sexta-feira, 31 de julho de 2020
quinta-feira, 30 de julho de 2020
“AREIA
MOVEDIÇA” (“STÖRST AV ALLT”), 2019, Suécia, minissérie da Netflix em 6
capítulos, cada um com cerca de 50 minutos de duração, roteiro e direção de Camilla Ahl
Gren. Trata-se de um drama policial adaptado do best-seller de Malin Persson
Giolito. A sequência inicial mostra uma sala de aula de uma escola do ensino
médio de Estocolmo com vários alunos mortos. A polícia chega e prende Maja
Norberg (Hannah Ardéhn). Em estado de choque, ela não sabe dizer o que
aconteceu, mas todos os indícios levam a crer que ela foi a responsável pela
carnificina. A partir daí, o filme acompanha a rotina de Maja (pronuncia-se Maia)
na prisão, suas reuniões com o advogado Peder Sander (David Dencik), as crises emocionais
na solitária e sua amizade com uma agente penitenciária. Paralelamente, em flashbacks,
o roteiro volta aos fatos do passado recente de Maja, destacando o namoro
tumultuado com Sebastian Fagerman (Felix Sandman), seu colega de classe
problemático. O namoro vira um tipo de obsessão de ambas as partes, o ciúme exagerado
de Sebastian e a cegueira de Maja com relação aos desmandos do namorado. Os
capítulos finais serão dedicados ao tão aguardado julgamento de Maja, a
tentativa do advogado de defesa em colocá-la na condição de vítima e os
esforços da promotoria para transformá-la numa assassina cruel. A expectativa
pelo resultado do julgamento torna esta produção sueca ainda mais interessante.
Uma curiosidade: na Suécia não há júri popular. A Corte, constituída por
juízes, é quem dá o veredicto. Os principais trunfos de “Areia Movediça” são o
seu roteiro bem elaborado, a história em si e o elenco afiado, no qual se
destaca a jovem atriz sueca Hannah Ardéhn, de 24 anos (no filme, sua personagem
tem 18), com uma primorosa atuação. Esta é mais uma ótima minissérie do cinema
europeu, realista e impactante, um retrato muito triste e desanimador do futuro
da grande maioria da nossa juventude.
segunda-feira, 27 de julho de 2020
“O
CAMINHO DIFÍCIL” (“THE HARD WAY”), 2019, Estados Unidos, 1h32, direção de Keoni
Waxman, que também assina o roteiro com a colaboração de Thomas J. Churchill.
Esqueça Van Damme, Jason Stathan ou Steven Siegal e outros mocinhos e reis da
pancadaria nos filmes de ação. A bola da vez é o ator norte-americano Michael
Jai White, como você poderá comprovar neste “O Caminho Difícil”. Além de
grandão e fortíssimo, White é especialista em sete estilos diferentes de artes
marciais. Neste recente filme de ação, à disposição na plataforma Netflix, ele
é Payne, um ex-soldado das forças especiais norte-americanas que um dia recebe
a notícia da morte de seu irmão Cody (Grant Campbell), assassinado durante
missão em Bucareste (Romênia). White viaja para a capital romena a fim de
resgatar o corpo do irmão, e então descobre que ele foi morto por um integrante
de uma poderosa gangue chefiada por um tal de “Toro”, uma figura misteriosa e
sinistra que jamais aparece em público e sempre esconde o rosto sob o chapéu de
cowboy que não tira da cabeça. Nem os seus capangas sabem a sua verdadeira
identidade. Com o objetivo de vingar a morte do irmão, White ganha a companhia
de Mason (Luke Goss), parceiro de Cody em sua missão em Bucareste. A dupla
tentará chegar até “Toro”, mas antes terá que enfrentar uma legião de
capangas. E dá-lhe sopapos, ossos quebrados, sangue jorrando e muitos tiros. Ação é a especialidade do diretor Keoni Waxman, conhecido por dirigir
a maioria dos filmes do brucutu canastrão Steven Siegal. Para quem é fã de
filmes de ação, "O Caminho Difícil" pode ser uma boa opção, mas ficará devendo se o espectador
exigir algo com mais profundidade. domingo, 26 de julho de 2020
“IL
PROCESSO”,
2019, Itália, coprodução Canale 5/RTI/Lucky Red, minissérie com 8 capítulos
(cada um com cerca de 50 minutos), direção de Stefan Ludovichi, seguindo
roteiro escrito por Alessandro Fabbri, Enrico Audenino e Laura Corella. Estreou
na Itália em novembro de 2019 e na Netflix em abril de 2020 (aqui, o título
original em italiano foi mantido). A história começa com um caso policial,
quando a jovem Angelica Petroni (Margherita Caviezel), de 17 anos, é encontrada
morta boiando num canal da cidade de Mântua (Mantova). Durante as
investigações, a polícia local, sob a supervisão da promotora Elena Guerra (Vittoria
Puccini), descobre que Angelica era prostituta de luxo e amante de Claudio
Cavalleri (Michele Morrone, o chefão mafioso de “365 Dias”), que comandaria um
esquema de prostituição na cidade. Só que Claudio é casado com Linda Monaco
(Camilla Filippi), pertencente a uma das mais poderosas e ricas famílias não só
de Mântua como também da Itália. As primeiras suspeitas recaem justamente sobre
Claudio, que talvez tenha assassinado a amante para proteger seu casamento.
Posteriormente, porém, começam a surgir evidências de que o crime teria sido
cometido por Linda, a esposa ciumenta. A promotora Elena Guerra determina a
prisão de Linda e providencia para que ela seja submetida a julgamento. A
partir do segundo episódio, o que se vê é um drama de tribunal que se desenrola
até o desfecho, envolvendo uma verdadeira batalha entre a promotora e o
conceituado advogado Ruggero Barone (Francesco Scianna), defensor da ré. O
enredo, muito bem elaborado e repleto de reviravoltas, prende a atenção do
espectador e cria a expectativa sobre a culpa ou a inocência de Linda, além de
colocar em evidência alguns personagens suspeitos. Quem prestar muita atenção
nos detalhes, como eu fiz, logo descobrirá que o roteiro, muito sutilmente,
fornece uma pista bem forte sobre a arma do crime e, consequentemente, seu
autor. Além da história em si, outro destaque da minissérie são as locações e
os belos e exuberantes cenários de Mântua, notadamente seus palazzos e
suas piazzas. Completam o elenco Roberto Herlitzka,
Euridice Axen, Alessandro Averone e Maurizio Lastrico. “IL PROCESSO” é mais uma
excelente minissérie europeia, um ótimo entretenimento para quem curte dramas
de tribunal.
quinta-feira, 23 de julho de 2020
Eleita pelos
críticos de cinema como a melhor minissérie europeia de 2016, a norueguesa “NOBEL”
(“NOBEL – FRED PARA ENHVER PRIS”) realmente é sensacional. Como afirmou um
crítico, “É instantaneamente viciante”. Concordo plenamente, pois é difícil
fazer um intervalo, por menor que seja, entre os 8 capítulos (cada um de 45
minutos). O pano de fundo é a participação da Noruega na Guerra do Afeganistão.
Por trás da intenção de combater o Talibã, porém, há outros motivos para que o
governo norueguês envie seus soldados. Como mostra a minissérie, a principal
motivação é um acordo envolvendo a produção e venda de petróleo, negócio que
também contemplaria uma parceria com o governo da China. Além dos bastidores
dessas negociatas, a minissérie confere maior destaque à participação de um
grupo das forças especiais do exército norueguês comandado pelo tenente Erling
Riiser (Aksel Hennie). Ele e seus comandados serão encarregados de várias
missões em território afegão, uma delas, a mais difícil de todas, é a de
convencer os talibãs que a Noruega está oferecendo um negócio que beneficiará o
povo afegão. Outra missão da equipe de Erling é a de garantir a segurança do ministro
das relações exteriores da Noruega durante uma visita secreta aos líderes do Talibã.
Quando volta a Oslo para um período de descanso, Erling ainda terá de enfrentar
a insatisfação da esposa Johanne (a ótima Tuva Novotny) com seus longos
períodos longe de casa. A minissérie é bastante abrangente ao focar vários
temas, como a guerra, a amizade, os bastidores da política e o drama familiar. Revela também a pressão política exercida sobre a indicação ao Prêmio Nobel, daí a justificativa para a escolha do título. Ainda estão no elenco Danica Curcic, Anders Danielsen Lie e Christian Rubeck,
só para citar os mais conhecidos. Sem dúvida, uma das melhores minisséries já
realizadas pelo cinema europeu - disponível na plataforma Netflix. Não deixe de ver! quarta-feira, 22 de julho de 2020
“SEGURANÇA
EM JOGO” (“BODYGUARD”), 2018, minissérie em 6 episódios, Inglaterra, produção da
BBC, roteiro e direção de Jed Mercurio. Começa o filme com uma longa sequência de
grande impacto e repleta de tensão. Um verdadeiro teste para cardíacos. Em um
trem de passageiros, uma jovem muçulmana ameaça detonar a bomba que carrega no
corpo. O policial David Budd (Richard Madden, o Rob Stark de “Game of Thrones”),
de folga, assume a responsabilidade de convencer a mulher-bomba a não se
explodir, o que certamente mataria muita gente, inclusive os filhos do
policial. Depois de muita conversa e o trem já cercado pela polícia inglesa, a
moça finalmente resolve se entregar. Resumindo, o caso ganha grande repercussão
na mídia e David Budd é aclamado como herói nacional. Como compensação, é
promovido a chefe da segurança da Ministra do Interior do Reino Unido, Julia
Montague (Keeley Hawes), que está em grande evidência por defender políticas
mais rígidas e leis mais severas antiterroristas, além de se posicionar a favor
do envio de soldados ingleses para países simpáticos ao terrorismo. A posição
da ministra não agradará apenas os terroristas, mas também gente do próprio
governo inglês, incluindo o serviço secreto. Dessa forma, a ministra Julia passa a ser considerada um alvo em potencial de um atentado, o que fará David Budd se
defrontar com muitos inimigos tentando defender a vida da sua chefe. A esposa e
os filhos de Budd também estarão em perigo. Ainda estão no elenco Gina McKee,
Sophie Rundle, Paul Ready, Vincent Franklin e Tom Brooke. Lembro que o ator
Richard Madden, por sua atuação, conquistou o Globo de melhor ator de
minisséries. “Segurança em Jogo”, já disponível na plataforma Netflix, foi a
minissérie mais vista de 2018 na programação da BBC. Realmente, é excelente,
prende a atenção do começo ao fim, com várias reviravoltas, muita tensão e um
desfecho de tirar o fôlego. E um romance que, embora previsível, fornece um toque mais leve à tensão reinante. Imperdível! terça-feira, 21 de julho de 2020
“CASTELO
DE AREIA” (“SAND CASTLE”), 2017, Estados Unidos/Inglaterra, produção Netflix, 1h53m,
direção do cineasta brasileiro Fernando Coimbra. A história é ambientada durante a ocupação norte-americana no Iraque,
em 2003, e acompanha um pelotão encarregado de ações em Bagdá. Como última
missão, os soldados devem ir até o vilarejo de Bakuba consertar o serviço de
fornecimento de água, destruído meses antes em um ataque aéreo realizado pelos próprios
norte-americanos. Só que a população local, embora seja beneficiada pelos reparos,
não quer a presença dos soldados. O personagem principal é o soldado Matt Ocre
(Nicholas Hoult), que se alistou em 2001 no exército como alternativa para
pagar sua faculdade. Porém, não imaginava que seria enviado para o front, ou
seja, o Iraque. Do medo inicial – ele chegou a forjar um ferimento para cair
fora da ação -, Ocre vai aos poucos adquirindo gosto pelo perigo, tornando-se
um ótimo soldado. As cenas de batalha são muito bem realizadas e a tensão corre
solta do começo ao fim, lembrando “Falcão Negro em Perigo” e o sul-coreano “Sequestro
no Mar Vermelho”, dois dos melhores filmes de guerra ambientados no Oriente Médio.
Além de Nicholas Hoult (“Ex-Men”), estão no elenco Henry Cavill ("Batman vs. Superman"), Logan
Marchall-Green, Glen Powel e Tommy Flanagan, só para citar os mais conhecidos. Em
seu primeiro filme em língua estrangeira, Fernando Coimbra comprova que é um
dos diretores mais promissores do cinema atual. Ele já havia mostrado
competência no excelente “Um Lobo Atrás da Porta” e em dois episódios da série “Narcos”,
chamando a atenção dos produtores internacionais. Em “Castelo de Areia”,
Coimbra contou com a colaboração do roteirista Chris Roessner, um ex-soldado do
exército norte-americano que também esteve no Iraque. O filme estreou na
plataforma Netflix no dia 21 de abril de 2017.
domingo, 19 de julho de 2020
“CALIFADO”
(“KALIFAT”)
é uma série sueca com 8 capítulos (47 minutos cada um) dirigida por Goran
Kapetanovic, com roteiro de Wilhelm Behrman e Niklas Rockström, que estreou em
janeiro de 2020 no “streaming” SVT Play da Suécia e depois, em 18 de
março, na Netflix. O pano de fundo da história é o fanatismo religioso dos
muçulmanos radicais e o aliciamento de jovens pelo Estado Islâmico, o que acontece
na vida real em vários países da Europa, inclusive na Suécia. A história começa a partir do momento em que
o setor de antiterrorismo do Serviço de Segurança Sueco (SAPO) é alertado por sua
equipe de inteligência de que o EI está planejando um atentado na capital
Estocolmo. No transcorrer de suas investigações, a agente Fatima Zukic (Aliette
Opheim), especialista em contraterrorismo do Serviço de Segurança Sueco (SAPO),
recebe um telefonema de Pervin El Kaddouri (Gizem Erdogan), que mora com o
marido Husam El Kaddouri (Amed Bozan) e a filha recém-nascida em Ar-Raqqah, na Síria,
cidade dominada pelo Estado Islâmico. Insatisfeita com a situação, Pervir pede
que Fatima a ajude a voltar para a Suécia, país que abandonou depois que o
marido foi cooptado pelo Estado Islâmico. Fatima promete ajudá-la, desde que
ela obtenha informações sobre o eventual atentado em Estocolmo. Ao mesmo tempo,
o filme mostra a rotina do jovem Ibrahim Hadda (Lancelot Ncube) e seus métodos para aliciar jovens
suecos para a causa do EI, principalmente nas escolas da capital sueca. As irmãs
Suleika (Nora Rios) e Lisha Wasem (Yussra El Adouni) são cooptadas e, para
desespero dos pais, são levadas para a Síria. Até o seu desfecho, a série
apresenta momentos de alta tensão, principalmente com relação ao risco de
Pervin ser desmascarada como espiã a serviço do governo sueco. Alguns
sequências são mesmo de tirar o fôlego, de prender a respiração. “Califado” é,
sem dúvida, uma série bastante impactante, das melhores produzidas nos últimos
anos. Não perca! sexta-feira, 17 de julho de 2020
BUSCA
SEM LIMITES (“COLLIDE”), 2016, coprodução Alemanha/Estados Unidos/Inglaterra, disponível
na plataforma Netflix, 1h39m, roteiro e direção de Eran Creevy. A história é
centrada no norte-americano Casey Stein (Nicholas Hoult), que resolveu se refugiar na Alemanha depois de se envolver em atividades ilícitas em seu país.
Na cidade de Colônia, Casey continuou no crime, vendendo drogas nas baladas
para o traficante turco Geran (Ben Kingsley), que por sua vez tem como sócio o mafioso
Hagen Kaal (Anthony Hopkins), um poderoso empresário do setor de transportes,
também envolvido com o tráfico – seus caminhões transportam as drogas. Quando
conhece a garçonete Juliette (Felicity Jones), Casey se apaixona e resolve
abandonar o crime. Só que Juliette revela que sofre de uma doença grave e
precisa urgentemente de um transplante de rim, mas não tem dinheiro para pagar a
operação. Diante disso, para conseguir a grana e salvar a vida da namorada, Casey
resolve realizar um último trabalho para Geran, na verdade um golpe contra
Hagen. O filme tem bastante ação e o maior destaque fica por conta das perseguições
nas ruas e estradas ao redor de Colônia, nas quais o diretor Creevy utiliza
carrões de marcas famosas, entre as quais Jaguar, Aston Martin e Mercedes. São
sequências muito bem realizadas, algumas de tirar o fôlego. Não há dúvida de
que a presença de astros como Anthony Hopkins e Ben Kingsley, além dos novatos
Nicholas Hoult (“Castelo de Areia”) e Felicity Jones (“A Teoria de Tudo”), serviu
para valorizar o filme, mas não a ponto de justificar uma recomendação
entusiasmada. De qualquer forma, como filme de ação, “Busca sem Limites” até que
é um bom entretenimento.
quarta-feira, 15 de julho de 2020
“ATÔMICA”
(“ATOMIC BLONDE”),
2017, Estados Unidos, 1h55m, direção de David Leitch. Trata-se de um filme de
ação e espionagem inspirado na HQ “Atomic – The Coldest City”, de Antony Johnston
e Sam Hart, que o roteirista Kurt Johnstead adaptou para o cinema. A história é
toda centrada em Lorraine Broughton (Charlize Theron), agente secreta do M16
(Serviço Secreto Britânico). Às vésperas da queda do muro de Berlim, em 1989,
Lorraine recebe a missão de viajar até a capital alemã para investigar a morte
de um agente inglês e descobrir o paradeiro de uma lista de espiões duplos que
forneciam informações para os russos durante a Guerra Fria. Só que a tal lista
também é disputada, além da Inglaterra, por agentes secretos da Rússia, França,
Estados Unidos e Alemanha. Imaginem a confusão em que Lorraine irá se meter,
mas ela briga bem e não tem medo de marmanjo. “Atômica” garante muitas
sequências empolgantes de ação. Nesse ponto, há que se destacar o trabalho da
atriz sul-africana Charlize Theron, que nesse filme está mais bonita do que
nunca. Ela não nega fogo somente com os inimigos, mas também entre os lençóis,
em cenas muito calientes com a atriz argelina Sofia Boutella. Além da beleza e
competência como atriz, o diretor David Leitch soube explorar de Charlize um
olhar fatal capaz de trincar vidros blindados. Resumindo, a atriz carrega o
filme nas costas, embora acompanhada por um excelente elenco: James McAvoy,
John Goodman, Eddie Marsan, Toby Jones e Till Schweiger. A trilha sonora, de
muito bom gosto, também apresenta papel fundamental na história: New Order,
David Bowie, Public Enemy, The Clash, George Michael e Queen, só para citar os
mais conhecidos. Há que se ressaltar também o ótimo trabalho na direção de
David Leitch, um especialista em filmes de ação, como comprovam “John Wick: De
Volta ao Jogo”, “Dead Pool 2” e Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw”,
entre outros. Produzido com um orçamento de US$ 30 milhões, “Atômica” rendeu
mais de US$ 90 milhões nas bilheterias, ou seja, um grande sucesso. Vale a
pena só por Charlize, mas os complementos também são ótimos. Imperdível!
segunda-feira, 13 de julho de 2020
“OLHOS
QUE CONDENAM” (“WHEN THEY SEE US”), 2019, Estados Unidos, minissérie em quatro
capítulos da Netflix, roteiro e direção de Ava DuVernay (do excelente “Selma”).
A história é baseada em fatos reais. Na noite do dia 19 de abril de 1989, um
grupo de mais de 30 adolescentes do Harlem resolveu tumultuar o ambiente
familiar do Central Park, assediando mulheres, xingando ciclistas e provocando
quem por ali passava. Ao mesmo tempo, perto dali, uma jovem corredora seria estuprada
e morta. No meio de toda aquela confusão, a polícia prendeu cinco adolescentes,
acusando-os do assassinato. Detalhe: a vítima era branca e os cinco rapazes
afrodescendentes, entre os 14 e 16 anos de idade. O caso, de grande repercussão
em todo o país, foi a julgamento e os jovens acabaram condenados, até que em
2002 aconteceria uma reviravolta (não vou entrar em detalhes para não estragar a
surpresa). A minissérie carrega no drama dos garotos, mostra como funcionaram os interrogatórios abusivos
da polícia, com muita tortura psicológica, o sofrimento das famílias, o
julgamento e o destino de cada um dos acusados. Nessa época, aliás, um tal de
Donald Trump, magnata do ramo imobiliário de Nova Iorque, fazia campanha para a
volta da pena de morte no Estado. Vamos ao excelente elenco: primeiro, os cinco
rapazes – Jharrel Jerome, Caleel Harris/Jovan Adepo (jovem/adulto), Marquis
Rodriguez/Freddy Miyares, Ethan Herisse/Chris Chalk, Asante Blackk/Justin
Cunningham; Vera Farmiga, Kylie Bunbury, Annjanue Ellis, Marsha Stephanie
Blake, Felicity Huffman, Michael K. Williams, William Sadler e Felicity
Huffman. Lembro ainda que entre os produtores estão Oprah Winfrey e Robert De
Niro. Nas primeiras semanas após sua estreia, dia 31 de maio de 2019, a minissérie
foi vista por 23 milhões de espectadores em todo mundo, ou seja, mais um grande
sucesso da Netflix. E vale todos os elogios, pois é excelente, forte e
impactante. Imperdível!
sábado, 11 de julho de 2020
“O
ESPIÃO” (“The Spy”), 2019, minissérie israelense com 6 episódios, disponível na
plataforma Netflix, roteiro e direção de Gideon Ralf. Baseado em fatos reais, o
filme conta uma das histórias mais fantásticas e emocionantes do mundo da espionagem mundial. No
início da década de 60 do século passado, Eli Cohen (Sacha Baron Cohen), judeu
nascido no Egito e residente em Telavive (Israel), é recrutado pelo Mossad
(serviço secreto de Israel) para uma missão das mais difíceis: infiltrar-se na
Síria como espião. Antes, porém, passou por um rigoroso treinamento por
especialistas do Mossad. Para disfarçar, Cohen entrou na Síria como Kamal Amin
Ta’Abat, um rico empresário do ramo de importação e exportação, com conexões
comerciais por vários países. O fato de aparentar ser um empresário bem
sucedido contribuiu para que ele fizesse amizade com políticos e militares do alto
escalão do governo sírio, ganhando sua confiança a tal ponto que foi cogitado para o cargo de Ministro da Defesa da Síria. Cohen chegou a fazer
negócios com Mohamed Bin Laden, pai do futuro terrorista Osama (que aparece no
filme ainda garoto). Ao longo de cinco anos, de 1961 a 1965, suas informações
secretas foram vitais para que Israel pudesse se antecipar militarmente aos
ataques desferidos pela Síria e outros países árabes, como aconteceu alguns
anos depois na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Famoso por suas comédias de humor
ácido, o ator britânico Sacha Baron Cohen revela-se aqui um ótimo ator
dramático. É ele quem carrega a minissérie nas costas, embora tenha a companhia
de um ótimo elenco, cujos nomes mais conhecidos são Noah Emmerick, Hadar
Ratzon, Alexander Siddig e Tim Seyfi. “O Espião” garante muita ação e suspense,
um filme tenso do começo ao fim. A gente fica imaginando como o espião manteve
a calma num nível de pressão tão intenso. Enfim, a minissérie é ótima, pela
história em si, como foi adaptada e produzida, com destaque para a primorosa
reconstituição de época, especialmente os cenários e os figurinos. Imperdível!quinta-feira, 9 de julho de 2020
“NADA
ORTODOXA” (“Unorthodox”), Alemanha, minissérie da Netflix (lançada em 26 de março de 2020), em
quatro capítulos, direção de Maria Schrader, com roteiro escrito por Anna
Winger e Alexa Karolinski, que adaptaram a história inspiradas na autobiografia de Deborah
Feldman (“Unorthodox: The Scandalous Rejection of My Hasidic Roots”), de 2012. O
drama é todo centrado na jovem judia Esther Shapiro (Shira Haas), de 19 anos, que
mora com a família ultraortodoxa no bairro de Williamsburg, Brooklyn (Nova
Iorque). É norma entre os judeus hassídicos da comunidade casar suas jovens
filhas para que logo tenham filhos, uma forma, segundo a tradição ultraortodoxa,
de repor as vidas perdidas no Holocausto. Seguindo esse preceito, Esther
Shapiro foi obrigada a casar com Yanky (Amit Rahav), um jovem fanático
religioso de boa família. Só que o casamento não dá certo, principalmente
porque Esther tem problemas em consumar o ato sexual e, portanto, dificilmente
ficará grávida. A pressão é tão grande que a jovem decide fugir para a Alemanha,
onde mora sua mãe Leah (Alex Reid), que também havia abandonado o marido e a
filha em Williamsburg. Em Berlim, Esther fica amiga de um grupo de músicos e
tenta iniciar uma nova vida. Ofendida em sua moral religiosa, a família do marido abandonado resolve ir buscá-la
em Berlim. Yanky e o primo Moishe (Jeff Wilbusch) viajam para tentar convencê-la
a voltar. Ambientada em Nova Iorque e Berlim, e falada em inglês, íidiche e alemão, a minissérie tem como principal
atrativo as tradições judaicas ortodoxas, segundo as quais as mulheres servem somente
para procriar e cuidar da casa. Destaque para o excelente elenco, em especial
para a atriz israelense Shira Haas, com uma atuação fenomenal, e para o primoroso
roteiro. Enfim, uma minissérie imperdível.
segunda-feira, 6 de julho de 2020
Se você
procura um ótimo entretenimento na telinha, não perca “EM RITMO DE FUGA” (“BABY
DRIVER”), 2017, Estados Unidos, 1h53m, roteiro e direção de Edgar Wright. Não
tem erro. Doc (Kevin Spacey) é um financiador de assaltos: contrata bandidos
para roubar bancos, correios e qualquer outra coisa que diga respeito a muito
dinheiro. Ele nunca trabalha com a mesma equipe, só com Baby (Ansel Elgort), um
motorista que dá fuga aos criminosos e sabe, como ninguém, despistar a polícia.
Um piloto incrível, mesmo que sofra de uma deficiência auditiva depois de um
acidente automobilístico quando era criança. Ficou um zumbido terrível nos ouvidos
e, para abafá-los, usa o tempo inteiro fones com música no mais alto volume. O
filme já começa em alta rotação, com uma perseguição pelas ruas de Atlanta de
tirar o fôlego. Outras perseguições acontecerão, filmadas com muita
competência. Em meio aos assaltos, o roteiro abre espaço para o romance: Baby conhece Débora (a atriz inglesa Lily James), uma atendente de lanchonete.
Os dois se apaixonam e Baby resolve largar a vida de crimes, mas antes, como
deve dinheiro a Doc, ainda será cúmplice de um novo assalto, que acaba se
complicando e termina em tragédia. “Em Ritmo de Fuga” foi um grande sucesso de
bilheteria, arrecadando nas primeiras semanas de lançamento nada menos do que
226 milhões de dólares, lembrando que o orçamento da produção não passou de 34
milhões de dólares. O elenco conta ainda com Jamie Foxx, Jon Hamm e Eiza González.
Destaque especial para a deliciosa trilha sonora: The Jon Spencer Blues
Explosion, The Beach Boys, The Commodores, Barry White, Sky Ferreira, Run the
Jewls e Queen. Enfim, o filme tem uma boa história, muita ação, romance e humor, ingredientes
que completam um entretenimento de primeira. Esqueça os problemas e dê uma folga
aos seus neurônios. Embarque nessa ótima aventura e aproveite a diversão (disponível na plataforma Netflix).
domingo, 5 de julho de 2020
Se você continua
alimentando algum preconceito contra o cinema asiático, comece a rever os seus
conceitos. Os filmes sul-coreanos, por exemplo, têm dado mostras de que estão
fazendo um excelente cinema. Vide “Parasita”. Outra boa comprovação da
qualidade do cinema sul-coreano é “CHUVA DE AÇO” (“GANGCHEOLBI”) – em inglês,
“Steel Rain” -, 2017, roteiro e direção de Yang Woo-Seok, 2h19m. Um filmaço de
ação, com muito suspense e ritmo alucinante. Enquanto as duas Coreias começam a se preparar para negociações de paz com objetivo de conduzir os países à reunificação, um
golpe militar ocorre no país comunista, com a tentativa de assassinato do atual
líder do governo Kim Jong-un, que fica muito ferido no atentado. Um experiente agente
secreto norte-coreano, Eom (Jung Chul-Woo), consegue resgatar o seu líder e o
leva secretamente para a Coreia do Sul. Aqui, Eom entra em contato como o governo
sul-coreano e pede proteção. A negociação é acertada com um alto
oficial do serviço secreto da Coreia do Sul, Kwak Chul-Woo (Kwak D-Won). Ambos se
unem numa missão secreta para evitar uma guerra entre os dois países. É ação do
começo ao fim, corda esticada ao máximo, envolvendo não só as duas Coreias, mas
também os governos dos Estados Unidos e do Japão, aliados da Coreia do Sul, e a
China, parceira da Coreia Comunista. A tensão aumenta cada vez mais, pois existe
uma possibilidade enorme de começar uma guerra nuclear. “Chuva de Aço” estreou
nos cinemas sul-coreanos no dia 14 de dezembro de 2017, batendo recordes de
bilheteria. O filme também está disponível na plataforma Netflix desde o dia 14
de março de 2018. Um filmaço! sexta-feira, 3 de julho de 2020
“BALA
PERDIDA” (“Balle Perdue”), 2020, França, 1h32m, disponível na Netflix desde o dia 19
de junho de 2020, direção de Guillaume Pierret (é o seu primeiro
longa-metragem), que também assina o roteiro com a colaboração do ator Alban
Lenoir (principal protagonista). É um filme policial com muita ação e
violência. Alguns críticos profissionais o comparam à série “Velozes e Furiosos”,
o que não concordo, pois “Bala Perdida” é muito melhor e mais inteligente,
enquanto o outro é mais uma bobagem do cinema de ação. A história de “Bala
Perdida” é toda centrada no mecânico de automóveis Lino (Alban Lenoir), um
gênio na turbinagem de motores e equipamentos de proteção capazes de tornar o veículo
tão forte a ponto de derrubar paredes de concreto. Foi numa tentativa de
assaltar uma joalheria que Lino acabou sendo preso. Por causa de sua habilidade
com carros e motores, Lino foi recrutado pelo detetive Charas (Ramzy Bedia)
para transformar as viaturas policiais em veículos mais potentes. Em meses de
trabalho, Lino ganhou a confiança do pessoal da delegacia e ainda teve um caso
com a policial novata Julia (Stéfi Celma). Porém, a vida de Lino se transforma
num inferno a partir do assassinato de Charas, seu mentor e protetor. Lino testemunha a tragédia e
logo é considerado suspeito pelo detetive Areski (Nicolas Duvauchele), um policial
corrupto que tem responsabilidade no crime. Enfim, “Bala Perdida” tem tudo para
agradar aos fãs de filmes de ação, ou seja, uma história legal, muita pancadaria,
tiros e cenas de perseguição muito bem feitas. Com justiça, é, atualmente, um
dos filmes mais vistos da Netflix. Entretenimento garantido!
quinta-feira, 2 de julho de 2020
“ADÚ”, 2020, Espanha, distribuição dfa Netflix (estreou no dia 30 de junho de 2020), 1h49m, com roteiro
de Alejandro Hernandes e direção de Salvador Calvo. O pano de fundo é a questão
dos imigrantes africanos que querem fugir de seus países para tentar uma vida
melhor na Europa, a matança indiscriminada de animais na África e a violência
policial nas fronteiras. O roteiro transcorre em três frentes. A principal
delas no Congo, envolvendo Adú (Moustapha Oumarou), um garoto de seis anos que,
ao lado da irmã, testemunha um crime num parque de preservação animal. Adú e a
irmã ficam com medo de represálias e resolvem fugir, iniciando uma grande
aventura. A segunda frente diz respeito a três policiais de fronteira que atuam
no extremo norte da África, acusados de praticar atos violentos contra refugiados
que tentavam atravessar o Estreito de Gibraltar. E, por fim, o roteiro destaca
o difícil trabalho de Gonzalo (Luis Tosar), que preside uma Ong que luta pela
sobrevivência dos elefantes na África. Como se não bastasse, ainda recebe a
visita da filha Sandra (a ótima Anna Castillo), uma jovem rebelde e irresponsável.
Das três histórias, a que é melhor desenvolvida é, sem dúvida, a do garoto Adú.
Por terra, pelo mar e até pelo ar, o menino enfrentará muitos desafios, que
tentará superar ao lado da irmã e de outro refugiado e novo amigo de andanças, o
somaliano Massar (Adam Nourou). “Adú” é muito realista e impactante, mostrando
a triste realidade que assola a África, num cenário de muita pobreza e
desesperança. Um filme que, apesar do contexto dramático, consegue ao mesmo
tempo ser bastante sensível e comovente. Em seu primeiro longa-metragem como
diretor, Salvador Calvo acertou em cheio. E que descoberta ele fez ao encontrar
o garoto Moustapha Oumarou para representar Adú. Ele é a alma do filme. quarta-feira, 1 de julho de 2020
“SONI”, 2018, Índia, produção e distribuição Netflix, 1h37m,
roteiro e direção de Ivan Ayr. O pano de fundo da história é a questão da
violência sexual contra as mulheres no país de Mahatma Gandhi. Segundo
especialistas da Thomson Reuters Foudation, a Índia é o país mais perigoso do
mundo para as mulheres. Partindo desse contexto, o cineasta Iva Ayr resolveu
explorar o assunto através do cotidiano de duas policiais da capital Nova Délhi.
Kaldana Ummat (Saloni Batra) é a inspetora-chefe da Delegacia Especializada em Crimes
Sexuais. Soni (a ótima Geetika Vidya Ohlyan) é sua subordinada. Temperamental,
explosiva e com um pavio curtíssimo, Soni encara uma briga com marmanjos numa
boa, e este seu comportamento só atrai problemas. Ela não suporta o tratamento
que os homens dão às mulheres indianas. Ela vive revoltada com o machismo
reinante e sai na porrada com o primeiro abusado que aparecer na frente. Com
muita conversa, Kaldana tenta controlar os ímpetos de sua subordinada e é esta
relação entre as duas que será explorada pelo roteiro. “Soni” foi premiado em vários
festivais de cinema pelo mundo afora. Logo na sua estreia, na Seção “Horizons”
do 75º Festival Internacional de Cinema de Veneza/2018, o filme foi aplaudido
de pé, assim como aconteceu na Asía Pacific Screen Awards, Mami Film Festival,
BFI London Filme Festival e Pingyao International Film Festival (China), onde
ganhou o Prêmio de Melhor Filme. Sem dúvida, o filme é muito bom, um retrato
bem atual do machismo vigente na Índia. E com uma enorme vantagem: não tem aquelas cenas de cantorias e coreografias chatérrimas que costumam inundar as produções comerciais de Bollywood. terça-feira, 30 de junho de 2020
“O JULGAMENTO DE TÓQUIO” (“TOKYO TRIAL”), 2017, minissérie da
Netflix em quatro capítulos, coprodução Holanda/Japão/Canadá, roteiro e direção
da Pieter Verhoeff e Rob W. King. Trata-se da adaptação cinematográfica de um
dos fatos históricos mais importantes do século 20. Em 1946, com o objetivo de julgar
os crimes de guerra, de agressão e contra a humanidade praticados pelo
Japão durante a Segunda Guerra Mundial, foi instituído o Tribunal Militar
Internacional para o Extremo Oriente. Dele, fizeram parte 11 juízes especializados
em Direito Internacional Público, cada qual representando um país aliado, para
julgar 28 políticos e oficiais japoneses. A minissérie acompanha os bastidores
do julgamento, que demorou mais de dois anos, destacando as reuniões entre os
juízes, as reflexões sobre a situação política mundial, aspectos jurídicos do direito
internacional e as muitas diferenças de interpretação dos juízes com relação às
leis. A ideia do Tribunal era fazer justiça seguindo o que foi feito no
Julgamento de Nuremberg, que julgou os crimes praticados pelos nazistas. Durante
as reuniões, os juízes citavam, como referência jurídica, o Tratado de
Versalhes (Pacto da Sociedade das Nações), de 1919, o Pacto de Paris, de 1928,
e a Conferência do Cairo, de 1943. Paralelamente às cenas do julgamento
original, o filme apresenta ainda imagens documentais da guerra, cenas de combate e cidades destruídas. Estão no elenco Tim Ahern, Paul Freeman, Serge Hazanvicius, David Tse,
Michael Ironside, Jonahan Hide e Irrfan Khan (ator indiano falecido em 2019). A
minissérie “O Julgamento de Tóquio” foi indicada ao Prêmio Emmy International
2017 na categoria Melhor Filme para TV ou Minissérie. Uma verdadeira aula de História.
Imperdível! domingo, 28 de junho de 2020
“MEU IRMÃO TERRORISTA” (“Arrest Letter”,
título original escolhido provavelmente para facilitar a entrada do filme nos
mercados de língua inglesa), 2017, Egito, 1h39m, roteiro e direção de Mahammad
Sami. A história é centrada em Khalid El Degwy (Mohamede Ramadan), chefe
radical de um grupo jihadista no Cairo ligado ao Estado Islâmico. Em sua trajetória
como integrante da organização, Khalid sempre recebia conselho e orientações de
alguns sheiks e líderes religiosos, uns mais radicais outros mais moderados. Mas
Khalid nunca quis saber de moderação. Seu negócio é a violência, planejando e
executando atentatos na capital egípcia. Ele só começa a rever seus conceitos
quando se apaixona por Fatima (Dina El Sherbiny) e quando seu irmão caçula
decide ingressar no grupo extremista, contra a vontade de Khalid. Mas, até lá, sua
trajetória de violência continuará mobilizando a polícia e as forças de
segurança do Egito, que há muito tempo tentam prender o terrorista. Entre
traições que enfrentará, não só de seus comandados, como as de alguns sheiks,
Khalid será obrigado a fugir para sobreviver e, depois, voltar para se vingar.
O filme tem bastante ação e suspense, além de destacar discussões ideológicas
sobre religião, política e a prática de terrorismo. No final, quem manda mesmo
é “A Vontade de Alá”. O filme é mais interessante do que bom, mas sem dúvida vale
assistir.
sábado, 27 de junho de 2020
“KING –
UMA HISTÓRIA DE VINGANÇA” ("MESSAGE FROM THE KING”), 2016, coprodução
Inglaterra/França/Bélgica, 1h42m, disponível na Netflix, direção do cineasta
belga Fabrice Du Welz, com roteiro de Stephen Cornwell e Oliver Butcher. Trata-se
de um suspense de ação cuja história é toda centrada em Jacob King (Chadwick
Boseman, o “Pantera Negra”), que viaja da África do Sul, sua terra natal, para
Los Angeles com o objetivo de encontrar a irmã caçula Bianca (Sibongile
Mlambo). King havia sido informado de que Bianca estava com problemas ligados
ao tráfico de drogas e prostituição em Los Angeles. Ao chegar em LA, King
procurou por todo lado e, depois de alguns dias, só encontrou a irmã na mesa
fria de um necrotério, com o corpo totalmente mutilado. King resolve investigar por conta própria até chegar a uma turma da pesada, envolvida com
pornografia, exploração de sexo infantil, prostituição e tráfico de drogas. No
meio deles, um importante dentista da cidade e um político corrupto em campanha.
Aí a coisa vai pegar, pois King é bom de briga (pertenceu a uma famosa e
violenta gangue de delinquentes que metia medo na população de Joanesburgo) e,
enquanto não caçar um por um dos assassinos de sua irmã, não voltará para o seu
país. O filme não traz muita coisa de novo, tem os clichês de sempre que
caracterizam todas aquelas histórias de vingança. A única surpresa está
destinada para o desfecho, quando King chega de volta ao seu país. Completam o
elenco Teresa Palmer, Luke Evans, Alfred Molina e Natalie Martinez. Resumo da
ópera: “King” tem bastante ação, tiros e muita pancadaria, bem ao gosto de quem
curte um bom entretenimento com um saco de pipoca do lado. Dá para ver numa boa.
sexta-feira, 26 de junho de 2020
“SEQUESTRO
NO MAR VERMELHO” (HONG HAI XING DONG” – nos países de língua inglesa, “Operation
Red Sea”), 2018, coprodução China/Marrocos/Hong Kong, distribuição Netflix, 2h38m,
roteiro e direção de Dante Lam. A história foi inspirada em fatos reais
ocorridos em 2015 no Iêmen, quando um batalhão de elite do exército da China
resgatou cidadãos chineses sequestrados por rebeldes fundamentalistas. No
filme, o Iêmen virou um país fictício chamado Yewaire, onde predomina o Zaca,
grupo de terroristas muçulmanos que quer assumir o poder. Eles sequestram vários cidadãos chineses,
incluindo uma importante diplomata. Informado da situação, o governo chinês imediatamente recruta um batalhão
especial de elite para entrar no país e resgatar as vítimas. Em meio a toda confusão
que se formará, os chineses ainda descobrirão o plano de um atentato nuclear. Desde
o início, quando um navio da marinha chinesa é atacado por piratas iemenitas,
até o final, com uma bela homenagem póstuma aos soldados mortos em combate, o
filme não dá trégua ao espectador. É ação o tempo inteiro, num impressionante
ritmo alucinante, com inúmeras sequências de tirar o fôlego. Cabe aqui lembrar
que o diretor Dante Lam foi, durante muitos anos, assistente de direção do
cineasta John Woo, considerado o grande mestre da atualidade dos filmes de ação. Com
certeza, Lam aprendeu muito. Estão no elenco Huang Jingyu, Zhang Yi, Hai-Qing,
Jiang Du e Luxia Jiang, além de centenas – diria milhares - de figurantes. Depois
de assistir a este filme chinês, estou prestes a desconsiderar “Falcão Negro em
Perigo” (2001), dirigido por Ridley Scott, como o melhor do gênero. “Sequestro
no Mar Vermelho” é espetacular, simplesmente imperdível!
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