queimada” em um parque de pula-pulas. O resultado geral, no entanto, é bastante favorável. A comédia é muito divertida, ideal para curtir com a família numa sessão da tarde. Pode encarar numa boa.                    

 

“INDECÊNCIA” (“MO”), 2019, Romênia, 1h16m, distribuição Amazon Prime Video, filme que marcou a estreia no roteiro e direção de Radu Dragomir. Inspirado em fatos reais, o filme causou grande polêmica quando de seu lançamento na Romênia, principalmente entre os críticos, muitos dos quais o saudaram com muitos elogios. Não é um filme muito fácil de digerir, mas quem conseguir chegar ao seu final terá visto um drama bastante inquietante cuja tensão cresce a cada cena. Inédito nos cinemas brasileiros, “Indecência” conta a história de Monica, a “Mo” do título (Dana Rogoz, esposa do diretor) e Vera (Madalina Craiu), que, apesar de amigas de infância, possuem o temperamento completamente diferente uma da outra, como poderá ser constatado durante o transcorrer da história. Elas chegam a Bucareste para prestar as provas de ingresso à universidade – equivalente ao nosso vestibular. Em uma das provas, elas são flagradas pelo rigoroso professor Ursu (Razvan Vasilescu). Na tentativa de reverter a situação, elas pedem a Ursu uma segunda chance. Então ele as convida para jantar em seu apartamento. E é aqui que as coisas acontecem, na base de muito papo, vinho e as tentativas de sedução por parte do professor. Além do excelente desempenho do trio principal de protagonistas e do aumento do clima de tensão a cada cena, o filme contém diálogos primorosos, principalmente aqueles em que o professor faz um pequeno “vestibular” com perguntas sobre música e cinema. Destaco como impressionante a presença da atriz Dana Rogoz, que faz o papel de uma jovem estudante com cara de adolescente, quando na verdade tem 35 anos na vida real. Deve ter tomado baldes da fonte da juventude. Incrível! Como já escrevi no início deste comentário, “Indecência” não é um filme fácil, aproximando-se daqueles que a crítica especializada costuma chamar de “cinema de arte”. De qualquer forma, é um filme bastante inovador e surpreendente do excelente cinema romeno. Recomendo.                  

quinta-feira, 4 de novembro de 2021

 

“O CASO COLLINI” (“DER FALL COLLINI”), 2019, Alemanha, distribuição Netflix, 2h03m, direção de Marco Kreuzpaintner. O roteiro é assinado por Christian Zübert, Robert Gold e Jens-Frederik Otto, inspirados nos fatos verídicos relatados no livro  “Der Fall Collini”, escrito por Ferdinand Von Schirach. O pano de fundo, como em inúmeros outros filmes, envolve as atrocidades praticadas pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial. “O Caso Collini” é centrado nas consequências do assassinato do influente empresário alemão Hans Meyer (Manfred Zapatika), em 2001, na suíte presidencial do Hotel Circle, em Berlim. O italiano Fabrizio Collini (Franco Nero), o autor do crime, não foge, se entrega à polícia e confessa que matou o empresário. O jovem advogado Caspar Leinen (Elyas M’Barek) assume a defesa, mas terá de enfrentar, logo de cara, três grandes desafios. Primeiro, Collini se recusa a dizer o motivo que o levou a assassinar Meyer. Segundo, o promotor é o famoso e experiente advogado Richard Mattinger (Heiner Lauterbach), que foi professor de Caspar na faculdade. O terceiro desafio, e o pior, diz respeito ao fato de que Meyer adotou Caspar ainda criança, criando-o como se fosse da família (a mãe de Caspar, imigrante turca, era empregada na mansão do empresário). Olha só que situação! Mas Caspar encarou o trabalho com determinação, mesmo sem experiência de tribunal e com a pressão dos familiares de Meyer, principalmente a neta Johanna (Alexandra Maria Lara), para não assumir a defesa de Collini. Com o silêncio de Collini, o jovem advogado resolve viajar até a Itália e tentar descobrir alguma informação sobre o passado de Collini e, quem sabe, a sua motivação para o crime. Caspar faz descobertas estarrecedoras sobre o que aconteceu com a família Collini durante a Segunda Guerra Mundial. E mais: conseguiu desvendar um fato jurídico ocorrido em 1968 e que se transformou em um dos maiores escândalos judiciais do pós-guerra na Alemanha. A cena final do julgamento é emocionante, o melhor momento desse excelente drama alemão. Mais um ótimo lançamento da Netflix. Não perca!                   

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

 

“CORES DA JUSTIÇA” (“BLACK AND BLUE”), 2019, Estados Unidos, distribuição Amazon Prime, 1h48m, direção de Deon Taylor, seguindo roteiro de Peter A. Dowling.  Vamos à história. Depois de servir no exército em duas ocasiões no Afeganistão, Alicia West (Naomie Harris) ingressa na polícia de Nova Orleans. Em uma diligência com seu parceiro Deacon (James Moses Black), na periferia da cidade, ela flagra o detetive Terry Malone (Frank Grillo), da delegacia de narcóticos, executando um jovem traficante, por sinal sobrinho do chefão do tráfico Darius Tureau (Mike Colter). Ao se recusar a entregar a câmera para Malone, Alicia é obrigada a fugir e se esconder dos policiais corruptos cúmplices de Malone. Para piorar ainda mais sua situação, Malone conta a Darius que quem matou seu sobrinho foi Alicia. Sozinha em fuga pelas ruas de um bairro barra-pesada e nas proximidades do violento conjunto residencial Kingston Manor, dominado por Darius, Alice terá que se desdobrar para escapar tanto da gangue de Darius como de seus próprios colegas policiais. Ela só poderá contar com a ajuda de Mouse (Tyrese Gibson), funcionário de um mercado. O espectador vai sofrer com a moça até o final. “Cores da Justiça” apresenta todos os ingredientes básicos de um filme policial: ação, suspense, pancadaria, perseguição, tiros, bandidos, policiais corruptos, muita tensão e algumas reviravoltas. Para ser classificado como bom, porém, faltou um ingrediente muito importante: qualidade. Com exceção de Naomie Harris, o elenco é fraco e alguns atores apresentam uma atuação que beira o ridículo. O roteiro também ficou devendo. É fácil constatar os defeitos como, por exemplo, numa cena em que Alicia algema um policial na direção do carro e logo depois ele aparece leve, livre e solto. Calma, o filme não é de todo ruim, mas fica longe de ser classificado como imperdível. Esquecível talvez seja mais apropriado. Em todo caso, tem a atriz Naomie Harris, ainda bonita e em grande forma aos 45 anos. Veterana em Hollywood, ela tem no currículo três filmes da franquia James Bond (“007 Contra Spectre”, “Operação Skyfall” e o recente “Sem Tempo para Morrer”), além de tantos outros.             

terça-feira, 2 de novembro de 2021

 

“FUGA PELA FRONTEIRA” (“FLUKTEN OVER GRENSEN”), 2020, Noruega, distribuição Amazon Prime Video, 1h36m, primeiro longa da cineasta Johanne Helgeland (mais conhecida como diretora de séries televisivas) e roteiro assinado por Maja Lunde e Espen Torkildsen. Inspirado em fatos reais, o filme é uma aventura infanto-juvenil ambientada em 1942, quando a Noruega sofria a ocupação do exército nazista. Depois que seus pais foram presos pelos alemães, acusados de pertencerem à resistência, Gerda (Anna Sofie Skarholt) e Otto (Bo Lindquist-Ellingsen) encontram, escondidos no porão da sua casa, duas crianças judias, os irmãos Sarah (Bianca Ghilardi) e Daniel (Samson Steine). Ao esconderem as crianças, os pais de Gerda e Otto intencionavam protegê-las dos nazistas e levá-las para a Suécia. Gerda e Otto descobrem a intenção dos pais e decidem, por conta própria, levar os irmãos judeus. Aí começa a incrível jornada das quatro crianças, uma verdadeira aventura repleta de perigos em meio ao inverno rigoroso da Noruega. A esperta Gerda, de apenas 10 anos, é quem dá as ordens. Durante a perigosa viagem, eles se defrontarão com inúmeros desafios. Além da perseguição dos alemães, passarão muita fome e frio, mas seguirão adiante. Uma verdadeira jornada de amadurecimento. No elenco, o grande destaque é a atriz Anna Sofie Skarholt no papel de Gerda. “Fuga pela Fronteira” é um filme indicado para toda a família, pois valoriza aspectos como a amizade, a solidariedade e a coragem. Resumindo, um filme cativante que merece ser visto.         

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

 

“DREAMLAND – SONHOS E ILUSÕES” (“DREAMLAND”), 2020, Estados Unidos, 1h38m, distribuição Amazon Prime, direção de Milers Joris-Peyrafitte, seguindo roteiro de Nicolaas Zwart. Estamos em 1934, em plena fase da Grande Depressão. O jovem Eugene Evans (Finn Cole) vive com o padrasto George (Travis Fimmel), com a mãe Olivia (Kerry Condon) e com a irmã pequena Phoebe (Darby Camp) numa pequena fazenda no interior do Texas. A família vive endividada, à beira da falência. Para tentar solucionar o problema, Eugene sonha em capturar uma assaltante de bancos procurada pela polícia e cuja captura renderá US$ 10 mil a quem conseguir. A assaltante é Allison Wells (Margot Robbie), que costumava praticar seus delitos com um parceiro e namorado. Uma espécie de Bonnie e Clyde. Só que o Clyde ficou para trás depois de ser morto durante um tiroteio com a polícia. Ferida com um tiro na perna, Bonnie, ou melhor, Allison, acabou se escondendo num celeiro, justamente o da fazenda de Eugene. Claro que o rapaz descobre a moça e, ao invés de entregá-la para a polícia e receber a recompensa, cuida do ferimento dela, a esconde no celeiro e, para piorar a situação, ainda se apaixona por ela. Cego por essa paixão inesperada, Eugene rouba um carro para fugir com Allison e ainda a ajuda a assaltar um banco. Com a polícia em seu encalço, incluindo o padrasto, que é vice-xerife, Eugene tentará chegar ao México com Allison. A história é narrada em off pela irmã de Eugene já adulta (Lola Kirke, que não aparece), o que sugere que os fatos apresentados pelo roteiro podem ser verídicos – não encontrei referências a respeito. Se há um bom motivo para assistir a esse drama, este é a atriz australiana Margot Robbie, que além de competente é linda de morrer, talvez a mais bela atriz do cinema atual, um misto de Sophia Loren e Ingrid Bergman. Sem contar um bônus especial: ela aparece nua numa bela cena erótica. Não que Margot seja o único motivo para assistir “Dreamland”. A história também é legal, o elenco é ótimo, assim como a fotografia e a recriação de época. Pode assistir sem medo de ser feliz, mesmo porque a felicidade vem com a bela atriz – até rimou.            

sábado, 30 de outubro de 2021

 

“A VIOLINISTA” (“VIULIST”), 2018, Finlândia, 2h04m, produção original Amazon Prime, direção de Paavo Westerberg, que também assina o roteiro com a colaboração de Emmi Pesonen. Trata-se de um drama com excelente elenco e uma trilha sonora da maior qualidade (veja abaixo). A história é centrada na violinista Karin Nordström (Matleena Kuusniemi), que no auge da carreira sofre um acidente que provoca a perda dos movimentos de três dedos de sua mão esquerda. Segundo os médicos, ela não poderá tocar mais violino, tendo que desistir dos concertos já programados pelo mundo inteiro. Dessa forma, Karin aceita o convite para ensinar jovens talentos do violino na Escola de Música de Helsinque. Entre seus alunos está o jovem Antti (Olavi Uusivirta, astro do rock na Finlândia), que Karin adota como seu principal pupilo e logo como seu amante. Quando o maestro Björn Darren (Kim Bodnia), antigo amigo de Karin e parceiro profissional, pede a ela que indique um talento para a orquestra sinfônica de Copenhagen (Dinamarca). Claro que ela indica Antti, que não era o preferido do maestro, e sim a jovem Sofia (Misa Lommi), justamente a namorada de Antti. Para o início dos ensaios para um grande concerto, o maestro, Karin e Antti seguem juntos para Copenhagen. Karin e Antti ficam no mesmo hotel e já dá para imaginar o clima entre os dois. Tudo vai bem até que o marido de Karin, Jaakko Nordström (Samuli Edelmann), resolve visitá-la em um final de semana. O filme é excelente, principalmente para quem curte música clássica. A trilha sonora inclui desde Mozart, Dvorak, Bach até Mendelssohn e seu concerto para violino e orquestra minor Op.64. Imperdível!           

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

 

“MINARI: EM BUSCA DA FELICIDADE” (“MINARI”), 2020, Estados Unidos, 1h55m, roteiro e direção de Lee Isaac Chung – um dos produtores executivos é o ator Brad Pitt. Sensível e comovente drama centrado em uma família de imigrantes sul-coreanos em busca do seu sonho americano. Estamos nos anos 80 do século passado. Depois de tentarem se estabelecer na Califórnia, Jacob (Steven Yeun) e Monica (Han Ye-Ri), juntamente com seus filhos Anne (Noel Cho) e David (Alan S. Kim), compram um pedaço de terra no interior do Arkansas, onde pretendem montar uma fazenda para cultivar vegetais coreanos (Minari do título é um tipo de raiz muito utilizada na culinária coreana). As dificuldades são imensas, mas Jacob trabalha duro para concretizar seu sonho. Além da fazenda, ele e a mulher trabalham em uma granja, selecionando pintinhos pelo sexo. Em seu cotidiano na fazenda, Jacob recebe a ajuda de Paul (Will Patton), um fanático religioso de alma boa e que vira amigo da família. Sentindo-se sozinha naquele lugar ermo, Anne pede que sua mãe venha da Coreia para ajudá-la. Soonja (Yoon Yeo-Jeong) chega dias depois de mala e cuia para morar com o casal. É a presença dessa simpática idosa que dá um certo alívio ao contexto dramático da história, principalmente na sua relação com o neto David, de 7 anos, garoto esperto que é responsável pelos momentos mais engraçados do filme. Se a vida já era dura, fica pior ainda depois de um evento trágico ocorrido na fazenda. A partir daí, o sonho americano se transforma em um verdadeiro pesadelo. A história do filme é baseada nas memórias afetivas de infância do diretor Lee Chung, ele também filho de imigrantes sul-coreanos que foram atrás do sonho americano. “Minori” se destaca não apenas pela sua tocante história, mas também pelo excelente elenco e por uma trilha sonora envolvente – assinada por Emille Mosseri -, responsável por reforçar cada cena dramática das muitas que permeiam o filme. Não foi à toa que “Minori” recebeu seis indicações ao Oscar 2021 – Melhor Filme, Diretor, Ator (Steven Yeun), Atriz Coadjuvante (Yoon Yeo-Jeong), Trilha Sonora Original e Roteiro Original. A única estatueta foi conquistada pela veterana e maravilhosa atriz Yoon Yeo-Jeong, que rouba a cena a cada aparição, como já havia feito em vários filmes sul-coreanos, como, por exemplo, “A Dama de Baco” e “A Empregada”. Yoon Yeo-Jeong se tornou a primeira atriz sul-coreana a ganhar um Oscar. Além do grande prêmio do cinema norte-americano, o filme também conquistou estatuetas em festivais pelo mundo adora, como no importante BAFTA Film Awards, concedido pela Britsh Academy Film. Imperdível!         

quarta-feira, 27 de outubro de 2021

 

“O ESPIÃO INGLÊS” (“THE COURIER”), 2020, Inglaterra, distribuição Amazon Prime Video, 1h51m, direção de Dominic Cooke, seguindo roteiro de Tom O’Connor. Este é um dos melhores filmes já feitos tendo como pano de fundo a época da Guerra Fria, quando os Estados Unidos e a União Soviética trocavam ameaças de um ataque nuclear. A história é baseada em fatos reais e relembra um episódio histórico de espionagem da maior importância. Estamos em 1960, auge da Guerra Fria, e ficamos conhecendo o empresário inglês Greville Maynard Wynne (Benedict Cumberbatch). Por seu perfil dinâmico e com muitas viagens de negócios pela Europa, ele logo chama a atenção da CIA norte-americana e do serviço secreto inglês (M16), que na época buscavam encontrar uma pessoa para cumprir papel de espião na União Soviética. Depois de muito relutar, Greville aceita a missão, utilizando como disfarce a condição de empresário que intenciona explorar o mercado dos países do leste europeu, principalmente a União Soviética. Logo que chega a Moscou, Greville conhece o coronel Oleg Penkovsky (Merab Ninidze), herói de guerra e influente membro do alto escalão do governo soviético. Com poucos meses de contato, Oleg confessa a Greville que não concorda com a política belicista do então primeiro-ministro Nikita Kruschev e que pretende contribuir com o Ocidente no que for possível. Dessa forma, ele utiliza o agora seu amigo Greville para repassar informações para os serviços secretos da Inglaterra e dos Estados Unidos. A informação mais importante seria fornecida durante a chamada crise dos mísseis de Cuba, em 1962, fazendo chegar ao governo norte-americano a exata localização dos mísseis em solo cubano. Essa informação foi muito importante para os EUA, fornecendo-lhe dados para denunciar e confirmar a presença dos mísseis em Cuba, ganhar apoio da opinião mundial e forçar o governo soviético a retirar os mísseis da ilha de Fidel. Resumindo a história, a KGB descobriria que Oleg e Greville enviavam informações sigilosas para o Exterior. Os dois acabaram presos. O filme conta os bastidores de tudo o que aconteceu, além de retratar o sofrimento de Greville na prisão durante dois anos em que esteve preso em péssimas condições. Oleg seria executado por traição. Vale destacar as  atuações sensacionais do inglês Benedict Cumberbatch e do georgiano Merab Ninidze. O elenco de apoio também é ótimo: Rachel Brosnahan, Angus Wright, Jessie Buckley, Kirill Alfredowitsch Pirogow, Zeljko Ivanek, Anton Lesser, Elina Alminas e Alice Orr-Ewing. Outro grande destaque desse ótimo drama de espionagem, além da eficiente direção, é o primoroso roteiro de Tom O’Connor. Para elaborá-lo, Tom se baseou nos livros “The Man From Moscow” (1967) e “The Man From Odessa” (1981), escritos pelo próprio Greville Wynne, que aparece em vídeo nos créditos finais dando entrevista coletiva logo após ser libertado. Trocando em miúdos, “O Espião Inglês” é um filme envolvente, emocionante e repleto de tensão, certamente um dos melhores já feitos sobre a Guerra Fria. Não perca!     

terça-feira, 26 de outubro de 2021

 


“THE TRIP” (“I ONDE DAGER”), 2021, Noruega, produção original Netflix, 1h53m, direção de Tommy Wirkola (“João e Maria: Caçadores de Bruxas”), e roteiro de John Niven e Nick Ball. Comédia surpreendente que mistura ingredientes como sadismo, escatologia, trash e muita violência, tudo temperado com um agradável toque de humor negro e diálogos ácidos. Enfim, muito divertido, apesar do sangue jorrando aos borbotões. E com a vantagem de contar no elenco com a atriz sueca Noomi Rapace ("Os Homens que não Amavam as Mulheres") e com o ator norueguês Alksel Hennie, ambos com uma atuação primorosa e uma química perfeita. Vamos à história. Lisa (Rapace) e Lars (Hennie) resolvem passar um final de semana em um chalé nas montanhas. Lars é um renomado diretor de novelas televisivas e Lisa uma atriz em busca de um papel importante. Ao contrário do que possa parecer, ou seja, passar dois dias para ajustar o casamento em crise, na verdade a intenção de cada um é assassinar o outro. Para isso, Lars convoca como cúmplice o atrapalhado e bobalhão Viktor (Stig Frode Henriksen), que trabalha como jardineiro para o casal. Para tumultuar ainda mais a situação, que por si só já caminhava para uma tragédia, surgem em cena três presidiários psicopatas que acabam de fugir de uma penitenciária. De inimigos mortais, Lisa e Lars terão que se transformar em aliados para sobreviver ao trio de bandidos. A confusão está formada, com muito sangue jorrando. Mas não pense que a violência seja difícil de encarar. Pelo contrário, tudo é feito com muito humor. “The Trip” é um filme hilariante e muito divertido. Um humor como o cinema norueguês nunca fez. Imperdível!

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

 

“A BATALHA ESQUECIDA” (“DE SLAG OM DE SCHELDE”), 2020, produção original Netflix, Holanda/Lituânia/Bélgica, 2h4m, segundo longa-metragem dirigido por Matthijs Van Heijningen Jr., seguindo roteiro escrito por Paula Van Der Oest, Jesse Mainan, Pauline Van Mantgem e Reinier Smit. Mais uma história da fonte inesgotável de histórias verídicas ocorridas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Desta vez, o foco é a libertação da Holanda da ocupação nazista, em meados de 1944, depois da violenta batalha de Walcheren Causeway, travada ao norte da Bélgica e sudeste da Holanda, na província da Zelândia, em Antuérpia, pelos exércitos britânicos e canadenses contra os algozes nazistas. A vitória dos britânicos e canadenses empurrou as forças alemãs para o interior, ajudando na estratégia da invasão dos países aliados na Normandia. O filme destaca, em especial, três personagens principais: um aviador britânico piloto de planador, uma jovem holandesa filha de um médico e um holandês que luta pelo exército alemão. Cada um deles viveu de perto os horrores da guerra, sobrevivendo graças a verdadeiros milagres. Esses três personagens só se encontrarão no desfecho, em uma cena bastante comovente. Estão no elenco Susan Radeer, Tom Felton, Giss Blom e Jamie Flatters. Destaco o excelente trabalho dos roteiristas e do cineasta holandês Van Heijningen Jr., mais conhecido como diretor de curtas. As cenas de batalha, tanto aéreas como terrestres, são sensacionais. Parece que você está lá, dentro do avião ou nas trincheiras, com bala passando por tudo que é lado. Para quem gosta de filmes históricos, principalmente envolvendo guerras, “A Batalha Esquecida” é um ótimo programa.             

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

 

“ENTRE FRESTAS” (“HYACINTH”), 2021, Polônia, 1h52m, disponível na plataforma Netflix desde 13/10/2021, direção de Piotr Domalewski e roteiro de Marcin Ciaston. Trata-se de um thriller policial baseado em fatos reais ocorridos na década de 80 na ainda comunista Polônia. Para situar o contexto, o filme retrata a Operação Jacinto (Hyacinth), realizada entre 1985 e 1987, cujo objetivo era catalogar nomes de homens da comunidade gay de Varsóvia. A preocupação do governo era coibir a prostituição e a propagação da Aids. A ação envolveu o Ministério de Segurança Pública da Polônia e a Milícia Cidadã Comunista MO). Em meio a esse trabalho, surgiu um serial killer matando gays. Dessa forma, o Departamento de Polícia foi acionado, cabendo ao detetive Robert (Tomasz Zietek) e ao seu parceiro Wojtk (Tomasz Schuchardt) o comando das investigações. Quando um dos suspeitos acaba assassinado, autoridades governamentais obrigam Robert e Wojtk a encerrar os trabalhos, atribuindo os crimes à vítima. Claro que havia a intenção de esconder alguns podres, como, por exemplo, evitar que os nomes de alguns gays importantes venham a público. Robert resolve continuar a investigação por conta própria, mesmo com a pressão das autoridades, inclusive do seu pai Edward (Marek Kalita), coronel da polícia secreta. Em meio a toda essa confusão, Edward recebe a notícia de que foi selecionado para a carreira de oficial da academia de polícia, além de estar prestes a se casar com Halinka (Adrianna Chlebicka). Durante suas investigações particulares, Robert conhece o jovem estudante universitário Erik (Hubert Milkowski), que acaba se transformando em seu informante e, depois, seu... Bom, deixa pra lá. “Entre Frestas” foi aclamado pela crítica em vários festivais pelo mundo, recebendo nada mais do que 25 prêmios, um deles de Melhor Filme no Festival do Cinema Polonês de 2021. Realmente, o filme é muito bom, prende a atenção do começo ao fim, repleto de suspense, graças a um roteiro muito bem elaborado e uma primorosa recriação de época. Mais um filmaço do excelente cinema polonês.               

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

 

“A FUGA DOS AVÓS” (“JOYEUSE RETRAIT!”), 2019, França, disponível na plataforma Netflix, 1h40m, direção de Fabrice Bracq, que também assina o roteiro com a colaboração de Guillaume Clicquot De Mentque. Comédia bem divertida dirigida ao público adulto, principalmente aos avós e aposentados. Marilou (Michèle Laroque) e Philippe Blanchot (Thierry Lhermitte) acabam de se aposentar e pretendem concretizar um sonho antigo: sair de Paris para morar em Portugal. Ou seja, sonham em curtir a aposentadoria – e a velhice – longe dos filhos e dos netos. Enfim, querem sossego. Na prática, porém, a teoria é outra. Enquanto planejam os preparativos para a mudança, os problemas da família crescem num ritmo vertiginoso. Mamiline (Judith Magre), mãe de Philippe, recebe a notícia de que está gravemente doente e tem poucos meses de vida. O genro Arnaud (Omar Mebrouk), casado com Cécile (Nicole Ferroni), é expulso de casa com o cachorro e se refugia na casa de Marilou e Phiippe. O outro filho do casal, Martin (Gérémy Crédeville), embora casado com Lea (Constance Labré), é flagrado na cama com outro homem. A confusão está formada na família, arruinando de vez o sossego pretendido pelo casal de aposentados. Diante de tantos problemas, Philippe e Marilou aceleram os preparativos para a mudança, mas, até lá, muita água vai rolar. De todos os momentos divertidos do filme, um em especial merece destaque. A cena acontece na casa de repouso onde Mamiline é internada. A piada sobre Brigitte Bardot é a cereja do bolo desta ótima e saborosa comédia francesa. A atuação de Michèle Laroque é outros dos trunfos do filme. Resumindo, tudo funciona bem em “A Fuga dos Avós”. O roteiro, os diálogos, as piadas, o elenco, a fotografia, a trilha sonora. O filme estreou no circuito comercial da França no início de 2020 e teve um grande sucesso de bilheteria, o que motivou a realização de uma sequência. Não deixe de ver e se divertir!           

sábado, 16 de outubro de 2021

 

“DANO COLATERAL” (“KIN”), 2021, Turquia, produção original Netflix, 1h45m, direção da cineasta Türkan Derya, seguindo roteiro assinado por Yilmaz Erdogan, que também atua no filme no papel do personagem principal. O bom cinema turco surpreende novamente, desta vez sem explorar aqueles dramas chorosos lançados recentemente, também pela Netflix, como, por exemplo, “Milagre na Cela 7” e “Filhos de Istambul”. Agora chega arrasando com este ótimo drama policial repleto de suspense e reviravoltas. Começa a história com o inspetor-chefe Harum (Erdogan) recebendo o prêmio de “Policial do Ano”, o que lhe dará direito a uma promoção. Ele é um policial respeitado pelos colegas e considerado um exemplo de retidão. Depois da comemoração, ele entra em um táxi para ir para casa, mas a corrida termina em tragédia. Explico: o taxista leva Harum para um lugar ermo e tenta matá-lo, sem nenhuma razão aparente. Harum se defende e acaba matando o motorista. Para não se comprometer, ele não comunica o ocorrido aos seus colegas. No dia seguinte, o corpo do motorista de táxi aparece pendurado numa grua de um edifício em construção bem em frente à delegacia. Quem assume a investigação é justamente a equipe de Harum, que tentará esconder qualquer indício de sua participação no crime. Só que Tuncay (Cem Yigit Üzümoglu), um jovem policial da sua equipe, encontra dentro do táxi o prendedor de gravata que Harum havia sido presenciado na comemoração, mas não conta a ninguém. Para piorar, durante uma batida policial noturna, Harum mata uma possível testemunha do crime do taxista. Aí a coisa complica para o seu lado. Ainda mais depois que entra na história uma prostituta viciada, Gül (Doygu Sarisin), que tem contas a acertar com Harum pela prisão de seu pai, vinte anos antes. Graças a um roteiro bem elaborado, o filme consegue prender a atenção até o seu desfecho, num clima de tensão que aumenta cada vez mais à medida que a história avança. Há que se destacar, como outro trunfo desse excelente suspense policial, a atuação do ator, cineasta, roteirista e poeta turco, de origem curda, Yilmaz Erdogan, um dos principais atores do cinema turco atual, que ficou conhecido a partir do ótimo “Era Uma Vez na Anatólia”, de 2011. Trocando em miúdos, “Dano Colateral” é um filmaço!              

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

 

“O CULPADO” (“THE GUILTY”), 2021, Estados Unidos, disponível na plataforma Netflix, 1h31m, direção de Antoine Fuqua, com roteiro de Nic Pizzolatto. Trata-se de um remake do filme dinamarquês “Culpa”, de 2018 – mais uma comprovação da tese de que, atualmente, há falta de bons roteiristas em Hollywood. O drama policial é centrado no policial Joe Baylor (Jake Gyllenhaal), tirado das ruas depois de uma falha operacional e colocado como atendente de ligações da linha emergencial do 911. Já aviso que o filme inteiro é ambientado em um cenário único, ou seja, dentro da central telefônica da polícia de Los Angeles. Baylor aparece atendendo ligações das mais variadas emergências, como acidentes, roubos, violência doméstica e alguns trotes, além de ligações de bêbados e drogados. Para piorar, um grande incêndio acontece na floresta e se aproxima perigosamente de Los Angeles. É o plantão da madrugada e o policial recebe finalmente um telefonema que atrai seu interesse e que mobiliza toda a sua atenção. Uma mulher liga desesperada dizendo que foi sequestrada pelo ex-marido e está no porta-malas de um veículo. Ela também afirma que ele matou seu bebê. Pela comunicação interna da polícia, Baylor faz de tudo para localizar o carro e enviar socorro. O filme inteiro gira em torno do esforço de Baylor para tentar ajudar a moça sequestrada, o que fornece um clima de grande tensão até o desfecho, quando acontece uma surpreendente reviravolta. As vozes que Baylor ouve são de atores conhecidos, entre os quais Ethan Hawke, como o sargento Bill Miller, Riley Keough, como a vítima Emily Lighton, Peter Sarsgaard e Paul Dano. “O Culpado”, assim como o original dinamarquês, exige uma certa paciência por parte do espectador em acompanhar a trama dentro de um pequeno cenário. Mas, se resistir em desligar o vídeo, poderá curtir um bom entretenimento.           

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

 



“A AUSÊNCIA QUE SEREMOS” (“EL OLVIDO QUE SEREMOS”), 2020, Colômbia, 2h16m, disponível na plataforma Netflix desde 22/09/21, direção do espanhol Fernando Trueba e roteiro de David Trueba (irmão do diretor). Trata-se de uma pequena joia do pouco conhecido cinema colombiano, selecionado para disputar o Oscar 2021 de Melhor Filme Estrangeiro (não aceito a nova nomenclatura “Internacional”). Achei uma injustiça não ter sido classificado, pelo menos, entre os cinco finalistas. Por mim, seria um dos grandes favoritos. Trata-se de um drama baseado em fatos reais, cujo personagem central é o médico sanitarista e professor universitário Héctor Abad Gómez (Javier Cámara). A história contada no filme foi relatada no livro “El Olvido Que Seremos”, escrito pelo jornalista Héctor Abad Faciolince, filho do médico. Estamos na década de 80 na cidade de Médellin, onde Héctor Abad vive com sua esposa e seus seis filhos. A Colômbia vivia os anos de chumbo de uma ditadura militar e os violentos atentados praticados tanto por narcotraficantes como por militantes das Farcs (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Em meio a esse ambiente turbulento, o filme acompanha o cotidiano da família de Héctor, um pai dedicado, carinhoso e atencioso com a esposa e os filhos. Ao mesmo tempo, destaca o trabalho do médico sanitarista na periferia de Médellin e sua luta em favor da saúde dos pobres e da desigualdade social. Héctor também era ativista dos direitos humanos e militante da organização “União Patriótica”, razão principal do seu assassinado, em 1987, cuja autoria é um mistério até hoje. Apesar do fundo claramente político e do contexto trágico que vivia a Colômbia naquele ano, o filme é sensível e comovente, mostrando um pai de família carinhoso e, ao mesmo tempo, corajoso a ponto de combater as injustiças de peito aberto, sem medo de represálias seja de onde vierem. Um verdadeiro herói. O ator espanhol Javier Cámara é a alma do filme, com uma atuação magistral. Nenhuma surpresa, pois ele é um dos principais atores do cinema espanhol, inclusive um dos preferidos do diretor Pedro Almodóvar. Para valorizar ainda mais esta verdadeira pérola do cinema colombiano, há que se destacar o currículo do diretor Fernando Trueba, vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1993 por “Belle Époque”, que chegou ao Brasil com o título “Sedução”. Resumindo, "A Ausência Que Seremos" é simplesmente imperdível, um dos melhores lançamentos do ano da Netflix.       

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

 

“JE SUIS KARL”, 2021, coprodução Alemanha/República Tcheca, 2h06m, disponível na plataforma Netflix, direção de Christian Schwochow, seguindo roteiro de Thomas Wendrich. Trata-se de um drama de cunho fortemente político, bastante esclarecedor sobre as ideologias que dominam a mente de grande parte da juventude na Europa contemporânea. A história é centrada nas atividades de uma organização chamada “Re/Generation”, grupo juvenil de extrema-direita, neofascista, radical e violento. Suas ações são baseadas nas ideias de supremacia branca europeia e xenofobia, incentivando o ódio a imigrantes árabes e africanos. A personagem central da história é a jovem Maxi Baier (Luna Wedler), cuja mãe e seus dois irmãos menores são mortos em um atentado à bomba. Revoltada e desiludida com o trabalho ineficiente da polícia de Berlim em identificar os autores do atentado, ela ingressa na tal organização “Re/Generation”, cooptada por seu porta-voz Karl (Jannis Niewöhner), um jovem sedutor pelo qual Maxi se apaixona, sem saber que ele foi um dos autores da carnificina que vitimou sua família. Nesse contexto, a organização costuma praticar atentados atribuindo-os aos imigrantes árabes. Outro personagem importante na história é o pai de Maxi, Alex Baier (Milan Peschel), um pacifista que sempre protegeu os refugiados, inclusive acolhendo um deles, o jovem líbio Yusuf (Azis Dyab). Filmado em locações nas cidades de Berlim, Praga e Paris, o filme revela um lado sinistro da juventude europeia, que pretende “limpar” seu continente na base da força e do ódio aos imigrantes. Toda essa motivação é mostrada em cenas das reuniões do grupo radical bastante esclarecedoras sobre sua ideologia, muito próxima do nazismo. O grand finale acontece em Paris, onde os militantes da organização marcam presença no discurso da candidata francesa de ultradireita Odile Leconte (Fleur Geffrier), resultando em uma batalha campal. Resumindo, “Je Suis Karl” é um filme bastante impactante, sério, contundente, revelador. Será, provavelmente, indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional defendendo a Alemanha. Um filmaço!