“NOITE
MÁGICA” (“NOTTI MAGICHE”), 2018, Itália, 2h5m, direção de Paolo
Virzì, que também assina o roteiro juntamente com Francesco Piccolo e
Francesca Archibugi. Trata-se de mais uma bela homenagem ao cinema,
especialmente aos tempos de ouro do cinema italiano. O filme começa com um
carro caindo de uma ponte dentro do rio Tibre, em Roma. A poucos metros dali, num
bar, um grupo de pessoas assistia a um jogo da Itália pela Copa do Mundo – o
filme é ambientado em 1990. Com todos torcendo pela seleção nacional, ninguém ligou
para o acidente, que matou o ocupante do veículo. Durante a investigação
policial sobre o que de fato aconteceu, três jovens foram detidos para
interrogatório: Antonino Scordia (Mauro Lamantia), Eugenia Malaspina (Irene
Vetere) e Luciano Ambrogi (Giovanni Toscano). Explico: antes do acidente
acontecer, os três tiveram contato com a vítima. Scordia, Malaspina e Ambrogi
foram vencedores de um concurso chamado “Prêmio Solinas” destinado a aspirantes
de roteiristas. Durante o interrogatório, os três jovens relembram, em flashbacks,
o que aconteceu nos dias anteriores, o que nos leva a uma “viagem” pelos
bastidores do cinema italiano. “Noite Mágica” é repleto de referências a
figuras importantes do cinema italiano como Ettore Scola (Virzì teve a ideia do
filme durante o velório do grande diretor, morto em janeiro de 2016), Federico Fellini, Marcello
Mastroianni, Vittório Gassman, Roberto Rossellini, Dino Risi e tantos outros (achei muito injusto não haver uma menção especial a Mario Monicelli). Enquanto
circulam por Roma numa noite de jantares e festas, os jovens roteiristas vão a
lugares que serviram de cenários para alguns dos grandes filmes italianos do
passado. Nessas idas e vindas, eles conhecem produtores, roteiristas e
diretores, com os quais conversam sobre o cinema italiano, seu passado e
perspectivas para o futuro. Um dos personagens principais de toda a história
será o produtor Leonardo Saponardo (o grande Giancarlo Giannini, ótimo). Para
quem não conhece, Paolo Virzì é um dos mais cultuados diretores do cinema
italiano atual. Dele, recomendo como pequenas obras-primas dois filmes em
especial: “Capital Humano”, de 2013, e “A Primeira Coisa Bela”, de 2010. Virzì
também experimentou o cinema norte-americano, dirigindo “Ella e John” em 2017, com Helen Mirren e Donald Sutherland. Enfim, “Noite Mágica” é um filme especialmente
dirigido aos cinéfilos que, como eu, são apreciadores do cinema em geral,
particularmente o italiano. Não é o melhor filme que homenageia o cinema. Não desmerecendo o filme de Virzì, prefiro duas obras-primas do cinema italiano: “Cinema Paradiso”, de Giuseppe Tornatore, e “Splendor”, do grande Ettore Scola.
segunda-feira, 30 de setembro de 2019
domingo, 29 de setembro de 2019
“A
ÚLTIMA MISSÃO” (“ALL THE DEVIL’S MEN”), 2018, Inglaterra, 99 minutos,
roteiro e direção de Mattew Hope. O caçador de recompensas e assassino
profissional Collins (Milo Gibson), um ex-agente da CIA, é contratado para viajar
a Londres e matar McKnight (Elliot Cowan), chefão de uma gangue que está
negociando com os russos a compra de um artefato nuclear. McKnight comanda um
exército de renegados da CIA, entre os quais Deighton (Joseph Millson),
ex-agente e antigo colega de Collins. Como contato da CIA em Londres está a
agente Leigh (a atriz holandesa Sylvia Hoeks), responsável pela contratação de Collins. Na
verdade, Leigh tem um motivo muito especial para ver McKnight morto. Entre
perseguições, tiros e muita pancadaria, Collins tentará chegar ao chefão
McKnight, mas antes terá de vencer o seu exército particular. O início do filme
é bastante complicado, difícil de entender quem é quem na história. Mas, aos
poucos, as coisas vão se clareando. Tenho quase certeza de que “A Última Missão”
quis transformar o ator australiano Milo Gibson (filho de Mel Gibson) num novo
astro dos filmes de ação. Milo estreou no cinema em “Até o Último Homem”, de
2016, dirigido pelo próprio pai. Milo é fortão, estilo brucutu, tem cara de mau,
mas como ator ainda está longe de convencer, além de não ter o charme e o carisma do pai. Resumo da ópera: o filme tem lá seus momentos de boa ação, mas a história é um
tanto fantasiosa demais. Em todo caso, serve para uma tarde com pipoca. sexta-feira, 27 de setembro de 2019
“TUDO O QUE TIVEMOS” (“WHAT
THEY HAD”), 2018, EUA, 1h41m, primeiro longa-metragem
escrito e dirigido pela atriz e dramaturga Elizabeth Chomko. Trata-se de um
drama familiar intimista que gira em torno da doença da matriarca da família
Ertz, Ruth (Blythe Danner), que está entrando na fase mais aguda do Alzheimer,
o que mobiliza a atenção de toda a família. Quando ela sai de casa à noite sem
rumo, em meio a uma nevasca, o filho Nicky (Michael Shannon) pede à irmã
Bridget (Hilary Swank) que retorne à cidade para ajudá-lo a decidir o que fazer
com a mãe e convencer o pai Burt (Robert Forster) a interná-la em alguma clínica
especializada. É a partir dessa premissa que se desenvolve o roteiro, que,
apesar do contexto dramático, está entremeado de algumas ótimas situações de
humor, como aquela durante a missa dominical e um velório. Enfim, um drama
bastante comovente cujo maior trunfo é a atuação do elenco, principalmente os
veteranos Blythe Danner (mãe da também atriz Gwyneth Paltrow) e Robert Forster,
além da excelente Hilary Swank, que já tem um Oscar de Melhor Atriz por “Menina
de Ouro” (2004) e Michael Shannon. Mais um filme que trata de forma competente
a questão do Alzheimer e suas consequências não só para o doente, como também para toda
sua família. Excelente!
quarta-feira, 25 de setembro de 2019
“ANJO MEU” (“ANGEL OF MINE”), 2019,
coprodução Austrália/EUA, 1h38m, direção de Kim Ferrant, com roteiro
de Lucas Davi e David Regal. Trata-se de um suspense cuja história é um
antigo clichê do cinema, ou seja, mulher psicótica e frustrada persegue uma família bem estruturada e feliz.
No caso, a maluca é Lizzie (Noomi Rapace), cuja filha então bebê morreu anos
antes no incêndio ocorrido num hospital. Desde então, ela faz terapia intensiva
com um psicólogo e é vigiada de perto pelo marido Mike (Luke Evans) e pelos
seus pais. Ao conhecer a família de Claire (Yvonne Strahovski) e Bernard
(Richard Roxburgh) Lizzie fica obcecada por Lola (Annika Whiteley), de cinco
anos, filha do casal. Na sua cabeça, Lola é a sua filha. Lizzie então parte para o confronto. Até o desfecho, que reserva
uma reviravolta bastante surpreendente, Lizzie infernizará a família de Claire,
a ponto de seu marido, a conselho do psicólogo, querer interná-la de novo num
hospital psiquiátrico. As atrizes principais estão ótimas em seus papéis de
perseguidora e perseguida. A atriz sueca Noomi Rapace ficou conhecida depois de
ter protagonizado a trilogia Millenium (“Os Homens que não Amavam as Mulheres”,
“A Menina que Brincava com Fogo” e “A Rainha do Castelo de Ar”) e hoje é
requisitada até por Hollywood. A australiana Yvonne Strahovski atuou em filmes
como “Por Trás dos seus Olhos”, “Ele está lá Fora” e “O Predador” (todos também
de suspense) e se tornou mais conhecida ao protagonizar as séries “Chuck”, como
Sarah Walker, e “Dexter”, como Hanna McKay. Impressionante como Yvonne se parece
com a nossa Luana Piovani, tão mulherão e bonita quanto. Mais conhecida como diretora de documentários e
curtas, a australiana Kim Ferrant acerta a mão neste que é o seu segundo longa-metragem
– o primeiro foi “Terra Estranha”, com Nicole Kidman. “Angel of Mine” estreou dia
14 de agosto de 2019 durante a programação oficial do Melbourne International
Film Festival. Uma boa opção para quem gosta do gênero suspense.
segunda-feira, 23 de setembro de 2019
“A ESPIÃ VERMELHA” (“RED JOAN”), 2018,
Inglaterra, 1h41m, direção de Trevor Nunn. O roteiro, escrito por Lindsay Shapero,
foi adaptado do livro “Red Joan”, de Jannie Rooney. Baseada em fatos reais, a
história acompanha a trajetória da cientista inglesa Melita Stedman Norwood (1912-2005),
que, desde meados da década de 30 e nos 50 anos seguintes, foi espiã a serviço do
Comitê de Segurança Russo (KGB). No filme, o nome de Melita foi substituído por
Joan Stanley (interpretada na velhice pela atriz Judi Dench e quando moça por
Sophie Cookson). Estudante brilhante da Universidade de Cambridge, Melita/Joan se apaixonou por Leo Galich (Tom Hughes), jovem militante do Partido
Comunista. Ao mesmo tempo, ela foi chamada para trabalhar com cientistas que
desenvolviam um projeto secreto para construir uma bomba atômica destinada a
uma eventual utilização contra a Alemanha de Hitler. Pressionada por Leo e
entendendo que se Stalin também tivesse uma bomba igual ninguém seria capaz de
utilizá-la – equivalência de forças -, Melita/Joan concordou em fornecer
informações importantes à KGB. Em 1999, quando a cientista tinha 87 anos e já
aposentada, sua história veio à tona e ela foi presa pelo Serviço de
Inteligência Britânico (MI5). O filme alterna o interrogatório de Joan com flashbacks
da época em que se tornou espiã. Além da história bastante interessante, o
filme tem como destaques a recriação de época, especificamente os figurinos e
cenários, e o excelente trabalho de Sophie Cookson e da veterana Judi Dench. O filme estreou no Festival Internacional de Cinema de Toronto/2018. Um
ótimo programa! sábado, 21 de setembro de 2019
“3 PEDIDOS” (“3 TING”), 2019, Dinamarca,
1h29m, roteiro e direção de Jens Dahl. É o seu primeiro longa-metragem. Era
mais conhecido como roteirista de filmes e séries de TV. “3 Ting” é um thriller bastante
original, engenhoso e muito agradável de assistir, embora seja ambientado quase
que inteiramente num quarto de hotel. Aqui, o assaltante Mikael (o astro
dinamarquês Nikolaj Coster Waldau, o Jaime Lannister da série “Game of Thrones”)
está negociando com a polícia o seu ingresso no programa de testemunhas. Ele
foi preso depois de ter participado de um grande assalto a banco em Copenhagen praticado
por uma gangue de bandidos sérvios. Mikael tem que entregar o chefe do grupo e
os demais assaltantes, além de descrever detalhadamente como foi planejado e
praticado o assalto. Nina (Laerke Winther Andersen) é a negociadora da polícia,
responsável pelo interrogatório. Para concretizar a delação, Mikael exige três
pedidos, um deles a presença de Camilla (Birgitte Hjort Sorensen), sua ex-namorada.
Ao lado de Mikael e da negociadora Nina, além de dois policiais responsáveis
pela segurança do local, Camilla participará dos eventos no quarto do hotel até
o desfecho, que terá uma surpreendente reviravolta muito bem engendrada pelo roteiro de Jens
Dahl. Eu já conhecia o trabalho do ator Nikolaj Coster Waldau pelo ótimo “Segunda
Chance”. Enfim, “3 Pedidos” é um filme
inteligente e muito interessante que merece ser visto por quem gosta de cinema
de qualidade.
sexta-feira, 20 de setembro de 2019
“WAJIB – UM CONVITE
DE CASAMENTO” (“Wajib”), 2018, justifica
plenamente as premiações que recebeu em vários festivais de cinema pelo mundo afora,
como o de Locarno, BFI London, Dubai e MedFilm, em Roma, além da indicação ao Oscar
2019 de Melhor Filme Estrangeiro representando a Palestina. Realmente, um belo
filme, humano e sensível, grandioso em sua simplicidade. A história é toda
ambientada em Nazaré, capital e maior cidade do Distrito Norte de Israel, cuja
maioria da população é constituída por árabes. Os principais personagens de “Wajib”
são Abu Shadi (Mohammad Bakri) e seu filho Shadi (Saleh Bakri) – os atores são
pai e filho também na vida real. Shadi mora há anos na Itália, onde trabalha
como arquiteto. É um sujeito de hábitos modernos, vestindo roupas espalhafatosas
(calça vermelha e camisa estampada) e cabelo repuxado para cima, formando um
coque. Seu pai Abu é conservador, gosta de manter as tradições do povo árabe e
não é tão antissemita quanto o filho, principalmente porque seu chefe é judeu. Shadi retorna a Nazaré especialmente para ajudar nos preparativos do casamento de sua irmã mais nova Amal (Maria Zreik). Como
manda a tradição, os dois ficam encarregados de entregar pessoalmente os
convites de casamento. Enquanto visitam
familiares e amigos para entregar os convites, Abu e o filho discutem o tempo
inteiro, colocando em pauta suas opiniões sobre política, gosto musical, modo de vida, casamento etc., escancarando suas divergências e gerando diálogos bem-humorados, num “road-movie”
bastante divertido. Méritos totais para a roteirista e diretora palestina
Annemarie Jacir em seu terceiro longa-metragem (os dois primeiros, também muito
elogiados, foram “Sal Desse Mar” e “Quando vi Você”). Por aqui, antes de entrar
no circuito comercial, "Wajib" foi uma das atrações da 13ª Mostra Mundo Árabe de Cinema
de São Paulo, em janeiro de 2019. Ah, a palava “wajib” quer dizer
dever/obrigação. Para encerrar: o filme é ótimo, um grande filme do cinema árabe. IMPERDÍVEL!segunda-feira, 16 de setembro de 2019
“KARDEC: A HISTÓRIA POR TRÁS
DO NOME”, 2018, Brasil, 1h50m, roteiro e direção de Wagner de Assis.
Trata-se da cinebiografia de Alan Kardec, realizada em comemoração aos 150 anos
da morte daquele que é considerado o fundador e o principal decodificador da doutrina
espírita. O roteiro é uma adaptação do livro “Kardec: A Biografia” (2013), escrito
pelo jornalista Marcel Souto Maior. Ambientado em Paris, o filme começa em 1851
apresentando Hypolite Leon Denizard Rivail (Leonardo Medeiros) como um
professor liberal. Quando assumiu o Imperador Napoleão III, a Igreja Católica ganhou
poder para interferir no ensino, o que revoltou Hypolite, que logo pediu
demissão. Naquela época, havia em Paris uma febre sobre o tal fenômeno das
mesas giratórias, através das quais - acreditavam - era possível se comunicar com os espíritos.
Hypolite resolveu estudar o assunto e, a princípio, não acreditava em nada
daquilo. Passou então a frequentar sessões organizadas por médiuns. Numa delas,
recebeu a notícia de que tinha sido um druída chamado Alan Kardec em outra
encarnação. Hypolite adotou o nome, aderiu à doutrina e escreveu, em 1857, o
livro “O Livro dos Espíritos”, que teve enorme repercussão por toda a Europa,
transformando-se na “bíblia” da doutrina espírita. Resultado: foi banido do
clube de cientistas de Paris e perseguido pela Igreja Católica. Mas hoje seu nome é reconhecido no mundo inteiro como o fundador da Doutrina Espírita. O filme foi
quase todo rodado em Paris e o diretor Wagner de Assis utilizou um recurso
gráfico que “apagou” dos cenários não só pessoas, como também veículos e
estabelecimentos comerciais, enfim, tudo que mostrasse a capital francesa de
hoje. Participaram do elenco, além de Leonardo Medeiros, Sandra Corveloni,
Genézio de Barros, Dalton Vigh, Guida Viana, Letícia Braga, Julia Konrad e
Charles Erick. Mais um bom trabalho de Wagner de Assis, que ficou conhecido como
roteirista e diretor de novelas da Globo (“Além do Tempo”, de 2015-2016, e “Espelho
da Vida”, de 2018-2019) e de filmes espíritas, como “Nosso Lar”, sucesso de
bilheteria em 2010, e “A Menina Índigo”, de 2016. Quem tiver curiosidade, como
eu tive, de conhecer a vida de Alan Kardec e seu trabalho, “Kardec” é um ótimo
programa.
domingo, 15 de setembro de 2019
“NUNCA DEIXE DE LEMBRAR” (“Werk
Ohne Autor”), 2018, Alemanha, roteiro e direção de Florian
Henckel von Donnersmarck, 3h9m. Este filme representou a Alemanha na disputa do
Oscar 2019 de Melhor Filme Estrangeiro (também concorreu à Melhor Fotografia) e
ficou entre os finalistas, perdendo para “Roma”. Porém, se eu fosse membro da
Academia, teria votado neste ótimo drama biográfico alemão. Muitos críticos comentaram
que só não ganhou o Oscar porque seu diretor já havia conquistado a estatueta
de Melhor Filme Estrangeiro em 2006, com o espetacular “A Vida dos Outros”. De
meados da década de 30 até o final da década de 60, “Nunca Deixe de Lembrar” acompanha
a trajetória política e cultural da Alemanha, paralelamente à vida do pintor
Gerhard Richter, um dos grandes nomes da arte contemporânea alemã. O filme
começa apresentando Richter ainda garoto (interpretado por Cai Cohrs) em
companhia da tia Elisabeth May (a bela Saskia Rosendahl) visitando a Exposição “Arte
Degenerada”, promovida pelo governo nazista com o objetivo de enxovalhar as
pinturas dos modernistas Chagall e Kandinski. Daí para a frente, o filme enfoca
a vida de Richter (quando adulto, papel Tom Schilling), tendo como pano de
fundo a história política da Alemanha, desde a ascensão do regime nazista, as
atrocidades da Segunda Grande Guerra, o nascimento da República Democrata Alemã
(RDA), a tirania soviética, a construção do muro de Berlim até a vida do pintor
na Alemanha Ocidental – ele fugiu com a esposa Ellie (Paula Beer, de “Frantz”,
ótimo filme de François Ozon) pouco antes da construção do muro. O filme acompanha
também a trajetória do professor Carl Seeband (o veterano ator Sebastian Koch),
que durante o regime nazista foi o médico que fazia abortos em mulheres que não
eram arianas ou que tivessem alguma anomalia física ou psíquica – o caso de Elisabeth,
tia de Richter. Os destinos do pintor e do médico se cruzarão alguns anos depois,
quando Richter conhece Ellie. Enfim, como o próprio título faz entender, “Nunca
Deixe de Lembrar” é um filme inesquecível, espetacular, que vale cada minuto de
suas mais de três horas de duração. Reputo como uma obra-prima do cinema alemão.
Não perca de jeito nenhum!
sexta-feira, 13 de setembro de 2019
“HIGH LIFE”, 2018,
França, 1h53m, direção de Claire Denis, que também assina o roteiro ao lado de
Jean-Pol Fargeau e Geoff Cox. A estreia do filme, o primeiro da veterana
diretora francesa falado em inglês, aconteceu em setembro de 2018 durante o
Festival de Cinema de Toronto (Canadá) e, de cara, causou grande polêmica entre
os críticos especializados e o público, uns contra outros a favor. A história
(totalmente ambientada numa nave): um grupo de criminosos é “recrutado” do
corredor da morte e enviado numa nave para o espaço em direção do Buraco Negro
mais próximo do Sistema Solar. Sua missão: descobrir novas energias
alternativas. Eles não sabiam, mas desconfiavam, que a passagem era só de ida. Dois
personagens se destacam na história: a médica Dibs (Juliette Binoche), e Monte
(Robert Pattinson). Dibs cuida da saúde do pessoal, além de fazer experiências
reprodutivas. Ela é movida a sexo, enfim, uma ninfomaníaca. Monte é pai de um
bebê provavelmente fruto das experiências de Dibs. A mãe não é revelada, a não
ser que seja um bebê de proveta. Todos os ocupantes da nave apresentam
comportamentos estranhos e perigosos, o que aumenta o suspense em relação ao
que acontecerá na próxima cena. Confesso que no início do filme fiquei
incomodado com o estilo adotado pela veterana diretora francesa, lembrando
muito os filmes do abominável e insuportável diretor norte-americano Terrence
Malick. Ou seja, textos em off, legendados, filosofando a respeito da vida, dos
seres humanos e suas atitudes, cenas longas e uma lentidão quase sonífera. Apesar
disso, é um filme bastante interessante, que tem como principal trunfo as
excelentes performances de Juliette Binoche e Robert Pattinson. Assisti a
vários filmes de Claire Denis, entre os quais recomendo “Minha Terra, África”
(2009), “Deixe a Luz do Sol Entrar” (2018), também com Binoche, “Bom Trabalho”
(1999) e "25 Doses de Run" (2008).
segunda-feira, 9 de setembro de 2019
“HUROK”, 2016,
Hungria, 1h35m, roteiro e direção de Isti Madarász, sua estreia em longas. Em
português, hurok quer dizer laço, mas como o filme não chegou por aqui –
e duvido que chegue - não teve tradução. Ádám (Dénes Száraz) é um sujeito fracassado
que vive de bicos, o principal deles como traficante de drogas a serviço do
truculento Dezsõ (Zsolt Anger), segurança de um hospital. Em sua rotina de
trabalho, Ádám conhece a viciada Anna (Dorina Martinovics), pela qual se apaixona.
Um dia, os namorados resolvem aplicar um golpe em Dezsõ, ou seja, vender um
grande lote de drogas e fugir da Hungria. Só que o planejado dá errado. Anna fica
grávida e se recusa a participar da tramoia e Dezsõ descobre a traição. Para
piorar ainda mais a situação, Anna morre atropelada. Até aí, a história corre
de forma normal. Só que o roteiro dá uma guinada radical, reproduzindo as cenas
iniciais com a participação de um “outro” Ádám, que vê tudo prestes a acontecer
e tem a oportunidade de mudar o destino dos fatos e, principalmente, tentar evitar a morte
de Anna. Sem dúvida, um filme bastante interessante, criativo e original, que
merece ser visto.
sexta-feira, 6 de setembro de 2019
“LÁMEN SHOP” (“RAMEN TEH”), 2018,
coprodução Singapura/Japão/França, 1h30m, direção de Eric Khoo, com roteiro
escrito por Tan Fong Cheng e Wong Kim Hoh. Para quem gosta de culinária, principalmente
a oriental, “Lámen Shop” é um prato cheio. Antes de iniciar o comentário, lembro
que Lámen é um prato tradicional da culinária japonesa, constituído de macarrão
chinês, uma sopa com caldo à base de ossos de porco, peixe ou frango, além do
acréscimo de alguns condimentos. Vamos à história do filme. O jovem Masato
(Takumi Saitoh) trabalha com o pai num restaurante do Japão especializado em
servir o Lámen. Depois da morte do pai, Masato descobre num baú um caderno de
receitas escrito em mandarim (língua oficial da China, Singapura, Taiwan e Hong Kong). Um parêntese: a mãe era
chinesa e casou com o pai de Masato, japonês, muito a contragosto da mãe dela.
Tudo por causa da invasão japonesa a Singapura em 1942, na época uma colônia
britânica. Os japoneses abusaram da crueldade, assassinando muita gente da
população local e os próprios ingleses. Voltando à história: Masato resolveu
viajar até Singapura para descobrir como o romance de seus pais começou e,
ainda, tentar uma aproximação com a avó. No meio do caminho, Masato visitou
alguns centros importantes de culinária no Japão, China e Singapura, aprendendo
novas receitas para aperfeiçoar o Lámen do seu restaurante, como também outros
pratos típicos da China, Japão e Singapura. Um road movie culinário dos
mais interessantes. Masato chega à conclusão de que todos os acontecimentos de
sua família giraram em torno de uma mesa de comida, e está lá o Lámen como
elemento agregador. Um belo filme, sensível e comovente, onde a culinária está
presente em todos os momentos. Como escreveu um crítico profissional, no filme “Todas
as feridas se resolvem entre carnes e temperos, entre lágrimas e abraços”. Uma
definição com a qual concordo plenamente. Não percam!
quarta-feira, 4 de setembro de 2019
“JOHN WICK 3 – PARABELLUM” (“JOHN
WICK: CHAPTER 3 – PARABELLUM”), 2019, EUA, 2h12m, direção de
Chad Stahelski (o mesmo dos dois primeiros – “De Volta ao Jogo” e “Um Novo Dia
para Matar”). Como nos dois primeiros filmes da série, “Parabellum” capricha
nas cenas de ação. A história é fantasiosa e mirabolante demais, mas para quem
curte filmes de ação, pouco importa. O que vale mesmo são as pancadarias,
sangue jorrando, perseguições, tiros e muita ação. Neste terceiro filme da
série, John Wick (Keanu Reeves) é condenado à morte e caçado por criminosos
contratados pela Alta Cúpula, depois de ter assassinado – no filme anterior –
um chefão da máfia que estava hospedado no Hotel Continental, pertencente à
organização. A recompensa é de US$14 milhões, o que atrai um grande contingente
de assassinos. Mas John Wick é John Wick, mestre em artes marciais, exímio
atirador e praticamente imortal. Keanu Reeves está visivelmente pesado para as
lutas corpo a corpo, sendo substituído por um dublê - dá para ver nitidamente que não é ele. O filme é mentiroso, como
os de James Bond. Para se ter uma ideia, depois de várias lutas no Marrocos e ser
obrigado a atravessar o deserto a pé, ele chega a um oásis com o terno e o nó
da gravata impecáveis. Há algumas outras cenas de humor, o que deixa o filme
ainda mais agradável de assistir. Dizem que será o último da série, mas não
acredito. Afinal, seu lançamento mundial rendeu US$ 319 milhões, o que significa
um grande sucesso de bilheteria. Além de Reeves, completam o elenco Halle
Berry, Laurence Fishburne, Mark Dacascos, Asia Kate Dillon, Lance Reddic, Ian
McShane e Anjelica Huston. Resumo da ópera: “Parabellum” é uma grande bobagem,
mas uma bobagem bastante divertida. Informação adicional: “Parabellum” vem de
uma frase do latim: “Si Vis Pacem Para Bellum” (“Se Você quer Paz, Prepare-se
para a Guerra”). Meu blog também é cultura.
terça-feira, 3 de setembro de 2019
“DONNYBROOK” – LUTA PELA
REDENÇÃO” (“DONNYBROOK”), 2018, EUA, 1h41m, direção de Tim Sutton, que
também é o autor do roteiro, baseado no livro “DonnyBrook”, de 2013, escrito por
Frank Bill. A história é centrada no veterano de guerra Jarhead Earl (o ator inglês
Jamie Bell, de “Billy Elliot”), que vive de trambiques e assaltos para
sustentar a família e pagar os remédios da esposa Sarah (Valerie Jane Parker),
que está com câncer. Com o objetivo de conseguir mais dinheiro para um
tratamento mais intensivo e eficiente de Sarah, Jarhead resolve treinar para disputar um
torneio de lutas chamado “DonnyBrook”, cujo vencedor leva 100 mil dólares. Paralelamente
ao drama vivido por Jarhead, o filme acompanha a trajetória de Chainsaw Angus
(o brucutu Frank Grillo), traficante de metanfetamina, um cara violento que
vive espancando a irmã Delia (Margaret Qualley), viciada e também sua parceira
no tráfico. Enfim, gente da "melhor" qualidade. Quando chega a hora das lutas no
DonnyBrook – cerca de 20 lutadores são colocados numa jaula e o último que ficar
de pé ganha o prêmio), Jarhead e Angus ficam frente a frente para resolver uma
antiga rixa - Angus era o fornecedor de drogas de Sarah. O roteirista e diretor Tim Sutton, da trilogia “Memphis”, “Dark
Night” e “Pavillion”, acerta a mão também em “DonnyBrook”, um filme
independente muito elogiado pela crítica especializada. Eu também gostei, mesmo
que seja violento demais. Para encerrar, destaco a cena em que a bela atriz
Margaret Qualley sai nua de um lago, lembrando Ursula Andrews em “007 Contra o Satânico
Dr. No” (1962), o primeiro da série James Bond. Outro destaque do filme fica
por conta das ótimas atuações de Jamie Bell, Frank Grillo e da própria Margaret
Qualley. Enfim, “DonnyBrook é um filme que merece ser conferido.
segunda-feira, 2 de setembro de 2019
Representante oficial da
Dinamarca na disputa do Oscar 2019 de Melhor Filme Estrangeiro, o suspense “CULPA”
(“DEN SKYLDIGE”) tem um grande mérito: manter a plateia na maior tensão
durante sua hora e meia de duração com apenas um personagem, seu telefone e
computador dentro de uma saleta. Além dele, só as vozes das pessoas que ligam
para a emergência. O responsável por essa façanha é o jovem roteirista e
diretor sueco Gustav Möller, de 31 anos, em seu longa-metragem de estreia. Vamos
à história: o policial Asger Holm (Jakob Cedergren) atuava nas ruas de
Copenhagen, mas, por causa de um incidente de trabalho, acabou designado para trabalhar
na central telefônica de emergências da polícia. Em meio a trotes e ocorrências
banais, Asger recebe a ligação de uma tal de Iben, desesperada pedindo ajuda, dizendo
que havia sido sequestrada pelo ex-marido, Michael. Ela dizia estar trancada no
porta-malas do carro de Michael, enquanto Asger tentava, ao mesmo tempo, rastrear
o veículo. A situação fica ainda mais tensa quando Asger descobre que Michael tem
passagens pela polícia. Várias viaturas são mobilizadas para ir até a casa de
Iben, onde estariam seus dois filhos, o bebê Oliver e a filha mais velha
Mathilde. Ali, descobrem uma tragédia. E Asger ingressa numa angustiante
corrida contra o relógio para resolver a situação. É melhor não falar mais nada
para não estragar a reviravolta do desfecho. Eu já conhecia o ator Jakob
Cedergren de outros filmes, como os excelentes “Tristeza e Alegria”, de 2013, e
“Submarino”, de 2010. Aos 46 anos, Jacob, nascido na Suécia e radicado na
Dinamarca, talvez seja hoje o melhor ator dinamarquês em atividade. Em “Culpa”,
ele realmente tem uma atuação espetacular. O filme, exibido por aqui durante a
programação da 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, também foi
destaque nos festivais de Sundance e Rotterdam. Imperdível!
sexta-feira, 30 de agosto de 2019
“BENEFÍCIO ABENÇOADO” (“INSHALLAH
ISTAFADIT”) – a tradução em português é minha, baseada no
título em inglês, “Blessed Benefit”, 2017, coprodução Jordânia/Alemanha/Holanda,
1h23m, primeiro longa-metragem escrito e dirigido por Mahmoud al Massad, que até então era mais
conhecido como ator (ele também atua no filme), diretor de documentários,
curtas e séries de TV. Trata-se de uma comédia dramática centrada no personagem Ahmad
(Ahmad Thaher), um operário que trabalha na construção civil e vive de bicos
reformando casas. Cansado da pobreza em que sempre viveu, ele topa entrar num
negócio com seu primo Abu Wafa (Odai Hijazi): importar notebooks para revender.
Só que antes do negócio se concretizar, Ahmad é preso por ter recebido 1.800
dinares de um vizinho para construir um muro e ele nem começou a obra. É
condenado a três meses de prisão. Ele implora ao primo para vender logo os
notebooks e pagar a fiança. Mas não será fácil, pois as mercadorias estão
presas na alfândega. Na prisão, Ahamad ocupa uma cela com mais de quinze
presos. É onde acontecem as cenas mais engraçadas. O trunfo do filme é
realmente o ator Ahmad Thaher, certamente estreando no cinema – procurei referências
sobre ele, mas não encontrei. Ele é uma figura, não tem metade dos dentes de
cima e quando sorri sempre faz uma cara de ironia. Na verdade, ele parece estar
feliz na prisão, longe da mulher que o azucrina. Aparentemente, todo o elenco
do filme, com exceção do diretor Massad, parece ser constituído de amadores.
Por isso mesmo, atuam de forma espontânea, sem trejeitos ou afetações, o que
torna o filme ainda mais saboroso. Programão!
quarta-feira, 28 de agosto de 2019
“PÁSSAROS AMARELOS” (“YELLOW
BIRDS”), 2017, Estados Unidos, 1h50m, direção de Alexandre Moors
(seu segundo longa-metragem – o primeiro foi “Blue Caprice”, de 2013). Mais um
filme que mostra os horrores de uma guerra – no caso, a do Iraque – e os
traumas que perseguem os soldados quando voltam para casa. O roteiro de “Pássaros
Amarelos” é de autoria de David Lowery e R.F.I. Porto, que adaptaram os relatos
de Kevin Powers no livro “Yellow Birds”, lançado nos EUA em 2012. Veterano da Guerra
do Iraque, Powers relata uma história recheada com suas memórias do período em
que serviu no país de Sadam Houssein. Vamos à história: Brandon Bartle (Alden
Ehrenreich), de 20 anos, e Daniel Murphy (Tye Sheridan), de 18 anos, alistam-se
no exército e, durante os treinamentos, ficam muito amigos. Dois anos mais
velho, Bartle age como um irmão protetor de Murphy, um garoto tímido e
inexperiente. Às vésperas de embarcarem em missão para o Iraque, a mãe de Daniel,
Maureen Murphy (Jennifer Aniston), pede a Bartle que cuide do seu filho e o
proteja. Após mais de um ano, Bartle volta do Iraque sem o seu amigo,
considerado desaparecido. Pelo menos é o que ele e o sargento Sterling (Jack
Huston), comandante do batalhão, contam aos seus superiores. Para desespero de
sua mãe, Amy Bartle (Toni Collette), Bartle entra em depressão e e se recusa a
sair de casa – da cama, na verdade. Até o dia em que chega o capitão Anderson (Jason
Patric) e o leva preso. O mistério sobre o que de fato aconteceu no Iraque
envolvendo o desaparecimento de Daniel Murphy somente será esclarecido no desfecho. Quem diria que um dia veríamos Jennifer Aniston e Toni Collette interpretando mães de soldados - é, a idade chega para todos. O filme é
excelente, poderoso e tocante, um dos melhores que já assisti sobre os efeitos
de uma guerra. A estreia nos cinemas brasileiros deve acontecer em agosto de
2019. Não perca! domingo, 25 de agosto de 2019
“TED BUNDY: A IRRESISTÍVEL
FACE DO MAL” (“EXTREMELY WICKED SHOCKINGLY EVIL AND VILE”), 2019, Estados
Unidos, 1h50m, direção de Joe Berlinger
e roteiro assinado por Michael Werwie. Filme produzido pela Netflix, estreou
nos EUA no dia 3 de maio de 2019 e aqui no Brasil, em circuito comercial, no
dia 25 de julho de 2019. O filme é uma cinebiografia de um dos serial killers
mais famosos dos Estados Unidos: Theodore Robert Cowell, mais conhecido como
Ted Bundy. Nos anos 70 do século passado, ele matou mais de 35 mulheres, em
geral jovens e bonitas, em sete estados norte-americanos. Ted Bundy usava seu
charme, lábia e beleza para seduzir suas vítimas e depois matá-las com
requintes de crueldade. O filme não mostra ele praticando os assassinatos. A
gente fica sabendo dos detalhes dos crimes durante os julgamentos aos quais Ted
foi submetido. Apesar das evidências e provas concretas, ele sempre declarou
inocência. O filme destaca o relacionamento que Ted (Zac Efron) teve com Lilly
Kendall (Lili Collins, filha do Phil), mãe solteira que ele conheceu em 1969. Os
julgamentos em vários estados acabaram decretando a prisão de Ted. Na Flórida,
foi condenado à morte por cadeira elétrica, o que aconteceu no dia 24 de
janeiro de 1989. Ed tinha 42 anos. Além de Zac Efron, excelente como o serial
killer, e Lili Collins, estão no elenco Kaya Scodelario como Carole Ann
Boone, amante de Ted, e John Malkovich como o juiz Edward Cowart, responsável
pela sentença final. “Ted Bundy” foi o segundo longa-metragem do cineasta Joe
Berlinger – o primeiro foi “A Bruxa de Blair 2: O Livro das Sombras", de 2000.
Ele é mais conhecido no mundo do cinema como diretor de curtas, documentários e
séries de TV. Eu gostei do filme, embora concorde com grande parte dos críticos
profissionais de que houve um certo exagero em glamorizar o assassino, o que
deve ter revoltado as famílias das vítimas. Apesar da polêmica, o filme é
excelente e dá a oportunidade para assistir à melhor performance do jovem ator Zac Efron, de apenas 31 anos.
“O FILHO PROTEGIDO” (“El Hijo”), 2019,
Argentina, 1h32m, produção e distribuição Netflix, direção de Sebastián Schindel,
com roteiro de Leonel D’Agostino. Trata-se de um suspense psicológico cuja
história foi adaptada do livro “Una Madre Protetora”, escrito por Guillermo
Martínez. O consagrado pintor modernista Lorenzo Roy (Joaquín Furriel) é casado
com Sigrid (Heidi Toini), que espera um filho. Este é o segundo casamento de
Lorenzo. Do primeiro, ele teve duas filhas, com as quais não tem nenhum
contato. A gravidez de Sigrid caminha bem até que ela contrata Gudrunn (Regina
Lamm) para ser babá do filho que vai nascer. Com Sigrid, Gudrun só fala em
norueguês, fato que causa desconfiança por parte de Lorenzo. Quando a criança
nasce, o comportamento de Sigrid e Gudran fica ainda mais misterioso, deixando Lorenzo
cada vez mais com a pulga atrás da orelha. O relacionamento entre o casal vira
um inferno, prenunciando um desfecho trágico. Essa expectativa sobre o que vai
acontecer é o que conduz o suspense até o final. Um bom trabalho do diretor Sebastián
Schindel em seu segundo longa-metragem – o primeiro foi “O Patrão: Radiografia
de um Crime”, de 2014. Schindel era mais conhecido como diretor de
documentários. Um destaque do elenco é a atriz argentina Martina Gusman como
Julieta, amiga e advogada de Lorenzo. Casada com o cineasta Pablo Trapero, ela
atuou em outros excelentes filmes argentinos, como “Elefante Branco”, “Leonera”
e “Abutres”. Enfim, "O Filho Protegido" é mais um ótimo filme argentino.
quinta-feira, 22 de agosto de 2019
“4 LATAS”, 1h44,
Espanha, roteiro e direção de Gerardo Olivares. Produzido pela Netflix, sua
estreia mundial aconteceu no dia 12 de julho de 2019. Trata-se de uma comédia road
movie que começa quando dois amigos, Jean Pierre (o ator francês Jean Reno) e Tocho (o ator li banês naturalizado espanhol Hovic
Keuchkerian), recebem a notícia de que um grande amigo de ambos, Joseba
(Enrique San Francisco), está à beira da morte. Só que tem um grande problema:
Joseba mora em Tombuctu, no Mali (África), distante 2.544 km da Espanha. Como
faziam antigamente junto com Joseba, Jean Pierre e Tocho resolvem ir de carro
e compram um veículo que havia participado de um rallie no deserto nos anos
80. O nome do veículo, 4 Latas, virou o título original do filme. Durante os
preparativos da viagem, Jean Pierre e Tocho convencem a filha do amigo doente a
ir com eles. Ely (Susana Abaitua) finalmente terá a oportunidade de conhecer o
pai, que a abandonou ainda criança para viver com outra mulher em Tombuctu.
Começa a longa viagem através do Deserto do Saara, passando por Marrocos e Argélia.
Ao longo desses dias, os viajantes terão a oportunidade de passar por momentos
perigosos, incluindo os guerrilheiros tuaregues, falhas mecânicas, falta de
água e até um contrabandista francês que anos antes tinha sido roubado por Jean
Pierre. Tudo isso levado adiante com humor, ação e aventura. Enfim, um filme
muito agradável de assistir
terça-feira, 20 de agosto de 2019
“O GÊNIO E O LOUCO” (“THE
PROFESSOR AND THE MADMAN”), 2019, EUA, 2h04m, direção do cineasta iraniano
Farhad Safinia (sua estreia em longas), que também assina o roteiro com a colaboração
de Todd Komarnicki. O filme, baseado em fatos reais relatados no livro homônimo
escrito por Simon Winchester, conta a emocionante história de que como foi elaborada
a 1ª edição do Oxford Dictionary of English. Para tornar o filme ainda melhor,
dois grandes atores foram recrutados para protagonizar os personagens
principais: Sean Penn e Mel Gibson. E ambos têm uma atuação espetacular. Tudo começa em 1857, quando o professor e
filólogo James Murray (Gibson) é contratado pela Universidade de Oxford
(Inglaterra) para compilar as palavras inglesas atuais e de séculos anteriores
com o objetivo de elaborar um grande dicionário da língua inglesa. Com a desconfiança de alguns
diretores de Oxford, Murray iniciou os trabalhos com a ajuda de apenas dois
assistentes. Com o decorrer dos primeiros anos, ficou claro que seria
impossível realizar esse trabalho com apenas três pessoas. Murray, então, teve
a ideia de convocar a população da Inglaterra a colaborar. O mais incrível é
que o melhor dos colaboradores, responsável por enviar 10 mil verbetes, foi um
presidiário de um hospital psiquiátrico, o dr. William Chester Minor (Penn),
ex-médico do exército norte-americano cumprindo pena por assassinato. O filme
dá destaque à amizade de Murray e o dr. Minor, o que garante algumas cenas
bastante comoventes. Outro destaque é a forte ligação do dr. Minor com a viúva
do homem que ele matou, Eliza Merrett (Natalie Dormer), para a qual ele
destinou para o resto da vida a sua pensão militar. A primeira edição do dicionário
completo só seria lançada em 1888 e Murray fez questão de homenagear Minor colocando
seu nome como principal colaborador. O elenco do filme contou ainda com Steve
Coogan, Jennifer Ehle, Eddie Marsan, Jeremy Irvine, Stephen Dillane e Ioan Gruffudd.
A história é incrível, fascinante, e o desempenho de Penn e Gibson é
extraordinário, tornando “O Gênio e o Louco” um filme simplesmente imperdível.
domingo, 18 de agosto de 2019
Representante da Polônia na
disputa de três indicações ao Oscar 2019, “GUERRA FRIA” (“ZIMNA WOJNA”) teve
a direção e roteiro do diretor Pawel Pawlikowski (“Ida”, também escrito e
dirigido por Pawel, ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2015). Com um
pano de fundo essencialmente político, “Guerra Fria” conta uma história de amor
envolvendo Wiktor (Tomasz Kot) e Zula (Joanna Kulig). O filme acompanha a trajetória
do casal durante 15 anos, de 1949 até 1964, período em que viveram uma paixão
tumultuada, de encontros e desencontros. Em 1949, quando dirigia uma companhia
de música intitulada Mazurek Ensemble, Wiktor conheceu a ainda jovem Zula entre
os candidatos recrutados na zona rural da Polônia. Enquanto os dois se
apaixonam, a companhia é obrigada a criar espetáculos que enalteçam o grande
chefe Stalin, além de dignificar a vitória do proletariado e a glorificação do
regime comunista. Acusado de espionagem, Wiktor consegue fugir para Paris sem
Zula, que havia prometido ir com o amante. Wiktor acaba trabalhando como
pianista de jazz em night-clubs em Paris, além de compor trilhas sonoras para
filmes franceses. Enquanto isso, Zula continuou participando da companhia de música,
para depois seguir carreira-solo como cantora, fazendo enorme sucesso em toda a
Europa. Mesmo casada, Zula sempre encontra uma maneira de rever o antigo namorado,
seja em Paris, Berlim ou Belgrado. Filmado totalmente em preto e branco, com
uma fotografia espetacular, “Guerra Fria” foi indicado ao Oscar 2019 em três
categorias: Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Diretor e Melhor Fotografia. Pawel
recebeu o prêmio de Melhor Diretor no 71º Festival de Cannes, em 2018, sendo o
filme premiado em vários outros festivais pelo mundo afora. Quem gosta de
curtir filmes de alta qualidade não deve perder.
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