Ou Keanu Reeves estava
precisando de grana ou então é amigo dos produtores ou do diretor do filme. Não
dá para entender como o astro norte-americano concordou em participar – ainda mais
como personagem principal – de um filme tão ruim como “SIBERIA”, de 2018, roteiro e direção de um tal de Matthew Ross. O
filme é horrível do começo ao fim, o roteiro é confuso demais e a história é
ridícula, não dá para entender bulhufas. E, para culminar, a produção é toda de
filme B, ou seja, pobre, de segunda classe. Reeves interpreta Lucas Hill, um
comerciante de diamantes azuis valiosos que marca um encontro com o sócio Piotr
(Boris Gulyarin) na Rússia para negociar a venda de 12 peças ao mafioso Boris
Volkov (Pasha D. Lychnikoff). O sócio Piotr acaba sumindo e, seguindo uma
pista, Hill vai tentar encontrá-lo em Mirny, na região leste da Sibéria. Aqui
ele conhece Katya (a atriz romena feiosa e dentuça Ana Ularu) e, numa grande
forçada de barra do roteiro, os dois acabam se apaixonando. Hill, inclusive,
acaba tomando uma surra dos irmãos da moça. Nada a ver com a história dos
diamantes. Tudo é muito ridículo e indecifrável, culminando com um desfecho dos
mais deploráveis. Grande favorito ao Troféu Framboesa, prêmio aos piores filmes
do ano. Uma bomba atômica. Fuja a galope!
quarta-feira, 19 de setembro de 2018
terça-feira, 18 de setembro de 2018
“PIRATAS
DA SOMÁLIA” (“THE PIRATES OF SOMÁLIA”), 2017, EUA, conta uma história
incrível baseada em fatos reais. Em 2008, o jovem norte-americano Jay Bahadur (Evan
Peters) resolveu que seria um jornalista famoso, mesmo sem nenhuma experiência
nem faculdade. Quando ele encontra por acaso o jornalista aposentado Seymour
Tobin (Al Pacino), conhecido pelas coberturas internacionais nas zonas de conflito
em países em guerra, Bahadur chega à conclusão de que para ele não bastaria ser
um simples repórter do jornal da cidade. Ele queria muito mais, talvez viajar para
um país onde nenhum outro jornalista teria coragem de ir. Naquele ano, 2008,
o assunto que estava em evidência eram os ataques de piratas da Somália contra
navios cargueiros. E não é que Bahadur vai para a Somália na tentativa de fazer
uma reportagem justamente com os piratas? Uma aventura e tanto, como você
poderá comprovar assistindo a este ótimo filme de ação e suspense. A direção é
de Bryan Buckley, também autor do roteiro, adaptado do livro “The Pirates of
Somalia”, escrito pelo próprio Jay Bahadur. Este foi o segundo longa-metragem escrito e dirigido por Buckley. O primeiro foi "Medalha de Bronze", de 2015. Uma curiosidade é a participação do
ator somaliano Barkhad Abdi como Abdi, encarregado de traduzir as entrevistas
de Bahadur. Ele havia participado do ótimo “Capitão Phillips”, de 2013, com Tom
Hanks, cuja história também envolve piratas somalianos. Nesse filme, Barkhad
Abid – que é a cara do Ronaldinho Gaúcho, inclusive a dentuça - fazia papel de
um pirata bastante violento. O filme tem também a participação especial e efêmera da
atriz Melanie Griffith, meio sumida ultimamente. “Piratas da Somália” é um
ótimo entretenimento, valorizado pelo fato de contar uma história verídica.
domingo, 16 de setembro de 2018
“TIRE-ME
UMA DÚVIDA” (“OTEZ-MOI D’UN DOUTE”), coprodução França/Bélgica de
2017, com roteiro e direção de Carine Tardieu. O título em português foi
traduzido por mim. Se o filme chegar até nós – se chegar -, não sei que
tradução darão. Trata-se de uma comédia romântica centrada no cinquentão Erwan
Goumelon (o ator belga François Damiens, do ótimo “Os Cowboys”), cuja profissão
é das mais interessantes e arriscadas. Contratado por uma empresa de construção
da Bretanha, ele é especialista em desmontar e detonar minas terrestres,
mísseis, granadas, torpedos e outras bombas remanescentes da Segunda Guerra
Mundial. Depois que sua filha Juliette (Alice de Lencquesaing) engravida e não
quer entregar quem é o pai, Erwan vai com ela para fazer exame de DNA. Durante
o procedimento, ele descobre que Bastien Goumelon (Guy Marchand) não é seu pai
biológico. Ele contrata um detetive para tentar descobrir quem é seu pai
verdadeiro e acaba encontrando, num vilarejo a 20 quilômetros de onde mora, o
simpático Joseph Levkine (André Wilms), que tem uma bela filha, a veterinária Anna
(Cécile de France, de “O Garoto de Bicicleta), pela qual Erwan se apaixona. Só
que ela pode ser sua meia-irmã. E aí, o que fazer? A confusão está formada,
com muitos momentos de bom humor, tornando este filme um entretenimento dos
melhores.
sexta-feira, 14 de setembro de 2018
“ELLA
E JOHN” (“THE LEISURE SEEKER”), 2017, coprodução Itália/França,
roteiro e direção de Paolo Virzi. A história, baseada no romance (lançado em
2009) do escritor norte-americano Michael Zadoorian, é centrada na aventura de um
casal de terceira idade, Ella (Helen Mirren) e John (Donald Sutherland). Eles
saem de Boston a bordo do antigo furgão da família, cujo nome é justamente o do
livro e do título original do filme: “The Leisure Seeker”, ou seja, “O Caçador
de Lazer”, com o objetivo de atravessar os Estados Unidos e chegar até Flórida
Keys para visitar a casa onde viveu Ernest Hemingway, o grande ídolo de John, um
antigo professor de literatura. Os filhos do casal, Jane (Nael Moloney) e Will
(Christian McKay), ficam desesperados com a iniciativa dos pais, por um motivo
muito especial: John tem Alzheimer e Ella sofre com as dores de um câncer
agressivo. Esse contexto dramático não contamina o bom humor que permeia toda a
trajetória do casal pelas estradas afora. Ou seja, trata-se de um ótimo e leve road movie valorizado pelo carisma e
competência de Helen Mirren e Donald Sutherland, cuja química é um dos trunfos
do filme. Durante a viagem, um segredo
revelado por John desencadeia numa série de acontecimentos que culminam num
surpreendente desfecho. E tem mais: na trilha sonora, “Me & Bobby McGee”,
um verdadeiro hino dos filmes de estrada na voz de Janis Joplin. Pelo papel de
Ella, Helen Mirren foi indicada ao Globo de Ouro de “Melhor Atriz” em 2017.
Exibido no mesmo ano no Festival de Veneza, foi aplaudido de pé pela plateia. Este
foi o primeiro filme escrito e dirigido por Paolo Virzi em Hollywood. O diretor
italiano é conhecido pela realização de dois excelentes filmes: “Capital Humano”,
de 2013, e “A Primeira Coisa Bela”, de 2010. Sem dúvida, “Ella e John” é um
ótimo entretenimento e uma oportunidade imperdível de curtir esses dois
veteranos atores.
terça-feira, 11 de setembro de 2018
“THE
CATCHER WAS A SPY”, 2018, EUA – Como não chegou por aqui e nem tem previsão
de chegar – se é que vai chegar -, ainda não há tradução disponível. Trata-se
de uma história de espionagem baseada num personagem real, Morris "Moe" Berg, jogador e treinador de
baseball da liga principal norte-americana nos anos 30, e que durante a Segunda
Grande Guerra trabalhou como espião e oficial de inteligência da Agência de
Serviços Estratégicos dos Estados Unidos. Moe, interpretado por Paul Rudd (o “Homem-Formiga"), foi recrutado porque era muito inteligente e culto – falava nada menos do que 7
idiomas. O filme segue Moe em sua missão de assassinar o cientista alemão
Werner Heisenberg (Mark Strong), que estaria trabalhando na construção de uma
bomba nuclear para Hitler. Muito suspense e ação nesta boa realização do
diretor Ben Lewin (do ótimo “As Sessões”, de 2012), com roteiro de Robert Rodat.
Mais uma ótima adaptação para o cinema de uma história real ocorrida durante a Segunda
Guerra Mundial. Para quem gosta da história mundial, como eu, vai se deliciar.
Além disso, vale também pelo ótimo elenco. Além de Rudd e Strong, trabalham a
bela Sienna Miller, Jeff Daniels, Guy Pearce, Paul Giamati e o grande ator italiano Giancarlo
Giannini (lembram de “Pasqualino Sete Belezas”?).
“GOTTI
– UM VERDADEIRO PADRINHO AMERICANO” (“Gotti: In the Shadow of My Father”), 2018,
EUA, direção do ator e diretor Kevin Connally (é o seu terceiro longa-metragem,
depois de “Nada a Perder, 2007, e “Minha Querida Primeira-Dama”, 2016), com
roteiro de Lem Dobbs e Leo Rossi. O filme é baseado em fatos reais, ou seja, a
vida do chefão mafioso John Gotti (John Travolta), que comandou a famosa
Família Gambino em Nova Iorque durante as décadas de 60, 70 e 80, “trabalhando”
com extorsão, prostituição, tráfico de drogas e casas de jogos clandestinas. Resumindo:
um poderoso chefão. A trajetória de Gotti, desde delinquente jovem e pobre, até
assumir o comando da organização criminosa, o relacionamento com a família e a
esposa Victoria (Kelly Preston, sua esposa na vida real) e, principalmente, com
o filho mais velho, John Gotti Jr. (Spencer LoFranco), que se tornaria também
um mafioso, culminando com sua prisão pelo FBI no início dos anos 90. O resto é
história, que você poderá conhecer com mais detalhes assistindo a “Gotti”. Depois
que estreou nos cinemas dos EUA em junho de 2018, o filme recebeu muitas
críticas desfavoráveis, com as quais não concordo. Claro que não se compara ao fabuloso
“Os Bons Companheiros” (“Goodfellas”), de Martin Scorsese, para mim o melhor
filme de Máfia já feito por Hollywood depois do “O Poderoso Chefão”. E “Gotti”
tem um trunfo a mais: o excelente desempenho de Travolta, com cheiro forte de
Oscar 2019. Claro, pode ser que eu me engane (como sempre). Outro destaque é o recurso utilizado pelo diretor Connally em reproduzir imagens de programas jornalísticos da época, com vários depoimentos de
admiradores de Gotti, tornando o filme ainda mais realista e verossímil. Como é
possível constatar, o poderoso mafioso era endeusado pelo povão, apesar de ser
um criminoso sanguinário, condenado por pelo menos 5 homicídios.
domingo, 9 de setembro de 2018
“MINHA
TERRA PURA” (“My Pure Land”), 2017, Inglaterra, primeiro
longa-metragem escrito e dirigido pelo Sarmad Masud, mais conhecido como
realizador de curtas e séries de TV. Embora tenha sido escrito e dirigido por
um paquistanês, falado em urdu (língua oficial do Paquistão) e todo ambientado
num pequeno vilarejo no interior do Paquistão, além do elenco de atores locais, o filme foi selecionado
como representante oficial da Inglaterra na disputa do Oscar 2018 de Melhor
Filme Estrangeiro. Baseada em fatos reais, a história é centrada em três
mulheres (mãe e duas filhas) que são obrigadas a defender a casa onde moram
depois que o chefe da casa acabou injustamente preso. O tio, irmão do pai,
resolve tomar a casa à força, seguindo uma tradição da sociedade machista
paquistanesa que não admite que mulheres tomem conta de uma casa. As mulheres
resolvem se armar e repelir os invasores, que contratam outros tantos capangas
para invadir a casa. Li algumas críticas que comparavam este filme com os westerns
de Sérgio Leone e não quis acreditar, mas realmente lembra alguns antigos faroestes
do diretor italiano. Ou seja, trata-se de um bom faroeste paquistanês, acredite
se quiser.
sábado, 8 de setembro de 2018
“TÁXI
SÓFIA” (“POSOKI”), 2017, Bulgária, roteiro e direção de Stephen
Komandarev, que também assina o roteiro ao lado de Simeon Ventsislavov. Ao
abordar a rotina diária de trabalho de seis taxistas na capital Sófia,
Komandarev cria um interessante mosaico da atual situação sócio-econômica e cultural
da Bulgária, um dos países mais pobres da Europa. As conversas dos motoristas
com seus passageiros e as situações, algumas insólitas, revelam um quadro de inconformismo e desesperança do povo búlgaro, mas Komandarev ameniza o contexto que poderia
ser dramático com um sutil e irônico bom humor, tom que predomina durante todo
o filme. As situações, por exemplo: o motorista de táxi leva a filha
adolescente para o colégio e aceita pegar outra estudante para uma corrida, no
meio da qual ela se revela uma prostituta de luxo. Em outra sequência, um motorista
quer conversar com os passageiros sobre o filho morto recentemente. Ninguém lhe
dá ouvidos. Aí ele para o carro e vai desabafar com um cachorro. Tem até um
padre que trabalha como motorista de táxi, outro que salva um homem que queria
se atirar de uma ponte e ainda uma motorista que trava um interessante diálogo
com um cirurgião cardíaco, entre outras situações inusitadas. Enfim, um filme
que foge da mesmice geral, realizado com inteligência e muita criatividade. A
primeira exibição de “Táxi Sófia” aconteceu durante o Festival de Cannes 2017,
quando participou da Mostra “Um Certain Regard”. Injusto que não tenha sido selecionado
pela Bulgária para disputar o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, pois, na minha
opinião, é um dos melhores filmes que assisti nos últimos anos. Imperdível!
quinta-feira, 6 de setembro de 2018
“KINGS”, 2017, coprodução EUA/França,
roteiro e direção de Deniz Gamze Ergüven. A história é toda ambientada na Los
Angeles de 1992, quando a população de South Central - periferia de LA - se rebela depois do
resultado de dois julgamentos, o primeiro de uma comerciante chinesa que acabara
de assassinar uma garota negra dentro de seu estabelecimento comercial. O
segundo, de maior notoriedade, envolveu o espancamento do taxista negro Rodney
King por policiais brancos. Tanto a chinesa quanto os policiais foram
absolvidos, gerando uma onda de protestos violentos, com saques a
supermercados, incêndios e agressões contra brancos e policiais que ousassem passar
pelo bairro. Em meio a toda essa confusão está Millie (Halle Berry), uma mãe
solteira que cuida com muito sacrifício de oito filhos, alguns deles adotados. Sua
principal preocupação é não deixar que seus filhos entrem para a marginalidade,
como a maioria dos seus colegas. Seu vizinho, Ollie (Daniel Craig, péssimo), talvez o
único branco do pedaço, tenta dar uma força para a família de Millie,
principalmente depois que os protestos entram na fase mais violenta. A diretora
turca Deniz Gamze Ergüven tinha o roteiro pronto desde 2011, mas não conseguiu
financiamento para tocar o projeto adiante. Só conseguiu depois de escrever e
dirigir o ótimo “Mustang” (aqui traduzido por “Cinco Graças”), que representou
a França na disputa do Oscar 2016 de Melhor Filme Estrangeiro. A estreia
mundial de “KINGS” aconteceu no Toronto International Film Festival, em
setembro de 2017, e logo depois foi exibido nos festivais de Torino e
Estocolmo. Até a primeira metade do filme eu estava gostando, envolvido pelo
forte clima de tensão. Depois, achei que a diretora descambou para um
sentimentalismo exacerbado, amenizando o impacto das cenas mais fortes. Cheguei
a achar que tinha jeito de Oscar 2019, mas fiquei decepcionado com o resultado
final. Mais interessante do que bom.
quarta-feira, 5 de setembro de 2018
terça-feira, 4 de setembro de 2018
O drama norte-americano “CHAPPAQUIDDICK”, 2017, direção de John
Curran e roteiro de Andrew Logan, revela os bastidores do rumoroso caso
envolvendo o então senador Ted Kennedy no final dos anos 60. No dia 18 de julho
de 1969, Ted estava reunido com a equipe de assessores em sua casa na Ilha de
Chappaquiddick. O objetivo era combinar estratégias e iniciar o planejamento
para sua candidatura à presidência dos EUA em 1972. Enquanto seu pessoal
comemorava o início da campanha, Ted aproveitou um dos intervalos para dar um “passeio”
de carro com a assessora Mary Jo Kopecane
- aparentemente sua amante, o que o filme não entrega. No caminho, Ted
perde a direção e o carro despenca no rio, matando a moça. Segundo foi apurado
posteriormente pela polícia, Ted demorou horas para comunicar o acidente,
colocando em dúvida sua afirmação de que tentara salvar Mary Jo. É claro que o
caso virou manchete no mundo inteiro, aniquilando sua carreira política e as
pretensões de concorrer às eleições presidenciais de 1972. O filme destaca os
esforços dos assessores em lidar com a tragédia, tentando aliviar a barra do
irmão mais novo de John Kennedy. Aliás, naquele ano, o único vivo dos quatro irmãos. Outro
destaque é dado ao relacionamento de Ted com o patriarca Joseph Kennedy, já
muito velho e doente. Fica claro que Ted nunca foi o mais querido dos irmãos.
Pelo contrário, era tratado pelo pai como o ovelha negra da família. O elenco é
muito bom: Jason Clarke (Ted), Kate Mara (Mary Jo), Ed Helms (Joe Gargan,
principal assessor), Bruce Dern (Joseph Kennedy) e Clancy Brown (Robert McNamara).
O filme estreou nos Estados Unidos no dia 6 de abril de 2018 e ainda não tem
data para ser exibido por aqui.
domingo, 2 de setembro de 2018
“TEMPESTADE
DE AREIA” (“SUFAT CHOL”), 2016, Israel, é um drama ambientado num
vilarejo de beduínos muçulmanos ao sul de Israel. Ali vive uma comunidade árabe
das mais retrógradas e machistas. A história é centrada em Jalila (Ruba Blal),
uma mulher forte, batalhadora e autoritária, mãe de quatro meninas, a mais
velha Layla (Lamis Ammar). O filme começa e lá está Jalila organizando a festa
de casamento do seu marido Suliman (Hitham Omari) com uma segunda esposa, muito
mais jovem. Não bastasse esse tipo de humilhação, Jalila descobre que Layla gosta
de um jovem palestino e fará de tudo para impedir esse namoro. Enquanto isso,
Suliman arranja um marido para Layla – como em quase todos os países árabes, é
tradição o pai escolher o marido para a filha e obrigá-la a casar, mesmo que ela
não queira. Mais uma prova da cultura machista desses países é o banimento de
Jalila da casa onde mora, indo viver com os pais, num tipo de exílio. Coisas do
mundo árabe. O filme foi escrito e dirigido pela diretora israelense Elite Zexer,
mais conhecida como autora de curtas e documentários. Este foi o seu primeiro
longa-metragem, todo falado em árabe, e se saiu muito bem, pois o filme é ótimo, tanto que
recebeu o Grande Prêmio do Júri na categoria “World Cinema Dramatic” do
Festival de Sundance (EUA), além de ter sido selecionado para representar Israel
na disputa do Oscar 2017 de Melhor Filme Estrangeiro. Por aqui, foi visto durante a programação da 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro de 2016. Recomendo principalmente
por revelar muitos dos costumes e tradições dos povos beduínos. Um filme muito
interessante.
.
quinta-feira, 30 de agosto de 2018
“TUDO
NOS SEPARA” (“TOUT NOUS SÉPARE”), 2017, escrito e dirigido por
Thierry Klifa. Existem três bons motivos
para recomendar este excelente thriller
francês. Primeiro, o roteiro muito bem elaborado, originando uma história bem
interessante e repleta de suspense. O segundo bom motivo é a direção de Thierry
Klifa, que consegue manter o clima angustiante de tensão do começo ao fim,
lembrando um fio bem esticado a ponto de se romper de repente. O terceiro
motivo é o ótimo elenco, capitaneado pelas atrizes Catherine Deneuve e Diane
Kruger, com destaque também para Brigitte Sy e os atores Nicolas Duvauchelle e Nekfeu
(um rapper francês de grande sucesso, cujo nome verdadeiro é Ken Samaras). Vamos
finalmente à história: Julia Keller (Kruger) é a filha drogada e problemática
da empresária Louise Keller (Deneuve). O namorado de Júlia é Rodolphe Calavera
(Duvauchelle), um delinquente que ganha a vida traficando drogas. Ao lado de
seu companheiro Ben Torres (Nekfeu), ele se envolve com uma violenta quadrilha
de traficantes, à qual acabam devendo uma grana bem alta. Em paralelo, o clima
entre Julia e Rodolphe não está nada bom, culminando com uma briga em que ela
acaba acertando-lhe a cabeça com uma barra de ferro. O cara morre e Julia corre
para a saia da mãe, pedindo para lhe ajudar a sair dessa situação. Elas tentam encobrir
o assassinato, mas Ben desconfia e passa a chantagear Louise. No desfecho
haverá uma reviravolta surpreendente, valorizando ainda mais este bom suspense
francês. Vale a pena!
domingo, 26 de agosto de 2018
“O
MOTORISTA DE TÁXI” (“TAEKSI WOONJUNSA”), 2017, Coreia do Sul, roteiro
e direção de Jang Hoon. Mais um excelente exemplar do cada vez melhor cinema
sul-coreano. A história é baseada em incríveis fatos reais ocorridos em maio de
1980, quando o motorista de táxi Man-Seop (Song Kang-Ho, o ator sul-coreano mais popular da atualidade), afundado em dívidas,
aceita levar o jornalista alemão Peter (Tohmas Kretschmann) de Seul para a
cidade de Gwangiu, onde o exército do ditador Chun Doo-Hwan promovia uma
sangrenta repressão contra os contrários ao governo, assassinando centenas de
civis, principalmente estudantes. Alheio aos acontecimentos, Man-Seop acha que
sua missão será tranquila. Mal sabe ele que será envolvido nas manifestações,
correndo risco de vida, ele e o jornalista alemão. O grande mérito desse filme
é relembrar com realismo o que aconteceu naquela época, ou seja, um fato
histórico da maior importância. Apesar do contexto violento da história, o
diretor Jang Hoon conseguiu alguma sensibilidade com a amizade entre o
motorista de táxi e o jornalista alemão. Nos créditos finais, o verdadeiro
jornalista alemão aparece vinte e tantos anos depois dando um depoimento emocionado
sobre essa amizade, afirmando que teria a maior alegria em reencontrar o amigo
sul-coreano, o que, infelizmente, não aconteceu. O filme é ótimo, imperdível! Para
terminar, lembro que foi o filme escolhido para representar a Coreia do Sul na
disputa do Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro.
O drama argentino “MATER”, 2017, foi inspirado na peça
teatral “El Viento em um Violin”, do dramaturgo Claudio Tolcachir. O elenco do
filme é o mesmo que atuou na peça, ou seja, Lautaro Perotti, Araceli Dvoskin,
Tamara Kiper, Inda Lavalle e Miriam Cordeiro. Este é o primeiro longa-metragem escrito
e dirigido por Pablo D’Alo Abba, mais conhecido na Argentina como realizador de
documentários. A história de “MATER”
é centrada no jovem Dario (Perotti), mimado, folgado e dependente da mãe Mecha
(Miriam Odorico), que toma todas as decisões pelo filho e o domina na base da rédea
curta. Vendo que seu filho, aos 30 anos, não quer nada com a hora da Argentina,
Mecha paga umas consultas com um psicólogo, sem resultados. As sessões são um
fracasso, pois Dario se acha um gênio da psicologia e quer ensinar o coitado do
psicólogo. As sessões até que rendem alguns momentos bem-humorados. Corre em
paralelo a história de Celeste (Tamara Kiper) e Lena (Inda Lavalle), que querem
ser mães – ou pais, lá sei eu – e resolvem encontrar um homem numa balada. O
escolhido é justamente Dario, que é obrigado na base da força a consumar o ato.
Por aquelas coincidências que só acontecem em filme, uma das lésbicas é filha
de Nora (Araceli Dvoskin), empregada há muitos anos na casa de Dario. A
confusão está formada, e as duas famílias vão ter que resolver com quem ficará
a criança. Mais um bom filme argentino que merece ser visto.
sábado, 25 de agosto de 2018
“O
DESAPARECIMENTO DE SIDNEY HALL” (“The Vanishing of Sidney Hall”), USA,
2017, segundo longa-metragem escrito e dirigido por Shawn Christensen. Filme
independente muito interessante e bem elaborado, com um elenco de muita
competência: Logan Lerman (“Percy Jackson”), Elle Fanning, Michelle Monaghan,
Blake Jenner, Kyle Chandler e Nathan Lane. A história é centrada no jovem
escritor Sidney Hall (Lerman), que desde o colégio sonhava em ser escritor.
Sempre foi um jovem rebelde, mas muito inteligente. Seus textos no jornal da
escola eram bastante elogiados, até que um dia resolveu escrever um livro que
virou best-seller e o levou à fama, inclusive sendo indicado ao badalado Prêmio
Pulitzer. Em meio à jornada literária de Sidney, o roteiro destaca também, em
flashbacks, o seu primeiro grande amor e depois sua esposa, a bela Melody (Fanning),
a amizade com seu colega de classe Brertt Newport (Jenner) e sua relação com a
mãe (Michelle Monaghan). Depois do sucesso alcançado com seu primeiro livro,
Sidney some do mapa, vira andarilho/mendigo e sai pela estrada de ferro afora a
bordo de trens de carga. Seu sumiço é investigado por um policial misterioso (Chandler), seguindo uma pista referente ao incêndio de vários livros escritos justamente por Sidney. Enfim, um filme que se mostra acima da média vigente, como comprovam as
críticas positivas quando estreou no Festival de Sundance 2017.
“15h17
– TREM PARA PARIS” (“The 15:17 to Paris”), EUA, 2018, direção de
Clint Eastwood, com roteiro de Dorothy Blyskal. O filme conta a história dos
três norte-americanos que evitaram o ataque de um terrorista árabe num trem de
alta velocidade que ia de Amsterdam (Holanda) para Paris no dia 21 de agosto de
2015. Armado com um fuzil AK-47, pistolas e munição suficiente para matar os
554 passageiros do trem, o terrorista marroquino Ayoub El-Khazzani foi dominado
e preso pelos três rapazes, o soldado Alek Skarlatos, o piloto da Força Aérea
Spencer Stone e Jaleel White. O filme volta no tempo para mostrar a antiga
amizade que uniu os rapazes até os dias atuais, culminando com o ato heroico em
território francês. A grande inovação de Eastwood foi escalar os próprios
personagens para representá-los no filme. Não prejudicou em nada, embora a
gente perceba, em algumas cenas, que não são atores profissionais. Aliás, as
atrizes Jenna Fischer e Judy Greer foram duas das poucas profissionais do
elenco. Ator em 71 filmes e diretor em outros 40, além de quatro Oscar no
currículo, Eastwood tem respeito e crédito suficientes para fazer o que quiser
no cinema. Para escrever o
roteiro, Dorothy Blyskal baseou-se no livro “The 15:17 to Paris: The True Story
of a Terrorist, a Train and Three American Soldiers”, de Jeffrey E. Stern. Em se
tratando de Eastwood, eu esperava um filme bem melhor. Não que seja ruim, mas bem abaixo da qualidade de outros filmes do grande Eastwood. Vale
apenas pela história incrível de heroísmo.
quarta-feira, 22 de agosto de 2018
Ao contrário do que diz o
material de divulgação, “DEIXE A LUZ DO
SOL ENTRAR” (“UN BEAU SOLEIL
INTÉRIEUR”), 2017, França, não é uma comédia romântica, mas sim um drama.
Talvez comédia dramática, mas romantismo passa longe. A história é centrada na
vida amorosa da artista plástica Isabelle (Juliette Binoche). Mulher de meia-idade, divorciada e com uma filha, Isabella vive vários relacionamentos, ao mesmo
tempo em que tem um amante fixo, Vincent (Xavier Beauvois), um banqueiro
arrogante e ainda por cima casado. Ela quer mais afeição e busca conseguir
quando sai pela noite para dançar, programa que acaba quase sempre na cama com
alguém. Foi assim com um ator de teatro (Nicolas Duvauchelle, que tem uma incrível
semelhança com o grande Marcello Mastroianni jovem), com um diretor de galeria
e com outros tantos. Mesmo com essa variedade de amantes, Isabelle sofre de
carência afetiva, pois quase sempre seus romances acabam rápido, entre brigas e
desilusões. Já no final, Isabelle consulta um terapeuta (Gérard Depardieu, em
participação especial) para tentar resolver sua carência. Aos 54 anos, Juliette
Binoche ainda é uma mulher muito bonita, charmosa e sensual, além de ótima
atriz (ela é a mais bem-paga do cinema francês). Binoche tem um Oscar de Melhor
Atriz Coadjuvante por “O Paciente Inglês”, de 1996, e nada menos do que seis
indicações para o César (o Oscar francês), sendo que numa delas, justamente em “Deixe
a Luz do Sol Entrar”, conquistou o prêmio de Melhor Atriz. Realmente, ela é
fantástica, a alma desse bom drama francês dirigido pela veterana diretora Claire
Denis (“Minha Terra, África”, “Desejo e Obsessão” e “35 Doses de Rum”).
domingo, 19 de agosto de 2018
“DESEJO
DE MATAR” (“DEATH WISH”), EUA, 2018, direção de Eli Roth e roteiro
de Joe Carnahan, que readaptou o livro “Death Wish”, escrito por Brian
Garfield. Trata-se da refilmagem do clássico de grande sucesso lançado em 1974.
Sai Charles Bronson e entra Bruce Willis, que finalmente encontra um filme de
ação à sua altura, depois de inúmeros fracassos recentes. Desta vez, volta à
sua velha forma de durão e canastrão, com aquele sorriso sutil que esbanja
ironia. Willis é o médico cirurgião Paul Kersey (Bronson era arquiteto). Uma
noite, ele é chamado para atender a uma emergência no hospital, deixando
sozinhas a esposa Lucy (Elisabeth Shue) e a filha adolescente Jordan (Camila
Morrone). Três bandidos invadem a casa e fazem miséria com as duas, matando
Lucy e deixando Jordan em estado grave. Ao perceber que a polícia não se
empenha como devia nas investigações, Kersey resolve agir por conta própria. Ao
sair pela noite em busca de informações que o levem aos marginais, Kersey cruza
com vítimas sendo assaltadas e enfrenta os bandidos na base da bala. Depois de
matar alguns, ele acaba virando notícia nos jornais como o “Anjo da Noite”, o
herói que está “limpando” Chicago. Sem nunca ser identificado, Kersey prossegue
na busca dos assassinos de sua esposa, utilizando mil artimanhas para não ser
preso, até encontrá-los e finalmente executar sua vingança. O filme é muito bom, têm ótimas sequências de ação e Willis novamente em forma. Entretenimento dos
melhores! sábado, 18 de agosto de 2018
Representante de Israel na
disputa do Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro e premiado em vários
festivais de cinema pelo mundo afora, o drama “FOXTROT” surpreende positivamente pelo modo de filmar criativo, um
roteiro inteligente e bem elaborado, um humor sutil e um desfecho dos mais inesperados.
Ah, e tem dois atores israelenses maravilhosos, Sarah Adler e Lior Ashkenazi,
que formam o casal de pais que vive em Tel Aviv e que um dia recebem a notícia
de que seu filho Jonathan, soldado do exército, foi morto num atentado. Arrasados,
Michael e Daphna Feldmann entram numa espiral de tristeza, desilusão e histerismo,
comprometendo até o casamento. Um corte abrupto e a história muda radicalmente
de cenário, passando a enfocar quatro jovens soldados num posto de fronteira,
entre eles Jonathan. Numa vistoria de rotina a um veículo com quatro jovens
árabes, os soldados israelenses cometem um equívoco que acaba numa tragédia. As
autoridades israelenses, porém, resolvem esconder o ocorrido da maneira mais
sórdida. Prefiro não comentar o restante do filme, já que está reservada uma
grande surpresa no desfecho. Só posso adiantar a principal mensagem do filme: ninguém
pode com a força do destino. O filme causou grande polêmica em Israel, já que
mexeu com os brios do seu exército, uma instituição sagrada para os
israelenses. A ministra da Cultura Miri Regev fez duras críticas ao filme,
considerando-o uma espécia de traidor da pátrica. O filme foi escrito e
dirigido por Samuel Maoz, consagrado diretor israelense que venceu o “Leão de
Ouro” no Festival de Veneza de 2009 com “Lebanon”. “FOXTROT” foi premiado em festivais como o de Toronto, Zagreb e Londres,
além de conquistar o “Leão de Prata” (2º lugar) no Festival de Cinema de Veneza
em 2017. Um filme muito interessante que merece ser visto por quem aprecia
cinema de qualidade.
sexta-feira, 17 de agosto de 2018
“SOMENTE
O MAR SABE” (“The Mercy”), 2018, Inglaterra, com Colin Firth e
Rachel Weisz. Baseado em fatos reais. O ano é 1968. Endividado até o pescoço, o
empresário inglês Donald Crowhurst (Firth) imaginou uma maneira de sair do
buraco financeiro: inscreveu-se na Corrida Globo de Ouro, promovida pelo Jornal
Sunday Times, com um polpudo prêmio em dinheiro ao vencedor. A famosa prova
náutica exigia que os competidores dessem a volta ao mundo sem paradas. Navegante
amador, Donald enfrentaria adversários muito mais experientes e mais bem
equipados. A jornada começou e a imprensa inglesa deu grande destaque à
competição, cobrindo cada etapa como um feito histórico. Em terra, Clare
(Rachel Weisz), a esposa de Donald, dava inúmeras entrevistas sobre o marido e
acabou também virando celebridade. O filme dedica-se, em grande parte, a
acompanhar a façanha de Donald em alto-mar, as dificuldades enfrentadas por
causa de sua inexperiência, o seu sofrimento físico e psicológico,
principalmente em razão da solidão por meses a fio. Não vou contar o desfecho,
mesmo porque quase ninguém conhece a história e revelar o final pode estragar a
surpresa. O filme foi realizado por gente competente: o diretor James Marsh (“A
Teoria de Tudo”) e o roteirista Scott Z. Burns (“Terapia de Risco” e “O
Ultimato Bourne"). Sem falar em Colin Firth e Rachel Weisz, atores da maior qualidade - Rachel está cada vez mais bonita. O filme é um ótimo entretenimento, principalmente para quem não conhece
essa história tão incrível. segunda-feira, 13 de agosto de 2018
“HONRA AO MÉRITO” (“THANK YOU FOR YOUR SERVICE”) – já vi capinha de DVD do mesmo filme com o título “Marcas
da Guerra” – 2017, EUA, estreia na direção de Jason Dean Hall. Um dos melhores
filmes que já vi sobre o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), distúrbio
ou perturbação mental que
atinge,
principalmente, os soldados que retornam de uma frente de guerra. Um aspecto
que valoriza ainda mais esse filme é o fato de ter sido baseado em fatos reais
narrados no livro escrito pelo jornalista David Finkel, do Jornal Washington
Post. A história é centrada em três soldados que voltaram do Iraque após um
período de um ano e três meses. Traumatizados com o que viram e com o que
vivenciaram, eles têm pesadelos diários, dificuldade de se socializar, inclusive
com a própria família, e muitos deles com tendências suicidas. O personagem
principal é o sargento Adam Schumann (Miles Teller), que se sente responsável
por alguns fatos trágicos ocorridos com seu pelotão. O filme revela, de uma
forma contundente, um fato um tanto desconhecido para nós: o governo
norte-americano não valoriza muito os seus veteranos de guerra – sinta a ironia
do título original. São milhares de soldados que precisam de ajuda psicológica
e que entram numa fila pior que o nosso SUS para comprovar que realmente
estiveram numa zona de guerra e precisam de ajuda. O ator Miles Teller, do espetacular “Whiplash:
Em Busca da Perfeição, de 2014, comprova mais uma vez sua competência, num
papel que exige um forte tom dramático. O filme é muito bom, sério,
esclarecedor, um gol de placa do estreante diretor Jason Dean Hall, mais
conhecido como excelente roteirista. É dele, por exemplo, o roteiro do ótimo “Sniper Americano”, de
2014.
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