segunda-feira, 2 de junho de 2014

“Ilo Ilo”, 2012, Singapura, primeiro filme do diretor Anthony Chen. É um drama que tem como pano de fundo a crise asiática no final dos anos 90. O ano é 1997. Teck (Tian Wenchen) e sua esposa Hwee Leng (Yann Yann Yeo) trabalham fora e passam maus bocados com o filho Jiale (Koh Jia Ler), um garoto de 10 anos terrível que sempre apronta alguma no colégio ou em casa. Hwee está grávida e cansada, pois também cuida dos serviços caseiros. Ela tem o gênio forte e é comum destratar o marido, além de não ter a mínima paciência para lidar com o filho. Para aliviar Hwee, o casal decide, então, contratar uma empregada filipina, Teresa (Angeli Bayani). Aos poucos, Teresa consegue “domar” o menino. Ambos vão criar um laço de amizade que deixará a mãe de Jiale com ciúmes. Quando parece que a situação vai melhorar, Teck perde o emprego de vendedor e também o seguinte, de vigilante. A condição financeira da família fica insustentável e o filme assume uma dramaticidade que poderá tocar fundo em quem já passou ou passa por situação semelhante. “Ilo Ilo” conquistou o Prêmio “Caméra d’Or”, destinado a cineastas estreantes, no Festival de Cannes 2013. Também representou Singapura como candidato a Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2014. Ah, Ilo Ilo é uma cidade localizada nas Filipinas e onde a babá do diretor nasceu. Ele quis homenageá-la com o título. Um belo filme que merece ser conferido.      

 
“7 Caixas” (“7 Cajas”), 2012, é um bom filme de ação e suspense, humor e aventura. E, acreditem, paraguaio. Aliás, o maior sucesso de bilheteria até hoje naquele país. Um feito e tanto para uma indústria que produziu, até hoje em toda a sua história, apenas 25 longas de ficção. O filme tem como locação o Mercado 4, um conjunto de barracas, lojas e boxes que ocupa grande parte do centro de Assunção. Víctor (Celso Franco) tem 17 anos e trabalha como carregador (carretillero), ajudando os clientes a transportar mercadorias. Um dia, o funcionário de um açougue o contrata para transportar sete caixas sem revelar seu conteúdo. Aí começa uma série de confusões que irão colocar em risco a vida de Víctor, que se vê caçado por bandidos, pela polícia e pelo pessoal que o contratou para levar as caixas. Aliás, como nas ruas do mercado não há espaço para carros, o jeito foi criar/improvisar as cenas de perseguição com os carrinhos utilizados pelos carregadores, uma das bem boladas gozações da dupla de diretores Juan Carlos Maneglia e Tana Schémbori. O filme é bastante criativo, mantém um bom ritmo de ação do começo ao fim. Os bandidos são caricatos e atrapalhados. Nem o desfecho trágico consegue estragar o bom humor do filme. Pode ver que você vai se divertir.              

“Rota de Fuga” (“Escape Plan”), 2013, EUA, dirigido por Mikael Hafstrom, reúne os dois grandes astros dos filmes de ação de Hollywood, Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger. Os dois “velhinhos” ainda impõe respeito, além de dar conta de correr, bater e apanhar. A história é fantasiosa, mas com esses dois astros tudo é permitido. Stallone é Ray Breslin, que trabalha para uma empresa que vende tecnologia de segurança para presídios. A função de Breslin é ser preso e depois fugir de penitenciárias de segurança máxima. Em oito anos, conseguiu escapar de 14. Um gênio da fuga. Um dia, porém, ele é sequestrado, sedado e levado para uma prisão que ninguém sabe que existe, uma tal de Prisão Internacional, comandada na base da violência por Willard Hobbes (Jim Caviezel) e pelos seus guardas – na verdade, mercenários – altamente treinados. É lá que Breslin conhece Emil Rottmayer (Schwarzenegger). Em meio a socos e pontapés, torturas, rápidas temporadas em solitárias e algumas piadinhas, os dois vão se aliar para tentar fugir. O elenco ainda conta com Sam Neil, Vincente D’Onofrio, Amy Ryan, Vinnie Jones e a belíssima Caitriona Balfe. Para quem não exige muito e gosta de filmes de ação, o entretenimento é garantido!   

domingo, 1 de junho de 2014

“O Segredo – Pecado em Família” (“Perfect Parents”), de 2006, dirigido por Joe Ahearne, um drama inglês que mistura suspense, assassinatos e chantagens com temas como religiosidade, família e educação. Não é entretenimento de fácil absorção. Stuart (Christopher Ecleston) e sua esposa Alison (Susannah Harker), ateus de carteirinha, querem colocar a filha Lucy (Madeleine Garrood), de 10 anos, num colégio público católico dirigido por freiras. Só que precisam cumprir algumas normas exigidas pela instituição, como, por exemplo, serem católicos praticantes e terem batizado a filha. Eles conseguem o aval do padre Thomas (David Warner) mediante o pagamento de propina. Há um intermediário no negócio, Ed (Brendan Coyle), um cidadão aparentemente correto, mas nas sombras um psicopata e chantagista. As mentiras do casal serão descobertas graças às denúncias de uma mãe invejosa cuja filha não foi aceita no colégio católico. Duas pessoas serão assassinadas e outra ainda será alvo de uma tentativa. No filme, ainda há espaço para muitas discussões de cunho religioso, o que nos leva a refletir sobre questões como fé, perdão e solidariedade.      

sábado, 31 de maio de 2014

“O Grande Assalto 11.6” (“11,6”), França, 2013, conta a história verídica de Toni Musulin, o francês que em 2009 roubou 11.6 milhões de euros do Banque de France e virou celebridade nacional. Musulin é interpretado por François Cluzet (da comédia “Intocáveis”), um dos melhores atores franceses da atualidade. O filme rememora os fatos ocorridos a partir de um ano antes. Musulin trabalha como motorista de carros-forte numa empresa de segurança há dez anos. Orgulha-se de nunca ter faltado um dia sequer por doença ou qualquer outro motivo. Mesmo assim, a empresa tem o costume de reduzir o seu holerite por minutos atrasados. A gota d’água foi um pedido negado por seu chefe para folgar um dia porque precisa ir com a esposa a um funeral. Aí ele resolve se vingar e cometer o assalto, considerado pela mídia europeia como "O Assalto do Século". Dias depois, quando ouve a notícia pela TV de que as ações da empresa começaram a cair depois do que fez, Musulin não segura um sorriso de felicidade. Musulin se entrega, conta tudo como aconteceu e indica o local onde o dinheiro está escondido. Só que o dinheiro encontrado totalizou 9.1 milhões de euros. Ficaram faltando, portanto, 2.5 milhões, que ele nega saber onde estão. Como não houve violência ou vítimas no roubo, a lei francesa condenou Musulin a apenas três anos de prisão. O filme termina sem aquele letreiro que informa a situação atual do prisioneiro. Faltou dizer, por exemplo, que Musulin, em 2010, teve sua pena prorrogada para mais cinco anos. Ou seja, ele ainda vai esperar um tempo para gastar os 2.5 milhões. Além de Cluzet, outro destaque do filme é a ótima atriz Corine Masiero, que faz Marion, sua esposa, numa interpretação de tirar não apenas o chapéu, mas a roupa inteira.    

sexta-feira, 30 de maio de 2014


“Teia de Mentiras” (“The Trials of Cate Mccall”), EUA, 2013. Cate Maccall (Kate Beckinsale) é uma promotora de justiça com muitos problemas. Está afastada do trabalho fazendo tratamento contra o alcoolismo, perdeu a guarda da filha para o ex-marido e ainda convive com o trauma de ter condenado um homem que ficou preso durante 11 anos e depois comprovou sua inocência. Mesmo assim, dão a ela a chance de defender uma mulher, Lacey Stubs (Anna Anissimova), condenada por assassinato e presa há 5 anos. Cate pega o caso com unhas e dentes, o que vai lhe causar ainda mais problemas. Para suportar toda essa situação conturbada, Cate conta com a ajuda do amigo ex-advogado Bridges (Nick Nolte). Em meio ao julgamento de Lacey e a seus problemas particulares, Cate ainda é perseguida por policiais supostamente envolvidos no assassinato do qual Lacey é acusada. Algumas reviravoltas no enredo alimentam o suspense, reavivando a frase clichê “Nem tudo é o que parece ser”. Kate Beckinsale não é mais tão bonita como quando apareceu em “Pearl Harbour” (2001) e fez par romântico com Ben Affleck, mas continua muito charmosa e ótima atriz. O que mais impressiona no filme é o rosto disforme de Nick Nolte, carregado de um vermelho que pode ser resultado do excesso de álcool ou de alguma doença dermatológica. O elenco conta ainda com a presença sempre marcante e competente do ator James Cromwell como o Juiz Sumpter.   

quinta-feira, 29 de maio de 2014

“Uma Viagem” (“Izlet”) é um drama esloveno de 2011 que conta uma história bastante simples, ancorada em apenas três personagens, Zina (Nina Rakovec), Gregor (Jure Henigman) e Andrej (Luka Cimpric). Hoje na faixa dos 25 anos de idade, eles são amigos desde o colégio e todo ano, nas férias de verão, costumam viajar para o litoral. É um tipo de road movie. Até a meia-hora final, os três apresentam um comportamento bastante infantil, com piadas sem graça, brincadeiras idiotas e papos com a profundidade de um pires. Chega a ser irritante. Parecem três abobalhados que não tiveram infância. O filme fica mais tolerável quando adquire um tom mais sério, logo após um chilique histérico de Zina, que revela um segredo envolvendo um fato do passado que traumatizou Andrej. A partir daí, a convivência entre os amigos vai azedar e colocar um ponto final no passeio. A cena final no aeroporto, quando Zina e Andrej aparecem de surpresa para se despedir de Gregor, soldado do exército, que vai embarcar para uma missão no Afeganistão, é muito bonita e tocante, o que não redime o filme de seus defeitos. "Uma Viagem", o primeiro filme dirigido por Nejc Gazvoda, fez sua estreia no 17º Sarajevo Film Festival e já foi exibido em outros vinte festivais, sempre com muitos – e, na minha opinião, exagerados - elogios. Também foi o candidado da Eslovênia ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2012.      

terça-feira, 27 de maio de 2014

“Recomeço” (“All the wrong Reasons”), 2012, direção de Gia Milani, é um misto de comédia e drama envolvendo quatro personagens: Kate (Karine Vanasse), seu marido James Ascher (Cory Monteith), o bombeiro Simon (Kevin Zegers) e Nicole (Emily Hampshire). Todos eles trabalham numa grande loja de departamentos. Ascher é o gerente, Kate cuida da segurança pelo circuito interno, Nicole é balconista e Simon o segurança. A figura central é Kate, que sofre de estresse pós-traumático há anos, pois presenciou o suicídio da irmã. Ela não permite qualquer contato físico, inclusive do marido, além de conviver com uma depressão profunda. Depois de aguentar tanto tempo essa situação, James vai afogar suas mágoas com a maluquete Nicole. Simon faz bico de segurança na loja depois de se recuperar de um acidente que lhe arrancou parte do braço esquerdo. Ele quer voltar a ser bombeiro apesar do seu problema físico. Mesmo abalado psicologicamente pela situação de quase inválido, é Simon quem vai tentar ajudar na recuperação de Kate. O filme, dedicado ao ator Cory Monteith (o astro da Série Glee), que morreu alguns meses depois das filmagens, foi exibido no Festival de Toronto/2013 e ganhou muitos elogios. É um filme interessante. 
O brucutu Jason Statham bota para quebrar novamente em “Linha de Frente” (“Homefront”), EUA, 2013. Ele faz o agente Phil Broker, do Departamento de Combate a Narcóticos, que se infiltra numa gangue de motoqueiros traficantes de drogas. Na hora da prisão da quadrilha, o filho do chefão Danny T (Chuck Zito) é morto a tiros. Danny T é preso e jura vingança. Broker se afasta da polícia (não fica claro se entrou em algum programa de proteção do governo) e vai morar com a filha Maddy (Izabela Vidovic) na cidade natal da esposa, que morreu um ano antes. Tudo vai às mil maravilhas até que um incidente na escola envolvendo Maddy e um garoto vai colocar Cassie (Kate Bosworth), uma viciada em drogas, no caminho de Broker. Ela pede ao irmão traficante Gator (James Franco) para ajudá-la a se vingar de Broker. Gator descobre a identidade verdadeira do ex-agente e avisa Danny T, que da penitenciária onde está preso contrata um grupo de delinquentes para matar Broker. Será que o nosso herói vai escapar dessa? Pra quem gosta de filmes de ação, com muita pancadaria e tiros, “Linha de Frente” é um ótimo acompanhamento para um sacão de pipoca. E como é bom ver um sujeito honesto bater em tanto bandido.  A cena final, quando Broker visita Danny T na prisão, é hilariante. E gratificante.  

domingo, 25 de maio de 2014

Baseado no romance escrito por Denis Diderot no século XVIII, o drama “A Religiosa” (“Le Religieuse”) tem no elenco feminino o seu maior trunfo: Isabelle Huppert, Louise Bourgoin, Françoise Lebrun, a alemã Martina Gedek e a revelação belga Pauline Étienne, entre outras. Em 1760, a jovem Suzanne Simonin (Étienne) é enviada a um convento como um teste para sua possível vocação religiosa. No período em que fica enclausurada, mesmo com a atenção carinhosa da madre superiora (Lebrun), Suzanne percebe que não está preparada para assumir o compromisso. Ela então desiste, mas seus pais não. Eles a enviam para outro convento, desta vez comandado por uma madre superiora autoritária e insensível, Irmã Christine (Bourgoin), que vai fazer Suzanne passar maus bocados.  Mais tarde, Suzanne ainda será enviada a um terceiro convento, cuja madre superiora (Isabelle Huppert) lhe dedica uma atenção “muito especial”. Em meio a essa trajetória de idas e vindas, Suzanne ainda descobrirá um segredo familiar que, no desfecho, determinará o seu futuro. O filme é dirigido por Guilleume Nicloux, que também é o autor do roteiro. Um filme sério, muito interessante por revelar e discutir aspectos da religiosidade da época e abordar a questão da vocação. Cinema da mais alta qualidade. 
“O Médico” (“The Physician”), 2013, direção do alemão Philipp Stölzl, é uma super co-produção Alemanha/EUA baseada no livro de Noah Gordon. Numa gafe de tradução, o filme chegou aqui como “O Físico”, assim como o livro (em inglês, físico é “physicist”). Para evitar qualquer dúvida, escolhi para ilustrar o cartaz em alemão (“Der Medicus”). No início da Idade Média, Rob Cole (Tom Pyne), tem o sonho de ser médico. Esse desejo tem muito a ver com a morte de sua mãe, cuja doença ninguém conseguiu curar. Cole a viu morrer sem poder fazer nada. Quando ouve falar de um famoso centro de estudos na Pérsia (atual Irã), onde ensinava um professor/filósofo/cientista Ibn Sina (Ben Kingsley) que, segundo se dizia na época, curava qualquer doença, Cole inicia uma verdadeira jornada épica para concretizar seu sonho. Ele se aventura numa longa viagem repleta de perigos e privações, mas é quando conhece seu grande amor, a jovem Rebecca (Emma Rigby). Quando finalmente ingressa no instituto, Cole cai nas graças de Ibn Sina e logo se tornará um de seus mais destacados alunos, principalmente depois que descobre a fórmula para erradicar a peste negra que assola a cidade. Cole será bajulado até pelo Schahn Ala Ad-Daula, a autoridade maior do Irã. Assim como as históricas e violentas rusgas envolvendo cristãos, muçulmanos e judeus, o filme também aborda como a influência da religião prejudicava, na época, a evolução dos estudos científicos, incluindo, principalmente, a medicina. Duas horas e meia de puro entretenimento. Filmão!     
Embora os materiais de divulgação coloquem em maior destaque os atores Tim Roth e Cillian Murphy, é a menina Eloise Laurence, em sua estreia no cinema, quem vive o principal personagem no drama inglês “Broken”, 2011, dirigido por Rufus Norris. Ela é Skunk, uma garota de 11 anos que mora com o irmão um pouco mais velho e o pai Archie (Tim Roth), cuja esposa o abandonou por outro homem. Eles vivem num bairro classe média ao norte de Londres. O filme acompanha os acontecimentos da casa e os que envolvem os vizinhos. Um deles é um casal já mais velho que convive com os problemas mentais do filho Rick (Robert Emms). Na casa em frente, um pai, Oswald (Rory Kinnear), tenta controlar as três filhas adolescentes rebeldes e desajustadas. Skunk e o irmão têm uma governanta, Kasia (Jana Marjanovic), que namora o jovem professor Mike (Cillian Murphy). De uma ou de outra forma, essas famílias e todos esses personagens se envolverão em algum momento da narrativa, tendo Skunk como participante ou espectadora de todos os fatos. O ótimo desempenho de Eloise Laurence, em sua estreia no cinema, pode ser o prenúncio de que está nascendo uma atriz de grande futuro. A maneira diferente - e criativa - de filmar do diretor Rufus Norris, acrescida de diálogos inteligentes e um time de bons atores, faz de “Broken” um filme bastante interessante.  O júri do Festival de Zurique/2012 também gostou, tanto que o elegeu como o Melhor Filme. 

sábado, 24 de maio de 2014

No drama “Faro”, 2012, co-produção Suécia/Finlândia, direção de Fredrik Edfeldt,  um homem (Jakob Cedergren) é procurado pela polícia acusado de ter cometido um assassinato. Ele vive com a filha adolescente, Hella (Clara Chistiansson), numa casa isolada. Quando a polícia chega para prendê-lo, ele consegue fugir e leva a filha junto. Durante a fuga, ele conta a Hella que pretende chegar à cidade de Faro, em Portugal (daí o nome do filme), a qual conheceu durante uma de suas viagens num antigo emprego. O carro em que estão os fugitivos, porém, é visto numa estrada e a polícia inicia uma perseguição. O homem (o personagem não tem nome), chamado de Pappan pela filha, livra-se do carro e resolve embrenhar-se numa floresta. Pai e filha viverão meses escondidos num ambiente bastante selvagem e, durante esse tempo, terão a oportunidade de se conhecer melhor. Dá até para desconfiar, em determinados momentos, que há uma relação incestuosa latente. Em meio a tudo isso, a menina ainda vai encontrar uma casa habitada por uma senhora esquisita e o pai vai invadir uma casa, sentar e escutar música clássica. Como já é possível antever durante sua exibição, a aventura de pai e filha não acabará muito bem. "Faro" não é um filme muito comum, mas não tão ruim quanto parece nem tão bom quanto pretende ser. É ver para crer. Com uma recepção elogiosa, o filme estreou em janeiro de 2013 no Festival de Gotemburgo, o maior evento cinematográfico dos países nórdicos.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

“Operação Sombra” (“Jack Ryan: Shadow Recruit”), 2013, é um ótimo filme de ação que traz de volta ao cinema o agente da CIA Jack Ryan, personagem criado pelo escritor Tom Clancy. Desta vez, o herói é interpretado pelo ator Chris Pine. Nos outros quatro filmes, foi vivido por Alec Baldwin, Harrison Ford (duas vezes) e Ben Affleck. Apesar da cara de bebê chorão, Pine faz um Jack Ryan à altura dos seus antecessores. A história começa em 2001, quando Ryan está estudando em Londres e vê pela TV os ataques às torres gêmeas do World Trade Center. Para ajudar seu país a enfrentar o terrorismo, Ryan ingressa no Exército dos EUA. Enviado ao Afeganistão, é ferido durante o ataque ao helicóptero em que estava em missão. Mesmo muito machucado, ele salva dois companheiros e vira herói. No hospital, conhece a Dra. Cathy (Keira Knightley), com quem casa alguns anos mais tarde. Também no hospital ele será recrutado para a CIA por Thomas Harper (Kevin Costner). Para investigar as contas bancárias de possíveis financiadores da causa terrorista contra os EUA, Ryan ingressa como analista numa empresa de Wall Street e acaba descobrindo um plano para provocar um caos na economia norte-americana. Um poderoso empresário russo está por trás desse plano: Viktor Cheverin (Kenneth Branagh, que também é o diretor do filme). Ryan vai para Moscou e, a partir de sua chegada, a ação não para mais. Entretenimento de sobra, daqueles que você não sente o tempo passar. Um filmaço!           

 

quinta-feira, 22 de maio de 2014

“Solo”, 2013, é um suspense/terror psicológico canadense dirigido por Isaac Cravit. Conta a história da joven Gillian (Annie Clark), que se inscreve para trabalhar como   orientadora num acampamento de verão no meio de uma floresta. Ao chegar, como teste para sua contratação, ela deve passar pelo teste “Solo” (daí o nome do filme), ou seja, ficar dois dias isolada numa ilha próxima, que dizem ser habitada por um fantasma. Devidamente instalada na tal ilha, ela recebe a visita de um homem estranho, que se oferece para ajudá-la. Na verdade, como Gillian descobrirá mais tarde, o homem nada mais é do que um psicopata assassino. Embora capaz de dar alguns sustos, o filme é bastante medíocre, digno para figurar naquela lista que fazem de "O Pior do Ano". Os atores, então, são muito ruins, principalmente o vilão da história, cujo desempenho chega a ser constrangedor. Um filme para passar, literalmente, bem longe.       

 

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Com raríssimas exceções, como por exemplo “Caçada ao Outubro Vermelho”, filmes com submarinos são geralmente muito chatos. Pior, claustrofóbicos e escuros, com um monte de homens andando agachados pra lá e pra cá. “Phantom – A Última Missão” (“Phantom”), EUA, 2013, dirigido por Todd Robinson, não foge a essa regra. A história é baseada em fatos reais ocorridos em 1968, em plena Guerra Fria. O capitão Dmitri Zubov (Ed Harris) recebe ordens de comandar um submarino nuclear russo numa missão secreta. Muito a contragosto, Dmitri é obrigado a aceitar como membros da tripulação dois agentes da KGB, um deles Bruni (David Duchovny). Somente durante a viagem é que Dmitri é informado que a missão envolve o lançamento de um míssel nuclear contra os EUA. Com a recusa de Dmitri, Bruni assume à força o comando do submarino, prendendo o capitão, seus oficiais e parte da tripulação. Daí para a frente, o suspense só aumenta. Será que Bruni conseguirá lançar o míssel? Como Dmitri e seus homens farão para evitar essa aventura maluca? Como todos nós sabemos, não caiu nenhum míssel nuclear nos EUA em 1968. O que torna o filme ainda mais chato é que, de 10 frases pronunciadas pelos protagonistas, 9 referem-se a termos técnicos para nós indecifráveis. Um exercício de paciência elevado a dois. Como vilão, David Duchovny revela-se um verdadeiro canastrão: não muda a expressão do começo ao fim. Para o espectador, na verdade, o grande suspense fica restrito à seguinte pergunta: “Quando surgirá o The End? 
Tal qual seu diretor, o francês Jean-Claude Brisseau, o filme “A Garota de Lugar Nenhum” (“La Fille de Nulle Part”), 2012, é bastante excêntrico. O roteiro mistura diálogos de alta erudição, envolvendo assuntos como filosofia, política, arte e religião, com aparições de fantasmas, visões surreais e sessões mediúnicas. O professor de matemática aposentado Michel Deviliers (interpretado pelo próprio diretor) ouve um barulho do lado de fora do seu apartamento e vai verificar o que está acontecendo. Ele vê uma moça sendo agredida e a socorre. Deviliers cuida dos seus ferimentos e a convida para ficar em seu apartamento até que os ferimentos estejam curados. Solitário e viúvo há mais de 20 anos, o professor vê na garota, Dora (Virginie Legeay), uma companhia interessante para conversar e até opinar sobre o livro que está escrevendo. Mas a presença de Dora começa a despertar fantasmas e forças sobrenaturais. Deviliers, inclusive, passa a acreditar que Dora pode ser a reencarnação de sua esposa, falecida há mais de 20 anos. As filmagens aconteceram no próprio apartamento onde o diretor mora, em Paris. É o primeiro filme de Virginie Legeay como atriz (ela atuou como assistente em outros filmes do diretor). Segundo Brisseau, a ideia do filme surgiu porque estava nostálgico pelos filmes da Nouvelle Vague feitos na década de 60. O filme ganhou o Leopardo de Ouro no Festival de Lucarno/2012.    

terça-feira, 20 de maio de 2014

 “Uma Viagem Extraordinária” (“L’Extravagant Voyage du Jeune et Prodigieux T.S. Spivet”), 2013, é mais uma criação de Jean-Pierre Jeunet, o mesmo diretor de “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”. Desta vez, Jeunet foi aos EUA realizar o filme, que conta a história de T.S. Spivet (Kyle Catlett), um garoto de 10 anos superdotado que mora num rancho isolado de Montana. O pai (Callum Keith Rennie) não lhe dá a mínima. A mãe (Helena Bonham Carter) está mais preocupada com suas experiências com insetos. Sem ninguém saber, Spivet se inscreve no concurso promovido pela Universidade Smithsonian, de Washington, destinado a premiar o cientista que inventar a máquina do movimento perpétuo. Na ficha de inscrição, Spivet utiliza seu nome mas fornece os dados do pai. Dessa forma, não sabem que ele é apenas um garoto. Ele ganha o prêmio e, sem avisar os pais, inicia uma viagem cheia de aventuras até Washington para receber seu “Baird Award” num grande jantar de gala. Como é do seu estilo, Jeunet utiliza efeitos especiais de animação em várias cenas, o que contribui para dar um toque de fantasia ao filme e comprovar que o diretor francês é um dos mais criativos do cinema atual. Além de Kyle e Bonham Carter, destaque especial para a atriz Judy Davis, que está ótima como a hilariante G.H. Jibsen, responsável pela realização da premiação. Embora o personagem principal seja um garoto de 10 anos de idade, o público adulto também vai se deleitar com essa deliciosa e divertida aventura. O filme foi exibido como a grande atração do Festival Varilux de Cinema Francês/2014 realizado em São Paulo. 
"Nas Mãos da Justiça" (“Présumé Coupaple”) 2011, é um drama francês que relata o caso “Outreau”, que ficou marcado como um dos maiores escândalos judiciais da França. Em 2001, no subúrbio de Outreau (Boulogne-Sur-Mer), Alain Marécaux, sua esposa Edith e mais 12 pessoas foram denunciados por estupro e pedofilia pelos filhos e pais de dois casais. O inquérito ficou nas mãos do juiz Fabrice Burgaud (Raphaël Ferret), que desde o início ignorou as evidências de defesa dos réus e conduziu os interrogatórios de forma arbitrária e arrogante. No filme, o diretor Vincent Garenq foca o martírio vivido pelos acusados apenas em Alain Marécaux (Philippe Torreton, ótimo). Mesmo com os inúmeros recursos impetrados pelo advogado Hubert (Wladimir Yordanoff) e sem um julgamento, Marécaux fica preso por quatro anos, durante os quais sofrerá um declínio físico e psicológico que o levará a várias tentativas de suicídio e a uma greve de fome. O espectador vai acompanhar essa trajetória angustiante durante todo o filme. Nem mesmo o desfecho positivo para os acusados fará diminuir o clima tenso que acompanha todo o filme, que recebeu o Prêmio do Cinema Europeu do Festival de Veneza de 2011. Impossível ficar indiferente a esse ótimo drama francês.  

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Um Brilho de Arco-Íris (“A Shine of Rainbows”), 2009, co-produção Canadá/Irlanda, é um drama baseado no livro do mesmo nome escrito pela inglesa Lillian Beckwith. É dirigido pelo diretor indiano Vic Sarin (“Entre Dois Mundos”), radicado no Canadá. O filme conta a história do garoto Tomás (John Bell), de 8 anos, que no orfanato, por causa de sua gagueira e do seu jeito tímido, é maltratado pelos outros internos. Até que um dia surge em sua vida Maire (a bela atriz dinamarquesa Connie Nielsen), que o adota e leva para morar na cidade de Corrie, na Ilha de Arran (litoral da Escócia), onde vive com o marido Alec (Aidan Quinn). Maire é uma mulher fantástica, alto astral, carinhosa e divertida, que logo cativa o menino, que passa a chamá-la de mãe. Alec, porém, fica enciumado com a atenção que Maire dedica a Tomás e não o aceita como filho e nem mesmo como integrante da casa. Mesmo assim, Tomás admite que nunca foi tão feliz, principalmente por ter uma “mãe” tão afetuosa. Ao mesmo tempo, ele cuida de um filhote de foca abandonado na areia da praia. Infelizmente para Tomás, todo esse mar de rosas não vai durar muito. O menino vai ter que amadurecer muito para enfrentar a nova situação. Embora possua os ingredientes para uma sessão da tarde infantil, o filme tem tudo para agradar o público adulto. Quem for muito sensível deve colocar no braço da poltrona uma caixa de lenços, pois vai precisar usar alguns em determinados momentos. Além disso, os cenários da ilha são deslumbrantes.      

domingo, 18 de maio de 2014

O detetive John Washington (Mark Strong) é designado para investigar o caso de uma jovem de 16 anos bastante problemática, Anna (Taissa Farmiga). Suspeita-se que ela seja uma sociopata perigosa e manipuladora. Washington é especialista em ingressar na mente das pessoas e revelar suas memórias. Assim começa o suspense “Mindscape”, EUA, 2013, dirigido pelo espanhol Jorge Dorado. Washington começa as sessões com Anna e vê, nas memórias da menina, uma série de acontecimentos que o levam a crer que os culpados são o padrasto da moça, um de seus professores e até o próprio chefe de Washington, Sebastian (Brian Cox). Graças a todos esses indícios obtidos durante as sessões e a uma certa aproximação afetiva, Washington defende a inocência de Maria e impede que ela seja internada, novamente, numa instituição psiquiátrica, como é o desejo do seu padrasto. Como é típico num bom suspense, haverá uma interessante reviravolta no desfecho. A cena final, porém, ficou devendo uma explicação mais razoável, o que não tira o mérito do filme. Taissa é a irmã mais nova da também atriz Vera Farmiga. 
Em 2006, quando passou um período de seis meses de estudos na Universidade del Cine, em Buenos Aires, o diretor israelense Florian Cossen ouviu muitas histórias referentes ao desaparecimento de milhares de bebês cujos pais foram presos ou assassinados pela ditadura argentina. Daí surgiu a ideia de escrever o roteiro para um filme. Em 2010, finalmente, Florian realizou o belíssimo drama “O Dia em que eu não Nasci” (“Das Lied in Mir”), co-produção Alemanha/Argentina. A história começa com Maria (Jessica Schwarz) saindo de viagem da Alemanha para o Chile. No aeroporto de Buenos Aires, enquanto espera o vôo que fará a conexão para Santiago, Maria ouve uma mulher ao lado cantando uma canção de ninar para a filha. Sem saber uma palavra de castelhano, de repente Maria começa a entoar a música com a letra original. Maria fica assustada com essa estranha e inesperada lembrança. Ela perde o avião para Santiago e resolve se hospedar num hotel da capital argentina. Com a ajuda de Alejandro (Rafael Ferro), um policial argentino, Maria vai desenterrar fatos do seu passado e descobrir que, na verdade, é filha biológica de militantes políticos executados pela ditadura argentina. Ela vai passar a limpo essa história com o pai que a criou, Anton Falkenmayer (Michael Gwidek), que chega inesperadamente à capital argentina. O filme tem muitos momentos comoventes - de arrepiar mesmo -, como o reencontro de Maria com a família de Estela (Beatriz Spelzini), irmã de sua mãe. O filme ganhou o principal prêmio do Festival de Zurich 2010 e, no mesmo ano, conquistou o Prêmio de Crítica e Público no Festival de Montreal. É realmente um grande film, imperdível!