“UM INSTANTE DE AMOR” (“Mal De Pierres”), 2016,
França, 120 minutos, direção da atriz, roteirista e diretora Nicole Garcia, que escreveu o roteiro em
conjunto com Jacques Fieschi e Natalie Carter. A história, baseada no romance best-seller “Mal Di Pietre”, da
escritora italiana Milena Agus, é ambientada nos anos 50 numa pequena aldeia
francesa, onde a jovem Gabrielle (Marion Cotillard) é conhecida por sua
rebeldia e por sua compulsão sexual. Ao ser rejeitada por um professor casado,
Gabrielle entra em surto e passa a se comportar de um modo bastante anormal. A
solução encontrada por seus pais foi arranjar um casamento com o pedreiro José
(o ator espanhol Alex Brendmühl). Com dificuldade para engravidar, Gabrielle é
examinada por um médico, que diagnosticou o tal “Mal de Pierres”, aqui
conhecido como cálculo renal. Gabrielle então é encaminhada a um spa nos alpes suíços e inicia um
tratamento para eliminar as pedras no rim. Aqui, ela conhece o tenente André
Sauvage (Louis Garrel), pelo qual se apaixona perdidamente, colocando em risco
o seu casamento com José. O filme comprova mais uma vez o talento dramático de Marion
Cotillard, já demonstrado em “Ferrugem e Osso”, “Era uma vez em Nova Iorque” e, principalmente, em “Piaf – Um Hino ao Amor”, pelo qual foi premiada com o Oscar de Melhor
Atriz em 2007. Além de tudo isso, ela é linda. “Um Instante de Amor” é muito bom e merece ser conferido. Segundo o crítico Cássio Starling
Carlos, da Folha de S. Paulo, trata-se de “Um bom champanhe servido
em copo de plástico”. Ou seja, ele não achou tão bom como eu achei. A primeira exibição de "Um Instante de Amor" por aqui aconteceu durante o Festival Varilux de Cinema Francês/2017. domingo, 3 de dezembro de 2017
“UM INSTANTE DE AMOR” (“Mal De Pierres”), 2016,
França, 120 minutos, direção da atriz, roteirista e diretora Nicole Garcia, que escreveu o roteiro em
conjunto com Jacques Fieschi e Natalie Carter. A história, baseada no romance best-seller “Mal Di Pietre”, da
escritora italiana Milena Agus, é ambientada nos anos 50 numa pequena aldeia
francesa, onde a jovem Gabrielle (Marion Cotillard) é conhecida por sua
rebeldia e por sua compulsão sexual. Ao ser rejeitada por um professor casado,
Gabrielle entra em surto e passa a se comportar de um modo bastante anormal. A
solução encontrada por seus pais foi arranjar um casamento com o pedreiro José
(o ator espanhol Alex Brendmühl). Com dificuldade para engravidar, Gabrielle é
examinada por um médico, que diagnosticou o tal “Mal de Pierres”, aqui
conhecido como cálculo renal. Gabrielle então é encaminhada a um spa nos alpes suíços e inicia um
tratamento para eliminar as pedras no rim. Aqui, ela conhece o tenente André
Sauvage (Louis Garrel), pelo qual se apaixona perdidamente, colocando em risco
o seu casamento com José. O filme comprova mais uma vez o talento dramático de Marion
Cotillard, já demonstrado em “Ferrugem e Osso”, “Era uma vez em Nova Iorque” e, principalmente, em “Piaf – Um Hino ao Amor”, pelo qual foi premiada com o Oscar de Melhor
Atriz em 2007. Além de tudo isso, ela é linda. “Um Instante de Amor” é muito bom e merece ser conferido. Segundo o crítico Cássio Starling
Carlos, da Folha de S. Paulo, trata-se de “Um bom champanhe servido
em copo de plástico”. Ou seja, ele não achou tão bom como eu achei. A primeira exibição de "Um Instante de Amor" por aqui aconteceu durante o Festival Varilux de Cinema Francês/2017. quinta-feira, 30 de novembro de 2017
“JOÃO, O MAESTRO”, 117 minutos, nacional, 2017, roteiro e direção de Mauro Lima. Conta
a história da emocionante trajetória de vida do maestro João Carlos Martins. Em
sua primeira fase, o filme acompanha o menino pianista virtuoso, um verdadeiro
gênio precoce, os primeiros professores e o início dos seus problemas de saúde.
Ainda jovem – segunda fase –,
alcança fama internacional como especialista na obra de Bach, viaja pelo mundo
realizando concertos e vai morar em Nova Iorque. É nesta cidade que Martins
sofre um acidente que afetará, para sempre, os movimentos de sua mão direita. Já adulto, ele
aprende a conviver com suas deficiências e se consagra como maestro, regendo
orquestras em vários países. Enfim, um exemplo de superação que aprendemos a
admirar nos últimos anos. O filme é muito interessante ao exaltar seu
impressionante talento como pianista, reconhecido e exaltado pelos principais
músicos, maestros e compositores do mundo inteiro. Além de gênio musical,
Martins sempre foi um mulherengo convicto, um aspecto praticamente desconhecido de sua biografia. Até agora. Na adolescência, o maestro é interpretado pelo garoto Davi
Campolongo; na juventude, pelo ator Rodrigo Pandolfo; e, na fase adulta, pelo
ator Alexandre Nero. Ainda estão no elenco Aline Moraes e Caco Ciocler, entre
outros bons atores. Mais um bom trabalho do diretor Mauro Lima, que se
especializou em cinebiografias, como “Meu
Nome não é Johnny” e “Tim Maia” – seu próximo filme será “Casagrande e seus
Demônios”, sobre o ex-jogador de futebol e atual comentarista global. terça-feira, 28 de novembro de 2017
“AS NOITES BRANCAS DO
CARTEIRO” (“Belye Nochi Pochtalona Alekseya Tryapitsyna”), 2014, Rússia, 1h30min. Trata-se de
um projeto arrojado e inusitado da roteirista Elena Kiseleva e do diretor
Andrei Konchalovsky. Eles escolheram um vilarejo distante e isolado ao norte da
Rússia, às margens do lago Kenozero, reuniram os moradores, formaram o elenco,
cada qual representando a si mesmo, e montaram a história. O personagem principal é o carteiro (Alekseya
Tryapitsyna), responsável pela entrega das correspondências e pagamento das
aposentadorias. É o único elo com o mundo exterior. Como meio de transporte, ele utiliza um barco, pois os
moradores residem em volta do lago. Eles vivem distantes de qualquer modernidade, talvez bem próximo de como viviam seus antepassados. Ele visita as famílias, entra nas casas, conversa com um ou com outro
e ainda encontra tempo para se apaixonar por uma moradora (Irina Ermalova, a
única atriz profissional do elenco). Para conseguir um melhor resultado com
relação às interpretações, Konchalovsky utilizou câmeras escondidas em várias
cenas. O resultado final é muito interessante, principalmente para os
espectadores que gostam de cinema de arte e novidades estéticas. O filme valeu a Konchalovsky o Prêmio
de Direção no Festival de Veneza 2014. Por aqui, foi exibido somente na 38ª
Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. domingo, 26 de novembro de 2017
Com raríssimas exceções, como o ótimo “A Separação” (Oscar de
Melhor Filme Estrangeiro em 2012), os filmes iranianos são muito contemplativos e reflexivos. É o estilo reinante no cinema iraniano. Mais um
exemplo desse estilo, adorado pelos críticos profissionais e pelos júris dos festivais, é o drama “QUE
HORAS SÃO NO SEU MUNDO?” (“Dar Donyaye to Sa’at Chand Ast?”), 2014, que marcou
a estreia no roteiro e direção de Safi Yazdanian. A história é centrada em Gizeh
Gol (Leila Hatami, atriz de “A Separação”), que volta ao Irã para visitar sua cidade natal, Rasht,
depois de vinte anos residindo em Paris. Logo que chega, ela é assediada por
Farhad (Ali Mosaffa, marido de Leila na vida real), um fabricante de molduras
que, sabe-se lá por que, conhece tudo sobre a vida de Gizeh e não larga do seu
pé. Enquanto isso, Gizeh aproveita para visitar o túmulo da mãe, falecida cinco
anos antes, e outras pessoas que, de alguma forma, tiveram relação com sua
família. Gizeh também passa o tempo refletindo sobre o seu passado, relembrando
fatos de sua infância e adolescência. O filme, exibido por aqui durante a 39ª
Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, ainda apresenta uma versão interessante
do bolerão “Quizas, Quizas, Quizas” em francês. Só para quem aprecia o cinema iraniano.
“PRIMEIRO-MINISTRO” (“DER PREMIER”), 2016, Bélgica, roteiro e
direção de Erik Van Looy. Prestes a receber a presidente dos EUA em Bruxelas
para uma reunião sobre a Paz Mundial e o Meio Ambiente, o Primeiro-Ministro da
Bélgica (Koen De Bouw) é envolvido numa trama bastante sinistra. Sua esposa e
filhos são sequestrados por um grupo terrorista internacional e serão
assassinados se ele não matar a presidente americana (Saskia Reeves). Eva
(Charlotte Vandermeersch), assessora de Comunicação do Primeiro-Ministro, também
será envolvida no caso e também correrá risco de morte. Sem dúvida, o filme
garante muito suspense do começo ao fim e o espectador, com certeza,
acompanhará tudo roendo as unhas. A tensão aumenta ainda mais a partir do
momento em que o Primeiro-Ministro tenta contornar a situação não obedecendo às
ordens dos vilões. Mas é preciso reconhecer que a história é inverossímil demais do começo ao fim, com muitos
furos (cadê o pessoal da segurança do Primeiro-Ministro?) e situações fantasiosas, incluindo a improvável e surpreendente revelação da identidade do grupo criminoso, culminando
com um desfecho pra lá de constrangedor. Sou obrigado a reconhecer: Hollywood
faz muito melhor.
sábado, 25 de novembro de 2017
Mais um filme daqueles para dar inveja do cinema argentino.
Mesmo que não seja dos melhores, mas é muito bom. Estou falando de “O CIDADÃO ILUSTRE” (“EL CIUDADANO ILUSTRE”),
2016, direção da dupla Gaston Duprat/Mariano Cohn (“O Homem do Lado”), com
roteiro de Andrés Duprat. A história é centrada no escritor argentino Daniel
Mantovani (Oscar Martinez), que acaba de receber o Prêmio Nobel de Literatura.
Rico, famoso, vaidoso, egocêntrico e um tanto arrogante, ele vive numa bela
casa em Barcelona. Depois do Nobel, ele passa a receber inúmeros convites para
palestras, homenagens e entrevistas, rejeitando a todos, menos um: o convite
para receber o título de “Cidadão Ilustre” em sua pequena cidade natal, Salas, no
interior da Argentina. Foi de lá que, há quarenta anos, Daniel saiu para tentar
a vida como escritor na Europa. Deu certo. Publicou dezenas de livros, muitos
deles sucesso de vendas e de crítica. Daí o Nobel. Ao chegar a Salas, Daniel é
homenageado com um busto na praça principal, recebe o convite para presidir um
júri de um concurso de pinturas e para proferir palestras sobre a arte em
geral. A levada do filme é de comédia, com muitas situações bastante
hilariantes. Ao mesmo tempo, motiva reflexões acerca do choque cultural
evidente entre o escritor famoso, culto e bem sucedido, e as pessoas de origem
simples, que não evoluíram culturalmente e nem por isso deixaram de ser
importantes na vida do escritor, haja vista que muitos de seus livros foram
baseados em histórias e personagens de sua antiga cidade. O filme estreou no
Festival de Veneza 2016, de onde saiu com o Prêmio de Melhor Ator para Oscar
Martinez, também conhecido por ter atuado em “Ninho Vazio”, “Inseparáveis”, “Kóblic”,
“Relatos Selvagens” e “Paulina”. Sem dúvida, um dos melhores atores argentinos
da atualidade, ao lado de Ricardo Darín. “O Cidadão Ilustre” foi
o filme de maior bilheteria na Argentina em 2016. Além de Oscar Martinez, estão no
elenco Belén Chavanne, Andrea Frigerio, Gustavo Garzón e Dady Brieva. terça-feira, 21 de novembro de 2017
Em abril de 1980, terroristas ligados à Frente Nacional do
Khuzistão invadiram a Embaixada do Irã em Londres fazendo 26 reféns. A exigência
dos terroristas: que o governo iraniano libertasse 91 militantes da FNK que
estavam presos no Irã. “6 DIAS” (“6 DAYS”),
produção da Netflix que estreou no dia 9 de setembro de 2017, conta os detalhes
desse episódio, a tomada da embaixada, os bastidores das negociações, o
trabalho da imprensa, o planejamento do grupo especial do SAS (Special Air
Service) encarregado de invadir o prédio e soltar os reféns, além do desfecho
violento. Nos papéis principais, o ator Jamie Bell (quem se lembra dele,
adolescente, na pele de “Billy Elliot”, de 2000?) como o soldado líder do grupo
SAS, Mark Strong, como o negociador, e Abbie Cornish como a repórter televisiva
que ganhou fama depois de um excelente trabalho de cobertura. O filme também
destaca a firme posição de Margaret Tatcher, que assumira recentemente o cargo
de primeira-ministra do Reino Unido. Ela não admitiu, em nenhum momento, qualquer tipo de
negociação com os sequestradores. Toa Fraser assina a direção e Glenn Standring
o roteiro. Vale assistir apenas para relembrar o que aconteceu, mas, como
cinema, deixa muito a desejar. Faltou tensão e ação. Ficou parecendo um filme-reportagem. segunda-feira, 20 de novembro de 2017
“ATRÁS DAS NUVENS” (“Achter
De Wolken”), 2016,
Bélgica, é o primeiro longa-metragem dirigido por Cecília Verheyden, com
roteiro de Michael DeCock. Trata-se de um drama que explora a paixão ardente entre
uma mulher e um homem na terceira idade. O filme começa mostrando o velório do
marido de Emma (Chris Lomme). Um dos presentes é Gerard (Jo De Meyere), muito
amigo do falecido e antigo admirador de Emma. Ele não a via há 50 anos e, ao
reencontrá-la, reavivou a antiga paixão. Dessa forma, passou a assediá-la,
utilizando as mais elementares armas da conquista, a começar com um buquê de
flores – a cena em que ele vai entregar o buquê é hilariante.
Conversa vai, conversa vem, acabam se apaixonando ardentemente. Eles,
porém, encontrarão a forte resistência de Jacky (Katelijne Verbeke), a filha infeliz e mal-amada de
Emma, que não se conforma com o repentino romance. A única a dar força a Emma é
sua neta, Evelien (a graciosa Charlotte de Bruyne). Aqui, o tema da paixão na
terceira idade é tratado com rara sensibilidade, inclusive nas cenas de sexo. Sim,
tem sexo! A atriz Chris Lomme e o ator Jo De Meyere, ambos de 78 anos, dão um
show de interpretação, tornando o filme ainda mais irresistível. Pena que não
tenha chegado por aqui. Imperdível! domingo, 19 de novembro de 2017
“MONSIEUR & MADAME
ADELMAN”, França, 2016,
primeiro filme dirigido pelo ator e roteirista Nicolas Bedos. A história: logo
depois da morte do escritor de grande sucesso Victor Adelman (Bedos, o diretor),
sua viúva Sarah (Doria Tillier) resolve contar a um jornalista – que pretende escrever
uma biografia do falecido – tudo sobre o seu relacionamento de 45 anos com o escritor. A
trajetória do casal é acompanhada desde 1971, quando se conhecem, até a morte
dele, em 2016. Como pano de fundo, alguns dos fatos marcantes da vida cultural
e política da França. Uma verdadeira e conturbada história de amor, pontuada
por momentos dramáticos e outros de muito bom humor. Os diálogos são muito
inteligentes, pontuados por certa erudição e engraçados, resultando em cenas bastante hilariantes, como as consultas do
escritor com seu psicanalista e os jantares durante os quais um apresenta a
família para o outro. Para fechar a história com chave de ouro, esse maravilhoso
filme francês ainda reserva para o seu desfecho revelações surpreendentes
acerca da vida do casal. A atriz Doria Tillier faz sua estreia no cinema – é mais
conhecida por sua participação em séries da TV francesa. E que atriz
maravilhosa. É a alma do filme, embora Bedos também esteja ótimo. Um trabalho
primoroso, duas horas de puro prazer cinematográfico, um filme para ficar na
memória de quem curte cinema de qualidade. Simplesmente imperdível! sábado, 18 de novembro de 2017
“A VIAGEM DE FANNY” (“LE
VOYAGE DE FANNY”),
2016, França, terceiro longa-metragem dirigido por Lola Doillon, com roteiro de
Anne Peyègne, que o escreveu baseada no livro autobiográfico “Le Voyage de Fanny
– L’histoire Vraie D’Une Jeune Fille Au Destin Hors Du Commun”, escrito por
Fanny Bel-Ami. É mais uma daquelas histórias incríveis e verídicas ambientadas
durante a Segunda Guerra Mundial. Assim como milhares de outras crianças de
origem judia, Fanny, na época com 12 anos, foi entregue, juntamente com as duas
irmãs menores, a uma instituição que cuidava de organizar fugas de crianças
para outros países, fugindo dos nazistas que ocupavam a França. A Suíça era um
dos destinos escolhidos. Depois de entregue a uma dessas instituições, Fanny e
mais algumas crianças acabam ficando por conta própria, tentando chegar até a
Suíça. Uma jornada de muitos perigos e sofrimento, passando fome e frio. A
diretora não carregou muito no drama, embora mantenha muitos momentos de alta
tensão e suspense, com belas locações no interior da França. O filme tratou a
história como uma aventura infantil, “Um drama disfarçado de sessão da tarde”,
como bem definiu um crítico profissional. De qualquer forma, por se tratar de
uma história verídica, vale a pena curtir. O elenco conta com Léonie Souchaud,
a Fanny, e com as participações especiais de Cécile de France, Stéphane de
Groodt e Olivier Massart. Informação importante: entre 1938 e 1944, mais de 5
mil crianças judias escaparam da França rumo à Suíça, EUA e Espanha. segunda-feira, 13 de novembro de 2017
Ao ser exibido como filme de abertura do Festival de Cannes
2016, dentro da Mostra “Um Certain Regard”, o drama egípcio “CLASH” (“Eshtebak”), roteiro e direção
de Mohamed Diab, surpreendeu e causou polêmica não apenas pelo forte teor
político, mas também pela estética inovadora. Trata-se de um filme bastante
perturbador, cuja ação é toda ambientada dentro de um camburão da polícia. Cairo,
2013, a capital egípcia vive momentos de alta tensão com a queda do presidente
islamita Mohamed Morsi. As manifestações de rua são violentas e precisam ser
reprimidas. Uns manifestantes são a favor deste ou daquele credo religioso,
como também pró-exército, além dos fanáticos defensores da Irmandade Muçulmana e daqueles
que defendem outras ideologias. Ninguém se entende, uma confusão danada. O tal camburão – sempre filmado
de dentro –, percorre as
ruas do Cairo recolhendo os manifestantes mais exaltados, sejam eles adultos,
jovens, mulheres, velhos e até crianças. Claro que no camburão as diferenças
serão colocadas em jogo, tumultuando ainda mais o ambiente. As pessoas detidas
no camburão gritam o tempo todo defendendo cada qual sua posição política, aumentando ainda mais a tensão e a sensação
claustrofóbica. Resumo da ópera: é um filme bastante interessante e, ao mesmo
tempo, muito indigesto e desagradável. “Clash” foi o representante oficial do Egito na disputa
do Oscar 2017 de Melhor Filme Estrangeiro, lembrando que foi o segundo filme
escrito e dirigido pelo diretor Mohamed Diab – o primeiro foi o também elogiado “Cairo 678”. domingo, 12 de novembro de 2017
“TERRA SELVAGEM” (“Wind
River”), EUA, 2016,
escrito e dirigido por Taylor Sheridan. A história, ambientada nas montanhas
geladas do Wyoming em pleno inverno, começa quando Cory Lambert (Jeremy
Renner), caçador de animais predadores, encontra o cadáver de uma jovem no meio
da neve. Como há vestígios de violência no corpo da vítima, a polícia local comunica
o fato ao FBI, que envia a agente Jane Banner (Elizabeth Olsen) para investigar
o crime misterioso. Jane pede ajuda a Cory e ao policial Dan Crowheart (Graham
Greene). Os três seguirão algumas pistas, encontrarão alguns suspeitos e,
finalmente, os criminosos. O filme prende a atenção do começo ao fim, tem suspense
e muita ação. É o segundo filme escrito e dirigido por Taylor Sheridan, mais
conhecido pela assinatura dos roteiros dos ótimos “Sicario: Terra de Ninguém”, de
2015, e “A Qualquer Custo”, de 2016, este último indicado ao Prêmio de Melhor
Filme no Oscar 2017. Por “Terra Selvagem”, Taylor Sheridan também conquistou o
Prêmio de Melhor Diretor no Festival de Cannes 2017, dentro da Mostra “Un Certain
Regard”. Sem dúvida, um ótimo programa. sábado, 11 de novembro de 2017
“MULHERES DO SÉCULO XX”
(“20TH CENTURY WOMEN”), 2016, EUA, roteiro e direção de Mike Mills. Trata-se de uma produção
independente que mereceu duas indicações ao Oscar 2017: “Melhor Roteiro” e “Melhor
Atriz” (Annette Bening). Ambientada na segunda metade dos anos 70, a história é
centrada em Dorothea Fields (Bening), uma cinquentona divorciada que cria
sozinha o filho adolescente Jamie (Lucas Jade Zumann). Tudo acontece ao redor
de Dorothea, que aluga um quarto da casa para a jovem Abbie (Greta Gerwig) e
outro para William (Billy Crudup). A jovem Julie (Elle Fanning), amiga de infância
de Jamie, também frequenta o círculo familiar, mas de maneira diferente: ela entra
escondida pela janela e vai dormir com Jamie – na base da amizade. Recheado de
diálogos e reflexões bem-humoradas, o roteiro procura destacar o modo de pensar
das diferentes gerações, assim como tenta fazer um passeio cultural e
comportamental da família norte-americana nos anos 70, com direito a discussões
sobre sexo – o principal assunto –, política, anticoncepcionais, família, religião etc., com direito à
reprodução de uma parte de um discurso em cadeia nacional do então presidente Jimmy Carter. Outro
destaque no filme é o enfoque dado ao nascimento do movimento punk, do qual a
jovem Abbie é adepta fanática. O filme tem bons momentos, como nos diálogos
entre Jamie e a mãe, além de um jantar constrangedor entre amigos durante o qual os assuntos
principais são “menstruação” e “orgasmo”. Com relação ao elenco, gostei da atuação
de Annette Bening, embora tenha exagerado um pouco em caras e bocas, e também de
Elle Fanning, cada dia mais competente. Dá para assistir numa boa, mas não chega a justificar uma recomendação entusiasmada. quinta-feira, 9 de novembro de 2017
Quem acompanha o noticiário esportivo sabe que o ciclista
norte-americano Lance Armstrong foi um grande fenômeno. Basta lembrar que,
entre 1999 e 2005, venceu sete edições do Tour
de France, a mais importante prova
ciclística do mundo. Desde os anos 90, Armstrong dominava o cenário esportivo
mundial, chegando ao nível de herói nacional, principalmente depois que venceu
um câncer e voltou a competir em alto nível. Em 2012, porém, a revelação
bombástica: durante todos aqueles anos, Armstrong utilizou substâncias químicas
proibidas, anabolizantes e o EPO (Eritropoietina). Caiu em desgraça no mundo
esportivo, perdeu seus títulos e acabou execrado por todos aqueles que o
consideravam um verdadeiro “Capitão América”. Toda essa história está contada
no drama “O PROGRAMA” (“The Program”),
2016, Inglaterra/França, dirigido pelo veterano diretor inglês Stephen Frears. Para
esse projeto, Frears adaptou o livro “Sete Pecados Capitais”, escrito pelo
jornalista irlandês David Walsh (Chris O’Dowd), que durante anos investigou a
possibilidade do ciclista norte-americano ter utilizado substâncias químicas
ilegais para vencer as competições. O filme também destaca a ligação de
Armstrong (Ben Foster) com o médico italiano Michelle Ferrari (Guillaume
Canet), que há anos dopava vários atletas de ponta. Frears foca todo o seu
filme na questão do doping, não abrindo espaço para mostrar como foram algumas
de suas vitórias e nem mesmo a vida particular do atleta. Não é o melhor
trabalho de Stephen Frears, diretor de filmes memoráveis como “Ligações
Perigosas”, “Alta Fidelidade”, “A Rainha”, “Philomena” e “Florence - Quem é
Essa Mulher?”, mas obrigatório para quem curte o mundo esportivo. segunda-feira, 6 de novembro de 2017
“NOSSAS NOITES” (“Our
Souls at Night”), 2017,
produção Netflix, direção do indiano Ritesh Batra (“The Lunchbox”), com roteiro
de Scott Neustadter e Michael H. Heber, que adaptaram a história do romance
escrito por Kent Haruf, cujo título é o mesmo do original do filme. Louis Waters (Robert Redford) e Addie Moore (Jane
Fonda) são vizinhos de muitos anos e suas famílias chegaram a se relacionar.
Quando ficaram viúvos, porém, deixaram de se falar por um bom tempo. Um dia,
porém, Addie resolve tomar a iniciativa e procura Louis, se queixando de que
não aguentava mais a solidão da noite, principalmente na hora de dormir. Ela
faz, então, uma inusitada e surpreendente proposta: dormirem juntos, deixando claro
que “sem sexo”. A partir daí começa uma grande amizade e a promessa de um caso
de amor, que nem as inconvenientes visitas de Gene (o ator belga Mathias
Schoenaerts), filho dela, e de Holly (Judy Greer), filha dele, conseguem
estragar. Como é bom ver dois artistas tão veteranos (Redford tem 81 e Fonda 79
anos) em plena forma, esbanjando charme e ainda atuando com grande competência. Aliás, esta é a quarta
vez que eles contracenam juntos, depois de “Caçada Humana” (1966), “Descalços
no Parque” (1967) e “O Cavaleiro Elétrico” (1979). O filme foi dirigido com
muita sensibilidade pelo jovem diretor indiano, transformando-se num entretenimento
dos mais agradáveis. Redford também assina a produção. Resumo da ópera: Redford e Fonda juntos tornam esse filme imperdível! domingo, 5 de novembro de 2017
Pouco antes de morrer, em outubro de 2016, o consagrado diretor
polonês Andrzej Wajda encerrou sua carreira com chave de ouro, realizando o
ótimo “AFTERIMAGE” (“POWIDOKI”), com roteiro de Andrzej Mularczyk. O
filme conta a história dos últimos anos de vida de Wladyslaw Strzeminski (Boguslan
Linda), considerado o mais
importante artista plástico de vanguarda da Polônia no Século XX. Como pano de
fundo para a história está o domínio soviético sobre a Polônia a partir de
1948, contra o qual o artista se insurgiu e depois sofreu as consequências – o aspecto
político da história da Polônia sempre esteve presente nos filmes de Wajda. Strzeminski
não tinha uma perna e um braço, o que não o impedia de exercer sua criatividade
e dar aulas na Escola de Belas Artes de Lodz. Os estudantes o idolatravam. Suas
palestras eram com plateia lotada, repleta de jovens que queriam ouvir sua
opinião sobre tudo, inclusive política. Strzeminski não abria mão de sua liberdade
artística e de expressão, recusando-se a obedecer as “orientações” artísticas
das autoridade soviéticas. Mais um grande filme de Wajda, selecionado para representar a Polônia na disputa do Oscar 2017 de Melhor Filme Estrangeiro. Imperdível!
Sempre gostei de filmes que abordam a questão Palestina, a difícil convivência com Israel, a cultura de cada povo, os imbróglios políticos que
envolvem aquela região. “OS ÁRABES
TAMBÉM DANÇAM” (“Aravim Rokdim”),
2014, Israel, direção de Eran Riklis, trata de todos esses assuntos. A história,
ambientada a partir de 1982, quando Israel invade o Líbano, é baseada no livro
autobiográfico “Dancing Arabs”, escrito por Sayed Kashua, que também assina o
roteiro. A trama é centrada no jovem Eyad (Tawfeek Barhom), que reside com a
família árabe no vilarejo de Tira. Esperto e inteligente, Eyad consegue uma
bolsa para estudar na prestigiada Israel Arts and Science Academy, em
Jerusalém. Sua origem árabe fará com que Eyad enfrente muitos desafios, como o
da língua, da cultura e muito preconceito. Até o romance com uma judia, Naomi
(Danielle Kitsis), será tumultuado por causa das diferenças culturais. No
filme, há muitos momentos sensíveis, como a amizade de Eyad com Yonatan
(Michael Moshonov), um jovem israelense que sofre de uma grave doença
degenerativa, e com a mãe dele, Edna (Yaël Abecassis). Nos créditos iniciais
aparece a informação de que 20% dos cidadãos israelenses são árabes, o que dá
um total de 1.617.000 pessoas. Fica evidente na narrativa e nas situações que a
mensagem que o diretor quis transmitir é a seguinte: não deveria haver tanta
inimizade, pois somos praticamente irmãos. Sem dúvida, um filme bastante
esclarecedor e realizado com grande sensibilidade. Do mesmo diretor recomendo “A
Noiva Síria”, “Lemon Three” e “A Missão do Gerente de Recursos Humanos”. quinta-feira, 2 de novembro de 2017
“NEVE NEGRA” (“NIEVE
NEGRA”), 2017, Argentina,
segundo longa-metragem escrito e dirigido por Martín Hodara. Suspense dos
melhores, cuja história é centrada no reencontro dos irmãos Marcos (Leonardo
Sbaraglia) e Salvador (Ricardo Darín), que não se viam nem se falavam há trinta
anos. A visita não era para matar as saudades do irmão Salvador e sim tentar
convencê-lo a aceitar uma proposta de venda da velha cabana e das terras que
pertenciam à família no interior da Patagônia. Salvador vive isolado ali há
muitos anos. Casado com Laura (a atriz espanhola Laia Costa) e prestes a ser
pai, Marcos precisa de dinheiro para bancar as despesas com o nascimento do bebê,
médico, hospital etc. Salvador se recusa a discutir o assunto e manda Marcos ir
embora com a mulher. A rivalidade entre os irmãos tem a ver com uma tragédia
familiar ocorrida no passado, envolvendo a morte do irmão mais novo, Juan. A
verdade do que aconteceu virá à tona no desfecho, com uma surpreendente
revelação. O diretor Martín Hodara já havia trabalhado com Darín em 2007 no
policial noir “O Sinal”, sua estreia na direção. Mesmo que Darín não seja o protagonista
principal, sua presença carismática valoriza o drama. Outro destaque é a qualidade do roteiro, um primor, que consegue manter o suspense do começo ao fim e ainda explicar toda a história sem recorrer a malabarismos intelectuais, além das presenças, também marcantes, de Dolores Fonzi e Federico Luppi. Mais um filme argentino
que merece ser visto. terça-feira, 31 de outubro de 2017
Durante a Guerra Fria entre a União Soviética e os Estados
Unidos, a corrida espacial era uma das “armas” ideológicas mais importantes. Era
questão de honra sair na frente do outro. Em 1965, a União Soviética colocou em
prática a Missão Voskhod 2, que teve como principal objetivo fazer com que um
astronauta soviétivo fosse o primeiro homem a caminhar no espaço. Toda essa
história é contada no filme “PRIMEIRA
VEZ” (“VREMYA PERVYKH”), 2017, Rússia, direção de Dmitriy Kiselev (“Trovão
Negro”). A missão ficou a cargo dos astronautas Alexey Leonov (Evgeniy Mironov)
e Pavel Belyayev (Konstantin Khabenskiy). O filme, de um esmero técnico comparável
aos melhores do gênero feitos por Hollywood, não esconde o fato de que naquela época
participar de uma missão no espaço era quase um suicídio, haja vista a
precariedade dos equipamentos – o filme não esconde esse detalhe. Para quem não
conhece a história da Missão Voskhod ou não se lembra do seu desfecho, o filme
é uma ótima oportunidade para resgatar um feito heroico dos mais
representativos na corrida espacial. segunda-feira, 30 de outubro de 2017
De vez em quando a gente descobre uma preciosidade. Estou
falando de “A CONSTITUIÇÃO” (“Ustav Republike Hrvatske”), 2016,
Croácia, escrito e dirigido por Rajko Grlic (“O Posto da Fronteira”). Eu não tinha
qualquer referência sobre este filme, a não ser o fato de ter sido exibido
durante a 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 2016. Uma
surpresa das melhores, um filme inteligente, bem-humorado e sensível, mesmo que
o pano de fundo seja a rivalidade entre sérvios e croatas. A história é toda
centrada em quatro personagens que moram no mesmo edifício: o professor
homossexual Vjeko Kralij (Neojsa Glogovac, numa atuação espectacular) e seu pai
grudado numa cama com as duas pernas amputadas; a enfermeira Maja (Ksenija
Marinkovic) e seu marido, o policial Ante Samardzic (Dejan Acimovic). Em troca
de Maja ir de vez em quando dar banho e cuidar do seu pai, Vjeko se propõe a
dar aulas sobre a Constituição da Croácia a Ante, preparando-o para uma prova
que poderá lhe significar um aumento de patente. Os dois vão se estranhar o
tempo todo, já que Ante é sérvio e Vjeko é croata, o que resulta em momentos
bastante divertidos. Tudo muito contido, claro, sem apelações humorísticas. O
filme foi vencedor do Grand Prix Des Amériques no Festival de MontreaL 2016 e
eleito o melhor filme do Festival de Santa Bárbara 2017. Além disso, foi
premiado no Festival da Eslovênia e fez parte da seleção oficial do Festival de
Munique 2017. Fazia muito tempo que eu não me entusiasmava tanto por um filme. IMPERDÍVEL! domingo, 29 de outubro de 2017
“TONI ERDMANN”, 2016, escrito e dirigido por Maren
Ade, era o grande favorito para conquistar o Oscar 2017 de Melhor Filme
Estrangeiro para a Alemanha. Ficou entre os cinco finalistas, mas acabou
perdendo para o iraniano “O Apartamento”. O filme alemão é muito bom, tem
humor, momentos sensíveis e um grande personagem. Na verdade, Toni Erdmann é o
nome inventado pelo sessentão Winfried Conradi (Peter Simonischek) quando
assume a personalidade de um cara gozador, que faz brincadeiras inusitadas
disfarçando-se com uma dentadura postiça e uma peruca comprida, inventando histórias mirabolantes e se apresentando cada vez com uma profissão diferente. Depois
da morte de seu cão de estimação e companheiro de todas as horas, Winfried resolve dar mais atenção à sua filha
Ines (Sandra Hüller), uma executiva workhlic
que trabalha no escritório de uma empresa alemã em Bucareste (capital da
Romênia). Ele vai visitá-la e tentar, com suas brincadeiras e disfarces, romper a armadura de
seriedade que envolve a filha, que não tem o mínimo sendo de humor e só pensa
em trabalhar. Que atriz maravilhosa é Sandra Hüller. Só ela vale o filme. “Toni
Erdmann” foi exibido pela primeira vez no 69º Festival de Cannes, em maio de
2016, e encantou críticos e público. Foi
eleito o melhor filme estrangeiro de 2016 pelos críticos de Nova Iorque, pela
Revista Sight & Sound e pela conceituada revista francesa Cahiers Du Cinéma. Realmente, um
filmaço! sábado, 28 de outubro de 2017
“MANUSCRITOS NÃO
QUEIMAM” (“DAST-NEVESHTEHAA NEMISOOSAND”), 2013, Irã, 2h14m. Polêmico thriller político escrito
e dirigido por Nohammad Rasoulop, que teve a coragem de desafiar, novamente, o
governo iraniano. Desde 1910, quando foi preso por fazer filmes denunciando a
censura e a repressão existentes no país, Rasoulop estava proibido de
trabalhar. Além disso, seu passaporte foi confiscado pelas autoridades
iranianas, que impediram sua viagem à Alemanha para participar do Festival
Internacional de Direitos Humanos de Nuremberg. As filmagens de “Manuscritos
não Queimam” foram realizadas clandestinamente e, por questão de segurança, os
nomes dos atores e da equipe técnica não aparecem nos créditos. Claro que o
filme foi proibido no Irã, mas foi aclamado no Festival de Cannes 2013, onde
conquistou o prêmio FIPRESCI da Mostra “Um Certo Olhar”. Sua exibição terminou
com o público aplaudindo de pé. Por aqui, somente foi exibido no Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro, em 2013. O filme denuncia um caso verídico ocorrido anos
antes envolvendo uma tentativa do governo iraniano de assassinar 21 escritores
num atentado que não deu certo. A história toda está contada nos manuscritos
guardados na casa de um poeta. Os assassinos de aluguel Morteza e Khosrow
ficaram encarregados de encontrá-los e assassinar o seu autor. Confesso que até
bem depois da metade do filme fique especulando, sem entender, o que estava
acontecendo. Mas logo depois, além de entender, deu para sentir a força
impactante dessa produção clandestina iraniana. Não digo que seja um filmaço,
mas muito poderoso pela denúncia. Só para espectadores que curtem filmes
políticos.
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