“MULHER DE OURO” (“Woman in Gold”), 2015, EUA/Inglaterra, direção de Simon
Curtis (“Sete Dias com Marilyn”), conta a história incrível e verídica de uma
mulher austríaca, Maria Altmann (Helen Mirren, e, quando jovem, Tatiana
Maslany), que fugiu dos nazistas no início da Segunda Guerra Mundial e foi
morar em Los Angeles. Seus familiares acabaram mortos nos campos de
concentração na Europa. Quase sessenta anos depois, ela resolve tentar
recuperar as obras de arte roubadas de sua casa em Viena pelos alemães,
principalmente o quadro “Retrato de Adele Bloch-Bauer”, de Gustav Klimt, que há
anos estava exposto na famosa Galeria Belvedere de Viena. Adele, a modelo do
quadro, era a tia preferida de Maria. Para iniciar o processo judicial, Maria
recorre ao jovem advogado Randol Schoenberg (Ryan Reynolds), ele mesmo nascido
na Áustria e neto do famoso compositor. Mesmo com pouca experiência, Randol
assume o caso e resolve enfrentar o governo austríaco nos tribunais. A relação
entre Randol e Maria e o desenrolar da batalha jurídica – cujo final não conto –,
além de flashes da família Altmann nas primeiras décadas do século 20, dão
força ao excelente roteiro escrito pelo dramaturgo Alexi Kaye Campbell. Mais uma vez é Helen Mirren quem domina as
cenas, comprovando porque é uma das melhores atrizes da atualidade. Além dela e
de Ryan Reynolds, estão no elenco Daniel Brühl, Katie Holmes (a ex de Tom
Cruise), Elizabeth McGovern e Jonathan Price. segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
“MULHER DE OURO” (“Woman in Gold”), 2015, EUA/Inglaterra, direção de Simon
Curtis (“Sete Dias com Marilyn”), conta a história incrível e verídica de uma
mulher austríaca, Maria Altmann (Helen Mirren, e, quando jovem, Tatiana
Maslany), que fugiu dos nazistas no início da Segunda Guerra Mundial e foi
morar em Los Angeles. Seus familiares acabaram mortos nos campos de
concentração na Europa. Quase sessenta anos depois, ela resolve tentar
recuperar as obras de arte roubadas de sua casa em Viena pelos alemães,
principalmente o quadro “Retrato de Adele Bloch-Bauer”, de Gustav Klimt, que há
anos estava exposto na famosa Galeria Belvedere de Viena. Adele, a modelo do
quadro, era a tia preferida de Maria. Para iniciar o processo judicial, Maria
recorre ao jovem advogado Randol Schoenberg (Ryan Reynolds), ele mesmo nascido
na Áustria e neto do famoso compositor. Mesmo com pouca experiência, Randol
assume o caso e resolve enfrentar o governo austríaco nos tribunais. A relação
entre Randol e Maria e o desenrolar da batalha jurídica – cujo final não conto –,
além de flashes da família Altmann nas primeiras décadas do século 20, dão
força ao excelente roteiro escrito pelo dramaturgo Alexi Kaye Campbell. Mais uma vez é Helen Mirren quem domina as
cenas, comprovando porque é uma das melhores atrizes da atualidade. Além dela e
de Ryan Reynolds, estão no elenco Daniel Brühl, Katie Holmes (a ex de Tom
Cruise), Elizabeth McGovern e Jonathan Price. domingo, 28 de fevereiro de 2016
O
direito ao voto (sufrágio) foi uma das conquistas mais árduas das mulheres.
Entre fins do Século XIX e princípio do Século XX, elas batalharam em vários
países do mundo para conseguir exercer o direito que, até então, era somente
dos homens. No caso do drama histórico inglês “AS
SUFRAGISTAS” (“Suffragette”), 2015, direção
de Sarah Gavron, a história é ambientada na Inglaterra e mostra como foi que as
mulheres conseguiram conquistar o direito de votar naquele país. O enredo é centralizado na
jovem Maud Watts (Carey Mulligan), que desde os 7 anos de idade trabalhava numa
grande lavanderia de Londres, onde os trabalhadores – principalmente as trabalhadoras - eram
explorados sem qualquer escrúpulo, a começar pelo salário irrisório.
Incentivada por Edith Ellyon (Helena Bonham Carter), proprietária de uma
farmácia que servia de local para as reuniões clandestinas do grupo de
mulheres, Maud ingressa no movimento, contrariando seu marido e seus chefes na
lavanderia. Maud participa das manifestações, apanha da polícia e acaba presa
diversas vezes. A luta dessas mulheres ganha corpo com a presença, em Londres, da
fundadora do movimento britânico do sufragismo, Emmeline Pankhurst (Meryl
Streep). Aliás, a grande Meryl Streep aparece muito pouco, apenas uma ponta. O
filme é muito bom não apenas pela história em si, mas também pelo esmero na
recriação de época, figurinos e cenários. Uma grande produção que merece ser
conferida (Espere os créditos finais, antes dos quais são relacionados inúmeros
países – inclusive o Brasil - e as respectivas datas em que o voto foi liberado
para as mulheres).sábado, 27 de fevereiro de 2016
O
veterano diretor inglês Ken Loach é um dos cineastas mais politizados em
atividade. À sua vasta filmografia de filmes políticos ele acrescentou, em 2014, "O SALÃO DE JIMMY" (“JIMMY’S
HALL”), cuja história, baseada em
fatos reais, é ambientada na Irlanda no início dos anos 30. O personagem
principal é Jimmy Gralton (Barry Ward), o mais conhecido líder comunista
irlandês. Nascido em Leitrim, na Irlanda, Jimmy fugiu para Nova Iorque para não
ser preso por suas atividades políticas. Dez anos depois volta para a sua terra
natal e é recebido como herói. Ele reinaugura um centro cultural e recreativo
onde as pessoas podem ter aulas de dança, literatura, artes plásticas e discutir
livremente temas políticos. Nos finais de semana, o local é utilizado pela população da cidade para dançar. Para o líder religioso da cidade, padre
Sheridan (o ótimo Jim Norton), o centro de Jimmy é um local de perversão,
principalmente por permitir que as pessoas dancem “um tal de jazz”, ritmo considerado profano. Incitados pelo
padre Sheridan, os conservadores partem para o enfrentamento contra a turma de
Jimmy e aí começa uma perseguição implacável. O filme é ótimo, valorizando ainda mais a filmografia do cineasta
inglês, da qual recomendo “Terra e Liberdade”, “Ventos da Liberdade”, “Pão e
Rosas”, “Rota Irlandesa” e “A Parte dos Anjos”.sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
O
drama cubano “NUMA ESCOLA DE HAVANA” (“Conducta”), 2014, é uma daquelas pérolas que de
repente o cinema nos presenteia. Embora tenha patrocínio do Ministério da Cultura
daquele país, não faz nenhuma propaganda do regime e muito menos esconde o lado
pobre de Havana. A história é centrada no menino Chala (Armando Valdes Freire),
de 11 anos. Filho de uma drogada, Sonia (Yuliet Cruz), Chala se vê responsável
pelo dinheiro da casa. Cria pombos para vender e possui quatro cães treinados
para lutar nas rinhas. No colégio, Chala é uma pedra no sapato dos professores,
que a toda hora querem enviá-lo para um internato. A única que consegue dominá-lo
é a veterana professora Carmela (Alina Rodriguez), por quem o garoto tem muito
respeito e até uma grande dose de carinho. A amizade de Carmela e Chala rende
os momentos mais sensíveis e comoventes do filme – para provocar umas lágrimas a
mais, lembro que a atriz faleceu em julho de 2015, aos 63 anos. É o terceiro
longa do diretor cubano Ernesto Daranos Serrano. Ganhou o Festival de Cinema de
Havana e foi indicado para ser o representante oficial de Cuba na disputa do
Oscar/2015 na categoria Melhor Filme Estrangeiro. Produção simples, mas de muita
qualidade. Não perca!
Fazia
tempo que eu não assistia a um filme com uma força dramática tão grande.
Trata-se de “MOMMY”, 2014,
Canadá, escrito e dirigido pelo jovem (26 anos) e cultuado diretor canadense
Xavier Dolan (“Eu Matei a Minha Mãe” e “Amores Imaginários”). Também fazia
tempo que não via uma atuação tão espetacular como a da atriz Anne Dorval. Ela
interpreta Diane Després, uma viúva emocionalmente descontrolada e afogada em
dívidas que um dia é obrigada a acolher o filho Steve (Antoine Olivier Pilon), de
15 anos, expulso de um reformatório após incendiar a cafeteria e causar
ferimentos em várias pessoas. Steve, por conta de sua hiperatividade e seu
déficit de atenção, é agressivo, rebelde e violento, à beira da psicopatia. Para piorar, ele se recusa a tomar os remédios receitados. De vez em quando, ele entra numa banheira cheia de gelo para tentar se acalmar. Ele
trata a mãe aos gritos, além de tapas e bordoadas. A frase mais carinhosa dita
por ele em relação à mãe é “Sua vadia”. Essa relação de amor e ódio chega aos
extremos da gritaria e discussões histéricas. Impossível não ficar incomodado
na poltrona. A situação dá uma amenizada quando a vizinha Kyla (Suzanne
Clément), outra mulher problemática, passa a frequentar a casa de Diane. Mas
não resolve o problema e tudo parece caminhar para um desfecho trágico. O
filme é ótimo, mas o maior destaque é, sem dúvida, a atuação incrível de Anne Dorval,
a mãe. Seria injusto não destacar também as ótimas atuações do jovem ator Antoine Olivier Pilon e da veterana Suzanne Clément. “Mommy” ganhou o Prêmio do Júri no Festival de Cannes 2014, além de ter
sido indicado para disputar o Oscar/2015 de Melhor Filme Estrangeiro. Imperdível!quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
A
comédia romântica “UM REENCONTRO” (“Une Rencontre”), 2014, roteiro e direção de Lisa Azuelos,
reúne dois dos maiores astros do cinema francês atual: Sophie Marceau e François
Cluzet (“Os Intocáveis”). O filme conta a história da paixão avalassadora entre
a escritora Elsa (Sophie) e o advogado criminalista Pierre (Cluzet). Ambos são
muito bem sucedidos em suas respectivas carreiras. Recentemente divorciada, Elsa tem dois filhos
adolescentes e costuma sair com homens bem mais jovens. Pierre vive um
casamento seguro com Anne (papel da diretora Azuelos), com quem tem um filho.
Os dois se conhecem numa noite de autógrafos de Elsa, tornam-se amantes e, por
um breve espaço de tempo, se afastam. Acabam se reencontrando em Paris (daí o
título) e a partir de então não se desgrudam mais. O filme foge de alguns
clichês típicos das comédias românticas, o que lhe confere uma qualidade melhor do que suas congêneres, principalmente aquelas que vêm de Hollywood. Aos 49 anos, Sophie Marceau, que já foi bond girl em “007 – O Mundo não é o Bastante” (1999), continua em
grande forma, bonita e charmosa. Embora ótimo ator, falta a François Cluzet os
predicados de um verdadeiro galã, pois é franzino e feio, mas se sustenta com seu
charme de galanteador e atitudes atrevidas. Trata-se de uma comédia romântica sem
grandes novidades, que vale ser conferida apenas pela dupla central de atores.quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
Quem
diria, Hollywood fazendo remake de
filme argentino (Mordam-se de inveja, cineastas brasileiros!). É, parece que a
crise de criatividade dos roteiristas da meca do cinema continua. “OLHOS
DA JUSTIÇA” (“The Secret in their Eyes”),
2015, foi adaptado do maravilhoso “O Segredo dos Seus Olhos”, 2009, filme
argentino ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Embora haja algumas
modificações de roteiro, “Olhos da Justiça” conta a mesma história, talvez com
mais ação e suspense. O diretor Billy Ray (“Quebra de Confiança” e “O Preço de
uma Verdade”) até faz uma menção ao incrível e famoso plano-sequência criado
por Juan José Campanella no filme argentino. Se “Olhos da Justiça” não é melhor
do que o original, pelo menos ganha no que diz respeito ao elenco de astros:
Chiwetel Ejiofor (“12 Anos de Escravidão”), Nicole Kidman e Julia Roberts.
Fazia tempo que não via Nicole Kidman tão linda como neste filme, e também
Julia Roberts tão envelhecida. No filme norte-americano, senti falta do humor que
sobrava no filme argentino. Em “Olhos da Justiça” o drama é reforçado pelas ótimas
atuações de Júlia Roberts e, principalmente de Chiwetel Ejiofor. Mesmo quem
tenha assistido o filme argentino vai gostar deste, também um ótimo
entretenimento. terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
O
drama francês “OS APACHES” (“Le Apaches”), 2013, segundo longa escrito e dirigido por Thierry de Peretti, faz um
retrato bastante realista e cruel da juventude que habita uma cidade na região
da Córsega, grande parte constituída de imigrantes africanos e de origem árabe.
A história é centrada em cinco jovens pobres, inconsequentes e revoltados com
sua condição de pobreza. Dois deles, Azis (Azis El Hadachi) e Hamza (Hamza
Meziani), são filhos de imigrantes árabes. Numa noite de farra, os cinco
invadem uma mansão para curtir a piscina. Consomem a bebida da casa, ficam
bêbados e acabam roubando dois fuzis. A polícia começa a investigar o roubo e
os jovens ficam apavorados. Uns querem devolver as armas, outros não. Até que
um deles resolve vender um dos fuzis. Pressionados pela possibilidade de serem descobertos,
eles começam a se desentender, culminando com um evento trágico. O filme,
selecionado para a Quinzena de Realizadores do Festival de Cannes/2013, é
bastante impactante, forte e desagradável, principalmente por mostrar uma
juventude alheia aos princípios morais e sem horizontes para traçar um objetivo
de vida. É muito triste, mas esse retrato da juventude pode ser aplicado no
mundo inteiro. Tristes tempos... segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
Apesar
da impressionante atuação de Isabelle Huppert, não gostei de “UMA
RELAÇÃO DELICADA” (“ABUS DE
FAIBLESSE”), 2013, França, roteiro e
direção de Catherine Breillat. Hupper interpreta a cineasta Maud Schoenberg,
que sofre um AVC, fica meses internada e passa a viver com sequelas graves, uma
delas a paralisação do lado esquerdo do corpo. Em meio à sua recuperação, Maud
trabalha na produção de seu novo filme e procura um ator para determinado
papel. Ao assistir a um programa de TV, ela vê um ex-presidiário sendo entrevistado.
Maud tem certeza de que ele será o ator ideal e o convida para uma conversa. O
ex-presidiário é Vilko (Kool Shen), um marginal que virou celebridade ao dar um
grande golpe e ser preso. A partir daí, Vilko vai aproveitar o fato da cineasta
estar vulnerável e tentar tirar o máximo de dinheiro dela. Aí que a história
fica forçada demais, pois Maud tem amigos e uma família que, na vida real,
jamais deixariam que ela fosse tão explorada. Também não há explicação – a não
ser algum tipo de obsessão – para o comportamento irracional de Maud. Enfim, um
filme mediano que não faz jus ao enorme talento da atriz francesa.
“DIÁRIO DE UMA CAMAREIRA” (“Journal D’une Femme de
Chambre”), 2015, co-produção
França/Bélgica, direção de Benoit Jacquot (“Adeus, Minha Rainha” e “3 Corações”),
que também escreveu o roteiro, inspirado no romance escrito por Octave Mirbeau.
Trata-se da terceira adaptação para o cinema – a primeira, de 1946, teve a
direção de Jean Renoir, e a segunda, em 1964, de Luis Buñuel. A história é
ambientada no início do Século XX e acompanha a trajetória do trabalho de
camareira de Célestine (Léa Sedoux). Enviada por uma agência para trabalhar na
mansão da família Lanlaire, interior da França, Célestine vai conhecer o
inferno das mãos de Madame Lanlaire (Clotilde Mollet), uma patroa sádica e
megera. Além disso, Célestine tem que conviver com os frequentes assédios do
patrão tarado – aliás, pelo que o filme dá a entender, era prática comum na
época os patrões exigerem esse tipo de serviço das empregadas, com ou sem o consentimento das respectivas patroas. Na casa dos Lanlaire, Célestine conhece
Joseph (Vincent Lindon), que trabalha como cocheiro da família há 15 anos. Ele
é um homem bastante misterioso, envolvido em atividades políticas clandestinas,
além de ferrenho antissemita. O filme teve sua exibição de estreia em fevereiro
de 2015 durante o Festival de Cinema de Berlim. Léa Seydoux, mais uma vez,
esbanja competência e prova porque é considerada uma das melhores atrizes
francesas da atualidade. A caprichada recriação de época é outro dos destaques desse ótimo drama francês. quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
Imagine
ficar perdido numa floresta, no mar, no deserto ou simplesmente numa grande
cidade. A sensação é horrível, de desesperar. Imagine então ficar perdido em
Marte! É o que acontece com o astronauta Mark Watney (Matt Damon) no ótimo “PERDIDO
EM MARTE” (“The Martian”), 2015, EUA. A história é baseada no livro homônimo
de ficção científica escrito por Andy Weir. Mark foi praticamente abandonado em
Marte pela equipe de astronautas da qual fazia parte depois de uma tempestade.
Dado como morto, foi “enterrado” com honras militares nos EUA. Só que ele não
morreu. Sozinho num planeta praticamente desconhecido, Mark teve que se virar
para sobreviver. Com seu conhecimento de
botânica, criou uma plantação de batatas e inúmeros outros artifícios para se
manter vivo até um possível resgate. E jamais perdeu o bom humor, tanto ao
conversar consigo mesmo como falando com o pessoal da NASA. Numa de suas frases
bem humoradas, ele diz: “Eu colonizei Marte. Chupa essa, Neil Armstrong”,
referindo-se ao primeiro astronauta a pisar na Lua, em 1969. O elenco conta
ainda com Jessica Chastain, Jeff Daniels, Kristen Wiig e Chiwetel Ejiofor. O
filme é divertido e movimentado do começo ao fim e nem mesmo a utilização de
inúmeros termos técnicos e científicos indecifráveis para nós, leigos e simples
mortais, prejudica o resultado final. Como curiosidade: o deserto de Wadi Rum, na Jordânia, foi utilizado como locação e cenário para reproduzir Marte. O diretor é o veterano Ridley Scott, dos
clássicos “Alien, o Oitavo Passageiro”, “Blade Runner, o Caçador de Andróides”,
“Falcão Negro em Perigo” e “Thelma & Louise”. Com sete indicações ao Oscar
2016, entre as quais Melhor Filme e Melhor Ator, “Perdido em Marte” é diversão
garantida na telinha. terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
“BOULEVARD”,
2014, EUA, direção de Dito Montiel, foi um dos últimos filmes de Robin
Williams, falecido em agosto daquele ano. O ator norte-americano interpreta Nolan
Mack, que trabalha num banco há 26 anos e mantém um casamento de conveniência com
Joy (Kathy Baker), já que é homossexual e precisa manter as aparências para
conseguir promoções no trabalho. À noite, Nolan sai pelas ruas à procura de
garotos de programa e acaba se envolvendo com um deles, Leo (o ator mexicano Roberto
Aguirre). Ao mesmo tempo em que vive o dilema de uma paixão proibida, Nolan
recebe o convite para assumir a gerência de uma agência do banco, uma promoção
e tanto. Só que o relacionamento com Leo se transforma numa paixão
avassaladora, provocando grandes transformações no comportamento de Nolan, colocando
em risco o seu casamento e até o próprio emprego no banco. Robin Williams
defende o papel de Nolan com competência, mas quem se destaca é a veterana Kathy
Baker. O filme carrega uma enorme carga dramática, é trista e melancólico, passa
longe de um entretenimento agradável, mas trata de um tema bastante polêmico e
que, por isso, merece ser visto. segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
“MAGICAL GIRL”,
Espanha, 2014, é o segundo filme escrito e dirigido por Carlos Vermut. Trata-se
de um drama de mistério, meio noir, envolvendo
uma mulher casada com problemas mentais, um professor desempregado com uma filha gravemente doente e um
professor aposentado que acabara de sair da prisão. O filme começa com o desespero do professor desempregado Luís (Luís Bermejo) ao
ver a filha Alícia (Lucía Pollán), de apenas 12 anos, definhando com o avanço de
uma agressiva leucemia. Ao ler o diário da adolescente, Luís fica sabendo que o maior
sonho de Alícia é ganhar um vestido utilizado pela principal personagem da
série japonesa “Magical Girl Yukiko”. Para conseguir os 7 mil euros necessários
para comprar o vestido, Luís passa a chantagear Bárbara (Bárbara Lennie), uma
bela mulher casada que sofre de distúrbios mentais. Para arrumar dinheiro,
Bárbara se submete a situações constrangedoras, incluindo a prostituição. As
chantagens continuam até aparecer o professor aposentado Damián (José
Sacristán), que se dispõe a ajudar Bárbara a se livrar do chantagista. O drama
da adolescente doente passa, então, para segundo plano e o que rola daí em
diante serve para o espectador aguardar com ansiedade o final do filme e ver o
que vai acontecer. O filme ganhou os prêmios “Concha de Oro” e “Concha de Plata”,
respectivamente de “Melhor Filme” e “Melhor Diretor”, do Festival Internacional
de Cinema de San Sebastián 2014. Também foi exibido em outras mostras e
festivais pelo mundo afora, inclusive na 39ª Mostra Internacional de Cinema de
São Paulo, em 2015.
Nunca
fui muito fã dos filmes de Quentin Tarantino, embora tenha assistido a todos. Não
que sejam ruins, mas são desagradáveis de ver pela violência explícita, personagens
desprezíveis, humor negro sem muita graça e nenhum espaço para romances, momentos sensíveis
ou comoventes. Meu índice de rejeição ao diretor americano aumentou
consideravelmente depois de assistir ao seu mais recente “OS
OITO ODIADOS” (“The Hateful Eight”),
2015. Trata-se de um faroeste cômico,
com muita violência e sangue jorrando. É longo demais (167 minutos) e, em
determinados momentos, chega a entediar. A história envolve uma série de
personagens que buscam abrigo, fugindo de uma forte nevasca, num armazém nos
cafundós do Oeste. O grupo reúne caçadores de recompensa, um general do
exército, um futuro xerife e outros tipos esquisitos. Tudo gira em torno de
dinheiro e de um eventual plano para resgatar uma assassina. Toda a ação é
encenada dentro desse armazém, com muito blá-blá-blá, acusações e reviravoltas
na história, culminando com uma tentativa de envenenamento coletivo e cenas de
muita violência. Não faltam menções racistas contra o personagem de Samuel L.
Jackson, o único negro da turma. Além de Jackson, estão no elenco Jennifer Jason Leigh,
Kurt Russell, Demian Bichir, Tim Roth, Walton Goggins, Channing Tatum, Bruce
Dern e Michael Madsen. O filme concorrerá ao Oscar 2016 em três categorias:
Atriz Coadjuvante (Jennifer Jason Leigh), Trilha Sonora (Ennio Morricone) e
Fotografia (Robert Richardson). quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
Uma
fantasia, uma fábula, um romance? O material de divulgação diz que é comédia, do
que também discordo. Dessa forma, confesso que fiquei em dúvida para definir “TOKYO
FIANCÉE”, 2014, Bélgica, roteiro e direção
de Stefan Liberski. De qualquer forma, é um filme bastante interessante,
criativo, e realmente tem um pouco de fantasia, fábula e romance. A jovem Amélie
(Pauline Etienne, de “A Religiosa”), quando completa 20 anos de idade, resolve
voltar para o Japão, onde nasceu e viveu até os cinco anos. Sua ideia é fixar
residência em Tóquio, conhecer mais da cultura japonesa e dar aulas particulares
de francês para pagar suas despesas. Seu primeiro aluno é Rinri (Taichi Inoue),
de uma família classe média alta. Ao mesmo tempo em que ensina francês a Rinri,
este transmite inúmeras informações sobre o modo de vida dos japoneses. Os dois
visitam lugares tradicionais de Tóquio e das redondezas, em passeios quase
turísticos. Claro que os dois vão se apaixonar e viver um grande amor, até
que... A cultura e as tradições japonesas estão presentes em vários momentos do
filme, tornando-o ainda mais interessante. Mas alerto: não é aquele tipo de
filme que você aplaude de pé ou fica com um sorriso no rosto quando termina.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2016
“ENQUANTO HOUVER AMOR” (“And While We Were Here”), 2012, EUA, direção de Kat Coiro, é um drama romanceado ambientado em Nápoles.
É aqui que o violinista norte-americano Leonard (Iddo Goldberg) chega para
trabalhar num concerto com a orquestra sinfônica local. Ele leva a mulher, a
escritora Jane (Kate Bosworth), que está trabalhando num livro sobre as experiências
da sua avó durante a Segunda Grande Guerra. Como o marido se dedica inteiramente aos ensaios, Jane
tem tempo de circular pelos lugares turísticos de Nápoles, sentindo-se solitária e carente. É claro que está prestes a colocar uma peruca de touro no marido. Na paradisíaca Ilha
de Ischia, ela conhece um jovem norte-americano “mochileiro”, Caleb (Jamie
Blackley). Carente de atenção e em crise no casamento, Jane acaba se envolvendo
com Caleb. É o estopim para aumentar ainda mais o conflito no casamento. Não há
dúvida de que Kate Bosworth é uma das atrizes mais competentes e bonitas da
atualidade, como já provou em outros filmes como “Para Sempre Alice”, “A Onda dos
Sonhos” e “Superman: O Retorno”. Mas o filme deixa a desejar, morno e monótono.
Nada que justifique uma indicação entusiasmada. Charles Chaplin morreu no dia 25 de dezembro de 1977 e foi enterrado no cemitério de Corsier Sur-Vevey, na Suíça, onde o gênio vivia há anos com a família. Poucos dias depois, dois homens roubaram o caixão e tentaram extorquir dinheiro da viúva. A polícia pegou a dupla, que acabou confessando o crime. Todos esses fatos reais são contados em “O PREÇO DA FAMA” (“La Rançon de La Gloire”), França, 2014. Quem teve a infeliz ideia foi Eddy (Benoit Poelvoorde), imigrante belga e ex-presidiário. Seu comparsa foi Osman (Roschoy Zem), imigrante argelino que precisava urgentemente de dinheiro para pagar o tratamento de saúde da esposa, Noor (Nadine Labake). Osman e Noor têm uma filha, Samira (Séli Gmach), que praticamente fica aos cuidados de Eddy. Na verdade, nem Eddy e muito menos Osman possuem perfil de bandidos perigosos. Estão mais para dois desajustados trapalhões. O filme termina com o julgamento da dupla, com resultado bastante inusitado. Estão ainda no elenco Chiara Mastroianni e Peter Coyote. Este talvez seja o filme mais irregular do diretor francês Xavier Beauvois, dos ótimos “Adeus, Minha Rainha” e “Homens e Deuses”. Mas vale assistir para conhecer um dos casos policiais de maior repercussão na época, ainda mais envolvendo o maior gênio que o Cinema já conheceu.
Muito humor, ação e
aventura estão garantidos no filme sueco “O CENTENÁRIO QUE FUGIU PELA JANELA E
DESAPARECEU”, cuja exibição de estreia aconteceu em dezembro de 2013 no
Festival de Berlim - também foi exibido durante a 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. No dia de seu aniversário de 100 anos, Allan Karlsson
(Robert Gustafsson) pula a janela da clínica de repouso onde mora e foge por
aí, sem destino. A coisa se complica quando ele se apodera de uma mala sem
saber do seu conteúdo. Além de ser procurado pela polícia, notificada pela
clínica, Allan também será perseguido por uma perigosa gangue. Em sua viagem
sem rumo definido, o velho terá a companhia do abobado Benny (David Wiberg) e
de Julius (Iwar Wiklander). Os três vão parar na casa de Gunilla (Mia
Skäringer), dona de um elefante. Em meio à fuga e a muitas confusões, Allan
ainda recorda de sua participação em vários momentos marcantes do Século XX.
Ele lutou na Guerra Civil Espanhola, ficou amigo íntimo do generalíssimo
Franco, ajudou o físico norte-americano Robert Oppenheimer a desenvolver o
projeto da Bomba Atômica, tomou uma bebedeira com o então vice-presidente Harry
Truman. Como se não bastasse, foi espião durante a Guerra Fria e ainda
conselheiro de Stalin. Tudo bem ao estilo de Forrest Gump. Só por curiosidade,
o nome original do filme é “Hundraaringen Som Klev ut Genom Fönstret och
Fürsvann” (ufa!) e o roteiro foi baseado no livro homônimo escrito por Jonas Jonasson. O filme é muito divertido e movimentado, criativo e inteligente, servindo como um ótimo entretenimento.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016
Esperava
muito mais de “BROOKLYN”, uma
co-produção Irlanda/Inglaterra/Canadá. Afinal, o filme recebeu três indicações
ao Oscar 2016 (Melhor Filme, Atriz e Roteiro Adaptado). Não que o filme seja ruim.
Longe disso. Mas não passa de um romance açucarado ao estilo dos filmes
baseados nos livros do escritor norte-americano Nicholas Sparks. “Brooklyn”, porém, apesar da alta taxa de
glicose, foi inspirado no livro homônimo escrito pelo romancista irlandês Colm
Tóibin. A história, ambientada nos anos 50, gira em torno de Ellis Lacey
(Saoirse Ronan), uma jovem irlandesa que fica dividida entre dois amores e dois
países. Ellis deixa a irmã, a mãe e a Irlanda e parte para Nova Iorque atrás de
um futuro melhor. Na “Big Apple”, ela se apaixona por Tony Fiorello (Emory
Cohen), descendente de italianos. Uma tragédia fará com que ela volte
temporariamente à Irlanda, onde conhece Jim Farrell (Domhnall Gleeson), um
rapaz refinado e ótimo partido. E agora, Ellis volta para os braços de Tony
nos EUA ou fica em sua terra natal e casa com Jim Farrell? Dá-lhe água com
açúcar... Vou fazer como Maitê Proença, que prometeu ficar nua em público se o Botafogo
fosse rebaixado para a Série B. Se “Brooklyn” ganhar como Melhor Filme, prometo
que tiro a a roupa e coloco a foto no
meu Facebook. Quanto ao Oscar de Melhor Atriz, reconheço que a atriz irlandesa
Saoirse Ronan pode ficar com a estatueta. Ela realmente está ótima. Além da
história romanceada, o filme faz uma homenagem bastante singela e emotiva aos imigrantes
irlandeses que trabalharam na construção civil e ajudaram a erguer todos aqueles
arranha-céus de Nova Iorque.
“LOVE AND MERCY”
(“Amor e Misericórdia”, em tradução literal), 2015, EUA, direção de Bill
Pohlad, é um filme biográfico que explora duas fases da vida do cantor e
compositor Brian Wilson. A primeira, no início dos anos 60, quando liderava a banda
“The Beach Boys”, um fenômeno da música popular que fez tanto sucesso nos EUA quanto os
Beatles. Na segunda fase, o filme dá um salto para 1988, quando Brian Wilson
conhece a vendedora de carros Melinda Ledbetter (a bela Elizabeth Banks),
mulher que mudaria sua vida. O filme destaca a esquizofrenia de Wilson, doença
que o acometeu ainda jovem. Na fase aguda da doença, ele passou a ser tratado
pelo médico Eugene Landy (Paul Giamatti), que o entupia de remédios sem
alcançar nenhum resultado positivo. Na fase jovem, Wilson é interpretado por
Paul Dano, e, na fase adulta, por John Cusack. Ambos, aliás, estão ótimos. O
filme também dedica grande espaço à genialidade de Wilson, que, em 1966, deixou
de acompanhar o grupo numa turnê internacional para se trancar em estúdio e
conceber aquele que seria apontado, mais tarde, como um dos discos mais
importantes da música pop: “Pet Sounds”. Segundo o filme, Wilson teve a inspiração
ao ouvir o disco “Rubber Soul”, dos Beatles, lançado em 1965. Resumindo: o
filme é ótimo. domingo, 7 de fevereiro de 2016
“INFÂNCIA”, do diretor carioca Domingos de
Oliveira, tem muito de autobiográfico. Dona Mocinha (Fernanda Montenegro), por
exemplo, foi inspirada em Dona Sinhá, avó de Domingos. O filme, baseado na peça
“Do Fundo Lago Escuro”, escrita pelo próprio Domingos em 1977, retrata um dia no
casarão de Dona Mocinha, no bairro de Botafogo. Parte da família de classe média alta está ali reunida:
Conceição (Priscila Rozembaum) e Orlando (Ricardo Kosovski), filhos de Dona
Mocinha, Henrique (Paulo Betti), casado com Conceição e procurador de Dona
Mocinha, além dos primos Rodriguinho e Ricardinho, este último a praga em pessoa. Entre as conversas, muita
lavagem de roupa suja, culminando com a desconfiança da matriarca de que
Henrique teria vendido dois terrenos de propriedade da sogra sem autorização. A
revelação vai desencadear uma crise no casamento de Henrique com Conceição. A
autoritária Dona Mocinha domina o cenário, dando ordens sem parar, além de
recordar seus momentos com José, o marido falecido. Admiradora de Carlos
Lacerda, Dona Mocinha faz questão de reunir toda a família e empregados em
torno do rádio para ouvir as palavras do então jornalista carioca. O elenco
conta ainda com Maria Flor e Nanda Costa. Nem é preciso dizer que Fernanda
Montenegro é o maior destaque do filme.
sábado, 6 de fevereiro de 2016
“DIFRET”, 2014,
Etiópia, roteiro e direção do estreante Zeresenay Berhane Mehari. Angelina
Jolie assina como produtora executiva (quem mais seria?). Trata-se de um drama
sensível e comovente, baseado em fatos reais acontecidos em 1996. A adolescente
Hirut Assefa (Tizita Hagere), de 14 anos, vive com a família numa aldeia do
interior da Etiópia. Ao receber uma recusa dos pais de Hirut ao seu casamento,
o pretendente, ajudado por amigos, resolve sequestrá-la. Ela consegue fugir do
cativeiro, depois de violentada, e mata o responsável pelo estupro. Hirut é
presa e será julgada. A advogada Meaza Ashenafi (Meron Getnet), que trabalha
para uma ONG que defende os direitos humanos das mulheres, assume a defesa da
menina. O caso vira comoção nacional e se transforma numa grande polêmica, pois
o sequestro de mulheres para casamento é uma tradição secular na Etiópia. A
manutenção dessa tradição estará em jogo dependendo do resultado do julgamento
de Hirut. Exibido em vários festivais pelo mundo, o filme foi bastante elogiado
e até ganhou prêmios, como o do Festival de Sundance (EUA), na categoria “Cinema
Dramático Mundial”. Para se ter uma ideia da importância desse reconhecimento, basta
dizer que “Difret” é simplesmente o quarto filme realizado na paupérrima
Etiópia. Assista e se emocione com o desempenho da jovem atriz Tizita Hagere. Enfim,
um filme para encher os olhos. De lágrimas, inclusive. Não perca!
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