“À BEIRA-MAR” (“BY THE SEA”), 2015, roteiro e direção de Angelina Jolie. Ao contrário dos dois
filmes anteriores que dirigiu (“Na Terra de Amor e Ódio” e “Invencível”), Jolie
adotou neste um tom mais intimista, introspectivo, lembrando o estilo dos
filmes europeus, principalmente italianos e franceses, das décadas de 60 e 70.
A história, ambientada justamente nos anos 70, começa com a chegada do casal
Roland (Brad Pitt) e Vanessa (Angelina Jolie), vindos de Nova Iorque, a um resort isolado no litoral da
França (as filmagens aconteceram na praia de Gozo, a segunda maior ilha de
Malta). Ele, um escritor em crise, procura inspiração para um novo livro. Ela, numa
fase crítica de depressão pré-suicídio. O casamento dos dois, depois de 14
anos, também está em crise. Ele passa o dia bebendo no bar de Michel (Niels
Arestrup), com o qual joga conversa fora e desabafa seus problemas. Ela fica o
tempo todo no quarto do hotel, lendo e fumando. Essa rotina muda quando Vanessa
passa a se relacionar com Lea (Mélanie Laurent) e François (Melvil Poupand),
casal que chega ao hotel para passar a lua de mel. Angelina e Brad Pitt, que
não contracenavam juntos deste “Sr. e Sra. Smith”, estão sempre em cena, juntos
ou separados, e o desempenho de ambos é excelente. O filme é muito bom, mas
melhor ainda é o cenário paradisíaco em que as filmagens aconteceram, valorizado
pela excelente fotografia do austríaco Christian Berger (“A Fita Branca”). terça-feira, 14 de junho de 2016
“À BEIRA-MAR” (“BY THE SEA”), 2015, roteiro e direção de Angelina Jolie. Ao contrário dos dois
filmes anteriores que dirigiu (“Na Terra de Amor e Ódio” e “Invencível”), Jolie
adotou neste um tom mais intimista, introspectivo, lembrando o estilo dos
filmes europeus, principalmente italianos e franceses, das décadas de 60 e 70.
A história, ambientada justamente nos anos 70, começa com a chegada do casal
Roland (Brad Pitt) e Vanessa (Angelina Jolie), vindos de Nova Iorque, a um resort isolado no litoral da
França (as filmagens aconteceram na praia de Gozo, a segunda maior ilha de
Malta). Ele, um escritor em crise, procura inspiração para um novo livro. Ela, numa
fase crítica de depressão pré-suicídio. O casamento dos dois, depois de 14
anos, também está em crise. Ele passa o dia bebendo no bar de Michel (Niels
Arestrup), com o qual joga conversa fora e desabafa seus problemas. Ela fica o
tempo todo no quarto do hotel, lendo e fumando. Essa rotina muda quando Vanessa
passa a se relacionar com Lea (Mélanie Laurent) e François (Melvil Poupand),
casal que chega ao hotel para passar a lua de mel. Angelina e Brad Pitt, que
não contracenavam juntos deste “Sr. e Sra. Smith”, estão sempre em cena, juntos
ou separados, e o desempenho de ambos é excelente. O filme é muito bom, mas
melhor ainda é o cenário paradisíaco em que as filmagens aconteceram, valorizado
pela excelente fotografia do austríaco Christian Berger (“A Fita Branca”). segunda-feira, 13 de junho de 2016
“CONSPIRAÇÃO E PODER” (“Truth”), 2015, conta a história de uma das maiores gafes jornalísticas dos EUA (no jargão jornalístico brasileiro, a famosa "barriga"). Aconteceu
às vésperas das eleições presidenciais de 2004. Uma equipe do programa “60
Minutes”, da CBS News, descobriu um documento que denunciava George W. Bush, então presidente e candidato à reeleição, como uma espécie de
desertor da Guerra do Vietnã, no início dos anos 70. Ele teria sido favorecido
por amigos influentes de sua família para não ser enviado para lutar naquela
guerra. A equipe de jornalistas era chefiada pela produtora Mary Papes (Cate
Blanchett). Sua missão era verificar a autenticidade do documento, um trabalho
árduo de jornalismo investigativo. Ela e sua equipe chegaram finalmente à
conclusão de que tinham um material confiável e bombástico na mão e convenceram a direção
da CBS News a divulgar a denúncia. O âncora
Dan Rather (Robert Redford), na época um grande astro do jornalismo televisivo
norte-americano, ficou encarregado de apresentar os fatos em rede nacional. Logo
depois, porém, houve um desmentido feito justamente pela pessoa que entregou o
documento à equipe da TV. Aí o caldo engrossou para o lado da CBS News, que
teve de se explicar à opinião pública. Sobrou, é claro, para Mary e sua equipe
e até para o astro Dan Rather. Toda história é baseada no livro “Truth and Duty:
the Press, the President and the Privilege of Power”, escrito pela própria Mary
Papes. A adaptação ficou a cargo do roteirista James Vanderbilt, que também foi
responsável pela direção. A história é muito interessante e vale a pena ser
conferida, mas o maior destaque do filme é mesmo a atriz australiana Cate Blanchett,
com mais um desempenho fantástico. Depois que ganhou o Oscar de Melhor Atriz
por “Blue Jasmine”, em 2014, ela se transformou numa das mais poderosas atrizes de Hollywood. Prova disso é que, a seu pedido, para não ficar longe da família, o
filme inteiro foi rodado na Austrália. Também estão no elenco Dennis Quaid, Topher Grace, Elizabeth Moss, Bruce Greewood, Stacy Keach e Dermot Mulroney. domingo, 12 de junho de 2016
“MINHA QUERIDA DAMA” (“MY OLD LADY”), 2014,
EUA/França, roteiro e direção de Israel Horovitz. Não sei por que, mas o filme
chegou por aqui com mais uma tradução: “Uma
Senhora Herança”. A divulgação do filme, aliás, o trata como comédia,
mas na verdade é um drama. Tem alguns momentos de humor, mas só no começo. Baseada
na peça de teatro “My Old Lady”, escrita pelo próprio Horovitz e encenada com
sucesso na Broadway, a história é centrada em Mathias Gold (Kevin Kline), um nova-iorquino
fracassado afundado em dívidas. Para tentar sair do buraco, ele resolve vender
uma casa em Paris que seu pai havia deixado de herança. Ele viaja para a
capital francesa, gastando o que lhe restava de grana, mas, ao chegar, tem a
surpresa de encontrar morando na casa a idosa Mathilde (Maggie Smith) e sua
filha Chloé (Kristin Scott Thomas). Por causa de uma antiga lei francesa
intitulada “Viager”, Mathias não pode vender a casa enquanto Mathilde estiver
viva. Ao mesmo tempo em que busca soluções judiciais para conseguir vender a
propriedade e resolver seus problemas financeiros, Mathias faz amizade com a
mãe e a filha, culminando com revelações surpreendentes sobre o passado do antigo
proprietário da casa, ou seja, seu pai. A adaptação para a tela ficou teatral
demais, o que acabou comprometendo o resultado final. Pode ter funcionado no
palco, mas na telinha ficou devendo. Mesmo tendo no elenco a tríade Kevin
Kline, Kristin Scott Thomas e Maggie Smith, artistas consagrados e da mais alta
qualidade, não há motivos para uma recomendação entusiasmada.
quinta-feira, 9 de junho de 2016
“CEMITÉRIO DO ESPLENDOR” (“Rak ti Khon Kaen”), 2015, Tailândia, roteiro e direção de
Apichatpong Weerasethakul. Neste seu mais recente filme, o cineasta tailandês retoma os temas que já havia explorado
no abominável “Tio Boonme, que pode recordar Vidas Passadas” (Palma de Ouro em
Cannes/2010, um absurdo): vidas passadas, espíritos, sonhos, mediunidade, deuses,
filosofia de vida, religião etc. O filme é ambientado num pequeno
hospital onde antes funcionava uma escola infantil, numa floresta no interior
da Tailândia. Nesse hospital, estão internados 27 soldados acometidos de uma
rara doença do sono. Uns dormem o tempo todo, outros acordam de vez em quando. Quem
domina a cena é Jenjira (Jenjira Pongpas), uma mulher de meia-idade voluntária
no hospital, e Keng (Jarinpattra Ruengram), uma jovem médium. Elas conversam o
tempo todo sobre diversos assuntos, um deles o fato de que a escola, hoje
hospital, foi construída em cima de um cemitério onde estão enterrados os
corpos de antigos reis e rainhas. No hospital, Keng tenta decifrar os sonhos e desejos dos soldados dorminhocos, enquanto Jenjira se afeiçoa por um dos soldados, Itt
(Banlop Lomnoi), com o qual costuma ter longas conversas. Assim como os
soldados, há grandes chances do espectador dormir durante o filme. terça-feira, 7 de junho de 2016
“O CONVITE” (“The Invitation”), 2015, EUA, direção de Karyn Kusama (“A Garota Infernal”, com Megan
Fox). Trata-se de um suspense, quase um terror. Aqui, não há monstros, e nem necessidade
deles, pois os verdadeiros monstros são os próprios seres humanos. O casal Eden
(Tammy Blanchard) e David (Michiel Huisman) convida um grupo de amigos para
jantar. Entre os convidados, Will (Logan Marshal Green), ex-marido de Eden, além
de Pruitt (John Carroll Lynch), que anos antes assassinara a esposa, “acidentalmente”,
diz ele. Os demais convidados também são esquisitos. Já nos aperitivos a gente percebe um clima de tensão no ar, prenunciando
que a reunião não acabará bem. A coisa piora quando os anfitriões exibem um
vídeo de um guru charlatão que prega a morte como a solução para todos os
problemas. Depois disso, o clima entre os convidados fica ainda pior. A tensão
aumenta, as pessoas ficam cada vez mais inquietas e aí a coisa desanda de vez.
E não há como escapar, pois os anfitriões trancam todas as portas. Como
suspense, o filme até que funciona. Nada mais que mereça uma indicação
entusiasmada. Recomendo apenas para os fãs do gênero.segunda-feira, 6 de junho de 2016
“A GAROTA DINAMARQUESA” (“The Danish Girl”), 2015, EUA/Reino Unido, direção de Tom
Hooper (“O Discurso do Rei”, “Sombras do Passado”, “Os Miseráveis”). Baseado no
livro biográfico escrito por David Ebershoff, e, portanto, baseado em fatos
reais, o filme conta a história do pintor dinamarquês Einar Mogens Wegener, que
se tornaria a primeira pessoa no mundo a se submeter a uma operação de mudança
de sexo. Isso na década de 30, com uma Copenhagen retratada numa maravilhosa recriação
de época. Einar (Eddie Redmayne), começou
a gostar de ser mulher ao servir de modelo para sua esposa, a também pintora
Gerda (Alicia Vikander). A princípio, Gerda via o marido se vestir de mulher e
achava tudo divertido. Mas ele levou a sério, mudou o nome para Lili Elbe e até
arrumou um namorado, Henrik (Ben Whishaw), para desespero da esposa. Depois, é
claro, quis ser mulher no sentido biológico, sendo operada pelo Dr. Warnekros
(Sebastian Koch). Se já em “A Teoria de Tudo”, no qual interpretou o cientista
Stephen Hawking, o ator britânico Redmayne havia demonstrado um enorme talento (ganhou
o Oscar 2015 de Melhor Ator), neste ele se superou, com uma atuação nada menos
do que espetacular. Merecia o bis no Oscar 2016, mas perdeu, injustamente, para
Di Caprio, o queridinho da Academia. Justiça foi feita, porém, com a atriz
sueca Alicia Vikander, que ganhou o Oscar como Melhor Atriz Coadjuvante. Ela
tem também uma atuação marcante. O filme foi indicado ainda para os prêmios de Melhor Direção de Arte e Figurino. Resumo da ópera: o filme é ótimo e simplesmente imperdível!
“KAMCHATKA”, 2002, Argentina/Espanha.
Ambientado em 1976, logo após o golpe militar na Argentina que deu início a uma
violenta ditadura, o filme acompanha o cotidiano de uma família que foge de
Buenos Aires e se refugia numa fazenda. O advogado David Vicent (Ricardo Darín)
e sua esposa (Cecília Roth) estão sendo procurados pelos militares. Eles e os
filhos são obrigados a trocar de nome. O mais velho, de 11 anos, escolhe Harry,
por causa de seu grande ídolo, o mágico ilusionista Harry Houdini. A história é
toda narrada sob a ótica de Harry, que não entende muito bem o que está
acontecendo e nem por que são obrigados a viver fugindo. As barreiras militares nas
estradas são a única referência explícita dos novos e tenebrosos tempos. No
mais, o filme destaca o amor do casal, a preocupação com os filhos e como uma
família é capaz de sobreviver num total anonimato. A família costuma jogar TEG
(versão argentina do jogo de tabuleiro WAR), onde aparece um país fictício
chamado Kamchatka – na verdade, trata-se de uma península que realmente existe
a leste da Rússia. O diretor Marcelo Piñero (“Plata Quemada” e “Cinzas do
Paraíso”) recheou o filme de momentos sensíveis e até comoventes, amenizando a
carga dramática. É um filme bonito que merece ser visto e revisto, ainda mais porque é valorizado pela presença de Ricardo Darin e Cecília Roth, além do grande Hector Altério.
domingo, 5 de junho de 2016
“RUA CLOVERFIELD, 10” (“10 Cloverfield Lane”), 2015, EUA. O maior
mérito do diretor estreante em longas Dan Trachtenberg foi manter um clima de
tensão crescente num filme com apenas três personagens e cuja ação ocorre, em grande parte do filme, num ambiente fechado. A jovem Michelle (Mary Elizabeth Winstead) briga
com o namorado, junta suas coisas e sai estrada afora. Depois de um acidente no
qual quase perde a vida, Michelle acorda confinada num lugar estranho. Como vai
descobrir logo depois, ela foi sequestrada – ou “salva” – pelo ex-soldado da
Marinha Howard Stambler (John Goodman), um homem esquisito com jeito de
psicopata. Michelle está, na verdade, dentro de um abrigo subterrâneo, um bunker todo protegido do ambiente
externo. Segundo Howard, houve um ataque com armas químicas (alienígenas?) e a população toda
foi dizimada. Howard, portanto, a salvou da morte certa. Michelle descobrirá também
que tem a companhia de outro “refém”, Emmett (John Gallagher Jr.), que será seu
companheiro de infortúnio. O suspense rola solto durante os 105 minutos de
duração desse bom thriller psicológico, cuja
receita ainda conta com algumas pitadas de humor negro e ficção científica. A
atuação dos três protagonistas principais é ótima, com destaque para o veterano
John Goodman. Suspense dos melhores!
quinta-feira, 2 de junho de 2016
“SPECIAL CORRESPONDENTS” (“Correspondentes Especiais”,
na tradução literal) é mais uma produção
da Netflix, cujo lançamento aconteceu diretamente na TV dia 29 de abril de 2016.
Não sei se terá exibição por aqui no circuito comercial, o que seria uma pena
se não acontecer. Vamos aguardar. Trata-se de uma comédia escrita e dirigida
por Ricky Gervais, que também atua como um dos protagonistas principais. O repórter
Frank Bonneville (Eric Bana) e o técnico de som Ian Finch (Gervais) trabalham
numa pequena emissora de rádio de Nova Iorque. Com o objetivo de aumentar os índices de audiência, Geoffrey Mallard (Kevin Pollak), diretor da emissora,
envia Frank e Ian para o Equador (apesar do mesmo nome, é um país fictício),
que vive momentos de tensão por causa de um grupo de guerrilheiros que pretende
iniciar uma revolução e derrubar o governo. No caminho do aeroporto, porém, acontece
um acidente e Frank e Ian não conseguem embarcar. Não querendo decepcionar seus
superiores, os dois resolvem forjar que chegaram ao Equador e montam um estúdio
no andar superior de um restaurante. Logo em seguida, começam a transmitir flashes
ao vivo, com direito a notícias falsas e sonoplastia especial. A situação rende
momentos hilariantes. Enquanto isso, Eleonor Finch (a ótima Vera Farmiga), esposa de
Ian, aproveita a situação para ganhar dinheiro e aparecer na mídia. Garanto: é
uma comédia bem divertida, o que é raridade hoje em dia. terça-feira, 31 de maio de 2016
“O CIDADÃO DO ANO” (“KRAFTIDIOTEN”), 2014, Noruega, direção de Hans Peter
Moland, estreou no Festival de Berlim 2014. Trata-se de um filme de ação, recheado de humor negro. Nils Dickman
(Stellan Skarsgard) é um trabalhador dedicado e competente. Há muitos anos que
sua tarefa é eliminar a neve nas estradas de uma região montanhosa da Noruega.
Começa o filme com Nils sendo homenageado pelas autoridades locais com o título
de “Cidadão do Ano” em reconhecimento ao seu trabalho. Nils almeja se aposentar
e viver uma vida tranquila ao lado da esposa. Tudo vai bem até chegar a notícia
de que seu filho Ingvar (Aron Eskeland) aparece morto. Segundo a polícia, a
morte foi causada por overdose de drogas. Nils não aceita essa versão oficial e
resolve ir atrás da verdade. E parte para a vingança, mesmo depois de descobrir
que os responsáveis pertencem à perigosa máfia norueguesa comandada por Greven
(Pal Sverre Hagen). A máfia sérvia, chefiada por Papa (o ótimo ator suíço Bruno
Ganz), acaba se envolvendo na história e a confusão aumenta ainda mais. O
cenário de violência e matança, que lembra o estilo Tarantino, é amenizado por
toques de humor negro da melhor qualidade. Após cada execução – e são muitas –,
a tela seguinte fica negra, destacando-se uma cruz acompanhada do nome da
vítima. Enfim, um ótimo filme de ação que merece ser visto, ainda mais pelo
desempenho do ator sueco Stellan Skarsgard, de “Ninfomaníaca” e “Os Vingadores”.domingo, 29 de maio de 2016
“APRENDENDO COM A VOVÓ” (“Grandma”), EUA,
2015, escrito e dirigido por Paul Weitz (“Entrando numa Fria Maior ainda com a
Família” e “Tudo pela Fama”). Embora o título nacional faça parecer que é uma
comédia do tipo sessão da tarde, o filme é um drama, incrementado com alguns bons
momentos de humor. A poetisa Elle Reid (Lily Tomlin), em depressão após a morte
da companheira com quem viveu 38 anos e recém-separada de Olivia (Judy Greer),
recebe a visita da neta Sage (Julia Garner), que lhe pede ajuda para financiar
um aborto. A avó não tem o dinheiro necessário para pagar o procedimento, mas
resolve ajudar Olivia. Avó e neta partem em busca desse dinheiro, recorrendo a
antigos amigos e até a um antigo namorado, Karl (Sam Elliott, que de ator machão em filmes de cowboy passou a galã da terceira idade). No meio do
caminho, elas também recorrem à mãe de Sage, Judy (Marcia Gay Harden), uma
executiva de sucesso que nunca ligou para a filha e cuja relação cm Elle também não era das melhores. Resumo da ópera: trata-se de
um filme sério, que aborda com sensibilidade e humor temas como lesbianismo, aborto e
relacionamento familiar, valorizado pelo ótimo desempenho das atrizes. Curiosidade:
o carro utilizado pela avó para pegar estrada com a neta é um Dodge Royal
modelo 1955, pertencente à própria Lily Tomlin. Por esse papel, aliás, ela foi
indicada ao Globo de Ouro 2016 como Melhor Atriz. Um filme muito agradável de
assistir.
sábado, 28 de maio de 2016
Exemplar
típico do cinema independente, “SPARROWS DANCE” (“Dança
dos Pardais”, em tradução literal), EUA, 2012, é um filme enxuto, não apenas no
orçamento (U$ 175 mil), como também na duração (81 minutos), como no elenco
(apenas dois atores) e como no único cenário (um minúsculo apartamento). Uma
atriz (Marin Ireland), cujo personagem não tem nome, está reclusa em seu
apartamento há um ano, depois de ter sofrido um ataque de pânico no palco, onde
atuava numa peça. Ela pede comida e faz compras por telefone, sem nunca
aparecer na porta. Deixa o dinheiro no chão e só depois que o entregador vai
embora ela abre e pega suas encomendas. Sua esquisitice não tem limites,
reforçada por tiques nervosos. Só que um dia ocorre um vazamento no banheiro e
ela é obrigada a chamar um encanador, Wes (Paul Sparks). Conversa vai, conversa
vem, eles se entrosam e acabam criando um vínculo bastante forte. Wes conta que
também é músico de jazz (saxofonista), o que gera um diálogo bastante
interessante, com a citação, por ambos, de vários jazzistas famosos. Também
conversam sobre literatura, pois a moça é uma leitora voraz. Numas dessas
conversas, Wes pergunta a ela qual o seu livro preferido. Ela responde que é “O
Ousado Jovem do Trapézio Voador”, da William Saroyan. Exibido em vários
festivais, o filme conquistou o Prêmio do Júri no Festival de Cinema de Austin.
Eu achei que o filme não é tão bom assim – apenas interessante -, mas a atriz, esta
sim, é ótima. terça-feira, 24 de maio de 2016
A
Eutanásia já foi tema de inúmeros filmes, geralmente dramas pesados. “A
FESTA DE DESPEDIDA” (“Mita Tova”), Israel, 2014, foge desse estereótipo, pois
trata o tema com rara sensibilidade e humor. A história é ambientada num asilo
de velhos em Jerusalém. Quando Yana (Aliza Rozen) pede aos amigos que aliviem a
dor do marido Max, que sofre de câncer, o engenheiro aposentado Yehezkel (Ze’ev
Revaca) resolve construir uma pequena máquina de eutanásia, adaptando um dispositivo que deve ser comandado pelo próprio doente. Apesar dos prós e contras, o equipamento é utilizado por Max. A notícia se espalha pelo asilo e outros
velhos com doença terminal resolvem também utilizar a máquina. Em meio a
discussões sobre questões éticas e religiosas, o roteiro e a direção da dupla
Tal Granit e Sharon Maymon encontraram espaço para momentos de muito humor,
como aquele em que Yehezkel telefona para uma velhinha dizendo ser Deus, ou
aquela cena em que os velhinhos resolvem ficar pelados e são repreendidos pela
direção do asilo. Claro, não há como ficar imune à tristeza de determinadas
cenas, principalmente aquelas em que os doentes se despedem dos familiares e
amigos. O elenco, constituído de artistas famosos em Israel e desconhecidos por aqui, é ótimo e valoriza ainda mais esse excelente drama, desenvolvido em enxutos 95 minutos. O filme, exibido por aqui durante o 19º Festival de Cinema Judaico de São Paulo, conquistou vários prêmios em festivais pelo mundo afora, inclusive o de Público no Festival de Veneza 2014.
“O ROSTO DE UM ANJO” (“The Face of an Angel”), 2015,
Reino Unido/Itália, é um drama de suspense baseado no livro “Angel Face”,
escrito pela jornalista norte-americana Barbie Latza Nadeau, que cobriu para a
revista Newsweek todo o caso envolvendo o assassinato da estudante inglesa
Meredith Kercher, em 2007, na cidade italiana de Perúgia, pelo qual foram
presos, julgados e condenados a norte-americana Amanda Knox e o seu namorado
italiano Raffaele Sallecito. O personagem principal do filme é o cineasta
Thomas (o ator alemão Daniel Brühl), que vai para a Itália recolher subsídios
sobre o caso e escrever o roteiro de um filme. Ele recebe a ajuda da jornalista
Simone Ford (Kate Beckinsale), que cobre o caso desde o ínicio. Mesmo com a
ajuda de grandes doses de cocaína, Thomas não consegue inspiração para montar
um script. Então resolve dar uma de
investigador para tentar descobrir a verdade, nem que para isso precise
arriscar sua vida. O roteiro, escrito por Paul Viragh, é um tanto confuso,
principalmente na primeira metade do filme, quando ficção e cenas reais do
julgamento misturam-se num verdadeiro “samba do crioulo doido”. O diretor
Michael Winterbottom tem um currículo invejável (“O Preço da Coragem”,
“Bem-Vindo a Sarajevo”), mas desta vez ficou devendo.
“TODOS OS CAMINHOS LEVAM A ROMA” (“All Roads Lead to
Rome”), 2015, EUA, é uma comédia
romântica que marca a estreia da diretora sueca Ella Lenhagen em Hollywood.
Maggie (a feiosa Sarah Jessica Parker) parte em viagem com a filha adolescente
Summer (Rosie Day) para a Toscana (Itália). Seu objetivo é, em primeiro lugar,
afastar a filha do namorado envolvido com o tráfico de drogas. Em segundo,
tentar melhorar o relacionamento com Summer. Chegando à Toscana, Maggie
reencontra um antigo namorado italiano, Luca (Raoul Bova). Carmen (Claudia
Cardinale), mãe de Luca, convence Summer a roubar o carro do filho e fugir para
Roma, onde um antigo namorado a está esperando para casar. Aí começa a
confusão. Summer e Carmen partem para Roma num verdadeiro passeio turístico pelo
interior da Itália e o espectador embarca junto nessa viagem (os cenários são
muito bonitos). Para complicar ainda mais a situação, a polícia é notificada de
que houve um sequestro e começa a perseguição. Luca e Maggie também embarcam
nessa aventura tentando localizar mãe e filha, respectivamente. Há bons
momentos de humor, mas, no geral, o filme decepciona por insistir nos clichês
do gênero, incluindo o final feliz. Triste mesmo foi ver a diva Claudia
Cardinale tão envelhecida. Para compensar, tem a beleza estonteante da atriz
espanhola Paz Vega, que faz apenas figuração, mas quando aparece ilumina a
telinha. segunda-feira, 23 de maio de 2016
“REAPRENDENDO A AMAR” (“I Will See You in my Dreams”), EUA,
2015, é um drama bastante simpático, dirigido com sensibilidade pelo diretor
Brett Haley. Ainda como destaque, a atriz Blythe Danner (mãe de Gwyneth Paltrow
na vida real), ainda muito competente e charmosa aos 73 anos. No filme, ela
interpreta Carol, uma viúva de 70 anos que vive de remoer o passado ao lado de
seu fiel cão Haezel. Sua única diversão é encontrar as amigas (Mary Kay Place,
Rhea Perlman e June Squibb) uma vez por semana para jogar cartas e fofocar. É
nessas reuniões que acontecem os momentos de humor. Carol, porém, entra em
depressão depois da morte do seu cão e só melhora quando faz amizade com Lloyd
(Martin Starr), o jovem limpador de piscina. Aliás, um dos melhores momentos do
filme é quando Lloyd leva Carol a um karaokê e ela canta “Cry Me a River”. De
arrepiar. Logo depois, Carol conhece Bill (Sam Elliott), um “coroa” charmoso
por quem se apaixona. O tema principal do filme é a velhice e o que fazer para enfrentá-la
da melhor maneira possível. A maioria dos diálogos discute o assunto de forma
realista e, ao mesmo tempo, com muita leveza. Faz a gente refletir. Resumindo, um
filme bastante agradável.
domingo, 22 de maio de 2016
“TRAUMAS DE INFÂNCIA” (“The Adderall Diaries”), 2015, EUA, é uma adaptação cinematográfica
do livro homônimo do escritor, jornalista, roteirista e cineasta Stephen
Elliott. O roteiro e a direção ficaram a cargo de Pamela Romanowsky. Robert Redford
aparece nos créditos como produtor executivo desse ótimo drama estrelado por
James Franco, Amber Heard, Ed Harris, Christian Slater e Cynthia Nixon. Stephen
Elliott (Franco) é um jovem escritor atormentado pelo passado. Não consegue
esquecer o péssimo relacionamento que teve com o pai Neil (Ed Harris), um homem
violento que abandonou Stephen e a esposa por outra mulher. Durante o
lançamento do livro em que escreve suas memórias, Stephen é surpreendido pela
presença do pai, que não via há anos. Os dois terão de se confrontar novamente,
relembrar o passado e discutir quem foi o culpado por tudo o que aconteceu.
Enquanto isso, além de namorar Lana Edmond (Amber Heard), Stephen fica obcecado
por um assassino confesso, Hans Reiser (Slater), que matou a esposa. Stephen
quer escrever a história de Reiser, relembrando “A Sangue Frio”, de Truman
Capote. Romanowsky fez um excelente trabalho de roteiro e direção, provando ser
uma jovem talentosa com um futuro bastante promissor. sexta-feira, 20 de maio de 2016
Poucos
atores hoje em dia personificam tão bem o tipo machão quanto o ator espanhol
Javier Bardem. Mas ele já teve seu momento “delicado”, interpretando um amante
gay. Foi no dramalhão “A SEGUNDA PELE” (“Segunda Piel”), de 1999, dirigido por Gerardo Vera. Bardem
é Diego, um conceituado médico-cirurgião de Madri que vive um caso de amor com o
engenheiro Alberto (Jordi Mollá), que é casado com Elena (Ariadna Gil) e tem um
filho. Elena acaba descobrindo o caso e ameaça Alberto com a separação. A
partir daí, Alberto entra naquela fase de incerteza, quando não sabe se fica
com a família e se separa de Diego ou vice-versa. Uma tragédia, no desfecho, resolverá
o problema. O diretor Vera exagerou nas cenas de sexo, longas
e beirando o explícito. Incomodam. A trilha sonora, de Roque Baños, tenta
amplificar o drama, mas só consegue ser chata e um tanto deslocada da ação. Os
atores estão muito bem, principalmente Bardem, Jordi Mollá e Ariadna (uma das
atrizes espanholas mais bonitas). Mollá, aliás, ganhou o prêmio Goya de Melhor
Ator em 2000. Completa o elenco Cecilia Roth. Não é daqueles filmes que a gente
possa recomendar com elogios. Prefiro ficar com “arrisque e tire suas
conclusões”. Mas pode ser interessante para ver esses atores, hoje consagrados, então em início de carreira. segunda-feira, 16 de maio de 2016
“PAPÉIS AO VENTO” (“Papeles em el Viento”), 2015.
Mais um gol de placa do cinema argentino. Literalmente, pois a história tem
como pano de fundo o futebol, a começar pelo título do filme, que se refere aos
papéis jogados pelas torcidas nos estádios de futebol da Argentina. O enredo é
saboroso: El Mono (Diego Torres) resolve investir na compra do passe de um
jogador promissor, um tal de Pittilanga, um perna-de-pau cujo único mérito foi ter
sido convocado pela seleção argentina sub-17. Aos 21 anos, joga num timeco da
3ª divisão do campeonato argentino. Com a morte de El Mono, o irmão Fernando
(Diego Peretti) e seus dois melhores amigos, Maurício (Pablo Echarri) e Russo
(Pablo Rago), tentam fazer de tudo para negociar o passe do jogador e recuperar
o dinheiro, que pretendem destinar à ex-esposa e à filha pequena do falecido. O
diretor Juan Taratuto (“A Reconstrução” e “Um Namorado para Minha Esposa”)
soube dosar com maestria momentos dramáticos com outros de muito humor, o que
torna esse filme muito agradável de assistir, mesmo que destinado ao público
masculino. Bom lembrar que a história é baseada no livro homônimo do escritor
Eduardo Sacheri, o mesmo que escreveu o roteiro do ótimo “O Segredo dos seus
Olhos”, Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2010, um aval e tanto para mais este
excelente - e imperdível - filme argentino.
sábado, 14 de maio de 2016
“O DONO DO JOGO” (“Pawn Sacrifice”), 2014, EUA, direção de Edward Zwick (“Diamante
de Sangue” e “O Último Samurai”) e roteiro escrito por Steven Knight (“Senhores
do Crime”). Para quem nunca ouviu falar, o norte-americano Bobby Fischer foi um
dos maiores enxadristas do mundo. Este filme conta sua história, destacando a
conquista do Campeonato Mundial de 1972, em Reykjavik, capital da Islândia, quando
Fischer enfrentou e venceu o até então invencível jogador russo Boris Spassky,
naquela que foi chamada a “Batalha da Guerra Fria”. Ao quebrar a hegemonia dos
russos no Xadrez, Fischer ganhou notoriedade mundial. Ele já era famoso nos
EUA, quando, aos 15 anos, ganhou o título de “Grande Mestre” e o Campeonato
Nacional de Xadrez. O filme mostra Fischer como um gênio mentalmente
perturbado, com mania de perseguição, egocêntrico e irascível. Tinha verdadeiro
horror dos comunistas, embora sua mãe tenha sido filiada ao partidão. Enfim, um
gênio genioso. Na vida real, teve um fim triste, como mostra o filme nos seus
créditos finais. Tobey Maguire (“Homem-Aranha”) é Bobby Fischer, numa excelente
interpretação. Também estão no elenco Liev Schreiber (Boris Spassky), Michael
Stuhlbarg (Paul Marshall) e Peter Sarsgaard (Padre Bill Lombardy). O maior
mérito do diretor Steven Zwick foi criar, de forma irrepreensível, o clima político que predominava naqueles
anos, tendo como pano de fundo a Guerra Fria. A recriação de época, cenários e
figurinos, também é o grande destaque desse ótimo filme, que merece ser visto não
apenas pelos aficionados do Xadrez. Imperdível! terça-feira, 10 de maio de 2016
O
tema “vingança com as próprias mãos” já ganhou inúmeros e incontáveis filmes. O
melhor deles talvez ainda seja “Desejo de Matar”, com Charles Bronson, na década de 70. Assassinos
matam alguém da família – ou a família inteira – do mocinho, que espera seja
feita justiça pela polícia ou pela própria Justiça. Como isso não acontece, ele
parte para a vingança pessoal. Clichê dos clichês. Agora chega mais um nessa
linha. “EU SOU A FÚRIA” (“I Am Wrath”), 2015, EUA, traz
John Travolta no papel de Stanley Hill, um ex-agente do governo americano cuja esposa
é brutalmente assassinada no estacionamento de um aeroporto. A polícia não faz
nada e o viúvo resolve, então, com a ajuda de um antigo companheiro, sair à
caça dos criminosos. No meio do caminho, porém, descobre que os assassinos não agiram
por conta própria, numa trama envolvendo policiais corruptos, um traficante de drogas psicopata e até uma alta autoridade governamental. Apesar do diretor Chuck
Russell (“O Máskara”, “Queima de Arquivo” e “O Escorpião Rei”) e da presença de
Travolta, além de outros atores bastante conhecidos como Christopher Meloni,
Rebecca de Mornay (ainda em grande forma) e Amanda Schull, “Eu sou a Fúria” não
passa de um filmeco B, que mais merecia Nicolas Cage no papel principal, o que quase
aconteceu, e não Travolta, que aliás, ultimamente, só tem feito filmes
medíocres. Este é mais um da lista.segunda-feira, 9 de maio de 2016
O drama francês “O VALE DO AMOR” (“La Vallée de L’Amour”
ou “Valley of Love”) teve sua primeira
exibição no Festival de Cannes 2015, onde disputou a Palma de Ouro. A história:
os atores Gérard (Gérard Depardieu) e Isabelle (Isabelle Huppert), há muitos
anos separados, recebem, cada um, uma carta de Michael, o filho que se matara
sete meses antes, pedindo que os dois viajem para o Death Valley (Vale da
Morte), na Califórnia, em determinados dias de novembro. Lá, segundo ele
escreveu nas cartas, Gérard e Isabelle teriam a oportunidade de revê-lo. Um
toque de mediunidade. Durante os dias em que passam juntos, sob um calor
escaldante, Gérard e Isabelle aproveitam para aparar algumas arestas do
passado, entre as quais o arrependimento de ambos por não terem dado a atenção
devida ao filho, com o qual não tinham relação há anos. Isabelle acredita no
que o filho diz nas cartas, mas Gérard não vê com bons olhos qualquer
manifestação espiritual. O diretor Guillaume Nicloux (“A Religiosa”) manteve os
nomes dos atores em seus personagens. Tem até uma passagem engraçada no filme,
quando Gérard é reconhecido por um hóspede do hotel, que lhe pede um autógrafo.
Gérard escreve “Bob De Niro”. Falando no ator francês, ele nunca esteve tão
gordo. Parece um ogro. Mas, de qualquer forma, é um grande ator. E Isabelle
Huppert, a atriz competente de sempre. Os dois, praticamente os únicos
protagonistas, seguram o filme. Só por Depardieu e Huppert, vale uma visita. Ah,
o filme ganhou, merecidamente, o Prêmio César (o Oscar francês) de Melhor
Fotografia.
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