“GOD’S POCKET”,
2013, EUA. Se este, como tem sido divulgado, foi o último filme de Philip Seymour Hoffman, então
podemos dizer que não foi uma despedida à altura do grande ator que ele foi.
Não que o filme seja ruim, tanto que estreou no Sundance Film Festival e foi
muito elogiado pela crítica. Trata-se de um drama sombrio, até mesmo tétrico, com
altas doses de humor negro, o que quase o transforma numa comédia. A história é
baseada no romance homônimo escrito por Pete Dexter. O enteado de Mickey Scarpato (Seymour), um
jovem maluco e encrenqueiro chamado Leon (Caleb Landrey Jones), morre no
canteiro de obras em que trabalha. Os trabalhadores dizem à polícia que foi
acidente, mas a mãe do garoto, Jeannie (a ótima Christina Hendricks), não acredita
nessa versão. Aí aparece o jornalista Richard Shelburn (Richard Jenkins) para “cobrir”
a morte de Leon, e Jeannie conta a ele sobre a sua desconfiança. Enquanto isso,
Mickey aposta nos cavalos o dinheiro que seria usado no velório de Leon. A funerária
devolve o corpo a Mickey, que fica sem saber o que fazer. Até o enterro, muita
coisa vai rolar, inclusive algumas mortes. Trata-se do primeiro filme dirigido
pelo ator John Slattery, que contou ainda com a presença de John Torturro como
Arthur, o melhor amigo de Mickey. Um filme interessante e que merece ser
conferido. Ah, “God’s Pocket” é o nome do bairro operário onde a toda a história
é ambientada. terça-feira, 16 de setembro de 2014
“GOD’S POCKET”,
2013, EUA. Se este, como tem sido divulgado, foi o último filme de Philip Seymour Hoffman, então
podemos dizer que não foi uma despedida à altura do grande ator que ele foi.
Não que o filme seja ruim, tanto que estreou no Sundance Film Festival e foi
muito elogiado pela crítica. Trata-se de um drama sombrio, até mesmo tétrico, com
altas doses de humor negro, o que quase o transforma numa comédia. A história é
baseada no romance homônimo escrito por Pete Dexter. O enteado de Mickey Scarpato (Seymour), um
jovem maluco e encrenqueiro chamado Leon (Caleb Landrey Jones), morre no
canteiro de obras em que trabalha. Os trabalhadores dizem à polícia que foi
acidente, mas a mãe do garoto, Jeannie (a ótima Christina Hendricks), não acredita
nessa versão. Aí aparece o jornalista Richard Shelburn (Richard Jenkins) para “cobrir”
a morte de Leon, e Jeannie conta a ele sobre a sua desconfiança. Enquanto isso,
Mickey aposta nos cavalos o dinheiro que seria usado no velório de Leon. A funerária
devolve o corpo a Mickey, que fica sem saber o que fazer. Até o enterro, muita
coisa vai rolar, inclusive algumas mortes. Trata-se do primeiro filme dirigido
pelo ator John Slattery, que contou ainda com a presença de John Torturro como
Arthur, o melhor amigo de Mickey. Um filme interessante e que merece ser
conferido. Ah, “God’s Pocket” é o nome do bairro operário onde a toda a história
é ambientada.
“VOCÊ ESTÁ AQUI” (“Are you
Here”), EUA, 2013, foi lançado como comédia. Propaganda enganosa, pois é
impossível ao menos esboçar um sorriso durante a 1h54 de duração do filme. Culpa
da historinha boba, do elenco, que conseguiu a proeza de reunir atores chatos
como Owen Wilson e Zack Galifianakis (“Se Beber, não Case”), além da também
chata Amy Poehler, e ainda colocá-los para representar personagens mais chatos
ainda. Difícil acreditar que o diretor seja o mesmo das séries “Mad Men” e “Família
Soprano”, Matthew Weiner. Vamos dar um desconto pelo fato de ser o seu primeiro
longa. Ben Baker (Zack), um desempregado convicto, recebe a notícia da morte do
pai. Com seu melhor amigo Steve Dallas (Owen), ele viaja para assistir ao
funeral, numa cidade do interior. Depois do enterro, o testamento do velho é
lido e praticamente toda a fortuna do falecido é deixada para Ben, o que
enfurece sua irmã Terri Couter (Poehler). Ah, e o morto ainda deixa uma viúva,
uns 50 anos mais moça, Angela (Laura Hamsey), que também é ignorada no
testamento. Terri vai tentar reverter a sentença judicial, alegando, com toda
razão, que o irmão não tem condições de administrar tanto dinheiro. Afinal, ele
passa o dia inteiro fumando maconha e realizando reuniões do um grupo de
ambientalistas alienados. E por aí vai a história, chegando a um final ainda
mais constrangedor. Um verdadeiro atentado ao humor - e ao espectador.
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
Além
de bonita e competente, a atriz norte-americana Michelle Monaghan já participou
de vários filmes como protagonista, mas nunca lhe deram um papel de destaque
num grande filme, embora tenha participado de produções badaladas como "Missão
Impossível", ao lado de Tom Cruise, e “A Supremacia Bourne”. Em “LAÇOS DE FAMÍLIA” (“Fort Bliss”), 2013, EUA, ela mais uma
vez é a protagonista principal, a sargento Maggie Swan, médica do Exército. Depois
de ficar mais de um ano em missão no Afeganistão, ela volta para casa e vai buscar
o filho Paulie (Oakes Fegley), de 5 anos, na casa do ex-marido Richard (Ron
Livingston), que agora vive com Alma (Emmanuelle Chriqui). Depois de tanto
tempo fora, é claro que Maggie terá sérios problemas de relacionamento com o
filho, que insiste em dizer que sua mãe verdadeira é Alma. Pronto: a confusão está
lançada. Em meio aos esforços para conquistar novamente o filho, Maggie é
promovida a 1º Sargento, sendo designada para chefiar uma unidade do Exército.
Não demora muito e chega uma convocação para uma nova missão no Afeganistão.
Será que ela optará pelo filho ou pelo país? A resposta, só você vendo o filme.
Monaghan comprova novamente que é uma ótima atriz. Exemplo: quando está de
farda e cabelo preso, ela é uma pessoa; quando está em trajes civis e cabelo
solto, ela é outra, esbanjando sensualidade. Quase como se representasse dois
papéis. Não deixe de ver, não só por causa de Monaghan, mas porque o filme é bastante interessante e não perde o ritmo até
o final. domingo, 14 de setembro de 2014
É
claro que Hollywood não ia deixar de adaptar um best-seller como “A culpa é das
Estrelas”, do escritor John Green, que vendeu e continua vendendo milhões de
exemplares pelo mundo todo. Então produziu “A CULPA É DAS ESTRELAS” (“The Fault in our Stars”), 2013, EUA,
dirigido por Josh Boone (“Ligados pelo Amor”), e o resultado não poderia ter
sido outro: recordes de bilheteria no mundo inteiro, inclusive aqui no Brasil.
Para quem ainda não sabe, a história é de dois jovens com câncer que se
conhecem numa sessão de um Grupo de Apoio. Hazel Grace (Shailene Woodley) e
Augustus Waters (Ansel Elgory) acabam se apaixonando. Em meio à paixão avassaladora,
eles enfrentarão os desafios naturais advindos da sua condição física, mas jamais
deixarão de se amar. Amor, aliás, concretizado fisicamente em Amsterdam, na Holanda, para onde viajam com o intuito de conhecer um escritor
que Hazel admira, um tal de Peter Van Houten (o intragável Willem Defoe). Impossível
tornar mais leve uma história em que os dois principais protagonistas têm uma
doença grave, ainda mais com Hazel usando, o tempo inteiro, uma cânula nasal ligada
a um cilindro de oxigênio. Mesmo assim, o diretor Josh Boone deu uma amenizada,
colocando pitadas de humor e romance nas situações em que Hazel e Augustus
estão juntos. Aliás, os dois atores estão bastante entrosados e, além de tudo, são bonitos e simpáticos. Uma coisa é certa: até os mais insensíveis vão se emocionar no
final. Portanto, além da pipoca, tenha à mão uma caixinha, ou duas, de lenços
de papel. sábado, 13 de setembro de 2014
Uma pena que esse belo e surpreendente drama “MÃE DE GEORGE” (“Mother of George”), 2012, co-produção
Nigéria/EUA, não tenha sido exibido em
nossos cinemas. É um filmaço de encher os olhos pela sensacional fotografia e de
lágrimas pela situação triste e trágica da protagonista principal, a tal “Mãe
de George”. O filme estreou no Sundance Filme Festival/2013 e foi aclamado
pelos críticos. A história é centrada num casal de nigerianos que reside no bairro
nova-iorquino do Brooklin, Ayodele (Isaach de Bankolé) e Adenike (Danai
Gurira). Pela tradição familiar, Adenike deve engravidar logo. O tempo passa e
nada de gravidez, o que pode terminar com o casamento. Ayodele se recusa a ir
ao médico fazer qualquer tipo de tratamento. O casal participa até de rituais africanos
de candomblé. A mãe de Ayodele, matriarca de grande influência na família e na
comunidade nigeriana, sugere a Adenike uma alternativa pra lá de chocante e
radical. Uma boa história, com ótimos atores, mas o destaque maior fica mesmo
para a exuberância do visual, graças ao incrível trabalho do diretor nigeriano
Andrew Dosunmu, que também é fotógrafo e responsável por videoclipes de artistas
como Aaron Neville, Tracy Chapman e Isaac Hayes. Imperdível para quem aprecia
cinema de qualidade.
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
São raros os atores e atrizes capazes de, com sua presença em cena,
salvarem um filme ou, pelo menos, torná-lo menos medíocre. Um deles é o
veterano Robert Duvall, que já ganhou um Oscar de Melhor Ator, em 1983, pelo
filme “A Força do Carinho” (“Tender Mercies”), e outros importantes prêmios.
Aos 83 anos, Duvall é o principal protagonista de “UMA NOITE NO VELHO MÉXICO” (“A
Night in Old Mexico”), de 2014, dirigido pelo cubano Emilio Aragón. O filme
conta a história de Red Bovie (Duvall), que acaba de perder seu rancho no Texas
por causa de dívidas. Ele tenta o suicídio, mas não tem coragem. Quando se
prepara para sair do rancho, aparece um rapaz, Gally (Jeremy Irvine, de “Cavalo
de Guerra”), dizendo ser seu neto. Os dois pegam a estrada por insistência de
Bovie, que quer se divertir, dançar e beber em algum lugar que tenha muitas
mulheres. No caminho, porém, eles vão se defrontar com dois marginais e uma
sacola cheia de dólares. Por causa disso, eles enfrentarão enorme perigo, pois
o dinheiro também é disputado por outro bandido, Panamá (o ator espanhol Luis
Tosar). Para amenizar um pouco a situação, eles conhecem a bela Patty (a atriz
colombiana Angie Cepeda, de “Pantaleão e as Visitadoras”), uma cantora fracassada que se junta aos dois na aventura. O filme tem ação, humor e, claro, a presença de Duvall, o que garante
um bom entretenimento.
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
“CIRKUS COLUMBIA”,
2010. Vem da Bósnia – e com a assinatura do diretor Danis Tanovic (“Terra de
Ninguém”, Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2002) - este ótimo drama
ambientado em 1991, cujo enredo é baseado no livro homônimo do escritor Ivica
Dikic. O cenário é uma pequena vila cuja população tenta se adaptar às mudanças
causadas pela recente queda do regime comunista e, ao mesmo tempo, vive a expectativa
do início de um conflito armado (a guerra que atingiria a Bósnia e Herzegovina
nos anos seguintes). A história começa com o retorno de Divko Buntic (Miki
Manojlovic) à vila, depois de 20 anos morando na Alemanha. Com seu jeito
arrogante e autoritário, ainda mais agora rico, ele volta como se fosse o dono do lugar e com uma namorada, Azra (Jelena Stupljanin), 40
anos mais jovem. A primeira atitude de Divko é despejar de sua antiga casa a
ex-mulher Lucija (Mira Furlan) e o filho Martin (Boris Ler). É em torno da relação de Divko com a namorada, a ex-mulher e o filho, mais o pano de fundo político, que se desenrolará a história. Também tem o gato preto que Divko trouxe da Alemanha e que diz dar sorte. O gato some na vila e, realmente, as coisas começam a dar errado para Divko. O diretor Tanovic acrescentou algumas pitadas de humor e lirismo para suavizar o contexto dramático.
Dessa forma, o filme ficou agradável de assistir, ainda mais pelos excelentes
atores, em especial Mira Furlan, Jelena Stupljanin e Miki Manojlovic. Um filme
para quem gosta de cinema de qualidade. quarta-feira, 10 de setembro de 2014
Apesar
do tom sentimentalóide e do enredo um tanto inverossímil, o
drama espanhol “TUDO O QUE VOCÊ QUISER” (“Todo lo que Tú Quieras”), 2010, dirigido por Achero Mañas, não
decepciona e até emociona. A história é a seguinte: o advogado Leo (Juan Diego
Botto) fica repentinamente viúvo e tem de cuidar sozinho da filha Dafne (Lucía
Fernández), de 4 anos de idade. Só que a menina sente muito a falta da mãe e
pede ao pai que arrume uma “mãe falsa”. Pensando nisso, Leo se aproxima de Marta
(Najwa Nimri), uma ex-namorada, só que não dá certo. Um dia, então, Dafne pede
ao pai que passe batom para ficar parecido com a mãe. Pronto, aqui chegamos ao
título do filme, ou seja, Leo vai fazer tudo o que Dafne pedir. Leo fará
sacrifícios que colocarão em cheque não apenas o seu trabalho, como também sua vida pessoal e até
mesmo a sua masculinidade. O filme em nenhum momento descamba para o chororô,
mas tem lá seus instantes de sensibilidade. A atriz mirim que faz Dafne é uma
gracinha, além de atuar com uma desenvoltura rara para uma criança da sua idade. Sua presença em cena vale o ingresso. Juan Diego Botto é um galã ao estilo Gianecchini, com aquela cara de bom moço e de coitadinho - ele lembra mesmo o galã brasileiro. Mas o inusitado mesmo é o visual da atriz Najwa Ninri, que faz Marta. Ela parece ter saído de um daqueles filmes dos irmãos Marx feitos na década de 40. Pode reparar! terça-feira, 9 de setembro de 2014
O
drama polonês “VENEZA” (“Wenecja”), 2010, dirigido por Jan Jakub Kolski, tem como pano de fundo a Segunda
Guerra Mundial. O ano é 1939. A Polônia vivia a expectativa da iminente invasão
alemã. Em consequência, os pais de Marek (Marcin Walew), de 11 anos, resolvem
cancelar a viagem que fariam com os filhos a Veneza nas férias de verão. Era o
grande sonho de Marek, que havia estudado todos os detalhes sobre a famosa
cidade italiana, sua história, seus principais pontos turísticos, praças,
monumentos etc. Com a mudança de planos, Marek é enviado, juntamente com o
irmão Victor, para morar no casarão da avó no interior, onde já estavam suas
tias e primas, todos vindos de Varsóvia. Um dia, quando o porão do casarão é inundado,
Marek resolve construir uma espécie de maquete de Veneza, que se transforma,
para a família, numa pequena cidade de sonho, capaz de fazer esquecer que lá
fora está acontecendo uma guerra. Além de destacar os momentos em que Marek e
as primas passam nessa Veneza de fábula, o filme acompanha o processo de
amadurecimento de Marek, o que não exclui alguns fatos trágicos. A história é
baseada no livro “Um Verão em Veneza”, do escritor polonês Wlodzimierz Odojewski.
Aqui no Brasil, o filme foi exibido pela primeira vez em 2012 durante o 4º
Festival de Cinema Polonês, em Florianópolis.segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Se
a presença de Colin Firth e Nicole Kidman já representa um grande atrativo, a incrível
história, baseada em fatos reais, valoriza ainda mais “UMA
LONGA VIAGEM” (“The Railway Man”), 2012,
uma co-produção Inglaterra/Austrália. Todo o enredo é inspirado no livro
autobiográfico do inglês Eric Lomax. Em 1942, oficiais ingleses são capturados
pelos japoneses em Cingapura. Como alguns tinham formação em Engenharia, o
grupo é enviado para a Tailândia com o objetivo de trabalhar na
construção da estrada de ferro Burma-Sião (que passa pela famosa ponte do Rio
Kway). No campo de prisioneiros, Lomax, um dos oficiais, construiu um aparelho de rádio para ouvir as
notícias da guerra. Os japoneses descobriram e Lomax foi torturado brutalmente.
Muitos anos depois, Lomax (Colin Firth) ainda carrega consigo os traumas dessa
experiência, a ponto de abalar seu casamento com Patti (Nicole Kidman). Finlay
(Stellan Skarsgard), seu melhor amigo e companheiro daquela época, descobre que
Nagase Takashi, soldado japonês que testemunhou as torturas, está vivo e
trabalhando como guia turístico no mesmo local onde tudo aconteceu em 1942, e
conta para Lomax. Este, então, decide fazer novamente essa longa viagem de
volta e se defrontar com Nagase (Kiroyuki Sanada). O filme, dirigido por
Janathan Teplitzky, estreou no Festival Internacional de Cinema de
Toronto/2013. Um belo drama que merece ser visto, principalmente pelo seu surpreendente
e comovente desfecho.
Baseado
em fatos reais, o drama “SOBREVIVENTE” (“Djúpio”), 2012, foi o candidato oficial da Islândia ao Oscar 2013 de
Melhor Filme Estrangeiro. A história é impressionante. Em 1984, um barco
pesqueiro com 6 tripulantes sofre naufrágio nas águas mais do que gélidas do
Atlântico Norte. Um dos tripulantes é Gulli (Ólafur Darri Ólafsson), um gordo
simpático de trinta e poucos anos. Pois ele é o único sobrevivente. Gulli nadou
cerca de 6 horas e, por incrível que pareça, não sofreu hipotermia, a causa da morte
da maioria dos outros tripulantes – é impossível sobreviver nadando em águas
geladas por mais de 20 minutos. Milagre ou um fenômeno humano? O caso virou
manchete nos jornais da Europa e atraiu a atenção da comunidade médica. Gulli
foi levado até para Londres para ser examinado. Depois de inúmeros testes, os
médicos não chegaram a nenhuma conclusão. Ou seja, o caso de Gulli permaneceu
inexplicável, ou explicável para quem acredita em milagre. É um filme bastante interessante,
pois mostra como aconteceu o acidente, o sofrimento de Gulli ao assistir a morte
dos companheiros e a sua luta pela vida até chegar em terra firme. O mais
interessante, porém, são mesmo as análises médicas que tentaram descobrir como Gulli
conseguiu sobreviver. Nos créditos finais há uma entrevista com o verdadeiro Gulli. domingo, 7 de setembro de 2014
“FRONTERA”, 2013,
EUA, é um drama em torno da velha história dos imigrantes ilegais mexicanos que
tentam entrar escondidos no território do Tio Sam. Os clichês estão todos aqui:
deserto, muita poeira, calor infernal, violência, “coyotes” (servem de guias
para os imigrantes), policiais corruptos, pobreza, fome, sede, sonhos e,
principalmente, desilusões. Nas imediações da fronteira entre os dois países, é
comum alguns norte-americanos praticarem tiro ao alvo mirando os mexicanos. No
filme, tentando assustar alguns mexicanos com alguns tiros, três rapazes acabam
assustando, na verdade, o cavalo de Olivia (Amy Madigan), esposa de Roy (Ed
Harris), ex-xerife do pedaço. Olivia cai, bate com a cabeça numa pedra e morre.
Miguel estava bem do lado dela e acaba sendo preso como suspeito. Roy, é claro,
vai investigar por conta própria. Enquanto isso, quase que como uma história
paralela, o filme mostra a tentativa de Paulina (Eva Longoria), esposa de
Miguel, de também atravessar a fronteira para encontrar o marido. Outro drama
vai começar. Enfim, um filme sem muitos atrativos.
“DEUS NÃO ESTÁ MORTO” (“God’s not
Dead”), EUA, 2013, propõe discutir a existência de Deus. Para isso, cria um
embate bastante interessante entre um aluno da universidade, Josh Wheaton
(Shane Harper), e seu arrogante professor de Filosofia, sr. Radisson (Kevin
Sorbo). Tudo tem início no primeiro dia de aula. O professor começa a falar de
sua matéria citando vários filósofos, cientistas, escritores e outras figuras
famosas. “O que eles têm em comum?”, pergunta o professor, para logo em seguida
responder: “Nenhum deles acredita em Deus”. Depois, pede aos seus alunos que
escrevam num papel “Deus está morto”, afirmando que não permitirá nenhuma
discussão a respeito. Josh, porém, nega o pedido e então o professor o desafia
a provar, em três aulas, que Deus não está morto. Josh topa o desafio e ainda
pede que os alunos sejam os jurados, mesmo que todos tenham escrito o que o
professor pediu. Embora o filme apresente outras histórias paralelas, todas envolvendo
a fé, o melhor mesmo fica restrito ao debate entre o aluno e o professor. Josh,
em sua argumentação, também utiliza citações de filósofos e cientistas, alguns
dos quais, inclusive, nomeados pelo professor na primeira aula. O debate, dessa
forma, torna-se muito interessante, esclarecedor e até emocionante. Quem
assistir ao filme não vai deixar de refletir sobre este assunto tão polêmico. Pode
ver que vale a pena!
“ISSO É O QUE EU SOU” (“That’s
What I Am”), 2011, é um filme indicado para tanto para jovens como para adultos.
E quando digo adultos, refiro-me, principalmente, ao pessoal que era
adolescente em 1965, ano em que é ambientada toda a história. Nostalgia pura.
Estão lá os personagens que nos fazem reviver aquela época no colégio, como a
menina que “ficava” com todo mundo, a menina mais linda cobiçada por todos, a
turma dos garotos valentões, o professor legal, os nerds, as feias e feios que
sofriam com o bullyng, o primeiro beijo, a trilha sonora etc. A história gira
em torno do garoto Andy Nichol (Chase Ellison), de 12 anos, que muito a
contragosto ingressa na turma dos nerds
para fazer um trabalho para a aula de literatura do Professor Sr. Simon (Ed
Harris). Ele fica amigo de Stanley “Big G” Minor (Alexander Walters), um garoto
esquisito e grandão, que é atazanado constantemente pela turma dos valentões. Andy
é apaixonado por uma menina, com a qual sonha dar o seu primeiro beijo. Só que
ela é a namorada do principal valentão do colégio. Histórias assim permeiam
todo o filme. Nem mesmo o boato sobre a condição de “homo” do Sr. Simon estraga
a diversão. Toda a história é narrada in off
por Andy Nichol adulto (voz do ator Greg
Kinnear). É um filme sem qualquer pretensão, a não ser garantir uma deliciosa sessão da tarde.
sábado, 6 de setembro de 2014
O drama chileno “MATAR A UN HOMBRE”
(“To Kill a Man”), 2013, passa longe, muito longe, de um
entretenimento leve e relaxante. É violento no sentido da violência psicológica,
da tensão permanente. Conta a história de Jorge (Daniel Candia), um pacato pai
de família que vive num bairro pobre de periferia e que se vê constantemente ameaçado
por Kalule (Daniel Antivilo), um marginal grandalhão e valentão que reside nas
redondezas. Toda vez que Jorge volta do supermercado, por exemplo, Kalule e sua
gangue costumam roubar suas compras, além de outros pertences pessoais como,
por exemplo, celular e até os remédios que ele toma para diabete (pois é, além
de tudo, Jorge ainda é diabético). Todo dia era a mesma coisa. Jorge vai à
delegacia de polícia e denuncia o que está acontecendo. A polícia, como sempre,
não faz nada. Dá vontade de chamar Van Damme, um Steven Seagal ou um Bruce
Willis para dar um jeito no valentão e em sua turma. O filme segue e, depois de
alguns acontecimentos inesperados, Kalule volta a perseguir a família de Jorge,
sendo que desta vez o alvo é a sua filha. Aí Jorge finalmente resolve dar um basta.
O filme, dirigido por Alejandro Fernández Almendras, ganhou vários prêmios em
festivais, inclusive sendo eleito o Melhor Filme, na categoria “World Cinema”,
do Sundance Fim Festival 2014.
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
“BELLE”, 2013, dirigido por Amma Asante, é um
drama inglês de época ambientado na segunda metade do Século XIII na
Inglaterra. A história, verídica, é baseada na vida de Dido Elizabeth “Belle”, uma
mulata filha de um Capitão da Marinha e uma escrava. O pano de fundo do filme é
justamente o início de uma campanha na Inglaterra para abolir a escravidão. O filme
começa com o capitão John Lindsay (Matthew Goode) indo buscar “Belle” para levá-la
aos cuidados do tio, Lord Mansfield (Tom Wilkinson), e da tia, Lady Mansfield
(Emily Watson), que muito a contragosto acolhem a menina, que vai crescer ao
lado da prima branca Elizabeth Murray (Sara Gadon). “Belle” é finalmente aceita
pela família e até começa a chamar os Mansfield de pai e mãe. Ela recebe a
melhor educação possível, mas é discriminada nos almoços e jantares quando há
convidados. Segundo a etiqueta da época, é uma ofensa que uma pessoa de cor desfrute
da companhia de convidados numa mesa. A situação de “Belle” e outros fatos
ligados à questão escravagista influenciarão as futuras decisões de Lord
Mansfield, na ocasião o mais importante magistrado da Inglaterra. Apesar desse
pano de fundo, vamos dizer sério, o filme dá muito destaque aos flertes de
jovens, intenções casamenteiras das famílias e muito blá-blá-blá do tipo “olha
como ele é simpático”, naquela fala empolada da época. Isso tudo deixa o filme
com cara de novela, o que tira um pouco do seu mérito. Mas não o descarte. Além
da história em si, o filme vale pelos cenários suntuosos, pelos figurinos e
pela espetacular reconstituição de época.
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
“CONGELADO” (“FREEZER”),
2013, EUA, é um drama de suspense dirigido por Mikael Solomon. A história: o
mecânico Robert Saunders (Dylan McDermott) acorda dentro de um contêiner/frigorífico
com peças de carne. Não sabe por que está ali. A única certeza é de que está um
frio bárbaro e, se não sair logo, morrerá congelado. Ou seja, entrou literalmente
numa grande fria. Um tempo depois, dois homens e uma mulher, todos russos, entram
no frigorífico e querem saber de Saunders onde estão os 8 milhões de dólares
que ele roubou do chefão Oleg. Ele diz que não tem nada a ver com isso, que
eles pegaram o carro errado. Saunders leva uma surra, é ameaçado de morte e continua
congelando. Mesmo assim, consegue fazer piadinhas sobre a sua situação. O filme
continua com o entra e sai dos russos no contêiner e as tentativas de Saunders
de fugir dali. O roteiro absurdo ainda abre espaço para o surgimento de um
policial ferido escondido no contêiner. Uma reviravolta - pra lá de ridícula - no
desfecho consagra a mediocridade desse filme, que termina sem explicar como
tudo aconteceu ou começou. Tirando uma ou outra piadinha de Saunders e a beleza
da atriz russa Yuliya Snigir, nada se aproveita desse abacaxi. No final, a
conclusão mais do que óbvia: na realidade, quem entrou numa fria foi você.
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
Em
1993, três adolescentes foram presos, julgados e condenados pela morte de três
crianças de 8 anos de idade. O caso é verídico e aconteceu na cidade de West
Memphis (Arkansas), num episódio jurídico dos mais polêmicos. Esta é,
basicamente, a história do drama “SEM EVIDÊNCIAS” (Devil's Knot"), 2013, do aclamado diretor canadense Atom Egoyan.
O filme mostra os bastidores do caso, as controvérsias e deixa bem claro que a
polícia local não conseguiu evidências conclusivas. Pesou mais contra os acusados o fato de serem adeptos de cultos satânicos e ouvirem heavy-metal. Egoyan concentra a história
em Ron Lax (Colin Firth), um investigador particular que se propõe a ajudar os
advogados de defesa. É o primeiro a desconfiar que os jovens podem ser inocentes.
Pelo lado das vítimas, o destaque é dado a Pam Hobbs (Reese Witherspoon), mãe
de um dos meninos assassinados, que no final também passa a suspeitar da
decisão da justiça. Nos créditos finais surgem as informações sobre o que
aconteceu depois, revelando muitas surpresas e uma reviravolta. Com um diretor
tão conceituado como Egoyan (de “O Preço da Traição” e “O Doce Amanhã”) e
atores como Colin Firth e Reese Whitherspoon, podíamos esperar um filme bem
melhor. Foi feito de forma burocrática, no piloto automático. Mas vale como interesse pelo caso que
teve grande polêmica nos EUA.
Mais
um bom filme argentino (como se isso fosse novidade). Trata-se de “UM AMOR” (“Un Amor”), 2011, dirigido por Paula Hernandez. É um drama romântico
e nostálgico, centrado na amizade de dois homens e uma mulher que se conheceram
na adolescência. Nos anos 70, Bruno e Lalo moram em Victoria, cidadezinha no
interior argentino, e são amigos inseparáveis. Até que chega Lisa, uma menina
extrovertida, alegre e sensual, para
passar as férias de verão. Todos por volta dos 15 anos de idade. Lisa logo se
enturma com a dupla de amigos e não se desgruda deles. Os dois, é claro, se
apaixonam por ela, sem que isso interfira na amizade de ambos. Não mais que de
repente, Lisa vai embora com a família, deixando Bruno e Lalo desconsolados. O
tempo passou e cada um seguiu um caminho diferente pela vida. Lisa foi morar no
Brasil e depois na Venezuela. Bruno virou roteirista de séries de TV, casou e
mudou para Buenos Aires. Lalo ficou em Victoria e assumiu a oficina de
automóveis do pai. Trinta anos depois, Lisa chega a Buenos Aires para
participar de uma conferência relacionada ao seu trabalho e resolve procurar os
antigos amigos. O reencontro trará recordações alegres, colocará à tona alguns segredos escondidos
e reavivará as paixões de antigamente. No fim, mais uma vez, a amizade estará
acima de tudo. Os atores que fazem o trio jovem é muito bom (Alan Dalca, como
Bruno, Denise Groesman, como Lisa, e Agustin Pardella, como Lalo). O elenco
adulto mantém a qualidade: Diego Peretti (Bruno), Elena Roger (Lisa) e Luis
Ziembrowski (Lalo). Um filme simples, mas com conteúdo. segunda-feira, 1 de setembro de 2014
“ACONTECEU EM SAINT-TROPEZ” (“Des
Gens qui S’Embrassent”), 2013, é uma comédia francesa dirigida por Danièle
Thompson. A história gira em torno de dois irmãos judeus, o milionário Ronie
(Kad Merad) e o violinista clássico Zef (Eric Elmosnino). Ronie mora em Paris e
Zef está em turnê por Nova Iorque. Começa o filme com Ronie e sua esposa
Giovanna (a musa Monica Bellucci) às voltas com os preparativos da festa de
casamento da filha Melita (Clara Ponsot). Dois dias antes do casório, porém, a
esposa de Zef morre atropelada em Nova Iorque. Como a família dela também é
francesa, o corpo deve ser removido para Paris. Como conciliar uma festa de
casamento com um velório no mesmo dia, para os quais os convidados são os mesmos?
Paralelamente a esta situação inusitada, várias outras surgem no meio do
caminho, como as peripécias do velho Aron (Ivry Gitlis), chefe do clã, que está com
Alzheimer, a traição do noivo com outra integrante da família e por aí vai filme
adentro com uma incontável série de divertidas confusões. O filme tem locações em
Nova Iorque, Londres, Paris e Saint-Tropez. Se não bastasse ser bastante
engraçado, o filme ainda apresenta, como atração adicional, a presença de três belas
e competentes atrizes: Monica Bellucci, é claro, Lou de Laâge e Clara Ponsot.
“GUERRILHA SEM FACE” (“The Dancer Upstairs”) é um suspense político de 2001 (co-produção
EUA/Espanha). Trata-se do filme de estreia do ator John Malkovich na direção. Não
lembro se o filme foi exibido nos cinemas ou se saiu direto em vídeo. A
história é inspirada no caso real da perseguição e prisão, em 1992, de Abimael
Guzman, líder do grupo guerrilheiro peruano Sendero Luminoso. O enredo é
centrado no trabalho do ex-advogado e agora capitão de polícia Agustin Rejas (o
ator espanhol Javier Bardem), chefe da equipe responsável pelas investigações que
resultaram na captura de Guzman. Agustin sofre uma pressão muito grande do
governo peruano – na época, uma ditadura -, que exige a rápida prisão de
Guzman. O filme mostra os bastidores das investigações, incluindo a interferência
do exército peruano, cujos métodos violentos o chefe de polícia repudia e luta
contra, colocando em risco o seu próprio cargo. Durante as investigações,
Agustin se envolverá num romance com a professora de balé da sua filha. A
professora, Yolanda (a bela atriz italiana Laura Morante), terá um papel de destaque na história. O filme mostra a face violenta e
sanguinária do Sendero Luminoso, de tendência maoísta, responsável, em seus 20
anos de existência (1980 a 2000), por pelo menos 70 mil assassinatos. Malkovich
fez um bom filme político, não ao mesmo nível, mas ao estilo de diretores como Costa-Gravas e Gillo Pontecorvo, e vale a pena assistí-lo para
relembrar um dos fatos mais importantes da história do Peru e da própria
América Latina. domingo, 31 de agosto de 2014
Tudo leva a crer que é um filme de Woody Allen. Os cenários destacam Nova
Iorque, mais especificamente o bairro judeu do Brooklyn, a trilha é feita de
jazz anos 30/40, tem piadas com judeus e os diálogos são construídos com aquela
ironia característica do grande diretor. Com o transcorrer do filme, porém,
você vai descobrir que “AMANTE A
DOMICÍLIO” (“Fading Gigolô”), 2013, não é um Allen genuíno, e sim uma imitação,
reforçada pela presença do próprio Woody Allen no elenco. Na verdade, o filme
foi escrito e dirigido por John Turturro, que também é o protagonista principal.
Ele é Fioravante, funcionário de uma floricultura. Seu amigo Murray (Allen) está
sem dinheiro e não sabe o que fazer. Até surgir a ideia de ser o gigolô de um “garoto
de programa”, justamente Fioravante. A primeira “cliente” é a dra. Parker
(Sharon Stone, ainda em grande forma), seguindo-se a socialite Selemina (a
vulcânica atriz colombiana Sofia Vergara) e Avigal (Vanessa Paradis), viúva de
um rabino. Com seu jeito tímido, Fioravante cai nas graças da clientela. Mesmo anunciado como comédia, o humor
do filme é morno e a história não engrena. Resumo da ópera, ou melhor, do
filme: Turturro não é Allen.
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