domingo, 24 de novembro de 2019


“CYRANO MON AMOUR” (“EDMOND”), 2019, França, 1h53m, filme de estreia como roteirista e diretor do ator e dramaturgo Alexis Michalik. Uma comédia baseada em fatos reais. Um prato (palco) cheio para quem gosta de teatro. E mesmo para quem não gosta. O filme conta toda a história de como o poeta e dramaturgo francês Edmond Rostand (1868-1918) – interpretado por Thomas Solivérès – se inspirou para criar e escrever aquela peça que seria o maior sucesso mundial do teatro clássico: “Cyrano De Bergerac”. Ao mesmo tempo, conta tudo o que aconteceu às vésperas da grande estreia da peça em Paris, em dezembro de 1897. Por exemplo, a escolha do elenco, encabeçado pela grande estrela da época, o ator Benoît-Constant Coquelin (o ótimo Olivier Gourmet), a pressão dos produtores, muita confusão durante os ensaios e o estresse de Edmond, que não tinha o texto da peça pronto pouco antes da sua estreia. O filme revela ainda que uma das principais inspirações de Edmond para escrever a peça surgiu da vida atribulada de Hector Saviniende Cyrano de Bergerac, um escritor francês sem grande sucesso que viveu no Século XVII. Outra inspiração veio da paixão ardente de Léo Volny (Tom Leeb), melhor amigo de Edmond, pela bela Jeanne D’Alcie (Lucie Boujenah). Apesar de bonito, Léo não tinha cultura suficiente para escrever versos para a amada, uma condição que, na época, era quase obrigatória para se conquistar uma mulher. Edmond escrevia cartas em nome do amigo e as enviava para Jeanne. Edmond também tinha uma amiga que sempre acreditou no seu talento e o ajudou muito: a diva do teatro Sarah Bernhardt (Clémentine Célarie). O filme é um espetáculo, um retrato divertido e delicioso dos bastidores de uma peça teatral que, a partir de sua estreia, se transformou num dos maiores sucessos da dramaturgia mundial. Sem dúvida, a inspiração para escrever o roteiro contou com a experiência de palco vivida pelo jovem ator e dramaturgo Alexis Michalike, que também assumiu a direção com muita competência, mesmo sendo seu primeiro longa-metragem. Também estão no elenco o próprio Alexis Michalike, Mathilde Seigner e Alice de Lencqvesaing. Imperdível!       

sexta-feira, 22 de novembro de 2019


“POROROCA”, 2017, Romênia, 2h32m, roteiro e direção de Constantin Popescu. Atração da programação oficial da 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, “Pororoca” é mais um exemplo primoroso da surpreendente escola cinematográfica da Romênia, responsável por tantos grandes filmes. Trata-se de um drama pesadíssimo, perturbador. De uma forma angustiante, e durante quase toda a projeção, o espectador acompanha a trajetória de dor, culpa e sofrimento de um pai, Tudor Ionescu (o excelente ator Bogdan Dumitrache), que num domingo leva seus filhos Marie, de 5 anos, e Ilie, de 7 anos, para passear no parque da cidade (não deu para identificar se é Bucareste ou outra cidade). Enquanto conversa no celular com o amigo, Tudor se distrai dos filhos por alguns segundos, o suficiente para Marie simplesmente sumir. Desespero total, mães e pais ajudando a procurar a menina. Sem sucesso. O sumiço já provoca sua primeira consequência: o casamento entra em crise, já que Cristina (Iulia Lumanare), a esposa, acusa Tudor de ter negligenciado a menina e, portanto, é o responsável por seu desaparecimento. Ela vai para a casa dos pais, leva o filho, e deixa Tudor alimentar sua culpa, que aos poucos se transforma numa paranoia histérica e, por fim, numa insanidade assassina. O filme acompanha todo o desespero de Tudor, para terminar num desfecho chocante, tornando este drama romeno bastante impactante. Tudo bem que o filme é muito bem escrito e dirigido por Constantin Popescu, que conseguiu criar um clima angustiante de tensão ao acompanhar o sofrimento de Tudor. Aliás, posso afirmar que o excelente ator romeno Bogdan Dumitrache carrega o filme nas costas, assim como sua culpa e dor. Sua atuação é tão marcante que conquistou o Prêmio de Melhor Ator no importante Festival de Cinema de San Sebastián (Espanha). Com relação ao título original, “Pororoca”, tentei de tudo que é jeito descobrir a relação com a história e a razão dessa escolha. Não consegui. Todo mundo sabe que é um fenômeno do encontro das águas fluviais com as do oceano. Mas o que tem a ver com o filme? Um comentarista tentou explicar: “é o desaguar de emoções”. Aí também não... Bom, vamos ao resumo da ópera: “Pororoca” é mais uma pérola do cinema romeno, uma pequena obra-prima, uma verdadeira aula de cinema. Portanto, IMPERDÍVEL!        

quinta-feira, 21 de novembro de 2019


“PARADISE BEACH”, 2019, França, 1h33m, roteiro e direção de Xavier Durringer. O filme começa em preto e branco, mostrando um assalto a banco em Paris, a chegada da polícia, um tiroteio, um policial morto e um assaltante ferido – os outros cinco fugiram com o dinheiro. Aliás, com uma quantia bem volumosa. Quinze anos depois, Mehdi (Sami Bouajila), o tal bandido ferido, sai da cadeia e ruma para a Tailândia, onde seus comparsas se estabeleceram investindo o dinheiro roubado. Todos moram na cidade de Pucket, também conhecida por Paradise Beach. Realmente, uma praia paradisíaca – os cenários do filme são deslumbrantes. Mais do que matar a saudade dos amigos – um deles seu irmão, Hicham (Tewfik Jallab) -, Mehdi quer, na verdade, a sua parte da grana roubada. Aí a coisa fica feia, pois todos alegam que gastaram todo o dinheiro. Em meio a esse conflito de interesses, uma gangue de imigrantes africanos “roubam” algumas strippers da boate de Franck (Hugo Becker). Para proteger o amigo, Mehdi inicia uma guerra sanguinolenta contra a turma de afrodescendentes. E por aí vai a história, Mehdi tentando se salvar dos inimigos e, ao mesmo tempo, recuperar sua parte no dinheiro do assalto. Ao comentar sobre “Paradise Beach”, alguns críticos de cinema o elegeram como “o pior filme já produzido pela Netflix”. Eu não chegaria a tanto, mas concordo que o filme é bem ruizinho. A começar pelo elenco. Com exceção de Sami Bouajila, ator experiente do cinema francês, o restante do elenco é muito fraco. Outro detalhe: como um filme que se diz de ação consegue ser tão monótono?    

quarta-feira, 20 de novembro de 2019


“ANNA – O PERIGO TEM NOME” (“ANNA”), 2019, França, roteiro e direção de Luc Besson, 1h59m. Entretenimento dos melhores, muita ação, tiros, perseguições, suspense e, principalmente, uma mulher linda como protagonista principal. A história é ambientada nos anos 80, quando a Guerra Fria ainda era quente. Anna (a atriz e ex-modelo russa Sasha Luss) é uma modelo internacional que transita por vários países desfilando para os principais estilistas da moda. Por onde passa, porém, deixa um rastro de mortes e destruição. Anna utiliza sua fachada como modelo para servir à KGB, que a treinou como espiã especialista em artes marciais e no manuseio das mais diferentes armas de tiro. Sua mentora e chefe é Olga (Helen Mirren), ambas subordinadas ao poderoso Vassiliev (Eric Godon), chefão da KGB. E seu parceiro em algumas missões é Alex Tchenkov (Luke Evans) – incomoda, a mim pelo menos, dois atores ingleses (Mirren e Evans) falando em inglês e tentando imitar o sotaque russo; por que não utilizaram atores russos falando russo? Numa de suas missões mais importantes, Anna é desmascarada pelo agente norte-americano Lenny Miller (Cillian Murphy), da CIA, que, em troca de mantê-la viva, obriga-a a se tornar uma espiã também da CIA. E uma de suas primeiras missões para o “outro lado” é assassinar justamente o chefão Vassiliev. Muitas reviravoltas acontecerão até o desfecho, valorizando ainda mais este ótimo filme de espionagem e ação. Dessa forma, "Anna" comprova a competência do cineasta francês Luc Besson  em escrever e dirigir filmes de ação, que já tinha em seu currículo excelentes produções do gênero, como “Nikita – Criada para Matar”, “Lucy”, “O Quinto Elemento”, “Imensidão Azul” e “O Profissional”, este último revelando a ainda adolescente Natalie Portman. E foi Besson também o responsável por revelar para o cinema a modelo e agora atriz Sasha Luss, que estreou em “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas”, de 2017, também de Besson. “Anna” é mais um gol de placa do cineasta francês. Se você gosta de filmes de ação, não perca!   

terça-feira, 19 de novembro de 2019


“O SEGREDO DE NORA” (“ANIMALES SIN COLLAR”), 2018, suspense, produção espanhola da Netflix, 1h40m, filme de estreia no roteiro e na direção de Jota Linares, cineasta mais conhecido por documentários. O filme começa com um grupo de amigos no fim de uma balada regada a muita bebida e drogas. Um deles, porém, sofre uma overdose e é praticamente jogado na porta de um hospital. A história é retomada anos depois, quando Nora (Natalia de Molina) está casada com Abel (Daniel Grao), um político de sucesso prestes a concorrer a um cargo no alto escalão do governo espanhol. Nora e Abel estavam naquele grupo. Abel, por sinal, era irmão do rapaz que morreu de overdose. Até aí ninguém ficara sabendo o que tinha acontecido e o segredo deveria ser preservado para não prejudicar as ambições políticas de Abel. Sem o marido saber, Nora estava sendo chantageada por um outro amigo, Víctor (Ignacio Mateos), que presenciara o trágico acontecimento daquela fatídica noite. No meio da história, surge Virgínia (Natalia Mateo), outro personagem que participou da farra daquela noite. Não há para o seu misterioso retorno. Aliás, o filme deixa várias pontas soltas, sem explicação. Achei a história mal contada. Afinal, qual o segredo de Nora, a chantagem ou o que aconteceu naquela noite. Terminou o filme e fiquei sem saber. Se há um atrativo que mereça uma visita a este filme é a presença da bela e competente atriz Natalia de Molina, que ficou ainda mais bonita com os cabelos loiros. Enfim, um filme para quem gosta de decifrar mistérios e sair do cinema (ou de frente da telinha) com uma grande dúvida: valeu a pena assistir?

segunda-feira, 18 de novembro de 2019


“UMA GUERRA PESSOAL” (“A Private War”), 2018, coprodução EUA/Inglaterra, direção de Matthew Heineman – é o seu primeiro longa-metragem. O roteiro foi escrito por Arash Amel, baseado no artigo “Marie Colvin’s Private War”, da jornalista Marie Brenner e publicado na Revista Vanity Fair, meses após a morte da sua colega de profissão Marie Colvin, personagem principal dessa história. A norte-americana Colvin (1956/2012) foi uma das jornalistas mais famosas e corajosas, responsável por coberturas memoráveis em países em guerra como correspondente do jornal inglês The Sunday Times. Ela esteve na frente de batalha no Zimbábue, Somália, Tunísia, Iraque, Palestina, Chechênia, Kosovo, Líbia, Timor Leste e em outros países em conflito. Durante a cobertura da guerra civil no Sri Lanka, em 2001, ela perdeu o olho esquerdo devido a estilhaços de uma granada. A partir de então, passou a usar um tapa-olho, que foi sua marca registrada até 2012, quando morreu na Síria, vítima de um míssil enviado pelo exército do ditador Assad diretamente ao edifício onde estavam os jornalistas. “Uma Guerra Pessoal” conta toda essa história e mostra que Colvin sofria do tal estresse pós-traumático, o mesmo que acomete os soldados quando voltam para casa. Traumatizada com as lembranças das áreas de conflito, Colvin começou a beber e nos anos finais de sua vida já era alcoólatra. O filme também mostra sua amizade com o companheiro de muitas coberturas, o fotógrafo Paul Conroy (Jamie Dornan, de “50 Tons de Cinza”), que também morreu na Síria, e seu relacionamento com editor-chefe do The Sunday Times (Tom Hollander). A atriz inglesa Rosemund Pike, que interpreta a jornalista, foi indicada para o Globo de Ouro de 2019, mas não ganhou, e nem ao menos recebeu indicação ao Oscar. Seu trabalho em “Uma Guerra Pessoal” é fantástico, melhor do que as cinco atrizes indicadas juntas. Mais uma grande injustiça do Oscar, talvez a maior dos últimos anos. Além da história pessoal de Marie Colvin, “Uma Guerra Pessoal”, que tem como um dos produtores a atriz Charlize Theron, mostra com bastante realismo e muitas cenas de ação como é a cobertura dos correspondentes de guerra e a coragem e o sangue-frio que precisam ter para enfrentar os perigos nas zonas de combate. O filme é excelente e a história melhor ainda, pois apresenta uma mulher com a coragem que muitos homens não teriam. IMPERDÍVEL!

sexta-feira, 15 de novembro de 2019


“O MESMO SANGUE” (“LA MISMA SANGRE”), Argentina, 1h53m, produção da Netflix – sua estreia mundial aconteceu dia 28 de fevereiro de 2019 -, roteiro e direção de Miguel Cohan. Mais um bom suspense argentino. Depois de uma reunião familiar, a matriarca Adriana (Paulina Garcia) desce para a cozinha industrial que mantém no porão da casa para concluir uma encomenda. Algum tempo depois, ela é encontrada morta, enforcada pelo colar que prendeu numa máquina. Tudo leva a crer que foi um acidente. Só que o genro Sebastián (Diego Velásquez), ao constatar algumas evidências estranhas, começa a desconfiar de Elías (Oscar Martinez), o viúvo. É bom esclarecer que Elías está atolado em dívidas, principalmente com relação à fazenda que herdou do pai. Como um verdadeiro detetive, Sebastián começa a investigar a fundo a sua desconfiança, o que provocará uma crise em seu casamento com Carla (Dolores Fonzi), que defende a inocência do pai com unhas e dentes. Até o desfecho, o caso terá sido esclarecido, pelo menos para o espectador, que lá pela metade do filme fica sabendo o que realmente aconteceu. É o terceiro longa-metragem escrito e dirigido por Miguel Cohan – os dois primeiros foram “Sin Retorno”, de 2010, e o aclamado “Betibú”, de 2014. Em “O Mesmo Sangue”, Cohan fez mais um bom trabalho, prendendo a atenção do espectador até o desfecho. Destaco o ótimo elenco, comandado pelo excelente Oscar Martínez. Demorei para reconhecer a atriz chilena Paulina Garcia, do espetacular “Glória” (2013), no papel de Adriana. Outros destaques são as presenças de Dolores Fonzi, talvez a mais bela atriz do cinema argentino atual, e ainda o “detetive” Diego Velásquez.   


“HAPPY HOUR – VERDADES E CONSEQUÊNCIAS”, 2019, coprodução Brasil-Argentina, 1h54m, roteiro e direção de Eduardo Albergaria. Trata-se de uma comédia romântica focada no relacionamento tumultuado de Horácio (Pablo Echarri), um professor universitário argentino radicado no Rio de Janeiro, e Vera (Letícia Sabatella), uma deputada estadual que está prestes a lançar sua candidatura ao cargo de prefeita. O casamento não anda às mil maravilhas, mas os dois tentam manter as aparências. Até que um dia, num lance puramente casual, Horácio vira herói depois de ser considerado responsável pela prisão de um marginal conhecido como “ladrão aranha”, pois escala edifícios para roubar os apartamentos.  Com seu “suposto” ato de coragem, Horácio não apenas ganha espaço na mídia, como também passa a atrair ainda mais a atenção de suas alunas mais ousadas. Uma delas, Clara (Aline Jones), fará com que Horácio reveja seus conceitos de fidelidade. Num rompante de pura ingenuidade, Horácio diz a Vera o que está sentindo pela aluna e que, provavelmente, a levará para a cama, o que aumenta ainda mais o estresse entre o casal. Divórcio à vista, fato que pode atrapalhar a campanha de Vera. Aí entra em ação o marqueteiro Arlindo (Chico Diaz, ótimo), que fará de tudo para que a candidatura de Vera siga adiante independente da crise conjugal da deputada. Neste que é seu filme de estreia como diretor, Albergaria (é brasileiro, apesar do sobrenome) acerta principalmente ao privilegiar o humor e, como trunfo, tem a boa atuação dos protagonistas principais, o galã argentino Pablo Echarri e a bela e competente Letícia Sabatella. Soma-se à dupla um bom elenco de coadjuvantes, como Chico Diaz, Aline Jones, Marcos Winter e Luciano Cáceres. Só fiquei em dúvida com a escolha do título, que ainda não descobri que relação tem com a história. Resumo da ópera: tipo do filme para ser curtido como entretenimento fácil, sem exigir muito dos neurônios.       

quarta-feira, 13 de novembro de 2019


Grande vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes 2019, o filme sul-coreano “PARASITA” (“GISAENGCHUNG”) recebeu voto unânime dos jurados, fato que não acontecia desde 2013, quando o premiado foi o francês “Azul é a Cor Mais Quente”. Além disso, trata-se do primeiro filme sul-coreano a conquistar o prêmio do mais charmoso festival de cinema do mundo. E por falar em premiações, “Parasita” está sendo cotado como um dos grandes favoritos ao Oscar 2020 de Melhor Filme Estrangeiro. Tudo exagero? De forma alguma, “Parasita” é simplesmente sensacional e, melhor, não é daqueles filmes pretensiosos, difíceis de assistir, metidos a cinema de arte. Pelo contrário, trata-se de um ótimo entretenimento para qualquer público. Sua trama mistura drama social, comédia (humor negro) e muito suspense, embora apresente como pano de fundo questões como a desigualdade social e a luta de classes. Mas vamos à história. A família de Ki-Taek (Kang-Ho Song) – ele, a esposa Chung-Sook (Chang Hyae Jin), o filho Ki-Woo (Woo-Sik Choi) e a filha Ki-Jung (Park So-Dam) – mora num porão na periferia de Seul. Estão todos desempregados, vivem no maior miserê. Até que um dia começa a chover na horta. O filho Ki-Woo, indicado por um amigo, começa a dar aulas de inglês para a filha de um casal rico, cuja família vive numa enorme casa de luxo criada por um famoso arquiteto sul-coreano. Ao se deparar com a ostentação e o luxo daquela família, comparado com a pobreza da sua, Ki-Woo passa a arquitetar, junto com o pai, a mãe e a irmã, um plano diabólico, ou seja, substituir todos os empregados da mansão por eles próprios. Dessa forma, utilizando estratagemas criativos e hilários, eles aos poucos vão conseguindo seu objetivo, ajudados pela ingenuidade do casal rico. O primoroso roteiro, escrito pelo diretor Joon-Ho Bong, reserva muitas reviravoltas até o desfecho, situações de suspense de tirar o fôlego, muito humor e sangue jorrando. Não deixa de ser um filme perturbador.  Enfim, são 2h12m de um ótimo entretenimento e um cinema de alta qualidade. Mais um gol de placa do excelente cinema sul-coreano. IMPERDÍVEL!      


Desde que estreou como ator no cinema em 1981 no filme “Best of Times”, ainda com o nome de Nicolas Coppola (ele é sobrinho do famoso diretor), Nicolas Cage, hoje com 55 anos de idade, já atuou em 103 filmes, sendo um dos astros mais famosos de Hollywood. Até ganhou um Oscar de Melhor Ator, em 1996, em “Despedida em Las Vegas”. Em termos de qualidade, porém, a carreira de Cage sempre teve altos e baixos. Nos últimos anos, mais baixos do que altos. Seu mais recente filme, “CORRENDO COM O DIABO” (“RUNNING WITH THE DEVIL”), 2019, ainda sem data para estrear por aqui, também está longe de merecer elogios. Pelo menos da minha parte. Nele, Cage é dos traficantes associados ao “The Boss” (Barry Paper), codinome do chefão que comanda um poderoso cartel de drogas a partir do Canadá. “The Cook” é o codinome de Cage, pois é dono e pizzaiolo de uma pizzaria (lavagem de dinheiro, claro) em Illinois. Outro membro da quadrilha é “The Man” (Lawrence Fishburne), um irresponsável que mistura sua droga para sobrar um tanto para uso próprio. Quando ocorrem várias mortes por overdose causadas justamente pelas mercadorias do cartel, “The Boss” fica desconfiado de que estão roubando sua cocaína e misturando o resto com outras drogas. “The Cook” e “The Man” são encarregados de investigar quem está estragando o negócio. Ao mesmo tempo, agentes do DEA (Departamento Antidrogas dos Estados Unidos) estão atrás desse cartel, principalmente depois que a irmã de uma de suas agentes (Leslie Bibb) morre de overdose. O mais interessante desse filme é a descrição detalhada do caminho que a cocaína percorre desde sua produção na Bolívia, passando pela Colômbia, México e vários estados norte-americanos até chegar ao Canadá. O produtor boliviano da coca recebe 1.600 dólares por quilo. Quando chega ao Canadá, o quilo da droga já está valendo nada mais nada menos do que U$ 40 mil!!! Este é o primeiro filme escrito e dirigido por Jason Cabell. Para escrever o roteiro, Cabell recorreu à sua própria experiência como combatente da força especial Navy Seals, grupo de elite da Marinha dos EUA. Resumo da ópera: ainda não foi dessa vez, Cage...      

terça-feira, 12 de novembro de 2019


“MUNDOS OPOSTOS” (“ENAS ALLOS KOSMOS”), 2015, Grécia, 1h53m, segundo longa-metragem escrito e dirigido por Christoforos Papakaliatis, que também atua no filme. Trata-se de uma ode a Eros (deus do amor na mitologia grega). São três histórias de amor, todas ambientadas em Atenas, desenvolvidas cada qual em uma conjuntura diferente. Na primeira, um imigrante ilegal sírio salva uma jovem grega de ser estuprada e acabam se apaixonando, sendo que o pai dela é um fascista e xenófobo radical, que comanda uma milícia que sai à noite espancando imigrantes. O segundo capítulo reúne um sujeito casado que conhece uma executiva de RH sueca que viaja para Atenas para promover mudanças drásticas numa empresa, incluindo o enxugamento do seu quadro de funcionários. Eles se apaixonam, mesmo que o destino lhes reserve uma surpresa bastante desagradável. Na terceira história, o amor reúne duas pessoas da terceira idade, um professor de história aposentado e uma dona de casa infeliz no casamento. Em todas as histórias, portanto, uma coincidência fica evidenciada: o amor é capaz de unir pessoas de “mundos opostos”, já que cada casal é formado por um grego – ou grega – e a outra pessoa de fora do país. No desfecho, os personagens dos três capítulos estarão interligados de alguma forma, mais um trunfo do primoroso roteiro. Como pano de fundo, o diretor Papakaliatis explora temas muito mais sérios, como a crise econômica mundial - em especial na Grécia -, a aparente falência do capitalismo, a situação política da Europa e ainda a questão do desemprego e dos refugiados. Com um certo exagero, o filme decreta que Eros (o Amor) pode ser a solução de todos esses problemas. E dá-lhe mitologia grega. Na primeira história estão Farris (Tawfeek Barhom), Daphne (Niki Vakali) e Antonis, o pai fascista (Minas Hatziavvas). Na segunda, Giorgos (o diretor Papakaliatis) e Elise (a bela atriz húngara Andrea Osvárti). E finalmente, no terceiro capítulo, estão Maria (Maria Kavoyianni, em atuação espetacular) e Sebastian (o ator norte-americano J.K. Simmons). Embora tenha sido recebido com desdém pela crítica especializada, eu achei o filme muito bom, sensível, sério e comovente. Cinema grego da melhor qualidade.

segunda-feira, 11 de novembro de 2019


“PERSEGUIDO PELO DESTINO” (“LE FIDÈLE”), 2017, Bélgica, 2h10m, roteiro e direção de Michaël R. Roskam (indicado ao Oscar 2012 de Melhor Filme Estrangeiro por “Rundskop”). Estreou no Festival de Veneza em setembro de 2017. Ação e romance são os dois principais ingredientes deste excelente policial belga, estrelado por Matthias Schoenaerts (“Ferrugem e Osso”) e Adèle Exarchopoulos (“Azul é a Cor mais Quente”). O belga Shoenaerts faz o papel de Gigi Vanoirbeek, um marginal metido a playboy que vive de assaltos com sua gangue, formada por amigos que, juntamente com ele, passaram a juventude em reformatórios destinados a jovens delinquentes. Com seu charme e alguns amigos importantes, Gigi frequentava a alta sociedade de Bruxelas. No camarote de um autódromo, ele conheceu a pilota de corridas Bibi Delhany (Adèle), filha de um rico empresário. Como era previsível, Gigi e Bibi se apaixonam e iniciam um ardente romance. Como fachada, Gigi dizia que tinha negócios com importação e exportação de veículos. Enquanto Bibi seguia com seus treinos e competições, Gigi continuava assaltando, agora bancos e carros-forte. O romance sofreria um forte abalo quando Gigi e sua gangue caem nas mãos da polícia belga. Um escândalo e tanto, afetando de forma trágica a vida de Bibi. Será que o seu amor por Gigi sobreviverá depois de tudo isso? Você encontrará a resposta no final, aliás, um surpreendente e triste final. O filme é muito bom, vale cada minuto de sua longa duração. Por sua atuação, o ator belga Schoenaerts firma-se como o novo astro bonitão do cinema europeu. E a jovem francesa Adèle também comprova que é uma ótima atriz, garantindo um lugar de destaque entre as melhores do cinema francês. Enfim, “Perseguido pelo Destino” é excelente. Não perca!  

domingo, 10 de novembro de 2019


Confesso que fiquei em dúvida se assistia ou não à comédia mexicana “ESCOLA DE SOLTEIRAS” (“SOLTERAS”). A princípio, estava descartando-a já pelo título e, ao mesmo tempo, pela sinopse: mulheres desesperadas à procura de um marido procuram a a tal escola. Para minha surpresa, a comédia é ótima. Dei muitas e boas risadas, me diverti muito. Trata-se de uma produção da Netflix que estreou mundialmente no dia 7 de junho de 2019. A história é toda centrada em Ana (Cassandra Ciangherotti), que, já passando dos 30, via quase todas as suas amigas se casarem – inclusive sua irmã gordinha - e ela continuava encalhada, pois Gabriel (Pablo Cruz), seu namorado há sete anos, não se decidia. Quando ela colocou Gabriel na parede, ele pulou fora. Uma de suas amigas, Tamara, feia de doer, conseguiu casar com um cara bonitão. Ana resolveu perguntar a ela como conseguiu fisgar o marido. Tamara deu a dica: uma Escola de Solteiras. Ana se inscreveu e começou a frequentar o curso. Daí para a frente, muitas confusões acontecem na vida da desesperada Ana, até que um dia chove na sua horta: aparece o simpático e bonitão Diego (Juan Pablo Medina). Pronto, agora é convencê-lo a levá-la ao altar, tarefa que não será nada fácil. A atriz Cassandra Ciangherotti, que eu não conhecia, é uma excelente comediante. Ela leva o filme nas costas. Graças a ela e ao trabalho do roteirista e diretor Luis Javier Henaine, o filme faz rir o tempo todo, numa sucessão de cenas hilariantes. Diversão garantida!

sexta-feira, 8 de novembro de 2019


“UM HOMEM FIEL” (“L’HOMME FIDÈLE”), 2018, França, 1h15m, comédia romântica dirigida por Louis Garrel, que também assina o roteiro juntamente com Jean-Claude Carrière. Louis, aliás, atua na pele do personagem principal da história, Abel, jovem jornalista que vive um romance com Marianne (Laetítia Casta, esposa de Garrel na vida real). Ao surpreender Abel dizendo que está grávida, Marianne confessa também que tem um caso com Paul, um amigo de ambos desde os tempos da faculdade. Mesmo chocado com as duas notícias, Abel pergunta a Marianne se ele é o pai. Mais uma surpresa: ela diz que tem certeza que o filho é de Paul. Diante de tanta notícia ruim, Abel arruma as malas e se manda para outra freguesia. Nove anos depois, Paul morre prematuramente e Abel vai ao enterro. Depois disso, Abel passa a assediar Marianne, tentando reatar o antigo romance. Ele, porém, terá de enfrentar a discordância de Joseph (Joseph Engel), filho de Marianne com Paul, que não aceita dividir a mãe com ninguém. As maquinações do menino para afastar Abel são hilariantes. Além disso, Ève (Lily-Rose Depp, filha do ator norte-americano Johnny Depp e da atriz e cantora francesa Vanessa Paradis), a irmã caçula do falecido, se declara a Abel, afirmando amá-lo há muito tempo. Dividido entre as duas, Abel continuará demonstrando sua habitual insegurança afetiva e por aí vai essa história bastante sensível e bem-humorada. É um filme de relacionamentos e de romances complicados, com personagens carentes de afetividade.  O filme é a cara do excelente cinema francês que acostumamos a admirar e curtir há muitos anos. Para mim, não foi nenhuma surpresa a qualidade de “Um Homem Fiel”, lembrando que Louis Garrel entende muito de cinema, apesar deste ser seu segundo longa-metragem como diretor. Com apenas 36 anos de idade, Garrel é mais conhecido como ator de mais de 40 filmes, alguns deles de muito destaque, como foi o caso de “Os Sonhadores”, dirigido por Bernardo Bertolucci, e o recente “A Bela Junie”. Louis teve um professor e tanto: seu pai, o consagrado e veterano cineasta francês Philippe Garrel. “Um Homem Fiel” foi uma das atrações da programação oficial do Festival Varilux de Cinema Francês, realizado em vários estados brasileiros em junho de 2019. Resumo da ópera: o filme é excelente, não perca!   

quarta-feira, 6 de novembro de 2019


Depois de tantos anos sem fazer um filme bom, Eddie Murphy acaba de protagonizar um filme simplesmente espetacular: “MEU NOME É DOLEMITE” (“DOLEMITE IS MY NAME”), produção da Netflix que estreou mundialmente em setembro de 2019. Fiquei tão entusiasmado com o filme e a atuação de Murphy que, quando terminou, depois de quase duas horas de duração, eu queria que continuasse. Quando terminou, também achei que está aí um filme que merece várias indicações ao Oscar 2020. E não é que um monte de críticos profissionais também achou o que eu achei? Vamos à história. Eddie Murphy faz o papel de Ruby Ray Moore, que nos anos 70 do século passado fez um grande sucesso nos Estados Unidos. Vendedor de discos numa loja durante o dia, à noite Moore fazia stand-up em espeluncas de Los Angeles, sendo ignorado pelo público. Para aumentar seu repertório, ele se inspirava em histórias contadas por velhos moradores de rua. Um deles citou um tal de Dolemite, que muitos anos atrás andava pela cidade contando piadas pornográficas e com muitos palavrões. A partir daí, Moore resolver incorporar o personagem Dolemite, incrementando suas piadas e músicas com obscenidades, palavrões e rimas de duplo sentido. Tudo do pior politicamente incorreto. O público adorou. Foi a “deixa” para Moore partir para a gravação de discos com suas músicas e piadas repletas de palavrões. Sucesso total, começou a vender como água. Claro, o ego de Moore inflou tanto a ponto de querer fazer um filme. Aqui começa a segunda parte - a mais engraçada - de “Meu Nome é Dolemite”. Estamos em 1975 e Moore reúne seus amigos mais fiéis, mais alguns estudantes de cinema, todos sem nenhuma experiência, e partem para a produção do filme. Os fatos que dão sequência à história são um deleite total para quem gosta de cinema, culminando num filme sensacional, talvez a grande surpresa do cinema do Tio Sam neste século. Desde a deliciosa trilha sonora, com o balanço vibrante da soul-music dos anos 70, aos impecáveis e criativos figurinos com a assinatura de Ruth E. Carter, vencedora do Oscar 2019 pelo seu trabalho em “Pantera Negra”, o elenco maravilhoso comandado por Eddie Murphy, que conta ainda com a espetacular Da’Vine Joy Randolph, que arrasa na pele da gorda sensual Lady Reed, um afetado e meio gay Wesley Snipes como o diretor D’Urville Martin (conquistou o cargo por ter aparecido numa ponta de “O Bebê de Rosemary”), além de Chris Rock, Mike Epps, Craig Robinson e tantos outros. Fazia tempo que eu não ficava tão entusiasmado com um filme norte-americano. Para se ter ideia de quanto o filme é bom, basta dizer que recebeu a avaliação de 97% do criterioso e rigoroso site de cinema Rotten Tomatoes. Não posso esquecer de destacar a direção do cineasta Craig Brewer e dos roteiristas Larry Karszewski e Scott Alexander, uns gênios. Enfim, “Meu Nome é Dolemite” recuperou não apenas o cinema norte-americano, mas também o ator Eddie Murphy, que não fazia um filme tão bom há tantos anos. Ah, durante os créditos finais o filme apresenta cenas do verdadeiro Ruby Ray Moore. Comovente e divertido, enfim um grande filme que merece ser aplaudido de pé. Três vezes Imperdível, Imperdível e Imperdível!            

terça-feira, 5 de novembro de 2019


Quer uma ótima dica de comédia? Anote aí: “DOIS BILHETES DE LOTERIA” (“DOUÃ LOZURI”), 2017, Romênia, 1h26m, roteiro e direção de Paul Negoescu. O filme conta a história de três amigos inseparáveis que vivem numa pequena cidade do interior da Romênia. Os três estão sempre duros e um dia resolvem fazer uma “vaquinha” para comprar um bilhete de loteria cujo prêmio está acumulado em 6 milhões de euros. E ganham. Até o dia de receber a bolada, o bilhete fica sob a guarda de Dinel (Dorian Boguta). Só que no dia seguinte, quando Dinel saía do prédio onde mora, acabou assaltado por dois pilantras, que levaram sua pochete. Dinel conta o que aconteceu para os amigos Sile (Dragos Bocur) e Pompiliu (Alexandru Papadopol). Ninguém ligou muito para o ocorrido. Afinal, estavam milionários e não se importariam com o roubo de uma simples pochete. Só que não contavam com um detalhe. Segundo Dinel, o bilhete estava dentro da pochete. E agora? Claro, o negócio agora é ir atrás de pistas que os levem aos ladrões. A partir daí, acontecem as mais hilariantes situações, principalmente porque os três amigos são muito atrapalhados. O jovem cineasta Paul Negoescu, de apenas 35 anos, mais conhecido como diretor de curtas, acertou em cheio neste que é o seu segundo longa-metragem. Seu maior trunfo foi, sem dúvida, contar com três atores realmente engraçados. Em tempos sinistros que vivemos neste nosso Brasil varonil, nada como um filme divertido como “Dois Bilhetes de Loteria”. Imperdível!
           

domingo, 3 de novembro de 2019


“MISSÃO NO MAR VERMELHO” (“The Red Sea Diving Resort”), EUA, produção da Netflix (estreia mundial aconteceu no dia 31 de julho de 2019), 2h10m, roteiro e direção do cineasta Gideon Raff. Baseado em fatos reais, o filme conta a história de mais um feito heroico de agentes do MOSSAD (Agência de Inteligência de Israel). Em 1977, um grupo desses agentes secretos conseguiu resgatar e dar fuga a centenas de refugiados da Etiópia, a maioria judeus, e depois levá-los para Israel. Para isso, tiveram que atravessar o Sudão, na época em plena guerra civil e religiosa. A estratégia de fuga incluiu a compra de um hotel abandonado, o “The Red Sea Diving Resort”, localizado no litoral do Sudão, às margens do Mar Vermelho, utilizando-o como local estratégico para a fuga dos refugiados, levados de barcos até um navio que depois os transportaria para Israel. O agente Ari Levinson (Chris Evans, o Capitão América), que se disfarçava de antropólogo nas suas missões na África, chefiava o grupo encarregado de salvar os etíopes. Suspense de tirar o fôlego e cenas de muita tensão fornecem a esta produção da Netflix os ingredientes necessários para recomendar “Missão no Mar Vermelho”, além, é claro, do heroico fato histórico (confesso que não me lembrava de ter lido algo a respeito). Além de Chris Evans, completam o ótimo elenco Haley Bennett, Alessandro Nivola, Ben Kinsley, Greg Kinnear, Alex Hassell, Michael k. Williams e Chris Chalk (ótimo como o violento Coronel Abdel Ahmed, perseguidor implacável dos refugiados). “Missão no Mar Vermelho” é o terceiro longa-metragem escrito e dirigido pelo cineasta israelense Gideon Raff, que atualmente finaliza o drama “Turn of Mind”, com Michelle Pfeiffer e Annette Bening.  

sábado, 2 de novembro de 2019


“ASSALTO!” (“ATRACO!”), 2012, coprodução Argentina/Espanha, 112 minutos, direção de Eduard Cortés, que também assina o roteiro com Piti Espanhol e Marcelo Figueras. Trata-se de um misto de policial noir com comédia, cuja história apresenta um lado ficcional e outro baseado em fatos reais. A trama é toda ambientada em 1955, quando o general Juan Domingo Peron, ex-presidente da Argentina, estava exilado no Panamá. Um de seus principais assessores, Landa (Daniel Fanego), fica encarregado de arrecadar recursos financeiros para bancar o exílio do general na Espanha. Sem Peron saber, ele simplesmente resolve penhorar as valiosas jóias de Evita Perón na joalheria mais famosa da Espanha, em Madrid. O negócio ficou no maior segredo, pois nem os funcionários ficaram sabendo. Até que um dia a esposa do Generalíssimo Franco, Carmen Polo, vai até a joalheria e fica encantada com as jóias de Evita apresentadas por um desavisado funcionário. Carmen pede que as reserve e que voltaria logo depois para comprá-las. É aí que a coisa complica. Landa, em cumplicidade com o proprietário da joalheria, resolve planejar um assalto para recuperar as jóias e não deixá-las cair nas mãos da primeira-dama espanhola. Para isso, convoca dois fanáticos peronistas, Merello (Guillermo Francella), ex-segurança de Perón, e o jovem e inexperiente Miguel (Nicolás Cabré), um pretendente a ator que imita Carlitos. As trapalhadas da dupla dão um toque especial de humor, além das situações que envolvem o planejamento e a execução do assalto. Para complicar ainda mais, Miguel se apaixona pela enfermeira Teresa (Amaia Salamanca, a atriz mais bonita do atual cinema espanhol). Será que a dupla conseguirá recuperar as jóias de Evita? Consiga a resposta assistindo a este ótimo e divertido filme, que infelizmente não foi exibido por aqui no circuito comercial. Uma pena. Não perca!    
           

quinta-feira, 31 de outubro de 2019


“STAN E OLLIE – O GORDO E O MAGRO” (“STAN & OLLIE”), 2018, Inglaterra, 1h39m, direção do escocês Jon S. Baird, com roteiro de Jeffe Pope (do premiado “Philomena”). Quem tem um pouco mais de idade e curtiu os tempos áureos do cinema conheceu muito bem “O Gordo e o Magro”, dupla de comediantes que participou de mais de 100 filmes em Hollywood que foram sucesso no mundo inteiro. Mas quem conhece Oliver Hardy e Stan Laurel? “Stan & Ollie” se propõe a dar essa resposta, apresentando o retrato íntimo dos atores e suas personalidades, além da forte amizade que os unia há tantos anos. Prepare-se para se divertir, se comover e se emocionar. O filme começa em 1937, quando a dupla de comediantes estava no auge do estrelato – eles reinaram em Hollywood e fizeram milhões de fãs no mundo inteiro entre as décadas de 20 e 30 do século passado. Devido a uma desavença que envolveu o famoso produtor Hal Roach (Danny Huston), que os acompanhava desde o início da carreira, Oliver Hardy (John C. Reilly), o “Gordo”, e Stan Laurel (Steve Coogan), o “Magro”, acabaram se separando. Somente muitos anos depois, em 1953, voltariam a atuar juntos. Sem dinheiro e em plena decadência artística, eles foram contratados para uma turnê por países da Grã-Bretanha, primeiramente Irlanda e Escócia, atuando em teatros decadentes e com pouco público, para terminar com um “gran finale” em Londres. A promessa dos empresários que os reuniram era a de produzir um filme para relançar a dupla caso a turnê fosse um sucesso. Nessa fase, entram em cena as esposas Lucille Hardy (Shirley Henderson) e Ida Kitaeva Laurel (Nina Arianda), que sempre tiveram papel importante na carreira dos seus maridos. A relação pessoal entre as duas dependia dos humores dos seus companheiros. Se eles brigavam, elas também brigavam. Hardy, o Gordo, aceitava que Laurel, o Magro, escrevesse os esquetes e os diálogos. Laurel era o cérebro da dupla, o que perdurou até a morte de Hardy, fato que determina o desfecho do filme. O desempenho de John C. Reilly e Steve Coogan é sensacional. Eles captaram com perfeição os trejeitos dos personagens que representam. Chega a ficar difícil distinguir eles dos verdadeiros. A maquiagem de Reilly, que demorava três horas a cada dia de gravação, é mais um destaque dessa maravilhosa produção inglesa. Os dois atores, aliás, foram premiados em vários festivais, Reilly, por exemplo, com o Globo de Ouro/2019 como Melhor Ator de Comédia e Coogan com o BAFTA (Academia Britânica de Cinema e Televisão). Na verdade, se houvesse justiça, ambos teriam que receber o Oscar. Mas, como dizia Geraldo Vandré, a vida não é só feita de festivais. Resumo da ópera: “Stan & Ollie” é simplesmente espetacular, comove e diverte, garantindo um ótimo entretenimento. Espere os créditos finais e se divirta ainda mais. IMPERDÍVEL IMPERDÍVEL em dobro!             

quarta-feira, 30 de outubro de 2019


“VOX LUX: O PREÇO DA FAMA” (“VOX LUX”), 2018, EUA, 1h50m, segundo longa-metragem escrito e dirigido por Brady Corbet. A história começa em 1999, quando acontece uma terrível tragédia na classe do ensino fundamental de um colégio. A jovem Celeste (Raffey Cassidy) é uma das únicas sobreviventes. Sofre sequelas físicas e psicológicos, mas ganha notoriedade na mídia, o que alavanca sua carreira como cantora e compositora. Nessa atividade, ela ganha um empresário e protetor (Jude Law), que ainda a acompanhará por muitos anos. Celeste cresce e se transforma numa superstar da música pop. Nessa fase adulta, Celeste (agora interpretada por Natalie Portman) passa a ter um comportamento insuportável, se achando o máximo dos máximos, egocêntrica ao extremo e, pior, uma mulher amarga e, para coroar, alcoólatra. Além disso, nunca se dedicou como devia à sua filha adolescente Albertine (a mesma Raffey Cassidy que interpretou Celeste jovem). Grande parte da segunda metade do filme é dedicada justamente ao relacionamento entre mãe e filha, ambas tentando recuperar o tempo perdido. Muito também da segunda metade acaba virando um musical, com shows ao vivo de Celeste, muitas coreografias e inúmeros figurantes, provando a condição de Celeste como uma diva do pop. Não há muito mais o que se falar sobre “Vox Lux” (traduzido do latim, “A Voz da Luz”), apenas destacar o trabalho de Natalie Portman, uma atriz que se firmou no cenário cinematográfico de Hollywood depois de conquistar o Oscar de Melhor Atriz em 2010 pelo filme “Cisne Negro”. Há muito tempo que acompanho a trajetória de Portman, nascida em Israel e radicada nos Estados Unidos, desde que fez seu primeiro filme, “O Profissional”, de 1994, quando tinha apenas 13 anos. Também merece destaque o trabalho do diretor Brady Corbet em seu segundo longa-metragem. O primeiro, “A Infância de um Líder”, de 2015, foi premiado no Festival de Cinema de Veneza. Até então, Corbet era mais conhecido como ator de filmes como “Violência Gratuita”, “Melancolia” e “Acima das Nuvens”, entre outros. “Vox Lux” soa pretensioso demais, tem momentos de muito tédio e diálogos com a profundidade de um pires, tudo isso acompanhado da narração de Willen Dafoe, que me fez lembrar os filmes insuportáveis do insuportável diretor norte-americano Terrence Malick. Concluindo, “Vox Lux” é o tipo de filme que pode agradar ou desagradar. A mim, desagradou.       

segunda-feira, 28 de outubro de 2019


“YESTERDAY”, 2019, Inglaterra, 1h57m, direção de Danny Boyle, com roteiro assinado por Richard Curtis. Misto de musical, fantasia e comédia romântica, o filme é, na verdade, uma sensível e emocionante homenagem aos The Beatles. Só a deliciosa trilha sonora vale o ingresso. Mas vamos à história. Jack Malik (Himesh Patel) é um jovem músico filho de imigrantes indianos que ganha um dinheirinho se apresentando em espeluncas da periferia de Londres. A amiga de infância Ellie Appleton (Lily James) é a sua devotada empresária - e talvez única fã. Sem propostas de trabalho, Malik está quase desistindo de seguir carreira como músico quando acontecem dois fatos que transformarão completamente a sua vida. Ele é atropelado por um caminhão e, ao mesmo tempo, ocorre no mundo inteiro um apagão de 12 segundos. Malik se recupera bem do acidente e, logo depois, encontra seus amigos para comemorar seu restabelecimento. Quando lhe pedem para cantar uma música, ele ataca de “Yesterday”. Ninguém tinha ouvido a canção. Chocado, ele diz que foi composta por Paul McCartney, do The Beatles. Ninguém conhecia. Todos acharam que a música tinha sido feita mesmo por Malik. E assim segue a história, Malik se consagrando como grande compositor e dá-lhe maravilhas como “Something”, “Let it Be”, “The Long & Winding Road”, “He Comes the Sun” e tantas outras. Malik vira um sucesso mundial, com direito a um romance mais do que previsível. Mas como é um cara boa gente, ele começa a sentir remorso pela farsa. Sério, dá para imaginar um mundo sem The Beatles? (o apagão também “apagou” do mapa a Coca-Cola e os cigarros). Quem imaginou tamanha fábula foi o veterano roteirista Richard Curtis, que tem no currículo filmes como “Mamma Mia!” e “Quatro Casamentos e um Funeral”. Outro veterano do cinema, o diretor Danny Boyle já tem um Oscar de Melhor Diretor em 2009 pelo excelente “Quem quer ser Milionário?”, além de filmes como “Trainsporting – Sem Limites”, “Steve Jobs” e “127 Horas”. Somando toda essa competência, mais a homenagem aos The Beatles, a trilha sonora e o ótimo elenco, “Yesterday” é uma deliciosa diversão. Uma viagem imperdível!     

domingo, 27 de outubro de 2019


“O OUTRO PAI” (“A Pesar de Todo”), 1h18m, comédia espanhola com produção da Netflix - lançamento mundial aconteceu dia 3 de maio de 2019, direção de Gabriela Tagliavini, que também assina o roteiro juntamente com Eugene B. Rhee e Helena Rhee. Vamos à sinopse: quatro irmãs que não se viam há anos reencontram-se para o velório e enterro da mãe. Na hora de ouvirem o testamento deixado pela falecida – o pai está completamente gagá, fora de sintonia -, as irmãs assistem a um vídeo da mãe com uma revelação surpreendente e chocante: o pai que as criou não é o biológico. Cada uma delas é filha de um pai diferente. Ou seja, a falecida pulou várias cercas. No vídeo, ela fornece várias pistas para que as filhas encontrem seus verdadeiros pais biológicos. Elas viajam por várias cidades da Espanha e finalmente conseguem encontrá-los, mas não será exatamente o que esperavam. Só para citar um exemplo, tem até um padre no meio. Até que a comédia tem momentos bastante engraçados, mas seu trunfo maior é o elenco de atrizes, principalmente o quarteto formado pelas irmãs, representadas pelas mais lindas e competentes atrizes do cinema espanhol: Blanca Suárez, Amaia Salamanca, Macarena Garcia e Belén Cuesta. Um quarteto pra lá de fantástico. O elenco ainda conta com as veteranas Marisa Paredes e Rossy de Palma, além de Carlos Bardem, o irmão mais velho do ator Javier Bardem. Mais uma razão do sucesso dessa comédia é a competência da diretora argentina Gabriela Tavigliaini, também conhecida por ter dirigido outras duas boas comédias: “Cómo Cortar a Tu Patán”, de 2017, e “Cadê os Homens?”, de 2011. Ele ainda teve sua experiência em Hollywood, em 2013, quando dirigiu Sharon Stone em “A Fronteira”, um filme de ação e suspense. “O Outro Pai” é um filme bastante alegre e divertido. Vale a pena.