O
drama francês “GAROTAS” (“Bande de Filles”), 2014, gira em torno da jovem Marieme (Karidja Touré), de 16 anos, que
mora na periferia de Paris com a mãe, faxineira de um hotel de luxo, o irmão
mais velho e duas irmãs mais jovens. Como quase todos os personagens da
história, Marieme é descendente de imigrantes africanos. Ela é tímida, péssima
aluna e está cansada de ser vigiada pelo irmão mais velho, que a trata com
violência. Ela se modifica a partir do momento em que conhece Lady, Fily e
Adiaton, três outras jovens da periferia, desajustadas, revoltadas com a
condição de rejeitadas pela sociedade branca, desbocadas e sem qualquer
perspectiva mais séria a não ser fazer coisa nenhuma e, às vezes, experimentar
roupas de grife em lojas incrementadas, roubando algumas. Elas gargalham por
qualquer bobagem, o que chega a irritar em muitos momentos. Não demora muito e Mariame
foge de casa e acaba se envolvendo com Abou, um conhecido traficante de origem
árabe. A diretora Céline Sciamma (do ótimo “Tomboy”, de 2012) provavelmente tenha
tido a intenção de fazer um filme simpático aos imigrantes, principalmente africanos,
para amenizar a rejeição da sociedade francesa – e europeia em geral. Acho que
o tiro saiu pela culatra, pois o filme mostra um tipo de comportamento social
que beira a marginalidade. De qualquer forma, trata-se de uma abordagem
interessante sobre o tema. Alguns críticos profissionais desenvolveram verdadeiros tratados sociológicos sobre o filme, exagerando na dose da costumeira afetação intelectual. quinta-feira, 6 de agosto de 2015
O
drama francês “GAROTAS” (“Bande de Filles”), 2014, gira em torno da jovem Marieme (Karidja Touré), de 16 anos, que
mora na periferia de Paris com a mãe, faxineira de um hotel de luxo, o irmão
mais velho e duas irmãs mais jovens. Como quase todos os personagens da
história, Marieme é descendente de imigrantes africanos. Ela é tímida, péssima
aluna e está cansada de ser vigiada pelo irmão mais velho, que a trata com
violência. Ela se modifica a partir do momento em que conhece Lady, Fily e
Adiaton, três outras jovens da periferia, desajustadas, revoltadas com a
condição de rejeitadas pela sociedade branca, desbocadas e sem qualquer
perspectiva mais séria a não ser fazer coisa nenhuma e, às vezes, experimentar
roupas de grife em lojas incrementadas, roubando algumas. Elas gargalham por
qualquer bobagem, o que chega a irritar em muitos momentos. Não demora muito e Mariame
foge de casa e acaba se envolvendo com Abou, um conhecido traficante de origem
árabe. A diretora Céline Sciamma (do ótimo “Tomboy”, de 2012) provavelmente tenha
tido a intenção de fazer um filme simpático aos imigrantes, principalmente africanos,
para amenizar a rejeição da sociedade francesa – e europeia em geral. Acho que
o tiro saiu pela culatra, pois o filme mostra um tipo de comportamento social
que beira a marginalidade. De qualquer forma, trata-se de uma abordagem
interessante sobre o tema. Alguns críticos profissionais desenvolveram verdadeiros tratados sociológicos sobre o filme, exagerando na dose da costumeira afetação intelectual. segunda-feira, 3 de agosto de 2015
Você
já se interessou em conhecer a história da Holanda? Ou já ouvir falar no nome
Michiel De Ruyter? Nem eu. O drama
histórico “MICHIEL DE RUYTER”, superprodução holandesa de 2014, conta uma parte da história da
Holanda no Século XVII, centrando o foco no Almirante Michiel De Ruyter, que
naqueles anos de guerra contra a Inglaterra e França foi um grande herói
daquele país. Durante 152 minutos, você assistirá a inúmeras batalhas navais,
conhecerá um pouco dos bastidores da política holandesa, onde orangistas e
republicanos rangiam os dentes uns para os outros nas sessões do parlamento, e,
principalmente, as batalhas vitoriosas comandadas por De Ruyter, um grande
estrategista, respeitado até pelos inimigos. As cenas de ação são muito bem
feitas. Aliás, o diretor Roel Reiné é especialista no gênero (“Corrida Mortal" 2
e 3). O ator Frank Lammers, que interpreta De Ruyter, é a antítese da figura
de um herói: é feio e gordo. Um dos destaques do filme é o ótimo ator inglês Charles
Dance como o Rei Charles II da Inglaterra. Embora longo, o filme é bastante
interessante sob o ponto de vista histórico, pois apresenta fatos e personagens
que pouca gente conhece por aqui. domingo, 2 de agosto de 2015
“WELCOME TO ME” (ainda sem tradução por aqui),
2014, é uma comédia independente norte-americana que comprova mais uma vez o
talento para o humor da atriz Kristen Wiig - durante sete anos (2005 a 2012),
ela foi um dos grandes destaques do Programa “Saturday Night Live”. Em “Welcome
to Me” ela interpreta Alice Krieg, uma mulher que há muitos anos sofre de
transtornos de personalidade. É bem maluquinha. E ninfomaníaca. Além de sexo, Alice
é obcecada por programas de TV de variedades, aqueles que dão dicas de
culinária, saúde, entrevistas etc. Fica evidente que o roteirista Eliot
Laurence e a diretora Shira Piven quiseram fazer uma crítica aos espectadores
desse tipo de programa, colocando uma desequilibrada mental como fã desse
gênero. Um dia, Alice ganha uma grande fortuna na loteria e resolve mudar a sua
vida. Abandona as sessões de terapia com o psiquiatra Dr. Moffat (Tim Robbins), para
de tomar os remédios, vai morar num cassino e, pior, compra um espaço de duas
horas numa emissora de TV para fazer um programa do jeito dela, o que dará
margem a situações hilariantes. O desespero da equipe de produção da TV diante
das loucuras de Alice é um dos trunfos dessa comédia bastante interessante,
inteligente e muito engraçada. Confira os coadjuvantes de luxo: Joan Cusack,
James Marsden, Linda Cardellini, Jennifer Jason Leigh, Wes Bentley e Loretta
Devine. O filme estreou no Festival de Cinema de Toronto em 2014, recebendo muitos e merecidos elogios. sexta-feira, 31 de julho de 2015
A
família de Hugo (Marcello Novaes) está em crise. Financeira e de relacionamento
entre pais e filhos, o que não é nenhuma novidade para a grande maioria das
famílias hoje em dia. Hugo está falido. Perdeu o emprego e todo o dinheiro que havia aplicado na Bolsa. Dispensa os empregados, corta despesas e tenta manter as aparências de qualquer maneira, embora se humilhe em pedir dinheiro emprestado. O drama nacional “CASA GRANDE”, 2014, explora a situação dessa família carioca de classe média alta e
suas consequências. Tudo acontece sob o ponto de vista de Jean (o estreante Thales
Cavalcanti), de 17 anos, filho de Hugo e Sônia (Suzana Pires). Ele se dá melhor
com o motorista Severino e com a empregada Rita (Clarissa Pinheiro) do que com
o pai e a mãe. É com esses empregados que Jean se abre. Ele sonha em fazer sexo
com Rita, que só quer a amizade do garoto. Jean se revolta com a demissão deles, o que irá piorar ainda mais seu relacionamento com o pai. Embora
o fundo dramático predomine, há espaço para situações bem-humoradas, o que
deixa o filme leve e agradável de assistir. O elenco está ótimo, desde os
experientes Marcello Novaes e Suzana Pires até os estreantes Thales Cavalcanti
e Clarissa Pinheiro, esta última responsável pelos momentos mais engraçados. Roteiro
e direção levam a assinatura de Fellipe Gamarano Barbosa, sua estreia em
longas. O filme foi premiado em vários festivais importantes, aqui e em outros
países. Merecidamente, aliás, pois é muito bom. Não deixe de ver!quarta-feira, 29 de julho de 2015
Morgan
Freeman e Diane Keaton encabeçam o elenco do insosso drama “RUTH
E ALEX”’ (“5 Flights Up”), 2014, direção de Richard Loncraine. A
história é baseada no romance “Heroic Measures”, escrito por Jill Ciment. Embora
divulgado como uma comédia dramática, gênero que une humor ao drama, este é
mesmo um drama, pois de engraçado tem pouca coisa, ou quase nada. Alex
(Freeman) e Ruth (Keaton) são casados e vivem no mesmo apartamento, no Brooklyn, em New York,
há 40 anos. Incentivados pela ambiciosa corretora Niece (Cynthia Nixon, de “Sex
and The City”), sobrinha de Ruth, louca para ganhar uma gorda comissão, eles decidem
vender o apartamento, embora não encontrem razão justificável para isso –
dilema que se arrasta até o final do filme, tornando-o ainda mais chato. Entre
cenas em flash back que mostram como
o romance entre os dois teve início, a rejeição por parte da família de Ruth em
relação a Alex – por ele ser negro – e as intermináveis negociações sobre a
venda do apartamento e a compra de outro, o filme chega ao seu desfecho tão
previsível quanto a evidente falta de química entre os atores principais. Morgan
Freeman e Diane Keaton podem ser ótimos atores, mas não funcionam e nem combinam como casal. Se
há um motivo para recomendar este filme, ainda não descobri qual.
segunda-feira, 27 de julho de 2015
Nos
anos 60, o produtor musical e compositor norte-americano Phil Spector (nome
artístico de Harvey Philip Spector) alcançou o auge da fama nos anos 60,
chegando a colaborar até com os Beatles. Em 2003, Spector foi acusado de ter
assassinado a atriz e modelo Lana Clarkson. Depois de dois julgamentos, Spector
foi condenado a 19 anos de prisão. O
drama “PHIL SPECTOR”, 2012, escrito e dirigido por David Mamet e
produzido pela HBO, conta a história dos bastidores do primeiro julgamento, em
2007. O filme enfoca com destaque o difícil relacionamento de Spector
(Al Pacino) com sua advogada Linda Kenney Baden (Helen Mirren). O filme foi
feito como uma peça de teatro (David Mamet sempre foi ligado à dramaturgia), é
verborrágico demais e lembra, da maneira como feito, aqueles programas da TV a
cabo que reproduzem casos policiais e judiciários. A pergunta que não quer calar é o
que dois grandes astros e ótimos atores como Al Pacino e Helen Mirren estão
fazendo nesse filmeco – Helen substituiu a atriz Bette Midler, que teve hérnia
de disco no início das filmagens. O grande Al Pacino, nos últimos anos, tem
pisado feio na bola, atuando em filmes medíocres que não condizem com sua
competência. Este é mais um deles.
“SÜSKIND”, 2013, Holanda, roteiro e direção
de Rudolf van Den Berg. O filme conta a história, baseada em fatos reais, do
alemão Walter Süskind, que, a exemplo de Oskar Schindler, foi responsável por
salvar mais de mil judeus do Extermínio. Em 1938, Süskind, a mulher e a filha fugiram
da perseguição nazista na Alemanha e foram morar na Holanda. Ele queria juntar
dinheiro e ir com a família para os EUA. Arrumou emprego de gerente de um
teatro em Amsterdam. Só que não deu tempo, pois os alemães invadiram a Holanda.
Como era alemão – embora judeu -, Süskind foi cooptado pelos nazistas e ficou
responsável pela organização das deportações de judeus holandeses para os
campos de concentração. Quando Süskind descobriu que os judeus estavam sendo
exterminados, resolveu pelo menos salvar as crianças – conseguiu salvar mais de mil. Além do trabalho corajoso de Süskind – vivido pelo ator Jeroen
Spitzeberger -, o filme mostra todas aquelas cenas chocantes de filhos se
separando dos pais, os judeus sendo atirados nos vagões de trens, agressões e
assassinatos a sangue frio. Como destaque, o filme tem a presença sempre marcante do ator austríaco Karl Markovics (“Os Falsários” e “O Grande
Hotel Budapeste”) como o oficial nazista encarregado de “limpar” Amsterdam,
deportando todos os judeus residentes na cidade. Ele domina toda cena em que aparece. Quem quiser saber mais
detalhes dessa história fantástica - e ver como ela termina - é só assistir a esta ótima produção holandesa.
olHolan
quinta-feira, 23 de julho de 2015
Quem
conhece um pouco de História sabe que o estopim para a eclosão da Primeira
Guerra Mundial foi o atentado que matou o arquiduque Francisco Fernando,
herdeiro do Império Austro-Húngaro, e sua esposa, a duquesa Sofia de Hohenberg,
em Sarajevo, capital da Bósnia, em junho/1914. No drama histórico austríaco “SARAJEVO
1914” (“DAS ATTENTATT: SARAJEVO 1914”), 2014, filme feito para a TV, o enfoque
principal é dado às investigações para descobrir e prender os autores. O
policial Leo Pfeffer (Florian Teichmeister) é encarregado de comandar os
trabalhos. Ele vai chegar aos assassinos, todos sérvios e integrantes da facção
terrorista “Mão Negra”. Pfeffer também descobrirá que, por trás dos atentados, havia
outros interesses em jogo, o principal deles justamente o início da guerra.
Outros fatos que os livros de História não ensinam são revelados no filme, como
o interesse da Alemanha em tomar posse da Bósnia e utilizar seu território para
a construção de uma ferrovia Berlim-Bagdá. O filme também abre espaço para revelar que já havia, na época, um forte preconceito contra os judeus e os eslavos. A primorosa reconstituição de época
é outro trunfo desse ótimo filme, dirigido por Andreas Prochaska. Uma
verdadeira aula de História. Imperdível! terça-feira, 21 de julho de 2015
“ISMAEL”,
2013, Espanha, direção do argentino Marcelo Piñeyro (“Plata Quemada”). Aliás, este
é o primeiro filme espanhol dirigido por Piñeyro. A história: Félix (Mario
Casas) teve um caso com uma imigrante nigeriana (Ella Kweku) que resultou no
nascimento de Ismael. A moça e o filho sumiram da vida de Félix, que agora é
professor de um colégio para adolescentes problemáticos. Oito anos depois, o
garoto Ismael (Larsson do Amaral) foge de casa, em Madrid, pega um trem e vai
para Barcelona com o objetivo de conhecer o pai biológico. O menino só tem como
referência um endereço encontrado numa carta enviada à sua mãe por Félix. Trata-se
do endereço da mãe de Félix, Nora (Belén Rueda). O primeiro contato, portanto,
é com a avó, que, mesmo contra vontade, acaba levando o menino para encontrar o
pai. Enquanto isso, a mãe de Ismael e o seu atual marido Luís (Juan Diego
Botto) pegam estrada para buscar o filho. O cenário está preparado para
situações embaraçosas e conflitantes, como o reencontro dos antigos amantes e a
vontade de Ismael de morar com o pai biológico. O drama é simpático, agradável
de assistir, não apelando para um sentimentalismo exagerado e ainda reservando espaço para o bom humor. O filme tem um
motivo a mais para ser visto: a presença da ótima atriz espanhola Belén Rueda (“Sétimo”),
que ilumina e valoriza cada cena em que aparece.segunda-feira, 20 de julho de 2015
“KUMIKO – A CAÇADORA DE TESOUROS” (“Kumiko, The
Treasure Hunter”), 2014, é um drama do
cinema independente norte-americano. Um filme bastante interessante, aliás, que
conquistou o Prêmio Especial do Júri do Festival de Sundance/2014. A história: Kumiko
(a bela atriz japonesa Rinko Kikuchi) mora num pequeno apartamento em Tóquio e
trabalha como subalterna num escritório onde o chefe vive pegando no seu pé.
Ela é bastante solitária e depressiva. Na verdade, também tem um parafuso a
menos. Num passeio à praia, ela entra numa caverna e acha enterrada uma fita
VHS com o filme “Fargo”, dos irmãos Ethan e Joel Coen, grande sucesso de 1996.
Kumiko fica obcecada pela história do filme, a ponto de estudá-lo detalhadamente.
Numa das cenas fundamentais de “Fargo”, um homem enterra uma mala com dinheiro perto
de uma cerca de arame perto de umas árvores. Mesmo sabendo que é um filme,
Kumiko acredita que a mala ainda está lá, à disposição de quem se dispor a desenterrá-la.
Ela então viaja para os EUA e parte para encontrar o “tesouro”. Nessa caçada,
ela recebe a ajuda de um policial, interpretado pelo próprio diretor do filme,
David Zellner. Esta segunda parte do filme, ambientada em cenários semelhantes
aos de “Fargo”, não passa de uma fábula originada de um surto criativo da
cabeça de Kumiko, mas mesmo assim o espectador é levado a acreditar, assim como
a jovem japonesa, que aquilo tudo faz parte do contexto real. Enfim, um filme
bastante criativo que vale a pena assistir. Recomendo sem fazer figa. domingo, 19 de julho de 2015
Não
lembro se “SHINER”,
direção de John Irvin, foi exibido por aqui na época em que foi lançado, em
2001. Trata-se de um drama inglês dos melhores e com uma grande atuação de
Michael Caine. Ele é Billy “Shiner” Simpson, um famoso promotor de lutas de
boxe, trambiqueiro e prepotente. Ele só anda acompanhado de seus fiéis guarda-costas,
Jeff “Stoney” Stone (Frank Harper) e Mel (Andy Serkis). “Shiner” se acha o dono
de tudo e quem tiver a coragem de contrariá-lo vai acabar nas mãos – nos punhos,
aliás – dos seus dois capangas. “Shiner” tem um filho lutador de boxe em início
de carreira, Eddie “Golden Boy” Simpson (Matthew Marsden). O sonho de “Shiner”
é ver o filho campeão mundial dos meio-pesados e, para isso, promove uma grande
luta com o campeão norte-americano da categoria. O filme gira em torno dessa
luta. Até ela acontecer, o filme esbanja bom humor, principalmente quando
mostra a truculência e os métodos adotados pelos hilários capangas de “Shiner”
para defender o chefe. Depois que a luta termina, com a derrota do “Golden Boy”,
o poderoso promotor desconfia que houve marmelada e passa a investigar o que
realmente aconteceu. Aí a história fica dramática, com direito a um assassinato
misterioso e a uma reviravolta no final. Um dos destaques do elenco é o já na época
veterano ator Martin Landau. Mas é realmente Michael Caine que dá show. Ótima
diversão!sexta-feira, 17 de julho de 2015
Se
você tem algum tipo de preconceito contra o cinema asiático, deixe-o de lado e
assista “UM DIA DIFÍCIL” (“Kkeutkkaji Ganda”). O filme sul-coreano é diversão
pura. Trata-se de um thriller policial eletrizante, com muita ação, suspense e
humor. E um roteiro bastante inteligente. O detetive Ko Gun-Soo (Lee Sun-Kyun) sai do enterro de sua mãe e, no
caminho, atropela um homem. Como tinha bebido, resolve ficar quieto. E o que
fazer com o cadáver do homem atropelado? Gun-Soo tem a “brilhante” ideia de
escondê-lo no próprio caixão onde está sua mãe. A confusão só está começando. Ele
recebe um telefonema anônimo de alguém que diz ter visto o atropelamento e
começa a chantageá-lo. Em meio a toda essa confusão, Gun-Soo ainda é
investigado pela Corregedoria da Polícia, que descobre em sua mesa dinheiro
proveniente talvez da venda de drogas. As coisas pioram quando ele descobre a identidade do homem atropelado. Gun-Soo corre pra lá e pra cá para
tentar se livrar dos problemas, mas acaba se complicando cada vez vez mais. E o
espectador acompanha tudo muito atento, pois não há espaço para conversa fiada
com tanta ação e suspense, além de uma boa dose de pancadaria. Méritos para o diretor Seong-Hoon Kim, que também
escreveu o roteiro. O filme estreou no Festival de Cannes 2014 e foi bastante elogiado. Portanto, prepare um bom pote de pipoca e curta esse ótimo entretenimento. terça-feira, 14 de julho de 2015
“THE EICHMANN SHOW”, 2014, é um drama inglês, baseado em fatos reais, produzido pela BBC,
mostrando os bastidores da cobertura jornalística do julgamento do nazista
Adolf Eichmann, um dos idealizadores e organizadores do extermínio judeu. O
julgamento foi iniciado em abril de 1961 e durou 4 meses. O enfoque principal do
filme é o trabalho de uma equipe de TV autorizada pelo primeiro-ministro David Ben-Gurion,
de Israel, a filmar todo o julgamento (Não ao vivo. As fitas eram enviadas por
avião para o mundo inteiro. Só as emissoras de rádio transmitiram ao vivo). O produtor
Milton Fruchtman (Martin Freeman) reuniu uma equipe de técnicos de TV israelenses
e convidou para comandá-la o diretor norte-americano Leo Hurwitz (Anthony LaPaglia),
na época desempregado por estar na lista negra de Hollywood – acusado de
comunista, assim como outros diretores, roteiristas e artistas. Para não
atrapalhar o andamento do julgamento, as câmeras de filmagem foram instaladas em
paredes construídas poucos dias antes no prédio do tribunal em Jerusalém,
ficando invisíveis para o público. O filme reproduz imagens da época, tanto do
julgamento como dos campos de concentração. As cenas são chocantes. Só para
lembrar, muita gente, na época, não acreditava que o Holocausto realmente existiu.
As imagens dos campos de concentração chocaram o mundo. O filme mostra também a
disputa pela audiência mundial, pois o julgamento de Eichmann concorreu com reportagens
sobre o primeiro astronauta no espaço – o russo Yuri Cagarin – e o desenrolar da
revolução cubana. O julgamento de Eichmann acabou vencendo a partir dos
depoimentos chocantes dos sobreviventes – também mostrados no filme, dirigido
por Paul Andrew Williams (do comovente “Canção para Marion"). Ótimo filme para quem curte os bastidores de fatos históricos. segunda-feira, 13 de julho de 2015
Jean
Dujardin (de “O Artista”) e Gilles Lellouche, dois dos principais atores
franceses da atualidade, encabeçam o elenco de “A
CONEXÃO” (“Le French”), 2014, filme
policial baseado em fatos reais. A história começa em 1975, quando o juiz
Pierre Michel é designado para Marselha com a missão de combater a French Connection,
como era chamada a organização criminosa que traficava grandes quantidades de
heróina para a Europa e, principalmente, para os Estados Unidos. Durante suas
investigações, o magistrado descobre que o chefão do tráfico é Gartan Zampa
(Gilles Lellouche). Mas não será tão fácil obter provas para condenar o poderoso
traficante, tendo ainda que lidar com policiais e políticos corruptos. O
trabalho dura anos e Pierre Michel não desiste até provar a culpa de Zampa,
trabalho que colocará o juiz e sua família em grande perigo. O filme, dirigido
por Cédric Jimenez, ainda tem no elenco Guilhaume Gouix, Benoit Magimel, Céline
Sallette e Mélanie Doutey. Mais um bom filme do cinema francês.
No
drama inglês “A TEORIA DE TUDO” (“The Theory of Everything”), o ator Eddie Redmayne tem uma das atuações
mais impressionantes da história do cinema. Pelo papel do físico Stephen
Hawking, Redmayne ganhou o Oscar 2015 de Melhor Ator. Escolha incontestável. Ele
está perfeito, a ponto do próprio Hawking, num e-mail enviado ao diretor James
Marsh, dizer que pensou que estava assistindo a si mesmo no filme. A história
começa em 1963, quando Hawking, então com 21 anos, estudava Cosmologia na Universidade
de Cambridge e conhece a estudante de Arte Jane Wide (Felicity Jones), sua
futura esposa. Naquele mesmo ano começam a aparecer os primeiros sintomas da
Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). O diagnóstico dos médicos não era muito animador:
deram-lhe, no máximo, mais dois anos de vida. Erraram feio, pois o físico está
vivo até hoje, com 72 anos (2015). Jane e Hawking casaram e tiveram 3 filhos. A
história do filme é baseada no livro biográfico escrito pela própria Jane, que
não escondeu o caso com Jonathan (Thomas Cox), com quem passaria a viver depois
de se separar do físico. O filme recebeu 5 indicações para o Oscar 2015 (Filme,
Ator, Atriz, Roteiro Adaptado e Trilha Sonora). Conquistou apenas o de “Melhor
Ator”, embora a atriz Felicity Jones esteja ótima no papel de Jane. Um drama triste
e comovente que não pode deixar de ser visto. sábado, 11 de julho de 2015
“UM VERÃO NA PROVENÇA” (“Avis de Mistral”), 2014,
França. Ao saber que sua filha Emily (Raphaëlle Agogué) atravessa uma grave
crise no casamento e está prestes a se separar, Irène (Ana Galiena) resolve
levar seus três netos para passar as férias de verão em Provença (o nome original francês
é Provence). Só que tem um problema: Léa (Chloé Jouannet), Adrien (Hugo
Dessioux) e o pequeno Théo (Lukas Pelissier) não conhecem o avô Paul (Jean
Reno). O motivo: quando ficou grávida pela primeira vez, Emily brigou com o pai
e fugiu de casa. Nunca mais se falaram e praticamente perderam o contato. De
início, Paul detestou a ideia de Irène, mas aos poucos vai se entendendo com os
netos. A aproximação entre avô e os netos é justamente o foco principal da
história. O filme é dirigido por Rose Bosch (do impactante e ótimo “Amor e Ódio”).
A cena em que Paul e Irène reencontram os antigos amigos motoqueiros de estrada
é emocionante. Outro destaque do filme é a trilha sonora, que vai de Simon e Garfunkel a Deep Purple, passando por Bob Dylan. Outra grande sacada da diretora Bosch foi explorar e mostrar algumas das festas folclóricas tradicionais da região de Provence, colocando os protagonistas para participar. Enfim, um filme muito interessante,
sensível e comovente, levado com muito bom humor.
Programão!
sexta-feira, 10 de julho de 2015
Parece
que Hollywood desaprendeu a fazer boas comédias. Você se lembra de alguma
recente que valha a pena? Nos últimos anos, é o cinema francês que tem
produzido os melhores filmes do gênero. Mais um exemplo para comprovar essa
afirmação é “QUE MAL EU FIZ A DEUS?” (“QU’EST-CE QU’ON A FAIT AU BOn DIEU?”), 2014, escrito e dirigido por
Philippe de Chauveron. Conta a história dos Verneuil, que formam uma família
católica conservadora de classe média alta. Claude Verneuil (Christian Clavier), chefe do clã, é
casado com Marie (Chantal Lauby). O casal tem quatro filhas: Isabelle, Odile,
Laure e Ségolène. Tudo vai às mil maravilhas até que elas começam a se casar.
Para desespero dos pais, uma casa com um empresário judeu, outra com um
advogado argelino muçulmano, outra com um chinês gerente de banco. Sobrou a filha mais
nova, que reserva outra “boa” surpresa para os pais. Os encontros em família
sempre acabam mal, cada um querendo defender o seu ponto de vista com relação à
religião, política, situação dos imigrantes, racismo etc. As discussões acabam
criando situações hilariantes, tudo na base de diálogos inteligentes e do mais
fino humor. É riso do começo ao fim, num ritmo alucinante. Comédia divertidíssima. Simplesmente
imperdível! quinta-feira, 9 de julho de 2015
“O OLHAR DO AMOR” (“The Look of Love”), 2013,
Inglaterra, direção de Michael Winterbottom. Baseado em fatos reais, o filme conta a história do empresário Paul
Raymond (Steve Coogan, de “Philomena”), conhecido também pelos apelidos de “The
King of Soho” e “Barão da Pornografia”. Uma espécie de Hugh Hefner inglês, mas
muito mais ousado. A partir dos anos 50, com seu jeito agressivo de empreender,
Raymond construiu um verdadeiro império empresarial baseado na exploração do
erotismo, criando revistas como Only Men, Club International e Mayfair, além de
produzir shows musicais e peças de teatro onde a nudez feminina era obrigatória
e grande chamariz. O enfoque principal do filme, porém, é a vida pessoal do
empresário, que largou a esposa Jean (Anna Friel) para ficar com Fiona Richmond
(Tamsin Egerton), uma das maiores estrelas de Raymond. Festas regadas a
champanhe e cocaína, orgias sem fim, valia tudo no mundo em torno do empresário,
cujo número de amantes só foi menor que sua conta bancária. Nem mesmo a
morte da filha Debbie (Imogen Poots) por overdose, no início dos anos 90, foi
capaz de diminuir a ganância de Raymond, que chegou a ser considerado o homem
mais rico da Inglaterra. Raymond também investia no mercado imobiliário e no
comércio. O filme é ótimo e, entre seus maiores trunfos, estão o roteiro bem estruturado, o elenco, a
recriação de época e, principalmente, a trilha sonora (inclui a música que dá nome original ao
filme). Impossível não destacar também a beleza estonteante e a sensualidade
da atriz Tamsin Egerton como Fiona. “Um mulherão para seiscentos talheres”,
como diria um amigo. Um filmaço!
quarta-feira, 8 de julho de 2015
“MAR NEGRO” (“BLACK SEA”), 2014, EUA/Inglaterra, é um thriller de ação e suspense quase que
inteiramente ambientado nas profundezas do Mar Negro. Logo após perder o
emprego na empresa em que trabalhou durante 30 anos, o comandante Robinson (Jude
Law), experiente piloto de submarinos, é contratado por um milionário inglês
para encontrar um submarino alemão que teria naufragado no Mar Negro durante a
II Guerra Mundial. No interior da embarcação estariam mais de 40 milhões de
dólares em barras de ouro. Robinson reforma um submarino praticamente sucateado,
recruta marinheiros ingleses e russos para a tripulação e parte para a perigosa
aventura. A primeira grande preocupação é a de não ser detectado na superfície
pela marinha russa. A segunda é evitar a ganância dos tripulantes, que planejam
eliminar uns aos outros para poderem receber uma parte maior. O capitão
Robinson tem a difícil missão de administrar toda essa confusão. Daí para frente, os clichês habituais de um filme envolvendo
submarinos: brigas entre a tripulação, acidentes de percurso, mortes, muita
tensão etc. Um filme bastante claustrofóbico e sombrio. De qualquer forma, o diretor
escocês Kevin MacDonald (“O Último Rei da Escócia”) soube manter o suspense do
começo ao fim, o que garante um bom entretenimento. Nada a mais de muito
interessante para merecer uma recomendação entusiasmada. Nem mesmo a presença do ótimo ator inglês Jude Law.sábado, 4 de julho de 2015
Reúna
os ingredientes dos melhores filmes de ação que você já viu (no meu caso, os filmes de James Bond, "Matrix", "Missão Impossível" etc.). Acrescente algumas pitadas do estilo de Quentin Tarantino e Robert Rodriguez. O resultado será “KINGSMAN:
SERVIÇO SECRETO” (“Kingsman: The Secret Service”), 2014, Inglaterra. História: a agência ultrassecreta britânica Kingsman
acaba de perder um de seus principais agentes, morto numa missão em algum país
árabe. O veterano Harry Hart (Colin Firth) é encarregado de recrutar o novo integrante.
Enquanto os testes com os candidatos – que já valem o filme - são realizados, surge
o vilão maluco Valentine (Samuel L. Jackson), que ameaça acabar com a população
do planeta para salvar o próprio – o planeta. Daí pra frente não dá tempo nem de
olhar para o pote de pipoca. É ação o tempo todo, efeitos especiais de primeira
e muito humor. O elenco conta ainda com Michael Caine, Taron Egerton, Mark
Strong e Sofia Boutella. O diretor é Matthew Vaughn, que dirigiu alguns filmes
da série “X-Men”. “Kingsman” é diversão
garantida como há muito tempo o cinema não proporcionava. Estão dizendo que vai haver
continuação: tomara! Aviso: não desligue quando os créditos finais começarem a
aparecer, pois ainda tem mais...sexta-feira, 3 de julho de 2015
“DEUS BRANCO” (“Fehér Isten”), Hungria, 2014. Começa o filme e você acha que vai assistir a mais um
daqueles filmes “sessão da tarde” da Disney. Ledo engano. O filme é sobre a
amizade de uma menina com um cachorro. Eles são separados e aí cada um vive o
seu drama. O diretor Kornél Mundruczó não economizou nas cenas de crueldade com
os bichos, o que inclui espancamentos, brigas sanguinárias de cães em rinhas e
matança generalizada. As cenas do treinamento do cão para lutar são chocantes e
revoltantes, mostrando como o ser humano pode ser tão cruel. A história: com a
viagem da mãe e do padastro para a Austrália, Lili (Zsófia Psotta) vai morar um
tempo com o pai biológico. Só que tem um problema: o pai detesta cachorros e
Lili tem um enorme, Hagen, um misto de labrador com vira-lata. O pai solta o
cachorro pelas ruas de Budapest. Daí pra frente, só drama. Entre as cenas de
maior impacto está aquela em que mais de 250 cães correm pelas ruas de Budapeste.
Não há efeitos especiais. Os cães, recrutados nas ruas, foram treinados por
Teresa Ann Williams, famosa adestradora de Hollywood, e pelo treinador húngaro
Arpad Halasz. Fiquem tranquilos os espectadores que se chocam com cenas que
mostram crueldade contra animais: as filmagens foram acompanhadas pelo pessoal
da Sociedade Protetora dos Animais, garantia de que as cenas de maldade foram
forjadas. Além disso, todos os cães foram adotados depois das filmagens. A
produção húngara foi uma das mais comentadas durante o Festival de Cannes/2014,
recebendo o Prêmio “Um Certain Regard”. O filme também foi selecionado para disputar
o Oscar 2015 de Melhor Filme Estrangeiro, mas não foi indicado. O filme é muito
interessante e merece ser conferido, principalmente pela cena final, de
arrepiar – no bom sentido. quarta-feira, 1 de julho de 2015
“SOBREVIVENTE” (“Survivor”), 2014,
EUA, é um thriller de ação e suspense com um elenco de primeira: Pierce
Brosnan, Milla Jovovich, Angela Bassett, Dylan McDermott e Robert Forster.
Milla é Kate Abbott, agente especial do governo norte-americano encarregada de
rastrear redes terroristas internacionais e descobrir possíveis planos de
atentados. Uma de suas suspeitas recai sobre o Dr. Emil Balan (Roger Rees) e a
leva a Londres para seguir uma pista. Lá, descobre que o Dr. Emil planeja um grande
atentado em Nova Iorque. Em meio à sua investigação, Kate vai se confrontar com
Nash (Brosnan), conhecido também pelo codinome de “O Relojoeiro”, um assassino
frio e calculista contratado para executar o plano. Pior: será acusada de um
crime que não cometeu, sendo perseguida pela polícia inglesa e também por Nash,
que tem a missão de matá-la. O desfecho apoteótico da história será em Nova
Iorque na noite de Ano Novo, quando milhões de pessoas correrão o risco de
morrer se Kate não agir depressa. O filme, dirigido por James McTeigue (“V de
Vingança”), tem uma trama bem elaborada e ação do começo ao fim. Nada que exija muito esforço do intelecto. Programão para
uma sessão com pipoca.
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