“O CORO” (“Boychoir”), 2014, EUA, é um drama escrito por Ben Ripley e dirigido pelo canadense
François Girard (“O Violino Vermelho”). O roteiro foi inspirado em fatos reais ocorridos ao longo dos últimos anos na American Boychoir School, de
Nova Jersey, que possui um dos corais de meninos mais respeitados do mundo. A história
toda é centrada no jovem Stet (Garrett Wareing), de 11 anos, que possui um talento
vocal nato. Ele é um garoto problemático, briguento na escola, filho de mãe solteira. Quando fica órfão,
é enviado para uma escola de música para meninos cantores. O regente é o
professor Carvelle (Dustin Hoffman), que, de início, rejeita Stet pelo seu
comportamento arredio, indisciplinado. Mas, aos poucos, Carvelle percebe que o
garoto tem muitas qualidades. A relação conflituosa entre mestre e discípulo é um dos atrativos do filme. A trilha sonora vai de Handel, Vivaldi e Mozart,
ou seja, da melhor qualidade. Além de Hoffman e Wareing, estão no elenco Kathy
Bates, Josh Lucas e Debra Winger. Aliás, quem é fã de Debra vai curtir sua
excelente fase madura, aos 60 anos, conservando a competência e a beleza que a
consagraram em filmes como “A Força do Destino”, “Laços de Ternura” e “O Céu
que nos Protege”, entre outros. “O Coro” é um ótimo programa para quem curte
cinema e música de qualidade. terça-feira, 8 de dezembro de 2015
“O CORO” (“Boychoir”), 2014, EUA, é um drama escrito por Ben Ripley e dirigido pelo canadense
François Girard (“O Violino Vermelho”). O roteiro foi inspirado em fatos reais ocorridos ao longo dos últimos anos na American Boychoir School, de
Nova Jersey, que possui um dos corais de meninos mais respeitados do mundo. A história
toda é centrada no jovem Stet (Garrett Wareing), de 11 anos, que possui um talento
vocal nato. Ele é um garoto problemático, briguento na escola, filho de mãe solteira. Quando fica órfão,
é enviado para uma escola de música para meninos cantores. O regente é o
professor Carvelle (Dustin Hoffman), que, de início, rejeita Stet pelo seu
comportamento arredio, indisciplinado. Mas, aos poucos, Carvelle percebe que o
garoto tem muitas qualidades. A relação conflituosa entre mestre e discípulo é um dos atrativos do filme. A trilha sonora vai de Handel, Vivaldi e Mozart,
ou seja, da melhor qualidade. Além de Hoffman e Wareing, estão no elenco Kathy
Bates, Josh Lucas e Debra Winger. Aliás, quem é fã de Debra vai curtir sua
excelente fase madura, aos 60 anos, conservando a competência e a beleza que a
consagraram em filmes como “A Força do Destino”, “Laços de Ternura” e “O Céu
que nos Protege”, entre outros. “O Coro” é um ótimo programa para quem curte
cinema e música de qualidade. segunda-feira, 7 de dezembro de 2015
O
ator Jason Bateman, de tantas comédias, surpreende num papel dramático em “O
PRESENTE” (“The Gift”), 2015,
EUA/Austrália, um suspense psicológico dos melhores. Ele interpreta Simon, um
executivo em ascensão, casado com Robyn (Rebecca Hall). O casal vive um momento
feliz com a nova casa e a expectativa, quem sabe, de um bebê. Tudo vai bem até
a chegada de Gordo (Joel Edgerton), um antigo colega de escola de Simon. Com a
fama de esquisito desde o colégio, Gordo vai se aproximando do casal e,
principalmente de Robyn – aquele tipo de assédio meio assustador. Aos poucos,
Robyn começa a desconfiar de que algo de muito grave deve ter acontecido no
passado para que Gordo não desista do casal. Ela vai investigar e tentar descobrir o
que realmente aconteceu. Não dá para falar muito mais para não estragar as
surpresas, uma delas relacionada ao título do filme e revelada no final. Boa
estreia do ator australiano Joel Edgerton no roteiro e na direção de um longa. Edgerton,
Jason Bateman e Rebecca Hall estão muito bem em seus papeis. Rebecca prova mais
uma vez que, além de muito bonita, é ótima atriz. O filme é levado de forma
contida, a tensão crescendo aos poucos, sem grandes sustos ou histerismos. Um bom programa para quem gosta de
curtir um suspense.
“BEIJEI UMA GAROTA” (“Toute première Fois”), 2014, roteiro
e direção de Noémie Saglio e Maxime Govare, é mais uma boa comédia francesa - atualmente, seja qual for o gênero, são os franceses que estão fazendo o melhor cinema. Jérémie Deprez (Pio Marmai) é um
empresário bem sucedido, homossexual convicto e mantém um relacionamento amoroso
há uma década com Antoine (Lannick Gautry). Ambos são felizes, moram juntos e
estão de casamento marcado. Só que um dia – aliás, uma noite -, depois de uma
bebedeira, Jérémie dá uma “escorregada” e acaba na cama com Adna (Adrianna
Gradziel), uma bela sueca, divertida e radicalmente liberal. A partir desse “acidente”,
porém, Jérémie passa a questionar sua homossexualidade, a relação com
Antoine entra em crise e o casamento, já marcado, corre o risco de não acontecer.
O filme tem uma levada de comédia romântica, com direito a happy end e cerimônia de casamento no final, mas é muito divertido.
Destaque para a sueca Adrianna Gradziel, que faz sua estreia no cinema, assim como estrearam na direção Saglio e Govare. filme
foi exibido aqui no Brasil durante o Festival Varilux de Cinema Francês.
Entretenimento garantido. sexta-feira, 4 de dezembro de 2015
“THEEB”, 2014, Jordânia, marca a estreia
do diretor inglês de família jordaniana Naji Abu Nowar na direção de longas.
Ele também é responsável pelo roteiro, que conta a aventura vivida pelo jovem
Theeb, filho mais moço de uma família de beduínos que vive na Província de Hejaz
(região a oeste da Arábia Saudita). Seu pai, um xeique já falecido, era o chefe
da tribo. Toda a ação acontece durante o
ano de 1916, em plena 1ª Guerra Mundial. Theeb (Jacir Eid Al-Hwietat) e o irmão
mais velho Hussein (Hussein Salameh) são recrutados para guiar o oficial inglês
Edward (Jack Fox) numa expedição cujo objetivo é encontrar um poço romano.
Durante a viagem, feita no meio de um deserto inóspito (o cenário inteiro do
filme), eles enfrentarão muitos perigos, o maior deles um ataque de violentos e
sanguinários rebeldes. Mas a fome e a sede também são inimigos mortais. Um
detalhe exemplifica bem o sentimento dos beduínos com relação aos ocidentais e
suas modernidades. Ao invés de elogiarem a ferrovia construída pelos ingleses,
os habitantes locais ignoram os benefícios que a obra trará e a consideram uma
intrusão demoníaca. Chamam os trens, por exemplo, de “burros de ferro”. O filme
é muito bom, mas passa longe de conter um apelo comercial, o que certamente dificultará
sua exibição no circuito normal de cinemas.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
Ao
contrário do que o título sugere, “SAMBA”, 2014, França, não tem nada a ver com o
nosso tradicional ritmo. Samba Cissé (o simpático Omar Sy, de “Intocáveis”) é
um imigrante do Senegal que vive há 10 anos em Paris. Trabalha em restaurantes
como limpador de pratos e seu sonho é um dia ser “chef” de cozinha. Como
imigrante ilegal, porém, ele acaba detido e ameaçado de ser deportado. É quando
conhece Alice (Charlotte Gainsbourg), a nova integrante de uma Ong que ajuda os
imigrantes, com a qual faz amizade. Alice está afastada de seu trabalho de
executiva de uma grande empresa por causa de um episódio de estresse, e o
trabalho na Ong faz parte do seu tratamento. Samba (pronuncia-se Sambá) também
conhece Wilson (o ótimo Tahar Rahim), outro imigrante com problemas, que se diz
brasileiro. Embora trate de uma questão delicada e bastante atual como é a
situação dos imigrantes na França, o filme tem uma levada de comédia, o que
ameniza o contexto dramático. Duas das cenas mais divertidas têm como trilha
sonora Gilberto Gil e Jorge Benjor. O filme foi escrito e dirigido por Eric
Toledano e Olivier Nakache, dupla responsável pelo imperdível “Intocáveis”. O
bom elenco conta ainda com Izïa Higelin, Issaka Sawadogo, Liya Kebedeen. Mais
um filme francês de qualidade. Não perca!terça-feira, 1 de dezembro de 2015
Depois
de “O Exorcista”, dirigido por William Friedkin em 1973, nenhum outro filme sobre
exorcismo conseguiu assustar tanto a plateia. O pessoal continua tentando, mas
o resultado final sempre fica muito distante do original. É o caso, por
exemplo, deste “EXORCISTAS DO VATICANO” (“The Vatican Tapes”), 2014, EUA, mais um que nada acrescenta de novidade
ao gênero. A jovem Angela Holmes (Olivia Taylor Dudley) fere o dedo ao cortar o
seu bolo de aniversário. O ferimento infecciona depois que um corvo dá uma
bicada no seu dedo e, partir daí, o comportamento da moça muda completamente.
Para pior, é claro, incluindo assassinatos e outras situações que só uma
possessão maligna pode provocar. Ao desconfiar que é exatamente o que está
acontecendo com a moça, o Padre Lozano (Michael Peña) entra em contato com o
Vaticano e relata o caso. O Cardeal Bruun (Peter Andersson), especialista em
exorcismo, viaja para os EUA com o objetivo de investigar a possuída. Ele chega
à terrível conclusão de que o Anticristo assumiu o corpo da moça e que será
preciso eliminá-lo para salvar a humanidade. O final do filme é sinistro,
deixando a seguinte mensagem: o Anticristo pode estar entre nós. Sai pra lá,
capeta!!! segunda-feira, 30 de novembro de 2015
“ENCONTRO MARCADO” (“5 to 7”), 2015, roteiro e direção de Victor Levin (“Ironias do Amor” e “Quase me
Apaixono”). Trata-se de uma charmosa e simpática comédia romântica ambientada
em Nova Iorque e valorizada por um elenco de primeira: Anton Yelchin, a bela atriz
francesa Bérénice Marlohe, o também francês Lambert Wilson, Olivia Thirlby e as
participações especiais de Glenn Close e Frank Langella. Os cenários da Big Apple também fornecem charme e
glamour ao filme, como as cenas no Museu
Guggenheim, no Restaurante Carlyle, no Hotel St. Regis e no Central Park. Tudo filmado com muita classe e bom gosto. O jovem candidado a escritor Brian
(Yelchin), de 24 anos, conhece Arielle (Bérénice), de 33 anos, casada com um
diplomata francês, Valery (Wilson). Brian e Arielle tornam-se amantes, com a
concordância do marido dela. O casal francês é totalmente liberal, tanto que
ele também tem uma amante, a editora Jane (Olivia). Há, porém, um acordo que
deve ser respeitado: os encontros devem acontecer sempre entre 5 e 7 horas da
tarde (daí o título), horário ideal para o adultério, segundo os franceses. Só que Brian
se apaixona perdidamente, a ponto de apresentar a amante para seus pais (Close
e Langella) num jantar que se transforma num dos momentos mais engraçados do
filme. Ao pressionar Arielle, propondo que ela se separe do marido e dos dois
filhos, Brian coloca a amante na difícil situação de decidir entre a segurança de
um casamento de anos e um futuro totalmente incerto com um jovem nove anos mais
moço. Quem quiser saber qual foi a decisão de Arielle, só vendo o filme, que, aliás, é ótimo. sábado, 28 de novembro de 2015
“UM AMOR A CADA ESQUINA” (“She’s Funny that Way”), 2015,
direção de Peter Bogdanovich, lembra as boas comédias clássicas de Hollywood. Melhor: a começar da trilha sonora que acompanha os créditos iniciais (jazz dos anos
30/40), as situações, o ritmo, os diálogos, personagens neuróticos, tudo lembra também as melhores
comédias de Woody Allen. A história: Isabella Patterson (Imogen Poots) é uma
garota de programa contratada para passar a noite com Arnold Albertson (Owen Wilson),
um famoso diretor de teatro da Broadway. Ela conta que seu grande sonho é ser
atriz. Ele fica com pena da moça e oferece U$ 30 mil para ela largar a profissão
e tentar realizar o seu sonho. Pouco tempo depois, quando Arnold está montando
o elenco para uma peça, quem aparece para um teste? Isabella. Só que uma das
atrizes da peça é justamente a esposa de Arnold, Delta Simmons (Kathryn Hahn). A
partir daí, a confusão está formada, envolvendo ainda um veterano ator apaixonado por Delta,
um juiz cliente da garota de programa, também apaixonado por ela, uma terapeuta à beira de um ataque de nervos
e um produtor teatral que também se apaixonada por Isabella. No ótimo elenco,
ainda estão Jennifer Aniston, Illeana Douglas, Rhys Ifans e Will Fort. Quentin
Tarantino aparece numa ponta no final do filme. Depois de muitos anos sem
dirigir um longa, Bogdanovich (“A Última Sessão de Cinema, “Lua de Papel”)
acerta em cheio, garantindo um entretenimento divertido e inteligente. Enfim,
uma comédia que o cinema norte-americano estava devendo faz tempo. IMPERDÍVEL!
quinta-feira, 26 de novembro de 2015
“A GATINHA ESQUISITA” (“Das Merkwürdige Kätzchen”), 2013, é
um filme alemão que marca a estreia no roteiro e direção do jovem suíço Ramon
Zürcher. Não há história. O filme mostra o cotidiano de uma família de Berlim
cujos integrantes são bastante esquisitos, aqui incluídos uma gata e um velho
vira-lata preto. Toda a ação é desenvolvida no interior de um apartamento, onde
o casal, os filhos, a avó, vizinho, prima e tia entram e saem toda hora, num
vai e vem incessante. A menina grita quando qualquer aparelho eletrônico é
ligado; o pai trafega medindo a pressão arterial; a filha mais velha joga
cascas de laranja no chão e não entende porque elas caem com a parte branca
para cima. E por aí vai, tudo muito surreal. A maioria dos diálogos não tem o
mínimo nexo. Alguns deles são de uma espantosa profundidade filosófica. Quer um
exemplo? A esposa comenta com o marido: “Gatos são as minhas cebolas”. Eis que
o marido responde: “As cebolas são meus gatos”, e os dois acabam gargalhando.
Ainda bem que o filme dura apenas 72 minutos. Exibido em festivais do mundo
inteiro, o filme dividiu a opinião dos críticos, uns elogiaram, outros acharam
deplorável. Em todo caso, existe gosto pra tudo, e esta produção alemã deve
agradar quem curte filmes esquisitos. Aliás, nessa família, os humanos são muito mais esquisitos do que a pobre gatinha.
terça-feira, 24 de novembro de 2015
Você
já assistiu a algum faroeste dinamarquês? Agora surgiu a chance, com “A SALVAÇÃO” (“The Salvation”), 2014, direção de Kristian Levring. A
história é ambientada em 1870 nos EUA. Os irmãos Jon (Mads Mikkelsen) e Peter
(Mikael Persbrandt), ex-soldados do exército dinamarquês, chegaram à América
sete anos antes para fazer fortuna. Não fizeram. Tornaram-se pequenos
fazendeiros, donos de uma propriedade perto da cidade de Black Creek. Depois de
sete anos, a mulher e o filho de Jon chegam aos EUA. Na diligência em que
viajam para a fazenda, dois malfeitores assassinam a mulher e o filho de Jon. O
dinamarquês não perdoa: mata os dois. Só que um deles é o irmão querido do
chefão da região, Delarue (Jeffrey Dean Morgan), que parte para a vingança. O
elenco é uma verdadeira miscelânea de nacionalidades. Mikkelsen é dinamarquês,
Persbrandt é sueco, Eva Green e Éric Cantona franceses, Jonathan Pryce inglês.
O único norte-americano é o vilão da história, Dean Morgan. A bela Eva Green,
aliás, entra muda e sai calada, mesmo porque teve a língua cortada pelos
índios. Para culminar, o final é forçado e constrangedor. Ah, as filmagens aconteceram em locações na África do Sul. Quem quiser arriscar, fique à vontade. Saudades daquele velho oeste, John Wayne, Clint Eastwood, Giuliano Gemma...segunda-feira, 23 de novembro de 2015
“CAKE – UMA RAZÃO PARA VIVER” (“Cake”), EUA, 2014, direção de Daniel Barnz. A
advogada Claire Simmons (Jennifer Aniston), traumatizada por uma tragédia,
cujas sequelas também afetaram seu corpo, faz parte de um grupo terapêutico de
pessoas que sofrem de problemas psicológicos e dores crônicas. O suicídio ronda
a mente dessas mulheres, e uma delas concretizou o ato, Nina (Anna Kendrick).
Claire, que também pensa em fazer o mesmo, resolve investigar a fundo as razões
que levaram Nina a cometer o suicídio. Para isso, se aproxima do viúvo, Roy
(Sam Worthington). Mas quem realmente segura as pontas é a empregada mexicana
de Claire, Silvana (a ótima Adriana Barraza). O relacionamento entre patroa e
empregada resulta nos melhores diálogos e nos momentos de humor do filme, que
no geral é um dramalhão daqueles. Aniston atuou sem nenhuma maquiagem e aparece
feia e um tanto envelhecida. A idade (45 anos) também já não ajuda muito. Mas
seu desempenho é ótimo, tanto que foi indicada ao Globo de Ouro de 2015 na
categoria de Melhor Atriz de Filmes Dramáticos – ganhou Julianne Moore por “Still
Alice”, que depois também ganharia o Oscar. Se a consagração de Aniston não
veio com algum prêmio, pelo menos ficou evidente que ela é uma excelente atriz.
Pura
diversão. Assim é “O AGENTE DA U.N.C.L.E. (The Man from U.N.C.L.E.), 2015, EUA, direção do inglês Guy Ritchie.
Trata-se de uma paródia bem feita, com muito humor, ação e cenários deslumbrantes, da célebre série de
TV dos anos 60. Tudo bem que agora a dupla principal é interpretada por dois
bonitões sarados, os atores Henri Cavill (Napoleon Solo) e Armie Hammer (Illya
Kuriakin), enquanto que os intérpretes originais – Robert Vaughan e David McCallum
– eram mais franzinos e cerebrais. Nesta versão para o cinema, Solo (CIA)
e Kuriakin (KGB) recebem a missão de trabalhar em conjunto para se
infiltrar numa organização criminosa que ameaça o mundo com uma bomba nuclear. Destaque
para a atriz sueca Alicia Vikander. Acostumada a papeis dramáticos (“O Amante
da Rainha” e “Anna Karenina”), Alicia arrasa nas cenas de humor, provando que é
uma atriz bastante versátil. Do alto de seus 1m90, a atriz francesa Elizabeth
Debicki também está ótima como a vilã
Victoria Vinciguerra. A ação corre solta, bem ao estilo do diretor Guy Ritchie,
que já provou enorme competência no gênero em ótimos filmes como “Snatch –
Porcos e Diamantes” e “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes”. Esqueça as
mazelas do mundo e embarque nessa divertida aventura cinematográfica.
sexta-feira, 20 de novembro de 2015
“HORAS DE DESESPERO” (“No Escape”), 2015, EUA, roteiro e direção de John Erick
Dowdle, faz jus ao título. A história é toda ambientada num país fictício do leste asiático, lá
pelos lados da Tailândia. O engenheiro Jack Dwyer (Owen Wilson), sua esposa
Annie (Lake Bell) e as duas filhas menores chegam ao país e se hospedam num
hotel luxuoso. Jack acabara de ser contratado para trabalhar na subsidiária de
uma tal empresa Cardiff. Poucas horas depois de chegarem à cidade, ocorre um
violento golpe de Estado e a revolta se instala por todo o país. A matança é
geral e o alvo passa a ser o hotel onde estão hospedados inúmeros estrangeiros,
entre eles a família Dwyer. Daí para frente, o que se vê são realmente horas de
desespero, de pura aflição. Jack tentará sobreviver protegendo a família contra os rebeldes,
recebendo a ajuda de Hammond (Pierce Brosnan), um homem misterioso com jeito de
pilantra. Mesmo com a presença de astros como Brosnan e Owen Wilson, a produção
tem jeito de filme B, com ação e suspense de filme A. Aliás, o suspense é uma
das especialidades do diretor Dowdle, como provam seus filmes anteriores - “Demônio”,
“Assim na Terra como no Inferno” e “Quarentena”. É daqueles filmes para
assistir entortando os braços da poltrona. Tensão do começo ao fim. Ou seja,
ótimo entretenimento. terça-feira, 17 de novembro de 2015
Cansada
dos compromissos familiares, dedicando-se anos e anos a servir o marido e os filhos,
sem receber ao menos um elogio, é natural que uma mulher de meia idade tenha a vontade
de desaparecer da face da Terra. “Minha vontade é sumir!” é a exclamação
preferida dessas batalhadoras donas de casa. A comédia dramática “LULU,
NUA E CRUA” (“Lulu Femme Nue”), 2013, conta
a história de uma dessas mulheres. Só que, ao contrário da maioria, esta
resolve mesmo sumir. Lucie, chamada por todo mundo de Lulu, é casada, tem três filhos
(uma adolescente e dois meninos gêmeos) e um dia resolve arrumar um emprego.
Vai até uma cidade vizinha fazer a entrevista, que dá errado. Não mais do que
de repente, ela resolve sumir por uns dias e fica na tal cidade, onde faz
amizade e algo mais com Charles (Bouli Lanners), um ex-presidiário. Ela ainda
fica amiga de uma idosa, Marthe (Claude Gensac), e de uma atendente de bar,
Virginie (Nina Meurisse). Enfim, Lulu usa seu período de liberdade para
conhecer pessoas, desfrutar de outras companhias, viver sem compromissos
familiares. O filme é muito bom, principalmente pelo excelente trabalho dessa estupenda
atriz francesa que é Karin Viard. As mulheres vão adorar a história e, com
certeza, imaginar se teriam coragem de fazer o que Lulu fez. A nota triste fica
por conta da diretora e roteirista Sólveig Anspach, nascida na Islândia e radicada
na França, que faleceu em outubro último aos 54 anos.domingo, 15 de novembro de 2015
Não
fosse a presença de Meryl Streep e a excelente trilha sonora – rock da melhor
qualidade – e “RICKI AND THE FLASH: DE VOLTA PRA CASA” (“Ricki and
the Flash”), 2015, seria mais um drama familiar mediano. Mas Meryl inunda a tela com
sua habitual competência e versatilidade, transformando o filme num bom
programa. Ela interpreta Ricki Rendazzo, que há muitos anos abandonou o marido
e os três filhos para seguir a carreira de roqueira. Teve algum sucesso, lançou
até um disco, mas depois passou a tocar em barzinhos de segunda classe com a
banda “The Flash”. Até que um dia seu ex-marido Pete Brummel (Kevin Kline)
telefona pedindo ajuda por causa da filha Julie (Mamie Gummer, filha de Meryl
na vida real), que entrou em depressão por ter sido abandonada pelo marido. Ao
visitar a filha, Ricki também reencontrará seus dois outros filhos, e não será
fácil para ela explicar por que ficou tantos anos sem vê-los. Num desabafo perante
uma pequena plateia, Ricki diz que se fosse homem seria perdoado. Mas é uma
roqueira mulher, e mãe, aí ninguém perdoa. “Mike Jagger teve sete filhos com
mulheres diferentes e nunca está presente. Ele é homem, aí todo mundo perdoa", diz ela.
O roteiro leva a assinatura de Diablo Cody (pseudônimo de Brook Busey), de “Juno”
e “Garota Infernal”, entre outros. O diretor é Jonathan Demme (“O Silêncio dos
Inocentes” e “Filadelfia”). A trilha sonora traz hits de Tom Petty e Bruce
Springsteen, entre outros. Repare nas apresentações da banda “The Flash”. O
baixista, Rick Rosas, morreu logo após as filmagens. O filme é dedicado a ele. sábado, 14 de novembro de 2015
“A FAMÍLIA BÉLIER” (“La Famille Bélier”), 2014, direção de Eric Lartigau, é mais uma
ótima comédia francesa. Toda a história gira em torno da família Bélier, dona
de uma propriedade rural no interior da França. Os pais, assim como o filho
adolescente, são surdos e dependem muito da filha Paula (Louane Emera), o único
integrante da família que não herdou a deficiência. É ela quem administra a
fazenda de gado e a fabricação de queijos, os negócios dos Bérlier. É ela quem
negocia com fornecedores e clientes. É ela também que acompanha a mãe numa consulta
com o ginecologista para traduzir as perguntas e respostas. Aliás, esta é uma
das cenas mais hilariantes do filme. Não faltam piadas politicamente
incorretas, como chamar o bezerro preto recém-nascido de Obama. Paula tem um sonho:
ser uma grande cantora. Ao mesmo tempo em que auxilia a família, Paula participa
do coral do colégio. O regente do coral, professor Thomasson (o ótimo Eric
Elmosnino, de “Gainsbourg”), percebe que está diante de uma joia a ser lapidada
e convence Paula a participar de uma importante audição em Paris. Será ela capaz de
abandonar a família para realizar seu sonho? Louane faz sua estreia no cinema, depois de ficar conhecida por sua participação no reality show The Voice. Além de Louane e Eric, estão no
elenco Karin Viard, a mãe (hilariante) e François Damiens, o pai. O filme é ótimo, garante
boas risadas e alguns momentos bastante comoventes. Programão! quinta-feira, 12 de novembro de 2015
Baseado
nas memórias de infância da diretora Maya Forbes, que viveu o mesmo problema com
o pai, maníaco-depressivo (hoje chamado de transtorno bipolar), “SENTIMENTOS
QUE CURAM” (“Infinitely Polar Bear”), 2014, é um drama repleto de momentos comoventes,
sensíveis e bem-humorados. O filme é ambientado no final dos anos 70, época da
infância de Maya. A história: nos anos 60, o jovem Cameron (Mark Ruffalo) é
diagnosticado como maníaco-depressivo e, a partir de então, passa por diversas
internações em clínicas psiquiátricas. Mesmo enfrentando esse problema, alternando
momentos de depressão com outros de euforia, ele conhece Maggie (Zoe Saldana),
com a qual se casa e tem duas filhas, Faith (Ashley Aufderheide) e Amelia
(Imogene Wolodarsky). Ao mesmo tempo em que enfrenta uma grave situação
financeira, a família é abalada por um novo colapso nervoso do pai. Mesmo
assim, Maggie resolve fazer um curso em Nova Iorque para abrir portas para um
bom emprego e deixa as filhas aos cuidados de Cameron. Será ele capaz de
assumir essa responsabilidade? Maggie banca esse desafio. A partir daí, o
relacionamento entre o pai problemático e as filhas passa a ser o foco principal
da história. Mark Ruffalo está ótimo, sem exageros na atuação, assim como Zoe Saldana. Interessante
rever o ator Keir Dullea, que ficou famoso como o astronauta de “2001: Uma Odisseia
no Espaço”, como o pai de Cameron. O filme marca a – boa – estreia na direção
de Maya Forbes, roteirista de filmes como “Diário de um Banana 3: Dias de Cão”
e “O Roqueiro”, entre outros.terça-feira, 10 de novembro de 2015
“O RITMO SOB OS MEUS PÉS” (“THE BEAT BENEATH MY FEET”), 2014, Inglaterra, direção de John
Williams, é um filme musical, não no sentido literal do gênero, mas porque tem
muita música – rock, principalmente. O jovem Tom (Nicholas Galitzine) é tímido,
vive isolado e é vítima constante de bullyng
pelos colegas de classe, que o chamam de “Sr. Travado”. A vida de Tom é o rock.
Seu grande sonho é ser um astro da guitarra. Sem a mãe saber, ele compõe, toca num
velho violão e ouve muito rock no fone de ouvido. Tom se imagina tocando para
grandes multidões, o que dá margem para o diretor criar clipes musicais durante
o filme. Aliás, de muito bom gosto, como aquele em que ele está indo de carro,
dirigido pela dona Morte, para uma “encruzilhada” no Mississipi, onde o
lendário guitarrista de blues Robert Johnson teria vendido sua alma ao diabo
para se transformar num grande músico. Quando Max Stone (Luke Perry), um famoso
ex-guitarrista vai morar no apartamento vizinho, Tom vê a grande chance de aperfeiçoar
seu desempenho na guitarra. A amizade entre os dois vai ajudar Tom a mudar seu
comportamento. O filme marca a estreia de John Williams na direção e do ator
Nicholas Galitzine no cinema. Ótimas estreias, aliás. Os veteranos Luke Perry e
Lisa Dillon, como a mãe de Tom, também dão conta do recado. Enfim, tudo
funciona bem nesse filme, garantindo um ótimo entretenimento. segunda-feira, 9 de novembro de 2015
Produzido
em 2012 e somente lançado nos cinemas no começo de 2015, a comédia “O DUELO” é uma grata surpresa do cinema nacional. No centro da história,
baseada no romance “Os Velhos Marinheiros”, escrito em 1961 por Jorge Amado,
está o capitão de longo curso Vasco Moscoso de Aragão (o ator português Joaquim
de Almeida), que chega à vila de Periperi, em algum lugar do litoral
brasileiro, e de repente torna-se o ídolo da população, com suas histórias de viagens
ao redor do mundo, incluindo lugares exóticos, amores e naufrágios. Chico
Pacheco (José Wilker, num de seus últimos papeis no cinema) fica enciumado com
o sucesso do comandante e faz questão de afirmar, a quem quiser ouvir, que o
comandante não passa de um charlatão. E vai tentar provar essa afirmação. O
roteiro e a direção são de Marcos Jorge, responsável pelo ótimo “Estômago”, de
2007. Jorge emprega recursos e efeitos bastante criativos na hora de compor uma
nova cena, fazendo com que os personagens ingressem e saiam de um novo cenário
conforme transcorre o enredo. O filme é muito bom, com destaque para a
excelente fotografia e o ótimo elenco, que conta ainda com Claudia Raia, Tainá
Müller (belíssima), Patrícia Pillar, Márcio Garcia e Milton Gonçalves. Finalmente, um
nacional de qualidade.sexta-feira, 6 de novembro de 2015
Lúgubre,
macabro, depressivo, sórdido, tedioso. Somados, esses adjetivos definem com
propriedade o drama francês “UMA HISTÓRIA DE AMOR” ("Une
Histoire D’Amour”), 2013, estreia na
direção da atriz Hélène Fillières, que também escreveu o roteiro. O título,
portanto, é bastante enganoso. Falando claramente, mentiroso. A história é
inspirada no livro “Sévère”, de Régis Jauffret, lançado em 2010. Um rico
banqueiro (o ator belga Benoît Poelvoorde) sofre de transtornos psicológicos. Um carente psicótico. É
pervertido e adora o sadomasoquismo. Esse tipo de prazer ele consegue nos
encontros com uma prostituta (Laetitia Casta), que por sua vez tem uma ligação
com um homem mais velho (Richard Bohringer), mas não são casados. Uma confusão que
não é esclarecida, assim como o fato dos personagens não terem nome. O enredo
transcorre numa série de situações inexplicáveis, compondo cenas num ritmo de
dar sono. Enfim, tedioso demais, pretensioso demais. Não dá para recomendar um
filme que, depois de terminar, faz você pensar por que alguém teve a coragem de
produzi-lo, além de gastar um bom dinheiro com a contratação de dois astros
como Benoît Poelvoorde e Laetitia Casta. Dos últimos filmes franceses que
assisti, este é, sem dúvida, um dos piores.terça-feira, 3 de novembro de 2015
“O JULGAMENTO DE VIVIANE AMSALEM” (“Le Procès de
Viviane Ansalem”), 2014, co-produção Israel/França,
foi escrito e dirigido pelos irmãos Ronit e Shlomi Elkabetz. Ronit também é a
atriz principal do filme. Ela interpreta Viviane Amsalem, uma mulher que há
três anos luta para se divorciar de Elisha (Simon Abkerian) - ele não comparece às primeiras audiências e nem por isso é punido. O motivo da separação? Ela não
o ama mais. Simples e objetivo. Lá em Israel, porém, não é tão fácil assim. O
filme acompanha as audiências no decorrer de anos, durante os quais os juízes –
na verdade, rabinos – pendem claramente para o lado do marido. Informação: em
Israel, só os rabinos podem legitimar ou dissolver um casamento. O cenário é o
mesmo o filme inteiro: uma sala com os rabinos, um escrevente, os litigantes e
seus respectivos advogados. Isso não significa que o filme é entediante. A
força dos diálogos, os ótimos atores e um pouco de humor – principalmente durante o
depoimento de algumas testemunhas - aliviam a tensão do ambiente, transformando
o filme num bom entretenimento. Aliás, este foi o candidato de Israel ao Globo de Ouro e ao Oscar
2015 de Melhor Filme Estrangeiro. Do mesmo gênero e temática, recomendo também o
iraniano “A Separação”, Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2012, este sim uma pequena
obra-prima. segunda-feira, 2 de novembro de 2015
“O NOME DO FILHO” (“IL NOME DEL FIGLIO”), 2015, estreia na direção de Francesca Archibugi, uma das principais atrações da
39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Trata-se de uma comédia
italiana, na verdade uma refilmagem do filme francês “Qual o nome do bebê?”, de
2012. A história é inspirada numa peça de teatro escrita por Mathieu Delaporte
e Alexandre de La Pattelière, justificando, portanto, o estilo teatral utilizado
nas adaptações cinematográficas. Sandro (Luigi Lo Cascio) e Betta (Valeria
Golino) recebem para jantar o cunhado Paolo (Alessandro Gassman, filho do
grande Vittorio) - irmão de Betta -, sua esposa Simona (Micaela Ramazzotti), e
o amigo Claudio (Rocco Papaelo). Ainda nos aperitivos, Paolo anuncia que
escolheu o nome do seu futuro filho. O nome, associado a um antigo líder
fascista, desagrada a todos os demais, principalmente Sandro, um fanático de
esquerda. Aí começa toda a confusão. Muita roupa suja será lavada durante o
jantar, mas o que importa mesmo é que os diálogos são ótimos, inteligentes, culminando
com algumas revelações que irão colocar mais lenha na fogueira do ambiente. O
sotaque italiano e a maneira exaltada de falar contribuem para deixar essa
comédia ainda mais saborosa. As duas versões – a francesa e a italiana – são ótimas.
Escolha qualquer uma e você estará garantindo muitas risadas.
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