O
drama independente “BLEEDING HEART”
(ainda não estreou por aqui e, portanto, ainda não tem tradução, mas a literal
é “Coração Sangrando”), foi exibido pela primeira vez no Festival de Tribeca/2015
(EUA). Roteiro e direção da escocesa Diane Bell, contando a história de duas
irmãs – May (Jessica Biel) e Shiva (a feiosa Zosia Mamet) -, filhas de pai
biológico, e que nunca se conheceram. Um dia qualquer, May resolve procurar a
irmã (não fica bem claro como a achou). May é professora de Ioga. Shiva é
prostituta, disfarçada de massagista. As duas acabam se conhecendo melhor e
May, a mais velha, vai tentar tirar Shiva da vida que leva. Só que encontra a
resistência feroz e violenta do cafetão e namorado da moça, Cody (o ator inglês
Joe Anderson). A forte ligação entre as irmãs será a única defesa contra Cody.
Há um bom clima de suspense no filme, principalmente nas cenas em que Cody vai
atrás de Shiva. Mas não é suficiente para garantir uma recomendação entusiasmada, a não ser pela presença sempre marcante da bela e competente Jessica Biel. Na verdade, trata-se de um filme descartável: você vê hoje e no dia seguinte já esqueceu. segunda-feira, 28 de dezembro de 2015
O
drama independente “BLEEDING HEART”
(ainda não estreou por aqui e, portanto, ainda não tem tradução, mas a literal
é “Coração Sangrando”), foi exibido pela primeira vez no Festival de Tribeca/2015
(EUA). Roteiro e direção da escocesa Diane Bell, contando a história de duas
irmãs – May (Jessica Biel) e Shiva (a feiosa Zosia Mamet) -, filhas de pai
biológico, e que nunca se conheceram. Um dia qualquer, May resolve procurar a
irmã (não fica bem claro como a achou). May é professora de Ioga. Shiva é
prostituta, disfarçada de massagista. As duas acabam se conhecendo melhor e
May, a mais velha, vai tentar tirar Shiva da vida que leva. Só que encontra a
resistência feroz e violenta do cafetão e namorado da moça, Cody (o ator inglês
Joe Anderson). A forte ligação entre as irmãs será a única defesa contra Cody.
Há um bom clima de suspense no filme, principalmente nas cenas em que Cody vai
atrás de Shiva. Mas não é suficiente para garantir uma recomendação entusiasmada, a não ser pela presença sempre marcante da bela e competente Jessica Biel. Na verdade, trata-se de um filme descartável: você vê hoje e no dia seguinte já esqueceu.
O
drama “VIVER SEM ENDEREÇO” (“Shelter”), 2014, EUA, marca a estreia na direção do ator inglês Paul Bettany, que
escalou para o papel principal a bela atriz Jennifer Connelly, sua esposa na
vida real. Ela interpreta Hannah, uma mulher que vive como moradora de rua em
Nova Iorque. Pior, viciada em heroína. Em suas andanças, Hannah conhece Tahir
(Anthony Mackie), um refugiado nigeriano que possui um passado tenebroso. Um
vai ajudar o outro a sobreviver nas ruas da cidade, no que vai resultar numa
grande amizade e, aos poucos, numa grande paixão. Merece destaque a corajosa
atuação de Jennifer, que deve ter perdido muitos quilos para representar a
viciada. Ela aparece esquelética, pele e osso, além de enfrentar cenas um tanto fortes e chocantes, tais como uma com nu frontal onde injeta heroína na virilha. Poucas atrizes do nível de Jennifer
teriam a coragem de se expor tanto. Bettany também escreveu o roteiro, que
disse ter sido inspirado num casal de moradores de rua que vivia
próximo ao seu edifício. Ele dedica o filme justamente a esse casal – veja os
créditos finais. Quem assistir vai perceber que Bettany também é bastante
criativo com a câmera na mão e na elaboração estética das cenas. Enfim, uma boa e promissora estreia num filme bastante
dramático e, ao mesmo tempo, comovente. sábado, 26 de dezembro de 2015
“O BEIJO DO VAMPIRO” (“KISS OF THE DAMNED”), 2013, EUA, não segue a fórmula original
dos filmes de vampiro. Escrito e dirigido por Xan Cassavetes (filha do diretor
John Cassavetes e da atriz Gena Rowlands), o filme não tem castelo na montanha,
carruagens com cavalos pretos, morcegos, crucifixo e muito menos estacas. Mas
tem glamour, sexo, as mordidas tradicionais e muita mulher bonita – as
francesas Joséphine de La Baume e Anna Mouglalis, Roxane Mesquida, Riley
Keough, Alexia Landeau e Caitlin Keats. A história gira em torno da vampira
Djuna (La Baume), que vive enclausurada numa casa isolada. Só sai para alugar
filmes antigos, que assiste com lágrimas nos olhos. Resumindo, uma vampira
bastante sensível. Ao conhecer Paolo (Milo Ventimiglia), sua solidão vampiresca
se transformará numa paixão doentia. Eis que surge no pedaço a exuberante Mimi
(Mesquida), irmã de Djuna. O comportamento de Mimi é completamente diferente.
Extrovertida, gosta de sair pela noite, frequentar baladas, transar e morder à
vontade. A chegada de Mimi também vai abalar a relação de Djuna com Paolo. Os
fãs de filmes de vampiros vão gostar. quarta-feira, 23 de dezembro de 2015
Depois
de “O Sexto Sentido”, de 1999, o então jovem diretor indiano M. Night Shyamalan
foi aclamado como um futuro gênio do cinema. Em seguida, porém, escreveu e dirigiu filmes
medianos e de qualidade duvidosa, como “Corpo Fechado”, “A Vila”, “Sinais” e “A
Dama na Água”, entre outros. No seu mais recente filme, “A VISITA” (“The Visit”), EUA, 2015, Shyamalan experimenta um terror
mais explícito. Becca (Olivia DeJonge) e seu irmão Tyler (Ed Oxebould), jovens
adolescentes, são enviados pela mãe (Kathryn Hahn) para passar uma semana na
fazenda dos avós (Deanna Dunagan e Peter McRobbie), com os quais não tem
contato há 15 anos, depois de uma briga familiar que a obrigou a sair de casa. Logo que chegam, Becca e Tyler percebem que algo de muito
estranho está acontecendo e resolvem, claro, investigar. E só no último dia, depois de uma semana de muita
tensão, acabam descobrindo um grande segredo e terão que correr para se salvar.
O diretor indiano utiliza o recurso da câmera amadora, como em “A Bruxa de
Blair”, e dá a entender que quem a manuseia é Becca e o irmão. Como terror, até
que o filme funciona, pois proporciona suspense e alguns bons sustos. Nada a
mais, porém, que justifique uma recomendação entusiasmada. terça-feira, 22 de dezembro de 2015
“SEGUNDA
CHANCE” (“EN CHANCE TIL”), 2014, Dinamarca, é um drama bastante pesado,
com altas doses de suspense, muita tensão e reviravoltas. Mais um bom filme
dinamarquês a ser visto. Andreas (Nikolaj Coster-Waldau, da série Game of Thrones) é policial, casado com
Anna (Maria Bonnevie) e pai de um bebê. Ao atender a uma chamada de briga
doméstica, Andreas e seu parceiro Simon (Ulrich Thomsen) encontram Tristan
(Nikolaj Lie Kaas) e Sanne (May Andersen) completamente drogados e fazendo o
maior escândalo. Tristan é um ex-presidiário que acabou de sair da cadeia. Os
policiais encontram o bebê do casal em péssimas condições. A cena é chocante. Por
causa de uma tragédia pessoal envolvendo sua esposa e seu filho Alexander,
Andreas acabará se ligando ao casal de drogados, numa trama que deixará o
espectador ansioso para descobrir o que acontecerá no final. O elenco,
constituído por alguns dos melhores atores dinamarqueses do momento, é o grande
trunfo do filme, ainda mais valorizado pela direção de Susanne Bier, consagrada com o Oscar 2011 de
Melhor Filme Estrangeiro pelo excelente “Em um Mundo Melhor”.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2015
A
comédia dramática francesa “EM UM PÁTIO DE PARIS” (“DANS LA COUR”), 2014, começa de forma leve, até engraçada,
mas, aos poucos, vai adquirindo tons dramáticos, culminando num desfecho
trágico. A história: por causa de uma crise depressiva, o músico quarentão
Antoine (Gustave Kervern) abandona sua banda de rock e vai trabalhar como
zelador de um antigo edifício em Paris. Com seu jeito bonachão, cativa os
moradores, fazendo amizade com alguns deles, como Mathilde (Catherine Deneuve),
esposa do síndico e também depressiva, e Stéphane (Pio Marmai), um ex-jogador
de futebol agora viciado em drogas. Antoine terá uma ligação mais forte com Mathilde.
Um é mais depressivo que o outro e, juntos, tentarão superar seus traumas. Mais
do que uma comédia dramática, trata-se de uma comédia melancólica, como melhor
definiu o crítico Rubens Ewald Filho. O filme é muito bom e a presença da diva
Catherine Deneuve é um motivo a mais para uma visita. O roteiro e a direção
levam a assinatura do diretor tunisiano Pierre Salvadori, que já concebeu
filmes bem mais leves, como as comédias românticas “Uma Doce Mentira” e “Amar
não tem Preço”.
domingo, 20 de dezembro de 2015
“VIRANDO A PÁGINA” (“The Rewrite”), 2015, EUA, é uma comédia romântica que traz
no papel principal um dos especialistas no gênero, o galã inglês Hugh Grant.
Ele interpreta Keith Michaels, um roteirista que já foi sucesso em Hollywood,
tendo até conquistado um Oscar, mas que há muitos anos não emplaca um sucesso.
Com muitas dívidas, aceita, muito a contragosto, a sugestão de sua agente para
dar aulas de Roteiro na Universidade de Binghamton (Estado de Nova Iorque). Chegando
lá, arrumou briga com a coordenadora Mary Weldon (Allison Janney) por causa de
Jane Austen, se envolveu com uma aluna, Karen (Bella Heathcote), e se
enrabichou por outra aluna mais velha, Holly Carpenter (Marisa Tomei). Destaque
para o ator J.K. Simmons, que interpreta o diretor da universidade. Hugh Grant
continua com o charme e a competência de sempre, além do ar jovial que sempre
encantou suas fãs, embora as rugas denunciem seus 54 anos. A direção é de Marc
Lawrence, que já dirigiu Grant em seus três outros filmes, “Letra e Música”, “Cadê
os Morgan?” e “Amor à Segunda Vista”. O filme é bastante leve e engraçado. Indicado para
uma sessão da tarde com pipoca. Quem quiser conhecer melhor o talento de Grant
para a comédia, assista “Mickey Olhos Azuis”, de 1999. quinta-feira, 17 de dezembro de 2015
Ao
estrear (fora de competição) no Festival de Cannes 2015, o drama erótico francês
“LOVE”, escrito e dirigido pelo argentino Gaspar
Noé, provocou enorme polêmica. Não apenas pelas inúmeras cenas de sexo
explícito e pelo cartaz obsceno (foto), mas por ter sido feito para ser visto
em 3D. O filme é muito fraco e foi, com justiça, execrado pelo público e pelos
críticos. Por que uma produção tão medíocre consegue espaço num festival importante
como Cannes? A história: Murphy (o ator
norte-americano Karl Glusman, de “Tropas Estelares”) recebe um telefonema da
mãe de sua ex-namorada Electra (Aomi Muyock). Ela diz que a filha está
desaparecida e que está muito preocupada. O telefonema desencadeou em Murphy um
processo de depressão profunda, causada pelas lembranças dos momentos dele com
Electra. Momentos recheados de sexo, experiências com novos parceiros e diálogos
com a profundidade de um pires. Aliás, as camisinhas utilizadas pelo ator têm mais conteúdo do que o filme inteiro. Do trio central de protagonistas, o único ator
profissional é Glusman. A suíça Muyock é modelo, assim como a dinamarquesa
Klara Kristin, a outra ponta do triângulo amoroso. O argentino Gaspar Noé já
havia criado polêmica em 2002, quando apresentou, também em Cannes, o drama “Irreversível”,
com a diva Monica Bellucci. Enfim, um filme descartável, como as camisinhas de Murphy.sábado, 12 de dezembro de 2015
“OS 33” (“The 33”), uma co-produção EUA/Chile, 2014,
reconstitui o drama vivido por 33 mineiros que ficaram soterrados abaixo de 700
metros abaixo do nível do mar durante mais de dois meses, em 2010, numa mina de ouro e
cobre situada no deserto chileno do Atacama. O mundo inteiro acompanhou, minuto
a minuto, as tentativas de resgate, a agonia das famílias e o emocionante desfecho daquela que se anunciava
como uma tragédia consumada. Um fato tão espetacular não poderia ter sido
deixado de lado por Hollywood. A diretora mexicana Patricia Riggen foi
contratada para tocar o projeto e se inspirou, para escrever o roteiro, no
livro do jornalista norte-americano Hector Tobar. Riggen contou com
um elenco de astros como Antonio Banderas, Juliette Binoche, Mario Casas, Gabriel
Byrne, James Brolin, Lou Diamond Phillips e, vá lá, Rodrigo Santoro. Embora
mais pareça um modelo num editorial de moda no deserto, o ator brasileiro até
que está bem como o ministro chileno da Energia Laurence Golborne, responsável
pela coordenação do trabalho de resgate. O papel de Juliette Binoche, como irmã
de um dos mineiros soterrados, era para ser de Jennifer Lopez, que desistiu na
última hora. Aliás, o tapa que Binoche deu na cara de Santoro não foi truque, doeu
mesmo, segundo o ator. O filme é muito bem feito, inclusive as cenas iniciais de
muita tensão que mostram como o acidente aconteceu. As cenas do final do
resgate também são muito comoventes. Não recomendado para espectadores com
claustrofobia.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2015
Em seus
últimos filmes, Al Pacino não conseguiu papeis à altura do seu enorme e
reconhecido talento. Em “NÃO OLHE PARA TRÁS” (“DANNY COLINS”), 2015, EUA, porém, ele finalmente se redime, dando um show de interpretação na pele de Danny Colins, um veterano astro da música folk. Em 1971, quando surgiu
como grande revelação no cenário musical dos EUA, Colins deu uma entrevista em
que diz temer a influência da indústria fonográfica sobre o seu talento de
compositor. Depois dessa entrevista, ninguém menos do que John Lennon escreveu
uma carta para ele incentivando-o a continuar compondo e a não se deixar levar
pelo poder das gravadoras. Só que a carta só chegará a Collins muitos anos
depois, o que o fará repensar sobre o rumo que tomou - e poderia ter tomado - sua carreira e sua vida
particular. No final da carta, Lennon pede que Collins ligue para ele para conversar. Collins não teve essa oportunidade. O roteiro e a direção são do estreante Dan Fogelman, que baseou sua
história num personagem que realmente existiu, o cantor e compositor inglês Steve
Tilston, ao qual foi destinada a carta de Lennon, fato que realmente aconteceu.
Espere os créditos finais para conhecê-lo. O filme é ótimo, valorizado por um
elenco em que se destacam Annette Bening, Jennifer Garner, Christopher Plummer
e Bobby Carnavale, e ainda pela ótima trilha sonora, com muito John Lennon. terça-feira, 8 de dezembro de 2015
“O CORO” (“Boychoir”), 2014, EUA, é um drama escrito por Ben Ripley e dirigido pelo canadense
François Girard (“O Violino Vermelho”). O roteiro foi inspirado em fatos reais ocorridos ao longo dos últimos anos na American Boychoir School, de
Nova Jersey, que possui um dos corais de meninos mais respeitados do mundo. A história
toda é centrada no jovem Stet (Garrett Wareing), de 11 anos, que possui um talento
vocal nato. Ele é um garoto problemático, briguento na escola, filho de mãe solteira. Quando fica órfão,
é enviado para uma escola de música para meninos cantores. O regente é o
professor Carvelle (Dustin Hoffman), que, de início, rejeita Stet pelo seu
comportamento arredio, indisciplinado. Mas, aos poucos, Carvelle percebe que o
garoto tem muitas qualidades. A relação conflituosa entre mestre e discípulo é um dos atrativos do filme. A trilha sonora vai de Handel, Vivaldi e Mozart,
ou seja, da melhor qualidade. Além de Hoffman e Wareing, estão no elenco Kathy
Bates, Josh Lucas e Debra Winger. Aliás, quem é fã de Debra vai curtir sua
excelente fase madura, aos 60 anos, conservando a competência e a beleza que a
consagraram em filmes como “A Força do Destino”, “Laços de Ternura” e “O Céu
que nos Protege”, entre outros. “O Coro” é um ótimo programa para quem curte
cinema e música de qualidade. segunda-feira, 7 de dezembro de 2015
O
ator Jason Bateman, de tantas comédias, surpreende num papel dramático em “O
PRESENTE” (“The Gift”), 2015,
EUA/Austrália, um suspense psicológico dos melhores. Ele interpreta Simon, um
executivo em ascensão, casado com Robyn (Rebecca Hall). O casal vive um momento
feliz com a nova casa e a expectativa, quem sabe, de um bebê. Tudo vai bem até
a chegada de Gordo (Joel Edgerton), um antigo colega de escola de Simon. Com a
fama de esquisito desde o colégio, Gordo vai se aproximando do casal e,
principalmente de Robyn – aquele tipo de assédio meio assustador. Aos poucos,
Robyn começa a desconfiar de que algo de muito grave deve ter acontecido no
passado para que Gordo não desista do casal. Ela vai investigar e tentar descobrir o
que realmente aconteceu. Não dá para falar muito mais para não estragar as
surpresas, uma delas relacionada ao título do filme e revelada no final. Boa
estreia do ator australiano Joel Edgerton no roteiro e na direção de um longa. Edgerton,
Jason Bateman e Rebecca Hall estão muito bem em seus papeis. Rebecca prova mais
uma vez que, além de muito bonita, é ótima atriz. O filme é levado de forma
contida, a tensão crescendo aos poucos, sem grandes sustos ou histerismos. Um bom programa para quem gosta de
curtir um suspense.
“BEIJEI UMA GAROTA” (“Toute première Fois”), 2014, roteiro
e direção de Noémie Saglio e Maxime Govare, é mais uma boa comédia francesa - atualmente, seja qual for o gênero, são os franceses que estão fazendo o melhor cinema. Jérémie Deprez (Pio Marmai) é um
empresário bem sucedido, homossexual convicto e mantém um relacionamento amoroso
há uma década com Antoine (Lannick Gautry). Ambos são felizes, moram juntos e
estão de casamento marcado. Só que um dia – aliás, uma noite -, depois de uma
bebedeira, Jérémie dá uma “escorregada” e acaba na cama com Adna (Adrianna
Gradziel), uma bela sueca, divertida e radicalmente liberal. A partir desse “acidente”,
porém, Jérémie passa a questionar sua homossexualidade, a relação com
Antoine entra em crise e o casamento, já marcado, corre o risco de não acontecer.
O filme tem uma levada de comédia romântica, com direito a happy end e cerimônia de casamento no final, mas é muito divertido.
Destaque para a sueca Adrianna Gradziel, que faz sua estreia no cinema, assim como estrearam na direção Saglio e Govare. filme
foi exibido aqui no Brasil durante o Festival Varilux de Cinema Francês.
Entretenimento garantido. sexta-feira, 4 de dezembro de 2015
“THEEB”, 2014, Jordânia, marca a estreia
do diretor inglês de família jordaniana Naji Abu Nowar na direção de longas.
Ele também é responsável pelo roteiro, que conta a aventura vivida pelo jovem
Theeb, filho mais moço de uma família de beduínos que vive na Província de Hejaz
(região a oeste da Arábia Saudita). Seu pai, um xeique já falecido, era o chefe
da tribo. Toda a ação acontece durante o
ano de 1916, em plena 1ª Guerra Mundial. Theeb (Jacir Eid Al-Hwietat) e o irmão
mais velho Hussein (Hussein Salameh) são recrutados para guiar o oficial inglês
Edward (Jack Fox) numa expedição cujo objetivo é encontrar um poço romano.
Durante a viagem, feita no meio de um deserto inóspito (o cenário inteiro do
filme), eles enfrentarão muitos perigos, o maior deles um ataque de violentos e
sanguinários rebeldes. Mas a fome e a sede também são inimigos mortais. Um
detalhe exemplifica bem o sentimento dos beduínos com relação aos ocidentais e
suas modernidades. Ao invés de elogiarem a ferrovia construída pelos ingleses,
os habitantes locais ignoram os benefícios que a obra trará e a consideram uma
intrusão demoníaca. Chamam os trens, por exemplo, de “burros de ferro”. O filme
é muito bom, mas passa longe de conter um apelo comercial, o que certamente dificultará
sua exibição no circuito normal de cinemas.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
Ao
contrário do que o título sugere, “SAMBA”, 2014, França, não tem nada a ver com o
nosso tradicional ritmo. Samba Cissé (o simpático Omar Sy, de “Intocáveis”) é
um imigrante do Senegal que vive há 10 anos em Paris. Trabalha em restaurantes
como limpador de pratos e seu sonho é um dia ser “chef” de cozinha. Como
imigrante ilegal, porém, ele acaba detido e ameaçado de ser deportado. É quando
conhece Alice (Charlotte Gainsbourg), a nova integrante de uma Ong que ajuda os
imigrantes, com a qual faz amizade. Alice está afastada de seu trabalho de
executiva de uma grande empresa por causa de um episódio de estresse, e o
trabalho na Ong faz parte do seu tratamento. Samba (pronuncia-se Sambá) também
conhece Wilson (o ótimo Tahar Rahim), outro imigrante com problemas, que se diz
brasileiro. Embora trate de uma questão delicada e bastante atual como é a
situação dos imigrantes na França, o filme tem uma levada de comédia, o que
ameniza o contexto dramático. Duas das cenas mais divertidas têm como trilha
sonora Gilberto Gil e Jorge Benjor. O filme foi escrito e dirigido por Eric
Toledano e Olivier Nakache, dupla responsável pelo imperdível “Intocáveis”. O
bom elenco conta ainda com Izïa Higelin, Issaka Sawadogo, Liya Kebedeen. Mais
um filme francês de qualidade. Não perca!terça-feira, 1 de dezembro de 2015
Depois
de “O Exorcista”, dirigido por William Friedkin em 1973, nenhum outro filme sobre
exorcismo conseguiu assustar tanto a plateia. O pessoal continua tentando, mas
o resultado final sempre fica muito distante do original. É o caso, por
exemplo, deste “EXORCISTAS DO VATICANO” (“The Vatican Tapes”), 2014, EUA, mais um que nada acrescenta de novidade
ao gênero. A jovem Angela Holmes (Olivia Taylor Dudley) fere o dedo ao cortar o
seu bolo de aniversário. O ferimento infecciona depois que um corvo dá uma
bicada no seu dedo e, partir daí, o comportamento da moça muda completamente.
Para pior, é claro, incluindo assassinatos e outras situações que só uma
possessão maligna pode provocar. Ao desconfiar que é exatamente o que está
acontecendo com a moça, o Padre Lozano (Michael Peña) entra em contato com o
Vaticano e relata o caso. O Cardeal Bruun (Peter Andersson), especialista em
exorcismo, viaja para os EUA com o objetivo de investigar a possuída. Ele chega
à terrível conclusão de que o Anticristo assumiu o corpo da moça e que será
preciso eliminá-lo para salvar a humanidade. O final do filme é sinistro,
deixando a seguinte mensagem: o Anticristo pode estar entre nós. Sai pra lá,
capeta!!! segunda-feira, 30 de novembro de 2015
“ENCONTRO MARCADO” (“5 to 7”), 2015, roteiro e direção de Victor Levin (“Ironias do Amor” e “Quase me
Apaixono”). Trata-se de uma charmosa e simpática comédia romântica ambientada
em Nova Iorque e valorizada por um elenco de primeira: Anton Yelchin, a bela atriz
francesa Bérénice Marlohe, o também francês Lambert Wilson, Olivia Thirlby e as
participações especiais de Glenn Close e Frank Langella. Os cenários da Big Apple também fornecem charme e
glamour ao filme, como as cenas no Museu
Guggenheim, no Restaurante Carlyle, no Hotel St. Regis e no Central Park. Tudo filmado com muita classe e bom gosto. O jovem candidado a escritor Brian
(Yelchin), de 24 anos, conhece Arielle (Bérénice), de 33 anos, casada com um
diplomata francês, Valery (Wilson). Brian e Arielle tornam-se amantes, com a
concordância do marido dela. O casal francês é totalmente liberal, tanto que
ele também tem uma amante, a editora Jane (Olivia). Há, porém, um acordo que
deve ser respeitado: os encontros devem acontecer sempre entre 5 e 7 horas da
tarde (daí o título), horário ideal para o adultério, segundo os franceses. Só que Brian
se apaixona perdidamente, a ponto de apresentar a amante para seus pais (Close
e Langella) num jantar que se transforma num dos momentos mais engraçados do
filme. Ao pressionar Arielle, propondo que ela se separe do marido e dos dois
filhos, Brian coloca a amante na difícil situação de decidir entre a segurança de
um casamento de anos e um futuro totalmente incerto com um jovem nove anos mais
moço. Quem quiser saber qual foi a decisão de Arielle, só vendo o filme, que, aliás, é ótimo. sábado, 28 de novembro de 2015
“UM AMOR A CADA ESQUINA” (“She’s Funny that Way”), 2015,
direção de Peter Bogdanovich, lembra as boas comédias clássicas de Hollywood. Melhor: a começar da trilha sonora que acompanha os créditos iniciais (jazz dos anos
30/40), as situações, o ritmo, os diálogos, personagens neuróticos, tudo lembra também as melhores
comédias de Woody Allen. A história: Isabella Patterson (Imogen Poots) é uma
garota de programa contratada para passar a noite com Arnold Albertson (Owen Wilson),
um famoso diretor de teatro da Broadway. Ela conta que seu grande sonho é ser
atriz. Ele fica com pena da moça e oferece U$ 30 mil para ela largar a profissão
e tentar realizar o seu sonho. Pouco tempo depois, quando Arnold está montando
o elenco para uma peça, quem aparece para um teste? Isabella. Só que uma das
atrizes da peça é justamente a esposa de Arnold, Delta Simmons (Kathryn Hahn). A
partir daí, a confusão está formada, envolvendo ainda um veterano ator apaixonado por Delta,
um juiz cliente da garota de programa, também apaixonado por ela, uma terapeuta à beira de um ataque de nervos
e um produtor teatral que também se apaixonada por Isabella. No ótimo elenco,
ainda estão Jennifer Aniston, Illeana Douglas, Rhys Ifans e Will Fort. Quentin
Tarantino aparece numa ponta no final do filme. Depois de muitos anos sem
dirigir um longa, Bogdanovich (“A Última Sessão de Cinema, “Lua de Papel”)
acerta em cheio, garantindo um entretenimento divertido e inteligente. Enfim,
uma comédia que o cinema norte-americano estava devendo faz tempo. IMPERDÍVEL!
quinta-feira, 26 de novembro de 2015
“A GATINHA ESQUISITA” (“Das Merkwürdige Kätzchen”), 2013, é
um filme alemão que marca a estreia no roteiro e direção do jovem suíço Ramon
Zürcher. Não há história. O filme mostra o cotidiano de uma família de Berlim
cujos integrantes são bastante esquisitos, aqui incluídos uma gata e um velho
vira-lata preto. Toda a ação é desenvolvida no interior de um apartamento, onde
o casal, os filhos, a avó, vizinho, prima e tia entram e saem toda hora, num
vai e vem incessante. A menina grita quando qualquer aparelho eletrônico é
ligado; o pai trafega medindo a pressão arterial; a filha mais velha joga
cascas de laranja no chão e não entende porque elas caem com a parte branca
para cima. E por aí vai, tudo muito surreal. A maioria dos diálogos não tem o
mínimo nexo. Alguns deles são de uma espantosa profundidade filosófica. Quer um
exemplo? A esposa comenta com o marido: “Gatos são as minhas cebolas”. Eis que
o marido responde: “As cebolas são meus gatos”, e os dois acabam gargalhando.
Ainda bem que o filme dura apenas 72 minutos. Exibido em festivais do mundo
inteiro, o filme dividiu a opinião dos críticos, uns elogiaram, outros acharam
deplorável. Em todo caso, existe gosto pra tudo, e esta produção alemã deve
agradar quem curte filmes esquisitos. Aliás, nessa família, os humanos são muito mais esquisitos do que a pobre gatinha.
terça-feira, 24 de novembro de 2015
Você
já assistiu a algum faroeste dinamarquês? Agora surgiu a chance, com “A SALVAÇÃO” (“The Salvation”), 2014, direção de Kristian Levring. A
história é ambientada em 1870 nos EUA. Os irmãos Jon (Mads Mikkelsen) e Peter
(Mikael Persbrandt), ex-soldados do exército dinamarquês, chegaram à América
sete anos antes para fazer fortuna. Não fizeram. Tornaram-se pequenos
fazendeiros, donos de uma propriedade perto da cidade de Black Creek. Depois de
sete anos, a mulher e o filho de Jon chegam aos EUA. Na diligência em que
viajam para a fazenda, dois malfeitores assassinam a mulher e o filho de Jon. O
dinamarquês não perdoa: mata os dois. Só que um deles é o irmão querido do
chefão da região, Delarue (Jeffrey Dean Morgan), que parte para a vingança. O
elenco é uma verdadeira miscelânea de nacionalidades. Mikkelsen é dinamarquês,
Persbrandt é sueco, Eva Green e Éric Cantona franceses, Jonathan Pryce inglês.
O único norte-americano é o vilão da história, Dean Morgan. A bela Eva Green,
aliás, entra muda e sai calada, mesmo porque teve a língua cortada pelos
índios. Para culminar, o final é forçado e constrangedor. Ah, as filmagens aconteceram em locações na África do Sul. Quem quiser arriscar, fique à vontade. Saudades daquele velho oeste, John Wayne, Clint Eastwood, Giuliano Gemma...segunda-feira, 23 de novembro de 2015
“CAKE – UMA RAZÃO PARA VIVER” (“Cake”), EUA, 2014, direção de Daniel Barnz. A
advogada Claire Simmons (Jennifer Aniston), traumatizada por uma tragédia,
cujas sequelas também afetaram seu corpo, faz parte de um grupo terapêutico de
pessoas que sofrem de problemas psicológicos e dores crônicas. O suicídio ronda
a mente dessas mulheres, e uma delas concretizou o ato, Nina (Anna Kendrick).
Claire, que também pensa em fazer o mesmo, resolve investigar a fundo as razões
que levaram Nina a cometer o suicídio. Para isso, se aproxima do viúvo, Roy
(Sam Worthington). Mas quem realmente segura as pontas é a empregada mexicana
de Claire, Silvana (a ótima Adriana Barraza). O relacionamento entre patroa e
empregada resulta nos melhores diálogos e nos momentos de humor do filme, que
no geral é um dramalhão daqueles. Aniston atuou sem nenhuma maquiagem e aparece
feia e um tanto envelhecida. A idade (45 anos) também já não ajuda muito. Mas
seu desempenho é ótimo, tanto que foi indicada ao Globo de Ouro de 2015 na
categoria de Melhor Atriz de Filmes Dramáticos – ganhou Julianne Moore por “Still
Alice”, que depois também ganharia o Oscar. Se a consagração de Aniston não
veio com algum prêmio, pelo menos ficou evidente que ela é uma excelente atriz.
Pura
diversão. Assim é “O AGENTE DA U.N.C.L.E. (The Man from U.N.C.L.E.), 2015, EUA, direção do inglês Guy Ritchie.
Trata-se de uma paródia bem feita, com muito humor, ação e cenários deslumbrantes, da célebre série de
TV dos anos 60. Tudo bem que agora a dupla principal é interpretada por dois
bonitões sarados, os atores Henri Cavill (Napoleon Solo) e Armie Hammer (Illya
Kuriakin), enquanto que os intérpretes originais – Robert Vaughan e David McCallum
– eram mais franzinos e cerebrais. Nesta versão para o cinema, Solo (CIA)
e Kuriakin (KGB) recebem a missão de trabalhar em conjunto para se
infiltrar numa organização criminosa que ameaça o mundo com uma bomba nuclear. Destaque
para a atriz sueca Alicia Vikander. Acostumada a papeis dramáticos (“O Amante
da Rainha” e “Anna Karenina”), Alicia arrasa nas cenas de humor, provando que é
uma atriz bastante versátil. Do alto de seus 1m90, a atriz francesa Elizabeth
Debicki também está ótima como a vilã
Victoria Vinciguerra. A ação corre solta, bem ao estilo do diretor Guy Ritchie,
que já provou enorme competência no gênero em ótimos filmes como “Snatch –
Porcos e Diamantes” e “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes”. Esqueça as
mazelas do mundo e embarque nessa divertida aventura cinematográfica.
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