Embora
a protagonista principal seja interpretada pela atriz francesa Marion
Cotillard, “DOIS DIAS, UMA NOITE” (“Deux Jours, unie Nuit”), 2014, é um filme belga, dirigido pelos irmãos
Jean-Pierre e Luc Dardenne. Aliás, o filme foi candidado da Bélgica ao Oscar
2015 de Melhor Filme Estrangeiro, mas não ficou entre os 9 selecionados para a
disputa. Concorreu ainda à Palma de Ouro no Festival de Cannes 2014, também sem
sucesso. A verdade é que a história não é das mais animadoras. Sandra (Cottilard)
retorna ao trabalho depois de um período de afastamento por motivos de saúde
(depressão). Só que tem um problema: o chefe da empresa prometeu um bônus de
mil euros para os funcionários, mas com o retorno de Sandra, esse bônus não
poderia ser pago – menção à crise econômica europeia. Ficou decidido que
haveria uma votação numa sexta-feira. Sandra perdeu, mas não desistiu e insistiu
numa nova votação. Conseguiu ama nova chance para segunda-feira. Ou seja, os
dois dias e uma noite do título. Ela teria, portanto, o final de semana para
visitar os seus colegas de trabalho e convencê-los a desistir do bônus em favor
de sua readmissão. O filme inteiro mostra os esforços de Sandra para pedir
votos para sua causa, em meio a novos surtos de depressão. Muito pouco para um filme que tem dois diretores
consagrados e uma atriz que até já ganhou Oscar (por “Piaf – Um Hino ao Amor”,
em 2007). Dá até para recomendá-lo, mas sem muito entusiasmo. domingo, 21 de dezembro de 2014
Embora
a protagonista principal seja interpretada pela atriz francesa Marion
Cotillard, “DOIS DIAS, UMA NOITE” (“Deux Jours, unie Nuit”), 2014, é um filme belga, dirigido pelos irmãos
Jean-Pierre e Luc Dardenne. Aliás, o filme foi candidado da Bélgica ao Oscar
2015 de Melhor Filme Estrangeiro, mas não ficou entre os 9 selecionados para a
disputa. Concorreu ainda à Palma de Ouro no Festival de Cannes 2014, também sem
sucesso. A verdade é que a história não é das mais animadoras. Sandra (Cottilard)
retorna ao trabalho depois de um período de afastamento por motivos de saúde
(depressão). Só que tem um problema: o chefe da empresa prometeu um bônus de
mil euros para os funcionários, mas com o retorno de Sandra, esse bônus não
poderia ser pago – menção à crise econômica europeia. Ficou decidido que
haveria uma votação numa sexta-feira. Sandra perdeu, mas não desistiu e insistiu
numa nova votação. Conseguiu ama nova chance para segunda-feira. Ou seja, os
dois dias e uma noite do título. Ela teria, portanto, o final de semana para
visitar os seus colegas de trabalho e convencê-los a desistir do bônus em favor
de sua readmissão. O filme inteiro mostra os esforços de Sandra para pedir
votos para sua causa, em meio a novos surtos de depressão. Muito pouco para um filme que tem dois diretores
consagrados e uma atriz que até já ganhou Oscar (por “Piaf – Um Hino ao Amor”,
em 2007). Dá até para recomendá-lo, mas sem muito entusiasmo.
Com
o visual de um Kung Fu afrodescentente, Denzel Washington não economiza na
porrada no filme de ação “O PROTETOR” (“The Equalizer”), EUA, 2014, dirigido
por Antoine Fuqua e inspirado numa série de TV de grande sucesso nos EUA na
década de 80, “The Equalizer”. Denzel é o misterioso e pacato cidadão Robert
McCall, empregado numa grande loja de ferramentas e que todas as noites vai
tomar um chá e ler um livro numa lanchonete perto de sua casa. Na verdade,
McCall é um ex-agente especial do governo dos EUA, perito em artes marciais.
Quando vê uma injustiça ou alguém em perigo, ele se transforma num misto de
David Carradine, Steven Seagal e Van Damme. Ou seja, numa verdadeira máquina
mortífera. Ninguém fica de pé - e muito menos vivo - para contar história. Seus
métodos para matar são os mais variados e criativos possíveis. Ao se vingar do
cafetão que agrediu Teri (Chloë Grace Moretz), uma jovem prostituta, McCall
atrai o ódio de uma organização de mafiosos russos, que envia um assassino
sanguinário para matá-lo. O assassino, interpretado por Marton Csokas, também
dá medo. E daí para a frente, até o final do filme, não vai faltar pancadaria. Washington, mais uma vez, dá conta do recado
como um vingador frio e calculista. Pra quem gosta de filmes de ação, um
programão! sábado, 20 de dezembro de 2014
“O JUIZ” (“The
Judge”), 2014, EUA, é um drama que, na mão de outro diretor, poderia descambar
para um dramalhão daqueles. Mas David Dobkin, que já havia dirigido as comédias
“Penetras Bons de Bico”, “Uma Noite Fora de Série” e “Eu queria ter a sua vida”,
amenizou a história com muito humor. Não deve ter sido fácil. Afinal, o juiz do
título, Joseph Palmer (Robert Duvall), fica viúvo, é acusado de assassinato e
tem um câncer avançado; seu filho mais novo é deficiente mental e ele não se dá
com o filho do meio, Hank Palmer (Robert Downey Jr.), um advogado sem escrúpulos que não recusa defender gente da pior qualidade. Ele se justifica para um colega dizendo que "Os inocentes não podem pagar meus honorários". Para defendê-lo no tribunal, Joseph contrata um advogado incompetente e atrapalhado. A muito custo,
Joseph concorda que Hank o defenda. Em sua grande parte, o filme retrata
justamente a difícil relação entre Hank e o pai, alguns flashbacks da família em filmes antigos e muitas cenas de tribunal. Mas o grande
destaque do filme é, sem dúvida, o ótimo elenco. Além de Downey e Duvall,
também trabalham Vera Farmiga, Billy Bob Thornton, Vincente D’Onofrio e Jeremy
Strong. Como curiosidade, vale lembrar que Jack Nicholson e Tommy Lee Jones
foram cogitados para o papel do Juiz, que ficou em boas mãos com Duvall. Há que
se destacar também Vera Farmiga, que, além de excelente atriz, está mais madura
e cada vez mais bonita. Trata-se de um ótimo entretenimento.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
“ISOLADOS”, 2014,
direção de Tomas Portella, é mais uma tentativa do cinema brasileiro de
emplacar um filme no gênero suspense. Pena que ainda não foi desta vez, embora
seja superior a outras produções. Na verdade, trata-se de um suspense com cara
de terror psicológico, na linha de “O Sexto Sentido” ou “Os Outros”. O médico psiquiatra Lauro (Bruno Gagliasso) e sua namorada e paciente Renata (Regiane Alves)
alugam um casarão na região serrana do Rio de Janeiro para passar alguns dias. Eles
não sabem, mas dias antes houve o assassinato de uma menina. E a polícia está
por lá investigando. Enquanto isso, Lauro e Renata são atacados durante um
passeio na floresta e se trancam no casarão com medo de um novo ataque. Renata sofre
de ataques histéricos e Lauro começa a perder o controle. A tensão aumenta cada
vez mais e, alguns sustos depois, o mistério é desvendado, numa reviravolta inesperada
e surpreendente. O ator José Wilker faz uma aparição rápida no filme como Dr.
Fausto, colega de Lauro no hospital psiquiátrico. Foi o último filme de Wilker,
que acabou homenageado nos créditos finais.
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
“BETIBÚ”, co-produção
Argentina/Espanha de 2013, direção de Miguel Cohan, é um policial ao estilo daquela
série sueca Millenium. A morte misteriosa de um poderoso empresário mobiliza
dois jornalistas de um mesmo jornal, o experiente Jaime Brena (Daniel Fanego) e
o novato Mariano Saravia (Alberto Ammann). Para ajudá-los no trabalho
investigativo, o editor Lorenzo Rinaldi (José Coronado) convoca Nurit Iscar
(Mercedes Morán), conhecida também pelo apelido de Betibú, uma ex-repórter do
jornal que agora é escritora de romances policiais. Outras mortes ocorrem e a
polícia, como sempre, está mais perdida do que cego em tiroteio. Os dois
jornalistas e a escritora vão seguir algumas pistas relacionadas com o passado
dos homens mortos. Tudo leva a crer que a chave do mistério está numa foto antiga
em que o empresário assassinado aparece ao lado de alguns amigos, todos jovens –
as outras vítimas. A explicação será dada mais tarde pelo irmão mais novo do
empresário. O filme, cuja história foi inspirada no livro homônimo da escritora
argentina Claudia Piñero, foi uma das atrações da 38ª Mostra Internacional de
Cinema de São Paulo, realizado em outubro de 2014. domingo, 14 de dezembro de 2014
Nem
Nicole Kidman, nem Colin Firth e muito menos Mark Strong salvam o suspense
psicológico inglês “ANTES DE
DORMIR” (“Before I Go to Sleep”), 2014,
dirigido por Rowan Joffe, que em 2010 já havia sido responsável por outro
abacaxi, “Um Homem Misterioso”, com George Clooney. Depois de sofrer um
acidente, Christine Lucas (Kidman) tem a memória afetada. Além de não lembrar o
que aconteceu no dia fatídico, ela acorda todos os dias sem saber quem é, o que
aconteceu no dia anterior e nem reconhece o marido Ben (Firth). Todos os dias ela também conversa com o dr. Nash (Strong), que diz ser seu psiquiatra há anos.
O médico trata de Christine e a obriga a não dizer nada ao marido. Se a
história já é meio esquisita, fica pior ainda quando surge Claire (Anne-Marie
Duff), uma misteriosa mulher que se intitula sua antiga amiga e protetora. Os
fatos vão acontecendo sem nenhuma lógica, perturbando ainda mais a cabeça da
coitada da Christine – e também do espectador. Se às vezes o desfecho salva um
filme, neste só serve para piorá-lo. A história é baseada no livro
homônimo escrito por S. J. Watson, sua estreia na literatura. Se houve o interesse
em adaptá-lo para o cinema, o livro não deve ser tão ruim. Mas o filme...
“LONDRES PROIBIDA”
(“London to Brighton”), 2006, é um bom suspense inglês dirigido por Paul Andrew
Williams. A história é meio barra pesada. A prostituta de rua Kelly (Lorraine
Stanley) recebe uma ordem de seu cafetão Derek (Johnny Harris): encontrar uma
menina bem novinha para satisfazer os desejos de um milionário pedófilo. Ao
sair pelas ruas de Londres, Kelly encontra Joanne (Georgia Groome), de 11 anos,
que pedia esmola na escadaria de uma estação do metrô. Em troca de 100 libras,
a menina topa fazer o programa, desde que Kelly vá junto. O programa toma um
rumo diferente e o pedófilo acaba sendo morto pelas duas, que acabam fugindo
para Brighton. Só que o filho do milionário assassinado é um bandidão violento que
quer vingança. Ele e seus capangas vão atrás de Kelly e Joanne. Esse jogo de
gato e rato vai permear praticamente toda a ação, com muitas cenas de violência
e um desfecho dos mais imprevisíveis. A história é legal, o filme é bem feito e
o elenco é ótimo. Mesmo com toda violência, pode ser um entretetenimento
interessante. O filme foi premiado em vários festivais, inclusive o de melhor
estreia em direção concedido a Paul Andrew Williams, que depois faria “Cabana
Macabra” (2008) e “Canção para Marion” (2010).
Para
comemorar de forma inusitada o 60º aniversário do Festival de Cannes, em 2007,
Gilles Jacob, o presidente do evento, encomendou a 34 dos principais cineastas
do mundo um curta-metragem de 3 minutos cujo tema era “O Amor ao Cinema”. O resultado está no filme "CADA UM COM SEU CINEMA" ("Chacun son Cinéma"), exibido durante o festival daquele ano na sessão de gala. Alguns diretores optaram pelo bom humor, como Roman Polanski e Lars von Trier. Claude Lelouch reproduziu
cenas do filme “Top Hat”, de 1935, onde Fred Astaire e Ginger Rogers aparecem
dançando “Cheek to Cheek”. No curta, Lelouch lembra que seus pais se conheceram
durante uma sessão do filme. O grego Theo Angelopoulos utilizou a atriz Jeanne
Moreau para fazer uma bela e tocante homenagem a Marcello Mastroianni. O cineasta malaio Ming Liang Tsai mostra uma família com o retrato da mãe falecida voltado para a tela. A mãe adorava ir ao cinema. Walter Salles, único
diretor brasileiro a participar do projeto, optou por utilizar uma dupla de repentistas
em frente à fachada de um cinema no Nordeste. Cada qual com seu estilo, os
cineastas convidados realizaram um belíssimo trabalho. O conjunto da obra ficou
ótimo, mas, como escreveu Luiz Carlos Merten, crítico do Estadão, “É o filme
dos sonhos de qualquer cinéfilo". Realmente, o projeto é direcionado
apenas aos aficionados por cinema. Quem quiser curtir duas excelentes homenagens ao cinema deve assistir "Splendor", de Ettore Scola, e "Cinema Paradiso", de Giuseppe Tornatore, este último uma verdadeira obra-prima. sábado, 13 de dezembro de 2014
Não
será nenhuma surpresa se o cinema italiano conquistar pela segunda vez
consecutiva o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro/2015 (em 2014, o vencedor foi “A
Grande Beleza”). O candidato oficial da Itália, desta vez, é “CAPITAL
HUMANO” (“Il Capitale Umano”), direção
de Paolo Virzi (”La Prima Cosa Bella”). É um filmaço. O roteiro, escrito por
Virzi, é primoroso. Em quatro capítulos, ele descreve a história de vários
personagens. Num capítulo, determinado personagem é quase que um figurante. No
capítulo seguinte, assume o papel de protagonista. Virzi repete algumas cenas
modificando o ângulo da câmera de acordo com o personagem em destaque. Uma aula
de criatividade cinematográfica. A história gira em torno de um poderoso
empresário à beira da falência e de um acidente que fere gravemente um ciclista.
O principal suspeito é o filho do empresário, cujo casamento enfrenta uma fase
de grande turbulência. O filho suspeito namora uma moça cujo pai quer ganhar
dinheiro fácil e se aproxima do tal empresário. E por aí vão se entrelaçando
todos os personagens, num verdadeiro mosaico narrativo, sem jamais entediar ou confundir o espectador. O elenco é da melhor
qualidade, tendo à frente a atriz Valeria Bruni Tedeschi (irmã de Carla Bruni,
ex-primeira dama da França), que dá um show como a esposa infeliz do empresário.
Por esse papel, ela foi merecidamente premiada como Melhor Atriz no Festival de
Tribeca. Não perca, pois é cinema de altíssima qualidade. quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
Desistir
de um trabalho repleto de adrenalina em zonas de guerra ou viver de um emprego
seguro, perto da família? Esse dilema deve mexer com a cabeça de nove entre dez
fotojornalistas acostumados (ou viciados?) a trabalhar pelo mundo afora fotografando
em áreas de conflito. É o que acontece com a fotógrafa Rebecca (Juliette Binoche)
em “MIL VEZES BOA NOITE” (“Tusen Ganger God Natt”), 2012, um ótimo drama norueguês dirigido por
Erik Poppe - ele próprio um ex-fotógrafo de guerra. Em ação no Afeganistão,
Rebecca é ferida numa explosão causada por uma mulher-bomba. Quando volta para
casa, na Irlanda, ela recebe um ultimato do marido Marcus (Nikolaj
Coster-Waldau). Ou abandona esse tipo de trabalho ou então o casamento já era.
As duas filhas adolescentes apoiam o pai e Rebecca concorda em abandonar as zonas
de guerra, apesar dos protestos de sua editora, já que ela é uma das cinco
melhores fotógrafas de guerra do mundo. Quando tudo parecia correr de acordo
com o desejo de Marcus, Rebecca faz uma viagem com a filha mais velha Steph (Lauryn
Canny) ao Quênia. Essa viagem resultará numa nova crise familiar, obrigando Rebecca a tomar uma decisão definitiva. Se
o filme já é excelente, melhor ainda é o desempenho da fabulosa atriz francesa
Juliette Binoche como a mulher dividida entre a profissão e a família. Binoche
prova, mais uma vez, que é uma das melhores atrizes em atividade. Um aviso: prepare-se
para a cena inicial do filme, onde Rebecca fotografa o ritual de preparação e a
posterior ação de uma mulher-bomba. Trata-se de uma das sequências mais tensas, impactantes e bem feitas do cinema nos últimos anos. Enfim, o filme é
simplesmente imperdível.
“UMA FAMÍLIA EM TÓQUIO” (“Tokyo Kazoku”), 2012, direção de Yoji Yamada, é uma refilmagem de “Era
uma vez em Tóquio” (1953), de Yasujiro Ozu, considerado um dos grandes clássicos
do cinema japonês. O enredo é uma verdadeira crônica dos relacionamentos
familiares. O casal de idosos Tomiko (Kasuko Y oshiuki) e Shukichi (Isao Hashizume) viaja para
Tóquio com o objetivo de rever, depois de muito tempo, seus três filhos
adultos, Shigeko, dona de um salão de beleza, Koichi, médico, e Shoji, o
caçula, que vive de bicos e não é tão bem sucedido quanto os irmãos. Na recepção
aos pais, dá para perceber uma grande frieza, fruto de uma educação baseada mais no respeito do que no afeto. Não há contato físico, um abraço por exemplo. Fica claro que é uma relação de muito respeito.
As atividades profissionais não permitem que os filhos dediquem muita atenção
aos velhos. Como em quase todas as famílias do mundo, aquele gesto de carinho
ou atenção vem justamente de quem menos se espera: da nora, do filho “ovelha
negra” e de sua namorada. Perto do desfecho, um fato trágico finalmente será
capaz de reunir a família. Sem dúvida, um filme japonês bastante sensível que merece ser
visto por quem aprecia cinema de qualidade.quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
Rotulado como comédia, o filme italiano “VIVA A LIBERDADE” (“Viva la Libertà”) passa longe de ser
motivo de risos. Pelo contrário, tem um pano de fundo sério, baseado em questões
políticas. O grande ator italiano Toni Servillo (de “A Grande Beleza”) faz dois
personagens: Enrico Olivieri, senador e 1º Secretário de um importante partido
de esquerda, opositor do governo, e seu irmão gêmeo Giovanni Ernani, um professor
filósofo, bipolar, que de vez em quando é internado num hospício. Em
depressão por causa de uma agenda de inúmeros compromissos, somada a muitas
críticas de seus companheiros de partido e ainda pela péssima situação nas
pesquisas (17%) para a próxima eleição, Enrico resolve sumir. Viaja incógnito
para Paris. Seu assistente Andrea Bottini (o ótimo Valerio Mastandrea) não sabe
o que fazer. De início, é obrigado a cancelar reuniões e discursos de Enrico,
alegando que ele se afastou por motivo de doença. Mas a pressão é insuportável,
e Andrea tem a ideia de utilizar Giovanni para fazer o papel de Enrico. Com sua
grande erudição, o professor dá entrevistas e faz discursos utilizando uma
linguagem muito distante daquelas que os políticos costumam usar. Num dos
discursos, por exemplo, ele cita frases de Brecht. Sua atuação é responsável
por uma grande reviravolta nas pesquisas. Enquanto isso, Enrico revê um grande
amor de juventude, Danielle (Valeria Bruni Tedeschini), agora casada com um
cineasta. Tudo bem que o diretor Roberto Andó tentou fugir dos clichês próprios
desses filmes onde os personagens trocam de identidade, mas o resultado final é
decepcionante, ainda mais com um elenco tão bom.
“O ARTISTA E A MODELO” (“El Artista
y La Modelo”) é uma produção espanhola de 2012, com direção de Fernando Trueba
(de “Belle Époque”, ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1993). Ambientado
em 1943 num pequeno vilarejo do interior da França próximo à fronteira da
Espanha, o filme conta a história do relacionamento do famoso escultor Marc
Cross (Jean Rochefort) com Mercé (Aida Folch), uma jovem espanhola fugitiva do
regime de Franco. Léa (Claudia Cardinale), esposa de Cross, acolhe a jovem e a
acomoda no ateliê do marido que, aos 80 anos, não trabalhava mais. A chegada da
bela Mercé, porém, dá uma renovada em Cross, que começa a esculpir de novo utilizando a
jovem como modelo. Em meio ao seu trabalho de escultor, Cross conversa muito
com Mercé, em diálogos recheados de humor e erudição, abordando temas como
filosofia, política, arte e religião. Num desses diálogos, o escultor confessa a
Mercé que existem duas provas da existência de Deus: a criação da mulher e do azeite.
Cross não acredita que Deus, responsável pela criação de tantas coisas bonitas,
como o mar e as florestas, possa ter criado um ser tão feio quanto o homem. Outro
diálogo que merece ser ressaltado é aquele em que Cross discute um famoso desenho
de Rembrandt com a modelo, um dos momentos mais tocantes do filme. Mercé aparece nua praticamente o filme inteiro, mas
a (ótima) fotografia em preto e branco atenua qualquer eventual apelo sexual. É
um filme muito bonito, valorizado por um ótimo elenco. Destaque para Claudia
Cardinale, que, aos 70 anos, ainda guarda a beleza que a consagrou como uma das
maiores musas do Cinema nas décadas de 60/70. Quanto a Rochefort, ele comprova a condição de melhor ator francês da atualidade.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
O
tema Gastronomia sempre resultou em ótimos filmes, o melhor deles, sem dúvida, “A Festa de
Babette”, de 1987. Dos mais recentes, o melhor talvez seja mesmo “A
100 PASSOS DE UM SONHO” (“The Hundred-Foot
Journey”), EUA, dirigido pelo sueco Lasse Hallström e com Steven Spielberg
Oprah Winfrey como produtores. A história começa na Índia, onde Papa Kadam (Om
Puri) possui um restaurante de comida tradicional indiana. Por motivos
políticos, seu estabelecimento é incendiado criminosamente e a família decide
fugir para a Europa. Depois de algumas andanças por aqui e ali, Papa Kadam chega
ao aprazível vilarejo de Saint-Antonin-Noble-Val, sul da França, onde resolve
abrir um restaurante. Só que bem em frente está o “Saule Pleureur”, um
restaurante chique famoso por ter obtido uma estrela do Guia Michelin, o maior reconhecimento europeu da qualidade em gastronomia. No comando do “Saule Pleureur” está Madame Mallory
(Helen Mirren), uma mulher arrogante que vive com o nariz empinado e um crônico
mau humor. O barulho da música alta, os cheiros e o medo da concorrência fazem
com que Mallory declare guerra ao restaurante indiano. Só que ela não contava
com a astúcia gastronômica do jovem Hassan Kadam (Manish Dayal), que logo se
revela um chef dos mais competentes. E por aí vai a história, entre
receitas, romances e declaração de paz entre Mallory e os indianos, com muitos
momentos sensíveis e tocantes. Um filme para curtir e, principalmente, saborear.domingo, 7 de dezembro de 2014
“UM DIA MEU PAI VIRÁ” (“Un Jour Mon Pere Viendra”), 2011, direção de Martin Valente, é mais
uma agradável comédia francesa, com dois atores que valem o ingresso: Gerard
Jugnot e François Berléand. A história é centrada em Chloé (a cantora francesa Olivia
Ruiz), que vai casar com o famoso campeão de tênis Stephen (o ator inglês Jamie
Bamber) e precisa de um pai para conduzí-la ao altar. O rico Bernard (Berléand)
é o pai biológico que não sabia da existência da filha. Gus (Junot) foi o pai
que a criou, mas que foi rejeitado por Chloé por causa de suas bebedeiras. Para
conseguir um pai “postiço”, Chloé entrevista vários atores amadores. Por causa
de um acidente ocorrido com o ator escolhido (provocado por Bernard e Gus), Bernard
entra no jogo, fazendo-se passar pelo pai de Chloé e também por um embaixador
da Mongólia, uma mentira que irá colocá-lo em várias situações embaraçosas e engraçadas.
Até o dia do casamento, muita água vai rolar, muita confusão vai acontecer. É o primeiro papel de protagonista da cantora pop Olivia Ruiz, uma aposta do diretor Martin Valente. Sem ser muito bonita, ela dá conta do papel e até consegue ser charmosa em algumas cenas. Enfim, trata-se de uma comédia apenas agradável, capaz de proporcionar boas risadas.
Com
o mesmo estilo “machão charmoso” que o consagrou em quatro filmes da série
James Bond, o ator irlandês Pierce Brosnan é o principal protagonista do filme “O HOMEM NOVEMBRO – Um Espião nunca Morre” (“The November Man”), 214, dirigido por
Roger Donaldson. Brosnan é Peter Devereaux, um ex-espião da CIA que se afastou
há cinco anos depois de uma missão que deu errado. Ele é procurado por um dos
seus antigos chefes e convencido a voltar à ativa, depois que soube que Lucy
(Tara Jevrosimovic) corria perigo em Moscou. Além disso, Peter também é
encarregado de proteger Alice Fournier (Olga Kurylenko), a única testemunha que
pode comprovar que o general Arkady Federov (Lazar Ristovski), provável futuro
presidente da Rússia, é na verdade um sádico criminoso de guerra. Interessa à
CIA provar essa culpa, pois prevê o general como um futuro inimigo dos EUA. Peter
vai se enredar numa complicada trama de espionagem, recheada de muita ação e
suspense. A história é baseada no livro “There are no Spies”, de Bill Granger.
Uma ótima oportunidade para lembrar de Brosnan num papel parecido com o de Bond (na minha opinião, o segundo melhor Bond, só perdendo para Sean Connery) e curtir a estonteante Olga Kurylenko, que foi girl bond em “Quantum of
Solace”, com Daniel Craig. Entretenimento garantido!sábado, 6 de dezembro de 2014
Alguns
cineastas asiáticos descobriram a fórmula certa para conquistar prêmios em
festivais de cinema: fazer filmes totalmente incompreensíveis, sem nexo e sem
história. Verdadeiros quebra-cabeças cinematográficos. Foi assim que o
tailandês Apichatpong Weerasethakul ganhou a Palma de Ouro em Cannes com o
abominável e ridículo “Tio Boonmee, que pode recordar vidas passadas”. O mais novo absurdo
vem da China e se chama “CÃES ERRANTES” (“Xi You”), dirigido por Tsai Ming-Liang. Ganhou o Prêmio Especial do Júri no
Festival de Veneza 2013. Durante intermináveis e entediantes 2 horas e 18
minutos, o espectador terá à sua frente cenas imóveis, algumas delas durando
mais de 10 minutos sem nada acontecer e sem ninguém falar. A primeira cena já fornece a pista do
que vem a seguir: durante muitos minutos câmera estática filma uma mulher utilizando
secador de cabelo e, ao seu lado, duas crianças dormindo. Depois, mais uma cena interminável,
dois homens segurando placas de propaganda numa avenida movimentada. E ainda: homem
comendo e cuspindo um repolho cru. Um filme sem pé nem cabeça, tronco e
membros. Enfim, o espectador é submetido a um verdadeiro teste de resistência. Vai
praticar um ato heroico se conseguir assistir até o final. Incrível que alguns críticos profissionais tenham elogiado o filme, destacando, principalmente, a sua "qualidade estética". Se isso for cinema, rasgo minha carteirinha de cinéfilo. Depois da sessão em
que o filme foi exibido em Veneza, o diretor Ming-Liang afirmou que este seria
seu último filme. Tomara! quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
“MAGIA AO LUAR” (“Magic
in the Moonlight”), 2014, é mais uma comédia romântica de Woody Allen. O filme
foi todo rodado na França, como Allen já havia feito há cerca de três anos com “Meia-Noite
em Paris”. Desta vez, ele ambienta a história em 1928 na Cote d’Azur, em meio a
famílias abonadas, mansões luxuosas e cenários deslumbrantes. Stanley Crawford (Colin Firth) é um
famoso mágico que atua em espetáculos pela Europa como o chinês Wei Ling Soon. Ele também é conhecido por
denunciar, com provas, charlatões que anunciam possuir poderes mediúnicos. A
pedido de um antigo amigo, Stanley segue para a mansão da milionária viúva
Grace (Jacki Weaver) com o objetivo de desmascarar Sophie (Emma Stone), uma jovem
que se diz médium. Ela garante que entrará em contato com o espírito do falecido
marido de Grace. Sophie é alvo da paixão de Brice (Hamish Linklater), filho de
Grace, que a pede em casamento. Só que Stanley também se apaixona, e os dois disputarão
o coração de Sophie, até que uma inesperada revelação acontece e muda o rumo da
história. Em suas últimas comédias românticas, Woody Allen tem privilegiado
mais o romance do que a comédia, restrita exclusivamente a um ou outro diálogo.
Dessa forma, as antigas gargalhadas se transformam em poucos sorrisos. De
qualquer forma, o texto continua inteligente e, mesmo sendo um Allen inferior,
é bem superior a muito filme que anda por aí fazendo sucesso.
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
“UM CASTELO NA ITÁLIA” (“Um Château
en Italie”), 2012, França, é mais um filme escrito, dirigido e protagonizado
pela atriz Valeria Bruni Tedeschi (irmã de Carla Bruni, ex-primeira dama da
França). Baseado na peça teatral “O Jardim das Cerejeiras”, do escritor russo
Anton Tchekhov, o enredo tenta misturar comédia com drama ao contar a história de uma tradicional
família francesa falida que precisa vender um casarão – quase um castelo, daí o
título - na Itália. Só que no casarão mora Ludovic (Filippo Timi), recluso
desde que começou o tratamento contra a AIDS. Sua irmã Louise (Valerie Bruni
Tedeschi), uma quarentona frustrada por não ter filhos, quer engravidar de
qualquer maneira. Atriz mal sucedida, ela descarrega todas as suas frustações
bancando a abobalhada e espalhafatosa, tendo constantes ataques histéricos, o que transformou a personagem, embora a principal do filme, numa figura das mais desagradáveis e enervantes. Se a intenção era fazer
uma comédia, saiu tudo errado, pois não há graça nenhuma. Se a ideia era acrescentar
algum drama ou romance, também fracassou. Na verdade, tudo resultou num filme
pretensioso demais, querendo ser "Cinema de Arte". O filme disputou a Palma de Ouro no Festival de Cannes 2013. Não ganhou, claro. Não é filme para palmas...
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
“INSEPARÁVEIS” (“Da
Geht Noch Was”), 2013, é um filme alemão que mistura comédia, drama e romance,
cada um na dose certa. A história começa quando Conrad (Florian David Fitz)
recebe a notícia de que sua mãe Helene (a ainda bela e charmosa Leslie Malton)
deixou seu pai Carl (Henry Hübchen) por outro homem, depois de 40 anos de casamento.
Em alguns flashbacks, Conrad relembra
o horror que tinha do pai, um homem ranzinza e extremamente mal-humorado, que
gostava de tratá-lo da pior forma possível. Quando a mãe pede a Conrad que vá à
antiga casa para pegar um quadro, ele leva Jonas (Marius Haas), seu filho
adolescente. Durante a visita, Carl sofre um acidente e precisa ficar em
repouso e aos cuidados de alguém. Muito a contragosto, Conrad resolve cuidar do
pai por um tempo. Com isso, Conrad vai colocar em risco seu casamento com
Tamara (Thekla Reuten, hilariante), com quem iria viajar de férias. Em sua
primeira metade, o filme é uma comédia das mais divertidas. Na segunda metade,
descamba para o drama romântico, com direito a tentativas de reaproximação dos
casais e até a uma doença grave, o que não impede que o filme permaneça em
clima de alto astral e termine, para a alegria geral, no maior happy-end. Resumindo: trata-se de um
filme bastante agradável, sem nenhuma contraindicação, ideal para uma sessão família com pipoca e guaraná.
domingo, 30 de novembro de 2014
Nos
últimos anos, seja como roteirista, diretor ou ator – em alguns casos, os três juntos -, o humorista francês Dany Boon fez muitas ótimas comédias como, por
exemplo, “Um Plano Perfeito”, “Bem-Vindo ao Norte” e “Nada a Declarar”, entre
outras. A mais recente que escreveu, dirigiu e atuou é “SUPERCONDRÍACO”
(“Supercondriaque”), 2014. Ele está na
pele de Romain Faubert, um hipocondríaco crônico que há 18 anos se trata com o
dr. Dimitri (Kad Merad). A obsessão de Faubert por doenças é tão forte que ele
sai das festas de réveillon minutos antes da meia-noite para não receber
abraços e beijos – tem medo de contaminação. Pelo mesmo motivo, quando está num
vagão do metrô, ele se recusa a segurar as barras de ferro para se equilibrar,
situação que resultou numa das cenas mais hilariantes do filme. Para incrementar
ainda mais a história, Faubert se envolve numa briga durante a chegada de
refugiados num navio e acaba trocando de identidade com Anton Miroslav
(Jean-Yves Bertellot), líder revolucionário de um país que luta por sua
independência da Rússia. Como a nova identidade proporciona a admiração de Anna
(Alice Pol), a irmã de Dimitri, Faubert resolve manter a farsa, metendo-se em inúmeras confusões. Para se ter a ideia do prestígio de Dany Boon, este seu filme
foi o mais visto na França em 2014, registrando 5,1 milhões de espectadores.
“O VALE SOMBRIO”
(“Das Finstere Tal”), 2014, direção de Andreas Prochaska, tem todas as características
dos filmes do Velho Oeste que Hollywood sempre soube fazer melhor do que ninguém.
A própria história já é um clichê dos faroestes: cavaleiro desconhecido chega a
uma vila cuja população é dominada por uma família de malfeitores. O resto todo
mundo que curte cinema é capaz de adivinhar. Só que tem apenas um detalhe muito
importante: o filme é austríaco e o Velho Oeste aqui nada mais é do que os
Alpes da Áustria. Quem já assistiu a um faroeste austríaco que levante a mão. A
história é ambientada em 1875. O cavaleiro misterioso que chega à vila é
Greider (o ator inglês Sam Riley), que se diz fotógrafo norte-americano e que acabou
de chegar da América com o objetivo de fotografar as montanhas e vales que circundam
aquela região. Só que, na verdade, a intenção dele é outra. Ele tem sede de vingança
por causa de fatos que aconteceram há mais de 20 anos. O filme é muito bem feito,
os cenários são deslumbrantes e tudo funciona realmente como um bom e
tradicional western, com direito a um
desfecho sangrento e violento ao estilo do diretor norte-americano Sam Peckinpah.
O filme é o pré-candidato oficial da Áustria ao Prêmio de Melhor Filme
Estrangeiro no Oscar 2015. Um faroeste austríaco concorrendo ao Oscar? Viva o Cinema!
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