terça-feira, 14 de outubro de 2014
Hollywood
que me desculpe, mas a França está produzindo filmes policiais bem melhores. Isso há anos. Verdade que não há tantos tiros, pancadarias e perseguições, mas as histórias,
os personagens e até mesmo os atores são mais convincentes. Mesmo que apele
para um roteiro fantasioso e surreal como em “A OUTRA VIDA DE RICHARD
KEMP” (“L’Outre Vie de Richard Kemp”),
2013, o resultado fica bem acima da média no gênero. A história é ambientada em
2009 e centrada no capitão de polícia Richard Kemp (Jean-Hugues Anglade),
encarregado de investigar a morte de uma jovem. Na noite em que retorna ao
local do crime, Kemp é empurrado de uma ponte e cai na água. Quando sai da água
e retorna a terra firme, Kemp nota que houve uma mudança incrível. O tempo
voltou 20 anos e ele se vê como o policial novato que investiga crimes
cometidos por um serial killer apelidado de “Fura-tímpanos”. Nesse retorno de
duas décadas, Kemp volta a encontrar a psicóloga forense Hélène Batistelli
(Mélanie Thierry), com quem começou um romance na atualidade, ou seja, vinte
anos depois. Complicado? Nem tanto, pois o diretor Germinal Alvarez faz uma convincente
transposição de épocas, incluindo a aparência dos atores principais. Você acaba nem ligando para o absurdo da situação. E
tem Anglade, um dos melhores atores franceses da atualidade. Ótimo
entretenimento!segunda-feira, 13 de outubro de 2014
No
começo do filme, um bicho de caracol é mostrado deslizando lentamente. Parece anunciar
o ritmo em que vai se arrastar por quase duas horas o drama inglês “VENTRE” (“Womb”), 2010. Não é só pelo seu nome ou por sua lentidão que o
filme incomoda. Mas também por abordar
temas desconfortáveis como clonagem humana e incesto. Ambientado em alguma
parte do litoral da Inglaterra (não há menção do local), o filme é centrado na
amizade de duas crianças, Rebecca e Thomas. Um dia, porém, a mãe de Rebecca consegue
um emprego no Japão. Dessa forma, Rebecca se separa de Thomas. Doze anos se
passam e Rebecca (Eva Green) volta do Japão e procura por Thomas (Matt Smith),
agora homem feito. Percebe-se que a conduta de Rebecca não é muito normal. Fica
claro que ela está obcecada por Thomas. Alguns dias depois do reencontro, ele e
Rebecca estão viajando quando acontece um acidente fatal. Thomas morre
atropelado. Através do DNA do falecido, Rebecca consegue fazer uma inseminação
artificial e dá à luz a um clone de Thomas. A partir daí, durante as várias
fases de crescimento do garoto, o diretor dinamarquês Benedek Fliegauf reforça
a insinuação de incesto em inúmeras cenas, principalmente por parte de Rebecca,
já que Thomas não sabe que é um clone. Claro que a situação vai piorar quando
Thomas torna-se adulto. O ator Matt Smith, com cara de psicopata abobado,
também é outro fator de desconforto para o espectador. Ainda bem que pelo menos dá para
curtir a beleza da atriz francesa Eva Green. Nem mesmo fazendo papel de uma mulher desequilibrada ela consegue ser feia. Talvez o único ponto positivo desse drama pra lá de pesado. domingo, 12 de outubro de 2014
Antes
de ficar mundialmente famoso ao conquistar o Oscar de Melhor Ator por “O
Artista”, em 2012, Jean Dujardin já era bastante conhecido no cinema francês.
Em 2007, por exemplo, ele foi o protagonista principal de “CONTRA-INVESTIGAÇÃO” (“Contre-Enquete”), dirigido por Frankc
Mancuso. Ele faz o capitão de polícia Richard Malinowski, cuja filha Emilie
(Alexandra Gonçalves), de 9 anos, é estuprada e assassinada por um maníaco
sexual. A polícia dá prioridade ao caso e pouco depois é preso Daniel Eckmann
(Laurent Lucas), que confessa o crime, é julgado e condenado a 30 anos. Da
prisão, Eckmann escreve várias cartas a Malinowski dizendo que é inocente. Malinowski
começa a desconfiar que Eckmann pode ser inocente, ainda mais que outro
psicopata é preso e confessa o assassinato de quatro crianças da mesma forma
como Emilie foi morta. Diante desse fato, o advogado de Eckmann consegue
promover um novo julgamento. A dúvida persiste para Malinowski, que continua a
investigação por conta própria. A história é baseada num conto do escritor
norte-americano Lawrence Block, que Mancuso, um ex-policial, adaptou para o
cinema. Mancuso, aliás, deixou a carreira policial para ser roteirista e este é
o seu primeiro filme como diretor. Funciona como suspense psicológico, ainda
mais pelo desfecho surpreendente e inesperado.
“MESMO SE NADA DER CERTO” (“Begin Again”), 2014, é um filme musical, não daqueles tradicionais,
onde os protagonistas começam a cantar no meio de um diálogo ou de repente todo mundo sai
dançando. Este é musical porque tem muita música, a história gira em torno da
música e até há uma homenagem a algumas músicas antigas. Ou seja, quem não
gosta de um filme com muita cantoria vai detestar. O mais certo é dizer que é
uma comédia romântica musical. Gretta (Keira Knightley) leva um fora do namorado,
Dave (Adam Levine), um roqueiro de sucesso. Gretta é compositora e, nas horas
vagas, cantora. Levada por um amigo para cantar num barzinho, Gretta é ouvida
por um produtor musical desempregado e alcoólatra, Dan (Mark Ruffalo). Ele se
convence do talento da moça e propõe a ela a gravação de um CD ao ar livre, ou
seja, nas ruas, praças e parques de Nova Iorque. Para isso, utiliza alguns
músicos amadores, incluindo sua filha guitarrista Violet (Hailee Steinfeld). O
filme tem algumas cenas muito interessantes, como aquela em que Dan imagina um
arranjo especial para a música que Gretta está cantando num bar. Os
instrumentos ganham animação, causando um efeito visual bastante criativo. O
filme acerta também ao apostar no carisma e na simpatia da dupla Keira
Knightley e Mark Ruffalo, embora como cantora ela seja uma ótima atriz. O diretor John Carney é o mesmo de “Apenas uma Vez”(2006),
outro filme romântico tendo a música como tema central. Também estão no elenco Catherine Keener, Ceelo Green e James Corden, entre outros.
Apesar
da idade (62), o ator irlandês Liam Neeson ainda tem encontrado bons papeis em
filmes de ação, como os recentes “Sem Escalas”, “A Perseguição” e “Busca
Implacável 1 e 2. Ele também não nega fogo em “CAÇADA
MORTAL” (“A Walk Among the Tombstones”),
2014, um suspense policial baseado num livro de Lawrence Block (um dos melhores
autores policiais da atualidade). Nisson é o investigador particular Matt Scudder,
que trabalha sem licença e, portanto, à margem da lei. Ele é contratado por
Kenny Kristo (Boyd Holbrook), um traficante de heroína, para descobrir quem
matou e esquartejou sua mulher, mesmo depois do resgate ter sido pago. Em meio às
investigações, Scudder participa de sessões de terapia para se livrar do vício
do álcool e faz amizade, um tanto forçada, com um garoto morador de rua, TJ (Brian Bradley), prestes a cair na delinquência. De repente, surge mais um caso semelhante de sequestro envolvendo, desta vez, a filha de outro traficante, e com mais um pedido de resgate. Scudder assume também esse caso. Os
atos dos criminosos são mostrados em flashbacks e as suspeitas recaem sobre dois
ex-integrantes do DEA (departamento anti-drogas dos EUA). O diretor Scott Frank
tem uma trajetória de mais qualidade como roteirista (“Wolverine – Imortal”, “Minority
Report” e “Marley & Eu”, entre outros). O filme não tem muita ação e o suspense é fraco, Neeson
está apático e a história se arrasta um pouco demais. Se puder, prefira o
livro.sábado, 11 de outubro de 2014
“GOOD PEOPLE”, 2014,
direção do dinamarquês Henrik Ruben Genz, é um filme policial repleto de ação e
suspense. E com um ótimo elenco: James Franco, Kate Hudson, Tom Wilkinson e
Omar Sy. A história é inspirada no romance homônimo do escritor Marcus Sakey. O
filme é todo ambientado em Londres. Tom (Franco) e Anna (Hudson) são casados e,
para reforçar o orçamento doméstico, alugam um quarto no porão da casa para um
inquilino muito estranho, que um dia aparece morto. Ao limpar o local e juntar
os pertences do falecido, o casal encontra uma mala cheia de dinheiro. É claro
que o morto estava envolvido em alguma falcatrua e, mais óbvio ainda, vai
aparecer alguém muito bravo querendo o dinheiro de volta. Esse alguém é o psicótico
Jack Witkowski (Sam Spruel), conhecido traficante londrino. Para tumultuar
ainda mais o ambiente e louco por uma vingança, aparece no cenário outro
traficante de drogas, desta fez o francês Khan (Omar Sy, da comédia “Intocáveis”).
Tom e Anna, ajudados pelo policial Joan Halden (Wilkinson), tentarão de todas
as formas se livrar da perseguição implacável dos bandidos. Encha o pote de
pipoca. Entretenimento garantido!
“AMAR, BEBER E CANTAR” (“Aimer, Boire et Chanter”), 2013, foi o último filme dirigido pelo
francês Alan Resnais. Ele morreu no dia 14 de março de 2014, aos 91 anos de idade.
O filme é inspirado na peça teatral escrita pelo dramaturgo britânico Alan
Ayckbourn. Resnais fez um teatro filmado, utilizando apenas seis atores e
atrizes, todos veteranos do teatro e cinema francês: Sabine Azéma, Hippolyte
Girardot, Caroline Silhol, Michel Vuillermoz, André Dussollier e Sandrine Kiberlain. Um time da mais alta qualidade. No filme, eles interpretam três casais que formam um grupo de teatro amador. No
primeiro ensaio, eles ficam sabendo que um amigo em comum, George Riley, está
muito doente e tem poucos meses de vida. A partir daí, as mulheres do grupo
deixam escapar que tiveram algo mais do que uma simples amizade com o tal
George, incluindo até mesmo a filha de um dos casais, provocando um ataque de
ciúmes por parte dos maridos. Os diálogos, inteligentes e engraçados, são o
ponto alto do filme. A cenografia é toda estilizada como se os atores atuassem
num imenso palco, como comprovam as fendas de cortinas ao invés de portas. Resnais,
sem dúvida, era um diretor muito criativo. Sua criatividade, porém, não era
destinada ao grande público. Seus filmes são provas disso: “Vocês ainda não viram
nada”, “O Ano Passado em Marienbad” e “Medos Privados em Lugares Públicos”,
entre tantos outros. quinta-feira, 9 de outubro de 2014
Exibido pela primeira vez no Festival de Cannes 2014, o thriller “À PROCURA” (“The Captive”), do diretor
egípcio naturalizado canadense Atom Egoyan, foi recebido com frieza pelos críticos
e chegou até a ser vaiado na sessão especial à Imprensa. Trata-se de um
suspense policial cujo pano de fundo é a pedofilia e o sequestro de crianças.
Portanto, temas bastante incômodos. Histórias semelhantes já foram tratadas em
outros inúmeros filmes. Portanto, Egoyan não fez nada de novo. Cass, a filha de
8 anos de Mattheu (Ryan Reynolds) e de Tina (Mireille Enos) é sequestrada por
um grupo de pedófilos. A desconfiança da polícia recai sobre Mattheu, que passa
por grandes dificuldades financeiras e, portanto, acham que ele vendeu a
própria filha. Enquanto isso, a menina é mantida em cativeiro e sofre lavagem
cerebral, transformando-se em aliciadora de crianças pela Internet. A polícia
só encontrará alguma pista muitos anos depois, quando Cass já está com 16 anos.
Apesar de toda crítica desfavorável de Cannes, o filme funciona como suspense.
O elenco traz, além de Reynolds e Enos, Scott Speedman, Rosario Dawson, Kevin
Duran, Alexia Fast e Ella Ballentina. É bom que se diga: o diretor Atom Egoyan já fez filmes muito
melhores. Só para citar alguns exemplos: “O Doce Amanhã”, “Sem Evidências” e “O
Preço da Traição”.
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
“AS JOIAS DA COROA” (“Kronjuvelerna”), 2011, é mais um ótimo drama sueco, valorizado pela
presença dessa jovem e talentosa atriz Alicia Vikander (“O Amante da Rainha”, “Anna
Karenina”). A história começa com o nascimento de dois bebês: Fragância Fernandez
e Richard Persson. A primeira é filha de um operário de fábrica e o menino é
filho justamente do dono da fábrica, o homem mais poderoso e rico da cidade e
da região. Os destinos das crianças se cruzarão durante a infância e toda a
juventude. Fragância teve um irmão com Síndrome de Down, sua família continuou
pobre, a mãe fica doente e o pai mantém o sonho de encontrar a fórmula química para
fabricar ouro. Richard, por seu lado, tem um pai tirano, autoritário e
violento, o que motiva a fuga de sua mãe. Richard ainda carrega uma sequela de
um acidente ocorrido ainda na maternidade e sofre os maltratos do pai por não
ter sido um grande astro do hóquei. Durante muios anos, Richard quis namorar
Fragância, que sempre o rejeitou. Para piorar, ela se apaixona justamente por
um astro do hóquei. Toda a história é contada em flashbacks por Fragância
depois que é presa sob a acusação de ter assassinado Richard. Ela diz ao
investigador que a interroga: “Para você entender meu ato, tenho que contar a
história desde o começo”. O filme, dirigido por Ella Lemhagen, é bastante
original e merece ser visto por quem curte cinema de qualidade. terça-feira, 7 de outubro de 2014
“VIOLETTE”, drama
francês biográfico, conta a história de Violette Leduc (Emmanuelle Devos), uma
das maiores escritoras francesas do Século XX. O filme aborda com destaque a forte
amizade que Violette teve com a filósofa e escritora Simone de Beauvoir (Sandrine
Kiberlain). Muito se falou sobre a ligação entre as duas – ambas bissexuais -, que
teriam sido amantes. O filme deixa claro que houve, sim, uma paixão por parte
de Violette, rejeitada por Beauvoir. Esta, como admiradora do talento de
Violette como escritora, a ajudou muito nos contatos com editores e na publicação
das obras. Também nos momentos difíceis enfrentados por Violetta, quando chegou
até a ser internada num hospital psiquiátrico, Simone sempre esteve ao seu lado,
incentivando-a sempre a escrever. Outro grande amigo de Violette foi o
dramaturgo Jean Genet (Jacques Bonnaffé). Trata-se, evidentemente, de um filme feito
para um público específico, principalmente aquele que gosta de literatura. Muitos
dos textos falados e legendados reproduzem trechos das obras de Violette, a
maioria dos quais enfatizando a condição feminina da época. O filme, de 2013, é
dirigido por Martin Provost, que em 2008 já havia feito outro filme biográfico,
“Séraphine”, sobre a pintora francesa Séraphine de Senlis.
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
“ATTILA MARCEL”, 2013, direção
de Sylvain Chomet, é um filme fantasioso, meio surreal. Uma fábula ao estilo “Amélie
Poulain”, só que com um personagem masculino. Ele é Paul (Guillaume Gouix), que
perdeu a fala e a memória quando era criança ao presenciar o acidente que matou
seus pais – o pai era justamente o Attila Marcel do título, um lutador de
luta-livre. Aos 33 anos, Paul vive com as tias Annie (Bernadette Lafont) e Anna
(Hélène Vincent). A vida dele se resume a tocar piano na academia de dança das
tias e em casa para convidados. Nada mais. Até que um dia ele conhece Madame
Proust (Anne Leny), vizinha do 4º andar. Ela faz um tipo de infusão capaz de
despertar lembranças de infância. É bebendo essa infusão que Paul, em flashbacks,
recupera a memória dos fatos da infância, incluindo o acidente com seus pais. Muito
do estilo fantasioso e feérico dessa produção francesa se deve à experiência de
Sylvain Chomet como diretor de filmes de animação (“As Bicicletas de Belleville”,
de 2003, por exemplo). “ATTILA MARCEL” foi o
último filme da atriz Bernardett Lafont. O filme, aliás, é dedicado a ela.
domingo, 5 de outubro de 2014
“NA TERCEIRA PESSOA” (“Third Person”), 2013, EUA, é o mais recente filme dirigido por Paul Haggis (“Crash”, melhor filme do Oscar em 2004). O drama conta três histórias, cada uma
ambientada numa cidade diferente. Em Nova Iorque, um casal briga pela custódia
do filho. Em Roma, um espião industrial se envolve com uma italiana que tem
ligações pouco recomendáveis. Em Paris, um escritor famoso que ganhou o Prêmio Pulitzer vive uma crise criativa e se apaixona por uma jornalista de coluna social. Do jeito que Haggis conduz a
narrativa, dá a impressão de que as histórias são fruto da imaginação do escritor
para o seu próximo livro. Pode-se pensar também que as histórias caminham para
se entrelaçar umas às outras, reunindo os protagonistas no desfecho, como já
aconteceu em inúmeros outros filmes. É melhor deixar a surpresa para o próprio
espectador conferir. Com um roteiro estapafúrdio e um tanto complexo, o filme
não condiz com a qualidade de Haggis. Desta vez, o diretor de “Crash” quebrou a
cara, desperdiçando um elenco de primeira com um filme de segunda. Olha só os
nomes: Liam Neeson, Adrien Brody, Mila Kunis, Olivia Wilde, James Franco, Maria
Bello, Kim Bassinger, Moran Atias etc.
Filme
de ficção dentro de um documentário? Ou um documentário dentro de um filme de
ficção? Tanto faz a resposta, pois o importante é que a produção austríaca “HORAS
NO MUSEU” (“Museum Hours”), de 2013,
é muito interessante. Na verdade, trata-se
de uma exaltação à Arte, principalmente a arte da pintura, da escultura e da arquitetura.
A história ficcional fala da viagem de Anne (Mary Margaret O’Hara), do Canadá
para a Áustria, com o objetivo de visitar uma prima que está em coma. Este é
ponto de partida. Ao chegar a Viena, Anne passa horas visitando o Kunsthistorisches
Museum (Museu de História da Arte) e faz amizade com o segurança Johann (Bobby
Sommer). O lado documentário do filme surge a partir dos diálogos entre os dois
sobre a arte em geral, curiosidades históricas de Viena, sua arquitetura e principais
monumentos. Os diálogos são ilustrados por imagens belíssimas – o diretor Jem
Cohen é especialista em documentários e vídeos de arte. Cohen dedica uma
atenção especial à obra do pintor flamenco Pieter Brueghel, através das
explicações de uma guia do museu sobre alguns de seus quadros expostos. Há
momentos sensíveis, como aquele em que Johann acompanha Anne numa visita à
prima em coma. Anne pede a ele que descreva alguns quadros, acreditando que sua
prima poderá visualizá-los. É um filme, sem dúvida, muito diferente do que
estamos acostumados a assistir, mas vale a pena por sua proposta ousada e inovadora.
Quem gosta de arte e cultura não deve perder.sábado, 4 de outubro de 2014
A
partir do seu primeiro grande papel no cinema, como a Tenente Ripley em “Alien”
(1979), a atriz Sigourney Weaver consolidou uma carreira de grande sucesso em Hollywood.
Sua versatilidade interpretativa a ajudou a desempenhar os mais diferentes papeis,
sempre com muito talento. Um exemplo de sua versatilidade pode ser conferido no
drama canadense “UM CERTO OLHAR”
(“Snow Cake”), de 2005. Ela interpreta Linda, uma mulher autista, mãe solteira
que mora sozinha numa pequena cidade do Canadá chamada Wava. Sem demonstrar
qualquer emoção, ela recebe a notícia da morte de sua filha Vivienne (Emily
Hampshire) ocorrida num acidente de trânsito causado por um motorista de
caminhão. Vivienne estava de carona no carro de Alex Hughes (Alan Rickman).
Bastante chateado, Alex vai procurar Linda para consolá-la e também devolver
alguns objetos pessoais de Vivienne. A convivência entre os dois não será nada
fácil, mas Alex concorda em ficar hospedado na casa de Linda e em ajudá-la nos
preparativos para o funeral de Viviene. Alex acaba se envolvendo com Maggie (Carrie-Anne
Moss), a fogosa vizinha de Linda. Apesar da morte de Vivienne e da doença de
Linda, o diretor Marc Evans não deixou o filme descambar para um dramalhão. Pelo
contrário, fez um filme com bastante humor, o que incluiu explorar algumas
manias de Linda, sem jamais romper a fronteira do politicamente correto. Um
filme de produção modesta, mas sensível e comovente na dose certa. Sem falar na
presença de Sigourney, que valoriza qualquer filme. sexta-feira, 3 de outubro de 2014
“A GAROTA NO TREM” (“La Fille
du Rer”), 2009, leva a assinatura do veterano diretor francês André Téchiné. É um
drama centrado em Jeanne (Émilie Dequenne), uma jovem inconsequente e meio
desequilibrada que mora no subúrbio de Paris com a mãe Louise (Catherine
Deneuve), que trabalha como baby-sitter. Por indicação de Louise, Jeanne vai
procurar o advogado Samuel Bleinsten (Michel Blanc), um antigo amigo de seu pai
e admirador de sua mãe, e consegue o emprego de secretária. Tudo parece ir bem
até que Jeanne conhece Franck (Nicholas Duvauchelle), um jovem aparentemente
direito pelo qual se apaixona. Com a promessa de ganhar bastante dinheiro,
Franck a convence a largar o emprego e trabalhar com ele como zeladores de um
depósito, que na verdade é um lugar de fachada para a venda de drogas. Não
demora muito Franck acaba sendo preso. O fato desequilibra Louise, que não
sabia de nada. Ela, então, num surto histérico, decide forjar ter sido vítima
de um ataque antissemita dentro de um trem e vai à polícia denunciar a agressão
(esse fato realmente aconteceu em 2004 e serviu de inspiração e ponto de
partida para o filme de Téchiné). A história de Jeanne ganha o noticiário
nacional e vira uma questão de fundo político com o envolvimento do governo
francês. A verdade acaba sendo descoberta e Jeanne terá que se responsabilizar
pelo seu ato insano. O filme tem uma história paralela envolvendo a família de
Bleinsten e a cerimônia do Bar Mitzvah de seu neto. Não é o melhor filme de
Téchiné, mas mesmo assim é bastante interessante.
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
O
drama independente “LULLABY”,
2014, EUA, filme de estreia de Andrew Levitas na direção, conta a história de
Robert (Richard Jenkins), um homem de meia idade que sofre de câncer há 12
anos. Desta vez, porém, internado em estado grave num hospital, ele resolve
pedir aos médicos que desliguem os aparelhos e o deixem morrer em paz. Sua
esposa, Rachel (uma envelhecida Anne Archer, a primeira mulher de Tom Cruise),
chama Jonathan (Garrett Hedlund) e Karen (Jessica Brown Findlay), os dois
filhos, para se despedirem do pai. É claro que, diante desse enredo, não se
pode esperar um filme alegre. Há, porém, alguns momentos sensíveis e, de certa
forma, comoventes, envolvendo, principalmente, a amizade de Jonathan com Meredith (Jessica Barden), uma
jovem de 17 anos que tem câncer terminal. O humor aparece de vez em quando para amenizar
o drama, ainda mais que o filme quase inteiro é ambientado dentro de um hospital.
O filme também propõe uma reflexão sobre a prática da eutanásia, ou, como
preferem os protagonistas, suicídio assistido. A família tem o direito de anular
o desejo do doente? Como é previsível desde o começo, o final é bastante
triste. Completam o elenco Amy Adams, como uma antiga namorada de Jonathan, e
Terrence Howard, como o médico que cuida de Robert.
Quando
“Capote” foi lançado, em 2005, filme pelo qual o ator Philip Seymour Hoffman
ganhou o Oscar de Melhor Ator, estava prestes a estrear também, por uma dessas
coincidências de Hollywood, o filme “CONFIDENCIAL” (“Infamous”), dirigido por Douglas McGrath - a
estreia deste foi adiada por quase um ano.
Os dois filmes contam praticamente a
mesma história, ou seja, uma parte da biografia do escritor Truman Capote centrada
nos fatos que antecederam a elaboração do livro “A Sangue Frio” (“In Cold Blood”),
que se transformou num best-seller mundial. O primeiro filme ganhou mais repercussão
por conta do Oscar de Philip Seymour. Quando “CONFIDENCIAL” estreou, o impacto perante o público não
foi o mesmo, apesar do ótimo elenco, que reuniu o ator inglês Toby Jones como
Capote, Sandra Bullock, Daniel Craig, Jeff Daniels, Sigourney Weaver, Isabella
Rossellini, Hope Davis e Gwyneth Paltrow. Importante o destaque que o filme dá
às conversas que Capote teve com Perry Smith (Daniel Craig, ótimo) na prisão,
as quais tiveram grande importância no aspecto psicológico do livro. O que mais
incomoda no filme é a exagerada interpretação de Toby Jones, que faz um Capote prepotente,
grosseiro, fofoqueiro e inconveniente, sem falar na voz esganiçada e nos
irritantes e afetados trejeitos efeminados, fora o fato de se vangloriar a toda
hora por conhecer as maiores celebridades de Hollywood. Se Capote era assim
mesmo, deve ter sido um cara intragável. Apesar disso, o filme é muito bom - na
minha opinião, melhor do que “Capote” – e deve ser visto ou revisto para
entender o livro que colocou Capote no Olimpo dos escritores do Século XX.terça-feira, 30 de setembro de 2014
“MEU MELHOR INIMIGO” (“Mein
Bester Feind”), 2010, é uma produção austríaca, dirigida por Wolfgang
Murnberger, que tem como pano de fundo a Segunda Grande Guerra. Victor Kaufmann
(Moritz Bleibtreu) é gerente e herdeiro de uma importante galeria de arte em
Viena. Seu melhor amigo é Rudi Smekal (George Friedrich). Eles foram criados
juntos, só que Victor é judeu e Rudi alemão. Pouco antes do início da guerra, durante
a inauguração de uma exposição na galeria, Jacob Kaufmann (Udo Samel), pai de
Victor, anuncia que tem em seu poder um desenho valioso de Michelangelo. A
guerra começa e a família Kaufmann é deportada para um campo de concentração. A
existência do desenho de Michelangelo chega ao conhecimento de Hitler, que quer
dá-lo de presente a Mussolini, que em breve visitará a Alemanha. Só que ninguém
sabe onde está o desenho. Rudi, agora um
soldado alemão, vai fazer de tudo para encontrar o desenho e, dessa forma,
subir no conceito do governo nazista, nem que tenha que trair e torturar o
antigo amigo. O filme segue com muita ação, suspense, humor negro e muitas
reviravoltas, o que o torna um ótimo entretenimento.
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
O
veterano diretor holandês Paul Verhoeven, de 76 anos, tem uma carreira bastante
sólida, inclusive em Hollywood. Em seu currículo, há filmes como “Instinto
Selvagem”, “O Vingador do Futuro”, “Robocop” (a primeira versão de 1987), “A
Espiã” e outros. Em 2012, Verhoeven fez um filme “caseiro”, ou seja, na
Holanda, e com atores holandeses. Trata-se de “TRAIÇÃO” (“Steekspel”), um drama recheado de humor e
reviravoltas que fazem passar ainda mais rápido os já reduzidos 55 minutos de
filme. Ou seja, um entretenimento dos mais deliciosos, com um desfecho que leva
a mulherada ao delírio. A história gira em torno de Remco (Peter Blok), um
importante empresário que, não bastasse estar em crise com os sócios na empresa,
ainda tenta administrar uma ex-amante grávida e uma amante atual, amiga de sua
filha. Além, é claro, de fazer tudo para continuar agradando sua esposa, que
finge não saber de nada. Graças ao roteiro bem elaborado, objetivo e conciso,
todo esse leque de situações é apresentado logo no início do filme, durante a
festa do aniversário de 50 anos de Remco. Verhoeven fez um filme bastante diferente
do que está acostumado a fazer, mas como é um excelente diretor, o resultado
foi o melhor possível. Estão no elenco, além de Blok, Robert de Hoog, Sallie
Harmsen, Gaite Jansen e Ricky Koole. domingo, 28 de setembro de 2014
“NOSSO GRANDE DESESPERO” (“Bizim
Büyük Çaresizligimiz”), 2011, dirigido por Seyfi Teoman, é um filme turco
inspirado no romance homônimo do escritor Baris Bicarsi. A história é centrada nos
amigos Ender (Ilker Aksum) e Cetin (Fatih Al), solteirões convictos que moram
juntos num apartamento em Ankara. A rotina e a privacidade dos dois – há uma
leve sugestão de que seja um casal gay – será quebrada pela chegada da jovem Nihal
(Gunes Sayin), que acaba de perder os pais num acidente automobilístico. Os
dois acolhem Nihal a pedido de Fikret (Baki Dayrak), irmão da moça e amigo
antigo de Ender e Cetin, que mora na Alemanha. A partir da chegada da moça, o
filme enfoca a convivência dos três com uma série de diálogos que mais parecem sessões
de terapia. Nihal gosta dos dois como se fossem seus tios. Mas Cetin e Ender
confessam, um para o outro apenas, que estão apaixonados por Nihal, mas concordam
em manter esse sentimento em segredo. E o filme segue abordando esse
relacionamento a três com mais diálogos longos e monótonos, cheios de pretensão
intelectual, mas vazios e com a profundidade de um dedal. A cena de maior
emoção é quando os três estão num parque e Nihal de repente grita: “Olha, uma
tartaruga!”. Visto na hora de dormir, dá um sono rapidinho...
O
drama libanês “BEIRUT HOTEL”
estreou no Locarno International Film Festival/2011 e foi premiado com o “Leopardo
de Ouro”. Talvez não fosse para tanto, mas não deixa de ser um filme interessante. Dirigido pela diretora
libanesa Danielle Arbid, conta a história de uma paixão avassaladora entre o
advogado francês Mathieu (Charles Berling) e a cantora Zhora (Darine Hamzé). Quando
tudo parece encaminhar para um filme romântico, de repente começam a surgir
fatos inesperados. Um libanês chamado Abbas (Fadi Abi Samra), antigo amigo de
Mathieu, aparece para oferecer ao francês uma informação importante sobre os
responsáveis pelo atentado à bomba que matou o ex-primeiro ministro do Líbano
Rafik Hariri em 2005. Em troca, Abbas quer que Mathieu interceda junto à
Embaixada da França para lhe dar um visto de saída do país. Fora isso, o
Serviço Secreto do Líbano desconfia que Mathieu é um espião a serviço de Israel
e o mantém sob intensa vigilância. Para tumultuar ainda mais o ambiente, um importante
comandante desse Serviço Secreto é também tio de Zhora. Com tudo isso
acontecendo, é claro que o romance entre Zhora e Mathieu tem grandes chances de
acabar mal. O filme é todo ambientado em Beirute. A diretora procurou valorizar
os cenários mais charmosos da cidade através de um belo trabalho de fotografia.
Mais interessante até que o filme, é a bela e sensual atriz Darine
Hamzé, de fechar o comércio de toda a 25 de Março e adjacências...
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