quinta-feira, 2 de agosto de 2018


Mais um filme argentino para dar inveja a nosotros: “A CORDILHEIRA” (“La Cordillera”), 2017, roteiro e direção de Santiago Mitre. Trata-se de um drama político, tendo como pano de fundo uma conferência dos presidentes latino-americanos no Chile, cujo principal objetivo é discutir e aprovar um tratado de compra e venda de petróleo entre as nações participantes. O astro Ricardo Darín é novamente o protagonista principal, no papel do presidente argentino Hernán Blanco. O filme é quase todo destinado a mostrar os bastidores da cúpula, as intrigas e negociatas por trás do pano. Participam da reunião e têm papel de destaque, além do presidente argentino, o presidente do Brasil, Oliveira Prette, (o ator brasileiro Leonardo Franco), a presidente do Chile, Paula Sherson (Paulina Garcia), e líderes de outros países, sem falar na presença, na calada da noite, do representante do governo dos EUA, Dereck McKinnley (Christian Slater em participação especial), este último apresentado como um sujeito arrogante e sem escrúpulos com muitos dólares para comprar votos. O presidente do Brasil também não é mostrado de forma muito simpática, mas autoritário e um tanto ignorante (lembraram de alguém?). Em meio ao estresse político da reunião, onde cada presidente é obrigado a firmar uma posição, o indeciso presidente argentino ainda tem de administrar as atitudes de sua filha Marina Blanco (Dolores Fonzi), uma jovem com graves problemas psicológicos. Achei o filme muito bom e destaco principalmente os cenários deslumbrantes da Cordilheira dos Andes, um show de visual. Para dar mais crédito à minha opinião sobre o filme, lembro que o jovem diretor Santiago Mitre, de 37 anos, é o mesmo do excelente “Paulina”. Mas sua qualidade maior é como roteirista, como provam filmes como “Leonora”, “Elefante Branco”, “Paulina” e, principalmente, “Abutres”. “A Cordilheira” foi exibido por aqui durante a 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro de 2017, e participou da mostra “Um Certain Regard” no Festival de Cannes 2017.                                                                 


segunda-feira, 30 de julho de 2018


“A MÚSICA DO SILÊNCIO” (“La Musica del Silenzio”), 2017, Itália, direção do inglês Michael Radford, que também escreveu o roteiro com a ajuda de Anna Pavignano. O filme é baseado na autobiografia do tenor italiano Andrea Bocelli. No filme, seu nome foi substituído por Amos Bardi – não entendi o porquê. Desde o seu nascimento, em 1958, a descoberta da doença que o deixará cego anos mais tarde, sua experiência como cantor de restaurante, sua primeira namorada, suas aulas de música e canto até o sucesso mundial após vencer o Festival de San Remo, em 1994, o filme acompanha a vida de Bocelli com uma trilha sonora de altíssima qualidade, principalmente as árias de ópera. O diretor Michael Radford, como já demonstrara no ótimo “O Carteiro e o Poeta”, dirige o filme com muita sensibilidade, como a história merece. Afinal, Bocelli sempre batalhou para conseguir o seu lugar, ganhar seu próprio dinheiro e pagar suas aulas de canto e a Faculdade de Direito que o formou advogado, profissão que nunca exerceu. A música sempre foi o seu objetivo maior e, como talento lhe sobrava, conquistou um espaço de destaque no mundo da música. Fazem parte do elenco Toby Sebastian (o jovem Bocelli), Jordi Mollà (o pai), Luisa Ranieri (a mãe) e Ennio Fantastichini (o tio e grande incentivador). O verdadeiro Bocelli aparece em algumas cenas, além de narrar alguns episódios de sua vida. Pena que o vídeo que assisti é falado em inglês e não na língua original, o italiano. De qualquer modo, é um filme bastante comovente. Não entendo como não chegou por aqui para ser exibido no circuito comercial. Uma pena, pois é imperdível!                                                                  

domingo, 29 de julho de 2018


“TUDO COMEÇA NO BROOKLYN” (“First We Take Brooklyn”), 2018, EUA, filme de estreia como roteirista e diretor do ator israelense Danny A. Abeckaser, que também atua como o personagem principal. Ele é Mikki, um presidiário que cumpre pena perpétua numa prisão de segurança máxima em Israel. Numa brecha da lei, seus advogados conseguem sua libertação após 18 anos preso. Ao sair da penitenciária, Mikki resolve mudar para Nova Iorque, onde vai morar com seu tio (Eli Danker). Ele procura emprego e acha um no restaurante de Avi (Guri Weinberg), amigo de seu tio. Só que tem um porém: Avi é obrigado a pagar uma pesada taxa mensal a uma gangue russa chefiada por Anatoly (Harvey Keitel). A coisa começa a ficar fora de controle quando o tio de Mikki é espancado pela gangue. Mikki resolve se vingar e organiza uma gangue para combater os russos. Começa a traficar cocaína, roubada dos russos, é aí a guerra é declarada. Não é nenhuma maravilha como filme, mas garante um bom entretenimento para uma tarde com pipoca. Ah, e tem no elenco, num papel de destaque, uma das mais bonitas atrizes norte-americanas da atualidade: AnnaLynne McCord, um colírio. 


                                                                    



“BASEADO EM FATOS REAIS” (“D’APRÈS UNE HISTOIRE VRAIE”), 2017, França, direção de Roman Polanski, que também é autor do roteiro ao lado do diretor francês Olivier Assayas. Trata-se de um thriller psicológico baseado no livro escrito por Delphine De Vigan e lançado em 2016. A história envolve duas mulheres, a famosa escritora Delphine Dayrieux (Emmanuelle Seigner, esposa de Polanski na vida real) e a também autora de livros Elle (Eva Green), ghost writer especialista em biografias de celebridades. Além de fã incondicional, Elle nutre uma obsessão mórbida por Delphine, a ponto de comandar sua vida pessoal. Delphine, em crise existencial, fragilizada emocionalmente e com falta de inspiração para um novo livro, aceita a companhia de Elle a ponto de deixá-la morar em seu apartamento. O embate psicológico entre as duas mulheres conduz a história até o desfecho. Polanski mantém o suspense graças à excelente interpretação das duas grandes atrizes, principalmente Eva Green, que exala maldade a cada gesto e a cada olhar. O filme lembra um pouco o estilo de suspense praticado por Hitchcock, com a utilização da trilha sonora para aumentar o clima de tensão de determinadas cenas. “Baseado em Fatos Reais” foi exibido pela primeira vez no encerramento do Festival de Cannes 2017. Suspense da melhor qualidade e com a assinatura de um dos melhores diretores ainda em atividade.                                                                   

sábado, 28 de julho de 2018


“SUBMERSÃO” (“Submergence”), 2017, EUA, direção de Win Wenders, com roteiro de Erin Dignam, que se baseou, para escrevê-lo, no livro homônimo escrito pelo autor inglês J. M. Ledgard. É uma história de amor, reunindo como personagens principais a pesquisadora oceanográfica Danielle Flinders (a atriz sueca Alicia Vikander) e o agente secreto britânico James Moore (o ator escocês James McAvoy). Antes de suas respectivas missões – ela no Ártico, para estudar as profundezas do oceano e ele num trabalho de espionagem na Somália -, eles se conhecem num hotel à beira-mar e durante dias conversam, vão para a cama e, por fim, claro, se apaixonam perdidamente. Depois que eles se separam para cumprir suas respectivas missões, o filme praticamente se divide em dois, alternando-se entre as atividades dela no Ártico e a prisão de Moore logo que ele chega à Somália. Jihadistas africanos resolvem torturá-lo de forma cruel, mantendo-o na prisão na pior condição possível. O único elo entre os dois amantes é o mar, uma forçada de barra do autor da história. O cultuado diretor alemão Win Wenders, de “Paris, Texas” e “Asas do Desejo”, seus dois melhores filmes, ficou devendo desta vez. E não sou apenas eu que está dizendo isso. Quando o filme estreou, no Festival Internacional de Cinema de Toronto/2017, os críticos especializados também não gostaram.                                                                 


sexta-feira, 27 de julho de 2018


Há tempos que o cinema francês aprendeu a fazer excelentes filmes policiais, recheados de ação, tiros, perseguições, pancadaria e mulheres bonitas, todos os clichês do gênero. É o caso de “GO FAST – NO CORAÇÃO DO TRÁFICO” (“Go Fast – Au Coeur Du Trafic”), produção de 2008 dirigida por Olivier Van Hoofstadt - foi o seu segundo longa-metragem -, que também escreveu o roteiro, baseado em fatos reais, o que dá maior veracidade e emoção à história. Malek Slimane (o carismático e competente ator Roshdy Zem) é um policial de Paris especialista em se infiltrar em gangues de traficantes de drogas. Numa dessas missões, a equipe policial é cercada por bandidos e, após intenso tiroteio, Jean (Olivier Gourmet), parceiro e amigo de Malek, é atingido e acaba morto. Durante as investigações posteriores, a polícia descobre que os assassinos de Jean estão ligados a uma gangue que está prestes a trazer drogas para a França através do Sul da Espanha. Para isso, a quadrilha utilizará carros potentes com seus motores turbinados, um deles pilotado justamente por Malek, que se infiltrara com sucesso na organização criminosa, mas correndo o risco de ser desmascarado. Do começo ao fim, ação de perder o fôlego, garantindo um ótimo programa para quem gosta do gênero policial.                                                               


quinta-feira, 26 de julho de 2018


O drama nacional “AOS TEUS OLHOS”, 2017, Globo Filmes, traz à tona um assunto muito em evidência: a pedofilia. O filme foi escrito por Lucas Paraízo, cuja inspiração surgiu da peça teatral “O Princípio de Arquimedes”, do dramaturgo espanhol Josep Maria Miró. A direção é de Carolina Jabor (filha do Arnaldo), que já havia mostrado qualidade no excelente “Boa Sorte”, de 2014. A história: Rubens (Daniel de Oliveira) é um professor de natação de um clube carioca. Todos gostam dele. Até que um dia um de seus alunos, Alex (Luís Felipe Melo), revela à sua mãe Marisa (Stella Rabello) que Rubens o levou ao vestiário e deu-lhe um beijo na boca. Rubens nega de pés juntos para a diretora do clube, Ana (Malu Galli), que se vê na posição de um marisco, entre o mar (os pais de Alex) e a rocha (o professor). Não havia testemunhas e nem câmeras para comprovar o que realmente aconteceu, mas a vida do professor vira um verdadeiro inferno depois que Marisa denuncia o fato no WhatsApp e depois no Facebook, promovendo um linchamento virtual dos mais cruéis. Mas afinal, quem está falando a verdade? Você fica esperando a resposta no desfecho, mas ela não vem. Cabe ao espectador decidir. “Aos Teus Olhos” estreou durante o 19º Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro, em outubro de 2017. Ainda completa o elenco o ator Marco Ricca. Uma informação adicional: Carolina Jabor é casada com Guel Arraes, badalado diretor da Globo. Uma dica: o drama dinamarquês “A Caça”, de 2012, dirigido por Thomas Vinterberg, explora o mesmo tema de forma muito mais convincente.  Tanto é que ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes e representou a Dinamarca no Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.                                                                

quarta-feira, 25 de julho de 2018


Quem gosta de violência e pancadaria vai adorar “GUERREIRO DA ESCURIDÃO” (“Underverden” – nos países de língua inglesa, ganhou o título de “Darkland”), Dinamarca, 2017, direção do checo Fenar Ahmad, que também escreveu o roteiro juntamente com Adam August. O médico cirurgião Dr. Zaid (Dar Salim) é bastante conceituado em Copenhague. Vive um casamento feliz, sua esposa está grávida e, além disso, convive em total harmonia com os pais, imigrantes iraquianos. Como em toda família, porém, existe uma ovelha negra, no caso o irmão mais novo de Zaid, Yazin (Anis Alobaidi), metido com traficantes de drogas. Ameaçado de morte por dever dinheiro a uma gangue, Yazin recorre a Zaid para conseguir uma grana para pagar a dívida - bem alta, aliás. Zaid se recusa a ajudar o irmão, que dias depois aparece morto. Aliás, cruelmente morto, com sinais evidentes de tortura e muito sofrimento. Sentindo-se responsável pela tragédia, Zaid parte para a vingança, utilizando armas de fogo e seus conhecimentos de carateca faixa-preta. Ele vai bater e apanhar muito, em sequências de ação muito bem elaboradas e realistas. O ator iraquiano Dar Salim já demonstrou sua competência em filmes como os ótimos “O Dublê do Diabo” e “Guerra”. O filme teve sua primeira exibição no Festival Internacional de Moscou, sendo elogiado tanto pelo público como pela crítica especializada. Eu gostei e recomendo.                                                            

segunda-feira, 23 de julho de 2018


“12 HERÓIS” (“12 Strong”), EUA, 2018, direção do dinamarquês Nicolai Fuglsig. O filme é baseado em fatos reais, ou seja, a primeira missão militar dos Estados Unidos logo após o atentado contra as Torres Gêmeas, em setembro de 2001. Com o objetivo de dar uma pronta resposta ao ataque perpetrado por terroristas da Al-Qaeda a mando de Osama Bin Laden, as Forças Especiais dos EUA designaram 12 soldados de elite, sob o comando do capitão Mitch Nelson (Chris Hemsworth), para ingressar no Afeganistão, tentar destruir algumas bases dos talibãs e, quem sabe, descobrir o paradeiro de Bin Laden. Ao serem desembarcados, os soldados norte-americanos se uniram a uma tropa afegã insurgente comandada pelo General Dostum (David Negahban). E lá foram eles, alguns montados a cavalo, em busca dos terroristas talibãs. A partir daqui, haverá muito enfrentamento, tiros e explosões em excelentes sequências de ação. Tudo o que você verá na telinha foi baseado no livro “12 Heróis – As Forças Especiais que fizeram História”, escrito pelo jornalista Doug Stanton, também autor do roteiro adaptado para o cinema. Para garantir a veracidade dos fatos mostrados no filme, o diretor Fuglsig contou com a colaboração direta dos próprios 12 soldados que participaram daquela ação. Realmente, eles foram muito corajosos para encarar a perigosa missão e, exatamente por isso talvez, o filme tenha exagerado no tom patriótico, como é feitio de Hollywood. Também estão no elenco Michael Shannon, Michael Peña, a atriz espanhola Elsa Pataky e William Fichiner.
                                                           

domingo, 22 de julho de 2018



“MEMÓRIAS SOBRE PEDRAS” (título original “Biranîen Li Ser Kevirî” – nos países de linha inglesa foi exibido como “Memories on Stones”, no qual me baseei na tradução para o português – como o filme não tem muito apelo comercial, duvido que ainda chegue por aqui), Iraque, 2014, escrito e dirigido por Shawkat Amin Korkiv. Surpreendente filme iraquiano cujo pano de fundo é o genocídio praticado contra os curdos pelo exército de Saddam Hussein no período de 1986 a 1989, na sangrenta operação intitulada ANFAL, levada a efeito no Curdistão iraquiano e que matou milhares de civis curdos e de outras etinias. O filme conta a história de uma equipe de filmagem, comandada pelo diretor Hussein (Hussein Hassan) e pelo produtor Alan (Nazmi Kirik), encarregada de adaptar o massacre para o cinema. É quase um filme dentro de um filme. Apesar do tema dramático, “Memórias Sobre Pedras” explora os bastidores das filmagens com muito bom humor, principalmente no que se refere às dificuldades na escolha do elenco e na seleção de figurantes. A maioria das cenas – do filme dentro do filme – teve como locação a prisão onde os iraquianos executaram centenas de curdos e onde a atriz Sinor (Shima Molaei) reconhece a caligrafia do pai escrita na parede de uma das celas – daí o título. “Memórias Sobre Pedras” estreou no Festival Internacional de Cinema de Karsovy Vary (República Checa) em julho de 2014 e também no Festival Internacional de Cinema de Haifa (Israel) em outubro do mesmo ano. Também foi o filme selecionado para representar o Iraque no Oscar 2016 na disputa do Oscar 2016 de Melhor Filme Estrangeiro. O filme é ótimo, não deixa de ser uma bela homenagem ao cinema, como também uma clara denúncia ao recordar um fato histórico tão trágico. Repito, com muito humor. Imperdível!                                                       


sábado, 21 de julho de 2018


“O PODER DA MÚSICA” (“Una Vida: A Fable of Music and The Mind”), 2014, EUA, drama independente dirigido por Richie Adams, baseado no livro homônimo escrito pelo neurocientista Nicolas Bazan, que ajudou a escrever o roteiro. O dr. Álvaro Cruz (o ator português Joaquim de Almeida), conceituado neurologista, acaba de perder a mãe que sofria do Mal de Alzheimer. Abalado pela repentina morte, dr. Cruz resolve dar um tempo no seu trabalho e passa a perambular pelas ruas de Nova Orleãns, no French Quarter, onde conhece a cantora Una Vida (Aunjanue Ellis), que se apresenta com o violonista Stompleg (um velho e alquebrado Bill Cobbs). Com sua experiência, dr. Cruz percebe que Una Vida apresenta um quadro parecido com o de sua mãe, ou seja, ela está sofrendo do mal de Alzheimer. Com a amizade e a convivência com a dupla de artistas, dr. Cruz chega à conclusão de que Una Vida tem os efeitos da doença atenuados quando canta ou ouve música e resolve tratá-la da melhor forma possível, mesmo sabendo que a cura é impossível. A dedicação do dr. Cruz em tratar de Una Vida é o foco principal do filme, que tem tudo para emocionar os espectadores mais sensíveis. O ator Joaquim de Almeida aceitou o papel porque teve um caso de Alzheimer na família.                                                    


quinta-feira, 19 de julho de 2018


“DJANGO”, 2016, França, primeiro filme dirigido por Etienne Comar. A história é baseada no livro “Folles of Django”, escrito em 2012 por Alexis Salatko, responsável pelo roteiro adaptado para o cinema. O “Django” do título refere-se ao lendário guitarrista de jazz Django Reinhardt (1910-1953), que durante as décadas de 30 e 40 dominou o cenário musical da Europa com o “Quintette du Hot Club de France” – quando da sua fundação, em 1934, o grupo tinha como integrante o violinista Stéphane Grappelli. O filme limita-se a enfocar os primeiros anos da década de 40, durante a Segunda Guerra Mundial, quando Django – já muito famoso na época - e sua família, por suas raízes ciganas, foram perseguidos pelos nazistas na França. Django, interpretado com maestria pelo ator Reda Kateb, era conhecido como “O Pai do Jazz na Europa” e tinha como uma de suas características principais o fato de tocar com apenas dois dedos da mão esquerda, por causa de um ferimento causado por queimaduras durante um incêndio quando tinha 18 anos. Os alemães adoravam o músico, mas mesmo assim acabaram por persegui-lo. Embora contra sua vontade, Django foi obrigado a se apresentar na Alemanha para a alta cúpula nazista, pensando que, com isso, deixariam sua família e seus amigos ciganos em paz. Ledo engano. “Django” foi escolhido para ser exibido na abertura do 67º Festival Internacional de Cinema de Berlim, em fevereiro de 2017, sendo recebido pela crítica com alguma indiferença. Eu, ao contrário, adorei. Achei ótimo. Só para lembrar: o diretor Etienne Comar é mais conhecido como roteirista de excelentes filmes como “Homens e Deuses”, “Meu Rei” e “Os Sabores do Palácio”.     
                                                

quarta-feira, 18 de julho de 2018


“GRINGO – VIVO OU MORTO” (“Gringo”), 2018, coprodução EUA/Austrália, roteiro de Anthony Tambakis e Matthew Stone, direção de Nash Edgerton. Um misto de ação e comédia, com um elenco dos mais estrelados: David Oyelowo, Charlize Theron, Joel Edgerton (irmão do diretor), Thandie Newton, Sharlto Copley e Amanda Seyfried. Vamos à história: Harold Soyinka (Oyelowo) ocupa um alto cargo na empresa comandada pelos sócios Richard Rusk (Edgerton) e Elaine Markinson (Theron), na verdade dois vigaristas. Harold vive sérios problemas financeiros e, sem querer, descobre que será demitido e, pior, que sua mulher anda pulando a cerca. Numa viagem de negócios ao México, Harold imagina ter encontrado a solução para os seus problemas: inventar o próprio sequestro e arrancar dinheiro de Richard e Elaine. Aí começa uma grande confusão, que envolverá até uma quadrilha de um cartel de drogas mexicano. Se Charlize Theron é a bela, a fera é o ator britânico/nigeriano Oyelowo, que mostra sua grande versatilidade também num papel cômico. Charlize, linda como sempre, também dá seu show, fazendo o papel de loira fatal pilantra. Resumo da ópera: o filme consegue alcançar o seu principal objetivo, que é o de divertir, motivo suficiente para recomendá-lo.  

terça-feira, 17 de julho de 2018


“O SOLDADO DESCONHECIDO” (“Tuntematon Sotilas”), 2017, dirigido por Aku Louhimies. É o filme mais caro já realizado na Finlândia, ao custo de 7 milhões de euros, atores renomados do país e centenas de figurantes, além de locações com baixas temperaturas e de difícil acesso, sem falar nas ótimas sequências de ação. Trata-se de um épico de guerra, cuja história é baseada no livro escrito por Väinö Linna, lançado em 1954, cujo título é o mesmo do original do filme, sendo adaptado para o cinema com roteiro do próprio diretor. A história começa em 1941, em meio à Segunda Guerra Mundial, quando o exército finlandês resolve invadir o território fronteiriço da União Soviética com o objetivo de reconquistar as regiões tomadas pelos russos, entre elas a Carélia Oriental, durante a chamada “Guerra de Inverno” (novembro de 1939 a março de 1940). Como a história nos ensinou, Stalin invadiu a Finlândia com o intuito de conquistá-la, mas houve uma forte e corajosa resistência dos finlandeses, culminando com o recuo dos soviéticos e a assinatura de um tratado de paz, que durou pouco. Então, em 1941, os finlandeses partiram para o contra-ataque, tentando recuperar os territórios perdidos. Essa missão quase suicida é o foco desse excelente filme, que, embora tenha a longa duração de três horas, em nenhum momento é cansativo. Pelo contrário, é recheado de muita ação e suspense, valorizando um fato histórico mundial da maior importância. Filmaço imperdível!   

sábado, 14 de julho de 2018


“UM PERFIL PARA DOIS” (“UN PROFIL POUR DEUX”), 2017, França, é daquelas comédias românticas agradáveis de assistir, engraçada e sem qualquer compromisso com o intelecto. O filme foi escrito e dirigido por Stéphane Robelin – o mesmo roteirista e diretor do ótimo “E Se Vivêssemos Todos Juntos” (2011). Desta vez, Robelin explora, de forma bem-humorada, o tema da solidão na velhice e os conflitos familiares. Beirando os 80 anos, Pierre (Pierre Richard) não sai de casa há dois anos, desde que sua esposa Madeleine faleceu. Preocupadas com a situação, sua filha Sylvie (Stéphane Bissot) e a neta Juliette (Stéphanie Crayencour) resolvem recrutar o jovem Alex (Yannis Lespert) para ensinar Pierre a mexer no computador e navegar pelo mundo da Internet. Quem sabe assim Pierre sai da toca, pelo menos virtualmente. Só que tem um detalhe: Sylvie e Juliette não revelam que Alex é namorado da sua neta, já que Pierre gostava muito do seu antigo namorado e não gostaria de vê-la com outro. Com o decorrer das aulas, Pierre acaba se entusiasmando por um site de relacionamentos, através do qual conhece Flora (Fanny Valette), uma bela jovem que mora em Bruxelas (Bélgica). Pierre usa sua verve de galanteador e conquista a simpatia de Flora, que pede a sua foto. Imaginando que Flora não se contentará com um velho, Pierre envia a foto de Alex. Pronto, começa a confusão, principalmente quando Flora decide ir para Paris encontrar com Pierre, aliás, Alex. Exibido por aqui na programação do Festival Varilux de Cinema Francês, em 2017, o filme é muito divertido, ideal para esquecer, nem que seja por 1h39, as agruras do nosso dia-a-dia. Não perca!                            

sexta-feira, 13 de julho de 2018


“BEIRUTE – O RESGATE” (“BEIRUT”), EUA, 2018, direção de Brad Anderson, com história assinada pelo aclamado roteirista Tony Gilroy, responsável por filmes de ação como os quatro da saga Bourne. “Beirute” dificilmente será exibido por aqui no circuito comercial, já que é uma produção da Netflix, tendo estreado na programação televisiva mundial no dia 15 de junho de 2018. Uma pena, pois é um bom filme de ação. Mason Skiles (Jon Hamm, da série “Mad Men”) trabalhava como diplomata em Beirute (Líbano) no início da década de 70. Tinha um casamento feliz com Nadia (Leïla Bekht) e morava numa bela casa, onde organizava recepções sociais das mais concorridas. Numa delas, porém, aconteceria uma tragédia: militantes da Milícia de Libertação Islâmica invadiram a casa com o objetivo de sequestrar Karim, um jovem libanês que morava com Skiles e que era tratado como filho. Ninguém sabia, porém, que o menino era irmão de um terrorista, fato que teria consequências futuras na história. Durante a invasão, uma troca de tiros ocasionaria a morte de Nadia. Transtornado com a tragédia, Skiles deixa Beirute e volta para os Estados Unidos. Dez anos depois, a CIA o procura e pede sua ajuda para libertar o agente Cal Riley (Mark Pellegrino), sequestrado por uma organização terrorista. Skiles volta para o Líbano em companhia da agente Sandy Crowder (Rosamund Pike), encarregada de chefiar a missão de resgate do agente Riley. Destaque especial para a atriz inglesa Rosamund Pike, que se especializou nesse gênero de filme, desde “Jack Reacher: O Último Tiro”, onde contracenou com Tom Cruise, e o recente “7 Dias em Entebbe“. Bom lembrar também que Pike já havia sido indicado ao Oscar de Melhor Atriz pelo filme “Garota Exemplar”, de 2014. Com muito suspense, uma boa história e ótimas sequências de ação, “Beirute” é um entretenimento dos melhores.                          

segunda-feira, 9 de julho de 2018


    O drama italiano “THE PLACE”, 2017, escrito e dirigido por Paolo Genovese (“Uma Famiglia Perfetta”), é uma adaptação da série televisiva norte-americana “The Booth at the End”, exibida durante 2011. É uma história bastante fantasiosa, inverossímel demais. The Place é um restaurante. Numa das mesas lá no fundo, um homem misterioso (Valério Mastandrea) recebe algumas pessoas, ouve seus problemas, dá conselhos e pede que revelem os seus desejos, o que fica parecendo mais um consultório de psicanalista. Até aí tudo bem, mas só que ele diz poder atender aos desejos dessas pessoas desde que elas façam o que ele ordenar. Por exemplo, uma freira tem o desejo de reencontrar Jesus, só que, para isso, terá que perder a virgindade. Outro “paciente” é um policial, que deseja encontrar o dinheiro de um roubo. Para isso, terá que espancar alguém. Uma senhora pede a cura de seu marido, que está com Alzheimer. O homem recomenda que ela coloque uma bomba num restaurante. E por aí vai essa história bem maluca, mas até que assistível, pelo menos para ver o que vai acontecer no desfecho. Como já deu para perceber, não é um filme muito fácil de assistir, mas até que a proposta é interessante. Acho que vale a pena arriscar. Eu não me arrependi de ter arriscado.                            

    domingo, 8 de julho de 2018


    Nos anos 60 e 70, o ator norte-americano Burt Reynolds era idolatrado como galã e por sua atuação em filmes como “Amargo Pesadelo” e “Agarre-me se Puderes”. Tantos anos depois, Reynolds volta – aos 82 anos, velho e alquebrado – à telinha como o astro principal do drama “O ÚLTIMO ASTRO DO CINEMA” (“The Last Movie Star”), 2018, EUA, roteiro e direção de Adam Rifkin. Ele interpreta Vic Edwards, um antigo ator de grande sucesso em Hollywood, mas que hoje está quase esquecido e sem dinheiro. É como se fosse o próprio Burt Reynolds - não sei se o "sem dinheiro" pode ser aplicado ao astro. Vic mora em Los Angeles e recebe um convite para ser homenageado no International Nashville Filme Festival, em Nashville, a capital do Estado de Tenesse. Para enfatizar a importância do tal festival, os organizadores mencionam no convite que Robert De Niro e Clint Eastwood já tinham sido homenageados no evento. Com o incentivo do amigo Sonny (Chevy Chase), Vic topa participar do festival. Quando chega a Nashville, porém, percebe que algo está errado. Não é uma limusine que vem pegá-lo e sim um carro caindo aos pedaços dirigido pela maluquinha Lil McDougal (Ariel Winter), encarregada de ciceroneá-lo durante os dias de evento. Vic descobre que não há tapete vermelho nem holofotes, mas um esquema dos mais amadores. O roteirista e diretor Rifkin teve uma ótima ideia: pegou alguns filmes antigos de Reynolds e, através de efeitos especiais muito bem feitos, fez com que Vic contracenasse com o astro, como se estivesse no filme. Não duvido que, por sua sensível interpretação, Burt Reynolds receba uma indicação ao Oscar 2019. Resumo da ópera: o filme é ótimo, tem muito humor, ótimos diálogos e um elenco bastante afinado com Reynolds. Um filme muito agradável de assistir. Na verdade, achei um belo tributo àquele que foi um dos grandes astros de Hollywood. Termino informando que o título em português é de minha autoria, já que o filme ainda não chegou por aqui e, portanto, não tem tradução oficial.                              

    sexta-feira, 6 de julho de 2018


    "PORTO", 2016, coprodução EUA/França/Portugal/ Polônia - um dos produtores executivos é o consagrado diretor norte-americano Jim Jarmusch, um aval e tanto. Para contar a história de amor entre o norte-americano Jake Kleenar (Anton Yelchin) e a francesa Mati Vargnier (Lucie Lucas), o diretor e roteirista brasileiro Gabe Klinger escolheu como cenário a cidade portuguesa do Porto, daí o título. Os dois se conhecem num canteiro de escavação arqueológica, se encontram num restaurante/café, caminham pela cidade e acabam entre lençóis – as cenas de sexo são muito bem elaboradas, feitas com bom gosto, mesmo que cheguem perto do explícito. Na verdade, o que aconteceu foi apenas o chamado sexo casual de uma noite entre duas pessoas muito carentes – de sexo, principalmente. Com idas e vindas em flashbacks, Klinger costurou um roteiro bastante criativo e interessante para contar, primeiro, a história de vida de Kleenar e depois a de Mati, culminando com o encontro dos dois para a tal noite. Considero como maior destaque do filme a fotografia de Wyatt Garfield, principalmente quando são exibidas belas imagens da cidade do Porto, as quais exploram as luzes da noite, do amanhecer e do entardecer. Os cenários são deslumbrantes. Lembro que se trata do primeiro longa-metragem escrito e dirigido por Klinger, nascido em São Paulo em 1982 e radicado há anos nos Estados Unidos. O filme é dedicado ao jovem ator Anton Yelchin, que morreu em Los Angeles aos 27 anos em junho de 2016, poucos meses após o término das filmagens – este foi seu último filme como protagonista. Recomendo “Porto” como um belo exercício de cinema para curtir em clima de sessão de arte. Por aqui, foi exibido durante a programação da 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro de 2016.                               

    quarta-feira, 4 de julho de 2018


    “O PASSAGEIRO” (“THE COMMUTER”), 2018, EUA. Mais um filme de ação com o astro irlandês Liam Neeson, o quarto em parceria com o diretor espanhol Jaume Collet-Serra (já tinham feito juntos “Sem Escalas”, “Noite sem Fim” e “Desconhecido”). Liam é Michael MacCauley um ex-policial que trabalha numa empresa de seguros. Depois de receber a notícia de sua demissão, ele volta para casa remoendo a dúvida se conta ou não a verdade à esposa (Elizabeth McGovern). No trem que costuma pegar todos os dias para ir ao trabalho e depois voltar para casa, MacCauley é abordado por uma mulher misteriosa que diz se chamar Joanna (a sempre bonita e charmosa Vera Farmiga), que lhe oferece 100 mil dólares para localizar um passageiro que está num dos vagões. Joanna só fornece uma referência: o tal passageiro está utilizando uma mochila. De início, MacCauley não topa a parada, mas a grana é muito boa para ser recusada, principalmente depois de perder o emprego, e então ele passa a percorrer os vagões tentando localizar o desconhecido – a razão para a oferta só será revelada no final. E dá-lhe ação, muito suspense, telefonemas ameaçadores, correrias, socos, assassinatos, enfim, um teste e tanto para o sexagenário ator, de 65 anos. Há excelentes sequências de ação, daquelas de derrubar o saquinho de pipoca ou amassar o braço da poltrona. O diretor Collet-Serra é especialista no assunto, como comprovam seus filmes com Neeson e também os ótimos “A Órfã” e “Águas Rasas”. Também estão no elenco Sam Neil, Patrick Wilson, Ella Rae Smith e Clara Lago. Se Neeson já foi herói num avião (“Sem Escalas”) e agora num trem, sugiro ao diretor espanhol que, em seu próximo filme, coloque o ator irlandês para salvar vidas num morro do Rio de Janeiro. Aí é que eu quero ver!                          

    segunda-feira, 2 de julho de 2018


    “AS MARAVILHAS” (“LE MARAVIGLIE”), 2014, Itália, roteiro e direção de Alice Rohrwacher. A história se concentra numa família que mora na zona rural da Úmbria, região da Toscana. Wolfgang (Sam Louwyck) e Angélica (Alba Rohrwacher, irmã da diretora) e mais as quatro filhas se sustentam como apicultores, na produção artesanal de mel. O filme é centrado basicamente na figura de Gelsomina (a ótima atriz estreante Maria Alexandra Lungu), a filha mais velha e, por isso mesmo, mais cobrada pelo pai autoritário. Wolfgang, aliás, embora trabalhe bastante, de vez em quando tenta um negócio diferente, sempre perdendo dinheiro. Sua última empreitada esquisita foi a compra de um camelo. O filme mostra basicamente a rotina diária da família, tanto no trabalho como nas horas de lazer. Em meio a esse contexto surge a equipe de produção de um programa televisivo chamado “Ilha das Maravilhas”, cuja apresentadora é chamada de Milly Catena (ninguém menos do que a diva Monica Bellucci!). O programa promove um concurso para premiar famílias empreendedoras e Gelsomina inscreve a sua, a contragosto do pai. Este foi o segundo longa-metragem escrito e dirigido por Alice Rohrwacher, que se inspirou na história da própria família, que morou naquela região e cujo pai também era apicultor. Para definir o que achei do filme, vou reproduzir uma frase do crítico Lucas Salgado, do site Adoro Cinema: “É difícil se empolgar, mas também é difícil não se envolver”. Para ilustrar ainda mais meu comentário, acrescento que o filme foi premiado em vários festivais pelo mundo afora, incluindo o de Sevilha e de Munique. No Festival de Cannes, ganhou o Grande Prêmio do Júri. Não digo que seja imperdível, mas é muito bom.                            

    domingo, 1 de julho de 2018


    “A FILHA DO PATRÃO” (“La Fille du Patron”), 2015, França, longa-metragem de estreia como roteirista e diretor do ator Olivier Loustau, que também atua nesta comédia dramática romanceada. Vital (Loustau) é funcionário de uma empresa têxtil de médio porte. Um dia, o empresário Baretti resolve encomendar um estudo de ergonomia com o objetivo de melhor as condições de trabalho na sua indústria, promovendo a interação entre o homem e a máquina e, assim, aumentar o nível de segurança dos trabalhadores. Esse trabalho será desenvolvido pela jovem e bonita Alix (Christa Theret), especialista no assunto. A primeira etapa do seu trabalho é conhecer o funcionamento das máquinas e escolher, entre os funcionários, aquele que servirá à sua pesquisa como cobaia. É justamente Vital o escolhido. Vai demorar para o pessoal da fábrica, inclusive Vital, descobrir que Alix é, na verdade,  nada mais nada menos que a filha de Baretti, ou seja, a filha do patrão. Além de um previsível romance entre Vital e Alix – embora Vital seja casado e mais velho -, o filme também dá destaque ao time de rúgbi da fábrica, formado por barrigudos parrudos e tendo Vital como técnico. As melhores cenas de humor são justamente aquelas em que o pessoal está treinando para disputar o campeonato operário da cidade. Mas é o romance proibido entre Vital e a filha do patrão o foco principal desta produção francesa, que não é tão boa quanto parece nem tão ruim para deixar de ser recomendada. Coluna do meio!