No dia
20 de abril de 2010, a plataforma de perfuração marítima Deepwater Horizon, no
Golfo do México, arrendada à British Petroleum, sofreu uma grande explosão,
causando a morte de 11 trabalhadores, ferimentos em inúmeros outros e, pior, derramou
no mar o equivalente a 4 milhões de barris de petróleo, ocasionando um dos
maiores desastres ecológicos de todos os tempos. O que aconteceu naquele dia é
contado no drama “HORIZONTE PROFUNDO: DESASTRE NO GOLFO” (“Deepwater Horizon”),
2016, com Mark Wahlberg, Kurt Russel, John Malkovich, Kate Hudson e Gina
Rodriguez. O diretor é Peter Berg, do ótimo “O Grande Herói” (2013), também com
Wahlberg no papel principal. Antes da explosão e do incêndio que se seguiu
ainda por dias, o filme faz uma reconstituição dos fatos que culminaram no
trágico acidente. Há muitos diálogos com a utilização de termos técnicos incompreensíveis para quem não conhece o funcionamento de uma plataforma
perfuradora de petróleo. Jimmy Harrell (Russel) é o chefe da operação e Mike
Williams (Wahlberg) seu assistente e braço direito. Sobrou o papel de vilão para John
Malkovich, que faz o executivo Donald Vidrine, representante da British Petroleum. Apesar dos clichês típicos dos disasters movies, o filme é muito bem feito, segura um clima de grande tensão até o desfecho,
culminando com cenas bastante realistas e fortes da explosão, além de acompanhar
os momentos de desespero dos trabalhadores tentando se salvar. Momentos de muito suspense e altas doses de adrenalina. segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017
No dia
20 de abril de 2010, a plataforma de perfuração marítima Deepwater Horizon, no
Golfo do México, arrendada à British Petroleum, sofreu uma grande explosão,
causando a morte de 11 trabalhadores, ferimentos em inúmeros outros e, pior, derramou
no mar o equivalente a 4 milhões de barris de petróleo, ocasionando um dos
maiores desastres ecológicos de todos os tempos. O que aconteceu naquele dia é
contado no drama “HORIZONTE PROFUNDO: DESASTRE NO GOLFO” (“Deepwater Horizon”),
2016, com Mark Wahlberg, Kurt Russel, John Malkovich, Kate Hudson e Gina
Rodriguez. O diretor é Peter Berg, do ótimo “O Grande Herói” (2013), também com
Wahlberg no papel principal. Antes da explosão e do incêndio que se seguiu
ainda por dias, o filme faz uma reconstituição dos fatos que culminaram no
trágico acidente. Há muitos diálogos com a utilização de termos técnicos incompreensíveis para quem não conhece o funcionamento de uma plataforma
perfuradora de petróleo. Jimmy Harrell (Russel) é o chefe da operação e Mike
Williams (Wahlberg) seu assistente e braço direito. Sobrou o papel de vilão para John
Malkovich, que faz o executivo Donald Vidrine, representante da British Petroleum. Apesar dos clichês típicos dos disasters movies, o filme é muito bem feito, segura um clima de grande tensão até o desfecho,
culminando com cenas bastante realistas e fortes da explosão, além de acompanhar
os momentos de desespero dos trabalhadores tentando se salvar. Momentos de muito suspense e altas doses de adrenalina.
“ATÉ O ÚLTIMO HOMEM” (“Hacksaw
Ridge”), 2016, Austrália/EUA, roteiro da dupla Andrew
Knight e Robert Schenkkan e a direção de Mel Gibson, é um épico de guerra que
resgata um dos mais extraordinários episódios de heroísmo ocorrido durante a II
Grande Guerra (1939/1945). A história é centrada em Desmond Doss (Andrew
Garfield), um jovem norte-americano que se alistou voluntariamente, mas que,
por questões religiosas (ele era adventista do Sétimo Dia), se recusou a pegar em armas. Sua intenção era ajudar
as equipes médicas do exército a salvar vidas. A primeira metade do filme é dedicada ao
treinamento de Doss e seus esforços para convencer os comandantes a deixá-lo ir
para o campo de batalha sem empunhar uma arma, baseado no conceito constitucional
norte-americano do “Opositor Consciente”. Chegou a ser preso e julgado por uma
Corte Marcial, mas ganhou o direito de continuar servindo. Seu batalhão foi enviado
para Okinawa para combater os japoneses. Resumindo: Doss virou herói ao salvar,
sozinho, nada menos do que 75 soldados feridos em combate. Uma façanha que o
tornou o primeiro “Opositor Consciente” a ser condecorado com a Medalha de
Honra do Congresso. Indicado ao Oscar 2017 em seis categorias, incluindo Direção,
Melhor Ator e Melhor Filme, “Até o Último Homem” realmente é um filme
espetacular. As cenas de batalha são sensacionais, talvez as melhores que já vi
no cinema, e a história de heroísmo é incrível, mostrando a coragem de um homem
cuja força era mais baseada na fé do que na força física (Mel
Gibson é um católico fervoroso). O elenco conta ainda com Teresa Palmer, Vince
Vaughn, Hugo Weaving, Sam Worthington e Rachel Griffiths. Não deixe de ver os
créditos finais, quando o verdadeiro Desmond Doss e outros personagens aparecem
dando depoimentos sobre o que aconteceu. Cinema da melhor qualidade. Imperdível!quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017
“JACK REACHER: SEM RETORNO” (“Jack
Reacher: Never Go Back”), EUA, 2016, roteiro e
direção de Edward Zwick (“O Último Samurai” e “Diamante de Sangue”), traz de
volta o astro Tom Cruise no segundo filme protagonizado pelo personagem dos
livros do escritor britânico Lee Child – o primeiro filme, “Jack Reacher: O Último
Tiro”, foi produzido em 2012. Embora não tenha o tamanho “armário” dos brucutus
Jason Statham ou Steven Seagal, Cruise não nega fogo em filmes de ação e
pancadaria, como já demonstrou nos filmes da série “Missão Impossível” e agora
com Jack Reacher. Aos 54 anos, Cruise ainda está em grande forma física e enfrenta
sem problemas as mais arriscadas e movimentadas cenas de ação. Neste segundo
filme em que interpreta Jack Reacher, ele sai em defesa da major Susan Turner (a
bela e competente atriz canadense Cobie Smulders), acusada e presa por um crime
que não cometeu. Reacher vai tentar resgatar Turner da prisão e provar sua
inocência. Os vilões tentarão impedir a ação de Reacher, o que inclui sequestrar
sua filha. É ação do começo ao fim, para alegria dos fãs do gênero. O mocinho
(Cruise) apanha bastante, mas não o suficiente para desfigurar o seu rosto recheado
de botox. Enfim, como o primeiro filme da série, um ótimo programa para uma
sessão da tarde com pipoca. terça-feira, 14 de fevereiro de 2017
Com 8
indicações ao Oscar 2017, entre as quais Melhor Filme, Diretor e Atriz
Coadjuvante (Naomie Harris), além de ter vencido o Globo de Ouro como Melhor
Filme de Drama, “MOONLIGHT: SOB A LUZ DO LUAR” (Moonlight”) é um filme
de grande impacto. A história é baseada na peça “In Moonlight Black Boys look
Blue”, do dramaturgo Tarell Alvin McCraney, adaptada pelo roteirista e diretor
Barryt Jenkins. O filme acompanha a trajetória de Chiro (interpretado por Alex
Hibbert na infância, Ashton Sanders na adolescência e por Trevante Rhodes na
fase adulta), um menino criado na perigosa periferia de Miami, convivendo com
traficantes e viciados. Sua mãe Paula (Naomie Harris) se prostitui para comprar
drogas. Por seu jeito tímido, Chiro é chamado de bicha pelos colegas no
colégio. Seu único amigo e protetor é Juan (Mahershala Ali), justamente o
traficante que fornece drogas para sua mãe. Ao chegar à adolescência, Chiro
passa a enfrentar os desafios de raça e sexualidade. Quando chega à fase
adulta, torna-se um importante traficante chamado Black. A trajetória de Chiro
e sua jornada de autoconhecimento são os fios condutores da história. O elenco,
só de negros – nem os figurantes são brancos -, é excelente, especialmente
Naomie Harris como a mãe drogada. Aposto nela como ganhadora de Melhor Atriz
Coadjuvante na premiação do Oscar. O filme é muito bom e não será nenhuma
surpresa se vencer outros prêmios da Academia. segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017
“ÚLTIMO TÁXI PARA DARWIN” (“Last
Cab to Darwin”), Austrália, 2015, direção
de Jeremy Sims. Trata-se de um drama baseado na peça de teatro homônima escrita em 2003
por Reg Cribb. O próprio Cribb, juntamente com Sims, escreveu o roteiro. A
história é centrada em Rex (Michael Caton), de 70 anos, motorista de táxi em
Broken Hill (Nova Gales do Sul), bem no interior do continente australiano. Há
muitos anos que sua rotina inclui, além de dirigir o táxi, passar algumas
noites entre os lençóis com sua vizinha aborígene Polly (a ótima Ningali
Lawford) e se embebedar e jogar conversa fora com os amigos num bar da cidade. Diagnosticado
com um câncer de estômago em estágio terminal, Rex resolve viajar até a cidade
de Darwin, onde a dra. Nicole Farmer (Jacki Weaver) está recrutando voluntários
para um projeto pioneiro e ainda não aprovado de Eutanásia. A distância até
Darwin é enorme: 3.000 km. Mesmo bastante enfraquecido por causa da doença, Rex
resolve encarar o desafio e pega a estrada com seu táxi. Aí o filme entra na
fase road-movie pelas estradas poeirentas do extenso deserto australiano. Durante o trajeto,
Rex faz amizade com Tilly (Mark Coles Smith), um jovem aborígene irresponsável,
e com a doce Julie (Emma Hamilton), uma enfermeira que o acompanhará até o
destino final. Embora baseado numa peça de teatro, o filme é bastante
movimentado e tem seus momentos sensíveis, embora no geral seja um tanto triste
e melancólico. O filme não chegou ao nosso circuito comercial. Somente foi
exibido na Mostra de Filmes da Austrália/2016, em São Paulo. sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017
Quando
foi exibido pela primeira fez no Festival de Sundance (EUA), em janeiro de 2016,
o drama histórico “O NASCIMENTO DE UMA NAÇÃO” (“The Birth of a Nation”)
foi apontado como um dos filmes favoritos a receber algumas indicações ao Oscar 2017. Ao
mesmo tempo, uma revista publicou que o ator e diretor Nate Parker esteve
envolvido no estupro de uma moça em 1999. Foi o suficiente para a conservadora
sociedade norte-americana condenar o filme ao ostracismo. Ao ser lançado nos
cinemas de lá, o público praticamente boicotou o filme. Além disso, também não
foi indicado em nenhuma categoria ao Oscar 2017, ao contrário de “12 Anos de
Escravidão”, de 2013, que explora o mesmo tema e recebeu 9 indicações. “The
Birth of a Nation” conta a história, baseada em fatos reais, do primeiro
levante dos escravos negros contra a escravidão, em 1831, que resultou na morte
de 60 fazendeiros senhores de escravos, no Estado da Virginia, sul dos EUA. O filme
acompanha a trajetória de Nat Turner (o próprio Nate Parker) desde a infância
na fazenda de algodão de Samuel Turner (Armie Hammer). Nat cresceu colhendo
algodão e lendo livros emprestados pela esposa do patrão, Elizabeth (Penelope
Ann Miller). Através da leitura, Nat adquiriu o poder da oratória e virou
pregador. Até o dia em que os fazendeiros brancos resolvem, como era hábito na
época, estuprar algumas escravas, incluindo a esposa de Nat, que, revoltado, resolve
comandar o tal levante. O filme é ótimo e merecia um destino melhor. Vale a
pena assisti-lo pelo menos para conhecer um importante fato histórico dos EUA, o embrião da Guerra de Secessão, 30 anos mais tarde. quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017
“A GAROTA NO TREM” (“The Girl on
the Train”), 2016, EUA, é um bom suspense
psicológico baseado no best-seller da escritora inglesa Paula Hawkins, adaptado
para o cinema pela roteirista Erin Cressida Wilson e pelo diretor Tate Taylor (“Histórias
Cruzadas”). A ação é centrada em Rachel (Emily Blunt), que todos os dias embarca
num trem para o trabalho e da janela observa a casa onde morava com o ex-marido
Tom (Justin Theroux), que agora está casado com Anna (Rebecca Ferguson, ainda
mais bonita loira). Em sua viagem diária, Rachel também costuma observar outra
casa próxima, onde mora Megan (Haley Bennett), sua antiga amiga e agora babá da
filha de Tom e Anna - quando digo que Rachel costuma observar as casas, observa também seus moradores. Certo dia, Megan desaparece misteriosamente e a polícia
começa a investigar o caso. Scott (Luke Evans), o marido de Megan, é um dos
suspeitos. Outra suspeita é a própria Rachel, que teria sido vista pelas
redondezas. Rachel, alcoólatra e emocionalmente desequilibrada, não se lembra
de nada o que aconteceu. No início, a trama é um tanto complicada, com alguns flashbacks envolvendo situações da época
em que Rachel ainda era casada. Graças ao roteiro bem elaborado e que mantém o
clima de tensão e mistério até o final, as coisas vão se encaixando e
esclarecendo o que realmente aconteceu, com direito a uma reviravolta
surpreendente no desfecho. Ainda estão no elenco Allison Janney, Laura Prepon,
Lisa Kudrow e o ator panamenho Edgar Ramírez. Destaque para a atuação da atriz inglesa Emily Blunt, que finalmente ganhou um papel à altura da sua competência. Ótimo programa para quem gosta de
um bom suspense. segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017
Nunca
fui muito fã de filmes musicais. Sempre achei uma chatice monumental aquelas
cenas em que, no meio de um diálogo, um dos personagens começa a cantar. Confesso,
porém, que gostei de musicais como “All the Jazz” e “Cabaret”, por exemplo, mais pelas
ótimas trilhas sonoras e coreografias. Ao assistir “LA LA LAND – CANTANDO ESTAÇÕES”
(“LA LA LAND”), tentei evitar comparações com os filmes citados e
com aqueles musicais de antigamente. Impossível, mesmo porque o jovem roteirista
e diretor norte-americano Damien Chazelle, de apenas 32 anos de idade, elaborou
grande parte das coreografias baseado nos musicais antigos, inclusive “Cantando
na Chuva”. Claro que Ryan Gosling não é Fred Astaire ou Gene Kelly, longe
disso, assim como Emma Stone não é Ginger Rogers ou Cyd Charisse. De qualquer
forma, o filme é bastante agradável, tem alguns ótimos números de dança, música
de qualidade e uma fotografia deslumbrante, principalmente nas cenas noturnas,
mostrando uma Los Angeles em luz neon, criando aquele visual nostálgico dos
musicais das décadas de 30/40/50. A história: O pianista de jazz Sebastian
(Gosling) chega a Los Angeles disposto a ingressar em alguma banda que toca o
jazz tradicional. Ele acaba conhecendo Mia (Emma Stone), uma atendente de cafeteria
aspirante a atriz. Os dois se apaixonam e querem viver juntos para sempre, mas
cada um tem seus sonhos e desejam concretizá-los, nem que para isso tenham de
colocar o amor em segundo plano. O filme conquistou
7 prêmios “Globo de Ouro” e foi indicado para concorrer ao Oscar 2017 em 14
categorias. Mesmo que seja um belo filme, achei exagero tantas indicações. Do mesmo jovem e talentoso diretor, gostei muito mais do espetacular “Whiplash:
Em Busca da Perfeição”. sábado, 4 de fevereiro de 2017
De vez em
quando é bom e até saudável assistir a uma bobagem, ou seja, aquele filme cuja
proposta é apenas divertir, sem exigir muito do intelecto. É o caso da comédia “VIZINHOS
NADA SECRETOS” (“Keeping Up With the Joneses”), 2016, EUA, roteiro de
Michael Lesieur e direção de Greg Mottola, que ainda conta com um quarteto de protagonistas
da melhor qualidade: Jon Hamm (da série “Mad Men”), Zach Galifianakis (“Se
Beber, não Case”), a atriz escocesa Isla Fisher (“Animais Noturnos”) e a atriz
e modelo israelense Gal Gadot (que será a nova Mulher Maravilha). A história: quando
os filhos viajam para passar alguns dias num acampamento de férias, o casal
Jeff e Karen Gaffney (Zack e Isla) passa o tempo bisbilhotando os vizinhos recém-chegados,
Tim e Natalie Jones (Hamm e Gadot), que adotam um comportamento dos mais
estranhos. Jeff e Karen logo se aproximam e acabam descobrindo que os novos
vizinhos são espiões. A partir daí, acumulam-se inúmeras situações hilariantes,
principalmente quando Jeff e Karen se envolvem numa missão secreta do casal de
espiões, incluindo ótimas cenas de ação com perseguições e muitos tiros. Como
disse antes, o filme é diversão pura, um programão para uma sessão da tarde
com pipoca. quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017
Não fosse a história baseada em fatos reais, eu
acharia o enredo um tanto inverossímil. Mas é tudo verdade, o que valorizou
ainda mais o drama independente norte-americano “MR. CHURCH”,
2016, que traz de volta às telas o ator Eddie Murphy, desta vez num papel
sério. A história começa ambientada no início dos anos 70 e se estende por mais
três décadas. Murphy é Henry Church, o “Mr. Church” do título, um cozinheiro
profissional contratado para prestar serviços na casa de Marie Brooks (a ótima
atriz inglesa Natascha McElhone). Quem o contratou foi o ex-namorado rico de
Marie e pai de sua filha Charlotte, a “Charlie”, interpretada na fase adulta
por Britt Robertson. O contrato era de seis meses – tempo de vida dado por um
médico a Marie, portadora de um câncer terminal -, mas Mr. Church acabou
dedicando sua vida inteira à família, servindo não apenas como cozinheiro, mas
também como amigo e conselheiro. O filme é uma comovente história de dedicação
e amizade, ensinamentos e cumplicidade. O filme realmente é encantador e bastante sensível. Ao
comentá-lo, parte da crítica especializada mencionou a injustiça de não ter
sido indicado ao Oscar 2017, assim como injusta foi a não indicação de Eddie Murphy para Melhor Ator. O roteiro foi
escrito por Susan McMartin e a direção é do veterano diretor australiano Bruce
Beresford, do ótimo “O Último Dançarino de Mao” (2009) e de “Conduzindo Miss
Daisy”, Oscar de Melhor Filme em 1989, entre outros inúmeros filmes. Belo filme que merece ser visto. terça-feira, 31 de janeiro de 2017
“BELGICA”, 2016,
é o segundo filme escrito e dirigido pelo diretor belga Felix van Groeningen,
que já havia nos brindado com o espetacular “Alabama Monroe”, de 2012, indicado
naquele ano para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Para escrever a história
de “Belgica”, Groeningen conta que se baseou nas memórias do pai, Jo van
Groeningen, que durante anos foi dono de uma casa noturna na cidade de Ghent,
capital de Flanders Oriental. A história de “Belgica”, um bar/discoteca, é
centrada nos irmãos Frank (Tom Vermeir) e Jo (Stef Aerts), que fundaram e
administram a casa. Eles começam a ganhar muito dinheiro com o negócio, mas
Frank, o mais velho, é irresponsável, gasta tudo em cocaína e em festas com
muitas mulheres, apesar de ser casado. Jo é mais introvertido e responsável,
apesar de também gostar de cheirar umas carreiras, mas tem uma namorada fixa. Grande
parte do filme é dedicada aos shows apresentados na casa. Muito barulho,
ambiente esfumaçado e brigas entre os frequentadores bêbados. Já que o bar não
tem seguranças, são os próprios irmãos e alguns funcionários, inclusive mulheres, os
responsáveis por manter a ordem e colocar para fora os arruaceiros. O
relacionamento entre os irmãos começa a se desgastar por causa da
irresponsabilidade de Frank, fator que, somado às dívidas acumuladas, ameaçam a
sobrevivência do negócio. É um filme pesado, com personagens histéricos, muita
gritaria, discussões e festas regadas a muita bebida e cocaína, o que pode desagradar e incomodar os espectadores
mais sensíveis. Trata-se de um filme bastante interessante e Groeningen ainda tem crédito de sobra por ter feito “Alabama Monroe”. segunda-feira, 30 de janeiro de 2017
Os aficionados por boxe sabem perfeitamente
quem foi Roberto Durán, o lutador panamenho que venceu, numa luta histórica em
1980, o então imbatível e invicto boxeador norte-americano Sugar Ray Leonard, tornando-se
campeão mundial dos leves – ele seria também campeão mundial em outras três
categorias. A história desse lutador, baseada em livro escrito por Christian
Giudice, está devidamente contada, e com grande competência, em “PUNHOS DE
AÇO” (“Hands of Stone”), EUA, 2016, roteiro e direção do venezuelano
Jonathan Jakubowicz, com o também venezuelano ator Édgar Ramírez no papel
principal. O filme relembra a infância pobre de Durán nas favelas de El
Chorrillo, periferia da capital panamenha. Começou a boxear ainda garoto, nas
brigas de rua. Chegou logo aos ringues e foi lutar nos EUA, quando então
começou a ser treinado pelo lendário Ray Arcel (Robert De Niro). Batia pesado e,
por isso, ganhou o apelido de “Manos de Piedra”. Lutou boxe de 1968 a 2001, conquistando
milhões de admiradores por seu estilo agressivo. Além de reproduzir algumas
lutas de Durán, destacando as duas em que enfrentou o mito Sugar Ray Leonard, o
filme prioriza a vida particular tumultuada do lutador panamenho, sua relação
com a esposa Felicidad Iglesias (a atriz cubana Ana de Armas), seu ódio pelos
norte-americanos e o convívio difícil com o treinador Arcel. Além do ótimo
elenco, que conta ainda com Ellen Barkin, Usher Raymond e John Torturro, o
filme apresenta como um de seus principais trunfos as ótimas cenas de luta. Para
quem gosta ou não de boxe, um programão!
“JACK STRONG – O ESPIÃO QUE DERROTOU UM IMPÉRIO” (“Jack
Strong”), Polônia, 2014, roteiro e direção de Wladyslaw
Pasikowsk. Uma superprodução do cinema polonês, com elenco multinacional integrado
por atores poloneses, russos e norte-americanos, além de locações em Varsóvia,
Gdansk, Moscou e Washington. Conta a história verídica do coronel do exército
polonês Ryszard Kublinski (Marcin Dorocinski), que nos anos 70, em plena Guerra
Fria, virou espião e informante da CIA. Responsável pelo planejamento e execução
da invasão soviética na Tchecoslováquia em 1968 (episódio que ficou famoso como
“A Primavera de Praga”) e também pela violenta repressão aos trabalhadores dos
estaleiros de Gdansk, em 1970, o oficial polonês era bastante respeitado tanto
na Polônia como na Rússia. Descontente com os rumos da política adotada pelo
Pacto de Varsóvia, sob o comando dos russos, Kublinski resolveu um dia passar para “o
outro lado”, transmitindo importantes informações e segredos militares para o
pessoal do Tio Sam. São 128 minutos de muita tensão e suspense, graças ao
espetacular trabalho de Pasikowski, mais conhecido como diretor do também ótimo
“Aftermath” e como roteirista de “Katin”. As cenas de ação são ótimas,
principalmente a da perseguição pelas ruas cheias de neve de Varsóvia. Destaque
para o ator principal, o polonês Dorocinski, e para a participação do ator
norte-americano Patrick Wilson como o contato da CIA, lembrando o personagem do ator Tom Hanks em "A Ponte dos Espiões". A produção polonesa, aliás, é muito melhor. Quem gosta de filmes do gênero espionagem e
ambientados no período da Guerra Fria não pode perder “Jack Strong” (o
codinome do espião). Um filmaço, simplesmente IMPERDÍVEL! terça-feira, 24 de janeiro de 2017
“COME AND FIND ME” (na tradução literal, “Venha me
Encontrar”), EUA, 1h52min, 2016, escrito e dirigido por Zack Whedon (seu filme
de estreia). Trata-se de um suspense centrado no designer gráfico David (Aaron
Paul), que um dia conhece a fotógrafa Claire (Annabelle Wallis). Os dois se
apaixonam e acabam morando juntos. Claire tem um comportamento misterioso. Não revela
sua origem, não fala dos pais e nem da família. Seu passado é um enigma. Não
mais que de repente, Claire some do mapa sem deixar pistas, deixando David
desesperado. Ele começa a investigar o sumiço da amada por conta própria, o que
vai lhe acarretar uma série de problemas, inclusive físicos. David é agredido
por um amigo do casal, é detido e espancado por uma gangue numa loja de autopeças,
tem sua casa invadida por um intruso e, por fim, terá de enfrentar um estranho
que se diz agente do governo norte-americano. David finalmente descobre que
Claire esconde uma identidade secreta e um passado pra lá de misterioso. O roteiro é muito fraco, não explica, por
exemplo, a ligação de Claire com as pessoas que passam a perseguir David. O
desfecho, então, é ainda mais inexplicável. Nem com muita boa vontade dá para
recomendar.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2017
“INDIGNAÇÃO” (“Indignation”), EUA,
2016, primeiro filme escrito e dirigido por James Schamus, mais conhecido como
produtor e roteirista. A história é inspirada no romance homônimo escrito por Philip
Roth. Início dos anos 50, o jovem Marcus Messner (Logan Lerman, da franquia “Percy
Jackson”) consegue se livrar do recrutamento para a Guerra da Coreia
ingressando na conservadora Universidade Winesburg, em Ohio. Aqui, enfrentará o
preconceito por ser judeu num ambiente fervorosamente católico, se defrontará
com o rigoroso reitor Caudwell (Tracy Letts) em longas discussões por causa dos
seus posicionamentos e ainda conhecerá a aparentemente recatada Olivia Hutton
(Sarah Gadon), a bela estudante pela qual se apaixonará, embora ela seja
conhecida como “A Rainha do Boquete”. Marcus
se rebela contra o cenário de repressão moral da Universidade, enfrentando os
interrogatórios feitos pelo reitor Caudwell como se estivesse num tribunal. Esses
diálogos, com boas pitadas de erudição, valorizam e dão um sabor especial ao
filme. Se houvesse um selo de qualidade intelectual, eu certificaria “Indignação”.
A crítica especializada ficou dividida. Eu gostei muito e recomendo para quem curte cinema de qualidade.
“CAPITÃO FANTÁSTICO” (“CAPITAIN FANTASTIC”), EUA,
2016, roteiro e direção do Matt Ross. Lendo a sinopse, pensei que assistiria a uma
aventura juvenil ao estilo da Disney. Que nada! O filme, embora com um elenco recheado
de adolescentes e crianças, apresenta em seu desenrolar temáticas adultas,
principalmente nos diálogos afiados, inteligentes e, acima de tudo, muito
bem-humorados. O enredo é um tanto inverossímil – alguém criaria seus filhos,
hoje em dia, dentro de uma floresta? -, mas a história é tão bem trabalhada que
a gente deixa passar. Ben (Viggo Mortensen) vive com seus seis filhos no
interior de uma floresta selvagem do Pacífico Norte. Ele submete a turma a um rigoroso
treinamento diário, que inclui sobrevivência na selva, defesa pessoal,
alpinismo e primeiros socorros, entre outras práticas. Ao mesmo tempo, Ben ensina
filosofia, religião, política, biologia e física quântica, além dos ensinamentos
baseados na sociedade idealizada pelo pensador norte-americano Noam Chomsky. Por
causa da morte da mãe, Ben os filhos são obrigados a pegar a estrada para o
funeral com o objetivo de não deixar enterrar o corpo, e sim cremá-lo, como era
o desejo da falecida, budista de carteirinha. O filme entra numa fase road-movie. O choque com a dita civilização rende os momentos mais
hilariantes, principalmente quando a turma visita a casa de parentes. Resumindo:
o filme é encantador, comovente e divertido. Ou seja, imperdível!
domingo, 22 de janeiro de 2017
Sem dúvida,
o melhor filme nacional dos últimos anos. Para a ABRACCINE (Associação
Brasileira de Críticos de Cinema), o melhor filme brasileiro de 2016. Além
disso, o drama “AQUARIUS” consagra
em definitivo o talento de Sonia Braga. Com uma atuação espetacular, ela é a
alma do filme. Vamos à história: a jornalista e escritora aposentada Clara
(Sonia) mora há muitos anos num aconchegante apartamento no antigo edifício “Aquarius”,
na Avenida Boa Viagem, em frente ao mar do Recife. Viúva, três filhos adultos e
alguns netos, Clara vive solitária e rodeada de estantes de livros e discos de
vinil. Todos os seus vizinhos fizeram acordo com uma construtora, que pretende
demolir o imóvel e construir um novo edifício. Menos Clara. Mesmo com as ofertas
irrecusáveis, ela está irredutível. E vai lutar bravamente contra a
construtora, que passa a utilizar métodos nada amigáveis para convencê-la a
aceitar suas propostas. Clara é uma personagem fascinante e explorada com muita
competência pelo diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho, também autor do
roteiro. Este é o seu segundo longa-metragem – o primeiro foi “O Som ao Redor”.
Entre as grandes sacadas de Kleber está a trilha sonora, recheada de antigos
sucessos nas vozes de Maria Bethânia, Roberto Carlos, Gilberto Gil e,
principalmente, Taiguara cantando “Hoje”. Emoção pura. O filme foi selecionado para
a mostra competitiva do Festival de Cannes 2016, durante o qual o elenco
protagonizou um patético protesto contra o impeachment de Dilma Rousseff.
sábado, 21 de janeiro de 2017
“ALWAYS SHINE” (a tradução literal é “Sempre
Brilhe”, mas não sei como chamará por aqui, se chegar), 2016, EUA, 85 minutos.
Trata-se de um filme com a pretensão de ser suspense, mas não passa de um drama
dos mais medíocres. Beth (Caitlin Fitzgerald) e Anna (Mackenzie Davis) são
grandes amigas e atrizes em busca de bons papéis no cinema. Beth é mais bem
sucedida, o que faz com que Anna morra de inveja. O clima entre as duas fica
ruim e então elas resolvem aparar as arestas num final de semana numa casa de
campo nas montanhas de Big Sur, na Califórnia. O que era para ser uma
reconciliação da amizade vira uma verdadeira guerra psicológica, aumentando o clima de tensão entre as duas. É o segundo filme dirigido pela
atriz Sophia Takal, com roteiro assinado por Lawrence Michael Levine, seu
marido. A história é fraca, mal contada, o filme se arrasta sem nada acontecer
até perto do desfecho, os diálogos são de uma profundidade milimétrica, coroando
um filme de mediocridade quilométrica. Nada mais a acrescentar, a não ser um
conselho: passe longe!
sexta-feira, 20 de janeiro de 2017
“O PIROMANÍACO” (“PYROMANEN”), 2016, Noruega,
roteiro e direção de Erik Skjoldbjaerg, é um suspense inspirado no romance
policial “Far Jeg Brenner Ned”, escrito por Gaute Heivoll. Numa região rural ao
sul da Noruega, várias casas são incendiadas durante a noite, o que mobiliza a brigada
de bombeiros formada por cidadãos voluntários e comandada por Ingemann (Per
Frisch), cujo filho, Dag (Trond Nilssen) também faz parte. A polícia local
começa a investigar as ocorrências e as primeiras suspeitas dão conta de que
pode ser obra de algum piromaníaco vindo de fora. O maluco começa a ficar mais
ousado. De início, só incendiava casas vazias. Depois, com gente dentro. A
caçada ao autor dos incêndios aumenta cada vez mais e você acha que o mistério
só será resolvido no final. Ledo engano. Já na metade do filme, o espectador
fica sabendo quem é o verdadeiro culpado, o que de fato acaba amenizando o
clima de suspense. A partir daí, o diretor explora o aspecto psicopatológico do
piromaníaco, tentando explicar porque está agindo dessa forma. Para mim, a
explicação não acabou muito convincente. O desfecho enigmático também não me
agradou. Por esse, não ponho minha mão no fogo. A estreia do filme aconteceu durante a mostra Contemporary World
Cinema do Festival Internacional de Cinema de Toronto/2016, sem provocar muito
entusiasmo tanto nos críticos quanto no público. Do mesmo diretor norueguês,
recomendo “Mergulho Profundo” (2013), este sim um ótimo suspense.
terça-feira, 17 de janeiro de 2017
“A QUALQUER CUSTO” (“Hell or High Water”), EUA, foi
exibido pela primeira vez em maio do ano passado no Festival de Cannes 2016.
Recebeu muitos elogios da crítica especializada, que o considerou o melhor “neo-western” (faroeste moderno) dos
últimos anos. O roteiro é assinado por Taylor Sheridan (“Sicario: Terra de
Ninguém”) e a direção é do cineasta escocês David Mackenzie (“Encarcerado” e “Sentidos
do Amor”). Ambientada no interior do Texas, a história é centrada nos irmãos
Howard, Toby (Chris Pine) e Tanner (Ben Foster), que começam a praticar
assaltos a bancos. Tanner, recém-saído da prisão, onde cumpriu pena de 10 anos,
quer dinheiro para gastar em cassinos e com mulheres. Ou seja, tirar o atraso
do tempo em que ficou trancafiado. Toby, o mais contido, quer juntar dinheiro
para saldar dívidas do rancho da família e garantir o pagamento de pensão aos
dois filhos, que moram com a ex-mulher. Quem vai atrás da dupla é o policial Marcus
Hamilton (Jeff Bridges), à beira da aposentadoria, e seu assistente de origem
mexicana Alberto (Gil Birmingham). A perseguição se transforma num verdadeiro road-movie pelas estradas empoeiradas do
Texas, que parecem não ter mudado muito em comparação com aquelas que eram
mostradas nos antigos faroestes. Só que agora não são mais os cavalos que levam
os bandidos e os mocinhos e sim potentes veículos off-road. Além de ação, o filme ainda tem bom humor, principalmente nos diálogos entre Marcus e seu auxiliar mexicano, recheados de comentários preconceituosos. Embora tenha gostado do filme, achei o desfecho um tanto
forçado. Assista e veja se não tenho razão.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2017
Aos 80
anos de idade, autor de 48 filmes, devidamente consagrado como um dos maiores
cineastas da atualidade e ainda em grande forma, Woody Allen acerta mais uma vez em “CAFÉ SOCIETY”, 2016, talvez seu melhor filme dos últimos anos. Além de ter escrito o roteiro e
dirigido, Allen também é o narrador da história, ambientada nos anos 30 do
século passado. O jovem Bobby (Jesse Eisenberg), de família judia, resolve sair
de Nova Iorque rumo a Los Angeles acalentando o sonho de trabalhar como
escritor em Hollywood. Ele tem um trunfo para isso: seu tio, Phil Stern (Steve
Carrell), é um poderoso agenciador de artistas. Para começar, Bobby aceita o
trabalho de mensageiro do escritório de Phil. Aqui, trabalha como secretária a
jovem Vonnie (Kristen Stewart), pela qual Bobby se apaixona. Está formada a confusão,
pois Vonnie tem um namorado famoso que quer casar com ela. A situação acaba sendo
não muito favorável a Bobby, que volta para Nova Iorque e vai trabalhar na
boate de luxo dirigida pelo irmão Ben, ligado a uma turma de gângsters. Com seu
trabalho na boate, Bobby acaba conhecendo Veronica (a loiraça Blake Lively),
por quem também se apaixona. A chegada de Vonnie a Nova Iorque, alguns anos
depois, vai perturbar a cabeça de Bobby. O estilo verborrágico do diretor, com diálogos inteligentes e irônicos, continua marcante no estilo do diretor. O filme apresenta ainda uma primorosa
recriação de época no que diz respeito a cenários e figurinos, com muita classe
e glamour, tudo isso valorizado pela fotografia do mestre italiano Vittorio
Scoraro. Como já é hábito em quase todos os filmes de Allen, a trilha sonora é
repleta de jazz tradicional, o que torna o filme ainda mais delicioso.
domingo, 15 de janeiro de 2017
Vencedor
do Globo de Ouro/2017 como Melhor Filme Estrangeiro, o drama francês “ELLE” desponta como o principal favorito a
conquistar o Oscar na mesma categoria. Além disso, Isabelle Huppert, que
interpreta a principal protagonista, recebeu o prêmio como Melhor Atriz em
Drama. Dirigido pelo veterano cineasta holandês Paul Verhoevan (“A Espiã”, “Instinto
Selvagem”), o filme é centrado na empresária Michèle Leblanc (Huppert), executiva
de uma empresa de videogames. Ela mora sozinha num casarão, que um dia é
invadido por um sinistro homem com máscara de esqui. Michèle é agredida e estuprada,
mas não vai à polícia denunciar o fato. Ela relata o ocorrido num jantar íntimo
com o ex-marido e amigos. Para surpresa de todos, Michèle conta o que aconteceu
de forma natural, como se contasse uma visita ao supermercado. Michèle é assim,
uma personagem controversa, fria, neurótica e, de certa forma, malévola,
personalidade de alta complexidade moldada por uma terrível tragédia ocorrida quando era apenas uma
adolescente. O roteiro do filme, assinado por David Birke, foi inspirado no romance
“OH...”, escrito por Phillippe Djian, e reúne situações de vários gêneros
cinematográficos, como suspense, sedução e pitadas bem dosadas de humor negro.
Mas o grande trunfo do filme realmente é o desempenho magistral de Isabelle
Huppert. Ainda estão no elenco Laurent Lafitte, Anne Consigny, Virginie Efira,
Jonas Bloquet, Alice Isaaz, Christian Berkel e Charles Berlin. Um filme sem
dúvida desconcertante e,
ao mesmo tempo, espetacular. Cinema da melhor qualidade. Simplesmente imperdível!
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