De “O
Poderoso Chefão” a “Os Bons Companheiros”, este último o melhor de todos,
sempre fui fã de filmes sobre a Máfia. Se a história for baseada em fatos
reais, melhor ainda. É o caso de “ALIANÇA DO CRIME” (“Black
Mass”), EUA, 2015, roteiro e direção de Scott Cooper ("Tudo por Justiça"), que conta a
trajetória de James “Whitey” Bulger, um dos criminosos mais famosos de Boston,
chefe da máfia irlandesa. Além disso, irmão de um poderoso senador, o que deixa a história ainda mais saborosa. Bulger é
interpretado por um irreconhecível Johnny Depp, calvo e com lentes de contato
que o fizeram ficar com os olhos claros. Nos anos 80, para se livrar de uma “família”
da máfia italiana, concorrente de seus negócios ilícitos, Bulger resolveu ser
informante do FBI. O filme apresenta fatos da vida pessoal do criminoso, sua
relação com o agente do FBI John Connelly (Joel Edgerton) e, em detalhes,
mostra como ele tratava os seus delatores e inimigos. A interpretação de Johnny
Depp é sensacional, o que provavelmente o colocará como um dos favoritos ao
Oscar 2016 (previsão minha, pois nem sei se será indicado). O filme é muito bom
não apenas pela história em si, mas também pelo excelente roteiro e,
principalmente, pelo ótimo elenco, que conta ainda com Dakota Johnson, Peter
Sarsgaard, Benedict Cumberbatch, James Russo, Juno Templo, Corey Stoll e Kevin
Bacon. Não deixe de ver os créditos finais, que contêm informações sobre o
destino dos personagens envolvidos na história real. Resumindo, um filmaço! segunda-feira, 2 de novembro de 2015
De “O
Poderoso Chefão” a “Os Bons Companheiros”, este último o melhor de todos,
sempre fui fã de filmes sobre a Máfia. Se a história for baseada em fatos
reais, melhor ainda. É o caso de “ALIANÇA DO CRIME” (“Black
Mass”), EUA, 2015, roteiro e direção de Scott Cooper ("Tudo por Justiça"), que conta a
trajetória de James “Whitey” Bulger, um dos criminosos mais famosos de Boston,
chefe da máfia irlandesa. Além disso, irmão de um poderoso senador, o que deixa a história ainda mais saborosa. Bulger é
interpretado por um irreconhecível Johnny Depp, calvo e com lentes de contato
que o fizeram ficar com os olhos claros. Nos anos 80, para se livrar de uma “família”
da máfia italiana, concorrente de seus negócios ilícitos, Bulger resolveu ser
informante do FBI. O filme apresenta fatos da vida pessoal do criminoso, sua
relação com o agente do FBI John Connelly (Joel Edgerton) e, em detalhes,
mostra como ele tratava os seus delatores e inimigos. A interpretação de Johnny
Depp é sensacional, o que provavelmente o colocará como um dos favoritos ao
Oscar 2016 (previsão minha, pois nem sei se será indicado). O filme é muito bom
não apenas pela história em si, mas também pelo excelente roteiro e,
principalmente, pelo ótimo elenco, que conta ainda com Dakota Johnson, Peter
Sarsgaard, Benedict Cumberbatch, James Russo, Juno Templo, Corey Stoll e Kevin
Bacon. Não deixe de ver os créditos finais, que contêm informações sobre o
destino dos personagens envolvidos na história real. Resumindo, um filmaço! sexta-feira, 30 de outubro de 2015
Fazer
papel de sujeito bonzinho não combina muito com Robert De Niro. Ainda mais num
filme bonitinho, como é “UM SENHOR ESTAGIÁRIO” (“The Intern”), 2015. Prefiro o grande ator interpretando
homens maus, como os mafiosos de tantos filmes, inclusive na comédia “A Máfia
no Divã”. Nessa comedinha sem muita graça, De Niro é Ben Whittaker, um
aposentado de 70 anos entediado com a rotina dos dias sem fazer nada, a não ser
ir a velórios de amigos, programa cada vez mais frequente. Ao se deparar um
cartaz de uma empresa anunciando a contratação de estagiários sêniors (mais de
65 anos), ele resolve se inscrever. Passa nos testes e começa a trabalhar. A
empresa é um site de vendas de roupas fundado e administrado por Jules Ostin (Anne
Hathaway). Ben é o único a trabalhar de terno e gravata. Com seu jeito de papaizão
e bonachão, ele conquista a simpatia de todos e até de Jules, sem contar a
massagista da empresa, Fiona (Rene Russo, ainda bonita e em grande forma). Não
é aquele filme que faz gargalhar, mas tem seus momentos engraçados. O filme foi
escrito e dirigido por Nancy Meyers, especialista em comédias, algumas muito boas,
como “Simplesmente Complicado”, “Alguém
tem que ceder” e “O Amor não tira Férias”. Não espera muita coisa a mais do que apenas um bom programa para uma sessão da
tarde com pipoca e guaraná.quinta-feira, 29 de outubro de 2015
Primeiro
filme de ficção lançado pela Netflix, “BEASTS OF NO NATION”, 2015, EUA, direção de Cary Fukunaga (da série “True Detective”) ganhou enorme
repercussão não apenas pela ótima história – baseada no livro do escritor nigeriano
Uzodinma Iweala - e pela excelente produção, mas também porque foi boicotado
pelas distribuidoras e produtoras nos EUA – a Netflix exibe filmes pela
Internet, prática comparada à pirataria. A ideia era lançar o filme também nos cinemas
e ganhar uma vaga na disputa do Oscar 2016. Deixando de lado a polêmica, o
filme é muito bom, realista, de grande impacto. Pode incomodar os espectadores
mais sensíveis, pois contém muita violência, cenários de extrema pobreza e
crianças servindo como soldados, matando e sendo mortos. A história é
ambientada num país da África em meio a uma violenta guerra civil, envolvendo o
exército e grupos rebeldes. Todo mundo lutando contra todo mundo, uma matança
geral. O garoto Agu (Abraham Attah) consegue fugir da sua vila dizimada e é
recrutado como soldado pelo grupo rebelde chefiado pelo “Comandante” (o ótimo
ator inglês Idris Alba), um líder carismático e sanguinário, especialista em
fazer lavagem cerebral em meninos, transformando-os em verdadeiros assassinos. Resumindo:
um filmaço! quarta-feira, 28 de outubro de 2015
“NIGHTINGALE – Peter e sua Mãe”, 2014, é
um filme produzido e exibido pela HBO – ainda não chegou aos cinemas. A direção
é de Elliott Lester (“Blitz”). Os produtores são os mesmos de “Selma” e “12
Anos de Escravidão”, entre eles o astro Brad Pitt. Desconsidere a grande
maioria dos sites e blogs de cinema que comentaram o filme sem tê-lo assistido,
divulgando uma história que não tem nada a ver. Faço esse esclarecimento com
toda segurança, pois assisti ao filme. Trata-se de um monólogo ao estilo
teatral, o que deve desagradar a muitos espectadores. Só há um personagem,
Peter (David Oyelowo), falando o tempo inteiro sobre a mãe repressora que
finalmente o deixou em paz, sobre a liberdade de fazer o que quiser dentro de
casa e sobre um antigo colega de exército que espera rever (parece que houve um
caso entre os dois). Nem todo filme de um personagem só é chato. Já vimos
alguns muito bons, tais como “Náufrago”, com Tom Hanks, “Até o Fim”, com Robert
Redford, e podemos considerar ainda “Gravidade”, durante o qual Sandra Bullock
passa a maior parte do tempo sozinha, perdida no espaço. O inglês David Oyelowo,
de “Selma, Uma Luta pela Igualdade”, é um excelente ator e segura o monólogo
com muita competência. O clima de tensão que acompanha o personagem faz com que
a gente queira chegar ao final para ver o que vai acontecer.
segunda-feira, 26 de outubro de 2015
“SELF/LESS” (ainda
sem tradução por aqui), 2015, é um suspense norte-americano dirigido pelo
indiano Tarsem Singh (de “Espelho, Espelho Meu” e “Imortais”). O tema remete a
filmes de ficção científica, embora seja ambientado no tempo atual. O bilionário
Damian (Ben Kingsley) tem câncer e poucos meses de vida. Sem nada a perder,
ingressa num programa arrojado de troca de corpos, comandado pelo excêntrico
Albright (Matthew Goode). O experimento dá certo e Damian assume a carcaça de Mark
(Ryan Reynolds, de “Lanterna Verde”), um soldado do exército morto em combate
no Afganistão. Devido aos remédios que é obrigado a tomar, Damian começa a ter
alucinações e, numa delas, consegue visualizar Madeline (Natalie Martinez), a
viúva de Mark, e a filha. O passo seguinte é tentar encontrá-las. O susto da
mulher é grande, mas com muito tato ele consegue convencê-la de que é Mark. Mas
não por muito tempo. Para piorar toda essa confusão, Damian descobre que os
efeitos dos remédios não são permanentes e que Albright não passa de um farsante. A partir daí, Damian vai tentar desmascará-lo. O clima de suspense até que prende a atenção,
mas a história é inverossímel demais, mesmo sendo uma ficção. De qualquer
forma, é um filme movimentado e com ritmo alucinante até o seu final.
“CRIMES OCULTOS” (“Child 44”), EUA, 2015, é um misto de drama, suspense e policial. Na década de 30,
o ditador Joseph Stalin resolveu reprimir os ucranianos, que lutavam por sua
independência. Stalin provocou a morte de 14 milhões de ucranianos (mais do que
os judeus que Hitler assassinou no Holocausto), a grande maioria de fome. A
matança deixou milhões de crianças órfãs. Aí vem a ficção. O filme conta a
história de uma dessas crianças, Leo Demidov (interpretado em adulto por Tom
Hardy). O enredo pula para 1953. Leo é um oficial do Exército russo, casado com
Raisa (Noomi Rapace). Uma série de assassinatos de crianças começa a chamar a
atenção das autoridades. Só que naquela época, a ordem de Stalin é que esses
crimes sejam atribuídos a acidentes, como atropelamento de trem, quedas etc. “Não
há assassinatos no paraíso”, conforme ditava a cartilha do governo russo. “Esse
tipo de crime é coisa do Ocidente, do regime capitalista”. Os oficiais rezavam
por essa cartilha. Até que o afilhado de Leo, filho de outro oficial, é
assassinado. Aí ele resolve investigar por conta própria, contrariando seus
superiores. O filme tem ainda no elenco Gary Oldman, Vincente Kassel e Joel Kinnaman.
A direção é do sueco Daniel Espinosa. O filme é falado em inglês, mas os atores
interpretam com sotaque russo, o que soa meio falso e ridículo. Embora seja o
ator do momento (“Mad Max”), Tom Hardy é fraco, inexpressivo, atua no piloto
automático. Muito pouco para fazer o personagem principal de um filme. Filme, aliás, que acrescenta pouco à cinematografia. sábado, 24 de outubro de 2015
“3 CORAÇÕES” (“3 Coeurs”), 2014, roteiro e direção de Benoît Jacquot (de “Adeus, Minha Rainha”), é
um drama francês que conta a história de um triângulo amoroso. O auditor fiscal
Marc (Benoît Poelvoorde) está viajando a trabalho numa cidade da região de Provence.
Ele perde o trem noturno que o traria de volta a Paris. Para “fazer hora”, ele
entra num bar. Aqui, acaba conhecendo Sylvie (Charlotte Gainsbourg) e engata um
papo que dura toda a madrugada. Paixão à primeira vista. Eles combinam de se
encontrar dali a alguns dias em Paris. Só que o reencontro não dá certo e eles
acabam não se vendo mais durante alguns anos. Nesse meio tempo, Marc retorna à
cidade e conhece Sophie (Chiara Mastroianni, cada vez mais a cara do pai), com
quem acaba se casando. Coincidência das coincidências: Sophie é irmã de Sylvie.
Ambas são filhas de Madame Berger (Catherine Deneuve) - aliás, na vida real, Chiara
é filha de Deneuve. Com o retorno de Sylvie, que estava morando nos EUA, a
situação se complica de vez, pois Marc insiste em reviver a antiga paixão. A
história é um tanto inverossímil, levando-se em conta que Marc, um quarentão
beirando os cinquenta, é um sujeito feio, totalmente desprovido de charme, nada
que atraia uma mulher. Ainda mais, duas. A trilha sonora conduz o espectador a um clima de suspense angustiante. O filme teve sua exibição de estreia
no Festival de Veneza 2014, onde concorreu ao Leão de Ouro. É só mais um bom
filme francês, o que, por si só, é uma ótima razão para ser visto. terça-feira, 20 de outubro de 2015
“CAREFUL WHAT YOU WISH FOR” (ainda sem tradução por aqui, mas algo como “Cuidado com o que você deseja”),
EUA, 2014, direção de Elizabeth Allen Rosembaum. Trata-se de um bom suspense,
que prende a atenção até o desfecho. A vida do jovem Doug (Nick Jonas, da série
“Kingdom”) vai do paraíso ao inferno depois que o casal Lena (a atriz
australiana Isabel Lucas) e Elliot Harper (Dermot Mulroney) aluga a casa
vizinha de Doug, à beira de um lago. Elliot contrata Doug para fazer reparos
num barco que acabara de comprar. A estonteante Lena vai fazer de tudo para
provocar o garoto. Doug, é claro, não resiste ao charme da loira e acaba na
cama com ela. Uma, duas, três e algumas outras vezes..., até ficar
completamente apaixonado. Só que Lena tem outros planos, inclusive receber um seguro de 10 milhões de dólares. Doug acaba envolvido na história e entra na lista de suspeitos do xerife “Big” Jack (Paul Sorvino, enorme de gordo) e da investigadora da
companhia de seguros Emma Alvarez (Kandyse McClure). Como todo bom suspense, o
final reserva ao espectador uma reviravolta surpreendente, tornando o filme
ainda mais interessante. Sem contar Isabel Lucas, uma tentação realmente irresistível.
Confira! sexta-feira, 16 de outubro de 2015
A bela
atriz norte-americana Katherine Heigl, protagonista de tantas boas comédias (”Vestida para
Casar”, “Ligeiramente Grávidos”), desta vez encara um drama. Trata-se de “O CASAMENTO DE JENNY” (“Jenny’s Wedding”), 2014,
direção de Mary Agnes Donoghue. Ela é Jenny, uma trintona que nunca acertou um
namoro e agora, beirando os quarenta, é pressionada pela família a arrumar alguém
para casar. Ela finalmente se decide, mas o “marido” não será bem a pessoa que
a família esperava. Ao revelar sua paixão por Kitty (Alexis Bledel), com a qual
divide o mesmo teto há cinco anos, seus pais, Eddie (Tom Wilkinson) e Rose
(Linda Emond), extremamente conservadores, entram em polvorosa, assim como a irmã
Anne (Grace Gummer). O filme inteiro coloca em destaque esse conflito familiar,
a aceitação da escolha de Jenny e, finalmente, o seu casamento. No elenco, merece
destaque a atuação do ator inglês Tom Wilkinson e da norte-americana Linda
Emond. Também demonstra muita competência Grace Gummer, filha de Meryl Streep. Ao
explorar um tema tão em evidência, como a aceitação ou não da opção sexual dos
filhos, o filme nos motiva a refletir mais profundamente sobre a questão. Só
por isso, vale a pena. quinta-feira, 15 de outubro de 2015
Produzido em 2014 e exibido no ano seguinte pela BBC, “O MENSAGEIRO” (“The Go-Between”,
título original do filme e do romance
escrito por L.P.Hartley) teve uma primeira versão para o cinema em 1971, com direção de Joseph Losey e com Julie Christie e Alan Bates nos papeis
principais. Este “O Mensageiro”, portanto, é uma refilmagem. Mas uma refilmagem
de grande categoria, com ótimos atores e uma recriação primorosa de época, além
de uma fotografia deslumbrante. Como qualidade cinematográfica, portanto, não
fica atrás do original. A história é ambientada em 1900 no interior da Inglaterra.
A bela jovem Marian Maudsley (Joanna Vanderham) é cortejada pelo Lord
Trimingham (Stephen Campbell Moore). É desejo de Mrs. Maudsley (Lesley
Manville), a autoritária mãe de Marian, que os dois se casem. Só que Marian tem
um amante, o fazendeiro Ted Burgess (Ben Batt). Leo, de 12 anos, sobrinho de
Mrs. Maudsley, serve como garoto de recados entre os dois amantes, daí o título
“O Mensageiro”. O caldo entorna quando a mãe descobre o caso da filha, numa
cena em que a ótima atriz Lesley Manville dá um show de interpretação. Muitos
anos depois, Leo (agora Jim Broadbent) reencontra Marian (agora Vanessa
Redgrave) para decretar o desfecho da história. Aliás, um reencontro sem muita
emoção, talvez o único defeito dessa caprichada produção inglesa. quarta-feira, 14 de outubro de 2015
O
drama inglês “O DANÇARINO DO DESERTO” (“DESERT DANCER”), 2013, conta uma incrível história de
coragem e amor à arte. No caso, a dança. Baseado em fatos reais recentes
ocorridos no Irã, o filme marca a estreia em longas do diretor inglês Richard
Raymond. A história: desde criança, o garoto iraniano Afshin Ghaffarian (Reece
Ritchie) adorava dançar. No colégio, era comum ele imitar a coreografia de
Patrick Swayze em “Dirty Dancing”. Acontece que dançar em público, no país de
Ahmadinejad, era e ainda é proibido. Afshin esqueceu a dança até ingressar na
faculdade em Teerã, capital do País. Aqui, formou um grupo clandestino de
dança, associando-se a Elaheh (a atriz indiana Freida Pinto), uma jovem
iraniana filha de uma ex-dançarina. Inspirados em vídeos de Pina Bausch e Michael
Jackson, que assistiam escondidos pela Internet, os dois criavam coreografias
especiais. Só que não podiam mostrá-las em público. A solução foi organizar uma
apresentação em pleno deserto. Tudo parecia ir bem até os fundamentalistas
islâmicos entrarem em ação, em nome da moral e dos bons costumes. O fim da
história todo mundo já sabe: Afshin foge para Paris, onde monta uma escola de
dança bastante conceituada. Todo o enredo tem como pano de fundo a situação
política do Irã sob Ahmadinejad, um regime de opressão no qual qualquer
manifestação artística é pecado mortal.terça-feira, 13 de outubro de 2015
“O HOMEM QUE ELAS AMAVAM DEMAIS” (“L’HOMME QU’ON
AIMAIT TROP”), 2014, direção de André Téchiné. A história é baseada em fatos reais.
Em 1976, a empresária Renée Le Roux (Catherine Deneuve), proprietária do Palais
de La Méditerranée, um luxuoso cassino na cidade de Nice, na Riviera Francesa,
vive às voltas com uma grave crise financeira em seu negócio. Seu principal
assessor é Maurice Agnelet (Guillaume Canet), um advogado ardiloso, ambicioso e
manipulador. Na época, suspeitava-se que, por trás das manobras para arruinar o
cassino de Renée, estava o empresário do cassino concorrente, Fratoni (Jean
Corso), considerado um poderoso mafioso local. Em meio a toda essa situação,
Renée recebe a visita de sua filha Agnes (Adèle Haenel), recém-separada e que
chega disposta a arrancar dinheiro da mãe. Ela acabará se envolvendo com
Maurice, contra todos os argumentos da mãe. O repentino desaparecimento de
Agnes faz a história virar um rumoroso caso policial, com Maurice sendo acusado
de assassiná-la e esconder o corpo. O mistério perdurou durante anos. Maurice
foi réu em vários julgamentos, o último deles em 2014, trinta e sete anos
depois do sumiço de Agnes. Não é dos melhores filmes do veterano diretor
francês, mas vale pela história e, principalmente, pelo ótimo elenco e pelo cenário maravilhoso da Riviera Francesa. Guilhaume
Canet, o ator francês do momento, já havia feito recentemente outro vilão num
filme também baseado em fatos reais (“Na Próxima, Acerto no Coração”), no qual
interpreta um policial psicopata.
Se
tiver, deixe de lado seu preconceito contra o cinema asiático e assista “FLORES
DO AMANHÔ (Xiang Ri Kui”), 2005, um
belo, sensível e comovente drama chinês escrito e dirigido por Zhang Yang (do
cultuado e premiadíssimo “Banhos”, de 1999). Duas horas e nove minutos de puro
prazer cinematográfico, tendo como pano de fundo o cenário político da China
durante 30 anos. A história passa pela Revolução Cultural Proletária, a morte do
grande líder Mao Tsé Tung, o Bando dos Quatro, até a época de Deng Xiao Ping. O
filme começa em 1967, com o nascimento de Xiangyang (interpretado por três
atores, da infância, juventude até a fase adulta). Seu pai, Gengnian (Haiyng
Sun), preso pouco antes pelo regime de Mao, só irá conhecer o filho dez anos
depois. Mimado pela mãe, Xiuqing (Joan Chen), o garoto só quer saber de
brincar, enquanto o pai, recém-chegado, insiste para que ele se torne pintor, sua
profissão até ser preso. A maior parte da história é dedicada à conflituosa
relação entre pai e filho, o que rende cenas de grande força dramática. O filme
retrata a evolução da sociedade chinesa diante dos novos tempos, incluindo uma mudança comportamental com relação à tradição secular de respeito aos pais e aos mais velhos em geral. Os atores
são ótimos, principalmente Joan Chen e Haiyung Sun. Um filme delicado, uma
pequena obra-prima do cinema chinês. Simplesmente imperdível!sexta-feira, 9 de outubro de 2015
As belas
paisagens do Alasca servem de cenário para o drama “WILDLIKE” (ainda sem tradução por aqui), EUA, 2014,
roteiro e direção de Frank Hall Green. Quem pensa que o estado americano é só
gelo vai se surpreender com a quantidade de verde, muita floresta e vegetação. A
história: a jovem Mackenzie (Ella Purnell), de 14 anos, fica órfã de pai e sua
mãe, com a desculpa de fazer um tratamento de saúde, a envia para morar um
tempo com o tio (Brian Geraghty), irmão do falecido, lá nos confins do Alasca. Sem
respeitar o parentesco nem a idade da sobrinha, o tio acaba partindo para o
ataque sexual. Cansada e de certa forma enojada, Mackenzie foge e se embrenha sozinha
pelo interior do Alasca. Ela quer voltar com urgência para Seattle, onde mora
com a mãe. Só que no meio do caminho ela conhece Rene Bart (Bruce Grenwood), um
homem de meia idade que está em busca de sossego e de um tempo para se
recuperar da recente viuvez. Mackenzie e Bart começam então uma viagem pelo
interior do Alasca, num road movie que
vai agradar o espectador que curte a Natureza e belas paisagens. A jovem atriz inglesa Ella Purnell é uma espécie de Angelina Jolie teen, ou seja, uma “Lolita” de primeira,
embora na vida real tenha 19 anos. Pode ser que eu me engane, mas acho que está nascendo uma nova estrela.
quarta-feira, 7 de outubro de 2015
A
comédia francesa “O QUE AS MULHERES QUEREM” (“SOUS LES JUPES DES FILLES”), 2014, tem um time de atrizes de tirar o chapéu – ou as calças, já que
sexo é o tema predominante. Só para citar algumas: Laetitia Casta, Alice
Taglione, Isabelle Adjani, Marina Hands, Alice Blaïdi, Audrey Fleurot e Audrey
Dana, esta última estreando também como diretora. Em termos de beleza, destoa
do grupo a atriz Vanessa Paradis, que, com seus dentes da frente separados,
parece irmã do Alfred E. Neuman, personagem símbolo da revista Mad. Isabelle
Adjani, que já foi considerada uma diva do cinema francês, está gorducha, mas
não perdeu o charme. De qualquer forma, são todas ótimas atrizes e estão bem à
vontade fazendo comédia. A história reúne 11 personagens mulheres, cada qual
com seus problemas sentimentais. Uma delas é casada e tem quatro filhos, o que
não a impede de ter um caso fora do casamento. Pior, com uma mulher. Outra descobre
que o marido a trai e resolve se vingar dos dois. Tem aquela que não consegue atingir
o orgasmo e ainda outra que tem sérios tiques nervosos, que só desaparecem
quando o assunto é sexo. E assim transcorre o filme, com muitas situações
engraçadas, diálogos espertos e algumas cenas bastante hilariantes. Na França,
a comédia foi um sucesso de público, levando 1,4 milhão de espectadores aos
cinemas. Sem dúvida, um programa bastante agradável. segunda-feira, 5 de outubro de 2015
O
que os soldados norte-americanos fizeram com os prisioneiros de Abu Ghraib, no
Iraque, é conto infantil comparado ao que é mostrado no drama inglês “OPERAÇÃO IRAQUE LIVRE” (“The Mark of Cain”), 2007, dirigido por Marc Munden. No primeiro
caso, os fatos foram reais e revelados para o mundo inteiro. No caso dos
ingleses do filme, não há referência de que os fatos tenham sido baseados na
realidade. Mas mesmo assim chocam bastante. Em patrulha numa cidade do Iraque,
um pelotão do exército inglês é alvo de uma emboscada, que resulta na morte do
capitão Godber. Os ingleses prendem vários suspeitos e os levam presos. Como
forma de se vingar do que aconteceu ao seu comandante, os soldados ingleses
promovem inúmeras sessões de torturas brutais e constrangedoras. Tudo filmado e fotografado por celulares. Pano rápido e
os soldados voltam para a Inglaterra. Um deles, porém, mostra as fotos para a
namorada. Erro fatal. O material acaba nos jornais e abre caminho para o maior
escândalo. Apenas dois soldados, Mark (Gerard Kedarnes) e Shane Gulliver (Matthew
McNulty), são acusados de crimes de guerra, sofrendo uma grande pressão para
não entregar os companheiros. Um filme sério, levado o tempo todo num crescente clima de tensão
e de muito impacto. Vale a pena!
O
elenco feminino é ótimo (Elizabeth Banks, Diane Lane, Dakota Fanning e Danielle
MacDonald, esta última uma jovem e surpreendente atriz australiana). O filme, nem tanto. “EVERY
SECRET THING” (ainda sem tradução por
aqui), 2014, EUA, é um drama policial bem pesado, inspirado no livro “Cada Segredo”, de
Laura Lippman. A história: a detetive Nancy Porter (Banks) está às voltas com
um mistério: o desaparecimento de uma menina – morta ou sequestrada? No decorrer das investigações, as
principais suspeitas recaem sobre Ronnie (Dakota) e Alice (Danielle), recém-saídas de um centro de detenção juvenil, onde cumpriram pena de 7 anos pelo assassinato
de uma criança. A policial Porter passa a exercer
marcação cerrada sobre a dupla, além de pressionar Helen Manning (Diane), mãe
de Alice. É claro que a revelação surgirá somente no final do filme. Trata-se da
estreia em longas da diretora Amy Berg, mais conhecida pela realização de
documentários. O clima de suspense até que consegue prender a atenção, mas o
filme, como um todo, está longe de uma indicação entusiasmada.domingo, 4 de outubro de 2015
“MISSÃO IMPOSSÍVEL: NAÇÃO SECRETA” (“Mission
Impossible: Rogue Nation”), 2015. Para o
espectador, missão impossível mesmo é não se divertir com tantas cenas de ação “impossíveis”,
mentirosas e deliciosas como aquelas que tanto nos divertiram nos melhores filmes
do James Bond – aliás, neste há até uma menção àquela famosa saída do mar de
Ursulla Andress em “Satânico Dr. No”, só que numa piscina e com a atriz Rebecca Ferguson. Dizem até que Tom Cruise não quis dublê nas cenas perigosas, incluindo
aquela em que o agente Ethan Hunt (Cruise) aparece agarrado, pelo lado de fora,
num avião em plena decolagem. A cena é, sem dúvida, espetacular, mas duvido que
o próprio Cruise estivesse ali pendurado. Acho que é mais uma jogada de
marketing para divulgar o filme. Este é o quinto filme da série “Missão
Impossível”, iniciada em 1996, com a participação de Cruise em todos. O filme é
dirigido pelo especialista em filmes de ação Christopher McQuarrie (do ótimo “Jack
Reacher – O Último Tiro”, também com Cruise). “Em “Nação Secreta”, o agente
especial Ethan Hunt é encarregado de desvendar quem está por trás de uma
organização secreta chamada “O Sindicato”. Só que a agência (IMF) à qual pertence
o agente Hunt é desativada pela CIA. Dessa forma, Hunt passa a trabalhar
clandestinamente e acaba sendo perseguido pela própria CIA. A maioria dos
críticos profissionais elegeu o filme como o melhor dos cinco. Tenho minhas
dúvidas, mas, de qualquer forma, o filme é muito bom, garantia de um ótimo
entretenimento. E tem Cruise em plena forma. quinta-feira, 1 de outubro de 2015
Produzido no formato de minissérie para ser exibido pela TV alemã em 2013, “OS
FILHOS DA GUERRA” (“Unsere Mütter, unsere Väter”), direção de Philipp Kadelbach, é um drama
de guerra dos mais competentes. A produção é caprichada, os atores são ótimos e
a história é muito interessante, ainda mais que inspirada em fatos reais, o que
somente é revelado nos créditos finais. Em 4h30 de duração (2 DVD’s), o filme
conta a saga de cinco jovens amigos residentes em Berlim que se reúnem num
restaurante em 1941 para uma despedida, durante a qual combinam de se
reencontrar no mesmo local quando a guerra acabar. Dois deles, os irmãos
Wilhelm (Volker Bruch) e Friedhelm (Tom Schilling), alistam-se no exército,
Charlotte (Miriam Stein) também vai para a guerra como enfermeira voluntária,
Greta (Katharina Schüttler) fica em Berlim para tentar carreira como cantora e,
por fim, o judeu Viktor (Ludwig Trept) tentará escapar da perseguição nazista. O
pano de fundo de toda essa história é a malfadada campanha do Terceiro Reich
contra a Rússia. A série alemã ganhou nada menos do que 18 prêmios
internacionais, incluindo o International Emmy de 2014 (categoria “Melhor
Minissérie”).quinta-feira, 24 de setembro de 2015
Para
quem gosta de curtir thrillers políticos baseados em fatos reais, “MATAR
A TODOS” é um prato cheio. Trata-se de uma co-produção Uruguai/Argentina, de
2007, com direção de Esteban Schoroeder. O filme já começa esclarecendo o que
foi a Operação Condor, no início dos anos 70, cujo principal objetivo era combater
os opositores aos regimes militares instalados em seis países da América do
Sul, incluindo o nosso Brasil varonil. Isso tudo com a ajuda do Tio Sam, é
claro. É com esse pano de fundo que o enredo se desenvolve. Júlia Gudari
(Roxana Blanco) é uma promotora de justiça que se envolve na investigação do desaparecimento
do bioquímico chileno Eugenio Barrios em território uruguaio. Barrios era
ligado ao grupo de extrema direita chileno chamado “Patria y Libertad” e ajudou
a fabricar o gás Sarin para o exército de Pinochet utilizar contra os
militantes de esquerda. Júlia, uma antiga militante de esquerda que na
juventude havia sido presa e torturada, desconfia que houve queima de arquivo e
insiste em prosseguir a investigação, mesmo depois das ameaças dos militares
uruguaios, incluídos seu pai, um general aposentado, e o irmão, capitão do
exército. O clima de suspense predomina do começo ao fim, o que impede o
espectador de desgrudar os olhos da telinha. Um programão!segunda-feira, 21 de setembro de 2015
“CASAMENTO SILENCIOSO” (“Nunta Muta”), 2008, direção de Horatiu Malaele, é um dos
filmes romenos mais interessantes da última década. Embora seja um drama com forte pano de fundo político – o comunismo -,
o filme é repleto de bom humor e algumas pitadas de realismo mágico. Inspirado
num caso que realmente aconteceu, o filme é ambientado num pequeno vilarejo do
interior da Romênia. O ano é 1953. Todos os habitantes do vilarejo esperam com
grande ansiedade a festa do casamento de Mara (Meda Victor) com Iancu (Alexandru
Potoceanu), casal muito querido por todos. Familiares dos noivos chegam de todas as
partes do país. Quando tudo já está pronto para o acontecimento do ano, vem a
notícia trágica: Stalin morreu. O prefeito do vilarejo e representantes do governo
comunista romeno decretam luto por uma semana, proibindo qualquer tipo de
comemoração. Mesmo com essa ordem, o casamento será comemorado de qualquer
jeito, nem que seja da forma que gerou o título do filme. Diversão garantida!
Outro
dia comecei a ver um filme italiano cuja história é ambientada na Rússia do século
19. Imagine os personagens russos – interpretados por atores italianos - falando italiano em
plena Moscou. Não deu pra assistir. Comparando, seria como se atores austríacos
fossem colocados para protagonizar o nacional “Cidade de Deus” falando alemão. Este é o tipo de defeito também cometido pelo drama de época
“UM
POUCO DE CAOS” (“A Little Chaos”), 2014, segunda incursão do ator Alan
Rickman como diretor. A história é toda ambientada na França, no século XVII.
Os personagens são franceses, os atores ingleses – com exceção do belga Mattias
Schoenherts – e, claro, totalmente falado em inglês. Não combina, soa falso demais! Vamos à
história: por ordem do Rei Luís XIV (Rickman), o arquiteto André Le Notre (Schoenherts)
fica encarregado de projetar os jardins do Palácio de Versalhes – o arquiteto
realmente existiu, sendo responsável pelo projeto do Champs Elysees, em Paris.
Voltando ao filme: Le Notre contrata a paisagista Sabine de Barra (Kate
Winslet) para ajudá-lo na construção de um anfiteatro ao ar livre. O encontro
entre os dois já prenuncia um previsível romance. Aliás, aqui surge outro defeito
do filme: Schoenherts não tem nada parecido com um galã romântico e muito menos
com um ator. É muito fraco. Kate Winslet está gorducha (filmou grávida) e
também atua no piloto automático. O filme dedica sua maior parte à construção do
tal anfiteatro e às fofocas da Corte de Luís XIV. Alan Rickman, como diretor, é
um ótimo ator.
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