Sou fã de carteirinha de Woody
Allen desde que utilizava a mesma para pagar meia-entrada como estudante. E faz
tempo – década de 60. São mais de 50 anos curtindo os filmes de Allen. Todo ano
ele lança um, seja escrevendo, dirigindo ou também atuando, e não perdi nenhum.
Ele sempre foi um dos meus diretores preferidos, ao lado de Scola, Fellini,
Tornatori, Scorcese e Monicelli. Hoje, aos 84 anos, Allen continua em pleno
vigor criativo e artístico, como comprova seu filme mais recente, “UM DIA DE
CHUVA EM NOVA YORK” (“A RAINY DAY IN NEW YORK"), que escreveu e
dirigiu, mas não atuou. Nele, Allen conta a história das peripécias dos
namorados Gatsby (Timothée Challamet) e Ashleigh Enright (Elle Fanning) em Nova
York. Fanning escreve para o jornal da faculdade e seu objetivo na Big Apple
é entrevistar o diretor de cinema Roland Pollard (Liev Schreiber). O combinado é
que depois da entrevista Gatsby levará Ashleigh para um passeio noturno na
cidade, incluindo jantar, piano ao vivo e um giro de charrete pelo Central Park. Só que o esperado programa dá muito errado, já
que Ashleigh ainda consegue uma entrevista exclusiva com o famoso roteirista Ted
Davidoff (Jude Law) e ainda com o ator latino Francisco Vega (Diego Luna), o galã
do momento em Hollywood. Enquanto isso, Gatsby fica desesperado por não conseguir
falar com a namorada e, passeando solitário pela cidade, reencontra casualmente
Shannon Tyrell (Selena Gomez), a irmã mais nova de uma antiga namorada. Além disso, ainda vai a uma festa da sua família com uma garota de programa. E por aí
vai a história, com muitos encontros e desencontros, com o habitual humor de
Allen, repleto de diálogos e situações inteligentes e hilariantes. Como o
título já entrega, Nova York é filmada debaixo de uma chuva incessante, mas em
nenhum momento perde seu charme, principalmente graças à bela fotografia do consagrado mestre
italiano Vittorio Storaro. Mais um saboroso filme com a assinatura de Woody
Allen e, portanto, imperdível! segunda-feira, 13 de janeiro de 2020
Sou fã de carteirinha de Woody
Allen desde que utilizava a mesma para pagar meia-entrada como estudante. E faz
tempo – década de 60. São mais de 50 anos curtindo os filmes de Allen. Todo ano
ele lança um, seja escrevendo, dirigindo ou também atuando, e não perdi nenhum.
Ele sempre foi um dos meus diretores preferidos, ao lado de Scola, Fellini,
Tornatori, Scorcese e Monicelli. Hoje, aos 84 anos, Allen continua em pleno
vigor criativo e artístico, como comprova seu filme mais recente, “UM DIA DE
CHUVA EM NOVA YORK” (“A RAINY DAY IN NEW YORK"), que escreveu e
dirigiu, mas não atuou. Nele, Allen conta a história das peripécias dos
namorados Gatsby (Timothée Challamet) e Ashleigh Enright (Elle Fanning) em Nova
York. Fanning escreve para o jornal da faculdade e seu objetivo na Big Apple
é entrevistar o diretor de cinema Roland Pollard (Liev Schreiber). O combinado é
que depois da entrevista Gatsby levará Ashleigh para um passeio noturno na
cidade, incluindo jantar, piano ao vivo e um giro de charrete pelo Central Park. Só que o esperado programa dá muito errado, já
que Ashleigh ainda consegue uma entrevista exclusiva com o famoso roteirista Ted
Davidoff (Jude Law) e ainda com o ator latino Francisco Vega (Diego Luna), o galã
do momento em Hollywood. Enquanto isso, Gatsby fica desesperado por não conseguir
falar com a namorada e, passeando solitário pela cidade, reencontra casualmente
Shannon Tyrell (Selena Gomez), a irmã mais nova de uma antiga namorada. Além disso, ainda vai a uma festa da sua família com uma garota de programa. E por aí
vai a história, com muitos encontros e desencontros, com o habitual humor de
Allen, repleto de diálogos e situações inteligentes e hilariantes. Como o
título já entrega, Nova York é filmada debaixo de uma chuva incessante, mas em
nenhum momento perde seu charme, principalmente graças à bela fotografia do consagrado mestre
italiano Vittorio Storaro. Mais um saboroso filme com a assinatura de Woody
Allen e, portanto, imperdível! sábado, 11 de janeiro de 2020
Bruce Willis continua duro de
matar, mas seus últimos filmes são duros de aguentar, de engolir, de assistir.
Em quase todos eles Willis aparece pouco, mas seu nome surge sempre em destaque
nos materiais de divulgação, como se ele fosse o protagonista principal. Além
do mais, Willis está nitidamente sem fôlego para atuar em filmes de ação. Fora
que nunca foi um bom ator e agora piorou muito. Se alguém tiver alguma dúvida a
respeito de tudo isso que escrevi, assista ao recente suspense policial “CENTRO
DO TRAUMA” (“TRAUMA CENTER”), 2019, EUA, 1h26m, direção do cineasta
iraniano radicado na América Matt Eskandari, com roteiro de Paul J. Da Silva. A
história toda gira em torno de Madison Taylor (Nicky Whelan), que por um azar
acaba testemunhando o assassinato de um policial. Embora não possa identificar
os dois atiradores, ela recebeu um tiro na perna e a bala pode denunciar a quem
pertence o revólver do assassino. Os dois vilões conseguem descobrir que
Madison está internada num hospital. Como também são policiais – da Narcóticos
-, acabam tendo livre acesso às dependências do hospital. Seu objetivo é
retirar a bala da perna da moça. Enquanto isso, nada de Willis, cujo personagem
é o tenente Steve Swake. Por um bom tempo, Madison consegue fugir dos vilões até
a chegada da cavalaria, ou seja, o pangaré Willis. A ação transcorre à noite, o
hospital no maior silêncio, enquanto em alguns andares Madison tenta se
esconder dos bandidos. Muito barulho, inclusive tiros, mas nada chama a atenção
nem dos seguranças do hospital e muito menos dos médicos e enfermeiras. Tenha
dó! Os atores Tito Ortiz e Texas Battle, os vilões, são tão medíocres que
chegam a ser cômicos. Posso apontar como únicos destaques a presença da bela
atriz australiana Nicky Whelan e a aparição do ator Steve Guttenberg, que andava
sumido das telas – pelo menos faz tempo que não o vejo. “Centro do Trauma” é um
enorme abacaxi, daqueles que vem com a Carmem Miranda pendurada.
quinta-feira, 9 de janeiro de 2020
“A CAMAREIRA” (“LA CAMARISTA”), 2019,
México, 1h42m, estreia no roteiro e direção da atriz Lila Avilés. O filme foi
selecionado para representar o México na disputa do Oscar 2020 de Melhor Filme
Estrangeiro (o México ganhou no ano passado por “Roma”, de Alfonso Cuarón). “A
Camareira” é um filme simples, intimista, mas muito sensível. Utiliza apenas um
personagem principal e outros dois ou três coadjuvantes, tem poucos diálogos e o
cenário é único: o interior de um hotel de luxo na cidade do México. Mesmo
assim, em nenhum momento torna-se entediante. A história acompanha o cotidiano
de trabalho de Eve (Gabriela Cartol, ótima), camareira dos apartamentos vips do
21º andar. O tempo inteiro, ela aparece arrumando lençóis, travesseiros, limpando
os banheiros e a sujeira deixada pelos hóspedes. Mostra Eve tomando conta do bebê
de uma cliente argentina (Agustina Quinci), auxiliando um senhor judeu ortodoxo
a apertar os botões do elevador no sabá, além de suas conversas, na hora
de descanso, com a colega Minitoy (Teresa Sánchez). Eve é mãe solteira e trabalha
duro para sustentar seu filho e pagar uma babá. Ela quer melhorar de vida e,
por isso, participa de um programa de educação para adultos promovido para os
empregados do hotel. Suas jornadas de trabalho, recheadas de plantões extras, a
afastam vários dias do seu filho, deixando-a frustrada e triste. Enfim, a história
toda gira em torno de Eve, que aparece em cena a cada segundo de projeção. Ou
seja, leva o filme nas costas, realizando um excelente desempenho, o que lhe
valeu uma indicação ao Prêmio Ariel (o Oscar mexicano concedido pela Academia Mexicana de Artes e Ciências Cinematográficas) de Melhor Atriz. “A Camareira”
ganhou o Prêmio Ariel como Melhor Filme de Estreia. Resumo da ópera: o filme é
muito bom, bastante sensível e agradável de assistir. segunda-feira, 6 de janeiro de 2020
“O PINTASSILGO” (“THE
GOLDFINCH”), 2019, Estados Unidos, 2h29m, direção do
cineasta irlandês John Crowley (“Brooklyn”). O filme estreou no Festival de
Cinema de Toronto em setembro de 2019. A história foi adaptada pelo roteirista
Peter Straughan do romance “The Goldfinch”, que deu à escritora Donna Tartt o
Prêmio Pulitzer de 2014. O personagem principal é Theodore Decker (Cakes Fegley
na adolescência e Ansel Elgort na fase adulta). Aos 13 anos, Theo foi com a mãe
visitar o Museu Metropolitano de Arte da Nova Iorque. Durante a visita acontece
um atentado à bomba que mata sua mãe e outras pessoas. Theo sobrevive e recolhe
dos escombros o quadro “O Pintassilgo”, do pintor holandês Carel Fabritius
(1622-1654), justamente aquele que ele admirava quando a bomba explodiu. Como
seu pai sumiu do mapa há tempos, Theo não tinha onde morar e acabou sendo
acolhido na casa da sra. Barbour (Nicole Kidman, com a aparência meio
esquisita, talvez excesso de botox), mãe de seu colega de escola. E por aí vai
a história, acompanhando a trajetória de Theo pela vida afora, incluindo a amizade
com o dono de um antiquário, envolvimento com o tráfico de drogas, o noivado
com uma moça da alta sociedade novaiorquina, o reencontro com o pai
irresponsável em Las Vegas e até uma viagem para a Europa na tentativa de
recuperar o quadro que estava de posse de um mafioso russo. Não deve ter sido
fácil para o roteirista Peter Straughan condensar tanta informação e as inúmeras
situações vividas por Theo e descritas nas 700 páginas do livro de Donna Tartt.
Ou seja, muita coisa para contar em apenas 2h29m de projeção. O elenco conta
ainda com Jeffrey Wright, Luke Wilson, Sarah Paulson, Willa Fitzgerald, Aneurin
Barnard, Hailey Wist, Finn Wolfhard e Aimee Lawrence. Vale uma visita pela
história e pelo excelente elenco. domingo, 5 de janeiro de 2020
“JT LEROY”, 2018,
coprodução Estados Unidos/Canadá, 1h48m, roteiro e direção de Justin Kelly.
Baseada em fatos reais, a história relembra um caso de grande repercussão
ocorrido nos Estados Unidos em meados da primeira década deste século. Sob o pseudônimo
de JT Leroy, a escritora independente Laura Albert escreveu, em 2000, o livro “Sarah”,
que logo virou best-seller ao retratar a vida sofrida, tumultuada e chocante de
Jeremiah “Terminator” Leroy (o pseudônimo JT Leroy, que assinava o livro), que
todo mundo acreditava ser um personagem real. Em 2001, saiu um novo livro de
Laura Albert, também como JT Leroy: “O Coração é Enganoso Acima de Todas as
Coisas”. Mas, afinal, quem é o JT Leroy na vida real? A curiosidade mexeu com
os meios literários, com a mídia e com os milhões de leitores pelo mundo
inteiro. Até com Hollywood, que queria fazer um filme com JT Leroy. Laura Albert (Laura Dern), a autora verdadeira, teve a ideia de
transformar sua cunhada Savannah Knoop (Kristen Stewart) no tal JT Leroy, uma
falsa jogada de marketing que durou até 2005, quando uma reportagem do Jornal
The New York Times revelou a farsa. Com seu tipo andrógeno, a atriz Kristen Stewart,
que, como o personagem JT Leroy, também é bissexual na vida real, é o grande
destaque do filme, que teve sua estreia mundial no dia 15 de setembro de 2018
no Festival de Toronto. Lembro que o roteiro foi inspirado no livro “Girl Boy
Girl: How I Became JT Leroy”, escrito pela própria Savannah Knoop, que também
ajudou o diretor Justin Kelly a roteirizar a história. Também estão no elenco,
além de Kristen Stewart e Laura Dern, a atriz alemã Diane Kruger, Jim Sturgess
e Courtney Love. Muita gente aqui no Brasil talvez nunca tenha ouvido falar no
caso JL Leroy. Por isso mesmo, o filme pode ser bastante interessante,
valorizado ainda mais pelo excelente elenco e o ótimo roteiro.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2020
Discutir a relação no
casamento. O assunto já foi abordado inúmeras vezes no cinema, sendo impossível não lembrar do clássico
“Cenas de um Casamento” (1973), do sueco Ingmar Bergman, onde Liv Ullmann e
Erland Josephson discutem a relação durante quase 3 horas de projeção. Em “Kramer
vs. Kramer” (1979), a relação conjugal também foi discutida pelo casal vivido
por Meryl Streep e Dustin Hoffman, culminando numa disputa judicial pela guarda
do filho. Esses dois aspectos – discutir o relacionamento e disputa judicial –
foram incorporados ao drama “HISTÓRIA DE UM CASAMENTO” (“MARRIAGE STORY”),
2019, Estados Unidos, 2h17m, roteiro e direção de Noah Baumbach. No início,
tudo parece correr às mil maravilhas com Charlie (Adam Driver) e Nicole (Scarlett
Johansson). Depois de dez anos de casados, que resultaram no filho Henry (Azhy
Robertson), a relação começa a azedar a partir do momento em que Nicole, uma
atriz de teatro, resolve sair de Nova Iorque para tentar o cinema em Hollywood,
levando o filho a tiracolo. Charlie, diretor de teatro, não se conforma com a
situação e parte para Los Angeles com o objetivo de tentar um acordo. Só que
Nicole contrata a advogada Nora Fanshaw (Laura Dern) e entra com uma ação na justiça
para preservar a guarda do menino e ainda exigir uma grana de Charlie. E por aí
vai a “História de um Casamento”, com muito blá, blá, blá – é verborrágico ao
extremo, como é o estilo do roteirista e diretor Noah Baumbach (dos chatérrimos
“Frances Ha” e “Os Meyerowitz: Família Não se Escolhe”). Para escrever o
roteiro de “História de um Casamento”, Noah confirmou em entrevista que inseriu
muitos momentos de seu tumultuado casamento com a atriz Jennifer Jason Leigh,
com a qual viveu de 2005 até 2012. Também estão no elenco Alan Alda, Ray Liotta
e Julie Hagerty. Dizem que existe uma grande chance de Adam Driver e Scarlett
Johansson serem indicados ao Oscar 2020. Pode ser, mas o filme em si não chega
a ser uma maravilha. Achei a situação forçada demais e a verborragia reinante chega
a incomodar. Em todo caso, vale uma visita para conferir.
segunda-feira, 30 de dezembro de 2019
“ATLANTIQUE”, 2019,
coprodução França/Senegal/Bélgica, com distribuição da Netflix (foi lançado
mundialmente em 29 de novembro de 2019), 1h47m, marca a estreia da atriz
francesa Mati Diop como roteirista e diretora de longa-metragens. A história
reúne ingredientes de vários gêneros: drama, romance, policial, mistério, suspense
e fantasia. É ambientado em Dakar, capital do Senegal, e totalmente falado em
Wolof, a língua oficial do país. A jovem Ada (a atriz estreante Mame Bineta Sane), de 17 anos, de
uma família humilde da periferia de Dakar, é prometida em casamento para Omar
(Babacar Sylla), herdeiro de uma família rica. Só que ela ama Suleiman (Ibrahima
Traoré), um jovem operário que trabalha no canteiro de obras de um edifício
futurista em Dakar. Como não recebem salário há meses, Suleiman e alguns
companheiros decidem embarcar clandestinamente para a Espanha, mas o barco
desaparece misteriosamente. Enquanto isso, durante os preparativos para o casamento
de Ada, acontece um incêndio na casa de Omar, iniciado no leito nupcial
destinado ao casal. A polícia entra em ação para investigar o fato e começa a
desconfiar que o incêndio não foi simplesmente um acidente e sim uma vingança
de Suleiman, que, embora desaparecido, teria sido visto andando pelas ruas de
Dakar. Ao mesmo tempo, os espíritos dos homens desaparecidos no mar assumem o
corpo de várias jovens, que vão até o empresário Nidaye (Diankou
Sembene) cobrar os salários devidos pelo trabalho na construção. O mar – no caso,
o Oceano Atlântico (daí o “Atlantique”) - aparece em várias cenas do filme, com
a câmera estática, uma ideia da diretora para destacar sua importância na
história. “Atlantique” foi selecionado para disputar a Palma de Ouro no
Festival de Cannes 2019, conquistando o também importante “Grand Prix Spécial Du
Jury”. Em Cannes, Mati Dopi também se destacou como a primeira diretora negra a
competir pela Palma de Ouro. O filme é muito interessante, merece ser visto. sábado, 28 de dezembro de 2019
“MAMÃE SAIU DE FÉRIAS” (“MAMÁ
SE FUE DE VIAJE”), 2019, México, 1h40m, roteiro e direção de
Fernando Sariñana. Trata-se de um remake do filme argentino “Mamá se Fue
de Viaje”, de 2017, que também teve uma versão italiana este ano, “10 Giorni
Senza Mamma”. A versão mexicana, tema deste comentário, é muito divertida.
Cassandra (Andrea Legarreta), a dona da casa, resolve tirar umas férias para
fazer um curso de Ioga. Deixou os quatro filhos aos cuidados do pai,
completamente inexperiente na função, pois dedica-se integralmente à empresa
onde trabalha como gerente. Ah, ainda sobrou o cachorro da família, “Canabis”.
Aquelas confusões de sempre: acordar cedo para fazer o café para a criançada, cuidar
das roupas de cada um, deixar comida com o cachorro, levar e buscar no colégio
etc. E ainda ter que cuidar de contratar uma faxineira, pois a antiga sofreu um
acidente e está de licença. Como toda a desgraça não vem sozinha, Gabriel tem
de mostrar serviço na empresa, já que haverá uma promoção para um cargo mais
alto e ele é cotado como favorito. Sua maior chance de conquistar o cargo pode
estar no Dia da Família, um evento anual organizado pela empresa no qual os
funcionários levam suas famílias para participar de brincadeiras, jogos e
muitas diversões. As cenas dessa festa são as mais engraçadas do filme. “Mamãe Saiu
de Férias” é uma ótima dica para uma sessão da tarde com a família. Para rir à
vontade!
quinta-feira, 26 de dezembro de 2019
“AS GOLPISTAS” (“HUSTLERS”),
2019, Estados Unidos, 1h49m, roteiro e direção de Lorene Scafaria, que adaptou
a história, baseada em fatos reais, inspirada no artigo “The Hustlers at Scores”,
da jornalista investigativa Jessica Pressler, publicada com exclusividade em 2016 na Revista New
York Magazine (no filme, Jessica é interpretada por Julia Stiles). Os fatos se referem a um grupo de dançarinas, ex-strippers, que aplicavam golpes contra seus clientes, a maioria dos quais empresários, altos
executivos e gente com a conta bancária recheada. O golpe era simples: elas
chamavam o cliente para um programa, colocavam um remédio em sua bebida – tipo “boa
noite, Cinderela” - e depois surrupiavam seus cartões de crédito, esvaziavam
suas contas e transferiam o dinheiro para uma conta conjunta das “meninas”. A
chefona do esquema era Ramona (Jennifer Lopez), com a cumplicidade de Destiny
(Constance Wu), Mercedes (Keke Palmer) e a loiraça Annabelle (Lili Reinhart). O
filme conta a história das moças desde o começo, 2007, quanto atuavam como
strippers num clube frequentado por altos executivos de Wall Street. Em 2008,
com a crise econômica, o clube perdeu os clientes e os negócios caíram ladeira
abaixo. Cada uma das moças foi se virar de alguma forma, até trabalhando como
vendedoras em lojas de roupas. Alguns depois, elas se reencontraram e tiveram a
ideia dos golpes. Confesso que fiquei em dúvida se assistia ou não, mas não me
arrependi, pois o filme é bastante interessante, principalmente por ser baseado
em fatos reais que, se eu não estiver enganado, passaram em branco por aqui. Embora
seja de Constance Wu a personagem condutora da história, é a diva Jennifer
Lopez que se destaca pelo visual “mulherão” e até com uma atuação bastante
convincente. Dizem até que deve ser indicada ao Oscar. O filme estreou no dia 7
de setembro de 2019 no Festival Internacional de Cinema de Toronto. terça-feira, 24 de dezembro de 2019
“CORINGA”
(“Joker”), 2019, EUA, 2h2m, direção de Todd Philips, que também assina
o roteiro com a colaboração de Scott Silver. Como todo mundo sabe, “Coringa” é
aquele personagem assustador dos filmes de Batman e um de seus principais
inimigos. O filme volta no tempo para 1981, quando “Coringa” era apenas Arthur
Fleck (Joaquin Phoenix), um palhaço que durante o dia trabalhava na porta de
comércios de rua em Gotham City e à noite tentava fazer sucesso como comediante
de stand-up. Ainda não havia Batman (ele não aparece e nem mesmo é mencionado).
A história é toda centrada em Arthur Fleck, um sujeito com graves distúrbios
mentais controlados apenas com remédios que recebe da assistência social, que
também é encarregada do seu acompanhamento psicológico. Até que um dia o
governo municipal, para reduzir custos, cancela os remédios e o tratamento
psicológico. Sem essa assistência, Fleck passa a ter surtos psicóticos
violentos. Vestido de palhaço, ele mata três executivos de uma importante empresa
de Gotham City dentro de um vagão do metrô. A notícia se espalha pela cidade e o
tal palhaço assassino não identificado transforma-se no herói das classes menos
favorecidas, provocando um movimento popular violento contra a elite da cidade.
Enquanto sua identidade não é descoberta, Fleck, por causa de um vídeo onde
aparece fazendo stand-up, é convidado a participar do programa televisivo
de auditório comandado por Murray Franklin (Robert De Niro) e logo vira
celebridade, exigindo que seja chamado de “Coringa”. Este é apenas um resumo da história, mas tem muito mais até o desfecho.
Na verdade, o roteiro apresenta como pano de fundo um estudo psicológico de uma mente
doentia, que gradualmente se transforma num psicopata dos mais violentos. O
filme tem todos os ingredientes para receber um grande número de indicações ao
Oscar 2020, a começar pela impressionante atuação de Joaquin Phoenix. Seus
olhares, seus gestos e suas risadas provocam calafrios. Para fazer o papel, o ator perdeu 24
quilos, aspecto que tem bastante efeito na premiação. Também é destaque a
direção de arte, especialmente os cenários, figurinos e uma fotografia
deslumbrante, além do restante do elenco, com Zazie Beetz, Frances Conroy e Brett Cullen. Outro trunfo do filme é sua trilha sonora, criada pela
compositora islandesa Hildur Guonadóttir, que fortalece, valoriza e aumenta a
tensão de cada uma das cenas impactantes, que são muitas. O filme estreou em agosto de 2019 durante o 76º Festival Internacional de Cinema de Veneza e ganhou o "Leão de Ouro", principal premiação do evento. “Coringa” é um filme
perturbador, tenso, assustador. E genial. Um dos grandes filmes do ano.
Imperdível! quarta-feira, 18 de dezembro de 2019
“EL REINO”, 2018,
Espanha, 2h12m, roteiro e direção de Rodrigo Sorogoyen (“Que Dios nos Perdone”).
Um filme poderoso e impactante, onde os bastidores sujos da política – corrupção,
traições, negociatas etc. – são expostos de forma crua e impiedosa. A história
é inspirada num dos mais famosos esquemas de corrupção da Espanha, o “Caso Gürtel”,
descoberto em novembro de 2007 e que levou gente graúda do Partido Popular (PP)
para a cadeia. No filme, o personagem principal é Manuel López-Vidal (Antonio
de la Torre, ótimo), vice-secretário de um governo regional que está sendo cotado para
ser candidato de seu partido a um alto cargo no governo espanhol. A turma partidária
de Manuel inclui políticos importantes (é nesse grupo que se baseou o título
original do filme). São os chamados “caciques” do partido. Eles se reúnem constantemente
em restaurantes e hotéis luxuosos e até no iate de um deles, além de festinhas
tipo Sérgio Cabral e quadrilha em Paris. O objetivo dessas reuniões é o de
sempre: festejar alguma maracutaia bem-sucedida, derrubar algum inimigo (ou até
um amigo) político e planejar o próximo golpe. Enfim, gente da pior qualidade e
sempre com a pior das intenções (lembram políticos de algum país que você conhece?).
Até que um dia Paco (Nacho Fresnada), um dos políticos da turma de Manuel,
acaba denunciado e preso acusado de conceder contratos públicos a empresas em
troca de dinheiro. As acusações recaem também sobre Manuel, que, ao ver sua
carreira política praticamente arruinada, decide que não vai “cair” sozinho. O elenco
conta ainda com Bárbara Lennie (excelente), Josep Maria Pou, Mónica López, Luis
Zahera e Ana Wagener. “El Reino” foi o grande vencedor do 33º Prêmio Goya de
Cinema (o Oscar espanhol), recebendo nada menos do que 13 indicações. Ganhou em
sete categorias, entre as quais Melhor Diretor, Melhor Ator (Antonio de La
Torre) e Melhor Roteiro Original. Também arrancou elogios entusiasmados quando
foi exibido no 66º Festival de San Sebastian e ainda na Seção “Contemporany
World Cinema” do Toronto International Film Festival/2018. Sem dúvida, um
grande filme. Imperdível!
terça-feira, 17 de dezembro de 2019
PÂNICO NAS ALTURAS (“OTRYV”), 2019,
Rússia, 1h25m, direção de Tigran Sakakyan, que também é autor do roteiro com a
colaboração de Denis Kosyakov e Alexandr Nazarov. É o primeiro longa-metragem
do cineasta russo Tigran. Uma boa estreia, aliás, pois realizou um suspense de
tirar o fôlego. Na noite de Ano Novo, cinco amigos resolver alugar um
teleférico para subir numa montanha dos Montes Urais e de lá descer até a base de
snowboarding. Programa de maluco, enfrentar um frio de muitos graus
abaixo de zero (a cordilheira é uma das mais frias do mundo), tempestades etc.
No meio do caminho, quando estão bem lá no alto, lá embaixo, na sala de
controle, o maquinista sofre um grave acidente, provocando a parada do
equipamento. Ou seja, o teleférico ficou ao sabor do vento, deixando os amigos
apavorados. O filme relata o sofrimento desse pessoal até o desfecho. A gente
acompanha tudo na maior aflição, num alto nível de tensão e suspense, pois a
cada minuto acontece algo para piorar ainda mais a situação. A gente fica com a
impressão de que apenas nós, os espectadores, sobreviveremos. No elenco – para mim, de ilustres
desconhecidos - estão Irina Antonenko (uma atriz russa lindíssima), Anastasiya
Grachyova, Vladimir Gusev, Denis Kostakov (também um dos roteiristas) e Andrey
Nazimov. Um bom programa para quem gosta de sofrer curtindo o sofrimento dos
outros.
segunda-feira, 16 de dezembro de 2019
“O MISTÉRIO DE HENRI PICK” (“LE
MISTÈRE HENRI PICK”), 2018, França, 1h40m, roteiro e direção de Rémi Bezançon, com a colaboração de Vanessa Portal. O filme foi uma das atrações da programação oficial do Festival Varilux de Cinema Francês realizado aqui no Brasil em junho de 2019. Daphne
Despero (Alice Izaaz), jovem funcionária de uma famosa editora de Paris,
tira uns dias de férias para visitar seu pai em Crozon, um pequeno vilarejo na
Bretanha. Numa visita a uma livraria do lugar, ela acaba conhecendo uma seção inusitada,
dedicada a manuscritos rejeitados, ou seja, que não foram aceitos pelas
editoras e, portanto, jamais publicados. Ao verificar alguns exemplares, Daphne encontra um com o título que
chamou sua atenção: “As Últimas Horas de uma História de Amor”, escrito por um
tal de Henri Pick. Pesquisando quem seria o desconhecido escritor, ela descobre
que era um antigo pizzaiolo de um restaurante local, falecido há dois anos. Ela
encontra a viúva de Pick, Madeleine (Josiane Stoléru), e sua filha, Joséphine
(Camille Cottin), que desconheciam a existência do tal manuscrito e muito menos
que Pick tinha como hobby a escrita. Com a autorização de Madeleine e de Joséphine, o livro é
publicado pela editora de Daphne e vira um best-seller imediato em toda a França.
A história de como o livro foi descoberto vira um fenômeno de mídia e Daphne, Madeleine e Joséphine
são convidadas para participar do programa televisivo de grande audiência
comandado por um renomado crítico literário, Jean-Michel Rouche (Fabrice
Luchini). Durante a entrevista, ao vivo, Rouche afirma que o livro é uma
fraude, que um simples pizzaiolo jamais escreveria um romance tão bom. A
atitude de Rouche acaba tumultuando o ambiente, e suas convidadas, sentindo-se
caluniadas, saem furiosas do programa. Resultado: Rouche perde o emprego e, pior,
acaba abandonado pela esposa, que adorou o livro. A partir daí, o caso vira
ponto de honra para Rouche. Ele vai tentar provar de qualquer jeito que Henri
Pick jamais escreveu o livro. O filme é muito simpático e divertido,
principalmente depois que Rouche inicia sua investigação. Destaque para a participação especial da atriz alemã Hanna Schygulla, que um dia foi minha musa mas que agora, aos 75 anos, está irreconhecível. Fabrice Luchini é um
dos mais competentes atores franceses e sua atuação valoriza ainda mais essa
deliciosa produção que tem como pano de fundo a Literatura e o trabalho das editoras.
Imperdível! domingo, 15 de dezembro de 2019
“ALÉM DA ILUSÃO” (PLANETARIUM”), 2016,
França, 1h46m, roteiro e direção da cineasta francesa Rebecca Zlotowski (“Grand
Central”). A história é toda centrada nas irmãs Laura (Natalie Portman) e Kate
Barrow (Lily-Rose Depp), jovens norte-americanas que nos anos 30 partiram para
a Europa com o objetivo de ganhar dinheiro com apresentações de mediunidade, que
lotavam teatros nas principais capitais europeias. Kate era quem invocava os
espíritos, enquanto Laura trabalhava como empresária da dupla e mestre de
cerimônias. Em Paris, elas são contratadas para uma apresentação particular ao
produtor de cinema André Korben (Emmanuel Salinger), judeu polonês, que quer se
comunicar com um amigo que faleceu anos antes. Korben torna-se amigo das irmãs
e resolve agenciá-las para produções cinematográficas. Mas é Laura quem faz
sucesso, tornando-se uma atriz de relativo sucesso. O grande destaque do filme
é a primorosa direção de arte, envolvendo a recriação de época, cenários e
figurinos. Um trabalho deslumbrante. Confesso que não lembro de ter visto Natalie
Portman tão bonita como neste filme. Trata-se da segunda incursão da atriz,
nascida em Israel, no cinema francês. A primeira foi justamente em sua estreia, em
1994, aos 13 anos de idade, no filme “O Profissional”, contracenando com Jean
Reno e Gary Oldman, dirigida por Luc Besson. Hoje, aos 38 anos, figura como uma
das melhores e mais bonitas atrizes da atualidade. Possui até um Oscar de
Melhor Atriz em 2010 por sua atuação em “Cisne Negro”. Natalie já tem um filme
como diretora, “De Amor e Trevas”, além de um segmento de “Nova Iorque, Eu te
Amo”. Destaco também no elenco a jovem atriz Lily-Rose Depp, filha do ator Johnny Depp e da atriz e cantora Vanessa Paradis, além das presenças de Amira Casar e Louis Garrel, este último numa participação especial. Resumo da ópera: “Além da Ilusão” é cinema de muita qualidade, um excelente
programa para os amantes da Sétima Arte. quinta-feira, 12 de dezembro de 2019
“BACURAU”, 2019,
Brasil, 2h10m, roteiro e direção de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles.
Ou seja, feito a quatro mãos. Ou, melhor, dois cérebros. O que não quer dizer
nada, pois o filme é sem pé nem cabeça. A história é dividida
em três atos. Primeiro, a apresentação do pessoal do povoado de Bacurau, nos
cafundós do sertão, durante o velório e enterro da matriarca do lugar, dona
Carmelita. Tem a antiga moradora que volta para as exéquias, a médica do lugar,
o professor e outros personagens. Logo no início, o pessoal descobre que
Bacurau não está no mapa. Um lugar fictício? No segundo ato, aparece um grupo de turistas norte-americanos
que veio ao sertão do Brasil para participar de um tipo de gincana, durante a
qual ganha ponto a cada pessoa que matam. As vítimas, claro, são moradoras de
Bacurau e arredores. Para localizá-las e depois matá-las, o grupo utiliza
drones disfarçados de discos voadores (Vão vendo!). No terceiro e último
capítulo, os assassinos finalmente encontram a resistência do povoado, que vai
se defender com a ajuda de um cangaceiro sanguinário nascido no vilarejo. A guerra está lançada! “Bacurau”
é um filme meio surreal, que mistura gêneros como drama, faroeste caboclo, fantasia e
ficção científica. No fundo, no fundo, é um filme trash, daqueles tipo
invasão de zumbis, terror sanguinolento e outros congêneres. As filmagens
aconteceram na cidade de Barra, no Rio Grande do Norte. No elenco, destaque
para as presenças de Sônia Braga, do ator alemão Udo Kier, Bárbara Colen, Thomás Aquino, Silvero Pereira, Karine Teles, Lia de
Itamaracá e Wilson Rabelo. Apesar dos pesares, o filme dividiu o Prêmio do
Júri no 72º Festival de Cannes/2019 com "Les Misérables". Momento cultural: Bacurau é o nome de uma ave
de hábitos noturnos que vive no sertão brasileiro e também apelido do último
ônibus da madrugada no Recibe. Quer embarcar nessa arriscada aventura? Fique à
vontade. terça-feira, 10 de dezembro de 2019
“AD ASTRA – RUMO ÀS ESTRELAS”
(“AD ASTRA”), 2019, Estados Unidos, 2h01m, roteiro e direção
de James Gray. Trata-se de uma ficção científica bem arrojada, com uma história
pra lá de mirabolante, maluca mesmo, indicada para quem curte filmes com naves
espaciais e viagens interplanetárias. Estamos num futuro bastante distante, quando
o mundo inteiro de repente é afetado por ondas elétricas vindas não se sabe de
onde e que estão ocasionando apagões em todo nosso planeta. O major Roy McBride
(Brad Pitt), engenheiro e astronauta, é enviado para espaço com o objetivo de
descobrir o que está acontecendo. Ele chega primeiro à Lua e depois a Marte. Em
ambos estão instaladas bases militares espaciais norte-americanas. No meio da
missão, os superiores entram em contato com Roy e dizem ter evidências de que
seu pai, o também astronauta Clifford McBride (Tommy Lee Jones), que se perdeu
no espaço há 20 anos no caminho para Netuno, pode estar vivo. Segundo foi
apurado, Clifford abandonou sua missão inicial e partiu para outras galáxias
tentando provar que existe vida inteligente em outros planetas, ao contrário
das versões oficiais que já comprovaram não existir vida além da Terra (a
afirmação é do filme). Perturbado pela notícia sobre a possibilidade de seu pai
estar vivo, Roy desobedece a seus superiores, sequestra uma nave e parte para
encontrar seu pai, se é que realmente está vivo. Se há algo que deve ser
elogiado no filme de Gray (“Uma Vez em Nova Iorque”, “Z: A Cidade Perdida”) é o
design de produção, com cenários deslumbrantes e uma fotografia das mais
competentes, além de algumas cenas de ação muito bem realizadas. O que me
irritou foi a utilização demasiada da narração em off, na qual Roy
exprime seus pensamentos. Uma chatice que lembra os filmes abomináveis do
intragável cineasta norte-americano Terrence Malick. No mais, “Ad Astra” (momento cultural: do
latim traduzido para o português, “Rumo às Estrelas”) não merece muitos elogios e poucos motivos para recomendá-lo. Mas sou
suspeito em dizer isso, pois nunca fui muito fã de filmes de ficção científica,
principalmente aqueles com naves, astronautas, viagens interplanetárias e alienígenas. Completam o elenco Liv Tyler, Ruth Nega e Donald Sutherland. O filme estreou durante a programação oficial do Festival de Veneza no dia 29 de agosto de 2019. Indicado para aqueles que vivem no mundo da Lua.
domingo, 8 de dezembro de 2019
“CONEXÃO DE ELITE” (“THE
PREPPIE CONNECTION”), 2016, EUA, 95 minutos, feito originalmente para TV, roteiro e direção de
Joseph Castelo (é o seu 3º longa-metragem). A história é baseada em fatos reais
e inspirada na vida de Derek Oatis, um estudante de família pobre que na década
de 80, por intermédio de uma bolsa, conseguiu se matricular numa renomada escola preparatória particular. Para se
enturmar com um grupo de jovens estudantes ricos e bagunceiros, Derek ingressou na turma para
ficar perto de uma menina que ele adorava, mas que namorava um outro cara. Na
convivência com os ricaços da faculdade, Derek percebeu que podia ganhar
dinheiro vendendo cocaína e, assim, ajudar os pais financeiramente. Com a colaboração
de um aluno colombiano cujo pai era embaixador, Derek conseguiu viajar para a
Colômbia e lá entrar em contato com um traficante, arranjar a droga e depois
comercializá-la na faculdade. Fez isso várias vezes, mas abusou da sorte e
acabou preso (o verdadeiro Derek aparece dando um depoimento durante os
créditos finais). O caso foi um escândalo nacional, pois envolveu filhos de políticos
e empresários importantes. No filme, Derek ganhou o nome de Tobias Hammel
(Thomas Mann), assim como os outros personagens tiveram os nomes alterados, provavelmente
por questões judiciais, como Alexis Hayes (Lucy Fry), Ellis Tynes (Logan
Huffman) e Ingrid (Amy Hargreaves), entre outros. Aos 28 anos, o bom ator Thomas
Mann já tem um currículo extenso no cinema, com 5 séries de TV e 26 filmes,
entre os quais “João e Maria: Caçadores de Bruxas” (2013), “Escola de Espiões” (2015),
“Herança de Sangue” (2016) e “Estrada Sem Lei” (2018).
sábado, 7 de dezembro de 2019
“INVASÃO AO SERVIÇO SECRETO” (“ANGEL
HAS FALLEN”), 2019, EUA, 2h1m, direção de Ric Roman Waugh,
que também é autor do roteiro com a colaboração de Katrin Benedikt, Robert Mark
Kamen, Matt Cook e Creighton Rothenberger. Este é o terceiro filme da série que
conta como principal personagem o agente secreto Mike Benning (Gerard Butler, também
protagonista dos dois primeiros, “Invasão à Casa Branca”, de 2013, e “Invasão a
Londres”, de 2016). Desta vez, ou mais uma vez, Mike tenta proteger o
presidente norte-americano Allan Trumbull (Morgan Freeman) de uma conspiração comandada
por integrantes de uma organização ligada à indústria de armas, cujo objetivo é
assassinar Trumbull e provocar uma guerra com a Rússia. Entre eles, alguns ex-agentes secretos que trabalharam com Benning. No primeiro atentado contra
o presidente, durante uma pescaria num lago, os criminosos utilizam um sofisticado
“exército” de drones equipados com bombas. Morre quase todo mundo, numa
espetacular cena de prender o fôlego. Ao longo
das investigações realizadas pelo FBI, descobre-se que existe alguém ligado à
alta cúpula do governo que está vazando informações não só para a imprensa,
como também para a organização criminosa, que não sossega enquanto não matar o
nº 1 dos EUA. Enquanto isso, o pessoal do FBI recebe um dossiê falso que aponta
como o idealizador de toda a trama o próprio Benning, que é obrigado a fugir e
depois tentar provar sua inocência. Leah Benning, esposa do agente, e o pai
dele, Clay Benning (Nick Nolte), acabam também envolvidos na história, correndo
risco de vida. Mas o nosso herói vai resolver tudo da melhor maneira possível,
garantindo um desfecho mais do que previsível. O ator escocês Gerard Butler,
que já esbanjou charme em “O Fantasma da Ópera (2004) e barriga de tanquinho em
“300” (2006), mostra agora uma evidente decadência física. Está meio inchado,
resultado das biritas que adora tomar. Talvez não faça a 4ª versão, se houver. De
qualquer forma, “Invasão ao Serviço Secreto” tem todos os ingredientes de um
bom filme de ação, geralmente um gênero que dá folga aos nossos neurônios. Saco
de pipoca na mão e boa sessão da tarde!
quinta-feira, 5 de dezembro de 2019
“PÁSSARO DO ORIENTE” (“EARTHQUAKE
BIRD”), 2019, coprodução EUA/Japão em conjunto com a Netflix,
1h48m, roteiro e direção do cineasta inglês Wash Westmoreland. A história é
baseada no livro “The Earthquake Bird", de 2001, escrito pela romancista inglesa
Susanna Jones, um grande best seller na época. Tóquio, 1989. A cena
inicial mostra Lucy Fry (Alicia Vikander) sendo interrogada numa delegacia de
polícia sobre o desaparecimento de sua amiga Lily Bridges (Riley Keough).
Durante os diálogos, surpreende como a sueca Vikander domina o idioma japonês.
Tinha que ser assim, pois seu personagem mora já há cinco anos no Japão. Lucy trabalha
como tradutora numa empresa no centro de Tóquio e, aparentemente, é uma jovem
normal e trabalhadora, porém muito solitária. Em flashbacks, o filme
recorda os fatos que antecederam ao sumiço de Lily. Primeiro, o envolvimento
amoroso de Lucy com Teiji (Naoki Kobayashi), um japonês charmoso que trabalha
como cozinheiro num restaurante, mas que nas horas vagas é fotógrafo amador. Os
dois se apaixonam e o romance vai bem até a chegada de Lily dos Estados Unidos.
Ao apresentar Lily a Teiji, Lucy percebe que os dois se atraem e pinta o maior
ciúme. O suspense do filme gira em torno justamente do que Lucy fará a
respeito. Eliminar Lily, como sugere o episódio que se desenrola na delegacia? Como
sugestão para colocá-la como principal suspeita, o filme aborda um fato traumático de seu passado, justamente o que a motivou a se mudar para o Japão. Ou quem sabe Teiji,
que adora retratar pessoas mortas e quer provar seu amor por Lucy? Nada mais é
possível acrescentar para não estragar o final da história. O filme é bastante
interessante, apresentando como um de seus maiores destaques os cenários da
capital japonesa, valorizados pela fotografia deslumbrante do sul-coreano Chung
Chung-hoon. Com relação à história, o diretor Westmoreland (“Para Sempre Alice”
e “Colette”) consegue manter um clima de tensão que nos leva a querer chegar logo
ao fim para descobrir o que realmente aconteceu. Também merecem destaque as
atuações da atriz sueca Alicia Vikander, vencedora do Oscar 2015 de Melhor Atriz Coadjuvante pelo seu
trabalho em “A Garota Dinamarquesa” e protagonista de “Tom Raider: A Origem”
(2018) como Lara Croft. Na vida real, Alicia é casada, desde 2017, com o ator
Michael Fassbender. Quanto à bela e boa atriz Riley Keough, lembro que é filha
da cantora Lisa Marie Presley e, portanto, neta de Elvis. Com quase 1m90 de
altura, Naoki Kobayashi foge um pouco do estereótipo de seus conterrâneos. Além
de ator, o galã Naiki é cantor de um grupo pop, além de dançarino e modelo. Voltando a
“Pássaro do Oriente”, cuja estreia aconteceu dia 10 de outubro de 2019 no BFI
London Film Festival (na Netflix, foi exibido pela primeira vez no dia 5 de novembro
de 2019), trata-se de um filme bastante criativo, bem escrito e dirigido.
Recomendo.
terça-feira, 3 de dezembro de 2019
“O IRLANDÊS” (“THE IRISHMAN”), 2019,
EUA, direção de Martin Scorsese, distribuição da Netflix (no Brasil, estreou
dia 27 de novembro de 2019). Posso afirmar, com toda certeza, que este é o
grande favorito ao Oscar 2020 em várias categorias. Um épico com a marca registrada
do grande diretor Martin Scorsese. Com roteiro de Steven Zaillian, adaptado do
livro “I Heard You Paint Houses”, escrito por Charles Brandt, a história, baseada
em fatos reais, acompanha, durante décadas, desde o pós-Segunda Guerra Mundial,
a trajetória de Frank Sheeran (Robert De Niro), um simples motorista de
caminhão que transportava carnes para um frigorífico pertencente a um chefão da
Máfia. Aos poucos ele vai se aproximando do crime organizado e logo se transforma
num assassino de aluguel sob o mando de Russel Bufalino (Joe Pesci), chefão
mafioso da Pensilvânia. Também se transforma em homem de confiança e segurança
do lendário líder sindical Jimmy Hoffa (Al Pacino), que mantinha estreitas
ligações com os chefões do crime organizado. Scorsese prioriza a questão da
honra entre os integrantes da máfia italiana, os acordos realizados em mesas de
restaurantes, muitos resultando em mortes encomendadas – sim, há muita
violência -, vinganças, traições e toda a sujeira que envolve a atividade
criminosa. Completam o elenco, entre outros, Karvey Keitel, Bobby Carnevale,
Anna Paquin e Stephen Graham. Mas os destaques são, sem dúvida, os desempenhos
magistrais de De Niro, Pacino e, principalmente, Joe Pesci (aposto que vai
ganhar o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante). Eu acreditava que nenhum outro filme sobre
a Máfia superaria “Os Bons Campanheiros”, do próprio Scorsese. E não é que ele
se superou? “O Irlandês” é sensacional, uma obra-prima, 3h30m do mais puro deleite
cinematográfico, um filme que você não quer que termine. Logo depois de seu
lançamento, em 27 de setembro durante o 57º Festival de Cinema de Nova Iorque, “O
Irlandês” já foi considerado o melhor filme de 2019 e o melhor roteiro adaptado
pela National Board of Review, organização que reúne críticos de cinema e profissionais
da indústria cinematográfica norte-americana. Obrigado, Scorsese!
segunda-feira, 2 de dezembro de 2019
“A DAMA DE BACO” (“JUG-YEO-JU-NEUM
YEO-JA” - nos países de língua inglesa, "The Bacchus Lady"), 2016, Coreia do Sul, 1h50m, roteiro e direção de E J.
Yong. Mais uma pérola do cada vez mais surpreendente cinema sul-coreano.
Trata-se de um “drama agridoce”, segundo definição do próprio diretor. Realmente,
a história é dramática, muito triste e melancólica, mas tem seus momentos
sensíveis e algumas pitadas de humor. A trama é toda centrada em So-Young (Yoon
Yeo-Jeong), uma idosa que passou dos 70 e se prostitui para ganhar dinheiro. Um
parêntese: embora seja a 12ª economia do mundo (a 11ª quando o filme foi
realizado), a Coreia do Sul ainda apresenta um dos maiores índices de pobreza
entre idosos do mundo, situação, inclusive, que leva vários deles ao suicídio. Voltamos ao filme: So-Young frequenta o parque Jongmyo, na capital Seul, onde
circula, juntamente com outras idosas, com o pretexto de vender uma garrafinha
de Bacchus, bebida energética para os idosos se sentirem com mais disposição para
o sexo. Na verdade, o que lhe dá dinheiro são os programas que faz a quatro
paredes num motel próximo. Numa ida ao médico para tratar de uma doença
venérea, So-Young testemunha uma briga entre uma imigrante filipina e o médico,
acusado por ela de ser o pai do seu filho, o agride e acaba presa. O menino,
Jae-Woo (Chon Moo-Song), fica solto nas ruas e So-Young resolve adotá-lo. A
idosa mora num conjunto residencial simples e tem como vizinhos um rapaz boa
gente, Do-Hoon (Yoo Kye-Sang), e a simpática transsexual Tina (An A-Zu). Mesmo
responsável pelo garoto, So-Young continua a fazer seus programas, às vezes
levando até o menino junto. Ao mesmo tempo, So-Young conhece vários idosos
desiludidos com a vida, solitários ou doentes terminais, que imploram a ela que
os ajude a passar para o outro lado. Enfim, tudo no filme gira em torno da idosa
So-Young, interpretada com muita sensibilidade e competência pela veterana
atriz sul-coreana Yoon Yeo-Jeong, que eu passei a admirar depois que a vi atuar
em filmes como “A Empregada”, de 2010, e no ótimo “Canola”, de 2016, entre
tantos outros. “A Dama de Baco” foi exibido na seleção oficial dos Festivais de
Berlim, Londres, Seattle, Hong Kong, Melbourne e Rio de Janeiro, além de receber
os prêmios de Melhor Roteiro e Melhor Atriz no “Fantasia Film Festival” (Montreal),
em julho de 2016. Também conquistou o Prêmio do Júri no Asia Pacific Screen
Awards. Merecia muito mais, pois é um grande filme, sensível e impactante. Não
perca! domingo, 1 de dezembro de 2019
“ERA UMA VEZ EM...HOLLYWOOD” (“ONCE
UPON A TIME...IN HOLLYWOOD”), 2019. EUA, 2h40m, roteiro e
direção de Quentin Tarantino. Este é o 9º longa-metragem do diretor
norte-americano e, para mim, o melhor. Ele ambienta a história em 1969, o ano
em que turma do Charles Manson matou a atriz Sharon Tate e amigos, naquela que
é considerada até hoje a maior tragédia ligada à história do cinema. Além de
ser casada com o cineasta polonês Roman Polanski e estar grávida quando foi
assassinada, Sharon (Margot Robbie) era uma atriz em grande ascensão. Este
episódio tão nefasto ocupa grande parte do final do filme de Tarantino. Na
verdade, o grande cineasta norte-americano fez uma comédia satirizando
Hollywood, ao mesmo tempo em que homenageia o Cinema em geral e,
particularmente, o gênero western ou, como nós o chamamos, faroeste. E
Tarantino conhece como ninguém a sua grande paixão, desde que trabalhava como
atendente numa videolocadora. A história é centrada em Rick Dalton (Leonardo Di
Caprio), um ator de grande sucesso em séries de TV que decide arriscar o estrelato
em Hollywood. Quem o acompanha no seu dia a dia é o amigo Cliff Booth (Brad
Pitt), seu dublê oficial há vários anos, além de motorista, segurança e companheiro
nas bebedeiras. Em meio à rotina de trabalho de Rick nos sets de
filmagem, Tarantino acrescenta a aparição de astros da época, como Bruce Lee
(Mike Moh) e um impagável Steve McQueen (Damian Lewis). E ainda utiliza efeitos
especiais para colocar Rick Dalton contracenando em filmes famosos das décadas
de 50 e 60, mais uma das grandes atrações deste filme genial de Tarantino, na
minha opinião, como já disse, o melhor do cineasta. O elenco também conta com
astros do porte de Al Pacino, Bruce Dern, Margaret Qualley, Kurt Russell, Dakota
Fanning, Luke Perry, Austin Butler, Lorenza Izzo, Julia Butters e Rafal
Zawierucha. “Era uma Vez...” estreou na programação oficial do 72º Festival Internacional
de Cinema de Cannes, em maio de 2019. A recepção foi a melhor possível.
Realmente, um filmaço!
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