A
partir do seu primeiro grande papel no cinema, como a Tenente Ripley em “Alien”
(1979), a atriz Sigourney Weaver consolidou uma carreira de grande sucesso em Hollywood.
Sua versatilidade interpretativa a ajudou a desempenhar os mais diferentes papeis,
sempre com muito talento. Um exemplo de sua versatilidade pode ser conferido no
drama canadense “UM CERTO OLHAR”
(“Snow Cake”), de 2005. Ela interpreta Linda, uma mulher autista, mãe solteira
que mora sozinha numa pequena cidade do Canadá chamada Wava. Sem demonstrar
qualquer emoção, ela recebe a notícia da morte de sua filha Vivienne (Emily
Hampshire) ocorrida num acidente de trânsito causado por um motorista de
caminhão. Vivienne estava de carona no carro de Alex Hughes (Alan Rickman).
Bastante chateado, Alex vai procurar Linda para consolá-la e também devolver
alguns objetos pessoais de Vivienne. A convivência entre os dois não será nada
fácil, mas Alex concorda em ficar hospedado na casa de Linda e em ajudá-la nos
preparativos para o funeral de Viviene. Alex acaba se envolvendo com Maggie (Carrie-Anne
Moss), a fogosa vizinha de Linda. Apesar da morte de Vivienne e da doença de
Linda, o diretor Marc Evans não deixou o filme descambar para um dramalhão. Pelo
contrário, fez um filme com bastante humor, o que incluiu explorar algumas
manias de Linda, sem jamais romper a fronteira do politicamente correto. Um
filme de produção modesta, mas sensível e comovente na dose certa. Sem falar na
presença de Sigourney, que valoriza qualquer filme. sábado, 4 de outubro de 2014
A
partir do seu primeiro grande papel no cinema, como a Tenente Ripley em “Alien”
(1979), a atriz Sigourney Weaver consolidou uma carreira de grande sucesso em Hollywood.
Sua versatilidade interpretativa a ajudou a desempenhar os mais diferentes papeis,
sempre com muito talento. Um exemplo de sua versatilidade pode ser conferido no
drama canadense “UM CERTO OLHAR”
(“Snow Cake”), de 2005. Ela interpreta Linda, uma mulher autista, mãe solteira
que mora sozinha numa pequena cidade do Canadá chamada Wava. Sem demonstrar
qualquer emoção, ela recebe a notícia da morte de sua filha Vivienne (Emily
Hampshire) ocorrida num acidente de trânsito causado por um motorista de
caminhão. Vivienne estava de carona no carro de Alex Hughes (Alan Rickman).
Bastante chateado, Alex vai procurar Linda para consolá-la e também devolver
alguns objetos pessoais de Vivienne. A convivência entre os dois não será nada
fácil, mas Alex concorda em ficar hospedado na casa de Linda e em ajudá-la nos
preparativos para o funeral de Viviene. Alex acaba se envolvendo com Maggie (Carrie-Anne
Moss), a fogosa vizinha de Linda. Apesar da morte de Vivienne e da doença de
Linda, o diretor Marc Evans não deixou o filme descambar para um dramalhão. Pelo
contrário, fez um filme com bastante humor, o que incluiu explorar algumas
manias de Linda, sem jamais romper a fronteira do politicamente correto. Um
filme de produção modesta, mas sensível e comovente na dose certa. Sem falar na
presença de Sigourney, que valoriza qualquer filme. sexta-feira, 3 de outubro de 2014
“A GAROTA NO TREM” (“La Fille
du Rer”), 2009, leva a assinatura do veterano diretor francês André Téchiné. É um
drama centrado em Jeanne (Émilie Dequenne), uma jovem inconsequente e meio
desequilibrada que mora no subúrbio de Paris com a mãe Louise (Catherine
Deneuve), que trabalha como baby-sitter. Por indicação de Louise, Jeanne vai
procurar o advogado Samuel Bleinsten (Michel Blanc), um antigo amigo de seu pai
e admirador de sua mãe, e consegue o emprego de secretária. Tudo parece ir bem
até que Jeanne conhece Franck (Nicholas Duvauchelle), um jovem aparentemente
direito pelo qual se apaixona. Com a promessa de ganhar bastante dinheiro,
Franck a convence a largar o emprego e trabalhar com ele como zeladores de um
depósito, que na verdade é um lugar de fachada para a venda de drogas. Não
demora muito Franck acaba sendo preso. O fato desequilibra Louise, que não
sabia de nada. Ela, então, num surto histérico, decide forjar ter sido vítima
de um ataque antissemita dentro de um trem e vai à polícia denunciar a agressão
(esse fato realmente aconteceu em 2004 e serviu de inspiração e ponto de
partida para o filme de Téchiné). A história de Jeanne ganha o noticiário
nacional e vira uma questão de fundo político com o envolvimento do governo
francês. A verdade acaba sendo descoberta e Jeanne terá que se responsabilizar
pelo seu ato insano. O filme tem uma história paralela envolvendo a família de
Bleinsten e a cerimônia do Bar Mitzvah de seu neto. Não é o melhor filme de
Téchiné, mas mesmo assim é bastante interessante.
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
O
drama independente “LULLABY”,
2014, EUA, filme de estreia de Andrew Levitas na direção, conta a história de
Robert (Richard Jenkins), um homem de meia idade que sofre de câncer há 12
anos. Desta vez, porém, internado em estado grave num hospital, ele resolve
pedir aos médicos que desliguem os aparelhos e o deixem morrer em paz. Sua
esposa, Rachel (uma envelhecida Anne Archer, a primeira mulher de Tom Cruise),
chama Jonathan (Garrett Hedlund) e Karen (Jessica Brown Findlay), os dois
filhos, para se despedirem do pai. É claro que, diante desse enredo, não se
pode esperar um filme alegre. Há, porém, alguns momentos sensíveis e, de certa
forma, comoventes, envolvendo, principalmente, a amizade de Jonathan com Meredith (Jessica Barden), uma
jovem de 17 anos que tem câncer terminal. O humor aparece de vez em quando para amenizar
o drama, ainda mais que o filme quase inteiro é ambientado dentro de um hospital.
O filme também propõe uma reflexão sobre a prática da eutanásia, ou, como
preferem os protagonistas, suicídio assistido. A família tem o direito de anular
o desejo do doente? Como é previsível desde o começo, o final é bastante
triste. Completam o elenco Amy Adams, como uma antiga namorada de Jonathan, e
Terrence Howard, como o médico que cuida de Robert.
Quando
“Capote” foi lançado, em 2005, filme pelo qual o ator Philip Seymour Hoffman
ganhou o Oscar de Melhor Ator, estava prestes a estrear também, por uma dessas
coincidências de Hollywood, o filme “CONFIDENCIAL” (“Infamous”), dirigido por Douglas McGrath - a
estreia deste foi adiada por quase um ano.
Os dois filmes contam praticamente a
mesma história, ou seja, uma parte da biografia do escritor Truman Capote centrada
nos fatos que antecederam a elaboração do livro “A Sangue Frio” (“In Cold Blood”),
que se transformou num best-seller mundial. O primeiro filme ganhou mais repercussão
por conta do Oscar de Philip Seymour. Quando “CONFIDENCIAL” estreou, o impacto perante o público não
foi o mesmo, apesar do ótimo elenco, que reuniu o ator inglês Toby Jones como
Capote, Sandra Bullock, Daniel Craig, Jeff Daniels, Sigourney Weaver, Isabella
Rossellini, Hope Davis e Gwyneth Paltrow. Importante o destaque que o filme dá
às conversas que Capote teve com Perry Smith (Daniel Craig, ótimo) na prisão,
as quais tiveram grande importância no aspecto psicológico do livro. O que mais
incomoda no filme é a exagerada interpretação de Toby Jones, que faz um Capote prepotente,
grosseiro, fofoqueiro e inconveniente, sem falar na voz esganiçada e nos
irritantes e afetados trejeitos efeminados, fora o fato de se vangloriar a toda
hora por conhecer as maiores celebridades de Hollywood. Se Capote era assim
mesmo, deve ter sido um cara intragável. Apesar disso, o filme é muito bom - na
minha opinião, melhor do que “Capote” – e deve ser visto ou revisto para
entender o livro que colocou Capote no Olimpo dos escritores do Século XX.terça-feira, 30 de setembro de 2014
“MEU MELHOR INIMIGO” (“Mein
Bester Feind”), 2010, é uma produção austríaca, dirigida por Wolfgang
Murnberger, que tem como pano de fundo a Segunda Grande Guerra. Victor Kaufmann
(Moritz Bleibtreu) é gerente e herdeiro de uma importante galeria de arte em
Viena. Seu melhor amigo é Rudi Smekal (George Friedrich). Eles foram criados
juntos, só que Victor é judeu e Rudi alemão. Pouco antes do início da guerra, durante
a inauguração de uma exposição na galeria, Jacob Kaufmann (Udo Samel), pai de
Victor, anuncia que tem em seu poder um desenho valioso de Michelangelo. A
guerra começa e a família Kaufmann é deportada para um campo de concentração. A
existência do desenho de Michelangelo chega ao conhecimento de Hitler, que quer
dá-lo de presente a Mussolini, que em breve visitará a Alemanha. Só que ninguém
sabe onde está o desenho. Rudi, agora um
soldado alemão, vai fazer de tudo para encontrar o desenho e, dessa forma,
subir no conceito do governo nazista, nem que tenha que trair e torturar o
antigo amigo. O filme segue com muita ação, suspense, humor negro e muitas
reviravoltas, o que o torna um ótimo entretenimento.
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
O
veterano diretor holandês Paul Verhoeven, de 76 anos, tem uma carreira bastante
sólida, inclusive em Hollywood. Em seu currículo, há filmes como “Instinto
Selvagem”, “O Vingador do Futuro”, “Robocop” (a primeira versão de 1987), “A
Espiã” e outros. Em 2012, Verhoeven fez um filme “caseiro”, ou seja, na
Holanda, e com atores holandeses. Trata-se de “TRAIÇÃO” (“Steekspel”), um drama recheado de humor e
reviravoltas que fazem passar ainda mais rápido os já reduzidos 55 minutos de
filme. Ou seja, um entretenimento dos mais deliciosos, com um desfecho que leva
a mulherada ao delírio. A história gira em torno de Remco (Peter Blok), um
importante empresário que, não bastasse estar em crise com os sócios na empresa,
ainda tenta administrar uma ex-amante grávida e uma amante atual, amiga de sua
filha. Além, é claro, de fazer tudo para continuar agradando sua esposa, que
finge não saber de nada. Graças ao roteiro bem elaborado, objetivo e conciso,
todo esse leque de situações é apresentado logo no início do filme, durante a
festa do aniversário de 50 anos de Remco. Verhoeven fez um filme bastante diferente
do que está acostumado a fazer, mas como é um excelente diretor, o resultado
foi o melhor possível. Estão no elenco, além de Blok, Robert de Hoog, Sallie
Harmsen, Gaite Jansen e Ricky Koole. domingo, 28 de setembro de 2014
“NOSSO GRANDE DESESPERO” (“Bizim
Büyük Çaresizligimiz”), 2011, dirigido por Seyfi Teoman, é um filme turco
inspirado no romance homônimo do escritor Baris Bicarsi. A história é centrada nos
amigos Ender (Ilker Aksum) e Cetin (Fatih Al), solteirões convictos que moram
juntos num apartamento em Ankara. A rotina e a privacidade dos dois – há uma
leve sugestão de que seja um casal gay – será quebrada pela chegada da jovem Nihal
(Gunes Sayin), que acaba de perder os pais num acidente automobilístico. Os
dois acolhem Nihal a pedido de Fikret (Baki Dayrak), irmão da moça e amigo
antigo de Ender e Cetin, que mora na Alemanha. A partir da chegada da moça, o
filme enfoca a convivência dos três com uma série de diálogos que mais parecem sessões
de terapia. Nihal gosta dos dois como se fossem seus tios. Mas Cetin e Ender
confessam, um para o outro apenas, que estão apaixonados por Nihal, mas concordam
em manter esse sentimento em segredo. E o filme segue abordando esse
relacionamento a três com mais diálogos longos e monótonos, cheios de pretensão
intelectual, mas vazios e com a profundidade de um dedal. A cena de maior
emoção é quando os três estão num parque e Nihal de repente grita: “Olha, uma
tartaruga!”. Visto na hora de dormir, dá um sono rapidinho...
O
drama libanês “BEIRUT HOTEL”
estreou no Locarno International Film Festival/2011 e foi premiado com o “Leopardo
de Ouro”. Talvez não fosse para tanto, mas não deixa de ser um filme interessante. Dirigido pela diretora
libanesa Danielle Arbid, conta a história de uma paixão avassaladora entre o
advogado francês Mathieu (Charles Berling) e a cantora Zhora (Darine Hamzé). Quando
tudo parece encaminhar para um filme romântico, de repente começam a surgir
fatos inesperados. Um libanês chamado Abbas (Fadi Abi Samra), antigo amigo de
Mathieu, aparece para oferecer ao francês uma informação importante sobre os
responsáveis pelo atentado à bomba que matou o ex-primeiro ministro do Líbano
Rafik Hariri em 2005. Em troca, Abbas quer que Mathieu interceda junto à
Embaixada da França para lhe dar um visto de saída do país. Fora isso, o
Serviço Secreto do Líbano desconfia que Mathieu é um espião a serviço de Israel
e o mantém sob intensa vigilância. Para tumultuar ainda mais o ambiente, um importante
comandante desse Serviço Secreto é também tio de Zhora. Com tudo isso
acontecendo, é claro que o romance entre Zhora e Mathieu tem grandes chances de
acabar mal. O filme é todo ambientado em Beirute. A diretora procurou valorizar
os cenários mais charmosos da cidade através de um belo trabalho de fotografia.
Mais interessante até que o filme, é a bela e sensual atriz Darine
Hamzé, de fechar o comércio de toda a 25 de Março e adjacências...sábado, 27 de setembro de 2014
Embora
o diretor Damian Harris tenha afirmado que sua intenção era apenas fazer uma denúncia, "JARDINS DA NOITE”
(“Gardens of the Night”), EUA, 2006, foi feito para chocar. É um filme desagradável
de ver, muito forte, impactante. Não é para menos. A história aborda pedofilia,
prostituição infantil, crianças em cárcere privado, drogas etc. O filme conta a
história de Leslie, sequestrada por dois pedófilos psicopatas quando tinha 8
anos de idade. Mediante pagamento, a dupla oferecia a menina para uma rede de
pedófilos. Agora aos 18 anos, Leslie (Gillian Jacobs) relembra os fatos
tenebrosos que marcaram sua infância e adolescência, transformando-a numa drogada
e prostituta de rua. Ela sempre acreditou – pois os seus sequestradores a
fizeram acreditar – que os pais a haviam abandonado à própria sorte. Difícil acreditar
que o filme tenha sido liberado para
exibição levando-se em consideração as rígidas normas de censura dos EUA.
Afinal, algumas cenas mostram adultos aos palavrões diante de crianças e até
algumas mostrando carícias de adultos em
crianças, embora nada de forma explícita. Mesmo assim, são cenas revoltantes, muito chocantes, de embrulhar o estômago. Os
atores são muito bons, principalmente Tom Arnold, que faz Alex, um dos
sequestradores, e a própria Gillian Jacobs, que, além de boa atriz, é muito
bonita. Uma curiosidade é a participação, numa ponta, do ator John Malkovich.
Enfim, um filme que passa longe de ser um entretenimento agradável.sexta-feira, 26 de setembro de 2014
“O ATENTADO” (L’Attentat”),
direção do libanês Ziad Doveiri, é uma
co-produção França-Líbano de 2013, cujo tema central é o eterno conflito entre
árabes e israelenses. A história é baseada em livro homônimo escrito por
Yasmina Khadra e o personagem central é o dr. Amin Jaafari (Ali Suliman), médico
de origem palestina que estudou e fez carreira em Tel Aviv. Ele é casado com
Sihan (Raymond Amsalem), também de origem palestina. Um dia, após ser
homenageado por seu trabalho num hospital de Tel Aviv, um atentado num
restaurante da cidade mata 17 pessoas e deixa dezenas de feridos. Conclui-se
que foi um ato terrorista praticado por uma mulher-bomba, logo identificada
como a esposa de Amin. O médico se recusa a acreditar que Sihan tenha sido capaz
de tal ato. Além de confirmar que ela é a autora do atentado, a polícia acredita
que o médico seja cúmplice da esposa. Além de tentar provar sua inocência
perante as autoridades israelenses, o médico vai ao território palestino
descobrir de que forma, e por quem, Sihan foi cooptada para praticar o
atentado. O filme é muito bom, pois retrata com bastante realismo o clima de
tensão que envolve o dia-a-dia de palestinos e israelenses. Quando o médico encontra
os mentores do atentado e ouve deles suas razões para a prática constante de
terrorismo contra Israel, o espectador vai chegar à desanimadora conclusão de
que esse conflito jamais terá fim. Uma das polêmicas que envolveram o filme foi
o fato de Sihan ser interpretada por uma atriz israelense, o que quase impediu sua
exibição nos países árabes. Imperdível! quinta-feira, 25 de setembro de 2014
“VIC + FLO VIRAM O URSO” (“Vic + Flo ont vu un Ours”), 2013, direção de Denis Côté. O título
desse drama canadense já dá a pista. Vem filme esquisito por aí, previsão
reforçada pelo retrospecto do diretor canadense, que gosta de realizar filmes
estranhos, tais como o documentário “Bestiaire” e o longa “Curling”. Neste novo
drama, a história é centrada em Victoria (Pierrette Robitaille), 61 anos, que
acaba de sair da cadeia em liberdade condicional e vai morar na cabana da
família numa floresta perto de Quebec. Algum tempo depois chega Florence
(Romane Bohringer), sua ex-companheira e amante na prisão – ninguém explica por
que elas estiveram presas. As duas resolvem reatar o caso e morar juntas. De fez em quando aparece para visitá-las o agente da condicional de Victoria, Guilheume (Marc-André Grondin), que passa a ser o único amigo das duas. Tudo
vai bem até aparecer uma visita nada agradável para cobrar algo que Florence fez no passado – outro fato não explicado. Na verdade, o filme todo é
inexplicável, aqui incluído o tal urso, que só aparece no título. O desfecho, então, é ver para crer. O filme
ganhou o “Urso de Prata” no Festival de Berlim 2013, o que também é
inexplicável.
O drama belga “ILEGAL” (“Illégal”), 2010, aborda um dos temas mais em evidência na Europa nos
últimos anos, ou seja, a questão dos imigrantes ilegais. Mais do que isso,
aliás, esta produção, dirigida por Olivier Masset-Depasse, parece ter a
intenção de denunciar os maus tratos a que são submetidos os ilegais na
Bélgica. O filme conta a trajetória sofrida da imigrante russa Tania (a
fabulosa atriz belga Anne Coesens), que há 8 anos vive na Bélgica ilegalmente
com seu filho Ivan. Quando seu pedido de residência permanente é recusado,
Tania se desespera. Para nunca mais ser identificada e correr o risco de ser
repatriada, ela resolve destruir as próprias digitais, queimando as pontas de
seus dedos num ferro de passar roupa. Quando é presa e separada do filho, ela fica
calada sobre sua identidade, sendo encaminhada a um centro de detenção
destinado a imigrantes ilegais. A maior parte do filme mostra Tania convivendo
e se integrando com outros imigrantes, ao mesmo tempo em que se preocupa com o
destino do filho, agora com 13 anos. É um filme pesado e muito triste, mas, ao mesmo tempo,
muito forte e impactante pela dramaticidade da situação, principalmente ao escancarar o tratamento pouco amigável destinado aos imigrantes ilegais. O filme foi o candidato
oficial da Bélgica na disputa do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro/2011. quarta-feira, 24 de setembro de 2014
“A CONVOCAÇÃO” (“The Calling”),
2013, é uma produção canadense dirigida por Jason Stone (seu filme de estreia
como diretor). A história, baseada no livro homônimo escrito por Inger Ash
Wolfe, é ambientada na pacata cidade de Port Dundas, na zona rural de Ontário
(Canadá), onde não ocorre um homicídio há mais de quatro anos. A chefe de
polícia local é a detetive Hazel Micallef (Susan Sarandon). Ela é uma policial
experiente, durona e beberrona, o tipo de personagem que a gente gosta logo de
cara – ainda mais com Sarandon. De repente, começam a aparecer, um após o
outro, na cidade e nas redondezas, vários corpos de vítimas de assassinato. Com
um contingente mínimo para investigar as mortes, Hazel pede reforços. E o que
recebe é um policial jovem e inexperiente, mas muito esperto, Ben Wingate
(Thopher Grace). As investigações levam a crer que os homicídios têm relação
com a Bíblia e outros aspectos religiosos. Um enredo um tanto mirabolante. O filme lembra “Fargo”, dos irmãos Coen, principalmente pela personagem de
Hazel, que tem muito a ver com a policial Marge (Frances McDormand). Esta tinha
dificuldade para se locomover porque estava grávida, e Hazel porque tem dor nas
costas resultantes de um tiro. Enfim, “A
CONVOCAÇÃO” é um ótimo entretenimento, pois
tem ação, humor e suspense. Tudo na dose certa.
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
“VIDA QUE SE DESFAZ” (“Le
Démantèlement”), 2013, é um belo e muito triste drama canadense centrado no
fazendeiro Gaby (Gabriel Arcand). Ele é dono da Bouchard & Filhos, uma
fazenda de criação de ovelhas que vem passando de geração a geração da família.
Gaby cuida de tudo praticamente sozinho. A fazenda é o trabalho de toda sua
vida. Gaby é divorciado há 20 anos e tem duas filhas que moram na cidade e nunca
o visitam. Como única companhia, ele tem a seu lado, além das ovelhas, o cão pastor
“Gordo”. É um homem solitário, triste. Um dia, ele recebe a visita de sua filha
mais velha, Marie (Lucie Laurier), que diz estar se separando do marido e
precisa muito de dinheiro, pois tem dois filhos para criar e muitas dívidas. Ela
precisa comprar a parte do marido na casa. Marie pede ajuda a Gaby. Este,
porém, não está bem financeiramente, mas promete ajudá-la. Gaby decide fazer um
grande sacrifício para ajudar a filha, o que justificará plenamente o título desta
produção falada no francês de Quebec. Dirigido por Sébastien Pilote, o filme é
lento tal qual transcorre a vida numa fazenda. A ótima fotografia ressalta as
paisagens às quais Gaby estará renunciando, aumentando ainda mais a dramaticidade
da história. Não há como não se emocionar com esse drama aclamado pela crítica
e público em vários festivais de cinema, incluindo Cannes, Toronto e a Mostra
Internacional de Cinema de São Paulo.

“HELLION”, 2013,
filme norte-americano independente, conta o drama de Hollis Wilson (Aaron Paul,
de “Need for Speed”), um jovem pai que, depois de ficar viúvo, enfrenta sérias
dificuldades para cuidar dos dois filhos, Jacob (Josh Wiggins), de 13 anos, e
Wes, de 10 anos. O problema maior é Jacob, um adolescente rebelde e revoltado,
com grandes chances de ingressar na delinquência. Em alguns aprontos com sua
turma nada comportada, ele envolve seu irmão menor. Aí não teve jeito. Alertado
pela cunhada de Hollis, Pam (Juliette Lewis), o Serviço Social entra em ação.
Hollis corre o risco de perder a guarda dos filhos e se desespera. A situação
caminha para um final bem triste. O filme conta com as ótimas atuações de Aaron,
Juliette Lewis e, principalmente, de Josh Wiggins em sua estreia como ator. Wiggins,
aliás, lembra muito o jovem Leonardo DiCaprio em seus primeiros filmes. “HELLION”,
dirigido por Kat Candler, estreou em
janeiro de 2014 no Sundance Film Festival e recebeu ótimos críticas. Uns meses
depois foi exibido no Festival de Dallas, onde conquistou o Grande Prêmio do
Júri.
domingo, 21 de setembro de 2014
O
drama turco “CLIMAS” (“Iklimler”),
de 2006, é daqueles filmes que podemos enquadrar no gênero cinema de arte. É
contemplativo e arrastado, feito de silêncios, olhares e gestos, sem uma narrativa linear.
Lembra os filmes de Antonioni nos anos 60, com protagonistas depressivos,
infelizes e vazios. Numa viagem a trabalho para fotografar as ruínas de um
templo, o professor universitário Isa (Nuri Bilge Ceylan, também roteirista e
diretor do filme) se desentende com a sua jovem mulher Bahar (Ebru Ceylan, esposa
do diretor), que já se mostrava entediada com o casamento. O casal revolve dar
um tempo. Isa volta para Istambul e segue dando suas aulas de Arquitetura,
enquanto Bahar viaja a trabalho (ele é produtora de TV) para Dogubeyazit, na
região montanhosa e gélida da Turquia. Em sua condição de solteiro, Isa passa o
tempo, além de ministrar as aulas, visitando os pais (que são seus pais também
na vida real) e buscando conforto nos ombros - e no corpo inteiro - de uma antiga namorada, Serap
(Nazan Kirilmis). Mas Isa ainda ama Bahar e vai fazer o possível para se
reaproximar dela. Como o filme dá a entender, o título “Climas” refere-se às
estações do ano em que o drama é ambientado. Começa, por exemplo, num clima de
verão escaldante, e termina num rigoroso inverno. O filme foi lançado no
Festival de Cannes e recebeu o Prêmio de Melhor Filme da Crítica Internacional.
Nuri Ceylan também dirigiu “Era uma vez
na Anatólia” (2011) e “3 Macacos” (2008). sábado, 20 de setembro de 2014
Mulher
rejeitada é um perigo. Amante rejeitada, então, e ainda mais desequilibrada e
psicótica, sai de baixo, da frente, de cima... O perigo torna-se real e
imediato, com grande possibilidade de virar tragédia. Foi o que não conseguiu
prever Bernardo (Milhem Cortaz) quando conheceu a jovem e bela Rosa (Leandra
Leal) numa estação de trem de subúrbio no Rio de Janeiro. A paixão avassaladora
veio em seguida. O drama “O LOBO ATRÁS DA PORTA”, 2013, dirigido por Fernando Coimbra, gira em torno desse caso de
adultério (Bernardo é casado) e suas nefastas consequências, o que inclui o
sequestro da filha de Bernardo. O roteiro do filme foi concebido de forma
magistral pelo próprio Coimbra, que se baseou num caso policial famoso ocorrido
no Rio de Janeiro nos anos 60. A partir dos depoimentos de todos os envolvidos
e testemunhas numa delegacia de polícia, Coimbra vai montando as peças do
quebra-cabeça da história com flashbacks e, ao mesmo tempo, situando os fatos
de forma cronológica, até chegar ao trágico desfecho. Um primor de roteiro.
Ainda estão no elenco Fabíula Nascimento como Sylvia, esposa de Bernardo, e
Juliano Cazarré como o delegado responsável pelo inquérito. Exibido em vários
festivais pelo mundo afora, o filme conquistou inúmeros prêmios. Cinema
nacional da melhor qualidade.
O
drama sueco “PURA” (“Till
Det Som är Vackert”), 2009, marcou a estreia da atriz Alicia Vikander (“O Amante
da Rainha”) no cinema, com direção da também estreante Lisa Langseth. Catherine
(Alicia) é uma jovem de 20 anos que há muito tempo, em decorrência de uma mãe
alcoólatra e irresponsável, vive sob a supervisão do serviço social sueco. Ao
assistir a um concerto com o namorado no Concert Hall de Gotemburgo, ela
descobre a beleza da música de Mozart. Um dia, ao retornar ao teatro e enquanto
assiste ao ensaio da orquestra, ela é convidada para cumprir um período de
experiência na recepção. Era tudo que Catherine queria. Assim poderia conviver
com os músicos e ouvir os ensaios. Ao receber a atenção carinhosa, quase
paterna, do maestro Adam (Samuel Fröler), Catherine acaba se apaixonando. Eles iniciam um caso, só que ela não
percebe que se trata apenas de uma paixão temporária, pelo menos no caso do maestro. Quando Adam, casado,
deixa a situação bem clara, Catherine se desespera, a ponto de tomar atitudes
que a levarão a ser demitida do teatro. Só que ela não vai aceitar assim tão
fácil a rejeição do maestro nem a perda do trabalho. O filme é ótimo, e o que o
torna ainda melhor é a sua irresistível trilha sonora - música clássica da melhor qualidade. Além disso, não se pode
deixar de admirar o trabalho dessa estupenda jovem atriz Alicia Vikander em seu
primeiro filme. Em resumo, não dá para perder!
Todo
mundo com mais de 40 anos lembra aquele dia trágico, 28 de janeiro de 1986,
quando o ônibus espacial Challenger explodiu 73 segundos após ser lançado de
Cabo Canaveral, matando seus 7 astronautas. Uma tragédia e tanto, não apenas
pelas mortes, mas também para a credibilidade do programa espacial dos EUA. O
que muita gente não se lembra - e aqui no Brasil não tivemos a oportunidade de
acompanhar -, é que o presidente Reagan nomeou uma comissão especial para investigar
as causas do acidente. O trabalho desta comissão é o tema do drama “ÔNIBUS
ESPACIAL CHALLENGER” (The Challenger
Disaster”), filme produzido pelo Science Channel da BBC em 2013, dirigido por James Hawes e exibido –
aqui e nos EUA - pelo Discovery Channel. O enredo é centrado no cientista Richard
Feynmann (William Hurt), único membro independente da comissão. Como ganhador
do Prêmio Nobel de Física em 1965, Feynmann era muito respeitado e suas
conclusões sobre o acidente não foram muito favoráveis à NASA. Apesar das
pressões, Feynmann não mudou seu diagnóstico. Um filme muito interessante que,
com certeza, vai agradar não só a comunidade científica, mas também quem tem
algum interesse sobre o assunto. O elenco traz ainda, entre outros, Bruce Greenwood e Brian Dennehy. sexta-feira, 19 de setembro de 2014
Os
franceses já produziram bons filmes policiais e de ação, mesmo que esses dois
gêneros não façam parte do seu melhor cardápio. “VINGANÇA
EM PARIS” (“Le Jour Attendra”), de 2013,
é um exemplo de como o cinema francês de vez em quando “pisa na bola”. O
diretor Edgar Marie quis imitar uma fórmula que costuma dar certo nos filmes de
Hollywood: reunir uma dupla de protagonistas para viver uma aventura, colocando
até algumas pitadas de humor (sem graça). No caso dessa produção francesa, a
dupla é formada por Victor (Jaques Gamblin) e Milan (Olivier Marchal), dois
amigos de infância que, adultos, abrem uma casa noturna. Os dois ficam
endividados e apelam para o tráfico de drogas. Se envolvem com o gângster
sanguinário Serki (Carlo Brandt) numa negociação com traficantes mexicanos – o filme
começa, inexplicavelmente, em algum deserto do México. A polícia prende os três,
mas Victor e Milan, para se livrarem da prisão, depõem contra Serki, que pega
seis anos de cadeia. O filme dá um pulo de seis anos e agora Victor tem um
restaurante de sucesso em Paris e Milan continua gerenciando a casa noturna.
Serki sai da cadeia e vai atrás da dupla para se vingar. Daí para a frente, o
filme é todo dedicado a essa caçada. As cenas de ação – poucas, aliás – são muito
mal feitas e chegam a ser constrangedoras, como no caso dos tiroteios. Uma
curiosidade: Olivier Marchal também é diretor e já realizou bons filmes de ação,
como, por exemplo, “MR 73”, de 2008.quinta-feira, 18 de setembro de 2014
“CHAMADA A COBRAR”, 2013, conta a história angustiante e dramática de Verinha (Bete
Dorgam), uma senhora de classe média alta da capital paulista, que cai no golpe
do falso sequestro. Numa manhã, ela atende um telefonema a cobrar e ouve alguém
que se diz bombeiro avisando que uma de suas filhas sofreu um acidente. Ela se
desespera e informa, inocentemente, os nomes das três filhas. O homem que se
dizia bombeiro passa o telefone para outro, que assume a condição de
sequestrador e vai manter Verinha em contato direto durante as próximas 12 horas.
A primeira meia hora de filme é de pura aflição e muita tensão - para o
espectador, inclusive. Aos poucos, Verinha vai se habituando ao jeito ao
contato com o bandido, o que inclui uma
constante pressão psicológica e xingamentos da pior espécie. Durante a viagem
que faz ao Rio de Janeiro – uma das exigências do falso sequestrador -,
finalmente um pouco de humor. Ela para num posto, toma umas doses de conhaque e,
de repente, está utilizando a mesma linguagem chula do marginal. A cena é muito
engraçada. Enquanto isso, em São Paulo, as três filhas se desesperam ao não
conseguir descobrir o paradeiro da mãe. Até chegar à conclusão de que foi
vítima de um falso sequestro, muita coisa ainda vai acontecer durante a viagem
de Verinha. Mais um ótimo filme da diretora paulista Anna Muylaert, que já
havia nos brindado com “Durval Discos”, “O Ano em que meus pais saíram de
férias” e “Xingu”. Mas, sem dúvida, a alma do filme é a atriz Bete Dorgam. Se o
filme já é bom, Bete o torna ainda melhor. Mais uma produção nacional
imperdível. quarta-feira, 17 de setembro de 2014
“MAR DA ESPERANÇA” (“Wir Wollten
aufs Meer”), 2012, dirigido por Toke Constantin Hebbeln, é um drama alemão que coloca novamente em evidência a
Alemanha Oriental nos tempos da chamada Guerra Fria. Em 1982, dois amigos
estivadores no Porto de Rostock acalentam o sonho de ingressar como marinheiros
na Marinha Mercante – e, com isso, fugir para o Ocidente. Para isso, porém,
teriam que colaborar com algumas informações para a STASI, a polícia secreta do
governo comunista. Dessa forma, Cornelis Schmidt (Alexander Fehling) e Andreas
Homung (August Diehl) tornam-se informantes. Um se arrepende no meio do caminho
depois de denunciar um companheiro de trabalho, Matthias (Ronald Zehrfeld). Andreas,
porém, segue firme na atividade de dedo-duro, traindo o próprio amigo. O enredo
sombrio e dramático é amenizado pelo romance proibido entre Cornelis e a vietnamita
Mai (Phuong Thao Vu). Romance, aliás, também denunciado por Andreas. "MAR DA ESPERANÇA" lembra
muito outro excelente filme alemão, “A
Vida dos Outros”, que ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2007. Ambos
tratam de amizade e traição, num clima de total desconfiança alimentado pelo próprio regime vigente na Alemanha Oriental. Vigilância dia e
noite. Não se podia confiar em ninguém, nem no amigo, no parente, no vizinho. E
a STASI ali no pé de todo mundo, e coitado (a) de quem caísse nas suas garras.
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