“FIQUE COMIGO” (“ASPHALTE”), 2015, França, escrito e dirigido por Samuel Benchetrit. O roteiro é
baseado no livro escrito pelo próprio Benchetrit, “Les Chroniques de L’Asphalte”.
Ambientado num prédio da periferia de Paris, o filme tem como pano de fundo a
solidão, só que passa longe de um drama. O humor permeia toda a ação. No
primeiro andar mora um tipo esquisito que um dia exagera nos exercícios numa
bicicleta ergométrica e perde o movimento das pernas. Acaba numa cadeira de
rodas. Só que ele havia se recusado a pagar o conserto do elevador e estava
proibido de utilizá-lo. Em meio a esse problema, ele conhece uma enfermeira e
se apaixona. Em outro andar do prédio mora uma ex-atriz de cinema agora
esquecida que faz amizade com um jovem vizinho. Insegura pela proximidade de um
teste, a atriz precisa de uma força psicológica e um ombro amigo, que encontra
justamente no vizinho adolescente. Agora vem o momento surreal do filme: a cápsula
de um foguete cai no prédio e despeja um astronauta norte-americano, que acaba
acolhido no apartamento de uma simpática senhora de origem árabe. Um não fala a
língua do outro, mas isso não será problema. Enquanto espera pelo resgate da
NASA, o astronauta é mimado pela senhora e os dois acabam ficando amigos. O
filme é ótimo, surpreendente pelas situações inusitadas e valorizado por um
elenco de primeira: Isabelle Huppert, Michael Pitt, Valéria Bruni-Tedeschi,
Gustave Kervern, Tassadit Mandi e Jules Benchetrit (filho do diretor). Programão! segunda-feira, 1 de agosto de 2016
“FIQUE COMIGO” (“ASPHALTE”), 2015, França, escrito e dirigido por Samuel Benchetrit. O roteiro é
baseado no livro escrito pelo próprio Benchetrit, “Les Chroniques de L’Asphalte”.
Ambientado num prédio da periferia de Paris, o filme tem como pano de fundo a
solidão, só que passa longe de um drama. O humor permeia toda a ação. No
primeiro andar mora um tipo esquisito que um dia exagera nos exercícios numa
bicicleta ergométrica e perde o movimento das pernas. Acaba numa cadeira de
rodas. Só que ele havia se recusado a pagar o conserto do elevador e estava
proibido de utilizá-lo. Em meio a esse problema, ele conhece uma enfermeira e
se apaixona. Em outro andar do prédio mora uma ex-atriz de cinema agora
esquecida que faz amizade com um jovem vizinho. Insegura pela proximidade de um
teste, a atriz precisa de uma força psicológica e um ombro amigo, que encontra
justamente no vizinho adolescente. Agora vem o momento surreal do filme: a cápsula
de um foguete cai no prédio e despeja um astronauta norte-americano, que acaba
acolhido no apartamento de uma simpática senhora de origem árabe. Um não fala a
língua do outro, mas isso não será problema. Enquanto espera pelo resgate da
NASA, o astronauta é mimado pela senhora e os dois acabam ficando amigos. O
filme é ótimo, surpreendente pelas situações inusitadas e valorizado por um
elenco de primeira: Isabelle Huppert, Michael Pitt, Valéria Bruni-Tedeschi,
Gustave Kervern, Tassadit Mandi e Jules Benchetrit (filho do diretor). Programão! sexta-feira, 29 de julho de 2016
“UM HOMEM ENTRE GIGANTES” (“CONCUSSION”), 2015, EUA, segundo filme dirigido por Peter
Landesman – o primeiro foi “JFK, A História não Contada”. O roteiro foi baseado
em fatos reais. Em 2002, ao realizar a autópsia no cadáver de Mike Webster
(David Morse), ex-astro do futebol norte-americano que se suicidara, o dr. Bennet
Omalu (Will Smith), neuropatologista forense de um hospital de Pittsburg,
descobre que o falecido sofria de ETC (Encefalopatia Traumática Crônica),
causada pelos impactos na cabeça durante os anos em que jogou futebol
profissional. Dr. Omalu pesquisou o assunto e resolveu tornar pública a sua
descoberta, contrariando os interesses comerciais e econômicos da poderosa NFL
(National Football League). Outros casos semelhantes ao de Mike Webster começam
a surgir, dando razão ao dr. Omalu. Mas o show deve continuar. E continuou. A
NFL está aí, viva e cada vez mais poderosa. Também estão no elenco Alec Baldwin,
Gugu MBatha-Raw e Albert Brooks. O filme é muito bom e a história melhor ainda. Imagine o que o Dr. Omalu teve de enfrentar, ainda mais sendo negro e nigeriano. Só para ilustrar: 90% dos casos de ETC foram constatados em ex-atletas de
futebol e boxe. Aqui no Brasil, os casos mais conhecidos são do jogador de futebol
Bellini e do boxeador Maguila. quinta-feira, 28 de julho de 2016
“UMA CAMINHADA NA FLORESTA” (“A Walk in the Woods”), 2015, EUA, comédia, direção de Ken Kwapis. Depois de duas décadas
morando na Inglaterra e viajando por vários países para fazer reportagens sobre
roteiros turísticos, o jornalista Bill Bryson (Robertg Redford) retorna aos EUA
para curtir uma merecida aposentadoria ao lado da esposa Catherine (Emma
Thompson) e dos filhos. Só que um dia, após comparecer ao velório de antigo
amigo, Bill chega à conclusão de que ainda não chegou a hora de se entregar à
velhice. Ele quer um novo desafio. Resolve, então, partir para uma aventura:
enfrentar uma caminhada de 3.500 km pela Trilha dos Apalaches (“Apalachian
Trail”). Sua mulher, porém, o aconselha a encarar o desafio com uma companhia.
Surge então um antigo colega de colégio, Katz (Nick Nolte), um beberrão gordo e
completamente fora de forma. E lá vão eles pela floresta e montanhas afora.
Claro que não seguirão à risca o manual do andarilho aventureiro, pois hospedam-se
em motéis e pegam caronas na estrada. A história é baseada em fatos reais,
relatados no livro “A Walk in the Woods: Rediscovering America on the Appalachian
Trail”, de Bill Bryson (o personagem de Redford). O filme é muito divertido. Parece
que Redford e Nolte estão realmente curtindo a aventura e se divertindo de verdade nas filmagens.
Curioso é ver a grande Emma Thompson num papel tão pequeno. O time de veteranos do elenco é reforçado pela ótima Mary Steenburgen. O diretor Kwapis (“Ela
não está tão a fim de Você” e “Licença para Casar”) prova mais uma vez que
entende de comédia. Diversão garantida!
terça-feira, 26 de julho de 2016
“NISE – O CORAÇÃO DA LOUCURA”, 2015, segundo filme dirigido por Roberto Berliner (o primeiro foi “Júlio
Sumiu”). A história é centrada no trabalho da médica psiquiatra Nise da
Silveira, considerada a pioneira da terapia ocupacional no Brasil. O filme é
ambientado em 1944, quando Nise (Glória Pires) ingressa no corpo médico do
Centro Psiquiátrico Nacional D. Pedro II, no Engenho de Dentro (Rio de
Janeiro). Ao descartar os tratamentos violentos da época, como a lobotomia e o
eletrochoque, Nise entra em conflito com os outros médicos da clínica. Ela não
permite que os doentes sejam chamados de pacientes. “Eles são nossos clientes.
Nós é que temos de ser pacientes com eles”, diz ela numa cena. Isolada pelo corpo médico do hospital, ela
decide criar o Setor de Terapia Ocupacional, onde monta um ateliê para os
doentes esquizofrênicos, os quais, com o tempo, demonstram uma incrível
habilidade com os pincéis. O trabalho de Nise ganhou repercussão no meio psiquiátrico
nacional, que passou a respeitar e adotar os métodos de tratamento mais humanos
implantados pela médica alagoana. Vale a pena assistir e conhecer o trabalho
dessa mulher incrível, que venceu preconceitos lutando por seus ideais. À
frente de um excelente elenco, Glória Pires mais uma vez comprova ser a melhor
atriz brasileira da atualidade. Imperdível! segunda-feira, 25 de julho de 2016
“MARAVILHOSO BOCCACCIO” (“Maraviglioso Boccaccio”), 2015, Itália, roteiro e direção dos irmãos
Paolo e Vittorio Taviani. Filme de época, ambientado em 1348, quando a Europa
era devastada pela peste negra. Dez jovens fogem de Florença (Itália) para não
contrair a doença e se refugiam numa casa de campo. Para descontrair o
ambiente, eles resolvem que cada um contará uma história por dia. No total,
cinco novelas do clássico “Decamerão”, escrito por Giovanni Boccaccio, são
acrescentadas ao filme. Algumas repletas de humor, como aquela que conta a
história de um homem simples que acredita ficar invisível depois de encontrar
uma pedra negra. Outras falam de amor, com final trágico ou feliz. Apesar do
contexto de época e do estilo teatral da interpretação dos atores, o filme é
leve e em nenhum momento monótono. As histórias são saborosas, os cenários campestres deslumbrantes e as atrizes do
elenco lindas. Só para citar algumas: Jasmine Trinca, Paola Cortellesi,
Vittoria Puccini e Carolina Crescentini. Os veteranos irmãos Taviani, de obras
consideradas primas como “Pai Patrão” e “A Noite de São Lourenço”, além do
recente “César Deve Morrer”, provam que continuam em plena forma. Vale a pena
assistir, principalmente pelos contos encenados. domingo, 24 de julho de 2016
“MARGUERITE”, 2015, França, direção de Xavier Giannoli. A história é ambientada nos
anos 20 em Paris. A rica baronesa Marguerite Dumont é apaixonada por ópera e
sempre quis ser uma cantora lírica. Nos saraus musicais beneficentes privados que
realizava em seu palácio, ela recolhia donativos para a campanha “Órfãos da
Guerra” (pós 1ª Guerra Mundial), servia o melhor champanhe e convidava cantores
líricos para apresentações com orquestra. Ao final de cada concerto, Marguerite
se apresentava cantando. Só que tinha um problema: era completamente
desafinada. O pessoal aplaudia, por pena e hipocrisia. Mas eram eventos sociais
importantes que a alta aristocracia parisiense fazia questão de prestigiar. Até
que um dia Marguerite resolve se apresentar ao público num grande teatro e,
para isso, contrata um professor de canto. Embora tenha seus momentos de humor,
graças à “qualidade” vocal de Marguerite, o filme chega a ser triste e
melancólico. Afinal, Marguerite, em sua inocência, acredita piamente que é uma
ótima cantora lírica. Um dia ela terá que se confrontar com a verdade, o que
não será nada fácil. A história de Marguerite é baseada na norte-americana
Florence Foster Jenkins, milionária que nas primeiras décadas do século XX
mobilizou a fina flor da sociedade de Nova Iorque com seus ganidos. Depois
desta versão francesa, está sendo lançada a de Hollywood, “Florence – Quem é
essa Mulher?”, com Meryl Streep, que pretendo assistir e depois comentar. O
filme francês é ótimo, com uma estupenda recriação de época e cenários
deslumbrantes, além de uma trilha sonora da melhor qualidade. Estão no elenco
Catherine Frot (divina), André Marcon, Micheu Fau, Sylvain Dieuaid e Denis
Mpunga. sábado, 23 de julho de 2016
“TOM NA FAZENDA” (“Tom à La Ferme”), 2013, Canadá, direção de Xavier Dolan.
Este foi o quarto filme escrito e dirigido pelo jovem diretor, roteirista e ator
canadense. A história: após a morte do seu namorado, com quem vivia em Montreal,
Tom (Dolan) entra em profunda depressão. Mesmo assim, resolve participar do funeral e visitar a mãe do
falecido, Agathe (Lise Roy), e o irmão dele, Francis (Pierre-Yves Cardinal),
que vivem numa fazenda. Como Agathe não sabe da opção sexual do filho, Tom
esconde o romance, dizendo que era apenas amigo do morto. Para disfarçar ainda
mais, Tom pede que uma amiga, Sarah (Evelyne Brochu), se apresente na fazenda
dizendo ter sido namorada do jovem morto. Como em quase todos os filmes de
Dolan, o clima é pesado, sufocante, com muita violência psicológica, agressões
verbais e físicas. Enfim, um filme muito desagradável. Dolan sempre gostou de
chocar a plateia. Quase todos os personagens que cria são emocionalmente desequilibrados, neuróticos e alguns até psicóticos, o que pode ser comprovado em “Mommy”, “Amores Imaginários” e “Eu Matei Minha Mãe”. Desde que surgiu como menino prodígio do cinema, ao dirigir “Eu Matei Minha Mãe”, em 2009, com apenas 20 anos de idade, Dolan manteve seu estilo e ganhou a simpatia dos críticos profissionais. "Tom à La Ferme" foi o vencedor do Prêmio da Crítica do Festival de Veneza 2013. Se você prefere filmes mais leves, um entretenimento para relaxar, esqueça Dolan. quarta-feira, 20 de julho de 2016
A
eutanásia, ou suicídio assistido, já gerou inúmeros filmes bons, o melhor deles
– minha opinião - o francês “Amor” (“Amour”), de Michael Haneke, Oscar 2013 de
Melhor Filme Estrangeiro. Outro excelente filme explorando o assunto é o
dinamarquês “CORAÇÃO MUDO”
(“Stille Hjerte”), 2014, dirigido por
Bille August (“Pelle, o Conquistador”, “A Casa dos Espíritos”, “Trem Noturno
para Lisboa”). Esther (Guita Nørby) tem esclerose múltipla e seu estado piora a
cada dia. Com a aprovação do marido, o médico Poul (Morten Grunwald), e das
filhas Sanne (Danica Cursic) e Heidi (Paprika Steen), ela decide cometer suicídio
assistido. Antes, porém, convida a família para um último final de semana. Uma
despedida. Como era esperado, cria-se um clima de tristeza geral e a decisão de
Esther passa a ser contestada, gerando conflitos, arrependimentos e dúvidas. O
filme é muito bom, mas o maior destaque realmente é o ótimo elenco,
principalmente as veteranas atrizes dinamarquesas Guita Nørby e Paprika Steen,
além da sérvia Danica Cursic. Muita emoção e momentos comoventes num filme
bastante cativante. Imperdível! terça-feira, 19 de julho de 2016
“Este
filme é dedicado às vítimas do Holocausto Soviético”. A frase, reproduzida nos
créditos finais do drama estoniano “NA VENTANIA” (“RISTTUULES”), 2014, diz respeito aos milhares de cidadãos
da Letônia, Estônia e Lituânia que morreram fuzilados ou nos campos de
trabalhos forçados na Sibéria, para onde foram deportados pelo governo russo do
ditador Stalin durante a Segunda Guerra Mundial. O filme é centrado em Erna
(Laura Peterson), enviada a um campo de concentração na Sibéria juntamente com
a filha Eliide (Mirt Preegel). O roteiro foi todo inspirado nas cartas escritas
por Erna para o seu marido Heldur (Tarmo Song), enviado para outro campo de prisioneiros.
Se a história já é trágica por si só, a concepção estética criada pelo jovem
diretor estoniano Martti Helde, de 28 anos, aumentou a níveis estratosféricos o
clima melancólico do filme. Não há diálogos, apenas uma narrativa em off de trechos das cartas escritas por
Erna. O filme é todo em preto e branco. A maioria das cenas apresenta os
personagens e figurantes imóveis. Esse recurso estético, segundo o diretor, foi
escolhido depois que ele leu um trecho da carta de um preso na Sibéria onde ele
dizia que “Aqui na Sibéria, parece que o tempo parou”. Para chegar até o final
é preciso que o espectador se arme de uma dose monumental de paciência, pois
vai encarar um filme extremamente monótono, quase entediante, embora muito
comovente. Por esse trabalho de estreia, o diretor Helde conquistou o Prêmio de
Melhor Diretor Estreante no Festival Internacional de Cinema de Pequim 2015.
“AMOR E REVOLUÇÃO” (“Colonia”), 2015, Alemanha, direção de Florian Gallenberger ("Sombras do Passado"), é mais um drama histórico
inspirado em fatos reais ocorridos logo após a instalação da ditadura militar
no Chile. Mais um capítulo obscuro – e desconhecido, pelo menos para mim – do infame
regime comandado por Augusto Pinochet. Às vésperas do golpe militar, militantes
esquerdistas do mundo inteiro estão no Chile para defender o governo de
Salvador Allende. Um deles é o fotógrafo e artista plástico alemão Daniel (Daniel
Brühl), que em Santiago reencontra sua namorada alemã, a aeromoça Lena (Emma
Watson). Depois de uma noite de amor, eles acordam logo após o golpe militar e
saem às ruas. Disfarçadamente, ele fotografa a violência da repressão, só que é
descoberto, preso e enviado para uma prisão militar secreta, no subsolo de uma
fazenda intitulada Colonia Dignidad, cujos moradores são fanáticos seguidores
de um pregador embusteiro e violento, Paul Schäfer (Michael Nyqvist). Aqui, Daniel é
violentamente torturado e, fingindo desequilíbrio mental, acaba como um dos membros
da seita. Lena descobre o seu paradeiro e também ingressa na seita. Lena e
Daniel se reencontram e começam a planejar sua fuga. A partir daí, o filme entra
num clima de tensão que vai até o final, quando tentam sair do Chile. A
produção do filme é uma verdadeira salada mista: é uma coprodução Alemanha/Luxemburgo/França,
é falado em inglês, o diretor é alemão, assim como Brühl e parte do elenco,
Emma Watson (dos filmes de Harry Potter) é francesa, mas criada na Inglaterra,
e Nyqvist é sueco. O resultado final não ficou tão bom, embora valha a pena
assistir pela história. Há outros filmes muito melhores sobre o período
da ditadura chilena, como “No”, “Post Mortem”, "Machuca" e “Missing”. domingo, 17 de julho de 2016
É
bom avisar logo de cara: “BLIND”, 2014,
Noruega, não é um filme convencional, fácil de digerir. A história começa com as reflexões de Ingrid (Ellen Dorrit Petersen), narradas em
off. Ela perdeu a visão recentemente,
deixou de sair de casa e passa o tempo pensando no que teve a oportunidade de
ver, relembrando visões e tentando descobrir as cores de um edifício, de um
shopping, a raça de um cachorro etc. Enquanto passa o tempo todo sozinha no apartamento,
Ingrid tem a sensação de que seu marido Morten (Henrik Rafaelsen) está sempre a
observando, o que parece ser o prenúncio de alguma cena de suspense, o que não acontece. Ao mesmo tempo, a história coloca em cena personagens aleatórios
como Einar (Marius Kolkenstvedt), um tarado viciado em sites pornô, e Elin
(Vera Vitali), outra mulher que acaba ficando cega como Ingrid, mas com um comportamento bem mais neurótico. Estes dois últimos personagens parecem ter sido criados pela mente
de Ingrid, que estaria escrevendo um romance. Ou não? Muitas das cenas parecem
não fazer sentido, exigindo um esforço quase mediúnico do espectador para
adivinhar o que está acontecendo. Elin, por exemplo, aparece com um filho, que
depois vira uma filha. Elin aparece também em várias cenas com Morten, marido
de Ingrid. Um filme difícil de entender. Trata-se da estreia do norueguês Eskil
Vogt como diretor. Ele é mais conhecido como roteirista de filmes como “Oslo,
31 de Agosto” e “Mais Forte que Bombas”. De qualquer forma, “Blind” conquistou
os prêmios de Melhor Filme Europeu no Festival de Berlim/2014 e o de Melhor
Roteiro no Festival de Sundance (EUA), no mesmo ano. quinta-feira, 14 de julho de 2016
“MORTE EM BUENOS AIRES” (“Muerte en Buenos Aires”), Argentina,
2014, marca a estreia na direção de Natalia Meta, que também escreveu o
roteiro, e também a estreia de Chino Darín (filho do astro Ricardo) como
protagonista. Trata-se de um filme policial ambientado nos anos 80 cuja
história é centrada nas investigações de um homicídio de um homem da alta
sociedade portenha. Quem cuida do caso é o inspetor Chavez (o ator mexicano
Demian Bichir), que nomeia como seu assistente direto o agente Gómez “El Ganso”
(Chino Darín). Logo no começo das investigações, descobre-se que a vítima
gostava de rapazes e logo aparece um suspeito, o afetado, prepotente e trambiqueiro Kevin
González (Carlos Casella). É nele que o inspetor Chavez mira sua lupa,
utilizando “El Ganso” como isca. O filme termina sem uma conclusão fácil para o
espectador, que é obrigado a adivinhar quem, afinal, é o verdadeiro assassino.
Achei exagerada e um tanto forçada a insinuação de que o inspetor Chavez, pai
de família e um rígido policial, é chegado num lance homossexual. Ficou fora do
contexto, assim como a correria dos cavalos pelas ruas de Buenos Aires. Se o filme não é tão bom, pelo menos tem a presença de dois bons
atores, o mexicano Bichir, que atuou no último filme de Tarantino, “Os Oito
Odiados”, e chegou a ser indicado para o Oscar de Melhor Ator pelo filme "Uma Vida Melhor", e Chino Darín, que tem talento – talvez nem tanto quanto o pai – e que
se entrega de corpo e alma – principalmente corpo – ao papel do agente Gómez.
Um filme apenas interessante, bem longe dos melhores argentinos.
“MEMÓRIAS SECRETAS” (“Remember”), Canadá, 2015, direção de Atom Egoyan (dos ótimos “O Doce Amanhã”, “À Procura”, “O
Preço da Traição”). O diretor egípcio, naturalizado canadense, acerta mais uma
vez num drama repleto de suspense, com uma surpreendente reviravolta no
desfecho e um desempenho magistral do veterano ator Christopher Plummer. Companheiros
de sofrimento no campo de concentração de Auschwitz, durante a Segunda Guerra
Mundial, Zev (Plummer) e Max (Martin Landau), ambos agora à beira dos 90 anos, se
reencontram numa casa de repouso para idosos nos EUA. Max planeja uma vingança
contra o nazista Rudy Kurlander, responsável pelo assassinato da sua família e
a de Zev em Auschwitz, e que estaria morando nos EUA provavelmente com outro
nome. Max, preso a uma cadeira de rodas e respirando por aparelhos, pede a Zev
que encontre e mate Kurlander. Só que tem um problema: Zev está apresentando
sintomas de demência. O filme vira um road
movie, acompanhando a aventura de Zev por várias cidades dos EUA. O clima é
de suspense e tensão, culminando com um desfecho inesperado, a cereja do bolo
de um ótimo filme. Além de Plummer e Landau, estão no elenco Jürgen Prochnow e
Bruno Ganz. Filmaço!domingo, 10 de julho de 2016
“XXY” é um drama argentino de 2007 que trata de um
tema pouco explorado pelo cinema: o hermafroditismo. Escrito e dirigido por
Lucía Puenzo (do ótimo “O Médico Alemão”), o filme conta a história de Alex
(Ines Efron), uma garota de 15 anos hermafrodita. Seus pais, Kraken (Ricardo
Darín) e Suli (Valeria Bertuccelli), sempre se recusaram submetê-la a uma cirurgia
para resolver o problema. Cansados dos constrangimentos habituais, resolvem mudar-se
para um vilarejo litorâneo no Uruguai, onde o biólogo marinho Kraken consegue
um emprego. Tudo transcorre normalmente até a chegada de um casal amigo
trazendo o filho Álvaro (Martin Piroyansky), de 16 anos, que na hora faz
amizade com Alex. Uma amizade, aliás, que trará consequências para determinar o
rumo dos acontecimentos. Segundo alguns entendidos que assistiram “XXY”, o
problema de Alex não chega a ser o hermafroditismo e sim a Síndrome de XXY,
também conhecida como Klinefelter. Como não conheço o assunto, para mim Alex é mesmo
uma hermafrodita. O filme é muito bom, tanto que foi o vencedor do Prêmio da
Semana da Crítica no Festival de Cannes 2007, além de ter sido premiado em
vários festivais importantes, entre eles o Goya (Oscar espanhol).
sexta-feira, 8 de julho de 2016
“AMOR AO PRIMEIRO FILHO” (“ANGE & Gabrielle”), 2015, é
uma comédia romântica francesa ainda não exibida por aqui nos cinemas. Foi
lançada diretamente em DVD. Pena, pois o filme é bastante divertido e
simpático, além de ambientado nos cenários deslumbrantes de Paris. O casal de protagonistas é formado pelo feio/charmoso Patrick Bruel e pela bonita Isabelle Carré, atores
franceses muito competentes. Trata-se do primeiro filme escrito e dirigido por Anne
Giafferi. Uma ótima estreia. A história: o arquiteto Ange Pagani (Bruel) é
surpreendido em seu escritório com a visita de Gabrielle (Carré), até então, para ele, uma
ilustre desconhecida. Ela diz que sua filha Claire (Alice de Lencquesaing) ficou
grávida e acusa o filho de Pagani, Simon (Thomas Soliveres), de tê-la engravidado.
Pagani fica uma fera, pois afirma que nunca soube que tinha um filho. O
primeiro encontro entre Pagani e Gabrielle termina em desavença, tapas e
ofensas, mas o espectador logo percebe que os dois vão acabar se apaixonando.
Nem mesmo esse fato tão previsível prejudica o transcorrer da história, repleta
de cenas divertidas (Pagani é hipocondríaco crônico e suas consultas com o
médico são hilariantes). Para um gênero repleto de bobagens cinematográficas, esta
comédia romântica é uma das poucas raridades que merecem ser vistas.
quinta-feira, 7 de julho de 2016
“BLACKWAY”, 2015, EUA, direção do sueco Daniel
Alfredson (“A Menina que brincava com Fogo” e “Jogada de Mestre”). É um filme
de ação e suspense baseado no romance “Go With Me”, escrito por Castle Freeman
Jr. Aliás, foi com esse nome que o filme foi exibido no Festival de Veneza
2015, mas, quando lançado comercialmente, recebeu o título "Blackway". O vilão da história é Blackway (Ray Liotta), um ex-policial psicopata que
um dia resolve assediar de forma violenta a jovem Lillian (Julia Stiles),
atendente de um bar. Ela procura o xerife da cidade e denuncia Blackway. Com
medo, o homem da lei a aconselha a deixar a cidade. Revoltada com a situação,
ela procura ajuda junto aos trabalhadores de uma madeireira e consegue o apoio
de Lester (Anthony Hopkins) e Nate (Alexander Ludwig). Lester também tem uma
razão especial para se vingar de Blackway. Os três partem então para uma
floresta onde Blackway tem seu reduto. O desfecho é mais do que previsível. Algumas
cenas, de tão ruins, acabam sendo constrangedoras, como a briga no bar logo no
início. Os Trapalhões faziam brigas bem melhores. O filme, no geral, é muito
fraco e não entendo por que um ator da grandeza de Anthony Hopkins se propôs a
participar. Quem sabe pela amizade com o diretor, que já o dirigiu em “Jogada
de Mestre”. Portanto, fica a dica: se o filme chegar por aqui, prefira levar a
família para comer uma pizza...
“A TERRA E A SOMBRA” (“La Tierra y La Sombra”), 2015, Colômbia, marca a estreia na direção
de longas de César Acevedo. Uma bela estreia, aliás, pois o filme é muito bom. Toda
a história é ambientada numa região de plantações de cana-de-açúcar. O filme
começa com a volta de Alfonso (Haimer Leal), depois de 17 anos, à sua antiga
casa, onde vivem seu filho, a nora, o neto e sua antiga esposa. Seu filho
Gerardo (Edison Raigosa) está gravemente doente, o que obrigou sua esposa Esperanza
(Marleyda Soto) e sua mãe Alícia (Hilda Ruiz) a trabalhar como cortadoras de
cana para suprir as despesas da casa. O filme é impactante ao mostrar a
realidade nada fácil dos cortadores de cana, que trabalham muito e em condições
insalubres, ganham mal e vivem abaixo da linha da miséria. Gerardo, por
exemplo, que trabalhava como cortador de cana, acabou tendo sérios problemas
respiratórios que o paralisaram na cama. Diante de tantas dificuldades, a
família de Alfonso permanece unida e com força para seguir adiante. Todos os
atores são amadores e suas faces sofridas fornecem maior credibilidade aos
personagens. O filme conquistou o Prêmio “Caméra D’Or” (melhor filme de diretor
estreante) e o Grande Prêmio da Mostra Semana da Crítica do Festival de Cannes
2016. Por aqui, foi exibido na 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro de 2015. Um belo filme a ser conferido. quarta-feira, 6 de julho de 2016
Representante
da Áustria na disputa do Oscar 2016 de Melhor Filme Estrangeiro, “BOA NOITE, MAMÃE” (“Ich Seh, Ich Seh”) é um terror psicológico dos melhores. Não
economiza nos sustos, nas torturas sádicas e no clima de tensão que percorre
toda a duração do filme (1h40). Toda a ação é ambientada numa bela casa à beira
de um lago. Os irmãos gêmeos Lukas (Lukas Schwarz) e Elias (Elias Schwarz), de
9 anos, recebem a mãe de volta do hospital, onde passou por uma cirurgia de reconstrução
facial depois de um acidente. Dia após dia, Lukas e Elias reparam que as atitudes
e o comportamento da mãe mudaram e passam a desconfiar que a mulher não passa
de uma farsante. O desenrolar dos acontecimentos também leva o espectador a
duvidar da real identidade da mulher, mas, ao mesmo tempo, faz acreditar que
ela pode ser a verdadeira mãe. Os gêmeos, porém, não têm dúvida: a mulher não é
sua mãe verdadeira. Criar a expectativa sobre o que vai acontecer no final é o
grande mérito do roteiro, escrito pela dupla Veronica Franz e Severin Fiala –
eles também dirigiram. Aliás, sou obrigado a confessar: terminou o filme e eu
não soube definir o que aconteceu. Assista e tire suas próprias conclusões.
Em
1952, uma violenta tempestade atingiu a Costa da Nova Inglaterra (EUA),
resultando no naufrágio de dois navios petroleiros. Um deles, o “SS Pendleton”,
foi partido ao meio, deixando mais de 30 tripulantes à beira da morte. Numa
missão quase suicida, um pequeno barco da Guarda Costeira sai em socorro dos
possíveis sobreviventes. E consegue salvá-los, naquele que é considerado o
maior ato heroico da Guarda Costeira dos EUA. Claro que a história dava um
filme. A Disney apostou e bancou “HORAS DECISIVAS” (“The
Finest Hours”), 2015, direção de Graig
Gillespie (“A Garota Ideal”). O herói é Bernie Webber (Chris Pine), que topa
conduzir o pequeno barco para o alto-mar, enfrentando ondas de mais de 20
metros de altura e ventos com a força de um furacão. Além disso, no trajeto,
perde a bússola e o motor do barco começa a apresentar defeito. Enquanto isso,
na metade que sobrou do “SS Pendleton”, Raymond Sybert (Casey Affleck, irmão do
Ben) assume o comando da tripulação, tentando fazê-la acreditar que o
salvamento chegará. As cenas no mar são bem feitas e não há como o espectador
não ficar tenso com a situação. O filme é um ótimo programa para uma sessão da
tarde com pipoca. E dramin, claro... Completam o elenco Eric Bana, Ben Foster e
Holliday Grainger. terça-feira, 5 de julho de 2016
Baseada
nas últimas semanas de vida do poeta romântico alemão Heinrich von Kleist, em
1811, a austríaca Jessica Hausner escreveu o roteiro e dirigiu “AMOR LOUCO” (“AMOUR
FOU”), 2014. Em dificuldades financeiras e em crise existencial, Kleist fica
obcecado pela ideia de se suicidar. O problema é que ele não quer morrer
sozinho. Quer um suicídio duplo, conforme manda a tradição romântica da época,
de preferência junto com a mulher amada. Ele tenta persuadir a prima Marie a
entrar no seu jogo trágico. Não consegue. Então desvia sua atenção para a bela
Henriette Vogel (Birte Schonoeink), esposa de um empresário bem sucedido que o
recebe em casa para os saraus de sexta-feira, onde o poeta recita seus novos poemas
e Henriette canta para os convidados. De início, Henriette foge ao assédio de
Kleist. Porém, poderá mudar de ideia quando descobre que sofre de uma doença incurável e
tem pouco tempo de vida. O tratamento dado à história é bastante teatral, a
casa de Henriette funcionando como palco. Na maioria das cenas, Hausner utiliza
a câmera fixa, com enquadramentos que lembram quadros de pintores clássicos da
época. O filme foi apresentado no Festival de Cannes e venceu o Prêmio de Melhor
Filme no Lisbon/ Estoril Film Festival. Alerto: não é um filme fácil de
assistir. É monótono e, em alguns momentos, como nas cantorias dos saraus, terrivelmente
entediante.
“MIDNIGHT SPECIAL”, 2015, EUA, roteiro e direção de
Jeff Nichols (“Amor Bandido” e “O Abrigo”), é um filme de ficção científica
ambientado nos dias atuais. A história é centrada no garoto Alton (Jaeden
Liberher), de 8 anos de idade, que possui poderes especiais, entre os quais
ouvir ondas de rádio e decifrar coordenadas de satélites. Além disso, não pode
sair à luz do dia e é obrigado a usar óculos escuros, já que seus olhos emitem raios
de luz. A notícia de um garoto com esses poderes chega não apenas à Imprensa,
mas também às autoridades norte-americanas, entenda-se o FBI. Preocupado em
proteger o garoto, seu pai biológico, Roy (Michael Shannon), o sequestra de
onde estava vivendo, um rancho administrado por religiosos extremistas. Para
isso, conta com a ajuda do amigo policial Lucas (Joel Edgerton). Daí para
frente, o filme se transforma num road movie
com algum suspense. Estão ainda no elenco Kirsten Dunst, Sam Shepard e Adam
Driver. Como não sou fã de filmes de ficção científica, não gostei também deste
– achei a história uma bobagem sem tamanho -, embora tenha sido elogiado pela
crítica quando de sua exibição no Festival de Berlim. Recomendo apenas para os
fãs do gênero.
segunda-feira, 4 de julho de 2016
“ROCK EM CABUL” (“Rock The Kasbah”), EUA, 2015, direção do veterano Barry
Levinson. Richie Vance (Bill Murray) é um empresário norte-americano decadente,
quase falido, que vende seus serviços dizendo (mentindo) que descobriu Madonna
e outros astros da música. A fase é terrível e ele só tem uma cantora para
empresariar, a jovem Roonie (Zoey Deschanel, ótima). Cansado de tentar colocá-la
para atuar em bares de quinta categoria, ele aceita a ideia de um bêbado: levar
Roonie para entreter as tropas norte-americanas no Afeganistão. Chegando lá, com
medo da reação dos afegãos, Roonie foge e leva todo o dinheiro e o passaporte
de Richie. A partir daí, o empresário se meterá em muitas confusões,
principalmente depois de conhecer o mercenário Bombaim Brian (Bruce Willis), a
garota de programa Merci (Kate Hudson, linda e sedutora) e, principalmente, a
jovem Salima Khan (Leem Lubany). Esta última, descoberta por Richie enquanto cantava
escondida numa caverna, é levada para cantar no programa Afghan Star,
equivalente ao famoso American Idol. Só que Salima é uma jovem pachtun e sua família a proíbe de se
apresentar na TV, ainda mais cantando em inglês. A vida dela e a de Richie correm
perigo depois do sucesso da apresentação. Nos créditos finais aparece que o
filme é dedicado à jovem Setara Hussainzada, que desafiou a família e os talibãs
para cantar no Afghan Star. O filme é uma comédia e quem dá show é novamente
Bill Murray. Uma das cenas mais hilariantes é quando ele fica desorientado
depois de seu carro ser atingido por uma bomba. É pra rolar de rir. Diversão
garantida!
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