O drama “O
CADERNO GRANDE” (“A NAGY FÜZET”),
dirigido por János Szász, foi o candidato oficial da Hungria na disputa do
Oscar 2014 de Melhor Filme Estrangeiro. A história é baseada no livro escrito
por Ágota Kristof. Em 1944, em meio à invasão do país pelos alemães, mãe leva seus
dois filhos gêmeos de 12 anos de idade para morar com a avó numa pequena fazenda
no interior da Hungria. Os dois garotos vão sofrer o diabo nas mãos da avó, uma
velha azeda e mal-humorada, cujo maior prazer na vida é embebedar-se toda a noite e xingar o marido falecido. Ela chama os netos o tempo inteiro de “bastardos” e todo dia de manhã adora dar uns safanões nos garotos, que adoram chamá-la de bruxa. Os dois gêmeos não se desgrudam por um só minuto e é essa união que fará com
que eles consigam sobreviver não só aos maus-tratos da avó, como a outras
situações difíceis aos quais são submetidos. Aliás, desde o começo do filme os
gêmeos apanham muito, a tal ponto que resolvem bater um no outro para se
acostumar com a dor. O filme é altamente depressivo e melancólico. Crianças em
cenários de guerra sempre aumentam a dramaticidade da história. O tal “caderno
grande” é um tipo de diário que os meninos escrevem todas as noites contando os
acontecimentos do dia. Não adianta citar o elenco, composto por ilustres
desconhecidos, pelo menos para nós. Mas há que se destacar o desempenho dos
dois garotos e, principalmente, da atriz que faz a avó. Esta sim, vale a pena
citar: Piroska Molnár. terça-feira, 12 de agosto de 2014
O drama “O
CADERNO GRANDE” (“A NAGY FÜZET”),
dirigido por János Szász, foi o candidato oficial da Hungria na disputa do
Oscar 2014 de Melhor Filme Estrangeiro. A história é baseada no livro escrito
por Ágota Kristof. Em 1944, em meio à invasão do país pelos alemães, mãe leva seus
dois filhos gêmeos de 12 anos de idade para morar com a avó numa pequena fazenda
no interior da Hungria. Os dois garotos vão sofrer o diabo nas mãos da avó, uma
velha azeda e mal-humorada, cujo maior prazer na vida é embebedar-se toda a noite e xingar o marido falecido. Ela chama os netos o tempo inteiro de “bastardos” e todo dia de manhã adora dar uns safanões nos garotos, que adoram chamá-la de bruxa. Os dois gêmeos não se desgrudam por um só minuto e é essa união que fará com
que eles consigam sobreviver não só aos maus-tratos da avó, como a outras
situações difíceis aos quais são submetidos. Aliás, desde o começo do filme os
gêmeos apanham muito, a tal ponto que resolvem bater um no outro para se
acostumar com a dor. O filme é altamente depressivo e melancólico. Crianças em
cenários de guerra sempre aumentam a dramaticidade da história. O tal “caderno
grande” é um tipo de diário que os meninos escrevem todas as noites contando os
acontecimentos do dia. Não adianta citar o elenco, composto por ilustres
desconhecidos, pelo menos para nós. Mas há que se destacar o desempenho dos
dois garotos e, principalmente, da atriz que faz a avó. Esta sim, vale a pena
citar: Piroska Molnár. segunda-feira, 11 de agosto de 2014
“CÍRCULOS”
(“KRUGOVI”), 2012, é uma co-produção Sérvia/Croácia/Alemanha, dirigida por
Srdan Glolubovic. Trata-se de um drama bastante pesado sobre culpa e perdão. O
filme começa em 1993, em plena guerra étnica na Bósnia. O soldado sérvio Marko
(Vuk Kostic) está de folga e volta ao seu vilarejo para visitar a família.
Quando está na praça bebendo com um amigo, ele vê três soldados espancando
Haris (Leon Lucev), um comerciante muçulmano que ele conhece faz tempo. Marko
sai em defesa de Haris, consegue impedir que os soldados o matem. Só que Marko
é brutalmente agredido pelo trio e acaba morrendo no meio da praça. Quinze anos
depois, as feridas desse episódio continuam abertas para cinco personagens que,
de uma forma ou de outra, tiveram relação com o crime ou eram ligadas a Marko,
desencadeando as mais variadas situações. Bogdan (Nikola Rakocevic), um dos
assassinos de Marko, é internado num hospital em estado grave e será atendido
pelo dr. Nebojsa (Nebojsa Glogovac), que era o melhor amigo de Marko. Outra
história vai envolver Nada (Hristina Popovic), viúva de Marko, que viaja até a
Alemanha para pedir ajuda a Haris, o muçulmano que seu marido salvou do
espancamento. A outra história vai colocar frente a frente o pai de Marko e o
filho de um dos assassinos. O “Círculos” do título, portanto, faz referência às
voltas que a vida dá e as coincidências e encontros que proporciona. Exibido
na 37ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e premiado em vários
festivais pelo mundo afora, o filme representou a Sérvia no Oscar 2014 de
Melhor Filme Estrangeiro. Um filme difícil, mas de grande impacto emocional. domingo, 10 de agosto de 2014
O
drama independente norte-americano “MARGARET”, dirigido por Kenneth Lonergan, foi produzido em 2006, mas somente lançado
em 2011. Dizem que por causa de ações judiciais, cujos motivos não foram
divulgados. É um filme, no mínimo, intrigante. A começar pelo título, pois não
há personagens com este nome. “Margaret”, na verdade, é um nome apenas
mencionado num poema durante uma aula de literatura. A história gira em torno
de Lisa Cohen (Anna Paquin), uma estudante de 17 anos que um dia, ao tentar
chamar a atenção de um motorista de ônibus numa avenida movimentada, acaba provocando
um acidente com morte. Com medo de prejudicar o motorista do ônibus, ela mente
em seu depoimento à polícia e mais tarde quer voltar atrás. Esse contexto
envolvendo Lisa serve como pano de fundo para inúmeras situações paralelas, a
principal delas mostrando o relacionamento difícil de Lisa com a mãe Joan (a
ótima J. Smith-Cameron). No filme inteiro, as duas travam verdadeiras guerras
verbais. Uma diz uma coisa, a outra entende diferente, e vice-versa. E tudo
acaba numa gritaria infernal. Diálogos desse tipo, descontrolados e agressivos,
permeiam o filme inteiro envolvendo diversos personagens, o que pode incomodar
quem está a fim de um entretenimento leve. O pessoal não se entende, e dá-lhe
discussão. É um filme longo (150 minutos). Mas não deixa de ser um filme acima
da média. Além de Paquin e J. Smith-Cameron, estão no elenco Mark Ruffalo, Matt
Damon, Jean Reno, Matthew Broderick e Allison Janney, entre outros.
Às
vésperas das eleições presidenciais de 1950 na Colômbia, o candidato favorito Jorge
Elicier Gaitán, do Partido Liberal, é assassinado a tiros quando saía de seu
escritório. O caso provocou uma grande comoção no país e foi chamado de “El
Bogotazo”. Este é o pano de fundo do filme colombiano “ROA”, 2012. A figura central do filme é Juan
Roa Sierre, pai de família desempregado e que tem como ídolo o candidato Gaitán
(Santiago Rodréguez). Ele o procura pessoalmente e diz estar passando por
sérias necessidades e pede que o ajude arrumar um trabalho. O político trata Roa
com arrogância, diz não poder fazer nada e lhe dá três berinjelas como
compensação. Decepcionado com o tratamento, Roa passa a ter raiva de Gaitán, a
ponto de planejar seu assassinato. A situação se complica ainda mais quando um
grupo rival a Gaitán descobre as intenções de Roa e passa a chantageá-lo,
colocando em risco a vida da sua família. Baseado no livro “O Crime do Século”,
de Miguel Torres, o filme coloca em dúvida a culpa de Roa pelo assassinato. Um
mistério histórico que perdura até hoje. Além da história em si, que recoloca
em evidência um fato importante na história política da Colômbia, há que se destacar o
capricho na reconstituição de época, muito bem feita. O filme é dirigido por
Andrés Baiz, o mesmo de “O Quarto Secreto” (“La Cara Oculta”), um dos melhores suspenses
dos últimos anos. O elenco conta ainda com Catalina Sandino Moreno, colombiana que concorreu ao Oscar/2005 de Melhor Atriz pelo filme "Maria Cheia de Graça". Aqui, ela faz o papel de esposa de Roa. sábado, 9 de agosto de 2014
“Traição Perigosa” (“The
Kate Logan Affair”), 2010, direção de Noël Mitrani, é um drama policial canadense
baseado numa história verídica ocorrida em 2002 na Província de Alberta (Canadá).
Kate Logan (Alexis Bledel) é uma policial novata que um dia aborda e algema um
homem cujas características físicas são iguais a de um estuprador procurado na
região. O homem se identifica como Benoit Gando (Laurent Lucas), um executivo
francês de uma empresa de seguros que está no Canadá para participar de um seminário
de negócios. Ele está dizendo a verdade e Kate fica toda sem graça. Como pedido
de desculpas, convida Benoit para um drink. Eles acabam tendo um caso, mais por
insistência dela, pois ele diz que é casado e jamais trairia a mulher. Kate,
porém, é do tipo “atração fatal” e insiste em assediar o francês (recusar a gracinha Alexis Bledel também seria demais). Só que um dia
acontece um acidente com a arma de Kate e a situação se complica, pois hóspedes
do motel ligam para a polícia depois de ouvirem o disparo. Com medo de perder o
emprego na polícia, Kate foge com Benoit. Durante a fuga, ela elabora e executa
um plano audacioso para salvar a própria pele. Não dá para comentar mais para
não estragar a reviravolta trágica no final. Um filme mediano que pode ser
visto mais pelo interesse da história. Aliás, nos créditos finais faltou a
informação de como ficou a situação dos envolvidos no caso depois de tudo o que aconteceu.
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
“INVASOR” é um
drama espanhol de 2012 dirigido por Daniel Calparsoro. A temática já foi
abordada por dezenas de outros filmes, principalmente norte-americanos: soldados
voltando da guerra feridos, a maioria sofrendo de stress pós-traumático e, muitas
vezes, obrigados a guardar segredo sobre algum fato tenebroso. Pablo (Alberto
Ammann) e Diego (Antonio de La Torre), médicos do exército espanhol em missão humanitária
no Iraque em 2003, voltam para casa feridos – Pablo em estado grave – e são
tratados como heróis. A história que chega à opinião pública, transmitida por
fontes do exército espanhol, é a de que eles conseguiram descobrir um arsenal
de armas e eliminar os terroristas da aldeia, sendo depois resgatados por
soldados norte-americanos. Mas não foi bem assim que aconteceu. Pior: Pablo e
Diego ainda testemunharam uma execução de civis iraquianos. Segundo ordens
vindas do governo espanhol, eles devem ficar quietos e concordar com a
história. Só que Pablo, mesmo sabendo que poderá perder a pensão do exército e
colocar em risco a vida de sua família, resolve contar a verdade e muito mais,
o que inclui um vídeo feito por celular da tal execução. As cenas da ação no
Iraque até que foram bem feitas, conseguindo transmitir aquela tensão própria
das situações de guerra. Mas lá perto do final, quando filmam uma perseguição
de carros e uma troca de socos, era melhor ter convocado o pessoal de Hollywood.
Isso não quer dizer que o filme é ruim, pois garante o suspense até o final. Estão ainda no elenco a atriz Inma Cuesta, de “Blancanieves”,
e Karra Elejalde.
quinta-feira, 7 de agosto de 2014
“15 Anos e um Dia”
(“15 Años y um Día”), 2012, direção de Gracia Querejeta. Começa o filme e você
acha que vai assistir a uma comédia juvenil. Ledo engano. A partir da sua metade,
esta produção espanhola vira um drama e, no final, um misto de suspense e
policial, com direito a um assassinato e a uma reviravolta típica desses
gêneros perto do desfecho. Jon (Aarón Piper), de 15 anos, é um terror. Sua mãe
Margo (Maribel Verdú) não aguenta mais os aprontos do garoto, o que inclui
envenenar o cachorrinho do vizinho e atazanar a vida dos professores da escola.
Ela vai aguentando a barra até o dia em que Jon é expulso do colégio. No ato da
expulsão, o diretor da escola diz a Margo – que é viúva – que o adolescente está
precisando da autoridade de um homem. Margo, então, decide enviar Jon para
passar uns tempos com o avô Max (Tito Valverde), um ex-oficial linha dura do
exército espanhol que mora num vilarejo à beira-mar. A relação com o avô não
vai contribuir para uma mudança no comportamento de Jon, que logo se envolve
com alguns jovens delinquentes do local. A trama prende a atenção, mas poderia ter
um desfecho mais bem elaborado, quem sabe com alguma mensagem de aprendizado por parte do
garoto sobre tudo o que aconteceu. Mas não deixa de ser uma boa opção de programa. terça-feira, 5 de agosto de 2014
“Piedade” (“Gnade”),
2012, é uma co-produção Alemanha/Noruega dirigida por Mathias Glasner. Trata-se
de um drama pesado, triste e um tanto depressivo. Mas, sem dúvida, um filme bem
feito e de muito impacto. Para tentar salvar o casamento em crise, Niels (Jürgen
Vogel) e Maria (Birgit Minichmayr) resolvem sair da Alemanha para tentar uma
vida nova na Noruega. Mudam-se com o filho adolescente Markus (Henry Stange) para
a pequena cidade de Hammesrfest, à beira do Oceano Ártico, onde, em novembro, dezembro
e janeiro, o sol não aparece por lá e a noite dura, portanto, 24 horas. Um frio
danado, paisagens brancas e gélidas (a fotografia do filme é um dos destaques). Niels vai trabalhar numa usina de gás natural
e logo arruma uma amante. Maria arruma emprego como enfermeira na ala de pacientes
terminais do hospital local. Na escola, Markus escolhe a companhia de um dos
piores alunos. Como se tudo isso não bastasse, quando volta de um plantão,
cansada e com sono, Maria bate com o carro em algo que pensa ser um animal e,
por causa da escuridão, decide não parar para verificar. Só depois é que vai
ficar sabendo que atropelou uma jovem de 16 anos, que morreria logo em seguida.
Maria, junto com o marido, vai carregar essa culpa o filme inteiro. E, nesse
ponto, vale destacar o excelente trabalho da atriz Birgit Minichmayr e do ator
Jürgen Vogel. O filme estreou, fora de competição, no Festival de Berlim 2012. segunda-feira, 4 de agosto de 2014
“S.O.S. Mulheres ao Mar”, 2013, direção de Cris D’Amato, é
diversão pura, um ótimo programa para relaxar. Adriana (Giovanna Antonelli),
tradutora de filmes pornô, vai buscar o marido Eduardo (Marcello Airoldi) no aeroporto.
No caminho de volta para casa, ela nota que ele está estranho e pergunta o que
está acontecendo. “Eu quero me separar”, diz Eduardo de supetão. Adriana entra numa
enorme depressão e é consolada pela irmã Luiza (Fabíola Nascimento) e por sua
empregada Dialinda (Thalita Karauta). Até que um dia elas lêem uma notícia no
jornal que anuncia a viagem de lua-de-mel da estrela de TV Beatriz (Emanuelle
Araújo) com o novo marido, justamente Eduardo, o ex de Adriana. A viagem
compreende um cruzeiro pelo Mediterrâneo. Adriana, Luiza e Dialinda embarcam no
navio com o objetivo de complicar a lua-de-mel dos dois, o que dá margem a
muitas situações hilariantes. Adriana também vai conhecer André (Reynaldo
Gianecchini), um estilista de moda que está fazendo a viagem para refletir
sobre uma decisão importante que terá de tomar. O time de mulheres do elenco dá
show, principalmente Fabíola Nascimento, bem à vontade como a espevitada e assanhada Luiza.
O destaque maior do filme, porém, fica por conta dos cenários deslumbrantes,
principalmente quando os protagonistas passeiam por Roma e Veneza. Fazia tempo
que eu não via um filme brasileiro com um visual tão bonito. domingo, 3 de agosto de 2014
“Bem-Vindo a Nova Iorque” (“Welcome
to New York”), 2014, é mais um filme polêmico do diretor norte-americano Abel
Ferrara. Ele apresentou o filme no Festival de Cannes e afirmou que a história é
ficcional, embora inspirada no escândalo que envolveu o então diretor-geral do
FMI e candidato ao governo francês Dominique Strauss-Kahn em 2011, acusado e
preso por ter assediado sexualmente uma camareira do hotel em que estava
hospedado, em Nova Iorque. No filme de Ferrara, o personagem principal ganhou o
nome de Devereaux (Gérard Depardieu) e é apresentado como um maníaco sexual dado
a participar de orgias (a primeira meia-hora do filme é dedicada a elas) e a
atacar desde aeromoças, recepcionistas e jornalistas. Um promíscuo de marca
maior. Mas quando atacou a camareira no hotel em Nova Iorque, a turma da algema
o colocou atrás das grades. Embora tudo provado, ele ainda recebeu o apoio da
mulher Simone (Jacqueline Bisset) e da filha Sophie (Marie Monté). Logo que o
filme foi apresentado em Cannes, Dominique Strauss-Kahn entrou com processo
contra o diretor Ferrara. Além de toda polêmica que envolve o filme, há que se
destacar o desempenho de Depardieu, que aparece completamente nú (frente e
verso) em diversas cenas, um visual grotesco que o grande ator não teve medo de
esconder. Não resta dúvida de que é um filme de grande impacto, como quase todos
de Ferrara.
“O Sétimo Andar” (“Séptimo”),
2013, dirigido por Patxi Amezcua, é um filme de suspense reunindo Ricardo
Darín, o “Messi” do cinema argentino, e a atriz espanhola Belén Rueda. A
história começa com o advogado Sebastián (Darín) indo buscar os filhos no edifício
onde mora sua ex-mulher Delia (Belén Rueda). As crianças pedem para descer de
escada, enquanto ele vai de elevador. Só que, quando Sebastián chega ao térreo,
se dá conta de que as crianças sumiram no meio do caminho. O advogado se
desespera com a situação, mobiliza a polícia, invade apartamentos sem mandado,
chega a confrontar até mesmo um delegado de polícia que mora no prédio. O que
será que aconteceu com as crianças? Não dá para contar mais para não estragar
as surpresas do filme. Desde o início, porém, é preciso ficar atento a alguns
detalhes que no final serão decisivos para desvendar o mistério. Um interessante
jogo de adivinhação para o espectador. O clima de suspense predomina quase até
o final, acompanhando a estressante situação de Sebastián, que somente no desfecho
encontrará a surpreendente verdade dos fatos. O desfecho do filme, porém, é
decepcionante.
sábado, 2 de agosto de 2014
O
que pode ser mais perigoso, trabalhar numa usina nuclear ou transar com a
namorada do seu amigo? O jovem Gary (Tahar Rahim) corre os dois riscos no drama
francês “Grand Central”,
2012, dirigido por Rebecca Zlotowski. Sem perspectivas de trabalho, Gary
concorda em participar do recrutamento para ingressar numa usina nuclear. Mesmo
sem nenhuma experiência, ele vai trabalhar na equipe na equipe de manutenção e limpeza
chefiada por Gilles (Olivier Gourmet). Nesse ponto, é interessante como o filme
mostra, em detalhes, todo o processo rigoroso de segurança ao qual são submetidos
os funcionários de uma usina nuclear. E, mesmo assim, os acidentes acontecem.
E, quando acontecem, geralmente são fatais. Instalado num acampamento com o
pessoal de sua equipe, Gary faz amizade com Toni (Denis Menochet) e sua
namorada Karole (Léa Seydoux). É com ela que Gari vai ter um caso. O clima dramático
do filme – que também gera um certo suspense – reúne as duas situações envolvendo
seus respectivos riscos: o trabalho de Gari e seu caso com a namorada do amigo.
O que acontecerá primeiro, um acidente na usina ou a descoberta do seu caso? O
filme é muito bom e, para reforçar a recomendação, é preciso destacar o
trabalho desses jovens e ótimos atores, Tahar Rahim e Léa Sedoux, duas verdadeiras feras do cinema francês atual. O filme
estreou na Mostra “Um Certain Regard” do Festival de Cannes 2013 e foi muito
elogiado.sexta-feira, 1 de agosto de 2014
“A Ravina do Adeus” (“Sayonara
Keikoku”), 2013, é um drama japonês dos mais depressivos. Começa com a prisão
de Satomi Tachibana (Anne Suzuki), acusada de ter matado o próprio filho – o corpo
do bebê foi encontrado na tal ravina do título. A polícia continua as
investigações e chega ao casal Tanako (Yoko Maki) e Shunsuke (Shima Onishi),
moradores da casa vizinha. Shunsuke é levado a interrogatório e confessa que
estava tendo um caso com Satomi. Até aí, a coisa fica toda esclarecida. Depois,
porém, a história toma outro rumo e o casal passa a ser o foco central. Isto
porque o repórter Watanabe (Nao Omori), de um jornal local, descobre um fato
tenebroso envolvendo o passado de Shunsuke: na universidade, ele e mais três
amigos estupraram uma estudante. Em flashbacks, o diretor Tatsushi Ohmori
mostra o sentimento de culpa que tomou conta de Shunsuke após o episódio. Ao
espectador, caberá uma inesperada surpresa com relação à identidade da vítima
do estupro. O ritmo lento, com cenas muito longas, pode incomodar. Em alguns
momentos, a cena parece ter sido congelada e você vai ter a sensação de que o aparelho de
DVD travou. O mais desagradável, porém, para quem está a fim de um
entretenimento, é o estado depressivo que domina os personagens. Antes de assistir, tome um Prozac.
“O Grande Hotel Budapest” (“The Grand Budapest Hotel”), 2013, EUA, é mais um mirabolante filme
do diretor Wes Anderson. Se você viu outros filmes dele, como “Os Excêntricos
Tenenbaums” ou “Moonrise Kingdom”, já sabe o que vai ver: figurinos exóticos,
inúmeros e excêntricos personagens e visual deslumbrante. Só que neste, o ritmo
é de muita aventura, ação e humor. Para ambientar a história, o diretor criou
um país imaginário, Zubrowska. O filme começa com Mr. Moustafa (F. Murray Abraham)
contando a um escritor (Jude Law) a história de uma aventura que viveu na
década de 30 quando era um mensageiro conhecido como “Zero” (Toni Revolori) no
Grande Hotel Budapest. Ele era subordinado direto de M. Gustave (Ralph
Fiennes), gerente do hotel, que tinha como hábito ir para a cama com hóspedes
idosas cheias do dinheiro. Uma delas, Madame D (Tilda Swinton) morre e Gustave
vai ao velório com “Zero”. No testamento, a falecida deixa como herança para
Gustave um famoso e valioso quadro, o que contraria os interesses do filho
Dmitri (Adrian Brody). Aí começa a aventura de Gustave e “Zero”, o que inclui
altas doses de ação ininterrupta, com inúmeras situações que ratificam Anderson
como um dos diretores mais criativos do cinema atual. E também um dos de maior
prestígio, como comprova a enorme lista de atores famosos que toparam aparecer em
pequenos papeis nesse filme: Edward Norton, Owen Wilson, Mathieu Amalric, Saoirse
Ronan, William Defoe, Jeff Goldblum, Harvey Keitel, Bill Murray, Léa Seydoux e
outros. Separe dois sacos de pipoca e embarque nessa aventura de Anderson. quinta-feira, 31 de julho de 2014
Não é novidade o fato de
que muitos países da América do Sul serviram de refúgio a importantes oficiais
nazistas após a 2ª Guerra Mundial, com o beneplácito dos seus respectivos
governos. No filme argentino “O Médico Alemão” (“Wakolda”), 2013, o foco está no médico
Josefe Mengele, famoso por fazer experiências científicas com seres humanos no
campo de concentração de Auschwitz. A história do filme acontece em 1960,
quando Mengele (Alex Brendemühk), com o nome falso de Helmut, está atravessando
a região desértica da Patagônia em direção a Bariloche. No caminho, ele conhece
a família de Enzo (Diego Peretti), que viaja com sua mulher grávida Eva
(Natalia Oreiro) e os filhos. Enzo vai administrar uma antiga pousada da
família e seu primeiro hóspede é justamente Mengele. A tensão vai aumentando
porque o espectador sabe do passado tenebroso do médico. Aumenta ainda mais
depois que ele se propõe a tratar de Lilith (Florencia Bado), que tem problemas
de crescimento, e cuidar dos recém-nascidos gêmeos de Eva. Será que ele fará alguma atrocidade com a menina, com os bebês ou com a
família? A resposta, só você vendo o filme. “O Médico Alemão” é baseado no livro “Wakolda”, escrito por
Lúcia Puenzo, também diretora do filme, que concorreu pela Argentina ao Oscar
2014 de Melhor Filme Estrangeiro. Sem dúvida, mais um gol de placa do cinema
argentino.quarta-feira, 30 de julho de 2014
A
história já é interessante por si só. Fica ainda mais saborosa depois que
sabemos que é baseada em fatos reais. Some-se um roteiro bem elaborado, com
bastante ação, humor e suspense, além de um elenco afiado, e aí temos um filme
digno de ser recomendado como um ótimo entretenimento. Trata-se de “Roubo
à Máfia” (“Rob the Mob”), 2013, dirigido
por Raymond de Felitta. Tudo acontece bem no início dos anos 90, quando Tommy
(Michael Pitt) e Rosie (Nina Arianda) saem da prisão após cumprir pena por
roubar uma floricultura. Eles saem dispostos a mudar de vida e até arrumam
emprego numa agência cobradora de dívidas. Um dia, porém, Tommy decide assistir
ao julgamento de um famoso assassino ligado à Máfia de Nova Iorque. Em seu
depoimento, o réu “entrega” o endereço de alguns clubes ilegais onde a jogatina
corre solta. Tommy vai a um deles e vê que há muito dinheiro nas mesas. Ele
convence Rosie a roubar o clube. Em seguida, rouba mais dois. A Imprensa
noticia os fatos e já chama o casal de Bonnie e Clyde. No último roubo, Tommy descobre um papel com a descrição de toda a estrutura da organização criminosa,
incluindo o chefão Big Al (Andy Garcia), e passa a chantagear os mafiosos. O
organograma chega às mãos da polícia e um grande número de chefões é preso. Mas
a Máfia é a Máfia, e a vingança será maligna.
terça-feira, 29 de julho de 2014

“O amor é um Crime Perfeito” (“L’Amour est un Crime Parfait”), produção francesa de 2013, é um
policial, com algumas doses de suspense, baseado no romance de Phillipe Djian. É
dirigido pelos irmãos Arnaud e Jean-Marie Larrieu. A história é centrada no
professor universitário Marc (Mathieu Amalric), que adora levar para a cama
algumas de suas alunas. Até que uma delas, Bárbara (Marion Duval), depois de
passar a noite com o professor, desaparece misteriosamente. Sua madrasta, Anna
(Maïwenn), procura Marc para saber notícias e acaba desabafando sobre a sua
condição solitária, já que o marido, um oficial do exército, está em missão no
Mali. Caso à vista, com certeza. Enquanto isso, Marc é assediado sexualmente de
forma agressiva por sua aluna Marianne (Sara Forestier), que, para seu azar, é
filha de um importante mafioso. Marc tem uma relação muito estranha e de
cumplicidade com a irmã Marienne (Karen Viard), com quem mora numa casa isolada
na montanha. Marc costuma ter acessos de sonambulismo e delírios que o fazem
esquecer de seus atos. Tudo para confundir espectador e levá-lo a desconfiar do
professor. Apesar de ser um filme policial, não espere tiros, violência explícita e muito menos
pancadaria. O suspense também não é de fazer você apertar os braços da
poltrona.
“O 30º Dia” (“Waking
Madison”), 2010, dirigido por Katherine Brooks, é um drama norte-americano com
pretensão de suspense, mas só ficou na pretensão. A história acompanha o
trabalho da médica psiquiatra Elizabeth Burns (Elizabeth Shue) numa clínica
especializada em tratar de jovens com transtornos mentais. O foco principal da
médica é Madison Walker (Sarah Roemer), que sofre de Transtorno Dissociativo de
Identidade (tem várias personalidades) e forte tendência ao suicídio. Aliás, todas as
pacientes da Dra. Burns, incluindo Madison, já tentaram o suicídio em várias
ocasiões. O histórico de Madison inclui ainda a iniciativa de ter se trancado
em seu apartamento para tentar descobrir as respostas que tanto a afligem. Ela
grava um depoimento numa câmera de vídeo dizendo que, ao final do 30º dia,
cometerá suicídio se não encontrar as respostas. Aqui, não é explicado se isso
aconteceu antes ou depois da internação. Próximo ao seu final, o filme dá algumas
reviravoltas para confundir ainda mais a cabeça do espectador. Você vai achar
que tudo que assistiu não passou de ilusão, que os personagens não são reais,
que são fruto da imaginação da médica ou de Madison. A confusão se estende até
o final. Você vai achar que você é que está louco(a). Completam o elenco Imogen
Poots, Taryn Manning e Erin Kelly. segunda-feira, 28 de julho de 2014
Tudo
funciona às mil maravilhas na comédia francesa “Grandes
Garotos” (“Les Gamins”), 2013, dirigida
por Anthony Marciano. A história em si, o roteiro, o elenco, as piadas, a
trilha sonora, enfim, um entretenimento garantido para quem quiser se divertir
em frente à telinha. Começa o filme com o músico amador Thomas (Max Boublil) conhecendo
a jovem executiva Lola (Melanie Bernier). Os dois começam a namorar e logo pensam
em casar. Lola marca um almoço com os pais Gilbert (Alain Chabat) e Suzanne
(Sandrine Kiberlain) para apresentar o noivo. Só que Gilbert está num péssimo
momento: acabou de vender a empresa e passa os dias em frente à TV, num marasmo
total. Quando Gilbert e Thomas ficam a sós, a impressão é que a conversa vai
acabar mal. Pelo contrário, os dois vão se dar superbem - aliás, a química entre os dois atores é um dos trunfos do filme. Gilbert confessa que
está cansado do casamento de 30 anos e diz que sente falta das coisas que fazia
quando jovem. Thomas decide, então, colocar ação na vida do futuro sogro e os
dois saem por aí aprontando, indo junto até mesmo a baladas. É claro que os
dois vão se meter em grandes confusões, para desespero de Lola e de Suzanne. Uma
das cenas mais hilariantes acontece próximo ao final do filme, quando Thomas
vai a um congresso internacional onde Lola é a representante da França. Thomas
pega o microfone da tradução instantânea justamente na hora em que um raivoso representante
do Irã começa um inflamado discurso. É de rolar de rir. Diversão garantida!
“Paixão Inocente” (“Breathe
In”), 2012, direção de Drake Doremus, é um drama norte-americano independente
que estreou no Festival de Sundance de 2013. A família Reynolds – Keith (Guy
Pearce), a esposa Megan (Amy Ryan) e a filha Lauren (Mackenzie Davis) – mora numa
ampla e confortável casa num subúrbio de Nova Iorque num clima de aparente felicidade. Com a chegada de Sophie
(Felicity Jones), uma jovem inglesa de 18 anos que veio, por meio de intercâmbio,
passar uma temporada na casa dos Reynolds para estudar música, essa felicidade estará correndo um tremendo risco. Ocorre que realmente os
Reynolds não são tão felizes, principalmente o casal. É possível perceber isso durante
as refeições da família, em pequenos detalhes como a troca de olhares, as
expressões e os gestos. Mérito do diretor Doremus. Num misto de pena, admiração
e atração, Sophie vai se aproximando cada vez mais de Keith, que não vai fugir
da raia. A partir daí, o clima do filme, que já era tenso, vai aumentar ainda
mais, chegando a beirar o suspense. Afinal, a cada minuto Keith e Sophie correm
o risco de serem flagrados pela mãe ou pela filha. O filme é bom, valorizado
ainda mais pelo excelente trabalho dos atores principais.
“Os Belos Dias”
(“Les Beaux Jours”), 2013, é um belo drama francês dirigido por Marion Vernoux.
O enredo é baseado no livro “Une Jeune Fille aux Cheveux Blancs”, de Fanny Chesnel.
A história gira em torno de Caroline (Fanny Ardant), casada com Philippe
(Patrick Chesnais). Aos 60 anos (na verdade, Ardant tem 65), Caroline acaba de
se aposentar e vive uma fase de depressão por causa da morte de sua melhor
amiga, há seis meses. Para fugir da solidão e do ócio, ela vai conhecer um
clube para a terceira idade chamado “Os Belos Dias” (lembra o nosso infeliz
termo “Melhor Idade”), que oferece várias atividades, entre os quais aulas de
teatro, artes plásticas, informática etc. Depois de passar por uma aula de
teatro, a qual detestou, Caroline ingressa no curso de informática e conhece o
professor Julien (Laurent Lafitte). Apesar da grande diferença de idade (Julien
tem trinta e poucos), os dois começam a sair juntos e logo estarão na cama. No
início relutante, Caroline resolve se entregar de corpo e alma a essa paixão,
perde a timidez e se transforma numa amante ousada e fogosa. Ela tem consciência,
porém, que aqueles “belos dias” acabarão, em função, principalmente, da
juventude do amante. Ela aceitará esse final numa boa? Será que o marido
descobrirá sua traição? O desfecho responderá a essas perguntas. O filme deixa bem claro que a idade não é obstáculo para uma paixão ardente, daquelas de se pegar no elevador, no corredor etc. Apesar da
idade, Fanny Ardant continua esbanjando charme, beleza e classe, além de competência. Ainda é a grande musa do cinema francês. domingo, 27 de julho de 2014
“O Enigma Chinês”
(“Casse-Tête Chinois”), de 2013, é um filme francês, dirigido por Cédric
Klapisch, que mistura comédia, romance e algumas situações dramáticas. O
escritor Xavier Rousseau (Romain Duris) é abandonado pela esposa Wendy (Kelly
Reilly), que sai de Paris e vai morar com os dois filhos e o novo namorado em Nova
Iorque. Xavier sente falta dos filhos e vai atrás deles. Em NY, ele acaba
morando de favor com a amiga Isabelle (Cécile de France), lésbica que vive com
a companheira Ju (Sandrine Holt). Isabelle espera um filho concebido por
inseminação artificial com “material” doado pelo próprio Xavier. Para se sustentar,
Xavier vai trabalhar de barman e entregador de encomendas. Ele ainda vai
receber a visita de Martine (Andrey Tauton), uma antiga namorada de Paris, com
seus dois filhos. Não bastasse toda essa situação complicada, Xavier ainda sofre perseguição constante do
pessoal da Imigração, o que vai dar margem a muitas confusões. O desfecho
repete o grande clichê das comédias românticas: protagonista sai correndo para
impedir que o seu amor embarque numa viagem. O filme é uma espécie de
continuação do filme “Albergue Espanhol”, de 2002, do mesmo diretor e com os
mesmos atores. Dentro do gênero, é uma produção acima da média. O que não dá
para entender é um ator tão feio, tão sem graça e sem nenhum charme como Romain Duris (de "A Datilógrafa") fazer o
papel de galã, cercado por tanta mulher bonita.
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