segunda-feira, 10 de maio de 2021

 

“TUDO POR ELA” (“RIDE OR DIE”), 2020, Japão, 2h22m, disponível na Netflix desde 15 de abril de 2021, roteiro e direção de Ryuichi Hiroki. Na criação do roteiro, Hiroki se inspirou na série de mangá “Gunjo”, escrita e ilustrada por Ching Nakamura. Trata-se de um drama centrado em duas amigas lésbicas, Rei Nagasawa (Kiko Mizuhara) e Nanae Shinoda (Honami Satô). Elas se conhecem na adolescência, numa aula de artes, e se apaixonam – essa fase é apresentada em flashbacks durante a narrativa. Mas logo depois as duas se afastam e voltam a se reencontrar apenas dez anos depois. Rei agora mora com uma nova namorada e Nanae está casada com um homem rico, mas violento, acostumado a espancá-la com violência. Em nome da velha amizade e do amor que as unia, Rei mata o marido da amiga e as duas fogem sem destino – fica evidente a menção ao clássico “Thelma & Louise”, de Ridley Scott, grande sucesso de 1991 (com a diferença de que as personagens de Genna Davis e Susan Sarandon não eram lésbicas). Daqui para a frente, o filme japonês ingressa na fase do road movie e também do tédio. O filme se arrasta, num ritmo lento e angustiante, com muita conversa jogada fora, diálogos na base da psicologia barata, sem qualquer resquício de inteligência. As duas moças choram e gargalham o tempo inteiro, demonstrando uma demência histérica. Haja paciência para chegar até o final das mais de duas horas de projeção. Nudez frontal e sexo quase explícito também fazem parte da receita apelativa de “Tudo por Ela”. Há, porém, dois fatos que merecem destaque. Primeiro, a beleza da atriz Rei Nagasawa, que também é modelo de sucesso. Segundo, as imagens de Tóquio, primorosamente fotografadas, principalmente nas cenas noturnas. Trocando em miúdos, o resultado final não favorece uma recomendação entusiasmada.                       

        

sábado, 8 de maio de 2021

 

“ASSASSINATO ÀS CEGAS” (“ANDHADHUN”), 2018, Índia, 2h30m, disponível na Netflix, roteiro e direção de Sriram Raghavan. Um dos mais interessantes e criativos filmes realizados por Bollywood nos últimos anos. Trata-se de um misto de comédia/suspense/drama, com pitadas de musical – não aquelas cantorias irritantes, mas músicas cujas letras fazem referência à história. Por falar em história, vamos a ela. O personagem principal é o pianista deficiente visual Akash (Ayushmann Khurrana). Quando ele conhece por acaso a jovem Sophie (Radhika Apte), sua vida mudará completamente. A começar pelo convite do tio da moça para tocar em seu restaurante, um dos mais chiques da cidade de Pune. O tio é Promod Sinha (Anil Dhawan), um antigo astro de Bollywood, casado com uma mulher bem mais jovem, a bela e sensual Simi (a atriz Tabu, nome artístico de Tabassum Fatima Hashmi). Para homenagear a esposa no dia do aniversário de casamento, Promod contrata o pianista cego para uma apresentação surpresa no apartamento do casal. Só que a surpresa será ainda maior quando há um corpo estendido no chão da sala, vítima de assassinato recentemente cometido, e um homem pelado no banheiro. Olha a confusão. Como já dá para presumir, o filme é cheio de surpresas, reviravoltas e situações que fogem ao controle dos personagens, num ritmo frenético do começo ao fim. Isso tudo acontece graças ao primoroso e criativo roteiro, bem construído e desenvolvido, repleto de humor e sequências hilariantes. Achei melhor não me estender no comentário para não estragar as inúmeras surpresas e reviravoltas. Além do ótimo elenco, o grande trunfo do filme é justamente o roteiro, adaptado do curta-metragem francês “L’Accordeur, de 2010. Não deve ter sido fácil transformar uma história de 10 minutos em um roteiro de 2 horas e meia. O filme é tão bom que arrastou milhões de espectadores para os cinemas não só da Índia como da China, transformando-se no grande sucesso de bilheteria nos dois países em 2018. Tenho acompanhado o cinema de Bollywood há muitos anos e este talvez seja o filme mais ocidental já produzido na Índia. “Assassinato às Cegas” é diversão garantida. Simplesmente imperdível!                     

        

 

       

quinta-feira, 6 de maio de 2021

 

Representante oficial de Taiwan na disputa do Oscar 2021 de Melhor Filme Internacional (eu preferia quando era “Estrangeiro”), “A SUN” (“YANGGUANG PUZHAO”) é uma pequena joia meio escondida na plataforma Netflix. Com 2h36m, dirigido por Chung Mong-Hong, que também assina o roteiro com a colaboração de Yansheng Chang, o filme tem encantado a crítica especializada mundo afora, sendo considerado por alguns até mesmo melhor do que o sul-coreano “Parasita” (grande vencedor do Oscar 2020) e do que o japonês “Assunto de Família”. Como estes dois últimos, “A Sun” também é um drama familiar. Vamos à história. O instrutor de autoescola A-Wen (Chen Yi-Wen) e a cabeleireira Chin (Samantha Shu-Chin Ko) criaram seus dois filhos homens com muito sacrifício. O mais velho, A-Hao (Xu Guang-Whan), sempre foi o queridinho, aluno exemplar e muito educado, agora estudando para o vestibular de medicina. A-Ho (Wu Chien-Ho), o mais novo, sempre foi um adolescente problemático. Envolvido com uma turma de delinquentes, ele acaba preso depois de participar de um roubo e de uma agressão violenta. Durante o julgamento, o próprio pai pede ao juiz que lhe aplique uma pena dura. Dessa forma, A-Ho terá de cumprir um ano e meio de prisão em um reformatório juvenil. Todas as esperanças da família, então, voltam-se para A-Hao. Mas um trágico acontecimento envolvendo o rapaz desestruturará de vez a família. Mas o drama familiar não ficará só por aí. Uma menina de 15 anos aparece dizendo estar grávida do jovem preso. A-Wen e a esposa Chin terão de administrar tudo isso e muito mais, pois depois que A-Ho sai da cadeia, volta a se envolver em problemas. As tragédias da família parecem não ter fim, e não terão mesmo, pois ainda haverá uma reviravolta ainda mais infeliz no desfecho. O trabalho do elenco é sensacional, difícil destacar uma atuação específica. O roteiro e a fotografia também merecem um destaque especial. O filme estreou no Festival Internacional de Cinema de Toronto, depois foi exibido no Festival Internacional de Cinema de Tóquio e ainda foi o grande vencedor do Golden Horse Film Awards (o Oscar taiwanês), ao final do qual conquistou cinco estatuetas, inclusive a de Melhor Filme. Se o cinema de Taiwan já era respeitado no mundo inteiro pela produção de filmes como os consagrados “Comer Beber Viver”, “O Banquete de Casamento” e “O Tigre e o Dragão”, entre outros, “A Sun” chega para colocar a cereja por cima do bolo. Simplesmente um filme arrebatador, poderoso e, ao mesmo tempo, cativante. Sem dúvida, um dos melhores deste século. Cinema da melhor qualidade. IMPERDÍVEL com letras maiúsculas.         

        

 

       

terça-feira, 4 de maio de 2021

 

“CLINICAL”, 2017, Estados Unidos, 1h44, disponível na plataforma Netflix, direção de Alistair Legrand, que também assina o roteiro com a colaboração de Aaron Stanford. Trata-se de um suspense envolvendo a psiquiatra Jane Mathis (Vinessa Shaw). Assombrada por um trauma do passado, quando viveu uma tragédia com sua jovem paciente Nora Green (India Eisley), Jane participa de sessões com um terapeuta, o qual recomendou que ela não atendesse mais pessoas com transtorno do estresse pós-traumático. Mesmo com a terapia e remédios, a psiquiatra não consegue se livrar desse antigo trauma. É comum ela ter visões sobre o que aconteceu e ainda sonhar com a jovem. Apesar do conselho dado pelo seu terapeuta, ela concorda em tratar de Alex (Kevin Rahm), um homem que teve o rosto desfigurado num acidente de automóvel, o que acarretaria graves consequências em pouco tempo. As alucinações de Jane foram piorando dia após dia e será assim até o desfecho, quando haverá uma reviravolta na história. Ainda estão no elenco Aaron Stanford (o roteirista), William Atherton, Nestor Serrano, Wilmer Calderon e Sidney Tamiia Poitier (filha do grande Sidney Poitier). Trocando em miúdos, “Clinical” é o tipo de filme que, de tão ruim, ou você odeia ou você detesta. Fica fácil perceber que várias sequências foram introduzidas no roteiro para enrolar a história - bem fraca por sinal - e estender a duração do filme. Talvez por ser apenas o segundo longa-metragem dirigido por Legrand, faltou conteúdo e um pouco mais de ação e suspense para sustentar a história até o desfecho. Nem mesmo a atuação da bela Vinessa Shaw consegue atenuar esse desastre. Um filme para esquecer.                                      

segunda-feira, 3 de maio de 2021


 

“UM INVERNO EM NOVA YORK” (“THE KINDNESS OF STRANGERS”), 2019, coprodução Estados Unidos/Dinamarca/Canadá/França/Suécia/Alemanha/Inglaterra, 1h55m, roteiro e direção de Lone Scherfig. Tem explicação tantos países envolvidos. A diretora e o ator Esben Smed são dinamarqueses, a atriz Andrea Riseborough e Bill Nighy são ingleses, Tahar Rahim é francês, Zoe Kazan norte-americana, além de outros integrantes do elenco e da equipe técnica. Trata-se de um drama muito triste, centrado em uma jovem mãe que, com dois filhos, sai do subúrbio fugindo do marido violento, que por sinal é policial. Com exceção do carro, não têm dinheiro para se alimentar nem lugar para dormir. Passam as noites em albergues para moradores de rua. Finalmente são acolhidos por um gerente de restaurante russo. Em outro segmento da história, uma enfermeira solitária é voluntária em abrigos para pessoas carentes e ainda coordena um grupo de apoio intitulado “Núcleo do Perdão”, cujo objetivo é promover o perdão e praticar a bondade. A história transcorre em vários subtramas e os personagens, de uma forma ou de outra, se encontrarão durante a narrativa para compartilhar seus dramas e ajudarem uns aos outros. O contexto dramático dá margem a que a história destaque também as pessoas que se sacrificam para praticar a bondade, a solidariedade e a empatia. “Um Inverno em Nova York” estreou na noite de abertura do 69º Festival Internacional de Cinema de Berlim e não entusiasmou a crítica nem o público, mas é um filme que passa uma mensagem necessária aos tempos atuais de tanto sofrimento.                         

        

domingo, 2 de maio de 2021

 

“MUCIZE”, 2015, Turquia, 2h16m, roteiro e direção de Mahsun Kirmizigül, que também atua no filme. Ao lado dos recentes “Milagre na Cela 7” e “Filhos de Istambul”, este drama é mais um daqueles que faz a plateia se derramar em lágrimas. Os três, disponíveis na plataforma Netflix, foram grande sucesso de bilheteria, confirmando o gosto do público por histórias sensíveis. E, melhor ainda, foram considerados bons filmes pela crítica especializada. No caso específico de “Mucize” (quer dizer “milagre” em português), a história é baseada em fatos reais ocorridos na década de 60. O professor Muallim Mahir (Talat Bolut) é transferido para uma escola de um vilarejo situado nas montanhas. Sua esposa se recusa a acompanhá-lo e Mahir vai sozinho. O lugar é tão remoto que ele é obrigado a descer do ônibus e caminhar durante horas até chegar ao seu destino. Na chegada, uma grande surpresa. O vilarejo não tem uma escola. Mas Mahir não desiste e decide, com dinheiro próprio, construir uma. Para isso, conta com a mão de obra dos próprios aldeões e de bandidos das montanhas, que se unem em um mutirão para concretizar a obra. Com seu jeito bonachão e de uma bondade imensa, Mahir conquistou o coração dos habitantes, principalmente depois que resolveu adotar como aluno o deficiente físico Azis (Mert Turak). O filme é repleto de momentos comoventes e de outros muito engraçados. Além disso, apresenta alguns rituais muito interessantes da cultura e tradição daquele povo, como, por exemplo, a escolha da noiva para os homens da aldeia, inclusive uma para Azis. Apesar do ambiente de pobreza, o filme passa uma mensagem de esperança e otimismo. Enfim, “Mucize” é um filme que diverte e emociona. Imperdível!                          

sábado, 1 de maio de 2021

“INCERTA GLÓRIA” (“INCERTA GLÒRIA”), 2017, Espanha, 1h56m, disponível na Netflix, roteiro e direção de Agustí Villaronga. A história desse drama espanhol é ambientada em 1937 e tem como pano de fundo a Guerra Civil Espanhola (1936/1939). Em um pequeno vilarejo situado na Catalunha, o jovem tenente Lluis (Marcel Borrás) assume o comando de um batalhão dos republicanos, apoiados por regimes de esquerda, que lutam contra os nacionalistas de Franco. Lluis saiu de Madrid, onde deixou a esposa Trini (Bruna Cusi) e o filho pequeno. No vilarejo, enclausurada num casarão, vive Carlana (Nuria Prims), viúva do sujeito mais rico da região, assassinado pelos rebeldes republicanos. Todo mundo sabia que Carlana era empregada e teve dois filhos bastardos com o patrão. Agora, com a morte dele, assumiu as rédeas da casa, tornando-se a mulher mais rica do pedaço. Lluis se apaixona pela viúva e o caso vira fofoca entre os habitantes do vilarejo, em sua maioria conservadores católicos. Quando Trini (Bruna Cusi), esposa de Lluis, chega para se encontrar com o marido, fica sabendo do caso dele com a viúva e vira uma fera. No meio desse conflito conjugal, o filho dos dois fica gravemente doente. Para tumultuar ainda mais o ambiente, Soleràs (Oriel Pla), melhor amigo de Lluis e soldado dos franquistas, se declara apaixonado por Trini e será capaz de qualquer sacrifício para ajudar a moça. Enfim, um drama meio novelesco, mas tem seus méritos, principalmente no que diz respeito à atuação do seu elenco, a fotografia e à recriação de época. Falado em castelhano e em catalão, “Incerta Glória” tem tudo para agradar quem curte um drama com pano de fundo histórico.                       

sexta-feira, 30 de abril de 2021

 

“O DÉCIMO HOMEM” (“EL REY DEL ONCE”). Quando foi lançado por aqui no circuito comercial, em 2016, não lembro a razão de não ter assistido a esta comédia dramática argentina, escrita e dirigida pelo cineasta Daniel Burman, que já havia nos presenteado com os excelentes “O Abraço Partido” e “Dois Irmãos”. Enfim, ele é um dos diretores argentinos mais conceituados atualmente. “O Décimo Homem”, com 1h22m, é centrado no personagem Ariel (Alan Sabbagh), um economista bem-sucedido em Nova Iorque que volta a Buenos Aires para visitar a família. Seu pai, Usher (Usher Barilka), é o líder da comunidade judaica do bairro Once – o título original é referência a ele. Aqui, a família de Usher administra uma loja e uma instituição de caridade. Ariel não visitava Buenos Aires há alguns anos e logo quando chega ao aeroporto recebe uma ligação do pai mandando ele comprar um sapato com velcro para um jovem que está internado em um hospital. Ariel percorre várias ruas comerciais para tentar comprar o tal sapato. Nessa peregrinação, ele reencontra alguns locais que frequentava na infância e juventude. Ariel chega finalmente à instituição de caridade e se vê diante de muito trabalho, passando a ajudar na sua rotina. Ele logo se encanta com uma judia ortodoxa que trabalha como voluntária, Eva (Julieta Zylberberg), que resolveu adotar o silêncio em obediência a um ritual religioso. No tempo em que ficará na capital argentina, Ariel, mesmo a contragosto, será obrigado a rever e participar dos rituais judaicos - as partes mais engraçadas da história. Em um deles, ele completa o grupo de dez pessoas que carregará o caixão de um comerciante judeu – daí o título nacional “O Décimo Homem”. Ainda durante sua estada em Buenos Aires, Ariel terá a oportunidade de relembrar um de seus sabores prediletos da infância: bolachas feitas por sua tia recheadas com doce de leite. Gordinho, simpático e bonachão, o personagem de Ariel é o grande trunfo desse ótimo filme argentino, um agradável entretenimento.                     

quarta-feira, 28 de abril de 2021

 

“À ESPREITA DO MAL” (“I SEE YOU”), 2018, Estados Unidos, 1h38m, direção de Adam Randall, com roteiro de Devon Graye. Recentemente integrado à plataforma Netflix, este é um suspense que vale a pena assistir por causa do roteiro interessante e muito criativo, repleto de reviravoltas e subtramas. A história começa com um menino de 12 anos sendo sequestrado, em uma cena que parece obra do sobrenatural. A polícia, sob o comando do detetive Grego Harper (Jon Tenney), começa a investigar o fato. Enquanto isso, na casa do próprio policial, sua esposa Jackie (Helen Hunt) e o filho adolescente Connor (Judah Lewis) passam por maus bocados. Coisas estranhas começam a acontecer, e mais uma vez você acha que tem alguma entidade maligna atuando para apavorar a família. Na metade do filme, porém, o roteiro dá uma guinada muito interessante, começando a explicar o que de fato está acontecendo. Uma jogada de mestre do jovem Devon Graye em sua estreia como roteirista – ele é mais conhecido como ator. Além de dar um novo rumo à história, Graye acrescenta mais algumas reviravoltas, que valorizam ainda mais esse bom suspense. Um fato que também me chamou a atenção foi a atual forma física de Helen Hunt, uma atriz muito competente – tem um Oscar por “Melhor Impossível”, de 1998 – e que até há pouco tempo era bonita e charmosa. De repente, envelheceu muito mais do que os seus atuais 57 anos de idade. Não sei se foi alguma plástica malfeita ou ela está sofrendo de anorexia ou então virou uma vegana radical. Sua boca murchou, parecendo a de uma mulher banguela. Voltando ao filme, “À Espreita do Mal” pode não ser “uma Brastemp”, mas sem dúvida é um bom suspense. Recomendo!                  

        

terça-feira, 27 de abril de 2021

 

“CODA” (“A ÚLTIMA NOTA” no Brasil), 2020, Canadá, 1h37m, disponível na plataforma Netflix, estreia na direção de Claude Lalonde, seguindo roteiro de Lovis Goldout. O drama é centrado no consagrado pianista clássico Henry Cole (Patrick Stewart). Depois que sua esposa faleceu, ele entrou numa fase depressiva, recusando-se a participar de concertos, gravações, entrevistas e outras aparições públicas, para desespero de seu empresário e amigo de longa data Paul (Giancarlo Esposito). Quando finalmente retorna para uma apresentação, teve ataque de ansiedade e pânico no palco, esquecendo as notas finais do concerto – a tal “Coda” do título original. Enquanto descansa no camarim, lamentando o insucesso da sua apresentação, Henry recebe a visita da jornalista Helen Morrison (Katie Holmes). Fã do pianista e da música erudita, ela inicialmente pede uma entrevista, recusada na hora por Henry. Tempos depois eles se reencontram e daí para a frente surge uma forte amizade. Além de amiga e admiradora, Helen torna-se uma espécie de psicóloga do pianista, incentivando-o a seguir adiante com a carreira. O filme é muito sensível, repleto de diálogos inteligentes e de muita erudição, principalmente quando as conversas giram em torno dos grandes compositores de música clássica. Tudo isso ocorre naturalmente, sem afetação, tornando-se um deleite para os apreciadores do gênero. Nesse contexto, deve-se destacar a primorosa trilha sonora: Schumann, Schubert, Beethoven, Rachmaninoff e Alexandre Scriaban. Mais um grande trunfo é a química perfeita entre os protagonistas principais, Patrick Stewart e Katie Holmes. Outro destaque é o maravilhoso cenário dos Alpes Suíços, onde o grande pianista se isola após um triste acontecimento. “A Última Nota” é um belíssimo drama, sensível, intimista e reflexivo, realizado com muita qualidade e inspiração. Imperdível!                    

domingo, 25 de abril de 2021

 

“HANDIA”, 2017, Espanha, 1h56m, disponível na Netflix, roteiro e direção da dupla de cineastas Jon Garaño e Aitor Arregie. A história é baseada num personagem que realmente existiu na Espanha do século XIX. Trata-se de Miguel Joaquín Eleizegui Arteaga, que ficou conhecido como o “Gigante de Altzo” – só para esclarecer, um dos significados da palavra “handia” na língua basca é “gigante”. O filme é falado em basco, já que a família do “gigante” morava no município de Altzo, localizada na província de Guipúscua, comunidade autônoma do país basco. Nascido numa família de pequenos agricultores, Miguel Joaquín (Eneko Sagardoy) era um jovem normal até os 20 anos de idade, quando passou a sofrer de gigantismo, que o levou, rapidamente, a crescer muito acima dos 2 metros de altura. Três anos antes, Martin (Joseba Usabiaga), seu irmão mais velho, foi recrutado para servir o exército carlista durante a guerra civil contra os liberais espanhóis. Ao final do conflito, Martin volta com o braço direito inutilizado por causa de um ferimento, sem poder, portanto, ajudar na rotina de trabalho na fazenda da família, que vive graves problemas financeiros. Quando vê o irmão como um verdadeiro gigante, Martin resolve ganhar dinheiro exibindo-o como atração em circos e teatros. O sucesso foi tão grande que resolveram promover um show itinerante pelas principais cidades da Espanha, além de apresentações em Paris, Lisboa e Londres, onde Joaquín chegou a ser visto na corte da Rainha Vitoria. O filme retrata toda essa verdadeira epopeia, focando, principalmente, na relação entre os irmãos. Impossível não se emocionar com o sofrimento físico e mental de Miguel Joaquín. O ator que o interpreta tem na vida real "apenas" 1m87 de altura, aumentados com um efeito especial imperceptível e por enquadramentos que o transformaram em gigante nas filmagens. Méritos para a dupla de cineastas, que ainda contaram com a primorosa fotografia de Javi Agirre. Enfim, uma história tocante e muito comovente. “Handia” foi o grande destaque na premiação do Goya (o Oscar espanhol), recebendo nada menos do que 13 indicações, sendo premiado em dez delas, um recorde. Merecido, aliás, pois o filme é muito bom.            

sábado, 24 de abril de 2021

 

“INVASÃO” (“BREAKING IN”), 2018, Estados Unidos, disponível na Netflix, 1h28m, direção do australiano James McTeigue, seguindo roteiro assinado por Jaime Primak Sullivan. Começa o filme e você já toma um susto diante de uma cena de atropelamento muito bem realizada. Um corredor de meia idade é surpreendido por um carro ao atravessar a rua. Morreu na hora. Um corte rápido e aparece Shaun Russell (Gabrielle Union) dirigindo seu carro por uma estrada com os dois filhos pré-adolescentes como passageiros, Jasmine (Aijona Alexus) e Glover (Seth Carr). O destino de Shaun é uma casa isolada no meio do mato, toda incrementada na base da tecnologia, aquela do tipo que você usa um controle e abre janelas, portas, toca um som e acende a luz. A tal casa pertencia ao pai de Shaum, o cara que morreu atropelado. No fim da tarde, depois de conhecerem todos os cômodos, mãe e filhos são surpreendidos por quatro assaltantes. Shaun fica fora da casa, enquanto seus filhos ficam presos com os bandidos, cujo objetivo da invasão é roubar o dinheiro que está em um cofre. Daí para a frente, até o desfecho, você vai acompanhar, com um frio na barriga a cada cena, uma mãe desesperada e ao mesmo tempo raivosa tentando entrar na casa e salvar as crianças. A atriz Gabrielle Union esbanja vitalidade física para encarar os desafios das cenas de ação, que são muitas durante o filme. O roteiro soube segurar o clima de suspense do começo ao fim, mesmo que o cenário seja apenas uma casa perdida no mato e poucos protagonistas. Também estão no elenco Billy Burke, Richard Cabral, Levi Meaden e Mark Furze. “Invasão” é um bom suspense que merece ser conferido.            

quinta-feira, 22 de abril de 2021

 

“MADAM CHIEF MINISTER”, 2020, Índia, 2h4m, disponível na Netflix, roteiro e direção de Subhash Kapoor. Trata-se de um drama político aparentemente ficcional, mas que revela muito sobre o que acontece nos bastidores da política indiana. Se você acha que a política brasileira é podre, assista a esta produção de Bollywood e você acabará achando nossos políticos uns santos. A história é ambientada em 1982 e conta a trajetória de uma menina pobre da casta Dalit, cujos integrantes são considerados na sociedade indiana como párias, intocáveis e impuros. Tara Roopram (Richa Chadda) cresceu na base do sofrimento em meio à pobreza e à discriminação até chegar ao cargo de primeira-ministra de Uttar Pradesh, o estado mais populoso da Índia (200 milhões de habitantes segundo censo de 2010). Ainda jovem, Tara conheceu Indramani Tripathi (Akshay Oberoi), com quem teve um caso. De uma casta superior e pretendente a um cargo político, Tripathi terminou o romance quando ela anunciou a gravidez, humilhando-a por pertencer à casta tão inferior. Mas não ficou só nisso. Ele mandou seus capangas espancarem a moça com chutes na barriga para provocar o aborto. Tara prometeu se vingar, mas não na base da violência. Ela ingressou na política para acabar com Tripathi. Sem contar seu desejo de vingança, Tara foi acolhida por seu tio, o mestre Surajbhan Masterji (Saurabh Shukla), líder de um partido político até então de pouca expressão em Uttar Pradesh. Com o apoio e os conselhos de Masterji, Tara disputou várias eleições até chegar ao cargo máximo na hierarquia política daquele estado indiano. Em sua trajetória, porém, ela sofrerá muitos dissabores, muitos deles colocando sua vida em constante perigo. Corajosa, ela enfrentou os desafios sem jamais ceder nos seus ideais. Além de bonita e talentosa, a atriz Richa Chadda carrega o filme nas costas, com uma atuação primorosa. Vale a pena assistir “Madam Chief Minister”, nem que seja para ficar por dentro da podridão da política indiana. O diretor Subhash Kapoor tem muito autoridade sobre o assunto, já que por muitos anos trabalhou como jornalista político.      

quarta-feira, 21 de abril de 2021

 

“INVISÍVEL” (“INVISIBLE”), 2017, Argentina, 1h27m, roteiro e direção de Pablo Giorgelli (do aclamado “Las Acacias”). O filme acompanha a rotina diária da jovem Ely (Mora Arenillas), de 17 anos. Ela mora com a mãe Susana (Mara Bestilli) em um conjunto habitacional do Bairro Boca, em Buenos Aires, cursa o último ano do ensino médio e é funcionária de um pet shop. Além de cuidar da mãe, que se encontra em depressão e não sai de casa, Ely tem como única diversão transar de vez em quando com Raúl (Diego Cremonesi), o filho do dono do pet shop, no banco traseiro do carro dele. Um dia, porém, ela descobre que está grávida e fica sem saber o que fazer. O certo é que não quer ter o filho. Porém, fica indecisa entre tomar algum remédio ou fazer um aborto. Uma colega do colégio aconselha o remédio, enquanto Raúl, o pai, insiste em que ela faça um aborto e até conseguiu uma clínica. A indecisão de Ely alimenta a história até o desfecho. Aviso desde já: “Invisível” não é um filme fácil de digerir. É depressivo e baixo astral ao extremo, tem um ritmo por demais vagaroso e até cansativo em alguns momentos. Há poucos diálogos, o silêncio tomando conta da maioria das sequências. É flagrante também o seu baixo orçamento, evidenciado pela produção simples, quase amadora, além de um elenco bastante reduzido. “Invisível” é apenas o quarto filme da jovem atriz Mora Arenillas (o mais recente é “La Chica Nueva”), que mostra muito talento em sua interpretação da jovem desiludida com a vida, triste e amargurada. O filme foi visto por aqui durante o 19º Festival Internacional de Cinema do Rio. Quem pretende assistir a um entretenimento leve e agradável deve passar longe deste drama argentino, disponível na plataforma Netflix.   

terça-feira, 20 de abril de 2021

 

“VERÓNICA”, 2017, México, 1h21m, disponível na plataforma Netflix, roteiro e direção de Carlos Algara e Alejandro Martinez-Beltran. Filmado em preto-e-branco, trata-se de um suspense psicológico cuja personagem principal é justamente uma psicóloga (Arcélia Ramirez). Depois de sofrer um esgotamento físico e mental, ela abandona a profissão e se enclausura numa casa de campo. Certo dia, porém, ela recebe um telefonema de uma moça que se tratava com seu antigo professor. A princípio, a psicóloga recusa o trabalho, mas acaba aceitando depois da promessa de receber um valor dez vezes maior do que costumava cobrar por uma consulta. A condição é que a nova paciente se hospede na casa para um período de terapia intensiva. Dessa forma, entra na história Verónica de La Serna (Olga Segura), uma jovem problemática e que, aos poucos, acaba revelando muitos traumas de infância, principalmente relativos à sua mãe. Durante as sessões, o que se vê é um embate psicológico entre as duas, praticamente as únicas protagonistas de toda a história. Apesar da falta de entendimento, começa entre as duas um jogo de conquista e sedução, o que acaba gerando algumas sequências eróticas.  Embora o cenário seja inteiramente ambientado dentro de uma casa e o elenco esteja resumido às duas atrizes, o filme não chega a entediar. A dupla de diretores acerta no ritmo do suspense, criando a expectativa para o desfecho, o que realmente acontece com uma surpreendente reviravolta. Um prato cheio para estudantes e profissionais da psicologia.             

segunda-feira, 19 de abril de 2021

 

“O BOM SAM” (“GOOD SAM”), 2019, coprodução EUA/Canadá, distribuição Netflix, 1h30m, segundo longa-metragem dirigido por Kate Melville (o primeiro foi “Picture Day”, de 2012), seguindo roteiro de Teena Booth. Trata-se de uma adaptação do romance homônimo escrito por Dete Meserve. Sabe aquele filme bobinho próprio para uma sessão da tarde com pipoca? Pois é, “O Bom Sam” é isso, um misto de filme com mensagem de solidariedade humana e comédia romântica. Kate Bradley (Tiya Silcar) é repórter de uma rede de TV especializada em cobrir desastres, incêndios e outras tragédias. Por isso, é chamada de “repórter abutre”. Um dia, porém, seu chefe David (Mark Camacho) a encarrega de uma pauta bastante amena. Cobrir o caso de um benfeitor que colocou um saco de dinheiro na porta de uma mulher. Muito a contragosto, Kate vai atrás da matéria e fica indignada ao saber que o tal doador permaneceu anônimo. As doações, cada uma de 150 mil dólares, prosseguiram mais outras vezes e o caso virou um mistério que chamou a atenção do país inteiro. O que se sabia era que as pessoas “premiadas” passavam por dificuldades financeiras ou prestavam serviços para alguma entidade beneficente. Dessa forma, as reportagens de Kate fizeram a audiência de sua emissora subir às alturas. Ela virou uma celebridade televisiva, ainda mais depois de revelar a identidade do doador. Perto do desfecho, porém, acontece uma reviravolta surpreendente. Mais não dá para contar. De qualquer forma, “O Bom Sam” é um entretenimento leve, agradável de assistir e não ofende a nossa inteligência, mas não apresenta nada de especial que mereça uma indicação entusiasmada.          

domingo, 18 de abril de 2021

 

“UN PADRE NO TAN PADRE” (padre em espanhol quer dizer pai), 2016, México, 1h34m, disponível na Netflix, direção de Raúl Martinez Resendez e roteiro de Alberto Bremer. Em outros tempos, esta comédia mexicana seria chamada de uma grande bobagem, plenamente descartável. Mas nessa atual fase de pandemia e tristeza, pode ser encarado com um entretenimento agradável de assistir. Na verdade, é um filme que pode ser dividido em duas partes. Na primeira, que vai até pouco mais da metade da projeção, é uma comédia que realmente faz rir. Na segunda parte, o enredo desanda de vez, transformando-se num dramalhão entediante. Mas a parte da comédia, a primeira, funciona muito bem e garante boas risadas. Vamos à história. Don Servando Villegas (Héctor Bonilla), beirando os 90 anos, é um velho rabugento, brigão, arrogante, homofóbico e racista. É o demônio em pessoa. Ele é o horror da casa de repouso em que vive há anos. Ninguém gosta dele, nem os internos e muito menos os enfermeiros. Ele é prepotente ao extremo, dá ordens como se fosse um general e bengaladas em quem não se comportar como ele exige. Chega o dia em que a direção do asilo resolve expulsá-lo, depois que ele agrediu dois funcionários, um deles filho do próprio diretor. Sobrou para o filho Francisco, o “Fran” (Benny Ibarra), que nunca se deu com o pai. Fran vive numa comunidade na base do estilo hippie, todos vegetarianos e amantes de um bom baseado – um deles, inclusive, planta a maconha no jardim da casa. A chegada do velho Servando tumultua a vida da “família” hippie, gerando ótimas sequências de humor. Só que tudo vira um drama entediante depois da segunda metade da projeção, o que acaba prejudicando o resultado final. Para quem era viciado na série “Chaves” talvez lembre do ator  Héctor Bonilha, que apareceu em alguns capítulos como o galã que chega à vila e faz o coração da mulherada bater mais forte. Trocando em miúdos, “Un Padre no Tan Padre” é uma divertida comédia e um drama entediante. Só a primeira parte vale a pena.         

sábado, 17 de abril de 2021

 

“RADIOACTIVE”, 2019, Inglaterra, 1h51, direção de Marjane Satrapi, seguindo roteiro escrito por Jack Thorne. Trata-se da cinebiografia da cientista Marie Curie, cujas descobertas, ao lado do marido Pierre Curie, permitiram importantes avanços tecnológicos. Eles encontraram, por exemplo, dois novos elementos químicos, o rádio e o polônio, que seriam fundamentais para o desenvolvimento da radioatividade. O filme mostra o início do trabalho da cientista polonesa Maria Slodowska, as dificuldades para ser aceita no meio científico de Paris, o casamento com o também cientista Pierre Curie e a incrível descoberta que lhes valeu dois Prêmios Nobel. O filme destaca não apenas as virtudes da descoberta do casal Curie e sua contribuição para a medicina, mas também o seu lado funesto, como a criação da bomba atômica e das usinas nucleares. Para escrever o roteiro, Jack Thorne (“Enola Holmes” e “Extraordinário”) se inspirou no romance gráfico “Radioactive: Marie & Pierre Curie: A Tale of Love and Fallout”, de Lauren Redniss. A diretora franco-iraniana Marjane Satrapi, que além de cineasta, atriz e escritora, também trabalha como ilustradora e romancista gráfica, não teve dificuldade em dirigir a adaptação para o cinema. Ela realizou um excelente trabalho de cenografia, criando com bastante realismo a Paris como era no final do século 19 e começo do século 20, embora as filmagens tenham ocorrido em Budapeste (Hungria). O elenco é mais um trunfo: Rosamund Pike como Marie Curie, Sam Riley como Pierre Curie, Anya Taylof-Joy (da série “Gambito da Rainha”) como Irène, a filha mais velha dos Curie, e Aneurin Barnard como Paul Langevin, assistente e mais tarde amante de Marie. “Radioactive” estreou como atração principal de gala na noite de encerramento do Festival Internacional de Cinema de Toronto/2019 e está disponível na plataforma Netflix. Imperdível!       

quinta-feira, 15 de abril de 2021

 

“A FORÇA DA NATUREZA” (“FORCE OF NATURE”), 2020, Estados Unidos, 1h31m, produção original Netflix, direção de Michael Polisch, seguindo roteiro assinado por Cory Miller. Trata-se de um filme de ação cuja história começa com o detetive Cardillo (Emile Hirsch) em meio a uma missão em Nova Iorque. Ele faz uma besteira e mata quem não devia. Dessa forma, como punição, ele é enviado para trabalhar como policial de rua em San Juan, capital do estado americano de Porto Rico, e sua parceira será a novata Jess Peña (Stephanie Cayo). Em seu primeiro dia de trabalho, a dupla recebe a incumbência de retirar os moradores que se recusam a abandonar um prédio que corria risco por causa da chegada de um furacão. Trata-se de um imóvel simples, de apenas quatro andares. Aqui começa a série de absurdos do deplorável roteiro. Um dos moradores é um negro que cria uma fera – ninguém saberá, até o final, se é um um tigre, um leão ou um leopardo – treinada para matar policiais. Em outro apartamento reside o policial aposentado Ray Barrett (Mel Gibson), que está muito doente. No apartamento, cuidando dele, está sua filha, a médica Troy (Kate Bosworth). Outro morador é um senhor chamado Bergkamp (Jorge Luiz Ramos), cujo pai militou no exército nazista durante a Segunda Grande Guerra. Enfim, um balaio de gatos. Não bastasse a chuva torrencial que acompanha o furacão, chega ao prédio uma gangue de assaltantes comandada por um chefão violento (David Zayas). Os bandidos têm a informação de que um dos moradores do prédio possui uma valiosa coleção de quadros famosos. A confusão está formada. Além de terem que lidar com os moradores teimosos, a dupla de policiais é obrigada a enfrentar os bandidos, que estão fortemente armados. Os furos do roteiro são tão ridículos que nem vale a pena mencionar. É assistir para perceber. As situações são previsíveis demais, constrangedoras. E os diálogos, então, uma ofensa aos neurônios. Não sei porque Mel Gibson topou participar desse desastre – e não estou falando do furacão. Deve estar precisando de grana. Além da esposa Kate Bosworth, também trabalha no filme, num pequeno papel, a filha do diretor, Jasper Polish, todos cúmplices desse abacaxi. Resumo da ópera: “A Força da Natureza” é um verdadeiro atentado à nossa inteligência e, desde já, deve ser colocado na lista dos piores da Netflix.         

 

“O FASCÍNIO” (“IL LEGAME”), 2020, Itália, 1h33, produção original Netflix (estreou dia 2 de outubro de 2020), direção de Domenico Emanuele de Feudis, que também assina o roteiro com a colaboração de Daniele Cosci e David Orsini. Trata-se de um filme de terror sobrenatural que explora possessão, bruxaria e feitiçaria. A história começa com uma jovem sendo submetida a um ritual aparentemente de exorcismo. De início, não há qualquer explicação sobre o motivo, só no desfecho. Alguns anos depois, Francesco (Ricardo Scamarcio) aparece levando sua namorada Emma (Mía Maestro) e a filha dela, Sofia (Giulia Patrignani), para a casa onde vive sua mãe Teresa (Martella Lo Sardo), numa região rural do sul da Itália. A intenção é apresentar Emma como sua futura esposa. Mas tem alguém que não vai gostar da novidade. E esse alguém é uma entidade sobrenatural, que vem não só assombrar a casa, mas também entrar no corpo da pequena Sofia. Haja mandinga para afastar a peste. Com a ajuda de Sabrina (Rafaella D’Avella), sua velha empregada, Teresa inicia uma série de rituais baseados em superstições locais. “O Fascínio” – na Itália a palavra também é entendida como “olho gordo” – é repleto de clichês utilizados em muitos filmes de terror, além de fazer referências a alguns clássicos do gênero, como “O Exorcista” (a mesma cara assustadora da possuída Linda Blair), “O Bebê de Rosemary” (o carrinho de bebê) e “Bruxa de Blair” (as cenas noturnas). O que me decepcionou foi o trabalho do astro italiano Ricardo Scamarcio, que atua no piloto automático e sem qualquer demonstração de que está se esforçando no papel, ao contrário de tantos outros filmes que vi com ele. Para compensar, a atriz argentina Mía Maestro dá conta do recado e praticamente domina o filme. Para quem é fã do gênero e gosta de tomar uns sustos, “O Fascínio” não decepciona.    

 

        

segunda-feira, 12 de abril de 2021

“NOITE NO PARAÍSO” (“NAK WON EUÍ BAM”), 2020, Coréia do Sul, 2h11m, roteiro e direção de Park Hoon-Jung. Não é de hoje que o cinema sul-coreano tem se destacado no cenário internacional, atingindo seu auge com as premiações de “Parasita”, como o Oscar de Melhor Filme em 2020 e a Palma de Ouro em Cannes (2019), entre tantas outras pelo mundo afora. Há muito tempo que venho admirando os filmes sul-coreanos, principalmente os de ação. Por isso, não foi nenhuma surpresa ter gostado tanto de “Noite do Paraíso”, recém-chegado à plataforma Netflix. É uma história de gângsters, de honra e vingança. O personagem principal é Park Tae-Goo (Tae-Goo Um), integrante da gangue chefiada por Yang (Park Ho-San), concorrente no crime com a mais poderosa família mafiosa de Seul. As duas gangues viviam um período de trégua, mas não por muito tempo. Depois que sua irmã e sua sobrinha são mortos em um atentado, Park vai atrás do responsável, justamente o chefão da gangue rival. Depois disso, ele se esconde numa fazenda na remota ilha de Jeju, situada entre a Coreia do Sul, China e Japão. É lá que ele conhece Jae-Yeon (Jeon Yeo-Been), uma jovem problemática que sofre de uma doença terminal e que será a companheira do gângster fugitivo até o final do filme. “Noite no Paraíso” é um filme de muita ação e violência explícita, mas tem seus momentos de calmaria em cenas que poderiam ser descartadas para não alongar tanto a duração. De qualquer forma, é mais um filme de ação sul-coreano de muita qualidade. O filme estreou na programação oficial da 77ª edição do Festival de Cinema de Veneza, recebendo muitos elogios da crítica especializada e do público. Na avaliação do rigoroso site Rotten Tomatoes, o filme recebeu 71% de aprovação, índice muito difícil de se atingir. Resumo da ópera: "Noite no Paraíso" é um filme eletrizante. Vale a pena!                            

        

       

 

“ARRANHA-CÉU: CORAGEM SEM LIMITE” (“SKYSCRAPER”), 2018, Estados Unidos, 1h49m, disponível na plataforma Netflix, roteiro e direção de Rawson Marshal Thurber. Podem falar à vontade que se trata de um filme de ação repleto de clichês e uma história fraca e fantasiosa. Podem até criticá-lo por isso, mas o filme é um entretenimento de primeira, com muitas sequências de ação recheadas de  ótimos efeitos especiais. Eu, que sofro de acrofobia (medo de altura), passei grande parte do filme com arrepios de vertigem. Bem, mas vamos à história. Will Sawyer (o brucutu Dwayne Johnson) é um ex-fuzileiro naval e ex-líder de um grupo de resgate do FBI que numa missão contra terroristas perdeu uma perna numa explosão. Passou então a trabalhar como consultor de segurança especializado em arranha-céus. Anos depois, ao se destacar nesse trabalho, ele é contratado pelo magnata chinês Zhao Long Ji (Chin Han) para criar e coordenar o sistema de segurança de um arranha-céu de mais de 200 andares em Hong Kong. Prestes a ser inaugurado, o prédio é invadido por terroristas, que colocam fogo em um dos andares, sendo que pouco acima moram a mulher e os filhos de Sawyer, que no momento da invasão estava fora do prédio. A partir daí, ele vai tentar de todas as maneiras ingressar no arranha-céu para salvar a família. Um detalhe: a polícia de Hong Kong acha que ele é o culpado pelo incêndio e cerca o prédio para prendê-lo. Dessa forma, a única maneira que Sawyer encontra para ter acesso ao arranha-céu é utilizar um guindaste gigante. Tudo isso com a polícia em seu encalço, além dos terroristas que terá de enfrentar. Ele terá que dar uma de super-herói, com perna mecânica e tudo mais. Desde o início, o filme não economiza na ação e até o desfecho o ritmo é alucinante, de tirar o fôlego. Completam o elenco Neve Campbell, Roland Moher, Hannah Quinlivan e Noah Taylor. Embarque nessa aventura sem medo de ser feliz.