A mente
humana é capaz de criar obras artísticas espetaculares, mas também é capaz de
criar muita bobagem. Nesta última categoria, incluo “SOB
A PELE” (“Under the Skin”), 2013, um
filme inglês de ficção científica dos mais esquisitos. Nem a nudez frente e verso de Scarlett
Johansson é capaz de salvar esse abacaxi. Ela é uma alienígena que chega à Terra
e ocupa o corpo de uma mulher. No volante de uma van, ela percorre ruas e
estradas da Escócia, oferecendo carona para homens que depois serão atraídos
por ela para uma casa abandonada. Lá dentro, ela tira a roupa e eles vão atrás, babando e também se despindo, mas aí submergem dentro de uma água escura. Numa noite, ela
dá carona a um homem todo deformado, tipo “Homem-Elefante”, e sente algo por
ele que é humano: pena. A partir daí, não consegue mais cumprir sua missão. Há
várias situações inexplicáveis, como um motoqueiro que passa o filme inteiro
indo de lá pra cá, ou o afogamento de uma mulher e o filho numa praia. Scarlett
Johansson continua insossa, mas tem um corpão, isso não se pode negar. A
história foi baseada no romance homônimo de Michel Faber. Se por acaso você ler
uma crítica elogiando o filme, lembre de uma frase do crítico Rubens Ewald
Filho: “Crítico adora o que não entende”quarta-feira, 20 de agosto de 2014
A mente
humana é capaz de criar obras artísticas espetaculares, mas também é capaz de
criar muita bobagem. Nesta última categoria, incluo “SOB
A PELE” (“Under the Skin”), 2013, um
filme inglês de ficção científica dos mais esquisitos. Nem a nudez frente e verso de Scarlett
Johansson é capaz de salvar esse abacaxi. Ela é uma alienígena que chega à Terra
e ocupa o corpo de uma mulher. No volante de uma van, ela percorre ruas e
estradas da Escócia, oferecendo carona para homens que depois serão atraídos
por ela para uma casa abandonada. Lá dentro, ela tira a roupa e eles vão atrás, babando e também se despindo, mas aí submergem dentro de uma água escura. Numa noite, ela
dá carona a um homem todo deformado, tipo “Homem-Elefante”, e sente algo por
ele que é humano: pena. A partir daí, não consegue mais cumprir sua missão. Há
várias situações inexplicáveis, como um motoqueiro que passa o filme inteiro
indo de lá pra cá, ou o afogamento de uma mulher e o filho numa praia. Scarlett
Johansson continua insossa, mas tem um corpão, isso não se pode negar. A
história foi baseada no romance homônimo de Michel Faber. Se por acaso você ler
uma crítica elogiando o filme, lembre de uma frase do crítico Rubens Ewald
Filho: “Crítico adora o que não entende”
O drama inglês “LOCKE”, 2013,
dirigido por Steven Knight, que também escreveu o roteiro, não é um filme muito
fácil de assistir. A não ser que você não se incomode em passar duas horas
vendo um homem falando ao telefone o tempo inteiro. E, pior, ao volante de um
carro por uma estrada. Ivan Locke (Tom Hardy), engenheiro-chefe de uma grande
obra na cidade inglesa de Birmingham, entra em seu carro após o final do turno
de trabalho. Ele recebe um telefonema de Bethan (Olivia Colman), uma mulher com
a qual, meses antes, teve um caso de uma noite. Ela diz que está grávida e,
naquele exato instante, está indo para um hospital em Londres, onde mora, e
pede que Locke esteja ao lado dela quando o bebê nascer. Ele concorda em ir. Durante
a viagem, Locke fala sem parar ao telefone, seja com seu chefe na obra, com o
seu encarregado, com sua mulher, seu filho, e ainda conversa hipoteticamente
com o pai, responsabilizando-o por todos os seus traumas. É um blá-blá-blá sem
fim. O filme dura o tempo real da viagem de Locke até Londres. Teve crítico que
adorou, achou uma obra-prima. Arrisque se quiser, mas já está avisado(a).
terça-feira, 19 de agosto de 2014
“DUAS VIDAS” (“Zwei
Leben”), 2013, é uma co-produção Alemanha/Noruega, direção de George Maas. Trata-se
de um drama com enredo bastante complicado. O ano é 1990, portanto, logo depois
da queda do muro de Berlim. Katrine (Juliane Köhler) leva uma vida tranquila na
Noruega ao lado da família. Um dia, porém, recebe a visita do advogado Sven
Solbach (Ken Duken), que está entrando com um processo judicial contra o
governo norueguês por um fato que ocorreu no final da 2ª Guerra Mundial: a
liberação de bebês concebidos por norueguesas e soldados alemães para a Alemanha.
Pronto, a vida de Katrine vira do avesso. O advogado tem provas de que ela é
uma dessas crianças e quer o seu depoimento no tribunal. Katrine, porém, quer se
manter fora do processo, pois tem medo de que segredos do seu passado sejam
revelados. Em flashbacks, ela vai relembrando tudo o que aconteceu desde a sua
fuga da Alemanha Oriental, incluindo fatos tenebrosos que não podem vir à tona,
pois podem colocar sua vida e a da sua família em grande risco. “DUAS VIDAS”
lembra muito aqueles filmes de
espionagem que contam histórias do tempo da Guerra Fria envolvendo os países da
Cortina de Ferro. Além da ótima Juliane Köhler, o elenco traz Liv Ullmann e
Suen Mordin. O filme foi indicado para representar a Alemanha no Oscar 2014 de
Melhor Filme Estrangeiro.
O
drama turco “A PARTÍCULA” (“Zerre”),
2012, dirigido por Erdem Tépegöz, é pra lá de pesado, baixo astral, muito longe,
mas muito longe mesmo, de um filme que possa ser chamado de entretenimento. O
pano de fundo é a crise econômica na Turquia, o desemprego, a falta de opções e
muita pobreza. Zeynep (a excelente Jale Arikan) é uma mulher bem sofrida, mãe solteira, mora
com a mãe e a filha deficiente num bairro pobre do subúrbio de Istambul. Trabalha
numa fábrica, mas o que ganha não dá nem pra comer. Ela e a mãe ainda fazem
sachês perfumados para vender, mas a renda é quase nada. Ela tem a ajuda diária
do irmão, que trabalha num restaurante e faz uma marmita com as sobras dos
clientes e dá a Zeynep. Como desgraça pouca é bobagem, Zeynep é demitida da
fábrica. E não é o tipo de demissão “passa no RH”. Ela é literalmente empurrada
aos trancos para fora da fábrica, sem receber um tostão, ou melhor, lira turca. Desesperada, ela passa a procurar emprego e acaba
conseguindo um trabalho temporário numa fábrica têxtil longe de Istambul, onde deverá
permanecer por alguns dias. Na fábrica, ela é assediada sexualmente pelo seu
chefe e foge de volta para Istambul. O desfecho do filme deixa claro que não há
perspectiva para Zeynep e a família senão o sofrimento e a penúria. A atriz
Jale Arikan é a alma do filme, que foi eleito como o melhor do Festival de Cinema
de Moscou em 2013.segunda-feira, 18 de agosto de 2014
“VIVER É FÁCIL COM OS OLHOS FECHADOS” (“Vivir es Facil com los Ojos Cerrados”), Espanha,
2013, dirigido por David Trueba (irmão do também cineasta Fernando Trueba), é
baseado numa história real. Aliás, uma história bastante interessante. O ano é
1966. Antonio (Javier Câmara) é um professor de inglês em Albaceta e que, apaixonado
pelos Beatles, utiliza em suas aulas as letras das canções da banda inglesa. Quando
soube que John Lennon viria à Espanha para a Almeria (Andaluzia) participar das
gravações do filme de “Como Eu Ganhei a Guerra”, dirigido por Richard Lester,
ele pegou seu carro e rumou para Almeria, onde estava instalado o set das
filmagens. Ele queria, de qualquer jeito, conhecer Lennon pessoalmente. No
caminho, Antonio dá carona a dois jovens, Juanjo (Fracesc Colomer) e Belén
(Natalia de Molina), com os quais dará sequência à viagem e fará uma singela amizade. Depois de muito
esforço, Antonio finalmente consegue conversar com Lennon, que lhe mostra uma
canção que acabara de compor: “Strawberry Fields Forever”. Segundo consta,
Lennon realmente compôs a música inspirado nas plantações de morango existentes
ao redor de Almeria (o título do filme é um trecho da letra da música). Dizem também que foi somente depois da conversa de Lennon
com o professor espanhol que os Beatles resolveram encartar as letras das
músicas nos seus próximos discos. Todos esses fatos realmente aconteceram, inclusive o filme com Lennon, o que
torna este filme espanhol ainda mais saboroso. Não foi à toa que conquistou
todos os principais prêmios da 28ª edição do Prêmio Goya, o Oscar espanhol. domingo, 17 de agosto de 2014
“CHE” foi um
projeto audacioso – co-produção França/Espanha/EUA - que tinha por objetivo
retratar a trajetória do médico e guerrilheiro argentino Ernesto “Che” Guevara.
O diretor Terrence Malick quase ficou com o filme (ainda bem que não), que
enfim foi dirigido por Steven Soderbergh em 2007. Com mais de quatro horas de
duração e dividido em duas partes (Parte 1: “O
Argentino” e Parte 2: “A Guerrilha”), o
filme estreou no Festival de Cannes em 2008 e deu o prêmio de Melhor Ator a
Benício Del Toro, realmente impressionante na pele de Che. O elenco ainda conta
com Demián Bichir, ótimo como Fidel Castro, Rodrigo Santoro, como Raúl Castro,
e mais Franka Potente, Joaquim de Almeida, Julia Ormond, Catalina Sandino
Moreno e Lou Diamond Phillips, além de Matt Damon, que faz uma ponta. A primeira
parte centra a história na revolução que derrubou o ditador Fulgêncio Batista do governo de Cuba. A segunda parte é toda voltada
para a presença de Che na Bolívia, onde liderou uma guerrilha armada até ser
morto pelos soldados do exército boliviano, em outubro de 1967. Quem quiser
conhecer a trajetória dessa figura mítica não deve perder essa grande obra histórica do
cinema.
Em
2003, o menino Colton, de 4 anos de idade, filho de um pastor de uma pequena
cidade do Estado de Nebraska (EUA), é operado de emergência por causa de uma crise
de apendicite. O estado dele é tão grave que poucos acreditam que fosse viver.
Mas viveu. E, quando acordou, disse que esteve no Céu, viu os anjos, conversou
com Jesus e com outras pessoas que já haviam morrido – que ele nem sabia que
tinham existido. Uma experiência do tipo “quase morte”. O relato do garoto
revela-se surpreendente pelos detalhes. Quando ouve o filho descrever o que viu
no Céu e com quem conversou, o pastor coloca em cheque a sua própria fé,
dividindo suas dúvidas com a comunidade, o que quase lhe custou o cargo na
igreja. Essa história virou livro de grande sucesso e, agora, um filme, “O
CÉU É DE VERDADE” (“Heaven is for Real”),
que arrastou multidões para os cinemas nos EUA quando foi lançado, no início de
2014. O filme conseguiu reunir uma equipe de atores e atrizes de peso, como
Greg Kinnear (pastor Todd Burpo), Kelly Reilly (Sonja Burpo), Margo Martindale
(Nancy) e Thomas Haden Church (Jay), além do diretor Randall Wallace (“O Homem
da Máscara de Ferro”). O menino Colton é vivido pelo ator mirim estreante Connor
Corum. Enfim, um filme para discutir, refletir e testar a nossa fé. sábado, 16 de agosto de 2014
“ATÉ QUE PROVEM A INOCÊNCIA” (“Until proven innocent”), 2009, é um telefilme produzido na Nova
Zelândia. Conta a história, verídica, de um grave erro judiciário ocorrido
naquele país nos anos 90. David Dogherty, aqui interpretado por Cohen Holloway,
foi acusado e condenado em 1993 pelo sequestro e estupro de uma menina de 11
anos. O caso aconteceu na cidade de Auckland. Enquanto cumpria pena, ele foi
entrevistado pela jornalista Donna Chisholm (Jodie Himmer), do jornal Sunday
Star-Times. Ao conhecê-lo, Donna acreditou que Dogherty estava sendo vítima de
um erro judiciário e mobilizou o advogado Murray Gibson (Peter Elliott) para tentar
uma apelação para um novo julgamento. O caso ainda envolveu o cientista Arie
Geursen (Tim Spite), que analisou a condenação explorando a versão controversa
do DNA encontrado na menina. No fim, a comprovação daquele velho ditado: “A
Justiça tarda, mas não falha”. Fora o interesse por conhecer um caso que
certamente não chegou ao nosso noticiário, e por retratar um grave erro
judiciário, o filme deve ser indicado para estudantes de Direito. Até pelo seu
tom didático ao apresentar como funciona o sistema judiciário da Nova Zelândia. sexta-feira, 15 de agosto de 2014
O
australiano “O FOGUETE” (“The
Rocket”), 2013, é mais um daqueles filmes que nos encantam e nos emocionam. É o
filme de estreia do diretor Kim Mordaunt, que consegue extrair, de um cenário
de extrema pobreza que é o interior do Laos e de uma história envolvendo
camponeses no limite da miséria, momentos de grande sensibilidade e até de bom
humor. Só pra se ter uma ideia, a trilha sonora traz o balanço de James Brown. Essa
grande sacada tem tudo a ver com o hilariante personagem Purple (Thep Phongam),
uma espécie de cover do cantor americano. Vestido com um terno lilás – que nunca
tira do corpo - e com o penteado igual ao de Brown, ele é o responsável
pelos momentos mais engraçados do filme. A história gira em torno do menino
Ahlo (Sitthiphon Disamoe), cuja família – juntamente com dezenas de outras - é
obrigada a sair da vila onde mora por causa da construção de uma represa. Eles
são levados para outra região e lá são alojados num acampamento improvisado e
em condições quase sub-humanas. É lá que Ahlo vai conhecer Kia (Loungnam Kaosainam),
uma gracinha de menina com a qual fará uma grande amizade (o tio de Kia é justamente
o tal cover do James Brown). No final, o filme reserva espaço para um concurso
de foguetes, uma tradição local para “chamar” chuva. Ahlo vai participar, com a
ajuda de Purple, e tentar ganhar o prêmio em dinheiro. Além de ter representado a Austrália no Oscar 2014 de Melhor
Filme Estrangeiro, “O FOGUETE” foi
premiado em Festivais como o de Berlim, Tribeca, Sidney e Melbourne. Mais do
que imperdível, um filme obrigatório. quinta-feira, 14 de agosto de 2014
“METEORA” (“Metéora”), 2012, é
um drama grego de fundo religioso que explora pecado e culpa ao apresentar uma
paixão proibida. Não é um filme para qualquer público. É contemplativo,
arrastado e com poucos diálogos. Em meio a citações bíblicas e efeitos de
animação, o filme conta a história de dois religiosos – o monge Theodoros (Theo
Alexander) e a freira Urania (a atriz russa Tamila Koulieva) – que moram em
monastérios da Igreja Cristã Ortodoxa na região central da Grécia chamada Meteóra. Eles
se encontram secretamente para conversar e rezar, mas a tentação da carne é
mais forte, e aí ninguém segura. De início, Urania consegue rejeitar os avanços
de Theodoros, mas depois se entrega de corpo e alma à paixão. Os protagonistas
são também representados por figuras de animação criadas ao estilo da arte
bizantina, criadas pelo diretor Spiros Stathoulopoulos para complementar a
narrativa. A trilha sonora é composta por cantos gregorianos, o que reforça
ainda mais o sentido religioso da história. “METEORA” foi exibido no Festival
de Berlim 2012 e arrancou elogios de muitos críticos. Mas repito: não é um
filme que se possa chamar de entretenimento leve.
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
“UMA VIDA COMUM” (“Still
Life”), 2013, é um drama inglês bastante interessante. John May (Eddie Marsan) trabalha
para uma repartição pública municipal de Londres e sua função é localizar
familiares e amigos de pessoas que morrem sozinhas. Muitas vezes ele não encontra
ninguém que tenha relação com o falecido, mas faz questão de promover um
funeral digno, redigindo ele mesmo o obituário e também o discurso funerário. Para elaborar o perfil do morto e redigir o
discurso, ele estuda fotos e objetos encontrados na casa do falecido. May
sempre vai à cerimônia. Enfim, um homem bom, que extrapola suas obrigações de
trabalho para homenagear os mortos que nunca conheceu. Pessoalmente, porém, May
é solitário e triste. Não tem família nem amigos. Ao iniciar a
investigação sobre um homem chamado Billy Stoker, May é demitido, mas pede a
seu chefe que este seja seu último trabalho. E a este May dedica-se de corpo e
alma, localizando amigos e familiares. O final do filme reserva um
acontecimento surpreendente e, no desfecho, uma cena bastante comovente. Enfim, um filme que vale a pena conferir. O
diretor do filme é o italiano Uberto Pasolini, que não tem parentesco com Pier
Paolo, mas é sobrinho do grande diretor Luchino Visconti.
terça-feira, 12 de agosto de 2014
O drama “O
CADERNO GRANDE” (“A NAGY FÜZET”),
dirigido por János Szász, foi o candidato oficial da Hungria na disputa do
Oscar 2014 de Melhor Filme Estrangeiro. A história é baseada no livro escrito
por Ágota Kristof. Em 1944, em meio à invasão do país pelos alemães, mãe leva seus
dois filhos gêmeos de 12 anos de idade para morar com a avó numa pequena fazenda
no interior da Hungria. Os dois garotos vão sofrer o diabo nas mãos da avó, uma
velha azeda e mal-humorada, cujo maior prazer na vida é embebedar-se toda a noite e xingar o marido falecido. Ela chama os netos o tempo inteiro de “bastardos” e todo dia de manhã adora dar uns safanões nos garotos, que adoram chamá-la de bruxa. Os dois gêmeos não se desgrudam por um só minuto e é essa união que fará com
que eles consigam sobreviver não só aos maus-tratos da avó, como a outras
situações difíceis aos quais são submetidos. Aliás, desde o começo do filme os
gêmeos apanham muito, a tal ponto que resolvem bater um no outro para se
acostumar com a dor. O filme é altamente depressivo e melancólico. Crianças em
cenários de guerra sempre aumentam a dramaticidade da história. O tal “caderno
grande” é um tipo de diário que os meninos escrevem todas as noites contando os
acontecimentos do dia. Não adianta citar o elenco, composto por ilustres
desconhecidos, pelo menos para nós. Mas há que se destacar o desempenho dos
dois garotos e, principalmente, da atriz que faz a avó. Esta sim, vale a pena
citar: Piroska Molnár. segunda-feira, 11 de agosto de 2014
“CÍRCULOS”
(“KRUGOVI”), 2012, é uma co-produção Sérvia/Croácia/Alemanha, dirigida por
Srdan Glolubovic. Trata-se de um drama bastante pesado sobre culpa e perdão. O
filme começa em 1993, em plena guerra étnica na Bósnia. O soldado sérvio Marko
(Vuk Kostic) está de folga e volta ao seu vilarejo para visitar a família.
Quando está na praça bebendo com um amigo, ele vê três soldados espancando
Haris (Leon Lucev), um comerciante muçulmano que ele conhece faz tempo. Marko
sai em defesa de Haris, consegue impedir que os soldados o matem. Só que Marko
é brutalmente agredido pelo trio e acaba morrendo no meio da praça. Quinze anos
depois, as feridas desse episódio continuam abertas para cinco personagens que,
de uma forma ou de outra, tiveram relação com o crime ou eram ligadas a Marko,
desencadeando as mais variadas situações. Bogdan (Nikola Rakocevic), um dos
assassinos de Marko, é internado num hospital em estado grave e será atendido
pelo dr. Nebojsa (Nebojsa Glogovac), que era o melhor amigo de Marko. Outra
história vai envolver Nada (Hristina Popovic), viúva de Marko, que viaja até a
Alemanha para pedir ajuda a Haris, o muçulmano que seu marido salvou do
espancamento. A outra história vai colocar frente a frente o pai de Marko e o
filho de um dos assassinos. O “Círculos” do título, portanto, faz referência às
voltas que a vida dá e as coincidências e encontros que proporciona. Exibido
na 37ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e premiado em vários
festivais pelo mundo afora, o filme representou a Sérvia no Oscar 2014 de
Melhor Filme Estrangeiro. Um filme difícil, mas de grande impacto emocional. domingo, 10 de agosto de 2014
O
drama independente norte-americano “MARGARET”, dirigido por Kenneth Lonergan, foi produzido em 2006, mas somente lançado
em 2011. Dizem que por causa de ações judiciais, cujos motivos não foram
divulgados. É um filme, no mínimo, intrigante. A começar pelo título, pois não
há personagens com este nome. “Margaret”, na verdade, é um nome apenas
mencionado num poema durante uma aula de literatura. A história gira em torno
de Lisa Cohen (Anna Paquin), uma estudante de 17 anos que um dia, ao tentar
chamar a atenção de um motorista de ônibus numa avenida movimentada, acaba provocando
um acidente com morte. Com medo de prejudicar o motorista do ônibus, ela mente
em seu depoimento à polícia e mais tarde quer voltar atrás. Esse contexto
envolvendo Lisa serve como pano de fundo para inúmeras situações paralelas, a
principal delas mostrando o relacionamento difícil de Lisa com a mãe Joan (a
ótima J. Smith-Cameron). No filme inteiro, as duas travam verdadeiras guerras
verbais. Uma diz uma coisa, a outra entende diferente, e vice-versa. E tudo
acaba numa gritaria infernal. Diálogos desse tipo, descontrolados e agressivos,
permeiam o filme inteiro envolvendo diversos personagens, o que pode incomodar
quem está a fim de um entretenimento leve. O pessoal não se entende, e dá-lhe
discussão. É um filme longo (150 minutos). Mas não deixa de ser um filme acima
da média. Além de Paquin e J. Smith-Cameron, estão no elenco Mark Ruffalo, Matt
Damon, Jean Reno, Matthew Broderick e Allison Janney, entre outros.
Às
vésperas das eleições presidenciais de 1950 na Colômbia, o candidato favorito Jorge
Elicier Gaitán, do Partido Liberal, é assassinado a tiros quando saía de seu
escritório. O caso provocou uma grande comoção no país e foi chamado de “El
Bogotazo”. Este é o pano de fundo do filme colombiano “ROA”, 2012. A figura central do filme é Juan
Roa Sierre, pai de família desempregado e que tem como ídolo o candidato Gaitán
(Santiago Rodréguez). Ele o procura pessoalmente e diz estar passando por
sérias necessidades e pede que o ajude arrumar um trabalho. O político trata Roa
com arrogância, diz não poder fazer nada e lhe dá três berinjelas como
compensação. Decepcionado com o tratamento, Roa passa a ter raiva de Gaitán, a
ponto de planejar seu assassinato. A situação se complica ainda mais quando um
grupo rival a Gaitán descobre as intenções de Roa e passa a chantageá-lo,
colocando em risco a vida da sua família. Baseado no livro “O Crime do Século”,
de Miguel Torres, o filme coloca em dúvida a culpa de Roa pelo assassinato. Um
mistério histórico que perdura até hoje. Além da história em si, que recoloca
em evidência um fato importante na história política da Colômbia, há que se destacar o
capricho na reconstituição de época, muito bem feita. O filme é dirigido por
Andrés Baiz, o mesmo de “O Quarto Secreto” (“La Cara Oculta”), um dos melhores suspenses
dos últimos anos. O elenco conta ainda com Catalina Sandino Moreno, colombiana que concorreu ao Oscar/2005 de Melhor Atriz pelo filme "Maria Cheia de Graça". Aqui, ela faz o papel de esposa de Roa. sábado, 9 de agosto de 2014
“Traição Perigosa” (“The
Kate Logan Affair”), 2010, direção de Noël Mitrani, é um drama policial canadense
baseado numa história verídica ocorrida em 2002 na Província de Alberta (Canadá).
Kate Logan (Alexis Bledel) é uma policial novata que um dia aborda e algema um
homem cujas características físicas são iguais a de um estuprador procurado na
região. O homem se identifica como Benoit Gando (Laurent Lucas), um executivo
francês de uma empresa de seguros que está no Canadá para participar de um seminário
de negócios. Ele está dizendo a verdade e Kate fica toda sem graça. Como pedido
de desculpas, convida Benoit para um drink. Eles acabam tendo um caso, mais por
insistência dela, pois ele diz que é casado e jamais trairia a mulher. Kate,
porém, é do tipo “atração fatal” e insiste em assediar o francês (recusar a gracinha Alexis Bledel também seria demais). Só que um dia
acontece um acidente com a arma de Kate e a situação se complica, pois hóspedes
do motel ligam para a polícia depois de ouvirem o disparo. Com medo de perder o
emprego na polícia, Kate foge com Benoit. Durante a fuga, ela elabora e executa
um plano audacioso para salvar a própria pele. Não dá para comentar mais para
não estragar a reviravolta trágica no final. Um filme mediano que pode ser
visto mais pelo interesse da história. Aliás, nos créditos finais faltou a
informação de como ficou a situação dos envolvidos no caso depois de tudo o que aconteceu.
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
“INVASOR” é um
drama espanhol de 2012 dirigido por Daniel Calparsoro. A temática já foi
abordada por dezenas de outros filmes, principalmente norte-americanos: soldados
voltando da guerra feridos, a maioria sofrendo de stress pós-traumático e, muitas
vezes, obrigados a guardar segredo sobre algum fato tenebroso. Pablo (Alberto
Ammann) e Diego (Antonio de La Torre), médicos do exército espanhol em missão humanitária
no Iraque em 2003, voltam para casa feridos – Pablo em estado grave – e são
tratados como heróis. A história que chega à opinião pública, transmitida por
fontes do exército espanhol, é a de que eles conseguiram descobrir um arsenal
de armas e eliminar os terroristas da aldeia, sendo depois resgatados por
soldados norte-americanos. Mas não foi bem assim que aconteceu. Pior: Pablo e
Diego ainda testemunharam uma execução de civis iraquianos. Segundo ordens
vindas do governo espanhol, eles devem ficar quietos e concordar com a
história. Só que Pablo, mesmo sabendo que poderá perder a pensão do exército e
colocar em risco a vida de sua família, resolve contar a verdade e muito mais,
o que inclui um vídeo feito por celular da tal execução. As cenas da ação no
Iraque até que foram bem feitas, conseguindo transmitir aquela tensão própria
das situações de guerra. Mas lá perto do final, quando filmam uma perseguição
de carros e uma troca de socos, era melhor ter convocado o pessoal de Hollywood.
Isso não quer dizer que o filme é ruim, pois garante o suspense até o final. Estão ainda no elenco a atriz Inma Cuesta, de “Blancanieves”,
e Karra Elejalde.
quinta-feira, 7 de agosto de 2014
“15 Anos e um Dia”
(“15 Años y um Día”), 2012, direção de Gracia Querejeta. Começa o filme e você
acha que vai assistir a uma comédia juvenil. Ledo engano. A partir da sua metade,
esta produção espanhola vira um drama e, no final, um misto de suspense e
policial, com direito a um assassinato e a uma reviravolta típica desses
gêneros perto do desfecho. Jon (Aarón Piper), de 15 anos, é um terror. Sua mãe
Margo (Maribel Verdú) não aguenta mais os aprontos do garoto, o que inclui
envenenar o cachorrinho do vizinho e atazanar a vida dos professores da escola.
Ela vai aguentando a barra até o dia em que Jon é expulso do colégio. No ato da
expulsão, o diretor da escola diz a Margo – que é viúva – que o adolescente está
precisando da autoridade de um homem. Margo, então, decide enviar Jon para
passar uns tempos com o avô Max (Tito Valverde), um ex-oficial linha dura do
exército espanhol que mora num vilarejo à beira-mar. A relação com o avô não
vai contribuir para uma mudança no comportamento de Jon, que logo se envolve
com alguns jovens delinquentes do local. A trama prende a atenção, mas poderia ter
um desfecho mais bem elaborado, quem sabe com alguma mensagem de aprendizado por parte do
garoto sobre tudo o que aconteceu. Mas não deixa de ser uma boa opção de programa. terça-feira, 5 de agosto de 2014
“Piedade” (“Gnade”),
2012, é uma co-produção Alemanha/Noruega dirigida por Mathias Glasner. Trata-se
de um drama pesado, triste e um tanto depressivo. Mas, sem dúvida, um filme bem
feito e de muito impacto. Para tentar salvar o casamento em crise, Niels (Jürgen
Vogel) e Maria (Birgit Minichmayr) resolvem sair da Alemanha para tentar uma
vida nova na Noruega. Mudam-se com o filho adolescente Markus (Henry Stange) para
a pequena cidade de Hammesrfest, à beira do Oceano Ártico, onde, em novembro, dezembro
e janeiro, o sol não aparece por lá e a noite dura, portanto, 24 horas. Um frio
danado, paisagens brancas e gélidas (a fotografia do filme é um dos destaques). Niels vai trabalhar numa usina de gás natural
e logo arruma uma amante. Maria arruma emprego como enfermeira na ala de pacientes
terminais do hospital local. Na escola, Markus escolhe a companhia de um dos
piores alunos. Como se tudo isso não bastasse, quando volta de um plantão,
cansada e com sono, Maria bate com o carro em algo que pensa ser um animal e,
por causa da escuridão, decide não parar para verificar. Só depois é que vai
ficar sabendo que atropelou uma jovem de 16 anos, que morreria logo em seguida.
Maria, junto com o marido, vai carregar essa culpa o filme inteiro. E, nesse
ponto, vale destacar o excelente trabalho da atriz Birgit Minichmayr e do ator
Jürgen Vogel. O filme estreou, fora de competição, no Festival de Berlim 2012. segunda-feira, 4 de agosto de 2014
“S.O.S. Mulheres ao Mar”, 2013, direção de Cris D’Amato, é
diversão pura, um ótimo programa para relaxar. Adriana (Giovanna Antonelli),
tradutora de filmes pornô, vai buscar o marido Eduardo (Marcello Airoldi) no aeroporto.
No caminho de volta para casa, ela nota que ele está estranho e pergunta o que
está acontecendo. “Eu quero me separar”, diz Eduardo de supetão. Adriana entra numa
enorme depressão e é consolada pela irmã Luiza (Fabíola Nascimento) e por sua
empregada Dialinda (Thalita Karauta). Até que um dia elas lêem uma notícia no
jornal que anuncia a viagem de lua-de-mel da estrela de TV Beatriz (Emanuelle
Araújo) com o novo marido, justamente Eduardo, o ex de Adriana. A viagem
compreende um cruzeiro pelo Mediterrâneo. Adriana, Luiza e Dialinda embarcam no
navio com o objetivo de complicar a lua-de-mel dos dois, o que dá margem a
muitas situações hilariantes. Adriana também vai conhecer André (Reynaldo
Gianecchini), um estilista de moda que está fazendo a viagem para refletir
sobre uma decisão importante que terá de tomar. O time de mulheres do elenco dá
show, principalmente Fabíola Nascimento, bem à vontade como a espevitada e assanhada Luiza.
O destaque maior do filme, porém, fica por conta dos cenários deslumbrantes,
principalmente quando os protagonistas passeiam por Roma e Veneza. Fazia tempo
que eu não via um filme brasileiro com um visual tão bonito. domingo, 3 de agosto de 2014
“Bem-Vindo a Nova Iorque” (“Welcome
to New York”), 2014, é mais um filme polêmico do diretor norte-americano Abel
Ferrara. Ele apresentou o filme no Festival de Cannes e afirmou que a história é
ficcional, embora inspirada no escândalo que envolveu o então diretor-geral do
FMI e candidato ao governo francês Dominique Strauss-Kahn em 2011, acusado e
preso por ter assediado sexualmente uma camareira do hotel em que estava
hospedado, em Nova Iorque. No filme de Ferrara, o personagem principal ganhou o
nome de Devereaux (Gérard Depardieu) e é apresentado como um maníaco sexual dado
a participar de orgias (a primeira meia-hora do filme é dedicada a elas) e a
atacar desde aeromoças, recepcionistas e jornalistas. Um promíscuo de marca
maior. Mas quando atacou a camareira no hotel em Nova Iorque, a turma da algema
o colocou atrás das grades. Embora tudo provado, ele ainda recebeu o apoio da
mulher Simone (Jacqueline Bisset) e da filha Sophie (Marie Monté). Logo que o
filme foi apresentado em Cannes, Dominique Strauss-Kahn entrou com processo
contra o diretor Ferrara. Além de toda polêmica que envolve o filme, há que se
destacar o desempenho de Depardieu, que aparece completamente nú (frente e
verso) em diversas cenas, um visual grotesco que o grande ator não teve medo de
esconder. Não resta dúvida de que é um filme de grande impacto, como quase todos
de Ferrara.
“O Sétimo Andar” (“Séptimo”),
2013, dirigido por Patxi Amezcua, é um filme de suspense reunindo Ricardo
Darín, o “Messi” do cinema argentino, e a atriz espanhola Belén Rueda. A
história começa com o advogado Sebastián (Darín) indo buscar os filhos no edifício
onde mora sua ex-mulher Delia (Belén Rueda). As crianças pedem para descer de
escada, enquanto ele vai de elevador. Só que, quando Sebastián chega ao térreo,
se dá conta de que as crianças sumiram no meio do caminho. O advogado se
desespera com a situação, mobiliza a polícia, invade apartamentos sem mandado,
chega a confrontar até mesmo um delegado de polícia que mora no prédio. O que
será que aconteceu com as crianças? Não dá para contar mais para não estragar
as surpresas do filme. Desde o início, porém, é preciso ficar atento a alguns
detalhes que no final serão decisivos para desvendar o mistério. Um interessante
jogo de adivinhação para o espectador. O clima de suspense predomina quase até
o final, acompanhando a estressante situação de Sebastián, que somente no desfecho
encontrará a surpreendente verdade dos fatos. O desfecho do filme, porém, é
decepcionante.
Assinar:
Postagens (Atom)