“MÁS NOTÍCIAS PARA O SR. MARS” (“Des Nouvelles de La Planète Mars”), 2015,
França/Bélgica, roteiro e direção do alemão Dominik Moll. Trata-se de uma
comédia muito engraçada sobre um engenheiro, Phillippe Mars (François Damiens),
que de repente se vê às voltas com várias situações que vão deixá-lo à beira de
um ataque de nervos. Começa que sua ex-mulher, Myrian (Léa Drucker), uma
repórter de TV, é obrigada a cobrir um evento internacional em Bruxelas
(Bélgica) e pede a Phillippe que cuide dos seus dois filhos adolescentes. Como
se não bastasse, sua irmã Xanaé Mars (Olivia Cotê) promove uma exposição de
quadros nos quais retrata os pais completamente nús e, mais tarde, obriga Phillippe
a ficar com seu cachorrinho de estimação. O suplício de Phillippe ainda não
terminou. Jérôme (Vincent Macaigne), seu colega de trabalho no escritório, tem
um surto psicótico, é internado numa clínica e depois liberado, indo pedir “asilo”
na casa de Phillippe, levando a tiracolo uma paciente pela qual se apaixona, a
birutinha Chloé (a maravilhosa atriz belga Verlee Baetens, do ótimo “Alabama
Monroe”). A confusão está formada, garantindo boas risadas durante a maior
parte do tempo. Só que nos minutos finais, o filme perde o ritmo de comédia e
passa a adotar momentos do mais puro sentimentalismo, sem prejudicar o resultado final. Em todo caso, vale pelos diálogos bem humorados e pelas
situações divertidas. Uma delas, a aparição dos fantasmas dos pais de Phillippe, dois velhinhos simpáticos que alegram o ambiente. Sem dúvida, um ótimo programa.
sábado, 24 de março de 2018
sexta-feira, 23 de março de 2018
“O FILHO DE JOSEPH” (“Les Fils de Joseph”), 2016,
França, escrito e dirigido por Eugène Green. A história é centrada no jovem
Vincent (Victor Ezenfis), de 15 anos, criado pela mãe solteira Marie (Natacha
Régnier). Vincent insiste que ela revele o nome do seu pai, que durante anos foi um segredo trancado a sete chaves. A mãe sempre tinha a mesma resposta: “Você não tem pai”. Um dia, porém, Vincent, garoto
esperto, acaba descobrindo a identidade do pai, Oscar Pormenor (Mathieu
Amalric), um importante editor de livros. Em meio a uma vingança planejada por
Vincent contra o próprio pai, surge na história Joseph (Fabrizio Rongione),
irmão de Oscar, que aparece do nada para pedir um empréstimo. Logo fica
evidente que os irmãos nunca se deram e continuarão assim depois que Oscar recusa-se
a atender ao pedido de Joseph. Papo vai, papo vem, Joseph faz amizade com
Vincent, que fica interessado em Marie. Até
aí o filme fica interessante, mas perde o ritmo no final, principalmente quando, numa longa cena, Joseph,
Marie e Vincent caminham na praia com um burrinho, uma referência explícita à
cena bíblica de José e Maria a caminho de Belém. Trata-se de mais uma
excentricidade do diretor norte-americano radicado na França, responsável pelo elogiado
“La Sapienza”, também difícil de digerir. Na maioria de seus filmes, Eugène Green faz questão de colocar pitadas de humor negro, diálogos com pretensões intelectuais e uma certa erudição. Em "O Filho de Joseph", por exemplo, ele dá grande destaque a um quadro pendurado no quarto do jovem Vincent, "O Sacrifício de Isaac", pintado por Caravaggio no Século 17. Resumo da ópera: Eugène quis fazer um filme com pretensões intelectuais, mas acabou reforçando ainda mais a sua imagem de diretor excêntrico. Como informação adicional, lembro
que assinam a produção Luc e Jean-Pierre, conhecidos como os Irmãos Dardenne, consagrados
diretores belgas. “O Filho de Joseph” é apenas interessante, longe de agradar o
grande público.
segunda-feira, 19 de março de 2018
“ROMAN J. ISRAEL” (“Roman J. Israel, Esq.”), roteiro
e direção de Dan Gilroy (do excelente “O Abutre”, com Jake Gyllenhaal), conta a
história de um advogado criminalista brilhante, Roman Israel (Denzel
Washington), mas um tipo bastante estranho: gordo, desajeitado, roupas cafonas
e um cabelo “black power” igual aos
ativistas dos anos 60/70 – ele idolatra especialmente Angela Davis. Durante
anos, ele atuou nos bastidores do escritório e dos tribunais, elaborando as estratégias de defesa que seu
sócio, Willian Henry Jackson, utilizava, com grande sucesso nos julgamentos. Quando Willian sofre um ataque cardíaco e entra em coma, Roman é obrigado a
assumir o seu trabalho nos tribunais. Só que Roman é um advogado radicalmente
idealista, seguindo à risca os princípios morais e éticos da profissão. Pode estar
diante de um juiz no tribunal ou de um importante promotor, ele não tem medo de
enfrentar qualquer autoridade para fazer valer as suas convicções. Depois que seu
escritório é fechado, ele passa a trabalhar para outro advogado de sucesso,
George Pierce (o ator irlandês Colin Farrel), um verdadeiro “tubarão” no meio
jurídico, advogado/empresário que só enxerga o Direito como uma forma de ganhar
dinheiro, sem concessões à ética da profissão. Mais um grande trabalho de Denzel
Washington, que, pelo papel, foi indicado ao prêmio de “Melhor Ator” no Oscar
2018. Denzel já havia conquistado a estatueta de Melhor Ator em 2002 por “Dia
de Treinamento” e a de Melhor Ator Coadjuvante por “Glory”, em 1990. “Roman J. Israel” tem como seu maior
trunfo justamente o desempenho de Denzel, embora a história também seja ótima e
o filme muito bom.
sábado, 17 de março de 2018
Selecionado para representar o
Senegal na disputa do Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro, “FÉLICITÉ”, roteiro e direção de Alain
Gomis, é um drama bastante pesado, centrado numa mulher bastante sofrida,
maltratada pela vida. Ao contrário do que possa sugerir o seu nome, Félicité
(Véronique Beya Mputu) é uma mulher infeliz, mas muito corajosa para manter e
custear as despesas da casa e sustentar o filho Tabu (Gaetan Claudia), um jovem
de 16 anos que ainda não encontrou um caminho na vida. Ela mora num bairro
pobre de Kinshasa, capital da República Federal do Congo, e faz bico como
crooner de uma banda num bar que para ser chamado de espelunca precisa melhorar
muito. Quando seu filho sofre um grave acidente e precisa ser operado, Félicité
vai à luta para arranjar dinheiro. Pede para todo mundo, inclusive para quem
não conhece, expondo-se várias vezes a uma grande humilhação. E mesmo assim ela
vai em frente. Triste acompanhar o drama dessa mulher batalhadora, cujo único
prazer é cantar. Trata-se de um filme de grande impacto, dramático além da
conta, mas que apresenta uma personagem de muita coragem, representada por uma
ótima atriz. Enfim, um filme que não abre concessão para nenhum tipo de sorriso
ou momento sensível. Estreou durante o 67º Festival de Cinema de Berlim, em fevereiro de 2017, conquistando o Grande Prêmio do Júri. quarta-feira, 14 de março de 2018
“MARK FELT – O HOMEM QUE DERRUBOU A CASA BRANCA” (“Mark Felt: The Man Who Brought Down The White House"), 2017,
EUA, roteiro e direção de Peter Landesman. Quem não se lembra do famoso caso
Watergate e a consequente renúncia do presidente Richard Nixon em 1974? Quem
não se lembra também que tudo aconteceu depois que um informante misterioso
entregou todo o esquema escabroso da Casa Branca (invasão à sede do Partido
Democrata) aos jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein, do jornal Washington
Post? Até 2005, a identidade do informante, na época apelidado de “Garganta
Profunda” (“Deep Throat”), ficou escondida. Até que Mark Felt resolveu escrever
um livro de memórias, “A G-Man’s Life”, juntamente com o advogado John D. O’Connor.
Contou tudo, desde a tramoia da Casa Branca para esconder a responsabilidade de
Nixon e o esquema engendrado pelo governo para nomear um homem de confiança
para ocupar o posto de nº 1 do FBI no lugar do recém-falecido J. Edgar Hoover.
Felt seria o substituto natural, já que era o nº 2. Além disso, Felt conta em
detalhes o que aconteceu nos bastidores da Casa Branca e do FBI durante aquela
grave crise política, para enfim confessar que foi ele mesmo quem entregou tudo
aos jornalistas do Washington Post. O elenco é ótimo: Liam Neeson, Diane Lane,
Maika Monroe, Josh Lucas Tony Goldwyn, Eddie Marsan, Noah Wyle, Tom Sizemore e
Kate Walsh. Embora a crítica especializada não tenha gostado do filme, eu
gostei muito, pois adoro todos esses filmes que revelam os bastidores de casos
importantes, como foi o de Watergate. Eu achei um filmaço!
terça-feira, 13 de março de 2018
“A GAROTA DESCONHECIDA” (“Lafille inconnue”), 2016,
Bélgica, roteiro e direção de Jean-Pierre e Luc Dardenne, mais conhecidos como
os Irmãos Dardenne. A história é centrada na jovem médica Jenny (Adèle Haenel),
que assumiu interinamente os trabalhos de uma clínica pertencente a um
experiente médico que foi seu mentor na faculdade e na fase de residência. Além
de atender os pacientes na clínica, a dra. Jenny também tem como rotina de
trabalho visitas a pessoas idosas e com dificuldade de locomoção. Em
determinada noite, uma hora após fechar a clínica, a campainha toca e Jenny,
dado o adiantado da hora, resolve não atender. Depois, porém, ela fica sabendo que
quem tocou a campainha foi uma imigrante africana que na mesma noite seria
encontrada morta. Pronto, acabou o sossego para a médica, que não se conforma
com o fato da moça ter sido enterrada como indigente porque ninguém apareceu
para reclamar o cadáver. A assim o filme segue com a dra. Jenny tentando achar
a família da falecida, o que lhe acarretará alguns perigos por parte de alguns
marginais. O pessoal que assistiu o filme no Festival de Cannes, público,
jornalistas e críticos, não gostou. Numa das sessões, o filme chegou a ser
vaiado. Realmente, não é o melhor dos Irmãos Dardenne, que já nos presentearam
com ótimas produções como “A Garota da Bicicleta” e “A Criança”. De qualquer
forma, impossível não elogiar a excelente atuação de Adèle Haenel, jovem atriz
francesa que está entre as melhores de sua geração. Quem quiser conferir outros
trabalhos magistrais de Haenel, recomendo “Amor à Primeira Briga” e “Os Homens
que Elas Amavam”.
segunda-feira, 12 de março de 2018
Vencedor do Oscar/2018 de Melhor
Filme Estrangeiro, o drama chileno “UMA
MULHER FANTÁSTICA” (“UNA MUJER
FANTÁSTICA”), roteiro e direção de Sebastián Lelio (do espetacular “Glória”),
teve sua primeira exibição ocorrida durante o Festival de Berlim, em fevereiro
de 2017, causando grande polêmica. Afinal, sua história é toda centrada na
garçonete/cantora transexual Marina (Daniela Vega, também transexual e cantora
lírica na vida real). Ela mora com o namorado bem mais velho Orlando (Francisco
Reyes), que logo no começo do filme sofre a ruptura de um aneurisma e acaba
falecendo. Pressionada pela família de Orlando, que não se conformava com o
romance – afinal, quando os dois se conheceram Orlando ainda era casado –, a polícia
começa a desconfiar que Marina pode ter assassinado o companheiro. Mesmo
sofrendo esse tipo de perseguição, incluindo a humilhação de ser proibida de
comparecer ao velório e ao enterro de Orlando, Marina enfrenta tudo com muita
coragem. Numa das cenas mais bonitas do filme, Marina está andando por uma rua
e, de repente, é atingida de frente por uma violenta ventania. Ela se enverga,
luta contra o vento e consegue se manter de pé. Daniela Vega é uma atriz espetacular. Um belo filme, sem dúvida, mas
preferia que o austríaco “Corpo e Alma” fosse o vencedor do Oscar.
domingo, 11 de março de 2018
“FEITO NA AMÉRICA” (“AMERICAN MADE”), 2017, direção
de Doug Liman, com roteiro de Gary Spinelli, conta a incrível história, baseada
em fatos reais, do piloto de aviação Barry Seal (Tom Cruise), que no fim dos
anos 70 abandonou uma carreira segura como piloto da TWA (Trans World Airlines)
depois de ser recrutado pela CIA para fotografar bases de guerrilheiros rebeldes
e zonas dedicadas à produção de drogas em países da América do Sul e Central. Nesse
trabalho, que entrou pelos anos 80, Seal contrabandeou armas para os “contras”
da Nicarágua e depois, cooptado pelos traficantes colombianos, incluindo Pablo Escobar,
transportou toneladas de cocaína da Colômbia para os Estados Unidos. Ganhou
rios de dinheiro, ficou milionário, mas depois teve de pagar o preço por essa
vida arriscada e aventureira. Toda essa história é contada num ritmo alucinante,
com muita ação. Os vôos arriscados e os perigos inerentes ao trabalho de piloto
servindo aos traficantes são o ponto alto do filme. O diretor Doug Liman é especialista
em filmes de ação. Dirigiu, por exemplo, “A Identidade Bourne”, “No Limite do
Amanhã” e “Na Mira do Atirador”, entre outros. “Feito na América” também
ratifica o astro Tom Cruise como um ótimo ator de filmes de ação. Neste, especialmente,
ele dá show. Excelente entretenimento!
quinta-feira, 8 de março de 2018
“EM CIMA DO MURO” (“L’EMBARRAS DU CHOIX”), 2017,
França, roteiro e direção de Eric Lavaine (“Sobre Amigos, Amor e Vinho”). Trata-se
de uma simpática e agradável comédia romântica com alguns diálogos inteligentes
e bons momentos de humor. Aos 40 anos, Juliette (a feiosa/charmosa Alexandra
Lamy, 46 anos na vida real) conserva um defeito que carrega desde criança: é
indecisa demais. Para escolher um esmalte ou uma roupa, depende sempre da
opinião das amigas Joelle (Anne Marivin) e Sonia (Sabrina Ouazani), além dos
conselhos do pai. Um dia, com a ajuda de Joelle e Sonia, Juliette entra num
site de relacionamentos e acaba conhecendo Paul (Jamie Bamber), um bonitão
escocês pelo qual se apaixona perdidamente. Ao mesmo tempo, porém, ela conhece
Étienne (Arnaud Ducret), um charmoso professor de culinária. Pinta nova paixão. E agora? Qual deles ela escolherá?
Mais uma indecisão que lhe trará grandes problemas. A partir daí, o filme ganha
algumas situações muito engraçadas, pois Juliette, sem saber o que fazer, vai
tentar “enrolar” os dois, mas não é esperta o suficiente. No gênero “comédia
romântica”, trata-se de um filme acima da média, mesmo que não exija muito dos
neurônios.
quarta-feira, 7 de março de 2018
Selecionado para representar o
Nepal na disputa do Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro, “SOL BRANCO” (“SETO
SURYA”, título original, e nos países de língua inglesa “White Sun”), é o segundo
longa-metragem escrito e dirigido pelo nepalês Deepak Rauniyar – o primeiro foi
Higway, de 2012. A história é ambientada num pequeno vilarejo montanhoso cuja população
continua arraigada às tradições milenares do Tibete. Um de seus antigos
moradores, Chandra (Dayahang Rai), chega à aldeia depois de lutar ao lado dos
rebeldes maoístas – apoiados pela China, claro – contra o governo monárquico (a
guerra civil se estendeu por 10 anos, de 1996 até 2006, ocasionando a morte de 12.700
pessoas). Chandra voltou para participar do enterro do pai. Ao chegar, Chandra
passou a discutir com o irmão Suraj (Rabindra Singh Baniya) por motivos
políticos e também por disputarem a mesma mulher. Pela tradição, o corpo do pai
tem de ser levado pelos filhos, mas Suraj se recusa a fazê-lo com o irmão maoísta.
Está criado o impasse, envolvendo ainda as lideranças do vilarejo e até mesmo
as crianças. Apesar do contexto dramático, a situação acaba gerando um certo
humor negro, o que torna essa produção do Nepal, de curta duração (89 minutos),
um entretenimento dos mais agradáveis. Um dos trunfos do diretor Rauniyar foi a
utilização de atores amadores, o que tornou a história mais realista.
segunda-feira, 5 de março de 2018
“TRÊS ANÚNCIOS PARA UM CRIME” (“Three Billboards Outside Ebbing,
Missouri”), EUA, 2017, roteiro e direção de Martin McDonagh.
Com este sensacional thriller policial, Frances McDormand acaba de ganhar seu
segundo Oscar como Melhor Atriz (o primeiro foi por “Fargo”, em 1998). Ela
interpreta Mildred Hayes, uma mãe que teve a filha assassinada e que se revolta
com o fato da polícia local, comandada pelo xerife Bill Willoughby (Wood
Harrelson), não ter encontrado o assassino. Decide, então, comprar espaço
publicitário em três outdoors de estrada e lá escreve acusações contra o
xerife. O fato provoca uma série de reações não só por parte da polícia como também da população
local, já que todo mundo adora Bill. Jason Dixon (Sam Rockwell), um dos policiais
da cidade, toma as dores do chefe/xerife e começa a perseguir Mildred, que jamais
se intimida. Pelo contrário, parte também para a violência – algumas cenas
lembram o estilo de Tarantino. Frances McDormand dá um show como a mulher
durona que não tem medo de partir para a briga. Outro destaque é o ator Sam
Rockwell, também com justiça vencedor do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante.
Sempre achei Rockwell um ótimo ator, mas pouco aproveitado por Hollywood. Quem
sabe a partir de agora sua carreira deslanche de vez. Ponto também para o
diretor Martin McDonagh, responsável por outros dois bons filmes, “Na Mira do
Chefe” e “Sete Psicopatas e um Shih Tzu”, este último também com Sam Rockwell.
domingo, 4 de março de 2018
A história do thriller policial “BONECO DE NEVE” (“The Snowman”), 2017, EUA/Inglaterra/Suécia/Noruega, é
baseada no livro do escritor norueguês de romances policiais Jo Nesbø,
lançado em 2007 e adaptado agora para o cinema pelos roteiristas Hossein Amini
e Matthew Michael Carnahan, sob a direção de Tomas Alfredson (“Deixe Ela Entrar”
e “O Espião que Sabia Demais”). O elenco é de primeira: Michael Fassbender,
Rebecca Ferguson, Charlotte Gainsbourg, J.K. Simmons, Toby Jones, Chloë Sevigny
e – vá lá – Val Kilmer. Quem conhece sabe que são atores do mais alto nível e
que protagonizaram alguns excelentes filmes. Não li o livro “The Snowman” para
dizer se é bom. Mas a adaptação para o cinema deixou a desejar. Transformou-se
numa trama confusa, de difícil entendimento e com muitos furos de roteiro. A
história: o policial beberrão Harry Hole (Fassbender) e a novata na polícia
Katrine Braft (Ferfuson) investigam o assassinato de várias mulheres. O serial
killer deixa sempre sua marca: um boneco de neve com a cabeça da vítima. A
complicação da trama ainda envolve a ex-esposa de Hole, Rakel Fauke
(Gainsbourg), e seu atual marido, além de um antigo policial (Val Kilmer). Por
falar em Kilmer, dá pena do ator. Ex-bonitão – quem não se lembra dele em “Top
Gun”? -, Kilmer está inchado, envelhecido e falando com dificuldade - a impressão é que teve um AVC. Um triste
final de carreira. O filme foi totalmente rodado na Noruega durante um inverno
pesado e, se há algo a destacar, são as belas paisagens gélidas, favorecendo
uma deslumbrante fotografia. Repito: o roteiro é bastante confuso que nem o
desfecho consegue explicar. Elenco de primeira, para um filme de segunda.
sábado, 3 de março de 2018
“BORG vs. MCENROE”, 2017, Suécia/Dinamarca, direção de
Janus Metz Pedersen, com roteiro de Ronnie Sandahl. O filme apresenta os bastidores
dos meses que antecederam a disputa do Torneio de Wimbledon de 1980, quando o tenista
nº 1 do mundo, o sueco Björn Borg, tentaria sua quinta vitória consecutiva,
atingindo um feito inédito. Em seu caminho, porém, estava o norte-americano
John McEnroe. Tudo levava a crer que a final seria entre os dois, o que a mídia
da época já alardeava como a partida do século. Os grandes tenistas tinham temperamentos
completamente diferentes: Borg, de 24 anos, era frio e calculista, jogava no
fundo da quadra e tinha enorme paciência para conquistar os pontos – por isso,
era chamado de “IceBorg”; McEnroe, com 20 anos, era explosivo, sacava e corria
para a rede para fechar os pontos, reclamava toda hora com o juiz de cadeira e brigava
com o público. Enquanto Borg era idolatrado, McEnroe era odiado e sempre vaiado
pelos torcedores. Pressionado com a perspectiva de conquistar o seu 5º título
consecutivo de Wimbledon, Borg sofria com a pressão de sair vitorioso, o que gerou
desentendimentos com o seu treinador Lennart Bergelin (Stellan Skarsgard) e com
a namorada Mariana Simionescu (Tuva Novotny). Ou seja, Borg não era aquele
tenista livre de sentimentos. Borg é interpretado com muita competência pelo ator
sueco Sverrir Gudnason, que tem uma incrível semelhança física com o grande
tenista. O ator Shia Labeouf faz um McEnroe bastante antipático e histérico,
exatamente o perfil do original. Enfim, o filme deve agradar apenas aos amantes
do tênis, principalmente aqueles que curtiram e acompanharam a trajetória dessas
duas lendas do esporte. O filme teve sua estreia mundial durante o 42º Festival de Toronto, em setembro de 2017.
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018
“MARSHAL”, EUA, 2017, direção de Reginald
Hudlin. Trata-se de um ótimo drama de tribunal, que ficou melhor ainda por ser
baseado em fatos reais. Ambientado no início dos anos 40, o filme recorda um
dos casos mais famosos do advogado Thurgood Marshall (Chadwick Boseman, o “Pantera
Negra” atualmente em cartaz), que anos mais tarde seria o primeiro juiz
afro-descendente a pertencer à Corte Suprema Americana. Em início de carreira, Marshall
percorria o território norte-americano como advogado da ANPPC (Associação Nacional
para o Progresso de Pessoas de Cor), defendendo os negros acusados, justa ou
injustamente, por algum crime – ser negro nos EUA, naquela época, era meio
caminho andado para a prisão. O caso retratado no filme relembra como Marshall
atuou na defesa do motorista particular Josepho Spell (Sterling K. Brown),
acusado de estuprar e tentar assassinar sua patroa, a socialite Eleonor
Strubing (Kate Hudson, ótima como mulher fatal). Durante o julgamento, Marshall contou com a colaboração
de Sam Friedman (Josh Gad), um advogado bastante atrapalhado e responsável por
várias e ótimas cenas de humor. A surpreendente reviravolta no final torna o
filme ainda mais interessante. “Marshall” disputará o Oscar 2018 na categoria Melhor
Canção Original (“Stand up for Something”).
domingo, 25 de fevereiro de 2018
Mais do que um excelente filme, “O DESTINO DE UMA NAÇÃO” (“Darkest Hour”) é uma verdadeira e
saborosa aula de História, cujo principal personagem é Winston Churchil,
primeiro-ministro inglês que comandou a resistência aliada contra as forças alemãs
de Hitler. O filme, escrito por Anthony McCarten e dirigido por Joe Wright,
aborda os bastidores da política inglesa no início da Segunda Guerra Mundial,
quando o Parlamento e o Rei George VI decidem destituir Neville Chamberlain do
cargo de primeiro-ministro e colocar Winston Churchil em seu lugar. De início,
Churchil é pressionado pelo comitê de guerra para negociar um tratado de paz
com Hitler, pois havia o temor de que as tropas alemãs invadissem a Inglaterra.
Churchil foi contra essa ideia e, com seus discursos de forte cunho patriótico,
motivou o povo inglês a pegar em armas contra os nazistas. O filme dá grande
destaque ao episódio de Dunquerque, quando 300 mil soldados ingleses foram encurralados
no litoral francês pelo forte exército alemão. Churchil, interpretado com
maestria pelo ator Gary Oldman, é humanizado e apresentado como um político surpreendentemente
indeciso, apreciador de uísque e comidas gordurosas no café da manhã, além dos
seus inseparáveis charutos e champanhe no almoço e no jantar. O filme disputará o Oscar 2018 em seis categorias:
Melhor Filme, Ator, Fotografia, Direção de Arte, Figurino e Maquiagem. Estão
no elenco, além de Oldman, Kristin Scott Thomas, Lily James, Ronald Pickup, Ben Mendelsohn e
Stephen Dillane. O filme é ótimo, simplesmente imperdível! sábado, 24 de fevereiro de 2018
O drama russo “SEM
AMOR” (“Nelyubov” – em inglês, “Loveless”), escrito e dirigido por Andrey
Zvyagintsev, estreou durante no 70º Festival de Cannes 2017 e conquistou o
Grande Prêmio do Júri. Além disso, está entre os cinco finalistas que
disputarão o Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro. A história envolve a
relação desfeita do casal Zhenya (Mariana Spivak) e Boris (Alexey Rozin), que
resolvem se separar de forma traumática, com brigas e acusações das mais
ásperas. Principalmente por parte de Zhenya, que demonstra um ódio amargo pelo marido. As discussões chegam ao ponto de envolver a guarda do filho do
casal, Alyosha (Matvey Novikov), um garoto entrando na adolescência. Zhenya diz
que não quer ficar com o filho e Boris rebate dizendo que o menino precisa da
mãe. Alyosha escuta toda essa conversa, sofre com o desamor dos pais e
simplesmente desaparece do mapa, o que acaba gerando uma busca incessante por
parte da polícia. A ausência de sentimentos em relação ao filho desaparecido
fica mais do que evidente. Como se nada
tivesse acontecido, Boris curte um romance com uma jovem bem mais moça, que
está grávida, e Zhenya inicia uma nova vida amorosa indo morar com um namorado
rico. O roteirista e diretor Andrey Zvyagintsev, que se revelou com o ótimo “Leviatã”,
também indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2015, elaborou um filme
contendo uma elevada carga de dramaticidade, sem abrir concessão para qualquer
tipo de sentimento que não seja a raiva e a falta de amor. Trata-se, portanto,
de um drama bastante pesado e nada agradável. Mas, sem dúvida, um filme muito bem
feito e impactante. Destaque para a atuação espetacular da atriz Mariana
Spivak. quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018
Um dos cinco finalistas ao Oscar 2018 de Melhor Filme
Estrangeiro representando a Suécia e vencedor da Palma de Ouro no Festival de
Cannes 2017, “THE SQUARE – A ARTE DA
DISCÓRDIA” (“The Square”) contém uma
crítica mordaz e contundente à arte contemporânea e aos seus adeptos. Explora,
por exemplo, essa coisa ridícula que chamam de instalações, cujo conceito ou
finalidade ninguém sabe explicar direito, nem mesmo seus autores. Além de satirizar
esse modismo que ousam chamar de arte, o filme também critica as classes
privilegiadas e seu desprezo pelos mais necessitados – por incrível que pareça,
Estocolmo também tem muitos moradores de rua que vivem pedindo esmolas nas ruas
e nas estações de metrô. A história começa com o egocêntrico e prepotente
Christian (Claes Bang), curador-chefe do Museu de Arte Moderna de Estocolmo
dando uma entrevista para a jornalista norte-americana Anne (Elisabeth Moss).
Ele quer divulgar a próxima exposição, cuja atração principal é uma instalação
chamada “Square” (quadrado, em português). Aliás, a autora desse trabalho existe
mesmo na vida real, a artista plástica argentina Lola Arias, que ficou pê da
vida por não ter sido convidada para participar das filmagens. Ao mesmo tempo,
Christian tem seu celular roubado e, com a ajuda de um colega de trabalho,
tenta encontrar os ladrões. No meio de tudo isso que está acontecendo, Christian
contrata uma firma de publicidade para divulgar a exposição. Os jovens publicitários
apresentam uma alternativa pra lá de inusitada que tem tudo para dar errado...
e dá. Entre as cenas de maior impacto engendradas pelo roteirista e diretor
sueco Ruben Östlund (do ótimo “Força Maior”) está aquela em que, num jantar super-chique
no museu, um “homem-macaco” faz uma performance bastante perturbadora. Outra cena chocante é aquela em que, no meio de uma entrevista coletiva, um homem com Síndrome de Tourette interrompe os trabalhos gritando ofensas e palavrões. Sem falar nas cenas em que aparecem os moradores de rua. O filme, falado em sueco, inglês e dinamarquês, é
bastante instigante com sua sátira escancarada e debochada do excêntrico mundo da arte contemporânea. Tem boas chances de conquistar a estatueta, mas não é um filme
muito fácil de digerir. segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018
“AMOR E TULIPAS” (“Tulip
Fever”), 2017, EUA/Reino
Unido, direção de Justin Chadwick, EUA/Reino Unido, é um drama de época adaptado
para o cinema do romance “Tulip Fever”, da escritora inglesa Deborah Moggach. A
história é ótima e o elenco de primeira qualidade: Alicia Vikander, Christoph
Waltz, Judi Dench, Holliday Grainger, Dane DeHaan e Cara Delevingne. O filme
também é muito bom, agradável de assistir. Toda a história é ambientada em
Amsterdã em meados do século 17, quando
a cidade holandesa vivia a febre especulativa do mercado de tulipas. A jovem
Sophia (Vikander) sai do convento para se casar com Cornelis Sandvoort (Waltz),
um rico comerciante de especiarias. Cornelis contrata o jovem pintor Jan van
Loos (DeHaan) para elaborar um retrato do casal. Se arrependimento matasse...
Sophia se apaixona pelo pintor, e vice-versa, e ambos iniciam um tórrido
romance. Os amantes, porém, passam a correr um sério risco de serem descobertos a partir
do momento em que Maria (Grainger), a empregada dos Sandvoort, fica sabendo dos
seus encontros e começa a chantagear a patroa. A repentina gravidez de Maria dá
margem a um plano diabólico criado por Sophia. O filme fica
ainda melhor depois que o diretor Chadwick (de “Mandela: O Caminho para a Liberdade”
e “A Outra”) acrescenta algumas cenas de suspense recheadas de humor, aliviando
um pouco a carga dramática da situação. Trata-se, portanto, de um bom
entretenimento, mesmo em se tratando de um filme de época, gênero que
normalmente carrega no drama e na tragédia. Pode assistir sem medo de não
gostar.domingo, 18 de fevereiro de 2018
Mesmo que tenha sido bastante elogiado pela crítica
especializada e de ter sido indicado para representar o Brasil no Oscar 2018 de
Melhor Filme Estrangeiro, confesso que relutei em assistir “BINGO, O REI DAS MANHÃS”, primeiro longa-metragem dirigido por
Daniel Rezende, com roteiro de Luiz Bolognesi. Afinal, não me interessou muito
o fato que o filme retratava a vida de Arlindo Barreto, um dos atores que
interpretou o palhaço Bozo com grande sucesso durante a década de 1980 nas
manhãs da programação infantil da TVS, depois SBT. Devido a problemas de
direitos autorais, no filme Barreto passou a se chamar Augusto Mendes (Vladimir Brichta),
Bozo ficou sendo Bingo, Márcia de Windsor virou Martha Mendes (Ana Lúcia Torre)
e a TV Globo foi retratada como TV Mundial (até Pedro Bial faz uma ponta). Um
dos únicos nomes verdadeiros que permaneceu foi a de Gretchen (Emanuelle
Araújo). Arlindo Barreto/Augusto Mendes não se conformava em manter sigilo
sobre sua identidade verdadeira, conforme o rígido contrato que assinou ao ser
contratado para interpretar Bozo/Bingo. Ele queria ser famoso e reconhecido não
como o palhaço, mas sim como o ator que o interpretava. Essa frustração foi um
dos motivos que levaram Barreto às drogas e à bebida, inclusive nos bastidores
do programa. Para desespero de Lúcia (Leandra Leal), Barreto/Mendes não seguia
o roteiro pré-estabelecido, preferindo improvisar. Numa dessas ocasiões, quando
Gretchen se apresentava cantando “Conga”, ele começou a se esfregar na cantora,
gerando uma cena, convenhamos, nada apropriada para o público infantil. O filme
me surpreendeu pela qualidade da direção, do roteiro, da cenografia, da
recriação de época e, principalmente, pela interpretação competente de Vladimir
Brichta, que, confesso, não sabia que era tão bom ator. A trilha sonora é
ótima, levando-nos a uma viagem musical aos anos 80. IMPERDÍVEL! sábado, 17 de fevereiro de 2018
Sempre gostei de filmes sobre jornalismo, principalmente
aqueles que envolvem os bastidores da política. Se for dos Estados Unidos,
então, melhor ainda. É o caso do ótimo “THE
POST – A GUERRA SECRETA” (“THE POST”),
dirigido pelo grande Steven Spielberg, com roteiro de Liz Hannah e Josh Singer.
O filme aborda um caso ocorrido em 1971, envolvendo a revelação, por parte dos
jornais New York Times e The Washington Post, de um estudo sobre a Guerra do
Vietnã encomendado por Robert McNamara, ex-Secretário de Defesa dos governos
Kennedy e Lyndon Johnson. A revelação é fantástica e bombástica, pois revela que
os governos dos EUA, desde Eisenhower, sabiam que a entrada nos EUA na Guerra
do Vietnã seria um engano terrível (como realmente foi), colocando em risco a
vida de milhares de jovens soldados norte-americanos. O New York Times revelou uma
parte da história, sem muitos detalhes. O governo Nixon processou o jornal e
proibiu que novas reportagens sobre o assunto fossem publicadas. Logo depois o The
Washington Post conseguiria a íntegra desse documento secreto, num trabalho
investigativo de um dos seus melhores repórteres. A decisão de publicá-lo ou
não é a grande questão levantada pelo filme. A ordem teria que ser dada pelo
editor-chefe Ben Bradlee (Tom Hanks), com o aval da proprietária do jornal, Kat Ghraham
(Meryl Streep). O suspense domina o filme totalmente a partir da sua metade,
garantindo um ótimo entretenimento. O filme foi indicado para disputar duas
categorias no Oscar 2018: Melhor Filme e Melhor Atriz (Meryl Streep). sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018
Ao receber 13 indicações, incluindo Melhor
Filme, Melhor Diretor e Melhor Atriz, além de ter vencido o Festival de Veneza, “A
FORMA DA ÁGUA” (“The Shape of Water”), com roteiro e direção de Guillermo
Del Toro (Vanessa Taylor ajudou no roteiro), é o grande favorito para vencer
nas principais categorias do Oscar 2018. O filme tem tudo para agradar os fãs de cinema:
ação, romance, fantasia, mocinho e bandido (no caso mocinha), suspense, humor e
algumas pitadas de erotismo (sexo e masturbação), mas sem nenhuma apelação,
além de um show de cenografia, fotografia e recriação de época. A história é
ambientada no início dos anos 60 do século passado, quando a Guerra Fria estava
no seu ponto mais crítico. Foi quando cientistas ligados ao Exército
norte-americano capturam na Amazônia uma criatura estranha, um homem anfíbio. Os
militares acreditavam que a descoberta poderia ser um trunfo para derrotar a União
Soviética numa possível guerra. Dessa forma, o ser estranho é aprisionado para
estudos num laboratório experimental secreto do governo dos EUA, onde trabalham
como faxineiras Elisa Esposito (Sally Hawkins) e Zelda (Octavia Spencer). Elisa
é muda, vive uma vida solitária e infeliz. Ela é quem vai conseguir se comunicar
com o homem anfíbio, iniciando um improvável romance. A história também tem um
vilão de qualidade, Richard Strickland, interpretado com maestria por Michael Shannon.
O destaque principal vai para a atriz inglesa Sally Hawkins, que dá um show de
interpretação sem falar uma palavra. “A Forma da Água” é, sem dúvida, um dos
melhores filmes feitos nos últimos anos por Hollywood, graças, principalmente,
ao diretor mexicano Guillermo Del Toro. Trump deve estar se remoendo... IMPERDÍVEL!domingo, 11 de fevereiro de 2018
“FUKUSHIMA, MEU AMOR” (“Grüsse
Aus Fukushima”),
2016, Alemanha, roteiro e direção de Doris Dörrie (do maravilhoso "Hamami:
Cerejeiras em Floor”). A relação do título com o filme “Hiroshima, Mon Amour”,
de Alain Resnais, de 1959, não é gratuita. No filme do grande diretor francês,
o tema era a cidade devastada de Hiroshima. No caso da diretora alemã, o
assunto é a destruição quase que total da cidade de Fukushima, atingida por um
terremoto, um tsunami e um acidente nuclear em 2011, transformando-se numa
verdadeira “cidade-fantasma”. O filme começa com a desilusão amorosa da jovem
alemã Marie (Rosalie Thomass), abandonada pelo noivo às vésperas do casamento.
Tomada pelo desespero, ela resolve ingressar na organização “Clowns4 Help” (ONG
semelhante aos “Palhaços sem Fronteira”), criada pela prefeitura de Fukushima
para entreter os poucos habitantes que restaram na cidade. O filme, inteiramente
em preto e branco (uma excelente escolha estética da diretora), dá destaque à
amizade da jovem alemã com Satomi (Kaori Momoi), uma mulher de meia idade que perdeu toda a
família na tragédia. Apesar do contexto dramático, o filme tem muitos momentos
sensíveis e outros bastante bem-humorados, como a dificuldade da alemã em assimilar alguns ensinamentos da filosofia de vida dos japoneses. Entre as cenas de maior sensibilidade, destaco aquelas em que Satomi ensina Marie os rituais para fazer e tomar chá. “Fukushima, Meu Amor” é um belo filme, um ótimo entretenimento e cinema de alta qualidade. Não deixe de ver!
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