Ambientado
num cenário de escombros numa Berlim destruída do pós-guerra, o drama alemão “PHOENIX”, 2014, conta a história de Nelly Lenz (Nina
Hoss), uma ex-cantora judia sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz,
de onde foi resgatada com o rosto totalmente desfigurado. Para reconstruí-lo, ela é levada para uma operação
cirúrgica na Suíça. Sua amiga Lena Winter (Nina Kunzendorf), que trabalha numa
agência recrutadora de judeus, pretende levá-la depois para a Palestina. Nelly,
porém, tem outros planos. Quer voltar a Berlim para se defrontar com o
ex-marido, Johnny (Ronald Zehrfeld), que ela acredita tê-la traído entregando-a
para os nazistas. Nelly retorna a Berlim e vai atrás do paradeiro de Johnny.
Acaba encontrando-o numa boate chamada “Phoenix” (o nome também é associado ao
ressurgimento de Nelly, literalmente, das cinzas). Quando Nelly aparece, Johnny
não a reconhece, mas tem a ideia de colocar em prática um plano para conseguir
a herança da ex-mulher, cuja família é bastante abonada. O roteiro foi adaptado
do romance “Le Retour des Cendres” (“O Retorno das Cinzas”), de Hubert Monteilhet,
e a direção coube a Christian Petzold (“Bárbara”). A produção é simples, elenco
mínimo, poucas locações. Ficou com cara de adaptação de uma peça de teatro ou um filme de segunda linha feito para TV. Se
há algo a destacar, sem dúvida é o desempenho de Nina Hoss, talvez a melhor
atriz alemã da atualidade. segunda-feira, 11 de abril de 2016
Ambientado
num cenário de escombros numa Berlim destruída do pós-guerra, o drama alemão “PHOENIX”, 2014, conta a história de Nelly Lenz (Nina
Hoss), uma ex-cantora judia sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz,
de onde foi resgatada com o rosto totalmente desfigurado. Para reconstruí-lo, ela é levada para uma operação
cirúrgica na Suíça. Sua amiga Lena Winter (Nina Kunzendorf), que trabalha numa
agência recrutadora de judeus, pretende levá-la depois para a Palestina. Nelly,
porém, tem outros planos. Quer voltar a Berlim para se defrontar com o
ex-marido, Johnny (Ronald Zehrfeld), que ela acredita tê-la traído entregando-a
para os nazistas. Nelly retorna a Berlim e vai atrás do paradeiro de Johnny.
Acaba encontrando-o numa boate chamada “Phoenix” (o nome também é associado ao
ressurgimento de Nelly, literalmente, das cinzas). Quando Nelly aparece, Johnny
não a reconhece, mas tem a ideia de colocar em prática um plano para conseguir
a herança da ex-mulher, cuja família é bastante abonada. O roteiro foi adaptado
do romance “Le Retour des Cendres” (“O Retorno das Cinzas”), de Hubert Monteilhet,
e a direção coube a Christian Petzold (“Bárbara”). A produção é simples, elenco
mínimo, poucas locações. Ficou com cara de adaptação de uma peça de teatro ou um filme de segunda linha feito para TV. Se
há algo a destacar, sem dúvida é o desempenho de Nina Hoss, talvez a melhor
atriz alemã da atualidade. sexta-feira, 8 de abril de 2016
Quando
assinou a direção do longa nacional “Dois Coelhos”, em 2012, o brasileiro
(santista, por sinal) Afonso Poyart
atraiu a atenção do pessoal de Hollywood. Daí surgiu o convite para dirigir o
suspense policial “PRESSÁGIOS DE UM CRIME” (“SOLACE”), com astros do porte de Anthony Hopkins,
Colin Farrell, Jeffrey Dean Morgan e Abbie Cornish, entre outros. A história,
escrita por Ted Griffin, é centrada na caça a um serial killer que está matando um monte de gente. Encarregados da
investigação, os agentes do FBI Joe Merriwether (Dean Morgan) e Khaterine
Cowles (Cornish) não conseguem pistas sobre o criminoso. Joe resolve pedir
ajuda ao Dr. John Clancy (Hopkins), que em outras oportunidades ajudou a
polícia a desvendar vários crimes utilizando seus poderes de vidente. Imagens
fantasmagóricas, aparições repentinas, alucinações. Tudo muito fantasioso para
o meu gosto. Não posso deixar de destacar, porém, o clima de tensão que acompanha
o filme do começo ao fim, além das cenas de ação, muito bem feitas, tudo num ritmo bastante acelerado, uma marca do diretor. Uma boa
estreia de Poyart, mais um brasileiro que desponta no cenário do cinema
mundial. quarta-feira, 6 de abril de 2016
O
drama grego “MISS VIOLENCE”,
2012, é um dos filmes mais perturbadores dos últimos anos. Não recomendo aos espectadores
mais sensíveis. Escrito e dirigido por Alexandros Avranas, o filme acompanha o
cotidiano de uma família constituída de avô e avó, filhas e netos. A história
já começa de maneira trágica: durante a comemoração do seu aniversário de 11
anos, Aggelikie (Chloe Bolota) se mata pulando do apartamento. A partir daí, o
espectador é levado a querer descobrir os motivos que levaram a menina ao
suicídio. A polícia e assistência social também querem saber o que de fato
aconteceu. Aos poucos, o filme vai relevando o que se passa de sórdido naquela
família. Não faltam cenas de tortura psicológica, agressões verbais, tabefes
familiares, incesto, estupro, situações que tornam o filme ainda mais
desagradável e incômodo. A cada cena, o clima claustrofóbico e de tensão vai aumentando de forma constante, o que
revela o bom trabalho do diretor Avranas. Apesar de todo o contexto
desconfortável para o espectador, o filme é muito bom e o elenco melhor ainda,
com destaque para o trabalho do ator Themis Panou, o avô e vilão da história. No
Festival de Veneza 2013, quando foi exibido pela primeira vez, o filme recebeu os
prêmios de Melhor Diretor (Avranas) e Melhor Ator (Panou). Recomendo, mas
apenas para quem tem estômago forte. segunda-feira, 4 de abril de 2016
O
drama “O BENFEITOR” (“The Benefactor”), EUA, 2015, direção de Andrew Renzi, traz Richard Gere como Franny, um ricaço
presidente de uma fundação que administra um grande hospital. Cinco anos depois
de provocar um acidente de trânsito que ocasionou na morte de um casal de
amigos, Franny, além de um grave ferimento na perna, que o obriga a andar de bengala
e tomar morfina, ainda carrega o trauma pela perda dos amigos. Ele se transformou
num homem irascível, prepotente e manipulador. Pior: viciado em morfina. Ele se
acha responsável pela vida da filha dos falecidos, Olivia (Dakota Fanning), que
está prestes a se casar com Luke (Theo James). Franny tentará comandar a vida
do jovem casal, interferindo nas suas decisões, o que acabará gerando conflitos e
desavenças. O astro Gere está bastante envelhecido e já provou ser um bom ator,
mas fez mais uma escolha infeliz, assim como aconteceu com seus dois filmes
anteriores, os fracos “O Encontro” (“Time Out of Mind”), onde interpreta um
morador de rua, e “O Exótico Hotel Marigold 2”. Em “O Benfeitor”, Gere tenta alcançar o tom dramático
exigido para o papel, mas sua atuação ficou forçada demais. Claro que a legião
de fãs do astro não deve perder o filme, relevando sua qualidade duvidosa.sexta-feira, 1 de abril de 2016
“ONDULAÇÃO” (“Curling”), 2010, Canadá, é um drama centralizado
no relacionamento de Jean-François (Emmanuel Bilodeau) com a filha de 12 anos,
Julyvonne (Philomène Bilodeau, filha de Emmanuel na vida real). Eles vivem em
Saint-Hilaire, cidade ao sul de Montreal, cujos cenários são de um frio gélido,
em meio a muita neve. Emmanuel é um homem solitário, tímido, superprotetor com
relação à filha, a ponto de não deixá-la ir para a escola. Sozinha, sem amigos,
a adolescente tem como única distração caminhar pelas redondezas de sua casa,
na frente da qual passa uma estrada. Até que um dia ela encontra alguns
cadáveres num bosque. Será com eles que Julyvonne, finalmente, interagirá
socialmente. Coisa de louco. Coisa do diretor canadense Denis Côté (do
esquisito “Vic + Flo Viram um Urso”), que também escreveu o roteiro. Aliás, Côté
destaca no filme várias cenas mostrando partidas de “Curling” (título original
do filme), aquele esporte praticado numa pista de gelo e que consiste no deslizamento
de uma pedra de granito, cujo trajeto é acompanhado por “varredores”, que tentam
impulsionar ou deter a pedra. No geral, o filme é altamente depressivo e, por
isso mesmo, passa longe de um entretenimento agradável.
segunda-feira, 28 de março de 2016
Se
você tem a intenção de assistir ao drama húngaro “O
CAVALO DE TURIM” (“A Torinói Ló”), 2011, arme-se primeiro de uma enorme – melhor, de
uma descomunal – dose de paciência. Altamente depressivo e monótono, o filme, rodado em
preto e branco, tem como ponto de partida, segundo a sinopse oficial, um fato
que teria acontecido no dia 3 de janeiro de 1889, em Turim (Itália), quando o
filósofo Friedrich Nietzsche evitou que um cavalo continuasse a ser chicoteado
pelo dono. Nada disso aparece no filme. Ainda segundo a sinopse, a ideia do filme é justamente mostrar o que teria acontecido com o animal depois do seu encontro com Nietzsche. Venhamos e convenhamos, tudo muito esquisito. Na verdade, o filme se concentra no
cotidiano de um velho fazendeiro pobre e sua filha. A rotina dos dois ocupa
praticamente as duas horas e meia da produção. A filha levanta, veste um monte
de roupas. Depois, veste o pai com um monte de roupas, vai até o poço buscar
água, leva feno para o cavalo, cozinha duas batatas para o almoço etc. O diretor Béla Tarr repete todas
essas atividades cotidianas em cada um dos seis dias em que o filme é dividido.
Enquanto isso, fora da casa uma tempestade de vento não para nunca. Quase não
há diálogos e as cenas são longas demais, deixando o filme ainda mais modorrento. Pai e filha esbanjam infelicidade e é impossível não se contaminar pelo clima
depressivo. Apesar de tudo isso, foi o vencedor do Urso de Prata – Grande Prêmio
do Festival de Berlim 2011 e ainda foi indicado para representar a Hungria na
disputa do Oscar 2012 de Melhor Filme Estrangeiro. Assista e tire suas próprias conclusões.
Cercado
de enorme polêmica, chega até nós, finalmente, “CHATÔ,
O REI DO BRASIL”, a tão aguardada cinebiografia de Assis
Chateaubriand - fundador dos Diários Associados, Rádio e TV Tupi - baseada no
livro de Fernando Morais. As filmagens começaram em 1995 e só foram concluídas
em 2015. Nesse período, o diretor Guilherme Fontes foi julgado e acusado numa
ação judicial de má utilização de verbas públicas, processo ainda em andamento
na Justiça. As filmagens foram tão complicadas que várias cenas tiveram que ser
refeitas anos depois. No filme, você poderá notar a atriz Leandra Leal novinha,
ainda em início de carreira, e a aparição de atores que já morreram, como José
Lewgoy e Walmor Chagas. Fontes realizou uma adaptação livre da obra de Fernando
Morais. Como um músico de jazz, improvisou, fez quase uma versão onírica, com visual tropicalista. Exagerou na dose. O roteiro é um tanto confuso, com idas e vindas em flashbacks, além de muitas cenas contendo
alucinações do personagem principal, confundindo o espectador com relação à
compreensão do que é real ou imaginário. O elenco é ótimo, assim como a
recriação de época, os cenários, a fotografia. Mas o resultado final não foi
aquele que se esperava depois de tanta polêmica. O livro retrata melhor quem foi realmente Assis Chateaubriand. Ou seja, o livro é bem melhor... sexta-feira, 25 de março de 2016
No
começo de 2005, a jovem holandesa Sophie Van Der Stap descobriu que tinha um tumor
na pleura, inoperável e agressivo. A partir daí, ao invés de entrar em
depressão ou se entregar, ela resolveu enfrentar a doença começando por
escrever um diário. Essas memórias, inicialmente divulgadas através de um blog,
se transformaram num livro de grande sucesso e foram adaptadas para o cinema em
2013, resultando no drama “A GAROTA DAS NOVE PERUCAS” (“Hente Bin ich
Blond”), Alemanha/Bélgica, direção de
Marc Rothemund (“Uma Mulher contra Hitler”). A história mostra a trajetória de
Sophie (Lisa Tomaschewsky) desde ochoque da descoberta da doença, o desespero da família
e as diversas fases do tratamento, incluindo as sessões de quimioterapia e
radioterapia. Tudo de forma quase didática. Também como forma de amenizar o seu
sofrimento, Sophie compra nove perucas (daí o título), cada uma diferente da
outra. Ela chega a dar nome às perucas (Daisy, Platina, Stela, Blondie etc.) e
quando as usa assume uma personalidade diferente. E, nesse contexto, impossível
não destacar o excelente desempenho da atriz alemã Lisa Tomaschewsky, num
primor de interpretação. Apesar do pano de fundo trágico, o roteiro abre espaço
para o humor e o romance, além de momentos comoventes. Sem dúvida, um filme
muito interessante que vale ser conferido. quinta-feira, 24 de março de 2016
Representante
oficial da Islândia na disputa de “Melhor Filme Estrangeiro” no Oscar 2016, “A
OVELHA NEGRA” (“Hrútar”), direção de
Grímur Hákonarson, reúne momentos de puro drama, outros de humor e ainda outros
bastante comoventes. Ambientada numa região do interior
da Islândia habitada por fazendeiros criadores de ovelhas (na Islândia, existem
800 mil ovelhas, enquanto a população não passa de 320 mil habitantes), a história
é centrada em dois irmãos vizinhos que não se falam há 40 anos, Gummi (Sigurour
Sigurjónsson) e Loddi (Theodór Júlíusson). Depois de perder o concurso anual de
ovelhas justamente para o irmão Loddi, Gummi fica inconformado e vai,
secretamente, avaliar a ovelha vencedora, quando desconfia que o animal está
com “scrapie”, uma doença contagiosa. As autoridades de saúde da região
confirmam a doença e exigem que todos os animais sejam sacrificados. Diante da
trágica situação, Gummi ainda tentará manter o seu rebanho. Apesar do contexto
dramático, há espaço para o humor, principalmente no que se refere às atitudes
dos irmãos rabugentos, que só se comunicam por bilhetes, levados pelo cachorro
de Gummi. A cena final é das mais tocantes e comoventes, de arrancar lágrimas. A
simplicidade da história talvez seja o maior trunfo do filme, vencedor da
Mostra “Um Certo Olhar” do Festival de Cannes e exibido por aqui durante a
programação da 39ª edição do Festival Internacional de Cinema de São Paulo.terça-feira, 22 de março de 2016
O
drama histórico finlandês “LÁGRIMAS DE ABRIL” (“Käsky”), 2008, direção de Aku Louhimies, utiliza
como pano de fundo a guerra civil de 1918 na Finlândia, que matou 37 mil civis
e combatentes. O conflito colocou frente à frente os Vermelhos
(social-democratas apoiados pela Rússia) e os Brancos (de direita, apoiados pelo Império
Alemão). O filme conta a história de um episódio relatado no livro da escritora
Leena Lander. Os Brancos prendem um pelotão constituído por 2.000 mulheres que
lutavam pelos Vermelhos. Todas foram fuziladas e apenas uma sobreviveu, Miina
Malin (a bela Pihla Viitala). Aaro Harjula (Samuel Vauramo), soldado dos
Brancos, se sensibiliza com a situação da prisioneira e resolve assumir a
responsabilidade de levá-la para julgamento na Corte Marcial. A história, a
partir daí, destaca o relacionamento de Miina e Aaro durante a viagem,
culminando com a fase de julgamento, a cargo do juiz Emil Allenberg (Eero Aho,
em brilhante atuação). Exibido em duas ocasiões na Mostra Internacional de
Cinema de São Paulo (2009 e 2015), o filme finlandês é muito bom, alternando ação, suspense e romance, além de uma fotografia esplendorosa. Mais do que isso, relembra um fato histórico pouco conhecido por aqui. segunda-feira, 21 de março de 2016
“DIPLOMACIA” (“Diplomatie”), 2015, co-produção França/Alemanha, com direção do alemão Volker
Schlöndorff (“O Tambor”). Quando as forças aliadas estavam às portas de Paris,
em agosto de 1944, Hitler deu ordem ao General Dietrich Von Cholitz de destruir
a cidade, dinamitando o Louvre, as pontes do Rio Sena, a Torre Eiffel, a Igreja
de Notre Dame e outros monumentos históricos. Aí entra em cena Raoul Nordling,
Cônsul Geral da Suécia, para tentar convencer Cholitz a não obedecer à ordem do
líder nazista. Esta é uma história de ficção, criada pelo dramaturgo e roteirista
Cyril Geily para ser encenada como uma peça de teatro, o que de fato ocorreu em
2011, com a mesma dupla de atores do filme, Andre Dussollier (Nordling) e Niels
Arestrup (Von Cholitz). Embora a ação se desenvolva praticamente dentro de uma
sala de hotel (Meurice), com os protagonistas dialogando o tempo inteiro, o
filme em nenhum momento fica monótono ou cansativo. Os argumentos utilizados
pelo cônsul sueco para convencer o oficial alemão representam uma verdadeira
declaração de amor a Paris. Por seu lado, Cholitz defende sua posição de subserviente,
pois um soldado deve sempre obedecer às ordens dos seus superiores. Os diálogos
são muito interessantes, de muita erudição. Mas o destaque mesmo é o desempenho da dupla de atores, Dussollier (dos filmes de Alain Resnais) e Arestrup ("O Profeta"), dois monstros sagrados da arte cênica francesa. O filme ganhou o César (Oscar
francês) de Melhor Roteiro Adaptado. Imperdível! sábado, 19 de março de 2016
“O MAJOR” (“MAЙOP”), 2013, Rússia, escrito e dirigido por Yuri Bykov, é um thriller policial forte e tenso, cuja
história revela a podridão moral e ética de policiais que querem ver longe a
justiça quando a mesma pode atingir um de seus colegas. O chamado corporativismo
que a gente conhece muito bem. O major Sergey Sobolev (Denis Shevod) sai em
alta velocidade pela estrada depois que o avisam que a esposa entrara em
trabalho de parto e estava num hospital. No meio do caminho, ele atropela e
mata um garoto, sendo que a única testemunha é a mãe da vítima, Irina Gutorova (Irina
Nizina). O atropelador liga para um colega, o policial Pasha (papel do diretor
Bykov), e pede ajuda, pois teme ser acusado e preso. A partir daí, os policiais
criam estratégias para livrar Sobolev de um processo, o que inclui apagar
qualquer vestígio de culpa. O pai e a mãe do garoto querem que a justiça seja
feita e, por isso, sofrerão as consequências. O filme é ambientado em qualquer
cidade do interior da Rússia, num cenário desolador e gélido de inverno, o que amplifica
ainda mais o clima pesado que predomina do começo ao fim. O filme é
interessante por ser russo, mas a história não difere de tantas outras que já vimos
em outras línguas. sexta-feira, 18 de março de 2016
“PAIS E FILHAS” (“Fathers & Daughters”), EUA, 2015, direção do italiano Gabrielle
Muccino (“À Procura da Felicidade” e “Sete Vidas”). O elenco é ótimo: Russell
Crowe, Amanda Seyfried, Diane Kruger, Aaron Paul, Jane Fonda, Octavia Spencer e
Bruce Greenwood. Mas o filme... Trata-se de um drama, praticamente dividido em
duas partes. Na primeira, o escritor e vencedor do Prêmio Pulitzer Jake Davis (Crowe)
vive um momento difícil após a morte da esposa num acidente. Jake tenta criar a
filha Katie (Killie Rogers) de 5 anos, da melhor maneira possível, ao mesmo
tempo em que precisa de tempo para escrever mais um livro, pois o dinheiro anda curto. Para piorar, ele começa a sofrer de um tipo de doença neurológica que o faz ter ataques parecidos com
quem sofre de epilepsia. A cunhada Elizabeth (Diane Kruger), irmã da falecida, e
o cunhado William (Bruce Greenwood), um casal de ricaços, quer a guarda da
menina. Essa é uma parte da história. O filme salta vinte anos e aí começa a
segunda parte, que acompanha a trajetória de Katie adulta (Amanda Seyfried), seu
trabalho como psicóloga de crianças problemáticas, seu vício em sexo e as
lembranças do pai, naquela altura do campeonato debaixo de sete palmos. O
grandalhão Russel Crowe não combina com o personagem do escritor. Diane Kruger
está irreconhecível e as cenas que mostram o romance conturbado de Katie com
Cameron (Aaron Paul) são constrangedoras, com diálogos que fariam vergonha a qualquer
novelão mexicano... Muccino tentou fazer um filme para arrancar lágrimas, mas
nem isso conseguiu. segunda-feira, 14 de março de 2016
“TUDO VAI FICAR BEM” (“Every Thing Will be Fine”), 2014, co-produção Alemanha-Canadá e direção
do alemão Wim Wenders (“Asas do Desejo”, “Paris, Texas”), é um drama pesado e depressivo.
Tudo começa quando o escritor Tomas Eldan (James Franco), em crise existencial
e conjugal, se isola nos cafundós gelados do Canadá para tentar recuperar a
criatividade perdida. No meio desse processo, ele acidentalmente atropela e
mata um garoto que brincava de trenó com o irmão. A tragédia abala não só a mãe
do garoto, Kate (Charlotte Gainsbourg), assim como também o escritor, traumatizado
e se sentindo culpado pelo atropelamento. A história se desenrola por mais 11
anos, período em que Eldan se separa da primeira esposa, Sara (Rachel McAdams),
e já está com a segunda, Ann (Maria-Josée Croze). Acontece que depois do
acidente fatal, Eldan volta a ser criativo e consegue emplacar vários livros de
sucesso, recebendo prêmios e elogios dos críticos literários. Ficou rico. Quando
tudo parece ir às mil maravilhas, surge no cenário um rapaz de 16 anos chamado
Christopher, que nada mais é do que o irmão do menino atropelado por Eldan há
11 anos. O garoto é fã incondicional de Eldan, do qual já leu todos os livros. O escritor terá de se confrontar com Christopher e com o trauma que
parecia ter esquecido. Um certo suspense predomina na parte final do filme,
cujo desfecho só pode ser explicado por algum psicólogo. O filme teve a sua exibição
de estreia, fora de competição, no Festival de Berlim/2015. Confesso que nunca fui muito fã de Wenders, e se depender deste último filme, continuarei não sendo.
O
gênero policial nunca teve grande destaque na vasta filmografia do veterano diretor
francês Claude Lelouch (“Um Homem, Uma Mulher”, “Retratos da Vida”, “Os
Miseráveis”). Em 2007, porém, Lelouch escreveu e dirigiu um ótimo filme
policial: “CRIMES DE AUTOR” (“Roman de Gare”). A trama é inteligente, bem elaborada, com
doses de suspense e humor na medida certa, com direito a uma reviravolta bastante
surpreendente no final. O enredo reúne uma escritora de sucesso, Judith
Ralitzer (Fanny Ardant), um repórter “ghost-writer”, Pierre Laclos (Dominique Pinon), e
uma cabeleireira estressada e neurótica, Huguette (Audrey Dana), abandonada pelo noivo num
posto de estrada. Lelouche teve o mérito de desenvolver a história até o seu
desfecho com poucos personagens e criando situações que se desenrolam num clima
que garante o suspense até o final. Outro mérito de Lelouch diz respeito ao
elenco, encabeçado pela diva Fanny Ardant, ainda no auge da beleza. O
desempenho hilariante da atriz Audrey Dana (hoje também diretora) é outro
destaque, assim como a atuação de Dominique Pinon, ator-fetiche daqueles filmes
esquisitos do diretor Jean-Pierre Jeunet. Quando estreou no Festival de Cannes,
o filme não foi muito bem recebido pela Crítica. Mas eu recomendo, pois é
criativo e muito interessante, além de ter a assinatura de um grande diretor.
sexta-feira, 11 de março de 2016
O
drama independente “THE GIRL IN THE BOOK”, 2015, EUA, escrito e dirigido por Marya Cohn, conta a história de Alice
(Emily VanCamp), uma assistente editorial que há muito tempo é aspirante a
escritora. Aos 29 anos, não tem um par fixo. Quando sai à noite, sempre acaba
com um cara diferente na cama. Até que um dia aparece na sua editora o escritor
Milan Daneker (o ator sueco Michael Nyqvist, da série original “Millennium”).
Ao rever Milan, Alice passa a relembrar alguns fatos do passado, quando era
apenas uma adolescente (papel de Ana Mulvoy-Ten). Alice relembra, por exemplo,
como seu pai (Michael Cristofer), um renomado e prepotente agente literário,
não media consequências para conseguir representar um escritor, no caso, Milan,
o que incluía praticamente “oferecer” a filha ao escritor. Aliás, a atriz
inglesa Ana Mulvoy-Ten, como a “Lolita” do filme, certamente faria inveja à
original de Nabokov. Uma graça (embora na vida real tenha 23 anos de idade). O
filme até que se desenvolve bem, mesmo alternando muitos flashbacks, e seu principal mérito é revelar a sujeira que rola nos
bastidores do mundo editorial de livros.quarta-feira, 9 de março de 2016
A
comédia política “ESPECIALISTA EM CRISE” (“Our Brand is Crisis”), EUA, 2015, direção de David Gordon Green, deixa
bem claro que nem sempre o vilão da história é o candidato, e sim seu consultor
político, ou, como chamam no Brasil, “marqueteiro” – João Santana e Duda
Mendonça são exemplos. Esses profissionais, muitas vezes, são os responsáveis
pela criação de acusações falsas contra adversários e promessas mentirosas de
campanha. No filme, a consultora política é Jane Bodine (Sandra Bullock), que
decidira se aposentar após quatro derrotas seguidas de seus candidatos.
Apelidada de “Jane Calamidade”, ela volta ao cenário para tentar eleger um
candidato à presidência da Bolívia, o senador Pedro Castillo (o ator português
Joaquim de Almeida), último nas pesquisas a apenas dois meses das eleições. No
país sul-americano, Bodine cruza com um antigo inimigo de profissão, o consultor
Pat Candy (Billy Bob Thornton), responsável pela consultoria política ao
candidato líder das pesquisas. A briga promete ser boa. Apesar da presença de
Bullock e de Thornton (dois bons atores), o filme é muito fraco e contém cenas
constrangedoras e dispensáveis, como aquelas em que a marqueteira sai à noite
para beber e dançar com três jovens bolivianos da periferia. Cenas descartáveis
como o próprio filme. Só para ilustrar, George Clooney é um produtores do filme, assim como Bullock. terça-feira, 8 de março de 2016
“STRATOS” (“MIKRO PSARI”), Grécia,
2013, é um drama policial pesado, sinistro, esquisito e, principalmente, muito
desagradável de assistir. Segundo o diretor Yannis Economides, trata-se de “um
filme noir mediterrâneo”. De qualquer forma, o filme é bastante interessante
pela maneira como foi concebido. Stratos (Vangelis Mourikis) é um
ex-presidiário que trabalha como assassino de aluguel para pagar uma dívida a
um chefão do crime organizado, Leônidas (Alekos Pangalos), que o salvou da morte
na cadeia. Para pagar a tal dívida, Stratos se associa a Yorgos (Yannis
Tsortekis), irmão de Leônidas, para criar e executar um plano de fuga, o que inclui a construção de um túnel subterrâneo. Com o
objetivo de conseguir dinheiro para financiar o plano, Stratos vira um assassino
de aluguel e, de madrugada, trabalha na confecção de massas numa padaria.
Enredo meio estranho, não? É sim, e o personagem Stratos é mais estranho ainda.
Quase não fala, tem o olhar vazio e frio, não esboça reação a nenhum tipo de
provocação. Parece um autômato. Na hora de matar, porém, age com muita competência e uma
frieza polar. Nesse ponto, cabe destacar a ótima interpretação do ator Vangelis Mourikis. O desfecho apresenta uma reviravolta surpreendente. O filme não é
para iniciantes, ou seja, é difícil de aturar, ainda mais pelos seus longos 137
minutos de duração. Na sua sessão de estreia, durante a competição oficial do
Festival de Berlim/2014, muita gente abandonou a plateia na metade do filme. Concordo
que o filme não é muito fácil de digerir, mas tem muitos méritos, como a
história em si, o roteiro bem estruturado, um ótimo elenco e uma incrível
fotografia.
quarta-feira, 2 de março de 2016
O ótimo
drama de guerra “SUÍTE FRANCESA” (“Suite Française”), 2014, Reino Unido, é inspirado no livro
homônimo da escritora ucraniana Irène Némirovsky. A história, ambientada na
cidade francesa de Bussy durante a Segunda Guerra Mundial, é centrada na jovem
Lucile Angellier (Michelle Williams), que mora com a sogra, Madame Angellier
(Kristin Scott Thomas), enquanto espera o marido voltar da guerra. Enquanto
isso, a cidade é dominada por um regimento de nazistas, cujos oficiais exigem
ser acomodados nas melhores casas. Numa delas, justamente a de Madame
Angellier, é hospedado Bruno Von Falk (o ator belga Matthias Schoenaertes), um
oficial refinado que toca piano e compõe – a “Suíte Francesa”, que dá nome ao
título do filme, é uma de suas composições. Como era de se prever, o clima fica
quente entre o alemão e Lucile, o que vai ocasionar várias situações de risco.
O filme é muito bem dirigido por Saul Dibb (“A Duquesa”) e conta com um ótimo
elenco de apoio, incluindo o ator francês Lambert Wilson, Margot Robbie, Sam
Riley e Ruth Wilson. Embora não prejudique o resultado final, fica estranho um
filme ambientado no interior da França ser falado em inglês. Curiosidade: Irène
Némirovsky morreu no Campo de Auschwitz em 1942 e “Suite Française” só foi
publicado em 2004, depois que sua filha Denise encontrou o romance entre os
manuscritos deixados pela escritora.terça-feira, 1 de março de 2016
“BATALON”,
2015, direção de Dimitriy Meskhiev, é um drama de guerra russo baseado em fatos
reais. Ambientado em 1917, conta a história da participação de um batalhão de
mulheres no front da Primeira Guerra Mundial contra os alemães. O grupo foi
formado e autorizado por ordem do então Ministro da Guerra Alexander Kerensky como
uma estratégia para motivar o exército masculino, então em fase de dissolução
por causa da guerra civil provocada pela Revolução Russa. O batalhão de
mulheres ficou conhecido como “O Batalhão da Morte”, pois havia poucas chances
delas voltarem vivas. E, como o filme deixa bem claro, elas sabiam disso, mas
mostraram muita coragem ao assumir o risco. O comando desse grupo ficou a cargo
da oficial Maria Bochkareva (Mariya Aronova), uma mulher que, antes de
ingressar no exército, apanhava do marido. No comando do grupo, porém, ela se
destacou como uma voz que se fazia ouvir e respeitar, mas que tinha lá seus
momentos de ternura. Interpretada por uma ótima atriz, é a personagem mais
interessante do filme, lembrando que a verdadeira Maria Bochkareva foi
consagrada como heroína nacional, motivando a formação de outros batalhões
femininos, o que se tornou prática normal no exército russo a partir de então. Filme
interessante por contar uma história pouco conhecida da Primeira Guerra
Mundial.
“A SAPIÊNCIA” (“La Sapienza”), 2014, França, roteiro e direção de Eugène Green, nascido nos EUA e
naturalizado francês. No dicionário, “Sapiência” quer dizer “Sabedoria”. Mas,
para suportar os 104 minutos desse filme, é preciso ter não apenas Sapiência, e sim uma dose extra de Paciência. O
filme acompanha a crise existencial e de criatividade do renomado arquiteto francês
Alexandre Schmid (Fabrizio Rongione). A situação começa a interferir no seu
casamento com Aliénor (Cristelle Prot). Alexandre resolve fazer uma viagem de
estudos à Itália e leva a esposa. Seu objetivo é se aprofundar na obra de dois
mestres do Barroco, Francesco Borromini e Gian Lorenzo Bernini. Na pequena cidade
de Stresa, o casal conhece os jovens irmãos Lavínia (Arianna Nastro) e Goffredo
(Ludovico Succio). Alexandre convida Goffredo para acompanhá-lo a Roma,
enquanto Aliénor fica em Stresa com Lavínia. Quando estão em cena, Alexandre e
Goffredo dedicam-se a discutir a Arquitetura Clássica italiana, ao mesmo tempo
em que as imagens mostram detalhes das obras de Borromini e Bernini, datadas do
Século XVII - o diretor filma de forma didática, como se preparasse slides para uma aula de Arquitetura (as imagens, aliás, são muito bonitas). As cenas são alternadas com os passeios de Aliénor e Lavínia, cujos
diálogos têm como tema a importância do Amor na vida das pessoas. Viu como é
preciso Paciência para chegar até o final do filme? Recomendo apenas para o
pessoal que está estudando ou é ligado à Arquitetura. E também para quem sofre
de insônia... De qualquer forma, vale acrescentar que o filme foi selecionado
para exibição, durante 2014, nos Festivais de Locarno, Vancouver, Toronto, Londres
e Nova Iorque. segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
“MULHER DE OURO” (“Woman in Gold”), 2015, EUA/Inglaterra, direção de Simon
Curtis (“Sete Dias com Marilyn”), conta a história incrível e verídica de uma
mulher austríaca, Maria Altmann (Helen Mirren, e, quando jovem, Tatiana
Maslany), que fugiu dos nazistas no início da Segunda Guerra Mundial e foi
morar em Los Angeles. Seus familiares acabaram mortos nos campos de
concentração na Europa. Quase sessenta anos depois, ela resolve tentar
recuperar as obras de arte roubadas de sua casa em Viena pelos alemães,
principalmente o quadro “Retrato de Adele Bloch-Bauer”, de Gustav Klimt, que há
anos estava exposto na famosa Galeria Belvedere de Viena. Adele, a modelo do
quadro, era a tia preferida de Maria. Para iniciar o processo judicial, Maria
recorre ao jovem advogado Randol Schoenberg (Ryan Reynolds), ele mesmo nascido
na Áustria e neto do famoso compositor. Mesmo com pouca experiência, Randol
assume o caso e resolve enfrentar o governo austríaco nos tribunais. A relação
entre Randol e Maria e o desenrolar da batalha jurídica – cujo final não conto –,
além de flashes da família Altmann nas primeiras décadas do século 20, dão
força ao excelente roteiro escrito pelo dramaturgo Alexi Kaye Campbell. Mais uma vez é Helen Mirren quem domina as
cenas, comprovando porque é uma das melhores atrizes da atualidade. Além dela e
de Ryan Reynolds, estão no elenco Daniel Brühl, Katie Holmes (a ex de Tom
Cruise), Elizabeth McGovern e Jonathan Price.
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