segunda-feira, 10 de dezembro de 2018


“O FILHO DE JEAN” (“Le Fils de Jean”), 2016, coprodução França/Canadá, 1h38, roteiro e direção de Philippe Lioret. Drama sensível e comovente centrado num jovem francês residente em Paris que um dia recebe a notícia de que seu pai biológico acabara de falecer em Montreal (Canadá). Ele nunca soube quem era seu pai biológico e nem que morava em outro país. Sua mãe sempre escondeu a verdade. Matthieu (Pierre Deladonchamps) resolve ir para o enterro. Chegando em Montreal, ele é recebido por Pierre Lesage (Gabriel Arcand), um médico que foi colega de seu pai biológico, Jean, também médico. Matthieu descobre que tem dois irmãos e quer conhecê-los antes do enterro. Pierre promete apresentá-los com a condição de Matthieu não dizer que é um filho bastardo. Até o enterro, Matthieu conviverá com os irmãos e com a família de Pierre, até a surpreendente revelação no desfecho. O filme é excelente, recebeu inúmeros elogios da crítica especializada e rendeu dois prêmios César (o Oscar francês), o de Melhor Ator para Pierre Deladonchamps e de Ator Coadjuvante para Gabriel Arcand. Imperdível!

domingo, 9 de dezembro de 2018


“MILADA”, 2017, República Checa/EUA (Netflix), 2h10, é um drama biográfico centrado na advogada, ativista dos direitos humanos e política Milada Horáková (1901-1950), que ficou famosa por sua coragem na luta contra a ocupação nazista na Tchecoslováquia durante a Segunda Guerra Mundial e depois contra o Partido Comunista (sob o comando da Rússia) que assumiu o poder no país em 1948. O filme é dirigido por David Mrnka (seu primeiro longa-metragem), com roteiro de Roberta Gant e Robert Conant. Milada é interpretada de forma magistral pela atriz israelense Ayelet Zurer. Por participar da resistência aos nazistas, Milada foi presa e torturada pela Gestapo, sendo depois encaminhada para um campo de concentração. Ao fim da Segunda Guerra, ela foi libertada como heroína do povo tcheco. Logo em seguida, foi eleita deputada e, em 1948, com a tomada do poder pelos comunistas, ela renunciou e acabou sendo presa novamente. Um julgamento totalmente parcial julgou-a culpada pelo crime de traição à pátria, sendo condenada à morte por enforcamento. O filme é ótimo, com destaque para a primorosa recriação de época, figurinos, fotografia e, principalmente, pela atuação maravilhosa da atriz Ayelet Zurer (“Ben-Hur”, “Os Últimos Cavaleiros”). Também merece destaque a reprodução de imagens cinematográficas da época enfocada. A cereja do bolo, porém, é, sem dúvida, a história incrível de coragem de uma mulher que lutou pelo seu país e jamais cedeu em suas opiniões. Imperdível!  

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018


“SHIVÁ – UMA SEMANA E UM DIA” (“Shavua ue Yom”), 2016, Israel, 1h38, primeiro longa-metragem escrito e dirigido pelo jovem diretor Asaph Polonsky, de 35 anos, mais conhecido por curta-metragens e produções televisivas. Trata-se de uma comédia, embora o pano de fundo envolva uma família enlutada. Eyal Spivak (Shai Avivi) e sua esposa Vicky (Evgenia Dodina) acabam de sair do período de Shivá, o que na religião judaica significa uma semana de luto, quando os familiares permanecem em casa reverenciando a memória do ente falecido. No caso, o filho de Eyal e Vicky. O filme é todo ambientado no dia seguinte ao Shivá. O casal tenta retomar sua rotina habitual, sair do período de luto. Mas só Vicky consegue. Ela é professora e vai ao colégio reiniciar suas aulas, só que já colocaram uma substituta em seu lugar. Ao voltar para casa, surpreende Eyal fumando maconha com o jovem Zooler (Tomer Kapon), seu vizinho e amigo de infância do filho falecido. O diretor Asaph consegue tratar da temática do luto com extrema leveza e bom humor. Algumas cenas são realmente hilariantes, como aquela em que Eyal tenta enrolar um baseado ou outra quando Zooler “toca” uma guitarra imaginária ao som de um rock pesado. “Shivá” foi exibido pela primeira vez no Festival de Cannes 2016, conquistando o Prêmio Gan Fundation de Distribuição na 55ª Semaine de La Critique. Também foi sucesso em outros festivais, conquistando 8 prêmios e mais 14 indicações internacionais. Realmente, um filme bastante interessante por sair da mesmice habitual. Por isso, merece ser conferido por quem gosta de curtir novidades.    

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018


“A ESPOSA” (“THE WIFE”), 2017, Suécia/EUA, direção de Björn Runge e roteiro de Jane Anderson, responsável pela adaptação do romance “The Wife”, da escritora norte-americana Meg Wolitzer. A trama é sobre uma mulher que sempre viveu à sombra da fama do marido escritor e que um dia se cansa do seu papel secundário. A história é centralizada no casal Joseph Castleman (Jonathan Price) e Joan (Glenn Close). Eles estão casados há mais de 40 anos, ele um escritor famoso e ela uma esposa e mãe exemplar. Eles têm um filho, David (Max Irons), que pretende ser escritor, mas vive em conflito pessoal por não mostrar muito talento. Joseph é escolhido para receber o Prêmio Nobel de Literatura e os três vão a Estocolmo participar da solenidade de premiação. Pouco antes do evento, uma revelação surpreendente e inesperada ligada ao passado irá causar desavenças entre o casal. O elenco conta ainda com Elizabeth McGovern (uma das minhas antigas musas da tela, agora, infelizmente, bastante envelhecida), Annie Starke (Joan jovem), Harry Lloyd (Joseph jovem) e Christian Slater como um escritor de biografias sem escrúpulos. O filme é muito bom, com diálogos inteligentes e uma história bastante interessante. Os veteranos Glenn Close e Janathan Price dão um verdadeiro show de interpretação. Gleen, inclusive, é cotada para uma indicação ao Oscar/2019 de Melhor Atriz. Ela está realmente sensacional. Imperdível!   

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018


“EUFORIA” (“EUPHORIA”), 2017, Inglaterra, 1h44, escrito e dirigido por Lisa Langseth. Drama destinado a um final "chororô" cujo pano de fundo é a eutanásia. Duas irmãs se reencontram após vários anos de separação e combinam viajar juntas. Emille (Eva Green) cuida do roteiro, cujo destino é uma casa de campo para hospedar doentes terminais. Começa o filme e a gente logo percebe que Ines (Alicia Vikander) não está muito à vontade com Emille. Ou seja, não se davam muito bem. Ines não sabe o motivo pelo qual Emille escolheu aquele local para passar alguns dias, mas logo fica sabendo. Durante os dias em que ficarão juntas, as irmãs recordarão alguns episódios da infância e o relacionamento com os pais. Sobre os motivos que levaram as duas irmãs a se distanciarem, o filme deixa a resposta no ar. Como é previsível desde o início, o filme caminha para um desfecho de lágrimas. Destaque para a participação da veterana atriz Charlotte Rampling como a gerente do estabelecimento, situado num belo cenário dos Alpes Suíços. “Euforia” foi o primeiro filme falado em inglês da diretora sueca Lisa Langseth, que já havia dirigido a também sueca Alicia Vikander em “Pure” e “Hotel Terapêutico”. O veterano ator inglês Charles Dance também está no elenco.   

domingo, 2 de dezembro de 2018


Suspense, tensão de arrepiar os pelos da nuca e muitos sustos são alguns dos ingredientes que fazem um bom filme de terror. Eles estão em profusão no terror “A FREIRA” (“The Nun”), 2018, EUA, segundo longa-metragem dirigido por Corin Hardy (“A Maldição da Floresta” foi o primeiro), com roteiro de James Wan e Gary Dauberman. A história é ambientada em 1952 num convento isolado na Romênia e, segundo o material de divulgação, inspirada em fatos reais. Claro que os roteiristas acrescentaram muita coisa. Nesse tal convento, uma freira se suicida e a notícia chega ao Vaticano, que convoca o padre Burke (o ator mexicano Demian Buchir) e a Irmã Irene (Taissa Farmiga), prestes a se tornar freira, para investigarem os motivos que levaram a freira a cometer suicídio. Com a ajuda de um rapaz (Jonas Bloquet) habitante de uma aldeia próxima, padre Burke e a Irmã Irene chegam ao convento e logo se darão conta de que a situação é grave, que o mal está instalado por lá e não vai dar trégua. E dá-lhe sustos, um atrás do outro. O filme faz parte da saga “Invocação do Mal”, que teve duas versões, a primeira em 2013 e a mais recente em 2016, ambas dirigidos pelo malasiano James Wan, um dos roteiristas de “A Freira”. Aliás, Taissa Farmiga é a irmã mais nova da também atriz Vera Farmiga, que atuou nos dois “Invocação do Mal”. Para quem gosta do gênero terror – e mesmo quem não gosta – vai adorar “A Freira”. Tensão garantida na frente da telinha.      

sábado, 1 de dezembro de 2018


“A GAROTA NA NÉVOA” (“LA RAGAZZA NELLA NEBBIA”), 2017, Itália, estreia no roteiro e direção de Donato Carrisi, um escritor italiano de romances policiais de grande sucesso. Ele mesmo adaptou para o cinema o livro que escreveu e que leva o título original. Trata-se de um suspense policial centrado no desaparecimento misterioso da jovem Anna Lou (Ekaterina Buscemi), moradora num vilarejo localizado nos Alpes Italianos. O inspetor Vogel (Toni Servillo) é encarregado de investigar o caso, formando uma grande equipe de detetives. Durante as investigações, surge um suspeito: o professor Loris Martin (Alessio Boni), que é detido e logo considerado culpado. O caso chega ao conhecimento da imprensa, que envia várias equipes ao vilarejo, transformando o sumiço de Anna Lou no grande assunto dos noticiários italianos. Até chegar ao desfecho, numa surpreendente reviravolta, o filme segue num ótimo suspense, ficando o espectador no aguardo de uma situação esclarecedora.   Porém, não é isso que acontece. Não há respostas claras sobre o verdadeiro responsável pelo sequestro e suas razões, culminando com um final confuso, sem uma explicação razoável. A crítica especializada não economizou elogios, mas eu não gostei. A começar pelo desempenho de Toni Servillo (“A Grande Beleza”), atuando no piloto automático, sempre com olhar de “peixe morto”, parecendo dopado. O elenco conta ainda com o ator francês Jean Reno, Lucrezia Guidone e Greta Scacchi (irreconhecível). Numa das cenas mais importantes do filme, perto do desfecho, o fundo musical é de Beth Carvalho cantando “Dança da Solidão”. Não entendi a intenção do diretor ao acrescentar esse número musical que nada tem a ver com a história. De qualquer forma, o filme foi um grande sucesso de bilheteria na Itália. Se quiser arriscar, fique à vontade.    

quarta-feira, 28 de novembro de 2018


“NASCE UMA ESTRELA” (“A Star is Born”), 2018, EUA, 2h16, marca a estreia na direção do ator Bradley Cooper, que também atua como um dos protagonistas principais. Trata-se da quarta versão da história: a primeira em 1937, escrita pelos roteiristas William A. Wellman e Robert Carson; a segunda, em 1954; e a terceira em 1977, com Barbra Streisand e Kris Kristofferson. Na versão de 2018, a grande surpresa é o excelente desempenho da cantora Lady Gaga (seu nome verdadeiro é Stefani Joanne Angelina Germanotta). Ela atua de “cara lavada” quase o filme inteiro, demonstrando um talento surpreendente também como atriz. Além disso, ela também é responsável pela autoria de todas as canções do filme. O filme conta a história do astro do rock Jackson Maine (Cooper), que numa noite, após um de seus shows, vai a uma boate e se entusiasma com uma cantora chamada Ally (Gaga) interpretando “La Vie en Rose”. Ele vai procurá-la no camarim, conversam e acabam, claro, se apaixonando. A partir daí, o enredo segue adiante como todo mundo conhece: ela acaba se transformando numa grande estrela da música e ele, em franca decadência, aumenta o consumo de bebida e de drogas. Resumo da ópera: o filme é um drama musical romântico que se destaca pelos ótimos números musicais e pelo desempenho de Gaga e Bradley como o par romântico da história. Certamente será um dos indicados ao Oscar 2019, com boas chances para Melhor Trilha Sonora, Música ("Shallow"), Melhor Atriz, Melhor Ator e, quem sabe, Melhor Diretor. Não sou muito fã de musicais, mas achei este bem interessante e muito bem realizado.   

segunda-feira, 26 de novembro de 2018


“REFÉM DO JOGO” (“Final Score”), 2018, Inglaterra, direção de Scott Mann (O Sequestro do Ônibus 657”). É um filme de ação ambientado dentro do Upton Park Stadium, em Londres, onde as equipes do West Ham e Dínamo Moscou decidiriam uma das vagas para a finalíssima da Liga Europa. O jogo é à noite, o estádio lotado (35 mil pessoas), tudo em clima de festa. Só que nos bastidores a história era outra. Um grupo de terroristas dissidentes russos ocuparam a cabine de comando do complexo esportivo, fecharam todos os acessos e saídas, além de implantar várias bombas num dos setores mais importantes do estádio. O objetivo dos terroristas é identificar, entre os torcedores do Dínamo, o líder revolucionário russo Dimitri (Pierce Brosnan) e sequestrá-lo. Quem tentará impedir esta ação é o ex-soldado do exército norte-americano Michael Knox (Dave Bautista). Ele enfrentará sozinho os terroristas, apanhará muito e, ao estilo Bruce Willis de “Duro de Matar”, sobreviverá todo arrebentado. É o quarto filme do grandalhão Dave Bautista, um ex-lutador de MMA. Antes, havia participado de “007 Contra Spectre”, “Guardiões da Galáxia e “Blade Runner 2049”. Embora o material promocional do filme dê destaque à participação do ator Pierce Brosnan, ele aparece pouco e sem nenhum brilho. Enfim, trata-se de um bom filme de ação num ritmo alucinante, com cenas espetaculares de luta e perseguições no telhado do estádio e muito suspense. Ótimo entretenimento, sem exigir muito dos neurônios do espectador.   

domingo, 25 de novembro de 2018


“CORO” (“CHORUS”), 2015, Canadá, 1h36, escrito e dirigido por François Delisle. Filmado em preto e branco e falado em francês, “Coro” é um drama bastante pesado, beirando o limite do depressivo. Dez anos depois de ter desaparecido misteriosamente, o corpo de Hugo, um garoto de oito anos, foi descoberto enterrado numa zona rural. Irene (Fanny Mallette), a mãe, é avisada. Ela entra em contato com Christophe (Sébastian Ricard), ex-marido e pai do menino, que agora mora no México. Ela pede a ele que venha com urgência para ajudá-la a enfrentar a situação: depoimentos à polícia, reconhecimento dos objetos do filho, velório, enterro etc. Ao se reencontrarem, após cerca de dez anos separados, Irene e Christophe engatam uma possibilidade de reconciliação. Antes, porém, terão que enfrentar situações bastante desagradáveis, tais como assistir ao vídeo no qual o pedófilo Jean-Pierre Blake (Luc Senay) confessa o crime e o descreve em detalhes dos mais escabrosos. Eu gostei do filme. Achei muito bem feito, uma fotografia em preto e branco muito bonita e um elenco de primeira, destaque para os dois protagonistas principais e a presença marcante da veterana atriz canadense Genevíève Bujold, que chegou a ser indicada ao Oscar de Melhor Atriz em 1969 por “Ana dos Mil Dias”, quando interpretou magistralmente Ana Bolena, a segunda esposa do rei inglês Henrique VIII. Foi ótimo revê-la na telinha.      

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

“MARIE CURIE: A CORAGEM DO CONHECIMENTO” (“Marie Curie”), coprodução Polônia/Alemanha/França, roteiro e direção da alemã Marie Noëlle. O filme estreou no Toronto International Film Festival em 2016, recebendo rasgados elogios. Trata-se de mais uma adaptação cinematográfica da biografia da cientista polonesa Marie Curie (cujo verdadeiro nome era Maria Sklodowska), responsável pela descoberta da radioatividade. Ela saiu da Polônia para estudar na Universidade de Sourbonne, onde conheceu o professor Pierre Curie, com quem se casaria e formaria uma dupla consagrada de cientistas. Eles receberam o Prêmio Nobel de Física em 1903. Em 1911, Marie ganhou o Nobel de Química, desta vez sozinha, tornando-se a única pessoa, até hoje, a ganhar dois prêmios Nobel. Falado em francês, o filme conta toda essa história, complementada por aspectos de sua vida particular, como seu caso com um cientista casado, romance que acabou em grande escândalo. Por ser mulher, Marie Curie enfrentou a desconfiança e uma certa inveja dos cientistas. Marie encarou toda essa situação com muita coragem, assim como lutou durante toda a sua vida pelo reconhecimento da comunidade científica. Dessa forma, indico como obrigatório assistir “Marie Curie”, interpretada com enorme competência pela atriz polonesa Karolina Gruszka. Também estão no elenco, entre outros, Charles Berling e Arieh Worthalter.  fotografia e a ambientação de época também são destaques nesta ótima versão cinematográfica da biografia desta cientista que anos mais tarde seria eleita a mulher mais influente da História pela BBC History.     

terça-feira, 20 de novembro de 2018


“O MELHOR PROFESSOR DA MINHA VIDA” (“LES GRANDS ESPRITS”), 2017, França, roteiro e direção de Olivier Ayache-Vidal em seu primeiro longa-metragem. Professor de literatura francesa no renomado Liceu “Henri IV”, um dos mais tradicionais colégios de Paris, frequentado pelos filhos da elite, François Foucault (Denis Podalydès), a pedido do Ministério da Cultura, é designado para dar aulas numa escola pública da periferia da capital parisiense, cujos alunos, em sua maioria, são pobres, filhos de imigrantes africanos e árabes e com um mínimo de cultura e educação. No início, Foucault tentou transmitir um pouco de sua erudição e impor sua linha de trabalho, mas logo percebeu que teria que mudar de tática, interagir com os alunos e exercer sua função com mais psicologia. O roteiro dedica grande parte ao relacionamento entre Foucault e Seydou (Abdoulaye Diallo), um jovem filho de imigrantes africanos cujo comportamento tira qualquer professor do sério. As atuações de Denis Podalydès, um consagrado ator francês de teatro, e do estreante Abdoulaye Diallo, valem o ingresso. Mais uma joia do cinema francês, comovente, sensível e, ao mesmo tempo, divertido na dose certa. Um belo filme que merece ser visto por quem curte cinema de qualidade. Irresistível!  

domingo, 18 de novembro de 2018


“O CHEIRO DA TANGERINA” (“L’Odeur de La Mandarine”), 2015, França, direção de Gilles Legrand, que teve a ideia do enredo, desenvolvido para roteiro por Guilaume Laurant. Ambientado em 1918, às vésperas do término da Primeira Guerra Mundial, o filme é centrado no relacionamento entre o oficial de cavalaria Charles (Olivier Gourmet) e sua enfermeira Angèle (Georgia Scalliet). Charles foi ferido gravemente no início do conflito e perdeu parte da perna direita. Ele mora num casarão – na verdade, um castelo – da família, com uma governanta e um motorista. Angèle foi contratada para cuidar do ferimento de Charles. Juntamente com sua filha, fruto de um relacionamento antigo, Angèle acaba morando no casarão e, com o correr do tempo, desperta uma paixão desenfreada em Charles. Eles se casam e, no início, até que o relacionamento funciona com harmonia, mas a questão sexual acaba interferindo e causando problemas. Aliás, o pano de fundo do filme é todo dedicado ao sexo, principalmente depois da chegada de um soldado desertor com seu cavalo. A “Tangerina” do título é justamente a égua de Charles, que propõe um cruzamento entre ela e o garanhão recém-chegado. Deu para sacar a intenção do título? Apesar de ser um drama, o roteirista conseguiu achar espaço para alguns momentos de humor, tornando o filme ainda mais agradável. Além da história em si, o grande trunfo do diretor Laurant foi escalar o excelente ator francês Olivier Gourmet e a atriz de teatro Georgia Scalliet, que fez sua estreia no cinema. Os dois estão ótimos e garantem, sozinhos, a qualidade da produção. O filme é excelente e merece ser conferido.      

sexta-feira, 16 de novembro de 2018


“22 DE JULHO” (“22 July”), 2018, EUA/Noruega, 2h23m, roteiro e direção de Paul Greengrass, produção Netflix – foi lançado mundialmente no dia 10 de outubro de 2018. O filme relembra em detalhes a tragédia ocorrida na Noruega no dia 22 de julho de 2011, quando um maluco neonazista, anti-islâmico e  com ideais fundamentalistas de extrema-direita, explodiu um carro-bomba nas proximidades da sede do governo norueguês, em Oslo, e logo em seguida rumou para a ilha de Utoya, onde saiu atirando e matando dezenas de jovens que estavam numa colônia de férias. Os dois atentados resultaram na morte de 77 pessoas e ferimentos em outras 200. O filme descreve todos os detalhes da tragédia, incluindo os preparativos do terrorista, os atentados em si e em seguida o julgamento de Anders Behring Breivk, além das consequências para uma família cujo filho foi gravemente ferido. O realismo das cenas é de alta tensão, principalmente aquelas que mostram o ataque aos jovens acampados na ilha de Utoya. Méritos ao diretor inglês Paul Greengrass, que já mostrou competência no gênero ação/suspense em filmes como “Capitão Phillips”, “O Ultimato Bourne”, “A Supremacia Bourne” e, principalmente, em “Vôo United 93”, pelo qual ganhou o Oscar de Melhor Diretor em 2007. “22 de Julho” foi exibido no Festival de Veneza 2018, conquistando o Prêmio Especial do Júri. Para elaborar o roteiro, Greengrass utilizou as informações contidas no livro “One of Us: The Story of Anders Breivik and The Massacre in Norway”, da jornalista norueguesa Asne Seierstad (“O Livreiro de Cabul”). Embora falado em inglês, o elenco de “22 de Julho” é todo composto por atores noruegueses, a grande maioria amadores. É preciso ter estômago forte para assistir a este filme tão chocante e impactante, mas é cinema de alta qualidade. Imperdível! Complementando o comentário, acrescento a informação de que também foi lançado recentemente um outro filme, desta vez norueguês, abordando a mesma tragédia. Trata-se de “Utoya 22 de Julho: Terrorismo na Noruega”, do diretor Erik Poppe.

terça-feira, 13 de novembro de 2018


“MISSÃO IMPOSSÍVEL 6: EFEITO FALLOUT” ("MISSION IMPOSSIBLE – FALLOUT”), EUA, 2018, roteiro e direção de Christopher McQuarrie. Duas horas e meia de muita ação que farão os fãs do gênero delirar com as perseguições, tiroteios, pancadarias, algumas pitadas de humor, muito suspense e mulheres bonitas (Rebecca Ferguson, Michelle Monaghan e Vanessa Kirby, um trio de respeito). Mais uma aventura do agente especial Ethan Hunt (Tom Cruise), desta vez contra o grupo terrorista chamado de “Apóstolos”, que rouba um carregamento de plutônio e ameaça explodir várias cidades importantes do mundo. Para sua missão “impossível”, Hunt é obrigado, muito a contragosto, a aceitar um novo parceiro, o agente da CIA August Walker (Henry Cavill). As cenas de ação são espetaculares, principalmente aquela com uma perseguição pelas ruas de Paris. Méritos para o diretor Christopher McQuarrie, que já havia dirigido Cruise em “Missão Impossível: Nação Secreta” e em “Jack Reacher: O Último Tiro”, ambos também excelentes filmes de ação. Com toda justiça, “Efeito Fallout” é considerado, inclusive pelos críticos especializados, o melhor filme da franquia “Missão Impossível”, iniciada em 1995. O custo da produção chegou a 250 milhões de dólares e até agosto último, o retorno nas bilheterias do mundo inteiro já havia superado o dobro dessa quantia. Como é sabido, o astro Tom Cruise faz questão de participar das cenas de perigo e, por isso mesmo, quebrou o tornozelo numa correria pelas ruas de Londres. As filmagens foram interrompidas durante 8 semanas. Será que ainda farão a versão número 7? Duvido que supere “Efeito Fallout”. Embarque nesta sensacional aventura e divirta-se com um sacão de pipoca. Imperdível!   

domingo, 11 de novembro de 2018


“A BELA E OS CÃES” (“AALA KAF IFRIT”), 2016, coprodução Tunísia/França, roteiro e direção da diretora tunisiana Kaouther Bem Hania. Inspirada em fatos reais ocorridos em 2012 em Túnis (capital da Tunísia) e relatados no livro “Culpada de Ser Estuprada”, de Mariem Ben Mohamed, a história é toda centrada na jovem Mariam (Mariam Al Ferjani), que, ao sair de uma balada acompanhada pelo jovem Youssef (Ghanem Zrelli), acaba sendo estuprada por dois policiais. Ela vai ao hospital pedir ajuda e pegar um atestado médico que comprovaria o que aconteceu. Os médicos se recusam a fazer o exame, exigindo um boletim de ocorrência. Só que, para isso, ela teria que ir à delegacia, onde possivelmente estariam seus agressores. O filme acompanha o dilema da jovem, que é tratada como se fosse a culpada de tudo o que aconteceu. Nesse contexto, o filme deve ser visto como uma denúncia contra uma sociedade machista e patriarcal – como acontece em quase todos os países árabes -, onde a mulher não passa de um ser de segunda classe. É terrível e angustiante assistir ao sofrimento da jovem Mariam, imaginando que tudo aconteceu de verdade. O filme tem grande impacto, embora o elenco seja muito fraco. A atriz Mariam Al Ferjani é gorducha demais para ser chamada de “Bela”, pelo menos para os padrões ocidentais. O filme estreou no Festival de Cannes 2017, competindo na mostra “Um Certain Regard”.      

quinta-feira, 8 de novembro de 2018


“HANNAH”, 2016, coprodução Itália/França, é o segundo longa-metragem escrito e dirigido pelo diretor italiano Andrea Pallaoro – o primeiro foi “Medeas”, de 2013. Hannah (Charlotte Rampling) é uma mulher na terceira idade que enfrenta uma fase bastante difícil. Seu marido foi para a prisão, o filho a rejeita e a velhice está chegando para acabar com qualquer sonho futuro. Hannah é o retrato da infelicidade. Parece que nada deu certo em sua vida. Para sobreviver, ela trabalha como faxineira em casas de alto luxo e suas únicas distrações são nadar de vez em quando na piscina de um clube e participar de aulas de interpretação teatral. Em nenhuma dessas atividades ela procura se socializar, fazer amizades. Sua atitude é de uma solitária crônica. O diretor preferiu o silêncio como forma de aumentar a dramaticidade da história. Há poucos diálogos, cenas muito longas e praticamente nenhuma resposta para perguntas evidentes: Por que o marido foi preso? Por que o filho a rejeita? Nada disso, porém, prejudica o desenrolar da trama. O filme é todo da inglesa Charlotte Rampling. Ela aparece praticamente em todas as cenas, comprovando que é uma senhora atriz – agora atriz senhora – na vida real, tem 72 anos. Seu desempenho é espetacular, trabalhando apenas com a expressão facial e entregando-se totalmente ao papel, incluindo algumas cenas de nudez que ela encara sem o menor pudor. Esse trabalho lhe garantiu o Prêmio de Melhor Atriz no 74º Festival Internacional de Veneza, em 2017.  

terça-feira, 6 de novembro de 2018


“ACROSS THE WATERS” (“Fuglene over sundet”), 2016, Dinamarca, roteiro e direção de Nicolo Donato – é o seu segundo longa-metragem. Conservei o título em inglês, pois ainda não há tradução em português, já que o filme não chegou por aqui -  e nem deve chegar. Trata-se de mais uma história terrível e muito triste ambientada durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1943, rompendo um acordo que havia feito com o governo dinamarquês, Hitler ordenou que suas tropas de ocupação na Dinamarca prendessem todos os judeus para depois enviá-los para os campos de concentração. Muitos conseguiram fugir para a Suécia, país neutro, mas os que não conseguiram foram assassinados ali mesmo na Dinamarca. O filme é centrado na família do guitarrista de jazz Arne Itkin (David Dencik), que fugiu às pressas de Copenhague para tentar pegar um barco na vila de pescadores Gilleleje. Como milhares de outros dinamarqueses, Arne, a esposa Miriam (Danica Curcic) e o filho Jacob, de 5 anos, foram surpreendidos pelos agentes da Gestapo quando tentavam embarcar. E daí para a frente, só desgraça e tristeza. Para escrever o roteiro, o diretor Nicolo Donato se inspirou nas memórias do seu avô, um dos barqueiros de Gilleleje que ajudaram muitos judeus a fugir para a Suécia. Mais um capítulo lamentável das atrocidades dos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. O filme é ótimo, tão bom que ganhou o prêmio de Melhor Filme no Festival Internacional de Rügen (Alemanha). Mais um episódio da história mundial que merece ser conhecido.  

segunda-feira, 5 de novembro de 2018


“SICARIO 2: DIA DO SOLDADO” (“SICARIO: DAY OF THE SOLDIER”), 2018, EUA, direção do italiano Stefano Sollima (“Suburra”) e roteiro de Taylor Sheridan, o mesmo que escreveu a história do primeiro filme “Sicario: Terra de Ninguém”, de 2015. Nesta segunda sequência, a trama também se desenvolve na fronteira do México com os Estados Unidos, mas o foco não é mais o tráfico de drogas, e sim a entrada de terroristas iemenitas – a cena inicial, quando homens-bomba se matam num supermercado, é bastante impactante. Claro que os traficantes mexicanos estão envolvidos, além de piratas somalianos. Para dar um fim à situação, o agente federal Matt Gravers (Josh Brolin) propõe uma estratégia de jogo sujo, ou seja, provocar uma guerra entre os principais cartéis mexicanos. Para isso, contrata uma equipe de mercenários (sicários) chefiada por Alejandro Gillick (Benício Del Toro), sedento por vingança, pois um dos chefões das drogas, anos antes, assassinou toda a sua família. Para jogar um cartel contra o outro, Gravers e Alejandro sequestram a filha caçula de um dos chefões das drogas, Isabela Reyes (Isabela Moner), fornecendo indícios para que um outro cartel seja acusado. Josh Brolin é um bom ator, mas quem leva o filme nas costas é Benício Del Toro. Quem gosta de filmes do gênero vai curtir bastante, pois tem ação do começo ao fim.     

domingo, 4 de novembro de 2018


O velho ditado já dizia: “Família feliz só no álbum de retratos”. Dentro desse contexto, o cinema produziu inúmeros filmes, alguns excelentes, como “Festa em Família”, de Thomas Vintenberg, “Álbum de Família”, de John Wells, com Meryl Streep e Julia Roberts, e o melhor de todos, “Parente é Serpente”, do grande diretor italiano Mario Monicelli. Descobri agora mais um excelente filme que também explora o tema: o drama polonês “NOITE SILENCIOSA” (“CICHA NOC”), 2017, escrito e dirigido por Piotr Domalewski. Como aqueles citados no começo deste comentário, o filme polonês começa na melhor das intenções: reunir a família para a ceia de Natal. Só que, como previsto, acaba na maior baixaria, lavagem de roupa suja, agressões, revelações bombásticas e desunião generalizada. Um resumo: o filho mais velho, Adam (Dawid Ogrodnik), que reside na Holanda com a esposa, vai passar o Natal com a família, numa zona rural da Polônia. Com o passar do tempo, descobrimos que sua intenção não era rever ou saudar a família, e sim tentar herdar a casa do avô, fazer dinheiro e investir no próprio negócio. Tem o cunhado violento que bate na esposa; o pai alcoólatra que ficou anos fora de casa e praticamente abandonou a família, e por aí vai a cascata de acusações, culminando com uma revelação sórdida que vai abalar ainda mais a relação entre Adam e seu irmão mais novo Pawel (Tomasz Zietek). Ou seja, uma noite em que o espírito de Natal passou bem longe. O filme é ótimo, tanto que conquistou nada menos do que 9 prêmios no Polish Film Awards 2018 (o Oscar polonês), entre os quais o de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro.  

sábado, 3 de novembro de 2018


“POR TRÁS DO SEU OLHAR” (“All I Se eis You”), 2016, EUA, roteiro e direção de Marc Forster. Apesar do título em português lembrar alguma música da bossa nova, não se trata de um filme romântico. É um drama que em seu transcorrer tem pitadas de suspense, dando a entender que vem por aí um desfecho violento e trágico. A história: Gina (Blake Lively) é cega desde criança, quando foi vítima de um acidente de trânsito que matou seus pais. Nos dias atuais, ela é casada com James (Jason Clarke), que cuida dela com o maior carinho. Por causa do emprego dele, eles estão morando em Bangkok, capital da Tailândia. Aliás, uma das muitas falhas desse filme é a confusão de cenários que acaba confundindo o espectador, que fica em dúvida se esta ou aquela cena é nos Estados Unidos ou na Tailândia. Segue a história: um médico, Dr. Hughes (Danny Huston), sugere uma operação que pode recuperar pelo menos um olho de Gina. A cirurgia é um sucesso e ela passa a enxergar. Daí para a frente, o casamento de Gina com James entra em rota de colisão, pois ele não quer que ela se torne independente dele. Por seu lado, Gina, ao não se tornar mais dependente do marido, sente que será mais feliz com a liberdade de ir e vir sozinha, sem os cuidados do marido. Aí o caldo do casamento vai engrossar de vez. Este é, sem dúvida, um dos filmes mais fracos do diretor alemão Marc Forster, que tem em seu currículo, só como exemplo, “007 – Quantum of Solage”, “O Caçador de Pipas” e “Em Busca da Terra do Nunca”. Ou seja, é um bom diretor que desta vez pisou na bola. Com exceção da presença da bela e charmosa Blake Lively, o filme não fornece muitos motivos para ser recomendado.    


quinta-feira, 1 de novembro de 2018


“DAMASCUS COVER” (como ainda não chegou por aqui – e talvez nem chegue -, não tem tradução), Inglaterra, 2018, primeiro longa-metragem dirigido por Daniel Zelik Berk. O roteiro foi assinado por Samantha Newton, que se baseou nos fatos reais reportados no romance “The Damascus Cover”, escrito pelo norte-americano Howard Kaplan e lançado em 1977. Como quase todo filme de espionagem, você demora pelo menos meia-hora para saber quem é quem e entender o que está acontecendo. Neste “Damascus Cover”, o agente secreto israelense Ari Ben-Sion (o ator irlandês Jonathan Rhys-Meyers), do Mossad, é designado para uma missão em Damasco, capital da Síria. Disfarçado de empresário e com o nome de Hans Hoffmann, Ari tentará fazer alguns contatos para ajudá-lo a tirar da Síria um cientista e sua família. Em Damasco, Ari acaba conhecendo Kim (Olivia Thirlby), uma fotógrafa a serviço de um jornal inglês, pela qual se apaixonará. O vilão da história é Sarraj (Navid Negahban), o chefão do serviço secreto da Síria, que perseguirá e tentará prender Ari até o final do filme. Em sua missão, Ari ainda se infiltrará num grupo secreto de simpatizantes nazistas. Enfim, “Damascus Cover” tem suspense, romance e ação, o que garante um entretenimento descompromissado. Vale pelo fato de ser baseado em acontecimentos reais.