quarta-feira, 9 de abril de 2014
terça-feira, 8 de abril de 2014
“Metro Manila” (co-produção
Reino Unido/Filipinas de 2012), dirigido pelo inglês Sean Ellis, justifica plenamente
toda a fama que o precede. Foi aclamado
em vários festivais pelo mundo afora, inclusive no Sundance Film Festival 2013,
no qual fez sua estreia, além de ter
sido indicado para concorrer ao Oscar 2014 de Melhor Filme Estrangeiro pelo
Reino Unido, embora seja falado em filipino. Não é para menos. Este ótimo drama social, que a partir da sua
metade ganha ação e suspense e se transforma num vigoroso thriller policial, conta
a história de Oscar Ramirez (Jake Macapagal), um pequeno e pobre agricultor que
abandona os campos de arroz no norte das Filipinas para tentar uma vida melhor na
capital Manila (Metro Manila é o nome dado à região metropolitana da cidade). Ele leva a esposa Mai (Althea Vega) e as duas
filhas pequenas. O casal vai encarar a dura realidade de uma cidade grande e se
deparar com gente da pior espécie. Oscar consegue o emprego de motorista numa empresa
de segurança transportadora de valores e Mai vai trabalhar como dançarina numa
casa noturna. Ao ser bajulado pelo seu chefe Ong (John Arcilla) na firma de
segurança, Oscar não percebe que está sendo manipulado para participar de um
golpe. Quando finalmente percebe, é tarde demais, pois ele já está envolvido até
o pescoço na tramoia. Um incidente fatal, porém, vai fazer o plano ir por água
abaixo. É aí então que Oscar deixa a ingenuidade de lado e parte para a ação, o
que vai levar a um desfecho surpreendente e, ao mesmo tempo, tocante. Um
filmaço simplesmente imperdível!
domingo, 6 de abril de 2014
Os irmaõs Joel e Ethan Coen escreveram e dirigiram “Balada de um Homem Comum” (“Inside
Llewyn Davis”), produção de 2013. Conta a história de Llewyn Davis (Oscar
Isaac), que na Nova Iorque do início da década de 60 abandona um emprego na
marinha mercante para tentar o sucesso como cantor e compositor de música folk,
gênero que consagrou Bob Dylan e Joan Baez. O personagem Llewyn Davis foi
inspirado num cantor que realmente existiu, um tal de Dave von Ronk. Um achado
dos irmãos Coen. Fracassado, sem dinheiro, ele não tem nem onde dormir, nem
casaco para vestir no inverno rigoroso de Nova Iorque. Passa as noites de favor
na casa de um ou outro amigo. Apesar disso, é arrogante e se acha o máximo. Até que ele agrada a plateia quando canta num barzinho especializado em apresentações ao vivo de músicos de folk. Quando
finalmente consegue um teste com um empresário importante que pode alavancar
sua carreira, estraga tudo ao cantar a canção “The Death of Queen Jane”, cuja
letra fala da morte de uma mulher durante o parto. Ou seja, sem nenhuma chance
de conseguir sucesso junto ao público e nem de vendagem. Apesar do tom
melancólico da história e do seu personagem principal, há ótimos e divertidos diálogos.
O filme teve duas indicações para o Oscar 2014: de melhor fotografia e mixagem
de som. Não ganhou nem um nem outro. Talvez tenha sido injusta a não indicação
do ator guatemalteco Oscar Isaac, ótimo no papel de Davis.
Anunciado
como comédia, o filme francês “Pai por Acaso” (“Monsier Papa”), de 2012, é mais
sentimental do que cômico. Filho de mãe solteira, o garoto Marius (Gaspard
Meier-Chaurand), de 12 anos, sente falta de um pai. Sua mãe, Marie Vallois (Michèle
Laroque), é presidente de uma empreiteira da construção civil e não tem muito
tempo para dedicar ao filho. Ela sempre diz a Marius que seu pai está viajando
pelo mundo e que no momento está na Amazônia. Revoltado, Marius começa a dar trabalho na escola e a cometer pequenos
delitos, até ser detido num shopping center. Sem saber o que fazer, Marie tem a
ideia de arranjar um pai “postiço” e consegue convencer Robert Pique (Kad Merad,
também diretor do filme) a interpretar esse papel. A intenção inicial é promover
apenas um único encontro entre os dois. Entretanto, Marius e Robert se dão tão
bem que será muito difícil separá-los. Marie ainda tenta, contratando Robert
para sua empresa e o enviando para comandar uma obra na África do Sul. O filme
é muito agradável de assistir, tem lá seus momentos de humor e deixa uma
mensagem muito clara para quem ainda acha que os pais biológicos jamais podem ser
substituídos. Um programa gostoso para curtir com a família.sábado, 5 de abril de 2014
Uma reflexão sobre a China contemporânea. Foi assim que o filme “Um Toque de Pecado” (“Tian Zhu Ding”, ou no inglês “A Touch of Sin”) foi lançado nos cinemas e apresentado no Festival de Cannes de 2013, quando conquistou o prêmio de Melhor
Roteiro. Se você estiver em busca de entretenimento leve, porém, passe longe. São
quatro episódios, independentes uns dos outros, que contam a história de personagens
comuns cuja única ligação será o desfecho trágico destinado a cada um deles. No
primeiro episódio, um trabalhador se revolta contra a corrupção em sua aldeia; no
segundo, um homem comete crimes brutais para ajudar a família; no terceiro, uma
jovem recepcionista numa sauna masculina revida com violência o assédio sexual
de dois homens; no último, um jovem não aguenta a pressão de ser explorado nos
empregos. Não é um filme agradável de assistir, pois tem muitas cenas de
violência explícita, duas delas contra animais. Mas é um filme importante por
destacar o estilo de um diretor que está sendo considerado um dos melhores do
cinema chinês atual. Uma coisa é certa: impossível ficar indiferente ao filme durante
e ao final de sua exibição. É claro que muitos críticos profissionais escreveram
verdadeiros tratados sociológicos para explicar as intenções do diretor. É
melhor você assistir e tirar suas próprias conclusões.
sexta-feira, 4 de abril de 2014
“Diana” é um
filme inglês de 2012 que conta a história do romance da Princesa Diana (Naomi
Watts) com o médico paquistanês Hasnat Khan (Naveen Andrews). O caso começou em
1995, quando Lady Di, separada do Princípe Charles e em processo de divórcio,
conhece o médico durante visita a um amigo no Hospital Royal Brompton, em
Londres. Eles ficaram juntos até poucos meses antes da morte de Diana, em
agosto de 1997. A história é baseada no livro “Diana: her Last Love”, escrito
em 2001 por Kate Snell. O curioso é que o médico paquistanês, cirurgião
cardíaco, sempre negou – e nega até hoje – que teve um caso com Diana. Os
ingleses odiaram o filme, não só atacando sua qualidade cinematográfica, mas,
principalmente, por revelar a vida íntima de sua querida princesa. O filme,
dirigido por Oliver Hirschbiegel, acirrou ainda mais a polêmica. Além do
romance com o médico, o filme destaca a participação de Lady Di em causas
humanitárias por todo o mundo, além da sua privacidade constantemente ameaçada
pelos paparazzi, assédio que provavelmente tenha sido a causa do acidente que a
matou. A atriz australiana Naomi Wattis está ótima como Diana, papel destinado
inicialmente à americana Jessica Chastain (“A Hora mais Escura”). A maioria dos
críticos profissionais não gostou do filme. Eu gostei e recomendo.quarta-feira, 2 de abril de 2014
“O Guardião das Causas
Perdidas” (“Kvinden I Buret” ou no inglês “The Keeper of Lost Causes”), dirigido
por Mikkel Norgaard, é um suspense dinamarquês de tirar o fôlego. Depois de ser
baleado numa missão em que resolveu agir por conta própria, sem esperar a chegada
de reforços, como estava combinado, o detetive Carl Morck (Nikolaj Lie Kaas) é transferido
para um setor de casos arquivados sem solução. Muito a contragosto, é obrigado
a aceitar como assistente o policial Assad (Fares Fares). O primeiro caso que reabrem
envolve o desaparecimento de uma mulher, Merete Lynggaard (Sonja Richter), há cinco
anos. As conclusões da época levam a crer que ela se suicidou, atirando-se ao
mar de uma balsa. As investigações de Carl e Assad, porém, vão mudar o rumo da
história. O resumo fica por aqui para não estragar as surpresas do enredo. O
filme foi um grande sucesso de público quando estreou nos cinemas da Dinamarca,
no final de 2013. E realmente, o filme é muito bom. Tem ação e suspense na dose
certa, uma história bem elaborada, um vilão assustador e um detetive mal-humorado,
arrogante, rebelde e estressado. Enfim, os clichês que fazem um bom filme
policial. Um programão para quem curte o gênero.
segunda-feira, 31 de março de 2014
Produzido
em 2012 e dirigido por Walter Doehner, o filme mexicano “Viento
en Contra” é um policial com muita ação
e suspense. Nesse ponto, não decepciona. Luiza (Bárbara Mori) é uma executiva
em ascensão numa empresa de fundos de investimento na Cidade do México. Ela
descobre, porém, um desvio de dinheiro da empresa para as Ilhas Cayman. A partir
daí, passa a ser perseguida tanto por bandidos como pela polícia. O roteiro tem
algumas mancadas. Uma delas: em fuga alucinada com o filho, ela diz que está morrendo de fome e resolve parar
num restaurante chique para jantar, pede um suco de maçã para o filho e um copo
d’água. “O que vamos pedir, mamãe?”, pergunta o filho. Ela responde: “Nada, não
tenho dinheiro”. O menino paga o suco e
eles vão embora. Por que então entraram no restaurante? Impossível também não associar a interpretação dos
atores ao estilo dos novelões mexicanos. Mas o filme não é tão ruim quanto parece e, para
os padrões mexicanos, deve ser encarado como uma superprodução. As cenas de
ação são bem feitas, a história prende a atenção e há uma reviravolta no final que
realmente surpreende. A atriz uruguaia Bárbara Mori é muito bonita e dá conta
do recado. Um bom programa para uma sessão da tarde com pipoca. domingo, 30 de março de 2014

Como
a maioria das comédias românticas, “Noivos por Acaso” (“One Small Hitch”), 2013, não foge à regra:
é previsível demais. Molly (Aubrey Dollar) está no aeroporto aguardando o voo
para Chicago, onde sua mãe se casará pela segunda vez. Ela vai levar o namorado
para a família conhecer, mas, enquanto espera a chamada para embarcar, fica
sabendo sem querer que ele é casado. Claro que a relação vai acabar ali. Ela,
então, fica arrasada, mas eis que aparece Josh (Shane McRae), um amigo de infância
que também vai para Chicago visitar o pai que está muito doente. Josh conta a Molly
que o sonho do seu pai, antes de morrer, é ver o filho casado ou pelo menos
encaminhado nesse sentido. Sensibilizada, Molly topa fingir que é noiva de
Josh. As duas famílias ficam entusiasmadas com a notícia do futuro casamento e
aí começam as confusões. E mesmo com algumas reviravoltas, você já sabe de
antemão quem vai formar o casal do “happy end”. O filme até que começa bem, mas
não engrena. Em nenhum momento consegue ser engraçado nem engraçadinho. Apenas
bobinho.
“O Grande Herói” (“Lone Survivor”), 2012, é um
drama de guerra baseado numa história real que aconteceu em 2005, durante a
Operação “Asa Vermelha”, criada e planejada pela Marinha dos EUA para localizar
e matar o líder terrorista talibã Shah, escondido numa vila remota no
Afeganistão. Quatro soldados de elite, liderados pelo oficial Marcus Luttrell
(Mark Wahlberg), foram designados para a missão, até então considerada de fácil
execução. Eles verão, porém, que na prática as coisas não acontecerão como o planejado.
Ao se aproximarem da vila, os soldados são surpreendidos por três pastores de
cabras. Ao invés de prendê-los, impedindo que avisem os talibãs, os soldados
resolvem soltá-los. Por causa desse imprevisto, acham melhor abortar a missão e
chamar os helicópteros para resgatá-los. Tarde demais. De repente, centenas de
talibãs saem em seu encalço e aí eles vão sofrer na pele - e nos ossos – as
consequências do escrúpulo que tiveram ao liberar os pastores. As cenas são de
um incrível realismo, principalmente aquelas em que os soldados despencam morro
abaixo, chocando-se contra pedras e árvores. Um filmaço, repleto de ação e
suspense do começo ao fim. O famoso filme super
bonder: você não consegue desgrudar da poltrona. Outro ótimo filme nessa
linha é “Falcão Negro em Perigo”, de 2001, dirigido por Ridley Scott, também
baseado em fatos reais.
sábado, 29 de março de 2014
“Ninfomaníaca” (Partes 1 e 2) é mais um filme
polêmico do diretor dinamarquês Lars Von Trier. Encontrada caída na rua e toda
machucada, Joe (Charlotte Gainsburg) é levada por Seligman (Stellan Skarsgard)
para sua casa. Ele cuida dos ferimentos dela e ela resolve contar a história de
sua vida conturbada. Sem nenhum tipo de censura, Joe relata em detalhes todas
as suas experiências sexuais desde os 12 anos de idade. Seligman, um homem
simples e de grande erudição, comenta os fatos contados relacionando-os à História, aspectos
religiosos, música clássica, filosofia, psicologia, literatura etc. O filme tem
muitas cenas de sexo explícito e torturas físicas, o que pode incomodar muita
gente. Portanto, tire as crianças,
adolescentes e idosos da sala. É claro que Lars Von Trier faz tudo para chocar,
como na maioria dos seus filmes anteriores. Ele mesmo gosta de ser polêmico. No
Festival de Cannes 2011, por exemplo, elogiou Hitler numa entrevista e foi
banido do festival. “Ninfomaníaca” ainda
tem no elenco Stacy Martin (a jovem Joe), Shi Labeouf, Christian Slater, Uma
Thurman e Jamie Bell. Tem gente que detesta Trier, outros o suportam e outros tantos o adoram. Mas uma coisa é certa: ele é um diretor muito criativo. Assistir a
um de seus filmes pode ser uma experiência bastante interessante. É seguir em
frente ou clicar stop. A opção é sua.
quinta-feira, 27 de março de 2014
Nova
Iorque. O ano é 1955. Um grupo de meninas adolescentes decide criar uma sociedade
secreta chamada Foxfire. O objetivo das garotas é reunir forças para se
defender e se vingar do assédio masculino, aqui incluídos o sexo e a violência.
Só que elas acabam extrapolando os limites do bom senso, passando ao roubo,
chantagem e até sequestro. Este é basicamente o enredo do filme “Foxfire
– Confissões de uma Gangue de Garotas” (“Foxfire
– Confessions of a Girl Gang”), uma co-produção França/Canadá de 2013, sob a
direção do francês Laurent Cantet. A história é baseada no livro “Foxfire –
Confessions of a Girl Gang”, escrito pela norte-americana Joyce Carol Oates e
publicado em 1993. A liderança do grupo de meninas é exercida por Legs (Raven Adamson),
uma jovem problemática, rebelde e radical, inconformada com a sociedade capitalista
e o sonho americano – as demais seguem a mesma cartilha. Legs é influenciada por
um velho que, num banco de praça, fala sobre os ideais socialistas que fizeram
a cabeça de muitos jovens no início do
século 20. Por outro lado, impossível dissociar as atitudes das garotas do movimento feminista
que se fortalecia cada vez mais nos EUA naquela época. Embora sua duração
alcance as duas horas e meia, o filme nunca perde o ritmo. As atrizes que
interpretam as garotas do Foxfire são todas iniciantes, mas muito competentes,
em especial a que faz Legs, Raven Adamson. Do mesmo diretor, recomendo também “Entre
os Muros da Escola” (2008) e “Em direção ao Sul” (2005).terça-feira, 25 de março de 2014
“Poklosie” (no inglês, “Aftermath”) ainda
não tem tradução no Brasil, mas podemos chamá-lo de “Consequências”. É um filme
polonês de 2012, considerado o mais polêmico já feito naquele país. E não é à
toa. O filme revela um grande segredo guardado a sete chaves desde a Segunda
Guerra Mundial: o massacre, em 1941, de mais de 300 judeus poloneses que
moravam na aldeia de Jedwabne. O crime sempre foi atribuído aos alemães, que
ocupavam a Polônia desde 1939. No entanto, o filme, dirigido por Wladyslaw
Pasikowiski, revela que essa história foi muito mal contada. E a verdade
revelada em “Poklosie” revoltou
os poloneses, tanto que o diretor e os atores foram execrados por uma grande
parte da opinião pública. Baseado, portanto, em fatos reais, o filme mostra o
retorno de Józef Kalina (Maciej Stuhr) à sua aldeia natal para visitar o irmão,
Franciszek Kalina (Irineusz Czop), que não via há 20 anos. Józef encontra o
irmão completamente obcecado pela ideia de proteger e conservar as lápides de um
antigo cemitério judeu, as quais encontrou enterradas numa estrada perto de sua
propriedade. Contrariando a vontade da população local, os irmãos Kalina passam
a investigar o que realmente aconteceu aos judeus. Uma das descobertas dos
irmãos, porém, fará com que se arrependam terrivelmente de ter escarafunchado esse
passado. O filme é um drama pesado, mas muito intenso e revelador, pois reabre
uma ferida que os poloneses - pelo menos os daquela aldeia - acreditavam estar definitivamente cicatrizada.
Um filme obrigatório para quem se interessa por histórias da 2ª Guerra Mundial.
segunda-feira, 24 de março de 2014
“Eu, Anna” (“I,
Anna”), uma co-produção Inglaterra/França/Alemanha, de 2012, é um misto de policial
e suspense. Chamado para investigar o assassinato de um homem num edifício
residencial de Londres, o detetive Bernie Reid (Gabriel Byrne) cruza acidentalmente
com uma mulher de meia idade que sai apressada do lugar. Esta mesma mulher,
Anna Welles (Charlotte Rampling), Bernie virá a reencontrar numa festa
destinada a aproximar pessoas interessadas em conhecer novos parceiros. Anna e
Bernie vêm de divórcios traumáticos. Anna trabalha numa loja de departamentos e
vive num apartamento pequeno com a filha (Hayley Atwell) e a neta, mas está infeliz. Bernie não
dorme bem desde que se separou da mulher e vive solitário. Em meio às
investigações do crime, policiais subordinados a Bernie levantarão suspeitas
sobre Anna, o que colocará o detetive numa situação complicada. O filme, dirigido por Barnabie Southcombe (filho de Rampling na
vida real), é baseado no livro “I, Anna”, de Elsa Lewin. No livro, a história
acontece em Nova Iorque. Trata-se de um suspense muito bom, valorizado ainda
mais pelo ótimo desempenho de Rampling e Byrne. domingo, 23 de março de 2014
Quando
o filme termina, você se sente compelido a fazer a seguinte pergunta: “Será que
o resultado do julgamento foi um grande erro judiciário? O filme é “Lizzie
Borden pegou o machado” (“Lizzie Borden
took an axe”), produzido para a TV em 2013 e dirigido por Nick Gomez. Não para
nós, mas para o pessoal dos EUA o caso teve uma enorme repercussão, que
perdurou durante muitos anos. A história é, portanto, baseada em fatos reais.
Em 1892, na cidade de Fall River (Massachusetts), a jovem Lizzie Borden (Christina
Ricci) foi acusada, presa e julgada pelo assassinato, a machadadas, do pai
Andrew Borden e da madastra Abby Borden. O filme mostra, em sua primeira
metade, o dia-a-dia e o relacionamento entre os integrantes da família Borden,
na qual se inclui Emma (Clea Duvall), a irmã de Lizzie, e os assassinatos. A
segunda metade detalha as investigações, os interrogatórios e, finalmente, o
julgamento. Aqui no Brasil, certamente, poucos já ouviram falar de Lizzie
Borden ou de seu julgamento. Talvez por isso mesmo seja muito interessante
assistí-lo. Aliás, o filme foi indicado para vários prêmios Emmy, inclusive de
melhor atriz. Julgue você mesmo!
“Uma Armadilha
para Cinderela” (“Trap for Cinderella”) é um filme inglês de 2013 dirigido
por Iain Softley. Trata-se de um suspense baseado no livro de Jean-Baptiste
Rossi. A trama começa meio complicada. Uma explosão seguida de incêndio atinge
duas jovens amigas. Uma morre e a outra fica desfigurada e desmemoriada. Esta é
levada para a Suíça e lá operada por um cirurgião plástico de renome. Ela volta
a Londres e, por causa da amnésia, não sabe quem é e não conhece ninguém. Fica
sabendo que é muito rica. Aí entram os flashbacks que contam a história das
amigas de infância Micky (Tuppence Middleton) e Domenica (Alexandra Roach).
Agora adultas, elas voltam a se encontrar casualmente e reatam a velha amizade.
Domenica vem de família pobre e trabalha num banco. É toda certinha. Micky é
rica, descompromissada e meio muluquete, adora baladas e não dispensa um copo
de bebida. Até a explosão, o filme explora a amizade entre as duas moças,
incluindo a obsessão de Domenica por Micky, fato que acabará abalando a relação.
Uma reviravolta na história, perto do final, vai mostrar que nem tudo era o que
parecia ser, e todas as dúvidas deixadas no ar serão finalmente esclarecidas.
sábado, 22 de março de 2014
“O Julgamento
de Nuremberg”, co-produção Canadá/EUA de 2000, é talvez o melhor filme já feito sobre
o maior acontecimento jurídico do Século XX. O julgamento, ocorrido logo depois
do final da 2ª Guerra Mundial, colocou no banco dos réus, na cidade alemã de
Nuremberg, vinte e quatro importantes oficiais nazistas acusados dos mais hediondos crimes,
o maior deles o assassinato de milhões de judeus em campos de concentração. O
filme é uma verdadeira aula de história. Os depoimentos de juízes, promotores,
advogados de defesa, sobreviventes e réus foram copiados das fitas gravadas
durante o julgamento original. Cenas de bastidores, incluindo os prisioneiros
em seu dia-a-dia, também obedeceram fielmente os relatos da época. É impossível
não se emocionar com as cenas que mostram trechos de filmes produzidos pelas
forças aliadas nos campos de concentração libertados. São chocantes. A
impressão que dá é que os atores também ficaram chocados, muitos deles com
lágrimas nos olhos. O elenco é excelente: Alec Baldwin, Jill Hennessy, Brian
Cox, Christopher Plummer, Roger Dunn e Max Von Sidow, entre outros. A atriz Charlotte
Gainsbourg faz uma sobrevivente que dá um depoimento emocionado sobre o que viu
e sofreu num campo de concentração. É marcante, por exemplo, a cena seguinte, quando
ela termina de testemunhar e passa diante dos reús, encarando um por um. O
filme tem três horas de duração, mas vale cada minuto.
sexta-feira, 21 de março de 2014
Em fase de treinamento numa academia para formação
de oficiais de polícia, dois colegas da mesma turma acabam se apaixonando. Só
que existe um problema: os dois são homens. Outro problema maior: um deles é
casado com uma moça e está prestes a ser pai. Estes são os pontos de partida do
drama alemão “Queda Livre” (“Freier
Fall”), de 2013, dirigido por Stephan Lacant. A convivência na academia fez com
que Kay (Max Riemelt) se apaixonasse por Marc (Hanno Koffler). Numa das
corridas que ambos faziam pela floresta, Kay assedia Marc, que rejeita a
investida do colega. Kay continua insistindo, até o dia em que Marc resolve se
entregar. É claro que seu casamento com Bettina (Katharina Schüttler) vai
balançar, mas o nascimento do bebê faz com que Marc repense a situação. Ele
tenta se afastar de Kay. Será que conseguirá? O filme mostra o quanto é difícil
alguém “sair do armário” e assumir a nova condição perante a família, amigos e
colegas de trabalho. O filme foi premiado em festivais da Alemanha e EUA. Os
críticos o consideraram como a versão alemã de “O Segredo de Brokebeck Montain”,
dirigido por Ang Lee em 2005, cuja temática é bastante semelhante. O filme
alemão é ainda melhor, embora as cenas ousadas de sexo entre os dois amantes possa chocar os menos liberais. O trabalho dos três atores principais - os dois amantes e a mulher traída - é muito bom. Esqueça o preconceito e confira esse ótimo drama!
quarta-feira, 19 de março de 2014
“O Fundamentalista Relutante”
(“The Reluctant Fundamentalist”) é um drama baseado no best-seller, com o mesmo
título, do escritor paquistanês Mohsin Hamidhr. O filme, dirigido pela indiana
Mira Nair, foi produzido em 2012 e estreou no mesmo ano no Festival de Veneza. O
enredo do filme segue a história contada pelo paquistanês Changez Khan (Riz
Ahmed) na entrevista ao jornalista norte-americano Bobby Lincoln (Liev
Schreiber). Ele conta como, aos 18 anos,
saiu de Lahore, no Paquistão, para estudar nos EUA, onde se destacou na Universidade
de Princeton. Depois de se formar, foi trabalhar como analista financeiro na
Empresa Underwood Samson, uma das mais importantes de Wall Street. O trabalho
de Khan impressiona Jim Cross (Kiefer Sutherland), um dos diretores, que se
transforma em seu mentor e responsável por promovê-lo a sócio. Khan vive o
sonho americano. Além de ganhar dinheiro, ele conhece a bela fotógrafa Erica (Kate
Hudson), pela qual se apaixona. Mas aí acontece o atentado de setembro de 2011
contra o Word Trade Center. E a vida de
Khan muda do avesso e o sonho americano parece ir água abaixo. Mesmo que seja
baseado num romance de ficção, o filme mostra um retrato de como os
estrangeiros, principalmente os de origem árabe e muçulmanos, passaram a ser
tratados nos EUA após o atentado. Numa das frases que diz ao jornalista, Khan
afirma que, apesar de amar os EUA e lamentar as vítimas inocentes, não deixou de sentir um certo orgulho pelo atentado às torres gêmeas. “Um David derrubando Golias”, diz. Um
filme vigoroso que merece ser conferido. segunda-feira, 17 de março de 2014
“Sunlight Jr.”, dirigido
por Laurie Collyer, estreou no Tribeca Film Festival (o segundo festival
de cinema independente mais importante dos EUA depois de Sundance) em novembro
do ano passado. Trata-se de um drama triste e pesado, que mostra a realidade de
trabalhadores pobres para os quais o sonho americano está muito distante. É inspirado
no livro “Nickel and Dimed”, de Barbara Ehrenreich. Melissa (Naomi Watts), funcionária de um
mercado, mora com o namorado Richie (Matt Dillon) numa espelunca. Ele é paraplégico
e está desempregado. Apesar das dificuldades financeiras, o casal vive feliz e
vai tocando o barco do jeito que dá. Eles se amam e fazem sexo toda hora. Mas
depois que ela fica grávida e logo em seguida perde o emprego, as coisas vão
ficar cada vez mais difíceis. Richie aumenta o consumo de bebida, fica violento
e a relação acaba entrando numa grave crise. Será que eles conseguirão superar a
situação? Sem maquiagem e despida de qualquer glamour, Naomi Watts não se
importou até em parecer feia em prol do papel e seu desempenho comprovou o que
a gente já sabia: ela é uma ótima atriz. Matt Dillon está longe do galã que já
foi, mas continua um bom ator. Um bom drama que vale a pena ser visto.
domingo, 16 de março de 2014
O suspense “Conexão Perigosa”
(“Paranoia”),
2012, dirigido por Robert Luketic, traz no elenco ótimos atores como Harrison
Ford, Gary Oldman e Liam Hemsworth, este último irmão mais novo de Chris
Hemsworth (“Thor” e “Rush”). Tem ainda a bela Amber Heard, um colírio, Embeth
Davidtz, Lucas Til, Josh Holloway e Richard Dreyfuss. Liam interpreta Adam
Cassidy, um funcionário ambicioso da gigante Wyatt Corporation. Ele dá uma
mancada terrível e, além de perder o emprego, pode ir para a cadeia. Só que o
chefão da empresa, Nicholas Wyatt, tem outros planos. Chama Adam e promete
perdoá-lo se ele aceitar uma missão, ou seja, espionar a empresa de Jack Hoddard
(Ford) – as duas empresas operam na área de tecnologia (Wyatt e Hoddard haviam
sido sócios e se odeiam). Daí para a frente, haverá muito suspense, bem ao
estilo dos filmes de espionagem, e, quase no final, duas reviravoltas que conseguem
deixar a história mais interessante.

Entre
1998 e 1999, uma gangue formada por jovens judeus ortodoxos de uma comunidade do
bairro do Brooklyn, em Nova Iorque, contrabandeou, de Amsterdam (Holanda) para
os EUA, mais de um milhão de comprimidos de Ecstasy. Essa história, que abalou
a comunidade judaica do Tio Sam, é contada no filme “Caminhos
Opostos” (“Holy Rollers”), de 2010,
dirigido por Kevin Asch. O jovem Sam Gold (Jesse Eisenberg) é filho de um judeu
ortodoxo e estuda para ser rabino. Seu vizinho Yosef (Justin Bartha) o convence
a participar de um esquema de transporte de “remédios” da Holanda. Sam começa a
ganhar muito dinheiro e, como é inteligente, acaba ocupando um cargo de
destaque na quadrilha. Uma de suas funções é cooptar novos integrantes na
comunidade judaica. Aos poucos, também, Sam vai abandonando os preceitos
religiosos e de comportamento do povo judeu, o que vai acarretar seu
desligamento da família. A história não ganhou muito destaque no noticiário aqui
no Brasil. Apesar de muito interessante, ainda mais pelo fato de ser baseado em
fatos reais, o filme não foi lançado no circuito comercial. Saiu direto em DVD.
Vale a pena conferir!
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