“KING –
UMA HISTÓRIA DE VINGANÇA” ("MESSAGE FROM THE KING”), 2016, coprodução
Inglaterra/França/Bélgica, 1h42m, disponível na Netflix, direção do cineasta
belga Fabrice Du Welz, com roteiro de Stephen Cornwell e Oliver Butcher. Trata-se
de um suspense de ação cuja história é toda centrada em Jacob King (Chadwick
Boseman, o “Pantera Negra”), que viaja da África do Sul, sua terra natal, para
Los Angeles com o objetivo de encontrar a irmã caçula Bianca (Sibongile
Mlambo). King havia sido informado de que Bianca estava com problemas ligados
ao tráfico de drogas e prostituição em Los Angeles. Ao chegar em LA, King
procurou por todo lado e, depois de alguns dias, só encontrou a irmã na mesa
fria de um necrotério, com o corpo totalmente mutilado. King resolve investigar por conta própria até chegar a uma turma da pesada, envolvida com
pornografia, exploração de sexo infantil, prostituição e tráfico de drogas. No
meio deles, um importante dentista da cidade e um político corrupto em campanha.
Aí a coisa vai pegar, pois King é bom de briga (pertenceu a uma famosa e
violenta gangue de delinquentes que metia medo na população de Joanesburgo) e,
enquanto não caçar um por um dos assassinos de sua irmã, não voltará para o seu
país. O filme não traz muita coisa de novo, tem os clichês de sempre que
caracterizam todas aquelas histórias de vingança. A única surpresa está
destinada para o desfecho, quando King chega de volta ao seu país. Completam o
elenco Teresa Palmer, Luke Evans, Alfred Molina e Natalie Martinez. Resumo da
ópera: “King” tem bastante ação, tiros e muita pancadaria, bem ao gosto de quem
curte um bom entretenimento com um saco de pipoca do lado. Dá para ver numa boa.
sábado, 27 de junho de 2020
sexta-feira, 26 de junho de 2020
“SEQUESTRO
NO MAR VERMELHO” (HONG HAI XING DONG” – nos países de língua inglesa, “Operation
Red Sea”), 2018, coprodução China/Marrocos/Hong Kong, distribuição Netflix, 2h38m,
roteiro e direção de Dante Lam. A história foi inspirada em fatos reais
ocorridos em 2015 no Iêmen, quando um batalhão de elite do exército da China
resgatou cidadãos chineses sequestrados por rebeldes fundamentalistas. No
filme, o Iêmen virou um país fictício chamado Yewaire, onde predomina o Zaca,
grupo de terroristas muçulmanos que quer assumir o poder. Eles sequestram vários cidadãos chineses,
incluindo uma importante diplomata. Informado da situação, o governo chinês imediatamente recruta um batalhão
especial de elite para entrar no país e resgatar as vítimas. Em meio a toda confusão
que se formará, os chineses ainda descobrirão o plano de um atentato nuclear. Desde
o início, quando um navio da marinha chinesa é atacado por piratas iemenitas,
até o final, com uma bela homenagem póstuma aos soldados mortos em combate, o
filme não dá trégua ao espectador. É ação o tempo inteiro, num impressionante
ritmo alucinante, com inúmeras sequências de tirar o fôlego. Cabe aqui lembrar
que o diretor Dante Lam foi, durante muitos anos, assistente de direção do
cineasta John Woo, considerado o grande mestre da atualidade dos filmes de ação. Com
certeza, Lam aprendeu muito. Estão no elenco Huang Jingyu, Zhang Yi, Hai-Qing,
Jiang Du e Luxia Jiang, além de centenas – diria milhares - de figurantes. Depois
de assistir a este filme chinês, estou prestes a desconsiderar “Falcão Negro em
Perigo” (2001), dirigido por Ridley Scott, como o melhor do gênero. “Sequestro
no Mar Vermelho” é espetacular, simplesmente imperdível! quinta-feira, 25 de junho de 2020
Talvez esteja enganado, mas não
lembro de já ter assistido a algum filme policial israelense. “SUICÍDIO” (“ITSEMURHA:
HITABDUT”) deve ter sido o primeiro. E não me decepcionou. A produção é
de 2014 – está disponível na plataforma Netflix-, tem 1h53m de duração e foi escrito
e dirigido por Benny Fredman, estreando como cineasta de longas. A história é
centrada no empresário Oded (Rotem Keinan), endividado até o pescoço e, pior,
deve muito dinheiro para Muki (Igal Naor), um agiota da pior espécie, que
costuma cobrar seus devedores com torturas e ameaças às suas famílias - e até algumas mortes no percurso. Para
pagar suas dívidas e salvar a família da vingança de Muki, Oded planeja sua
própria morte para que sua esposa Dafna (Mali Levi) receba o seguro de vida e pague
ao agiota. Quando Oded aparece queimado e morto depois de um incêndio em sua
loja, a polícia começa a investigar o que realmente aconteceu. O mistério fica
ainda maior depois que os legistas descobrem que Oded morreu depois de
levar um tiro, à primeira vista suicídio. Detida na cena do crime, Dafna é levada para a delegacia e
interrogada pelo detetive Romi Dor (Dro Keren). Ela logo é considerada
suspeita, já que a questão do seguro de vida a receber é descoberta pela
polícia. Até o desfecho, muita coisa acontece, num clima de tensão e muito
suspense que segue em bom ritmo, valorizado pela inclusão no roteiro de algumas
surpreendentes reviravoltas. Além disso, tem a presença da bela e competente atriz israelense Mali Levi, o que já vale a entrada. Recomendo sem dourar muito a pílula.
quarta-feira, 24 de junho de 2020
“PRESSÁGIO”
(“LA CORAZONADA”), 2020, Argentina, produção Netflix, 1h56m, roteiro e direção
de Alejandro Montiel. Bom suspense policial cuja história é baseada no romance “La
Virgen en Tus Ojos”, da escritora Florencia Etcheves, que também colaborou no roteiro.
O filme já começa com dois assassinatos. O de um rapaz que acabou da sair da
cadeia depois de cumprir pena pelo assassinato da esposa de um policial e de
uma jovem cujo pai é um grande empresário do ramo de supermercados. Os casos
são entregues para a equipe do inspetor Francisco Juanez (Joaquín Furriel), cujas
atitudes misteriosas parecem guardar algum segredo. Juanez conta com dois
assistentes diretos, um deles a detetive novata Manoela “Pipa” Pelari (Luisana
Lopilato), recém-integrada à equipe. Enquanto as investigações evoluem, o
promotor Roger (Rafael Ferro), da corregedoria de polícia, recebe informações
de que Juanez pode ter assassinado o rapaz, já que sua vítima era justamente a
esposa de Juanez. Caberá justamente a “Pipa” Pelari a missão de também investigar,
em segredo, as atitudes do seu chefe. Daí até o desfecho, muita tensão,
suspense e algumas reviravoltas. A boa atuação da atriz argentina Luisana Lopilato - na vida real casada desde 2011 com o cantor norte-americano Michael Buble desde
2011-, dá credibilidade à personagem da detetive Pelari, com sobriedade e sem
afetações. Trocando em miúdos, “Presságio” certamente agradará quem curte o gênero
policial, principalmente pelo roteiro bem elaborado, situações convincentes e
pela estética “noir” sempre bem-vinda. Desde que estreou na Netflix, em 28 de maio de 2020,
é o suspense mais assistido do ano até agora na plataforma.
segunda-feira, 22 de junho de 2020
“A
TERRA E O SANGUE” (“LA TERRE ET LE SANG”), 2020, França, 1h20m. Quem
assima o roteiro e a direção é Julien Leclercq. Disponível na Netflix desde 18
de abril de 2020, a ação de “A Terra e o Sangue“ começa logo na abertura, quando
quatro assaltantes roubam uma grande quantidade de cocaína de uma delegacia de
polícia. A droga pertencia ao traficante Adama (Erik Ebouaney), que conseguiu
escapar quando da apreensão da cocaína. Erik não teve nada a ver com o roubo da delegacia e, quando soube que
haviam levado a cocaína, partiu atrás dos responsáveis. Resumindo: a droga
acaba escondida na serralheria de Said (o ator franco-tunisiano Sami Bouajila),
levada por um de seus funcionários, Yanis (Samy Seghir), irmão de um dos
assaltantes da delegacia. Por uma razão que não vou adiantar, a gangue de Adama
descobre o paradeiro da cocaína e a ação passa a se concentrar na serralheria,
onde Said está com a filha deficiente auditiva (Sofie Lesaffre). A partir daí,
o suspense rola solto, Said tentando se defender sozinho dos invasores, inclusive
utilizando alguns equipamentos da serralheria. Mesmo sendo um filme que prende
a atenção até o final, não é o melhor do cineasta Leclerck, um especialista em
filmes de ação, alguns muito bons, como “Gibraltar” e “Carga Bruta” (ambos
comentados aqui no blog). Em todo caso, dá para assistir numa boa.
domingo, 21 de junho de 2020
“WASP
NETWORK – REDE DE ESPIÕES” (“WASP NETWORK”), 2019, coprodução
França/Espanha/Brasil/Bélgica, 2h10m, roteiro e direção do veterano cineasta Frances
Olivier Assayas. A história na qual se baseou o roteiro foi inspirada no livro “Os
Últimos Soldados da Guerra Fria”, do jornalista e escritor brasileiro Fernando
Morais, que relembra fatos ocorridos na década de 90. Naqueles anos, o
governo cubano resolveu criar uma equipe de espiões para se infiltrar na
comunidade da Flórida, em especial em Miami, com o objetivo de localizar e
eliminar cidadãos anticastristas que estavam realizando atentatos a
instalações turísticas em Havana e Varadero. A operação secreta dos agentes
cubanos ficou conhecida como “Rede Vespa”. Entre os espiões recrutados estavam
René Gonzalez (Édgar Ramírez) e Juan Pablo Roque (Wagner Moura), ex-pilotos da
força aérea cubana, além de Jose Basulto (Leonardo Sbaraglia) e Gerardo
Hernandez (Gael García Bernal). Embora não soubessem da operação secreta, Olga
Salanueva (Penélope Cruz) e Ana Margarita Martinez (Ana de Armas), esposas de
René e Juan Pablo, respectivamente, também tiveram um papel de destaque na
história. Como os trabalhos de espionagem eram realizados em território
norte-americano, logo o FBI entraria em ação para acabar com a operação. O
cineasta francês Assayas não tira partido de um lado nem de outro, mas não
deixa de cutucar o dedo na ferida da situação econômica cubana, que piorou
muito com o fim da parceria com a Rússia após o fim do regime comunista, em
1989. O elenco latino é um dos principais destaques do filme: o venezuelano Óscar
Ramírez, do brasileiro Wagner, o mexicano Gael García Bernal), a cubana Ana de
Armas, o argentino Sparaglia e a espanhola Penélope Cruz, todos artistas em
grande evidência há anos no cenário cinematográfico mundial. A estreia mundial
de “Wasp Network” ocorreu durante o Festival de Veneza, no qual disputou o Leão
de Ouro. Por aqui, foi exibido na abertura da Mostra Internacional de Cinema de
São Paulo, em 2019. O filme é muito bom, mantém um nível de suspense e tensão
do começo ao fim, além de mostrar detalhes de fatos pouco divulgados por aqui. Resumo
da ópera: um filmaço! Ah, e está disponível na plataforma Netflix desde o dia
16 de junho de 2020.
sábado, 20 de junho de 2020
Sempre
gostei muito de filmes que envolvem a Máfia. Sejam norte-americanos, franceses,
ingleses ou de outro país qualquer. Melhor ainda se forem italianos e baseados
em fatos reais, como “SUBURRA”, 2015, roteiro e direção de Stefano
Sollima, 2h15m. A história foi inspirada no romance do mesmo nome escrito em 2013
por Carlo Bonini e Giancarlo de Cataldo, cujo enredo remete a 2011, ano quem
que os fatos aconteceram. Naquele ano, um projeto milionário estava mobilizando
a política de Roma. A criação de um polo turístico com cassinos e hotéis de
luxo na cidade litorânea de Óstia com a intenção de transformá-la numa Las
Vegas italiana. Nos bastidores, porém, o negócio envolvia gangues de mafiosos, políticos,
empresários e até um importante cardeal do Vaticano. A região escolhida também
era disputada pelas máfias do sul da Itália, que pretendiam implantar um porto que
seria utilizado para o tráfico de drogas. A tensão vai crescendo pouco a pouco,
o que faz o espectador esperar um desfecho com banho de sangue, o que de fato
acontece. “Suburra” destaca como principais protagonistas o deputado corrupto
Filippo Malgradi (Perfrancesco Favino), chegado a festas íntimas com prostitutas regadas a cocaína, um temido mafioso conhecido por “Samurai”
(Claudio Amendola), o violento Manfredi Anacleti (Adamo Dionisi), chefe de uma
gangue de imigrantes romenos, o delinquente conhecido pelo apelido de “Número 8”
(Alessandro Borghi), que se acha dono de Óstia e exige participação no negócio,
e sua namorada Viola (Greta Scarano), uma jovem drogada que, no desfecho, assumirá
um papel importante na história. Para complementar o comentário, lembro que o nome Suburra diz respeito a um populoso bairro da periferia de Roma, onde a pobreza ainda é a principal característica. Como não poderia deixar de ser, “Suburra” é
bastante violento, tenso ao limite, mas muito bem feito. Imperdível! sexta-feira, 19 de junho de 2020
“O
APÓSTATA” (“EL APÓSTATA”), 2015, coprodução Espanha/Uruguai, 1h20m, disponível
na plataforma Netflix, roteiro e direção do uruguaio Federico Veiroj. Antes de
entrar no mérito do comentário, achei melhor explicar o significado do título. Apóstata:
pessoa que cometeu apostasia, ou seja, abandonou sua religião para ingressar, ou
não, em outra. Apostasia: deserção
da fé. Apostatar: desertar, mudar de religião ou de partido. Esclarecimento
feito, apresento a história do filme. Gonzalo Tamayo (Álvaro Ogalla) chegou aos
30 anos completamente imaturo. Não sabe o que quer da vida, anda vestido como
um morador de rua (fica com a mesma roupa surrada do começo ao fim do filme), cabelos
e barba desgrenhados. É um desgosto para os pais religiosos e conservadores, que a toda hora cobram dele uma
mudança de atitude. Para piorar, fica obcecado por dúvidas sobre a fé religiosa,
culpa e desejo, até chegar ao ponto de querer renunciar ao catolicismo, exigindo
que a Igreja elimine os seus registros de batismo. “Não quero fazer parte das
estatísticas da Igreja Católica”, diz ele ao justificar sua intenção de ingressar com o processo junto ao bispo
local. A burocracia emperra o intento de Gonzalo, que continuará, até o
desfecho, a sua luta para renunciar ao catolicismo. Além de Álvaro Ogalla,
estão no elenco Marta Larralde (Pilar), Bárbara Lennie (Maite), Vicky Peña
(padre) e Juan Calot (bispo). Em seu terceiro longa-metragem, o roteirista e
diretor Federico Veiroj conseguiu realizar um filme bastante interessante e
inovador sob o ponto de vista estético, alternando as perambulações de Gonzalo
com alguns momentos oníricos e surreais. A estreia mundial do filme aconteceu na
Seção Contemporary World Cinema do Festival Internacional de Cinema de Toronto
2015 e, por aqui, foi exibido durante a programação oficial da 43ª Mostra Internacional
de Cinema do Rio de Janeiro. “O Apóstata” prende a atenção até o seu final e
faz refletir sobre muitas questões religiosas. Vale uma visita. quarta-feira, 17 de junho de 2020
“DESTACAMENTO
BLOOD” (“DA 5 BLOODS”), 2020, Estados Unidos, 2h34m, roteiro e
direção de Spike Lee, que contou com a colaboração dos roteiristas Kevin
Willmott, Danny Bilson e Paul de Meo. O filme foi lançado mundialmente na plataforma
Netflix no dia 12 de junho de 2020, em meio às manifestações antirracistas
ocorridas nos Estados Unidos e outros países do mundo em protesto contra o
assassinato do negro George Floyd, no dia 25 de maio. Resultado: o filme de Spike
Lee teve uma das maiores audiências já registradas pela plataforma. Realmente, “Destacamento
Blood” tem tudo a ver com o momento – aparece até uma faixa com os dizeres “Vidas
Negras Importam”. Tendo como ponto de partida a Guerra do Vietnã, Lee faz uma
longa reflexão sobre o racismo ontem e hoje, politizando a discussão ao atacar
os governos norte-americanos pelo tratamento dado aos afrodescendentes e
filosofando sobre o tema. A história de “Destacamento Blood” é centrada em
quatro ex-combatentes negros que, 50 anos depois, voltam ao Vietnã com o
objetivo de resgatar os restos mortais de Norman (Chadwick Boseman), o
idolatrado comandante do grupo, além de tentar recuperar uma grande quantidade
de barras de ouro que esconderam por lá na época da guerra. Em meio à história,
Spike apresenta vários vídeos da época das manifestações antirracistas dos anos
60, com depoimentos do líder Martin Luther King Jr., da ativista Angela Davis e
do lutador de boxe Muhammad Ali, entre outros. Além disso, Spike faz referências
explícitas a “Apocalypse Now” (1979), o grande clássico de Francis
Ford Coppola. Estão lá a viagem de barco pelos rios do Vietnã, o helicóptero
chegando ao som de “A Cavalgada das Valquírias” e até o nome da boate da
capital atual Ho Chi Minh onde os veteranos vão tomar umas e outras, justamente
“Apocalypse Now”. Paul (Delroy Lindo), Eddie (Norm Lewis), Otis (Clarke Peters)
e Melvin (Isiah Whitlock Jr.), como fizeram durante a guerra, se embrenharão
nas selvas do Vietnã numa aventura cheia de riscos e muita ação. Spike Lee já
fez filmes melhores, como “Infiltrado na Klan” (Oscar 2019 de Melhor Roteiro
Adaptado), “Malcolm X”, de 1992, e “Faça a Coisa Certa”, de 1989, mas “Destacamento
Blood” também é ótimo e certamente ganhará algumas indicações ao Oscar 2021
(cerimônia da premiação foi adiada para abril). Aposto todas as minhas fichas de
que Delroy Lindo será indicado para Melhor Ator. Sua atuação é espetacular. Também
estão no elenco Jonathan Majors e os franceses Jean Reno e Mélanie Thierry. Resumo
da ópera: mais um filme polêmico e impactante de Spike Lee, já sendo considerado por alguns críticos como o filme do ano. Assista e forme sua opinião.
segunda-feira, 15 de junho de 2020
“MENASHE”, 2017, Estados Unidos,
1h22m, filme de estreia na direção de Joshua Weinstein, mais conhecido como
diretor de fotografia e documentarista. O roteiro também leva a assinatura de
Weinstein, com a colaboração de Alex Lipschultz e Musa Syeedm. A história é ambientada
no bairro Boro Park (Brooklyn), em Nova Iorque, onde está localizada uma das
comunidades mais populosas de judeus ultra-ortodoxos do mundo. Aqui vive e trabalha
o quarentão Menashe (Menashe Lustig), que ficou viúvo e precisa cuidar sozinho do
filho Rieven (Ruben Niborski), o que contraria a lei judaica, pois, segundo o Talmude
(coletânea de livros sagrados dos judeus), “Para criar os filhos, o homem deve
ter em casa uma mulher que limpe tudo, que cozinhe e que cuide da casa”. Menashe
trabalha como empregado num supermercado do bairro, ganha pouco e é obrigado pelo
patrão autoritário a fazer muitas horas extras, o que o impede de dedicar mais
tempo ao filho. Dessa forma, a questão foi decidida pelo rabino da comunidade (Meyer
Schwrtz), que colocou o garoto sob a guarda de Eizik (Yoel Weisshaus), cunhado
de Menashe e irmão da falecida, que tem família e condições financeiras de
sustentar mais uma “boca”. Segundo o rabino, Rieven só voltará para a guarda de
Menashe se ele casar. O filme acompanha o dilema de Menashe e suas tentativas
de recuperar a guarda do filho, o que gera algumas cenas tocantes e sensíveis,
principalmente pelo fato de Menashe ser um sujeito bonachão, inocente e puro, a
ponto de não se incomodar de ser chamado de “Gordito” pelos seus colegas latinos
no supermercado. Esta produção independente apresenta algumas curiosidades
muito interessantes, a começar pelo elenco, todo ele constituído de atores que
nunca participaram de uma filmagem. Por falar nisso, ao tentar mostrar as ruas
do bairro e a movimentação das pessoas, a equipe técnica foi obrigada a filmar
escondida, pois a comunidade judaica, fechada, não permite esse tipo de exposição. Além
disso, o roteiro foi inspirado na própria experiência de vida do "ator" Menashe
Lustig, que também perdeu a guarda do filho. Vale destacar ainda que, na vida
real, Menashe nunca tinha entrado num cinema, o que só aconteceu porque foi
convidado para a exibição de estreia. Segundo seu material de divulgação, “Menashe”
é o primeiro filme norte-americano totalmente falado em Iídiche Todos esses aspectos
somados, mais a competência mostrada pelo diretor Joshua Weinstein, resultaram em
mais uma joia do cinema independente norte-americano, à disposição na plataforma
Netflix. Imperdível!
sábado, 13 de junho de 2020
quinta-feira, 11 de junho de 2020
“JÁ
NÃO ME SINTO EM CASA NESSE MUNDO” (“I DON’T FEEL AT HOME IN THIS WORLD”), 2017,
Estados Unidos, produção Netflix, 1h36m, estreia no roteiro e direção de Macon
Blair. E que ótima estreia. Uma pequena joia do cinema independente
norte-americano, tanto que foi o vencedor do júri do Festival de Cinema de
Sundance 2017. O filme é um misto de drama, policial, suspense e comédia, com
pitadas de humor negro. A trama é toda centrada na trintona Ruth Kimke (Melanie
Lynskey, a Rose de “Two and a Half Men”), uma mulher solitária, amargurada, que
não é dada a socializar por considerar as pessoas mal-educadas e sem noção de cidadania. Ela vive revoltada com as injustiças do cotidiano, principalmente aqueles ligadas à má
educação, como um vizinho que não recolhe as fezes do cachorro, alguém que
deixa cair uma mercadoria no chão e não repõe na prateleira ou então aquele
cara que no balcão de um bar conta o final do livro que ela está lendo. Um dia,
ao voltar do trabalho, ela percebe que sua casa foi assaltada. Roubaram seu
computador e os talheres de prata que ganhou da avó. Mais do que o produto do
roubo, o que mais indigna Ruth é o fato de terem invadido sua casa sem
permissão. De nada adiantou chamar a polícia, pois não deram muita bola para o
caso e nem se esforçaram para investigar. Aí foi a gota d’água. Ao lado de Tony
(Elijah Wood, o Frodo de “O Senhor dos Anéis”), um vizinho esquisito que pensa como ela, Ruth vai tentar achar os ladrões por conta própria, recheando o
filme com muitas situações de perigo a reforçar o suspense, mas sem nunca deixar
de lado o bom humor. Completam o elenco David Yow, Jane Levy, Macon Blair, Devon
Graye, Christine Woods e Gary Anthony Williams. Sem dúvida, um filme
surpreendente e muito criativo, garantindo um ótimo entretenimento. Imperdível!
quarta-feira, 10 de junho de 2020
“A
RAINHA DA ESPANHA” (“LA REINA DE ESPAÑA”), 2016, Espanha,
disponível na plataforma Netflix, 2h08m, roteiro e direção do veterano cineasta
Fernando Trueba. A história é ambientada nos anos 50 e tem como figura central Macarena
Granada (Penélope Cruz), atriz espanhola que faz maior sucesso em Hollywood. Na
época, havia um grande esforço de estreitar o relacionamento diplomático entre
os Estados Unidos e a Espanha franquista. Para colaborar com esse esforço, um
estúdio de Hollywood resolveu investir numa superprodução a ser filmada na
Espanha: “La Reina de España”, sobre a Rainha Isabel I de Castela, a “Católica”.
Para o papel principal foi escalada justamente Macarena Granada, assim como o
diretor John Scott (Clive Revill), uma clara referência ao famoso cineasta austríaco
Fritz Lang, que fez grande sucesso em Hollywood com seu famoso tapa-olho. Durante
as filmagens, John Scott dormia o tempo inteiro e só era acordado para gritar “Ação!”
e “Corta!”, em cenas muito divertidas. Para agradar os espanhóis, a produção
resolveu dividir a direção com o cineasta espanhol Blas Fontiveros (Antonio
Resines). A história toda de “A Rainha da Espanha” se desenvolve nos bastidores
das filmagens, mostrando as dificuldades de se adaptar o roteiro ao gosto do governo
franquista. Ainda nos bastidores, o filme destaca o fogo sexual de Macarena,
que logo no início das filmagens começa um caso com o jovem Leo (o ator
argentino Chino Darín, filho do astro Ricardo Darín), um simples assistente de
produção. Em meio às filmagens, o diretor Fontiveros é sequestrado pela polícia
secreta de Franco e vai parar num campo de trabalhos forçados. O elenco resolve resgatá-lo,
utilizando para isso dezenas de figurantes do exército da Rainha. Como se isso
tudo não bastasse, o set de filmagens ainda será visitado pelo próprio
generalíssimo Francisco Franco (Carlos Areces). Haja fôlego para acompanhar isso tudo,
realizado num ritmo alucinante e muito divertido. Completam o elenco Jorge Sanz, Mandy Patinkin e Javier Cámara. Enfim, “A
Rainha da Espanha” é uma ótima comédia, além de fazer uma
singela homenagem ao mundo do Cinema. Imperdível! terça-feira, 9 de junho de 2020
“THI
MAI: RUMO AO VIETNAM” (“THI MAI, RUMBO A VIETNAM”), 2017,
Espanha, distribuição Netflix, 1h39m, direção de Patrícia Ferreira, com roteiro
de Marta Sánchez. Trata-se de uma comédia bastante simpática e divertida para
assistir com toda a família. Depois da morte da filha em um acidente de carro,
Carmen (Carmen Machi) descobre que ela dera entrada numa papelada para a adoção
de uma criança órfã do Vietnã, a Thi Mai do título. Na companhia das amigas Rosa
(Adriana Ozores) e Elvira (Aitana Sánches-Gijón), Carmen viaja para Hanói (capital
do Vietnam), onde fica o orfanato de Thi Mai. Na verdade, as amigas embarcam
numa grande e divertida aventura, repleta de situações hilariantes,
principalmente no que se refere aos costumes dos vietnamitas, muito diferentes do mundo ocidental. Nas suas
peripécias em Hanói, Carmen, Elvira e Rosa conhecerão Andrés (Dani Rovira), um
espanhol que tinha viajado para a capital do Vietnam com o objetivo de encontrar
o ex-namorado. A turma vira um quarteto e, juntos, tentarão convencer as
autoridades vietnamitas a liberar a papelada exigida para concretizar a adoção
de Thi Mai, para a qual contarão com a ajuda de Dan (Eric Nguyen), um simpático guia turístico de Hanói. O grande trunfo do filme é, sem dúvida, o trio principal de protagonistas: Carmen
Machi é mais conhecida por ser uma das atrizes preferidas do diretor Pedro Almodóvar;
Adriana Ozores, uma das mais importantes atrizes de teatro e cinema da Espanha;
e a italiana Aitana Sánches-Gijón, cuja beleza e competência eu já conhecia
desde que a vi pela primeira vez atuando em “Caminhando nas Nuvens”, de 1995,
no qual contracenou com Anthony Quinn e fez par romântico com Keanu Reeves. Aos
51 anos, Aitana continua linda, charmosa e
competente. É a atuação destas três grandes atrizes – e a química entre elas - que
faz com que “Thi Mai” seja uma comédia bastante agradável e divertida. Imperdível!
segunda-feira, 8 de junho de 2020
“ALELÍ”, 2019,
coprodução Uruguai/Argentina, 1h30, segundo longa-metragem escrito e dirigido
pela cineasta uruguaia Letícia Jorge Romero, com a colaboração de Ana Guevara
Pose. Trata-se de uma comédia familiar bastante divertida que comprova um velho
ditado: “Toda família é igual. Só muda o endereço”. Após a morte de Alfredo, o
patriarca da família, a viúva Alba (Cristina Morán) e os três filhos Ernesto
(Nestor Guzzini), Lilián (Mirella Pascual) e Silvana (Romina Peluffo) convocam
uma reunião para decidir o que fazer com a antiga casa de praia, carinhosamente
chamada de “ALELÍ”, cujas iniciais significam os nomes do pessoal: “AL” de Alba
e o falecido Alfredo; “E” de Ernesto e “LÍ” de Lílian (Silvana, a mais nova, ainda
não havia nascido). Uma série de confusões, discussões e lavagem de roupa suja
acontecem durante a reunião, como em qualquer família. Um dos assuntos foi, inclusive, a possibilidade de internar a mãe num asilo. Os diálogos são hilariantes.
Silvana foi um dos alvos das críticas da mãe e dos irmãos, pois vive uma
separação atrás da outra, não consegue segurar um casamento. Ela ficou tão chateada por ser criticada que acabou indo afogar as mágoas na velha casa de praia. Logo depois chega
também seu irmão Ernesto, preocupado com a irmã mais nova. Aqui, na velha casa,
surgem as situações mais engraçadas, principalmente aquelas que envolvem os
velhos vizinhos. Enfim, “Alelí” é aquele tipo de filme feito para garantir um
ótimo entretenimento. Como afirmou a diretora Letícia Jorge Romero, "Alelí é uma comédia farsesca sobre a família". O filme, já disponível na plataforma Netflix, foi exibido por aqui na Mostra Première Latina do Festival Internacional de Cinema do Rio/2019. Diversão garantida!sábado, 6 de junho de 2020
“ASSASSINOS
MÚLTIPLOS” (“ACTS OF VENGEANCE”), 2017, Estados Unidos,
disponível na plataforma Netflix, 1h27m, direção de Isaac Florentine (“Assalto
à Casa Branca”), seguindo roteiro escrito por Matt Venne. A história repete um
dos clichês mais utilizados em dezenas de filmes. Esposa e filha são assassinadas,
a polícia não se esforça e o pai parte para a vingança, fazendo justiça com as
próprias mãos. Ao chegar atrasado para a apresentação teatral da filha na
escola, o advogado criminalista Frank Varela (Antonio Banderas) se desencontra
da esposa Sue (Cristina Serafini) e da filha Olivia (Lilian Blankenship). Ele
vai para casa e fica esperando as duas, mas quem chega é a polícia para avisar
que elas foram assassinadas. Daí para a frente o roteiro viaja na
maionese. Cheio de culpa, Frank ingressa nas lutas de MMA, apanha pra valer e
vê esse sacrifício como forma de punição. Numa briga de rua, ele recebe uma
facada na perna e tenta estancar o sangue com um livro que estava no lixo.
Trata-se de “Meditações”, escritos pessoais e reflexões do imperador romano Marco
Aurélio (121 d.C./180 d.C.), que ele adota como livro de cabeceira enquanto se
recupera. Ao mesmo tempo, lê também “A Arte da Guerra”, de Sun Tzu. As duas
leituras o convencem a partir para a vingança, incentivando-o a se preparar física
e mentalmente. Ele ingressa numa academia de artes marciais e resolve também
fazer um voto de silêncio para apurar os outros sentidos. Enquanto isso,
Frank continua a investigar por conta própria até chegar aos criminosos.
Exageros à parte, “Assassinos Múltiplos” funciona bem como filme de ação. Tem
pancadaria, suspense e muito sangue jorrando. Também estão no elenco a atriz
espanhola Paz Veja, grande amiga de Banderas na vida pessoal, Karl Urban,
Lilian Blankenship, Robert Forster e Cristina Serafini. O que me surpreendeu
favoravelmente foi a excelente forma física de Banderas aos 56 anos, idade que
tinha quando atuou no filme. Segundo o material de divulgação, o ator espanhol
treinou artes marciais durante meses para o papel. Antes de encerrar o
comentário, faço meu protesto quando ao título em português, que não condiz
muito com a história. Melhor seria a tradução literal: “Atos de Vingança”. Resumo
da ópera: o filme prende a atenção e não economiza nas cenas de ação, garantindo
um ótimo entretenimento.
quinta-feira, 4 de junho de 2020
“MY
HAPPY FAMILY” (“Chemi Bednieri Ojakhi”), 2017, Geórgia (antiga
república soviética), 120 minutos, produção Netflix, direção e roteiro de Nana
Ekvtimishvili e Simon Gross. Trata-se de um drama familiar centrado em Manana
(a ótima Ia Shugliashvili), uma professora de 52 anos que está em crise
existencial por conta da rotina diária com a família conservadora. Ela, o
marido, os dois filhos e os pais dela moram todos juntos num apartamento simples
e apertado. Logo no café da manhã começam as discussões, que continuam durante
o almoço e o jantar. Ou seja, não existe um momento de sossego, que é o que
Manana sempre desejou. O marido é ausente, não tem opinião sobre nada, o filho
mais velho não trabalha, só fica no computador, e tem ainda o crônico mau humor
da matriarca, dona Lamara (Bertha Khapava) que reclama de tudo e pega no pé de
todo mundo, inclusive de Manana. No dia de seu aniversário, Manana logo avisa: “não
quero festa, não quero bolo, não quero nenhum convidado”, como quem diz “Quero
sossego!”. Para o seu desespero, acontece justamente o contrário. A casa enche
de parentes, tem bolo, velinhas e cantorias – o povo georgiano deve gostar de
música, pois a cada reunião, seja familiar ou com amigos, logo aparece alguém
tocando violão e todo mundo canta junto. Manana fica alheia à comemoração, deixando
os convidados aos cuidados do seu marido. Como era de se esperar, logo depois
Manana avisa que vai sair de casa, alugar um apartamento e morar sozinha. A
notícia se espalha pela família e logo em seguida aparecem seu irmão Rezo
(Dimitri Oraguelidze) e outros parentes, todos tentando fazer Manana mudar de
ideia. A pergunta que todos fazem é por que ela que ir embora, abandonar a
família. Ela nunca responde a verdadeira razão, mas quem entende um pouco de
psicologia vai saber o por quê, principalmente as mulheres que estão na mesma
situação com suas famílias. O filme parece um episódio do seriado da TV Globo “A
Grande Família”, mas foge bastante do seu humor. “My Happy Family”, título que representa
uma grande ironia, é muito interessante não apenas pela história em si, mas por
destacar os costumes, os valores e o comportamento do povo georgiano. É um belo
filme, com uma atriz excepcional (Ia Shugliashvili) e um ótimo elenco, embora
seja formado, em sua maioria, por atores amadores. O filme estreou na Seção
Fórum do 67º Festival Internacional de Cinema de Berlim e depois foi exibido em
vários outros festivais mundo afora, conquistando nada menos do que 12 prêmios
e outras tantas indicações. O filme é realmente muito bom.
terça-feira, 2 de junho de 2020
“A SOMBRA DA LEI” (“LA SOMBRA
DE LA LEY”), 2018, Espanha, produção da Netflix, 2h06m, roteiro
de Patxi Amexcua e direção de Dani de La Torre. A história é ambientada em 1921
numa Barcelona agitada por conflitos entre a polícia e integrantes do movimento
anarco-sindicalista, responsáveis por greves e tumultos nas portas das fábricas.
Em meio a esse ambiente de alta combustão acontece um assalto a um trem
carregado com armamento militar destinado à polícia de Barcelona e ao exército. Claro que as suspeitas recaíram sobre os anarquistas. Para ajudar a polícia local nas
investigações, o Ministério da Justiça Federal desloca de Madrid o detetive Aníbal
Uriarte (Luis Tosar). Ele é integrado à equipe chefiada pelo inspetor Rediú (Vicente
Romero) e logo cai na graça dos novos companheiros por ser bom de briga. Uriarte
logo percebe que os policiais de Rediú, assim como o próprio, são bastante desonestos
e envolvidos com corrupção, assim como protegem o poderoso chefão mafioso El
Barón (Manolo Solo), dono de uma casa de espetáculos de luxo e de outros
negócios ilícitos. A captura dos assaltantes do trem transformou-se em ponto de
honra para a polícia de Barcelona, que vai atrás dos primeiros suspeitos, justamente
os anarquistas/sindicalistas, que, segundo o serviço de inteligência da
polícia, estariam se preparando para uma luta armada. O filme conta toda a
história dessa investigação, que ocorrerá na base de muita violência, torturas e intimidação psicológica. Merecem
destaque como foram reproduzidos os cenários da cidade de Barcelona daquela
época, naturalmente à base de computação gráfica, mas você assiste e não
percebe, de tão perfeita. Apenas fica deslumbrado pela qualidade da cenografia. Além da história
em si, outro fator que torna “A Sombra da Lei” um grande filme é a presença
sempre marcante de Luis Tosar, ator que passei a admirar depois de suas
memoráveis atuações em filmes como “Cela 211”, “Quem com Ferro Fere”, “Enquanto
Você Dorme”, “El Descoñecido” e “Segunda-Feira ao Sol”, entre tantos outros. Completam o elenco Michelle Jenner, Paco Tous, Adriana Torrebejano e o ator argentino Ernesto Alterio. Resumindo:
“A Sombra da Lei” é um filmaço! segunda-feira, 1 de junho de 2020
“CONTOS DE GUERRA” (“ÁPRÓ
MESÉK”) – “Tall Tales” nos países de língua inglesa –, 2019, Hungria,
1h52m, direção de Attila Szász e roteiro de Norbert Köbli. Um filme bastante
interessante, um misto de drama de guerra e suspense noir, lembrando os
policiais de Hollywood dos anos 40/50. Mas a grande influência parece ter vindo mesmo dos filmes do diretor inglês Alfred Hitchcock, principalmente a utilização da trilha sonora
para acentuar as cenas de maior tensão. A história de “Contos de Guerra” é
ambientada na Hungria logo após o final de Segunda Guerra Mundial. O ex-combatente
Hankó (Tamás Szabó Kimmel), aparentemente um desertor, retorna a Budapeste e,
ao ler um jornal local, vê vários classificados de famílias pedindo informações
sobre o paradeiro de seus entes queridos que foram para o front. Hankó decide
visitar essas pessoas dizendo que foi companheiro de trincheira do tal soldado.
Confesso que não entendi muito bem qual era a sua verdadeira intenção: consolar
as famílias dizendo que o ente querido foi um herói ou se aproveitar da
situação para conseguir alguma vantagem. Quando descobrem sua maracutaia, Hankó
foge e se esconde na zona rural, onde conhece Judit (Vica Kerekes) e seu filho
Virgil (Bercel Tóth). Bérces, marido de Judit, não voltou da guerra e é dado
como desaparecido. Enquanto isso, Hankó e Judit se apaixonam e tudo vai às mil
maravilhas até Bérces (Levente Molnár) surgir inesperadamente. A partir daí é
que o suspense entra em jogo pra valer, pois Bérces, um sujeito violento, não
vai deixar em paz a esposa e o amante, garantindo muita tensão até o desfecho
do filme. “Contos de Guerra”, repito, é um filme bastante interessante e que
merece ser visto.
sábado, 30 de maio de 2020
“RIPHAGEN”, 2016,
Holanda, disponível na plataforma Netflix, 2h11m, direção de Pieter Kuijpers,
com roteiro de Paul Jan Nelissen e Thomas van der Ree. O filme é baseado em
fatos reais ocorridos na Holanda durante a 2ª Guerra Mundial. Bernardus Andries
Riphagen (Jeroen van Konings Brugge) foi um grande colaborador dos nazistas
invasores, denunciando pelo menos 200 judeus , principalmente em Amsterdam. Antes, porém, chantageava as vítimas, sequestrando os seus pertences – dinheiro, joias,
objetos de arte e até imóveis. Ele prometia às famílias judias que assim que a
guerra terminasse devolveria tudo aos proprietários. Em seguida, porém, dava os
endereços de suas vítimas aos nazistas, que as enviavam para os campos de
concentração na Polônia. Quando a guerra acabou, Riphagen foi considerado traidor
e maior criminoso de guerra da Holanda. Para não ser preso, conseguiu fugir para a Espanha e
depois para a Argentina, onde fez amizade com Juan e Evita Peron, que conseguiram
evitar sua extradição para a Holanda. O filme conta toda a essa história e
ainda revela os bastidores da vida de Riphagen, como seu casamento com Greetje
(Lisa Zeerman), sua ligação com os alemães e como chantageava suas vítimas. Enfim,
Riphagen foi um verdadeiro monstro. O filme é excelente e o elenco é ótimo (atuam também Kay Greidanus, Anna Raadsveld e Sigrid Ten Napel), além
de uma primorosa reconstituição de época, destacando-se os cenários e figurinos.
Filmaço!
sexta-feira, 29 de maio de 2020
“NA PRÓPRIA PELE: O CASO
STEFANO CUCCHI” (“SULLA MIA PELLE”), 2018, Itália, disponível na plataforma
Netflix, 1h40m, direção de Alessio Cremonini, que também assina o roteiro com a
colaboração de Lisa Nur Sultan. O filme é baseado num fato verídico ocorrido na
Itália em 2009 e que chocou a opinião pública do país e de toda a Europa. Por
aqui, foi pouco divulgado. Desde jovem, Stefano Cucchi (Alessandro Borghi), sempre
esteve envolvido em problemas, principalmente por causa do consumo e tráfico de
drogas. Ele morava em Roma com uma família bem estruturada, o pai Giovanni (Giovanni
Gucci), engenheiro e construtor, a mãe Rita (Milvia Marigliano) e a irmã Ilaria
(Jasmine Trinca), com a qual sempre foi ligado. Enquanto estagiava numa das
obras do pai, Stefano saiu à noite com um amigo e foi detido pela polícia, que
descobriu em sua posse 20 gramas de haxixe e duas gramas de cocaína. Estava
começando um de seus priores pesadelos. Ele passou a madrugada sendo espancado
por dois violentos policiais que queriam obrigá-lo a confessar o nome do
traficante que lhe vende as drogas. Gravemente ferido, foi colocado numa cela
gelada e depois medicado, sempre dizendo que havia caído da escada, com medo de
uma retaliação dos policiais. Sua condição médica piorava cada vez mais e,
enquanto a família buscava informações, Stefano acabaria morrendo no sétimo dia
de detenção. Ninguém investigou o que aconteceu, revoltando ainda mais a
família de Stefano. Nos meses seguintes, sua irmã Ilaria exigiria uma resposta
da justiça italiana. Só assim o processo teve andamento até a identificação e
prisão dos policiais envolvidos. Por focalizar o tempo inteiro o sofrimento
físico do rapaz com bastante realismo, o filme incomoda e chega a ser bastante
desconfortável. Mas é muito bom como denúncia de um crime que abalou o sistema
judicial e carcerário da Itália. Destaque especial para o desempenho do ator Alessandro
Borghi na pele de Stefano Cucchi. Um show! “Na Própria Pele” estreou simultaneamente
na plataforma Netflix e no Festival de Cinema de Veneza 2018, arrancando elogios
tanto dos críticos quanto do público. Tal qual a história, trata-se de um filme bastante impactante. Vale a pena assistir! quinta-feira, 28 de maio de 2020
“A MULHER MAIS ODIADA DOS ESTADOS
UNIDOS” (“THE MOST HATED WOMAN IN AMERICA”), 2017, Estados Unidos,
1h31m – está no catálogo da Netflix. O roteiro e a direção são assinados por
Tommy O’Haver. Trata-se do filme biográfico de Madalyn Murray O’Hair, uma dona
de casa que nos anos 60 do século passado conseguiu que a Suprema Corte dos EUA
derrubasse a obrigatoriedade da leitura da Bíblia nas escolas públicas. Madalyn
defendia sua causa afirmando que “A religião é uma questão privada e só deveria
ser celebrada dentro de casa ou das igrejas”. Madalyn também questionou a
realização de cerimônias religiosas semanais na Casa Branca e contestou a
inclusão da frase “In God We Trust” (“Em Deus Nós Confiamos”) nas moedas e notas
de dólar. Não bastasse tudo isso, ainda conseguiu que a Constituição do Estado
do Texas eliminasse a exigência de acreditar em Deus para os candidatos a
cargos públicos. Além disso, ainda participava de debates com padres e pastores,
transmitidos pela TV, durante os quais falava um monte de palavrões, ofendia
Deus, o Papa e os santos, como também rasgava as Bíblias que estivessem ao seu
alcance. Imaginem a repercussão negativa que isso causou num país onde 70% da
população segue a religião cristã. Tanto é que, em 1964, ganhou capa na famosa
revista Life com o título “The Most Hated Woman in America” ao lado de sua
foto. Ao mesmo tempo, fundou a associação “Ateístas da América”, que durante
muitos anos arrecadou tantas doações que Madalyn ficou milionária, o que seria
motivo para o seu fim trágico, em 1995, quando foi sequestrada, juntamente com
seu filho e neta. O filme conta isso e mais um pouco, como as maracutaias
de Madalyn (Melissa Leo) para ganhar dinheiro e enganar o fisco. Ela chegou até
mesmo a encenar uma farsa com um pastor da igreja cristã – papel vivido por
Peter Fonda num de seus últimos filmes antes de morrer, em 2019 – para lucrar
ainda mais. Além de Melissa Leo e Peter Fonda, estão no elenco Juno Temple,
Adam Scott, Josh Lucas e Machel Chernus. Mas quem carrega o filme nas costas é
mesmo Melissa Leo, atriz norte-americana de 59 anos que já tem um Oscar de
Melhor Atriz Coadjuvante por “The Fighter” (2011). “A Mulher mais Odiada dos
Estados Unidos” é muito bom, tem um roteiro bem elaborado e atuações bastante
competentes.
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