“CUSTÓDIA” (“JUSQU’À LA GARDE”),
2017, França, primeiro filme escrito e dirigido pelo ator e agora diretor
Xavier Legrand. Uma ótima estreia, aliás, que mereceu o Prêmio de “Melhor
Diretor” no Festival de Veneza. A trama é centrada no casal Miriam e Antoine
Besson (Léa Drucker e Denis Ménochet), que acaba de se divorciar e agora estão
brigando pela guarda do filho Julien (Thomas Gioria). Em audiência no tribunal,
Miriam pede a guarda exclusiva do menino, alegando que Antoine é muito violento
e pode machucá-lo. A juíza do caso, porém, concede ao pai o direito de visita
semanal. A partir dessa decisão, mãe e filho viverão momentos de tensão a cada
visita do pai (o semblante do ator Antoine Besson é realmente assustador), que continua insistindo com Miriam para retomar o casamento. Nos
minutos que antecedem o desfecho, o diretor cria um clima de tensão sufocante e
angustiante capaz de gelar o sangue e eriçar os pelos da nuca do espectador.
Uma aula de cinema de suspense, que faria inveja até ao mestre Hitchcock. Por aqui, além do circuito comercial, o filme
foi exibido como uma das atrações do Festival Varilux de Cinema Francês, em
2018, e durante a 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro
de 2017. Um filmaço imperdível!
quarta-feira, 31 de outubro de 2018
segunda-feira, 29 de outubro de 2018
“TRISTEZA E ALEGRIA” (“Sorg
og Glaede”), Dinamarca, 2013, roteiro e direção de Nils Malmros. Esqueça a “Alegria”
do título. O filme é só “Tristeza”. Já começa de forma trágica. O cineasta
Johannes (Jakob Cedergren) chega em casa e é surpreendido pela notícia de que
sua esposa Signe (Helle Fagralid) acabara de assassinar a filha de 9 meses de
idade. Cabe aqui uma explicação: Signe há muito tempo é maníaco-depressiva,
deixou de tomar os remédios com a concordância do marido e, num surto
psicótico, acabou matando a filha cortando-lhe a garganta. Para tentar entender
o que aconteceu, Johannes procura o dr. Birkemose (Nicolas Bro), psiquiatra que
cuidava de Signe. Durante a conversa entre os dois, o filme volta no tempo e
conta como o romance entre Johannes e Signe começou. Signe tinha um ciúme
doentio do marido, principalmente com relação às atrizes que ele dirigia. Ela
não parava de chorar, um sinal evidente da doença. Quando a filhinha nasceu,
imaginava-se que Signe poderia melhorar, mas não foi o que aconteceu. Os dois
principais protagonistas são interpretados por ótimos atores, principalmente
Helle Fagralid. Não custa nada repetir: é um filme pesado, muito triste, mas
excelente sob o ponto de vista cinematográfico. Na verdade, foi um ato de grande
coragem do diretor Nils Malmros, que escreveu a história baseado no que
aconteceu em sua vida particular no início dos anos 80.
domingo, 28 de outubro de 2018
“TULLY”, EUA,
2018, chega para comprovar, de forma definitiva, o imenso talento da bela atriz
sul-africana Charlize Theron. Ela interpreta Marlo, mãe de duas crianças e prestes
a ter o seu terceiro filho. Grávida e com um baita barrigão, Marlo sofre o diabo
para cumprir os afazeres domésticos, como servir o café da manhã e levar os
filhos para o colégio. O mais difícil é lidar com o filho do meio, um garoto do
tipo autista, que só dá trabalho no colégio. O marido, Drew (Ron Livingston),
não ajuda muito, pois trabalha o dia inteiro e à noite prefere se isolar no
quarto para jogar videogame. Ou seja, não dá para contar com ele. Quando a
rotina fica pesada demais, principalmente logo depois do nascimento do bebê, o
irmão de Marlo resolve ajudá-la, contratando uma babá noturna, a Tully do
título, interpretada por Mackenzie Davis. A chegada de Tully fará com que Marlo
consiga relaxar e descansar. As duas começam a se dar tão bem que acabam
ficando amigas, a ponto de trocar confidências e intimidades. Segundo o
material de divulgação, Charlize engordou 23 quilos para representar Marlo. Sei
não. Acredito mesmo é que houve alguma trucagem ou então uma eficiente
maquiagem corporal. De qualquer forma, Charlize, mesmo gorda, continuou linda. O
filme foi dirigido pelo ator e diretor Jason Reitman (“Amor sem Escalas”, “Jovens
Adultos” – também com Charlize – e “Juno”. Além da presença da bela atriz,
outro trunfo do filme é o roteiro criativo, inteligente e bem-humorado escrito
por Diablo Cody, a mesma roteirista de “Juno”, pelo qual ganhou o Oscar de
Melhor Roteiro. “Tully” é um bom filme, mas acredito que vá agradar apenas o
público feminino.
MULHER
QUE SEGUE À FRENTE (“WOMAN WALKS AHEAD”), EUA, 2018, direção de
Susanna White (“Nosso Fiel Traidor”) e roteiro de Steven Knight. Trata-se de
uma história baseada em fatos reais. Em 1890, a viúva aristocrata Catherine
Weldon (Jessica Chastain), pintora nas horas vagas, resolve sair de Nova Iorque
e se aventurar numa perigosa viagem até Dakota do Norte. Seu objetivo era
pintar um retrato do lendário Touro Sentado (Michael Greyeyes), chefe dos índios
Sioux, que, depois de vencer inúmeras batalhas contra o exército norte-americano
e matar muitos homens brancos, vivia pacificamente como plantador de batatas
numa reserva indígena controlada pelos federais. Temerosa em lidar com um
grande guerreiro, Catherine foi aos poucos se aproximando de Touro Sentado, com
o qual começa uma forte amizade (o filme dá a entender que os dois tiveram um
caso). Catherine se engajou na briga entre índios e brancos pela disputa de
terras e enviou várias cartas a senadores norte-americanos e ao próprio governo
pedindo uma intermediação em favor dos indígenas. Esta sua atitude revoltou o
pessoal do exército e ela passou a ser perseguida e até espancada. O vilão da
história é o coronel Groves (Sam Rockwell), que sempre tentou dissuadir
Catherine a volta para Nova Iorque e ficar quietinha no seu canto. Pelo fato de
relembrar um fato histórico pouco conhecido por aqui, o filme vale a pena ser
visto. E ainda mais pela presença da excelente atriz Jessica Chastain, da qual
sou fã incondicional.
quinta-feira, 25 de outubro de 2018
“A
GAROTA OCIDENTAL – ENTRE O CORAÇÃO E A TRADIÇÃO” (“Nuces”
no original, que na tradução literal para o português significa “Núpcias”, o
que seria um título mais coerente com a história), 2017, Bélgica, roteiro e
direção de Stephan Streker (é o seu terceiro longa-metragem). Para escrever o
roteiro, Streker se inspirou num caso verídico ocorrido em 2007 no interior da
Bélgica envolvendo uma jovem chamada Sadia Sheikh. Na época, o caso gerou
grande comoção no país. No filme, a jovem chama-se Zahira Kazim (Lina El
Arabi), de 18 anos de idade, uma das filhas de Mansoor Kazim (Babak Karimi), um comerciante
paquistanês estabelecido em Bruxelas há muitos anos. O patriarca da família exige
que os filhos sigam as regras da religião muçulmana, assim como as tradições
milenares do Paquistão. Para agradar aos seus pais, Zahira, mais
ocidentalizada, usa o lenço sobre a cabeça e costuma disfarçar em casa fazendo-se
passar por uma muçulmana legítima. Numa de suas escapadas, Zahira acaba ficando
grávida do namorado, que foge da paternidade. Sem saber da situação de Zahira,
seus pais a obrigam a casar com um paquistanês, como manda a tradição, e
escolhem três pretendentes através da internet. Só que ela se apaixona por um
francês. Aí a coisa vai pegar para o seu lado, pois a família não deixará a
ovelha desgarrar-se do rebanho. Entre trágico e comovente, o desfecho coroa um
drama muito bem elaborado, com atores muito bons, principalmente a jovem atriz
francesa de origem marroquina Lina El Arabi, e uma história que privilegia um
passeio cultural pela intimidade de uma família muçulmana tradicional. O filme
é ótimo, tendo participado da seleção oficial de vários festivais de cinema
mundo afora, como Toronto, Edimburgo, Istambul, Roma e Roterdãm, recebendo
muitos elogios da crítica e do público. Imperdível!
quarta-feira, 24 de outubro de 2018
“RASTROS” (“POKOT”), 2016, Polônia, marca a volta da veterana e consagrada
diretora polonesa Agnieszka Holland à telona, depois de anos dedicados à
direção de séries televisivas. A história de "Rastros" é centrada em Janina Duszejko
(Agnieszka Mandat-Grabka), uma engenheira aposentada que trabalha como
astróloga e professora de inglês num vilarejo localizado no Vale de Klodzko,
cercado por florestas. Chamada pelo pessoal de “velha excêntrica”, Janina é uma
ferrenha defensora dos animais e inimiga mortal dos caçadores, que formam a
maioria da população do vilarejo. É contra eles que Janina dedica seu maior
tempo, principalmente depois que suas cadelas desapareceram misteriosamente. Ao
mesmo tempo, vários caçadores aparecem mortos, sem pistas aparentes para a
polícia. No depoimento de Janina aos policiais, ela aponta os animais como os maiores suspeitos, afirmando que se trata de uma espécie de vingança contra aqueles
que os perseguem e os matam. A dedicação de Janina em favor dos
animais chega ao ponto de afrontar o padre do vilarejo no meio da sua homilia numa missa, quando ele
defendia o direito dos caçadores de exterminar os bichinhos. Até perto do
desfecho fica a pergunta: quem anda matando os caçadores? Veja o filme e saiba
a resposta. Faço questão de destacar o espetacular desempenho dessa atriz
polonesa maravilhosa, Agnieszka Mandat-Grabka. Só a atuação dela vale o ingresso. Mas não é só de drama que o filme é feito. Também tem muito humor. “Pokot” estreou no 67º Festival de Cinema de Berlim, em fevereiro de 2017,
sendo selecionado posteriormente para representar a Polônia na disputa do Oscar
2018 de Melhor Filme Estrangeiro. A crítica especializada não gostou. Eu gostei
muito e recomendo. Só para lembrar, a diretora polonesa é responsável por filmes excelentes, como "O Segredo de Beethoven", "Filhos da Guerra" e "Na Escuridão", entre outros.
segunda-feira, 22 de outubro de 2018
“LBJ
– A ESPERANÇA DE UMA NAÇÃO” (“LBJ”), 2017, EUA, roteiro e direção
de Rob Reiner. Trata-se de um drama histórico biográfico centrado na figura de
Lyndon Baines Johnson, que assumiu a presidência dos Estados Unidos depois do
assassinato do presidente John Kennedy, em novembro de 1963 – LBJ era o
vice-presidente. O filme explora o período de 1959 a 1964, destacando os
bastidores da política norte-americana. Lyndon Johnson assumiu a presidência
cercado de opositores, inclusive no próprio partido, o principal deles Bobby
Kennedy, justamente o irmão do presidente assassinado. Mesmo contrariando os
desejos dos políticos do sul, seu conclave eleitoral, Johnson teve a coragem de
lutar em favor da aprovação do Ato dos Direitos Civis, uma bandeira de John
Kennedy, que dava aos negros direitos iguais aos brancos. O filme é uma aula de
História daquele período tão tumultuado nos EUA - crise com Cuba, Guerra do Vietnã, manifestações antirracistas etc. O elenco é dos melhores: Woody
Harrelson (espetacular como LBJ), Bill Pullman, Jennifer Jason Leigh, Jeffrey
Donovan, Richard Jenkins e Michael Stahl. Filmaço! Ah, só para lembrar, o veterano
diretor Rob Reiner, de 71 anos, tem em seu currículo dois grandes clássicos do
cinema: “Conta Comigo”, de 1986, e “Questão de Honra”, de 1992.
domingo, 21 de outubro de 2018
“UM GAROTO COMO JAKE” (“A
KID LIKE JAKE”), EUA, 2018, direção de Silas Howard. A história foi adaptada da
peça escrita pelo autor norte-americano Daniel Pearle, que também assina o roteiro. Jake, o garoto do título,
tem 4 anos e já nessa idade saiu do armarinho. Adora contos de fadas e de se
vestir de princesa, sendo fã incondicional de Cinderela e Rapunzel. Seus pais, Alex
(Claire Danes) e Greg Wheeler (Jim Parsons), até que lidam bem com a situação, agindo
com naturalidade – Greg é psicólogo. Longe da presença do garoto, eles conversam
sobre o que está acontecendo. Num desses diálogos, o pai afirma que seu irmão
também gostava de brincar de bonecas, mas depois cresceu, se transformou num homão
de 1m90 e muito macho. Ou seja, vamos dar tempo ao tempo. Até que um dia eles têm
de preencher um formulário descrevendo a personalidade do menino, suas
preferências e atitudes, para tentar uma bolsa de estudos. Para isso, eles
pedem ajuda a Judy (a sempre ótima Octavia Spencer), a diretora da pré-escola de Jake. Essa
parte é bastante engraçada, os pais tentando disfarçar a opção do garoto, dando
a entender que ele é bastante inteligente, pois é capaz de citar de cor vários
contos de fadas. No começo do filme, achei que ia ficar no meio do caminho, mas
continuei a assistir e gostei muito. Um filme bastante interessante e agradável que merece
ser visto por toda a família.
sábado, 20 de outubro de 2018
“ESCOBAR
– A TRAIÇÃO” (“LOVING ESCOBAR”), 2018, Espanha, roteiro e
direção de Fernando León de Aranoa (“Segunda-Feira ao Sol”). Baseado no livro “Amando
a Pablo, Odiando a Escobar”, da jornalista colombiana Virginia Vallejo, este
talvez seja o melhor filme sobre a trajetória e personalidade, ascensão e queda de Pablo Escobar,
que durante a década de 80, como líder do Cartel de Medellín, foi o traficante
de drogas mais importante da Colômbia, responsável por alimentar de cocaína,
durante quase uma década, o mercado dos Estados Unidos. Em 1981, a jornalista
Virginia Vallejo (Penélope Cruz), apresentadora de grande popularidade da TV
colombiana, teve um caso com o famoso traficante (Javier Bardem), que na época era
casado com Maria Victoria (Julieth Restrepo). Humilhada pelo amante e correndo
risco de vida por causa dessa relação, Virgínia decide colaborar com a DEA
(agência anti-drogas do governo norte-americano), entregando os segredos mais
escabrosos do traficante. Em 1982, quando o governo dos EUA (Ronald Reagan)
decidiu fazer um acordo com o governo colombiano para a prisão e extradição de
Escobar, o traficante resolveu se candidatar a deputado federal para barrar o
projeto norte-americano. Venceu as eleições e continuou a traficar, até ser
morto em 1993, aos 44 anos. O filme é bastante esclarecedor quanto a
personalidade de Escobar, que um dia diz ao filho: “Se não te respeitam, façam
com que o temam”. A frase representa exatamente a filosofia do traficante
colombiano, para quem a lealdade era ponto de honra. Um ótimo desempenho de
Javier Bardem no papel de Escobar, mas achei que Penélope Cruz, mulher de Bardem
na vida real, exagerou na sua interpretação da apresentadora colombiana. De
qualquer forma, na minha opinião é um ótimo e definitivo filme sobre o famoso traficante
colombiano.
sexta-feira, 19 de outubro de 2018
“VIVA
A FRANÇA!” (“EN MAI FAIS CE QU’IL TE PLAÎT”), 2015, França, roteiro
e direção de Christian Carion. Trata-se de mais um drama histórico da Segunda
Guerra Mundial baseado em fatos reais. Em maio de 1940, quando era iminente a
invasão da França pelas tropas do exército alemão, os franceses residentes no
norte do país resolveram fugir para o sul, contrariando ordens do governo
central. Deixando tudo para trás, mais de 8 milhões de franceses marcharam para
o sul, transformando essa fuga no maior movimento migratório de toda a
História. “Viva a França!” aborda o tema centrando a trama na população de um
pequeno vilarejo, cujo prefeito Paul (Oliver Gourmet) convence todos a fugir da
aproximação das tropas nazistas. O filme acompanha a saga de velhos, mulheres e
crianças estrada afora, numa marcha triste, desesperançada, quase fúnebre. As
cenas mais fortes e chocantes são aquelas em que os comboios de civis são
metralhados por aviões alemães, caracterizando um dos mais hediondos e abomináveis
crimes de guerra. Além de Gourmet, estão no elenco August Diehl, Mathilde
Seigner, Alice Iaaz, Matew Rhys e Laurent Guerra. Ah, a trilha sonora é
assinada pelo grande Enio Morricone. O filme foi exibido no Brasil durante a
programação do Festival Varilux de Cinema Francês/2016.
quinta-feira, 18 de outubro de 2018
“OPERAÇÃO
FINAL” (“OPERATION FINALE”), 2018, EUA, direção de Chris
Witz, com roteiro de Matthew Orton, produção da Netflix (o que significa que provavelmente
não chegará a ser exibido nos circuitos comerciais). A história é toda baseada
em fatos reais, bastante conhecidos. Em 1960, portanto quinze anos depois do
final da Segunda Guerra Mundial, agentes do Mossad (serviço secreto de Israel) localizaram
o nazista Adolf Eichmann na Argentina, conseguindo sequestrá-lo e enviá-lo para
ser julgado em Israel. Como todo mundo sabe, Eichmann foi o grande idealizador
dos campos de concentração e da “Solução Final”, o holocausto de 10 milhões de
pessoas, a maioria judeus. Os bastidores de toda essa história estão neste ótimo
drama histórico, talvez o melhor já feito sobre a prisão de Eichmann. O filme
também dá destaque a um fato bastante tenebroso: a presença maciça de nazistas
na Argentina. O ator inglês Ben Kingsley rouba a cena como o assassino nazista,
numa interpretação digna de Oscar (ele já é dono da estatueta de Melhor Ator por "Gandhi", em 1983). Outra boa presença é a do ator guatemalteco
Oscar Isaac como Peter Malkin, chefe da equipe do Mossad. Aliás, a cena em que
o israelense barbeia Eichmann com uma navalha é uma das mais angustiantes que
já vi no cinema. Também estão no elenco Joe Alwyn, Mélanie Laurent e Greta
Scacchi. Fiquei triste ao constatar que a atriz italiana Greta Scacchi, que faz
o papel de Vera Eichmann, esposa do nazista, está envelhecida e bastante
inchada, embora ainda moça (58 anos). Era uma atriz lindíssima, uma das minhas
musas do cinema. O diretor Chris Weitz tem uma boa carreira em Hollywood, com filmes como "A Bússola de Ouro", "Um Grande Garoto" e "A Saga Crepúsculo: Lua Nova". Este "Operação Final" talvez seja o seu melhor filme.
quarta-feira, 17 de outubro de 2018
“O PROFESSOR DO CAMPO” (“VENKOVSKÝ
UCITEL”) – A tradução do título em português é minha, baseada no título original
vertido para o inglês “The Country Teacher”. Tive a sorte de desencavar esse
excelente drama de 2008 produzido na República Checa, escrito e dirigido por
Bohdan Sláma. A história é centrada no jovem Petr Dolezal (Pavel Liska), um
professor de Ciências Naturais que sai da Praga para lecionar numa escola
pública da zona rural. Seu jeito não engana: ele é homossexual. Mas segura a
barra, ou seja, fica dentro do armário para não prejudicar sua reputação. Só
que ele acaba conhecendo a viúva Marie (Zuzana Bydzovská), com quem faz uma
forte amizade. A porta do armário começa a se abrir quando Petr se apaixona pelo filho de Marie, o adolescente Chlapec (Ladslav Sedivy). O pano de fundo homossexual
é tratado com muita sensibilidade pelo diretor Sláma, que soube dosar o drama
vivido pelo professor com momentos bastante comoventes. O ator Pavel Liska e a
atriz Zuzana Bydzovská – principalmente ele – dão um show de interpretação. Enfim,
o filme é ótimo, cinema da melhor qualidade.
terça-feira, 16 de outubro de 2018
“A
FUGA” (“THE ESCAPE”), 2017, Inglaterra, roteiro e direção de Dominic
Savage (mais conhecido como roteirista e diretor de séries da TV inglesa). A
história: Tara (Gemma Arterton) é uma mulher que entrou na casa dos trinta e
começa a rever os seus valores. Ela é casada com Mark (Dominic Cooper), tem
dois filhos pequenos e mora numa bela casa num bairro de classe média alta. Ou seja, leva uma vida confortável. Mas sua rotina como dona de casa não é fácil: acordar e vestir as crianças, preparar o
café da manhã, levar os filhos para o colégio e ainda escolher e fazer o nó na
gravata do marido. É dose, sem contar o fato de que Mark acorda sempre disposto
a fazer sexo, mesmo que ela não esteja a fim. Essa árdua rotina acaba
provocando um surto depressivo em Tara, que expõe sua insegurança, infelicidade
e total incapacidade de ser um exemplo de dona de casa. Ela não aguenta mais e
um dia resolve “explodir”. Ou seja, pega um trem para Paris, passagem só de ida,
e fica perambulando pela capital parisiense para meditar. O que fazer com sua
vida dali em diante? Quando retorna a Londres, faz uma visita à sua mãe Anna
(Marthe Keller) em busca de um conselho. Tara quer liberdade. Sua mãe define
bem a situação: “Casamento e liberdade não combinam”. Simples assim. Será que
Tará voltará para a sua família? Assista ao filme para saber a resposta. É um
drama pesado, bem ao gosto do talento dramático da atriz inglesa Gemma
Arterton, que está ótima no papel. Seu coadjuvante, Dominic Cooper, é um
excelente ator, como já comprovou principalmente no excelente e pouco divulgado
“O Dublê do Diabo”, de 2011, quando faz o papel de sósia do sádico Uday
Hussein, filho de Saddam. O talento desses dois atores vale o ingresso. O filme
estreou no Toronto International Film 2017, recebendo rasgados elogios. Prefiro
indicá-lo como uma opção alternativa.
segunda-feira, 15 de outubro de 2018
“ESTADOS
UNIDOS PELO AMOR” (“ZJEDNOCZONE STANY MILOSCI”), 2016, Polônia,
roteiro e direção do jovem diretor Tomasz Wasilewski – o filme ganhou o Urso de
Prata como “Melhor Roteiro” no 66º Festival Internacional de Cinema de Berlim.
A história é ambientada no início dos anos 90 em Varsóvia, quando as mudanças
políticas – queda do Muro de Berlim e o fim do Comunismo – apontavam para a
recuperação da liberdade e da economia do país. Os poloneses, porém, tinham
suas dúvidas quanto ao futuro e viviam, digamos assim, uma crise de valores. O
filme acompanha a trajetória de quatro mulheres frustradas, infelizes e
neuróticas. Uma jovem mãe com o casamento em crise que se envolve com um homem
casado; uma diretora de escola apaixonada pelo pai de um de seus alunos, que
recentemente ficou viúvo; uma velha professora obcecada por sua jovem vizinha;
e uma mulher que vive uma crise no casamento e tem fixação por um padre. A
carência de cada uma delas também envolve a falta de sexo – todas elas, em
algum momento, aparecem nuas, assim como alguns de seus parceiros. Os nús,
principalmente, masculinos, beiram o grotesco. O quarteto de mulheres é formado
por excelentes atrizes: Julia Kijowska (Agata), Dorota Kolac (Renata), Marta
Nieradkiewicz (Marzena) e Magdalena Cielecka (Iza). A câmera do diretor está
sempre em movimento, o que dá uma dinâmica especial a cada cena. A câmera
também capta a intimidade dos personagens, parecendo transformar o espectador numa
espécie de voyeur. Resumo da ópera: é
um filme bastante interessante, com grande força dramática, retratando uma
sociedade à beira de mudanças radicais. O pano de fundo é justamente a situação
vivida pela Polônia naquela época. Quem quiser conferir in loco, o filme fará parte da programação especial da 42ª Mostra
Internacional de Cinema de São Paulo, prevista para ao final de outubro/2018.
domingo, 14 de outubro de 2018
“O
DIA TROUXE A ESCURIDÃO” (“El Día Trajo la Oscuridad”), 2013,
Argentina, direção de Martín De Salvo, com roteiro de Josefina Trotta. Trata-se
de um terror psicológico ambientado numa região rural da Argentina, que de
repente é atingida por uma doença misteriosa, um tipo de vírus da raiva. Virgínia
(Mora Recalde) mora com seu pai, que é médico e atende às famílias da
comunidade. Virgínia vive solitária na casa de fazenda, pois o pai sai toda
hora para consultas. Um certo dia ela recebe uma inesperada visita, de sua
prima Anabel (Romina Paula, de “Medianeras”), uma jovem misteriosa que parece
não estar nada bem de saúde. Anabel sai noite afora e volta de manhã toda suja.
Claro que tem coisa ruim por aí. O filme tenta segurar a tensão até o desfecho,
quando a terrível verdade é revelada. Mas o ritmo é lento demais, não acontece
nada durante um tempão e a única novidade é o lance lésbico entre as primas.
Segundo o diretor De Salvo, a história foi inspirada no conto “Carmilla”, de
Sheridan Le Fanu, escritor irlandês de histórias de terror do Século 19, além de receber forte influência dos contos de terror de Edgar
Allan Poe, principalmente no que ser refere aos nomes das personagens. O
material de divulgação afirma que o filme foi aclamado nos festivais de Berlim
e Roterdã. Sei não!
sábado, 13 de outubro de 2018
“VIDAS
À DERIVA” (“Adrift”), 2018, EUA, direção de Baltasar Kormákur, com
roteiro de Aaron Kandell, Jordan Kandell e David Branson Smith. A história é baseada
em fatos reais ocorridos em 1983 e centrada na paixão fulminante de dois jovens
aventureiros: Tami Oldhan (Shailene Woodley, da Série “Divergente”) e Richard
Sharp (o ator britânico Sam Caiflin, de “Como Eu Era Antes de Você” e “Jogos
Vorazes”). Tami e Richard se conheceram no Taiti, ilha da Polinésia Francesa,
se apaixonaram e um dia resolveram navegar pelo mundo afora a bordo do barco “Hazanã”.
Como não eram velejadores muito experientes, contavam com mares calmos. Ledo engano, pois logo se viram diante de um furacão, um tal de “Raymond”, cuja força virou o barco
e deixou os dois largados à própria sorte, sofrendo da falta de água, alimentos,
medicamentos, sol escaldante, sem comunicação etc. Enfim, fortes candidatos a
morrer no mar. O filme inteiro, portanto, acompanha os 41 dias em que os jovens
passaram à deriva tentando sobreviver de qualquer jeito. O roteiro, porém,
amenizou a tragédia iminente privilegiando também a história de amor entre Tami
e Richard, com muito vaivém entre o passado e o presente, visando provocar
lágrimas na plateia, ou seja, apostar no romantismo para não deixar o filme tão
pesado. Méritos para os roteiristas e para o diretor islandês Kormákur, que
tem em seu currículo um excelente filme de sobrevivência no mar: “Sobrevivente”,
de 2012. Kormákur já havia trabalhado em Hollywood, onde dirigiu dois
filmes de ação com o ator Mark Wahlberg, “Dose Dupla” e “Contrabando”, abrindo caminho para "Vidas à Deriva".
quinta-feira, 11 de outubro de 2018
Se você acha que já viu tudo
no cinema, prepare-se para ter uma surpresa: um faroeste sul-africano. Estou
falando de “CINCO DEDOS POR MARSELHA” (“Five
Fingers for Marseilles”), 2018,
escrito e dirigido por Michael Matthews. O filme é todo falado em sesoto (língua
oficial da África do Sul e do Lesoto) e ambientado numa comunidade pobre
chamada “Trilho", na periferia da cidade de Marselha, nos cafundós da África do
Sul. Conta a história de um grupo de amigos que na adolescência resolveu
intitular-se “Cinco Dedos”, tipo aquela velha história “Um por todos, todos por
um”. Quando ainda eram bem jovens, enfrentam a opressão policial matando um
agente da lei. O responsável foi Tau, que fugiu da cidade para não ser preso.
Os outros quatro amigos ficaram e cresceram com a cidade. Vinte anos depois,
Tau (Vuyo Dabula) retorna e percebe que nada mudou. Pior, além da polícia
corrupta, a população ainda tem de sofrer nas mãos de malfeitores sanguinários.
Tau e uns poucos corajosos, incluindo um gringo e um chinês, resolvem “limpar”
Marselha, salvando a população dos bandidos. A história é muito parecida com
filmes que já vimos no cinema, como os faroestes “spaghettis” de Sérgio Leone,
nas décadas de 60 e 70, quando o mocinho chega à cidade e vira herói depois de
eliminar as gangues de criminosos. Tem até a silhueta de um cavalo no fim da tarde,
assinatura visual de dezenas de faroestes. Apesar da boa intenção, este western peca pelo amadorismo da
produção. As cenas de ação, tiros etc., por exemplo, são de uma infantilidade
atroz, muito malfeitas. Além disso, já viram um faroeste onde só aparece um
cavalo em cena? Dá para sentir muita saudade dos filmes do Clint Eastwood, John
Wayne, Giuliano Gemma...
“AQUI
EM CASA TUDO BEM” (“A CASA TUTTI BENE”), 2018, Itália, escrito e
dirigido por Gabriele Muccino. Uma grande família chega de balsa à ilha de
Ísquia, no golfo de Nápoles, para as comemorações das Bodas de Ouro dos
patriarcas Pietro (Ivano Marescotti) e Alba (Stefania Sandrelli). Estão lá seus
filhos, seus genros e noras, primos, crianças, uma ex-nora, tem aquele primo
que não toma jeito na vida e vive pedindo dinheiro emprestado, primos que revivem
um amor do passado etc. No começo, tudo é alegria, abraços, beijos e muita
cantoria para relembrar os velhos tempos. No fim do dia, na hora de voltarem
para o continente, uma tempestade impede que a balsa chegue à ilha. Ou seja,
ficam todos literalmente “ilhados”. Não é só o tempo que muda. O clima fica
ruim nos relacionamentos e aí chega a hora de lavar a roupa suja. E nenhum
cinema consegue explorar com tanta graça os “barracos” familiares como o
italiano. O elenco é ótimo: além da antiga diva Stefania Sandrelli e
Marescotti, atuam Sandra Milo, Stefano Accorsi, Pierfrancesco Favino, Carolina
Crescentini, Claudia Gerini e Elena Cucci. O diretor Gabrielle Muccino já
transitou por Hollywood, onde filmou “Sete Vidas” e “À Procura da Felicidade”,
ambos com Will Smith. “Aqui em Casa Tudo Bem” é, até agora, o maior sucesso de
bilheteria na Itália em 2018. Além do elenco e dos diálogos ácidos e
bem-humorados, o filme tem uma fotografia maravilhosa, principalmente ao
retratar a Natureza que cerca a ilha paradisíaca de Ísquia. Sem dúvida, uma
ótima comédia, ao estilo dos mestres Dino Risi e Mario Monicelli.
quarta-feira, 10 de outubro de 2018
“A
SOMBRA DA VERDADE” (“BACKSTABBING FOR BEGINNERS”), 2017,
EUA/Dinamarca/Canadá, roteiro e direção do dinamarquês Per Fly Plejdrup.
Trata-se de um ótimo thriller político
que relembra um dos fatos mais escabrosos da diplomacia mundial, envolvendo num
esquema de corrupção gente importante das Nações Unidos e dirigentes de países
do Oriente Médio. Tudo baseado em fatos reais, relatados no livro “Backstabbing
for Beginners: My Crash Course in International Diplomacy”, escrito pelo
jornalista dinamarquês Michael Soussan. A história começa em 2002 e é centrada
no jovem diplomata Michael Sullivan (Theo James, da série “Divergente”), que
cai nas graças de um chefão da ONU, Pasha (Ben Kingsley). Numa missão muito
complicada para sua inexperiência, Michael é colocado na coordenação do
Programa “Petróleo por Comida” (“Oil for Food”), um projeto da ONU para
alimentar as populações mais carentes do Oriente Médio. Para iniciar sua
tarefa, Michael é enviado em missão para o Iraque e lá conhece a tradutora
Nashim (Belçim Bilgin), que esconde sua condição de cidadã curda. Enfim, Michael vai conhecer bem de perto a podridão do jogo diplomático e, com a coragem de um
jovem idealista, tentará denunciá-la. O filme é muito bom, tem suspense e
tensão do começo ao fim, mas o que vale mesmo é a história que ele conta.
terça-feira, 9 de outubro de 2018
Nunca fui muito fã de filmes
sobre discos voadores, alienígenas e outras ficções, mas “UFO”, 2018, EUA, me prendeu desde o início. Sabe aquele filme que
você começa a ver e fica curioso sobre o que vai acontecer? Começa assim:
dezenas de pessoas que estavam esperando seus vôos no aeroporto de Cincinnati (Ohio)
são surpreendidas pela aparição de um UFO (um OVNI para nós, ou seja, Objeto
Voador Não Identificado). O porta-voz do aeroporto dá uma entrevista coletiva
afirmando que tudo não passou de um engano, que a nave misteriosa não passava
de um jato Gulfstream, desmentindo os depoimentos de várias testemunhas. Para dar maior veracidade à sua versão, o diretor do
aeroporto ainda cita vários números, como coordenadas, tempo de vôo etc. Derek
(Alex Sharp), um jovem e brilhante universitário, um pequeno gênio da matemática
e da física, investiga os números oficiais transmitidos pela direção do
aeroporto e chega à conclusão de que o que realmente ocorreu foi a aparição de
um UFO. Com a ajuda da sua professora de matemática avançada Dra. Hendricks
(Gillian Anderson, de “Arquivo X”), o rapaz contesta publicamente a versão
oficial e, com isso, chama a atenção do FBI, que também investiga o caso com uma
equipe comandada pelo agente especial Franklin Ahls (David Strathairn). Muitos
diálogos são incompreensíveis para nós, os leigos, com números de coordenadas
espaciais, fluxos de ondas magnéticas, dados científicos etc. Em algumas cenas, parece que você
está assistindo a um filme grego sem legendas. Não dá para entender bulhufas!
Mesmo assim, o filme prende a atenção até o seu final. “UFO” foi o quarta
longa-metragem escrito e dirigido por Ryan Eslinger. Um bom trabalho, sem dúvida.
segunda-feira, 8 de outubro de 2018
Da fonte inesgotável de
histórias ocorridas durante a Segunda Guerra Mundial surge “O BANQUEIRO DA
RESISTÊNCIA” (“Bankier Van het Verzet”), Holanda, 2018, produção Netflix, com
direção de Joram Lürsen e roteiro de Marieke Van der Pol, Mattijs Bocketing e
Thomas Van der Ree. Trata-se de mais uma história de coragem e heroísmo. Com a
invasão da Holanda pelos nazistas, a partir de 1940, dois irmãos banqueiros de
Amsterdam, Walraven e Gijjs Van Hall resolveram ajudar financeiramente a resistência
holandesa. Para isso, elaboraram um complexo esquema que incluiu a criação de
um bando clandestino, a emissão de promissórias falsas e títulos do governo. Tudo muito arriscado. De
1940 a 1945, praticamente durante toda a ocupação alemã, os irmãos van Hall
conseguiram movimentar – em números de hoje - uma quantia equivalente a meio
bilhão de euros. O filme é repleto de suspense, com momentos de alta tensão e
um desfecho a quilômetros de distância de um happy end. Destaco também a sensacional recriação de época, principalmente os figurinos, valorizando uma superprodução histórica. Aliás, como a produção é da Netflix, o filme certamente não será exibido
nos circuitos comerciais. O negócio é acompanhar a programação televisiva da
produtora. De qualquer forma, é um filmaço, simplesmente imperdível!domingo, 7 de outubro de 2018
“O
TERCEIRO ASSASSINATO” (“SANDOME NO SATISUJIN”), 2017, Japão,
roteiro e direção de Kirokazu Kore-eda. Trata-se de um drama jurídico centrado
no julgamento de Misumi (Koji Yakusho), que matou seu chefe a golpes de chave
inglesa num terreno abandonado à beira de um rio, queimou o corpo e fugiu, mas
logo foi capturado. Acreditando estar agindo para se livrar da pena de morte,
ele confessa o crime e vai para a cadeia aguardar o julgamento. O conceituado
advogado Tomoaki Shigemori (Masaharu Fukuyama) aceita a missão de defendê-lo e
mobiliza toda a sua equipe para descobrir tudo sobre a vida pregressa do réu.
Shigemori fica sabendo, por exemplo, que seu próprio pai, juiz na época, foi
quem condenou Misumi a cumprir uma longa pena depois de considerado culpado por
outro crime. Ao realizar as entrevistas com familiares do réu e da vítima,
amigos e prováveis testemunhas, Shigemori percebe que está no meio de verdades
desconexas e declarações contraditórias. Misumi, inclusive, toda hora muda a
versão do crime. Afinal, o que está acontecendo? O grande trunfo desse ótimo
filme de tribunal são os diálogos entre advogado e seus entrevistados, verdadeiros
embates psicológicos que fortalecem ainda mais uma trama bem urdida por um
roteiro de muita qualidade. Sem dúvida, mais uma obra instigante, provocadora e
fascinante deste Kore-eda, que é considerado o melhor roteirista e diretor
japonês em atividade, responsável por filmes como “Depois da Vida”, “Ninguém pode
Saber”, “Seguindo em Frente e “Pais e Filhos", este último vencedor do Prêmio Especial
do Júri do Festival de Cannes 2013. Assisti a quase todos e passei a admirar o grande diretor japonês. “O Terceiro Assassinato” é mais um
excelente trabalho de Kore-Eda. Imperdível!
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