Depois de tantos anos sem
fazer um filme bom, Eddie Murphy acaba de protagonizar um filme simplesmente espetacular:
“MEU NOME É DOLEMITE” (“DOLEMITE IS MY NAME”), produção da Netflix que
estreou mundialmente em setembro de 2019. Fiquei tão entusiasmado com o filme e
a atuação de Murphy que, quando terminou, depois de quase duas horas de
duração, eu queria que continuasse. Quando terminou, também achei que está aí
um filme que merece várias indicações ao Oscar 2020. E não é que um monte de
críticos profissionais também achou o que eu achei? Vamos à história. Eddie
Murphy faz o papel de Ruby Ray Moore, que nos anos 70 do século passado fez um
grande sucesso nos Estados Unidos. Vendedor de discos numa loja durante o dia,
à noite Moore fazia stand-up em espeluncas de Los Angeles, sendo
ignorado pelo público. Para aumentar seu repertório, ele se inspirava em
histórias contadas por velhos moradores de rua. Um deles citou um tal de Dolemite,
que muitos anos atrás andava pela cidade contando piadas pornográficas e com
muitos palavrões. A partir daí, Moore resolver incorporar o personagem
Dolemite, incrementando suas piadas e músicas com obscenidades, palavrões e
rimas de duplo sentido. Tudo do pior politicamente incorreto. O público adorou. Foi
a “deixa” para Moore partir para a gravação de discos com suas músicas e piadas
repletas de palavrões. Sucesso total, começou a vender como água. Claro, o ego
de Moore inflou tanto a ponto de querer fazer um filme. Aqui começa a segunda
parte - a mais engraçada - de “Meu Nome é Dolemite”. Estamos em 1975 e Moore reúne seus amigos mais
fiéis, mais alguns estudantes de cinema, todos sem nenhuma experiência, e partem para a
produção do filme. Os fatos que dão sequência à história são um deleite total
para quem gosta de cinema, culminando num filme sensacional, talvez a grande
surpresa do cinema do Tio Sam neste século. Desde a deliciosa trilha sonora, com
o balanço vibrante da soul-music dos anos 70, aos impecáveis e criativos
figurinos com a assinatura de Ruth E. Carter, vencedora do Oscar 2019 pelo seu
trabalho em “Pantera Negra”, o elenco maravilhoso comandado por Eddie Murphy,
que conta ainda com a espetacular Da’Vine Joy Randolph, que arrasa na pele da
gorda sensual Lady Reed, um afetado e meio gay Wesley Snipes como o diretor D’Urville
Martin (conquistou o cargo por ter aparecido numa ponta de “O Bebê de Rosemary”),
além de Chris Rock, Mike Epps, Craig Robinson e tantos outros. Fazia tempo que
eu não ficava tão entusiasmado com um filme norte-americano. Para se ter
ideia de quanto o filme é bom, basta dizer que recebeu a avaliação de 97% do criterioso
e rigoroso site de cinema Rotten Tomatoes. Não posso esquecer de destacar a
direção do cineasta Craig Brewer e dos roteiristas Larry Karszewski e Scott
Alexander, uns gênios. Enfim, “Meu Nome é Dolemite” recuperou não apenas o cinema
norte-americano, mas também o ator Eddie Murphy, que não fazia um filme tão bom
há tantos anos. Ah, durante os créditos finais o filme apresenta cenas do verdadeiro
Ruby Ray Moore. Comovente e divertido, enfim um grande filme que merece ser
aplaudido de pé. Três vezes Imperdível, Imperdível e Imperdível!
quarta-feira, 6 de novembro de 2019
terça-feira, 5 de novembro de 2019
Quer uma ótima dica de
comédia? Anote aí: “DOIS BILHETES DE LOTERIA” (“DOUÃ LOZURI”),
2017, Romênia, 1h26m, roteiro e direção de Paul Negoescu. O filme conta a
história de três amigos inseparáveis que vivem numa pequena cidade do interior
da Romênia. Os três estão sempre duros e um dia resolvem fazer uma “vaquinha” para comprar um
bilhete de loteria cujo prêmio está acumulado em 6 milhões de euros. E ganham. Até
o dia de receber a bolada, o bilhete fica sob a guarda de Dinel (Dorian
Boguta). Só que no dia seguinte, quando Dinel saía do prédio onde mora, acabou assaltado
por dois pilantras, que levaram sua pochete. Dinel conta o que aconteceu para
os amigos Sile (Dragos Bocur) e Pompiliu (Alexandru Papadopol). Ninguém ligou
muito para o ocorrido. Afinal, estavam milionários e não se importariam com o
roubo de uma simples pochete. Só que não contavam com um detalhe. Segundo Dinel,
o bilhete estava dentro da pochete. E agora? Claro, o negócio agora é ir atrás
de pistas que os levem aos ladrões. A partir daí, acontecem as mais hilariantes
situações, principalmente porque os três amigos são muito atrapalhados. O jovem cineasta Paul Negoescu, de
apenas 35 anos, mais conhecido como diretor de curtas, acertou em cheio neste
que é o seu segundo longa-metragem. Seu maior trunfo foi, sem dúvida, contar
com três atores realmente engraçados. Em tempos sinistros que vivemos neste
nosso Brasil varonil, nada como um filme divertido como “Dois Bilhetes de
Loteria”. Imperdível!
domingo, 3 de novembro de 2019
“MISSÃO NO MAR VERMELHO” (“The
Red Sea Diving Resort”), EUA, produção da Netflix (estreia mundial
aconteceu no dia 31 de julho de 2019), 2h10m, roteiro e direção do cineasta Gideon
Raff. Baseado em fatos reais, o filme conta a história de mais um feito heroico
de agentes do MOSSAD (Agência de Inteligência de Israel). Em 1977, um grupo desses
agentes secretos conseguiu resgatar e dar fuga a centenas de refugiados da
Etiópia, a maioria judeus, e depois levá-los para Israel. Para isso, tiveram
que atravessar o Sudão, na época em plena guerra civil e religiosa. A
estratégia de fuga incluiu a compra de um hotel abandonado, o “The Red Sea
Diving Resort”, localizado no litoral do Sudão, às margens do Mar Vermelho, utilizando-o
como local estratégico para a fuga dos refugiados, levados de barcos até um
navio que depois os transportaria para Israel. O agente Ari Levinson (Chris Evans,
o Capitão América), que se disfarçava de antropólogo nas suas missões na
África, chefiava o grupo encarregado de salvar os etíopes. Suspense de tirar o
fôlego e cenas de muita tensão fornecem a esta produção da Netflix os
ingredientes necessários para recomendar “Missão no Mar Vermelho”, além, é
claro, do heroico fato histórico (confesso que não me lembrava de ter lido algo a
respeito). Além de Chris Evans, completam o ótimo elenco Haley Bennett, Alessandro
Nivola, Ben Kinsley, Greg Kinnear, Alex Hassell, Michael k. Williams e Chris
Chalk (ótimo como o violento Coronel Abdel Ahmed, perseguidor implacável dos
refugiados). “Missão no Mar Vermelho” é o terceiro longa-metragem escrito e
dirigido pelo cineasta israelense Gideon Raff, que atualmente finaliza o drama “Turn
of Mind”, com Michelle Pfeiffer e Annette Bening.
sábado, 2 de novembro de 2019
“ASSALTO!” (“ATRACO!”), 2012,
coprodução Argentina/Espanha, 112 minutos, direção de Eduard Cortés, que também
assina o roteiro com Piti Espanhol e Marcelo Figueras. Trata-se de um misto de
policial noir com comédia, cuja história apresenta um lado ficcional e
outro baseado em fatos reais. A trama é toda ambientada em 1955, quando o
general Juan Domingo Peron, ex-presidente da Argentina, estava exilado no
Panamá. Um de seus principais assessores, Landa (Daniel Fanego), fica encarregado
de arrecadar recursos financeiros para bancar o exílio do general na Espanha.
Sem Peron saber, ele simplesmente resolve penhorar as valiosas jóias de Evita Perón na joalheria mais
famosa da Espanha, em Madrid. O negócio ficou no maior segredo, pois nem os
funcionários ficaram sabendo. Até que um dia a esposa do Generalíssimo Franco,
Carmen Polo, vai até a joalheria e fica encantada com as jóias de Evita
apresentadas por um desavisado funcionário. Carmen pede que as reserve e que
voltaria logo depois para comprá-las. É aí que a coisa complica. Landa, em
cumplicidade com o proprietário da joalheria, resolve planejar um assalto para
recuperar as jóias e não deixá-las cair nas mãos da primeira-dama espanhola.
Para isso, convoca dois fanáticos peronistas, Merello (Guillermo Francella),
ex-segurança de Perón, e o jovem e inexperiente Miguel (Nicolás Cabré), um
pretendente a ator que imita Carlitos. As trapalhadas da dupla dão um toque
especial de humor, além das situações que envolvem o planejamento e a execução
do assalto. Para complicar ainda mais, Miguel se apaixona pela enfermeira
Teresa (Amaia Salamanca, a atriz mais bonita do atual cinema espanhol). Será
que a dupla conseguirá recuperar as jóias de Evita? Consiga a resposta
assistindo a este ótimo e divertido filme, que infelizmente não foi exibido por
aqui no circuito comercial. Uma pena. Não perca!
quinta-feira, 31 de outubro de 2019
“STAN E OLLIE – O GORDO E O
MAGRO” (“STAN & OLLIE”), 2018, Inglaterra, 1h39m,
direção do escocês Jon S. Baird, com roteiro de Jeffe Pope (do premiado “Philomena”).
Quem tem um pouco mais de idade e curtiu os tempos áureos do cinema conheceu
muito bem “O Gordo e o Magro”, dupla de comediantes que participou de mais de
100 filmes em Hollywood que foram sucesso no mundo inteiro. Mas quem conhece
Oliver Hardy e Stan Laurel? “Stan & Ollie” se propõe a dar essa resposta,
apresentando o retrato íntimo dos atores e suas personalidades, além da forte
amizade que os unia há tantos anos. Prepare-se para se divertir, se comover e
se emocionar. O filme começa em 1937, quando a dupla de comediantes estava no
auge do estrelato – eles reinaram em Hollywood e fizeram milhões de fãs no
mundo inteiro entre as décadas de 20 e 30 do século passado. Devido a uma
desavença que envolveu o famoso produtor Hal Roach (Danny Huston), que os
acompanhava desde o início da carreira, Oliver Hardy (John C. Reilly), o
“Gordo”, e Stan Laurel (Steve Coogan), o “Magro”, acabaram se separando.
Somente muitos anos depois, em 1953, voltariam a atuar juntos. Sem dinheiro e
em plena decadência artística, eles foram contratados para uma turnê por países
da Grã-Bretanha, primeiramente Irlanda e Escócia, atuando em teatros decadentes
e com pouco público, para terminar com um “gran finale” em Londres. A promessa
dos empresários que os reuniram era a de produzir um filme para relançar a
dupla caso a turnê fosse um sucesso. Nessa fase, entram em cena as esposas Lucille
Hardy (Shirley Henderson) e Ida Kitaeva Laurel (Nina Arianda), que sempre
tiveram papel importante na carreira dos seus maridos. A relação pessoal entre
as duas dependia dos humores dos seus companheiros. Se eles brigavam, elas
também brigavam. Hardy, o Gordo, aceitava que Laurel, o Magro, escrevesse os
esquetes e os diálogos. Laurel era o cérebro da dupla, o que perdurou até a
morte de Hardy, fato que determina o desfecho do filme. O desempenho de John C.
Reilly e Steve Coogan é sensacional. Eles captaram com perfeição os trejeitos
dos personagens que representam. Chega a ficar difícil distinguir eles dos
verdadeiros. A maquiagem de Reilly, que demorava três horas a cada dia de
gravação, é mais um destaque dessa maravilhosa produção inglesa. Os dois atores,
aliás, foram premiados em vários festivais, Reilly, por exemplo, com o Globo de
Ouro/2019 como Melhor Ator de Comédia e Coogan com o BAFTA (Academia Britânica
de Cinema e Televisão). Na verdade, se houvesse justiça, ambos teriam que
receber o Oscar. Mas, como dizia Geraldo Vandré, a vida não é só feita de
festivais. Resumo da ópera: “Stan & Ollie” é simplesmente espetacular, comove
e diverte, garantindo um ótimo entretenimento. Espere os créditos finais e se
divirta ainda mais. IMPERDÍVEL IMPERDÍVEL em dobro!
quarta-feira, 30 de outubro de 2019
“VOX LUX: O PREÇO DA FAMA” (“VOX
LUX”), 2018, EUA, 1h50m, segundo longa-metragem escrito e
dirigido por Brady Corbet. A história começa em 1999, quando acontece uma terrível
tragédia na classe do ensino fundamental de um colégio. A jovem Celeste (Raffey
Cassidy) é uma das únicas sobreviventes. Sofre sequelas físicas e psicológicos,
mas ganha notoriedade na mídia, o que alavanca sua carreira como cantora e
compositora. Nessa atividade, ela ganha um empresário e protetor (Jude Law),
que ainda a acompanhará por muitos anos. Celeste cresce e se transforma numa superstar
da música pop. Nessa fase adulta, Celeste (agora interpretada por Natalie
Portman) passa a ter um comportamento insuportável, se achando o máximo dos
máximos, egocêntrica ao extremo e, pior, uma mulher amarga e, para coroar, alcoólatra. Além disso, nunca se
dedicou como devia à sua filha adolescente Albertine (a mesma Raffey Cassidy
que interpretou Celeste jovem). Grande parte da segunda metade do filme é
dedicada justamente ao relacionamento entre mãe e filha, ambas tentando
recuperar o tempo perdido. Muito também da segunda metade acaba virando um
musical, com shows ao vivo de Celeste, muitas coreografias e inúmeros
figurantes, provando a condição de Celeste como uma diva do pop. Não há muito
mais o que se falar sobre “Vox Lux” (traduzido do latim, “A Voz da Luz”),
apenas destacar o trabalho de Natalie Portman, uma atriz que se firmou no cenário
cinematográfico de Hollywood depois de conquistar o Oscar de Melhor Atriz em
2010 pelo filme “Cisne Negro”. Há muito tempo que acompanho a trajetória de
Portman, nascida em Israel e radicada nos Estados Unidos, desde que fez seu
primeiro filme, “O Profissional”, de 1994, quando tinha apenas 13 anos. Também
merece destaque o trabalho do diretor Brady Corbet em seu segundo
longa-metragem. O primeiro, “A Infância de um Líder”, de 2015, foi premiado no
Festival de Cinema de Veneza. Até então, Corbet era mais conhecido como ator de
filmes como “Violência Gratuita”, “Melancolia” e “Acima das Nuvens”, entre outros.
“Vox Lux” soa pretensioso demais, tem momentos de muito tédio e diálogos com a
profundidade de um pires, tudo isso acompanhado da narração de Willen Dafoe, que
me fez lembrar os filmes insuportáveis do insuportável diretor norte-americano
Terrence Malick. Concluindo, “Vox Lux” é o tipo de filme que pode agradar ou
desagradar. A mim, desagradou. segunda-feira, 28 de outubro de 2019
“YESTERDAY”, 2019,
Inglaterra, 1h57m, direção de Danny Boyle, com roteiro assinado por Richard
Curtis. Misto de musical, fantasia e comédia romântica, o filme é, na verdade,
uma sensível e emocionante homenagem aos The Beatles. Só a deliciosa trilha
sonora vale o ingresso. Mas vamos à história. Jack Malik (Himesh Patel) é um
jovem músico filho de imigrantes indianos que ganha um dinheirinho se apresentando
em espeluncas da periferia de Londres. A amiga de infância Ellie Appleton (Lily
James) é a sua devotada empresária - e talvez única fã. Sem propostas de
trabalho, Malik está quase desistindo de seguir carreira como músico quando acontecem
dois fatos que transformarão completamente a sua vida. Ele é atropelado por um
caminhão e, ao mesmo tempo, ocorre no mundo inteiro um apagão de 12 segundos. Malik
se recupera bem do acidente e, logo depois, encontra seus amigos para comemorar
seu restabelecimento. Quando lhe pedem para cantar uma música, ele ataca de “Yesterday”.
Ninguém tinha ouvido a canção. Chocado, ele diz que foi composta por Paul McCartney, do
The Beatles. Ninguém conhecia. Todos acharam que a música tinha sido feita
mesmo por Malik. E assim segue a história, Malik se consagrando como grande
compositor e dá-lhe maravilhas como “Something”, “Let it Be”, “The Long &
Winding Road”, “He Comes the Sun” e tantas outras. Malik vira um sucesso
mundial, com direito a um romance mais do que previsível. Mas como é um cara boa gente, ele começa a sentir remorso pela farsa. Sério, dá para
imaginar um mundo sem The Beatles? (o apagão também “apagou” do mapa a Coca-Cola
e os cigarros). Quem imaginou tamanha fábula foi o veterano roteirista Richard
Curtis, que tem no currículo filmes como “Mamma Mia!” e “Quatro Casamentos e um
Funeral”. Outro veterano do cinema, o diretor Danny Boyle já tem um Oscar de Melhor
Diretor em 2009 pelo excelente “Quem quer ser Milionário?”, além de filmes como
“Trainsporting – Sem Limites”, “Steve Jobs” e “127 Horas”. Somando toda essa
competência, mais a homenagem aos The Beatles, a trilha sonora e o ótimo
elenco, “Yesterday” é uma deliciosa diversão. Uma viagem imperdível!
domingo, 27 de outubro de 2019
“O OUTRO PAI” (“A Pesar de
Todo”), 1h18m, comédia espanhola com produção da Netflix - lançamento mundial aconteceu dia 3 de maio de 2019, direção de Gabriela Tagliavini, que também
assina o roteiro juntamente com Eugene B. Rhee e Helena Rhee. Vamos à sinopse: quatro
irmãs que não se viam há anos reencontram-se para o velório e enterro da mãe. Na
hora de ouvirem o testamento deixado pela falecida – o pai está completamente
gagá, fora de sintonia -, as irmãs assistem a um vídeo da mãe com uma revelação
surpreendente e chocante: o pai que as criou não é o biológico. Cada uma delas
é filha de um pai diferente. Ou seja, a falecida pulou várias cercas. No vídeo,
ela fornece várias pistas para que as filhas encontrem seus verdadeiros pais
biológicos. Elas viajam por várias cidades da Espanha e finalmente conseguem encontrá-los,
mas não será exatamente o que esperavam. Só para citar um exemplo, tem até um
padre no meio. Até que a comédia tem momentos bastante engraçados, mas seu
trunfo maior é o elenco de atrizes, principalmente o quarteto formado pelas
irmãs, representadas pelas mais lindas e competentes atrizes do cinema espanhol:
Blanca Suárez, Amaia Salamanca, Macarena Garcia e Belén Cuesta. Um quarteto pra
lá de fantástico. O elenco ainda conta com as veteranas Marisa Paredes e Rossy
de Palma, além de Carlos Bardem, o irmão mais velho do ator Javier Bardem. Mais
uma razão do sucesso dessa comédia é a competência da diretora argentina
Gabriela Tavigliaini, também conhecida por ter dirigido outras duas boas comédias:
“Cómo Cortar a Tu Patán”, de 2017, e “Cadê os Homens?”, de 2011. Ele ainda teve
sua experiência em Hollywood, em 2013, quando dirigiu Sharon Stone em “A
Fronteira”, um filme de ação e suspense. “O Outro Pai” é um filme bastante
alegre e divertido. Vale a pena.
sexta-feira, 25 de outubro de 2019
Divulgado como uma comédia
dramática, “LIMITES” (“BOUNDARIES”), 2018, Canadá/EUA, 1h44m, tem mais
humor do que drama, o que tornou este filme independente numa agradável opção de
entretenimento. É o ótimo elenco que se sobressai: Vera Farmiga, Christopher
Plummer, Lewis MacDougall, Christopher Lloyd, Bobby Carnavale e Peter Fonda – foi o último filme do filho de Henry e irmão de Jane, que morreu em agosto de 2019. Excelente também é o trabalho
da jovem roteirista e diretora Shana Feste, que mesclou drama e humor na dose
certa. A história começa com Laura (Farmiga) enfrentando os problemas causados
por seu filho adolescente Henry (Lewis MacDougall), expulso da escola por
desenhar eróticos explícitos de mulheres e homens nus. Não bastasse isso, Laura ainda recebe a notícia
de que seu pai Jack (Plummer) acaba de ser expulso do asilo em que morava por
ter plantado maconha no jardim. Sem saber o que fazer a respeito, e muito a
contragosto, já que ele havia abandonado a família muitos anos atrás, Laura
decide buscar o pai. Não para ficar com ela, mas sim para levá-lo até a casa da
irmã Jojo (Kristen Schaal), em Los Angeles. Uma longa viagem, a partir do Texas.
E lá vão nossos viajantes, grupo que inclui o filho de Laura e mais os
cachorros da família. Começa o road movie. O avô e o neto, que não se conheciam,
fazem amizade durante o caminho. Não só amizade, como também uma cumplicidade
escondida de Laura, já que os dois passam a viagem vendendo maconha. No meio do
caminho, Jack ainda terá a oportunidade de rever dois antigos parceiros de
crimes, Stanley (Christopher Lloyd) e Joey (Fonda). E Laura de rever o ex-marido
Leonard (Carnavale), que finalmente conhecerá o filho. Apesar de todos esses acontecimentos,
o filme é mais focado na difícil relação entre pai e filha, ambos tentando aparar
as arestas traumáticas do passado. Enfim, uma jornada bem divertida, valorizada
pelo desempenho magistral de Vera Farmiga e do experiente Christopher Plummer.
IMPERDÍVEL!
quarta-feira, 23 de outubro de 2019
“55 PASSOS” (“55 STEPS”), 2017,
coprodução Alemanha/Bélgica/Estados Unidos, 1h55m, direção de Bille August, com
roteiro de Mark Bruce Rosin. O filme, baseado em fatos reais e falado em
inglês, relembra uma batalha jurídica que teve grande repercussão nos Estados Unidos
no final dos anos 80 do século passado. Eleanor Riese, uma paciente da unidade
psiquiátrica do St. Mary’s Hospital and Medical Center, na cidade de São
Francisco, solicitou uma advogada para lutar por seus direitos de paciente, ou
seja, para deixar de tomar medicação em excesso e sem seu consentimento,
causando em Eleanor sérios efeitos colaterais. Quem assumiu seu caso foi a
advogada Colette Hughes que, com a ajuda do professor de direito constitucional
Mort Cohen, conseguiu entrar com uma ação contra o St. Mary’s Hospital, levando
a questão a julgamento na Corte Suprema da Califórnia. O resultado vitorioso de
Colette e Cohen mudou os rumos da psiquiatria nos Estados Unidos, tornando os
tratamentos mais humanizados. A atriz britânica Helena Bonham Carter, com uma
atuação magistral, faz o papel de Eleanor. A atriz norte-americana Hilary Swank
é a advogada Coletteiré e o ator Jeffrey Tambor representa o professor Mort
Cohen. Bonham Carter assumiu o papel de Eleanor após a desistência de Vera Farmiga,
inicialmente indicada para o papel. O veterano diretor dinamarquês Bille August ganhou
destaque ao vencer o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e o Globo de Ouro em
1989, além da Palma de Ouro no Festival de Cannes do ano anterior com o filme “Pelle,
o Conquistador”. Além deste, um espetáculo, também assisti a outros bons filmes
dirigidos por August, como “Trem Noturno para Lisboa”, “Os Miseráveis”, “As
Melhores Intenções” e “Casa dos Espíritos”. Portanto, história, elenco, roteiro
e direção fizeram de “55 Passos” um excelente entretenimento. Uma informação
final: os tais “55 Passos” dizem respeito aos degraus da escada que todo mundo
é obrigado a subir para chegar ao andar principal da Corte Suprema da
Califórnia.
segunda-feira, 21 de outubro de 2019
Nunca
fui muito fã do gênero terror, embora tenha assistido a filmes muito bons. Como
exemplo, posso citar alguns: “O Iluminado”, “O Bebê de Rosemary”, “O Exorcista”
e “Alien, o 8º Passageiro”, entre outros. Mas os melhores continuam sendo os
filmes com o personagem Dr. Phibes, com Vincent Price, e os de Drácula, com
Christopher Lee. Quem teve a oportunidade de assistir a todos estes que citei, vai
se decepcionar com o terror inglês “O DEMÔNIO DO SONO” (“MARA”), 2018, produção
Netflix (estreou mundialmente no dia 7 de setembro de 2018), 1h38m. Trata-se do
primeiro longa-metragem dirigido por Clive Tonge, mais conhecido como diretor de
curtas. O roteirista é Jonathan Frank, o mesmo de “Vingança entre Assassinos” (2009)
e “Jogada Final (2017). Mesmo com a presença da linda e ótima atriz ucraniana
Olga Kurylenko, de "007 – Quantum of Solace”, no papel principal, o filme não
deslancha, fruto de uma história fantasiosa demais, beirando o ridículo, e um elenco
fraquíssimo, que parece atuar no piloto automático, incluindo a atriz ucraniana.
A psicóloga criminal Kate (Kurylenko) é
recrutada pela polícia para decifrar o perfil psicológico de um criminoso que
estava matando pessoas com uma dose cavalar de crueldade, incluindo quebrar o pescoço
das vítimas. O grande mistério é que não há evidências no local do crime. Kate acaba
se envolvendo demais na história, principalmente depois que conhece Helena
(Rosie Fellner), uma mulher que diz ter sido atacada pelo “demônio do sono”.
Até desvendar o mistério, Kate também estará na lista do assassino, assim como
outras vítimas. Essa história de pessoas que caem no sono e são atacadas já foi
tema de filmes muito melhores, como “A Hora do Pesadelo” e “Pesadelos Mortais”.
Embora tenha alguns bons sustos, “Mara” está na Série C dos filmes de terror.
domingo, 20 de outubro de 2019
“OSCAR PISTORIUS: ASSASSINO
OLÍMPICO” (“OSCAR PISTORIUS: BLADE RUNNER KILLER”), produção
Lifetimes Movies (estreia mundial aconteceu dia 14 de fevereiro de 2018),
1h30m, roteiro e direção de Norman Stone. O filme conta a história da tragédia
que envolveu o corredor paraolímpico sul-africano Oscar Pistorius, preso e
condenado por assassinar a namorada Reeva Steenkamp no Dia dos Namorados de
2013. O filme apresenta Pistorius como o ídolo máximo do esporte da África do
Sul, famoso no mundo inteiro por ter conquistado uma medalha de ouro nos jogos
paraolímpicos de Atenas (2004) e outras três também de ouro em Pequim (2008), além de ter
conseguido autorização para disputar as eliminatórias da Olimpíada de Londres (2012) correndo
entre os atletas normais. Por causa de uma malformação congênita, Oscar teve as
duas perdas amputadas abaixo dos joelhos aos 11 meses de idade e, alguns anos depois,
para competir nas pistas, passou a utilizar próteses de fibra de carbono. Suas
façanhas fizeram-lhe ganhar o apelido de “Blade Runner” (“Corredor de Lâmina”).
Além da fama obtida nas pistas de corrida, Oscar era um homem bonito e
charmoso, e por isso a mulherada o assediava o tempo inteiro. Num desses
eventos realizados em sua homenagem, o atleta – interpretado no filme por
Andreas Damm - conheceu a modelo Reeva (a atriz e modelo alemã Toni Garrn, tão
linda quanto a original), com a qual teria um relacionamento bastante
tumultuado. O filme mostra um Pistorius egocêntrico, opressor e extremamente
violento, o que revoltou sua família, que tentou na justiça proibir sua
exibição. Na época, o julgamento de Pistorius recheou as manchetes
dos jornais e noticiários de TV no mundo inteiro. Aliás, o filme dedica um
grande espaço às cenas de tribunal. No desfecho, antes dos créditos finais, o
diretor Stone utilizou imagens do verdadeiro Pistorius durante o julgamento.
Ele continua preso e deverá cumprir a pena de 13 anos em regime fechado. O
filme é um documento bastante interessante dos bastidores de todo o caso. Quem
assisti-lo não vai se decepcionar. sexta-feira, 18 de outubro de 2019
“TERRORISTA AMERICANO” (“The Martyr Maker”), 2018, Estados Unidos, 1h36m, roteiro e direção
de Kamal Ahmed (trata-se do seu quinto longa-metragem). O agente da CIA Terry
Davis (Tom Sizemore) é encarregado de localizar e prender um grupo de
terroristas que recruta e treina jovens norte-americanos, de famílias árabes para
o Jihad (luta armada dos muçulmanos contra os infiéis e inimigos do Islã). Ao
mesmo tempo, o agente da CIA tenta descobrir o paradeiro de Abbaz (Cory Duval),
um perigoso terrorista que teria entrado clandestinamente nos EUA. Abbaz teria
recebido a missão de recrutar jovens norte-americanos, de famílias árabes, para
serem treinados pelo líder muçulmano Saif-Uddin Mohamed (Shiek Mahmud-Bey). Entre
os jovens recrutados está Zahid Khoury (Alexander Mercier), especialista em
montar sites. Ele será o encarregado de divulgar a causa através das redes
sociais e ajudar no treinamento de jovens terroristas. O mais interessante de “Terrorista
Americano” é o destaque dado à estratégia empregada pelo líder Saif-Uddin para
fazer a lavagem cerebral nos jovens. O diretor Kamal Ahmed dedica grande espaço
do filme para mostrar os sermões de Saif-Uddin, cheios de ódio contra o mundo
ocidental, principalmente contra os Estados Unidos. São bastante esclarecedores. “Terrorista Americano” é um
ótimo programa para quem quiser conhecer, com mais detalhes, o pensamento dos muçulmanos
radicais.
“SOMBRA LUNAR” (“IN THE SHADOW
OF THE MOON”), 2019, EUA, produção Netflix (a estreia mundial aconteceu dia 27 de
setembro de 2019), 1h55, direção de Jim Mickle, roteiro assinado por Geoffrey
Tock e Gregory Weidman – sempre dou nome aos “bois”, pois se não gostarem do
filme podem xingá-los à vontade. Brincadeiras à parte, vamos ao comentário. Trata-se
de uma ficção científica, embora no início, meio e quase até o fim pareça um filme
policial, o que me prendeu a atenção, pois não sou muito chegado ao gênero
ficção científica. O filme começa num futuro não muito distante, mostrando a
cidade da Filadélfia (Pensilvânia) completamente destruída. A história volta
até 1988, na mesma cidade, onde ocorrem três mortes misteriosas – um cozinheiro,
uma motorista de ônibus e um pianista, todos sangrando pelos olhos, pela boca,
pelos ouvidos e pelo nariz. Com um detalhe: dois furinhos na nuca. Os policiais
Thomas Lockhart (Boyd Holbrook) e Holt (Michael C. Hall) ficam encarregados de
desvendar todo esse mistério. Para (tentar) explicar o que aconteceu, os
roteiristas inventaram uma trama bastante complicada, utilizando uma serial
killer (a morenaça Cleopatra Coleman), que aparece e desaparece, além de
viagens no tempo e um cientista indiano (ou paquistanês) totalmente maluco. A assassina vai e volta no tempo a cada 9 anos, de acordo com
as fases da lua. E os policiais sempre no seu encalço, durante 27 anos. Esperei
com curiosidade pelo desfecho, que certamente explicaria toda essa misteriosa
história. Realmente, explicou, mas não entendi nada. Talvez um cientista possa decifrar,
quem sabe um Nobel de Física. Repito, o filme só me prendeu até o fim porque
parecia um filme policial. Na verdade, trata-se apenas de caso de polícia... Tente
assistir, e depois veja se não tenho razão.
quarta-feira, 16 de outubro de 2019
“ATENTADO AO HOTEL TAJ MAHAL”
(“HOTEL MUMBAI”), 2018, coprodução Austrália/Índia/Estados Unidos,
2h03m, primeiro longa-metragem escrito e dirigido pelo cineasta australiano Anthony
Maras, mais conhecido como diretor de curtas (o filme é todo falado em inglês).
A história é baseada num trágico fato real ocorrido na Índia em 2008.
Integrantes do grupo islâmico radical Lashkar-E-Taiba, treinados no Paquistão, efetuaram
12 violentos ataques em várias cidades da Índia, resultando na morte de 164
pessoas e mais de 300 feridos. Embora
faça menção aos demais ataques, o filme é quase que inteiramente dedicado ao
famoso Hotel Taj Mahal Palace, em Mumbai. Aqui, 31 pessoas, entre hóspedes e
funcionários, foram sumariamente executadas. Esse número só não foi maior
graças à coragem de dois empregados do hotel, o chef Hemant Oberoi
(Anupam Kher) e o garção Arjun (Dev Patel), que conseguiram salvar dezenas de hóspedes,
desafiando os violentos terroristas. As cenas são de um realismo
impressionante, com muita tensão, suspense e ação do começo ao fim, de tirar o fôlego. É impossível
desgrudar os olhos da telinha. É o tipo de filme que faz a gente roer as unhas e
amassar os braços da poltrona. Méritos não só para o diretor Anthony Maras, que
arrasa em seu longa de estreia, mas também para o roteirista escocês John
Collee. Ainda estão no elenco Armie Hammer, Nazanin Boniadi, Tilda Cobham
Hervey e Jason Isaacs. Antes de estrear em circuito comercial no Brasil, em julho
de 2019, “Hotel Mumbai” foi exibido em sessão especial no Festival de Toronto (Canadá)
e no Festival de Adelaide (Austrália). Neste último, foi o preferido pelo
público. Sem dúvida, o filme é sensacional e emocionante. IMPERDÍVEL! terça-feira, 15 de outubro de 2019
“MADE IN ITALY”, 2018,
Itália, 1h44m, roteiro e direção de Luciano Ligabue. Drama recheado de humor, romance e política com o simpático e excelente ator Stefano Accorsi. Ele vive Riko, operário de uma fábrica de mortadela, salame e outros embutidos.
Riko trabalha há 30 anos na empresa e sempre aguentou quieto o fato de nunca
ter sido promovido. Quando não está em casa com a esposa Sara (a bela atriz
polonesa Kasia Smutniak), ele se diverte com os amigos Carnevale (Fausto Maria
Sciarappa), Max (Walter Leonardi) e Matteo (Filippo Dini) – um dos trunfos do
filme são os diálogos entre os amigos, bem-humorados e sarcásticos. Enquanto
isso, Sara se queixa que o marido não lhe dá a devida atenção e, depois de uma
discussão boba, o casamento entra em crise, que piora quando Riko passa a
desconfiar que ela está tendo um caso. O pano de fundo de toda a história é a
crise política, econômica e social da Itália, tema que o diretor Ligabue insere
em muitos diálogos e situações, uma delas a demissão de vários funcionários da
fábrica onde Riko trabalha. Todo o contexto reflete não só a situação de
penúria da Itália, como também como os italianos encaram a crise, discutindo responsabilidades
e saídas. Ao mesmo tempo, valoriza e destaca vários cenários deslumbrantes de
algumas cidades, principalmente Roma, para onde os amigos levam Riko para
passear e esquecer dos problemas, incluindo os conjugais. Ao mesclar drama político/social,
romance e comédia, Ligabue parece ter sido influenciado pela estética dos cultuados
diretores italianos Nanni Moretti e Paolo Sorrentino. Interessante esclarecer que
Ligabue também é um astro da música na Itália, cantor e compositor de grande
sucesso. Aliás, a inspiração para escrever o roteiro de “Made in Italy” – seu terceiro
longa - veio das letras das músicas que compôs para um de seus últimos discos,
cujo título é homônimo ao do filme. O próprio Ligabue interpreta várias canções que fazem
parte da trilha sonora. Embora tenha sido acolhido com alguma reserva por
alguns críticos profissionais, eu achei “Made in Italy” um filme muito bem
feito e agradável de assistir. Não foi à toda que seu roteiro foi eleito por jornalistas italianos como o melhor história original de 2018. Méritos não só para o diretor, mas também para a dupla
principal. Stefano Accorsi é um ótimo ator, experiente e carismático, e Kasia Smutniaki, radicada há
alguns anos na Itália, prova que está habituada a fazer papel de mulher
apaixonada e sensível, mas também impulsiva como são as italianas. Aos 40 anos,
acredito que Smutniaki tem tudo para se transformar na mais nova diva do cinema
italiano, pois a grande Monica Bellucci já se aproxima dos 60. Não sei se será exibido por aqui no circuito comercial, o que será uma pena, pois é mais um grande filme "Made in Italy". domingo, 13 de outubro de 2019
O drama independente “MONSTROS
E HOMENS” (“MONSTERS AND MEN”), 2018, EUA, 1h38m, aborda uma questão que
está sempre em evidência no país do Tio Sam: a violência de policiais brancos
contra cidadãos negros. Com roteiro e direção de Reinaldo Marcus Green (é o seu
longa-metragem de estreia; ele é mais conhecido como diretor de curtas), o
filme conta a história de um brutal assassinato ocorrido no Brooklin. Numa
abordagem policial, um sujeito negro muito conhecido e querido pelo pessoal do
bairro é abordado pelos policiais, reage e toma um tiro. O episódio é testemunhado
por várias pessoas e filmado no celular pelo imigrante latino-americano Manny
(Anthony Ramos), que envia a filmagem para as autoridades e a espalha pelas
redes sociais. É claro que acaba sendo perseguido pela polícia. Enquanto isso,
o policial negro Dennis (John David Washington, filho do ator Denzel
Washington) acompanha tudo de perto, mas procura não se envolver, já que acaba
de ser promovido. O roteiro inclui mais um personagem importante, testemunha do
crime, o jovem jogador negro de beisebol Zyric (Kelvin Harrison Jr.). Ao
estrear no Festival de Sundance 2018 (o mais importante festival de filmes independentes), “Monsters and Men” ganhou grande repercussão na mídia e elogios
da crítica. Sem dúvida, um bom filme, apesar de tocar numa ferida que já virou
clichê no cinema norte-americano.
Quem torce o nariz para o
cinema asiático e o rejeita está perdendo ótimos filmes. Só para citar um
exemplo, “Parasite”, do diretor sul-coreano Bong Joon-Ho, acabou de conquistar
a Palma de Ouro no Festival de Cannes 2019. Nos últimos anos, assisti a vários
filmes sul-coreanos e eles realmente estão arrasando, principalmente no gênero
filmes de ação (“O Túnel”, de 2016, é sensacional). Fiz questão de escrever
esta introdução para apresentar “O ESPIÃO – OPERAÇÃO SECRETA” (“SEU-PA-I”),
2015, direção de Lee Seung-Jun, com roteiro de Yoon Je-Kyoon e Park Su-Jin.
Trata-se de um misto de comédia e filme de ação, aliás, 2 horas de muita ação. Vamos
à história: Chul-Soo (Sol Kyung-Gu) é o mais famoso agente secreto da Coréia do
Sul. Nem sua esposa, a aeromoça Baek Seol Hui (a ótima Han Ye-ri), conhece a
profissão que ele exerce há vários anos para o governo sul-coreano. O casal
quer ter um filho, mas as viagens de Chul-Soo – missões em outros países – têm dificultado
esse objetivo. A próxima missão de Chul será executada na Tailândia, ou seja,
capturar um grupo de terroristas que negocia com os russos a compra de uma bomba nuclear para
ser lançada contra a Coreia do Norte, com o objetivo de provocar uma guerra
entre os dois países. No filme, as duas Coreias tentam um acordo para a sua reunificação. Enquanto prossegue na sua missão, Chul descobre que sua esposa
também está na Tailândia e aí a confusão está formada, ainda mais que Baek é cortejada
justamente pelo chefe dos terroristas, Ryan (o bonitão Daniel Henney). “O Espião” é divertido, tem muita ação,
perseguições, pancadaria e tiros pra tudo que é lado. A cena do tiroteio dentro de um restaurante é espetacular. O filme todo é de tirar o fôlego. Programão. Não percam!
sexta-feira, 11 de outubro de 2019
Baseado em fatos reais, “VENTOS
PARA A LIBERDADE” (“Ballon”), 2018, Alemanha, 2h06m, roteiro e direção de
Michael Blully Herbig, conta uma incrível história de coragem. O ano é 1979.
Dois casais de amigos, juntamente com seus filhos pequenos, decidem tentar
fugir da Alemanha Oriental para a Ocidental utilizando um balão. Detalhe:
ninguém é balonista. Peter Strelzyk (Friedrich Mücke) é mecânico e Günter
Wetzel (David Kross) pedreiro. Mesmo assim, planejaram a construção do balão e
também elaboraram um audacioso plano de fuga. Tudo isso no maior segredo
possível, já que naquela época todo mundo vigiava todo mundo para depois
entregar para a famigerada STASI, a polícia secreta da Alemanha Oriental (República
Democrática Alemã – nunca entendi a utilização da palavra “Democrática” para
denominar um regime tão fechado, sem liberdade nenhuma). O filme apresenta tantas
sequências de suspense e tensão (corda esticada mesmo) que prende a atenção do
começo ao fim. É capaz de nos fazer roer a unha, eriçar os pelos da nuca, entortar
o braço da poltrona e comer um enorme saco de pipocas e nem perceber que
acabou. Um filmaço irresistível, daqueles que nos faz torcer o tempo inteiro
para as famílias não serem presas e conseguirem fugir. Imaginar que essa
aventura incrível realmente aconteceu é mais um trunfo desse ótimo filme
alemão, que ainda conta com um excelente elenco. Além de David Kross e Friedrich Mücke, participam Thomas Kretschmann, Karoline Schuch, Alicia Von Rittberg, Emily Kusche e Ronald Kululies. IMPERDÍVEL!
“DESTRUIDOR” (“VARGUR” – a tradução
do islandês para o português é minha, pois o filme não chegou por aqui e duvido
que chegue), 2018, coprodução Islândia/Dinamarca, 1h35m, roteiro e direção de Börkur
Sigthorsson). Trata-se de um suspense policial centrado em dois irmãos que
pretendem contrabandear cocaína de Copenhagen (Dinamarca) para Reikjavik, capital
do seu país natal, a Islândia. Para isso, requisitam para servir de “mula” uma
jovem polonesa. Erik (Gísliörn Garoarsson), um dos irmãos, é alto executivo de
uma empresa contra a qual aplicou um golpe e precisa de dinheiro para cobrir a
dívida. Atli (Baltasar Breki Samper), o outro irmão, é um sujeito fracassado e,
pior, acaba de sair da prisão. O combinado é que a jovem Sofia (Anna Próchniak)
engula várias cápsulas com cocaína para “desová-las” em Reikjavik. Entre os
percalços do plano, um torna-se um problema e tanto: Sofia começa a passar mal
no avião e, quando chega, piora ainda mais. Ao mesmo tempo, os policiais do
aeroporto de Reykjavik desconfiam da menina e de seu acompanhante, Atli, e
avisam a polícia. Cabe à agente Lena (Marijana Jankovic) montar a estratégia
para tentar capturar os irmãos traficantes e salvar Sofia. Não dá para contar
mais, senão estrago o desfecho. Quanto ao cinema islandês, lembro de já ter
assistido a alguns, três deles muito bons: “A Sombra da Árvore”, 2017, “Desajustados”
e “Pardais”, ambos de 2015. A utilização da Islândia como cenários para
diversos filmes e séries de outros países (vide “Game of Thrones”) talvez seja
maior do que sua própria produção cinematográfica. Realmente, suas paisagens e belezas
naturais são espetaculares. Voltando a “Vargur”, trata-se de um filme pleno de
ação e suspense, com ótimo elenco, garantindo um bom programa na telinha.
terça-feira, 8 de outubro de 2019
“OBSESSÃO” (“Greta”), 2019,
EUA, 1h38m, roteiro e direção de Neil Jordan. Trata-se de um suspense cuja
história envolve a relação entre uma jovem garçonete de um restaurante de luxo,
Frances McCullen (Chloë Grace Moretz), e a viúva Greta Hideg (Isabelle
Huppert). Recém-chegada a Manhattan depois da morte da mãe, Frances mora num
apartamento com a amiga Erica Penn (Maika Monroe). Certo dia, no banco de um
vagão do metrô, Frances encontra uma bolsa abandonada. Ao abri-la, descobre uma
identidade com o nome e o endereço da dona. Lá foi ela tocar a campainha na
casa de Greta, uma viúva solitária e carente, que agradece o favor e a convida
para tomar um chá. O que parecia uma amizade de mãe para filha vira uma
obsessão por parte da viúva, que persegue a moça o tempo inteiro. Até que um
dia Frances pede a ela para não mais procurá-la. A viúva responde: “Eu sou como
chiclete. Eu grudo mesmo”. E por aí a história se desenrola, até envolver não
só a amiga de Frances, como também um investigador particular. Tudo bem que o
suspense é mantido até o desfecho, agradando os fãs do gênero. Porém, não fosse
a presença da diva francesa Isabelle Huppert, o filme seria apenas mediano. Aos
66 anos, ainda em grande forma, Hupper arrasa com uma performance assustadora.
Não é à toa que ela é chamada de “A Dama do Cinema Francês”. Ela salva o filme.
Destaco também as boas atuações das jovens Chloê Grace Moretz e Maika Monroe.
Para concluir meu comentário, lembro que o veterano diretor irlandês Neil é
responsável por dois grandes filmes: “Entrevista com o Vampiro” e “Traídos pelo
Desejo”. Resumo da ópera: “Obsessão” proporciona uma
oportunidade e tanto para assistir a mais uma atuação espetacular da atriz
francesa.
segunda-feira, 7 de outubro de 2019
“PREDADORES ASSASSINOS” (“CRAWL”), 2019,
EUA, 1h27m, roteiro e direção de Alexandre Aja. Durante uma violenta tempestade
provocada por um furacão na Flórida, a população de diversas cidades é obrigada
a sair de casa e ir direto para os abrigos. Heley Keller (Kaya Scodelario) liga para seu
pai Dave (Barry Pepper) para saber se está tudo bem. Heley não obtém resposta e
fica apavorada. Ela desobedece a ordem geral e passa por diversas barreiras coordenadas
pela defesa civil e ruma para a casa do pai, numa cidade vizinha. Enquanto a
tempestade aumenta cada vez mais, ela chega até a casa e descobre que o pai
está ferido no porão. Pronto, aí começa o pesadelo. As águas invadem a casa e
trazem junto alguns jacarés gigantes. Será que pai e filha se salvarão? Independente
da resposta, os dois e também os espectadores viverão momentos angustiantes, de
perder o fôlego. Muita ação e aflição até o final. Destaque para os jacarés, em
número maior do que o próprio elenco. Aliás, as filmagens utilizaram jacarés de
verdade e alguns de mentirinha. Tudo tão bem feito que a gente nem percebe
quem é o verdadeiro ou o de brinquedo. Mérito de Alexandre Aja, cineasta francês
especialista em filmes de ação, suspense e terror, como “Piranha 3D”, “Alta
Tensão”, “Viagem Maldita” e “Amaldiçoado”. O maior trunfo do filme, porém, é o
desempenho da jovem atriz Kaya Scodelario, de 27 anos, que já tem no currículo
alguns filmes importantes como os da saga “Maze Runner” e “Piratas do Caribe”:
A Vingança de Salazar”, entre outros. Kaya é filha de mãe brasileira e pai
inglês. Assisti a uma entrevista dela para um site brasileiro de cinema e
fiquei encantado com sua simpatia, além de responder todas as perguntas em
português. Voltando ao filme, “Predadores Assassinos” é um ótimo programa para
curtir numa sessão com pipoca. Mas cuidado, os jacarés podem fazer “Crawl” também
em você.
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