“HERÓIS DE UMA GUERRA” (“ZASPANKA ZA VOJNIKE”), 2018, Sérvia, 120 minutos, distribuição Amazon Prime, direção de Predrag Antonijevic, seguindo roteiro assinado por Natasa Drakulic. Excelente drama de guerra do pouco conhecido cinema da República da Sérvia. Inspirado em fatos reais, este é mais um filme fruto da inesgotável fonte de histórias oriundas da Primeira e Segunda Guerra mundiais. Aqui, o foco é um dos feitos mais importantes do exército sérvio, desta vez durante a Primeira Guerra (1914-1918). Como fica evidente, o filme exalta o heroísmo dos soldados sérvios, mas nem essa patriotada tira os méritos do filme. A história é toda centrada em um pelotão encarregado da bateria de canhões que segue para a frente de batalha contra os austríacos, que, sem motivo aparente, declararam guerra à Sérvia. O personagem principal é Stevan Jakovljevic (Marko Vasiljevic), professor de biologia que se alista no exército sérvio sem qualquer experiência no campo de batalha. Mesmo assim, por causa do título universitário, ele é logo promovido a sargento, mesmo que a maioria dos seus subordinados tenha já combatido anteriormente, principalmente contra os turcos e búlgaros. O filme acompanha a caminhada de Jakovljevic e dos soldados do seu batalhão até a zona de combate. Na solidão da noite ou nas trincheiras, os combatentes sérvios revelam suas vidas pessoais em diálogos que demonstram sua grande tristeza por ficar longe de suas famílias sem saber se irão vê-las novamente. São cenas e diálogos realmente muito angustiantes e melancólicos. Os atores principais são muito bons, especialmente Ljubomir Bandovic, o autoritário comandante do batalhão. Mais uma história gloriosa, certamente desconhecida pelo grande público, que tem sua adaptação muito bem realizada para o cinema. “Heróis de Uma Guerra”, portanto, é um bom programa para quem curte histórias de guerra, como eu. Por isso, assino embaixo.
domingo, 22 de agosto de 2021
sábado, 21 de agosto de 2021
“DEEP”, 2021, Tailândia,
1h41m, produção original Netflix (estreou dia 17 de julho de 2021). O filme foi
escrito por Wisit Sasanatieng e dirigido por uma equipe de cinco estudantes da Universidade
de Bangkok. Mas não pense que se trata de um filme totalmente amador, repleto
de defeitos e realizado com equipamentos de má qualidade. Pelo contrário,
parece coisa de profissional. É muito bem realizado e com um elenco bastante
competente. A premissa é interessante: quatro estudantes da faculdade de
medicina sofrem de insônia crônica e decidem participar, em troca de uma boa
quantia em dinheiro, de um experimento pra lá de inusitado, sob o comando do dr.
Hans Miller (Kim Waddoup), um cientista alemão maluco dono de um laboratório
farmacêutico. O objetivo do experimento é saber por quanto tempo uma pessoa
consegue ficar sem dormir. Para isso, é preciso aplicar um chip com queratonina
na nuca das “cobaias”, ou seja, os estudantes Win, Jane, Cin e Peach (não identifico
os atores, pois são ilustres desconhecidos para nós). A queratonina é uma substância
que mantém os seres humanos acordados. Quando o nível está baixo, a pessoa corre
o risco de dormir. Quando chega a zero, em no máximo 60 segundos a pessoa corre
o risco de sofrer um infarto. É claro que os estudantes estarão correndo um
grande risco de morte, principalmente durante a fase 2 do projeto, o que mantém o suspense até o desfecho. Eles começam a
ter visões, desmaios e ficam agressivos. Para piorar a situação e aumentar
ainda mais a tensão reinante, June, a irmã mais nova de Jane, também concorda em
participar do experimento. Quase no desfecho, os estudantes descobrirão que uma
professora da faculdade está por trás de tudo, em cumplicidade com o cientista
alemão. Trocando em miúdos, “DEEP” tem suas qualidades, mas também alguns defeitos. Não é, porém, um filme descartável. Assista sem medo de ser feliz.
quinta-feira, 19 de agosto de 2021
“MIMI”, 2021, Índia, 2h12m, direção de Laxman Utekar, que também assina o roteiro com Rohan Shankar (na Netflix desde o dia 26 de julho de 2021). Trata-se de um remake de um grande sucesso de Bollywood de 2010, “Mala Aai Vhhaychi!”. Ao contrário deste, que descamba para o drama, “Mimi” tem uma levada de comédia, embora perto do desfecho se transforme num melodrama choroso. Podemos enquadrá-lo, portanto, no gênero comédia dramática. A jovem Mimi Rathore (a maravilhosa Kriti Sanon) mora com os pais numa pequena cidade do Estado de Rajasthan, norte da Índia. Ela é a moça mais bonita do lugar e seu sonho é ir para Mumbai tentar a sorte como atriz em Bollywood. Para isso, precisa de muito dinheiro para a viagem e pagar um hotel. Seu trabalho como bailarina numa casa de shows não paga o suficiente. Eis que surge um casal de turistas norte-americanos, John (Aidan Whytock) e Summer (Evely Edwards), que está em viagem pela Índia não apenas para passear, mas, principalmente, para encontrar uma mãe de aluguel, já que não podem ter filhos. Por intermédio de um motorista atrapalhado, Pandey (Pankaj Tripathi), o casal conhece Mimi e lhe oferece uma grande quantia em dinheiro para ser mãe de aluguel – um tabu na Índia. A moça demora a aceitar a oferta, mas, depois de muito pensar, acaba cedendo e engravida com o sêmen do norte-americano. Depois de um diagnóstico errado durante a gravidez, Summer e John desistem da criança e retornam aos EUA. O bebê nasce, recebe o nome de Raj e espanta a vizinhança, pois é loirinho e com os olhos bem clarinhos. Até aí, o clima no filme é de bom humor e alegria. Com o retorno repentino do casal à Índia, quando o menino já tem 4 anos, o filme dá uma guinada para o melodrama, exigindo em alguns momentos a utilização de alguns lenços de papel. Tudo funciona muito bem no filme, inclusive a trilha sonora. As músicas apresentam letras que combinam com a história e passam longe da chatice habitual da maioria dos filmes indianos. Inclusive, logo no começo, há um espetáculo de dança muito bem coreografado e a música, por incrível que pareça, é uma delícia. Por falar nisso, é preciso destacar a beleza e o charme de Kriti Sanon, atualmente uma das atrizes mais competentes e bonitas de Bollywood. “Mimi”, portanto é irresistível, um filme muito agradável de assistir. Não perca!
terça-feira, 17 de agosto de 2021
“BECKETT”, 2020, Itália/EUA/Grécia,
produção original Netflix (ingressou na plataforma no dia 13 de agosto de 2021 depois de ser lançado na 74ª Edição do Festival Locarno Film, na Suíça),
1h48m, direção do cineasta italiano Ferdinando Cito Filomarino, que também
assina o roteiro com a colaboração de Kevin Rice. Trata-se de um suspense que
mistura ação e um fundo político, no caso a instabilidade política na Grécia. A
história começa com um casal de turistas, Beckett (John David Washington) e
April (Alicia Vikander), passeando pela Grécia. Em determinado dia, tendo em
vista uma grande passeata de protesto pelas ruas da capital Atenas, eles
resolvem alugar um carro e viajar pelo interior. Péssima ideia, pois sofrem um grave
acidente na estrada e o carro se espatifa contra uma casa no meio do mato. April
morre no local e Beckett é socorrido e levado a um hospital. Interrogado pela
polícia, ele diz ter visto na casa um garoto com uma mulher. Mal sabia ele que
o garoto era filho de um importante político grego e havia sido sequestrado por
uma organização política contra o governo. Começaria aí o calvário de Beckett.
Quando percebe que está correndo risco de morte, ele foge apavorado e, até o
desfecho, será perseguido incansavelmente. Aos poucos, ele fica sabendo que é
vítima de uma grande conspiração política, que envolve não só a polícia grega
como também um alto comissário da embaixada dos Estados Unidos. O filme tem
boas sequências de ação e mostra belos cenários da Grécia, mas derrapa em um
roteiro complicado. Não gostei da escalação do ator John David Washington (filho
do astro Denzen Washington). Não combinou muito com um turista norte-americano
e também não está bem nas cenas de ação, pois parece estar meio fora de forma,
gordo na verdade, destoando do seu passado de atleta – jogador de rúgby. Também
fiquei intrigado como uma atriz tão competente como a sueca Alicia Vikander ser
escalada para um papel tão pequeno. Enfim, fora essas falhas e o roteiro um
tanto confuso, “Beckett” não decepciona totalmente.
sábado, 14 de agosto de 2021
“ÁGUAS
QUE CORROEM” (“RUST CREEK”), 2018, Estados Unidos, 1h48m, direção de Jen
McGowan, seguindo roteiro de Julie Lipson e Stu Pollard. Trata-se de um
suspense policial independente, produzido com poucos recursos e com atores não
muito conhecidos. A história começa quando a jovem Sawyer Scott (Hermione Corfield)
recebe um telefonema convocando-a para uma entrevista de emprego em Washington,
justamente na semana do feriado prolongado do Dia de Ação de Graças. Pouco
depois de ingressar na estrada principal, ela recebe a informação do GPS de que
mais adiante há um congestionamento. Ela então prefere arriscar uma estrada
vicinal e, mesmo com a ajuda do GPS, acaba se perdendo. Quando estaciona no acostamento
para examinar um mapa, ela é surpreendida por dois sujeitos mal-encarados, que,
depois descobriremos, são os irmãos Hollister (Micah Hauptman) e Buck (Daniel
R. Hill). A dupla logo se mostra agressiva com a garota, tentando agarrá-la e, certamente,
estuprá-la. Só que Sawyer é esperta e consegue se livrar deles, abandonando o
carro e se embrenhando na floresta. Os irmãos saem em seu encalço e ela terá
que se esconder para não ser capturada. Ela acaba sendo achada no meio da mata,
machucada e com fome, pelo morador de um trailer, um tal de Lowell (Jay
Paulson), traficante de drogas e, pior, primo de Hollister e Buck. E assim, até
o desfecho, a garota enfrentará uma perseguição desenfreada, que mais tarde
incluirá até mesmo um xerife corrupto. O destaque negativo do filme fica por
conta de uma aula bastante didática de como produzir anfetamina, o que não deve
ter agradado em nada as autoridades norte-americanas antidrogas, muito menos os
pais que têm filhos adolescentes. Portanto, se você for um deles, tome muito
cuidado ao assistir. Trocando em miúdos, trata-se de um suspense que prende a
atenção até o final. Não é nenhuma Brastemp, mas também não chega a ser uma
geladeira de isopor.
quinta-feira, 12 de agosto de 2021
“O
DIVINO BAGGIO” (“IL DIVIN CODINO”), 2021, Itália, 1h32m, direção de Letizia
Lamartire, seguindo roteiro assinado por Ludovica Rampoldi e Stefano Sardo.
Trata-se de um drama biográfico que explora os bastidores da carreira e a vida
pessoal do jogador de futebol italiano Roberto Baggio, que se transformou em
grande ídolo em seu país em 22 anos de carreira. Disputou três Copas do Mundo
pela seleção italiana e ganhou a Bola de Ouro em 1993. Começou a carreira no
Vicenza, da 2ª Divisão, e logo chegou à Fiorentina. Depois, ainda jogou na
Juventus, Milan, Bologna, Internazionale e no Brescia. Aqui no Brasil, ele
ficou mais conhecido depois que perdeu aquele pênalti na final da Copa do Mundo
contra a nossa seleção em 1994. Aliás, esse trauma o atormentaria pelo resto de
sua carreira. O filme destaca aspectos importantes da sua vida pessoal e esportiva, como a
relação difícil com o pai, as lesões que sofreu, a conversão ao budismo e,
principalmente, os conflitos com seus principais treinadores, em especial com
Arrigo Sacchi. Além daquele pênalti fatídico contra o Brasil, Baggio, chamado de
“Roby” pelos mais íntimos, também sofreu uma grande decepção quando não foi convocado
para a Copa de 2002 no Japão e na Coreia do Sul. Ele queria enfrentar o Brasil
novamente e apagar aquela imagem do pênalti perdido. Baggio é interpretado pelo ator Andrea Arcangeli, cuja
caracterização como o craque italiano é o ponto alto do filme. Também estão no
elenco Valentina Bellè, como sua esposa Andreina Fabbi; Antonio Zavatteri como o
técnico Arrigo Sacchi; e Andrea Pennacchi como Florindo, seu pai. É
evidente que “O Divino Baggio” é destinado ao público masculino que gosta de
futebol. E, por isso, o filme seria muito melhor se mostrasse algumas cenas dos
lances do craque no campo, comprovando o seu talento. Essa ausência acabou
prejudicando demais o resultado final.
quarta-feira, 11 de agosto de 2021
“O
GUIA DA FAMÍLIA PERFEITA” (“LE GUIDE DE LA FAMILLE PARFAITE”), 2021, Canadá, 1h42m, direção
de Ricardo Trogi, que também assina o roteiro com a colaboração de François
Avard, Jean-François Léger e Louis Morissette, este último o ator principal do
filme. Drama familiar cujo pano de fundo lembra aquela velha frase que diz “Filho
não vem com manual de instrução”. O roteiro trabalha com a expectativa dos pais
em relação à educação e ao futuro dos filhos. Com pitadas de humor, diálogos
afiados e muita psicologia, o filme retrata os problemas da relação do casal
Martin (Louis Morissette) e Marie (Catherine Chabot) com seus filhos, a
adolescente Rose (Émile Bierre) e o pirralho Mathis (Xavier Lebel). A mais
problemática é Rose, de 16 anos, filha do primeiro casamento de Martin com
Caroline (Isabelle Guérard). Típica rebelde sem causa, Rose apronta no colégio,
enfrenta o pai e a madrasta e se recusa a seguir as regras da casa. Ela se
sente pressionada pelo pai, que exige notas altas e que seja a melhor no time
de hóquei no gelo. Mathis é um menino na faixa dos quatro anos, muito
mal-educado e mimado. Quando não gosta da comida, joga o prato longe e não
recebe nenhuma bronca. E, pior, sempre aparece no quarto dos pais quando eles
tentam começar uma transa – o famoso empata. A falta de bronca no menino é uma
das causas de revolta de Rose, que exige uma punição ao menino. O ponto central do filme
é realmente a relação direta entre pai e filha. Falado em francês, o filme é
uma produção original da Netflix, uma opção bem light especialmente dedicada
aos pais que têm dificuldade de lidar com os filhos – o que é geral no mundo de
hoje, assim como era ontem e continuará sendo sempre. Como diz o velho
ditado, “Quem tem filhos têm cadilhos”. O filme canadense é ótimo, merece ser
conferido.
segunda-feira, 9 de agosto de 2021
HUSH –
A MORTE OUVE (HUSH),
2016, Estados Unidos, 1h27m, direção de Mike Flanagan, que também assina o
roteiro com a colaboração de Kate Siegel – esposa do diretor e atriz principal
do filme. Suspense movimentado que prende a atenção até o fim. Nenhuma
surpresa, pois Mike Flanagan é especialista em filmes do gênero, entre os quais
“Ouija: Origem do Mal”, “Jogo Perigoso”, “Dr. Sono” e “O Sono da Morte”. Ou
seja, Flanagan sabe o que faz. Bem, vamos à história. A escritora Maddie Toung (Kate
Siegel) é surda e muda desde menina. Vive, portanto, num mundo de total
silêncio. Para escrever seu novo romance, ela se isola numa casa no meio do nada.
Porém, muito segura, a começar pelo fato de que os vidros das portas e janelas
são blindados. Numa tarde, ela recebe a visita da amiga e vizinha Sarah (Samantha
Sloyan), conversam através de sinais e logo que chega a noite Maddie volta a ficar
sozinha. Horas depois, enquanto escreve, ela não ouve os pedidos de socorro da
amiga, que acaba de ser atacada por um assassino psicótico, que logo irá tentar
entrar na casa para matar Maddie (a principal falha do roteiro é não explicar
as razões do maluco, ou se esta é mesmo a intenção de quem escreveu, ou seja, determinar
que o sujeito é mesmo um assassino maluco). Até o desfecho, o psicopata (John
Gallagher) tentará entrará na casa para matar Maddie, o que desencadeia uma
série de momentos bastante angustiantes e alguns sustos. A cada cena ela fica esperando e tentando adivinhar
qual será o próximo passo do maluco. O clima de alta tensão
permanece até o final. Claro, graças à competência habitual de Mike Flanagan e
do roteiro bem elaborado. “Hush” é, portanto, mais uma boa opção de suspense no
catálogo da Netflix.
domingo, 8 de agosto de 2021
“TERAPIA
DO MEDO”,
2021, Brasil, produção Globo Filmes, distribuição Netflix, 1h24m, roteiro e
direção de Roberto Moreira. Produzido em 2017, seu lançamento atrasou e sua
estreia nos cinemas ficou para 2020, mas em razão da pandemia de Covid/19 saiu
direto para a Netflix (estreou dia 4 de agosto de 2021). Trata-se de um terror
psicológico na base de vozes do além, alguns sustos, possessão e a aparição de espíritos mal
resolvidos. Apesar da maioria das críticas ser desfavorável, não achei tão
ruim. Pelo contrário, dá para assistir numa boa. Vamos à história. Clara e
Fernanda são irmãs gêmeas idênticas (ambas interpretadas por Cléo Pires, filha
da Glória). Elas formam uma dupla campeã de vôlei de praia – uma grande forçada
de barra do roteiro, já que Cléo tem apenas 1m60. Clara se tratava com o dr.
Bruno, um psicoterapeuta especializado em hipnose e regressão. Quando ela sofre
um grave acidente de moto que matou o seu namorado e técnico, Clara entra em
depressão profunda e acaba numa cadeira de rodas, completamente catatônica, sem
responder a qualquer tipo de estímulo. Diante desse quadro, sua irmã Fernanda
volta a procurar o dr. Bruno. Ao examinar Clara, ele decide levá-la para sua
casa de praia, um enorme casarão onde seu pai, Dr. Afonso (Kiko Bertholini),
também psicoterapeuta, tratava antigamente de alguns pacientes graves,
utilizando métodos alternativos de terapia. Dr. Bruno acredita que pode ajudar
Clara com a mesma forma de tratamento. Como logo seria descoberto, Clara estava
possuída pelo espírito de uma menina, uma tal de Lúcia. Aos poucos, o roteiro
vai explicando de quem eram aqueles espíritos e o que aconteceu para ficarem
tão vingativos, terminando com uma surpreendente revelação. Trocando em miúdos,
“Terapia do Medo”, embora tenha uma narrativa bastante arrastada e lenta,
prende a atenção e ainda oferece de quebra alguns bons momentos de suspense. Embora o papel duplo
seja bastante difícil, fica evidente que Cléo Pires não tem o talento da mãe,
Glória. No mais, devo destacar o trabalho da atriz Andressa Cabral como Ingrid,
mãe do Dr. Bruno, personagem que terá papel relevante na história.
sábado, 7 de agosto de 2021
“VOTO DE CORAGEM” (“THE 2ND”), 2020, Estados Unidos, 1h33m, produção original Netflix, direção de Brian Skiba, seguindo roteiro de Eric Bromberg e Paul Taegel. É um filme de ação com muita pancadaria, tiros e uma história que poderia ser melhor aproveitada, não fosse tão mal filmada e executada, a começar pela infeliz escolha do elenco e pelo roteiro completamente absurdo e repleto de furos. Bem, vamos à história. Vic Davis (Ryan Phillippe), um major do serviço secreto, vai buscar o filho adolescente Shaw (Jack Griffo) na escola para passarem o final de semana juntos. A escola estava praticamente vazia, a não ser por mais uma estudante colega de Shaw, Erin Walton (Lexi Simonsen), que aguardava a chegada do motorista de seu pai, o juiz Walton (Randy Charach), da Suprema Corte. Só que quem aparece, dizendo substituir o motorista oficial, é um sujeito meio esquisito (Casper Van Dien), que logo desperta a desconfiança de Vic. Ao notar a presença de algumas pessoas suspeitas ao redor da escola, o agente não deixa a menina embarcar no carro e a carrega para dentro da escola, juntamente com o filho. Aos poucos, o espectador fica sabendo que a menina seria alvo de um sequestro a mando de um diretor da CIA, que queria forçar o juiz a aprovar uma lei de liberação de armas. Em geral, as cenas de ação são muito fracas, chegando a patéticas e risíveis, principalmente quando os sequestradores são atingidos por tiros e dão um pulo para trás soltando um gritinho. Ridículo. Como disse no início do comentário, a escolha do elenco foi muito infeliz. Desde os figurantes até os atores principais, todos atuam muito mal. Veralyn Venezio, a atriz que interpreta a mulher do juiz Walton, tem apenas uma aparição rápida, o suficiente para causar risos com seu jeito de coroa no cio. Outra cena lamentável e risível é quando o agente secreto aparece ostentando uma placa com os dizeres “I'm Here to Help” para que o juiz o identifique como o mocinho. Na verdade, ficou parecendo um pedinte cego ou surdo-mudo. O ator Ryan Phillippe, apesar dos seus 46 anos, está longe de ficar parecido com um agente especial treinado para matar. Além do corpo franzino, ele ainda conserva o mesmo rosto de adolescente em que apareceu em inúmeros filmes de Hollywood. Mais uma escolha errada do elenco. Para encerrar, tem ainda Casper Van Die, galã dos filmes de ação dos anos 90, que nunca foi um bom ator e agora nada mais é do que um canastrão de primeira. Conclusão: “Voto de Coragem” deve ser dado a quem assistir a essa bomba.
quinta-feira, 5 de agosto de 2021
“BARTKOWIAK”, 2021, Polônia, produção original Netflix, 1h31m, direção de Daniel Markowicz, seguindo roteiro de Daniel Bernardi. Um misto de policial e filme de ação, cuja história é centrada no jovem Tomek Bartkowiak (Józef Pawlowski), um ex-lutador de MMA que caiu em desgraça após perder uma luta em que se constatou que estava drogado. Sem chance de lutar de novo, Tomek foi trabalhar como segurança numa boate. Curiosamente – olha que invenção do roteiro -, sua família é dona de uma boate em outra cidade e quem a dirige é o irmão de Tomek, Wiktor (Antoni Pawlicki). Acontece que o quarteirão onde fica a boate dos Bartkowiak é cobiçado por um empresário inescrupuloso para, em seu lugar, construir um grande projeto imobiliário. Dessa forma, na base da pressão psicológica e da violência, Rafal Kolodziejczyk (Bartlomiej Topa) aterroriza os comerciantes do quarteirão que se recusam a vender seus imóveis. Quando Wiktor aparece morto em um acidente na estrada, Tomek volta para sua cidade natal com o objetivo de verificar o que realmente aconteceu. É quando descobre quem está por trás de toda aquela violência. Além disso, fica clara a omissão da polícia e das autoridades municipais, certamente corrompidas pelo empresário da construção. Com a ajuda do seu ex-treinador Pawel Sozoniuk (Szymon Boglowski) e de sua filha Dominika (Zofia Domalik), Tomek enfrentará a gangue de Kolodziejczyk, que tem como um de seus integrantes o também ex-lutador de MMA Konrad “Blizna” Repec (Damian Majewski), justamente aquele que o derrotou naquela famosa luta. Vejam que roteiro inventivo. Para concluir, não levem muito em consideração a história mirabolante, pois a principal atração do filme são, sem dúvida, as cenas de luta e pancadarias em geral, muito bem coreografadas e filmadas. Em contraste com tanta violência, há que se destacar a beleza da atriz Zofia Domalik. Uma informação adicional sobre o título “Bartkowiak”, sobrenome do personagem principal. Trata-se de uma homenagem do roteirista Daniel Bernardi ao veterano cineasta polonês Andrzez Bartkowiak, hoje com 71 anos de idade, que por muito tempo trabalhou em Hollywood como diretor em vários filmes. Resumindo, vale a pena assistir "Bartkowiak" pelas cenas de ação.
quarta-feira, 4 de agosto de 2021
“A
GAROTA DO TERCEIRO ANDAR” (“GIRL ON THE THIRD FLOOR”), 2019, Estados Unidos,
1h33m, filme de estreia de Travis Stevens na direção e roteiro, no qual recebeu
a colaboração de Paul John Stone e Ben Parker. Disponível na plataforma
Netflix, trata-se de um filme de terror, aliás, de terrir, pois eu me diverti
muito, apesar dos sustos e a aparição de alguns seres sinistros. A história
começa com um dos clichês mais tradicionais do gênero: uma casa mal-assombrada.
É nela que chega Don Kock (Phil Brooks), o novo proprietário, que vai cuidar da
reforma sozinho para não gastar. Ele é um sujeito complicado. Ex-presidiário,
tenta recomeçar a vida junto com a esposa Liz (Trieste Kelly Dunn), que está
grávida. Ela só mudará para a casa quando a reforma ficar pronta, o que levará,
certamente, mais alguns dias. Don dormirá na casa até ela ficar pronta. Certo
dia ele recebe a visita de uma bela moça chamada Sarah Yates (Sarah Brooks),
que logo se entrega a Don, que não resiste à sua beleza e sensualidade.
Enquanto isso, durante o dia, derrubando paredes e consertando encanamentos,
Don não se dará conta de que está despertando os fantasmas de plantão. Aí
começam a acontecer coisas misteriosas. Bolinhas de gude rolam pela casa, uma
gosma preta sai dos encanamentos e – pasmem! – escorre sêmen pelas paredes. Nojento! De
tanto ser perseguido pela garota tipo atração fatal e presenciar esses fatos sinistros,
Don começa a enlouquecer. Enquanto tudo isso acontece, sua esposa chega para
uma visita-surpresa e também terá de enfrentar toda essa loucura. Ela descobre,
por exemplo, que na casa, há muitos anos, funcionava um prostíbulo – o que
justifica todo aquele sêmen saindo pelas paredes. História maluca, não? Não dá
para levar nada muito sério, por isso o negócio é se divertir. E isso o filme
garante de sobra. Vale a pena conferir.
segunda-feira, 2 de agosto de 2021
“A ÚLTIMA CARTA DE AMOR” (“THE LAST LETTER FROM YOUR LOVER”), 2021, Inglaterra, 1h50m, direção de Augustine Frizzell, seguindo roteiro escrito por Nick Payne e Esta Spalding. A história é baseada no best-seller de 2010 da escritora inglesa Jojo Moyes, com o mesmo título original do filme. Tudo começa com a jornalista Ellie Haworth (Felicity Jones), que descobre, no arquivo do jornal em que trabalha, uma carta de amor muito bem escrita, assinada apenas por B e destinada a uma tal de Jennifer. Seguindo seus instintos, Ellie acredita que seu achado pode se transformar numa boa matéria para o seu jornal. Ao mesmo tempo em que mostra a jornalista procurando outras cartas, o filme retorna ao passado – 1965, para ser mais exato- e apresenta a personagem Jennifer Stirling (Shailene Woodley), uma socialite que acaba de perder a memória devido a um acidente de trânsito. Ela é casada com um empresário rico, Laurence Stirling (Joe Alwyn), que, mergulhado em seus negócios, não dá muita bola para a esposa. Pois Jennifer é justamente a destinatária da carta de amor escrita por B. Entre idas e vindas ao passado, o filme desvenda quem é o misterioso B, ou seja, o jornalista Anthony O”Hare (Callum Turner), amante de Jennifer. Voltamos aos dias atuais e aqui está a jornalista Ellie cada vez mais interessada na história de Jennifer e seu amante. Ellie também está prestes a viver um caso de amor, justamente com o rapaz que toma conta do arquivo do jornal, o simpático Rory (Nabhaan Rizwan). Depois de uma incansável investigação, Ellie descobre que Anthony ainda está vivo, assim como Jennifer. Quem for mais sensível pode ser obrigado(a) a usar lenços de papel no desfecho. A recriação de época – anos 60 – é um dos destaques, principalmente os figurinos usados por Jennifer, que lembram os mesmos que a gente costumava ver em Jacqueline Kennedy. Enfim, “A Última Carta de Amor”, lançado recentemente pela Netflix, é um filme muito bonito, mesmo que trate de uma traição conjugal. Em nenhum momento será possível contestar as atitudes de Jennifer. Pelo contrário, a tendência é que os espectadores – principalmente elas – torçam pelo final feliz do romance proibido. Faço questão de destacar, por fim, a atuação magistral da atriz Shailene Woodley, o que já vale o ingresso. Simplesmente imperdível!
“ELVIRA,
TE DARIA MINHA VIDA, MAS A ESTOU USANDO” (“ELVIRA, TE DARÍA MI VIDA PERO LA
ESTOY USANDO”),
2015, México, 1h48m, disponível na Netflix desde 8 de abril de 2020, roteiro e direção
de Manolo Caro. Trata-se de uma comédia dramática centrada na personagem de
Elvira (Cecilia Suárez), uma dona de casa dedicada à família, o marido Gustavo
(Carlos Bardem, irmão de Javier) e dois filhos pequenos. Uma noite, Gustavo sai
de casa para comprar cigarros e não volta mais. A partir daí, a história
destacará a angústia de Elvira com relação ao misterioso desaparecimento do
marido. Ao invés de procurar a polícia, o que seria mais natural, ela resolve
investigar por conta própria. Para isso, contará com a ajuda de uma vizinha,
Luisa (Vanessa Bauche), para cuidar das crianças. Como precisa de dinheiro,
Elvira se oferece para trabalhar na funerária da amiga Eloy (Angie Cepeda). Ela
confessa: “Eu não sei fazer nada, a única coisa que sou boa é em chorar”. Eloy
então contrata Elvira para trabalhar como carpideira, no que resulta em ótimas
cenas de humor. Ao mesmo tempo, Elvira arruma um namorado, Ricardo (Luis Gerardo
Méndez), funcionário da funerária que pode ajudá-la a descobrir o paradeiro do
marido fujão, o que somente acontecerá no desfecho, revelando um fato dos mais
surpreendentes. O filme tem um grande trunfo: o desempenho magistral da atriz
Cecilia Suárez, que na vida real é casada com o ator mexicano Gael García
Bernal. A trilha sonora é um achado, principalmente quando destaca a música “Suavecito”,
de Laura León, interpretada por Julieta Vinegas. Trocando em miúdos, “Elvira” é
um filme delicioso de assistir. Não perca!
sábado, 31 de julho de 2021
Acaba de
chegar à Netflix esta joia do cinema holandês: “ANTONIA: UMA SINFONIA” (“DE
DIRIGENT”), 2018, roteiro e direção de Maria Peters, 2h17m. Trata-se da
adaptação para o cinema da história daquela que é considerada a primeira
maestrina a reger uma grande orquestra: a holandesa Antonia Brico. O ano é 1926
e estamos em Nova Iorque. A jovem Willie Walters (Christanne de Brujin) é uma estudante
de piano cujo maior sonho é ser maestrina. Ninguém lhe deu atenção e muito
menos esperança, já que o cargo era tradicionalmente exercido por homens. Como
na época as mulheres ainda enfrentavam uma sociedade machista, a moça teria de
enfrentar enormes desafios. O primeiro deles: a total falta de apoio dos pais,
gente pobre e humilde - o pai trabalhava como lixeiro. Willie foi à luta.
Conseguiu emprego como pianista numa pequena orquestra que tocava num teatro de
revista (o pessoal de hoje não sabe o que é isso). Em meio à sua trajetória,
Willie conheceu Frank Thomsen (Benjamin Wainwright), um jovem milionário que
atuava como mecenas de músicos e orquestras. Os dois se apaixonaram, mas Willie
jamais deixou de lado o seu sonho. Impulsiva e determinada, batalhou tanto que conseguiu uma bolsa de
estudos para estudar na Escola Estatal de Música e Belas Artes de Berlim, onde
aprendeu regência com o maestro Karl Muck (Richard Sammel). Paralelamente a
este seu empenho, Willie acabou descobrindo que era adotada e que seu nome de
nascença era Antonia Brico. Ela resolveu abandonar o nome Willie e adotar Antonia em definitivo para seguir carreira. Com desconfiança total, Antonia estreou como
regente profissional na Orquestra Filarmônica de Berlim. Um sucesso tão grande
que foi convidada para reger outras orquestras pela Europa e, depois, para reger
a Orquestra Filarmônica de Nova Iorque. Aqui, também seria responsável pela
primeira orquestra sinfônica de mulheres, com o aval da então primeira-dama
norte-americana, Eleanor Roosevelt. Enfim, uma história incrível de uma mulher
determinada e corajosa, muito à frente do seu tempo. Tudo funciona bem nessa produção
holandesa, falada em inglês, holandês (neerlandês) e alemão: elenco, roteiro,
recriação de época, figurinos, fotografia, trilha sonora e direção de arte. Em seu primeiro papel como protagonista principal, a atriz holandesa Christanne de Brujin arrasa do começo ao fim. Imperdível!
sexta-feira, 30 de julho de 2021
O
MISTÉRIO DE BLOCK ISLAND (“THE BLOCK ISLAND SOUND”), 2020, Estados Unidos,
1h37m, disponível na plataforma Netflix, roteiro e direção dos irmãos Matthew e
Kevin McManus. Trata-se de um filme de terror série B, beirando a zona de rebaixamento. Começa com fatos inexplicáveis, continua com acontecimentos sem
explicação e termina sem explicar o que aconteceu. Caberá ao espectador, no
desfecho, mobilizar seus neurônios para tentar adivinhar o que viu na tela. Estamos
na Block Island, uma ilha – que realmente existe – a 19 km do litoral do estado
norte-americano de Rhode Island. Depois que começam a aparecer aves e peixes
mortos na praia, o veterano pescador Tom (Neville Archambault) passa a
apresentar um comportamento estranho, catatônico, macambúzio e sorumbático (dicionário
na mão, por favor). Harry (Chris Sheffield), seu filho, liga para a irmã Audry
(Michaela McManus, irmã dos diretores) e pede que ela venha à ilha para ajudar
a cuidar do pai. Como Audry é bióloga, talvez apresente uma explicação baseada
na ciência para desvendar o mistério das mortes dos animais. Só quem arrisca a
palpitar é um amigo excêntrico de Harry, que atribui os fenômenos a uma força sinistra.
Também acredita em teorias delirantes e eventos sobrenaturais. Quando Tom desaparece misteriosamente, seu filho Harry começa a
ter um comportamento também estranho, com alucinações e visões fantasmagóricas.
Seu pai sumido está sempre nelas dando ordens. Você fica ali assistindo a tudo
e esperando que no desfecho haja uma explicação. Nada! Fica a dúvida se a tal
força sinistra vem do céu ou do mar. Você vai dormir com essa dúvida e com uma
certa raiva por ter assistido até o final.
quarta-feira, 28 de julho de 2021
O
OUTRO IRMÃO (EL OUTRO HERMANO), 2017, disponível na plataforma Netflix,
coprodução Argentina/Uruguai/Espanha, 1h53m, roteiro e direção do cineasta
uruguaio Israel Adián Caetano. Trata-se de um thriller policial com pitadas de
suspense. O esquisito Cetarti (o ator uruguaio Daniel Hendler), um
ex-funcionário público demitido por justa causa (faltou um ano inteiro ao trabalho),
vive isolado em Buenos Aires, bebendo e jogando conversa fora pelos botecos.
Mas essa rotina mudará depois que recebe o telefonema de um sujeito estranho
que lhe dá a notícia de que sua mãe e seu irmão foram assassinados. Para cuidar
do enterro e outras providências, Cetarti viaja para o pequeno vilarejo de
Lapachito, na província de Chaco. Há muitos anos afastado da mãe e do irmão,
Cetarti não sabe ao certo o que encontrará na casa de seus familiares mortos.
Uma casa muito simples e bagunçada, aliás, na zona rural de Lupachito. Quando
chega da viagem, Cetarti é recebido por Duarte (Leonardo Sbaraglia), o estranho
que lhe telefonara. Ele se apresenta como corretor de seguros e coloca-se à
disposição de Cetarti para ajudar no que fosse preciso. Porém, por trás dessas
boas intenções, há um plano maquiavélico para extorquir o coitado do Cetarti.
Aos poucos, o espectador conhecerá a verdadeira personalidade de Duarte, que
não passa de um pilantra acostumado a aplicar golpes e até praticar sequestros
para ganhar dinheiro. Ele é tão mau-caráter que chega a estuprar uma senhora
sequestrada. Resumindo, Cetarti cairá na lábia de Duarte a ponto de participar
de um sequestro. Muita coisa acontece até o desfecho, que reserva uma grande
reviravolta na história. O ótimo ator argentino Leonardo Sbaraglia, também
muito requisitado pelo cinema espanhol, dá um show de interpretação como o
malandro Duarte. Tanto é que conquistou, por esse papel, o prêmio de melhor
ator no Festival de Cinema de Málaga (Espanha). Também é destaque no elenco a
veterana atriz espanhola Ángela Molina. Resumindo, “O Outro Irmão” não pode ser
colocado entre os melhores filmes argentinos, mas não decepciona. Confira sem
medo.
terça-feira, 27 de julho de 2021
CÉU
VERMELHO-SANGUE (BLOOD RED SKY), 2021, Alemanha/EUA, 2h03m, direção de Peter
Thorwarth, que também assina o roteiro com a colaboração de Stefan Holtz.
Trata-se de uma produção original Netflix, repleta de ação, suspense e com a
participação especial de vampiros. Tudo começa em um aeroporto da Alemanha,
onde passageiros esperam embarcar em um voo para Nova Iorque. Entre eles, estão
Nadja (Peri Baumeister) e seu filho Elias (Carl Anton Koch). A versão oficial
que a mãe explica para o filho sobre o motivo da viagem é que ela pretende se
submeter a um tratamento de medula. Mas, como se verá no transcorrer da história,
Nadja reserva um segredo muito especial. Quando o avião levanta voo, um grupo
de terroristas assume o comando, ameaçando matar quem não seguir suas ordens.
Os sequestradores se passam por muçulmanos, quando na verdade não passam de
bandidos comuns cujo objetivo é conseguir um resgate em dinheiro. Quando Nadja
percebe que seu filho está em perigo, ela se transforma, literalmente, numa
fera. A partir daí o filme entra num ritmo alucinante,
tudo dentro da aeronave. Haja coração. Até o desfecho, muita coisa vai
acontecer e o espectador acompanhará tudo segurando com força os braços da
poltrona. A ação não para um segundo, muito sangue jorrando e sustos à vontade,
tudo muito bem feito. O ator inglês Dominic Purcell, que normalmente atua como
mocinho nos filmes, aqui é o vilão, chefe dos sequestradores. Destaque para a
atuação da atriz alemã Peri Baumeister, que ficou conhecida após aparecer no
papel de Lady Gisela na série “O Último Reino” e como Sara na série “Skylines”,
ambas produzidas pela BBC inglesa. Também merece destaque o trabalho de maquiagem
feita nos vampiros, especialmente na personagem de Nadja. Trocando em miúdos, “Céu
Vermelho-Sangue” é um ótimo entretenimento. Imperdível!
segunda-feira, 26 de julho de 2021
“RETRATOS
DE UMA GUERRA” (“ASHES IN THE SNOW”), 2018, coprodução Estados Unidos/Lituânia,
1h38m, disponível na plataforma Netflix, filme de estreia como diretor de
Marius A. Markevicius, seguindo roteiro de Ben York Jones. Trata-se de uma adaptação
do livro “A Vida Entre Tons de Cinza” (“Between Shades of Grey”), da escritora
lituana naturalizada norte-americana Ruta Sepetys, lançado em 2011. Baseado em
fatos reais relatados no romance de Ruta, o filme retrata mais um episódio lamentável
ocorrido durante a Segunda Guerra Mundial, desta vez envolvendo o exército de
Stalin. Em 1941, enquanto os
nazistas dominavam a Europa Ocidental, os russos invadiam o leste europeu. O
filme concentra sua ação nos países bálticos, no caso a Lituânia, que em 1940 havia sido anexada à União Soviética. Independente
de idade, ideologia, credo ou religião, milhares de lituanos foram presos e enviados
para campos de concentração na Sibéria (os famosos gulags) e submetidos a
trabalhos forçados. Enquanto os alemães utilizavam gás para matar os judeus, os
russos deixavam suas vítimas morrerem de fome e frio. A história do filme é
centrada na família da jovem desenhista Lina Vilkas (Bel Powley), enviada com a
mãe e os irmãos para a Sibéria e, depois, para um lugar perdido no Círculo
Polar. Também estão no elenco Martin Wallström, Sophie Cookson, Lisa Loven Kongsli e Peter Franzen. Falado em inglês, russo e lituano, “Retratos de Uma Guerra”, como não
poderia deixar de ser, é um filme muito triste, que talvez faça mal para
espectadores mais sensíveis. É desgraça e sofrimento do começo ao fim. De
qualquer forma, é bastante esclarecedor quanto ao papel da União Soviética
durante o conflito. Se os nazistas mataram 6 milhões de judeus, Stalin
assassinou 25 milhões, fato só revelado depois da morte do ditador russo, em
1953. O filme poderia explorar o assunto de forma mais esclarecedora sob o
ponto de vista histórico, mas resolveu ficar no superficial. Isso, porém, não
desmerece a lembrança do fato que é sempre lembrado pelas comunidades lituanas
em todo o mundo. Se você tiver com vontade de um entretenimento mais leve e
alegre, não assista. Para terminar o comentário, lembro que o filme, na época de seu lançamento (2018) na Lituânia, bateu recordes históricos de bilheteria.
domingo, 25 de julho de 2021
“PLANO
DE FUGA” (“PLAN DE FUGA”), 2016, Espanha, 1h45m, disponível na Netflix, roteiro e
direção de Iñaki Dorronsoro. Com esse mesmo título há também filmes como o de 2012,
com Mel Gibson, e o de 2018, com Stallone, além de outros que não me recordo.
Este espanhol é um bom policial, mas peca pelo roteiro confuso e um final um
tanto inverossímil. A trama é centrada em Victor (Alain Hernández), um ladrão
de bancos especialista em maçaricos que acaba de ser contratado pela máfia
russa para roubar um grande banco. O filme demora a identificar Victor como agente
da polícia infiltrado na máfia, revelação que surpreende o espectador. Em meio
ao planejamento do roubo, Victor, que é casado e tem um filho, conhece e se
apaixona por uma stripper, a bela Helena (Alba Galocha), que aparece na
história apenas para embelezar uma ou outra cena, sem um protagonismo
relevante. Também surge um antigo parceiro de roubos de Victor, o viciado em
drogas Rápido (Javier Gutiérrez). Este sim terá uma participação importante na
trama. A polícia descobre os planos da máfia russa e começa a investigar o
caso. Quem chefia a equipe é um veterano detetive (Luis Tosar), que até o final
tentará desvendar qual o plano do roubo e qual banco será o escolhido. Só que
haverá uma reviravolta no caso, o que não cabe aqui revelar. O desfecho é
surpreendente, mas um tanto improvável. Como afirmei no começo do comentário, o
filme é um bom policial, com todos os ingredientes para agradar os fãs do
gênero.
quinta-feira, 22 de julho de 2021
Do pouco
conhecido cinema de Gana, encontrei na Netflix o suspense “O NOVO PROFESSOR”
(“DERANGED”), uma produção de 2017, com 1h38m de duração e roteiro e
direção de Jameel Buari. Assim como o cinema da Índia é chamado de Bollywood e o da Nigéria de Nollywood, o cinema de Gana é Gollywood. Trata-se de mais um filme com o tema “atração fatal”,
desta vez envolvendo uma aluna problemática e um professor de filosofia
substituto. Benny Essiam (Ramsey Novah), o professor, está feliz da vida e muito motivado. Arrumou emprego em uma escola conceituada na capital Acra e sua mulher Kamila
(Zinnell Zuh) está grávida depois de seis anos de tentativas. Em suas aulas,
uma aluna com aparência nerd se destaca: Kaylyn Koleman (Nadia Buari, irmã do
diretor). Ela se mostra inteligente, em
um nível bem acima dos colegas, e muito "interessada" nas aulas de Essiam. De repente seu comportamento começa a mudar,
revelando uma admiração quase sexual por seu professor, a ponto de assediá-lo dentro e fora da escola. Essiam a rejeita sempre, mas sabe como é, mulher rejeitada,
pode ser jovem ou mais velha, sempre vira uma fera. Então Kaylyn parte para o ataque
e tenta de todas as maneiras convencer o professor a levá-la para a cama. A
coisa engrossa, pois a moça é daquelas obcecadas e carentes ao extremo,
chegando à beira da psicopatia. Você logo imagina o que vai acontecer. É bom
não seguir diante com a história para não entregar as surpresas reservadas pelo
roteiro e, principalmente, não revelar a grande reviravolta no desfecho. O filme é todo falado em inglês, a língua oficial de Gana, assim como acontece na Nigéria e em outros países africanos. Até o começo do século passado, Gana era uma colônia britânica conhecida também como Gold Coast. “O
Novo Professor” é um bom suspense, mantendo um alto nível de tensão do começo
ao fim. Recomendo.
quarta-feira, 21 de julho de 2021
“UN PLUS
UNE”,
2015, França, 1h55m, disponível na plataforma Netflix, direção de Claude
Lelouche, que também assina o roteiro com a colaboração de Valérie Perrin. Os
cinéfilos mais antigos certamente se lembrarão do consagrado cineasta francês,
responsável, entre outros, pelo clássico “Um Homem e Uma mulher” (“Un Homme et
Une Femme”), de 1966. Em “Un Plus Une”, ele repete a fórmula do seu grande
sucesso, ou seja, o romance entre um homem e uma mulher. No caso, Antoine Abeilard
(Jean Dujardin, de “O Artista”), um conceituado compositor de trilhas sonoras,
e Anna Hamon (Elsa Zylberstein), esposa de Samuel Hamon (Christopher Lambert),
embaixador da França na Índia. Contratado para compor a trilha do filme indiano
“Julieta e Romeu”, Antoine viaja para Mumbai (antiga Bombaim) e é recepcionado com um jantar na
embaixada francesa. É aí que ele conhece Anna, uma mulher que se inspira na espiritualidade
reinante no país de Gandhi. Há anos que ela tenta engravidar, mas não consegue.
Então ela resolve viajar para o sul da Índia com o objetivo de visitar uma
líder espiritual conhecida por Amma, a “santa que abraça”, e se banhar no Rio Gânges.
No meio do caminho ela volta a se encontrar com Antoine, que a acompanha na
viagem com a justificativa de querer curar sua crônica dor de cabeça. Enquanto
isso, seu marido, o embaixador, hospeda a namorada de Antoine, Alice Hanel (Alice
Pol), uma pianista que acaba de chegar da França. Quando os dois casais se
reencontram, algumas verdades vêm à tona, complicando os relacionamentos. O desfecho,
quando o filme avança quatro anos, reserva uma grande reviravolta. “Un Plus Une”
é repleto de diálogos inteligentes, durante os quais se discute temas como arte,
filosofia de vida, amor e espiritualidade. Os cenários também são destaque, com
a câmera no meio do povo em várias cidades indianas, principalmente aquelas
banhadas pelo Rio Gânges. A trilha sonora, composta por Francis Lai, o mesmo de
“Um Homem e uma Mulher”, é outra atração do filme. Mas o grande trunfo, além da
história, é, sem dúvida, o desempenho primoroso da atriz Elsa Zylberstein. Lançado
com muitos elogios no Festival Internacional de Cinema de Toronto (Canadá), o
filme consagra o diretor Claude Lelouche como um dos maiores cineastas da
atualidade. Cinema da mais alta qualidade. Imperdível!





















