“O
FILHO DE JEAN” (“Le Fils de Jean”), 2016, coprodução
França/Canadá, 1h38, roteiro e direção de Philippe Lioret. Drama sensível e
comovente centrado num jovem francês residente em Paris que um dia recebe a
notícia de que seu pai biológico acabara de falecer em Montreal (Canadá). Ele
nunca soube quem era seu pai biológico e nem que morava em outro país. Sua mãe sempre
escondeu a verdade. Matthieu (Pierre Deladonchamps) resolve ir para o enterro.
Chegando em Montreal, ele é recebido por Pierre Lesage (Gabriel Arcand), um
médico que foi colega de seu pai biológico, Jean, também médico. Matthieu descobre
que tem dois irmãos e quer conhecê-los antes do enterro. Pierre promete apresentá-los
com a condição de Matthieu não dizer que é um filho bastardo. Até o enterro,
Matthieu conviverá com os irmãos e com a família de Pierre, até a surpreendente
revelação no desfecho. O filme é excelente, recebeu inúmeros elogios da crítica
especializada e rendeu dois prêmios César (o Oscar francês), o de Melhor Ator
para Pierre Deladonchamps e de Ator Coadjuvante para Gabriel Arcand. Imperdível!
segunda-feira, 10 de dezembro de 2018
domingo, 9 de dezembro de 2018
“MILADA”, 2017,
República Checa/EUA (Netflix), 2h10, é um drama biográfico centrado na
advogada, ativista dos direitos humanos e política Milada Horáková (1901-1950),
que ficou famosa por sua coragem na luta contra a ocupação nazista na Tchecoslováquia
durante a Segunda Guerra Mundial e depois contra o Partido Comunista (sob o
comando da Rússia) que assumiu o poder no país em 1948. O filme é dirigido por David
Mrnka (seu primeiro longa-metragem), com roteiro de Roberta Gant e Robert
Conant. Milada é interpretada de forma magistral pela atriz israelense Ayelet
Zurer. Por participar da resistência aos nazistas, Milada foi presa e torturada
pela Gestapo, sendo depois encaminhada para um campo de concentração. Ao fim da
Segunda Guerra, ela foi libertada como heroína do povo tcheco. Logo em seguida,
foi eleita deputada e, em 1948, com a tomada do poder pelos comunistas, ela
renunciou e acabou sendo presa novamente. Um julgamento totalmente parcial
julgou-a culpada pelo crime de traição à pátria, sendo condenada à morte por
enforcamento. O filme é ótimo, com destaque para a primorosa recriação de
época, figurinos, fotografia e, principalmente, pela atuação maravilhosa da
atriz Ayelet Zurer (“Ben-Hur”, “Os Últimos Cavaleiros”). Também merece destaque a reprodução de imagens cinematográficas da época enfocada. A cereja do bolo,
porém, é, sem dúvida, a história incrível de coragem de uma mulher que lutou pelo seu
país e jamais cedeu em suas opiniões. Imperdível!
sexta-feira, 7 de dezembro de 2018
“SHIVÁ
– UMA SEMANA E UM DIA” (“Shavua ue Yom”), 2016, Israel, 1h38,
primeiro longa-metragem escrito e dirigido pelo jovem diretor Asaph Polonsky,
de 35 anos, mais conhecido por curta-metragens e produções televisivas.
Trata-se de uma comédia, embora o pano de fundo envolva uma família enlutada. Eyal
Spivak (Shai Avivi) e sua esposa Vicky (Evgenia Dodina) acabam de sair do
período de Shivá, o que na religião judaica significa uma semana de luto,
quando os familiares permanecem em casa reverenciando a memória do ente
falecido. No caso, o filho de Eyal e Vicky. O filme é todo ambientado no dia
seguinte ao Shivá. O casal tenta retomar sua rotina habitual, sair do período
de luto. Mas só Vicky consegue. Ela é professora e vai ao colégio reiniciar
suas aulas, só que já colocaram uma substituta em seu lugar. Ao voltar para
casa, surpreende Eyal fumando maconha com o jovem Zooler (Tomer Kapon), seu
vizinho e amigo de infância do filho falecido. O diretor Asaph consegue tratar
da temática do luto com extrema leveza e bom humor. Algumas cenas são realmente
hilariantes, como aquela em que Eyal tenta enrolar um baseado ou outra quando
Zooler “toca” uma guitarra imaginária ao som de um rock pesado. “Shivá” foi
exibido pela primeira vez no Festival de Cannes 2016, conquistando o Prêmio Gan
Fundation de Distribuição na 55ª Semaine de La Critique. Também foi sucesso em
outros festivais, conquistando 8 prêmios e mais 14 indicações internacionais.
Realmente, um filme bastante interessante por sair da mesmice habitual. Por isso,
merece ser conferido por quem gosta de curtir novidades.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2018
“A
ESPOSA” (“THE WIFE”), 2017, Suécia/EUA, direção de Björn Runge e
roteiro de Jane Anderson, responsável pela adaptação do romance “The Wife”, da
escritora norte-americana Meg Wolitzer. A trama é sobre uma mulher que sempre viveu à sombra da fama do marido escritor e que um dia se cansa do seu papel secundário. A história é centralizada no casal Joseph
Castleman (Jonathan Price) e Joan (Glenn Close). Eles estão casados há mais de
40 anos, ele um escritor famoso e ela uma esposa e mãe exemplar. Eles têm um filho,
David (Max Irons), que pretende ser escritor, mas vive em conflito pessoal por
não mostrar muito talento. Joseph é escolhido para receber o Prêmio Nobel de
Literatura e os três vão a Estocolmo participar da solenidade de premiação.
Pouco antes do evento, uma revelação surpreendente e inesperada ligada ao
passado irá causar desavenças entre o casal. O elenco conta ainda com Elizabeth
McGovern (uma das minhas antigas musas da tela, agora, infelizmente, bastante envelhecida), Annie
Starke (Joan jovem), Harry Lloyd (Joseph jovem) e Christian Slater como um escritor de biografias sem escrúpulos. O filme é
muito bom, com diálogos inteligentes e uma história bastante interessante. Os veteranos Glenn Close e Janathan Price dão um
verdadeiro show de interpretação. Gleen, inclusive, é cotada para uma indicação
ao Oscar/2019 de Melhor Atriz. Ela está realmente sensacional. Imperdível! segunda-feira, 3 de dezembro de 2018
“EUFORIA”
(“EUPHORIA”), 2017, Inglaterra, 1h44, escrito e dirigido por
Lisa Langseth. Drama destinado a um final "chororô" cujo pano de fundo é a
eutanásia. Duas irmãs se reencontram após vários anos de separação e combinam
viajar juntas. Emille (Eva Green) cuida do roteiro, cujo destino é uma casa de
campo para hospedar doentes terminais. Começa o filme e a gente logo percebe
que Ines (Alicia Vikander) não está muito à vontade com Emille. Ou seja, não se
davam muito bem. Ines não sabe o motivo pelo qual Emille escolheu aquele local
para passar alguns dias, mas logo fica sabendo. Durante os dias em que ficarão
juntas, as irmãs recordarão alguns episódios da infância e o relacionamento com
os pais. Sobre os motivos que levaram as duas irmãs a se distanciarem, o filme
deixa a resposta no ar. Como é previsível desde o início, o filme caminha para
um desfecho de lágrimas. Destaque para a participação da veterana atriz
Charlotte Rampling como a gerente do estabelecimento, situado num belo cenário
dos Alpes Suíços. “Euforia” foi o primeiro filme falado em inglês da diretora
sueca Lisa Langseth, que já havia dirigido a também sueca Alicia Vikander em “Pure”
e “Hotel Terapêutico”. O veterano ator inglês Charles Dance também está no
elenco.
domingo, 2 de dezembro de 2018
Suspense, tensão de
arrepiar os pelos da nuca e muitos sustos são alguns dos ingredientes que fazem um bom filme de terror. Eles estão em profusão no terror “A FREIRA” (“The Nun”),
2018, EUA, segundo longa-metragem dirigido por Corin Hardy (“A Maldição da
Floresta” foi o primeiro), com roteiro de James Wan e Gary Dauberman. A história
é ambientada em 1952 num convento isolado na Romênia e, segundo o material de divulgação,
inspirada em fatos reais. Claro que os roteiristas acrescentaram muita coisa.
Nesse tal convento, uma freira se suicida e a notícia chega ao Vaticano, que
convoca o padre Burke (o ator mexicano Demian Buchir) e a Irmã Irene (Taissa
Farmiga), prestes a se tornar freira, para investigarem os motivos que levaram
a freira a cometer suicídio. Com a ajuda de um rapaz (Jonas Bloquet) habitante
de uma aldeia próxima, padre Burke e a Irmã Irene chegam ao convento e logo se
darão conta de que a situação é grave, que o mal está instalado por lá e não vai dar trégua. E
dá-lhe sustos, um atrás do outro. O filme faz parte da saga “Invocação do Mal”,
que teve duas versões, a primeira em 2013 e a mais recente em 2016, ambas
dirigidos pelo malasiano James Wan, um dos roteiristas de “A Freira”. Aliás,
Taissa Farmiga é a irmã mais nova da também atriz Vera Farmiga, que atuou nos
dois “Invocação do Mal”. Para quem gosta do gênero terror – e mesmo quem não
gosta – vai adorar “A Freira”. Tensão garantida na frente da telinha.
sábado, 1 de dezembro de 2018
“A
GAROTA NA NÉVOA” (“LA RAGAZZA NELLA NEBBIA”), 2017, Itália, estreia
no roteiro e direção de Donato Carrisi, um escritor italiano de romances
policiais de grande sucesso. Ele mesmo adaptou para o cinema o livro que
escreveu e que leva o título original. Trata-se de um suspense policial
centrado no desaparecimento misterioso da jovem Anna Lou (Ekaterina Buscemi), moradora
num vilarejo localizado nos Alpes Italianos. O inspetor Vogel (Toni Servillo) é
encarregado de investigar o caso, formando uma grande equipe de detetives. Durante
as investigações, surge um suspeito: o professor Loris Martin (Alessio Boni),
que é detido e logo considerado culpado. O caso chega ao conhecimento da
imprensa, que envia várias equipes ao vilarejo, transformando o sumiço de Anna
Lou no grande assunto dos noticiários italianos. Até chegar ao desfecho, numa
surpreendente reviravolta, o filme segue num ótimo suspense, ficando o espectador
no aguardo de uma situação esclarecedora. Porém,
não é isso que acontece. Não há respostas claras sobre o verdadeiro responsável
pelo sequestro e suas razões, culminando com um final confuso, sem uma explicação
razoável. A crítica especializada não economizou elogios, mas eu não gostei. A
começar pelo desempenho de Toni Servillo (“A Grande Beleza”), atuando no piloto
automático, sempre com olhar de “peixe morto”, parecendo dopado. O elenco conta
ainda com o ator francês Jean Reno, Lucrezia Guidone e Greta Scacchi (irreconhecível).
Numa das cenas mais importantes do filme, perto do desfecho, o fundo musical é
de Beth Carvalho cantando “Dança da Solidão”. Não entendi a intenção do diretor
ao acrescentar esse número musical que nada tem a ver com a história. De
qualquer forma, o filme foi um grande sucesso de bilheteria na Itália. Se
quiser arriscar, fique à vontade.
quarta-feira, 28 de novembro de 2018
“NASCE UMA ESTRELA” (“A Star is Born”), 2018, EUA, 2h16, marca a estreia na direção do ator Bradley Cooper, que também atua como um dos protagonistas principais. Trata-se da quarta versão da história: a primeira em 1937, escrita pelos roteiristas William A. Wellman e Robert Carson; a segunda, em 1954; e a terceira em 1977, com Barbra Streisand e Kris Kristofferson. Na versão de 2018, a grande surpresa é o excelente desempenho da cantora Lady Gaga (seu nome verdadeiro é Stefani Joanne Angelina Germanotta). Ela atua de “cara lavada” quase o filme inteiro, demonstrando um talento surpreendente também como atriz. Além disso, ela também é responsável pela autoria de todas as canções do filme. O filme conta a história do astro do rock Jackson Maine (Cooper), que numa noite, após um de seus shows, vai a uma boate e se entusiasma com uma cantora chamada Ally (Gaga) interpretando “La Vie en Rose”. Ele vai procurá-la no camarim, conversam e acabam, claro, se apaixonando. A partir daí, o enredo segue adiante como todo mundo conhece: ela acaba se transformando numa grande estrela da música e ele, em franca decadência, aumenta o consumo de bebida e de drogas. Resumo da ópera: o filme é um drama musical romântico que se destaca pelos ótimos números musicais e pelo desempenho de Gaga e Bradley como o par romântico da história. Certamente será um dos indicados ao Oscar 2019, com boas chances para Melhor Trilha Sonora, Música ("Shallow"), Melhor Atriz, Melhor Ator e, quem sabe, Melhor Diretor. Não sou muito fã de musicais, mas achei este bem interessante e muito bem realizado. segunda-feira, 26 de novembro de 2018
“REFÉM
DO JOGO” (“Final Score”), 2018, Inglaterra, direção de Scott Mann
(O Sequestro do Ônibus 657”). É um filme de ação ambientado dentro do Upton
Park Stadium, em Londres, onde as equipes do West Ham e Dínamo Moscou decidiriam
uma das vagas para a finalíssima da Liga Europa. O jogo é à noite, o estádio
lotado (35 mil pessoas), tudo em clima de festa. Só que nos bastidores a
história era outra. Um grupo de terroristas dissidentes russos ocuparam a
cabine de comando do complexo esportivo, fecharam todos os acessos e saídas,
além de implantar várias bombas num dos setores mais importantes do estádio. O
objetivo dos terroristas é identificar, entre os torcedores do Dínamo, o líder
revolucionário russo Dimitri (Pierce Brosnan) e sequestrá-lo. Quem tentará
impedir esta ação é o ex-soldado do exército norte-americano Michael Knox (Dave
Bautista). Ele enfrentará sozinho os terroristas, apanhará muito e, ao estilo
Bruce Willis de “Duro de Matar”, sobreviverá todo arrebentado. É o quarto filme
do grandalhão Dave Bautista, um ex-lutador de MMA. Antes, havia participado de “007
Contra Spectre”, “Guardiões da Galáxia e “Blade Runner 2049”. Embora o material
promocional do filme dê destaque à participação do ator Pierce Brosnan, ele
aparece pouco e sem nenhum brilho. Enfim, trata-se de um bom filme de ação num
ritmo alucinante, com cenas espetaculares de luta e perseguições no telhado do
estádio e muito suspense. Ótimo entretenimento, sem exigir muito dos neurônios
do espectador.
domingo, 25 de novembro de 2018
“CORO”
(“CHORUS”), 2015, Canadá, 1h36, escrito e dirigido por François
Delisle. Filmado em preto e branco e falado em francês, “Coro” é um drama
bastante pesado, beirando o limite do depressivo. Dez anos depois de ter desaparecido misteriosamente, o
corpo de Hugo, um garoto de oito anos, foi descoberto enterrado numa zona
rural. Irene (Fanny Mallette), a mãe, é avisada. Ela entra em contato com Christophe
(Sébastian Ricard), ex-marido e pai do menino, que agora mora no México. Ela
pede a ele que venha com urgência para ajudá-la a enfrentar a situação:
depoimentos à polícia, reconhecimento dos objetos do filho, velório, enterro etc. Ao se
reencontrarem, após cerca de dez anos separados, Irene e Christophe engatam uma
possibilidade de reconciliação. Antes, porém, terão que enfrentar situações
bastante desagradáveis, tais como assistir ao vídeo no qual o pedófilo Jean-Pierre
Blake (Luc Senay) confessa o crime e o descreve em detalhes dos mais
escabrosos. Eu gostei do filme. Achei muito bem feito, uma fotografia em preto
e branco muito bonita e um elenco de primeira, destaque para os dois protagonistas
principais e a presença marcante da veterana atriz canadense Genevíève Bujold, que
chegou a ser indicada ao Oscar de Melhor Atriz em 1969 por “Ana dos Mil Dias”,
quando interpretou magistralmente Ana Bolena, a segunda esposa do rei inglês
Henrique VIII. Foi ótimo revê-la na telinha.
quarta-feira, 21 de novembro de 2018
“MARIE
CURIE: A CORAGEM DO CONHECIMENTO” (“Marie Curie”), coprodução
Polônia/Alemanha/França, roteiro e direção da alemã Marie Noëlle. O filme estreou
no Toronto International Film Festival em 2016, recebendo rasgados elogios.
Trata-se de mais uma adaptação cinematográfica da biografia da cientista polonesa
Marie Curie (cujo verdadeiro nome era Maria Sklodowska), responsável pela
descoberta da radioatividade. Ela saiu da Polônia para estudar na Universidade
de Sourbonne, onde conheceu o professor Pierre Curie, com quem se casaria e
formaria uma dupla consagrada de cientistas. Eles receberam o Prêmio Nobel de
Física em 1903. Em 1911, Marie ganhou o Nobel de Química, desta vez sozinha,
tornando-se a única pessoa, até hoje, a ganhar dois prêmios Nobel. Falado em
francês, o filme conta toda essa história, complementada por aspectos de sua
vida particular, como seu caso com um cientista casado, romance que acabou em
grande escândalo. Por ser mulher, Marie Curie enfrentou a desconfiança e uma
certa inveja dos cientistas. Marie encarou toda essa situação com muita
coragem, assim como lutou durante toda a sua vida pelo reconhecimento da
comunidade científica. Dessa forma, indico como obrigatório assistir “Marie
Curie”, interpretada com enorme competência pela atriz polonesa Karolina Gruszka. Também estão no elenco, entre outros, Charles Berling e Arieh Worthalter. fotografia e a ambientação de época também são destaques nesta ótima versão
cinematográfica da biografia desta cientista que anos mais tarde seria eleita a
mulher mais influente da História pela BBC History.
terça-feira, 20 de novembro de 2018
“O
MELHOR PROFESSOR DA MINHA VIDA” (“LES GRANDS ESPRITS”), 2017,
França, roteiro e direção de Olivier Ayache-Vidal em seu primeiro longa-metragem.
Professor de literatura francesa no renomado Liceu “Henri IV”, um dos mais
tradicionais colégios de Paris, frequentado pelos filhos da elite, François
Foucault (Denis Podalydès), a pedido do Ministério da Cultura, é designado para
dar aulas numa escola pública da periferia da capital parisiense, cujos alunos,
em sua maioria, são pobres, filhos de imigrantes africanos e árabes e com um
mínimo de cultura e educação. No início, Foucault tentou transmitir um pouco de
sua erudição e impor sua linha de trabalho, mas logo percebeu que teria que mudar de tática, interagir com os alunos e exercer sua função com mais psicologia. O roteiro dedica grande parte ao relacionamento
entre Foucault e Seydou (Abdoulaye Diallo), um jovem filho de imigrantes
africanos cujo comportamento tira qualquer professor do sério. As atuações de Denis
Podalydès, um consagrado ator francês de teatro, e do estreante Abdoulaye
Diallo, valem o ingresso. Mais uma joia do cinema francês, comovente, sensível
e, ao mesmo tempo, divertido na dose certa. Um belo filme que merece ser visto
por quem curte cinema de qualidade. Irresistível!
domingo, 18 de novembro de 2018
“O
CHEIRO DA TANGERINA” (“L’Odeur de La Mandarine”), 2015,
França, direção de Gilles Legrand, que teve a ideia do enredo, desenvolvido
para roteiro por Guilaume Laurant. Ambientado em 1918, às vésperas do término
da Primeira Guerra Mundial, o filme é centrado no relacionamento entre o
oficial de cavalaria Charles (Olivier Gourmet) e sua enfermeira Angèle (Georgia
Scalliet). Charles foi ferido gravemente no início do conflito e perdeu parte
da perna direita. Ele mora num casarão – na verdade, um castelo – da família,
com uma governanta e um motorista. Angèle foi contratada para cuidar do
ferimento de Charles. Juntamente com sua filha, fruto de um relacionamento
antigo, Angèle acaba morando no casarão e, com o correr do tempo, desperta uma
paixão desenfreada em Charles. Eles se casam e, no início, até que o
relacionamento funciona com harmonia, mas a questão sexual acaba interferindo e
causando problemas. Aliás, o pano de fundo do filme é todo dedicado ao sexo,
principalmente depois da chegada de um soldado desertor com seu cavalo. A “Tangerina”
do título é justamente a égua de Charles, que propõe um cruzamento entre ela e
o garanhão recém-chegado. Deu para sacar a intenção do título? Apesar de ser um
drama, o roteirista conseguiu achar espaço para alguns momentos de humor, tornando o filme ainda mais agradável. Além da história em si, o grande
trunfo do diretor Laurant foi escalar o excelente ator francês Olivier Gourmet
e a atriz de teatro Georgia Scalliet, que fez sua estreia no cinema. Os dois
estão ótimos e garantem, sozinhos, a qualidade da produção. O filme é excelente e merece ser conferido.
sexta-feira, 16 de novembro de 2018
“22
DE JULHO” (“22 July”), 2018, EUA/Noruega, 2h23m, roteiro e
direção de Paul Greengrass, produção Netflix – foi lançado mundialmente no dia 10
de outubro de 2018. O filme relembra em detalhes a tragédia ocorrida na Noruega
no dia 22 de julho de 2011, quando um maluco neonazista, anti-islâmico e com ideais fundamentalistas de
extrema-direita, explodiu um carro-bomba nas proximidades da sede do governo
norueguês, em Oslo, e logo em seguida rumou para a ilha de Utoya, onde saiu
atirando e matando dezenas de jovens que estavam numa colônia de férias. Os
dois atentados resultaram na morte de 77 pessoas e ferimentos em outras 200. O
filme descreve todos os detalhes da tragédia, incluindo os preparativos do
terrorista, os atentados em si e em seguida o julgamento de Anders Behring Breivk,
além das consequências para uma família cujo filho foi gravemente ferido. O realismo
das cenas é de alta tensão, principalmente aquelas que mostram o ataque aos
jovens acampados na ilha de Utoya. Méritos ao diretor inglês Paul Greengrass,
que já mostrou competência no gênero ação/suspense em filmes como “Capitão
Phillips”, “O Ultimato Bourne”, “A Supremacia Bourne” e, principalmente, em “Vôo
United 93”, pelo qual ganhou o Oscar de Melhor Diretor em 2007. “22 de Julho”
foi exibido no Festival de Veneza 2018, conquistando o Prêmio Especial do Júri.
Para elaborar o roteiro, Greengrass utilizou as informações contidas no livro “One
of Us: The Story of Anders Breivik and The Massacre in Norway”, da jornalista
norueguesa Asne Seierstad (“O Livreiro de Cabul”). Embora falado em inglês, o
elenco de “22 de Julho” é todo composto por atores noruegueses, a grande
maioria amadores. É preciso ter estômago forte para assistir a este filme tão chocante
e impactante, mas é cinema de alta qualidade. Imperdível! Complementando o
comentário, acrescento a informação de que também foi lançado recentemente um outro
filme, desta vez norueguês, abordando a mesma tragédia. Trata-se de “Utoya 22
de Julho: Terrorismo na Noruega”, do diretor Erik Poppe.
terça-feira, 13 de novembro de 2018
“MISSÃO
IMPOSSÍVEL 6: EFEITO FALLOUT” ("MISSION IMPOSSIBLE – FALLOUT”), EUA, 2018,
roteiro e direção de Christopher McQuarrie. Duas horas e meia de muita ação que
farão os fãs do gênero delirar com as perseguições, tiroteios, pancadarias, algumas
pitadas de humor, muito suspense e mulheres bonitas (Rebecca Ferguson, Michelle
Monaghan e Vanessa Kirby, um trio de respeito). Mais uma aventura do agente
especial Ethan Hunt (Tom Cruise), desta vez contra o grupo terrorista chamado
de “Apóstolos”, que rouba um carregamento de plutônio e ameaça explodir várias cidades
importantes do mundo. Para sua missão “impossível”, Hunt é obrigado, muito a
contragosto, a aceitar um novo parceiro, o agente da CIA August Walker (Henry
Cavill). As cenas de ação são espetaculares, principalmente aquela com uma
perseguição pelas ruas de Paris. Méritos para o diretor Christopher McQuarrie,
que já havia dirigido Cruise em “Missão Impossível: Nação Secreta” e em “Jack
Reacher: O Último Tiro”, ambos também excelentes filmes de ação. Com toda
justiça, “Efeito Fallout” é considerado, inclusive pelos críticos especializados, o melhor filme da franquia “Missão
Impossível”, iniciada em 1995. O custo da produção chegou a 250 milhões de
dólares e até agosto último, o retorno nas bilheterias do mundo inteiro já havia superado o dobro dessa quantia. Como é sabido, o astro Tom Cruise faz questão de
participar das cenas de perigo e, por isso mesmo, quebrou o tornozelo numa
correria pelas ruas de Londres. As filmagens foram interrompidas durante 8
semanas. Será que ainda farão a versão número 7? Duvido que supere “Efeito
Fallout”. Embarque nesta sensacional aventura e divirta-se com um sacão de
pipoca. Imperdível!
domingo, 11 de novembro de 2018
“A
BELA E OS CÃES” (“AALA KAF IFRIT”), 2016, coprodução Tunísia/França,
roteiro e direção da diretora tunisiana Kaouther Bem Hania. Inspirada em fatos
reais ocorridos em 2012 em Túnis (capital da Tunísia) e relatados no livro “Culpada
de Ser Estuprada”, de Mariem Ben Mohamed, a história é toda centrada na jovem Mariam
(Mariam Al Ferjani), que, ao sair de uma balada acompanhada pelo jovem Youssef
(Ghanem Zrelli), acaba sendo estuprada por dois policiais. Ela vai ao hospital
pedir ajuda e pegar um atestado médico que comprovaria o que aconteceu. Os
médicos se recusam a fazer o exame, exigindo um boletim de ocorrência. Só que,
para isso, ela teria que ir à delegacia, onde possivelmente estariam seus
agressores. O filme acompanha o dilema da jovem, que é tratada como se fosse a
culpada de tudo o que aconteceu. Nesse contexto, o filme deve ser visto como
uma denúncia contra uma sociedade machista e patriarcal – como acontece em quase
todos os países árabes -, onde a mulher não passa de um ser de segunda classe.
É terrível e angustiante assistir ao sofrimento da jovem Mariam, imaginando que
tudo aconteceu de verdade. O filme tem grande impacto, embora o elenco seja
muito fraco. A atriz Mariam Al Ferjani é gorducha demais para ser chamada de “Bela”,
pelo menos para os padrões ocidentais. O filme estreou no Festival de Cannes
2017, competindo na mostra “Um Certain Regard”.
quinta-feira, 8 de novembro de 2018
“HANNAH”, 2016,
coprodução Itália/França, é o segundo longa-metragem escrito e dirigido pelo
diretor italiano Andrea Pallaoro – o primeiro foi “Medeas”, de 2013. Hannah
(Charlotte Rampling) é uma mulher na terceira idade que enfrenta uma fase
bastante difícil. Seu marido foi para a prisão, o filho a rejeita e a velhice
está chegando para acabar com qualquer sonho futuro. Hannah é o retrato da
infelicidade. Parece que nada deu certo em sua vida. Para sobreviver, ela
trabalha como faxineira em casas de alto luxo e suas únicas distrações são
nadar de vez em quando na piscina de um clube e participar de aulas de
interpretação teatral. Em nenhuma dessas atividades ela procura se socializar,
fazer amizades. Sua atitude é de uma solitária crônica. O diretor preferiu o
silêncio como forma de aumentar a dramaticidade da história. Há poucos diálogos,
cenas muito longas e praticamente nenhuma resposta para perguntas evidentes: Por
que o marido foi preso? Por que o filho a rejeita? Nada disso, porém, prejudica
o desenrolar da trama. O filme é todo da inglesa Charlotte Rampling. Ela
aparece praticamente em todas as cenas, comprovando que é uma senhora atriz –
agora atriz senhora – na vida real, tem 72 anos. Seu desempenho é espetacular, trabalhando
apenas com a expressão facial e entregando-se totalmente ao papel, incluindo
algumas cenas de nudez que ela encara sem o menor pudor. Esse trabalho lhe
garantiu o Prêmio de Melhor Atriz no 74º Festival Internacional de Veneza, em
2017.
terça-feira, 6 de novembro de 2018
“ACROSS
THE WATERS” (“Fuglene over sundet”), 2016, Dinamarca, roteiro e
direção de Nicolo Donato – é o seu segundo longa-metragem. Conservei o título
em inglês, pois ainda não há tradução em português, já que o filme não chegou
por aqui - e nem deve chegar. Trata-se
de mais uma história terrível e muito triste ambientada durante a Segunda
Guerra Mundial. Em 1943, rompendo um acordo que havia feito com o governo
dinamarquês, Hitler ordenou que suas tropas de ocupação na Dinamarca prendessem
todos os judeus para depois enviá-los para os campos de concentração. Muitos
conseguiram fugir para a Suécia, país neutro, mas os que não conseguiram foram
assassinados ali mesmo na Dinamarca. O filme é centrado na família do
guitarrista de jazz Arne Itkin (David Dencik), que fugiu às pressas de Copenhague
para tentar pegar um barco na vila de pescadores Gilleleje. Como milhares de
outros dinamarqueses, Arne, a esposa Miriam (Danica Curcic) e o filho Jacob, de
5 anos, foram surpreendidos pelos agentes da Gestapo quando tentavam embarcar. E
daí para a frente, só desgraça e tristeza. Para escrever o roteiro, o diretor Nicolo Donato se inspirou nas memórias do seu avô, um dos barqueiros de Gilleleje que ajudaram muitos judeus a fugir para a Suécia. Mais um capítulo lamentável das atrocidades dos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. O filme é ótimo, tão bom que ganhou o prêmio de Melhor Filme no Festival Internacional de Rügen (Alemanha). Mais um episódio da história mundial que merece ser conhecido.
segunda-feira, 5 de novembro de 2018
“SICARIO
2: DIA DO SOLDADO” (“SICARIO: DAY OF THE SOLDIER”), 2018,
EUA, direção do italiano Stefano Sollima (“Suburra”) e roteiro de Taylor
Sheridan, o mesmo que escreveu a história do primeiro filme “Sicario: Terra de
Ninguém”, de 2015. Nesta segunda sequência, a trama também se desenvolve na
fronteira do México com os Estados Unidos, mas o foco não é mais o tráfico de
drogas, e sim a entrada de terroristas iemenitas – a cena inicial, quando
homens-bomba se matam num supermercado, é bastante impactante. Claro que os
traficantes mexicanos estão envolvidos, além de piratas somalianos. Para dar um
fim à situação, o agente federal Matt Gravers (Josh Brolin) propõe uma
estratégia de jogo sujo, ou seja, provocar uma guerra entre os principais
cartéis mexicanos. Para isso, contrata uma equipe de mercenários (sicários) chefiada
por Alejandro Gillick (Benício Del Toro), sedento por vingança, pois um dos
chefões das drogas, anos antes, assassinou toda a sua família. Para jogar um
cartel contra o outro, Gravers e Alejandro sequestram a filha caçula de um dos
chefões das drogas, Isabela Reyes (Isabela Moner), fornecendo indícios para que
um outro cartel seja acusado. Josh Brolin é um bom ator, mas quem leva o filme nas costas é Benício Del Toro. Quem gosta de filmes do gênero vai curtir
bastante, pois tem ação do começo ao fim. domingo, 4 de novembro de 2018
O velho ditado já
dizia: “Família feliz só no álbum de retratos”. Dentro desse contexto, o cinema
produziu inúmeros filmes, alguns excelentes, como “Festa em Família”, de Thomas
Vintenberg, “Álbum de Família”, de John Wells, com Meryl Streep e Julia
Roberts, e o melhor de todos, “Parente é Serpente”, do grande diretor italiano
Mario Monicelli. Descobri agora mais um excelente filme que também explora o
tema: o drama polonês “NOITE SILENCIOSA”
(“CICHA NOC”), 2017, escrito e dirigido por Piotr Domalewski. Como aqueles
citados no começo deste comentário, o filme polonês começa na melhor das
intenções: reunir a família para a ceia de Natal. Só que, como previsto, acaba
na maior baixaria, lavagem de roupa suja, agressões, revelações bombásticas e desunião
generalizada. Um resumo: o filho mais velho, Adam (Dawid Ogrodnik), que reside na Holanda com a esposa, vai passar o Natal com a família, numa zona
rural da Polônia. Com o passar do tempo, descobrimos que sua intenção não era
rever ou saudar a família, e sim tentar herdar a casa do avô, fazer dinheiro e
investir no próprio negócio. Tem o cunhado violento que bate na esposa; o pai
alcoólatra que ficou anos fora de casa e praticamente abandonou a família, e
por aí vai a cascata de acusações, culminando com uma revelação sórdida que vai
abalar ainda mais a relação entre Adam e seu irmão mais novo Pawel (Tomasz
Zietek). Ou seja, uma noite em que o espírito de Natal passou bem longe. O filme
é ótimo, tanto que conquistou nada menos do que 9 prêmios no Polish Film Awards
2018 (o Oscar polonês), entre os quais o de Melhor Filme, Melhor Diretor e
Melhor Roteiro.
sábado, 3 de novembro de 2018
“POR TRÁS DO SEU OLHAR” (“All I Se eis You”),
2016,
EUA, roteiro e direção de Marc Forster. Apesar do título em português lembrar
alguma música da bossa nova, não se trata de um filme romântico. É um drama que
em seu transcorrer tem pitadas de suspense, dando a entender que vem por aí um desfecho violento e
trágico. A história: Gina (Blake Lively) é cega desde criança, quando foi
vítima de um acidente de trânsito que matou seus pais. Nos dias atuais, ela é
casada com James (Jason Clarke), que cuida dela com o maior carinho. Por causa
do emprego dele, eles estão morando em Bangkok, capital da Tailândia. Aliás, uma
das muitas falhas desse filme é a confusão de cenários que acaba confundindo o
espectador, que fica em dúvida se esta ou aquela cena é nos Estados Unidos ou
na Tailândia. Segue a história: um médico, Dr. Hughes (Danny Huston), sugere
uma operação que pode recuperar pelo menos um olho de Gina. A cirurgia é um
sucesso e ela passa a enxergar. Daí para a frente, o casamento de Gina com
James entra em rota de colisão, pois ele não quer que ela se torne independente
dele. Por seu lado, Gina, ao não se tornar mais dependente do marido, sente que
será mais feliz com a liberdade de ir e vir sozinha, sem os cuidados do marido.
Aí o caldo do casamento vai engrossar de vez. Este é, sem dúvida, um dos filmes
mais fracos do diretor alemão Marc Forster, que tem em seu currículo, só como
exemplo, “007 – Quantum of Solage”, “O Caçador de Pipas” e “Em Busca da Terra
do Nunca”. Ou seja, é um bom diretor que desta vez pisou na bola. Com exceção da presença
da bela e charmosa Blake Lively, o filme não fornece muitos motivos para ser
recomendado. quinta-feira, 1 de novembro de 2018
“DAMASCUS COVER” (como
ainda não chegou por aqui – e talvez nem chegue -, não tem tradução),
Inglaterra, 2018, primeiro longa-metragem dirigido por Daniel Zelik Berk. O
roteiro foi assinado por Samantha Newton, que se baseou nos fatos reais reportados no romance “The Damascus Cover”, escrito pelo norte-americano Howard
Kaplan e lançado em 1977. Como quase todo filme de espionagem, você demora pelo
menos meia-hora para saber quem é quem e entender o que está acontecendo. Neste
“Damascus Cover”, o agente secreto israelense Ari Ben-Sion (o ator irlandês Jonathan
Rhys-Meyers), do Mossad, é designado para uma missão em Damasco, capital da
Síria. Disfarçado de empresário e com o nome de Hans Hoffmann, Ari tentará
fazer alguns contatos para ajudá-lo a tirar da Síria um cientista e sua
família. Em Damasco, Ari acaba conhecendo Kim (Olivia Thirlby), uma fotógrafa a
serviço de um jornal inglês, pela qual se apaixonará. O vilão da história é
Sarraj (Navid Negahban), o chefão do serviço secreto da Síria, que perseguirá e
tentará prender Ari até o final do filme. Em sua missão, Ari ainda se infiltrará num
grupo secreto de simpatizantes nazistas. Enfim, “Damascus Cover” tem suspense,
romance e ação, o que garante um entretenimento descompromissado. Vale pelo
fato de ser baseado em acontecimentos reais.
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