quinta-feira, 14 de julho de 2016
“MEMÓRIAS SECRETAS” (“Remember”), Canadá, 2015, direção de Atom Egoyan (dos ótimos “O Doce Amanhã”, “À Procura”, “O
Preço da Traição”). O diretor egípcio, naturalizado canadense, acerta mais uma
vez num drama repleto de suspense, com uma surpreendente reviravolta no
desfecho e um desempenho magistral do veterano ator Christopher Plummer. Companheiros
de sofrimento no campo de concentração de Auschwitz, durante a Segunda Guerra
Mundial, Zev (Plummer) e Max (Martin Landau), ambos agora à beira dos 90 anos, se
reencontram numa casa de repouso para idosos nos EUA. Max planeja uma vingança
contra o nazista Rudy Kurlander, responsável pelo assassinato da sua família e
a de Zev em Auschwitz, e que estaria morando nos EUA provavelmente com outro
nome. Max, preso a uma cadeira de rodas e respirando por aparelhos, pede a Zev
que encontre e mate Kurlander. Só que tem um problema: Zev está apresentando
sintomas de demência. O filme vira um road
movie, acompanhando a aventura de Zev por várias cidades dos EUA. O clima é
de suspense e tensão, culminando com um desfecho inesperado, a cereja do bolo
de um ótimo filme. Além de Plummer e Landau, estão no elenco Jürgen Prochnow e
Bruno Ganz. Filmaço!domingo, 10 de julho de 2016
“XXY” é um drama argentino de 2007 que trata de um
tema pouco explorado pelo cinema: o hermafroditismo. Escrito e dirigido por
Lucía Puenzo (do ótimo “O Médico Alemão”), o filme conta a história de Alex
(Ines Efron), uma garota de 15 anos hermafrodita. Seus pais, Kraken (Ricardo
Darín) e Suli (Valeria Bertuccelli), sempre se recusaram submetê-la a uma cirurgia
para resolver o problema. Cansados dos constrangimentos habituais, resolvem mudar-se
para um vilarejo litorâneo no Uruguai, onde o biólogo marinho Kraken consegue
um emprego. Tudo transcorre normalmente até a chegada de um casal amigo
trazendo o filho Álvaro (Martin Piroyansky), de 16 anos, que na hora faz
amizade com Alex. Uma amizade, aliás, que trará consequências para determinar o
rumo dos acontecimentos. Segundo alguns entendidos que assistiram “XXY”, o
problema de Alex não chega a ser o hermafroditismo e sim a Síndrome de XXY,
também conhecida como Klinefelter. Como não conheço o assunto, para mim Alex é mesmo
uma hermafrodita. O filme é muito bom, tanto que foi o vencedor do Prêmio da
Semana da Crítica no Festival de Cannes 2007, além de ter sido premiado em
vários festivais importantes, entre eles o Goya (Oscar espanhol).
sexta-feira, 8 de julho de 2016
“AMOR AO PRIMEIRO FILHO” (“ANGE & Gabrielle”), 2015, é
uma comédia romântica francesa ainda não exibida por aqui nos cinemas. Foi
lançada diretamente em DVD. Pena, pois o filme é bastante divertido e
simpático, além de ambientado nos cenários deslumbrantes de Paris. O casal de protagonistas é formado pelo feio/charmoso Patrick Bruel e pela bonita Isabelle Carré, atores
franceses muito competentes. Trata-se do primeiro filme escrito e dirigido por Anne
Giafferi. Uma ótima estreia. A história: o arquiteto Ange Pagani (Bruel) é
surpreendido em seu escritório com a visita de Gabrielle (Carré), até então, para ele, uma
ilustre desconhecida. Ela diz que sua filha Claire (Alice de Lencquesaing) ficou
grávida e acusa o filho de Pagani, Simon (Thomas Soliveres), de tê-la engravidado.
Pagani fica uma fera, pois afirma que nunca soube que tinha um filho. O
primeiro encontro entre Pagani e Gabrielle termina em desavença, tapas e
ofensas, mas o espectador logo percebe que os dois vão acabar se apaixonando.
Nem mesmo esse fato tão previsível prejudica o transcorrer da história, repleta
de cenas divertidas (Pagani é hipocondríaco crônico e suas consultas com o
médico são hilariantes). Para um gênero repleto de bobagens cinematográficas, esta
comédia romântica é uma das poucas raridades que merecem ser vistas.
quinta-feira, 7 de julho de 2016
“BLACKWAY”, 2015, EUA, direção do sueco Daniel
Alfredson (“A Menina que brincava com Fogo” e “Jogada de Mestre”). É um filme
de ação e suspense baseado no romance “Go With Me”, escrito por Castle Freeman
Jr. Aliás, foi com esse nome que o filme foi exibido no Festival de Veneza
2015, mas, quando lançado comercialmente, recebeu o título "Blackway". O vilão da história é Blackway (Ray Liotta), um ex-policial psicopata que
um dia resolve assediar de forma violenta a jovem Lillian (Julia Stiles),
atendente de um bar. Ela procura o xerife da cidade e denuncia Blackway. Com
medo, o homem da lei a aconselha a deixar a cidade. Revoltada com a situação,
ela procura ajuda junto aos trabalhadores de uma madeireira e consegue o apoio
de Lester (Anthony Hopkins) e Nate (Alexander Ludwig). Lester também tem uma
razão especial para se vingar de Blackway. Os três partem então para uma
floresta onde Blackway tem seu reduto. O desfecho é mais do que previsível. Algumas
cenas, de tão ruins, acabam sendo constrangedoras, como a briga no bar logo no
início. Os Trapalhões faziam brigas bem melhores. O filme, no geral, é muito
fraco e não entendo por que um ator da grandeza de Anthony Hopkins se propôs a
participar. Quem sabe pela amizade com o diretor, que já o dirigiu em “Jogada
de Mestre”. Portanto, fica a dica: se o filme chegar por aqui, prefira levar a
família para comer uma pizza...
“A TERRA E A SOMBRA” (“La Tierra y La Sombra”), 2015, Colômbia, marca a estreia na direção
de longas de César Acevedo. Uma bela estreia, aliás, pois o filme é muito bom. Toda
a história é ambientada numa região de plantações de cana-de-açúcar. O filme
começa com a volta de Alfonso (Haimer Leal), depois de 17 anos, à sua antiga
casa, onde vivem seu filho, a nora, o neto e sua antiga esposa. Seu filho
Gerardo (Edison Raigosa) está gravemente doente, o que obrigou sua esposa Esperanza
(Marleyda Soto) e sua mãe Alícia (Hilda Ruiz) a trabalhar como cortadoras de
cana para suprir as despesas da casa. O filme é impactante ao mostrar a
realidade nada fácil dos cortadores de cana, que trabalham muito e em condições
insalubres, ganham mal e vivem abaixo da linha da miséria. Gerardo, por
exemplo, que trabalhava como cortador de cana, acabou tendo sérios problemas
respiratórios que o paralisaram na cama. Diante de tantas dificuldades, a
família de Alfonso permanece unida e com força para seguir adiante. Todos os
atores são amadores e suas faces sofridas fornecem maior credibilidade aos
personagens. O filme conquistou o Prêmio “Caméra D’Or” (melhor filme de diretor
estreante) e o Grande Prêmio da Mostra Semana da Crítica do Festival de Cannes
2016. Por aqui, foi exibido na 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro de 2015. Um belo filme a ser conferido. quarta-feira, 6 de julho de 2016
Representante
da Áustria na disputa do Oscar 2016 de Melhor Filme Estrangeiro, “BOA NOITE, MAMÃE” (“Ich Seh, Ich Seh”) é um terror psicológico dos melhores. Não
economiza nos sustos, nas torturas sádicas e no clima de tensão que percorre
toda a duração do filme (1h40). Toda a ação é ambientada numa bela casa à beira
de um lago. Os irmãos gêmeos Lukas (Lukas Schwarz) e Elias (Elias Schwarz), de
9 anos, recebem a mãe de volta do hospital, onde passou por uma cirurgia de reconstrução
facial depois de um acidente. Dia após dia, Lukas e Elias reparam que as atitudes
e o comportamento da mãe mudaram e passam a desconfiar que a mulher não passa
de uma farsante. O desenrolar dos acontecimentos também leva o espectador a
duvidar da real identidade da mulher, mas, ao mesmo tempo, faz acreditar que
ela pode ser a verdadeira mãe. Os gêmeos, porém, não têm dúvida: a mulher não é
sua mãe verdadeira. Criar a expectativa sobre o que vai acontecer no final é o
grande mérito do roteiro, escrito pela dupla Veronica Franz e Severin Fiala –
eles também dirigiram. Aliás, sou obrigado a confessar: terminou o filme e eu
não soube definir o que aconteceu. Assista e tire suas próprias conclusões.
Em
1952, uma violenta tempestade atingiu a Costa da Nova Inglaterra (EUA),
resultando no naufrágio de dois navios petroleiros. Um deles, o “SS Pendleton”,
foi partido ao meio, deixando mais de 30 tripulantes à beira da morte. Numa
missão quase suicida, um pequeno barco da Guarda Costeira sai em socorro dos
possíveis sobreviventes. E consegue salvá-los, naquele que é considerado o
maior ato heroico da Guarda Costeira dos EUA. Claro que a história dava um
filme. A Disney apostou e bancou “HORAS DECISIVAS” (“The
Finest Hours”), 2015, direção de Graig
Gillespie (“A Garota Ideal”). O herói é Bernie Webber (Chris Pine), que topa
conduzir o pequeno barco para o alto-mar, enfrentando ondas de mais de 20
metros de altura e ventos com a força de um furacão. Além disso, no trajeto,
perde a bússola e o motor do barco começa a apresentar defeito. Enquanto isso,
na metade que sobrou do “SS Pendleton”, Raymond Sybert (Casey Affleck, irmão do
Ben) assume o comando da tripulação, tentando fazê-la acreditar que o
salvamento chegará. As cenas no mar são bem feitas e não há como o espectador
não ficar tenso com a situação. O filme é um ótimo programa para uma sessão da
tarde com pipoca. E dramin, claro... Completam o elenco Eric Bana, Ben Foster e
Holliday Grainger. terça-feira, 5 de julho de 2016
Baseada
nas últimas semanas de vida do poeta romântico alemão Heinrich von Kleist, em
1811, a austríaca Jessica Hausner escreveu o roteiro e dirigiu “AMOR LOUCO” (“AMOUR
FOU”), 2014. Em dificuldades financeiras e em crise existencial, Kleist fica
obcecado pela ideia de se suicidar. O problema é que ele não quer morrer
sozinho. Quer um suicídio duplo, conforme manda a tradição romântica da época,
de preferência junto com a mulher amada. Ele tenta persuadir a prima Marie a
entrar no seu jogo trágico. Não consegue. Então desvia sua atenção para a bela
Henriette Vogel (Birte Schonoeink), esposa de um empresário bem sucedido que o
recebe em casa para os saraus de sexta-feira, onde o poeta recita seus novos poemas
e Henriette canta para os convidados. De início, Henriette foge ao assédio de
Kleist. Porém, poderá mudar de ideia quando descobre que sofre de uma doença incurável e
tem pouco tempo de vida. O tratamento dado à história é bastante teatral, a
casa de Henriette funcionando como palco. Na maioria das cenas, Hausner utiliza
a câmera fixa, com enquadramentos que lembram quadros de pintores clássicos da
época. O filme foi apresentado no Festival de Cannes e venceu o Prêmio de Melhor
Filme no Lisbon/ Estoril Film Festival. Alerto: não é um filme fácil de
assistir. É monótono e, em alguns momentos, como nas cantorias dos saraus, terrivelmente
entediante.
“MIDNIGHT SPECIAL”, 2015, EUA, roteiro e direção de
Jeff Nichols (“Amor Bandido” e “O Abrigo”), é um filme de ficção científica
ambientado nos dias atuais. A história é centrada no garoto Alton (Jaeden
Liberher), de 8 anos de idade, que possui poderes especiais, entre os quais
ouvir ondas de rádio e decifrar coordenadas de satélites. Além disso, não pode
sair à luz do dia e é obrigado a usar óculos escuros, já que seus olhos emitem raios
de luz. A notícia de um garoto com esses poderes chega não apenas à Imprensa,
mas também às autoridades norte-americanas, entenda-se o FBI. Preocupado em
proteger o garoto, seu pai biológico, Roy (Michael Shannon), o sequestra de
onde estava vivendo, um rancho administrado por religiosos extremistas. Para
isso, conta com a ajuda do amigo policial Lucas (Joel Edgerton). Daí para
frente, o filme se transforma num road movie
com algum suspense. Estão ainda no elenco Kirsten Dunst, Sam Shepard e Adam
Driver. Como não sou fã de filmes de ficção científica, não gostei também deste
– achei a história uma bobagem sem tamanho -, embora tenha sido elogiado pela
crítica quando de sua exibição no Festival de Berlim. Recomendo apenas para os
fãs do gênero.
segunda-feira, 4 de julho de 2016
“ROCK EM CABUL” (“Rock The Kasbah”), EUA, 2015, direção do veterano Barry
Levinson. Richie Vance (Bill Murray) é um empresário norte-americano decadente,
quase falido, que vende seus serviços dizendo (mentindo) que descobriu Madonna
e outros astros da música. A fase é terrível e ele só tem uma cantora para
empresariar, a jovem Roonie (Zoey Deschanel, ótima). Cansado de tentar colocá-la
para atuar em bares de quinta categoria, ele aceita a ideia de um bêbado: levar
Roonie para entreter as tropas norte-americanas no Afeganistão. Chegando lá, com
medo da reação dos afegãos, Roonie foge e leva todo o dinheiro e o passaporte
de Richie. A partir daí, o empresário se meterá em muitas confusões,
principalmente depois de conhecer o mercenário Bombaim Brian (Bruce Willis), a
garota de programa Merci (Kate Hudson, linda e sedutora) e, principalmente, a
jovem Salima Khan (Leem Lubany). Esta última, descoberta por Richie enquanto cantava
escondida numa caverna, é levada para cantar no programa Afghan Star,
equivalente ao famoso American Idol. Só que Salima é uma jovem pachtun e sua família a proíbe de se
apresentar na TV, ainda mais cantando em inglês. A vida dela e a de Richie correm
perigo depois do sucesso da apresentação. Nos créditos finais aparece que o
filme é dedicado à jovem Setara Hussainzada, que desafiou a família e os talibãs
para cantar no Afghan Star. O filme é uma comédia e quem dá show é novamente
Bill Murray. Uma das cenas mais hilariantes é quando ele fica desorientado
depois de seu carro ser atingido por uma bomba. É pra rolar de rir. Diversão
garantida!
sábado, 2 de julho de 2016
Imagine
você lá em Londres no dia 8 de maio de 1945, comemorando com os ingleses o “Dia
da Vitória”, ou seja, a derrota dos alemães e o fim da Segunda Grande Guerra. A
produção inglesa “UMA NOITE FORA DO PALÁCIO” (“A Royal Night Out”), 2015, proporciona essa verdadeira viagem
no tempo. O cenário de toda a ação é este, mas a história do filme é centrada
nas princesas irmãs Elizabeth (Sarah Gadon), que alguns anos mais tarde seria
coroada Rainha Elizabeth II, e Margaret (Bel Powley). Elas queriam ir para as
ruas, incógnitas, para se juntar à multidão. E foi o que fizeram, com a devida
autorização dos pais, o Rei George VI (Rupert Everett) e a Rainha Mãe Elizabeth
(Emily Watson), e com a companhia de dois oficiais do Exército. Nas ruas, as
princesas confraternizaram, fizeram amizades, dançaram e visitaram lugares
pouco adequados para moças da realeza. A saída delas do Palácio de Buckingham,
naquela noite, realmente aconteceu, mas os roteiristas Kevin Hood e Trevor de
Silva, além do diretor Julian Jarrold (“Amor e Inocência”), certamente criaram
fatos fantasiosos para dar maior sabor à história, como o namorico de Elizabeth
com o aviador Jack (Jack Reynor) ou a bebedeira da princesa Margaret. O filme
tem muito de conto de fadas e é muito agradável de assistir. Recomendo. sexta-feira, 1 de julho de 2016
“DEMÊNCIA” (“Dementia”), 2015, EUA, direção de Mike Testin. Trata-se de um filme de suspense
cuja história é centrada em George Lockhart (Gene Jones), um setentão veterano
e herói da Guerra do Vietnã. Ele sofre um AVC e os médicos também constatam o
início de uma demência. Seu filho Jerry (Peter Cilella) e a neta Shelby (Hassie
Harrison) resolvem então contratar uma enfermeira. Eis que surge Michelle
(Kristina Klebe), aparentemente um anjo de pessoa. Shelby é a única a
desconfiar da enfermeira. A partir daí, os fatos que se desenrolam até o
desfecho trágico estão todos relacionados com o passado de George e a Guerra do
Vietnã. Aliás, muito mal explicados. O filme é um suspense de quinta categoria,
elenco fraco, história que não se sustenta, tensão superficial e uma solução
para o desfecho pra lá de lamentável, com cenas constrangedoras. Nem a surpreendente
revelação no final, causando uma reviravolta na história, consegue salvar. Não
dá para indicar. quarta-feira, 29 de junho de 2016
A
produção cinematográfica da Romênia é bastante acanhada em comparação com
outros países. Produz cerca de 10 filmes por ano, no máximo. Mas, se perde na
quantidade, ganha na qualidade. Posso citar dois exemplos recentes: “Instinto
Materno” e “Casamento Silencioso”. Na maioria deles, o pano de fundo tende a
ser a política do país pós-comunismo. Não é o caso de um filme que resgatei de
2006: “AMOR LOUCO” (“LEGATURI
BOLNAVICIOASE”), escrito e dirigido por
Tudor Giurgiu. Trata-se da adaptação do romance homônimo escrito por Cecília
Stefaneson. A história: Alex (Joana Barbu) sai da distante cidade de
Pietrosita, zona rural da Romênia, e vai estudar na capital Bucareste. Na
faculdade, faz amizade com Kiki (Maria Popistasu). Começam a namorar em
segredo. Kiki, porém, passa a se revelar emocionalmente desequilibrada, além de
manter um relacionamento muito estranho com o irmão Sandu (Tudor Chirila),
beirando o incestuoso. O caldo engrossa quando Alex resolve levar Kiki para
passar uns dias em sua cidade interiorana. Tratado de forma novelesca, o que me
fez lembrar “Malhação”, com muito papo furado, o filme pode encantar o público
mais jovem. O que eu mais gostei, porém, foi da interpretação das duas atrizes
principais. Ah, também de bom posso citar o fato de que, ao contrário da
maioria dos filmes que envolvem relacionamentos homossexuais, as (poucas) cenas
de sexo não são apelativas. Pelo menos isso. terça-feira, 28 de junho de 2016
O
drama biográfico “REDENÇÃO” (“Machine Gun Preeacher”), EUA, 2011, direção de Mark Foster (“Guerra
Mundial Z”, “007 – Quantun of Solace” e “O Caçador de Pipas”), conta a incrível
história do norte-americano Sam Childers (o ator escocês Gerard Butler, de "300"), um ex-viciado em drogas
que se tornou pastor da igreja pentecostal, depois um construtor de sucesso e,
por fim, voluntário na África, ajudando crianças no Sudão e em Uganda, países
envolvidos em sangrentas guerras civis. A história começa nos anos 90, quando
aconteceu a conversão de Sam. Em 1998, depois de ouvir uma palestra de um
pastor voluntário sobre os problemas enfrentados pela população pobre da
África, Sam resolve viajar para Uganda com o objetivo de reconstruir as casas
destruídas pela guerra. Durante esse trabalho, Sam se comove com a situação das
crianças órfãs no sul do Sudão e resolve ajudá-las, construindo um orfanato
(“Angels of East Africa”). Casado com Lynn (Michelle Monaghan), que o levou
para a igreja, e pai de Paige (Madeline Carrol), Sam enfrentou muitos desafios
na África e chegou até a pegar em armas para enfrentar os sanguinários
mercenários do perigoso Grupo LRA. Nos créditos finais, o verdadeiro Sam
Childers é apresentado em fotografias. Ainda no elenco, Michael Shannon e Katy Baker. Um belo filme e uma história que merece
ser conhecida.segunda-feira, 27 de junho de 2016
“FIM DE SEMANA EM PARIS” (“Le Week-End”), 2013, Reino Unido, roteiro de Hanif Kureishi
e direção de Roger Michell. Trata-se de uma comédia dramática, mas, no geral, é um filme melancólico sobre o desgaste
de um casamento. Os professores universitários ingleses Nick Burrows (Jim
Broadbent) e Meg (Lindsay Duncan) resolvem comemorar o 30º aniversário de
casamento passando um final de semana em Paris. A ideia é relembrar a lua de
mel que passaram na “Cidade Luz”, incluindo reservas no mesmo hotel. Só que,
aos poucos, Nick e Meg percebem que a relação está um tanto desgastada. Não são
mais o marido e a esposa apaixonados de trinta anos atrás. Nas andanças do
casal pela capital francesa, eles discutem a relação, alternando alguns
momentos românticos e outros de desentendimentos. O convite para jantar na casa
de um ex-aluno de Nick, Morgan (Jeff Goldblum), provocará uma repentina mudança
no relacionamento do casal. O roteiro força a barra em algumas cenas, como
aquela em que Nick e Meg saem correndo pelas ruas de Paris (um casal normal de
meia idade não faria isso nem teria esse fôlego) e outra onde eles fogem de um
restaurante sem pagar. De qualquer forma, a dupla de atores é excelente e o
cenário deslumbrante. Paris à noite é uma festa para os olhos, compensando alguns momentos tediosos do filme. quinta-feira, 23 de junho de 2016
Uma
das frases mais famosas criadas pelo jornalista, escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues foi “NINGUÉM
AMA NINGUÉM... POR MAIS DE DOIS ANOS”. A frase virou o título de um ótimo filme
nacional, produzido em 2015 e dirigido por Clóvis Mello. A história adapta cinco
contos do livro “A Vida como Ela é”, que reúne as crônicas escritas por Nelson
no Jornal Última Hora na década de 50. O filme envolve os bastidores do casamento de cinco casais
jovens da classe média carioca. O adultério é o tema de todos. Num episódio, o
marido é o traidor. No outro, a mulher. Marido cafetina a mulher. Mulher se
vinga do amigo do marido que não quis nada com ela. Marido trai a patroa com a
empregada. As mulheres são todas lindas... e carentes. As situações são tratadas com muito
bom humor, embora algumas terminem em tragédia. Uma das frases mais engraçadas é
dita pelo marido durante o velório da esposa: “Ela era uma mulher tão séria e
fiel que só tomava injeção no braço”. O que mais gostei, porém, foi a primorosa
recriação de época, como os cenários, a decoração dos escritórios e das casas,
os figurinos e ainda os nomes de alguns personagens que hoje parecem ridículos,
mas que eram comuns naqueles anos: Asdrubal, Orozimbo, Juventino etc. O elenco
também é ótimo: Gabriela Duarte, Marcelo Faria, Ernani Moraes, Pedro Brício,
Branca Messina, Juliane Trevisol e até Luana Piovani numa ponta, além da morena
Lidi Lisboa, de fechar o comércio da 25 de Março e adjacências.
Deus
existe e mora em Bruxelas (Bélgica). Este é o ponto de partida da comédia belga
“O
NOVÍSSIMO TESTAMENTO” (“Le Tout Nouveau Testemant”), 2015, 113 minutos. Aqui, Deus (Benoît Poelvoorde) é casado e
tem uma filha de 10 anos. É um cinquentão rabugento, beberrão e fumante
inveterado. Passa o dia de pijama na frente do computador, inventando
catástrofes naturais, guerras e graves acidentes, além de tramar de que forma cada
um dos habitantes da Terra deve morrer. A filha de Deus, Ea (Pili Groyne), com
a ajuda do irmão JC, resolve interferir nos projetos do Pai, alterando os
programas do computador divino. Dessa forma, envia mensagens, via internet, aos
celulares das pessoas, informando da data que cada uma vai morrer. Daí para frente,
só confusão. Claro que é uma fantasia, um filme surreal, escrito e dirigido por
Jaco Van Dormael (“O Oitavo Dia”). O Vaticano e os católicos mais fervorosos
não devem ter gostado. Claro que, se a história envolvesse Maomé, diretor e produtores
já teriam sido assassinados. Não achei o filme ofensivo, pois entendi que não
passa de uma brincadeira. Apenas uma comédia ousada e irreverente. O filme
representou a Bélgica na disputa do Oscar 2016 de Melhor Filme Estrangeiro. No elenco,
além de Poevoorde, estão Yolande Moreau, Catherine Deneuve e François Damiens. Um filme mais interessante do que bom. terça-feira, 21 de junho de 2016
Eleito
o Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2015, além de premiado com o Melhor Roteiro
no Festival de Cannes e vencedor do Globo de Ouro, o drama russo “LEVIATÔ,
direção de Andreï Zviaguintsev (“Elena”
e “O Retorno”), causou grande polêmica na Rússia. As autoridades não gostaram e
dificultaram sua exibição comercial. Afinal, o filme escancara o que o país de
Putin tem de pior atualmente, ou seja, corrupção deslavada, abuso de poder,
policiais irresponsáveis e incompetentes, além da aliança sórdida entre a
Igreja (Ortodoxa) e o Estado. Ao mesmo tempo, apresenta um painel social nada
recomendável, principalmente ao mostrar os russos como beberrões crônicos –
todos os personagens passam o filme bebendo rios de vodka. Ambientada em
Teriberka, pequena cidade litorânea ao Norte da Rússia, a história é centrada
no mecânico Kolia (Aleksey Serebryakov), ameaçado pela prefeitura local de ter
sua casa desapropriada. O prefeito corrupto Vadim Cheleviat (Roman Madianov) quer
o terreno para construir um luxuoso empreendimento. Kolia resolve lutar na
Justiça e, para isso, pede ajuda a um amigo advogado de Moscou, Dmitriy
(Vladimir Vdovitchenkov). A história do filme é toda baseada nessa luta
inglória e suas consequências, como um grande conflito familiar envolvendo Kolia
e sua bela esposa Lilya (Elena Lyadova), o filho do casal e ainda Dmitriy. Um
dos melhores filmes da década. Imperdível! segunda-feira, 20 de junho de 2016
O
suspense australiano “VISÕES DO PASSADO” (“Backtrack”), 2015, roteiro e direção de Michael Petroni (mais conhecido como
roteirista de “A Menina que Roubava Livros”), traz no papel principal o ator
Adrien Brody (“O Pianista”). Ele é o psicólogo Peter Bower, que há anos vive
atormentado por lembranças trágicas, como a morte de sua filha Evie, de 12
anos, e um antigo acidente ferroviário que matou 47 pessoas, quando ele ainda
era um adolescente. Em meio a muitos sustos, aparição de fantasmas e outros
clichês do gênero, Peter resolve procurar o Dr. Duncan Steward, um renomado
psiquiatra, que resolve ajudá-lo. Peter começa a desconfiar que está ficando
louco e a acreditar que seus pacientes e as pessoas que o cercam não passam de
criaturas do outro mundo. Parece que tudo pode estar relacionado com o acidente ferroviário. Seguindo conselho do Dr. Duncan e seu próprio
instinto, Peter volta à cidade natal para tentar decifrar e relembrar o que
realmente aconteceu no dia do acidente ferroviário, além de se confrontar com o
pai, um policial aposentado com um comportamento muito misterioso. O estilo
do filme lembra um pouco o clássico “O Sexto Sentido”, só que com muito mais personagens,
ação e sustos. Para uma sessão da tarde ou numa noite chuvosa, até que funciona
como entretenimento.sexta-feira, 17 de junho de 2016
“13 HORAS: OS SOLDADOS SECRETOS DE BENGHAZI” (“13 Hours:
The Secret Soldiers of Benghazi”), 2015,
EUA, 2h24m. A história é baseada em fatos reais, ocorridos no dia 11 de
setembro de 2012 em Benghazi, segunda maior cidade da Líbia. Terroristas
islâmicos atacam a embaixada dos EUA e, na mesma noite, tentam invadir um
complexo secreto da CIA. Em ambos, correm risco de vida vários funcionários
norte-americanos, incluindo o embaixador e outras autoridades. Para defendê-los, apenas seis soldados de uma empresa de
segurança particular, sem qualquer apoio militar, o que gerou muitas críticas à
então Secretária de Defesa Hilary Clinton. O filme mantém um forte clima de tensão e
suspense do começo ao fim, com muita ação, tiros, explosões, perseguições, em cenas muito bem realizadas pelo diretor Michael Bay (da franquia “Transformers”
e “Sem Dor, Sem Ganho”). No elenco, o mais conhecido é o ator John Krasinski (“Caminho
para o Coração” e “Licença para Casar”), que interpreta Jack da Silva, um dos
soldados da equipe. O roteiro, escrito por Chuck Hogan, é baseado no livro “13
Hours”, de Michael Zuckoff. Enfim, um prato cheio para quem gosta de filmes de
ação baseados em fatos reais. Dá
arrepios só de imaginar que tudo o que o filme mostra aconteceu de verdade.
Filmaço! Ah, na mesma linha de filmes de ação e suspense, recomendo "Falcão Negro em Perigo", de 2001, dirigido por Ridley Scott.
quinta-feira, 16 de junho de 2016
“CINCO GRAÇAS” (“Mustang”), 2015, marca
a estreia em longas da diretora Deniz Gamze Ergüven. Embora a diretora, equipe
técnica e todo o elenco sejam turcos, trata-se de uma produção francesa. Aliás,
disputou o Oscar 2016 de Melhor Filme Estrangeiro como candidato oficial da
França. É um belo drama que tem como pano de fundo a condição feminina sob as
rígidas regras e preceitos da religião islâmica. O cenário é um vilarejo na
Turquia, a 1.000 km de Istambul. Toda a história é centrada em cinco irmãs
adolescentes que, no último dia de aula antes das férias, vão à praia com seus
colegas. Tomam banho de mar e brincam com os meninos. Tudo na maior inocência.
Só que no vilarejo corre a história de que elas estavam se esfregando nos
meninos. O pai delas, um islâmico ultraconservador, resolve então trancafíá-las
em casa, colocando grades e cadeados em todas as portas. A prisão não é
suficiente. Ele quer casá-las como manda a tradição: casamentos arranjados.
Assim consegue com uma, com duas e com três. As duas mais novas se revoltam e
resolvem planejar uma fuga para Istambul. O filme é ótimo, o elenco feminino é
excelente e a história tem todos os ingredientes para agradar a qualquer
público.
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