“CALIFADO”
(“KALIFAT”)
é uma série sueca com 8 capítulos (47 minutos cada um) dirigida por Goran
Kapetanovic, com roteiro de Wilhelm Behrman e Niklas Rockström, que estreou em
janeiro de 2020 no “streaming” SVT Play da Suécia e depois, em 18 de
março, na Netflix. O pano de fundo da história é o fanatismo religioso dos
muçulmanos radicais e o aliciamento de jovens pelo Estado Islâmico, o que acontece
na vida real em vários países da Europa, inclusive na Suécia. A história começa a partir do momento em que
o setor de antiterrorismo do Serviço de Segurança Sueco (SAPO) é alertado por sua
equipe de inteligência de que o EI está planejando um atentado na capital
Estocolmo. No transcorrer de suas investigações, a agente Fatima Zukic (Aliette
Opheim), especialista em contraterrorismo do Serviço de Segurança Sueco (SAPO),
recebe um telefonema de Pervin El Kaddouri (Gizem Erdogan), que mora com o
marido Husam El Kaddouri (Amed Bozan) e a filha recém-nascida em Ar-Raqqah, na Síria,
cidade dominada pelo Estado Islâmico. Insatisfeita com a situação, Pervir pede
que Fatima a ajude a voltar para a Suécia, país que abandonou depois que o
marido foi cooptado pelo Estado Islâmico. Fatima promete ajudá-la, desde que
ela obtenha informações sobre o eventual atentado em Estocolmo. Ao mesmo tempo,
o filme mostra a rotina do jovem Ibrahim Hadda (Lancelot Ncube) e seus métodos para aliciar jovens
suecos para a causa do EI, principalmente nas escolas da capital sueca. As irmãs
Suleika (Nora Rios) e Lisha Wasem (Yussra El Adouni) são cooptadas e, para
desespero dos pais, são levadas para a Síria. Até o seu desfecho, a série
apresenta momentos de alta tensão, principalmente com relação ao risco de
Pervin ser desmascarada como espiã a serviço do governo sueco. Alguns
sequências são mesmo de tirar o fôlego, de prender a respiração. “Califado” é,
sem dúvida, uma série bastante impactante, das melhores produzidas nos últimos
anos. Não perca! domingo, 19 de julho de 2020
“CALIFADO”
(“KALIFAT”)
é uma série sueca com 8 capítulos (47 minutos cada um) dirigida por Goran
Kapetanovic, com roteiro de Wilhelm Behrman e Niklas Rockström, que estreou em
janeiro de 2020 no “streaming” SVT Play da Suécia e depois, em 18 de
março, na Netflix. O pano de fundo da história é o fanatismo religioso dos
muçulmanos radicais e o aliciamento de jovens pelo Estado Islâmico, o que acontece
na vida real em vários países da Europa, inclusive na Suécia. A história começa a partir do momento em que
o setor de antiterrorismo do Serviço de Segurança Sueco (SAPO) é alertado por sua
equipe de inteligência de que o EI está planejando um atentado na capital
Estocolmo. No transcorrer de suas investigações, a agente Fatima Zukic (Aliette
Opheim), especialista em contraterrorismo do Serviço de Segurança Sueco (SAPO),
recebe um telefonema de Pervin El Kaddouri (Gizem Erdogan), que mora com o
marido Husam El Kaddouri (Amed Bozan) e a filha recém-nascida em Ar-Raqqah, na Síria,
cidade dominada pelo Estado Islâmico. Insatisfeita com a situação, Pervir pede
que Fatima a ajude a voltar para a Suécia, país que abandonou depois que o
marido foi cooptado pelo Estado Islâmico. Fatima promete ajudá-la, desde que
ela obtenha informações sobre o eventual atentado em Estocolmo. Ao mesmo tempo,
o filme mostra a rotina do jovem Ibrahim Hadda (Lancelot Ncube) e seus métodos para aliciar jovens
suecos para a causa do EI, principalmente nas escolas da capital sueca. As irmãs
Suleika (Nora Rios) e Lisha Wasem (Yussra El Adouni) são cooptadas e, para
desespero dos pais, são levadas para a Síria. Até o seu desfecho, a série
apresenta momentos de alta tensão, principalmente com relação ao risco de
Pervin ser desmascarada como espiã a serviço do governo sueco. Alguns
sequências são mesmo de tirar o fôlego, de prender a respiração. “Califado” é,
sem dúvida, uma série bastante impactante, das melhores produzidas nos últimos
anos. Não perca! sexta-feira, 17 de julho de 2020
BUSCA
SEM LIMITES (“COLLIDE”), 2016, coprodução Alemanha/Estados Unidos/Inglaterra, disponível
na plataforma Netflix, 1h39m, roteiro e direção de Eran Creevy. A história é
centrada no norte-americano Casey Stein (Nicholas Hoult), que resolveu se refugiar na Alemanha depois de se envolver em atividades ilícitas em seu país.
Na cidade de Colônia, Casey continuou no crime, vendendo drogas nas baladas
para o traficante turco Geran (Ben Kingsley), que por sua vez tem como sócio o mafioso
Hagen Kaal (Anthony Hopkins), um poderoso empresário do setor de transportes,
também envolvido com o tráfico – seus caminhões transportam as drogas. Quando
conhece a garçonete Juliette (Felicity Jones), Casey se apaixona e resolve
abandonar o crime. Só que Juliette revela que sofre de uma doença grave e
precisa urgentemente de um transplante de rim, mas não tem dinheiro para pagar a
operação. Diante disso, para conseguir a grana e salvar a vida da namorada, Casey
resolve realizar um último trabalho para Geran, na verdade um golpe contra
Hagen. O filme tem bastante ação e o maior destaque fica por conta das perseguições
nas ruas e estradas ao redor de Colônia, nas quais o diretor Creevy utiliza
carrões de marcas famosas, entre as quais Jaguar, Aston Martin e Mercedes. São
sequências muito bem realizadas, algumas de tirar o fôlego. Não há dúvida de
que a presença de astros como Anthony Hopkins e Ben Kingsley, além dos novatos
Nicholas Hoult (“Castelo de Areia”) e Felicity Jones (“A Teoria de Tudo”), serviu
para valorizar o filme, mas não a ponto de justificar uma recomendação
entusiasmada. De qualquer forma, como filme de ação, “Busca sem Limites” até que
é um bom entretenimento.
quarta-feira, 15 de julho de 2020
“ATÔMICA”
(“ATOMIC BLONDE”),
2017, Estados Unidos, 1h55m, direção de David Leitch. Trata-se de um filme de
ação e espionagem inspirado na HQ “Atomic – The Coldest City”, de Antony Johnston
e Sam Hart, que o roteirista Kurt Johnstead adaptou para o cinema. A história é
toda centrada em Lorraine Broughton (Charlize Theron), agente secreta do M16
(Serviço Secreto Britânico). Às vésperas da queda do muro de Berlim, em 1989,
Lorraine recebe a missão de viajar até a capital alemã para investigar a morte
de um agente inglês e descobrir o paradeiro de uma lista de espiões duplos que
forneciam informações para os russos durante a Guerra Fria. Só que a tal lista
também é disputada, além da Inglaterra, por agentes secretos da Rússia, França,
Estados Unidos e Alemanha. Imaginem a confusão em que Lorraine irá se meter,
mas ela briga bem e não tem medo de marmanjo. “Atômica” garante muitas
sequências empolgantes de ação. Nesse ponto, há que se destacar o trabalho da
atriz sul-africana Charlize Theron, que nesse filme está mais bonita do que
nunca. Ela não nega fogo somente com os inimigos, mas também entre os lençóis,
em cenas muito calientes com a atriz argelina Sofia Boutella. Além da beleza e
competência como atriz, o diretor David Leitch soube explorar de Charlize um
olhar fatal capaz de trincar vidros blindados. Resumindo, a atriz carrega o
filme nas costas, embora acompanhada por um excelente elenco: James McAvoy,
John Goodman, Eddie Marsan, Toby Jones e Till Schweiger. A trilha sonora, de
muito bom gosto, também apresenta papel fundamental na história: New Order,
David Bowie, Public Enemy, The Clash, George Michael e Queen, só para citar os
mais conhecidos. Há que se ressaltar também o ótimo trabalho na direção de
David Leitch, um especialista em filmes de ação, como comprovam “John Wick: De
Volta ao Jogo”, “Dead Pool 2” e Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw”,
entre outros. Produzido com um orçamento de US$ 30 milhões, “Atômica” rendeu
mais de US$ 90 milhões nas bilheterias, ou seja, um grande sucesso. Vale a
pena só por Charlize, mas os complementos também são ótimos. Imperdível!
segunda-feira, 13 de julho de 2020
“OLHOS
QUE CONDENAM” (“WHEN THEY SEE US”), 2019, Estados Unidos, minissérie em quatro
capítulos da Netflix, roteiro e direção de Ava DuVernay (do excelente “Selma”).
A história é baseada em fatos reais. Na noite do dia 19 de abril de 1989, um
grupo de mais de 30 adolescentes do Harlem resolveu tumultuar o ambiente
familiar do Central Park, assediando mulheres, xingando ciclistas e provocando
quem por ali passava. Ao mesmo tempo, perto dali, uma jovem corredora seria estuprada
e morta. No meio de toda aquela confusão, a polícia prendeu cinco adolescentes,
acusando-os do assassinato. Detalhe: a vítima era branca e os cinco rapazes
afrodescendentes, entre os 14 e 16 anos de idade. O caso, de grande repercussão
em todo o país, foi a julgamento e os jovens acabaram condenados, até que em
2002 aconteceria uma reviravolta (não vou entrar em detalhes para não estragar a
surpresa). A minissérie carrega no drama dos garotos, mostra como funcionaram os interrogatórios abusivos
da polícia, com muita tortura psicológica, o sofrimento das famílias, o
julgamento e o destino de cada um dos acusados. Nessa época, aliás, um tal de
Donald Trump, magnata do ramo imobiliário de Nova Iorque, fazia campanha para a
volta da pena de morte no Estado. Vamos ao excelente elenco: primeiro, os cinco
rapazes – Jharrel Jerome, Caleel Harris/Jovan Adepo (jovem/adulto), Marquis
Rodriguez/Freddy Miyares, Ethan Herisse/Chris Chalk, Asante Blackk/Justin
Cunningham; Vera Farmiga, Kylie Bunbury, Annjanue Ellis, Marsha Stephanie
Blake, Felicity Huffman, Michael K. Williams, William Sadler e Felicity
Huffman. Lembro ainda que entre os produtores estão Oprah Winfrey e Robert De
Niro. Nas primeiras semanas após sua estreia, dia 31 de maio de 2019, a minissérie
foi vista por 23 milhões de espectadores em todo mundo, ou seja, mais um grande
sucesso da Netflix. E vale todos os elogios, pois é excelente, forte e
impactante. Imperdível!
sábado, 11 de julho de 2020
“O
ESPIÃO” (“The Spy”), 2019, minissérie israelense com 6 episódios, disponível na
plataforma Netflix, roteiro e direção de Gideon Ralf. Baseado em fatos reais, o
filme conta uma das histórias mais fantásticas e emocionantes do mundo da espionagem mundial. No
início da década de 60 do século passado, Eli Cohen (Sacha Baron Cohen), judeu
nascido no Egito e residente em Telavive (Israel), é recrutado pelo Mossad
(serviço secreto de Israel) para uma missão das mais difíceis: infiltrar-se na
Síria como espião. Antes, porém, passou por um rigoroso treinamento por
especialistas do Mossad. Para disfarçar, Cohen entrou na Síria como Kamal Amin
Ta’Abat, um rico empresário do ramo de importação e exportação, com conexões
comerciais por vários países. O fato de aparentar ser um empresário bem
sucedido contribuiu para que ele fizesse amizade com políticos e militares do alto
escalão do governo sírio, ganhando sua confiança a tal ponto que foi cogitado para o cargo de Ministro da Defesa da Síria. Cohen chegou a fazer
negócios com Mohamed Bin Laden, pai do futuro terrorista Osama (que aparece no
filme ainda garoto). Ao longo de cinco anos, de 1961 a 1965, suas informações
secretas foram vitais para que Israel pudesse se antecipar militarmente aos
ataques desferidos pela Síria e outros países árabes, como aconteceu alguns
anos depois na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Famoso por suas comédias de humor
ácido, o ator britânico Sacha Baron Cohen revela-se aqui um ótimo ator
dramático. É ele quem carrega a minissérie nas costas, embora tenha a companhia
de um ótimo elenco, cujos nomes mais conhecidos são Noah Emmerick, Hadar
Ratzon, Alexander Siddig e Tim Seyfi. “O Espião” garante muita ação e suspense,
um filme tenso do começo ao fim. A gente fica imaginando como o espião manteve
a calma num nível de pressão tão intenso. Enfim, a minissérie é ótima, pela
história em si, como foi adaptada e produzida, com destaque para a primorosa
reconstituição de época, especialmente os cenários e os figurinos. Imperdível!quinta-feira, 9 de julho de 2020
“NADA
ORTODOXA” (“Unorthodox”), Alemanha, minissérie da Netflix (lançada em 26 de março de 2020), em
quatro capítulos, direção de Maria Schrader, com roteiro escrito por Anna
Winger e Alexa Karolinski, que adaptaram a história inspiradas na autobiografia de Deborah
Feldman (“Unorthodox: The Scandalous Rejection of My Hasidic Roots”), de 2012. O
drama é todo centrado na jovem judia Esther Shapiro (Shira Haas), de 19 anos, que
mora com a família ultraortodoxa no bairro de Williamsburg, Brooklyn (Nova
Iorque). É norma entre os judeus hassídicos da comunidade casar suas jovens
filhas para que logo tenham filhos, uma forma, segundo a tradição ultraortodoxa,
de repor as vidas perdidas no Holocausto. Seguindo esse preceito, Esther
Shapiro foi obrigada a casar com Yanky (Amit Rahav), um jovem fanático
religioso de boa família. Só que o casamento não dá certo, principalmente
porque Esther tem problemas em consumar o ato sexual e, portanto, dificilmente
ficará grávida. A pressão é tão grande que a jovem decide fugir para a Alemanha,
onde mora sua mãe Leah (Alex Reid), que também havia abandonado o marido e a
filha em Williamsburg. Em Berlim, Esther fica amiga de um grupo de músicos e
tenta iniciar uma nova vida. Ofendida em sua moral religiosa, a família do marido abandonado resolve ir buscá-la
em Berlim. Yanky e o primo Moishe (Jeff Wilbusch) viajam para tentar convencê-la
a voltar. Ambientada em Nova Iorque e Berlim, e falada em inglês, íidiche e alemão, a minissérie tem como principal
atrativo as tradições judaicas ortodoxas, segundo as quais as mulheres servem somente
para procriar e cuidar da casa. Destaque para o excelente elenco, em especial
para a atriz israelense Shira Haas, com uma atuação fenomenal, e para o primoroso
roteiro. Enfim, uma minissérie imperdível.
segunda-feira, 6 de julho de 2020
Se você
procura um ótimo entretenimento na telinha, não perca “EM RITMO DE FUGA” (“BABY
DRIVER”), 2017, Estados Unidos, 1h53m, roteiro e direção de Edgar Wright. Não
tem erro. Doc (Kevin Spacey) é um financiador de assaltos: contrata bandidos
para roubar bancos, correios e qualquer outra coisa que diga respeito a muito
dinheiro. Ele nunca trabalha com a mesma equipe, só com Baby (Ansel Elgort), um
motorista que dá fuga aos criminosos e sabe, como ninguém, despistar a polícia.
Um piloto incrível, mesmo que sofra de uma deficiência auditiva depois de um
acidente automobilístico quando era criança. Ficou um zumbido terrível nos ouvidos
e, para abafá-los, usa o tempo inteiro fones com música no mais alto volume. O
filme já começa em alta rotação, com uma perseguição pelas ruas de Atlanta de
tirar o fôlego. Outras perseguições acontecerão, filmadas com muita
competência. Em meio aos assaltos, o roteiro abre espaço para o romance: Baby conhece Débora (a atriz inglesa Lily James), uma atendente de lanchonete.
Os dois se apaixonam e Baby resolve largar a vida de crimes, mas antes, como
deve dinheiro a Doc, ainda será cúmplice de um novo assalto, que acaba se
complicando e termina em tragédia. “Em Ritmo de Fuga” foi um grande sucesso de
bilheteria, arrecadando nas primeiras semanas de lançamento nada menos do que
226 milhões de dólares, lembrando que o orçamento da produção não passou de 34
milhões de dólares. O elenco conta ainda com Jamie Foxx, Jon Hamm e Eiza González.
Destaque especial para a deliciosa trilha sonora: The Jon Spencer Blues
Explosion, The Beach Boys, The Commodores, Barry White, Sky Ferreira, Run the
Jewls e Queen. Enfim, o filme tem uma boa história, muita ação, romance e humor, ingredientes
que completam um entretenimento de primeira. Esqueça os problemas e dê uma folga
aos seus neurônios. Embarque nessa ótima aventura e aproveite a diversão (disponível na plataforma Netflix).
domingo, 5 de julho de 2020
Se você continua
alimentando algum preconceito contra o cinema asiático, comece a rever os seus
conceitos. Os filmes sul-coreanos, por exemplo, têm dado mostras de que estão
fazendo um excelente cinema. Vide “Parasita”. Outra boa comprovação da
qualidade do cinema sul-coreano é “CHUVA DE AÇO” (“GANGCHEOLBI”) – em inglês,
“Steel Rain” -, 2017, roteiro e direção de Yang Woo-Seok, 2h19m. Um filmaço de
ação, com muito suspense e ritmo alucinante. Enquanto as duas Coreias começam a se preparar para negociações de paz com objetivo de conduzir os países à reunificação, um
golpe militar ocorre no país comunista, com a tentativa de assassinato do atual
líder do governo Kim Jong-un, que fica muito ferido no atentado. Um experiente agente
secreto norte-coreano, Eom (Jung Chul-Woo), consegue resgatar o seu líder e o
leva secretamente para a Coreia do Sul. Aqui, Eom entra em contato como o governo
sul-coreano e pede proteção. A negociação é acertada com um alto
oficial do serviço secreto da Coreia do Sul, Kwak Chul-Woo (Kwak D-Won). Ambos se
unem numa missão secreta para evitar uma guerra entre os dois países. É ação do
começo ao fim, corda esticada ao máximo, envolvendo não só as duas Coreias, mas
também os governos dos Estados Unidos e do Japão, aliados da Coreia do Sul, e a
China, parceira da Coreia Comunista. A tensão aumenta cada vez mais, pois existe
uma possibilidade enorme de começar uma guerra nuclear. “Chuva de Aço” estreou
nos cinemas sul-coreanos no dia 14 de dezembro de 2017, batendo recordes de
bilheteria. O filme também está disponível na plataforma Netflix desde o dia 14
de março de 2018. Um filmaço! sexta-feira, 3 de julho de 2020
“BALA
PERDIDA” (“Balle Perdue”), 2020, França, 1h32m, disponível na Netflix desde o dia 19
de junho de 2020, direção de Guillaume Pierret (é o seu primeiro
longa-metragem), que também assina o roteiro com a colaboração do ator Alban
Lenoir (principal protagonista). É um filme policial com muita ação e
violência. Alguns críticos profissionais o comparam à série “Velozes e Furiosos”,
o que não concordo, pois “Bala Perdida” é muito melhor e mais inteligente,
enquanto o outro é mais uma bobagem do cinema de ação. A história de “Bala
Perdida” é toda centrada no mecânico de automóveis Lino (Alban Lenoir), um
gênio na turbinagem de motores e equipamentos de proteção capazes de tornar o veículo
tão forte a ponto de derrubar paredes de concreto. Foi numa tentativa de
assaltar uma joalheria que Lino acabou sendo preso. Por causa de sua habilidade
com carros e motores, Lino foi recrutado pelo detetive Charas (Ramzy Bedia)
para transformar as viaturas policiais em veículos mais potentes. Em meses de
trabalho, Lino ganhou a confiança do pessoal da delegacia e ainda teve um caso
com a policial novata Julia (Stéfi Celma). Porém, a vida de Lino se transforma
num inferno a partir do assassinato de Charas, seu mentor e protetor. Lino testemunha a tragédia e
logo é considerado suspeito pelo detetive Areski (Nicolas Duvauchele), um policial
corrupto que tem responsabilidade no crime. Enfim, “Bala Perdida” tem tudo para
agradar aos fãs de filmes de ação, ou seja, uma história legal, muita pancadaria,
tiros e cenas de perseguição muito bem feitas. Com justiça, é, atualmente, um
dos filmes mais vistos da Netflix. Entretenimento garantido!
quinta-feira, 2 de julho de 2020
“ADÚ”, 2020, Espanha, distribuição dfa Netflix (estreou no dia 30 de junho de 2020), 1h49m, com roteiro
de Alejandro Hernandes e direção de Salvador Calvo. O pano de fundo é a questão
dos imigrantes africanos que querem fugir de seus países para tentar uma vida
melhor na Europa, a matança indiscriminada de animais na África e a violência
policial nas fronteiras. O roteiro transcorre em três frentes. A principal
delas no Congo, envolvendo Adú (Moustapha Oumarou), um garoto de seis anos que,
ao lado da irmã, testemunha um crime num parque de preservação animal. Adú e a
irmã ficam com medo de represálias e resolvem fugir, iniciando uma grande
aventura. A segunda frente diz respeito a três policiais de fronteira que atuam
no extremo norte da África, acusados de praticar atos violentos contra refugiados
que tentavam atravessar o Estreito de Gibraltar. E, por fim, o roteiro destaca
o difícil trabalho de Gonzalo (Luis Tosar), que preside uma Ong que luta pela
sobrevivência dos elefantes na África. Como se não bastasse, ainda recebe a
visita da filha Sandra (a ótima Anna Castillo), uma jovem rebelde e irresponsável.
Das três histórias, a que é melhor desenvolvida é, sem dúvida, a do garoto Adú.
Por terra, pelo mar e até pelo ar, o menino enfrentará muitos desafios, que
tentará superar ao lado da irmã e de outro refugiado e novo amigo de andanças, o
somaliano Massar (Adam Nourou). “Adú” é muito realista e impactante, mostrando
a triste realidade que assola a África, num cenário de muita pobreza e
desesperança. Um filme que, apesar do contexto dramático, consegue ao mesmo
tempo ser bastante sensível e comovente. Em seu primeiro longa-metragem como
diretor, Salvador Calvo acertou em cheio. E que descoberta ele fez ao encontrar
o garoto Moustapha Oumarou para representar Adú. Ele é a alma do filme. quarta-feira, 1 de julho de 2020
“SONI”, 2018, Índia, produção e distribuição Netflix, 1h37m,
roteiro e direção de Ivan Ayr. O pano de fundo da história é a questão da
violência sexual contra as mulheres no país de Mahatma Gandhi. Segundo
especialistas da Thomson Reuters Foudation, a Índia é o país mais perigoso do
mundo para as mulheres. Partindo desse contexto, o cineasta Iva Ayr resolveu
explorar o assunto através do cotidiano de duas policiais da capital Nova Délhi.
Kaldana Ummat (Saloni Batra) é a inspetora-chefe da Delegacia Especializada em Crimes
Sexuais. Soni (a ótima Geetika Vidya Ohlyan) é sua subordinada. Temperamental,
explosiva e com um pavio curtíssimo, Soni encara uma briga com marmanjos numa
boa, e este seu comportamento só atrai problemas. Ela não suporta o tratamento
que os homens dão às mulheres indianas. Ela vive revoltada com o machismo
reinante e sai na porrada com o primeiro abusado que aparecer na frente. Com
muita conversa, Kaldana tenta controlar os ímpetos de sua subordinada e é esta
relação entre as duas que será explorada pelo roteiro. “Soni” foi premiado em vários
festivais de cinema pelo mundo afora. Logo na sua estreia, na Seção “Horizons”
do 75º Festival Internacional de Cinema de Veneza/2018, o filme foi aplaudido
de pé, assim como aconteceu na Asía Pacific Screen Awards, Mami Film Festival,
BFI London Filme Festival e Pingyao International Film Festival (China), onde
ganhou o Prêmio de Melhor Filme. Sem dúvida, o filme é muito bom, um retrato
bem atual do machismo vigente na Índia. E com uma enorme vantagem: não tem aquelas cenas de cantorias e coreografias chatérrimas que costumam inundar as produções comerciais de Bollywood. terça-feira, 30 de junho de 2020
“O JULGAMENTO DE TÓQUIO” (“TOKYO TRIAL”), 2017, minissérie da
Netflix em quatro capítulos, coprodução Holanda/Japão/Canadá, roteiro e direção
da Pieter Verhoeff e Rob W. King. Trata-se da adaptação cinematográfica de um
dos fatos históricos mais importantes do século 20. Em 1946, com o objetivo de julgar
os crimes de guerra, de agressão e contra a humanidade praticados pelo
Japão durante a Segunda Guerra Mundial, foi instituído o Tribunal Militar
Internacional para o Extremo Oriente. Dele, fizeram parte 11 juízes especializados
em Direito Internacional Público, cada qual representando um país aliado, para
julgar 28 políticos e oficiais japoneses. A minissérie acompanha os bastidores
do julgamento, que demorou mais de dois anos, destacando as reuniões entre os
juízes, as reflexões sobre a situação política mundial, aspectos jurídicos do direito
internacional e as muitas diferenças de interpretação dos juízes com relação às
leis. A ideia do Tribunal era fazer justiça seguindo o que foi feito no
Julgamento de Nuremberg, que julgou os crimes praticados pelos nazistas. Durante
as reuniões, os juízes citavam, como referência jurídica, o Tratado de
Versalhes (Pacto da Sociedade das Nações), de 1919, o Pacto de Paris, de 1928,
e a Conferência do Cairo, de 1943. Paralelamente às cenas do julgamento
original, o filme apresenta ainda imagens documentais da guerra, cenas de combate e cidades destruídas. Estão no elenco Tim Ahern, Paul Freeman, Serge Hazanvicius, David Tse,
Michael Ironside, Jonahan Hide e Irrfan Khan (ator indiano falecido em 2019). A
minissérie “O Julgamento de Tóquio” foi indicada ao Prêmio Emmy International
2017 na categoria Melhor Filme para TV ou Minissérie. Uma verdadeira aula de História.
Imperdível! domingo, 28 de junho de 2020
“MEU IRMÃO TERRORISTA” (“Arrest Letter”,
título original escolhido provavelmente para facilitar a entrada do filme nos
mercados de língua inglesa), 2017, Egito, 1h39m, roteiro e direção de Mahammad
Sami. A história é centrada em Khalid El Degwy (Mohamede Ramadan), chefe
radical de um grupo jihadista no Cairo ligado ao Estado Islâmico. Em sua trajetória
como integrante da organização, Khalid sempre recebia conselho e orientações de
alguns sheiks e líderes religiosos, uns mais radicais outros mais moderados. Mas
Khalid nunca quis saber de moderação. Seu negócio é a violência, planejando e
executando atentatos na capital egípcia. Ele só começa a rever seus conceitos
quando se apaixona por Fatima (Dina El Sherbiny) e quando seu irmão caçula
decide ingressar no grupo extremista, contra a vontade de Khalid. Mas, até lá, sua
trajetória de violência continuará mobilizando a polícia e as forças de
segurança do Egito, que há muito tempo tentam prender o terrorista. Entre
traições que enfrentará, não só de seus comandados, como as de alguns sheiks,
Khalid será obrigado a fugir para sobreviver e, depois, voltar para se vingar.
O filme tem bastante ação e suspense, além de destacar discussões ideológicas
sobre religião, política e a prática de terrorismo. No final, quem manda mesmo
é “A Vontade de Alá”. O filme é mais interessante do que bom, mas sem dúvida vale
assistir.
sábado, 27 de junho de 2020
“KING –
UMA HISTÓRIA DE VINGANÇA” ("MESSAGE FROM THE KING”), 2016, coprodução
Inglaterra/França/Bélgica, 1h42m, disponível na Netflix, direção do cineasta
belga Fabrice Du Welz, com roteiro de Stephen Cornwell e Oliver Butcher. Trata-se
de um suspense de ação cuja história é toda centrada em Jacob King (Chadwick
Boseman, o “Pantera Negra”), que viaja da África do Sul, sua terra natal, para
Los Angeles com o objetivo de encontrar a irmã caçula Bianca (Sibongile
Mlambo). King havia sido informado de que Bianca estava com problemas ligados
ao tráfico de drogas e prostituição em Los Angeles. Ao chegar em LA, King
procurou por todo lado e, depois de alguns dias, só encontrou a irmã na mesa
fria de um necrotério, com o corpo totalmente mutilado. King resolve investigar por conta própria até chegar a uma turma da pesada, envolvida com
pornografia, exploração de sexo infantil, prostituição e tráfico de drogas. No
meio deles, um importante dentista da cidade e um político corrupto em campanha.
Aí a coisa vai pegar, pois King é bom de briga (pertenceu a uma famosa e
violenta gangue de delinquentes que metia medo na população de Joanesburgo) e,
enquanto não caçar um por um dos assassinos de sua irmã, não voltará para o seu
país. O filme não traz muita coisa de novo, tem os clichês de sempre que
caracterizam todas aquelas histórias de vingança. A única surpresa está
destinada para o desfecho, quando King chega de volta ao seu país. Completam o
elenco Teresa Palmer, Luke Evans, Alfred Molina e Natalie Martinez. Resumo da
ópera: “King” tem bastante ação, tiros e muita pancadaria, bem ao gosto de quem
curte um bom entretenimento com um saco de pipoca do lado. Dá para ver numa boa.
sexta-feira, 26 de junho de 2020
“SEQUESTRO
NO MAR VERMELHO” (HONG HAI XING DONG” – nos países de língua inglesa, “Operation
Red Sea”), 2018, coprodução China/Marrocos/Hong Kong, distribuição Netflix, 2h38m,
roteiro e direção de Dante Lam. A história foi inspirada em fatos reais
ocorridos em 2015 no Iêmen, quando um batalhão de elite do exército da China
resgatou cidadãos chineses sequestrados por rebeldes fundamentalistas. No
filme, o Iêmen virou um país fictício chamado Yewaire, onde predomina o Zaca,
grupo de terroristas muçulmanos que quer assumir o poder. Eles sequestram vários cidadãos chineses,
incluindo uma importante diplomata. Informado da situação, o governo chinês imediatamente recruta um batalhão
especial de elite para entrar no país e resgatar as vítimas. Em meio a toda confusão
que se formará, os chineses ainda descobrirão o plano de um atentato nuclear. Desde
o início, quando um navio da marinha chinesa é atacado por piratas iemenitas,
até o final, com uma bela homenagem póstuma aos soldados mortos em combate, o
filme não dá trégua ao espectador. É ação o tempo inteiro, num impressionante
ritmo alucinante, com inúmeras sequências de tirar o fôlego. Cabe aqui lembrar
que o diretor Dante Lam foi, durante muitos anos, assistente de direção do
cineasta John Woo, considerado o grande mestre da atualidade dos filmes de ação. Com
certeza, Lam aprendeu muito. Estão no elenco Huang Jingyu, Zhang Yi, Hai-Qing,
Jiang Du e Luxia Jiang, além de centenas – diria milhares - de figurantes. Depois
de assistir a este filme chinês, estou prestes a desconsiderar “Falcão Negro em
Perigo” (2001), dirigido por Ridley Scott, como o melhor do gênero. “Sequestro
no Mar Vermelho” é espetacular, simplesmente imperdível! quinta-feira, 25 de junho de 2020
Talvez esteja enganado, mas não
lembro de já ter assistido a algum filme policial israelense. “SUICÍDIO” (“ITSEMURHA:
HITABDUT”) deve ter sido o primeiro. E não me decepcionou. A produção é
de 2014 – está disponível na plataforma Netflix-, tem 1h53m de duração e foi escrito
e dirigido por Benny Fredman, estreando como cineasta de longas. A história é
centrada no empresário Oded (Rotem Keinan), endividado até o pescoço e, pior,
deve muito dinheiro para Muki (Igal Naor), um agiota da pior espécie, que
costuma cobrar seus devedores com torturas e ameaças às suas famílias - e até algumas mortes no percurso. Para
pagar suas dívidas e salvar a família da vingança de Muki, Oded planeja sua
própria morte para que sua esposa Dafna (Mali Levi) receba o seguro de vida e pague
ao agiota. Quando Oded aparece queimado e morto depois de um incêndio em sua
loja, a polícia começa a investigar o que realmente aconteceu. O mistério fica
ainda maior depois que os legistas descobrem que Oded morreu depois de
levar um tiro, à primeira vista suicídio. Detida na cena do crime, Dafna é levada para a delegacia e
interrogada pelo detetive Romi Dor (Dro Keren). Ela logo é considerada
suspeita, já que a questão do seguro de vida a receber é descoberta pela
polícia. Até o desfecho, muita coisa acontece, num clima de tensão e muito
suspense que segue em bom ritmo, valorizado pela inclusão no roteiro de algumas
surpreendentes reviravoltas. Além disso, tem a presença da bela e competente atriz israelense Mali Levi, o que já vale a entrada. Recomendo sem dourar muito a pílula.
quarta-feira, 24 de junho de 2020
“PRESSÁGIO”
(“LA CORAZONADA”), 2020, Argentina, produção Netflix, 1h56m, roteiro e direção
de Alejandro Montiel. Bom suspense policial cuja história é baseada no romance “La
Virgen en Tus Ojos”, da escritora Florencia Etcheves, que também colaborou no roteiro.
O filme já começa com dois assassinatos. O de um rapaz que acabou da sair da
cadeia depois de cumprir pena pelo assassinato da esposa de um policial e de
uma jovem cujo pai é um grande empresário do ramo de supermercados. Os casos
são entregues para a equipe do inspetor Francisco Juanez (Joaquín Furriel), cujas
atitudes misteriosas parecem guardar algum segredo. Juanez conta com dois
assistentes diretos, um deles a detetive novata Manoela “Pipa” Pelari (Luisana
Lopilato), recém-integrada à equipe. Enquanto as investigações evoluem, o
promotor Roger (Rafael Ferro), da corregedoria de polícia, recebe informações
de que Juanez pode ter assassinado o rapaz, já que sua vítima era justamente a
esposa de Juanez. Caberá justamente a “Pipa” Pelari a missão de também investigar,
em segredo, as atitudes do seu chefe. Daí até o desfecho, muita tensão,
suspense e algumas reviravoltas. A boa atuação da atriz argentina Luisana Lopilato - na vida real casada desde 2011 com o cantor norte-americano Michael Buble desde
2011-, dá credibilidade à personagem da detetive Pelari, com sobriedade e sem
afetações. Trocando em miúdos, “Presságio” certamente agradará quem curte o gênero
policial, principalmente pelo roteiro bem elaborado, situações convincentes e
pela estética “noir” sempre bem-vinda. Desde que estreou na Netflix, em 28 de maio de 2020,
é o suspense mais assistido do ano até agora na plataforma.
segunda-feira, 22 de junho de 2020
“A
TERRA E O SANGUE” (“LA TERRE ET LE SANG”), 2020, França, 1h20m. Quem
assima o roteiro e a direção é Julien Leclercq. Disponível na Netflix desde 18
de abril de 2020, a ação de “A Terra e o Sangue“ começa logo na abertura, quando
quatro assaltantes roubam uma grande quantidade de cocaína de uma delegacia de
polícia. A droga pertencia ao traficante Adama (Erik Ebouaney), que conseguiu
escapar quando da apreensão da cocaína. Erik não teve nada a ver com o roubo da delegacia e, quando soube que
haviam levado a cocaína, partiu atrás dos responsáveis. Resumindo: a droga
acaba escondida na serralheria de Said (o ator franco-tunisiano Sami Bouajila),
levada por um de seus funcionários, Yanis (Samy Seghir), irmão de um dos
assaltantes da delegacia. Por uma razão que não vou adiantar, a gangue de Adama
descobre o paradeiro da cocaína e a ação passa a se concentrar na serralheria,
onde Said está com a filha deficiente auditiva (Sofie Lesaffre). A partir daí,
o suspense rola solto, Said tentando se defender sozinho dos invasores, inclusive
utilizando alguns equipamentos da serralheria. Mesmo sendo um filme que prende
a atenção até o final, não é o melhor do cineasta Leclerck, um especialista em
filmes de ação, alguns muito bons, como “Gibraltar” e “Carga Bruta” (ambos
comentados aqui no blog). Em todo caso, dá para assistir numa boa.
domingo, 21 de junho de 2020
“WASP
NETWORK – REDE DE ESPIÕES” (“WASP NETWORK”), 2019, coprodução
França/Espanha/Brasil/Bélgica, 2h10m, roteiro e direção do veterano cineasta Frances
Olivier Assayas. A história na qual se baseou o roteiro foi inspirada no livro “Os
Últimos Soldados da Guerra Fria”, do jornalista e escritor brasileiro Fernando
Morais, que relembra fatos ocorridos na década de 90. Naqueles anos, o
governo cubano resolveu criar uma equipe de espiões para se infiltrar na
comunidade da Flórida, em especial em Miami, com o objetivo de localizar e
eliminar cidadãos anticastristas que estavam realizando atentatos a
instalações turísticas em Havana e Varadero. A operação secreta dos agentes
cubanos ficou conhecida como “Rede Vespa”. Entre os espiões recrutados estavam
René Gonzalez (Édgar Ramírez) e Juan Pablo Roque (Wagner Moura), ex-pilotos da
força aérea cubana, além de Jose Basulto (Leonardo Sbaraglia) e Gerardo
Hernandez (Gael García Bernal). Embora não soubessem da operação secreta, Olga
Salanueva (Penélope Cruz) e Ana Margarita Martinez (Ana de Armas), esposas de
René e Juan Pablo, respectivamente, também tiveram um papel de destaque na
história. Como os trabalhos de espionagem eram realizados em território
norte-americano, logo o FBI entraria em ação para acabar com a operação. O
cineasta francês Assayas não tira partido de um lado nem de outro, mas não
deixa de cutucar o dedo na ferida da situação econômica cubana, que piorou
muito com o fim da parceria com a Rússia após o fim do regime comunista, em
1989. O elenco latino é um dos principais destaques do filme: o venezuelano Óscar
Ramírez, do brasileiro Wagner, o mexicano Gael García Bernal), a cubana Ana de
Armas, o argentino Sparaglia e a espanhola Penélope Cruz, todos artistas em
grande evidência há anos no cenário cinematográfico mundial. A estreia mundial
de “Wasp Network” ocorreu durante o Festival de Veneza, no qual disputou o Leão
de Ouro. Por aqui, foi exibido na abertura da Mostra Internacional de Cinema de
São Paulo, em 2019. O filme é muito bom, mantém um nível de suspense e tensão
do começo ao fim, além de mostrar detalhes de fatos pouco divulgados por aqui. Resumo
da ópera: um filmaço! Ah, e está disponível na plataforma Netflix desde o dia
16 de junho de 2020.
sábado, 20 de junho de 2020
Sempre
gostei muito de filmes que envolvem a Máfia. Sejam norte-americanos, franceses,
ingleses ou de outro país qualquer. Melhor ainda se forem italianos e baseados
em fatos reais, como “SUBURRA”, 2015, roteiro e direção de Stefano
Sollima, 2h15m. A história foi inspirada no romance do mesmo nome escrito em 2013
por Carlo Bonini e Giancarlo de Cataldo, cujo enredo remete a 2011, ano quem
que os fatos aconteceram. Naquele ano, um projeto milionário estava mobilizando
a política de Roma. A criação de um polo turístico com cassinos e hotéis de
luxo na cidade litorânea de Óstia com a intenção de transformá-la numa Las
Vegas italiana. Nos bastidores, porém, o negócio envolvia gangues de mafiosos, políticos,
empresários e até um importante cardeal do Vaticano. A região escolhida também
era disputada pelas máfias do sul da Itália, que pretendiam implantar um porto que
seria utilizado para o tráfico de drogas. A tensão vai crescendo pouco a pouco,
o que faz o espectador esperar um desfecho com banho de sangue, o que de fato
acontece. “Suburra” destaca como principais protagonistas o deputado corrupto
Filippo Malgradi (Perfrancesco Favino), chegado a festas íntimas com prostitutas regadas a cocaína, um temido mafioso conhecido por “Samurai”
(Claudio Amendola), o violento Manfredi Anacleti (Adamo Dionisi), chefe de uma
gangue de imigrantes romenos, o delinquente conhecido pelo apelido de “Número 8”
(Alessandro Borghi), que se acha dono de Óstia e exige participação no negócio,
e sua namorada Viola (Greta Scarano), uma jovem drogada que, no desfecho, assumirá
um papel importante na história. Para complementar o comentário, lembro que o nome Suburra diz respeito a um populoso bairro da periferia de Roma, onde a pobreza ainda é a principal característica. Como não poderia deixar de ser, “Suburra” é
bastante violento, tenso ao limite, mas muito bem feito. Imperdível! sexta-feira, 19 de junho de 2020
“O
APÓSTATA” (“EL APÓSTATA”), 2015, coprodução Espanha/Uruguai, 1h20m, disponível
na plataforma Netflix, roteiro e direção do uruguaio Federico Veiroj. Antes de
entrar no mérito do comentário, achei melhor explicar o significado do título. Apóstata:
pessoa que cometeu apostasia, ou seja, abandonou sua religião para ingressar, ou
não, em outra. Apostasia: deserção
da fé. Apostatar: desertar, mudar de religião ou de partido. Esclarecimento
feito, apresento a história do filme. Gonzalo Tamayo (Álvaro Ogalla) chegou aos
30 anos completamente imaturo. Não sabe o que quer da vida, anda vestido como
um morador de rua (fica com a mesma roupa surrada do começo ao fim do filme), cabelos
e barba desgrenhados. É um desgosto para os pais religiosos e conservadores, que a toda hora cobram dele uma
mudança de atitude. Para piorar, fica obcecado por dúvidas sobre a fé religiosa,
culpa e desejo, até chegar ao ponto de querer renunciar ao catolicismo, exigindo
que a Igreja elimine os seus registros de batismo. “Não quero fazer parte das
estatísticas da Igreja Católica”, diz ele ao justificar sua intenção de ingressar com o processo junto ao bispo
local. A burocracia emperra o intento de Gonzalo, que continuará, até o
desfecho, a sua luta para renunciar ao catolicismo. Além de Álvaro Ogalla,
estão no elenco Marta Larralde (Pilar), Bárbara Lennie (Maite), Vicky Peña
(padre) e Juan Calot (bispo). Em seu terceiro longa-metragem, o roteirista e
diretor Federico Veiroj conseguiu realizar um filme bastante interessante e
inovador sob o ponto de vista estético, alternando as perambulações de Gonzalo
com alguns momentos oníricos e surreais. A estreia mundial do filme aconteceu na
Seção Contemporary World Cinema do Festival Internacional de Cinema de Toronto
2015 e, por aqui, foi exibido durante a programação oficial da 43ª Mostra Internacional
de Cinema do Rio de Janeiro. “O Apóstata” prende a atenção até o seu final e
faz refletir sobre muitas questões religiosas. Vale uma visita. quarta-feira, 17 de junho de 2020
“DESTACAMENTO
BLOOD” (“DA 5 BLOODS”), 2020, Estados Unidos, 2h34m, roteiro e
direção de Spike Lee, que contou com a colaboração dos roteiristas Kevin
Willmott, Danny Bilson e Paul de Meo. O filme foi lançado mundialmente na plataforma
Netflix no dia 12 de junho de 2020, em meio às manifestações antirracistas
ocorridas nos Estados Unidos e outros países do mundo em protesto contra o
assassinato do negro George Floyd, no dia 25 de maio. Resultado: o filme de Spike
Lee teve uma das maiores audiências já registradas pela plataforma. Realmente, “Destacamento
Blood” tem tudo a ver com o momento – aparece até uma faixa com os dizeres “Vidas
Negras Importam”. Tendo como ponto de partida a Guerra do Vietnã, Lee faz uma
longa reflexão sobre o racismo ontem e hoje, politizando a discussão ao atacar
os governos norte-americanos pelo tratamento dado aos afrodescendentes e
filosofando sobre o tema. A história de “Destacamento Blood” é centrada em
quatro ex-combatentes negros que, 50 anos depois, voltam ao Vietnã com o
objetivo de resgatar os restos mortais de Norman (Chadwick Boseman), o
idolatrado comandante do grupo, além de tentar recuperar uma grande quantidade
de barras de ouro que esconderam por lá na época da guerra. Em meio à história,
Spike apresenta vários vídeos da época das manifestações antirracistas dos anos
60, com depoimentos do líder Martin Luther King Jr., da ativista Angela Davis e
do lutador de boxe Muhammad Ali, entre outros. Além disso, Spike faz referências
explícitas a “Apocalypse Now” (1979), o grande clássico de Francis
Ford Coppola. Estão lá a viagem de barco pelos rios do Vietnã, o helicóptero
chegando ao som de “A Cavalgada das Valquírias” e até o nome da boate da
capital atual Ho Chi Minh onde os veteranos vão tomar umas e outras, justamente
“Apocalypse Now”. Paul (Delroy Lindo), Eddie (Norm Lewis), Otis (Clarke Peters)
e Melvin (Isiah Whitlock Jr.), como fizeram durante a guerra, se embrenharão
nas selvas do Vietnã numa aventura cheia de riscos e muita ação. Spike Lee já
fez filmes melhores, como “Infiltrado na Klan” (Oscar 2019 de Melhor Roteiro
Adaptado), “Malcolm X”, de 1992, e “Faça a Coisa Certa”, de 1989, mas “Destacamento
Blood” também é ótimo e certamente ganhará algumas indicações ao Oscar 2021
(cerimônia da premiação foi adiada para abril). Aposto todas as minhas fichas de
que Delroy Lindo será indicado para Melhor Ator. Sua atuação é espetacular. Também
estão no elenco Jonathan Majors e os franceses Jean Reno e Mélanie Thierry. Resumo
da ópera: mais um filme polêmico e impactante de Spike Lee, já sendo considerado por alguns críticos como o filme do ano. Assista e forme sua opinião.
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