quarta-feira, 11 de junho de 2014
terça-feira, 10 de junho de 2014
Bettie
(Catherine Deneuve) atravessa uma fase difícil em sua vida. Viúva, perto dos 70
anos, ela recebe a notícia de que seu amante, um rico industrial, se separou da
esposa para ficar, não com ela, mas com uma jovem de 25 anos. Além disso, seu
restaurante começa a dar prejuízo. Como se não bastasse tudo isso, sua mãe
Annie (Claude Gensac) pega no seu pé o tempo inteiro. Um dia, Bettie, não
aguentando tanta pressão, pega o carro e sai sem destino pela estrada. Você
pode pensar que lá vem mais um drama francês. Pelo contrário. “Ela
Vai” (“Elle s’em Va”), França, 2012, dirigido por Emmanuelle Bercot, é
um filme bem-humorado e alegre. Bettie vai encarar esse road movie particular como uma viagem para refletir sobre sua vida
e como refazê-la depois de tudo. Bettie vai viver uma aventura, o que inclui juntar-se
a um animado grupo de mulheres de terceira idade num bar, ir para a cama com um
rapaz que poderia ser seu filho e ainda participar de um encontro de ex-misses.
Mas os melhores momentos do filme – e os mais engraçados – acontecem a partir
do reencontro de Bettie com seu neto pré-adolescente, o terrível Charly (Nemo Schiffman),
que ela terá que levar, a pedido de sua filha, para passar uns dias na casa do
avô. Ao final dessa viagem, o astral de Bettie é outro, inclusive motivado por
um amor inesperado. Vale a pena ver a diva Deneuve ainda em grande forma, apesar dos inúmeros cigarros consumidos no filme e na vida particular. Aliás, um dos momentos mais tocantes do filme é quando Bettie espera, aflita para fumar, um velhinho preparar um cigarro de palha. Ele enrola a palha sem nenhuma pressa, alheio à aflição de Bettie, como se tivesse uma vida toda pela frente. Faz a gente pensar, não?segunda-feira, 9 de junho de 2014
“Detalhes” (“Details”),
EUA, 2012, é uma comédia dirigida por Jacob Aaron Estes e que tem no elenco
Tobey Maguire (“Homem Aranha”), Elizabeth Banks, Ray Liotta, Laura Linney e
Kerry Washington. A vida não está nada fácil para o médico ginecologista Jeff
Lang (Maguire). Além de enfrentar uma crise no casamento de 10 anos com Nealy
(Banks), ele é obrigado a conviver com um guaximin que cismou em estragar o
jardim de sua casa. A fase, quando é ruim, parece atrair mais problemas. Quando
Jeff procura sua amiga psicoterapeuta Rebecca (Washington), rola um clima e os
dois acabam indo para a cama. Só que o marido de Rebecca, Peter Mazzoni (Ray
Liotta) acaba descobrindo e a coisa fica feia. É claro que o inferno de Jeff não
vai terminar por aqui. Ele ainda vai se envolver com a vizinha louca, Lila (Linney),
cujas consequências serão trágicas. É uma boa comédia, bem bolada e movimentada, além de reservar duas gratas surpresas: as ótimas interpretações de Elizabeth Banks como a esposa
traída e de Laura Linney, bastante à vontade no papel da biruta Lila. Diversão
garantida!
“Antes do Inverno”
(“Avant L’Hiver”), 2012, é um drama francês escrito e dirigido por Philippe
Claudel. O enredo gira em torno do relacionamento do médico neurocirurgião Paul
(Daniel Auteuil) com sua esposa Lucie (Kristin Scott-Thomas), casados há 30
anos. Num determinado dia, chega à luxuosa casa em que eles moram um buquê de
rosas vermelhas sem nenhuma identificação, nem de quem mandou nem para quem se
destina. O mesmo acontece no consultório que Paulo mantém em sociedade com o
amigo e psiquiatra Gérard (Richard Berry). Em meio às desconfianças tanto de
Paul com relação a Lucie, e desta com relação ao marido, aparece no caminho do
médico a jovem Lou Vallé (Leila Bekhti), que se diz estudante de arte e afirma
ter sido operada de apendicite por Paul quando era criança. O mistério está criado
e dá margem a algumas perguntas: quem é o remetente ou a remetente das rosas?
Para quem elas se destinam? E quem é essa jovem que começa a virar a cabeça de
Paul? Essas dúvidas e as desavenças com a esposa vão tirar o cirurgião do
sério, a ponto de ter que se afastar do trabalho por estresse. O casamento com
Lucie entra em crise e Paul decide dedicar seu tempo a conversas “paternais”
com a jovem Lou. No final do filme, porém, uma reviravolta inesperada, causada
por uma tragédia, esclarecerá todo o mistério. Daniel Auteuil comprova mais uma
vez porque ainda é o principal ator francês e Kristin Scott-Thomas continua
sendo a atriz mais charmosa e classuda do cinema atual. O filme foi exibido por
aqui em abril de 2014 no Festival Varilux do Cinema Francês, em São Paulo. Um
bom drama que merece ser conferido. domingo, 8 de junho de 2014
“Mistérios da Carne” (“Mysterious Skin”), EUA, 2004, dirigido por
Gregg Araki, é um drama bastante perturbador, pois aborda com um realismo pra lá de chocante temas pesados como pedofilia e prostituição juvenil. Incomoda e muito as cenas com crianças, assim como os diálogos cheios de palavrões e linguagem
pornográfica. O sexo chega a ser quase explícito. A história começa em 1981 e gira
em torno de dois meninos que são molestados sexualmente pelo técnico do time de
baseball. Os garotos crescem e levam consigo os traumas dessa experiência tão sórdida.
Um deles, Neil McCormick (Joseph Gordon-Levitt), vira garoto de programa dos
mais vulgares. O outro, Brien (Brady Corbet), tenta lembrar o que aconteceu,
mas não consegue. Seu nariz continua sangrando quando em situações de estresse,
como quando chegou em casa, dez anos antes. Ele acredita que foi sequestrado
por um OVNI. Neil e Brien voltam a se encontrar e, juntos, tentarão descobrir o
que realmente aconteceu e se livrar dessas recordações tão traumáticas. O elenco
conta ainda com Elizabeth Shue, Michelle Trachtenberg e Bill Sage. O filme foi
exibido no Brasil, pela primeira vez, no Festival de Cinema do Rio de Janeiro e
na 29ª Mostra BR de Cinema de São Paulo. Só pra quem tem estômago forte.
Nos
países europeus que invadiram durante a 2ª Guerra Mundial, os alemães saquearam
museus, galerias, igrejas, casas e castelos, roubando milhões de objetos de
arte, inclusive quadros famosos. Quase ao final do conflito, quando os alemães
voltavam derrotados para o seu país, um grupo de sete especialistas em artes,
comandado pelo oficial norte-americano George Stout (George Clooney), foi
formado para resgatar todo esse material, escondido em várias partes da
Alemanha. Eles teriam que cumprir essa missão antes da chegada dos russos. Portanto,
corriam contra o tempo. No final, o grupo conseguiu recuperar mais de 5 milhões
de peças, entre quadros, esculturas e outros objetos de arte. Essa fascinante
história, baseada em fatos reais, é contada no filme “Caçadores
de Obras-Pimas” (“The Monuments Man”),
dirigido e interpretado por George Clooney, que também escreveu o roteiro
adaptado do livro homônimo escrito por Robert M. Edsel. Apesar da seriedade do tema e de mostrar a Europa como uma
zona de guerra arrasada ao final do conflito, Clooney aliviou o clima pesado
acrescentando humor à história, o que, ajudado por uma trilha sonora bem ao
estilo dos filmes de aventura, tornou o filme leve e agradável de assistir. Além de Clooney, estão no elenco
Kate Blanchett, Matt Damon, John Goodman, Jean Dujardin e Bill Murray. sábado, 7 de junho de 2014
Baseado
em fatos reais, o drama húngaro/romeno “Aglaja”, 2012, direção de Kristina Deák, faz uma bela homenagem ao mundo do circo,
de tanta tradição nos países do Leste Europeu, principalmente na Romênia – o famoso
circo Stankowich, por exemplo, foi fundado por romenos. A homenagem fica mais
evidente quando o filme mostra os artistas nos bastidores do circo, uma vida nada fácil, cheia
de sacrifícios, muito treinamento duro e acidentes - muitas vezes trágicos - de percurso. A história,
situada nos anos 70, é narrada in off
por Aglaja, filha de dois artistas de
circo, a trapezista Sabine (Eszter Onodi) e o palhaço Tandarica (Zsolt Bogdán).
O filme acompanha a trajetória do casal
e da filha desde a fuga da Romênia, para escapar da polícia do ditador Nicolae
Ceausescu, até seu périplo por circos em várias capitais europeias. Numa delas,
onde é proibido o trabalho infantil, Aglaja é separada dos pais e encaminhada a
um internato. O filme avança 10 anos e mostra Aglaja, que se tornou uma bela
jovem aos 15 anos de idade, saindo do internato para se encontrar com a mãe, na
época conhecida em toda a Europa pelo número acrobático em que fazia
malabarismos nas alturas içada pelos cabelos. Por causa dessa atração, Sabine ficou
famosa como “A Mulher dos Cabelos de Aço”. Um acidente com Sabine, porém, vai
colocar Aglaja de volta ao picadeiro. As duas atrizes que interpretam Aglaja - Babette
Javor aos 5 anos, e Piroska Moga aos 15 - são excelentes. Mas o maior destaque
é mesmo Eszter Onodi, que faz Sabine. O filme foi exibido aqui no Brasil pela
primeira vez na Mostra “Geração Praça Moscou: O Cinema Húngaro”, em São Paulo,
em junho de 2013. Um filme que merece ser descoberto por quem gosta de cinema
de qualidade.sexta-feira, 6 de junho de 2014
“Elena” é um
drama russo produzido em 2010 e dirigido por Andrey Zvyagintsev (de “O Retorno”).
O enredo gira em torno de Elena (Nadezhda Markina), uma enfermeira aposentada que
vive, há 10 anos – seu segundo casamento - com Vladimir (Andrey Smirnov), um
rico homem de negócios de Moscou. Sergei (Aleksey Rozin) é o filho de Elena, um
preguiçoso que passa o dia sentado no sofá tomando cerveja e vendo TV. Não quer
nada com o trabalho, embora tenha que sustentar mulher e um filho adolescente.
Sergei vive às custas da mãe, que todo mês vai até a periferia de Moscou
entregar o dinheiro de sua aposentadoria ao filho malandro. Por causa dessa
rotina de anos, Elena vive às turras com o marido, que critica a atitude da
mulher dizendo que ela transformou o filho num acomodado e vagabundo. Ela
defende o filho com unhas e dentes, dizendo que ele é vítima da crise econômica.
Vladimir sofre um infarto e, enquanto se recupera, decide escrever seu
testamento. Ele comunica suas intenções a Elena. A filha de Vladimir, Katerina
(Elena Lyadova), será a grande beneficiada. Elena acha que seu filho também
deve ser incluído no testamento. A partir daí, o filme passa a ter um clima de
suspense policial e fica melhor ainda. É impossível não enxergar nas atitudes da
superprotetora Elena uma evidente analogia com a “Mãe Rússia” e seu caráter
assistencialista. “Elena” foi o
grande destaque da 35ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, além de ter
conquistado o Prêmio Especial do Júri na Mostra “Um Certain Regard” no Festival
de Cannes 2011.
quinta-feira, 5 de junho de 2014
“O Homem Duplicado” (“Enemy”),
2013, é um filme canadense baseado em livro do escritor português José
Saramago. Conta a história de Adam Bell (Jake Gyllenhaal), professor
universitário, que um dia descobre, assistindo a um filme, que tem um sósia
perfeito. Pelos créditos, Adam conclui que seu sósia é o ator Anthony St.
Claire (papel também de Gyllenhaal, claro). Aí ele não sossega enquanto não
encontrar o outro pessoalmente. O relacionamento entre os dois vai envolver
ainda a esposa de Adam, Helen (Sarah Gadon), e a namorada de Anthony, Mary
(Mélanie Laurent). Vai dar uma confusão maluca, mas nada de comédia. É tudo
levado muito a sério pelo diretor Denis Velleneuve, dos ótimos “Incêndios” e “Os
Suspeitos”, este último também com Gyllenhaal, que se mostra mais uma vez um
excelente ator. Com muita sutileza nos gestos e expressões, Gyllenhaal faz com
que o espectador consiga identificar, sem muito esforço, quando ele é Adam e
quando ele é Anthony. Isabella Rossellini, numa pequena ponta, faz a mãe de
Adam. O filme foi massacrado pela maioria dos críticos e também não conseguiu
muita simpatia do público, haja vista o resultado fraco das bilheterias. Não é
um filme tão ruim assim, mas também não é tão bom para ser recomendado. Não deixa, porém, de ser um filme interessante, diferente, com um ótimo elenco e uma história, embora surreal, criativa e instigante.
terça-feira, 3 de junho de 2014
Se
você pretende assistir a um filme para relaxar e se divertir, esqueça “O
Homem que Virá” (“L’Uomo che Verrà”), Itália, 2009, direção de Giorgio Diritti. Trata-se
de um drama pra lá de pesado que conta a história do Massacre de Marzabotto,
fato ocorrido em setembro de 1944, no qual soldados da SS nazista executaram cerca
de 800 camponeses da região de Marzabotto, nas colinas de Bolonha, naquele que é considerado um dos maiores crimes de guerra cometidos até hoje. Em termos
cinematográficos, porém, é um filme de altíssima qualidade. Toda a história é
vista e contada sob a ótica de uma menina de 8 anos, Martina (Greta Zuccheri
Montanari), cuja família é numerosa e paupérrima. Cansados da ocupação dos
soldados alemães, o que incluía ceder hospedagem, as mulheres e os já escassos alimentos,
os camponeses formam um grupo de partizans
para combater os nazistas. Depois de algumas baixas, os alemães resolvem partir
para a retaliação, o que envolve a execução em massa - e sem distinção - de crianças,
mulheres, idosos, deficientes, enfim, quem não for alemão. Embora muito bem
feitas, as cenas de execução são chocantes de tão realistas. Mas o filme também
tem algumas cenas comoventes, como aquela em que Lena (Maya Sansa), que está
grávida, toca na barriga de uma imagem da Virgem Maria, também grávida, o que dá a entender que a esperança daquela gente tão sofrida está no "Homem que Virá". segunda-feira, 2 de junho de 2014
“Ilo Ilo”, 2012,
Singapura, primeiro filme do diretor Anthony Chen. É um drama que tem como pano
de fundo a crise asiática no final dos anos 90. O ano é 1997. Teck (Tian
Wenchen) e sua esposa Hwee Leng (Yann Yann Yeo) trabalham fora e passam maus
bocados com o filho Jiale (Koh Jia Ler), um garoto de 10 anos terrível que sempre
apronta alguma no colégio ou em casa. Hwee está grávida e cansada, pois também
cuida dos serviços caseiros. Ela tem o gênio forte e é comum destratar o marido,
além de não ter a mínima paciência para lidar com o filho. Para aliviar Hwee, o casal decide,
então, contratar uma empregada filipina, Teresa (Angeli Bayani). Aos poucos,
Teresa consegue “domar” o menino. Ambos vão criar um laço de amizade que
deixará a mãe de Jiale com ciúmes. Quando parece que a situação vai melhorar,
Teck perde o emprego de vendedor e também o seguinte, de vigilante. A condição
financeira da família fica insustentável e o filme assume uma dramaticidade que
poderá tocar fundo em quem já passou ou passa por situação semelhante. “Ilo Ilo” conquistou o Prêmio “Caméra d’Or”,
destinado a cineastas estreantes, no Festival de Cannes 2013. Também representou
Singapura como candidato a Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2014. Ah, Ilo Ilo
é uma cidade localizada nas Filipinas e onde a babá do diretor nasceu. Ele quis
homenageá-la com o título. Um belo filme que merece ser conferido.
“7 Caixas” (“7
Cajas”), 2012, é um bom filme de ação e suspense, humor e aventura. E, acreditem,
paraguaio. Aliás, o maior sucesso de bilheteria até hoje naquele país. Um feito
e tanto para uma indústria que produziu, até hoje em toda a sua história,
apenas 25 longas de ficção. O filme tem como locação o Mercado 4, um conjunto
de barracas, lojas e boxes que ocupa grande parte do centro de Assunção. Víctor
(Celso Franco) tem 17 anos e trabalha como carregador (carretillero), ajudando os clientes a transportar mercadorias. Um
dia, o funcionário de um açougue o contrata para transportar sete caixas sem
revelar seu conteúdo. Aí começa uma série de confusões que irão colocar em
risco a vida de Víctor, que se vê caçado por bandidos, pela polícia e pelo
pessoal que o contratou para levar as caixas. Aliás, como nas ruas do mercado não
há espaço para carros, o jeito foi criar/improvisar as cenas de perseguição com
os carrinhos utilizados pelos carregadores, uma das bem boladas gozações da dupla
de diretores Juan Carlos Maneglia e Tana Schémbori. O filme é bastante criativo,
mantém um bom ritmo de ação do começo ao fim. Os bandidos são caricatos e atrapalhados.
Nem o desfecho trágico consegue estragar o bom humor do filme. Pode ver que você vai se divertir.
“Rota de Fuga”
(“Escape Plan”), 2013, EUA, dirigido por Mikael Hafstrom, reúne os dois grandes
astros dos filmes de ação de Hollywood, Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger. Os dois “velhinhos”
ainda impõe respeito, além de dar conta de correr, bater e apanhar. A história
é fantasiosa, mas com esses dois astros tudo é permitido. Stallone é Ray
Breslin, que trabalha para uma empresa que vende tecnologia de segurança para
presídios. A função de Breslin é ser preso e depois fugir de penitenciárias de
segurança máxima. Em oito anos, conseguiu escapar de 14. Um gênio da fuga. Um
dia, porém, ele é sequestrado, sedado e levado para uma prisão que ninguém sabe
que existe, uma tal de Prisão Internacional, comandada na base da violência por
Willard Hobbes (Jim Caviezel) e pelos seus guardas – na verdade, mercenários – altamente treinados.
É lá que Breslin conhece Emil Rottmayer (Schwarzenegger). Em meio a socos e
pontapés, torturas, rápidas temporadas em solitárias e algumas piadinhas, os
dois vão se aliar para tentar fugir. O elenco ainda conta com Sam Neil,
Vincente D’Onofrio, Amy Ryan, Vinnie Jones e a belíssima Caitriona Balfe. Para
quem não exige muito e gosta de filmes de ação, o entretenimento é garantido!
domingo, 1 de junho de 2014
“O Segredo – Pecado em Família”
(“Perfect Parents”), de 2006, dirigido por Joe Ahearne, um drama inglês
que mistura suspense, assassinatos e chantagens com temas como religiosidade,
família e educação. Não é entretenimento de fácil absorção. Stuart (Christopher
Ecleston) e sua esposa Alison (Susannah Harker), ateus de carteirinha, querem
colocar a filha Lucy (Madeleine Garrood), de 10 anos, num colégio público católico
dirigido por freiras. Só que precisam cumprir algumas normas exigidas pela
instituição, como, por exemplo, serem católicos praticantes e terem batizado a
filha. Eles conseguem o aval do padre Thomas (David Warner) mediante o
pagamento de propina. Há um intermediário no negócio, Ed (Brendan Coyle), um cidadão
aparentemente correto, mas nas sombras um psicopata e chantagista. As mentiras
do casal serão descobertas graças às denúncias de uma mãe invejosa cuja filha
não foi aceita no colégio católico. Duas pessoas serão assassinadas e outra ainda
será alvo de uma tentativa. No filme, ainda há espaço para muitas discussões de cunho religioso, o
que nos leva a refletir sobre questões como fé, perdão e solidariedade.
sábado, 31 de maio de 2014
“O Grande Assalto 11.6” (“11,6”), França, 2013, conta a história verídica de Toni Musulin, o
francês que em 2009 roubou 11.6 milhões de euros do Banque de France e virou celebridade
nacional. Musulin é interpretado por François Cluzet (da comédia “Intocáveis”),
um dos melhores atores franceses da atualidade. O filme rememora os fatos ocorridos
a partir de um ano antes. Musulin trabalha como motorista de carros-forte numa
empresa de segurança há dez anos. Orgulha-se de nunca ter faltado um dia sequer
por doença ou qualquer outro motivo. Mesmo assim, a empresa tem o costume de
reduzir o seu holerite por minutos atrasados. A gota d’água foi um pedido negado
por seu chefe para folgar um dia porque precisa ir com a esposa a um funeral. Aí
ele resolve se vingar e cometer o assalto, considerado pela mídia europeia como "O Assalto do Século". Dias depois, quando ouve a notícia pela TV de que as
ações da empresa começaram a cair depois do que fez, Musulin não segura um
sorriso de felicidade. Musulin se entrega, conta tudo como aconteceu e indica o
local onde o dinheiro está escondido. Só que o dinheiro encontrado totalizou
9.1 milhões de euros. Ficaram faltando, portanto, 2.5 milhões, que ele nega
saber onde estão. Como não houve violência ou vítimas no roubo, a lei francesa
condenou Musulin a apenas três anos de prisão. O filme termina sem aquele
letreiro que informa a situação atual do prisioneiro. Faltou dizer, por exemplo, que Musulin,
em 2010, teve sua pena prorrogada para mais cinco anos. Ou seja, ele ainda vai
esperar um tempo para gastar os 2.5 milhões. Além de Cluzet, outro destaque do
filme é a ótima atriz Corine Masiero, que faz Marion, sua esposa, numa
interpretação de tirar não apenas o chapéu, mas a roupa inteira. sexta-feira, 30 de maio de 2014

“Teia de Mentiras” (“The Trials of Cate Mccall”), EUA, 2013. Cate Maccall (Kate Beckinsale) é uma promotora
de justiça com muitos problemas. Está afastada do trabalho fazendo tratamento
contra o alcoolismo, perdeu a guarda da filha para o ex-marido e ainda convive com
o trauma de ter condenado um homem que ficou preso durante 11 anos e depois
comprovou sua inocência. Mesmo assim, dão a ela a chance de defender uma
mulher, Lacey Stubs (Anna Anissimova), condenada por assassinato e presa há 5
anos. Cate pega o caso com unhas e dentes, o que vai lhe causar ainda mais
problemas. Para suportar toda essa situação conturbada, Cate conta com a ajuda
do amigo ex-advogado Bridges (Nick Nolte). Em meio ao julgamento de Lacey e a
seus problemas particulares, Cate ainda é perseguida por policiais supostamente
envolvidos no assassinato do qual Lacey é acusada. Algumas reviravoltas no
enredo alimentam o suspense, reavivando a frase clichê “Nem tudo é o que parece
ser”. Kate Beckinsale não é mais tão bonita como quando apareceu em “Pearl Harbour”
(2001) e fez par romântico com Ben Affleck, mas continua muito charmosa e ótima
atriz. O que mais impressiona no filme é o rosto disforme de Nick Nolte,
carregado de um vermelho que pode ser resultado do excesso de álcool ou de alguma
doença dermatológica. O elenco conta ainda com a presença sempre marcante e competente do
ator James Cromwell como o Juiz Sumpter.
quinta-feira, 29 de maio de 2014
“Uma Viagem” (“Izlet”)
é um drama esloveno de 2011 que conta uma história bastante simples, ancorada
em apenas três personagens, Zina (Nina Rakovec), Gregor (Jure Henigman) e
Andrej (Luka Cimpric). Hoje na faixa dos 25 anos de idade, eles são amigos desde
o colégio e todo ano, nas férias de verão, costumam viajar para o litoral. É um
tipo de road movie. Até a meia-hora
final, os três apresentam um comportamento bastante infantil, com piadas sem
graça, brincadeiras idiotas e papos com a profundidade de um pires. Chega a ser
irritante. Parecem três abobalhados que não tiveram infância. O filme fica mais
tolerável quando adquire um tom mais sério, logo após um chilique histérico de
Zina, que revela um segredo envolvendo um fato do passado que traumatizou
Andrej. A partir daí, a convivência entre os amigos vai azedar e colocar um ponto final no passeio. A cena final no aeroporto, quando Zina e Andrej aparecem de surpresa
para se despedir de Gregor, soldado do exército, que vai embarcar para uma missão
no Afeganistão, é muito bonita e tocante, o que não redime o filme de seus defeitos. "Uma Viagem", o primeiro filme dirigido por Nejc Gazvoda, fez sua
estreia no 17º Sarajevo Film Festival e já foi exibido em outros vinte
festivais, sempre com muitos – e, na minha opinião, exagerados - elogios.
Também foi o candidado da Eslovênia ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em
2012. terça-feira, 27 de maio de 2014
“Recomeço” (“All the
wrong Reasons”), 2012, direção de Gia Milani, é um misto de comédia e drama envolvendo
quatro personagens: Kate (Karine Vanasse), seu marido James Ascher (Cory
Monteith), o bombeiro Simon (Kevin Zegers) e Nicole (Emily Hampshire). Todos
eles trabalham numa grande loja de departamentos. Ascher é o gerente, Kate cuida
da segurança pelo circuito interno, Nicole é balconista e Simon o segurança. A
figura central é Kate, que sofre de estresse pós-traumático há anos, pois
presenciou o suicídio da irmã. Ela não permite qualquer contato físico,
inclusive do marido, além de conviver com uma depressão profunda. Depois de aguentar
tanto tempo essa situação, James vai afogar suas mágoas com a maluquete Nicole.
Simon faz bico de segurança na loja depois de se recuperar de um acidente que
lhe arrancou parte do braço esquerdo. Ele quer voltar a ser bombeiro apesar do seu problema físico. Mesmo abalado psicologicamente pela situação de quase
inválido, é Simon quem vai tentar ajudar na recuperação de Kate. O filme,
dedicado ao ator Cory Monteith (o astro da Série Glee), que morreu alguns meses
depois das filmagens, foi exibido no Festival de Toronto/2013 e ganhou muitos
elogios. É um filme interessante.
O
brucutu Jason Statham bota para quebrar novamente em “Linha
de Frente” (“Homefront”), EUA, 2013. Ele
faz o agente Phil Broker, do Departamento de Combate a Narcóticos, que se
infiltra numa gangue de motoqueiros traficantes de drogas. Na hora da prisão da
quadrilha, o filho do chefão Danny T (Chuck Zito) é morto a tiros. Danny T é
preso e jura vingança. Broker se afasta da polícia (não fica claro se entrou em
algum programa de proteção do governo) e vai morar com a filha Maddy (Izabela
Vidovic) na cidade natal da esposa, que morreu um ano antes. Tudo vai às mil
maravilhas até que um incidente na escola envolvendo Maddy e um garoto vai colocar
Cassie (Kate Bosworth), uma viciada em drogas, no caminho de Broker. Ela pede
ao irmão traficante Gator (James Franco) para ajudá-la a se vingar de Broker.
Gator descobre a identidade verdadeira do ex-agente e avisa Danny T, que da
penitenciária onde está preso contrata um grupo de delinquentes para matar
Broker. Será que o nosso herói vai escapar dessa? Pra quem gosta de filmes de
ação, com muita pancadaria e tiros, “Linha de Frente” é um ótimo acompanhamento para um sacão de pipoca. E como é bom ver um
sujeito honesto bater em tanto bandido. A cena final, quando Broker visita Danny
T na prisão, é hilariante. E gratificante. domingo, 25 de maio de 2014
Baseado
no romance escrito por Denis Diderot no século XVIII, o drama “A
Religiosa” (“Le Religieuse”) tem no
elenco feminino o seu maior trunfo: Isabelle Huppert, Louise Bourgoin, Françoise
Lebrun, a alemã Martina Gedek e a revelação belga Pauline Étienne, entre
outras. Em 1760, a jovem Suzanne Simonin (Étienne) é enviada a um convento como
um teste para sua possível vocação religiosa. No período em que fica enclausurada,
mesmo com a atenção carinhosa da madre superiora (Lebrun), Suzanne percebe que
não está preparada para assumir o compromisso. Ela então desiste, mas seus pais
não. Eles a enviam para outro convento, desta vez comandado por uma madre
superiora autoritária e insensível, Irmã Christine (Bourgoin), que vai fazer Suzanne
passar maus bocados. Mais tarde, Suzanne
ainda será enviada a um terceiro convento, cuja madre superiora (Isabelle
Huppert) lhe dedica uma atenção “muito especial”. Em meio a essa trajetória de
idas e vindas, Suzanne ainda descobrirá um segredo familiar que, no desfecho,
determinará o seu futuro. O filme é dirigido por Guilleume Nicloux, que também é
o autor do roteiro. Um filme sério, muito interessante por revelar e discutir aspectos
da religiosidade da época e abordar a questão da vocação. Cinema da mais alta
qualidade.
“O Médico” (“The
Physician”), 2013, direção do alemão Philipp Stölzl, é uma super co-produção Alemanha/EUA
baseada no livro de Noah Gordon. Numa gafe de tradução, o filme chegou aqui
como “O Físico”, assim como o livro (em inglês, físico é “physicist”). Para
evitar qualquer dúvida, escolhi para ilustrar o cartaz em alemão (“Der Medicus”).
No início da Idade Média, Rob Cole (Tom Pyne), tem o sonho de ser médico. Esse
desejo tem muito a ver com a morte de sua mãe, cuja doença ninguém conseguiu
curar. Cole a viu morrer sem poder fazer nada. Quando ouve falar de um famoso centro
de estudos na Pérsia (atual Irã), onde ensinava um professor/filósofo/cientista
Ibn Sina (Ben Kingsley) que, segundo se dizia na época, curava qualquer doença,
Cole inicia uma verdadeira jornada épica para concretizar seu sonho. Ele se
aventura numa longa viagem repleta de perigos e privações, mas é quando conhece
seu grande amor, a jovem Rebecca (Emma Rigby). Quando finalmente ingressa no
instituto, Cole cai nas graças de Ibn Sina e logo se tornará um de seus mais
destacados alunos, principalmente depois que descobre a fórmula para erradicar
a peste negra que assola a cidade. Cole será bajulado até pelo Schahn Ala
Ad-Daula, a autoridade maior do Irã. Assim como as históricas e violentas rusgas
envolvendo cristãos, muçulmanos e judeus, o filme também aborda como a influência
da religião prejudicava, na época, a evolução dos estudos científicos,
incluindo, principalmente, a medicina. Duas horas e meia de puro entretenimento.
Filmão!
Embora
os materiais de divulgação coloquem em maior destaque os atores Tim Roth e
Cillian Murphy, é a menina Eloise Laurence, em sua estreia no cinema, quem vive
o principal personagem no drama inglês “Broken”, 2011, dirigido por Rufus Norris. Ela é Skunk, uma garota de 11 anos que mora
com o irmão um pouco mais velho e o pai Archie (Tim Roth), cuja esposa o
abandonou por outro homem. Eles vivem num bairro classe média ao norte de
Londres. O filme acompanha os acontecimentos da casa e os que envolvem os
vizinhos. Um deles é um casal já mais velho que convive com os problemas
mentais do filho Rick (Robert Emms). Na casa em frente, um pai, Oswald (Rory
Kinnear), tenta controlar as três filhas adolescentes rebeldes e desajustadas. Skunk
e o irmão têm uma governanta, Kasia (Jana Marjanovic), que namora o jovem
professor Mike (Cillian Murphy). De uma ou de outra forma, essas famílias e
todos esses personagens se envolverão em algum momento da narrativa, tendo Skunk como
participante ou espectadora de todos os fatos. O ótimo desempenho de Eloise
Laurence, em sua estreia no cinema, pode ser o prenúncio de que está nascendo
uma atriz de grande futuro. A maneira diferente - e criativa - de filmar do diretor Rufus Norris, acrescida de diálogos inteligentes e um time de bons atores, faz de “Broken” um filme bastante interessante. O júri do Festival de Zurique/2012 também gostou, tanto que o elegeu como o Melhor Filme.
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