domingo, 27 de abril de 2014
“Refém da Paixão” (“Labor
Day”), EUA, 2013, é um drama baseado no livro “Fim de Verão”, de Joyce Maynard,
que situa a ação nos dias que antecedem o feriado do Dia do Trabalho (Labor
Day) na cidade de Holton Mills (New Hampshire), em 1987. Adele (Kate Winslet) e
seu filho Henry (Gattlin Griffith) estão num supermercado fazendo compras quando
um homem, Frank (Josh Brolin), diz que está ferido (ele é um presidiário que
acaba de fugir do hospital) e pede ajuda. Como ele está com as mãos no pescoço
do menino, com um semblante ameaçador, Adele não tem como resistir. Leva-o para
casa. Frank vai provar que não é tão perigoso
quando os noticiários da TV fazem crer, caindo nas graças de mãe e filho. Divorciada,
solitária e infeliz, Adele vê a chegada de Henry como uma companhia adulta para
conversar e até como um complemento à sua vida sentimental frustada. Henry
sente a falta da presença do pai, que só vê aos finais de semana, mas é obrigado
a dividir sua atenção com os meio-irmãos. Frank, porém, dedica toda a sua
atenção ao garoto, ensinando-lhe alguns truques de beisebol, a consertar o
carro e a fazer uma torta de pêssegos. O que se imaginava no início um
sequestro, acaba virando uma cumplicidade familiar e uma paixão entre Adele e
Frank. Como isso tudo vai terminar, só assistindo ao filme. A direção é de Jaison
Reitman (de “Juno” e “Amor sem Escalas”).
Confesso
que fui adiando a decisão de assistir “12 Anos de Escravidão” (“12 Years a Slave”). Nem mesmo depois que
ganhou o Oscar 2014 me deu vontade de vê-lo. Afinal, você sabe que vai estar
diante de uma história triste, de muito sofrimento, maldades, torturas,
humilhações, espancamentos etc. Resolvi respirar fundo e encarar finalmente a
saga verídica de Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor), um cidade americano livre, que é sequestrado em 1841 e
vendido como escravo para trabalhar em plantações na região da Louisiana, onde
vai servir a dois senhores, um deles o violento Edwin Epps (Michael Fassbinder).
Solomon só será libertado 12 anos mais tarde por um advogado. Logo depois ele
decide escrever suas memórias sobre essa triste e sofrida trajetória. O filme,
dirigido por Steve McQueen, foi todo baseado nesse relato de Solomon. Sem
dúvida, é um filme forte e impactante, muito bem feito, mas talvez tenha sido
um exagero – um “mea culpa” dos americanos? - ter sido escolhido como
Melhor Filme do Oscar, assim como o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante para
Lupita Nyong’o. A Academia exagerou no “politicamente correto”.
“Rolou uma Química” (“Better
Living through Chemistry”), EUA, 2013, é uma comédia dirigida pela dupla Geoff
Moore e David Posamentier. Conta a história de Douglas Varney (Sam Rockwell),
um farmacêutico em crise no casamento com Kara (Michelle Monaghan), que só pensa em sua
academia de ginástica e em participar de provas de ciclismo. Além disso, Varney
enfrenta problemas com o comportamento nada normal do filho pré-adolescente,
que se transformou no terror da escola. Em meio a essa fase turbulenta, Varney
conhece Elizabeth Roberts (Olivia Wilde), uma bela e infeliz dona de casa
viciada em álcool e remédios. Varney também começa a manipular fórmulas de drogas
estimulantes e acaba viciado como Elizabeth. Logo, Varney e Elizabeth começam a
ter um caso, que se torna ainda mais complicado e perigoso quando decidem planejar o
assassinato do marido dela (Ray Liotta). A partir daí, Varney vai se meter em
muitas confusões, o que melhora um pouco o humor do filme, até então motivador de um ou outro sorriso amarelo. Apesar do nome
de Jane Fonda aparecer nos créditos principais, ela tem apenas uma aparição
rápida no final. Se o filme já não é tão bom, pior mesmo é o título que
inventaram em português.
sexta-feira, 25 de abril de 2014
"Eu, Mamãe e os Meninos” (“Les
Garçons et Guillaume, à table!”) não é uma comédia como outras que estamos
acostumados a assistir. Está mais para um filme “de arte” e, portanto, talvez
agrade a um público mais restrito. Mas, sem dúvida nenhuma, é um filme bastante
original, criativo, sensível e, ao mesmo tempo, muito divertido. O filme foi escrito,
dirigido e interpretado por Guillaume Gallienne – ele faz dois protagonistas –
e é uma adaptação de um monólogo que ele próprio escreveu e apresentou no
teatro em 2008, com grande sucesso. A história é autobiográfica e conta como
Guilhaume foi criado pela mãe para ser uma menina. “Quanto tinha uns cinco anos,
minha mãe nos chamava - eu e meus irmãos - para almoçar gritando ‘Meninos e
Guillaume, na mesa!’, lembra ele. Até
descobrir em definitivo sua identidade sexual, Guilhaume vai descrever algumas
situações hilariantes. Numa delas, ele é surpreendido pelo pai em seu quarto imitando a Imperatriz Sissi, com saia rodada improvisada
com um edredon e um pulover amarrado na cabeça como se fosse uma enorme peruca
da época. O filme ganhou, em 2013, o Prêmio Cesar, o Oscar francês, em cinco categorias, entre elas a de melhor
filme, melhor ator e melhor roteiro adaptado. No Brasil, estreou em abril de
2014 como uma principais atrações do 5º Festival Varilux do Cinema Francês,
promovido em São Paulo. É um ótimo filme, muito inteligente, que merece ser
visto por quem aprecia cinema de qualidade.
quarta-feira, 23 de abril de 2014
“Real” (“Riaru:
Kanzen naru Kubimagaryû no hi”) é um filme japonês de 2013, misto de ficção
científica, suspense, terror e fantasia. A desenhista de mangás Atsumi (Hauka
Ayase) está em coma há um ano. Seu namorado, Koichi (Takeru Satô), concorda em
participar de um experimento que vai permitir que ele entre na mente de Atsumi por telepatia e descubra os motivos que a levaram a tentar se matar. Quando a
conexão é feita com sucesso, Koichi e Atsumi voltam a se encontrar num plano
que não é real. Aliás, a partir daí, Koichi começa a ter alucinações e
confundir a imaginação com a realidade - o espectador também. Aí começam aparecer os mortos-vivos –
que, segundo a médica explica quando Koichi acorda, são “zumbis filosóficos”
(???). Nas indas e vindas à mente de Atsumi, Koichi volta ao passado e tenta
achar, a pedido dela, o desenho de um Plesiossauro, um réptil gigante que viveu
em outras eras. Os dois também querem identificar o fantasma de um garoto que
aparece para assustá-los. E por aí vai esse filme fantasioso, com direito até a uma reviravolta meio absurda quase no final e à aparição de um Plesiossauro no tamanho natural para atormentar ainda mais a vida do casal. O diretor do
filme é Kiyoshi Kurosawa, que, por sinal, não tem nenhum parentesco com o grande
Akira Kurosawa. Para alívio dos cinéfilos de plantão e do próprio mestre...
terça-feira, 22 de abril de 2014
Não
é sempre que aparece um filme tão bom como “Run & Jump”. Ainda mais vindo da Irlanda, cuja produção
cinematográfica é bastante limitada. Mas esse drama, produzido em 2013, é uma
joia rara, um filme tocante e sensível. Começa com Conor (Edward Maclian)
voltando para casa depois de ficar internado durante cinco meses em
consequência de um AVC, que o deixou com amnésia, o lado esquerdo paralisado e
dificuldades de se expressar. Vanetia (Maxine Peake), sua esposa, e os dois
filhos, de 14 e 8 anos respectivamente, terão de se adaptar ao “novo papai”. Durante
os dois primeiros meses, o médico neurologista norte-americano Ted Fielding (Will
Forte) vai morar com a família para documentar o processo de recuperação de Conor.
Um quadro como esse poderia resultar num filme triste e baixo astral. Pelo
contrário, trata-se de um filme bem-humorado, até mesmo divertido em alguns
momentos, graças, principalmente, a Vanetia, que não se deixa abater e enfrenta
a situação com firmeza, otimismo e, acredite, com bom-humor. A maravilhosa
atuação de Maxine Peake dá ainda mais vigor à personagem. É o primeiro filme da
diretora Steph Green, que também escreveu o roteiro juntamente com Ailbhe
Keogan. Provavelmente, não será exibido no circuito comercial dos nossos cinemas, o que é uma pena. Não dá para perder um filme como esse!
A
crise financeira que atingiu os EUA em 2008 levou muita gente à falência.
Milhares de investidores, grandes e pequenos, perderam grande parte ou todo o
seu dinheiro, muitos deles vítimas da má fé de corretores, bancos e
financeiras. “Um Homem contra Wall Street” (“Assault on Wall
Street”), produção canadense de 2013 dirigida por Uwe Boll, aproveita esse cenário
para inserir a história de Jim Baxford (Dominic Cooper), ex-combatente do
exército e funcionário de uma empresa de segurança. Ele perde todo o dinheiro
que investiu a vida inteira. Desesperado, ainda mais pela condição de sua
mulher que precisa de remédios, Jim procura o corretor que aplicou o seu
dinheiro, vai falar com um gerente de banco para tentar um empréstimo, com um
advogado para saber se é possível recuperar seu dinheiro por via judicial e até
com um promotor de justiça para tentar impedir que sua casa seja penhorada. Por
uns, é recebido com desculpas. Por outros, nem é recebido. O advogado ainda lhe
tira mais dinheiro. Em meio a essa situação desesperadora, Jim ainda vai ter
que enfrentar um trágico acontecimento familiar. A partir daí, ele se enche de
razão e fúria para se vingar de todos aqueles que o prejudicaram, incluindo os
que estiverem por perto. É tiro que não acaba mais.segunda-feira, 21 de abril de 2014

Embora
tenha participado de algumas superproduções como, por exemplo, os dois filmes
do Capitão América, o ator inglês Dominic Cooper só conseguiu um papel
destacado em “Dublê do Diabo” (2011), pelo qual merecia o Oscar de melhor ator.
Em “Reasonable Doubt” (no sentido literal, “Dúvida Razoável”, mas ainda sem tradução no Brasil),
suspense canadense de 2013, ele é Mitch
Brockden, um promotor em ascensão que, ao sair bêbado de um bar com amigos,
atropela um homem e foge. No dia seguinte, fica sabendo que a sua vítima foi
encontrada morta dentro do carro de Clinton Davies (Samuel L. Jackson), que
passa a ser acusado pela morte do homem. Davies vai a julgamento e o promotor
que vai acusá-lo é justamente Mitch. Como condenar alguém que você sabe que é
inocente? Esse dilema de Mitch, porém, não dura muito, pois vai descobrir que Davies
não é tão santo quanto parece. Só que, ao começar a pegar no pé de Davies,
Mitch vai colocar em risco não apenas a sua vida, mas também a da sua família. Desta vez, Dominic passa longe do ótimo ator que é. Jackson, porém, está ótimo como vilão. O
filme até que funciona bem como suspense, pois prende a atenção do começo ao
fim. Mas poderia ser muito melhor.
“Flores Raras”,
2012, é um filme nacional dirigido por Bruno Barreto (“Bossa Nova”, “Dona Flor
e seus dois Maridos”). Conta a história verídica da relação amorosa da poeta
norte-americana Elizabeth Bishop (Miranda Otto) com a arquiteta brasileira Lota
de Macedo Soares (Glória Pires). Tudo começou em 1951, quando Bishop, em crise
criativa, resolve vir ao Brasil para visitar sua amiga Mary (Tracy Middendorf),
que na época morava e namorava com Lota na casa da arquiteta, em Petrópolis. Ao
chegar, Bishop teve dificuldade para se adaptar ao jeito expansivo dos brasileiros,
que confundiram sua enorme timidez com arrogância. Mas, aos poucos, ela foi se
soltando, principalmente depois de começar um caso com Lota, provocando uma
enorme crise de ciúme por parte de Mary. O filme apresenta muitos fatos
interessantes como, por exemplo, a inspiração de Bishop para escrever o poema
que escreveu e pelo qual conquistou o Prêmio Pulitzer em 1956. Ou então o
trabalho de Lota na idealização e construção do Parque do Flamengo. Outro fato
interessante é a amizade entre Lota e Carlos Lacerda (Marcello Airoldi), que também
se tornou grande amigo de Bishop. O filme é muito bom, imperdível pela história
em si, pela reconstituição de época e ainda mais pelo desempenho das duas
atrizes principais. Com seus trejeitos masculinos – aperfeiçoados desde “Se eu
fosse você” -, Glória Pires está ótima como Lota. Mas é a atriz australiana Miranda
Otto que dá um verdadeiro show de interpretação.
No
começo dos anos 80 foram descobertos enormes depósitos de óleo e gás a 500
metros de profundidade no litoral da Noruega, Mar do Norte. Diante dessa
descoberta, o governo norueguês contratou e treinou mergulhadores profissionais
para descer àquela profundidade e viabilizar a instalação de dutos para transferir
os materiais para a superfície. Os mergulhadores pioneiros, que arriscaram suas
vidas nessas perigosas missões, foram considerados heróis nacionais. O suspense
norueguês “Mergulho Profundo” (“Pionner”), 2012, aproveita esse contexto
histórico para contar a tragédia vivida por Petter (Aksel Hennie), mergulhador
profissional que participou de uma das primeiras missões juntamente com o irmão
Knut (André Eriksen). Num acidente de causas inexplicáveis, Knut morreu. Revoltado,
seu irmão Petter não vai descansar enquanto não descobrir e denunciar os responsáveis
pelo acidente, nem que arrisque sua vida enfrentando forças poderosas. Não há
qualquer indicação de que o acidente realmente aconteceu. O que fica claro é que
os mergulhares sempre corriam um grande risco nessas missões, como comprova uma
pesquisa médica feita anos depois. Segundo essa pesquisa, 240 ex-mergulhadores
do Mar do Norte sofreram danos cerebrais, além de doenças pulmonares e transtornos
de estresse pós-traumático. A briga judicial por indenizações dura até hoje.sábado, 19 de abril de 2014
“Quando chama o Coração” (“When calls
the Heart”), EUA, 2013, é o filme piloto que deu origem à série de TV que
começou a ser exibida em janeiro de 2014 pelo Hallmark Channel. Pelo aperitivo,
já dá para perceber que é uma produção de época (início do Século XX)
tipo novela das seis da Globo. Ou seja, um romance “água com açúcar” – com muito
mais açúcar do que água. A jovem Elizabeth Thatcher (Poppy Drayton) - nada a ver com a Dama de Ferro -, uma das três
filhas de um milionário nova-iorquino, resolve ser professora e começa a
procurar emprego. Numa noite, vasculhando a enorme biblioteca da casa, encontra
o diário escrito por sua tia Elizabeth (Maggie Grace), irmã do seu pai, que
conta sua aventura como professora numa longínqua cidade do Oeste, perto da
fronteira com o Canadá, num lugar chamado Vale do Carvão. Em seu relato, a tia ainda
conta sobre sua paixão por um oficial da Polícia Montada, Wynn Delaney (Stephen
Amell). Em flashback, o filme mostra as cenas da tia conforme os fatos
relatados no diário. Entusiasmada com a experiência da tia, Elizabeth se enche
de coragem e decide ir para o mesmo lugar. O filme piloto termina com a jovem chegando
à cidade, realmente um fim de mundo. A história é baseada no romance “Love
Comes Sofity”, de Janette Okke.

“Filhos do Divórcio” (“A.C.O.D. – Adult Children of Divorce”), EUA, 2013, é uma comédia bem
legal. Carter (Adam Scott) já passou dos
trinta anos e ainda carrega consigo o trauma da separação dos pais, fato que
aconteceu há muitos anos. A relação de Hugh (Richard Jenkis), o pai, com Melissa
(Catherine O’Hara), a mãe, sempre foi turbulenta, com brigas homéricas, nas quais
xingamentos e palavrões eram bastante comuns. Depois da separação, porém, nunca mais se
viram. Ele casou mais duas vezes e ela vive um casamento estável com um cara
bonachão. As coisas pareciam estar em seus devidos lugares quando, de repente, o
irmão mais novo de Carter resolve se casar. Carter vai pedir aos pais que concordem
em ir ao casamento do irmão e que aturem a presença um do outro. Pronto, bastou
para iniciar uma série de confusões envolvendo toda a família. Um jantar num
restaurante japonês – a noiva do irmão de Carter é japonesa – reunindo as duas
famílias é um dos pontos altos da comédia, que ainda tem no elenco a gata
Jessica Alba, Amy Poehller e Jane Linch. A direção é de Stuart Zicherman. Um
bom programa para uma sessão da tarde.
“Diário Perdido” (“Mères
et Filles”), 2009, é um drama francês dirigido por Julie Lopes-Curval. Não que
o título em português seja ruim, mas o original em francês, “Mães e Filhas”, é
mais condizente com a história. Audrey (Marina Hands) viaja do Canadá, onde
trabalha há anos, para a França com o objetivo de visitar os pais, Martine
(Catherine Deneuve) e Michel (Michel Duchaussoy), que moram num vilarejo à
beira-mar. Percebe-se desde o início que Martine é uma mulher amargurada e que
sua relação com a filha não é das melhores. Audrey aproveita para rever a casa onde moravam
os avós, fechada após a morte do avô. Escondido atrás de um velho armário, ela
acha um diário escrito por Louise, sua avó. Entre receitas culinárias e
anúncios de revistas dos anos 1950, Audrey encontra o relato de uma mulher infeliz
no casamento e disposta a dar uma guinada em sua vida. Até as revelações do
diário, a história “oficial” contada pela mãe Martine era a de que Louise havia
fugido de casa, abandonando o marido e os filhos, talvez por causa de um amante.
Ao ler e interpretar os fatos narrados no diário, Audrey vai descobrir que a
história aconteceu de forma diferente, o que fará com que o desfecho do filme
seja bastante surpreendente. Muito bem utilizado pelo diretor o recurso de fazer
com que Andrey interaja com os personagens do passado na mesma cena, tornando
reais os fatos como ela imagina terem acontecido. O filme é ótimo e merece ser
visto.
sexta-feira, 18 de abril de 2014
O suspense policial francês “Assassinato
em 4 Atos” (“Le
Marque des Anges – Miserere), 2013, dirigido por Sylvain White, apresenta uma
trama bastante fantasiosa (nazistas fazendo experiências médicas em
prisioneiros políticos no Chile, crianças cujo canto estoura os tímpanos das
pessoas etc.). A história, baseada no romance de Jean-Christophe Grange, começa
com o assassinato de um maestro de um coral de crianças. Ele é encontrado com
os tímpanos estourados. A polícia francesa começa a investigar os motivos dessa
morte. Paralelamente, de forma não oficial, também passam a investigar o crime
o policial Frank Salek (Joey Starr) e o ex-policial Lionel Kasdan (Gérard
Depardieu). Frank tem um fato do passado como motivo para tentar a captura do
assassino e Kasdan vê nesse trabalho um bom motivo para sair da letargia de sua
recente aposentadoria. A dupla vai descobrir uma forte ligação dos assassinos
com os ideais nazistas e ainda um plano para assassinar uma importante autoridade.
Depardieu está enorme de gordo e com dificuldades de se locomover, o que,
convenhamos, não combina com um personagem que precisa perseguir bandidos. O
filme até que tem bastante ação e suspense, o que prende a atenção, mas está
muito longe dos melhores policiais franceses, talvez prejudicado por uma
história tão mirabolante.
quarta-feira, 16 de abril de 2014
Os
países escandinavos estão se especializando em filmes policiais, de ação e de
suspense. Bons exemplos não faltam: a trilogia sueca Millenium (um dos filmes
teve até versão hollywoodiana recente com Danel Craig e Rooney Mara), o ótimo norueguês
“Headhunters” e vários dinamarqueses, entre os quais “ID:
Identidade Anônima” (“ID: Identitet
Anonym”), de 2012. O filme começa com uma mulher (a ótima atriz sueca Tuva Novotny) toda machucada caída à beira
de um rio na França e com uma pesada mochila nas costas. E pior: sem memória. Ela
se hospeda numa pensão com o nome de Aliena e, ao abrir a mochila no quarto, acha um grande volume de dinheiro e um revólver. Sem saber o que fazer, ela sai andando pela
aldeia em busca de alguma pista sobre o que aconteceu. Ao passar por uma banca
de revistas, pega um folheto turístico escrito em dinamarquês e percebe que
conhece a língua. Quando sai de um restaurante, depois de jantar, é perseguida
por homens armados e consegue fugir. Resolve pegar um ônibus para a Dinamarca. Durante
a viagem, no fone de ouvido de um passageiro, ela ouve uma voz masculina cantando
uma ária de ópera. Ela identifica a voz e pergunta de quem é. Trata-se de uma gravação de Just Ore, um
famoso barítono dinamarquês. Ela vai seguir essa pista e tentar descobrir o que
aconteceu. De sua metade em diante, o filme volta em flashback até o momento em
que tudo começou e, a partir daí, Ida (seu verdadeiro nome) vai entender e relembrar tudo o que aconteceu, com direito a muitas cenas de ação e suspense. Quem gostou do estilo dos filmes
da trilogia Millenium vai gostar deste também.segunda-feira, 14 de abril de 2014
O ótimo drama alemão “À Espera de Turistas” (“Am
Ende kommen Touristen”), dirigido por Robert Thalheim, estreou no Festival de Cannes em 2007, mas, por alguma
razão que não sei, só chegou aos cinemas do Brasil em 2013. O jovem alemão Sven
(Alexander Fehling), ao invés de ingressar no Serviço Militar, faz a opção de integrar
um trabalho comunitário na cidade polonesa de Oswiecim (ex-Auschwitz). Aqui,
ele vai trabalhar no museu dedicado às vítimas do holocausto durante a 2ª Guerra
Mundial. Uma de suas tarefas é servir de cuidador do velho Krzeminski (Ryszard
Ronczewski), um sobrevivente do campo de concentração que costuma dar palestras
aos turistas que visitam o museu. Numa delas, um jovem turista pede para ver
o número de prisioneiro tatuado no braço de Krzeminski. O jovem olha e diz que
o número está meio apagado. “É que eu não quis retocar”, responde o velho, talvez
no único momento de humor do filme. Krzeminski também é responsável pela
manutenção e conserto das malas abandonadas pelos judeus antes de serem mortos
nas câmaras de gás. Por razões óbvias, Krzeminski não recebe bem o jovem alemão
e o trata de maneira bem rude, assim como os poloneses da cidade. Sven, porém,
acaba se afeiçoando ao velho, entendendo a revolta dele pelo que seus
antepassados fizeram. “À Espera de Turistas” é um filme forte, um tanto
melancólico, mas bastante impactante e esclarecedor. E sua mensagem é clara: as
feridas do holocausto jamais serão cicatrizadas.
domingo, 13 de abril de 2014
O
elenco é de primeira: Clive Owen, Billy Crudup, Mila Kunis, Marion Cotillard,
James Caan, Zoe Saldana e Matthias Schoenaerts. O filme é americano, de 2013, e
o diretor é francês (Guillaume Canet). “Laços de Sangue” (“Blood Ties”) é um drama ambientado em
Nova Iorque – o ano é 1974 – e conta a história de Chris (Owen), que sai da
cadeia depois de 9 anos preso por assassinato. Seu irmão mais novo, Frank
(Crudup), que é policial, tenta ajudá-lo a se reintegrar à sociedade e a se
reaproximar da mulher Monica (Marion) e dos dois filhos. Até arruma um emprego
para ele numa oficina mecânica. Mas o gênio rebelde e violento de Chris vai levá-lo
de volta ao crime. Enquanto isso, Frank está completamente obcecado pela
ex-namorada Vanessa (Zoe Saldana), que está casada e tem uma filha com Anthony
Scarfo (Schoenaerts), um ex-marginal que afirma estar limpo há tempos. A
obsessão por Monica vai fazer com que Frank prenda Scarfo – o filme dá a
entender que as provas foram forjadas pelo policial. Todas essas histórias paralelas
servem de pano de fundo para o que realmente interessa, que é o relacionamento conflituoso
entre os irmãos. O filme fez parte da seleção oficial do Festival de Cannes
2013 e teve boa recepção por parte de público e crítica. É um bom filme, valorizado
por um desfecho surpreendente e, principalmente, pelo ótimo elenco. sábado, 12 de abril de 2014
“Quando eu era sombrio” (“I Used to be darker”) é um exemplar clássico do cinema independente
a mericano. Filme de baixo orçamento, com atores
pouco conhecidos, liberdade total às ideias do diretor – no caso Mattew Porterfield
– e lançamento restrito apenas a alguns festivais de cinema. Aliás, o filme foi
bastante elogiado nos festivais de Sundance, Berlim, BAFICI (Buenos Aires) e Atlanta,
este último concedendo-lhe o prêmio de Melhor Filme. A história gira em torno
da jovem Taryn, que se refugia na casa dos tios Kim (Kim Taylor) e Bill (Ned
Oldham), em Baltimore, sem saber que os dois estão se separando. Portanto,
quando ela chega, pensando fazer uma surpresa agradável, encontra o clima
pesadíssimo na casa. Para piorar, chega de Nova Iorque a filha do casal, Abby
(Hannah Gross), para passar as férias escolares com os pais. O ambiente fica
ainda mais insuportável, pois Abby, que nunca se deu muito bem com a mãe, vai
responsabilizá-la pela separação. O filme tem um lado musical muito forte, pois
Kim é cantora de uma banda de rock e Bill é um antigo guitarrista que abandonou
a música para ganhar dinheiro em outra atividade. Os números musicais até que
não são ruins, mas acabam cansando. Como curiosidade, o filme tem a participação, numa ponta – aliás, numa pontinha -, da atriz francesa Adèle Exarchopoulos, de “Azul
é a Cor mais Quente”.
Quando
foi lançado no Festival de Cannes 2013, “Azul é a Cor mais Quente” (“La vie d’Adèle”) ficou marcado por
algumas polêmicas. Primeira, é claro, sobre as longas cenas de sexo quase
explícitas entre as duas protagonistas principais, Adèle (Adèle Exarchopoulos)
e Emma (Léa Seydoux) – há também outra cena de sexo bastante ousada entre
Adèle e um namoradinho no começo do filme. Outra polêmica envolveu o elenco,
particularmente as atrizes Adèle e Léa, e o diretor franco-tunisiano Abdellatif
Kechiche, acusado de ser um monstro tirano e torturador. O filme acabou
ganhando a Palma de Ouro de Cannes e as duas atrizes dividiram o Prêmio de Melhor
Atriz. Os prêmios foram mais do que justos, pois o filme é muito bom e o
trabalho das atrizes é espetacular, principalmente Adèle, um fenômeno.
Impossível não se emocionar com o seu desempenho. O filme é baseado na história
em quadrinhos adulta “Le Bleu est une Couper Chaude”, criada pela francesa
Julie Maroh. Em dúvida sobre a sua preferência sexual, Adéle (a personagem) é
uma adolescente de 15 anos que se apaixona por Emma, lésbica assumida. Adèle
leva Emma para jantar e apresentá-la aos seus pais, mas esconde o caso. O mesmo
faz Emma, cujos pais conhecem e aceitam a opção da filha. Em suas três horas de
duração, o filme vai acompanhar a paixão obsessiva das duas jovens. Embora
todos os principais protagonistas sejam jovens, os diálogos são bastante
inteligentes. Você já imaginou dois jovens estudantes do Ensino Fundamental
aqui no Brasil discutindo Sartre? Independente das polêmicas, o filme é obrigatório
para quem gosta de cinema de qualidade. quinta-feira, 10 de abril de 2014
“Vida de Adulto”
(“Adult World”), de 2012, EUA, com direção de Scott Coffey, é uma comédia
independente que estreou no Tribeca Film Festival em abril de 2013, sendo bem recebida pelo público. Conta a
história de Amy Anderson (Emma Roberts), uma jovem de 22 anos que tem o sonho de
se tornar uma grande poetisa. Há tempos que ela envia suas poesias a jornais,
revistas e editoras, mas não consegue publicar nenhuma. Desempregada e sem
dinheiro, Amy vive às custas dos pais. Numa discussão caseira sobre sua
situação financeira e seu sonho profissional, a coisa acaba em briga e Amy
resolve sair de casa. Para se sustentar, vai trabalhar numa loja de artigos
pornográficos chamada Adult World. Algum tempo depois ela conhece, numa sessão
de autógrafos, o poeta Rat Billings (John Cusack), um de seus ídolos, e pede a
ele que a ajude a ser uma grande poetisa. A relação entre os dois não será nada
boa, principalmente depois que ele resolve editar uma coletânea e promete incluir um
poema de Amy – só que não avisa que a coletânea terá o título de “Poemas Ruins”.
Emma Roberts é filha do ator Eric Roberts e, portanto, sobrinha de Júlia
Roberts. Ao contrário da tia, ela é baixinha e apenas "bonitinha". É o seu primeiro papel como protagonista principal. Sua atuação parece
um pouco forçada, mas se sai bem nos momentos de humor. Incomoda um pouco a sua voz esganiçada. Nada disso, porém, prejudica o filme, bom para assistir numa sessão da tarde com pipoca. quarta-feira, 9 de abril de 2014
Quem
gosta de um bom suspense não pode perder “Filho de Caim” (“Fill de Caín”), produção espanhola de 2013
dirigida por Jesús Monillaó. É filme para você ficar tenso e gruado na poltrona
do começo ao fim. Nico (David Solans) é um garoto de 15 anos muito estranho. Não
tem amigos e só tem uma paixão: o jogo de xadrez. Ele se isola do mundo diante
de um tabuleiro, jogando contra si próprio. Os pais, Carlos Albert (José
Coronado) e Coral (Maria Molins) sempre adiam a contratação de um psicólogo.
Até que Nico começa a mostrar o seu lado psicopata. O filme deixa bem claro que
o problema do garoto é o pai. Albert e Coral decidem finalmente contratar um psicólogo,
Júlio Beltran (Julio Manrique), que por coincidência havia sido namorado de
Carol antes dela se casar com Albert. O tratamento parece que está dando certo.
Julio até inscreve o jovem na escola de xadrez mais conceituada da cidade. Inteligente
e com um QI altíssimo, Nico, na verdade, está manipulando todos à sua volta,
inclusive o psicólogo, para conseguir o desfecho que havia planejado. Que não
será, obviamente, muito agradável. O filme é excelente e os atores são ótimos,
principalmente José Coronado, talvez o melhor ator espanhol da atualidade. Mas quem
dá show mesmo é o estreante David Solans, que a cada olhar sinistro vai fazer
você apertar com mais força os braços da poltrona.
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