“O DISCÍPULO” (“Lärjungen”),
2013, é um ótimo drama finlandês. A história é inteiramente ambientada na Ilha Lagskär, no
Mar Báltico. Hasselbond (Nicklas Groudstroem) é o responsável pelo farol existente
na ilha. Ele mora com a mulher Dorrit (Amanda Ooms) e um casal de filhos, Emma
e Gustav. Hasselbond é bastante rígido – e muitas vezes violento – com a
família. A rotina é quebrada quando chega à ilha o jovem Karl Berg (Erik
Lönngren), enviado do continente para cumprir o papel de assistente do
faroleiro e aprender o ofício. Criado num orfanato, Karl vê em Hasselbond o pai
que nunca teve e se esforça ao máximo para agradá-lo. O faroleiro titular acaba
adotando Karl como se fosse seu próprio filho, atraindo o ciúme de Gustav
(Patrik Kumpulainen). Aliás, a família guarda a sete chaves um segredo
envolvendo um filho que já morreu e que era o xodó de Hasselbond. Apesar dos
conflitos familiares, a diretora Ulrika Bengts soube amenizar o clima pesado
com alguma sensibilidade, principalmente no que se refere ao relacionamento de Karl com a sofrida e submissa Dorrit. Ulrika também soube explorar, com uma excelente fotografia, o cenário esplendoroso da ilha. O filme estreou em agosto de 2013 no Montreal World
Film Festival e representou a Finlândia no Oscar 2014 de Melhor Filme
Estrangeiro. Um filme que merece ser conferido. quarta-feira, 29 de outubro de 2014
“O DISCÍPULO” (“Lärjungen”),
2013, é um ótimo drama finlandês. A história é inteiramente ambientada na Ilha Lagskär, no
Mar Báltico. Hasselbond (Nicklas Groudstroem) é o responsável pelo farol existente
na ilha. Ele mora com a mulher Dorrit (Amanda Ooms) e um casal de filhos, Emma
e Gustav. Hasselbond é bastante rígido – e muitas vezes violento – com a
família. A rotina é quebrada quando chega à ilha o jovem Karl Berg (Erik
Lönngren), enviado do continente para cumprir o papel de assistente do
faroleiro e aprender o ofício. Criado num orfanato, Karl vê em Hasselbond o pai
que nunca teve e se esforça ao máximo para agradá-lo. O faroleiro titular acaba
adotando Karl como se fosse seu próprio filho, atraindo o ciúme de Gustav
(Patrik Kumpulainen). Aliás, a família guarda a sete chaves um segredo
envolvendo um filho que já morreu e que era o xodó de Hasselbond. Apesar dos
conflitos familiares, a diretora Ulrika Bengts soube amenizar o clima pesado
com alguma sensibilidade, principalmente no que se refere ao relacionamento de Karl com a sofrida e submissa Dorrit. Ulrika também soube explorar, com uma excelente fotografia, o cenário esplendoroso da ilha. O filme estreou em agosto de 2013 no Montreal World
Film Festival e representou a Finlândia no Oscar 2014 de Melhor Filme
Estrangeiro. Um filme que merece ser conferido. terça-feira, 28 de outubro de 2014
“KAREN CHORA NO ÔNIBUS” (“Karen
Llora em un Bus”), 2010, é um drama colombiano que conta a história de Karen
(Ángela Carriozosa Aparício), que tenta organizar sua nova vida depois de um
casamento de 10 anos com Mário (Edgar Alexen). Ela decidiu se separar e agora quer
seguir o seu próprio caminho, sem depender mais do dinheiro do marido e começando por tentar arrumar um emprego. Só que tem um
problema: ela nunca trabalhou e não tem nenhuma qualificação profissional. Fica
ainda mais difícil pelo fato de ter passado dos 30. Mesmo morando num pardieiro
cheio de baratas e sem água quente no chuveiro coletivo, além de não ter
dinheiro nem para comer, ela recusa o convite da mãe para voltar a morar em sua
antiga casa. O ex-marido ainda tenta uma reaproximação, mas Karen também
recusa. São as únicas atitudes que ainda lhe restam do seu orgulho. Para conseguir dinheiro para comer, ela adota certas atitudes humilhantes. Com a ajuda de sua nova amiga Patrícia (María Angélica
Sánchez) e de um namorado, Karen tentará dar a volta por cima e recomeçar. Apesar
do título estranho (refere-se à cena inicial do filme, quando Karen aparece
chorando num ônibus), o filme é bastante interessante, valorizado pelo surpreendente
desempenho da atriz estreante Ángela Carriozosa no papel principal. Dirigido
pelo também estreante Gabriel Rojas, o filme foi lançado no Festival de Cinema
de Berlim/2011 e exibido em vários festivais pelo mundo afora. A crítica ficou
dividida: uns elogiaram, outros não gostaram. Em casos como esse, é melhor
assistir e tirar suas próprias conclusões.
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
“FUGA PELA VIDA”
(“La Proie”), 2011, dirigido por Eric Valette, é mais um bom policial francês,
embora exageradamente trágico e com um final sentimentalóide demais, mas conta com
todos os clichês do gênero: tem muita ação, pancadaria, tiros e perseguições.
Trata-se da história de Franck Adrien (Albert Dupontel, de “Uma Juíza sem Juízo”),
que assaltou um banco e agora está preso. Só ele e sua mulher Anna (Caterina
Murino) sabem onde está escondido o dinheiro roubado. Seu companheiro de cela é
Jean-Louis Maurel (Stéphane Debac), preso por ter estuprado uma adolescente. Quando
outros presos tentam matar Jean-Louis, Franck sai em sua defesa e, depois da
briga, pega mais seis meses de cana. Jean-Louis é solto por causa de um
depoimento comprado, e, em liberdade, vai voltar à ativa. Logo depois, Franck consegue fugir aproveitando-se de uma confusão.
A detetive Claire Linné (Alice Taglioni, de “Paris-Manhattan”) é encarregada de
chefiar a caçada ao fugitivo, que, para piorar, agora é acusado de assassinatos
que não cometeu. No fim, é claro, a verdade prevalecerá. Mas até lá o
personagem de Franck vai sofrer na pele – e nos ossos – todo tipo de dor. Durante
o filme inteiro, ele é espancado, torturado (o tímpano direito é perfurado com
uma chave de fenda) e baleado várias vezes. Como John McClane, personagem de
Bruce Willis, Franck também é “Duro de Matar”.
“O DESPERTAR DOS DEUSES” (“Prisioners of the Sun”), EUA, 2013, é um filme de aventura e ação dirigido
por Roger Christian. A história é mirabolante: grupo de arqueólogos está no deserto
do Egito à procura da pirâmide da princesa Amanphur. Por um incrível golpe de
sorte, uma violenta tempestade de areia simplesmente faz emergir a pirâmide.
Apesar de toda lenda de perigos e maldições, é formada uma expedição, chefiada
pelo Professor Hayden Masterton (John Rhys Davies), para explorar o interior da
pirâmide. Em determinado dia e hora, segundo os hieróglifos, uma conjunção de
estrelas fará com que uma luz penetre a pirâmide para revelar os seus segredos.
O filme tem todos os clichês dos filmes do gênero: superstições, lendas
egípcias, tesouros escondidos, armadilhas, sustos, romance, vilões, múmias que
revivem etc. Lançado no Brasil diretamente em DVD, o filme tem no elenco, além de
John Rhys, David Charvet, Emily Holmes, Carmen Chaplin (neta do gênio), Nick
Moran e Joss Ackland. Bom programa para uma sessão da tarde. domingo, 26 de outubro de 2014
“ELDORADO - EM BUSCA DA CIDADE
DO OURO” (“Eldorado - City of the Gold”), 2010, EUA, direção de Terry Cunninghan, é
um filme de aventuras na linha Indiana Jones e outros do gênero. Não tão bom, mas
é bem produzido, a história é legal e, o que é mais importante
nesses filmes, tem bastante ação. Enfim, um bom programa para uma sessão da
tarde. Aqui, o herói é o arqueólogo Jack Wilder (Shane West), que, juntamente
com os parceiros aventureiros Maria (Natalie Martinez) e Gordon (Elson Henson),
segue algumas evidências arqueológicas que dão conta da existência da cidade lendária
de Eldorado, no Peru, conhecida também como a “Cidade do Ouro”. Só que eles não
estão sozinhos nessa busca. O time de bandidos conta com um mercenário sádico contratado
por gente de Wall Street, um general do exército peruano corrupto e ainda um
poderoso traficante de drogas, todos a fim de roubar o ouro dos peruanos. O filme
é bastante movimentado do começo ao fim. O aspecto negativo é o ator Shane West, excessivamente
canastrão e péssimo ator, muito longe – a anos-luz – de Harrison Ford, por
exemplo. Em compensação, a atriz Natalie Martinez, descendente de cubanos, esbanja
beleza, charme e gostosura. Certamente, logo estará na fila para ser a nova
Jennifer Lopez ou Salma Hayek de Hollywood. Importante salientar que o filme é
o segundo episódio da série “Eldorado”, sendo que o primeiro é “Eldorado - Em
Busca do Templo Perdido”, ambos produzidos em 2010. Dá pra ver os dois, um após
o outro, sem dar sono.
“JIMMY P.”,
2013, co-produção França/EUA, é o primeiro filme dirigido pelo francês Arnaud
Desplechin em língua inglesa. A história é baseada no livro “Reality and Dream:
Psychotherapy of a Plains Indian”, escrito em 1951 pelo psicólogo e antropólogo
húngaro Georges Devereux. (seu verdadeiro nome era György Dobó, mas ele mudou por
admirar a cultura francesa). A história é baseada nos fatos reais que
envolveram o índio norte-americano Jimmy “Blackfoot” Picardi e Devereux. Ambientado em 1948, o
filme começa com Jimmy (Benício Del Toro) se queixando de fortes dores de
cabeça, perda de audição e cegueira temporária. Ele é internado num hospital
militar no Kansas e uma junta médica, após rigorosos e detalhados exames, não
encontra nenhum problema fisiológico. Os médicos acreditam que ele deve estar
sofrendo algum trauma psicológico por ter sido ferido na cabeça durante a 2ª Grande
Guerra. Até aventam a hipótese de esquizofrenia. O psicólogo Devereux (Mathieu
Amalric), que também é especialista em culturas indígenas, é contratado para acompanhar
o caso de Jimmy. A partir da chegada de Deveraux ao hospital, o filme se
arrasta nas intermináveis – e muitas vezes enfadonhas - conversas entre ele e
Jimmy. O forte sotaque dos dois também pode causar irritação: de um lado, o indígena de Jimmy e, do outro, o húngaro de Deveraux (dá pra imaginar como se comunicavam...). O psicólogo
chegará à conclusão de que os problemas de Jimmy remontam a um período bem anterior à 2ª Guerra. O filme é mais interessante do que bom e deve interessar
principalmente aos estudantes de Psicologia. sexta-feira, 24 de outubro de 2014
“SOB O DOMÍNIO DO MAL” (“The Manchurian Candidate”), 2004, é um suspense baseado no livro
homônimo escrito em 1959 por Richard Condon. O enredo é meio fantasioso, meio
ficção científica. Meio complicado também. Nesta segunda adaptação para o
cinema – a primeira foi em 1962 – a história tem como protagonista principal o
capitão Ben Marco (Denzel Wahington), que comandava um pelotão no Iraque durante
a Guerra do Golfo. Um dos integrantes do grupo era o soldado Raymond Shaw (Liv
Schreiber), aclamado e condecorado como herói de guerra por ter salvo o pelotão
de um massacre. Treze anos se passam e um dos soldados do grupo entra em
contato com o capitão Ben Marco afirmando que está tendo alguns pesadelos nos quais aparecem imagens e situações que
contrariam a versão oficial sobre o ato de coragem do soldado Shaw, que é filho
da poderosa senadora Prentiss Shaw (Meryl Streep) e candidato à vice-presidência
dos EUA. O capitão também tem os mesmos pesadelos. Depois de achar um microchip implantado em suas costas, o capitão Ben Marco
passa a acreditar que ele e seus soldados sofreram um tipo de lavagem cerebral.
Aí a confusão se estabelece, inclusive na cabeça do espectador, graças à
complexidade do roteiro. Além da câmera nervosa, todos os personagens se comportam no limite do
histerismo e da neurose, o que incrementa ainda mais o clima de um verdadeiro thriller. O diretor é Jonathan Demme (“O Silêncio dos Inocentes”, “Filadélfia”)
e o elenco ainda conta com John Voight (o pai de Angelina Jolie), Vera Farmiga
e Bruno Ganz. Não deixa de ser um filme bastante interessante, mas, repito, um tanto
confuso. quinta-feira, 23 de outubro de 2014
“CURVAS” (“Bends”),
2012, é um filme de Hong Kong dirigido por Flora Lau. Ganhou destaque por ter
sido selecionado para a Mostra “Um Certain Regard” do Festival de Cannes 2013. A
começar pelo fato de ser asiático, é o tipo de filme que os críticos
profissionais adoram: é lento, tem poucos diálogos e não explica muito. A
história é centrada no jovem Fai (Kun Chen), motorista particular de uma madame
da alta sociedade de Hong Kong, Anna (a ótima Carina Lau). Ao mesmo tempo em
que acompanha, silenciosamente, a decadência da patroa, Fai vive o dilema de
conseguir uma vaga num hospital em Hong Kong para sua esposa ter o segundo
filho e fugir da multa imposta, nesses casos, pela China – Fai e a esposa moram
em Shenzhen, na China, próximo à fronteira com a ex-colônia inglesa. O grande
destaque do filme é, sem dúvida, a atriz Carina Lau, estupenda no papel da
madame falida. Sua interpretação é soberba quando tem de manter a pose de
madame sem transparecer que está totalmente falida, pois seu marido, ao sumir
do mapa, cortou seus cartões de crédito. Anna é obrigada a vender suas valiosas
obras de arte. Nega-se, porém, a deixar de lado o status de seu luxuoso veículo
e o motorista particular (Fai), única pessoa, aliás, à qual Anna mostra um
pouco de humildade e seu verdadeiro sentimento de derrota. Não deixa de ser um
filme interessante, principalmente para aqueles que curtem o gênero “Cinema de
Arte”.
quarta-feira, 22 de outubro de 2014
“QUANDO EU TE VI” (“Lamma Shoftak”), 2012, foi o candidato oficial da Palestina na
disputa do Oscar 2013 de Melhor Filme Estrangeiro. Trata-se de um drama
bastante tocante, principalmente porque o protagonista principal é um garoto de
11 anos de idade, Tarek (Mahmoud Asfa). Ele mora com a mãe Guaydaa (Ruba Blal)
no campo de refugiados palestinos de Harir, na Jordânia. Ambientado em 1967,
durante o conflito entre árabes e israelenses, o filme mostra o dia-a-dia de
Tarek e de sua mãe, ao mesmo tempo em que retrata, de forma quase documental, as condições enfrentadas por quem vive confinado num campo de refugiados. Tarek
diz toda hora à mãe que se sente “sufocado” e quer ter a liberdade de retornar
à Palestina para reencontrar o pai, que provavelmente está na zona de combate.
Não dá outra: para desespero da mãe, o garoto foge do acampamento. No meio do caminho,
encontra um campo de treinamento militar dos “fedayins” (guerrilheiros ou, para
Israel, terroristas). Tarek ganha a simpatia do pessoal e acaba participando
também dos treinamentos. Embora plenamente integrado ao grupo, Tarek continua desejando
voltar à Palestina. E não descansará até alcançar esse objetivo. O filme é dirigido
pela palestina Annemarie Jacir (do elogiado “Sal deste Mar”), que conseguiu
transformar um enredo potencialmente dramático e pesado, num filme bastante
sensível e agradável. Grande parte desse mérito cabe, sem dúvida, à irreverência
e simpatia do garoto. domingo, 19 de outubro de 2014
“JERSEY BOYS”,
2014. O novo filme dirigido por Clint Eastwood conta a história de um dos grupos
vocais de maior sucesso nos EUA, e no mundo, nas décadas de 50 e 60: “The Four
Seasons”. O grupo, inicialmente um trio (The Variety Trio), fundado em 1951 por
Tommy DeVitto (Vincent Piazza), tocava e cantava em espeluncas. Nas horas vagas,
seus integrantes praticavam assaltos em New Jersey, fato que originou o título
do filme. Com a entrada de Frankie Valli (John Lloyd Young), um talento vocal
incomum, a banda passou a se chamar “The Four Lovers” e, logo depois, “The Four
Seasons”. As músicas eram compostas por Bob Gaudio (Erich Bergen), o mais novo
integrante da banda. A trajetória do grupo, como mostra o filme de Eastwood, é
repleta de desentendimentos, traições, egos inflados, ligações com a Máfia, conflitos
conjugais e muitas atitudes irresponsáveis, principalmente por parte de Tommy
DeVitto. Eastwood recheia o filme de números musicais, com o grupo sempre no
palco ou em estúdio cantando hits como “Sherry”, “Big Girls Don’t Cry”, “Walk Like a Man”, "Can't Take my Eyes off You" e tantos
outros. Com exceção de Christopher Walken (ótimo como sempre), que faz o papel do mafioso Angelo
“Gip” DeCarlo, todos os atores principais são os mesmos que participaram do
musical homônimo que ficou em cartaz durante anos na Broadway e no qual se baseou o filme. Se a trilha
musical dos “The Four Seasons” já é uma delícia, principalmente para quem tem
mais de 60, o desfecho reservou uma cena que é a verdadeira cereja no bolo: todo o elenco cantando e
dançando na rua o hit “Eapon of Choice”, de Fatboy Slim. Quem sabe uma
homenagem de Eastwood aos musicais de Hollywood. sábado, 18 de outubro de 2014
“RIO SEX COMEDY”,
2010, é uma co-produção França/Brasil idealizada pelo diretor Jonathan Nossiter
com o objetivo de retratar a cidade do Rio de Janeiro por três ângulos
diferentes: a obsessão dos cariocas pelo corpo (cirurgias plásticas), a vida
nas favelas (criminalidade) e a relação entre domésticas e patrões
(desigualdade social). A ideia poderia originar um filme interessante, mas
resultou num retrato politicamente incorreto da Cidade Maravilhosa, que virou
uma casa da Maria Joana, com muita nudez e baixaria generalizada, incluindo
índios, traficantes e prostitutas como se fizessem parte obrigatória do cotidiano
da cidade. Não deixa de ser também um chamariz para o turismo sexual. O filme,
na verdade, parece uma pornochanchada multinacional do mais baixo nível. Custa acreditar
que atores do nível de Bill Pullman, Charlotte Rampling e Irène Jacob, entre
outros, tenham participado dessa verdadeira bomba a nível atômico. Provavelmente
tenham ficado bastante constrangidos com o resultado final. O diretor
norte-americano Jonathan Nossiter é casado com uma brasileira e mora no Rio de
Janeiro há vários anos. Merecia ser extraditado...
“THE SILENT MOUNTAIN” (ainda sem tradução por aqui), é uma co-produção EUA/Áustria/Itália de
2013, direção de Ernst Gossner. Trata-se de um drama romântico que tem como
pano de fundo a 1ª Guerra Mundial e, em particular, o conflito entre Itália e
Áustria. O ano é 1915. Andreas (William Mosely) e Francesca (Eugenia
Constantini) se conhecem e se apaixonam durante a festa de casamento dos respectivos
irmãos. Do lado da noiva e de Andreas, a família Gruber, austríaca. Do lado do
noivo, a família italiana Calzolari. O cenário da festa é um hotel de luxo
pertencente à família Gruber, localizado nas proximidades da fronteira com a
Itália. Durante as comemorações, alguém interrompe a música e anuncia que a Itália
declarou guerra à Áustria. Pronto, acabou a festa. Os italianos (chamados de woich pelos austríacos) são praticamente
expulsos do casamento, incluindo o noivo, e fogem apressadamente de volta à
Itália. Francesca decide ficar, pois em seu país seria enviada para um severo
colégio de freiras. Andreas a esconde num quarto isolado do hotel com a
promessa de ficarem juntos para sempre. Só que Andreas é convocado para a
guerra e o casal se separa. A partir daí, o filme se concentra nos combates
ocorridos nas Montanhas Dolomitas (Alpes), na região fronteiriça com a Itália,
onde está o batalhão de Andreas. Enquanto espera pela volta de Andreas,
Francesca é descoberta e sofrerá nas mãos dos austríacos. Sua salvação depende
do retorno de Andreas. O filme inteiro é levado em clima de novelão e nem mesmo
as cenas de guerra conseguem deixá-lo interessante. Como curiosidade, vale
citar a (pequena) participação da musa Cláudia Cardinale (quem diria!) no papel
de avó. sexta-feira, 17 de outubro de 2014
O
drama espanhol “ESCORPIÃO APAIXONADO” (“Alacrán Enamorado”), 2013, direção de Santiago A. Zannou, conta a
história do jovem Julián López (Álex Gonzalez), um lutador de boxe amador que integra,
nas horas vagas, um grupo de neonazistas. Ele sai à noite com seus companheiros
espancando imigrantes e destruindo suas
lojas. O grupo tem como mentor um grande e poderoso empresário chamado Solís
(Javier Bardem). Ao saber das atividades criminosas de Julián, seu treinador,
Carlo Monte (Carlos Bardem, irmão de Javier), o expulsa da academia. Mas Julián tem o sonho de ser um boxeador
profissional e, para isso, deixa de lado o grupo de neonazistas, ganhando a
confiança de Carlo Monte. Em sua volta aos treinos, Julián se apaixona por Alyssa
(Judith Diakhate), imigrante latina que trabalha como recepcionista na academia,
o que vai deixar seus amigos racistas ainda mais raivosos, pois ela é negra. O
filme é bastante violento e não economiza porrada, dentro e fora do ringue. As
agressões aos imigrantes são um tanto realistas demais e podem chocar quem tem
o estómago fraco. Apesar disso, o filme conta uma boa história com ação e
romance, conta com um bom elenco e ainda com o aval da presença de Javier Bardem, ator que não faria qualquer porcaria. Funciona muito bem como entretenimento e também como filme-denúncia de como certos países europeus tratam os imigrantes. Enfim, uma boa surpresa espanhola. quinta-feira, 16 de outubro de 2014
Há
que curta filmes de curta-metragem. Para esse público, recomendo “TOQUE
DE RECOLHER” (“Curfew), 2012, EUA, 19 minutos, vencedor do Oscar 2013 de Melhor
Curta-Metragem. Shawn Christensen, ex-vocalista da banda de rock “Stellastarr”,
assina o roteiro, a direção e ainda faz o papel principal dessa história
bastante interessante, engraçada e criativa. Ele é Richie, um drogado fracassado que
aparece, logo no início do filme, tentando se matar. Quando se preparava para
cortar o pulso direito, toca o telefone e é sua irmã Maggie (Kim Allen),
pedindo que ele cuide de sua sobrinha Sophia (Fatima Ptacek), de 9 anos, por
algumas horas. Richie atende o pedido da irmã e vai passear com Sophia, uma
menina muita esperta e simpática. Os diálogos entre o tio e sobrinha garantem momentos sensíveis
e de muito humor. Uma ótima opção de entretenimento rápido para quem não tem
paciência de ficar duas horas em frente à telinha.
“A ETERNIDADE E UM DIA” (“Mia Aioniotita Ke Mia Mera”), 1997, co-produção França/Itália/Grécia,
é um daqueles filmes com o carimbo “Cinema de Arte”. É lento e contemplativo demais, triste e melancólico, as cenas
se arrastam, parecendo tornar ainda mais longos os seus 137 minutos de duração.
A história é centrada no escritor Alexander (o ator Bruno Ganz, que atuou
falando alemão e foi dublado em grego), que está gravemente enfermo e tem pouco
tempo de vida. Ao separar seus objetos pessoais, ele encontra uma carta escrita
por sua falecida esposa Anna (Isabella Renauld) há 30 anos. O texto da carta faz
com que Alexander reative suas lembranças, voltando no tempo, revendo situações
como as reuniões em família e sua relação apaixonada com Anna. Em meio a essas
recordações (mostradas em flashbacks), Alexander conhece um menino albanês que
se perdeu da família e quer voltar para a Albânia. Esta e outras situações
permeiam pelo filme, como a destacada menção a Dionysios Solomos, o maior poeta
romântico grego. O filme, dirigido por Theo Angelopoulos (“Um Olhar a Cada Dia”,
“Paisagem na Neblina”), foi o vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes 1998.
O filme é visualmente muito bonito e tem uma ótima trilha sonora (composta por Eleni Karaindrou). quarta-feira, 15 de outubro de 2014
“A QUALQUER PREÇO” (“A
Civil Action”), lançado nos EUA em 1998, foi um dos vários filmes daquela
década que exploraram ações jurídicas indenizatórias contra crimes ambientais.
A história dessa produção dirigida por Steven Zaillian é inspirada em fatos
reais que aconteceram nos anos 80. Oito mortes de crianças com leucemia aconteceram
na cidade de Woburn (Massachusetts), ocasionadas - desconfiava-se – pela contaminação
da água. Jan Schlichtmann (John Travolta), um arrogante advogado de Boston,
assume o caso e ingressa com ação indenizatória contra duas grandes
corporações. O filme mostra toda essa disputa judicial, incluindo as reuniões dos
advogados das partes e seções no tribunal. No desfecho, a mensagem é bastante
clara: a ética é tão importante quanto a observância das leis. O elenco é muito bom. Além de Travolta, estão Robert
Duvall (indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por esse filme), John Lithgow,
William H. Macy, Bruce Norris, Kathleen Quinlan e James Gandolfini ("Família Soprano"), além de uma
ponta do diretor Sydney Pollack.
terça-feira, 14 de outubro de 2014
Podem falar que Steven Seagal é um péssimo ator e que seus filmes são
medíocres. Pura verdade. Mas uma coisa não se pode negar: pancadaria e ossos
quebrados jamais faltarão. Filme com
Seagal é sinônimo de muito bandido espancado, o que dá um certo prazer de ver. Neste
“CONFRONTO FINAL” (“A Good Man”), 2012,
recentemente lançado em DVD, Seagal está mais canastrão do que nunca. Ainda
mais que resolveu adotar um cabelo pintado de preto grudado e bem rente ao
couro cabeludo, lembrando um boneco de ventríloquo. Fora a voz de paciente
entubado. Começa o filme e lá está ele no papel de Alexander, um agente
especial das forças especiais dos EUA, numa missão para prender um traficante de
armas chinês. A missão fracassa e Alexander resolve abandonar a carreira de
agente especial. A história dá um salto de dois anos e ele aparece trabalhando como
um faz-tudo (zelador) – não é demais? - num prédio de alguma cidade da Europa
Oriental, talvez Bucareste (Romênia). Uma das moradoras do prédio, vizinha de
Alexander, é Lena (Iulia Verdes), com a qual nosso herói fará amizade. Só que Lena
tem um irmão, Sasha (Victor Webster), envolvido com um mafioso russo por causa
de uma dívida herdada do pai. Quando o
perigo chega perto de Lena, Alexander resolve agir para proteger a moça. E
desta vez ele utiliza até uma espada de samurai. Sangue e porrada por todo
lado. Grande Seagal!
Hollywood
que me desculpe, mas a França está produzindo filmes policiais bem melhores. Isso há anos. Verdade que não há tantos tiros, pancadarias e perseguições, mas as histórias,
os personagens e até mesmo os atores são mais convincentes. Mesmo que apele
para um roteiro fantasioso e surreal como em “A OUTRA VIDA DE RICHARD
KEMP” (“L’Outre Vie de Richard Kemp”),
2013, o resultado fica bem acima da média no gênero. A história é ambientada em
2009 e centrada no capitão de polícia Richard Kemp (Jean-Hugues Anglade),
encarregado de investigar a morte de uma jovem. Na noite em que retorna ao
local do crime, Kemp é empurrado de uma ponte e cai na água. Quando sai da água
e retorna a terra firme, Kemp nota que houve uma mudança incrível. O tempo
voltou 20 anos e ele se vê como o policial novato que investiga crimes
cometidos por um serial killer apelidado de “Fura-tímpanos”. Nesse retorno de
duas décadas, Kemp volta a encontrar a psicóloga forense Hélène Batistelli
(Mélanie Thierry), com quem começou um romance na atualidade, ou seja, vinte
anos depois. Complicado? Nem tanto, pois o diretor Germinal Alvarez faz uma convincente
transposição de épocas, incluindo a aparência dos atores principais. Você acaba nem ligando para o absurdo da situação. E
tem Anglade, um dos melhores atores franceses da atualidade. Ótimo
entretenimento!segunda-feira, 13 de outubro de 2014
No
começo do filme, um bicho de caracol é mostrado deslizando lentamente. Parece anunciar
o ritmo em que vai se arrastar por quase duas horas o drama inglês “VENTRE” (“Womb”), 2010. Não é só pelo seu nome ou por sua lentidão que o
filme incomoda. Mas também por abordar
temas desconfortáveis como clonagem humana e incesto. Ambientado em alguma
parte do litoral da Inglaterra (não há menção do local), o filme é centrado na
amizade de duas crianças, Rebecca e Thomas. Um dia, porém, a mãe de Rebecca consegue
um emprego no Japão. Dessa forma, Rebecca se separa de Thomas. Doze anos se
passam e Rebecca (Eva Green) volta do Japão e procura por Thomas (Matt Smith),
agora homem feito. Percebe-se que a conduta de Rebecca não é muito normal. Fica
claro que ela está obcecada por Thomas. Alguns dias depois do reencontro, ele e
Rebecca estão viajando quando acontece um acidente fatal. Thomas morre
atropelado. Através do DNA do falecido, Rebecca consegue fazer uma inseminação
artificial e dá à luz a um clone de Thomas. A partir daí, durante as várias
fases de crescimento do garoto, o diretor dinamarquês Benedek Fliegauf reforça
a insinuação de incesto em inúmeras cenas, principalmente por parte de Rebecca,
já que Thomas não sabe que é um clone. Claro que a situação vai piorar quando
Thomas torna-se adulto. O ator Matt Smith, com cara de psicopata abobado,
também é outro fator de desconforto para o espectador. Ainda bem que pelo menos dá para
curtir a beleza da atriz francesa Eva Green. Nem mesmo fazendo papel de uma mulher desequilibrada ela consegue ser feia. Talvez o único ponto positivo desse drama pra lá de pesado. domingo, 12 de outubro de 2014
Antes
de ficar mundialmente famoso ao conquistar o Oscar de Melhor Ator por “O
Artista”, em 2012, Jean Dujardin já era bastante conhecido no cinema francês.
Em 2007, por exemplo, ele foi o protagonista principal de “CONTRA-INVESTIGAÇÃO” (“Contre-Enquete”), dirigido por Frankc
Mancuso. Ele faz o capitão de polícia Richard Malinowski, cuja filha Emilie
(Alexandra Gonçalves), de 9 anos, é estuprada e assassinada por um maníaco
sexual. A polícia dá prioridade ao caso e pouco depois é preso Daniel Eckmann
(Laurent Lucas), que confessa o crime, é julgado e condenado a 30 anos. Da
prisão, Eckmann escreve várias cartas a Malinowski dizendo que é inocente. Malinowski
começa a desconfiar que Eckmann pode ser inocente, ainda mais que outro
psicopata é preso e confessa o assassinato de quatro crianças da mesma forma
como Emilie foi morta. Diante desse fato, o advogado de Eckmann consegue
promover um novo julgamento. A dúvida persiste para Malinowski, que continua a
investigação por conta própria. A história é baseada num conto do escritor
norte-americano Lawrence Block, que Mancuso, um ex-policial, adaptou para o
cinema. Mancuso, aliás, deixou a carreira policial para ser roteirista e este é
o seu primeiro filme como diretor. Funciona como suspense psicológico, ainda
mais pelo desfecho surpreendente e inesperado.
“MESMO SE NADA DER CERTO” (“Begin Again”), 2014, é um filme musical, não daqueles tradicionais,
onde os protagonistas começam a cantar no meio de um diálogo ou de repente todo mundo sai
dançando. Este é musical porque tem muita música, a história gira em torno da
música e até há uma homenagem a algumas músicas antigas. Ou seja, quem não
gosta de um filme com muita cantoria vai detestar. O mais certo é dizer que é
uma comédia romântica musical. Gretta (Keira Knightley) leva um fora do namorado,
Dave (Adam Levine), um roqueiro de sucesso. Gretta é compositora e, nas horas
vagas, cantora. Levada por um amigo para cantar num barzinho, Gretta é ouvida
por um produtor musical desempregado e alcoólatra, Dan (Mark Ruffalo). Ele se
convence do talento da moça e propõe a ela a gravação de um CD ao ar livre, ou
seja, nas ruas, praças e parques de Nova Iorque. Para isso, utiliza alguns
músicos amadores, incluindo sua filha guitarrista Violet (Hailee Steinfeld). O
filme tem algumas cenas muito interessantes, como aquela em que Dan imagina um
arranjo especial para a música que Gretta está cantando num bar. Os
instrumentos ganham animação, causando um efeito visual bastante criativo. O
filme acerta também ao apostar no carisma e na simpatia da dupla Keira
Knightley e Mark Ruffalo, embora como cantora ela seja uma ótima atriz. O diretor John Carney é o mesmo de “Apenas uma Vez”(2006),
outro filme romântico tendo a música como tema central. Também estão no elenco Catherine Keener, Ceelo Green e James Corden, entre outros.
Apesar
da idade (62), o ator irlandês Liam Neeson ainda tem encontrado bons papeis em
filmes de ação, como os recentes “Sem Escalas”, “A Perseguição” e “Busca
Implacável 1 e 2. Ele também não nega fogo em “CAÇADA
MORTAL” (“A Walk Among the Tombstones”),
2014, um suspense policial baseado num livro de Lawrence Block (um dos melhores
autores policiais da atualidade). Nisson é o investigador particular Matt Scudder,
que trabalha sem licença e, portanto, à margem da lei. Ele é contratado por
Kenny Kristo (Boyd Holbrook), um traficante de heroína, para descobrir quem
matou e esquartejou sua mulher, mesmo depois do resgate ter sido pago. Em meio às
investigações, Scudder participa de sessões de terapia para se livrar do vício
do álcool e faz amizade, um tanto forçada, com um garoto morador de rua, TJ (Brian Bradley), prestes a cair na delinquência. De repente, surge mais um caso semelhante de sequestro envolvendo, desta vez, a filha de outro traficante, e com mais um pedido de resgate. Scudder assume também esse caso. Os
atos dos criminosos são mostrados em flashbacks e as suspeitas recaem sobre dois
ex-integrantes do DEA (departamento anti-drogas dos EUA). O diretor Scott Frank
tem uma trajetória de mais qualidade como roteirista (“Wolverine – Imortal”, “Minority
Report” e “Marley & Eu”, entre outros). O filme não tem muita ação e o suspense é fraco, Neeson
está apático e a história se arrasta um pouco demais. Se puder, prefira o
livro.
Assinar:
Postagens (Atom)
