“AMOR
ATÉ AS CINZAS” (“JIANG HU ER NÜ”), 2018, China, 2h15m, roteiro
e direção de Jia Zhangke. Excelente drama centrado no romance entre a bela e
jovem dançarina Qiao (Zhao Tao) e o mafioso Bin (Fan Liao), que domina Datong,
cidade da província de Shanxi, nas proximidades da Grande Muralha. Qiao, além
de namorada, é o braço direito de Bin nos negócios, a maioria deles ligados a
clubes de jogos clandestinos. Numa emboscada que sofre de uma gangue rival, Bin
só não foi assassinado graças a Qiao, que utiliza uma pistola para afugentar os
agressores. Como a utilização de arma de fogo é crime grave na China, Qiao
assume que é dona da pistola e livra o namorado da cadeia. Qiao é julgada e
condenada a cinco anos de prisão, período em que Bin fica sumido do mapa, sem
nunca tê-la visitado. O filme salta para o dia em que Qiao é libertada e inicia
uma longa e atribulada jornada para reencontrar o ex-namorado. Aqui vale
ressaltar o enorme talento da atriz Zhao Tao, musa do diretor, para representar
a angústia de uma mulher que nunca deixou de ser apaixonada e deseja reatar o
romance, numa incontestável prova de amor. O diretor Jia Zhangke, um dos cineastas
mais conceituados do atual cinema chinês, de filmes como “As Montanhas se
Separam” e “Um Toque de Pecado”, mantém seu estilo impecável de contador de
histórias romanceadas, utilizando uma primorosa fotografia e cenários que
mostram alguns dos lugares mais interessantes e pitorescos do interior da China. O filme
estreou na programação oficial do 71º Festival de Cannes, em maio de 2018,
recebendo elogios tanto da crítica como do público. Cinema de qualidade. quarta-feira, 15 de maio de 2019
“AMOR
ATÉ AS CINZAS” (“JIANG HU ER NÜ”), 2018, China, 2h15m, roteiro
e direção de Jia Zhangke. Excelente drama centrado no romance entre a bela e
jovem dançarina Qiao (Zhao Tao) e o mafioso Bin (Fan Liao), que domina Datong,
cidade da província de Shanxi, nas proximidades da Grande Muralha. Qiao, além
de namorada, é o braço direito de Bin nos negócios, a maioria deles ligados a
clubes de jogos clandestinos. Numa emboscada que sofre de uma gangue rival, Bin
só não foi assassinado graças a Qiao, que utiliza uma pistola para afugentar os
agressores. Como a utilização de arma de fogo é crime grave na China, Qiao
assume que é dona da pistola e livra o namorado da cadeia. Qiao é julgada e
condenada a cinco anos de prisão, período em que Bin fica sumido do mapa, sem
nunca tê-la visitado. O filme salta para o dia em que Qiao é libertada e inicia
uma longa e atribulada jornada para reencontrar o ex-namorado. Aqui vale
ressaltar o enorme talento da atriz Zhao Tao, musa do diretor, para representar
a angústia de uma mulher que nunca deixou de ser apaixonada e deseja reatar o
romance, numa incontestável prova de amor. O diretor Jia Zhangke, um dos cineastas
mais conceituados do atual cinema chinês, de filmes como “As Montanhas se
Separam” e “Um Toque de Pecado”, mantém seu estilo impecável de contador de
histórias romanceadas, utilizando uma primorosa fotografia e cenários que
mostram alguns dos lugares mais interessantes e pitorescos do interior da China. O filme
estreou na programação oficial do 71º Festival de Cannes, em maio de 2018,
recebendo elogios tanto da crítica como do público. Cinema de qualidade. terça-feira, 14 de maio de 2019
“A
MELODIA” (“La Mélodie”), 2017, França, 1h42m, direção de Rachid Hami,
que também assina o roteiro em conjunto com Guy Laurent e Valerie Zenatti. É o
segundo longa-metragem dirigido por Hami (o primeiro foi “Choisir D’Aimer, de
2008). Vamos à história de “A Melodia”. O violinista profissional Simon Daoud
(Kad Merad), integrante de um conceituado quarteto clássico de câmara, aceita o
desafio de ensinar crianças de uma escola municipal a tocar violino. Os alunos
são todos filhos de imigrantes, a maioria pobres – o diretor Rachid Hami é argelino.
Aos poucos, Daoud consegue “domar” os mais revoltados, e até descobrir, entre
eles, um talento nato. Trata-se de Arnold (Alfred Renely), que cai nas graças
do professor por sua dedicação nos estudos de violino – para não incomodar os
vizinhos, ele treina no telhado do prédio onde mora. O objetivo ousado do treinamento
de Daoud é levar os seus alunos para tocar no concerto de final de ano com a
Filarmônica de Paris. O filme foi inspirado no Projeto Démos, iniciativa
patrocinada pela Filarmônica de Paris. Todos os alunos do filme, na faixa entre
12 e 13 anos, são atores amadores e foram selecionados em escolas municipais parisienses.
O filme nos reserva momentos de grande sensibilidade e comoventes. Já me
emocionei numa das cenas iniciais, quando o professor Daoud toca para seus
alunos o Concerto para Violino de Tchaikovsky, uma das peças mais bonitas da
música clássica e trilha sonora do maravilhoso filme “Le Concert”, de 2009. “A
Melodia” é um filme indicado para quem gosta de música clássica e se emociona
com a participação de crianças. E também para o público em geral, pois é bastante emocionante.
domingo, 12 de maio de 2019
“BOY
ERASED: UMA VERDADE ANULADA” (“Boy Erased”), 2018, EUA,
1h55m, segundo longa-metragem escrito e dirigido pelo ator, roteirista e
diretor australiano Joel Edgerton. Trata-se de um drama espinhoso e polêmico: a
cura gay. A história é baseada no livro autobiográfico de Garrard Conley, que
na juventude foi encaminhado pelo pai, um pastor da Igreja Batista, para uma
organização intitulada “Amor em Ação”, cujo principal objetivo era converter jovens
que tivessem tendências homossexuais. No filme, o jovem chama-se Jared Eamons
(Lucas Hedges), seu pai é o pastor Marshal Eamons (Russell Crown, enorme de
gordo) e a mãe é Nancy Eamons (a ainda bela e excelente atriz Nicole Kidman). O
líder da organização “Amor em Ação” é Victor Sykes (Edgerton). Juntamente com
outros jovens, Jared é submetido a uma espécie de lavagem cerebral, com
intimidação psicológica e religiosa. Poucos aguentam a pressão. Claro que o tema
é bastante polêmico e seu lançamento nos cinemas dos Estados Unidos, no final de
2018, após estrear no Festival de Toronto, em setembro de 2018, foi um
verdadeiro fracasso de bilheteria. Talvez por isso o filme teve seu lançamento cancelado
nos cinemas daqui (estava previsto para o dia 31 de janeiro de 2019). Segundo a
Universal Pictures, por “motivos comerciais”. Chegou apenas em abril, mas em
DVD. Deixando de lado toda essa polêmica, é um filme interessante de assistir.
Recomendo.
“O
12º HOMEM” (“DEN 12, MANN”), 2017, Noruega, 135 minutos,
direção de Harald Zwart, com roteiro escrito por Petter Skavlan, baseado no
livro “Defiant Courage: A Wwii Epic of Escape and Endurance”, de Astrit K.
Scott e Tore Haug. Os fatos são verídicos e contam a história incrível de Jan
Baalsrud (1917-1988), considerado o maior herói norueguês da Segunda Guerra
Mundial. Com a ocupação da Noruega pelas tropas nazistas de Hitler, Jan
Baalsrud (Thomas Gullestad) entrou para a resistência e, em companhia de outros
noruegueses, foi treinado militarmente na Inglaterra. Em 1943, ele e mais onze
homens saíram de Shetland (Escócia) num barco de pesca carregado com mais de 7
toneladas de explosivos, e atravessaram o Mar do Norte até chegar ao litoral da
Noruega. A missão do grupo era destruir instalações militares alemãs no país
ocupado. Os alemães, porém, interceptaram a embarcação e abriram fogo. Jan e
seus homens explodiram o barco e nadaram até a praia. Onze homens do grupo
foram presos. Só escapou Jan, “O 12º Homem”. O filme prioriza a fuga de Jan e
os esforços dos nazistas para capturá-lo. A prisão de Jan era uma questão de
honra para o oficial nazista Kurt Stage (o ator escocês Jonathan Rhys), mesmo porque o norueguês tinha informações importantes para fornecer aos ingleses. Em meio
à neve e ao rigoroso inverno norueguês, Jan enfrentou, durante dois meses, muita fome,
sede e frio, arrancou ele mesmo nove dedos do pé gangrenados e ainda sofreu de
cegueira. Só sobreviveu porque recebeu ajuda de alguns moradores locais. Uma história de grande coragem, sacrifício e heroísmo. Só por isso o
filme já vale a pena. Mas tem mais. Ótimo elenco, paisagens deslumbrantes e
suspense do começo ao fim. Imperdível! sexta-feira, 10 de maio de 2019
“RIVER RUNS RED” (como
ainda não foi exibido por aqui, não ganhou nenhuma tradução; o título, na
tradução literal, ficaria “Rio Corre Vermelho”), 2018, EUA, 1h34m, roteiro e
direção de Wes Miller. O juiz de Direito Charles Coleman (Taye Diggs) é surpreendido
com uma notícia nada agradável. Seu filho foi assassinado por dois policiais,
Von (Luke Hemsworth) e Rory (Gianni Capaldi). Segundo o relatório oficial, ele
teria reagido à abordagem dos policiais. Logo de cara, nos é apresentada a cena
do crime, “preparada” pelos assassinos: uma arma na mão do garoto. Inconformado
e crente que tudo não passou de uma armação, o juiz Coleman tenta convencer as
autoridades municipais de que seu filho não portava arma nenhuma e que foi assassinado
friamente. Como não houve uma resposta satisfatória à sua indignação, o juiz resolve então investigar o caso pessoalmente, até descobrir uma
evidência amplamente favorável à inocência do seu filho. Ou seja, a arma “plantada”
já havia sido utilizada pelos policiais em outro assassinato semelhante, desta vez o do filho de Javier (George Lopez), um imigrante dono de uma oficina mecânica.
Como não há uma resposta concreta da polícia, os dois pais resolvem fazer
justiça com as próprias mãos. Destaque negativo foi constatar no elenco a
figura do ator John Cusack numa ponta – na verdade, uma pontinha – pra lá de
constrangedora. Cusack, de 52 anos, que foi protagonista de ótimos filmes, como
“Alta Fidelidade” e “Matador em Conflito”, entre tantos outros, não merecia um
final de carreira tão triste e frustrante. Pior é que nos materiais de divulgação
seu nome aparece com destaque, o que pode configurar propaganda enganosa. O filme
é fraco e certamente não será exibido por aqui no circuito comercial. De
repente, aparece numa sessão da tarde qualquer. Se aparecer mesmo, pode
dispensar.
quarta-feira, 8 de maio de 2019
“VICE”, 2018,
EUA, 2h14m, roteiro e direção de Adam Mckay. Trata-se de um filme biográfico
baseado na figura de Dick Cheney, que fez carreira no governo norte-americano
começando como chefe de gabinete da Casa Branca nos anos 70 e depois como Secretário da
Defesa de 1989 a 1993, culminando com a vice-presidência na chapa de George W.
Bush, cargo que ocupou com grande desenvoltura e com poderes especiais,
principalmente nas questões de política externa e gestão militar – articulou,
por exemplo, a estratégia para a invasão do Iraque em represália aos atentados
de 11 de setembro de 2001. Cheney provou que ser vice nem sempre é um cargo
decorativo. E o roteiro de Mckay deixa bem claro que ele mandava mais que o
Bush filho. O filme foi realizado de modo a reunir fatos históricos, bastidores
do governo norte-americano e a ascensão vertiginosa de Cheney. Mesmo que o contexto seja sério, Mckay acrescentou uma grande dose de humor ácido e sátira,
numa edição dinâmica e com ritmo alucinante. Um verdadeiro show cinematográfico,
baseado num primoroso e criativo roteiro. O filme recebeu 8 indicações ao Oscar
2019: Melhor Filme, Diretor, Roteiro Original, Edição, Ator, Atriz Coadjuvante,
Ator Coadjuvante e Melhor Maquiagem e Cabelo – só conquistou a estatueta nesta
última categoria. Uma pena e uma grande injustiça. Eu daria o Oscar para Melhor
Diretor, Melhor Ator e Melhor Roteiro Original, no mínimo. O elenco é um
destaque à parte: Christian Bale como Dick Cheney (divulgaram que o ator
engordou mais de 20 quilos para o papel, o que duvido; acredito mais que tenha
havido enchimento das roupas e uma maquiagem pesada; em todo caso, Bale está
sensacional), Steve Carell como Donald Rumsfeld, um político de carreira que
teve um grande prestígio na Casa Branca; Amy Adams como Lynne Cheney; e Sam
Rockwell como o presidente Bush filho, compondo o personagem de uma forma bastante
caricatural. O diretor Adam Mckay, que já tinha em seu currículo bons filmes
como “A Grande Aposta” e “Tudo por Um Furo”, fez mais um gol de placa com “Vice”,
um dos melhores filmes dos últimos anos. Como informação adicional, lembro que
entre os produtores estão os astros Brad Pitt e Will Ferrell, o que dá a ideia
do prestígio do diretor. Não perca de jeito nenhum!
domingo, 5 de maio de 2019
“OBLAWA”, 2012,
Polônia, 1h36m, roteiro e direção de Marcin Krzysztalowicz. Mais um episódio
ambientado durante a Segunda Guerra Mundial, desta vez na Polônia. O ano é
1943. A história é centrada em Otter (Marcin Dorocinski), um soldado que aderiu
à resistência polonesa contra as tropas alemãs que ocupavam o país. Otter era
encarregado de eliminar não só os alemães como também matar os poloneses que
colaboravam com os nazistas. Podia ser amigo ou não, ele assassinava com uma
frieza incrível. O filme inteiro acontece no cenário do acampamento da resistência na
floresta e mostra as dificuldades enfrentadas pelos soldados, que muitas vezes nem
tinham o que comer. Para escrever o roteiro, o diretor Krzysztalowicz se
inspirou nas memórias de seu pai, que pertenceu à resistência polonesa. É a ele
que o cineasta dedica este filme, conforme consta nos créditos finais. “Oblawa”
estreou durante a programação oficial do Festival de Cinema de Gdynia (o Oscar polonês),
sendo premiado pelo Polish Film Awards como Melhor Filme, Melhor Fotografia, Melhor
Design de Som e Melhor Edição de Som. Fora da Polônia, foi exibido pela
primeira vez no Montreal World Film 2012. O filme não é muito agradável de
assistir. É violento, um tanto arrastado, mas bastante impactante. Vale pelo
registro histórico.
“MENINO
BONITO” (“Beautiful Boy”), 2018, EUA, duração de 2 horas, direção
de Felix Van Groeningen. Um sensível e comovente drama centrado na luta de um
pai para livrar o filho mais velho das drogas. É baseado em fatos reais, descritos
nos livros “Beautiful Boy”, de David Sheff (o pai), e “Tweak”, de Nic Sheff (o
filho viciado), adaptados pelo roteirista Luke Davies. No filme de Van
Groeningen, David Sheff é interpretado por Steve Carrell e Nic pelo jovem ator
Timothée Chalamet, responsáveis por grandes atuações (Chalamet foi indicado ao
Globo de Ouro). David Sheff é um jornalista conceituado, colaborador da Revista
Rolling Stone e do New York Times. Seu filho Nic, do primeiro casamento com Vick
(Amy Ryan), entra nas drogas e acaba se viciando em cocaína, anfetaminas e heroína.
Triste ver um menino tão bonito e simpático cair nesse precipício. Aqui vale
destacar o ótimo trabalho desse jovem ator de 23 anos de idade, descendente de
família francesa, Timothée Chalamet, que já havia demonstrado enorme
competência em filmes como “Me Chame pelo seu Nome” e “Lady Bird: A Hora de
Voar”, ambos de 2017. Steve Carrel também dá show de interpretação como o pai
inconformado com a situação do filho. Seu personagem chega a experimentar
drogas para tentar entender o vício de Nic. Embora com uma elevada carga
dramática, “Menino Bonito” reserva momentos de extrema sensibilidade e muitos
deles comoventes, reforçando sua qualidade como adaptação para o cinema. Importante
também destacar o trabalho do diretor belga Felix Van Groeningen em sua estreia
no cinema norte-americano. Van Groeningen foi responsável por “Alabama Monroe”,
de 2012, um filme também espetacular que representou a Bélgica na disputa do Oscar
de Melhor Filme Estrangeiro. Resumo da ópera: “Menino Bonito” é imperdível!
quinta-feira, 2 de maio de 2019
“NUNCA
FIRME, NUNCA PARADO” (“NEVER STEADY, NEVER STILL”) – a tradução literal
é minha, pois o filme não chegou a ser exibido por aqui e, portanto, não tem
título em português – 2017, Canadá, 110 minutos, primeiro longa-metragem escrito
e dirigido por Kathlee Hepburn. Trata-se de um drama familiar bastante pesado,
lento e muito triste. O clima melancólico é acentuado ainda mais pelo frio
reinante e os cenários de neve (a história é ambientada numa remota comunidade
às margens do lago Stuart, ao norte da Colúmbia Britânica, no Canadá). O drama
é centrado em Judy (Shirley Henderson), uma mulher por volta dos cinquenta anos
de idade que sofre do Mal de Parkinson
em estágio avançado. Para as tarefas diárias, como tomar banho, se vestir, cozinhar
e tomar os remédios, ela conta com a ajuda do marido Ed (Nicholas Campbell) e de
seu filho Jamie (Théodore Pellerin), de 19 anos. Se o sofrimento de Judy já é
grande com a doença, fica ainda pior depois de um evento trágico envolvendo seu
marido e da ida do filho para um distante canteiro de obras. Ou seja, Judy terá
que se virar sozinha. A atuação impressionante da atriz escocesa Shirley
Henderson é o grande trunfo desse bom drama canadense, repito, muito, mas muito triste. O filme estreou no Toronto International Filme Festival 2017 e recebeu 8 indicações ao Canadian Screen Awards 2018, incluindo Melhor Filme, Melhor Roteiro Original e Melhor Atriz. terça-feira, 30 de abril de 2019
“QUE
DEUS NOS PERDOE” (“QUE DIOS NOS PERDONE”), 2016, Espanha, 2h7m,
roteiro e direção de Rodrigo Sorogoyen. Drama policial cuja tema central é a
investigação de vários crimes cometidos em Madrid por um sádico serial killer,
que escolhe como suas vítimas mulheres de mais de 70 anos. Além de espancá-las
até a morte, o assassino, como toque final, ainda estupra as idosas. Boa gente
o cara. A história é ambientada em 2011 numa Madrid caótica, com manifestações de protesto violentas nas
ruas por parte dos ativistas do Movimento 15-M e às vésperas da visita oficial do Papa
Bento XVI à Espanha. A polícia madrilhenha encarrega os detetives Velarde
(Antonio de La Torre) e Alfaro (Roberto Álamo) pela investigação dos
assassinatos das idosas – as cenas dos corpos mutilados são chocantes. Ao mesmo
tempo em que acompanha os trabalhos da dupla, o filme reserva um bom espaço
para compor e revelar as personalidades completamente diferentes dos dois policiais.
Velarde é minucioso, atento aos mínimos detalhes das cenas dos crimes, observa
mais do que fala. Há muito tempo que é considerado um gênio da polícia. Por
outro lado, Alfaro é falante, truculento, resolve as discussões na base da
porrada e muitas vezes parece ter um parafuso a menos. A gagueira de Velarde rende alguns bons momentos de humor, assim como a truculência de Alfaro. Até o desfecho, o clima
de suspense segue num ritmo quase que alucinante, tornando este policial
espanhol um bom entretenimento. Faltou, porém, uma explicação plausível para a cena
final, deixando uma pergunta no ar: Como Velarde descobriu o paradeiro do criminoso? Para mim, esta é a maior falha do roteiro de Sorogoyen, embora não prejudique o resultado
final. “Que Deus nos Perdoe” também é o nome de uma música cantada pela fadista
portuguesa Amália Rodrigues, incluída na trilha sonora do filme quando os créditos finais aparecem na tela. domingo, 28 de abril de 2019
“PRAÇA
PÚBLICA” (“Place Publique”), 2018, França, 1h39m, quinto longa-metragem
dirigido pela atriz, roteirista e cineasta Agnès Jaoui. Mais uma vez, ela
contou com a colaboração, no roteiro e no elenco, do ator Jean-Pierre Bacri, com
o qual foi casada até 2012. Como é do estilo de Jaoui, “Praça Pública” é uma
comédia de costumes, gênero que é especialidade do cinema e do teatro franceses
– lembrando que foi Moliére quem inventou o gênero. Em “Praça Pública”, toda a
trama acontece durante a festa de inauguração da nova casa (open house) de Nathalie (Léa Drucker),
uma bem-sucedida empresária do mundo artístico parisiense. A casa está situada
nos arredores de Paris e Nathalie convida meio-mundo da nata artística
parisiense, incluindo várias celebridades. O convidado mais badalado é Castro (Jean-Pierre
Bacri), um famoso apresentador de TV, em torno do qual gravitam,
além dos bajuladores habituais, sua ex-mulher Hélène (Agnès Jaoui), sua filha
escritora Nina Meurisse) e sua atual namorada Vanessa (Helena Noguerra). Entre
caçadores de autógrafos, tipos esquisitos e excêntricos, gente querendo
aparecer, brigas de casais, um vizinho furioso e uma garçonete que, em vez de
servir, fica fazendo selfies com as
celebridades, o filme transcorre com muito humor até o final inusitado. Assim
como foi inusitado o começo, com uma cantora francesa – não descobri qual, mas
acho que foi Jacqueline François – cantando “Garota de Ipanema”. Se é ela
mesmo, a gravação é de 1964. “Praça Pública” foi exibido na programação oficial
do 20º Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro, em novembro de 2018.
Resumo da ópera: trata-se de mais um bom filme de Agnès Jaoui. Uma comédia bem
divertida e inteligente.
sexta-feira, 26 de abril de 2019
“EM TRÂNSITO” (“TRANSIT”),
2018, Alemanha, 1h41m, roteiro e direção de Christian Petzold. A história é
inspirada no livro “Transit”, da escritora alemã Anna Seghers (1900/1983).
Lançado em 1944, o romance de Seghers é ambientado no início da Segunda Grande
Guerra, quando os nazistas ocupavam vários países da Europa. Numa ousada
criação, o diretor Petzold (“Barbara” e “Phoenix) adaptou a história para os
tempos atuais, onde os invasores não são identificados e as vítimas perseguidas
são imigrantes ilegais e, claro, judeus. A trama é centrada no jovem Georg
(Franz Rogowski), um imigrante alemão vivendo ilegalmente em Paris. Um amigo da
resistência pede a Georg que entregue uma carta a um tal de Weidel, um escritor
também fugido da Alemanha. Quando vai ao apartamento dele, Georg descobre que Weidel
acaba de se suicidar e pega seus documentos. Daqui para a frente, ele assumirá a identidade de Weidel. Ao chegar a Marselha, onde embarcaria num navio com destino aos Estados Unidos, Georg conhece Marie (Paula Beer), uma bela mulher que, por uma grande
coincidência, é esposa do tal Weidel. Embora ainda espere pelo marido, Marie
vive um caso com o médico Richard (Godehard Giese), com o qual pretende fugir
para o México. Georg também se apaixona por ela e vice-versa. Marie, portanto, vive
uma dúvida cruel: fugir com Richard ou com Georg? O roteiro é bastante
complicado, só esclarecendo o espectador sobre o que está acontecendo a partir
da metade do filme. Eu mesmo fiquei meio perdido no início. A semelhança entre
o ator Franz Rogowski e seu colega norte-americano Joaquim Phoenix é incrível. Os
dois, por sinal, têm o lábio leporino. Paula Beer é uma excelente atriz alemã,
como já demonstrou no ótimo “Frantz”,
dirigido pelo francês François Ozon. "Em Trânsito" estreou no Festival de Berlim 2018
e também foi exibido no Festival de Veneza do mesmo ano, dividindo a opinião
dos críticos. É um filme bastante pretensioso, um tanto difícil de digerir, mas
muito interessante. Vale a pena conferir.
terça-feira, 23 de abril de 2019
“MATE
O REI” (“The Shangri-la Suite”), 2016, EUA, escrito e dirigido
por Eddie O’Keefe (é seu primeiro longa-metragem; O’Keefe tem apenas 26 anos de
idade). O ano é 1974. Jack Blueblood (Luke Grimes) e Karen Bird (Emily
Browning), dois jovens delinquentes, se conhecem numa clínica psiquiátrica de
reabilitação e se apaixonam. Ao escutar um disco de Elvis Presley de trás para
diante, Jack acredita ter ouvido a voz da mãe falecida dizendo “Mate o Rei”. A
partir daí, como uma Bonnie e um Clyde modernos, Jack e Karen saem estrada
afora matando um monte de gente até chegar a Los Angeles, onde Elvis faria um
show. Em paralelo, o filme dedica espaço a mostrar um Elvis (Ron Livingston)
decadente, viciado em remédios e extremamente arrogante, com pitadas de uma
loucura que chegava aos poucos. Depois de assistir “Mate o Rei”, pesquisei a respeito
e não achei nenhum fato relacionado com um possível atentado contra Elvis. Ou
seja, o filme é uma ficção, fruto da imaginação do jovem diretor
norte-americano. E quem narra a história, in-off,
é o falecido ator Burt Reynolds. Integram ainda o elenco a bela Ashley Greene,
como Priscila Presley, e Avan Jogia como Teijo Littlefoot, o índio homossexual amigo de Jack.
Enfim, a história até que é interessante, a trilha sonora é saborosa e o filme,
como um todo, funciona mais como um road-movie,
mas o resultado final não chega a
entusiasmar.
segunda-feira, 22 de abril de 2019
“MADMOISELLE
PARADIS” (“Licht”), 2017, coprodução Alemanha/Áustria, 1h37m,
direção da italiana Barbara Alberti, que também assina o roteiro com Kathrin Resetarits.
A história, ambientada na Viena de 1777, foi inspirada em fatos reais. Aos 18
anos, cega de nascença, Maria Therasia von Paradis (Maria-Victoria Dragus) fazia
sucesso como pianista, uma verdadeira virtuose,
que encantava os salões da aristocracia austríaca, incluindo a corte real. Mas
Paradis mostrava-se infeliz com sua deficiência, ameaçando não tocar mais. Os
pais, também membros da aristocracia de Viena, resolveram levá-la à clínica do
dr. Franz Anton Mesmer (David Striesow), que na época conseguira alguns avanços
na recuperação de deficientes visuais com métodos que lembram muito o Reiki, embora este tenha sido criado em
1922 pelo monge budista Mikao Usui. O roteiro reserva grande espaço para
mostrar o tratamento utilizado por Mesmer, sua relação com Paradis e, por fim,
a cura de sua famosa paciente. Só que teve um porém: ao se ver curada da cegueira,
a jovem começa a perder sua virtuosidade musical. Há vários motivos que fazem
deste drama alemão um excelente filme. A começar pelo impressionante desempenho
da jovem atriz romena Maria-Victoria Dragus, digno de Oscar. Além
disso, o filme destaca-se também pela excelente fotografia, pela belíssima
direção de arte e pela caprichada recriação de época, sem falar na ótima história. Um filme que
merece ser visto. domingo, 21 de abril de 2019
“APOSTASIA” (“APOSTASY”),
2017, Inglaterra, 93 minutos, primeiro longa-metragem escrito e dirigido por
Daniel Kokotajlo. O filme tem como pano de fundo os dogmas e a doutrina das
Testemunhas de Jeová. A história é centrada numa mãe divorciada, Ivanna
(Siobhan Finneran), e suas filhas Alex (Molly Wright) e Luisa (Sasha Parkinson),
que seguem a religião. Ivanna frequenta as reuniões nos “Salões do Reino” e leva
as filhas, obrigando-as a seguir à risca os princípios da religião e as
orientações dos anciões (equivalente a padres, rabinos ou pastores). A filha
Alex, por ter recebido uma transfusão de sangue quando era bebê, o que é
proibido pela religião, carrega essa culpa e dedica-se fervorosamente para se
tornar apta a ser uma verdadeira testemunha de Jeová. Luisa, a filha mais
velha, é mais contestadora e questiona muitos dos ensinamentos dos anciões.
Quando Luisa fica grávida do namorado, Ivanna vê sua família ruir, pois é
obrigada a renegar a filha e proibida, juntamente com Alex, de se “socializar”
com ela. Além disso, para aumentar ainda mais o sofrimento de Ivanna, os
anciões não permitem que Luisa frequente as reuniões. O destino também reserva
um fato trágico envolvendo a filha mais nova Alex. O que se pode deduzir da
história é que tenha sido uma crítica contundente do diretor Kokotajlo à doutrina
das Testemunhas de Jeová. E ele sabe do que está falando, já que chegou a ser também
um adepto. “Apostasia” é um filme bastante interessante e tem como destaque,
além da história, a ótima interpretação das atrizes principais.
quarta-feira, 17 de abril de 2019
“ESTRADA
SEM LEI” (“The Highwaymen”), 2018, EUA, 2h12m, direção de John Lee
Hancock e roteiro de John Fusco, produção da Netflix (estreou no Brasil dia 29
de março de 2019). O filme conta a história dos acontecimentos que antecederam
o tiroteio que levou à morte a dupla Bonnie e Clyde, casal que aterrorizou as
cidades da região central dos Estados Unidos no início dos anos 30, roubando
bancos e estabelecimentos, além de assassinar vários civis e policiais. “Estrada
Sem Lei” apresenta os fatos sob o ponto-de-vista da lei, ou seja, a estratégia
policial que culminou com a morte dos lendários marginais, ao contrário do
clássico de 1967 “Bonnie e Clyde – Uma Rajada de Balas”, de Arthur Penn, com Faye
Dunaway como “Bonny” e Warren Beatty como “Clyde”, onde o foco central é o
casal de bandidos. Em “Estrada Sem Lei”, o diretor John Lee Hancock (“Fome de
Poder”, “Walt nos Bastidores de Mary Poppins” e “Um Sonho Possível”) esconde a
fisionomia do casal, revelando-a apenas no desfecho. O filme começa em 1934 com
uma reunião no escritório da governadora do Texas, Miriam Ferguson, durante a
qual ela cobra da polícia estadual a captura do casal, que há cerca de quatro
anos praticava assaltos e assassinatos. Como nem sua polícia nem o FBI
conseguiam localizar e prender os dois criminosos, a governadora acaba concordando
com a sugestão de um de seus principais assessores: convocar dois policiais aposentados
que pertenciam à Texas Ranger Division. Dessa forma, Frank Hamer (Kevin
Costner) e Maney Gault (Woody Harrelson), duas figuras lendárias dos Rangers,
entram em ação comandando toda a estratégia que levaria à perseguição e assassinato dos dois
marginais. Destaque para o trabalho dos dois atores veteranos, principalmente Harrelson, e
também para a primorosa recriação de época – veículos, figurinos, cenários e as
armas. O roteiro ainda abre espaço para relembrar o fascínio que grande parte da
população norte-americana tinha pela dupla, chamada de "Robbyn Woods modernos". As roupas de Bonnie, por exemplo, viraram moda
instantânea na época, principalmente a boina. A
popularidade dos dois pode ser medida pelo número de pessoas (simpatizantes e
fãs) que compareceram ao seu funeral: mais de 20 mil. Nos créditos finais, o
filme exibe fotos verdadeiras dos principais protagonistas da história.
Filmaço! segunda-feira, 15 de abril de 2019
“DIREÇÃO
EXPLOSIVA” (“STEIG. NICHT. AUS!”), 2018, Alemanha, 1h49m, roteiro e
direção de Christian Alvart. Filme de suspense, com muita tensão do começo ao
fim. A história começa com Karl Brendt (o astro alemão Wotan Wilke Möhring)
antecipando seu retorno a Berlim depois de uma viagem de negócios – ele é
diretor de uma grande empresa do ramo imobiliário. Karl queria fazer
uma surpresa para a esposa Simone (Christiane Paul) no dia em que o casal
comemoraria seus 15 anos de casamento. Esse dia, porém, reservaria uma série de
acontecimentos desagradáveis que fizeram Karl desejar não ter antecipado a
viagem. Durante o caminho em que levava seus dois filhos adolescentes para o
colégio, Karl recebe uma ligação de um homem que ameaça explodir seu
automóvel se não depositar em sua conta uma vultosa quantia em dinheiro. O
maluco instalou uma bomba sob cada banco do veículo de modo a não permitir que
ninguém se levante, pois, caso contrário, o acionamento é imediato e “Pum!”. O
desespero toma conta de Karl e de seus dois filhos, sentados no banco de trás. Karl
faz de tudo para arranjar o dinheiro, tarefa quase impossível por causa da
situação. Para aumentar ainda mais o sofrimento, a cada minuto o maluco ameaça
explodir as bombas por controle remoto. Como desgraça chama desgraça, durante o
episódio Karl descobre um segredo terrível sobre a esposa, recebe a notícia de
sua demissão e ainda por cima é perseguido pela polícia berlinense como
sequestrador dos próprios filhos. Ou seja, é ação e suspense o tempo inteiro.
Entretenimento dos melhores.
domingo, 14 de abril de 2019
“BAYONETA”, coprodução
México/Finlândia e Netflix (estreou aqui no Brasil dia 29 de março de 2019),
1h35m, roteiro e direção de Kyzza Terrazas (é o seu segundo longa-metragem; o
primeiro foi “El Lenguaje de Los Machetyes”, de 2011). A história é centrada no
ex-lutador de boxe Miguel “Bayoneta” Galindez, que abandonou os ringues e foi
para a Finlândia trabalhar como treinador numa academia. Começa o filme com “Bayoneta”
(Luis Gerardo Méndez) entrando no vestiário após uma luta nos Estados Unidos.
Chorando sem parar, esmurrando armários e se xingando, ele lamenta o que
aconteceu na luta. Teria perdido um título ou uma luta importante? O diretor
Terrazas deixa a resposta para o final. Até lá, o filme acompanha a rotina
diária do ex-lutador mexicano na capital finlandesa Helsinque, para onde se
mudou há cerca de cinco anos, logo após aquela fatídica luta. Ele deixou em
Tijuana, no México, a mulher e a filha. No frio de Helsinque, de congelar foca,
“Bayoneta” passa os dias treinando jovens lutadores na academia e à noite
costuma frequentar os bares, bebendo sem parar, ainda sofrendo com o trauma daquela
luta de cinco anos atrás. Quando a academia em que trabalha fica ameaçada de
fechar, “Bayoneta” resolver voltar a lutar para levantar uma grana. Seu amigo Denis
(Brontis Jodorowsky), colega de academia, é contra o seu retorno aos ringues,
mas mesmo assim topa ser seu treinador. O ator mexicano Luis Gerardo Méndez
treinou durante cinco meses para fazer o papel de “Bayoneta”. Nas cenas de luta
ele se sai muito bem, mesmo sem nunca ter subido num ringue. Não foi o melhor
filme sobre boxe que já assisti, mas sem dúvida é muito bom. quarta-feira, 10 de abril de 2019
“LUZES
DE OUTONO” (“Autumn Lights”), 2016, coprodução EUA/Islândia/França, falado em islandês, inglês e italiano, 1h42m, longa-metragem de estreia do islandês Angad Aulakh como roteirista e diretor.
É ambientado num vilarejo litorâneo a duas horas da capital islandesa
Reikjavick. Nesse local, o fotógrafo norte-americano David (Guy Kent) alugou
uma cabana para passar alguns dias de férias com a namorada Eva (Thora Bjorg
Helga). Logo no começo, eles entram em atrito (não se explica a causa) e Eva
faz as malas e vai embora. David fica sozinho, com cara de cachorro perdido e
solteirão carente (é a cara dele o filme inteiro). Num dos passeios que faz
pela praia, ele encontra o cadáver de uma jovem e avisa a polícia, que consegue
identificar a vítima e localizar seu bilhete de suicídio. Mesmo assim, a
polícia pede que David fique por lá um tempo até terminarem as investigações. Em
mais um passeio solitário, David conhece Marie (Marta Gastini), que mora numa
casa próxima e o convida para jantar com o marido Johaan (Suen Olafur
Gunnarsson) e alguns amigos. A reunião desses personagens dará margem à formação
de um quadrilátero amoroso (triângulo é pouco) centralizado na fogosa Marie e que envolve uma amiga e um amigo,
David e o próprio marido. E por aí vai esse drama que um crítico chegou a
comparar aos filmes do grande diretor sueco Ingmar Bergman. Escreveu que Aulakh
utilizou “tintas bergmanianas”. Menos, colega, menos... Achei o filme bastante
entediante, verborrágico e lento
demais. Os personagens são todos melancólicos e depressivos, combinando com a
paisagem fria de neve que envolve os cenários.Nada que justifique uma indicação entusiasmada. Como informação adicional, o título "Luzes de Outono" refere-se ao fato de que nessa época na Islândia o dia dura quase 24 horas. segunda-feira, 8 de abril de 2019
“A PAIXÃO DE AUGUSTINE” (“LA PASSION d’AUGUSTINE”),
2016, Canadá, 1h43m. roteiro e direção de Léa Pool, falado em francês. Não descobri, mas acredito que a diretora tenha elaborado a história inspirada em fatos reais. A personagem do título é
Simone Beaulieu, mais conhecida como Madre Augustine, que nos anos 60 era
diretora de uma escola/convento na zona rural de Québec. Quando assumiu a
direção, Augustine (Céline Bonnier) instituiu na escola, além da
religião e aulas de literatura e francês já constantes do currículo, o ensino da música. Pianista clássica
na juventude, Augustine revelou em seu colégio vários talentos, responsáveis
por conquistar vários prêmios em concursos musicais da região. Um desses talentos
era sua própria sobrinha, a rebelde Alice (Lysandre Ménard), uma verdadeira virtuose no piano. Além das aulas de
música, o filme dá destaque à influência do polêmico Concílio Vaticano II, que discutiu
e regulamentou vários temas, incluindo ações para a modernidade da Igreja
Católica. Outra questão enfocada foi a iniciativa do governo canadense de só
permitir o ensino público em colégios do Estado, o que praticamente determinou
o fechamento do convento de Augustine. O filme é muito bom, a história
comovente e sensível, além de uma saborosa trilha sonora: Bach Liszt, Chopin, Mozart etc. A nata da música clássica, tocada em solos
maravilhosos pelas alunas de Augustine. Sem falar no ótimo elenco, encabeçado por
essa atriz maravilhosa Céline Bonnier, a Madre Augustine. Mais um bom trabalho realizado pela roteirista diretora suíço/canadense Léa Pool, que em 2014 já havia conquistado o Prêmio Especial do Júri Ecumênico no Festival Internacional de Cinema de Berlim. Já que estamos falando de música, resumo da ópera: um filme imperdível! domingo, 7 de abril de 2019
“OPERAÇÃO FRONTEIRA” (“TRIPLE
FRONTIER”), 2019, produção Netflix (estreou dia 13 de março de 2019), 1h55m,
roteiro e direção de J.C. Chandor. A história é centrada em cinco amigos
ex-membros das Forças Especiais dos EUA. Um deles é o agente Santiago Garcia
(Oscar Isaac), que ainda está na ativa como agente do comando antidrogas. Durante uma missão,
Santiago recebe a informação de que o principal fornecedor das drogas mora numa
mansão de segurança máxima localizada na tríplice fronteira Brasil/Peru/Colômbia, onde
esconde todo o dinheiro que ganhou em vários anos como traficante. Ou seja, a
mansão é um verdadeiro cofre. Cansado de prender traficantes e engordar os
cofres do Tio Sam, Santiago resolve convocar quatro amigos ex-agentes especiais:
Tom Davis (Ben Affleck), Francisco Morales (Pedro Pascal), William Miller
(Charlie Hunnam) e Ben Miller (Garrett Hedlund). A missão deve ser clandestina,
sendo que o objetivo é roubar o dinheiro do traficante e dividi-lo entre os
cinco. Ao montar a estratégia de invasão, o grupo conta com o apoio da
informante Yovanna (a morenaça Adria Arjona), que, em contrapartida, recebe como promessa
a libertação do seu irmão da cadeia. Como filme de ação, “Operação Fronteira”
tem lá seus bons momentos, mas o resultado final é decepcionante,
principalmente pela presença de astros como Ben Afleck (sua atuação é
constrangedora) e Oscar Isaac. Este talvez seja o filme mais fraco de Chandor,
que tem em seu currículo os excelentes “Margin Call – O Dia Antes do Fim”, “O
Ano mais Violento” e “Até o Fim”, este último com o astro Robert Redford.
quinta-feira, 4 de abril de 2019
“O FOTÓGRAFO DE MAUTHAUSEN” (“EL
FOTÓGRAFO DE MAUTHAUSEN”), 2018, Espanha, 1h50m, produção Netflix (estreou dia
22 de fevereiro de 2019), terceiro longa-metragem dirigido pela cineasta espanhola
Mar Targarona, com roteiro de Roger Danès e Alfred Pérez Vargas. Baseada em fatos
reais, a história resgata mais um episódio dramático da Segunda Guerra Mundial,
ou seja, as atrocidades praticadas pelos nazistas no campo de concentração de Mauthausen, na Áustria. A figura central é o ex-combatente Francisco Boix
(1920-1951), que lutou pelos republicanos na Guerra Civil Espanhola (era
militante do Partido Comunista), foi preso e enviado, no início da Segunda
Guerra, para Malthausen, com outros 1.500 espanhóis e mais de 100 mil prisioneiros
de várias nacionalidades, incluindo judeus, claro. No campo de concentração, Francisco
Boix (Mario Casas) conseguiu uma vaga de assistente no laboratório fotográfico do
oficial alemão Paul Ricken (Richard van Weyden), encarregado de fotografar tudo
o que acontecia em Mauthausen, incluindo, principalmente, as atrocidades,
enforcamentos, fuzilamentos, experiências médicas etc. Para denunciar essa
situação ao mundo, Boix passou a roubar os negativos de Ricken,
contrabandeando-os para fora do campo de concentração. Quando a guerra
terminou, essas imagens serviram de prova para condenar vários nazistas como
criminosos de guerra. Mario Casas, normalmente escalado para fazer o papel de
galã em vários filmes espanhóis, nunca foi um bom ator, mas desempenhou bem
como o fotógrafo Francisco Boix. O filme
é bastante interessante como documento histórico, embora possa chocar em
algumas cenas das atrocidades. Enfim, mais um relato trágico da crueldade dos nazistas.
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