quinta-feira, 30 de outubro de 2025

ÉDEN (EDEN), 2024, coprodução Estados Unidos/Canadá, 2h09m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Ron Howard, que também assina o roteiro com Noah Pink. A história é inspirada em fatos reais que começaram em 1929, quando o médico alemão Friedrich Ritter (Jude Law) chega à ilha de Floreana, no longínquo arquipélago de Galápagos. Com sua companheira Dore Strauch (Vanessa Kirby), o médico, famoso na Alemanha, buscava uma vida alternativa na natureza selvagem, assim como escrever um livro de filosofia que mudasse o entendimento do mundo. Em seu rastro, três anos depois, chega também à ilha o casal também alemão Hans e Margret Wittmer (Daniel Brühl e Sydney Sweeney) e seu filho. Não demora muito e também joga sua âncora em Floreana a excêntrica e promíscua baronesa Eloise Von Wagner Bousquet (Ana de Armas) e seus dois amantes. O objetivo da baronesa é construir um hotel na praia da ilha para hóspedes ricos e famosos. Ao contrário do seu significado na Bíblia, conforme o título Éden deixa subentender, com a chegada desses “turistas” a ilha deixa de ser um paraíso para se transformar num local de conflito social, desentendimentos e tragédias. Lançado no Festival de Cinema de Toronto, no Canadá, “Éden“ dividiu opiniões, com a maioria dos críticos afirmando que Ron Howard desta vez errou feio – lembro que o diretor foi responsável por vários filmes de sucesso, tais como “Apolo 13”, “Cocoon”, “Rush”, “O Código da Vinci” e “Uma Mente Brilhante”, este último vencedor do Oscar 2010 de Melhor Filme e Melhor Direção. “Éden” também não foi bem de bilheteria nos Estados Unidos. Como curiosidade, destaco que as filmagens ocorreram em Queensland, na Austrália, e não em Galápagos. Como sou um cinéfilo amador relativamente democrático, deixo a critério do espectador apertar o play.    


terça-feira, 28 de outubro de 2025

 

“CASA DE DINAMITE” (“HOUSE OF DYNAMITE”), 2025, Estados Unidos, 1h52, em cartaz na Netflix, direção de Kathryn Bigelow, seguindo roteiro assinado por Noah Oppenheim. Não dá para sair ileso deste suspense (geo) político. A história é de uma tensão sufocante, já que toda a ação prevê a possibilidade de um iminente conflito nuclear cujas consequências todo mundo já conhece. Começa o filme com a constatação de que um míssil nuclear intercontinental acaba de ser lançado contra os Estados Unidos e cuja rota aponta como alvo provável a cidade de Chicago. Quem enviou? As principais suspeitas recaem sobre a Rússia, China ou Coreia do Norte. A situação mobiliza toda infraestrutura do governo norte-americano, desde o seu presidente até os comandantes das forças armadas, além da Agência de Defesa de Mísseis (MDA), que imediatamente ordena o lançamento de mísseis interceptadores. Erraram na primeira e na segunda tentativas. Os minutos vão se passando e o desespero toma conta de todos. Enfim, uma guerra nuclear pode estar a caminho, pois uma ordem do presidente pode resultar numa retaliação. Haja coração! Méritos para a diretora Katryn Bigelow, que já nos presenteou com ótimos suspenses, entre os quais “Guerra ao Terror” – Oscar 2010 de Melhor Filme e Melhor Direção -, “A Hora mais Escura”, “Detroit em Rebelião” e “Quando Chega a Escuridão”. Neste seu recente “Casa de Dinamite”, a diretora deixa o espectador adivinhar o que poderá ter acontecido no desfecho, já que o filme termina abruptamente sem um final explicado. Numa de suas entrevistas sobre o filme, Kathryn Bigelow afirmou: "Quero que as pessoas sintam o peso da incerteza. Vivemos em um mundo onde a catástrofe pode começar com um clique – e, ainda assim, escolhemos acreditar que temos tempo”. O elenco é de primeira: Idris Alba, Rebecca Ferguson, Gabriel Basso, Jason Clarke,  Willa Fizgerald, Jonah Hauer, Tracy Letts, Kaitlyn Denver, Moses Ingram, Anthony Ramos, Jared Harris, Kyle Allen, Brian Tee e Greta Lee.  Filmaço!  

domingo, 26 de outubro de 2025

“27 NOITES” (“27 NOCHES”), 2025, Argentina, 1h47m, em cartaz na Netflix, direção do cineasta e ator uruguaio Daniel Hendler (que atua no filme), que também assina o roteiro com Mariano Llinás e Martin Mauregui. Drama e humor estão juntos numa história baseada em fatos reais descritos no livro “Veintisiete Noches”, romance de Natalia Zito, envolvendo a idosa Natália Cohen (1919-2022), uma artista plástica e escritora argentina internada numa clínica psiquiátrica pelas próprias filhas. No filme, a vítima do internamento compulsório é Martha Hoffman (Marilu Marini), uma senhora de 83 anos que passa internada 27 noites por causa de um laudo médico assinado por um conhecido neurologista e por uma psiquiatra que depois confessou que nem conhecia Martha. Segundo o laudo, a idosa sofreria de demência frontotemporal – a mesma doença do ator Bruce Willis. Além da idosa e das suas duas filhas, interpretadas por Paula Grinszpan e Carla Peterson, o personagem de maior destaque ficou por conta do próprio diretor, que faz o papel de Leandro Casares, perito designado por um tribunal para avaliar a condição de Martha, com quem acaba tendo uma grande amizade e é responsável pelas principais cenas de humor. O filme é um tanto irregular, com algumas situações que fogem do contexto da história, como aquela em que o perito e a idosa ingressam numa comunidade artística que, esta sim, parece mais um manicômio.  


“O MONSTRO DE FLORENÇA” (“IL MOSTRO”), 2025, Itália, minissérie em 4 episódios em cartaz na Netflix, direção de Stefano Sollima (“Suburra”, “Sicário”), que também assina o roteiro com Leonardo Fasoli. Baseada em fatos reais descritos no livro “O Monstro de Florença (2009), escrito por Douglas Preston e Mario Spezi, a história é centrada nos crimes de um serial killer que aterrorizou a Itália por quase duas décadas. Embora a polícia italiana tenha detido vários suspeitos, nenhum deles foi preso como o autor dos assassinatos. No total, desde 1968, foram mortas 18 pessoas, geralmente casais que faziam sexo em veículos nos arredores de Florença. O modus operandi do assassino era sempre o mesmo. Ele utilizava a mesma arma, uma pistola Beretta calibre 22, com balas Winchester “série H”, e mutilava as mulheres, removendo seus órgãos sexuais. Por pressão dos familiares das vítimas, o caso foi reaberto várias vezes, mas a polícia até hoje não conseguiu identificar o criminoso. Estão no elenco Francesca Olia, Liliana Bottone, Marco Bullitta, Giacomo Fadda, Valentino Mannias, Chloé Groussard, Adele Piras e Niccolo Cancellieri. Achei o roteiro meio confuso, principalmente pela utilização exagerada de flashbacks – alguns repetidos no último episódio, além de um elenco que não convence. Em todo caso, a história é de arrepiar os pelos da nuca.

terça-feira, 21 de outubro de 2025

 

 

“A ÚLTIMA PARADA DO ARIZONA” (“THE LAST STOP IN YUMA COUNTY”), 2023, Estados Unidos, 1h30m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção do estreante Francis Galluppi. Este é mais um daqueles filmes pouco divulgados que surpreendem por sua qualidade. A história é ambientada em 1970 e acontece praticamente em apenas um cenário, a lanchonete anexa a um posto de gasolina num lugar ermo do condado de Yuma, Arizona, bem próximo à fronteira com o México. O primeiro cliente é um vendedor de facas (Jim Cummings), que parou para abastecer seu veículo. Acontece que o posto está sem combustível e o caminhão-tanque só chegará dali a três ou quatro horas. Diante da situação, o vendedor é encaminhado para a lanchonete. Chegam também dois sujeitos mal-encarados que acabaram de assaltar um banco e agora estão impedidos de continuar sua fuga por falta de combustível. Eles ameaçam a garçonete Charlotte (Jocelin Donahue) e o vendedor caso eles os denunciem aos próximos clientes que chegarem. No caso, um casal de jovens, um casal de idosos, um policial atrapalhado e um índio mestiço, além do encarregado do posto. O que acontece depois é um segredo que não vou revelar, mas posso garantir: serão cenas hilariantes e um desfecho com direito a um grand finale. Completam o ótimo elenco Ricard Breake, Nicholas Logan, Michael Abbot Jr., Faizon Love, Jon Proudstar, Gene Jones, Sierra McCormick e Alex Essoe. Méritos totais ao roteiro e à direção do cineasta estreante Francis Galluppi. Imperdível!

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

 

“UM FANTASMA NA BATALHA” (“UN FANTASMA EN LA BATALLA”), 2025, Espanha, 1h48m, em cartaz na Netflix, roteiro e direção de Agustín Días Yanes (“Oro: A Cidade Perdida”). Baseada em fatos reais, a história é centrada em Amaia (Susana Abaitua, ótima!), jovem policial da Guarda Civil que passou vários anos infiltrada no ETA, grupo separatista basco, entre os anos 90 e 2000. Fundado em 1968, o ETA foi responsável por inúmeros atentados à bomba e assassinatos à bala de políticos, autoridades do governo e civis. O arriscado trabalho de Amaia, supervisionado pelo tenente-coronel Castro (Andrés Gertrudix), consistia em fornecer informações importantes sobre o planejamento dos atentados, identificação dos membros e a localização dos esconderijos dos chefes do grupo, principalmente no sul da França. O filme entrega um suspense intenso, pois a cada missão Amaia corria o risco de ter sua verdadeira identidade descoberta, o que resultaria na sua morte imediata. Resumindo, Amaia deu uma grande contribuição para o fim da organização separatista. Completam o elenco Ariadna Gil, Raúl Arévalo e Iraia Elias. De forma primorosa, o cineasta Agustín Yanes soube colocar o filme dentro do contexto histórico e político da época, principalmente ao acrescentar imagens dos telejornais da época, o que contribuiu para dar maior credibilidade à história. Imperdível.   

sábado, 18 de outubro de 2025

“GTmax”, 2024, coprodução França/Bélgica, 1h39m, em cartaz na Netflix, direção de Olivier Schneider, seguindo roteiro assinado por Jean-André Yerles e Rachid Santaki. Existem dois bons motivos para assistir a este filme de ação: a bela atriz Ava Baya e as ótimas cenas de perseguição e corridas de motocross. Ao verem que o pai Daniel (Gérard Lanvin) enfrenta problemas financeiros, a ponto de estar prestes a perder a pista de motocross e as motos da equipe Carella, da qual é chefe, os irmãos Soélie (Baya) e Michael (Riadh Belaïche), jovens astros das competições, resolvem ingressar na gangue Raptors, famosa por realizar assaltos em motocicletas. Os irmãos deverão participar do próximo roubo, cujo alvo é uma coleção de pedras preciosas valiosas. Desconfiada das intenções do grupo criminoso, a polícia monta um esquema para prender os assaltantes, sabendo que eles utilizarão motocicletas. Apesar disso, o assalto é bem sucedido, só que os marginais não contavam com a posterior perseguição dos policiais, o que resultarão em mais algumas cenas de alta tensão. Não dá pra comentar o desfecho, mas fica a sensação, de acordo com a última cena, de que haverá uma sequência. Como disse no começo do comentário, existem dois motivos para assistir, mas outros tantos para passar longe.    

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

“O ROYAL HOTEL” (“THE ROYAL HOTEL”), 2023, coprodução Austrália/Inglaterra, 1h31m, em cartaz na Netflix, direção da cineasta australiana Kitty Green (“A Assistente”), seguindo roteiro assinado por Oscar Redding. A história foi inspirada num documentário de 2016 que retratou um caso real ocorrido no pequeno vilarejo de Coolgardie, numa região inóspita da Austrália Ocidental. “O Royal Hotel” é centrado em duas jovens mochileiras à procura de aventura. Amigas que não se desgrudam, as canadenses Hanna (Julia Garner) e Liv (Jessica Henwick) resolvem se aventurar pelo interior da Austrália, chegando ao vilarejo de Coolgardie, cuja população é, em sua maioria, composta por trabalhadores de uma mineração. Sem dinheiro, as duas topam se hospedar no Royal Hotel, uma espelunca cujo proprietário é Billy (Hugo Weaving, de “Matrix”), um sujeito irresponsável cuja fama é de um beberrão contumaz. Para pagar a hospedagem e faturar algum dinheiro, elas topam trabalhar como garçonetes no bar do hotel, frequentado por bêbados da pior espécie, sedentos de sexo. As bebedeiras são homéricas. Dessa forma, as duas jovens trabalham correndo o risco de serem assediadas o tempo inteiro. Quando o filme terminou, de forma trágica, fiquei pensando o que levou as duas jovens a se aventurar num lugar tão lamentável, longe de qualquer sinal de civilização. Enfim... Completam o elenco Toby Wallace, Daniel Henshall, James Frecheville, Herbert Nordrum e Ursula Yovich. Na dúvida se recomendo ou não, resolvi conceder aos meus dois leitores o direito ao livre arbítrio. 

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

 

“A MULHER NA CABINE 10” (“THE WOMAN IN CABIN 10”), 2025, Estados Unidos, 1h32m, em cartaz na Netflix, direção do cineasta suíço radicado na Austrália Simon Stone (“A Escavação”, “A Filha”), que também assina o roteiro com Joe Shrapnel e Anna Waterhouse. Suspense de primeira, movimentado e repleto de tensão e reviravoltas. Começa com a jornalista investigativa Laura Blacklock (Keira Knightley) sendo convidada a participar de um cruzeiro no luxuoso iate da bilionária Anne Bullmer (Lisa Loven Kongsli). Entre os convidados, alguns membros da fundação criada por Anne e jornalistas. Durante a viagem, Anne, com câncer terminal, assinaria um testamento no qual consta sua intenção de deixar toda sua fortuna para a fundação dedicada às pesquisas da cura para o câncer e tratamentos para pacientes com a doença. Na primeira noite, Laura está em seu camarote quando ouve uma violenta discussão e depois testemunha um corpo sendo jogado ao mar. Ela alerta o ocorrido à equipe de segurança da embarcação, que faz a contagem dos passageiros e tripulantes, constatando que nenhum está desaparecido. Com a intenção de descobrir o que aconteceu, Laura começa a investigar e acaba descobrindo algumas verdades que gente poderosa tenta esconder. A partir daí, ela correrá grande perigo até o desfecho da história, num grand finale que valoriza qualquer bom suspense. Completam o elenco Guy Pearce, Gitte Witt, Kaya Scodelario, David Ajala, Gugu MBatha-Raw e Hannah Waddingham. Sem dúvida, um dos melhores suspenses lançados este ano. Imperdível!      

“ZOE, MINHA AMIGA MORTA” (“MY DEAD FRIEND ZOE”), 2024, Estados Unidos, 1h42m, em cartaz na Prime Vídeo, estreia na direção de longas do cineasta Kyle Hausmann-Stokes, que também assina o roteiro com AJ Bermudez e Cherish Chen. O titulo pode parecer que o filme é uma produção de terror ou comédia. Nenhuma das duas. Trata-se de um drama cujo pano de fundo é a Síndrome do Estresse Pós-Traumático que atinge a maioria dos veteranos de guerra, levando-os, muitas vezes, ao suicídio. A história é centrada na soldado Merit (Sonequa Martin-Green, de “The Walking Dead” e “Star Trek: Discovery’), uma veterana da guerra no Afeganistão. Seu trauma principal foi a morte de sua companheira e melhor amiga Zoe (Natalie Morales). Para tratar do seu problema psicológico, Merit é encaminhada a um programa de terapia destinado a veteranos de guerra, supervisionado pelo psicólogo militar Dr. Cole (Morgan Freeman). Ao mesmo tempo, Merit é obrigada a cuidar do pai Dale (Ed Harris), em processo adiantado de Alzheimer. Além disso, Merit vê a todo momento o fantasma de Zoe, um lance arriscado do roteiro, mas eficiente no contexto do drama. Em vários flashbacks, o enredo evoca cenas das duas amigas em missão no Afeganistão, levando o espectador a supor que Zoe teria sido morta durante combate. O fato do diretor Kyle ser também um ex-veterano de guerra como paraquedista no Iraque – anos 90 – fornece credibilidade ao tratar de um tema tão sensível como os traumas de guerra. Completam o elenco Gloria Reuben, Utkarsh Ambudkar e Alicia Borja. Trocando em miúdos, um filme muito interessante e sensível.        

sexta-feira, 10 de outubro de 2025

“STEVE”, 2025, coprodução Irlanda/Inglaterra, 1h32m, em cartaz na Netflix, direção do cineasta belga Tim Mielants. Trata-se da adaptação de “Shy”, romance de Max Porter, que também assina o roteiro. A história de “Steve” é ambientada durante um dia em um colégio interno para jovens problemáticos. Steve (Cillian Murphy, Oscar de Melhor Ator por “Oppenheimer”) é o diretor do estabelecimento, cujo objetivo é realizar um estudo sobre os desafios do sistema de ensino alternativo inglês, muito em comum nos anos 90 do século passado, proporcionando aos jovens problemáticos, ao contrário dos reformatórios comuns, um tratamento mais humano e menos punitivo. Missão difícil, quase impossível, pois os jovens internos são agressivos, raivosos e violentos. Nesse dia específico, o colégio recebe a visita de um deputado, que termina de forma desastrosa, e logo em seguida Steve recebe a notícia de que o colégio será fechado. Como se não bastasse, Shy (Jay Lycuyrgo), um dos jovens internos mais problemáticos, foge da instituição. Diante de tantas situações conflituosas, Steve entra em colapso emocional. Mesmo com tanto drama, o desfecho reserva uma cena bastante comovente. Completam o elenco Emily Watson, Tracey Ullman e Little Simz, além de vários atores estreantes. Trocando em miúdos, “Steve” é um drama poderoso de muita qualidade.         

quarta-feira, 8 de outubro de 2025

 

“ÔNIBUS PERDIDO” (“THE LOST BUS”), 2025, Estados Unidos, 2h10m, em cartaz na Apple TV+, direção do cineasta inglês Paul Greengrass (“Voo United 93”, “Capitão Phillips”, “A Supremacia Bourne”). O roteiro, escrito pelo diretor e por Brad Ingelsby, é baseado no livro “Paradise: One Town’s Struggle to Survive an American Wildfire”, da jornalista Lizzie Johnson. Os fatos adaptados ocorreram no dia 18 de novembro de 2028, quando um terrível incêndio iniciado na mata de Paradise, na Califórnia, matando 85 pessoas e queimando 18 mil casas - o mais letal de toda a história da Califórnia. O incêndio mobilizou as autoridades locais, a polícia e os bombeiros, que conseguiram evacuar cerca de 50 mil pessoas. Utilizando cenas reais e algumas outras por computação gráfica, o filme destaca o feito heroico de  Kevin McKay (Matthew McConaughey), motorista de ônibus escolar, e da professora Mary Ludwig (America Ferrera), que conseguiram salvar as 22 crianças que ocupavam o veículo em meio à floresta em chamas. O motorista procurou saídas alternativas às estradas completamente congestionadas – muitas das vítimas dessa tragédia morreram carbonizadas no interior de seus veículos -, buscando caminhos alternativos como rodovias vicinais e estradas de terra. O sufoco durou mais de 5 horas. O espectador é colocado dentro do ônibus, vivendo igualmente inúmeros momentos de muita tensão, medo e perigo. O suspense é de roer as unhas e apertar os braços da poltrona. Como diria Galvão Bueno, “Haja Coração!”. Ou seja, se for cardíaco(a), não assista. O filme é muito bom.    

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

“A ESTRANHA COMÉDIA DA VIDA” (“LA STRANEZZA), 2023, Itália, 1h44m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Roberto Andò (“As Confissões”, “O Caravaggio Roubado”, “Viva a Liberdade”), que também assina o roteiro com Massimo Gaudioso. Mesmo quem não curte muito teatro, como eu, sabe quem foi Luigi Pirandello (1867/1936), dramaturgo italiano autor de peças memoráveis e premiado com o Nobel de Literatura em 1934. Pois é Pirandello, papel do ator Toni Servillo, o principal personagem desta comédia dramática que mistura ficção com realidade. A história é ambientada no início da década de 20 do século passado. Em crise de criatividade, o dramaturgo viaja de Roma para sua cidade natal Agrigento, na Sicília, para visitar um antigo amigo. Quando chega, recebe a notícia da morte de sua antiga babá. Ele comparece ao velório e se responsabiliza pela organização do enterro. É quando conhece dois hilários agentes funerários, Onofrio Principato (Salvatore Ficarra) e Sebastiano Vella (Valentino Picone), que também mantêm uma companhia de teatro amador prestes a estrear uma peça escrita por Sebastiano. Pirandello acompanha, escondido, os ensaios e se diverte com as confusões do elenco. Numa segunda etapa, a história passa para Roma durante a estreia da peça “Seis Personagens em Busca do Autor”, talvez a mais famosa de Pirandello. O público presente se dividiu em vaias e aplausos, mas depois a peça seria aclamada como um divisor de águas do teatro internacional. “A Estranha Comédia da Vida” venceu o Prêmio David Di Donatello (o Oscar italiano) em quatro categorias: Melhor Roteiro Original, Melhor Produção, Cenografia e Figurino. Complementando, destaco a incrível semelhança entre o ator Toni Servillo e Pirandello. Comparei as fotos e realmente são muito parecidos. Trocando em miúdos, o filme é ótimo e vai agradar, especialmente, os amantes do teatro.  

domingo, 5 de outubro de 2025

“MISSÃO RESGATE 2: VINGANÇA” (“ICE ROAD 2: VENGEANCE”), 2025, Estados Unidos, 1h54m, em cartaz na Prime Vídeo, roteiro e direção de Jonathan Hensleigh. A partir de “Busca Implacável”, sucesso de 2008, o ator Liam Neeson passou a ser requisitado para atuar em filmes de ação, na maioria das vezes como o mocinho da história. Mesmo agora, aos 73 anos, ele continua firme, mas já sem a mobilidade de antes – ele também é a figura central do remake “Corra que a Polícia Vem Aí”, em cartaz nos cinemas. Em “Missão Resgate 2: Vingança”, ele, no papel de Mike McCann, resolve atender a um pedido do irmão Gurty (Marcus Thomas), soldado do exército, que caso morra em alguma missão suas cinzas sejam jogadas no Monte Everest – na juventude, os irmãos praticavam alpinismo. Claro que o irmão acaba morrendo. E lá vai Mike para o Nepal levar o pote de cinzas. Em Katmandu (capital do Nepal) Mike ingressa num ônibus de turismo caindo aos pedaços que o levará, assim como a outros passageiros, ao Everest. No caminho, porém, o ônibus é perseguido por mercenários, já que entre os passageiros está o filho de um líder de uma comunidade local que se recusa a abandonar o vilarejo a mando de um mafioso. Ao lado da guia turística Dhani Yang Chem (a atriz chinesa Bingbing Fan), Mike lutará com os bandidos, proporcionando cenas de ação com grande suspense, pois as perseguições acontecem em estradas à beira de abismos. Completam o elenco Amelia Bishop, Mahesh Jadu, Bernard Curry e Grace O’Sullivan. O diretor Jonathan Hensleigh é mais conhecido como roteirista de alguns sucessos de Hollywood, como “Jumanji”, “Armagedon”, “O Justiceiro” e a série “The Adventures of Young Indiana Jones”.  

sexta-feira, 3 de outubro de 2025

“MAESTRO(S)” (O mesmo título no original), 2022, coprodução França/Bélgica, 1h27m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Bruno Bauer Chiche, que também assina o roteiro com Yaël Langmann, Clément Peny e Joseph Cedar. O longa é uma adaptação da comédia dramática israelense “Notas de Rodapé” (2011), sobre a rivalidade entre pai e filho que lecionam estudos talmúdicos em uma universidade de Jerusalém. Adaptado para o mundo da música clássica, “Maestro(s)” é mais um daqueles filmes escondidos no catálogo de um streaming que merece ser visto por quem curte cinema de qualidade. Na verdade, “Maestro(s)” é uma pequena joia. Mais enciumado do que orgulhoso, o veterano maestro François Dumar (Pierre Arditi) assiste pela TV o filho, também maestro, Denis Dumar (Yvan Attal), receber o importante prêmio “Victoires de La Music Classique”. Dias depois, durante o ensaio com a orquestra que dirige, François recebe o telefonema de um representante do famoso Teatro La Scala, de Milão, convidando-o para assumir a regência da sua orquestra. Regente conceituado internacionalmente, François se empolgou com o convite, considerando-o uma verdadeira e justa consagração de sua longa carreira. Só que havia um problema: o convite foi feito por engano, pois o Dumar escolhido não é ele, e sim o seu filho Denis. Essa reviravolta desencadeia uma montanha-russa de emoções entre pai e filho, envolvendo também seus familiares e amigos. O drama da situação só seria resolvido no desfecho, um gran finale repleto de emoção. Também estão no elenco Miou-Miou, Caroline Anglade, Caterina Murino, Pascale Arbillot e Vandelina Vandelli, André Marcon e Benoït Moret. Sem falar na primorosa e envolvente trilha sonora, “Maestro(s)” é um filme para assistir de smoking e vestido de gala. IMPERDÍVEL, assim mesmo, em letras maiúsculas.

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

“CÓDIGO PRETO” (“BLACK BAG”), 2025, Inglaterra, 1h33m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do cineasta norte-americano Steven Soderbergh (“Onze Homens e um Segredo”, “Traffic”, “Magic Mike”), seguindo roteiro assinado por David Koepp. Trata-se de um suspense psicológico de espionagem envolvendo uma equipe de agentes do serviço secreto inglês. O chefe da equipe é o experiente agente George Noodhouse (Michael Fassbender). A ele é revelado que um dos membros do grupo vazou informações confidenciais ligadas ao programa de software chamado “Severus”. Pior: tudo indica que sua esposa, a também agente Kathryn (Cate Blanchett) é a principal suspeita pela traição. Na tentativa de descobrir a verdade, George primeiro convida outros dois casais de agentes para um jantar, durante o qual ocorrem verdadeiros embates verbais, num jogo mental em que a desconfiança geral acaba com qualquer apetite. Para o espectador, o jantar faz parecer um reality show. E assim continua a história, George travando um jogo psicológico em várias frentes. Talvez tenha faltado ao roteiro alguma ação, tipo perseguição, tiros etc., mas ficou tudo na base dos diálogos. Completam o elenco Pierce Brosnan, Regé-Jean Page, Naomie Harris, Marisa Abela e Tom Burke. Mesmo com todos os defeitos, “Código Preto” é um filme inteligente, interessante, foge do padrão reinante. Recomendo.      

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

"BAILARINA" ("BALLERINA"), 2025, Estados Unidos, 2h05m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Len Wiseman (“Anjos da Noite”, “Total Recall”), seguindo roteiro escrito por Shay Hatten e Derek Kolstad. Baseado no universo de John Wick, filme foi feito especialmente para o público que curte filmes de ação. E este não economiza em tiros, pancadarias, explosões, sangue jorrando etc. E tem mais o trunfo de um elenco de primeira. Eve (Ana de Armas) era ainda uma menina quando testemunhou a morte do pai por uma turma da pesada. Ela acabou adotada por uma organização secreta denominada Ruska Roma, cujo comando é exercido por uma mulher misteriosa, papel de Angelica Huston. A fachada da organização é uma academia de balé, mas o real e clandestino treinamento era dado para formar jovens mercenários e assassinos. Eve tornou-se uma das principais assassinas, especialista em artes marciais, armas e explosivos. Depois de algumas ações bem sucedidas, Eve resolve desobedecer sua chefe e ir atrás dos assassinos de sua família, cujo chefão reside na cidade austríaca de Halstatt, onde Eve nasceu. É aqui que a coisa vai pegar de vez, ainda mais que surge no pedaço o próprio John Wick (Keanu Reeves). Haja munição! Completam o elenco Gabriel Byrne, Anne Parillaud, Ian McShane, Catarina Sandino Moreno, Juliet Doherty, Norman Reedus, Lance Reddick e Sharon Duncan-Brewster. Apesar de franzina, a atriz cubana Ana de Armas dá conta do recado quando é obrigada a enfrentar dezenas de adversários, o que acontece deste o início do filme até o explosivo final.       

domingo, 28 de setembro de 2025

“POBRES CRIATURAS” (“POOR THINGS”), 2023, coprodução EUA/Irlanda/Inglaterra, 2h21m, em cartaz na Prime Vídeo, direção do cineasta grego Yorgos Lanthimos, seguindo roteiro assinado por Tony McNamara. A história é baseada no livro homônimo do escritor escocês Alasdair Gray (1934/2019). O filme, considerado pela crítica como uma visão contemporânea do dr. Frankenstein, foi a grande sensação de 2023, um dos mais premiados do ano (veja no final do comentário). Difícil incluí-lo num gênero específico. Seus ingredientes incluem ficção científica, comédia de humor negro, personagens bizarros, horror comedido e situações surreais. Há que se elogiar a primorosa fotografia, a direção de arte e a recriação de época – a história é ambientada durante a era vitoriana (século XIX). O visual realmente é deslumbrante. Resumo da história: grávida de 8 meses, Victoria Bessington (Emma Stone) comete suicídio atirando-se nas águas do Rio Tâmisa (Londres) e seu corpo é resgatado, sem vida, pelo médico Godwin Baxter (Willem Defoe). Cientista renomado, Godwin resolve fazer uma experiência um tanto mórbida: transplanta o cérebro do bebê para Victoria, que renasce como criança e passa a se chamar Bella Baxter, filha adotiva do médico. Não demora muito e ela descobre os prazeres do sexo e começa a atrair a atenção masculina. O primeiro a pedi-la em casamento é o estudante de medicina Max McCandles (Ramy Youssef), assistente de Godwin. Depois surge em cena Duncan Wedderburn (Mark Ruffalo), que se encanta com a moça e a leva para conhecer algumas cidades da Europa. Devidamente emancipada, Bella acaba trabalhando como prostituta, sendo o grande sucesso da casa comandada pela cafetina Swiney (Kathryn Hunter). O filme usa e abusa da nudez, tanto feminina como masculina, mais um motivo para tirar as crianças da sala. Completam o elenco Margaret Qualley, Christopher Abbott e a atriz alemã Hanna Schygulla. Enfim, um filme que causou grande polêmica, assim como outros filmes fora dos padrões normais do diretor grego que tive a oportunidade de assistir, entre os quais “A Lagosta”, “Attrenberg”, “Dente Canino” e “O Sacrifício do Cervo Sagrado”. Admito: são muito criativos, mas difíceis de digerir. De qualquer maneira, “Pobres Criaturas” foi indicado para o Oscar 2024 em 11 categorias, vencendo em quatro: Melhor Atriz (Emma Stone), Melhor Direção de Arte, Melhor Maquiagem e Penteados e Melhor Figurino. Também ganhou outros prêmios importantes no Festival de Cinema de Veneza, no BAFTA (o Oscar inglês) e no Globo de Ouro, entre outros festivais mundo afora, além de ter sido eleito um dos 10 melhores filmes de 2023 pelo American Film Institute e pelo National Board of Review.     

quarta-feira, 24 de setembro de 2025

“ENTRE MENTIRAS E SEGREDOS” (“JEDINI IZLAZ”), 2021, Sérvia, 1h50m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Darko Nikolic (“The Last Shooter”), seguindo roteiro assinado por Marko Popovic. Fiquei curioso pelo fato do filme ser da Sérvia, cujo cinema é pouco conhecido por aqui. Trata-se de um suspense sem muita ação, ritmo lento, um roteiro confuso, algumas (poucas) reviravoltas e um elenco pouco convincente. Começa com um incêndio numa boate em que morreram 17 pessoas e deixaram dezenas de outras feridas. Uma das vítimas fatais foi Sasa Kolar (Janko Popovic Volaric). A razão do incêndio seria conhecida apenas seis anos depois e, no filme, apenas no desfecho. Isso aconteceu porque a viúva de Sasa, Anna Kolar (Andjelka Prpic, a melhor do elenco) recebe um e-mail misterioso colocando em foco o falecido. Quando você pensa que o enredo seria desenvolvido tendo como ponto de partida o incêndio, muitas outras situações se desenrolam na história, como o passado traumático de Anna, a infidelidade do marido morto, a irmã problemática de Anna, a sogra autoritária e o cunhado metido em encrenca, além de um inspetor de polícia envolvido numa trama paralela que o levaria a um final trágico. Desde o início, tudo muito confuso, personagens aleatórios que confundem a cabeça do espectador. Certamente não é um bom exemplar do cinema sérvio, berço de muitos filmes e diretores aclamados internacionalmente, Emir Kusturica o mais conhecido, além dos atores Brad Dexter e Darko Tresnjak e das atrizes Milla Jovovich, Stana Katic e Lolita Davidovich, só para citar os mais famosos.   

terça-feira, 23 de setembro de 2025



TEERÃ (TEHRAN), 2025, Índia, 1h56m, em cartaz na Netflix,  direção de Arun Gopalan (“Tariq”), seguindo roteiro assinado por Ritesh Shah, Ashish P. Verma e Bindni Karia. Embora a história seja ficcional, o pano de fundo reúne fatos verdadeiros. Em 2012, atentados terroristas contra diplomatas israelenses ocorreram em vários países, entre eles a Índia. Os roteiristas de “Teerã” aproveitaram esse fato específico para criar a história. O atentado ocorrido em Nova Deli, capital do país, matou autoridades israelenses, mas no filme uma menina indiana, vendedora de flores, também morreu. Encarregado de investigar o atentado, Rajjev Kumar (John Abraham, o astro dos filmes de ação de Bollywood), oficial da polícia de Nova Deli, fica comovido pela morte da menina, uma cidadã indiana, e resolve partir para a vingança. Ele e sua equipe chegam à conclusão que o mentor dos atentados é o terrorista Afshar Hosseini (Hadi Khan Janpour), cuja base está localizada em Teerã, capital do Irã. Contrariando as ordens do governo indiano, que teme afetar o relacionamento entre Índia e Irã às vésperas de um acordo para o fornecimento de gás, Kumar ingressa clandestinamente no Irã para caçar o terrorista. O filme reserva muita ação até o desfecho, com cenas muito bem produzidas. Para quem curte o gênero, um prato cheio.

domingo, 21 de setembro de 2025

“A VERDADE SOBRE O CASO DEVENTER” (“DE VEROORDELING”), 2021, Holanda, 2h10m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Sander Burger, que também assina o roteiro ao lado de Bert Bouma. A história é baseada num caso real ocorrido na cidade holandesa de Deventer, na região de Overijssel. Em 1999, a viúva Jaqueline Wittenberg foi assassinada a golpes de faca em sua residência, um caso que teve enorme repercussão naquele país. De acordo com a polícia, Ernest Louwes (Mark Kraan) é considerado o principal suspeito, sendo julgado e preso. O caso seria reaberto mais duas vezes, colocando em cena o encanador Michael De Jong (Yorick van Wageningen) como outro suspeito. Desde o início do caso, o jornalista investigativo Bas Haan (Feoja Van Huêt), de uma emissora de tv local, acompanhou de perto o trabalho da polícia, ao mesmo tempo em que apontou circunstâncias que podiam alterar o julgamento de Louwes. Mais do que os bastidores das investigações policiais, o filme destaca o trabalho incessante do jornalista e sua equipe para solucionar de vez o caso, que somente seria encerrado dez anos depois do crime, esclarecido graças à ajuda do jornalista. Completam o elenco Ortál Vriend, Lies Visschedijk e Marike Mingelen. O roteiro foi baseado no livro escrito pelo próprio jornalista Bas Haan. Confesso que nunca tinha ouvido falar no Caso Deventer e, por isso mesmo, achei o filme muito interessante. Recomendo.    

sábado, 20 de setembro de 2025

“VIDAS EM JOGO” (“A JÁTSZMA”), 2023, Hungria, 1h52m, em cartaz na Prime Vídeo, direção de Péter Fazakas (“Ma Este Gyilkolunk”), seguindo roteiro assinado por Norbert Köbli. O cenário é Budapeste, capital da Hungria, na segunda metade dos anos 50 do século passado, em pleno auge da Guerra Fria. O clima instaurado pelo regime comunista era sufocante. Ninguém confiava em ninguém, nem na própria família, na vizinhança ou mesmo nos amigos. Jung András (Zsolt Nagy) e sua esposa Gáti Éva (Gabriella Hámori), ambos agentes secretos do governo comunista de Jásnus Kádar, recebem a notícia de que um antigo colega, Markó Pál (Jánus Kulka) estava para voltar à ativa depois de sofrer um derrame. O casal havia traído Markó, causando o seu afastamento, e agora temia que ele aprontasse alguma vingança. Por isso, resolveram vigiá-lo de perto. Eles descobrem que Markó escrevera uma carta para um parente com o objetivo de enviar alguém para ajudá-lo no seu dia a dia. Dias depois chega a jovem Mondri Abigél (Viktória Staub) dizendo ser sua sobrinha. Para confirmar, apresenta-lhe a carta que ele enviou à sua mãe. Ao mesmo tempo, Jung e Gátia recrutam a moça, através de vantagens financeiras, para contar tudo o que ouvir de interessante por parte do velho agente. Até o desfecho, muita coisa irá acontecer, inclusive um caso entre Jung e Abigél. Além de uma primorosa direção de arte, destacando-se a excelente fotografia e a recriação de época, o filme ainda reserva muitas reviravoltas na história, valorizando ainda mais este suspense húngaro que está meio escondido no catálogo da Prime. Não perca!