quinta-feira, 12 de outubro de 2017

“ESTA É A SUA MORTE – O SHOW” (“THE Show”), 2017, EUA, roteiro assinado por Noha Pink e Kenny Yakkel, com direção do ator Giancarlo Esposito, que também está no elenco e tem um dos papeis principais. Trata-se de uma das mais contundentes críticas ao sensacionalismo adotado pelos programas de TV, principalmente os reality shows. Na sequência inicial, o apresentador Adam Rogers (Josh Duhamel) comanda a parte final de um programa ao vivo onde um milionário escolhe para esposa uma das candidatas. A que não foi escolhida pega um revólver e mata o “noivo” e aponta a arma para a moça escolhida. Rogers salta à frente e protege aquela que seria a segunda vítima. Claro que a audiência vai às alturas. Depois do que aconteceu, Ilana Katz (Famke Janssen), principal diretora da emissora, dá sinal verde a Rogers para implementar um programa que aumente ainda mais a audiência. Ou seja, para conquistar uma audiência maior, vale tudo, até mesmo mostrar suicídios ao vivo. Trata-se do segundo filme dirigido por Esposito, mais conhecido por sua participação como ator em séries como “Breaking Bad”, “Revolução” e “The Get Down”. Também estão no elenco Caitlin Fitzgerald e Sarah Wayne Callies, além de uma ponta de luxo pelo ator James Franco. É um filme bastante interessante - apesar de algumas cenas realmente chocantes - e, mesmo sendo uma ficção, não fica muito longe da realidade em que vivemos atualmente.        

terça-feira, 10 de outubro de 2017

“Z: A CIDADE PERDIDA” (“The Lost City of Z”), EUA, 2016. Quem ler o título vai pensar que se trata de mais um filme de aventuras ao estilo Indiana Jones. Tudo bem, toda a ação até que lembra, mas este, ao contrário das histórias do herói vivido por Harrison Ford, não é um filme de ficção. Trata-se da trajetória verídica do explorador e arqueólogo inglês Percy Fawcett (1867/1925), que nas primeiras décadas do Século XX viajou várias vezes para a Amazônia em busca de uma cidade perdida – a do título. Tudo começa em 1906, quando Fawcett (Charlie Hunnam), também oficial do exército inglês, recebe a missão de cartografar os limites inexplorados da Amazônia, mais especificamente na fronteira do Brasil com a Bolívia. Nesta sua primeira viagem, Fawcett descobre evidências de uma civilização que considerou avançada. Ao apresentar sua descoberta aos membros da Sociedade Geográfica Real (Royal Geographic Society), Fawcett foi ridicularizado, mas mesmo assim recebeu apoio financeiro para outras expedições. Quando começa a I Grande Guerra, ele é escalado para lutar nos campos da França contra os alemães. Depois do conflito, Fawcett ainda voltaria mais algumas vezes para a Amazônia, onde desapareceria juntamente com seu filho Jack (Tom Holand, o atual “Homem-Aranha”). A história é baseada no livro “The Lost City of Z”, escrito por David Grann e agora adaptado para o cinema pelo diretor James Gray (“Os Donos da Noite” e “Era uma Vez em Nova Iorque”), também autor do roteiro. O elenco conta ainda com Robert Pattinson e Sienna Miller. O filme estreou, com elogios da crítica e do público, no 67º Festival de Cinema de Berlim, em fevereiro de 2017. Um ótimo programa para uma sessão da tarde com pipoca.    

domingo, 8 de outubro de 2017

Romance, aventura e História, ingredientes que fazem de “AMOR EM TEMPOS DE GUERRA” (“The Ottoman Lieutenant”), EUA, 2016, um programa bastante interessante. Pouco antes do início da Primeira Guerra Mundial, a enfermeira norte-americana Lillie (a atriz islandesa Hera Hilmar) vai a uma palestra onde conhece o Dr. Jade (Josh Hartnett), médico que trabalha numa missão voluntária na Anatólia, território da Turquia – na época, Império Otomano. Lillie se encanta com o desafio de participar desse trabalho e, mesmo contrariando os pais, embarca na aventura. Ao chegar à Turquia, ela ganha a escolta do oficial do exército Ismail (o ator holandês Michiel Huisman). Quando chega ao hospital, Lillie é apresentada ao dr. Woodruff (Ben Kingsley), fundador da missão (hoje seria uma Ong). Com o início da I Guerra Mundial e a possível invasão russa, além dos conflitos internos entre armênios e otomanos, Lillie e seus companheiros enfrentarão grandes desafios em meio à violência reinante. Mesmo nesse cenário conturbado, haverá espaço para o romance entre Lillie e o oficial turco, para desespero e ciúme do Dr. Jade. O filme teve a direção de Joseph Ruben ("Dormindo com o Inimigo", "Os Esquecidos"), com roteiro de Jeff Stockwell. Mesmo previsível e recheado de clichês típicos de um melodrama açucarado, o filme garante um ótimo entretenimento. As incríveis locações na Turquia, valorizadas por uma excelente fotografia, proporcionam um visual deslumbrante.    

sábado, 7 de outubro de 2017

“NA VERTICAL” (“RESTER VERTICAL”), França, 2016, escrito e dirigido por Alain Guiraudie (“Um Estranho no Lago”). Difícil interpretar e até comentar um filme tão esquisito, pesado e perturbador. Um roteirista de cinema, Léo (Damien Ronnard), vaga sem rumo pelo interior da França em busca de uma ideia para seu próximo filme, algo relacionado com os lobos. Em sua trajetória, Léo acaba conhecendo Marie (India Hair), filha de um pastor de ovelhas e mãe solteira de dois meninos, e um idoso que vive em conflito com seu neto. Seu envolvimento com Marie resulta no nascimento de um filho, que ela rejeita em consequência de uma depressão pós-parto. Todo esse contexto desagradável resulta em cenas repulsivas de sexo – beirando o explícito , parto normal e sodomia, o que consagra esta produção francesa como uma das mais indigestas e repugnantes já realizadas nos últimos anos. Além disso, as situações envolvendo o personagem principal são bastante inverossímeis, como a consulta a uma mulher misteriosa no meio de um pântano, beirando o surreal. Todos os personagens revelam um acentuado desequilíbrio mental, o que deve ser uma característica da personalidade do próprio diretor, capaz de criar um filme tão repulsivo e mórbido. Como em “Estranho no Lago”, Guiraudie quis novamente chocar a plateia – o que conseguiu durante o 69º Festival de Cannes (2016) , mas certamente será reconhecido como um diretor apelativo e com alguma disfunção de personalidade. Se você procura um filme que proporcione um entretenimento leve, passe longe. 

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Produzido pela Walt Disney Pictures em parceria com a ESPN Films, “RAINHA DE KATWE” (“Queen of Katwe”), 2016, EUA, conta a incrível e comovente história de Phiona Mutesi (Madina Nalwanga), uma menina pobre residente na favela de Katwe, na periferia de Kampala, capital da Uganda, que se tornou campeã nacional de Xadrez e jogadora de destaque internacional. O filme acompanha a trajetória da garota desde 2007 até 2012, mostrando a extrema pobreza em que vivia com a família, muitas vezes sem ter o que comer. Phiona e seu irmão Brian se inscrevem num pequeno projeto de esportes na periferia de Katwe que promovia a inclusão de crianças pobres na prática do Xadrez. Eles iam, na verdade, para comer o mingau que era distribuído gratuitamente aos participantes. Só que Phiona demonstrou um grande talento para o Xadrez e foi incentivada pelo treinador Robert Katende (David Oyelowo) a levar os treinamentos a sério, mesmo contra a vontade da mãe da menina, Harriet (Lupita Nyong’o), que preferia ver a filha vendendo milho nas ruas para ganhar algum dinheiro. O filme é sensível e bastante realista, principalmente ao abordar e mostrar a extrema pobreza em que vivia Phiona e sua família – as filmagens aconteceram na própria Katwe e em Joanesburgo (África do Sul). A direção do filme ficou a cargo da indiana radicada nos EUA Mira Nair e o roteiro foi escrito por William Wheeler, baseado no livro “The Queen of Katwe: A Story of Life, Chess and One Extraordinary Girl’s Dream of Becoming a Grande Master”, de Tim Crothers. Há que se destacar, além da incrível história, a ótima atuação da atriz Lupita Nyong’o como a mãe de Phiona. Vencedora do Oscar de Atriz Coadjuvante em 2014 pelo filme “12 Anos de Escravidão”, Lupita nasceu no México – mãe mexicana e pai queniano. O ator inglês David Oylenwo também está excelente no papel de treinador de Phiona. Para fechar com chave de ouro este belo filme, nos créditos finais são mostrados, lado a lado, os atores e os personagens reais que interpretaram, os quais acompanharam, pessoalmente, cada detalhe das filmagens, prestando assessoria à diretora Mira Nair. Imperdível!            
                                                                            


segunda-feira, 2 de outubro de 2017

O material de divulgação e a sinopse informam que o filme é baseado em fatos reais, só que omitem quando e onde tudo aconteceu. Deve ter sido nos EUA, onde tudo acontece. De qualquer forma, trata-se de uma história incrível, adaptada para o cinema como “12 PÉS DE PROFUNDIDADE” (“12 Feet Deep” – a tradução para o português é minha, já que o filme ainda não chegou por aqui), escrito e dirigido por Matt Eskandari (“Jogo de Assassinos”). Duas irmãs, Jonna (Alexandra Park) e Bree (Nora-Jane Noone), estão se divertindo numa piscina pública olímpica quando uma delas deixa cair o anel de noivado. As duas mergulham e acham o anel, só que preso num dos ralos. O treinador McGradey (Tobin Bell) acha que todo mundo já foi embora e fecha a cobertura móvel da piscina, feita de fibra de vidro, passa a tranca no ginásio e vai embora. As moças ficam então presas entre a água e a cobertura, um espaço de mais ou menos meio metro. A sensação é claustrofóbica e angustiante. Aflição pura. Se você pensa que a situação das irmãs pode piorar ainda mais, acertou. Lá pelas tantas aparece a faxineira da noite, uma ex-presidiária, que resolve chantagear as moças para levantar uma grana. Além disso, uma das irmãs é diabética e precisa urgentemente de uma injeção de insulina. Haja sofrimento! Até que o filme funciona como suspense e você ficará na expectativa de saber como tudo irá terminar. Claro que tem bastante enrolação e papo furado para passar o tempo até o desfecho. Vale para uma sessão da tarde com pipoca.           
                                                                            


domingo, 1 de outubro de 2017

“UM LAÇO DE AMOR” (“GIFTED”), 2016, EUA, roteiro de Tom Flynn e direção de Mark Webb (“O Espetacular Homem-Aranha”, “A Marca de Electra”). Desde a morte trágica e precoce de sua irmã, Frank Adler (Chris Evans, o “Capitão América”) cria sua sobrinha Mary (McKenna Grace), uma menina superdotada, um gênio na matemática. E, como todo gênio, também geniosa. Ao perceber que a inteligência de Mary é muito acima do normal, a diretora do colégio chama Frank e diz que ela precisava ir para um colégio para crianças superdotadas. Frank não permite, pois quer que Mary cresça e seja educada como uma criança normal. Nesse meio tempo aparece a avó Evelyn (Lindsay Duncan), que entra com um processo para obter a guarda da menina. Aí o filme vira um drama de tribunal, com as partes brigando pela menina. Não é apenas no filme que McKenna Grace é um prodígio. Como atriz, hoje com apenas 11 anos, ela atua desde 2013, em séries especiais de TV e cinema (“Como se tornar um Conquistador” e “Amityville: O Despertar”, entre outros). Ela é o grande destaque desse filme, que tem ainda no elenco a ótima Octavia Spencer e Jenny Slate. Enfim, um filme bastante agradável, sensível e comovente, próprio para assistir com toda família        
O thriller “CORRA!” (“Get Out”), EUA, primeiro filme escrito e dirigido pelo ator Jordan Peele, foi a grande sensação do Sundance Film Festival (janeiro de 2017), o mais conceituado festival de filmes independentes. Orçado em apenas US$ 4,5 milhões, faturou em alguns meses nada menos do que US$ 252 milhões, tornando-se um dos filmes mais lucrativos de 2017. Trata-se de um suspense psicológico, com altas doses de humor negro (Peele é mais conhecido como comediante) e que tem como pano de fundo o racismo, ou, mais especificamente, as relações inter-raciais. A história: Rose (Allison Williams) leva o namorado afro-descendente Chris Washington (Daniel Kaluuya) para passar o final de semana na casa de seus pais, o neurocirurgião Dean e a psiquiatra Missy Armitage (Bradley Whitford e Catherine Keener). Rose não avisa que Chris é negro. Em todo caso, ele é bem recebido pelos Armitage, família que inclui ainda o irmão de Rose, Jeremy (Caleb Landry Jones). Para deixar de lado qualquer dúvida, o pai de Rose afirma que já votou no presidente Obama duas vezes e que votaria novamente. Só que essa aparente boa recepção acaba se transformando num terrível pesadelo para Chris. O filme garante bastante tensão, alguns bons sustos e momentos bem-humorados. Quando o filme começou, lembrei de “Adivinhe Quem Vem Para Jantar”, o clássico dirigido em 1967 por Stanley Kramer. Uma jovem (Katherine Houghton) leva o namorado negro (Sidney Poitier) para jantar na casa dos pais brancos (Spencer Tracy e Katherine Hepburn). Neste, tudo termina bem, ao contrário de “CORRA!”.         

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

“ABLUKA” (“Bloqueio”, na tradução literal do turco), 2015, Turquia/França, segundo filme escrito e dirigido por Emin Alper, jovem diretor de 43 anos. Numa Istambul frequentemente vítima de atos terroristas, Kadir (Mehmet Özgür) é colocado em liberdade condicional depois de ficar preso por 20 anos. Ele é obrigado a assumir o compromisso de vigiar seus vizinhos e denunciar aqueles que sejam suspeitos de praticar os atentados. Quando chega ao seu bairro, na periferia de Istambul, Kadir procura seu irmão Ahmet (Berkay Ates), mais novo, que na época de sua prisão era apenas um garoto de 7 anos de idade. Abandonado pela mulher, que levou embora os filhos, Ahmet encontra-se em depressão e quase não sai de casa. Kadir vai tentar ajudá-lo a sair dessa situação. Ao mesmo tempo, Kadir e Ahmet são integrados a uma equipe de trabalhadores encarregados de revirar as latas de lixo da periferia de Istambul em busca de indícios que levem a algum terrorista. Além disso, o grupo é obrigado a participar de um trabalho encomendado pela prefeitura local com o objetivo de eliminar – assassinar – os cachorros de rua, o que resulta em cenas bastante chocantes. Os fatos transcorrem sem muita explicação, a começar pelo motivo da prisão de Kadir, não esclarecido até o final. Trata-se de um drama muito pesado, desagradável de assistir, que certamente vai revirar o estômago dos espectadores mais sensíveis. Mas não deixa de ser interessante, não apenas pela história em si, mas por mostrar uma periferia de extrema pobreza, um cenário de Istambul que não faz parte das revistas ou guias de turismo. Exibido durante a 72ª edição do Festival de Cinema de Veneza, “Abluka” conquistou Prêmio Especial do Júri.        

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

“APRENDIZ” (o título original é “Apprentice”, em inglês, uma das línguas oficiais de Singapura – embora o filme não seja falado em inglês), 2016, Singapura, 115 minutos, escrito e dirigido por Junfeng Boo. A história é centrada num ex-militar do exército de Singapura, Aiman (Firdaus Rahman), que consegue emprego como guarda numa penitenciária de segurança máxima, também responsável pela execução de presos condenados à morte. No caso, por enforcamento. Enquanto Aiman é levado a conhecer o seu novo local de trabalho, a gente logo percebe que sua intenção pode ser outra. Algo relacionado com o que aconteceu com seu pai no passado. Aiman logo cai nas graças de Rahim (Wan Hanafi Su), que há trinta anos é o carrasco oficial da prisão, ou seja, o sujeito que puxa a alavanca da forca. Rahim nomeia Aiman seu assistente, ou seja, o aprendiz de carrasco, a quem repassa todos os segredos de uma execução eficiente. A relação entre Aiman e Rahim é o fio condutor de toda a história. O filme é surpreendente, pois consegue prender a atenção do espectador com uma história simples, um roteiro enxuto e primoroso, com poucos personagens. Um drama da melhor qualidade, que representou Singapura na disputa do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2017, além de ter sido indicado ao prêmio “Um Certain Regard” no Festival de Cannes 2016. Também foi premiado em vários festivais de cinema pelo mundo afora. Um filme que merece ser visto por quem aprecia cinema de qualidade.                                                                             

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

“DE CABEÇA ERGUIDA” (“La Tête Haute”), 2015, França, direção da atriz e diretora Emmanuelle Bercot, que também escreveu o roteiro em conjunto com Marcia Romano. A história é centrada em Malonny (Rod Paradot), um jovem delinquente que, aos seis anos, é abandonado por Séverine (Sara Forestier), uma mãe irresponsável que desistiu de cuidar do garoto, afirmando à juíza Florence Baque (Catherine Deneuve) que “ele é um delinquente desde que começou a andar”. Sob a tutela do Estado francês, Malonny, nos dez anos seguintes, passou por vários reformatórios, dos quais fugia para roubar carros. Dado a explosões de raiva seguidas de agressões a quem estivesse à sua frente, Malony acabava sempre detido e, em várias ocasiões, encaminhado à presença da juíza Florence, que lhe deu todas as chances para se recuperar, sem nenhum sucesso. Florence resolveu então indicar um tutor de sua confiança, Yann (Benoit Magimel), que vai tentar de tudo para convencer o garoto a ter um pouco de juízo. O filme é ótimo, com destaque para o excelente desempenho do estreante Rod Paradot e da atriz Sara Forestier, que interpreta sua mãe. O filme foi selecionado para ser exibido na abertura do Festival de Cannes 2015. Aliás, desde 1987 que um filme dirigido por uma mulher não abria o aclamado festival. Por aqui, foi exibido também em 2015 durante a programação do Festival Varilux de Cinema Francês.                                                                       

domingo, 24 de setembro de 2017

“DE CANÇÃO EM CANÇÃO” (“Song to Song”), 2017, EUA, 2h08min, roteiro e direção de Terrence Malick. Mais um daqueles filmes indecifráveis do polêmico diretor norte-americano. O pano de fundo é o cenário musical roqueiro de Austin (Texas), com participações especiais de Iggy Pop, Patti Smith e dos integrantes do Sex Pistols e Red Hot Chilli Peppers. Pelo que dá a entender – é difícil decifrar Malick –, a história envolve o compositor BV (Ryan Gosling), a cantora Faye (Rooney Mara) e o produtor musical Cook (Michael Fassbender), integrados no trabalho e também entre os lençóis. Aí, do nada, aparecem Rhonda (Natalie Portman), Amanda (Cate Blanchett) e Zoey (Bérénice Marlohe), que também participarão dos jogos de sedução e das traições. Tudo muito complicado e inexplicável, deixando o espectador na dúvida de quem é quem e o que está acontecendo. Típico de Malick, que já havia nos brindado com os insuportáveis “A Árvore da Vida”, “Amor Pleno” e “Cavaleiro de Copas”. Em “De Canção em Canção”, o diretor mantém o seu estilo de filmar que contempla mais o visual do que a história em si. A câmera está em constante movimento – o que certamente afetará o espectador que sofre de labirintite. Malick utiliza também os recursos do zoom in-out e lentes grande-angulares, amplificando os cenários. O estilo do diretor também contempla a narração em off, com vozes em sussurros, dizendo frases incoerentes e sem qualquer sentido. Conseguir assistir até o final pode considerado um verdadeiro ato heroico. O Malick irritante de sempre.                                                                

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Nenhum outro evento mundial gerou tantas histórias como a Segunda Grande Guerra (1939-1945). O cinema costuma adaptar muitos episódios importantes desse conflito, transformando-os em ótimos filmes. Um dos mais recentes é “ANTHROPOID”, Inglaterra, 2016. O título faz referência à Operação Anthropoid, planejada pelas forças especiais inglesas para assassinar o General SS Reinhard Heyrich, a terceira autoridade mais importante do governo nazista depois de Hitler e Himmler. Heyrich foi um dos criadores da Solução Final que resultou na morte de mais de 6 milhões de judeus. Designado para governar a Tchecoslováquia ocupada pelo exército alemão, Heyrich seria alvo de um atentado em Praga cometido em 1942 por membros da resistência tcheca treinados pela Executiva de Operações Especiais (S.O.E.), organização de inteligência britânica. O filme conta toda essa história, destacando os preparativos, o atentato em si, a caçada aos seus autores e a violenta represália sofrida pelos tchecos, que resultou na execução de mais de cinco mil pessoas e a população inteira de um vilarejo chamado Lídice. Mais um bom trabalho do diretor inglês Sean Ellis (“Cashback, Bem-Vindo ao Turno da Noite” e “Metrópole Manila”), também autor do roteiro. As filmagens aconteceram em Praga, o que torna o filme ainda mais realista. Estão no elenco Cillian Murphy, Jamie Dornan (“Cinquenta Tons de Cinza”), Charlotte Le Bon, Marcin Dorocinski, Toby Jones e Anna Geislerová. Filmaço, principalmente para quem gosta de História.                                                                

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

“PARDAIS” (“Prestir”), Islândia, 2016, roteiro e direção de Rúnar Rúnarsson, é um drama bastante sensível, roteiro primoroso, bons atores e uma excelente fotografia, que valorizou os cenários deslumbrantes onde o filme é ambientado. Quando a mãe e o padrasto resolvem viajar para a África numa missão humanitária, o jovem Ari (Atli Oskar Fjalarsson), de 16 anos, é obrigado a deixar a capital Reikjavik e voltar a morar com o pai Gunnar (Ingvar Eggert Sigurdsson) na remota Westfjords, pequena cidade de 7.300 habitantes a noroeste da Islândia. Ari reencontra alguns amigos da infância e tenta se enturmar, com muita dificuldade, pois é bastante tímido, mas conhecerá, pela primeira vez, os prazeres do sexo. Difícil mesmo é a convivência com o pai – os dois ficaram distantes durante seis anos –, um beberrão que dá festas regadas a muita bebida e prostitutas. Ari não está acostumado com esse tipo de situação e se abriga na casa da avó (Kristbjörg Kjeld) – mãe de Gunnar. Apesar do contexto dramático, o filme reserva momentos de rara sensibilidade e até comoventes. “Pardais” é um filme de muita qualidade, tanto é que foi o vencedor do prêmio de Melhor Filme no Festival de San Sebastián e eleito melhor filme da 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo/2016. Além disso, foi escolhido como representante oficial da Islândia na disputa do Oscar/2017 de Melhor Filme Estrangeiro.                                                            

domingo, 17 de setembro de 2017

O título do filme é “PREJUÍZO” (“PRÉJUDICE”), 2015, Bélgica, e marca a estreia no roteiro e direção de Antoine Cuypers. Talvez o título mais certo teria sido “Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos”. O drama belga é centrado na reunião de uma família para um almoço festivo em comemoração à gravidez de Caroline (Ariane Labed) no casarão dos pais (Nathalie Baye e Arno Hintjens). Mas nem tudo será festa. O clima pesado reina desde os aperitivos, graças ao problemático Cédric (Thomas Blanchard), um dos irmãos de Caroline. Ele é um sujeito desequilibrado, mentalmente perturbado, que tumultua o ambiente com agressões verbais e atitudes inconvenientes. Por conta de um sonho que quer realizar, ou seja, uma viagem à Áustria, proibida pelos pais devido ao seu estado mental, Cédric fica cada vez mais agressivo e acaba estragando de vez a ocasião festiva. A tensão e o clima pesado predominam no ambiente familiar desde a primeira cena. Trata-se de um filme bastante desagradável de assistir, mas tem seus méritos por conseguir prender a atenção do começo ao fim. Destaco o desempenho fenomenal do pequeno elenco, principalmente a maravilhosa atriz francesa Nathalie Baye, o ator francês Thomas Blanchard e a bela atriz grega Ariane Labed, uma das mais requisitadas pelo cinema francês atual. O filme foi uma das atrações da mostra “We Are Family” do MyFrenchFilmFestival/2017, festival francês de cinema on-line. Se você estiver a fim de um entretenimento leve, passe longe.                                                        

sábado, 16 de setembro de 2017


“NA FRONTEIRA(título original, “NA GRANICY” – nos países de língua inglesa, foi exibido como “The High Frontier”), 2015, Polônia, roteiro e direção de Wojciech Kasperski (seu filme de estreia). Trata-se de um thriller que ficou devendo em ação e suspense. Ex-guarda  lotado num posto policial da fronteira entre Polônia e Ucrânia, Mateusz (Andrezej Chyra) resolve levar seus dois filhos adolescentes para conhecer o seu antigo local de trabalho, instalado  num lugar de difícil acesso nas montanhas. Machista ao extremo, Mateusz queria promover uma aproximação com os filhos, além de realizar um programa para contribuir com o amadurecimento de ambos, ou seja, passar uns dias numa cabana abandonada em meio a um frio muitos graus abaixo de zero e debaixo de muita neve. Um dos ensinamentos: caçar para sobreviver. Ou seja, ser macho o suficiente para matar um animal a sangue frio. Só que eles não contavam com o repentino aparecimento de um visitante misterioso, um tal de Konrad (Marcin Dorocinski), um antigo policial de fronteira acostumado a se envolver em práticas criminosas. O suspense fica a cargo da relação desse visitante com os adolescentes, já que o pai deles sai para investigar um possível acidente. Com grande parte da ação desenvolvida no interior da cabana, num clima por demais claustrofóbico, os dois adolescentes terão que lutar sozinhos para sobreviver ao vilão. Um filme que tem muito papo furado e pouca ação. Um suspense que deixa muito a desejar. Sou obrigado a admitir: nesse gênero, Hollywood faz bem melhor.                                                     

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

“LANG HISTORIE KORT”, 2015, Dinamarca (nos países de língua inglesa, foi lançado como “Long Story Short”; como ainda não foi exibido por aqui, não existe uma tradução; numa tradução literal ficaria “História Longa Curta”). A história é centrada num grupo de amigos na faixa dos 40/50 anos de idade que se conhecem há bastante tempo. O espectador vai acompanhar vários encontros entre eles, num Reveillon, em festas de aniversário, casamentos e outras ocasiões especiais. O filme dá destaque aos relacionamentos amorosos e seus desdobramentos, encontros e desencontros, amores desfeitos e carências afetivas, segredos e cumplicidade, predominando a amizade acima de alguns eventuais entreveros, como acontece numa grande família. As reuniões são bastante festivas e geralmente acabam em dança e cantorias. Os diálogos são leves e divertidos, caracterizando esta produção dinamarquesa como uma comédia das mais agradáveis, com uma qualidade muito acima da média habitual. Uma diversão inteligente. Trata-se do segundo filme escrito e dirigido pela diretora dinamarquesa May el-Toukhy – o primeiro foi “White Man’s Burden”, de 2003. Ela conseguiu reunir um elenco de primeira, destacando-se alguns dos mais competentes atores dinamarqueses da atualidade, como Danica Curcic, Mille Lehfeldt, Trine Dyrholm, Jens Albinus e Peter Gantzler.                                                          

terça-feira, 12 de setembro de 2017

“O CADÁVER DE ANNA FRITZ” (“El Cadáver de Anna Fritz”), 2015, Espanha, 74 minutos, roteiro e direção de Héctor Hernández – seu filme de estreia. Esqueça qualidade e encare apenas como diversão. Se é que dá para se divertir num filme quase que inteiramente ambientado dentro de um necrotério. Trata-se de um thriller que mistura suspense e doses de humor negro, sem sustos, monstros ou mutilações sangrentas. Enfim, um terror que pode ser visto comendo pipoca, sem roer unhas ou eriçar os pelos do pescoço. A história: chega ao necrotério o cadáver de uma famosa e bela atriz – Anna Fritz, claro – cuja morte gerou comoção nacional. O jovem Pau (Albert Carbó), assistente do necrotério, fotografa o cadáver da moça e envia para seus dois amigos Ivan (Cristian Valencia) e Javi (Bernat Saumell), que vão ao necrotério para convencer Pau a deixá-los entrar para ver o corpo nu da bela atriz. Só que eles não se contentam em apenas ver, mas usufruir do material gelado. Mas não contavam, porém, com um fato inusitado, que não dá para contar aqui e estragar a surpresa. Resumindo: os rapazes vão tentar limpar a bagunça, esconder o que fizeram e esquecer tudo o que aconteceu. Mas não será fácil para eles escapulir de alguém que quer fazer justiça com as próprias mãos. Resumo da ópera-bufa: dá pra ver sem precisar recorrer aos neurônios. Ah, Alba Ribas é a atriz que faz Anna Fritz – ou o seu cadáver...                                                           


“A MORTE DE LUÍS XIV” (“LA MORT DE LOUIS XIV”), 2016, França/Espanha, roteiro e direção do espanhol Albert Serra. Trata-se de um filme biográfico que relata os últimos dias de vida do Rei Luís XIV (1638/1715), em cujo reinado de 72 anos – o mais longo da história europeia – a França chegou à liderança das potências europeias. O filme é inteiramente ambientado nos aposentos de Luís XIV e mostra sua agonia iniciada com fortes dores na perna esquerda que logo se transformaria numa gangrena fatal. O ambiente é claustrofóbico e um tanto mórbido – sem exagero, dá para sentir o cheiro da morte –, com um entra e sai de ministros, membros da corte, familiares, padres, médicos e empregados, enquanto o rei mal consegue se levantar e se alimentar. Luís XIV é interpretado de forma impressionante e magistral por um dos maiores atores franceses, Jean-Pierri Léaud, preferido nas décadas de 50/60/70 por diretores como François Truffaut e Jean-Luc Godard. Por sua carreira e pela atuação neste filme, Léaud recebeu a Palma de Ouro Honorária no Festival de Cannes/2016. O diretor catalão Albert Serra realizou o filme como se fosse uma série de quadros vivos, utilizando iluminação à luz de velas e uma fotografia deslumbrante, a cargo de Jonathan Ricquebourg. Enfim, um puro exemplar da melhor qualidade do chamado cinema de arte, premiado com o Prêmio de "Melhor Filme Internacional" no Jerusalém Film Festival/2016. Imperdível!                                                            
Vencedor da Palma de Ouro no 69º Festival de Cannes/2016, “EU, DANIEL BLAKE” (“I, Daniel Blake”) consagra o inglês Ken Loach como um dos diretores mais engajados do cinema atual com seus filmes de cunho político e social, explorando temas como o desemprego, a questão dos imigrantes e dos direitos de outras minorias deixadas de lado pelo sistema. O carpinteiro Daniel Blake (Dave Johns) é um solitário viúvo de 59 anos que sofreu um grave problema cardíaco e recebeu ordens médicas para ficar afastado do trabalho. Ao reivindicar o seguro-desemprego, Blake vai encontrar inúmeros obstáculos colocados à sua frente pelos burocratas ingleses (eles não conhecem o nosso INSS...). Blake tentou obter informações por telefone e depois foi obrigado a preencher formulários por intermédio da Internet. Só que ele não domina os computadores. Blake resolve ir direto aos escritórios responsáveis pela liberação do benefício. Mais descasp e dor de cabeça. Numa dessas visitas, ele conhece a jovem Katie (Hayley Squires), mãe solteira de duas crianças que tenta receber o vale alimentação. Os dois tornam-se amigos e Blake passa a ajudar Katie. Além de denunciar os desmandos e o pouco caso dos burocratas ingleses com os cidadãos, Loach cria momentos de grande sensibilidade. Mais um belo filme do diretor inglês – de novo com a colaboração do roteirista Paul Laverty, parceiro de outros filmes de Loach. Quem quiser conhecer melhor a obra de Loach, recomendo filmes como “Ventos da Liberdade”, “A Parte dos Anjos”, “Pão e Rosas” e “Jimmy’s Hall”, entre outros.                                                             

domingo, 10 de setembro de 2017

Drama que não faz jus à qualidade da cinematografia da Suécia. Já começa pelo título esquisito: “APFLICKORNA”, que na tradução em inglês ficou “She Monkeys”, o que também não quer dizer nada e muito menos tem a ver com a história. O filme, lançado em 2011, foi escrito e dirigido pela sueca Lisa Aschan. A história é centrada na amizade entre duas jovens de 15 anos de idade, Emma (Mathilda Paradeiser) e Sara (Isabella Lindqvist), praticantes do volteio, um esporte que compreende malabarismo sobre cavalos. As duas fazem parte de uma equipe que disputará um torneio. Elas ficam amigas íntimas e inseparáveis, mas têm personalidades diferentes. Emma é mais contida. Sara é mandona, manipuladora. Nem sempre a amizade será um mar de rosas entre as duas, incluindo ciúmes e a disputa ferrenha por uma vaga na equipe de volteio, além de uma evidente atração lésbica por parte de Cassandra. Enquanto isso, Sara (Isabella Lindqvist), a irmã de 8 anos de Emma, desenvolve uma sexualidade nada normal para a sua idade. Tudo muito constrangedor. Mesmo que o filme tenha sido considerado “um dos mais intensos e complexos” pelo crítico de cinema da Revista Variety e eleito o melhor filme sueco do ano pelo “Golden Bug Awards”, confesso que achei entediante e sem atrativos para garantir uma recomendação. Saudades de Bergman!                                                            
“NOJOOM, 10 ANOS, DIVORCIADA” (“Ana Nojoom Bent Alasherah Wamotalagah”), 2014, Iêmen, roteiro e direção de Khadija al-Salami. Em 2008, a jornalista francesa Delphine Minoui descobriu no Iêmen um caso que se transformou em notícia mundial: uma menina de 10 anos havia conseguido o divórcio. A jornalista revelou que Nujood Ali, de apenas 10 anos, foi obrigada a se casar com um homem bem mais velho em troca de um generoso dote, aceito pela família pobre da garota, residente num pequeno vilarejo onde o casamento infantil era bastante comum – assim como em vários outros países árabes. Num ato de extrema coragem, Nojood procurou a justiça e conseguiu o divórcio. Os pormenores desse polêmico caso foram descritos posteriormente num livro escrito por Nojood e adaptado para o cinema pela diretora Khadija al-Salami, ela própria obrigada a se casar com 11 anos de idade. Segundo o filme, cerca de 70 mil garotas morrem anualmente por causa do casamento infantil no Iêmen. O filme é bastante chocante e perturbador, principalmente por causa das cenas onde a menina aparece sendo espancada e estuprada. O elenco é quase todo formado por atores amadores, o que fica evidente desde o início. Para alguns críticos profissionais, este pode ser um fato alentador. Achei que prejudicou a qualidade interpretativa e o próprio filme como um todo. De qualquer forma, é um filme interessante não apenas pela história em si, mas também por revelar inúmeros aspectos dos costumes e da cultura do povo iemenita, bastante incompreensíveis para o mundo ocidental.