Premiadíssimo filme iraniano, o drama “NAHID – AMOR E LIBERDADE” (“NAHID”), 2015, marca a estreia na
direção da jovem diretora Ida Panahandeh, também autora do roteiro. A história
é centrada em Nahid (Sareh Bayat), que conseguiu obter o divórcio de Ahmad
(Navid Mohammadzadeh), um viciado que não consegue largar as drogas, principalmente
a heroína. Eles têm um filho de 10 anos, Amir Reza (Milad Hossein Pour), que
ficou com a guarda da mãe depois de um acordo acertado com o pai – segundo as
leis religiosas iranianas de divórcio, o pai obtém automaticamente a guarda do
filho. No Irã, os divórcios só podem ser concretizados mediante a autorização
do marido. Nahid obteve a guarda do filho, mas jamais poderá casar novamente.
Só que ela acaba se apaixonando por Masoud (Rejman Bazeghi), um viúvo
proprietário de um pequeno hotel no litoral. Nahid enfrentará um grande dilema,
ou seja, assumir o romance com Masoud, que quer casar com ela, e perder a
guarda do filho para o ex-marido drogado ou então ficar com o filho e renunciar
ao amor de Masoud. Complicado, principalmente depois que a família de Ahmad
fica sabendo da relação de Nahid com Masoud. O filme é todo de Sareh Bayat, a ótima
atriz que estreou no cinema em “A Separação”, de 2011, Oscar de Melhor Filme
Estrangeiro. “Nahid” foi premiado no Festival de Cannes 2015 com o “Prix Avenir
Prometteur”, destinado a diretores estreantes. quarta-feira, 27 de dezembro de 2017
Premiadíssimo filme iraniano, o drama “NAHID – AMOR E LIBERDADE” (“NAHID”), 2015, marca a estreia na
direção da jovem diretora Ida Panahandeh, também autora do roteiro. A história
é centrada em Nahid (Sareh Bayat), que conseguiu obter o divórcio de Ahmad
(Navid Mohammadzadeh), um viciado que não consegue largar as drogas, principalmente
a heroína. Eles têm um filho de 10 anos, Amir Reza (Milad Hossein Pour), que
ficou com a guarda da mãe depois de um acordo acertado com o pai – segundo as
leis religiosas iranianas de divórcio, o pai obtém automaticamente a guarda do
filho. No Irã, os divórcios só podem ser concretizados mediante a autorização
do marido. Nahid obteve a guarda do filho, mas jamais poderá casar novamente.
Só que ela acaba se apaixonando por Masoud (Rejman Bazeghi), um viúvo
proprietário de um pequeno hotel no litoral. Nahid enfrentará um grande dilema,
ou seja, assumir o romance com Masoud, que quer casar com ela, e perder a
guarda do filho para o ex-marido drogado ou então ficar com o filho e renunciar
ao amor de Masoud. Complicado, principalmente depois que a família de Ahmad
fica sabendo da relação de Nahid com Masoud. O filme é todo de Sareh Bayat, a ótima
atriz que estreou no cinema em “A Separação”, de 2011, Oscar de Melhor Filme
Estrangeiro. “Nahid” foi premiado no Festival de Cannes 2015 com o “Prix Avenir
Prometteur”, destinado a diretores estreantes. terça-feira, 19 de dezembro de 2017
O drama francês “UMA
HISTÓRIA BANAL” (“Une Histoire Banale”), 2014, escrito e dirigido por
Audrey Estrougo, conta a história de Nathalie (Marie Denarnaud), uma mulher bonita
e charmosa que, aos 30 anos, vive uma fase bastante feliz. Está prestes a morar
com o namorado Wilson (Oumar Diawr), por quem está apaixonada, vive cercada de
amigos e curte seu ambiente de trabalho como enfermeira num hospital. Toda essa
felicidade vai durar pouco. Depois de sair com os amigos para dançar, Nathalie aceita
a carona de um deles, Damien (Renaud Astegiani), que demonstrava há tempos uma
evidente obsessão por ela, assediando-a com telefonemas e convites para sair. Ao
chegar à casa de Nathalie, Damien parte para o ataque, mas é rejeitado. Ele se
vinga estuprando a moça. Depois do que aconteceu, a vida de Nathalie vira um
tormento. Traumatizada e com sérios problemas psicológicos em razão do que
aconteceu, Nathalie passa a se comportar de maneira estranha. Para quem não
passou pela mesma experiência traumática, talvez seja difícil entender a
Nathalie pós-estupro. O desfecho dá margem às mais variadas interpretações e motiva
as espectadoras a fazer uma difícil reflexão: o que eu faria no lugar de
Nathalie? O desempenho da atriz Marie Denarnaud é excelente. Mais um bom filme francês que merece ser visto. domingo, 17 de dezembro de 2017
Para atuar em “Clube de Compras Dallas”, o ator Matthew
McConaughey teve de emagrecer 22 quilos, o que contribuiu, além da sua ótima
atuação, para conquistar o Oscar 2014 de Melhor Ator. Em “OURO E COBIÇA” (“GOLD”), 2017, para interpretar o personagem do
empresário Kenny Wells, McConaughey precisou engordar 19 quilos. No filme, além
de gordo, o ator aparece bastante calvo e usando uma dentadura falsa, adotando
um visual bem diferente do galã que estamos acostumados a ver na tela. E seu desempenho
é também muito bom, o que pode garantir uma nova indicação ao Oscar 2018. Vamos
aguardar. “Ouro e Cobiça” é baseado em fatos reais que resultaram num grande
escândalo financeiro no início dos anos 90 envolvendo a empresa canadense BRE-X
Mineral Corporation. No filme, McConaughey vive o empresário e aventureiro Kenny
Wells, que em meados dos anos 80 se associa ao geólogo Michael Acosta (o ator
venezuelano Edgar Ramirez) para explorar uma possível mina de ouro na
Indonésia. A notícia do resultado positivo dessa exploração chega a Wall Street
e a empresa de Wells passa a ser um grande sucesso na Bolsa, atraindo milhares
de investidores. Logo depois, porém, a verdade virá à tona e não será nada
agradável, nem para Wells e muito menos para os investidores. O filme vale pela
história em si, desconhecida por aqui, como pelo desempenho magistral de McConaughey,
que na vida real é casado, desde 2012, com a modelo brasileira Camila Alves.
“DUNKIRK”, 120 minutos, EUA, retrata um dos
episódios mais impressionantes e incríveis da Segunda Guerra Mundial. Em maio
de 1940, mais de 300 mil soldados ingleses e aliados foram encurralados pelas
tropas alemãs nas praias de Dunkirk, em território francês (nos livros de
história que li, o nome que aparecia era sempre Dunquerque). Se não houvesse a evacuação imediata,
os soldados certamente teriam sido mortos pelo exército nazista, maior em
número e bem mais armado. A estratégia emergencial colocada em prática – que recebeu
o nome de Operação Dínamo – foi a utilização de embarcações civis e militares para buscar
os soldados do outro lado do Canal da Mancha e levá-los para a Inglaterra. No
total, foram utilizados 665 barcos civis e 222 embarcações militares. O
primeiro-ministro Winston Churchill queria os soldados de volta para reforçar a
defesa da Inglaterra contra uma possível invasão alemã. No filme, escrito e
dirigido pelo inglês Christopher Nolan (conhecido pela trilogia Batman, “Intersestelar”,
“Amnésia” e “A Origem”), a ação predomina em ritmo frenético, numa proposta visual
bastante ousada, com algumas cenas realmente sensacionais e poucos diálogos. O
filme foi realizado sob três perspectivas diferentes: terra, mar e ar. Na
terra, o enfoque envolveu as tentativas do soldado Tommy (Fionn Whitehead) e de
seus companheiros de fugir da praia e entrar numa das embarcações. No mar, a
ação privilegiou os esforços das embarcações civis em chegar a Dunkirk e
resgatar os soldados, em especial o barco de Dawson (Mark Rylance). No ar, o
filme destacou os esforços do piloto Ferrier (Tom Hardy) em afastar os aviões
alemães de Dunkirk, em ótimas cenas de batalha aérea. O filme de Nolan é muito
bom e tem tudo para conquistar algumas indicações ao Oscar 2018, incluindo até
mesmo a trilha sonora criada por Hans Zimmer. Sem dúvida, um dos melhores filmes de guerra feitos nos últimos anos. sábado, 16 de dezembro de 2017
O que você faria se sua filha de 17 anos resolvesse, de uma
hora para outra, ingressar no Estado Islâmico e virar uma terrorista? O drama
francês “NÃO ME ABANDONE” (“Ne M’Abandonne
Pas”), 2015, direção de Xavier
Durringer, pode ajudar você a dar essa resposta. A jovem Chama (Lina El Arabi), de
17 anos, sofre a tradicional lavagem cerebral e acaba se casando pela Internet
com um antigo namorado francês, que foi cooptado pelo EI e que agora mora na
Síria. Está tudo preparado para que Chama vá para a Síria fazer parte do grupo
terrorista. A médica Inès (Samia Sassi), mãe de Chama, descobre o plano e fará tudo
para que a filha não entre nessa “furada”. Para isso, conta com a ajuda do ex-marido
Sami (Sami Bouajila) e de Adrien (Marc Lavoine), pai de Louis, o jovem francês recrutado
pelo EI e marido “virtual” de Chama. Pela Internet, Inès fica sabendo como o EI
faz a cabeça dos jovens – o filme, de forma didática, mostra alguns vídeos do
EI com mensagens motivacionais e os métodos empregados para atrair candidatos
para a causa. O filme também acompanha o sofrimento de Inès e sua luta para
resgatar a filha das garras dos terroristas. “Não me Abandone” foi produzido
originalmente para ser uma minissérie para a TV francesa, exibida em 2016, e que
agora virou filme. O tema é bastante atual e merece ser motivo de reflexão.
Ninguém está livre dessa situação. sexta-feira, 15 de dezembro de 2017
“EU SOU UM ASSASSINO” (“JESTEM
MORDERCA”), Polônia,
2016, escrito e dirigido por Maciej Pieprzyca. Baseado em fatos reais, o filme
relembra o caso do “Vampiro”, como foi apelidado o serial killer Zdzislaw
Marchwicki, responsável pelo assassinato de 14 mulheres em cidades próximas a
Varsóvia. A polícia não conseguia encontrar o assassino e foi ainda mais
pressionada depois que ele assassinou a sobrinha de Edward Gierek, um alto
dirigente do partido comunista, então no poder na Polônia. Policiais mais
experientes foram afastados do caso e as investigações passaram a ser
comandadas pelo detetive Janusz Jasinski (Miroslaw Haniszewski, em ótima
atuação), sem muita experiência nesse tipo de caso. Até chegar ao assassino, inclusive
com a ajuda de um computador, o policial sofrerá uma grande pressão não só de
seus superiores como da mídia em geral. Jasinski chegará ao limite físico e
psicológico, tentando aplacar a situação com um cigarro atrás do outro e muita
vodka, além dos favores de uma amante bem mais jovem que sua esposa. Mesmo
depois de chegar ao criminoso – que no filme recebeu o nome de Wieslaw Kalicki (Arkadiusz
Jakubik)–, e se
transformar num verdadeiro herói, Jasinski não desestressou. Passou a duvidar
das evidências e, depois de visitar diariamente o assassino na prisão, chegou à
conclusão de que Kalicki não tinha o perfil de um serial killer. Na última
quarta parte do filme, a história passa a destacar o julgamento do assassino e
sua possível condenação à morte. O filme é excelente, tem muito suspense e um
ritmo frenético. Imperdível! quarta-feira, 13 de dezembro de 2017
Para quem gosta de filmes históricos, “A JOVEM RAINHA” (“The Girl King”), 2015, coprodução Finlândia/Alemanha/Canadá/Suécia/França - falado em inglês - é um ótimo programa. Escrito por Michel Marc Bouchard e dirigido pelo diretor
finlandês Mika Kaurismäki, o filme conta a atribulada trajetória da Rainha
Cristina da Suécia, em meados do Século XVII. Órfã de pai aos seis anos de idade,
depois da morte do Rei Gustavo II, Cristina era a única herdeira do trono, só
que para os padrões daquela época, inconcebível uma mulher assumir cargo tão
importante. Dessa forma, nas mãos do seu tutor, Chanceler Axel Oxenstierna, ela
foi criada como um príncipe. Aos 18 anos, foi finalmente coroada rainha. Após
assumir, Cristina passou a cultivar as artes e as ciências, além da filosofia –
ela se correspondia e depois ficaria amiga do filósofo francês René Descartes
(1596-1650). Cristina ficou famosa também por gostar de mulheres (o título
original é esclarecedor). Seu caso mais rumoroso foi com a dama de companhia, a
condessa Ebba Sparre. Nos papéis principais, ótimos desempenhos da atriz sueca
Malin Buska (Rainha Cristina), Michael Nyqvist (ator sueco falecido em junho de
2017) como o Chanceler Axel Oxenstierna, a canadense Sarah Gadon como a
condessa Sparre, e o ator francês Patrick Bauchau, como René Descartes, além da
atriz alemã Martina Gedeck e do ator francês Hippolyte Girardot. Outros destaques positivos são a ótima fotografia e a recriação de época, especialmente os cenários e os figurinos. “A Jovem
Rainha” pode ser considerada uma refilmagem livre do clássico “Rainha Cristina”,
de 1933, com Greta Garbo arrasando no papel principal. Irmão do também diretor
de cinema Aki Kaurismäki, Mika tem uma relação antiga e muito próxima com o
Brasil. Ele foi o responsável, por exemplo, pelos documentários “Brasileirinho –
Grandes Encontros do Choro”, de 2005, “Bem-Vindo a São Paulo, de 2004, e “Moro
no Brasil”, de 2002. Mika mora há 25 anos no Rio de Janeiro, é casado com uma
baiana e tem dois filhos brasileiros. terça-feira, 12 de dezembro de 2017
Momentos de muita tensão e suspense estão garantidos no drama
de guerra “NA MIRA DO ATIRADOR” (“THE WALL”), 2017, EUA, direção
de Doug Liman. Iraque, 2007, os sargentos norte-americanos Allen Isaac (Aaron
Taylor Johnson) e Shane Matthews (John Cena) são enviados a um local extremo no
deserto iraquiano para investigar um possível atentado que matou vários
engenheiros e militares que trabalhavam na construção de um oleoduto. Ao
chegarem ao local, porém, descobrem que as vítimas foram mortas a tiros precisos
na cabeça, indicando que a matança tenha sido obra de um franco-atirador, ou seja,
um sniper. A confirmação viria logo
depois, quando ambos são atingidos por tiros disparados não se sabe de onde. Encurralados
pelo atirador, os dois soldados norte-americanos
só contam com a proteção de uma antiga parede de tijolos. Para piorar ainda mais
a situação, o atirador iraquiano consegue interceptar uma comunicação via rádio
que Isaac tentava concluir para pedir ajuda ao seu pelotão. O iraquiano fala um
inglês fluente e inicia uma longa conversa com Isaac, transformando o embate num
claro duelo psicológico. Não será muito fácil para os soldados norte-americanos
saírem vivos dessa situação, a não ser que cheguem reforços, a famosa “cavalaria”.
O maior mérito do diretor Liman foi manter o nível de tensão mesmo com apenas
dois personagens e uma voz in-off em cena, o que poderia deixar o filme arrastado e monótono. Mais uma prova da competência do diretor, responsável também por bons filmes de ação como “A Identidade Bourne” e “Sr. & Sra. Smith”, entre outros. "Na Mira do Atirador" revela-se, portanto, um ótimo programa. segunda-feira, 11 de dezembro de 2017
O drama norte-americano “CASTELO
DE VIDRO” (“The Glass Castle”), 2017, com roteiro e direção de Destin
Daniel Cretton, é baseado no livro autobiográfico da jornalista Jeanette Walls,
“The Glass Castle”, lançado em 2005 e traduzido para mais de 30 idiomas. Enfim,
um grande best-seller. Walls relembra todos aqueles anos em que ela e os três
irmãos conviveram com os pais totalmente desequilibrados e irresponsáveis, Rex
(Woody Harrelson) e Rose Mary (Naomi Watts). Ele, um sonhador lunático,
desempregado crônico e alcoólatra. A mãe, uma artista plástica que imagina um
dia sagrar-se uma grande pintora, mas sem nenhum talento para tal. Pai e mãe
sempre encararam a vida contrários a qualquer tipo de rotina familiar
convencional. Nem com os quatro filhos eles foram capazes de mudar a filosofia
de vida. Viraram nômades, mudavam de cidade para cidade, sempre morando em
casas caindo aos pedaços. Para disfarçar sua incompetência como chefe de
família, Rex prometia que um dia construiria uma grande casa de vidro, o tal
castelo do título. Jeanette e os irmãos podem se queixar que, por causa dos
pais irresponsáveis, passaram por muitas dificuldades, incluindo falta de
comida e lugar para dormir. Mas jamais poderiam se queixar de que a vida da
família era uma rotina chata. Pelo contrário, foi, durante anos, uma grande
aventura, cheia de imprevistos, a cada dia uma novidade, boa ou ruim. No filme,
interpretada pela excelente Brie Larson (Oscar de Melhor Atriz em 2016 por “O
Quarto de Jack”), Walls aparece já como uma jornalista de sucesso em Nova
Iorque, querendo esquecer o seu passado, mas não consegue, principalmente em
razão da sua forte ligação com o pai, uma relação de amor e ódio. A atuação de
Woody Harrelson é excelente, tanto que muitos críticos já estão acreditando
numa possível indicação ao Oscar 2018 para disputar o prêmio de Melhor Ator. No
geral, o filme é muito bom. Nos créditos finais, o diretor Cretton apresenta os
verdadeiros personagens como estão nos dias de hoje. quarta-feira, 6 de dezembro de 2017
Típico representante do cinema
de arte francês, “O IGNORANTE” (“Le Cancre”),
2016, tem roteiro e direção de Paul Vecchiali, que ainda atua como o personagem
principal. É basicamente uma obra teatral, verborrágica e musical, com diálogos
bastante inspirados e bem-humorados, mas muitas vezes arrastados além da conta. A base
da história é o difícil relacionamento entre Rodolphe (Vecchiali) e seu filho
Laurent (Pascal Cervo). Ao discutir sua vida com Laurent, Rodolphe faz um
balanço reflexivo da sua agitada vida amorosa. Nesse ponto, as mulheres com as que se
relacionou surgem em cena para conversar com Rodolphe e relembrar o romance que
tiveram, os altos e baixos e, principalmente, tentam descobrir o que não deu
certo nas respectivas relações. Fica evidente, desde o início, que Rodolphe só
teve um grande amor na vida, sua cunhada Marguerite (Catherine Deneuve), irmã
de sua esposa. Os momentos mais engraçados ficam por conta da falta de sintonia
entre pai e filho. Rodolphe tem a pose aristocrática, veste hobby de chambre e
echarpes, enquanto Laurent não troca um moletom surrado, alvo constante da
implicância do seu pai. Além de Vecchiali, Cervo e Deneuve, completam o elenco atores e atrizes consagrados do cinema e teatro francês, como Mathieu Amalric, Annie Cordy, Françoise Lebrun, Françoise Arnoul, Edith Scob e Marianne Basler. Sem
dúvida, um filme bastante interessante e inteligente, mas muito longe de agradar o grande público. terça-feira, 5 de dezembro de 2017
“VIVA”, 2015, coprodução
Irlanda/Cuba, direção de Paddy Breathnach, com roteiro de Mark O’Halloran. O
drama é centrado no jovem Jesus (Héctor Medina), de 18 anos, que vive
perambulando pelas ruas de Havana tentando sobreviver fazendo bicos como garoto
de programa – os principais clientes são os turistas que visitam a ilha – e
como maquiador e penteador de perucas num clube noturno de drag queens. Ele gosta de cantar e um dia pede uma chance ao dono
do clube para fazer uma apresentação com o nome artístico de “Viva”, o que justifica
o título do filme. Jesus faz sucesso e acaba incluído na programação. Tudo vai
bem até aparecer seu pai Angel (o ótimo Jorge Perugorría), um ex-boxeador que
estava preso há 15 anos. Claro que ele, machão convicto, não vai gostar do que o filho está
fazendo e aí os dois entram em conflito, dificultando o relacionamento. Ao mesmo
tempo, o filme pinta um quadro não muito otimista sobre o regime cubano: mostra uma Havana triste, com muitos desempregados e gente sem
esperança. As pessoas vivem pedindo dinheiro emprestado para comprar comida. Para
contrastar, “Viva” apresenta um sistema público de saúde que funciona para
os mais pobres, principalmente quando Jesus precisa internar o pai gravemente
enfermo. O filme foi premiado em vários festivais pelo mundo afora e
representou a Irlanda na disputa do Oscar 2016 de Melhor Filme Estrangeiro –
foi um dos 9 pré-finalistas. Sua primeira exibição por aqui, antes do circuito
comercial, aconteceu durante o 24º Festival Mix Brasil de Cultura da
Diversidade, em novembro de 2016. Resumo da ópera: um ótimo filme que merece
ser visto por quem aprecia cinema de qualidade. domingo, 3 de dezembro de 2017
Baseado em fatos reais, “O ZOOLÓGICO DE VARSÓVIA” (“The Zookeeper’s
Wife”), 2017, EUA/Polônia, direção da norte-americana Niki Caro, conta a incrível
história do casal Antonina e Jan Zabinski, que durante a Segunda Guerra Mundial
salvou centenas de judeus enquanto a Polônia era dominada pelos alemães.
Antonina (Jessica Chastain) e Jan (o ator belga Johan Heldenbergh) eram proprietários
do Zoológico de Varsóvia quando a invasão nazista aconteceu, em setembro de
1939. Nessa época, mantinham uma grande amizade com o zoologista alemão Lutz
Heck (Daniel Brühl), dono de um zoológico em Berlim, que depois da invasão
virou oficial nazista. Jan e Antonina ajudaram centenas de judeus a fugir dos
guetos de Varsóvia para escondê-los no seu zoológico – segundo o livro “The
Zookeepers’s Wilfe: A War Story”, escrito pela norte-americana Diane Akerman,
no qual o filme é baseado, o casal conseguiu salvar mais de 300 judeus. Um
filme emocionante e tocante, embora muito triste e, em alguns momentos, bastante chocante. Jessica
Chastain mais uma vez domina o cenário com sua habitual competência. Uma
história de coragem que merece ser conhecida.
“UM INSTANTE DE AMOR” (“Mal De Pierres”), 2016,
França, 120 minutos, direção da atriz, roteirista e diretora Nicole Garcia, que escreveu o roteiro em
conjunto com Jacques Fieschi e Natalie Carter. A história, baseada no romance best-seller “Mal Di Pietre”, da
escritora italiana Milena Agus, é ambientada nos anos 50 numa pequena aldeia
francesa, onde a jovem Gabrielle (Marion Cotillard) é conhecida por sua
rebeldia e por sua compulsão sexual. Ao ser rejeitada por um professor casado,
Gabrielle entra em surto e passa a se comportar de um modo bastante anormal. A
solução encontrada por seus pais foi arranjar um casamento com o pedreiro José
(o ator espanhol Alex Brendmühl). Com dificuldade para engravidar, Gabrielle é
examinada por um médico, que diagnosticou o tal “Mal de Pierres”, aqui
conhecido como cálculo renal. Gabrielle então é encaminhada a um spa nos alpes suíços e inicia um
tratamento para eliminar as pedras no rim. Aqui, ela conhece o tenente André
Sauvage (Louis Garrel), pelo qual se apaixona perdidamente, colocando em risco
o seu casamento com José. O filme comprova mais uma vez o talento dramático de Marion
Cotillard, já demonstrado em “Ferrugem e Osso”, “Era uma vez em Nova Iorque” e, principalmente, em “Piaf – Um Hino ao Amor”, pelo qual foi premiada com o Oscar de Melhor
Atriz em 2007. Além de tudo isso, ela é linda. “Um Instante de Amor” é muito bom e merece ser conferido. Segundo o crítico Cássio Starling
Carlos, da Folha de S. Paulo, trata-se de “Um bom champanhe servido
em copo de plástico”. Ou seja, ele não achou tão bom como eu achei. A primeira exibição de "Um Instante de Amor" por aqui aconteceu durante o Festival Varilux de Cinema Francês/2017. quinta-feira, 30 de novembro de 2017
“JOÃO, O MAESTRO”, 117 minutos, nacional, 2017, roteiro e direção de Mauro Lima. Conta
a história da emocionante trajetória de vida do maestro João Carlos Martins. Em
sua primeira fase, o filme acompanha o menino pianista virtuoso, um verdadeiro
gênio precoce, os primeiros professores e o início dos seus problemas de saúde.
Ainda jovem – segunda fase –,
alcança fama internacional como especialista na obra de Bach, viaja pelo mundo
realizando concertos e vai morar em Nova Iorque. É nesta cidade que Martins
sofre um acidente que afetará, para sempre, os movimentos de sua mão direita. Já adulto, ele
aprende a conviver com suas deficiências e se consagra como maestro, regendo
orquestras em vários países. Enfim, um exemplo de superação que aprendemos a
admirar nos últimos anos. O filme é muito interessante ao exaltar seu
impressionante talento como pianista, reconhecido e exaltado pelos principais
músicos, maestros e compositores do mundo inteiro. Além de gênio musical,
Martins sempre foi um mulherengo convicto, um aspecto praticamente desconhecido de sua biografia. Até agora. Na adolescência, o maestro é interpretado pelo garoto Davi
Campolongo; na juventude, pelo ator Rodrigo Pandolfo; e, na fase adulta, pelo
ator Alexandre Nero. Ainda estão no elenco Aline Moraes e Caco Ciocler, entre
outros bons atores. Mais um bom trabalho do diretor Mauro Lima, que se
especializou em cinebiografias, como “Meu
Nome não é Johnny” e “Tim Maia” – seu próximo filme será “Casagrande e seus
Demônios”, sobre o ex-jogador de futebol e atual comentarista global. terça-feira, 28 de novembro de 2017
“AS NOITES BRANCAS DO
CARTEIRO” (“Belye Nochi Pochtalona Alekseya Tryapitsyna”), 2014, Rússia, 1h30min. Trata-se de
um projeto arrojado e inusitado da roteirista Elena Kiseleva e do diretor
Andrei Konchalovsky. Eles escolheram um vilarejo distante e isolado ao norte da
Rússia, às margens do lago Kenozero, reuniram os moradores, formaram o elenco,
cada qual representando a si mesmo, e montaram a história. O personagem principal é o carteiro (Alekseya
Tryapitsyna), responsável pela entrega das correspondências e pagamento das
aposentadorias. É o único elo com o mundo exterior. Como meio de transporte, ele utiliza um barco, pois os
moradores residem em volta do lago. Eles vivem distantes de qualquer modernidade, talvez bem próximo de como viviam seus antepassados. Ele visita as famílias, entra nas casas, conversa com um ou com outro
e ainda encontra tempo para se apaixonar por uma moradora (Irina Ermalova, a
única atriz profissional do elenco). Para conseguir um melhor resultado com
relação às interpretações, Konchalovsky utilizou câmeras escondidas em várias
cenas. O resultado final é muito interessante, principalmente para os
espectadores que gostam de cinema de arte e novidades estéticas. O filme valeu a Konchalovsky o Prêmio
de Direção no Festival de Veneza 2014. Por aqui, foi exibido somente na 38ª
Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. domingo, 26 de novembro de 2017
Com raríssimas exceções, como o ótimo “A Separação” (Oscar de
Melhor Filme Estrangeiro em 2012), os filmes iranianos são muito contemplativos e reflexivos. É o estilo reinante no cinema iraniano. Mais um
exemplo desse estilo, adorado pelos críticos profissionais e pelos júris dos festivais, é o drama “QUE
HORAS SÃO NO SEU MUNDO?” (“Dar Donyaye to Sa’at Chand Ast?”), 2014, que marcou
a estreia no roteiro e direção de Safi Yazdanian. A história é centrada em Gizeh
Gol (Leila Hatami, atriz de “A Separação”), que volta ao Irã para visitar sua cidade natal, Rasht,
depois de vinte anos residindo em Paris. Logo que chega, ela é assediada por
Farhad (Ali Mosaffa, marido de Leila na vida real), um fabricante de molduras
que, sabe-se lá por que, conhece tudo sobre a vida de Gizeh e não larga do seu
pé. Enquanto isso, Gizeh aproveita para visitar o túmulo da mãe, falecida cinco
anos antes, e outras pessoas que, de alguma forma, tiveram relação com sua
família. Gizeh também passa o tempo refletindo sobre o seu passado, relembrando
fatos de sua infância e adolescência. O filme, exibido por aqui durante a 39ª
Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, ainda apresenta uma versão interessante
do bolerão “Quizas, Quizas, Quizas” em francês. Só para quem aprecia o cinema iraniano.
“PRIMEIRO-MINISTRO” (“DER PREMIER”), 2016, Bélgica, roteiro e
direção de Erik Van Looy. Prestes a receber a presidente dos EUA em Bruxelas
para uma reunião sobre a Paz Mundial e o Meio Ambiente, o Primeiro-Ministro da
Bélgica (Koen De Bouw) é envolvido numa trama bastante sinistra. Sua esposa e
filhos são sequestrados por um grupo terrorista internacional e serão
assassinados se ele não matar a presidente americana (Saskia Reeves). Eva
(Charlotte Vandermeersch), assessora de Comunicação do Primeiro-Ministro, também
será envolvida no caso e também correrá risco de morte. Sem dúvida, o filme
garante muito suspense do começo ao fim e o espectador, com certeza,
acompanhará tudo roendo as unhas. A tensão aumenta ainda mais a partir do
momento em que o Primeiro-Ministro tenta contornar a situação não obedecendo às
ordens dos vilões. Mas é preciso reconhecer que a história é inverossímil demais do começo ao fim, com muitos
furos (cadê o pessoal da segurança do Primeiro-Ministro?) e situações fantasiosas, incluindo a improvável e surpreendente revelação da identidade do grupo criminoso, culminando
com um desfecho pra lá de constrangedor. Sou obrigado a reconhecer: Hollywood
faz muito melhor.
sábado, 25 de novembro de 2017
Mais um filme daqueles para dar inveja do cinema argentino.
Mesmo que não seja dos melhores, mas é muito bom. Estou falando de “O CIDADÃO ILUSTRE” (“EL CIUDADANO ILUSTRE”),
2016, direção da dupla Gaston Duprat/Mariano Cohn (“O Homem do Lado”), com
roteiro de Andrés Duprat. A história é centrada no escritor argentino Daniel
Mantovani (Oscar Martinez), que acaba de receber o Prêmio Nobel de Literatura.
Rico, famoso, vaidoso, egocêntrico e um tanto arrogante, ele vive numa bela
casa em Barcelona. Depois do Nobel, ele passa a receber inúmeros convites para
palestras, homenagens e entrevistas, rejeitando a todos, menos um: o convite
para receber o título de “Cidadão Ilustre” em sua pequena cidade natal, Salas, no
interior da Argentina. Foi de lá que, há quarenta anos, Daniel saiu para tentar
a vida como escritor na Europa. Deu certo. Publicou dezenas de livros, muitos
deles sucesso de vendas e de crítica. Daí o Nobel. Ao chegar a Salas, Daniel é
homenageado com um busto na praça principal, recebe o convite para presidir um
júri de um concurso de pinturas e para proferir palestras sobre a arte em
geral. A levada do filme é de comédia, com muitas situações bastante
hilariantes. Ao mesmo tempo, motiva reflexões acerca do choque cultural
evidente entre o escritor famoso, culto e bem sucedido, e as pessoas de origem
simples, que não evoluíram culturalmente e nem por isso deixaram de ser
importantes na vida do escritor, haja vista que muitos de seus livros foram
baseados em histórias e personagens de sua antiga cidade. O filme estreou no
Festival de Veneza 2016, de onde saiu com o Prêmio de Melhor Ator para Oscar
Martinez, também conhecido por ter atuado em “Ninho Vazio”, “Inseparáveis”, “Kóblic”,
“Relatos Selvagens” e “Paulina”. Sem dúvida, um dos melhores atores argentinos
da atualidade, ao lado de Ricardo Darín. “O Cidadão Ilustre” foi
o filme de maior bilheteria na Argentina em 2016. Além de Oscar Martinez, estão no
elenco Belén Chavanne, Andrea Frigerio, Gustavo Garzón e Dady Brieva. terça-feira, 21 de novembro de 2017
Em abril de 1980, terroristas ligados à Frente Nacional do
Khuzistão invadiram a Embaixada do Irã em Londres fazendo 26 reféns. A exigência
dos terroristas: que o governo iraniano libertasse 91 militantes da FNK que
estavam presos no Irã. “6 DIAS” (“6 DAYS”),
produção da Netflix que estreou no dia 9 de setembro de 2017, conta os detalhes
desse episódio, a tomada da embaixada, os bastidores das negociações, o
trabalho da imprensa, o planejamento do grupo especial do SAS (Special Air
Service) encarregado de invadir o prédio e soltar os reféns, além do desfecho
violento. Nos papéis principais, o ator Jamie Bell (quem se lembra dele,
adolescente, na pele de “Billy Elliot”, de 2000?) como o soldado líder do grupo
SAS, Mark Strong, como o negociador, e Abbie Cornish como a repórter televisiva
que ganhou fama depois de um excelente trabalho de cobertura. O filme também
destaca a firme posição de Margaret Tatcher, que assumira recentemente o cargo
de primeira-ministra do Reino Unido. Ela não admitiu, em nenhum momento, qualquer tipo de
negociação com os sequestradores. Toa Fraser assina a direção e Glenn Standring
o roteiro. Vale assistir apenas para relembrar o que aconteceu, mas, como
cinema, deixa muito a desejar. Faltou tensão e ação. Ficou parecendo um filme-reportagem. segunda-feira, 20 de novembro de 2017
“ATRÁS DAS NUVENS” (“Achter
De Wolken”), 2016,
Bélgica, é o primeiro longa-metragem dirigido por Cecília Verheyden, com
roteiro de Michael DeCock. Trata-se de um drama que explora a paixão ardente entre
uma mulher e um homem na terceira idade. O filme começa mostrando o velório do
marido de Emma (Chris Lomme). Um dos presentes é Gerard (Jo De Meyere), muito
amigo do falecido e antigo admirador de Emma. Ele não a via há 50 anos e, ao
reencontrá-la, reavivou a antiga paixão. Dessa forma, passou a assediá-la,
utilizando as mais elementares armas da conquista, a começar com um buquê de
flores – a cena em que ele vai entregar o buquê é hilariante.
Conversa vai, conversa vem, acabam se apaixonando ardentemente. Eles,
porém, encontrarão a forte resistência de Jacky (Katelijne Verbeke), a filha infeliz e mal-amada de
Emma, que não se conforma com o repentino romance. A única a dar força a Emma é
sua neta, Evelien (a graciosa Charlotte de Bruyne). Aqui, o tema da paixão na
terceira idade é tratado com rara sensibilidade, inclusive nas cenas de sexo. Sim,
tem sexo! A atriz Chris Lomme e o ator Jo De Meyere, ambos de 78 anos, dão um
show de interpretação, tornando o filme ainda mais irresistível. Pena que não
tenha chegado por aqui. Imperdível! domingo, 19 de novembro de 2017
“MONSIEUR & MADAME
ADELMAN”, França, 2016,
primeiro filme dirigido pelo ator e roteirista Nicolas Bedos. A história: logo
depois da morte do escritor de grande sucesso Victor Adelman (Bedos, o diretor),
sua viúva Sarah (Doria Tillier) resolve contar a um jornalista – que pretende escrever
uma biografia do falecido – tudo sobre o seu relacionamento de 45 anos com o escritor. A
trajetória do casal é acompanhada desde 1971, quando se conhecem, até a morte
dele, em 2016. Como pano de fundo, alguns dos fatos marcantes da vida cultural
e política da França. Uma verdadeira e conturbada história de amor, pontuada
por momentos dramáticos e outros de muito bom humor. Os diálogos são muito
inteligentes, pontuados por certa erudição e engraçados, resultando em cenas bastante hilariantes, como as consultas do
escritor com seu psicanalista e os jantares durante os quais um apresenta a
família para o outro. Para fechar a história com chave de ouro, esse maravilhoso
filme francês ainda reserva para o seu desfecho revelações surpreendentes
acerca da vida do casal. A atriz Doria Tillier faz sua estreia no cinema – é mais
conhecida por sua participação em séries da TV francesa. E que atriz
maravilhosa. É a alma do filme, embora Bedos também esteja ótimo. Um trabalho
primoroso, duas horas de puro prazer cinematográfico, um filme para ficar na
memória de quem curte cinema de qualidade. Simplesmente imperdível! sábado, 18 de novembro de 2017
“A VIAGEM DE FANNY” (“LE
VOYAGE DE FANNY”),
2016, França, terceiro longa-metragem dirigido por Lola Doillon, com roteiro de
Anne Peyègne, que o escreveu baseada no livro autobiográfico “Le Voyage de Fanny
– L’histoire Vraie D’Une Jeune Fille Au Destin Hors Du Commun”, escrito por
Fanny Bel-Ami. É mais uma daquelas histórias incríveis e verídicas ambientadas
durante a Segunda Guerra Mundial. Assim como milhares de outras crianças de
origem judia, Fanny, na época com 12 anos, foi entregue, juntamente com as duas
irmãs menores, a uma instituição que cuidava de organizar fugas de crianças
para outros países, fugindo dos nazistas que ocupavam a França. A Suíça era um
dos destinos escolhidos. Depois de entregue a uma dessas instituições, Fanny e
mais algumas crianças acabam ficando por conta própria, tentando chegar até a
Suíça. Uma jornada de muitos perigos e sofrimento, passando fome e frio. A
diretora não carregou muito no drama, embora mantenha muitos momentos de alta
tensão e suspense, com belas locações no interior da França. O filme tratou a
história como uma aventura infantil, “Um drama disfarçado de sessão da tarde”,
como bem definiu um crítico profissional. De qualquer forma, por se tratar de
uma história verídica, vale a pena curtir. O elenco conta com Léonie Souchaud,
a Fanny, e com as participações especiais de Cécile de France, Stéphane de
Groodt e Olivier Massart. Informação importante: entre 1938 e 1944, mais de 5
mil crianças judias escaparam da França rumo à Suíça, EUA e Espanha.
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