“LITTLE BOY – ALÉM DO IMPOSSÍVEL” (“Little Boy”), 2015, EUA, direção do mexicano Alejandro
Gómez Monteverde. Ambientada durante a Segunda Grande Guerra na pequena O’Hare
(Califórnia), a história é centrada no garoto Pepper (Jacob Salvati), de 8
anos. Ele se desespera quando o pai, James Busbee (Michael Rapaport), seu maior ídolo e parceiro, é enviado
para o front nas Filipinas. Depois de
participar de um show com um mágico (Ben Chaplin), Pepper acredita que o poder
da mente pode acabar com a guerra e trazer seu pai de volta. O filme inteiro
gira em torno dessa esperança do garoto, alimentada pelo padre Oliver (Tom
Wilkinson), que o orienta a cumprir algumas tarefas para conseguir seu
objetivo. Uma delas é fazer amizade com o japonês Hashimoto (Cary-Hiroyuki
Tagawa), discriminado pela população local pela sua origem. Ainda estão no
elenco Emily Watson, como a mãe de
Pepper, e David Henrie, como o irmão mais velho. O astro do filme, porém, é sem
dúvida o pequeno ator Jacob Salvati, cuja atuação garante momentos bastante
comoventes. Embora não seja um filme religioso, o filme tem como pano de fundo a
fé como elemento primordial da esperança e, na cabeça inocente de um menino, assume
uma força ainda maior. O filme comove e diverte, garantindo um ótimo
entretenimento para uma sessão da tarde com a família. sábado, 3 de setembro de 2016
“LITTLE BOY – ALÉM DO IMPOSSÍVEL” (“Little Boy”), 2015, EUA, direção do mexicano Alejandro
Gómez Monteverde. Ambientada durante a Segunda Grande Guerra na pequena O’Hare
(Califórnia), a história é centrada no garoto Pepper (Jacob Salvati), de 8
anos. Ele se desespera quando o pai, James Busbee (Michael Rapaport), seu maior ídolo e parceiro, é enviado
para o front nas Filipinas. Depois de
participar de um show com um mágico (Ben Chaplin), Pepper acredita que o poder
da mente pode acabar com a guerra e trazer seu pai de volta. O filme inteiro
gira em torno dessa esperança do garoto, alimentada pelo padre Oliver (Tom
Wilkinson), que o orienta a cumprir algumas tarefas para conseguir seu
objetivo. Uma delas é fazer amizade com o japonês Hashimoto (Cary-Hiroyuki
Tagawa), discriminado pela população local pela sua origem. Ainda estão no
elenco Emily Watson, como a mãe de
Pepper, e David Henrie, como o irmão mais velho. O astro do filme, porém, é sem
dúvida o pequeno ator Jacob Salvati, cuja atuação garante momentos bastante
comoventes. Embora não seja um filme religioso, o filme tem como pano de fundo a
fé como elemento primordial da esperança e, na cabeça inocente de um menino, assume
uma força ainda maior. O filme comove e diverte, garantindo um ótimo
entretenimento para uma sessão da tarde com a família. quarta-feira, 31 de agosto de 2016
“DECISÃO DE RISCO” (“Eye in the Sky”), 2015,
Inglaterra, roteiro e direção de Gavin Hood (“Infância Roubada”). A coronel
Katherine Powell (Helen Mirren), do exército inglês, está no comando de uma
operação que visa a captura de perigosos terroristas, entre eles uma cidadã
britânica que passou para “o outro lado”. Eles estão em Nairobi, no Quênia,
onde seus movimentos são vigiados por um avião-drone espião. As imagens são
transmitidas para o centro de operações onde está a coronel Powel e também para
uma sala de reuniões onde estão importantes autoridades do governo inglês, além
do general Frank Benson (Alan Rickman). As imagens também chegam a uma base nos
EUA, de onde o piloto Steve Watts (Aaron Paul) comanda o avião-drone. Os planos
de captura mudam quando descobrem que na casa onde os terroristas estão
reunidos encontram-se dois homens-bomba prestes a sair para praticar algum
atentado. Nesse caso, a ordem é exterminar o grupo utilizando um míssel
instalado no avião-drone. A situação, que já era tensa, transforma-se num dilema
para as autoridades, pois temem que o míssel possa causar efeitos colaterais,
atingindo a população civil, incluindo crianças. Aí ninguém quer tomar a tal “decisão
de risco”. O filme é ótimo, tem clima de suspense do começo ao fim e até
algumas tiradas cômicas, como a dor de barriga do Ministro das Relações
Exteriores. Entretenimento de primeira! O filme é dedicado ao ator inglês Alan
Rickman, que faleceu em janeiro deste ano.
terça-feira, 30 de agosto de 2016
Como
cinéfilo inveterado, não perco filmes biográficos de artistas ou que contam
histórias de bastidores do cinema. Por isso, não podia deixar de assistir –
para depois comentar - “LIFE: UM RETRATO
DE JAMES DEAN” (“Life”), 2014, EUA, direção do
holandês Anton Corbijn (“Um Homem Misterioso”, com George Clooney). O filme, cuja
primeira exibição aconteceu no 65º Festival de Berlim, em fevereiro de 2015, conta
a história da relação entre o então desconhecido James Dean (Dane DeHaan) e o
fotógrafo Dennis Stock (Robert Pattinson). O encontro entre os dois aconteceu
em 1955 pouco antes da estreia de “Vidas Amargas”. Stock teve a intuição de que
Dean seria um astro famoso e propôs a ele um ensaio fotográfico para a revista Life.
Meio a contragosto, já que detestava os holofotes, Dean topou a empreitada, e o
ensaio fotográfico foi um grande sucesso, principalmente porque o
ator se consagraria no filme “Juventude Transviada” e morreria logo depois num acidente automobilístico. O filme também aborda o caso amoroso tumultuado de
Dean com a atriz Pier Angeli (Alessandra Mastronardi). O roteiro, escrito por
Luke Davies, foi baseado no livro “James Dean: Fifty Years Ago”, escrito pelo
próprio Dennis Stock em 2005. Também estão no elenco Ben Kingsley, como Jack Warner, e Joel Edgerton. Trata-se de um filme obrigatório para os
cinéfilos de plantão ou para quem quiser conhecer um pouco da personalidade de
um dos maiores ídolos do cinema, apesar de ter feito apenas dois filmes.
segunda-feira, 29 de agosto de 2016
“O VINHO PERFEITO” (“VINODENTRO”), 2013,
Itália, direção de Ferdinando Vicentini Orgnani. Um misto de policial, comédia
e mistério. O vinho aparece como importante protagonista, atuando como condutor
das atitudes dos principais personagens. A história, baseada no livro “Vinodentro”,
escrito por Fabio Marcotto, é centrada no especialista em vinhos Giovanni
Cuttin (Vincenzo Amato), preso como principal suspeito do assassinato da esposa
Adele (Giovanna Mezzogiorno). Só que na noite do crime ele estava com uma bela
e misteriosa mulher (Daniela Virgílio). O filme vai e volta em flashbacks que mostram como era o
relacionamento de Giovanni com a esposa e também como ele conheceu a mulher
misteriosa. Mas o fato principal de toda a história é a mudança na vida de
Giovanni depois que tomou sua primeira taça de vinho a convite de um misterioso
professor (Lambert Wilson). Aliás, não um vinho qualquer, mas simplesmente um
Marzemino, citado no folhetim da ópera Don Giovanni, de Mozart. A partir dessa
primeira taça, a vida de Giovanni começa a mudar radicalmente. De simples
funcionário do banco, ele é promovido a gerente e passa a se dedicar a conhecer
a fundo o mundo dos vinhos, transformando-se num sommelier dos mais respeitados. O filme é repleto de citações dos principais
rótulos do mundo, além de conversas didáticas sobre como se deve apreciar um
vinho e como analisá-lo. Para os enólogos de plantão, o filme é um copo cheio. Eu
achei bastante interessante, um filme diferente e bastante agradável de
assistir.
domingo, 28 de agosto de 2016
“PARIS, TE AMO” (“PARIS, JE T’AIME”), 2006. Primeiro filme do Projeto “Cities of
Love”, idealizado pelo produtor e diretor francês Emmanuel Benhiby. O filme é
composto por 18 curtas com histórias ambientadas cada qual num bairro (arrondissement) diferente de Paris. Os
pequenos episódios foram dirigidos por diretores de várias nacionalidades e de
comprovada competência, tais como Olivier Assayas, Alexander Payne, os irmãos
Coen, Gus Van Sant, Wes Craven, Alfonso Cuarón e até o brasileiro Walter Salles.
O elenco contou com atores bastante conhecidos, como Nick Nolte, Ben Gazzara,
Gérard Depardieu, Natalie Portman, Elijah Wood, Juliette Binoche, Steve Buscemi
e Gena Rowlands, entre outros. Independente do tema utilizado em cada capítulo,
seja ele o amor , o humor ou os desencontros, o pano de
fundo é sempre a capital francesa. Afinal, a grande homenageada. Outros dois
filmes do Projeto “Cities of Love” já foram concluídos e lançados, estando
disponíveis nas locadoras: “New York, I Love You”, de 2008, e “Rio, Eu Te Amo”,
de 2014. Shangai e Jerusalém serão as próximas protagonistas. sexta-feira, 26 de agosto de 2016
“99 CASAS” (“99 Homes”), 2015, EUA, direção de Ramin Bahrani (“A Qualquer Preço”). A história, baseada em fatos reais, tem como personagem central o jovem Dennis Nash (Andrew Garfield), pai
solteiro, desempregado, que passa por uma crise financeira e tem enormes
dificuldades para sustentar, sozinho, a mãe (Laura Dern) e o filho. Como
desgraça pouca é bobagem, ele ainda perde a casa por conta da hipoteca. Quem o
despeja é o agente imobiliário Rick Carver (Michael Shannon), um empresário sem
escrúpulos, ganancioso e mau-caráter. Sua frieza ao despejar as famílias é
revoltante. Carver fez fortuna no ramo de penhoras, utilizando os meios mais sórdidos
para comprar e revender as casas cujas famílias foram despejadas. Como não vê
saída, Nash concorda em trabalhar para Carver fazendo o mesmo serviço sujo:
comunicar e providenciar o despejo, inclusive com a utilização de violência.
Nash torna-se o braço direito de Carver e começa a ganhar dinheiro. Trabalha
tão bem que Carver promete que um dia devolverá sua casa. Aos poucos, porém,
Nash começará a ter conflitos de consciência. Afinal, ele mesmo foi vítima do
agente imobiliário para o qual trabalha. Como de costume, Michael Shannon toma
conta da cena como o empresário inescrupuloso. O filme é forte, impactante. As
cenas de despejo são realistas. Parece que foram feitas com famílias de
verdade. Dá enorme tristeza ver o sofrimento dessa gente. Como informação adicional, o filme concorreu ao Leão de Ouro no
Festival de Veneza. terça-feira, 23 de agosto de 2016
“DESAJUSTADOS”
(“Fúsi”), 2015, coprodução
Islândia/Dinamarca, roteiro e direção de Dagur Kári (“O Bom Coração”). Drama
centrado no quarentão Fúsi (Gunnar Jónsson), solteiro convicto, ainda virgem, tímido
e solitário. Enorme de gordo, é o tipo bonachão, que mora com a mãe dominadora.
Sua única diversão consiste em brincar numa maquete onde reproduz batalhas da
Segunda Guerra Mundial com miniaturas de soldados e tanques. Também gosta de
ouvir bandas de heavy metal. Seu comportamento beira à apatia, principalmente
quando aguenta quieto, sem reagir, as brincadeiras dos seus colegas de trabalho
no aeroporto. Quando questionado pelo seu chefe se sofre bullying, ele nega. Mesmo
acusado de pedofilia pelo pai de uma menina vizinha, Fúsi mantém seu jeito
sereno e apático. Ele só começa a mudar depois de conhecer Fjóla (Margrét Helga
Jóhannsdóttir) numa aula de dança country (mais brega, impossível), na qual é
inscrito, a contragosto, pelo namorado da mãe. O título nacional contraria
completamente o que os personagens representam. Tanto Fúsi e Fjóla são pessoas boas,
apenas carentes, não justificando a denominação de “desajustados”. Quando Fjóla
entra em depressão, é Fúsi quem vai cuidar dela. Impossível não se emocionar
com a dedicação do grandalhão. Resumo da ópera, aliás, do filme: sensível e
comovente. segunda-feira, 22 de agosto de 2016
“UMA REPÓRTER EM APUROS” (“WHISKEY TANGO FOXTROT”), 2016, EUA,
direção de Glenn Ficarra e John Requa (“Golpe Duplo”). Apesar da presença da
comediante Tina Fey no papel principal e do título nacional infeliz, que passa
a ideia de uma comédia, o filme é muito sério. A história é
baseada no livro “The Taliban Suffle: Strange Days in Afghanistan and Pakistan”,
no qual a repórter norte-americana Kim Barker relata sua experiência como
correspondente de guerra no período de 2004 a 2009 no Afeganistão e no Paquistão.
No filme, a personagem passa a se chamar Kim Baker (Tina Fey). Os bastidores da
cobertura jornalística nas zonas em conflito são mostrados de forma bastante realista, apresentando
os correspondentes de guerra no seu cotidiano repleto de adrenalina, o esforço
e os desafios constantes para conseguir um “furo”, os perigos enfrentados
durante as reportagens e ainda as festas regadas a muito álcool e outras
substâncias. Tina Fey está ótima, assim como seus coadjuvantes principais,
Margot Robbie, Martin Freeman e Billy Bob Thornton. Faço um alerta: nos
cartazes de divulgação e nos sites e blogs de cinema, o filme é tratado como
comédia (é claro que quem escreveu não viu, só copiou a sinopse). Mas, repito, o
filme é sério e muito bom, um dos melhores que já vi sobre o trabalho dos
correspondentes de guerra. Imperdível!
domingo, 21 de agosto de 2016
“AVE, CÉSAR!” (“Hail, Caesar!”), 2015, EUA,
direção e roteiro dos irmãos Ethan e Joel Coen. Trata-se de uma comédia tendo
como pano de fundo a indústria cinematográfica. Ambientada nos anos 50, época
de ouro de Hollywood, a história é centrada em Edward Mannix (Josh Brolin), principal
assistente do estúdio Capitol Pictures. Mannix é uma espécie de
relações-públicas, encarregado de zelar pela imagem dos seus principais
artistas. Sua missão mais difícil será descobrir o paradeiro do astro Baird
Whitlock (George Clooney), sequestrado em meio às filmagens do épico “Hail,
Caesar!”. Além disso, é obrigado a escutar as reclamações de diretores e
produtores com relação a atores e atrizes incompetentes, além de lidar com uma
colunista de fofocas, representada em dose dupla por Tilda Swinton. A comédia é
uma sátira inteligente sobre os bastidores nem sempre glamorosos de Hollywood.
Ao mesmo tempo, os irmãos Coen fazem uma homenagem à época de ouro do cinema norte-americano
(anos 40/50), evocando, inclusive, os musicais de Esther Williams (coreografias
na piscina) e Gene Kelly. Aqui, cabe destacar o talento de cantor e dançarino
do ator Channing Tatum. Dois outros grandes destaques do filme são os ótimos desempenhos de Josh Brolin e George Clooney, este perfeito como o ator cínico e canastrão sequestrado por
uma organização chamada “Futuro”. Ainda
estão no elenco Alden Ehrenreich, Scarlett Johansson, Frances McDormand, Christopher
Lambert e Ralph Fiennes. Diversão garantida e da melhor qualidade!
quarta-feira, 17 de agosto de 2016
Maior
sucesso de bilheteria nos últimos anos na Argentina, “O CLÔ (“El Clã”), 2015, é mais um ótimo filme
assinado pelo diretor Pablo Trapero. O drama argentino, baseado em fatos reais,
conta a história da família Puccio, cujo patriarca, Arquímedes (Guillermo
Francella), planejou e executou diversos sequestros no período de 1983 a 1985,
utilizando sua própria casa como cativeiro das vítimas. Vítimas, aliás, que
eram assassinadas mesmo depois do pagamento do resgate. Para colocar em prática
seus crimes, Arquímedes contava com a colaboração de dois de seus filhos,
Alejandro (Peter Lanzano) e Daniel “Maguila” (Gastón Cocchiarale), além de dois
ex-oficiais do exército argentino, assim como ele, ligados ao governo na época
da ditadura. Arquímedes, por exemplo, era membro do Serviço de Inteligência da
Força Aérea e integrante da Anti-Aliança Comunista Argentina. A esposa de
Arquímedes fingia que não sabia de nada, assim como as filhas. Embora relate
uma história sórdida e macabra, o filme é excelente, roteiro enxuto e elenco de
primeira. Seu lançamento mundial aconteceu no Festival de Veneza 2015. Logo
depois, seria selecionado para representar a Argentina no Oscar 2016 de Melhor
Filme Estrangeiro. Mais um gol de placa de Pablo Trapero, diretor de filmes
excelentes como “Elefante Branco”, “Abutres” e “Leonera”.
terça-feira, 16 de agosto de 2016
“JOGO DO DINHEIRO” (“MONEY MONSTER”), 2015, EUA,
direção da atriz Jodie Foster, tem como pano de fundo as falcatruas do mercado
financeiro – leia-se Wall Street. Depois de assistir ao programa de TV “Money
Monster”, o jovem Kyle Budwell (Jack O’Connell) seguiu as dicas do apresentador
Lee Gates (George Clooney) e investiu todas as suas economias (U$ 60 mil) na
compra de ações de uma grande empresa de tecnologia. Perdeu tudo e resolveu se
vingar justamente do apresentador de TV. E, pior, ao vivo. Ele entra no estúdio
com um revólver, obriga Lee Gates a colocar um colete recheado de explosivos e
ameaça ir junto pelos ares se o apresentador não explicar o que aconteceu.
Patty Fenn (Julia Roberts), produtora do “Money Monster”, manda tirar o
programa do ar, mas Kyle exige que tudo seja transmitido ao vivo. A audiência,
claro, foi lá pra cima, pois o país inteiro não desgrudou da telinha. Enquanto alguém
da tal empresa de tecnologia não explicasse o rombo de U$ 800 milhões que
derrubou o valor das ações, Kyle continuaria mantendo apresentador, câmeras e
técnicos de estúdio como reféns. Até o desfecho, portanto, muita ação e
suspense para garantir o entretenimento. O filme comprova que Jodie Foster,
além de excelente atriz, é uma ótima diretora, como já havia demonstrado no
primeiro filme que dirigiu, em 1991, “Mentes que Brilham”.
segunda-feira, 15 de agosto de 2016
Decidi
rever, comentar e indicar o ótimo drama israelense “A MISSÃO DO GERENTE DE RECURSOS HUMANOS” (em inglês, ganhou o
título “The Human Resources Manager”), 2011, escrito e dirigido por Eran Riklis.
Nesta segunda vez, ficou ainda melhor. A história, inspirada no livro “A Woman
in Jerusalem”, de Abraham B. Jehoushua, é ambientada em 2002 e centrada no gerente
de Recursos Humanos da maior panificadora de Jerusalém (Mark Ivanir, ótimo). Um
atentado à bomba ocorre na cidade e entre as vítimas fatais está uma
imigrante romena que trabalhava na empresa. Só que seu corpo ficou três dias no
necrotério, sem que ninguém providenciasse sua identificação nem sua remoção.
Um jornal sensacionalista acusou a direção da panificadora de ter negligenciado
sua funcionária e aí o gerente de RH é obrigado a entrar em ação para garantir
que a imagem da empresa não seja afetada. Esse trabalho envolve não apenas o
reconhecimento do cadáver no necrotério (numa cena hilariante), como também
providenciar a remoção do caixão para a cidade da Romênia onde vivem a mãe, o
ex-marido e o filho adolescente da falecida. A partir daí, o filme vira um road movie pelo interior da Romênia, onde
a burocracia reinante dificulta ainda mais o trabalho do gerente de Recursos
Humanos. Apesar do fundo dramático, o filme é recheado de bom humor, o que valoriza
ainda mais esse ótimo entretenimento. Do diretor israelense Eran Riklis,
recomendo também “Lemon Tree” e “A Noiva Síria”.
O diretor
italiano Matteo Garrone, dos ótimos “Reality – A Grande Ilusão” e “Gomorra” –
ambos premiados com o Prêmio do Júri no Festival de Cannes – adaptou para o
cinema três contos do livro “Lo Cunto de li Conti”, escrito por Giambattista
Basile (1566/1632), e os reuniu no filme “O
CONTO DOS CONTOS” (“Il Racconto dei Racconti”), 2015, Itália. As
histórias são ambientadas em três reinos diferentes. A primeira delas no reino
de Longtrellis, onde a rainha (Salma Hayek) quer um filho, mas não consegue
engravidar. Para conseguir esse sonho, um mago recomenda que a rainha coma o
coração de um monstro marinho, cozido por uma virgem. A missão de matar o bicho
sobrou para o rei (John C. Reilly). A
segunda história é ambientada no reino de Strongcliff, onde o rei (Vincent
Cassel) se apaixona pelo canto de uma mulher que ele só consegue ver de longe.
Só que a mulher é uma velha decrépita, suja e feia. A outra fábula acontece no
reino de Highhills. O rei (Tobi Jones, de “Capote”) cria uma pulga que se
alimenta do seu sangue e vira um bicho enorme. A filha do rei quer casar e
resolve promover um torneio para achar um marido para ela. Quem ganha o direito
de se casar com a princesa é nada menos do que um ogro. No filme, as histórias
são desenvolvidas alternadamente, sem ligação uma com as outras. O clima de
fantasia, de conto de fadas, impera durante toda a projeção, com alguns efeitos
especiais muito bem feitos, proporcionando um entretenimento dos mais
agradáveis. Apesar da produção italiana, o filme, que concorreu à Palma de Ouro
no Festival de Cannes 2015, é todo falado em inglês. Diversão garantida!
sábado, 13 de agosto de 2016
“CEM ANOS DE PERDÃO” (“Cien Años de Perdón”), Espanha,
2015, direção de Daniel Caparsoro (“Apaches”). O título é uma clara referência
ao velho ditado popular “Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão”. A história
gira em torno de um assalto a um grande banco da cidade de Valência. O plano da
gangue é fazer reféns, roubar tudo que for possível e depois fugir fazendo um
buraco no chão e alcançar um túnel de uma estação de metrô abandonada. O plano perfeito. Só
faltou combinar com São Pedro, pois começou a cair uma chuva torrencial que em
menos de uma hora inundou completamente o túnel, impossibilitando a fuga. Sem
contar com um plano B, os assaltantes resolveram ganhar tempo negociando com a
polícia. Em meio a toda essa confusão descobre-se que o assalto teria sido
encomendado com o objetivo de resgatar um disco rígido com documentos que
comprometem o primeiro-ministro espanhol. O governo resolve então acionar o
serviço secreto, que a partir de então assume o comando das negociações com os
assaltantes. O filme mantém um bom ritmo de suspense do começo ao final e
jamais cai na monotonia. É claro que você vai querer ver até o fim para
conferir como tudo vai terminar. No elenco, os atores mais conhecidos são Luis
Tosar, Rodrigo de La Serna, José Coronado e Raúl Arevalo.
quarta-feira, 10 de agosto de 2016
“NINA”, EUA, 2015,
roteiro e direção da estreante Cynthia Mort. Trata-se da cinebiografia de Nina
Simone, diva norte-americana do jazz e do soul que morreu em 2003, aos 70 anos.
O filme exalta as qualidades musicais inegáveis de Nina como pianista, cantora
e compositora, mas não deixa de explorar também o seu lado negativo. Nina era
uma artista arrogante, irascível e, além disso, alcóolatra crônica. Na fase decadente,
ela fazia shows em bares e era muito comum parar a música para xingar ou
agredir alguém da plateia. Uma espécie de Tim Maia de saias. O filme também
destaca o seu relacionamento com Clifton Henderson (David Oyelowo), enfermeiro
que conheceu numa clínica de reabilitação e que depois se tornou seu amigo e empresário.
A escolha da atriz Zoe Saldana para interpretar Nina causou uma grande polêmica.
Isto porque Zoe é bonita e teve que se submeter a uma grossa maquiagem para
parecer feia e tão escura quanto Nina. Não deu certo e o resultado acabou
decepcionando não apenas os fãs da cantora, como também sua família, que
detestou tanto a escolha como o trabalho da atriz. Apesar desse contratempo, o
filme tem força dramática e dá uma boa ideia da personalidade da cantora, que
também foi uma corajosa ativista contra a segregação racial. A trilha sonora é a cereja
do bolo.
Enquanto
assistia “A VINGANÇA ESTÁ NA MODA” (“The Dressmaker”), 2015, roteiro e direção de Jocelyn
Moorhouse, fiquei me perguntando o que estão fazendo nesse filme medíocre duas
das melhores atrizes da atualidade, como Kate Winslet e Judy Davis (de tantos
filmes de Woody Allen). É claro que não obtive resposta, mas cheguei ao final com
a mesma impressão: o filme é muito fraco. Trata-se de uma comédia australiana de
humor negro, ambientada em 1951, que conta a história de Mirtle “Tilly” Dunnage
(Winslet), que ainda adolescente é expulsa de uma pequena vila no sertão da
Austrália, acusada de ter cometido um crime. Depois de passar cerca de 20 anos
fora, durante os quais fez um curso de estilista em alta costura em Paris, Tilly
volta para casa para se confrontar com seus antigos algozes e contar
sua versão sobre ao crime pelo qual foi acusada. Além disso, reencontra a mãe, Molly
(Judy Davis), que ficou louca e vive na maior sujeira. Somente a moda conseguirá
aproximar Tilly das moradoras da vila, o que remete ao título do filme. Alguns
personagens estranhos surgem na história, como um policial (Hugo Weaving) que
gosta de se vestir de mulher e um velhinho tão encurvado que só consegue enxergar
o chão. Tudo muito caricatural, non sense. Se há alguma coisa a se elogiar, destaco o título nacional bem bolado e que condiz com a história, além dos ótimos desempenhos de Winslet e Judy Davis. Muito pouco para justificar a permanência em frente à telinha por 1h58m. O filme foi exibido pela primeira vez no 40º Festival de Toronto (Canadá), em
setembro de 2015. terça-feira, 9 de agosto de 2016
Se
você gosta de assistir a um filme com alta dose de sensibilidade – e qualidade
-, não perca o drama japonês “SABOR DA VIDA” (“An”), 2015, da diretora Naomi Kawase (“O Segredo
das Águas”). É um filme simples, delicado, comovente, cuja história é ambientada
numa pequena confeitaria especializada na confecção do tradicional doce japonês
Dorayaki – trata-se de uma panqueca recheada com pasta de feijão vermelho. O
gerente Sentaro (Masatoshi Nagase) toca o negócio sozinho, preparando os
Dorayakis e também atendendo os clientes. Até que um dia aparece Tokue (Kirin
Kiki), uma senhora de 76 anos, que se oferece para ajudá-lo. De início, Sentaro
se recusa a contratá-la. No dia seguinte, porém, Tokue volta à confeitaria
levando sua pasta de feijão para Sentaro experimentar. Ele fica encantado com o
sabor, achando a receita maravilhosa. Ele então contrata Tokue, que o ensina a
fazer a pasta do seu jeito. O sucesso é imediato e as filas de clientes
aumentam a cada dia. Até que alguém percebe que as mãos de Tokue são deformadas
por algum tipo de doença, o que chega ao conhecimento da dona da confeitaria,
que obriga Sentaro a demitir Tokue. A sensibilidade do filme não está apenas na
amizade entre Tokue e Sentaro, mas também nas observações da idosa a respeito
da Natureza, principalmente relacionadas a pássaros, cerejeiras e feijões. O filme de Kawase, baseado no livro "An", de Durian Sukegawa, integrou a Mostra “Um
Certo Olhar” do Festival de Cannes 2015, além de ter sido exibido por aqui no
ano passado durante a 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Impossível
não se comover com a interpretação de Kirin Kiki, o que torna o filme ainda
mais irresistível. Não perca!
Já
que a Olimpíada é o assunto do momento, vale a pena assistir “RAÇA”
(“RACE”), 2015, Canadá, direção de Stephen
Hopkins. O filme relembra a incrível e fascinante história do corredor
norte-americano Jesse Owens (o ator canadense Stephan James), que nas
Olimpíadas de 1936, em Berlim, conquistou quatro medalhas de ouro, contrariando
e enfurecendo as autoridades nazistas, que apostavam na supremacia da raça
ariana inclusive no esporte. O filme destaca a trajetória de Owens, um negro
pobre que sofreu preconceito a vida inteira em seu próprio país, inclusive
depois que virou herói olímpico. Num dos episódios mostrados logo após as Olimpíadas,
Owens seria o homenageado numa grande recepção em Nova Iorque. Mesmo assim, ele
e a esposa são obrigados a entrar pela porta de serviço. O filme também
apresenta os fatos que marcaram os bastidores das reuniões do comitê olímpico
norte-americano, que até o último momento era contra a participação dos EUA no
evento de Berlim. Um de seus integrantes, Avery Brundage (Jeremy Irons), foi a
Berlim negociar a participação norte-americana diretamente com Josef Goebbels
(Barnaby Metschurat), ministro de propaganda nazista. Ficou acertado, por
exemplo, que a Alemanha teria de aceitar negros e judeus na delegação dos EUA.
Acordo firmado, mas não cumprido, como o filme mostrará adiante. O filme também
destaca o trabalho de Leni Riefenstahl (a atriz holandesa Carice van Houten), a
“cineasta de Hitler”. Outro destaque do elenco é Jason Sudeikis, que interpreta
Larry Snyder, o primeiro técnico de Owens. O filme ainda apresenta alguns momentos
bastante comoventes, como a amizade de Owens com o principal atleta alemão, Carl
Long (David Kross). Resumindo, um filmaço!segunda-feira, 8 de agosto de 2016
Depois
de conquistar o Oscar de Melhor Ator em 2003 com “O Pianista”, de Roman Polanski,
Adrien Brody não emplacou nenhum outro grande sucesso, alternando participações em bons filmes como “Meia-noite
em Paris” e “Grande Hotel Budapeste” com outros tantos de qualidade duvidosa, como é o
caso do recente “MANHATTAN NIGHT” (ainda sem tradução por aqui), 2015, EUA, roteiro
e direção do estreante Brian DeCubellis. A história, inspirada no livro
homônimo escrito por Colin Harrison em 1996, é centrada no repórter policial Porter
Wren (Brody), famoso pelo toque sensacionalista que dá às reportagens. Durante
um coquetel oferecido pelo dono do jornal em que trabalha, Wren conhece a bela
e sedutora Caroline Crowley (a atriz australiana Yvonne Strahovski). Mesmo ele
sendo casado e ela noiva, os dois começam um caso. Só que, como Wren irá descobrir,
Caroline se entregou com outras intenções, relacionadas com a morte misteriosa
de seu ex-marido Simon Crowley (Campbell Scott) e uma fita de vídeo que compromete
um grande empresário. Wren acaba se envolvendo numa trama que colocará sua vida
e a da sua família em perigo. O filme tem um toque de policial noir, com algum suspense e reviravoltas,
mas não convence, principalmente pelo roteiro um tanto confuso. Nada que mereça
uma indicação entusiasmada, a não ser a presença marcante e estonteante da loiraça Yvonne
Strahovski.domingo, 7 de agosto de 2016
“NON ESSERE CATTIVO” (já vi traduzido em duas
versões por aqui, “Não Seja Mau” e “Não Seja Rebelde”), Itália, 2015, direção
de Claudio Caligari. Ambientado nos anos 90 em Óstia, distrito litorâneo de
Roma, o drama é centrado em Cesare (Luca Marinelli) e Vittorio (Alessandro
Borghi), dois amigos trambiqueiros e drogados, que gostam de arrumar encrenca e
sair pelas baladas noturnas. São pobres, vivem de roubos e da venda de drogas.
Trabalho honesto, nem pensar. Um dia, porém, Vittorio começa a ter visões por
causa das drogas e passa a repensar seu modo de vida. Além disso, conhece Linda
(Roberta Mattei), por quem se apaixona. Enquanto isso, Cesare não larga as
drogas e passa a usar as mais pesadas, apesar dos conselhos da namorada Viviana (Silvia D’Amico) e do amigo Vittorio. Fica na cara que o final de Cesare não será
dos melhores. Caligari, autor do roteiro e diretor (morreu logo após o final
das filmagens), apresenta um retrato triste e nada animador de jovens sem valores,
sem esperança e mais interessados em curtir a vida perigosamente, caindo na
marginalidade. Um tipo de juventude nada diferente do que conhecemos por aqui e
acolá. Repito: é um filme pesado, quase desagradável. Mesmo assim, foi um dos
indicados para representar a Itália na disputa do Oscar 2016 de Melhor Filme
Estrangeiro, além de ter sido premiado em vários festivais internacionais.
sexta-feira, 5 de agosto de 2016
“OS ANARQUISTAS” (“Les Anarchistes”), França,
2015, roteiro e direção de Ellie Wajeman. Paris, 1899: o jovem sargento da
polícia Jean Albertini (Tahar Rahim) é encarregado de se infiltrar num grupo de
anarquistas. A promessa de uma futura promoção faz Jean aceitar a missão. Ele
começa ingressando como trabalhador comum numa fábrica, fazendo amizade com aqueles
já conhecidos como militantes da causa anarquista. Integra-se tão bem ao grupo
que é convidado para morar junto com os militantes num amplo apartamento. Jean
é obrigado a participar das ações do grupo, que compreendem manifestações de
protesto nas ruas, reuniões em locais públicos e até roubos. Entre os anarquistas
está Judith (Adéle Exarchopoulos), que logo se apaixona por Albertini. E
vice-versa. Até o desfecho, o policial viverá o conflito de entregar a parceira
amada. O ator Tahar Rahim, de origem argelina, mais uma vez apresenta uma
atuação marcante, ao contrário de Exarchopoulos, cujo desempenho está longe do
que se espera de uma atriz considerada uma grande revelação, principalmente
depois que atuou no polêmico “Azul é a Cor mais Quente”. A atriz atua no piloto
automático, fria e distante, sem qualquer emoção. De qualquer forma, o filme é
muito bom, principalmente na recriação de época, através de cenários e
figurinos. O filme foi exibido pela primeira vez na abertura da Semana da
Crítica do Festival de Cannes 2015.
quarta-feira, 3 de agosto de 2016
“1001 GRAMAS” (“1001 Grams”), 2014, Noruega, direção de Bent Hamer. Com a minha habitual modéstia cinematográfica, confesso que até a
metade do filme tentei entender o que estava acontecendo. Na segunda metade, até
o final, captei algum sentido na história, mas mesmo assim acabei meio perdido
nas elucubrações de Hamer, que já havia escrito e dirigido outros filmes
esquisitos, como “Caro Sr. Horten”. O enredo, por si só, já é árido. A
cientista Marie (Anne Dahl Torp) trabalha no Instituto de Medidas da Noruega
juntamente com seu pai Ernst (Stein Winge), este um renomado cientista. Marie
vive um momento difícil pós-separação e está bastante deprimida. Às vésperas de
uma conferência científica sobre pesos e medidas em Paris, da qual participaria
levando o protótipo do “quilo padrão” da Noruega, Ernst fica doente. Marie,
então, é encarregada da missão e embarca para Paris levando o tal protótipo
para apresentar na convenção. Não sei se isso acontece de verdade, mas,
venhamos e convenhamos, não é um tema de fácil assimilação para nós, mortais e
leigos espectadores. A depressiva Marie aparece com cara de profunda tristeza em
todas as cenas e só é capaz de um sorriso no desfecho, quando está transando
com o amante parisiense e tenta calcular a medida do que está lhe causando
tanta satisfação. Ah, pelo menos o título do filme é explicado, mas não vou
contar para não estragar a surpresa.
Assinar:
Postagens (Atom)